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Cuidado de Enfermagem à Saúde da Mulher à Luz dos Programas Governamentais

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NÚCLEO TEMÁTICO I - UNIDADE DE ESTUDO 2

O PLANEJAMENTO FAMILIAR, CONTRACEPÇÃO E INFERTILIDADE
Caro colega Nesta unidade, vamos discutir as atividades educacionais do enfermeiro relacionadas à utilização dos métodos contraceptivos. Tema de grande interesse, não é mesmo? No Brasil, o planejamento familiar1 é assunto do nosso cotidiano e freqüentemente aborda temas como: mortalidade materna, abortamento, infertilidade, reprodução assistida. Sendo assim, cabe ao enfermeiro, educador em potencial, discutir o saber e o fazer na área da saúde sexual e reprodutiva.
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Se pensarmos primeiramente no conceito de planejamento familiar, precisamos incluir moradia, alimentação, educação, lazer, entre outros. Por isso, é preciso que nós enfermeiros, nos reportemos ao todo, sem nos restringirmos ao aspecto procriativo, por entendermos que a reprodução está ligada às ações de controle, fecundidade e contracepção. O Sistema Único de Saúde e as conquistas para a saúde da mulher brasileira, como falamos na unidade de estudo anterior, busca a implementação dos direitos da autonomia reprodutiva conquistados pela população brasileira a partir da promulgação da Constituição de 1988. No plano internacional, a partir das Conferências de População (Cairo - 1994) e da Mulher (Beijin - 1995) surge o conceito de saúde reprodutiva, que diz respeito a ações amplas no campo da reprodução envolvendo o homem e a mulher. Embora reconhecendo o avanço que representa esta nova abordagem, há que se ter cautela visto o consenso estabelecido em torno da integralidade assistencial à mulher, em todas as suas fases e necessidades de saúde. Estes princípios estão contidos na

Política de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000), o Brasil tem 180 milhões de habitantes. Se o crescimento da população permanecesse no mesmo ritmo dos anos 50, seríamos uma população de 262 milhões de brasileiros. Entretanto, a taxa de fecundidade diminuiu, devido às transformações ocorridas na família brasileira, tais como: a entrada da mulher no mercado de trabalho e a popularização dos métodos anticoncepcionais. Em 2000, o Brasil estava na 75ª posição entre os 192 países ou áreas comparados pela ONU, com uma média de 2,39 filhos por mulher.
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Mesmo com a taxa de fecundidade diminuída atualmente, sabemos da grande dificuldade de famílias menos favorecidas economicamente para a criação dos seus filhos. Muitas dependem exclusivamente de ajuda do governo e organizações não-governamentais para “garantir” as necessidades mínimas de sobrevivência, tais como: alimentação, moradia, educação e saúde. É neste sentido que os enfermeiros precisam estar atentos e engajados para universalizar esse acesso para todas as classes sociais. Um grande avanço relacionado ao direito reprodutivo foi a regulamentação da Lei 9.263 de 12 de janeiro de 1996, que estabelece o planejamento familiar como direito garantido pela Constituição Federal. Define que só é permitida a esterilização voluntária nos seguintes casos: mulheres e homens com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade; com pelo menos dois filhos vivos; após 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico; após aconselhamento e conhecimento de todos os métodos, risco de vida à mulher ou futuro concepto. Percebe, agora, a importância de nossas ações? Podemos, portanto, perceber o reforço que esta Lei garante aos usuários do sistema de saúde público e privado, ao ressaltar informações dos métodos e técnicas para a regulação da fecundidade de forma livre e esclarecida e a não realização da cirurgia durante o parto e aborto.

Esta determinação faz com que também diminuam as cesarianas pré-agendadas para a realização da esterilização. Cabe ressaltar que a mulher ou o casal deverão manifestar sua vontade da laqueadura tubária/vasectomia através de documento escrito e registrado em cartório. Para que possamos ter sucesso em nossas ações, nos grupos de planejamento familiar, é preciso que a metodologia utilizada seja de caráter participativo e que possibilite à mulher ou ao casal, a troca de vivências/experiências consultas. Assim, colega, vale lembrar que quando trabalhamos com grupos educativos em saúde não podemos esquecer que a comunicação é o nosso maior instrumento de informação e que é preciso ajustar a linguagem técnica para coloquial. Durante as práticas educativas para a escolha dos métodos de contracepção, temos a grande oportunidade de mostrar à população em idade fértil as vantagens e desvantagens, contra-indicações, benefícios, eficácia, aceitabilidade. É preciso deixar sempre bem claro que não existe um método perfeito, eficaz e de fácil uso, e de custo acessível para todos. A sua adequação vai ao encontro da história de vida da mulher ou casal, bem como sua realidade econômica e religiosa, sem discriminação, coerção ou violência. O Brasil disponibiliza uma série de métodos contraceptivos tanto para mulher quanto para homens, que podem variar desde os métodos chamados comportamentais até os mais complexos quando envolvem cirurgia. Lembramos que os métodos contraceptivos são destinados à prevenção de uma gravidez indesejada com todas as suas vantagens de segurança. O único método, mundialmente conhecido que evita gravidez e protege ao mesmo tempo a população para uma doença sexualmente transmissível é a popularmente chamada camisinha, atualmente disponível com outros participantes individualmente nas

Este movimento está ganhando adesão de operadoras de planos de saúde e de entidades representativas do setor. É preciso mudar o panorama atual que confere ao setor suplementar brasileiro o indesejável título de campeão mundial de cesarianas que estão ligadas à esterilização e. A reanastomose microcirúrgica tem sido realizada para a reversão de esterilização tubária nas mulheres que manifestam arrependimento e interesse por novas gestações. planejamento familiar. já que dependendo da técnica utilizada.na versão masculina e feminina. Entretanto a reversão é cara. um deles está diretamente ligado ao desconhecimento dos outros métodos. também. e atualmente no Brasil são raros os hospitais públicos que fazem a cirurgia gratuitamente. deverá ser discutida. portanto. com o profissional de saúde habilitado a possibilidade de escolher outros métodos. Você também pode fazer parte desta campanha divulgando o material através do site da Agência Nacional de Saúde Suplementar. A cirurgia permite engravidar mais de uma vez sem a necessidade de realizar qualquer outro procedimento. O problema do aumento do uso da esterilização feminina no país é de interpretação complexa. o processo é irreversível. Desta forma. como o nível socioeconômico e o aumento do número de Estudos apontam que a laqueadura tubária se deve a uma série de fatores. a outros fatores ainda não bem compreendidos e dimensionados. A mulher deve receber todas as informações dos riscos e conseqüências desse procedimento cirúrgico. Você conhece alguém que tenha feito a laqueadura tubária e tenha . atinge todos os estratos da sociedade e está relacionado cesáreas. a Agência Nacional de Saúde (ANS) lança uma grande campanha em rede nacional intitulada – Parto normal está no meu plano. A anticoncepção no Brasil tem sido feita quase que exclusivamente pelo uso do contraceptivo hormonal oral e pela laqueadura tubária.

esquecer de tomar pílula. Nesse método contraceptivo é preciso alertar a população para o que o próprio nome diz: somente em casos de emergência com indicação médica. . isto é. os profissionais de saúde devem empenhar-se em bem informar as usuárias e os usuários. A respeito da prática educativa. Para finalizar esta unidade de grande importância para a saúde reprodutiva da mulher é preciso reforçar que a educação em saúde pressupõe uma combinação de oportunidades que favoreçam a promoção da saúde e não somente a transmissão de conteúdos. que pode ser desempenhada em toda sua área de atuação quer seja em nível ambulatorial ou hospitalar. uma das nossas prioridades é a prática educativa em saúde. utilizando sempre uma linguagem adequada ao nível do usuário para que ao final das orientações tenham compreendido a importância do conhecimento sobre métodos de anticoncepção. efeito adverso no endométrio dificultando a fixação do embrião. Esta chamada “anticoncepção de emergência” se baseia em utilizar altas doses hormonais para evitar uma gravidez indesejada. nesta unidade discutimos a anticoncepção de emergência. comportamentos e . para que tenham conhecimento sobre todas as alternativas de anticoncepção e possam participar livre e ativamente da escolha do método.2 Estudos recentes revelaram que a utilização freqüente deste método pode interferir na ovulação. motilidade tubária.se arrependido? Clique aqui para saber mais sobre o assunto. após uma relação desprotegida. Pensando nas ações de saúde do enfermeiro. que vem sendo atualmente utilizada erradamente por muitas mulheres. principalmente as adolescentes. ou estupro. Caro colega. ou seja: rompimento da camisinha. sem uso de método contraceptivo.

a troca de informações e experiências. temos a grande oportunidade de mostrar à população em idade fértil as vantagens e . Portanto. tanto no âmbito grupal como no individual. assegurando a liberdade de escolha da mulher ou do casal. considerar as particularidades de cada ser. de forma crítica e reflexiva. • Reforçar sempre que possível. A grande variedade de métodos contraceptivos ofertados.hábitos. Precisamos recordar: Durante as práticas educativas para a escolha dos métodos de contracepção. as vantagens. A qualidade da atenção em planejamento familiar tem sido reconhecida como fator fundamental para o início e a continuidade do uso do método contraceptivo. precisam estar dentro dos padrões ideais. as desvantagens e as reações adversas de cada método. • Ressaltar sempre a importância de manter as consultas de acompanhamento. concorda? Gostaria de dar algumas dicas para quando falarmos nos grupos educativos ou também quando trabalharmos individualmente com as mulheres e/ou casal a temática do planejamento familiar: • Ensinar de forma clara e objetiva o uso adequado dos contraceptivos disponíveis na sua Unidade e descrever com o máximo de exatidão o método escolhido. especialmente entre mulheres com menor nível educacional. só o acesso à informação dos métodos não é suficiente para a segurança de uma gravidez indesejada. Também. a adoção de práticas educativas que busquem. reforçando para a mulher e/ou casal que elas podem esclarecer suas dúvidas. juntamente com a qualidade da comunicação interpessoal e da orientação proporcionados.

benefícios. eficácia. contraindicações. para a realização de exames e tratamentos específicos. . Durante a realização de grupos educativos – consultas ginecológicas – podemos estar atentos nos casos em que as mulheres desejam muito engravidar e possuem histórias como: ciclos menstruais ausentes ou irregulares. dor durante a relação sexual e cirurgias ginecológicas e/ou abdominais. A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após um ano de tentativas consistentes sem usar contraceptivo e pode ser classificada como primária quando acontece em casais que não tiveram concepção prévia e secundária. para que a usuária possa expressar qual o método atual de controle da sua natalidade. devemos orientar a mulher sobre todos os métodos adotados pelo Ministério de saúde. devemos ficar atentos também para estes casos quando atendemos a mulher e/ou casal nas Unidades Básicas de Saúde e fazer os encaminhamentos para os serviços de referência. É preciso nestes casos uma parcela de solidariedade entre profissionais de saúde e os usuários demonstrando que eles não estão sozinhos e que existem vários casais nesta mesma situação. Para tanto. permitindo que a idade e os processos patológicos concomitantes afetem a fertilidade.desvantagens. quando ocorre em casais que conceberam anteriormente. aceitabilidade desses métodos. você profissional de enfermagem poderá solicitar à mulher e/ou casal que descrevam corretamente o uso do método escolhido. para garantir a escolha livre e esclarecida. Ao final de cada grupo educativo. Podemos citar alguns fatores impeditivos: • Envelhecimento . Alguns casais passam por problemas de infertilidade.cada vez mais casais adiam a reprodução até os 30 anos ou mais.

Conferência do Cairo (1994) A Plataforma de Ação do Cairo foi o primeiro documento que a Organização das Nações Unidas (ONU) selecionou formalmente para embasar discussão dos direitos reprodutivos e. sendo a sua Plataforma de Ação a elaboração de um documento consensual adotado pelos Estados partes. visando à igualdade entre homens e mulheres no plano da cidadania. deixamos uma síntese dos dois documentos básicos já ressaltados nesta unidade. pode ser um cabode-guerra emocional para o casal e muitas das vezes para a família. Conferência de Beijing (1995) Foi a IV Conferência Mundial sobre a Mulher e aprovou a Declaração de Beijing. Finalizando. Enfatizou a necessidade de garantia e autodeterminação. como as toxinas. mas também com a gravidez. bem como o desenvolvimento e a paz da população feminina. por questões culturais e tabus. De modo compreensível. Doenças sexualmente transmissíveis – podem ser responsáveis por até 20% dos casos de infertilidade. bem como de disseminação de informações nesse campo para que os indivíduos homens e mulheres – possam exercer livremente os direitos reprodutivos e pela nova concepção de saúde reprodutiva que não se preocupa apenas com o corpo feminino. Dispositivo intra-uterino (DIU) – pode provocar doença inflamatória pélvica (DIP). de igualdade e a segurança sexual e reprodutiva das mulheres para as mulheres. o parto e a lactação. aborto ou parto. Portanto. conseqüentemente. a necessidade de melhoria da atenção à saúde reprodutiva. Complicações de gravidez ectópica. . Os casais inférteis precisam de comunicação aberta para ajudar a sentirem-se confiantes e seguros com a equipe de saúde.• • • • Fatores ambientais. os casais podem se sentir desconfortáveis quando se discute vida sexual e os horários rígidos idealizados sobre os dias de pico de fertilidade.

gov. Tratamento das infecções do trato reprodutivo.2. Atenção à saúde nos casos de aborto. 6. 4. ALVES. Educação e serviços para os cuidados seguros no prénatal. das doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) e outros estados de saúde reprodutiva. Educação. . Aconselhamento. Essa publicação é uma cartilha que tem por objetivo oferecer a homens e mulheres. Esses cuidados devem incluir: 1. atitude e prática do uso de pílula e preservativo entre adolescentes universitários. Cuidados de saúde materno-infantil. Disponível em: <http://www.Os Estados devem esforçar-se para tornar possível o acesso de todas as pessoas à saúde reprodutiva até o ano de 2015.br/portalv4/site/home/default. parto e período pós-natal. Conhecimento. emocionais. reforçando que o Planejamento Familiar envolve questões éticas. além de ser um excelente material didático para você trabalhar o te . 8. Para melhor aprofundamento desta temática não deixem de consultar a série do MS sobre Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. especialmente durante o aleitamento materno. Comunicação e serviços. Aline Salheb. Revista Brasileira de Enfermagem. Prevenção e tratamento de esterilidade. Brasília. 9. Nós somos apenas o veículo de informação! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE.ans.61.3Gostaria de finalizar esta Unidade de Estudo. Informação. por meio do sistema de cuidados primários à saúde. v. n. ou mesmo antes.asp#> Acesso em: 18 ago. 2008. 2. mar/abri. Maria Helena Baena de Moraes. adolescentes e adultos informações básicas dos métodos contraceptivos. 3. 5. físicas. religiosas e legais e que cabe a cada casal ou indivíduo decidir sobre a sua escolha em relação ao número de filhos. LOPES. 7.

Beijing. Cairo. da Constituição Federal. Kleyde Ventura: TYRREL. Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Acesso em 01 jul. Os fatos & atos relacionados ao (difícil) exercício dos direitos sexuais e reprodutivos: em recortes. 1995.com. 2008. o processo de viver de um grupo de mulheres de classes populares. 1994.asp?codigo_produto=1298>. Disponível em: <http://www.ibge.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística./Mar.html> Acesso em: 18 ago. Disponível em: <http://www.providafamilia.br/portal/arquivos/pdf/cartilha_direitos_sexuais_2006. Ministério da Saúde.html > Acesso em: 18 ago. 126.saude. v. Jan.Esterilização e Reversão. Susan Scott. Texto Contexto Enfermagem.org/mcontrac.16. que trata do planejamento familiar. IBGE . Disponível em: <http://www. 2008.gov.2008. Disponível em: <http://www. Censos Demográficos.1. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. n. Lei n. FIGUEIREDO. Enfermagem materno-neonatal e saúde da mulher. 2008. Maria Antonieta Rubio.263.guttmacher. 9. Ensinando a Cuidar da Mulher.editoraguanabara. 2008.br/> Acesso em: 01 jul. 2008. Disponível em: <http://www. do Homem e do Recém-nascido – Práticas de Enfermagem.org. Regulamenta o § 7º.com. IV CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE A MULHER. Nébia Maria Almeida de. 2008. BRASIL.gov.net/laqueadura.org/pubs/journals/2702001P. Disponível em: <http://www.br/doc. 2008. LAQUEADURA . São Caetano do Sul. .br/produtos_descricao. 2008. SOUZA. Disponível em: <http://www. SP: Yendis. 2007. Florianópolis. RICCI. Disponíveis em: <http://portal.br/home/estatistica/populacao/default_censo_2000. ANTICONCEPÇÃO de Emergência: Conhecimento.copacabanarunners. Ministério da Saúde. 2005.shtm> Acesso em: 18 ago. do art.pdf> Acesso em: 18 ago. 2008 CONFERÊNCIA MUNDIAL DE POPULAÇÃO E DESENVOVOLVIMENTO. Atitudes e Práticas entre Ginecologistas-Obstetras no Brasil.redece. Métodos Contraceptivos.php?doc=doc29935> Acesso em: 18 ago.yendis.pdf> Acesso em: 18 ago. BRASIL.

billings. LAM e camisinha feminina. C ) Ambos são políticas públicas que não dão ao indivíduo liberdade de escolha. (6083) Quais as diferenças fundamentais entre planejamento familiar e controle de natalidade? A) O planejamento familiar possibilita a decisão livre e responsável de ter ou não filhos ou de quando tê-los e o controle de natalidade não é uma decisão do indivíduo. que é obrigado a obedecer às políticas governamentais de limitação da natalidade. camisinha masculina. (6079) O dispositivo intra-uterino deverá ser removido em caso de A) doença tromboembólica em atividade.UNIDADE DE ESTUDO 3 . C ) D ) doença inflamatória pélvica em tratamento. anticoncepcional oral. abortamento e contracepção. anticoncepcional injetável. diafragma. condon. camisinha feminina. 3. B) O controle de natalidade possibilita a decisão livre e responsável de ter ou não filhos ou de quando tê-los e o planejamento familiar não é uma decisão do indivíduo. diafragma.(6081) São considerados métodos contraceptivos de barreira: A ) B ) C ) D ) 6081 temperatura basal. 2. que é obrigado a obedecer às políticas governamentais de limitação da natalidade. NÚCLEO TEMÁTICO I . dispositivo intra-uterino. porém no planejamento é usado para o indivíduo que quer ter filhos e o controle de natalidade é usado para os indivíduos que não querem filhos. D ) 6083 São conceitos sinônimos. ciclos ovarianos irregulares. que refletem as decisões governamentais sobre as políticas de natalidade. B) hipertensão arterial grave.

como em outros países. um diagnóstico preciso. o que.1 Vamos discutir um pouco sobre tema: Mulheres em Situação de Abortamento . a cultura e a religião inibem muitas mulheres a declararem seus abortamentos.polêmico tanto no Brasil. milhões de mulheres no mundo inteiro colocam em risco sua saúde e muitas das vezes suas vidas para interromper uma gravidez indesejada. Você sabe quantas mulheres são vítimas de aborto em todo o mundo? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). na maioria das vezes. poderá levar a histerectomia total. As . Muitas vezes. precisam omitir sua real situação por medo de represálias por parte dos profissionais de saúde. dificultando assim. o aborto é considerado crime previsto no Código Penal Brasileiro – em nosso país ele só é permitido em duas circunstâncias: no caso de violência sexual (estupro) ou riscos à vida da mulher (Artigo 128. Além do aspecto legal. quando buscam o atendimento institucional. Sabemos que muitas mulheres vítimas de abortamento buscam atendimento nas emergências e maternidades. Entretanto. . I e II do Código Penal).ACOLHIMENTO À MULHER EM SITUAÇÃO DE ABORTAMENTO Caro colega Entre os desafios com que nos defrontamos no exercício de nossa profissão está o acolhimento à mulher vítima de aborto e o estabelecimento de possibilidades e limites para esse cuidado de enfermagem. dificultando o cálculo da sua magnitude. quer seja no ambiente público ou privado.

Desde o início da década de 90. é grande o índice de mortes decorrentes do aborto inseguro.últimas estatísticas mostram que.000 abortos inseguros.447 foram internadas no ano de 2006. Nas regiões mais carentes. parto. em decorrência de complicações e que 250. com base nas reais necessidades. . representando mais de 4 abortos para cada mil mulheres em idade fértil. Surpreendente. e introduzir novas abordagens no acolhimento e tratamento com dignidade. . Você. Temos conhecimento de uma pesquisa realizada pelas Universidades de Brasília e Federal do Rio de Janeiro coordenada por Deborah Diniz e sua equipe. o Ministério da Saúde traçou como objetivo: Apoiar profissionais e serviços de saúde. puerpério e aborto. como profissional de saúde. a cada dia são realizados 55. com vistas a estabelecer e consolidar padrões culturais de atenção. sendo que 95% ocorrem em países em desenvolvimento. um grave problema de saúde pública.2 Tendo como referência os indicadores de mortes ligadas à gravidez.1 No Brasil. como o Norte e o Nordeste do Brasil. o Ministério da Saúde (2004) registra que em Salvador a primeira causa da mortalidade materna é o aborto inseguro. buscando assegurar a saúde e a vida. que aponta que quatro milhões de mulheres fizeram aborto no Brasil nos últimos 20 anos: O levantamento é fruto da análise de todos os estudos científicos . o aborto é a 4ª causa de morte em mulheres e. não? Sabemos que o aborto é uma das principais causas da mortalidade materna. O Painel de Indicadores do Sistema Único de Saúde (2007) nos informa que 686 mulheres são internadas pelo SUS a cada dia. precisa saber disso. portanto.

(NOSSA VIA). mais de dois terços já têm filhos e a maior parte optou pelo aborto como forma de planejamento familiar. o perfil é quase oposto. clique aqui para ler o texto em que Beatriz Galli e Maria Elvira Vieira de Mello descrevem a morte de uma . a importância das ações dos profissionais de saúde e do desafio ao lidar com essas mulheres? Sabemos que a mortalidade causada pelo aborto representa apenas uma pequena parcela do processo.uma organização não-governamental internacional que trabalha há três décadas com o objetivo de reduzir o número de mortes e danos físicos associados a abortamentos. É de seu conhecimento que a curetagem pós-abortamento representa o segundo procedimento obstétrico mais realizado nas unidades de internação da rede pública de serviços de saúde.publicados no país sobre o assunto nesse período. com múltiplos parceiros e poucas condições financeiras ou psicológicas para ter um filho. já que têm relacionamento estável e o parceiro costuma participar ativamente da decisão. devemos cuidar dos ferimentos físicos e da alma sem fazer comentários desaprovadores ou desrespeitosos ou mesmo tirar conclusões precipitadas. Lembramos que o momento de hospitalização na vida das mulheres em processo de abortamento é muito delicado. Observa-se ainda que: Ao contrário do que reza o senso comum (e o preconceito social). O Ministério da Saúde aponta dados referentes à hospitalização por abortamento que confirmam a magnitude desse problema. jovens demais. Nesse contexto. Nesta situação. que imagina a opção do aborto sendo feita por mulheres solteiras. (NOSSA VIA). superada apenas pelos partos normais? Recomendamos que acesse o mais recente documento da IPAS . e em especial nos casos de abortamento provocado. Percebe então. Mostra que são mulheres de 20 a 29 anos.

b) Beneficência: obrigação ética de se maximizar o benefício e minimizar o dano (fazer o bem). dignidade. diante de um caso de abortamento inseguro convém “Não fazer juízo de valor e não julgar”. morais ou outros interfiram na relação com a mulher. religiosos. evitando que aspectos sociais. respeitar a mulher na sua liberdade. afastando-nos dos preconceitos. reduzindo os efeitos adversos ou indesejáveis de suas ações (não prejudicar). culturais. Essa leitura vale a pena! A BIOÉTICA NO ABORTAMENTO A atenção humanizada às mulheres em situação de abortamento pressupõe o respeito aos princípios fundamentais da bioética e. Nesse sentido. uma vez que. autonomia e autoridade moral e ética para decidir. que possam negar e desumanizar esse atendimento. acima de tudo. todos os profissionais de saúde que cuidam desta clientela precisam conhecê-los e aplicá-los: a) Autonomia: direito da mulher de decidir sobre as questões relacionadas ao seu corpo e a sua vida. d) Justiça: o profissional de saúde deve atuar com imparcialidade. A garantia prioritária da atenção à saúde da mulher em caso de abortamento se revela com o conhecimento e mudanças de atitude em nossas profissionais. nosso dever como profissionais do cuidado é acolher condignamente práticas .adolescente de 13 anos por complicações pós-curetagem. estereótipos e discriminações de qualquer natureza. portanto. até aqui. O exercício dessas práticas precisa promover a atuação multiprofissional e. Do que dissemos. c) Não-Maleficência: a ação deve sempre causar o menor prejuízo à cliente. fica a importância de nosso atendimento a esses princípios.

priorizando o atendimento de acordo com necessidades detectadas. ou seja. admitir. lembrando que nem tudo é dito verbalmente. não realizar pré-julgamentos e imposições de valores e saber lidar com conflitos e a identificação das necessidades é o mínimo que a equipe de enfermagem deverá realizar em casos de mulheres em processo de abortamento. disponível em nossa biblioteca on-line. independentemente de credo.e envidar esforços para garantir a sobrevivência da mulher e não causar quaisquer transtornos e constrangimentos. o que entendemos sobre ACOLHIMENTO? “Acolher é dar acolhida. uma atitude de inclusão que precisa ser realizada no âmbito hospitalar com o compromisso e o reconhecimento de suas diferenças. suas dores e modos de vida. 2) Organizar o acesso da mulher. como ato ou efeito de acolher. agasalhar. dar crédito a. com escuta atenta e aceitação das diferenças. Para melhor aproveitamento de nossa unidade de estudo. admitir. auxiliando-a a expressar seus sentimentos e elaborar a experiência vivida. raça. Todas as mulheres. dar ouvidos. buscando a autoconfiança. aceitar. Mas. não deixe de aprofundar conhecimentos analisando o Manual do MS intitulado Acolhimento nas Práticas de Produção de Saúde. RESPONSABILIDADE DA EQUIPE EM CASO DE MULHERES EM PROCESSO DE ABORTAMENTO 1) Respeitar a fala da mulher. atender. Portanto. O acolhimento.” (Ferreira. expressa em suas várias definições uma ação de aproximação: um “estar com” e um “estar perto de”. têm o direito a um tratamento digno e respeitoso. . educação. receber. 2001).

As causas do aborto espontâneo são variadas e. O aborto provocado é a separação deliberada do produto da concepção (feto. conforme a capacidade técnica do serviço. resolvendo-os. ENTENDENDO O PROCESSO DE ABORTAMENTO O abortamento é o término da gestação. incompatibilidade istmo-cervical. anormalidade nos órgãos reprodutores. 6) Realizar os procedimentos técnicos de forma humanizada e informando às mulheres sobre as intervenções necessárias. 5) Garantir a privacidade no atendimento e a confidencialidade das informações. por razões clínicas (terapêuticas) ou sociais (eletivas). oferecendo soluções possíveis e priorizando o seu bemestar e comodidade. fatores maternos como condições crônicas. ou encaminhando-a para serviços de referência. As etiologias mais comuns para aborto no primeiro trimestre são anomalias genéticas fetais. Os abortos podem ser classificados como: O aborto espontâneo ocorre geralmente antes da 8ª semana de idade gestacional devido a causas naturais como óvulo ou espermatozóides defeituosos. com freqüência desconhecidas.3) Identificar e avaliar as necessidades e riscos dos agravos à saúde em cada caso. infecções agudas e deficiências nutricionais. AS FORMAS CLÍNICAS DO ABORTO • • • • Ameaça de Abortamento Abortamento Inevitável Abortamento Infectado Abortamento Habitual . incompatibilidade sanguínea. antes do feto ter atingido a viabilidade (até 20/22 semanas de gestação e peso inferior a 500g). grupos de mulheres e organizações não-governamentais (ONG) feministas. placenta e membranas) do útero. 4) Dar encaminhamentos aos problemas apresentados pelas mulheres.

(MS. • Orientar que a fertilidade retornará logo após o procedimento. talo de mamona). em alguns casos. também. Informar sobre a rotina de higiene pessoal. É muito importante que você conheça os principais sinais e sintomas das diferentes formas clínicas de aborto. o que aumenta a possibilidade de perfuração uterina ou de fundo de saco e que algumas substâncias químicas instiladas dentro da cavidade uterina podem provocar necrose miometrial. os abortos são provocados com o uso de instrumentos rígidos (tipo agulha de crochê. profuso. . disponível em nossa biblioteca on-line. Aborto e Puerpério. portanto não deixe de ler o Manual Técnico do Ministério da Saúde – Parto.• • Abortamento Retido Abortamento Eletivo Previsto em Lei. que a infecção por Clostridium perfringens pode levar a um quadro de anemia hemolítica fulminante e insuficiência renal aguda. durante o processo de abortamento. É preciso lembrar que. com a descrição de uma tríade sintomática clássica: hemoglobinúria. vermelho-claro. sondas vesicais. volta da menstruação e planejamento reprodutivo. 2003) ORIENTAÇÕES GERAIS DO ENFERMEIRO PARA ALTA HOSPITALAR PARA A MULHER VÍTIMA DE ABORTAMENTO: • • • Recomendar a comunicação de qualquer sangramento abundante. Tranqüilizar quanto à eliminação de uma secreção vaginal escura e escassa que pode persistir por 2 semanas. O retorno da atividade sexual pós-abortamento não complicado pode ocorrer tão logo a mulher assim o desejar. reinício da atividade sexual. anemia e cianose perioral. Lembramos.

Esclarecer complicações como sinais e sintomas de infecções (odor.de forma que é necessária a orientação de planejamento familiar e o acesso a métodos contraceptivos. PLANEJAMENTO REPRODUTIVO PÓS-ABORTO O Ministério da Saúde em sua norma técnica . febre. Recomendar a terapêutica prescrita pelo profissional médico – antibióticos e analgésicos.Atenção Humanizada ao Abortamento (MS. Febre. calafrios ou mal-estar geral. Porto Alegre: Artmed. quer seja espontâneo ou por decisão pessoal. Vamos agora recordar alguns dos sinais e sintomas que requerem atendimento de emergência. 2005) indica que toda a mulher após processo de abortamento. O cuidado em enfermagem materna. • • • • Agendar retorno para no máximo 15 dias para revisão pósabortamento. Sangramento prolongado (mais de duas • Sangramento mais abundante do que uma menstruação normal. • • • Dor intensa ou prolongada. Desmaios. Oferecer todos os locais de atendimento de emergência. necessita de cuidado/acompanhamento para orientá-la sobre sua saúde reprodutiva. Cólicas por tempo prolongado. calafrios) e hemorragias. 5ª ed. SINAIS E SINTOMAS QUE REQUEREM ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA • • semanas). 2002. As pesquisas sobre o tema indicam que as mulheres precisam se proteger de uma nova gravidez até serem encaminhadas a uma Instituição de Saúde com o objetivo de orientá- . Fonte: Deitra Leonard Lowdermilk et all.

ORIENTAÇÃO EM PLANEJAMENTO REPRODUTIVO Todas as mulheres deverão: • • • Ser acolhidas e receber orientação anticoncepcional. . Quantas aprendizagens precisam ser vencidas e mostradas para que se tenha um conhecimento crítico sobre o tema. Informadas reiteradamente que a mulher pode engravidar caso reinicie sua vida sexual no primeiro mês pósabortamento e não esteja protegida por algum método contraceptivo. • Em caso de indecisão de método. certo? Mas sempre é bom reforçamos as orientações das questões do planejamento reprodutivo pós-abortamento. orientar a mulher e se possível o casal para a utilização de método de barreira como preservativo. que o atendimento da mulher com complicações de abortamento só será completo se acompanhado de orientação sobre anticoncepção e de oferta de métodos no pósabortamento imediato. Ser Informadas de que a recuperação da fertilidade pode ser quase imediata.las para a escolha dos métodos contraceptivos. Vale ressaltar. disponível em nossa biblioteca on-line. Por tudo isso. promovendo o conceito de dupla proteção. Já nos encontramos na Unidade de Estudo quando abordamos à temática Planejamento Familiar. você não acha? Leia com muita atenção o Manual do MS que fala sobre Atenção Humanizada ao Abortamento. também. veja o quanto os profissionais de saúde precisam fazer.

que os métodos estejam disponíveis no hospital/maternidade que atende o abortamento para que as mulheres possam iniciar o método escolhido dentro do prazo recomendado. ABORTAMENTO ESPONTÂNEO E ORIENTAÇÃO . deve-se oferecer a inserção no fim do esvaziamento uterino (AMIU ou curetagem) nas mulheres sem nenhum sinal ou suspeita de infecção. Em que pese a obrigatoriedade da orientação e oferta de métodos contraceptivos. No Brasil. esse pode ser iniciado de imediato. Em se tratando do método injetável mensal ou trimestral.contra a gravidez e as infecções de transmissão sexual. OFERTA DE MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS A literatura especializada nos informa que todos os métodos devem estar disponíveis nas Instituições de Saúde. É preciso dar oportunidades às mulheres de iniciar seu uso antes de receber alta hospitalar. da mesma forma que o anticoncepcional hormonal oral. É necessário. portanto. Como sabemos. esse pode ser administrado entre o dia do esvaziamento e o 5º dia pós-abortamento. muitas mulheres terão dificuldades em retornar a Unidade de Saúde dentro destes prazos. o dispositivo intra-uterino (DIU) com cobre e os hormonais injetáveis trimestrais ou mensais têm demonstrado mais eficiência por não haver o risco de esquecimento. na alta hospitalar ou no retorno ao hospital ou à unidade de saúde dentro dos primeiros 15 dias pós-abortamento ou logo depois da primeira menstruação após o esvaziamento. as mulheres devem ter absoluta liberdade de aceitar ou não os métodos contraceptivos. Quando a mulher aceita um método. No caso do DIU.

portanto. por forças de Leis restritivas.CONCEPCIONAL Entendemos que. Precisa. mais educação e mais acesso aos métodos anticoncepcionais”. pós-abortamento não complicado.. que pode afetar muito a vida futura das pessoas. . E não acho que essa seja uma solução para a questão do planejamento familiar. pode ocorrer tão logo à mulher deseje. garantir mais do que cuidado: sensibilidade. ela deve ser orientada a usar um método contraceptivo por três meses para então iniciar uma próxima gravidez em melhores condições físicas e emocionais. é necessário que a mulher também receba orientação sobre o planejamento de uma nova gravidez. sendo mais demorada se o abortamento ocorreu no 2º trimestre da gestação. competência profissional.4 Complementamos sua fala. O retorno das relações sexuais. com . A solução para a questão do planejamento familiar é mais informação. Apesar de toda a visibilidade adquirida em relação ao atendimento à mulher no ciclo gravídico-puerperal. dizendo que a qualidade na atenção ao abortamento e pós-aborto deve ser compreendida como um conjunto de ações oferecidas à mulher durante e após a interrupção da gravidez. de homens e mulheres. acolhimento. tendo por conseqüência mortes maternas. Dr José Temporão: .. quer seja espontâneo ou induzido. apesar de ser difícil distinguir se um abortamento é espontâneo ou provocado. Por essa razão.“isso me preocupa muito. Portanto. O Brasil ainda precisa avançar e discutir muito em relação ao aborto e sua legalidade. porque essa é uma decisão extremamente grave e muito complexa. Conforme nos fala o Ministro da Saúde. muitas ainda recorrem ao aborto clandestino. A completa recuperação da mulher após um abortamento é relativamente rápida. sempre há que se considerar que a mulher tem direito a opção de ter um filho algum tempo após o abortamento.

(6093) Caracteriza-se abortamento habitual quando ocorrem 3 ou mais abortamentos espontâneos. B) 16-18 semanas. Incompatibilidade istmo-cervical. foi admitida na maternidade com pequeno sangramento vaginal. inevitável. B ) C ) D ) 6093 Cervicite de repetição. Este quadro é denominado abortamento A) habitual. queixa-se de cólicas espassas. (6089) Segundo o Ministério da Saúde denomina-se abortamento o produto da concepção pesando menos de 500 g e idade gestacional até A) 14-16 semanas. 3. 20-22 semanas. Útero bicorno. sendo a sua principal causa A ) Hipovitamoniose B12. 2.toda tecnologia apropriada. (6091) Gestante. B) infectado. O CUIDADO DO ENFERMEIRO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA Caro colega . C ) D ) 18-20 semanas. 19a semana de Idade Gestacional. pautando-se no respeito à dignidade e aos direitos sexuais e reprodutivos. C ) D ) 6091 evitável. Ao exame ginecoobstétrico apresentou altura uterina compatível com a idade gestacional e colo uterino fechado.

. pois afeta as condições . As mulheres representam a maioria da população brasileira (57%) e são as maiores usuárias do Sistema Único de Saúde em que buscam atendimento ginecoobstétrico. tem sido oferecido de modo parcial à grande parte de nossa população feminina. Entretanto. Vamos ao desafio? O 3° milênio traz consigo antigas preocupações das autoridades sanitárias . um dos quatro países com maior desigualdade social. muitas escravas eram violentadas sexualmente pelos homens brancos. Os avanços da cidadania têm a ver com a riqueza do país e a própria divisão social. à liberdade. os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. somos uma das dez maiores economias do mundo e. Quantas mulheres são vítimas de violência quer seja no ambiente privado ou público e necessitam de cuidado especializado? É neste sentido que vamos discutir nessa unidade – as diversas formas de violência contra a mulher. a violência é um fenômeno que deve ser reconhecido e integrado à área da saúde. Segundo a socióloga Maria Cecília Minayo. à igualdade perante a lei”. Na época da escravidão. à propriedade. 2003:456). Ao falar de cidadania não se pode defini-la como estanque – como aprendemos ao longo de nossas vidas: “ser cidadão é ter direito à vida. a questão da cidadania enfrenta a segregação da pobreza de um enorme contingente da população.Nosso objetivo é instrumentalizar os profissionais de enfermagem para identificar sinais e sintomas de violência contra a mulher para o cuidado de enfermagem. além de acompanhar seus filhos nos serviços de puericultura. o Brasil é considerado um dos países mais violentos do mundo e a sua causa principal é a má distribuição de renda – ou seja. ao mesmo tempo.1 A violência está presente na nossa história há séculos.índices alarmantes de mortalidade materna e infantil. pressuposto básico de cidadania. Curiosamente. (PINSKY & PINSKY. Hoje. o direito à saúde. identificando os principais sinais e sintomas e o cuidado de enfermagem. enquanto os negros eram explorados e maltratados pelos seus senhores. No Brasil.

uma em cada quatro mulheres é agredida. psicológicas. cabe ao profissional de saúde reconhecer este grave problema de saúde pública e desenvolver estratégias para o cuidado. extermínios. onde metade das mulheres assassinadas foi morta pelos companheiros. Todo dia. a violência é um problema multifacetado com raízes biológicas. assaltos e outras mais. já necessita de reabilitação física e psicológica. seqüestros. que diversos termos são usados para designá-la. segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS) é acabar com o descompasso entre o rico e o pobre e garantir um acesso igualitário aos bens. doméstica e de gênero. como: violência intrafamiliar. Em alguns países como Canadá e Japão. Em se tratando de violência contra a mulher. uma pesquisa do Ibope para o Instituto Patrícia Galvão. Portanto. estima-se que 25% das mulheres do planeta sofrem algum tipo de violência de seus maridos/companheiros. Uma das primeiras medidas. Entretanto. ambientais e culturais.de vida. prevalece o velho ditado . Ao mesmo tempo. Faz-se necessário confrontarmos simultaneamente esses fatores e adotar medidas para transformá-la. revelou que 82% dos entrevistados responderam que “não existe nenhuma situação que justifique a agressão do homem a sua mulher”. O tema violência contra a mulher é tão amplo. Esse fenômeno perpassa sociedades desenvolvidas e em desenvolvimento. dentro do próprio lar. sociais. em sua maioria. quando a mulher vítima de violência procura o serviço de saúde para atendimento. as relações interpessoais e a qualidade de vida da população. infantil. na maioria das vezes. Além disso. Neste sentido. A violência responde por aproximadamente 7% de todas as mortes de mulheres entre 15 a 44 anos em todo mundo. perguntando O que a sociedade pensa sobre a violência contra as mulheres. tomamos conhecimento de atos de total violência: doméstica. 91% dos entrevistados consideram muito grave o fato de mulheres serem agredidas por companheiros e maridos. serviços e oportunidades. Não deixem de ler o artigo desta grande socióloga brasileira Laços perigosos entre o machismo e a violência. 69% das mulheres relatam terem sido agredidas fisicamente e 47% declaram que sua primeira relação sexual foi forçada. Entretanto. psicológica e sexualmente. física.

ainda com boa aceitação.Fatores de Risco do Modelo Ecológico da OPAS Identifica os fatores biológicos e a história pessoal que influenciam o comportamento do indivíduo e consideram fatores como a impulsividade. em geral. relacional. utilizam esta estratégia para maximizar a sua segurança e a de seus filhos. em suas características que podem aumentar a probabilidade de ser vítima ou perpetrador de atos de violência. comunitário e social.1 A violência física e sexual contra a mulher é a que mais chama a atenção das autoridades públicas e está intimamente ligada às relações de gênero. o abuso de álcool e drogas e os antecedentes de comportamento agressivo e maus tratos como pré-disponentes. cedendo aos desejos do companheiro. sendo a violência o resultado de uma ação recíproca e complexa. 66%! . explicando que nenhum fator é isolado. o Modelo Ecológico da OPAS para essa compreensão vem sendo utilizado por diversos especialistas da área de saúde e cientistas sociais. o baixo nível educativo. Este modelo é dividido em quatro níveis – individual.A seguir apresentamos diferentes quadros que possibilitam a visualização do Modelo Ecológico para compreender a violência. vejam. Vem sendo atribuída aos sexos e as suas peculiaridades biológicas como base de uma constante explicação a respeito da violência do homem contra a mulher. Atualmente. O Relatório Mundial sobre Violência e Saúde organizado pela OPAS no ano de 2003 informa que o fato de as mulheres. É centrado na atenção no indivíduo. só. que dizem respeito ao poder e à distinção entre as características culturais. Quadro 1 . faz com que elas não denunciem seus companheiros e passem a ser vítimas passivas.que afirma: “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. estarem emocionalmente envolvidas com quem as vitimiza e dependerem economicamente deles. Na verdade. Discute como as relações sociais aumentam o Primeiro Nível INDIVIDUAL .

existem casos de violência psicológica. “a violência contra mulher é toda ação ou conduta. tanto em nível institucional quanto pela própria vítima. o ambiente de trabalho e/ou vizinhança. principalmente nas relações familiares. em relações que exigem certa interação entre os indivíduos. Os efeitos morais da desqualificação freqüente de uma pessoa. . Exemplifica que em zonas de pobreza ou deterioração física o apoio institucional é ínfimo. agressão verbal. ou entre amigos. os que reduzem as inibições contra esta e os que criam e mantém as frestas entre segmentos distintos da sociedade. Terceiro Nível COMUNITÁRIO Quarto Nível SOCIAL Fonte: OPAS/OMS. de casos de violência explícita. Identifica as características dos ambientes que possam se associar com o fato de um indivíduo ser vítima ou perpetrador de atos violentos. Segundo a Convenção de Belém do Pará. portanto. dano físico.5. tratando-se. que causa morte. Informe Mundial sobre la violência y la salud. 1995. facilmente constatada. baseada no gênero. São exemplos. p. Sua definição varia de pessoa para pessoa e em cada país ela é expressa de uma determinada forma. tortura psicológica são exemplos emblemáticos. Genebra: 2003. Examina os fatores sociais gerais que determinam as taxas de violência. os casos onde a violência ocorre no seio familiar. concluímos que o termo é polissêmico e multifacetado. Examina o contexto de toda a comunidade e os que se filiam nas relações sociais.Segundo Nível RELACIONAL risco de se converter em vítimas os perpetradores dos atos violentos. difíceis de serem percebidas e diagnosticadas. os casos de violência no Brasil são registrados em situações policiais. A constante desmoralização do outro. tanto no âmbito público quanto privado”. representam . como a escola. Ao conceituar a violência contra a mulher. sexual ou psicológico.2 Em geral. Porém. Estão incluídos aqui os fatores que criam um clima de aceitação da violência.

O delito que faz a mulher procurar uma delegacia especializada com mais freqüência é a violência sexual. sem proteção. a mulher considera ser sua obrigação satisfazer a vontade do marido. Pelo agravante de ser considerada culpada pela violência sofrida. controle da autonomia feminina para vedar a essa mulher um crescimento profissional. Muitas vezes. sedução. cujos efeitos são tanto ou mais perniciosos que qualquer outro. ato obsceno. O maior problema é que esse tipo de conduta violenta não é tipificado criminalmente. ao aborto ou causar malformações no feto. são ocasionadas pelo estupro. já que podem promover distúrbios graves de conduta. Por isso. invertendo os papéis de vítima e agressor no processo de vitimação. inseguranças e responsabilidade que acarretam brigas do casal. As agressões podem levar ao parto prematuro. além de constrangimento na rua. companheiro ou namorado. Alguns pesquisadores afirmam que a gestante que sofre violência tem o dobro do número de abortos espontâneos. a vítima estará cada vez mais exposta aos atos violentos do agressor. desvalorizar e explorar a vítima. definida como “toda ação na qual uma pessoa usa a força ou a intimidação psicológica para obrigar uma outra ao ato sexual contra a sua vontade”.outras formas perversas e cotidianas de abuso. Na maioria das vezes. . estudar. a violência psicológica está associada à violência física e/ou sexual e inclui toda conduta que tem como objetivo diminuir a auto-estima. de ser vaidosa). a violência sexual contra a mulher é muito difícil de ser combatida. Além disso. além do novo interesse da mulher sobre seu corpo e no futuro bebê levando a incapacidade de enfrentar os fatores estressantes. atentado violento ao pudor. Outra realidade é a violência contra a mulher grávida. geralmente. Geralmente. ofender. A mulher é submetida a diversas agressões físicas que comprometem a sua saúde e. rapto ou seqüestro. Também a privação arbitrária da liberdade (proibindo de trabalhar. mesmo que ela não queira. não possuindo um artigo específico no Código Penal. a violência na gravidez acontece por “inveja” da maternidade e por ciúme do homem.

Geralmente não procuram assistência médica e legal. O excesso de bebida alcoólica. AWHONN Lifelines. 2ª FASE – Espancamento Agudo Caracteriza-se pela explosão de violência onde o agressor perde o controle emocional e físico. as vítimas se consideram com grande sorte por não ter acontecido nada pior. acuada e sentir que o parceiro nervoso reage negativamente contra ela. não importando a gravidade dos ferimentos. Acaba por levar para si a responsabilidade tentando acalmar o agressor. atrito. ciúmes. No quadro 2. amor e comportamento de arrependimento pela dor que causou a sua parceira tentando compensar seu comportamento violento. gerando alto nível de tensão. sente-se em parte culpada pelo incidente e promove o bem-estar do parceiro.A agressão física. o que leva a tensão entre o casal. a mulher pode se sentir frágil. N. com posturas diferentes de carinho e conciliação. 3ª FASE – Reconciliação Corresponde a um período de calma.CICLOS DA VIOLÊNCIA 1ª FASE – O Processo de Acúmulo da Tensão Emocional Geralmente é a mais longa fase. A vítima acredita na mudança. problemas financeiros ou outros fatores podem levar a xingamentos. (2004) Screning for domestic violence: a team approach for maternal/newborn nurses. 8(3). 210-219. psicológica e sexual pode então ser entendida como um ciclo de violência que inclui três fases distintas iniciadas em um período de brigas. Destaca-se que após o episódio de espancamento. Neste momento. RECONHECENDO CONTRA A MULHER OS SINAIS E SINTOMAS DE VIOLÊNCIA . hostilidade. você analisa as diferentes etapas em busca da reconciliação. período em que a vítima pode ser atacada ou morta. Fonte: Watts. Quadro 2 . p.

Vale lembrar que somos os primeiros profissionais a atender a mulher nas emergências quando realizam o exame físico. Queixas de distúrbios do sono. Vale destacar: não há um sinal único de violência e sim um conjunto de sinais objetivos e subjetivos! As intervenções imediatas e o reconhecimento das lesões reduzem significativamente a morbi-mortalidade nesta parcela da população. angústia e dor no peito. utilização de substâncias psicoativas. a presença do agressor impede o atendimento do profissional. dor nas articulações. O profissional de enfermagem. apresentamos os principais aspectos psicológicos. alimentação. Muitas vezes. não permitindo que a mulher responda aos questionamentos que levem aos sinais de alerta. físicos e sexuais de violência: .Os profissionais de enfermagem são importantes na assistência às mulheres que sofrem de violência. dor pélvica principalmente durante a palpação. Queixas constantes durante a consulta como cefaléia intensa. Alguns sinais de alerta podem ser de grande ajuda para os enfermeiros no momento da detecção da violência à mulher: 1. ferimentos nas mamas e/ou genitália do tipo beliscão e mordida. pela confiança demonstrada à cliente e a sensibilidade do profissional durante as consultas de ginecologia e de pré-natal é que temos a oportunidade de identificar alguns sinais e sintomas. Surgimento de ferimentos clássicos que podem ser bem visíveis como: contusões. 3. detectando sinais e sintomas de violência. No quadro 3. Daí a importância de reconhecer os sinais e sintomas como fatores de riscos de alerta para a violência. estresse. falhas no couro cabeludo. pescoço e cabeça. 2. traumatismo dental. distúrbios gastrintestinais. deve tentar uma aproximação de confiança com a cliente com intervenções e aconselhamentos imediatos. Muitas vezes. além de oferecer referências de encaminhamentos para continuidade de tratamento. cicatrizes de traumas não-penetrantes no rosto.

tias ou vivem em um ambiente hostil regido pelas agressões. arranhões. pesadelos. perfuração ou ruptura. hematomas. estrangulamento. Diferentes especialistas afirmam que as crianças podem apresentar alguns sinais de . vaginais e gravidez são conseqüências que podem se manifestar posteriormente. contusões. insegurança. 2007. depressão. vômitos. doenças sexualmente transmissíveis. DF. queimaduras. cefaléias e mialgias. infecções urinárias. fracasso. anal e vaginal que envolvem inflamação. Normas e Manuais Técnicos Série Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – caderno no 6. pânico. fobias. perda de peso. irritação. ansiedade. mordidas. sentimentos de inferioridade. e também. cólicas e dores de estômago. falta de concentração. Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes. Ministério da Saúde: Brasília. tapas. Não podemos deixar de mencionar também o impacto provocado na saúde das crianças que presenciam a violência contra suas mães. Além de estar atento a todas as manifestações que a mulher possa apresentar. confusão. dor no baixo ventre ou infecções. culpa. equimoses em várias partes do corpo ou ainda fraturas de ossos da face. espancamentos. auto-reprovação. chutes. náuseas. costelas. tentativas de suicídio. comportamento auto-destrutivo. socos. transtornos digestivos como inapetência. mãos. Psicológica Física Sexual Fonte: BRASIL. irritabilidade. lesões na mucosa oral.Quadro 3 – Sinais e Sintomas de Violência a partir do Tipo Violência Tipo de Violência Sinais e Sintomas insônia. braços e pernas. edema. deve-se colher a sua história de vida para saber se ela apresenta algum dos fatores de risco já descritos. medo. irmãs. baixa autoestima.

como um agravo à saúde e não unicamente como um caso policial. o papel da rede hospitalar como um todo é fundamental para a prevenção de reincidências de violência. o profissional de saúde que atua neste setor está em local estratégico. Portanto. completamente compreensível uma vez que a legislação não é tão veiculada como deveria acontecer. mais extremos que podem levar a tentativa de suicídio. Todos os profissionais precisam estar capacitados pelas Secretarias de Saúde do Município e do Estado para poderem encaminhar à mulher vítima de violência a fim de que ela continue o seu acompanhamento. pois acreditam que sendo bons filhos. baixa auto-estima. irmãos e sobrinhos podem controlar o estado do agressor. Os profissionais precisam estar preparados para entender a violência. Desse modo é importante a sensibilização dos profissionais de saúde para o acompanhamento adequado dessas mulheres. Possivelmente. repetência escolar ou abandono da escola. . onde pode identificá-las a partir dos sinais e sintomas já descritos. CENÁRIOS DO CUIDADO DE ATENDIMENTO À MULHER O atendimento às mulheres vítimas de violência deve contar com uma rede multidisciplinar: médicos. assistente social. insegurança. ser tímido ou agressivo.sintomas de alerta como: pesadelos. podemos perceber como uma criança. medo e ansiedade. delegados de polícia. cognitiva e comportamental para o resto de sua vida. enfermeiros. chupar dedo. A emergência na sua grande maioria é porta de entrada para as mulheres vítimas de violência de qualquer natureza. esses problemas advêm do receio dos profissionais em denunciar a violência. Elas precisam ser bem acolhidas para que não tenham receio de denunciar o seu caso. As crianças por muitas vezes apresentam sentimento de culpa. enurese. dificuldade de concentração. psicólogos. Diante disso. Com isso. advogados. ao conviver com a violência. Este entendimento contribui para os problemas de sub-notificação e ocultação dos casos. Receio este. fica comprometida em sua área emocional. químicos e técnicos em criminalística para que as mulheres possam ser cuidadas na sua integralidade diminuindo desta forma a revitimização. também.

corrupção de menores. É importante que ela seja encaminhada. rapto. por exemplo. Núcleos Integrados de Atenção à Mulher (NIAM). atentado violento ao pudor. maternidade. no Rio de Janeiro. de forma emergencial por todos os profissionais. não devem impedir que essas mulheres sejam atendidas com dignidade. É imprescindível a implantação de um sistema de notificação dentro de emergências. Organizações NãoGovernamentais (ONG). Lembramos que as Delegacias de Atendimento à Mulher não são incumbidas da apuração dos casos de homicídio. assim como o treinamento de profissionais capazes de entender a relação de violência e saúde. advogados. no combate à violência contra a mulher. Com a divulgação das leis de proteção à mulher. ameaça. como. como. psicólogos. seqüestro e cárcere privado. ela deve ser bem atendida em uma unidade de saúde ou instituição hospitalar. delegacias de defesa da mulher. quando for o seu desejo. biológica e socialmente. A partir daí fornecer informações sobre a rede intersetorial que poderá assisti-la. maus-tratos. mostrar-se disponível a ouvi-la e ajudá-la. A mulher deve ser assistida psicológica. abandono de incapaz. a Casa Viva Mulher. vieram à tona todos os tipos de maus-tratos sofridos e denunciados pelas mulheres e o que surpreendeu foi o número crescente de procura pelo atendimento. Esperamos que esse olhar crítico sobre a situação contribua de alguma forma para minimizar os episódios de violência praticada contra a mulher. os riscos potenciais a que ela está exposta e traçar um plano de emergência. para Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM). Síntese: Consideramos que o cuidado integral deve estar baseado em uma ação articulada e sistematizada. Sua atuação se restringe aos delitos definidos segundo o Código Penal: lesão corporal dolosa. como é fundamental o papel do profissional de saúde. É necessário acolher essa mulher e orientá-la. entre eles a falta de recursos e pessoal. abrigos para as mulheres vítimas de violência. assim. ou seja. estupro. conhecer a sua história. sedução. As dificuldades enfrentadas pelos serviços públicos. por exemplo. constrangimento ilegal.Depreende-se. . aborto provocado por terceiros.

4. Quadro 4 – Registro de Encaminhamento HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA Registrar em prontuário: 1. BASES PARA O CUIDADO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL Devemos como profissionais de enfermagem e até mesmo como cidadãos. toda e qualquer atividade deve ser desenvolvida articulada a outros saberes. 5. 2. exame ginecológico. coleta de amostras para diagnóstico de infecções genitais e coleta de material para identificação do agressor. Órgão que realizou o registro PROVIDÊNCIAS INSTITUÍDAS Verificar eventuais medidas prévias: 1. dia. Realização do exame pericial de Corpo de Delito e Conjunção carnal. bem como suprir suas necessidades imediatas. 3. .Observamos finalmente que muito embora cada profissão tenha sua especificidade. 2. Tipificação e número de agressores. Realização do Boletim de Ocorrência Policial. No acolhimento à mulher vítima de violência sexual é preciso cumprir as etapas de atendimento e preenchimento dos registros. A primeira entrevista com a mulher deve atentar para um registro preciso de alguns dados específicos conforme evidencia o quadro 4. Atendimento de emergência em outro serviço de saúde e medidas de proteção realizadas. Tipo de violência sexual sofrida. 3. OBS: O atendimento médico não se vincula ao Boletim de ocorrência e exame pericial. O primeiro passo é a realização do exame físico completo. sempre ter em mente que o mais importante nos casos de violência é reconhecer a percepção que a mulher tem da violência. hora aproximada da violência sexual. Forma de constrangimento utilizada. Local.

incluindo-se abrigos de proteção. disponível em nossa biblioteca on-line. dando à mulher condições de descrever o evento. procurou a emergência próxima de sua residência muito nervosa. após um dia de aula. oferecendo apoio sem julgamentos. Para finalizar esta unidade. foi montado um caso clínico de violência sexual (estupro) e o possível cuidado de enfermagem: Luz. Intervenções de Enfermagem – Rotina de Atendimento • • 1 Acolhimento • Acolher a cliente por todo o tempo. a fim de proporcionar confiança/segurança. Encorajar as expressões dos sentimentos. Explicar a importância dos procedimentos necessários para o exame físico/ginecológico com detalhes. informando que foi atacada por um homem de meia idade. sendo uma ouvinte ativa. 25 anos.ACESSO À REDE DE APOIO Verificar o acesso e a necessidade da mulher às diferentes possibilidades de apoio familiar e social. estudante universitária. Vítima de violência sexual (estupro). . O primeiro exame revelou que a blusa e a calça estavam rasgadas e a existência de equimoses em algumas partes do corpo principalmente pescoço e períneo e lesões na região anal e mucosa vaginal. Para melhor entendimento das formas de atendimento à mulher vítima de violência sexual consulte a Norma Técnica de Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes (BRASIL. acompanhada de um familiar. quando retornava para casa. moradora da zona sul do Rio de Janeiro. aproximadamente às 21 horas. 2007).

Proporcionar higiene conforme necessário a fim de estimular a auto-estima. tratamentos e exames. Fornecer o número do telefone de aconselhamentos e grupos de apoio da região com a finalidade de ajudar a enfrentar a situação. relativas às consultas de agendamento. Dar instruções por escrito. hepatite. conforme protocolo da Instituição. desde que a mulher permita.adequando as palavras técnicas. Realizar exame físico/ginecológico minucioso e coletar amostras cervicais para obter evidências para os procedimentos médico-legais. • Apesar de sua magnitude. • 2 Exames • • 3 Cuidados • • Cuidar dos ferimentos com o intuito de diminuir os riscos de infecções. a fim de evitar gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. sífilis) e gravidez. a presença do acompanhante no momento dos exames. tal como as altas estatísticas de violência doméstica. • Facultar. além da obrigatoriedade de atenção para o cuidado à . a fim de dar continuidade aos tratamentos físicos e apoio psicológico. é raro a violência tornar-se visível. • 4 Rede de Apoio • Agendar consulta de acompanhamento com o profissional de saúde. Um dos passos a ser dado para reverter essa situação é conscientizar os profissionais de saúde sobre a importância do encaminhamento das fichas de notificação e o seu preenchimento correto. segundo protocolo da Instituição. Administrar medicação profilática. Coletar sangue para provas laboratoriais para detecção de doenças sexualmente transmissíveis (HIV.

mulher vítima de violência. 3. colega. mas também na secundária e terciária. 8 semanas consecutivas. a temática “violência contra a mulher” busca torná-lo agente multiplicador e não somente “cuidador”. com o olhar do cuidado sensível humanitário que pode deixar marcas na alma. B) acúmulo de tensão emocional e agressão verbal. elaborado pela Socióloga e Antropóloga Maria Cecília Minayo do Centro Latino Americano Sobre Violência e Saúde (Claves) da Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ/ RJ) – (6101) A primeira fase do ciclo de violência contra a mulher e caracterizada por A) episódio agudo de espancamento. . É preciso discutir alternativas assistenciais de acolhimento e propostas eficazes aos casos identificados. Para finalizar esta Unidade de Estudo. Assim. Na Instituição. mas é preciso trabalhar de forma atrelada à visão antropossocial. C ) D ) 6101 período de lua de mel que leva a vítima a perdoar. não somente na atenção primária. 2. nas situações de violência sexual (estupro) a profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis e a prevenção de uma gravidez indesejada se faz necessária nas primeiras A) 24 horas. cuidamos do corpo físico pautado no modelo biológico. C ) D ) 6103 6 semanas consecutivas. B) 4 semanas consecutivas. sugerimos a leitura de um artigo de reflexão. (6103) Segundo o Ministério da Saúde. a profilaxia do HIV com o uso dos antiretrovirais para as mulheres vitimas de violência sexual deverá ser mantida obrigatoriamente a terapêutica por A) 2 semanas consecutivas. (6099) Segundo o Ministério da Saúde. descontrole físico por parte do companheiro.

72 horas . C ) D ) 48 horas.B) 36 horas.

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