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Obstáculos à participação cidadã

Obstáculos à participação cidadã

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Published by: danielbasilva on Jan 09, 2011
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Caro aluno, Reflita sobre os obstáculos à sua participação cidadã.

Enumere alguns desses obstáculos e proponha estratégias de superação.
São vários os dispositivos constitucionais e legais que prevêem, impõem e incentivam alguma forma de participação popular na coisa pública. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 (Constituição Cidadã, como bem exposto no Curso) até os dias atuais, as alterações na legislação reforçaram os princípios da transparência e da responsabilização e favoreceram o acompanhamento e a cobrança, por parte da população, de se os governantes estão obedecendo a esses e outros princípios democráticos. Entretanto, mesmo diante de mudanças substanciais nas normas legislativas e de novos mecanismos de controle, inclusive com a maior independência de órgãos específicos para exercê-lo, o tamanho da máquina pública no país praticamente inviabiliza o pleno controle institucional. É nesse contexto que se nota a importância do Controle Social (tema relativamente novo em termos práticos) e, também, a importância de difundi-lo e de aplicá-lo. O Controle Social e Participação Cidadã estão intimamente ligados, motivo pelo qual o incentivo desta acarreta no daquele (a título de leitura complementar, sugere-se a leitura dos livros “Direito Financeiro e Controle Externo”, páginas 20, 21 e 138 combinado com o previsto na Seção I do Capítulo IX da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 – LRF, em particular o previsto no inciso I do parágrafo único do artigo 48; “Comentários à Lei de Responsabilidade Fiscal”, página 355; “Direito Administrativo Sistematizado”, páginas 510 e 511, que sintetiza o previsto no parágrafo 3º do artigo 37 da CF/88; o disposto no inciso III do artigo 198 e no inciso II do artigo 204, ambos da CF/88; e o previsto no artigo 42 do Regimento Interno da CGU, que discrimina as competências da Ouvidoria-Geral da União. Livros de Referência: PASCOAL, Valdecir Fernandes. Direito Financeiro e Controle Externo: teoria, jurisprudência e 400 questões/Valdecir Fernandes Pascoal. 7ª Edição. Rio de Janeiro. Elsevier, 2009; NASCIMENTO, Carlos Alves do; MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários à Lei de Responsabilidade Fiscal/ Carlos Valder do Nascimento e Ives Gandra da Silva Martins. 4ª Edição. Editora Saraiva; MUKAI, Toshio. Direito Administrativo Sistematizado/ Toshio Mukai. 2ª Edição. Editora Quartier Latin). Ao meu ver, os obstáculos atuais à plena participação do cidadão na formulação, implementação, acompanhamento e controle das políticas públicas podem ser analisados sob dois aspectos básicos: o primeiro está ligado à falta de divulgação (no sentido amplo) sobre o que é Controle Social e Cidadania e seus principais conceitos; e o segundo, de como aplicá-los, ou seja, como exercê-los plenamente (notem que esse curso e outras iniciativas da CGU é uma das soluções para superar os obstáculos de ambos os aspectos). Obstáculos à participação cidadã que decorrem da falta de divulgação sobre o que é “Controle Social e Cidadania” e de como exercê-lo: Em ambos os aspectos, podemos enquadrar tanto as pessoas que não tem qualquer conhecimento sobre a legislação orçamentária e financeira e sobre o tema como aqueles que têm algum conhecimento da legislação e, entretanto, não conhecem o tema. Para efeito de controle social, TODOS são cidadãos e devem ser incentivados a participar da gestão da coisa pública. Entretanto, não se pode ignorar que o assunto é de natureza técnica e, assim, o nível do controle aumenta quando o cidadão aumenta seu conhecimento acerca da legislação de vigência. Sendo assim, vejo os seguintes obstáculos (acompanhados de sua estratégia de superação):

3) Excesso de burocracia para a apresentação de denúncias*: é sabido que a estrutura atual para apresentação de denúncias* é decorrente da exigência da legislação. econômico etc. a exemplo dos conselhos deliberativos). de modo a coibir que denúncias infundadas ou baseadas apenas em interesses políticos tomem tempo dos responsáveis pela sua apuração. mas aquela não se confunde com essa. livres de interferências políticas. Cartilhas práticas e em linguagem mais popular são uma solução para esse obstáculo. mostrar ao cidadão que NÃO é de algum conselho que o conselho é formado por pessoas que NÃO possuem interesses privados no assunto de seu tratamento. Embora se tenha ampla literatura que trate do assunto. do ponto de vista acima. 2) Falta de credibilidade do sistema: a falta de credibilidade está intimamente ligada à falta de confiança. em atitude pró-ativa. Entretanto. tal se apresenta com uma linguagem técnica.falta de confiança. os conselhos devem procurar publicar sua composição.Obstáculos em Geral: 1) Falta de confiança no sistema (governo e seus órgãos): a falta de confiança na própria estrutura do Governo faz com que o cidadão tenha medo de participar da gestão da coisa pública e de atuar no controle social. . Sugere-se que sejam criados. os cidadãos sabem que a sua participação não será levada à diante (salvo nos casos em que seja obrigatório ouvir essa participação. mesmo o sistema sendo confiável. raramente apresenta uma linguagem mais acessível (popular).Obstáculo para os que não tem qualquer conhecimento sobre a legislação orçamentária e financeira e sobre o tema: O principal obstáculo é a falta de informações básicas sobre a legislação e sobre o tema. e 4) Falta de consciência cívica: esse nível de consciência vem. o que pode levar a várias fontes de informação diferentes para a mesma “suposta” irregularidade. publiquem a lista de seus integrantes e se esses possuem vínculos com agentes públicos (político ou não). que recebem denúncias e representações (chamadas adiante apenas de denúncias*). sob pena de ferir a legitimidade de seu funcionamento. fóruns de discussão sobre o que acontece com o dinheiro aplicado em determinada obra ou serviço. a divulgação da existência dessas cartilhas ainda é restrita a pequenos órgãos (mais precisamente aos órgãos de controle). A influência positiva da mídia e maior propaganda do governo sobre as externalidades positivas advindas de uma maior consciência cívica podem ajudar na superação desse obstáculo (a exemplo do que vem fazendo a Justiça Eleitoral em relação à importância do voto). e não apenas aguardar as sugestões. estrutura e formas de participação dos demais cidadãos. normalmente. Sendo assim.. essa aparente burocracia impede que denúncias “que todos sabem. Na falta de credibilidade. no âmbito das ouvidorias dos órgãos. bem como divulguem os passos e prazos internos de tratamento das denúncias*. que se criem mecanismos de sigilo indispensáveis aos cidadãos que denunciam irregularidades graves. Uma forma de superar esse obstáculo seria a criação e publicação de estatísticas de quantas proposições apresentadas pelos cidadãos foram aceitas e dos fundamentos da aceitação ou não de todas elas (o mesmo para as denúncias*). Alia-se a esse obstáculo o exposto no item 1) . aqui. A exigência em link próprio da Internet de TODOS os órgãos da Administração Pública de que existem essas cartilhas também é uma boa opção (encontra-se em . do tipo de educação dada desde quando criança e envolve demais aspectos tais como o social. faz-se necessário: que os órgãos de controle institucional mostrem ser realmente independentes. Em tais fóruns pode-se visualizar a opinião de várias pessoas sobre o mesmo assunto (despesa). bem como aos servidores que as apuram. Entretanto. que as ouvidorias. É interessante. mas não têm acesso às provas” sejam feitas por cidadãos/servidores.. É difícil para o cidadão leigo entender e interpretar como são formados a agenda. Para que o cidadão confie no sistema e acredite que a sua participação não será alvo de algum modo de retaliação. os balanços e as prestações de contas do governo.

muitos órgãos a tela “transparência”. constando das informações básicas sobre sua composição. A falta de visualização do Planejamento Estratégico (e de seus desmembramentos) dos órgãos e da sua política de aplicação de recursos impede que o cidadão atue concretamente no controle de legalidade e de legitimidade dos gastos públicos. no site do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro existe um link próprio chamado “Controle Social no Rio de Janeiro”). com layout simples e acesso fácil. bem como de que forma o cidadão pode participar na gestão pública. A exigência para que os órgãos publiquem seus planejamentos. funcionamento. Deveria existir. A título de exemplo. suas metas e indicadores de desempenho e as respectivas prestações de contas (de acordo com o grau de sigilo) ao menos nos seus sítios oficiais na Internet contribuiriam sobremaneira para o aumento da transparência e da responsabilização. haja vista que a maioria sabe a teoria mas não tem a mínima noção de como isso ocorre na realidade). . entretanto. principais atribuições e outras informações. Partindo-se do ponto de que é difícil o cidadão se expor (itens 1 e 2 de obstáculos em geral) e exigir diretamente do órgão as prestações de contas para avaliar se as políticas consensadas com os conselhos (ou mesmo traçadas de acordo com o planejado) foram efetivas. um site específico com a composição de TODOS os conselhos municipais e estaduais de TODOS os Municípios e Estados. mas cabe aqui ressaltar como obstáculo a falta de transparência em nível necessário para que os cidadãos que já são iniciados no assunto façam uma avaliação das políticas de governo. cabe ao governo (principalmente aos órgãos de controle institucional) criar mecanismos que facilitem a consulta por parte do cidadão.Obstáculo para os que têm algum conhecimento da legislação e. Informações consolidadas por Ministérios também dificultam a avaliação de determinados órgãos cuja aplicação de recursos seja suspeita (e considerável). . seja individualmente ou de forma organizada. mas seria ideal que viesse algo como “veja aqui como atuar e fiscalizar nas políticas públicas”. também. não conhecem o tema: As recomendações acima também são úteis para os cidadãos desse grupo (principalmente no que tange à divulgação de como participar na prática. além de possibilitar o controle de legalidade e de legitimidade dos atos e contratos da administração pública por parte dos cidadãos.

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