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I – ASPECTOS MORAIS

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Estudos Esotéricos Livres
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Marco Aurélio Leite da Silva

Compilação de Estudos
Até 03/01/2011

I – Aspectos Morais

MarcoALSilva --- 1
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I – ASPECTOS MORAIS

ÍNDICE

I – Aspectos Morais .....................................................................................................1


A Mansuetude..........................................................................................................3
Nossa Iniquidade .....................................................................................................3
Não tema! Decida! Viva! .........................................................................................5
Lírios........................................................................................................................6
Bem e Mal - Visão Espírita (Kardec)......................................................................7
Pense Positivo! .......................................................................................................10
Palavras são águas profundas... ............................................................................11
Espíritas, Evangélicos, Católicos...........................................................................12
Perdoar --- Punir ...................................................................................................13
O Amor... ...............................................................................................................14
Responsabilidade sexual........................................................................................15
Amar os Inimigos (?) .............................................................................................15
Aspectos Morais – Espiritismo - I.........................................................................16
LEI DE ADORAÇÃO .........................................................................................16
Aspectos Morais – Espiritismo - II .......................................................................19
ABSTER-SE DO MAL NÃO BASTA ................................................................19
O ÓBOLO DA VIÚVA .......................................................................................19
Aspectos Morais – Espiritismo - III......................................................................20
REFERÊNCIA MORAL .....................................................................................20
Desequilíbrios Emocionais ....................................................................................21
A Fé........................................................................................................................22
Sofrimento... ..........................................................................................................23
Livre-Arbítrio X Determinismo............................................................................25
Aflições...................................................................................................................26
Pequenas Obras .....................................................................................................26
Culpa, o veneno nosso de cada dia... .....................................................................27
A vingança e suas facetas ......................................................................................28
Indulgência ............................................................................................................29
Umbral - Astral inferior - Visão Espírita .............................................................30
Confiança - Dom Magno da Alma ........................................................................31
O vôo dos pássaros.................................................................................................32
"Cordeirisse" excessiva.........................................................................................32
Meditação ou Serviço à Humanidade...? Intenção!..............................................33

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A Mansuetude
A mansuetude é um dom magno que o homem deve procurar cultivar com
serenidade na construção de seu edifício evolucionário de paz interior. A ira é
um vinho frisante sempre prestes a arremeter longe a rolha da garrafa. É a
jactância do ego perante si mesmo, num misto de orgulho e arrogância, o olvido
de nossa pequenez diante do Pai Eterno. Todos temos nossos momentos de
fraqueza, máxime pelo desgaste acumulativo com que o estresse diário nos
envenena e vai minando o bom-senso. Tenhamos paciência e boa-vontade.
Lembremo-nos do ponto fundamental: todos nós necessitamos de perdão;
portanto, não devemos nos deixar levar pela sedução da ira sob pena de
recebermos o influxo inevitável de nossa contra-parte nas agitações violentas
que imprimimos no éter a que estamos sintonizados.

Nossa Iniquidade
O Universo, e é a Física quem o assevera firmemente, é um imenso oceano de
vibrações. É um todo de manifestações ondulatórias que vêm e vão, cruzando-se,
interagindo, literalmente convivendo em meio ao corpo universal de que, afinal,
elas próprias são elementos estruturais.
Um espiritualista, independentemente de sua religião ou ausência de religião,
bem sabe que as vibrações nos circundam, trespassam, conosco ressoam. Nem
sempre tal interatividade resulta favorável ao nosso equilíbrio geral. Pessoas
sensíveis sentem-se mau tão-só ao adentrarem determinados ambientes, muitas
vezes de insuspeitada nocividade. Há também sensitivos que se revigoram ao
convívio daqueles cuja alma vibra em paz, espargindo harmonia.
Já as pessoas bem menos sensíveis, aquelas imersas integralmente no padrão
denso das vibrações mais graves, terminam percebendo que têm algo diferente
da maioria. São os que não sentem nada ruim em ambiente algum, mesmo que
outros apontem aquele local como desagradável ou até insuportável.
A grande maioria de nós está no meio-termos entre os muito sensíveis e os quase
insensíveis. Não cabe aqui nenhuma crítica, é bom que se esclareça. Pessoas
isentas de sensibilidade às vibrações baixas de um local, ou de alguém, nem por
isso serão necessariamente menos evoluídas no geral. Da mesma forma, pessoas
com grande sensibilidade nem sempre cultuarão o requinte de uma conduta
moralmente elevada.
O que se pretende discutir, nessas parcas linhas, é a dificuldade que temos de
identificar o que há de influência imaterial em uma dada situação perturbadora
que o homem experimente.
A magia dos verbetes técnicos da psiquiatria ou da psicologia não nos esclarece,
com seus diagnósticos emoldurados de cientificismo, a essência dos males que
perturba o ser, seja no estamento da mera perturbação, seja na desestruturação de
sua personalidade. Mas ainda que nos mantivéssemos nos muros da ortodoxia
catedrática, no mínimo teríamos o desconforto dos depósitos de psicopatas que
se arrastam ou divagam em manicômios. Rótulos de diagnose e tratamento
inúmeras vezes são quimeras sofisticadas incapazes de levar àquelas almas
qualquer lenitivo.

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Nos anais da neurologia bastas patologias deixam assente que o cérebro sofre
ataques ou degeneração, o que comprova a efetiva existência de desarranjos
essencialmente materiais para os males do tipo a que nos atemos aqui.
Existem psicopatas sem nenhum dano no cérebro. Existem infelizes que perdem
a noção de si mesmos por degeneração das células cerebrais.
A coisa toda se complica ainda mais se considerarmos que, num ou noutro caso,
pode ou não haver a influência de causas espirituais. Como em tudo na vida, não
podemos utilizar a sedução reducionista de taxar as perturbações como "sempre
espirituais". Quase ninguém ignora que o estresse pode levar à deterioração tanto
física como emocional. Basta que o homem enfrente um ambiente hostil por
tempo suficiente, tendo que se adaptar continuamente à hostilidade percebida,
dia após dia, para que seu sistema imunológico baixe, sua auto-estima regrida,
numa sucessão fenomênica que poderá levá-lo a um colapso, quiçá fatal. Se
estivesse na vida selvagem, fugiria ou lutaria pela sobrevivência. Mas no mundo
civilizado, no interior de um escritório de trabalho com extremos de
competitividade e, por isso mesmo, quase sempre sob muita agressividade, o ser
tem que ambientar os impulsos no teatro da vida.
Existem, pois, perturbações essencialmente psicogênicas.
Nessas fases de desequilíbrio emocional o homem, salvo poucas exceções, não
costuma cultivar os melhores pensamentos acerca de tudo à sua volta. Abre
todas as comportas da irascibilidade no recôndito de sua mente, insciente de que
nada é mais ilusório do que a privacidade de um pensamento.
É nessas oportunidades que fica mais vulnerável à influência de outras ondas
mentais de igual teor. Quando o padrão vibratório assume oitavas mais graves,
agitando-se nessa seara de ondulações energéticas, recebe por ressonância o
aditamento dos harmônicos com que se irmana. O diapasão da alma vibra por si
e se realimenta com a vibração semelhante que lhe chega em harmonização.
Cada um recebe o que cultua. Cada homem se afina com os pensamentos que
merece.
Portanto, mesmo as perturbações essencialmente psicogênicas são, no mínimo,
um campo muito fértil para a erva daninha da perturbação espiritual.
Muitas vezes ficamos sem saber o que fazer quando a bênção da medicina
tradicional não resulta eficaz e nos frustra o ideal de cura. Mesmo os
espiritualistas convictos, com os quais formo, sofrem intensamente a dor de
conhecer a causa subjacente a todo e qualquer mal: a incúria.
O grande pecado que cometemos contra nós mesmos é a incúria, a ausência do
"orai e vigiai". Se o erro é a falsa noção da realidade e o pecado é a noção do
caráter ilícito da atitude que tomamos, a iniqüidade é a contumácia no
cometimento dos pecados.
Pecamos, e muito, em pensamento.
Quem não tem os seus pensamentos inconfessáveis?
Cultivamos a iniqüidade que nos aprisiona nos limites de nossa incúria.
Recebemos os harmônicos dos tons perturbados que conosco se afinam. E o pior
de tudo: colaboramos para que outrem recebam os nossos harmônicos de dor e
desatino.

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É hora de nos ajustarmos. Tarda. Somos integralmente responsáveis por tudo o
que fazemos ou deixamos de fazer. Somos integralmente responsáveis por cada
nesga de pensamento que lançamos no seio da Criação.

Não tema! Decida! Viva!


Quando pensamos na escuridão plena de uma noite sem estrelas, observada por
alguém distante de quaisquer fontes de luz, podemos bem imaginar o que é a
ausência de cores e, por extensão, o que sejam as trevas.
Por outro lado, se olharmos para o sol em um dia sem nuvens, quando o astro
está bem alto no céu, mal poderemos manter o vislumbre de tão intensa luz
ofuscando-nos a visão.
São extremos perceptivos que não geram dúvidas quanto ao seu conceito, por
mais variadas que sejam as potencialidades perceptivas das pessoas em geral.
Nem mesmo os cegos podem entender os conceitos de luz e trevas por ausência
do indispensável elemento de comparação que os apartam, um em cada canto do
senso perceptivo.
Míopes, mesmo os de menor acuidade visual, bem sabem o que é olhar para o
sol ou estar em uma sala escura.

Mas e se pensarmos no que existe em meio a estes extremos?

O nascer do sol é um momento tão lindo quanto o seu poente. O espetáculo de


cores e o bailado intenso e rápido dos matizes surgem tanto logo pela manhã
como no anoitecer. No entanto, tanto nos primeiros instantes em que o raiar se
prenuncia como nos últimos suspiros do astro que se põe, o cinza toca a alma
humana e marca sua presença como o elemento que mais faz sofrer o espírito
eterno do homem.

É o cinza que nos refrata a nudez interior, expondo-a diante de Deus que,
compassivamente, restringe-nos a vergonha em pequenas lições curtas, dia-a-dia,
na chegada e na partida do astro doador de luz e calor.

O cinza é a confusão entre a luz e as trevas. É a nossa incapacidade de distinguir


o que é, com certeza, daquilo que não é. É a certeza de que não podemos saber
exatamente o que é nos momentos em que o cinza impera. É o princípio da
incerteza como lei universal também para a alma do homem.

Todavia o orgulhoso filho do Criador, senhor de sua consciência e cioso de suas


convicções sólidas que acumula no vigor do dia iluminado tanto quanto em meio
à noite que aprende a iluminar, pretende também nos momentos cinzas ousar
diante de Deus ocultando seus medos e lançando-se na estrada que o leva... que
o leva... que o leva a algum lugar...

Afinal, o sol voltará! Se a ousadia for daquelas não tão extravagantes, o homem
aguardará só mais um pouco, vencendo a manhã para que a luz novamente o
faça bem ver e saber por onde anda. Contudo, se a ousadia for maior do que a
prudência recomenda, deverá permanecer toda uma noite de escuridão até

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descobrir se ousou corajosamente, ou se apenas embalou-se na tolice de uma
malsinada aventura.

Saber e ousar no que tange a tudo o que a luz nos mostra e evidencia pressupõe
uma grande prudência, prudência que só não é maior do que a coragem de
escolher, decidir e ousar quando o cinza não nos permite saber.

Quem vive, decide e ousa apenas à luz de um dia plenamente iluminado


raramente correrá o risco de errar. Da mesma forma, quem vive, decide e ousa
tão-somente nas noites em que as estrelas e a lua concorrem com lâmpadas e
faróis, da mesma forma dificilmente errará o caminho.

Mas pense!

Deus nos deu a luz e as trevas. São como talentos de que devemos haurir o que
nos falta para vencermos e bem decidir quando os instantes cinzas nos forem
colocados para nossa apreciação e decisão.

Não tema! Decida! Viva!

Lírios
No comum das lides diárias, o homem trava a sua mais dura batalha. Ano a ano
arrosta a luta contra os instintos de milênios de aprendizado na seara dos
impulsos indispensáveis da conquista e domínio de seu meio.

Eis que os verdadeiros heróis da grande aventura do Homem não estão por trás
dos olhos vitoriosos das armas ou da subjugação pura e simples dos semelhantes.
Não... O grande guerreiro, o infatigável soldado da senda que arrosta o bom
combate, jamais empunhou outra arma senão a perseverança em buscar o que
tantas vezes sequer pôde compreender.

O homem que recebe o galardão que faz sua alma menos densa não passa por
este Mundo com o cetro poderoso à destra... É simples, humilde, tenaz em suas
convicções mesmo que as palavras não lhe emirjam dos lábios tímidos e
desacostumados à oratória...

Não convence a ninguém, tampouco tenta expressar-se conquanto a própria


Vida, para quem tem olhos de ver, seja-lhe o mais eloqüente discurso da glória a
buscar.

São os pobres pelo Espírito que, à tibieza de pernas cansadas, conseguem mais
ascender na difícil senda evolutiva.

Não tecem senão remendos, não semeiam senão gotas de suor... No entanto,
como lírios que são, nem mesmo os mais sábios podem cobrir-se com maior
glória!

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Antecipam para si, pelo mais árduo mérito, a bem-aventurança da conquista
suprema de subjugar o ego ao chamado do Alto, deixando o ardor da vida
ardente pela Serenidade da Vida na Paz.

São os simples que mais praticam a Benevolência, a Indulgência e o Perdão...


Valores magnos que o Espírito Humano alcança nos vôos condoreiros a que,
infelizmente, nem todos ousam... Têm boa-vontade e distribuem auxílio
multiplicando meios com a mesma magia que multiplicou pães e peixes... São
indulgentes porque, na árdua conquista de si mesmos, relegam o orgulhoso senso
de retidão à certeza de que todos erramos... Perdoam, fundamentalmente
perdoam, porque sabem-se falhos e necessitados também, antes de tudo, do
perdão de Deus...

Sábios os pobres pelo Espírito! Brilhantes! Ofuscam a mais complexa concepção


filosófica com a simplicidade de um viver humilde.

Bem e Mal - Visão Espírita (Kardec)


No estudo deste tema, inevitável que abordemos a questão da dualidade Bem
versus Mal. Iniciemos com a conceituação.

629. Que definição se pode dar da moral?


“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se
na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem
de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”
(O Livro dos Espíritos)

Como regra básica, portanto, procede bem quem procura o bem comum. A
noção de Bem e Mal está no homem como atributo de sua inteligência para
discernir.

630. Como se pode distinguir o bem do mal?


“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário.
Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é
infringi-la.”

631. Tem meios o homem de distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal?
“Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu inteligência para
distinguir um do outro.”

632. Estando sujeito ao erro, não pode o homem enganar-se na apreciação do


bem e do mal e crer que pratica o bem quando em realidade pratica o mal?
“Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se
resume nisso. Não vos enganareis.”
(O Livro dos Espíritos)

Talvez uma das normas de conduta mais importantes: fazer ao próximo o que
desejamos que nos façam. A distinção entre várias situações limítrofes e
confusas tem aí o seu fundamento.

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Uma abordagem muito importante foi feita por Kardec quanto à existência do
Mal na natureza das coisas. A resposta dada pelos Espíritos é muito
significativa, apontando expressamente a necessidade de experiência do ser tanto
no Bem como no Mal.

634. Por que está o mal na natureza das coisas? Falo do mal moral. Não podia
Deus ter criado a Humanidade em melhores condições?
“Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes (115). Deus
deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o caminho
mau: mais longa será sua peregrinação. Se não existissem montanhas, não
compreenderia o homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas,
não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito ganhe
experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mau. Eis por que se une
ao corpo.” (119) (grifei)
(O Livro dos Espíritos)

Disso advém a necessidade de um maior questionamento acerca da origem do


Mal. Kardec volta a abordar o tema em A Gênese.

Sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria,todo bondade,


todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus
atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir
que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a
sua origem.
Após apontar a existência de dois tipos de Mal, (os evitáveis e os inevitáveis),
Kardec propõe que o conceito em si de Mal é relativo. Uma circunstância muitas
vezes pode aparentar ser um mal, quando, na verdade, se conhecidos fossem a
causa, o objetivo e o resultado definitivo, seria tida como um bem.

O homem, cujas faculdades são restritas, não pode penetrar, nem abarcar o
conjunto dos desígnios do Criador; aprecia as coisas do ponto de vista da sua
personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo
e que não se compreendem na ordem da Natureza. Por isso é que, muitas vezes,
se lhe afigura mau e injusto aquilo que consideraria justo e admirável, se lhe
conhecesse a causa, o objetivo, o resultado definitivo. Pesquisando a razão de ser
e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinete da sabedoria infinita
e se dobrará a essa sabedoria, mesmo com relação ao que lhe não seja
compreensível.
(A Gênese)

É bem nesse contexto que podemos entender, pois, que a experiência no Mal
leva ao Bem. Dir-se-ia circunstâncias tidas como males leva a um bem. Mesmo
no que se refere à livres opções do ser, que freqüentemente o relega à dor por
sua própria escolha, temos fatos e circunstâncias de aprendizado pela
experiência. Muitos são os aspectos da vida em que o aprendizado não se opera
senão à conta do treinamento inafastável e o respectivo esforço e dedicação.
Vejamos adiante:

Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe


ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência, ele se

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sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-
arbítrio. Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu
os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se
moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar
as condições materiais da sua existência. (grifei)
(A Gênese)

Tanto é verdade, que Kardec pronuncia uma das pedras basilares da


conceituação espírita: o mal é a ausência do bem. Esse aspecto é de grande
relevância por evidenciar que o Mal não é um atributo distinto do Bem.

Pode dizer-se que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor.
Assim como o frio não é um fluido especial, também o mal não é atributo
distinto; um é o negativo do outro. Onde não existe o bem, forçosamente existe o
mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem. Deus somente quer o bem; só
do homem procede o mal. Se na criação houvesse um ser preposto ao mal,
ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em SI MESMO,
tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as leis divinas, evitá-lo-á
sempre que o queira.
(A Gênese)

Ainda mais compreensível se torna a referida necessidade de experiência do ser


tanto no Bem como no Mal quando verificamos o que Kardec fala das paixões e
dos vícios:

Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de


umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em
toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade,
nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não
ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida
que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria. O Espírito tem
por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência
corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o
exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da
espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse
período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e
semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce
domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que
se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se
deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação,
o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza,
transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como
porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita coisa, que é
qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal é, pois, relativo e a
responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.
(A Gênese)

Eis que o mal (ou, melhor dizendo, muito do que é tido como mal) é uma fase do
desenvolvimento do ser. O que outrora era um bem, torna-se um mal, conforme

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o ser deixa a animalidade e adentra à noção de si conforme o seu grau de
adiantamento.

Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, visto que, a não ser
assim, Deus teria feito coisas inúteis e, até, nocivas. No abuso é que reside o mal
e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo
seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.
(A Gênese)

A situação do ser enquanto ainda nos limites mais primitivos é destacada por
Kardec em O Céu e o Inferno:

Como prova da sua inocência, o quadro dos homens primitivos extasiados ante a
Natureza e admirando nela a bondade do Criador é, sem dúvida, muito poético,
mas pouco real. De fato, quanto mais se aproxima do primitivo estado, mais o
homem se escraviza ao instinto, como se verifica ainda hoje nos povos bárbaros
e selvagens contemporâneos; o que mais o preocupa, ou, antes, o que
exclusivamente o preocupa é a satisfação das necessidades materiais, mesmo
porque não tem outras.
O único sentido que pode torná-lo acessível aos gozos puramente morais não se
desenvolve senão gradual e morosamente; a alma tem também a sua infância, a
sua adolescência e virilidade como o corpo humano; mas para compreender o
abstrato, quantas evoluções não tem ela de experimentar na Humanidade! Por
quantas existências não deve ela passar!
(O Céu e o Inferno)

Mais adiante:

Se nos remontarmos a estes últimos (homens primitivos), então, surpreendê-los-


emos mais exclusivamente preocupados com a satisfação de necessidades
materiais, resumindo o bem e o mal neste mundo somente no que concerne à
satisfação ou prejuízo dessas necessidades.
(O Céu e o Inferno)

Assim Kardec identifica a causa de prevalecer no homem primitivo, conforme


ganha mais responsabilidade por seu adiantamento, uma tendência ao mal.

Mas o homem é comumente mais sensível ao mal que ao bem; este lhe parece
natural, ao passo que aquele mais o afeta. Nem por outra razão se explica, nos
cultos primitivos, as cerimônias sempre mais numerosas em honra ao poder
maléfico: o temor suplanta o reconhecimento.
(O Céu e o Inferno)

Conquanto não haja uma referência expressa, temos aí a visão espírita, com
fulcro em Kardec, para o mito da Queda do Homem. Não se tem um anjo
ciumento lançando-se nas trevas por querer ser Deus; tem-se uma fase de
desenvolvimento do ser, que se identifica com aspectos da vida que são tidos
como males.

Pense Positivo!

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O som das palavras vibra como som na faixa audível para o homem comum.
Estimula o seu tímpano e anota impulsos que o sistema nervoso aprende a
identificar como idéias.

Porém, mais do que isso, essas idéias que as palavras despertam no ser
continuam sua senda e despertam pensamentos que, por sua vez, irradiam-se no
mundo etérico imprimindo na aura do ser as formas correspondentes, tanto mais
intensas quanto mais concentrado for o pensamento gerador.

Um pensamento aceito e reiterado é uma entidade astral que ganha força e


perdura, vibrando e gravitando o ser pensante numa atração recíproca que
estabelece uma realimentação fechando um círculo fenomênico.
Por isso boas palavras, despertando bons pensamentos, contribuem em muito
para que a atmosfera psíquica do ser permaneça saudável e o ajude a veicular as
energias necessárias para que os fins de sua existência sejam atingidos...

Jamais se permita criar o hábito suicida de dizer coisas do tipo "para mim tudo
dá errado", "tinha que ser comigo", "minha vida é uma porcaria" etc etc etc...

Pelo contrário! Crie um hábito simples e acessível a todos: toda manhã, diante
de si no espelho do banheiro, diga alto e em bom som para si mesmo - " Tudo
vai dar certo hoje!".

Repita algumas vezes...

Não tenha medo de parecer infantil ou bobo... Faça...

É uma programação mental simples que com o tempo você fará com mais e mais
sinceridade... Aproveite o ensejo e peça que o seu anjo guardião esteja com
você...

O hábito faz o monge...

Palavras são águas profundas...


As palavras são águas profundas. Isso não quer dizer que o fenômeno começa no
plano físico. Na verdade começa no pensamento de quem vai pronunciar as
palavras que, ouvidas, transmutam-se em sinais que são compreendidos como
idéias e que despertam - em quem ouve - os correspondentes pensamentos.

Daí a responsabilidade de quem fala... Ou, melhor dizendo, de quem pensa (ou
não pensa adequadamente) antes de falar...

Essas idéias que as palavras despertam no ser continuam sua senda e despertam
pensamentos que, por sua vez, irradiam-se no mundo etérico imprimindo na aura
do ser as formas correspondentes, tanto mais intensas quanto mais concentrado
for o pensamento gerador.

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As idéias transmitidas por outrem, no mais das vezes, chegam-nos através das
palavras ditas, que se originam do pensamento de quem assim se comunica.

Mas não é só.

Quem pronuncia boas palavras (no sentido de bons pensamentos), irradia boas
idéias que advêm necessariamente de um pensamento bom, saudável, pelo que o
primeiro a se beneficiar é exatamente quem fala...

Por isso boas palavras, despertando bons pensamentos, contribuem em muito


para que a atmosfera psíquica do ser permaneça saudável e o ajude a veicular as
energias necessárias para que os fins de sua existência sejam atingidos...

Procurando boas palavras estaremos, também assim, procurando primeiro o


reino de Deus.

É o mesmo princípio da prece.

Se não for feita com o coração, pode ser linda e bem entoada... De nada
adiantará... Mas a oração feita com pensamento que nasce das emoções magnas
de quem busca sinceramente a elevação, essa sim, frutifica e jamais deixa de ser
ouvida.

Espíritas, Evangélicos, Católicos


A água só aparece quando o poço está pronto.

Há uma versão mais clara:


Quando o discípulo está pronto o Mestre aparece.

A consciência espiritual jamais, em toda a história humana, foi


massificada...Claro que a idéia de Boa Nova é exatamente mudar isso, tendo
ocorrido inclusive a parafernália de fenômenos em várias partes do mundo para
chamar a atenção das pessoas --- Daniel Dunglas Home, mesas girantes, irmãs
Fox etc.
No entanto, o progresso dos homens em geral, no que pertine à aquisição de
consciência espiritual, apenas em quimera ocorreria por conta da Codificação ou
de quaisquer outras correntes espiritualistas que se tenham voltado a um público
maior... É um fenômeno de aquisição individual e essencialmente progressiva...

Ao contrário de muitos (como vejo na internet em geral) que apontam o


"fracasso" do Espiritismo ou de outras escolas espiritualistas, eu diria que a
semente foi plantada no exato planejamento superior para o que viria. Não foi à
toa que a Codificação ocorreu em meados do século XIX e durante o século XX
milhões de espíritos vieram para suas experiências de conformação como joio ou
como trigo...

Que bom que existam miríades de igrejas evangélicas!!! Que bom que tenha se
desenvolvido, por exemplo, a renovação carismática e tantas pastorais na igreja
católica!!! Juntas, ajudam miríades de presidiários, toxicômanos e delinquentes

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de todos os níveis, recuperando muito mais do que o movimento espírita jamais
pôde fazer... De nossa parte, somos engrenagens igualmente importantes na
condução da Obra naquilo que nos cabe cumprir.

Não se trata de maior ou menor evolução para uns ou para outros: trata-se de
dar-se o cuidado e atenção adequados a cada um conforme as características de
sua fé.
Deus É e Está em TODA a Obra. Ninguém será deixado sem a chance generosa
de redenção, nos seus limites.

Ou Deus é concebido como o Inteligência Suprema que a tudo conduz na


Harmonia Perfeita, ou a própria noção de Divindade deve ser revista...
Assim como outros deste Fórum, tenho grandes amigos tanto evangélicos como
católicos. Desempenham trabalhos diamantinos para os semelhantes. Outros
tantos existem que não merecem sequer menção --- mas isso ocorre também no
meio espírita.

Meditemos...

Perdoar --- Punir


Devemos perdoar mas aplicar as consequências que a lei humana preveja para o
caso, tanto quanto ocorrerá por via da causalidade cármica. Devemos aplicar a
lei humana, com todos os seus eventuais defeitos, porque não aplicar o Direito
equivaleria ao abandono de um dos aspectos em que se sustenta nossa sociedade,
imperfeita sem dúvida, mas que necessita do ordenamento jurídico.

É por isso não podemos tomar a justiça em nossas mãos. Quem julga não é a
vítima ou seus parentes. Quem julga é um homem (com todos os defeitos da
condição humana) que não tem relação emocional com o caso (sob pena de
nulidade do processo). Assim, perdoar e punir são fenômenos que devem ocorrer
concomitantemente. A vítima perdoa; o Estado julga.

No que tange ao "dai a Cesar o que é de Cesar", apesar de todas as ilações


elevadas que se possa daí retirar, na verdade corresponde a uma armadilha que o
Sinédrio havia criado para prejudicar Jesus em suas pregações. Foi perguntado
ao Mestre, em praça pública, acerca dos pesados tributos que os judeus tinham
que pagar a Roma. Uma resposta menos inteligente levaria o Mestre à arapuca
assim armada, abreviando o enfrentamento diante da autoridade civil constituída
- a tirania romana.

O perdão é um fenômeno interno, da alma. A consequência do ato danoso é uma


consequência objetiva do mundo --- no caso do mundo humano, a punição que a
lei estipule; no caso do Mundo, a causalidade cármica.

Perdão não implica em imunidade penal nem em isenção cármica. O perdão


existe para a vítima e para o algoz, na relação entre eles e não em face da Vida,
da evolução.

MarcoALSilva --- 13
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
A Lei do Talião, segundo o Livro dos Espíritos, é a Lei de Deus, que só Deus
pode aplicar. Ou seja, ela existe.

764. Jesus disse: “Quem matar pela espada perecerá pela espada”. Essas palavras
não representam a consagração da pena de talião? E a morte imposta ao
assassino não é a aplicação dessa pena?
– Tornai tento! Estais equivocados quanto a estas palavras, como sobre muitas
outras. A pena de talião é a justiça de Deus; é ele quem a aplica. Todos vós
sofreis a cada instante essa pena, porque saís punidos naquilo em que pecais,
nesta vida ou noutra. Aquele que fez sofrer o seu semelhante estará numa
situação em que sofrerá o mesmo. É este o sentido das palavras de Jesus. Pois
não vos disse também: “Perdoai aos vossos inimigos”? E não vos ensinou a
pedir a Deus que perdoe as vossas ofensas da maneira que perdoastes, ou seja,
na mesma proporção em que houverdes perdoado. Compreendei bem isso.
(Livro dos Espíritos)

O Amor...
O Amor é a essência do todo universal.

É o Amor que faz as gemações frutificarem mesmo na pedra, denunciando a


natureza indômita com que a Vida se anuncia desde a rigidez mineral.

É o Amor que faz a luz curvar-se em reverência aos grandes astros que ele
próprio sustenta no seio de sua infinita expansão.

É o Amor que embala a resignada lagarta, prisioneira de sua fealdade, ao


aprimoramento das formas ante a magia que oculta em um casulo as asas prestes
a adornar o ar ao bailado dos perfumes que a primavera doa.

É o Amor que transforma um momento de dor e sofrimento no aprendizado que


edifica a Alma e resguarda o Espírito da liberdade, que nos teima em seduzir na
ilusão do mero desejo.

É o Amor que nos bate forte à face, marcando-nos a frívola inocência com o
rubor da corrupção desnudada, sempre que forjamos a mentira no orgulho com
que esgrimimos nossas verdades.

É o Amor que nos lança ao solo com as mãos amarradas, evitando que
marchemos à cegueira que nos conduz ao penhasco de nossas convicções
embriagadas de personalismo.

É o Amor que nos traz a dor que mais fundo cala... aquela dor que nos faz
atônitos ao percebermos que somos nós mesmos a causa vil de toda dor...

É o Amor!

Quem espera que o Amor seja uma textura de prazer na pétala suave de uma flor
envolvendo-nos o egoísmo, chorará muito ainda... Chorará o pranto dos dentes

MarcoALSilva --- 14
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
que rangem no desespero daqueles que asfixiamos ao fumo de nossa chama de
vaidade e ilusão.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=56931

Responsabilidade sexual...
A energia que se movimenta pelos chacras básico e genésico é das mais
próximas dos fenômenos sensoriais que sensibiliza com ardor a matéria. Cada
fluxo de energia corresponde, grosso modo, a um fluxo hormonal intenso no
físico. Conforme dirigimos nosso foco de atenção para ideais superiores e nos
permitimos absorver por esses ideais, naturalmente as energias sobem nas vias e
alimentam atividades assim demandadas em realizações outras.

Que ninguém se sinta diminuído com isso!

O ser humano ainda muito mal se habilita diante da Vida com as atividades de
união íntima e respectivos pensamentos, ocorram ou não os fatos...

Somos mais responsáveis porque o conhecimento nos traz maior


discernimento... Todavia, sermos mais responsáveis não faz de nós pessoas
necessariamente melhores... Apenas deixa claro que devemos acrescer a parcela
correspondente de esforço pessoal na condução de tudo o que a Vida nos ensina
sob os ditamos das Leis Morais atemporais que dos Planos Superiores nos
vieram em doação já há um bom tempo.

O pensamento conduz o nosso destino... Segundo o que pensamos, é a nossa


Vida.
Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres
vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente
moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da
carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se
lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a
cuidar deles e a fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, a lei
de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a
afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro,
visto que, as mais das vezes, essa afeição é rompida.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo)

Amar os Inimigos (?)


A Boa Nova, à luz do Espiritismo, tem interessante resposta a este
questionamento. Peço licença para transcrever:

Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a


mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude
representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.
Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar,
neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha
para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura

MarcoALSilva --- 15
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
pressupõe confiança; ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa,
sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de
amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude. Entre pessoas que
desconfiam umas das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia
que existem entre as que comungam nas mesmas idéias. Enfim, ninguém pode
sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um
amigo.
A diversidade na maneira de sentir, nessas duas circunstâncias diferentes,
resulta mesmo de uma lei física: a da assimilação e da repulsão dos fluidos. O
pensamento malévolo determina uma corrente fluídica que impressiona
penosamente. O pensamento benévolo nos envolve num agradável eflúvio. Daí a
diferença das sensações que se experimenta à aproximação de um amigo ou de
um inimigo. Amar os inimigos não pode, pois, significar que não se deva
estabelecer diferença alguma entre eles e os amigos. Se este preceito parece de
difícil prática, impossível mesmo, é apenas por entender-se falsamente que ele
manda se dê no coração, assim ao amigo, como ao inimigo, o mesmo lugar.
Uma vez que a pobreza da linguagem humana obriga a que nos sirvamos do
mesmo termo para exprimir matizes diversos de um sentimento, à razão cabe
estabelecer as diferenças, conforme aos casos. Amar os inimigos não é,
portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contacto de
um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao
contacto de um amigo. Amar os Inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor,
nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem
condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo a reconciliação
com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de
pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião;
é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar;
é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os
humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento: Amai os
vossos inimigos.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo - págs. 198/199)

Aspectos Morais – Espiritismo - I


LEI DE ADORAÇÃO

ELEVAÇÃO DO PENSAMENTO

A busca do Pai Eterno. A elevação do pensamento nos momentos de prece


sentida e sincera. São momentos assim que ensaiam o ser humano nas vibrações
mais elevadas que no porvir hão de constituir-lhe a Paz e Serenidade da bem-
aventurança.

649. Em que consiste a adoração?


– E a elevação do pensamento a Deus. Pela adoração o homem aproxima dEle a
sua alma.
(O Livro dos Espíritos)

MarcoALSilva --- 16
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
O templo fundamental da cada ser humano é o seu coração. A prece sentida não
exige locais ou liturgias obrigatórias. Mais vale a oração feita no recinto da
consciência do que o culto ostensivo e desprovido de sinceridade. Seja no
templo, seja consigo mesmo, o homem deve orar sempre com a verdade de seu
coração.

Por outro lado, pouco importa qual a religião que o homem siga, desde que
busque aplicar os ensinamentos elevados semeados para todos com sinceridade e
dedicação.

653. A adoração necessita de manifestações exteriores?


– A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações, pensai
sempre que o Senhor vos observa.

653-a. A adoração exterior é útil?


– Sim, se não for um fingimento. É sempre útil dar um bom exemplo; mas os
que o fazem só por afetação e amor próprio, e cuja conduta desmente a sua
aparente piedade, dão um exemplo antes mau do que bom, e fazem maior mal do
que supõem.

654. Deus tem preferência pelos que o adoram desta ou daquela maneira?
– Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo
o bem e evitando o mal, aos que pensam honrá-Lo através de cerimônias que não
os tornam melhores para os seus semelhantes.
– Todos os homens são irmãos e filhos do mesmo Deus, que chama para Ele
todos os que seguem as suas leis, qualquer que seja a forma pela qual se
exprimam.
– Aquele que só tem a aparência da piedade é um hipócrita; aquele para quem a
adoração é apenas um fingimento e está em contradição com a própria conduta,
dá um mau exemplo.
– Aquele que se vangloria de adorar o Cristo mas que é orgulhoso, invejoso e
ciumento, que é duro e implacável para com os outros ou ambicioso de bens
mundanos, eu vos declaro que só tem a religião nos lábios e não no coração.
Deus, que tudo vê, dirá: aquele que conhece a verdade é cem vezes mais
culpável do mal que faz do que o selvagem ignorante e será tratado de maneira
conseqüente, no dia do juízo. Se um cego vos derruba ao passar, vós o
desculpais, mas se é um homem que enxerga bem, vós o censurais e com razão.
– Não pergunteis, pois, se há uma forma de adoração mais conveniente, porque
isso seria perguntar se é mais agradável a Deus ser adorado numa língua do que
em outra. Digo-vos ainda uma vez: os cânticos não chegam a Ele senão pela
porta do coração.
(O Livro dos Espíritos)

ADORAÇÃO INERTE

A adoração, enquanto elevação do pensamento, pressupõe que o ser esteja no


enfrentamento de sua Vida cumprindo com o bom combate, lutando em seu dia-
a-dia na edificação de seu aperfeiçoamento, cumprimento de suas tarefas, bem
suportando as vicissitudes que lhe surjam no caminho.

MarcoALSilva --- 17
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
A inércia de uma vida contemplativa, sem realizações e sem o esforço de
aprimoramento perante a humanidade não tem maior valia para a alma.

657. Os homens que se entregam à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal
e só pensando em Deus, têm algum mérito aos seus olhos?
– Não, pois se não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis. Aliás,
não fazer o bem já é um mal. Deus quer que se pense nEle, mas não que se pense
apenas nEle, pois deu ao homem deveres a serem cumpridos na Terra. Aquele
que se consome na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos
de Deus, porque sua vida é toda pessoal e inútil para a Humanidade. Deus lhe
pedirá contas do bem que não tenha feito.
(O Livro dos Espíritos)

A PRECE

Como já destacado, a Lei da Adoração pressupõe a elevação do pensamento, a


busca de Deus mesmo nas limitações do homem. O meio mais eficaz do homem
elevar suas vibrações é a prece sentida, sincera e meditada com o coração.
Sempre e sempre a intenção é o elemento fundamental da prece, pouco
importando fórmulas ou sacramentos. Quando o homem ora com o coração, com
sinceridade, põe em movimento a sua preciosa capacidade de ter fé, de confiar,
de firmar na busca do Altíssimo a convicção de que o Pai a todos ouve.

658. A prece é agradável a Deus?


– A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a
intenção é tudo para Ele. A prece do coração é preferível a que podes ler, por
mais bela que seja, se a leres mais com os lábios do que com o pensamento. A
prece é agradável a Deus quando é proferida com fé, com fervor e sinceridade.
Não creias, pois, que Deus seja tocado pelo homem vão, orgulhoso e egoísta, a
menos que a sua prece represente um ato de sincero arrependimento e de
verdadeira humildade.
(O Livro dos Espíritos)

[...] A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é


necessário que se apoie numa fé ardente na bondade de Deus. [...]
(O Evangelho Segundo o Espiritismo – pág. 108)

[...] Qualquer que seja o caso, a prece nunca deixa de dar bom resultado. [...]
(O Livro dos Médiuns – pág. 111)

8ª Podem obter-se curas unicamente por meio da prece?


"Sim, desde que Deus o permita; pode dar-se, no entanto, que o bem do doente
esteja em sofrer por mais tempo e então julgais que a vossa prece não foi
ouvida."
(O Livro dos Médiuns – pág. 218)

9ª Haverá para isso algumas fórmulas de prece mais eficazes do que outras?
"Somente a superstição pode emprestar virtudes quaisquer a certas palavras e
somente Espíritos ignorantes, ou mentirosos podem alimentar semelhantes
idéias, prescrevendo fórmulas. Pode, entretanto, acontecer que, em se tratando

MarcoALSilva --- 18
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
de pessoas pouco esclarecidas e incapazes de compreender as coisas puramente
espirituais, o uso de determinada fórmula contribua para lhes infundir confiança.
Neste caso, porém, não é
na fórmula que está a eficácia, mas na fé, que aumenta por efeito da idéia ligada
ao uso da fórmula."
(O Livro dos Médiuns – pág. 219)

A prece pode permite louvar, pedir e agradecer, mas fundamentalmente a prece


traz ao homem mais força interior na sedimentação de suas convicções pela
conduta correta a ser tomada em cada momento da vida.

659. Qual o caráter geral da prece?


– A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nEle, aproximar-
se dEle, pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas:
louvar, pedir e agradecer.

660. A prece torna o homem melhor?


– Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte
contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um
socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.
(O Livro dos Espíritos)

Aspectos Morais – Espiritismo - II


ABSTER-SE DO MAL NÃO BASTA

Considerando que a experiência do ser nos evos da evolução o faz progredir,


uma vez atingida a noção de si mesmo e a consciência plena da do acerto ou
desacerto das atitudes, nasce para ele a responsabilidade por tudo o que faz ou
que deixa de fazer.

642. Será suficiente não se fazer o mal, para ser agradável a Deus e assegurar
uma situação futura?
– Não: é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um
responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de
fazer.
(O Livro dos Espíritos)

Ainda mais rigorosa é a Lei, porquanto assevera que o mérito pelo bem que se
faça mede-se pela dificuldade de realizá-lo.

646. O mérito do bem que se faz está subordinado a certas condições, ou seja, há
diferentes graus no mérito do bem?
– O mérito do bem está na dificuldade; não há nenhum em fazê-la sem penas e
quando nada custa. Deus leva mais em conta o pobre que reparte o seu único
pedaço de pão, que o rico que só dá do seu supérfluo. Jesus já o disse, a
propósito do óbolo da viúva.
(O Livro dos Espíritos)

O ÓBOLO DA VIÚVA

MarcoALSilva --- 19
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava ele de que
modo deitava o povo ali o dinheiro; e muitos, que eram ricos, deitavam com mão
larga. E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que
importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos
digo, que mais deitou esta pobre viúva do que todos os outros que deitaram no
gazofilácio. Porque todos os outros deitaram do que tinham na sua abundância;
porém esta deitou da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo o que lhe
restava para seu sustento. (MARCOS, XI l: 41-44-LUCAS, XXI: 1-4).

Aqueles cuja intenção está isenta de qualquer idéia pessoal, devem consolar-se
da impossibilidade em que se vêem de fazer todo o bem que desejariam,
lembrando-se de que o óbolo do pobre, do que dá privando-se do necessário,
pesa mais na balança de Deus do que o ouro do rico que dá sem se privar de
coisa alguma. Grande seria realmente a satisfação do primeiro, se pudesse
socorrer, em larga escala, a indigência; mas, se essa satisfação lhe é negada,
submeta-se e se limite a fazer o que possa. Aliás, será só com o dinheiro que se
podem secar lágrimas e dever-se-á ficar inativo, desde que se não tenha
dinheiro? Todo aquele que sinceramente deseja ser útil a seus irmãos, mil
ocasiões encontrará de realizar o seu desejo. Procure-as e elas se lhe depararão;
se não for de um modo, será de outro, porque ninguém há que, no pleno gozo de
suas faculdades, não possa prestar um serviço qualquer, prodigalizar um
consolo, minorar um sofrimento físico ou moral, fazer um esforço útil. Não
dispõem todos, à falta de dinheiro, do seu trabalho, do seu tempo, do seu
repouso, para de tudo isso dar uma parte ao próximo? Também aí está a dádiva
do pobre, o óbolo da viúva.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo – págs. 216/217).

Aspectos Morais – Espiritismo - III


REFERÊNCIA MORAL

O MESTRE

O paradigma de conduta a ser seguido é Jesus Cristo.

625. Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de
guia e modelo?
– Vede Jesus.
Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a
Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a
doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava
animado do Espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra.
Se alguns dos que pretenderam instruir os homens na lei de Deus algumas vezes
os desviavam para falsos princípios, foi por se deixarem dominar por
sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as
condições da vida da alma com as que regem a vida do corpo. Muitos deles
apresentaram como leis divinas o que era apenas leis humanas, instituídas para
servir às paixões e dominar os homens.
(O Livro dos Espíritos)

MarcoALSilva --- 20
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
No entanto, as verdades espirituais foram semeadas desde sempre na
humanidade, ainda que incompletas.

626. As leis divinas e naturais só foram reveladas aos homens por Jesus e antes
dele s6 foram conhecidas por intuição?
– Não dissemos que elas estão escritas por toda parte? Todos os homens que
meditaram sobre a sabedoria puderam compreendê-las e ensiná-las desde os
séculos mais distantes. Por seus ensinamentos, mesmo incompletos, eles
prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis divinas escritas no
livro da Natureza, o homem pôde conhecê-las sempre que desejou procurá-las.
Eis porque os seus princípios foram proclamados em todos os tempos pelos
homens de bem, e também porque encontramos os seus elementos na doutrina
moral de todos os povos saídos da barbárie, mas incompletos ou alterados pela
ignorância e a superstição.
(O Livro dos Espíritos)

MORAL CRISTÃ

A Moral Cristã constitui a mais completa revelação dos valores magnos da alma
que a Humanidade deve cultivar. Ainda assim, a complementação trazida como
o Ensinamento dos Espíritos foi uma necessidade para que as parábolas do
Mestre não caíssem em interpretações eivadas de vícios consoante interesses
oportunistas.

627. Desde que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual é a utilidade do
ensinamento dado pelos Espíritos? Têm eles mais alguma coisa para nos
ensinar?
– O ensino de Jesus era freqüentemente alegórico e em forma de parábolas,
porque ele falava de acordo com a época e os lugares. Faz-se hoje necessário que
a verdade seja inteligível para todos. É preciso, pois, explicar e desenvolver
essas leis, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as
praticam. Nossa missão é a de despertar os olhos e os ouvidos, para confundir os
orgulhosos e desmascarar os hipócritas: os que afetam exteriormente a virtude e
a religião para ocultar as suas torpezas. O ensinamento dos Espíritos deve ser
claro e sem equívocos, a fim de que ninguém possa pretextar ignorância e cada
um possa julgá-la e apreciá-lo com a sua própria razão. Estamos encarregados de
preparar o Reino de Deus anunciado por Jesus, e por isso é necessário que
ninguém venha a interpretar a lei de Deus ao sabor das suas paixões, nem falsear
o sentido de uma lei que é toda amor e caridade.
(O Livro dos Espíritos)

Desequilíbrios Emocionais
É impressionante como há pessoas vitimadas por desequilíbrios emocionais nos
dias de hoje...
Pensemos...
É muito sabido no meio esotérico que o veículo de manifestação da consciência
mais desenvolvido do ser humano deste planeta é o corpo físico, o litossoma. O
corpo físico, conquanto ainda ostente elementos vestigiais denunciativos de sua

MarcoALSilva --- 21
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
natureza animal (unhas, pelos etc), é estruturalmente muito avançado. Em
seguida vem o nosso psicossoma, o corpo emocional. Não atingiu ainda a plena
evolução estrutural exatamente porque o ente humano não conquistou ainda sua
Vida Interior.
Com efeito, o homem em geral baila ao sabor de evos de instintos automatizados
ao mesmo tempo em que experimenta progressiva capacidade de valoração
cosmoética de sua própria conduta.
Então, a epinefrina continua inundando o seu sangue apesar dos estímulos serem
já mais sofisticados. Não há rubor preparatório da luta ou fuga diante de um
predador, mas sim diante de efetivas ou pretensas ofensas que os semelhantes
deflagram em suas percepções.
O homem é uma fera mal-domada e ávida por expandir os milênios de
agressividade antes imprescindível à sua sobrevivência.
Basta imaginar uma ofensa... Basta conceber um construto meramente mental,
uma simples idéia, e todo o ciclo de reação instintiva é acionado. Nesses
momentos, mesmo sabedor de que o juízo de valoração está obnubilado, deleita-
se prazerosamente no fulgor da agressividade desprovida de perigos... Agride
pura e simplesmente... Alguns chegam a sentir prazer, um êxtase covarde de
sentir-se poderoso o suficiente para legitimar-se a um contra-ataque que sequer
se funda em um fato concreto...
Já notaram quantos crimes são cometidos nas discussões de trânsito?
O carro é forte e deleita o senso de força do homem. Se o instrumento dessa
vaidade é agredido, o homem toma para si as rédeas de sua cerebrina desdita e...
agride... às vezes mata...
Não é à toa que TODAS as correntes espiritualistas pregam (suplicam) que o
homem deve buscar controlar suas emoções...
É uma questão de prioridade absoluta na senda de quem se pretende apto a
conduzir sua própria Vida...

A Fé
Costumam apontar os valores religiosos como os que se assentam na fé dos
profitentes desta ou daquela religião... Nada mais ilusório... As religiões estão
longe de ser o fundamento mais importante da fé que uma pessoa possa ter. Na
verdade, é comum vermos referências às "crises de fé" que os sacerdotes exibem
vez por outra. Mas... você já viu algum entusiasta da ciência perder-se em
questões existenciais por força dos conceitos que essa ciência prega?

Não...

Sim, uma coisa está, sim, estreitamente vinculada à outra. Vejamos.

Os conceitos que a ciência tem por sedimentados e provados, no mais das vezes,
repousam em fundamentos complexos que a grande maioria das pessoas não
pode compreender. Até mesmo com a física newtoniana, lecionada nos cursos
secundários, há vários conceitos que, em essência, a maioria dos alunos não

MarcoALSilva --- 22
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
abarca. Experimente questionar um desses estudantes sobre o que seja, em
última análise, a inércia. Provavelmente ele saberá mostrar gráficos, fazer
cálculos, desenhar pesos etc. No entanto, quando tentar descrever
essencialmente o que seja a inércia, faltar-lhe-ão palavras e analogias... Agora
imagine que tenhamos em mente aspectos da física mais complexa, seja no
macrocosmo com a Relatividade, seja no microcosmo com a Mecânica
Quântica.

Quantos de nós pode, de fato, compreender os fenômenos descritos nos livros de


divulgação científica sobre a Relatividade ou sobre a Física Quântica?

Mas vou mais além: quantos cientistas devem entender essencialmente o que
compunha o pensamento de Einstein ou de Niels Bohr? Será que todos os físicos
entendem o pensamento desses gênios?

Não creio...

Aliás, aí está a grande palavra: crer. Quando um cientista, digamos, discorre


sobre a dualidade matéria-onda, citando Heinsenberg etc, costumamos arquear
as sobrancelhas. Alguns até comentam coisas como "já li sobre isso". Mas, a
bem da verdade, deglutimos a informação sem qualquer mastigação. Sabem por
que? Porque não temos dentes para mastigar esse tipo de comida. Então
simplesmente acreditamos no que nos é mostrado, por mais "maluca" que a idéia
pareça.

Um feixe de elétrons comporta-se como uma onda ou como partículas,


dependendo da medição feita. Segundo alguns, dependendo pura e simplesmente
de haver ou não uma medição sendo feita... Claro que isso não explica nada em
nossa mente, mas acreditamos. Afinal, é a Física Quântica!

Ainda mais curioso é que os divulgadores da ciência dizem que isso está
provado porque, se não fosse assim, coisas como o microondas ou as células
fotoelétricas não funcionariam...

Nossa! Nada mais evidente... Francamente, isso não facilita nada a compreensão
da coisa!

Mas acreditamos... Cremos... Temos fé...

Tenhamos certeza: a religião perde de goleada para a ciência quando o assunto é


fé...

Sofrimento...
O sofrimento, desde sempre, vem sendo vivenciado, observado, experienciado,
enfim, vem compondo a Vida de todos ao menos em alguns momentos da
jornada terrestre.

Já pensou como toda a existência parece vergar-se em dor em cada episódio da


grande aventura de existir?

MarcoALSilva --- 23
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS

Os minerais bailam no ritmo próprio de seus limites, lentamente, por séculos,


milênios, aperfeiçoando-se continuamente. Sabemos dos eventos telúricos, do
magma vulcânico, do manto móvel no leito dos aceanos, nas fendas que se
trituram à dança das placas tectônicas.

Os vegetais exibem sua força por décadas, imóveis porém ativos no concerto das
múltiplas relações dos ecossistemas que compõem. Suportam hóspedes de todos
os quilates, devorando-lhe folhas e frutos. Imiscuem-se nas sujidades do solo
buscando o fluido abençoado da Vida.

Os animais lançam-se com sua grande capacidade de sobrevivência nos embates


constantes com que o meio ambiente testa-lhes a capacidade de adaptação, numa
constante batalha em que se arriscam todo o tempo, depredando e sendo
depredados.

E nós, seres humanos, cá estamos em meio ao combate com que nos afinemos.
Existem guerreiros empunhando armas, lavradores empunhando alfanjes,
operários empunhando ferramentas, intelectuais empunhando livros, e mais toda
sorte de evolucionários na seara de seu burilamento interior. Todos, sem
exceção, travam a luta de sua Vida, cada qual com seus combates e, ao mesmo
tempo, comungando da lide que a todos toca. De fato, quem não enfrenta a
mentira, a inveja, o despeito, a aleivosia, quando não a maldade direta, a ofensa,
a calúnia, a agressão moral ou física?

Quem passa pela Terra sem que, em algum momento, tenha diante de si a dor, o
medo, a ansiedade, a desolação?

O sofrimento, seja dos minerais, seja dos homens, parece mesmo a tônica do
aperfeiçoamento nesta dimensão da Vida.

Mas não sejamos pessimistas.

Sempre e sempre a dor é a mola propulsora de fenômenos inimagináveis.


Tenhamos ou não noção disso, acreditemos ou não, pouco importa, a dor sempre
nos embala para cima. Por mais irônico que pareça, simplesmente é assim.

Há um enunciado espiritualista muito sábio: a dor é inevitável, mas o sofrimento


não. Cada milímetro conquistado na compreensão das coisas da Vida, levar-nos-
á a uma absorção menos dolorosa das lições que essa Vida impõe.

O diamante é formado por imensa pressão.

As pérolas se formam por constante irritação.

As tempestades renovam a atmosfera.

A dor nos faz mais tolerantes, mais benevolentes, mais indulgentes, mais
capacitados ao perdão.

MarcoALSilva --- 24
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
As revoluções geológicas amoldam as gemas belíssimas e perfeitas dos cristais
preciosos.

As seivas e haustos vegetais sustentam a vida de milhares de seres e cobrem o


orbe com o manto sagrado das cores com que a primavera perfuma a Vida.

Os instintos burilados nos irmãozinhos sem plena razão bailam no homem com o
encanto do cão amigo enquanto uma compreensão maior não impede a rapina
dos recursos de criadouros.

Tenhamos confiança. Deus está em cada detalhe da Vida. Procuremo-Lo antes


de tudo e tudo o mais nos virá.

Não tenhamos vergonha de chorar de vez em quando. A mais diamantina Alma


que há habitou um corpo humano certa vez disse "Pai, afasta de mim esse
cálice".

Livre-Arbítrio X Determinismo
Sabe aqueles globos de arame, cheios de bolinhas numeradas? Servem para
realizar sorteio de números. Ninguém duvida que o resultado é aleatório. Sim, é
aleatório. Mas isso não quer dizer que é um fenômeno essencialmente
impossível de previsão. O homem hoje, seja por si, seja através de
equipamentos, não pode prever exatamente qual bolinha vai sair após iniciado o
movimento do globo; no entanto, no exato momento em que venha a ter como
conhecer TODAS (todas mesmo --- inerciais, dinâmicas, ambientes etc etc etc)
as variáveis envolvidas e analisá-las plenamente e com suficiente velocidade de
processamento dos dados, poderá saber exatamente qual a bolinha que vai sair
tão-logo iniciado o movimento.

Alguém duvida que, ao menos do ponto de vista matemático ("Matemática", o


idioma de Deus), isso é verdade? Então podemos dizer sim "tudo decorre
exatamente do que deveria decorrer" --- Maktub!

A criança de 3 anos numa sala com doces vai usar de seu livre-arbítrio para
comer e todos nós podemos "prever" isso. A divindade ("Deus" é um conceito
que mais confunde do que esclarece) sabe sempre o antes, o durante e o depois...
Mas nós não...

Se você assistir à noite a um jogo de futebol ocorrido à tarde e gravado por seu
amigo, vai poder torcer à vontade pelo resultado que deseje... O resultado não
mudará e o seu amigo o conhecerá (até vai se divertir muito vendo sua torcida)...
Mas para você o jogo é imprevisível.

Livre-Arbítrio e Determinismo... Duas faces de uma mesma moeda.

Curiosamente, não é senão o livre-arbítrio que permite cogitar se ele existe ou


não...

MarcoALSilva --- 25
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
"Livre-arbítrio" é um daqueles conceitos compostos, aglutinando em si vários
outros. É o vetor-resultante de um sistema de valores que abrange, dentre outros
aspectos, a capacidade de raciocinar. A intuição é um raciocínio-síntese que só é
possível para quem, antes da síntese, percorreu reiteradamente a análise; tendo
compreendido a análise em profundidade, passa a colher os seus resultados em
situações análogas sem necessidade de percorrer, passo a passo, os entes
intermediários que levam à conclusão.

O aprendizado passa a compor o ser. Depois que você aprende a dirigir, não fica
raciocinando analiticamente tudo o que faz para bem conduzir o veículo. Mas
primeiro teve que aprender de modo analítico... Nunca ouvi falar de alguém que
entre pela primeira vez em um carro e, por intuição, saiba exatamente o que
fazer.

O repositório universal do pensamento de Deus só é acessível para quem, passo


a passo, vai se habilitando a dele mais colher. Esse é o grande mérito individual.

Buscar a síntese sem ter assimilado a análise é o mesmo que buscar a Luz
mantendo-se nas Trevas...

Aflições
A aflição a que o Mestre se refere como uma bem-aventurança certamente não
traduz um ideal de sofrimento como bênção a se cultuar, à guisa de um pretenso
postulado de dor pela dor... Não... Ocorre que todo evolucionário que se põe
neste planeta sob o aguilhão que compele à ascensão, via de regra mescla com a
missão a que se dedica um leque maior ou menor, conforme o caso, de
retificações necessárias. Não se sabe de nenhum ser humano dedicado à Vida
Superior que tenha percorrido a jornada terrestre dentre flores num jardim...
Sofrem aflições múltiplas, quase sempre decorrentes da busca interior e do
compromisso perante si mesmo e para com o Criador, em torno do qual norteia
suas opções sob o determinismo das consequências.

É, pois, comum que o indivíduo que mantém os olhos fitos nos valores magnos
da alma, perseverando na árdua senda da benevolência, da indulgência e do
perdão, tenha os naturais espinhos de sua condição ainda umedecida pelas
lágrimas dos vícios e paixões que herdamos de nossa origem instintiva.

A aflição retrata aquela sensação de estar em débito perante a Vida, sentimento


que, se bem meditado, não deve levar à ansiedade mas sim à compreensão do
sentido da existência atual.

Bem-aventurados os que compreendem sua aflição e se sustentam na confiança


de que o todo universal é regido pelo Pensamento do Criador.

Pequenas Obras
Um dos aspectos cosmoéticos mais relevantes é a relatividade da importância de
atitudes aparentemente insignificantes. A bela música de Renato Teixeira diz
"como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar". O romeiro vence a

MarcoALSilva --- 26
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
distância e, diante do objeto de sua devoção, exibe a si mesmo, desnudando-se
candidamente. A prece assim ofertada, apenas com um olhar, tem menor valor?

Quando lhe batem ao portão pedindo comida, ou água, ou uma esmola qualquer,
qual a atitude correta a se tomar? Impressionam-me tantos sofismas acerca do
"mal" que fazemos ao estender a mão a quem nos pede algo. Variam desde a
invocação das desditas auto-impostas até a responsabilidade aviltada das obras
sociais que os tributos deveriam financiar. "Não podemos consertar o mundo!",
bradam tantos...

Mas... Dar uma esmola, como quem se doa num olhar, seria mesmo algo tão
pernicioso?

Sei de muitos que entendem ser a desdita de cada um a medida exata que o
Universo forja para as suas necessidades... Algo assim como um autêntico "já
que Deus assim o permite, não serei eu quem vai se meter...".

De minha parte, na pequenez de minhas imperfeições, ouso romper o silêncio


para impor a mim mesmo um dever: jamais deixarei de dar uma esmola, um
trocado, um pouco de comida, ou simplesmente minha atenção, meu olhar, a
quem me pede... Se o dinheiro for usado para uma cachaça, que o álcool alivie o
espinheiro de quem perdeu-se nas correntezas perigosas desse ribeirão que é a
Vida... Se a comida alimentar quem se joga voluntariamente na assistência
alheia, que a fome não o atormente mais do que suas opções infelizes.

Bem, mas não só de mendigos e pedintes estamos a cogitar.

Renato Teixeira foi tocado por inspiração ao conceber a mais simples oração
como um olhar. De fato, uma das obras mais significativas que o homem pode
realizar neste mundo é olhar o seu semelhante nos olhos, dando-lhe atenção de
verdade, ouvindo-o para a doação de uma resposta que, na medida das próprias
imperfeições, não se ressinta de sinceridade.

Com o tempo aprendemos que essas pequenas obras são os tijolos da Grande
Obra. Ninguém poderá se auto-corromper negligenciando o amor ao próximo
sem sofrer a óbvia consequência: saber-se-á devedor de um dos mais valiosos
dons magnos da Alma, a Boa Vontade.

Não se trata de religião ou religiosidade. É o que nos cabe do Olhar...

Culpa, o veneno nosso de cada dia...


O ser evolui pela senda do automatismo instintivo, aprimorando sobremodo o
instinto de conservação sob pena de não aperfeiçoar-se (adaptar-se) o suficiente
e, por seleção natural, deixar de existir. Nesse concerto, como expressamente diz
a Doutrina Espírita (principalmente o Livro dos Espíritos, A Gênese e O Céu e o
Inferno), conforme o ser progride pela fase de humanização e ganha consciência
ética, as ações decorrentes dos automatismos instintivos passam a constituir
vícios e paixões, no sentido de que o ser, então, conhece o aspecto prazeroso que
ultrapassa a satisfação da mera necessidade.

MarcoALSilva --- 27
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS

A cada milímetro conquistado de consciência ética, tanto mais culpado sente-se


o ser por agir em desconformidade com os foros de "certo e errado" que
florescem.

Já hodiernamente, quando fazemos algo ruim a um semelhante e nos


arrependemos, é comum que o remorso nos remeta a um desejo quase
inconsciente de pagar pelo erro, de compensar, enfim, de fazer algo que possa
nos atenuar a sensação de culpa. Esse sentimento, é claro, só existe em quem
adquiriu valores éticos e tenham assumido padrões mínimos de valoração da
conduta.

Mas, desde que existam esses valores conquistados, o ser passa a ter uma
necessidade de sentir-se redimido, no mais das vezes, através de alguma punição
--- já que é mais fácil punir-se do que trabalhar em prol da reconciliação.

Creio que, nos exatos contornos dos ensinamentos doutrinários, não existe o
"karma" como punição, ou como consequência fatal, mas sim como o que nós
mesmos forjamos para nós através de nossas culpas. A consciência (entendida
aqui como a noção do erro cometido) está alocada no âmago de nosso ser; não
há ninguém buscando nos castigar, tampouco permitiríamos ser castigados por
algum processo obsessivo se não tivéssemos janelas escancaradas para o
ingresso do pensamento algoz --- a nossa culpa.

De fato, a sintonia que estabelecemos com nossos semelhantes (tanto no plano


físico como no plano espiritual) pelos padrões de nossa vida psíquica, é forte
vinculação que realimenta o comportamento vicioso mutuamente. Mesmo nos
desvarios aparentemente menos danosos, como a gula, o senso de desequilíbrio
sedimenta-se e edifica uma crescente certeza de conduta errada --- o ser se perde
em sua culpa e, ansioso, ainda mais fica suscetível à egrégora de pensamentos e
emoções em que comungam gulosos de toda sorte.

Para deixarmos de sentir culpa é primordial que abandonemos as auto-


corrupções. Ao menor sinal de que estamos fazendo ou deixando de fazer algo,
numa conduta que nossa consciência detecta como "erro", devemos ajustar o
comportamento. Orai e vigiai.

A vingança e suas facetas


Já destaquei em vários outros textos que Kardec assevera ter origem no instinto
de conservação todas as paixões e vícios do ser humano ("A Gênese" e "O Céu e
o Inferno"). Por outro lado em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", a
vingança é apontada como o último resquício da barbárie humana. Já foi dito
que a vingança é um prato que deve ser servido frio, o que bem demonstra a
ação do intelecto já desenvolvido na gestão de atitudes norteadas pelo prazer que
a vingança traz... Sim, prazer... Infelizmente esse é o termo, prazer.

Por que a vingança é particularmente prazerosa para a maioria das pessoas? O


prazer é, grosso modo, a sensação intensamente agradável que um ato ou fato
provoca no universo sensorial do ser. Quando o ser humano se sente aviltado,

MarcoALSilva --- 28
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
ofendido, seja ou não real a sua desdita, basta imaginar algo de igual intensidade
ou até bem pior acontecendo com o desafeto para que uma satisfação se insinue
em sua alma...

Quem sabe seja melhor assim... Talvez muitos atos tresloucados sejam evitados
pelo mero prazer em imaginar o pior para aqueles que trouxeram dor moral ou
física... Talvez... De qualquer modo, o ensinamento cristão aponta no
contrazimute de posturas que tais... Jesus ensinou a dar a outra face. Ensinou a
perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes... Ensinou a amar aos inimigos...
Há quem oculte nos ensinamentos o desejo sorrateiro de vingança, travestindo-o
em pensamentos como "Eu o perdôo, mas não queria estar em sua pele diante de
Deus!!!"; ou então "Deus vai lhe dar o que merece!!!"... Quem assim pensa, pelo
menos já deixou de praticar moto propriu os atos de vingança... Mas continua
desejando que o desafeto sofra...

Dizem que "ciúme" é desejar que outrem não tenham o que temos, e que
"inveja" é não desejar que outrem tenham o que têm (o invejoso muitas vezes
sequer deseja para si o que os outros têm, apenas gostaria que também não
tivessem...). A vingança é o desejo mórbido de que a dor que sentimos seja
vivenciada pelos nossos desafetos. Curiosamente, o desejo de vingança ocorre
até mesmo quanto a dores que não são nossas...

Nesse contexto, continuo concordando com o ensinamento de André Luiz. Tudo


indica que a Vida condiciona atração e repulsão no mineral, automatismos
fisiológicos no vegetal, instintos no animal e conduta no ser humano...

Depois de evos inteiros na aquisição do enorme tesouro instintivo humano,


buscamos condicionar nossa conduta... É o momento da cosmoética determinar
os contornos do ser...

Indulgência
Antigamente o termo que definia o volume de um sólido geométrico era
capacidade.

Gosto de pensar que essa expressão é bem mais interessante e rica. Por que?
Porque deixa evidente desde logo que aquele corpo não poderá acolher além de
sua capacidade. Um litro de água é a capacidade, digamos de um dado cone;
sabemos que esse cone só poderá reter, acolher, enfim, conter um litro de água
no máximo - é sua capacidade.

Tenho para mim que o ser, em cada momento de sua Vida, tem uma certa
capacidade de absorver o todo à sua volta. Evoluir implica em aumentar essa
capacidade. Dessa forma, um aspecto que ressalta aos olhos é jamais ter a
expectativa de que o ser abarcará mais do que pode.

A indulgência tem também esse matiz. E eu o considero o mais complexo e


difícil de realizar.

MarcoALSilva --- 29
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS

Aplicar na Vida o "deixe estar" aos que não conseguem absorver o que tanto
tentamos lhe passar exige aquele insight que ilumina a percepção do limite
atingido...

Cada um de nós é como um vaso disforme, que a evolução faz crescer e ajustar-
se às arestas corretas. Não podemos saber facilmente qual a capacidade de cada
um, até porque a forma varia consoante o ser adota esta ou aquela atitude e
recebe-lhe as consequências. Por isso mesmo é preciso que deixemos de tentar
fazer valer sempre e sempre o que elegemos como nossa convicção plena...
Deixe estar... Depois de algum tempo inevitavelmente a coisa se esclarece (ainda
que leve mais do que uma jornada física). O mais interessante é que nem sempre
veremos nossa convicção se firmar... Por vezes, mudaremos nós nossas arestas,
acertando-as para o crescimento.

Assim, uma forma de indulgência que considero relevante é simplesmente


deixar, sem nenhuma crítica ou sentimento de menosprezo, que cada um pense
como quiser, ainda que nos pareça uma autêntica bobagem...

Estou, de minha parte, longe de conseguir essa postura... Mas estou tentando
aprender a agir assim.

Umbral - Astral inferior - Visão Espírita


[...]Aquela perturbação apresenta circunstâncias especiais, de acordo com os
caracteres
dos indivíduos e, principalmente, com o gênero de morte. Nos casos de morte
violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito
fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente
sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse
corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele. Acerca-se das
pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem.
Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito.
Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais
ao número dos vivos. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de
improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele
se operou; considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de
aniquilamento. Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto.
Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um corpo semelhante, na forma,
ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar.
Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se lhe chama a atenção
para esse ponto, admira-se de não poder palpá-lo.
Esse fenômeno é análogo ao que ocorre com alguns sonâmbulos inexperientes,
que não crêem dormir. É que têm sono por sinônimo de suspensão das
faculdades. Ora, como pensam livremente e vêem, julgam naturalmente que não
dormem. Certos Espíritos revelam essa particularidade, se bem que a morte não
lhes tenha sobrevindo inopinadamente.
Todavia, sempre mais generalizada se apresenta entre os que, embora doentes,
não pensavam em morrer.[...]
(LE - págs. 118/119)

MarcoALSilva --- 30
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS

O Umbral é o meio em que, por sintonia, os Espíritos erram (situam-se) por


tempo variável, consoante sua condição individual de apequenada compreensão
da realidade da Vida Espiritual. O retorno ao mundo extrafísico, desde que o
Espírito pouco ou quase nada compreenda de seu reingresso na Vida Real, leva à
ambientação de seu existir nos exatos termos de seu mundo interior, de sua
mente. Há, assim, no Umbral tantos "lugares" quanto variados sejam os padrões
coletivos de Espíritos em sintonia. Pântanos, covas, cavernas, vales, cidades,
mosteiros, etc etc etc. Cada um sintonizará com o seu "próprio" inferno ou
purgatório...

Confiança - Dom Magno da Alma


Um dos aspectos mais árduos da ascensão de cada consciência deste plano é
manter a postura mental de serenidade ante os inevitáveis obstáculos que nossa
condição evolutiva enseja. Como já dito em posts anteriores, é da Doutrina
Espírita (principalmente nos livros A Gênese e O Céu e o Inferno) que o instinto
de conservação engendra, durante a ascensão evolutiva na fase de humanização,
uma série de arrastamentos que originam os vícios e paixões (na terminologia de
Kardec).

O imenso acervo de instintos é um tesouro inestimável do ser, mas na fase de


consciência contínua, com a clara noção de individualidade, o livre-arbítrio
relativo do ser o põe à frente de decisões e, por extensão, nasce a valoração da
conduta.

Ainda em meio às tormentas que os fluxos energéticos do corpo espiritual induz


como hormônios no corpo físico, o animal passa a cogitar de si e do que o senso
progressivo de valoração lhe traz. Não é fácil, pois, ao ser equilibrar-se nessa
efervescência.

Não por outra razão, desde a mais profunda antiguidade (da história humana) os
Mestres vêm ensinando os valores magnos da Alma, os parâmetros seguros da
elevação espiritual. Fizeram-no, desde sempre, através dos Mitos. A Mitologia
dos povos antigos são riquíssimas fontes de ensino simbólico em que gerações
sucederam-se no aprendizado sofisticado dos Mistérios.

Um dos pontos mais preciosos do ensino atemporal que vem sendo ministrado
para os homens em geral é o dom sagrado da CONFIANÇA.

Muito mais relevante do que a fé religiosa, a crença pela crença, a fé raciocinada


(como dizia Kardec), ou a meditação, manter uma postura mental de confiança
no todo universal é o mecanismo para a conquista da Paz e da Serenidade. Na
verdade, tenho para mim que a essência da fé ou da meditação é (ou deveria ser)
a confiança em Deus --- Deus, aqui, tomado na acepção do Todo Universal, ao
mesmo tempo Criador e Criação --- o Logos.

A valoração da conduta traz ao homem a noção das consequências que advêm de


sua tomada de decisões. O homem não tem como ascender de um salto à
angelitude. Portanto, deve se ater (com absoluta sinceridade consigo mesmo) à

MarcoALSilva --- 31
EsoEstudos
I – ASPECTOS MORAIS
boa-vontade, à indulgência e ao perdão (no ensinamento preciosíssimo que está
em O Livro dos Espíritos - Kardec - na diamantina conceituação de "caridade"),
deixando que os equívocos e desagrados do caminho fiquem à conta do custo
normal da evolução --- eis aí a CONFIANÇA.

Não deixemos que o desespero, a depressão, a ira, a inveja, enfim nada que já
entendemos ser contra-evolutivo nos atrapalhe a senda.

O vôo dos pássaros...


Como falar do vôo dos pássaros? Por que Deus concedeu a graça do vôo aos
pássaros e não ao homem? Mesmo na Terra, vivendo entre os ostensivos limites
da matéria, os pássaros comungam da liberdade que só as almas libertas
conhecem...
A liberdade do vôo... Tavez Deus saiba que as criaturas aladas, pelo
asserenamento com que se recobriram de plumas, poderiam ganhar o espaço
mesmo sob o peso de um corpo de barro...
São poucos os homens que podem voar... São poucos os pássaros que não o
podem...
Somos uma multidão que rasteja à poeira... Eles se desenham nos céus num delta
de delicado traço, agrupando-se com beleza ao vencer a altitude..
Por que os pássaros são tão lindos, em plumagens vívidas de refinado colorido,
fazendo inveja aos lírios do campo? Por que os homens são tão toscos,
grunhindo ímpetos de conquista como se as porções de chão e poeira fossem o
céu de seus sonhos?
Só mesmo quem já observou um beija-flor para saber o que é a suavidade e o
extremo requinte de um sofisticado vôo...
O vôo dos pássaros nos lembra que a liberdade é uma conquista para a qual o
menor dos valores é o conhecimento e o ilusório orgulho por um pretenso livre-
arbítrio...

"Cordeirisse" excessiva...
Existe uma Harmonia Universal que coordena rigorosamente tudo... Sim, sem
dúvida. Mesmo sendo impossível perscrutar a natureza da Divindade, podemos,
sim, entender que tudo se submete a uma Lei Fundamental.

Agora, pensemos por outro ângulo.

Um sujeito vai ao médico. Descobre, depois de vários exames, que tem câncer
(não importa em que órgão). O médico lhe diz "você vai fazer uma cirurgia
desde logo, com riscos calculados, e depois vai se submeter a uma quimioterapia
por uns 2 anos; sua qualidade de vida vai ser baixa, com vários momentos de
sofrimento, mas há chances concretas de cura".

O indivíduo, depois do susto e dos momentos iniciais de pânico, muito


provavelmente vai seguir todas as orientações médicas. Talvez venha a se curar
efetivamente. Ou não.

MarcoALSilva --- 32
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I – ASPECTOS MORAIS
Seja qual for o desfecho, uma pergunta se impõe: deverá ele tentar sentir-se
feliz e alegre durante todo o período de tratamento?

Muitos dirão: "Sim! Ele deve se entregar nas mãos de Deus e confiar!"

Alguns dirão: "Sim! O pensamento positivo é uma garantia de melhora!"

Muito poucos dirão: "Ele deve fazer o tratamento, mas ciente de todos os riscos
e de que poderá não dar certo, de modo que ele pode se permitir chorar quando
for necessário ou mesmo vivenciar alguns momentos de revolta, a fim de não
sufocar-se e aumentar ainda mais o seu estresse".

Outras possibilidades de resposta existem...

Mas o ponto é: essa cordeirisse de forçar-se a um sentimento anti-natural de


alegria e felicidade diante da dor só faz aumentar o sofrimento do ser...

Eu confio em Deus e sei que tudo o que ocorre, somente ocorre porque é a
resultante normal de todos os fatores que levaram àquilo... Mas daí a dizer que
fico "feliz" com a chance de sofrer, não... De fato, não tenho esse perfil...

Esse texto é apenas um momento de revolta a que me permito diante de algumas


dificuldades que a Vida me impõe por força das circunstâncias que, em grande
parte, eu mesmo criei. O câncer referido foi mesmo apenas uma analogia. Se vou
ter eu não sei... Mas existem outros "cânceres" que corroem a alma ainda
desprovida de uma conduta plenamente saudável.

Não se sinta culpado por sentir o que a Natureza forjou como reação normal para
os momentos de dor. Basta a dor por si só...

Meditação ou Serviço à Humanidade...? Intenção!


Consoante a tradição esotérica dos povos, há dois caminhos (por assim dizer,
mais comuns) para a ascensão. A meditação e o serviço à humanidade.
"Meditar" tornou-se um autêntico mistério para a maioria dos ocidentais,
enquanto que no Oriente é uma postura encarada com mais naturalidade. Por
outro lado, o serviço à humanidade é mais ostensiva no Ocidente, visto quase
sempre como algo vinculado a tarefas sociais realizadas por entidades
assistenciais. Cabe aí analisar o sentido de ambas as condutas.

Do ponto de vista essencialmente humanitário, a atividade assistencial tem


efeitos obviamente mais importantes para os hipossuficientes do que quaisquer
lições filosóficas acerca do sentido da vida. Bem nesse contexto, a grande
maioria dos hipossuficientes, por sua vez, se vê às voltas com restrições de toda
ordem, não se dispondo a cogitações além de suas buscas imediatas.

A meditação costuma levar o ser a um grau de serenidade maior, o que influi


inclusive no padrão de reatividade às carências enfrentadas. Por certo não se

MarcoALSilva --- 33
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cuida de uma regra, mas a educação desde o lar, no Oriente, amolda pessoas, no
geral, menos dramáticas.

Exceções sempre há... A questão que se propõe é perscrutar se a atividade


assistencial ou a meditação realmente levam à ascensão espiritual de quem as
pratica.

Por mais evidente que seja, vale sempre reiterar: nada supera a intenção com que
algo é ou deixa de ser feito. Ajudar alguém para ganhar o reino dos céus é uma
auto-corrupção tão imoral quanto inútil, valendo apenas pela gratidão (se
realmente houver) daquele que recebe o auxílio. Meditar sem nada fazer é o
mesmo que morrer de sede ao lado de uma fonte, por preguiça de ir até a água...

Muita gente passa uma vida inteira pensando, pensando, pensando em como...
meditar... Outros tantos meditam, meditam, meditam... a fim de eleger um
objetivo para viver... É necessário um mínimo de senso prático para que o ser
não relegue toda uma existência à inutilidade.

MarcoALSilva --- 34