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GUIA AREA I

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  • TExTO 1 O Processo Saúde-Doença
  • TExTO 2 reforma Sanitária no Brasil
  • TExTO 3 Estratégia de Saúde da Família
  • TExTO 5 Vigilância em Saúde
  • TExTO 6 Política Nacional de Humanização
  • TExTO 7 Sistema de Informação em Saúde
  • TExTO 8 Pesquisa Científca
  • TExTO 9 Educação e Saúde na Prática do Técnico de Enfermagem
  • TExTO 10 Educação Permanente em Saúde
  • TExTO 11 O Sus no Estado de São Paulo
  • TExTO 13 rede de atenção aos portadores de transtornos mentais

Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo

Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem
Módulo de Habilitação

Guia Curricular – Área I
Promovendo a Saúde

Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo

Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem
Módulo de Habilitação

Guia Curricular – Área I
Promovendo a Saúde

Governador do Estado
Secretário da Saúde Secretário Adjunto da Saúde Chefe de Gabinete da Saúde Coordenador da Coordenadoria de Recursos Humanos da Saúde Secretário da Gestão Pública Secretário de Desenvolvimento Diretora Superintendente do Centro Paula Souza Secretário da Educação

José Serra
Luiz Roberto Barradas Barata Nilson Ferraz Paschoa Reinaldo Noboru Sato Paulo Henrique D´Angelo Seixas Sidney Beraldo Geraldo Alckmin Laura Laganá Paulo Renato Costa Souza

Diretor Executivo
Diretora Técnica de Políticas Sociais Coordenador Equipe Técnica

Geraldo Biasoto Junior
Vera Lúcia Cabral Costa Sergio da Hora Rodrigues Andrea Terumi Okida Shimura Cecília Maria Castex Aly Heinemann Cibele Cristina Moreira Sancha Cintia Hiromi Mizuno Claudia Martinez Emilia Emi Kawamoto Guadalupe Maria Jungers Abid de Almeida Julia Ikeda Fortes Leda Zorayde de Oliveira Luci Emi Guibu Marcela Ribeiro Rodella Soares Mari Shirabayashi Paula Regina Di Francesco Picciafuoco Vânia de Carvalho Ferreira Valeria Morgana Penzin Goulart Julia Ikeda Fortes Solange de Carvalho Oliveira Vânia de Carvalho Ferreira Iorrani Bispo dos Santos Maria Cecília Manchon Arantes

Coordenação Técnica-Pedagógica

Colaboradores

Maio de 2009 .Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem Módulo de Habilitação Guia Curricular – Área I Promovendo a Saúde São Paulo.

Vânia de Carvalho (coord. Solange de Carvalho Oliveira. II.). I. Fundação do Desenvolvimento Administrativo – FUNDAP. Ferreira. Trabalhadores em saúde. 1ª Edição – Ano 2009 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Centro de Documentação da FUNDAP.76161073 331. São Paulo : FUNDAP. Fortes. (Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo) ISBN 978-85-7285-111-4 1. Vânia de Carvalho Ferreira. desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. (11) 3066-5500 . Reciclagem profissional – Saúde. 2. 428 – 05411-902 – São Paulo SP – Tel. 144p.7307 331.). Julia Ikeda (coord. III. SP. 3. 2009.761614 Fundação do Desenvolvimento Administrativo – FUNDAP Rua Cristiano Viana. IV. Solange de Camargo (coord. Enfermagem – Estudo.).É permitida a reprodução parcial ou total desta obra. CDD – 610. Brasil) Curso técnico de nível médio em enfermagem – módulo de habilitação: guia curricular – área I promovendo a saúde / coordenação técnica pedagógica Julia Ikeda Fortes. Oliveira.

com os seguintes objetivos: • ampliar a escolaridade da população por meio da formação de profissionais de nível técnico com habilitações para o ingresso no mercado de trabalho. que apresenta tanto doenças típicas dos países desenvolvidos como doenças decorrentes da pobreza. e • melhorar a qualidade dos serviços de saúde prestados à população. Apesar do investimento em formação dos trabalhadores realizado pelo PROFAE. a cada dia mais envelhecida. Essa situação é evidenciada. o Governo do Estado de São Paulo criou através do Decreto Estadual nº 53. no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.000 trabalhadores em nível federal. respostas eficazes às necessidades de saúde. buscando enfrentar o grande desafio de qualificar trabalhadores técnicos do setor. que qualificou cerca de 323. Uma refere-se à criação de número expressivo de novos postos de trabalho na área da saúde. o aumento da oferta de serviços e a necessidade de organização das Redes de Atenção à Saúde vêm demandando transformações no processo de trabalho a fim de assegurar. epidemiológica e sanitária.848 de 19/12/2008. que representa cerca de metade dos postos de trabalho na área da saúde. necessidade sentida de forma mais aguda pelos pequenos municípios. de aprimoramento na sua formação profissional. duas situações pertinentes ao mundo do trabalho que envolve a formação profissional. afastados das escolas de educação profissional. As mudanças no perfil da população brasileira. principalmente. farmácia. Nesse quadro. radiologia. o Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área de Saúde no Estado de São Paulo. que se soma a outras como a de higiene dental. com rapidez.Apresentação A formação de recursos humanos para a saúde tem representado um desafio permanente para os governantes comprometidos com a melhoria da qualidade do cuidado. análises clínicas. . Programa de Profissionalização dos Trabalhadores de Enfermagem. considerando os investimentos realizados e a capilaridade do modelo de atenção à saúde adotado no país. no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). não se fez acompanhar de uma política permanente de formação desses trabalhadores. vigilância ambiental. manutenção de equipamentos. tendo em vista a mudança do perfil de saúde da população e os avanços tecnológicos agregados pelos serviços. o singular quadro sanitário do país. Outra revela o grande número de trabalhadores que necessitam. Neste cenário de transformações destacam-se. sobretudo na área de enfermagem.

o Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem – Módulo de Habilitação. Geraldo Biasoto Junior 6 . Trata-se de instrumento essencial para o aluno e professor que buscam uma formação profissional transformadora e significativa. O presente conjunto didático tem o propósito de contribuir para a formação dos profissionais de enfermagem. A Área I . Escolas Técnicas do SUS e escolas privadas credenciadas. A Área II . agregando. competências de gestão.Cuidando do cliente em estado crítico traz conteúdos que visam o desenvolvimento de competências para o atendimento de clientes em situações de urgência e emergência e assistência de enfermagem àqueles em estado crítico. estruturado em três grandes áreas de conhecimento. os fatores envolvidos no processo de saúde e adoecimento.Promovendo a saúde constitui o primeiro livro do curso e aborda questões fundamentais para o entendimento do sistema de saúde vigente no nosso país.Participando da gestão em saúde desenvolve conteúdos com vistas à eficiência e eficácia do processo de trabalho da enfermagem. bem como a atuação do profissional de enfermagem na promoção da saúde e prevenção de agravos. com uma proposta pedagógica que privilegia a construção coletiva do conhecimento. A Área III . constituindo-se como essencial apoio para o desenvolvimento das competências do técnico de enfermagem. destinado aos que já possuem qualificação de auxiliar de enfermagem. constitui a primeira etapa do programa a ser desenvolvido em cooperação com a rede de escolas do Centro Paula Souza. o TECSAUDE elege a enfermagem para iniciar o desenvolvimento dos cursos por constituir o maior contingente de pessoal na área da saúde e com sua qualificação representar impacto significativo na melhoria da qualidade de assistência prestada à população. práticas e atitudes a partir da experiência do aluno e do contexto em que trabalha e vive.Considerando as inúmeras áreas que ainda necessitam de qualificação e aprimoramento profissional. tem como recurso livros didáticos especialmente elaborados para atender ao aluno-trabalhador do setor saúde na sua trajetória formativa. Dessa forma. na sua área de atuação. nas diferentes unidades de produção de serviços de saúde e a inserção do técnico de enfermagem no papel de colaborador. capaz de provocar mudanças no seu processo de trabalho. articulando saberes. O curso.

Habilidades • Identificar os processos de organização dos serviços de saúde locorregionais e as ações de saúde coletiva desenvolvidas no município. • Estabelecer vínculo e comunicação eficientes com a população. considerando a comunidade como um dos atores na efetivação das ações de Vigilância em Saúde. . grupos e comunidades. a famílias.Currículo ÁrEa I PROMOVENDO A SAÚDE ÁrEa II CUIDANDO DO CLIENTE EM ESTADO CRÍTICO Teóricoprático 340 560 Estágio Supervisionado 220 ÁrEa III PARTICIPANDO DA GESTÃO EM SAÚDE Teóricoprático 100 140 Estágio Supervisionado 40 Teóricoprático 160 Estágio Supervisionado 40 200 Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem ÁrEa I – Promovendo a Saúde Competência • Desenvolver em equipe ações de promoção da saúde e de prevenção de agravos a indivíduos em diferentes faixas etárias.

assim como as medidas de vigilância. com a equipe. • Participar. utilizando recursos da comunidade nas ações de saúde coletiva. com a equipe multiprofissional.• Participar. • Identificar os riscos ambientais que afetam a saúde da população e do trabalhador. dentro dos princípios de segurança. • Estabelecer contato interpessoal terapêutico com o cliente e seus familiares. • Identificar as ações previstas para cada fase da organização do sistema de informação em saúde e participar da coleta e processamento de informações para a saúde. • Participar da elaboração de propostas e do desenvolvimento de ações educativas em saúde. execução e avaliação de programas de imunização. emocional e no equilíbrio com o meio em que vive. • Participar. 8 . com a equipe multiprofissional. organização e avaliação das ações para a promoção da saúde e da cidadania. • Participar de pesquisa em saúde/enfermagem. • Identificar a inserção da saúde mental nos processos de organização dos serviços de saúde. aplicar princípios ergonômicos e técnicas adequadas de prevenção de acidentes e descarte de resíduos. • Utilizar e operar equipamentos de trabalho. adotando princípios bioéticos. prevenção e controle. • Participar na promoção/manutenção do ambiente terapêutico e na recuperação do cliente quanto à sua integridade mental. • Participar de atividades terapêuticas observando e registrando o estado do cliente. da instalação dessas ações. do planejamento. do planejamento. • Estabelecer relação entre a saúde mental e a qualidade de vida. identificando fontes de dados para investigação. com a equipe.

• Política Nacional de Humanização (PNH). • Reabilitação psicossocial e inclusão. • Vigilância em Saúde: vigilância epidemiológica. • Ações da Enfermagem em Saúde Mental: papel da enfermagem. vigilância sanitária. vigilância em saúde ambiental e vigilância em saúde do trabalhador. • Sistema de Informação em Saúde. • Educação Permanente em Saúde: estratégia para o desenvolvimento de ações educativas em saúde. • Ações de enfermagem ao cliente e à família. comunicação terapêutica. princípios orientadores. • Política Nacional de Saúde e Modelos de Atenção à Saúde: bases legais. financiamento e controle social.Base Tecnológica • Processo saúde-doença. • As responsabilidades das esferas de governo na Atenção Básica de Saúde. • Educação em Saúde. de ansiedade. organizacionais. ambiente terapêutico. • Pesquisa científica e sua aplicabilidade em saúde/enfermagem. de humor/afeto. reforma psiquiátrica no Brasil e rede de atenção. com transtornos de personalidade. • Estratégia de saúde da família (ESF). . • Técnicas e procedimentos de enfermagem nas ações de promoção da saúde e prevenção de agravos. • Saúde mental: evolução histórica. • Princípios bioéticos. de pensamento. alimentares decorrentes do uso de substâncias psicoativas. integralidade do cuidado.

atividade Pesquisa Esclarecimento Análise.SIMBOLOGIa UTILIZaDa Informação complementar Questão Exercício. reflexão 10 .

................................... 79 84 70 62 25 33 40 44 54 17 O SUS no Estado de São Paulo UNIDaDE I – O SUS NO ESTaDO DE SÃO PaULO TEXTO 11 – O SUS no Estado de São Paulo .................................. UNIDaDE V – EDUCaÇÃO EM SaÚDE TEXTO 9 – Educação e saúde na prática do técnico de enfermagem .... TEXTO 10 – Educação Permanente em Saúde .............................. 109 ..................... 92 atenção à Saúde Mental No SUS UNIDaDE I – SaÚDE MENTaL NO SUS TEXTO 12 – O contexto histórico da loucura e da Reforma Psiquiátrica ...................... TEXTO 3 – Estratégia de Saúde da Família ........................................................................................ TEXTO 5 – Vigilância em Saúde ................... TEXTO 4 – Território .................. UNIDaDE III – SISTEMa DE INFOrMaÇÃO EM SaÚDE TEXTO 7 – Sistema de Informação em Saúde ........................... UNIDaDE II – POLÍTICa NaCIONaL DE SaÚDE TEXTO 2 – Reforma Sanitária no Brasil ...................................Sumário Promoção da Saúde UNIDaDE I – PrOCESSO SaÚDE – DOENÇa TEXTO 1 – O processo saúde-doença ..................................................................... TEXTO 6 – Política Nacional de Humanização ................................................ 100 TEXTO 13 – Rede de atenção aos portadores de transtornos mentais ........................................ UNIDaDE IV – PESQUISa EM SaÚDE TEXTO 8 – Pesquisa Científica ..................

............................... comunicação e relação terapêutica .................. 120 UNIDaDE IV – TraNSTOrNOS MENTaIS: IDENTIFICaÇÃO E aÇÕES DE ENFErMaGEM TEXTO 16 – Ações de enfermagem em saúde mental ...............UNIDaDE II – aBOrDaGEM TEraPÊUTICa EM SaÚDE MENTaL TEXTO 14 – Ambiente......... 126 12 .............. 114 UNIDaDE III – rECONHECENDO aLTEraÇÕES MENTaIS TEXTO 15 – O cuidado em saúde mental: reconhecendo as alterações ............

Promoção da Saúde .

14 .

Modos de viver da população: • meio ambiente • saneamento • moradia • transporte • alimentação • lazer • saúde • educação • posse da terra Método 1.Análise do processo saúde-doença considerando: trabalho.Debate sobre o processo saúde-doença considerando as possibilidades de acesso ao trabalho. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: ÁrEa I ÁrEa II ÁrEa III A Atenção à Saude Mental no SUS: Processo saúde-doença mental Cuidando do Paciente em Estado Crítico: Processo saúde-doença em situações clínicas e cirúrgicas críticas Trabalho. Conteúdos 1. Qualidade de Vida e Saúde: Processo saúde-doença do trabalhador UNIDADE I – PROCESSO SAÚDE – DOENçA 15 . UNIDaDE I Objetivos Específicos I. 2.Leitura e discussão do texto: O processo saúde-doença. 3. renda e consumo e a análise dos modos de viver da população.Construir o conceito de saúde com base nos modos de viver da população. direito de cidadania e princípio ético. renda e consumo 2. suas causas e determinantes.Processo Saúde-Doença Objetivo Refletir sobre o processo de saúde e adoecimento.Sistematização do conceito de saúde enquanto produção social.1.

4. Conteúdos 2. políticos e econômicos.Análise dos determinantes sociais. culturais • udança do perfil demográfico M Método 1.Levantamento das doenças e agravos mais comuns em seu município/estado por meio de trabalho em grupos. 2.Debate sobre a relação entre as condições de vida e trabalho da população de seu município /estado e as mudanças no perfil epidemiológico. socioecoD nômicos. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade I Integração Curricular: ÁrEa I O SUS no Estado de São Paulo: Perfil epidemiológico do município/estado Sugestão de ações para estágio supervisionado: Pesquisa de dados epidemiológicos e demográficos de seu município/estado Entrevista com moradores da comunidade em sua área de atuação para identificar a percepção da população sobre condições de vida e de saúde. 3.Perfil epidemiológico: • eterminantes políticos. 16 16 PROMOçãO DA SAÚDE .Discussão sobre as possíveis causas relacionadas à determinação dessas doenças/agravos e identificação dos grupos da população mais expostos.Objetivos Específicos I.Analisar o perfil epidemiológico de seu município/estado. ambientais. ambientais e culturais relacionados às doenças e agravos. 2.

de forma individual ou coletiva. consequentemente. (Aurélio. patrocinada pela Organização Mundial de Saúde e Unicef. ampliando. resultados de um processo complexo e dinâmico que se produz no interior da sociedade. as formas de atendimento das necessidades de saúde mudam. de forma a atender de fato às necessidades da população. as culturas dos povos. então. que visam atender às pessoas em seus estados de saúde e de doença. por meio do acesso à renda que possibilita o consumo de bens e serviços e do exercício da cidadania.compreende o campo de ação social do Estado orientado para a melhoria das condições de saúde do indivíduo e da coletividade.que serve de limite comum. são os principais fatores que definem os caminhos para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde. A forma com que o homem evolui e sua interação com o meio em que vive. sua visão sobre o processo de ter saúde e de adoecer. Políticas públicas de saúde . o conceito de saúde para além da simples ausência de doenças. saúde e doença como um processo determinado pelas condições socioeconômicas e políticas nas quais as pessoas vivem e trabalham. que se manifestam continuamente durante a vida das pessoas. na Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde.TExTO 1 O Processo Saúde-Doença Saúde e doença são processos íntimos e limítrofes. considerando. definem os determinantes do processo saúde-doença de uma geração ou um momento histórico. social e do trabalho. Saúde para todos no ano 2000 foi a meta proposta em 1978. Os problemas de saúde são. no estado de saúde das pessoas e no perfil epidemiológico. bem como. A partir da década de 1970. URSS. Determinantes sociais não são uma rede de causalidade e sim um complexo de fenômenos sociais interligados que produzem riscos diferenciados à saúde de comunidades e indivíduos. do crescimento demográfico. os movimentos políticos mundiais orientam-se para uma política de saúde para todos. 1996). Passou-se a apontar as constantes mudanças na relação do homem com o meio ambiente por causa da exploração ambiental. Condicionante social de saúde: resultante de circunstâncias ou de decisão prévia. realizada em Alma-Ata. 1986). assim. Limítrofe . Determinantes Sociais de Saúde (DSS) são as características sociais dentro das quais a vida transcorre (Tarlov. A limitação ou o avanço do conhecimento. a forma do homem se relacionar com o meio em que vive. em determinado espaço físico e tempo. Essas mudanças não acontecem por acaso. UNIDADE I – PROCESSO SAÚDE – DOENçA 17 . dos ambientes natural. ao longo de nossa história de vida e da vida de nossos antepassados. Observamos que. das relações com o mundo do trabalho e do avanço da tecnologia como interferências diretas no modo de viver da população e.

Desenvolver o processo de trabalho em saúde é hoje um dos grandes desafios para os profissionais da área. Desenvolver ações de promoção da saúde e prevenção de agravos. Lei nº 8. solidário. o saneamento básico. quando passamos a conviver com uma alteração no quadro de doenças da população. É nessa lógica que percebemos mudanças consideráveis no perfil epidemiológico. criativo. a acidentes de trânsito. aos meios de transporte. a saúde. com resultados voltados para a melhoria da qualidade de vida. considerando o estilo de vida resultante de acesso à moradia. de condições de vida e de trabalho dos indivíduos. pelo conjunto de trabalhadores das equipes Pesquise o conceito de determinante e condicionante. Canadá. à educação. São determinantes do processo saúde-doença os modos de viver da população. o acesso a bens e serviços essenciais. imunológicos e psicológicos. entre outros. à alimentação. de vivências. viciada na atuação curativa. à violência urbana. cujas ações estão voltadas somente para a solução de queixas específicas e pontuais. ao saneamento. a educação. o lazer. Carta de Ottawa . entre outras. ao êxodo rural desgovernado. É preciso compreender o que determina o processo de saúde e de doença para que as atividades/ações propostas pelas políticas de saúde/serviços de saúde venham a atender as necessidades das pessoas. à assistência à saúde. Quais são as principais doenças que acometem os trabalhadores da área de saúde? Promoção da Saúde é definida como o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da qualidade de vida e saúde. o meio ambiente.080/90.Como é o lugar onde você mora? Em que é necessário intervir para melhorar a situação de saúde local? A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes. É preciso incorporar novos olhares para fora e para dentro das Unidades de Saúde. Essa nova forma de atuação pressupõe um trabalho consciente. rompendo com a prática dos serviços. atrelando a esses olhares a noção de saúde como processo de movimento instável. o trabalho. tanto nas atividades individuais como nas coletivas. o transporte. os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do país. e as características particulares de cada pessoa. a moradia. exige da equipe de enfermagem um agir profissional dentro desse contexto. o meio ambiente. compreendendo os fatores genéticos. com a inclusão de moléstias relacionadas ao trabalho. destacando-se a relação com a sociedade e com o trabalho. de ordem biológica. da família e da sociedade. construído pelos gestores. a alimentação. 18 18 PROMOçãO DA SAÚDE . ao lazer. incluindo uma maior participação no controle deste processo. nos espaços de saúde coletiva. à poluição ambiental. 1986.

2007. Ministério da Saúde. Integração da saúde com as demais áreas de gestão pública parte do pressuposto de que a saúde é produção resultante de múltiplas políticas sociais. Brasília: Ministério da Saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz. Conass. cultura. 8. ______. Coleção Progestores. p 47. Programa Saúde da Família. acesso a bens e serviços essenciais. atenção primária e promoção da saúde. o serviço e o funcionamento dos serviços correspondentes. 2007. que tem como objetivo a promoção da qualidade de vida e a redução da vulnerabilidade e dos riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes – modos de viver. Atenção Primária e Promoção da Saúde. de 20 de setembro de 1990. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. dentre outros. o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Promoção da Saúde. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. v. de 19 de setembro de 1990. a integração da saúde com as demais áreas de gestão pública. lazer.de saúde e pelos usuários do serviço. abrangendo setores como educação. Profissionalização de Auxiliares de Enfermagem: cadernos do aluno: Saúde Coletiva. proteção e recuperação da saúde. ou meios para atender às demandas oriundas das necessidades das pessoas. Diário Oficial da União. educação. propiciando à população espaços para troca de conhecimento sobre o processo saúde-doença. Bibliografia BRASIL. 8. habitação. e dá outras providências. ainda. 2001. v. Conhecer os determinantes de saúde da população do município/bairro/território de atuação dos profissionais da saúde e buscar dentro das políticas públicas de saúde estratégias. Para entender a gestão do SUS. cujas ações devam contemplar o atendimento ampliado de saúde. Ministério da Saúde. Manual de Enfermagem. promovendo. ambiente. trabalho e emprego. ______.080. Lei nº 8. habitação. passo decisório para a formulação de conceitos e mudanças no estilo de vida. para a consolidação das propostas e apropriação do direito à saúde e à cidadania. Brasília: Conass. UNIDADE I – PROCESSO SAÚDE – DOENçA 19 . famílias ou grupos sociais são formas de ampliar a possibilidade da atenção à saúde. 2003. condições de trabalho. Dispõe sobre as condições para a promoção. Por meio da Portaria nº 687/GM de 30 de março de 2006.

FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. Rio de Janeiro: Fiocruz. ed. Z. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde . 2003. . M. I. Rio de Janeiro: Médica e Científica. 1999.1. Epidemiologia e Saúde. 5.Proformar Un. ROUQUAYROL. mód. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.

UNIDaDE II Objetivos Específicos II.A Reforma Sanitária.Sistema Único de Saúde • Princípios finalísticos e diretrizes estratégicas Método 1. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: ÁrEa I ÁrEa I ÁrEa III Política Nacional de Humanização A Saúde Mental no SUS Unidade Trabalho e Saúde: Política de Saúde do Trabalhador UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 21 . 2. Relatórios das Conferências Nacionais de Saúde.Leitura e discussão do texto: Reforma Sanitária no Brasil.Pesquisa em grupos sobre a Reforma Sanitária Brasileira e a criação do Sistema Único de Saúde. Normas Operacionais Básicas. Conteúdos 1. Pacto pela Saúde. 3.Política Nacional de Saúde 3. Lei Orgânica de Saúde.1.Política Nacional de Saúde Objetivo Reconhecer os princípios norteadores e organizacionais da Política Nacional de Saúde.Discussão e sistematização sobre os princípios do SUS. tomando por base: Constituição Federal.Conhecer a história das Políticas Públicas de Saúde.Construção de uma linha do tempo identificando os marcos da Política Nacional de Saúde. 4.Brasileira • História • Base Legal 2.

Participação com a equipe de Saúde da Família das ações de atenção básica em sua área de atuação.Reconhecer a Estratégia de Saúde da Família como eixo fundamental para o modelo de promoção da saúde.Programas do Ministério da Saúde em interface com a ESF • Programa Nacional de Imunização (PNI) Método 1.Pesquisa em grupos sobre os princípios que norteiam a Estratégia de Saúde da Família e sua importância enquanto política pública. dinamização e avaliação das ações para a promoção da saúde e da cidadania. rede de frios. Programa do Idoso. 4.Organização e participação em seminário sobre integralidade da atenção à saúde no SUS. desenvolvendo atividades de competência do Técnico de Enfermagem. responsabilidade clínica e territorial. 5.Estratégia de Saúde da Família • Princípios: integralidade. Estabelecimento de comunicação e vínculo eficientes com a população em sua área de atuação. técnicas de administração de medicamentos. 3. Elaboração de mapa do território em sua área de atuação. Conteúdos 1. fichas utilizadas para alimentação do SIAB. biossegurança quanto à prevenção de acidentes e descarte de resíduos). Elaboração de cadastramento das famílias em sua área de atuação. composição da equipe e seu processo de trabalho. Destaque para as técnicas de elaboração e interpretação de mapas do território e para o cadastramento das famílias. com destaque para a imunização (calendário vacinal. com destaque para Programa Nacional de Imunização (PNI). 2. população adscrita. com identificação de situações que oferecem riscos à saúde.Pesquisa sobre as ações previstas nos programas de saúde ministeriais que são incorporadas nas ações da ESF. 7. 22 PROMOçãO DA SAÚDE . com destaque para as possibilidades de atuação do técnico de enfermagem. integração com a rede de serviços de saúde do município.Apresentação dos trabalhos e sistematização sobre as ações do técnico de enfermagem previstas nos programas de saúde ministeriais. mapeamento do território e cadastramento das famílias • Composição da equipe do PSF • Processo de trabalho no PSF • Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) • Inserção da ESF na rede de serviços do município (referência e contrarreferência) 2. corresponsabilidade da população • Estabelecimento de vínculo com a comunidade • Território e população adscrita. 8.Observação das equipes de SF sobre as ações desenvolvidas nas comunidades com vistas à identificação de: território. 6. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: ÁrEa III Trabalho e Saúde Curso de auxiliar de Enfermagem: Enfermagem em Saúde Coletiva: Imunização Curso de auxiliar de Enfermagem: Introduçao à Enfermagem: Técnica de administração de medicamentos Sugestão de ações para estágio supervisionado: Participação com a equipe de saúde de ações de planejamento.Objetivos Específicos II.Leitura e discussão dos textos: Estratégia de Saúde da Família e Território.Apresentação dos trabalhos e debates sobre os aspectos conceituais e práticos da ESF. Programa de Saúde da Mulher e da Criança.Pesquisa em grupos sobre a instalação da ESF em seu município/Estado.2.

Pesquisa no sistema de saúde do município sobre as ações desenvolvidas pelos serviços de vigilância e sobre a organização dos sistemas municipal e estadual de vigilância. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 23 . 4.Reconhecer a Vigilância como estratégia para a promoção da saúde e prevenção/controle de doenças e agravos. Conteúdos 1. desenvolvendo atividades de competência do técnico de enfermagem.Vigilância em Saúde • Conceito • Histórico 2.Trabalho em grupos para elaboração de propostas de intervenção com vistas a minimizar e/ou controlar situações de risco à saúde. 5.Vigilância em Saúde • Vigilância epidemiológica das doenças transmissíveis Vigilância epidemiológica • das doenças crônicas nãotransmissíveis • Vigilância em Saúde Ambiental • Vigilância em saúde do trabalhador • Vigilância sanitária 3.3. 2.Riscos à saúde • Condições de saneamento básico e abastecimento de água • Presença de focos de vetores e roedores • Contaminação atmosférica e/ou de recursos hídricos • Atividades sanitárias ilegais • Presença de áreas de conflitos sociais e violência etc Método 1. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Sugestão de ações para estágio supervisionado: Participação junto à equipe de vigilância das ações de vigilância epidemiológica. 6.Apresentação dos trabalhos com classificação dos riscos ambientais.Pesquisa e debate sobre a atuação da enfermagem nas ações de vigilância em seu município. Levantamento das situações que oferecem riscos à saúde da população e do trabalhador em sua área de atuação. 3.Leitura e discussão do texto: Vigilância em Saúde.Objetivos Específicos II. ambiental e sanitária em sua área de atuação. epidemiológicos e sanitários e sistematização do conceito de risco.Apresentação dos trabalhos e debate sobre a importância da vigilância enquanto monitoramento contínuo da incidência de doenças e agravos por meio de coleta sistemática de dados de morbidade e mortalidade.

Levantamento das ações previstas em seu município/estado para a execução da Política de Humanização.Apresentação dos trabalhos e debate sobre as possibilidades de articulação desta estratégia com as demais políticas e programas do SUS. seus objetivos e princípios. 2.Objetivos • Efetivação dos princípios do SUS • Superação de desafios importantes como o acolhimento. Conteúdos 1.Debate sobre o entendimento do conceito de humanização e suas possíveis aplicações nas relações sociais e nas práticas de saúde.1.Leitura e discussão do texto: Política Nacional de Humanização.Pesquisa sobre a Política Nacional de Humanização. 5.Apresentação dos trabalhos. 6.Princípios da PNH • Indissociabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde • Transversalidade • Autonomia e Protagonismo dos Sujeitos • Valorização da dimensão subjetiva. coletiva e social • Fortalecimento do controle social • Compromisso com a democratização da relação de trabalho e valorização dos trabalhadores de saúde • Valorização da ambiência Método 1.4. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade II Integração Curricular: ÁrEa III Trabalho e Saúde ÁrEa III Gestão de Pessoas: Ética e bioética Curso de auxiliar de Enfermagem: Enfermagem: Clínica/Cirúrgica/Materno-Infantil Sugestão de ações para estágio supervisionado: Levantamento das ações de humanização adotadas em seu município\estado 24 PROMOçãO DA SAÚDE .Política Nacional de Humanização 1. 4.2.Objetivos Específicos II. a valorização do trabalho em saúde e a integração das ações no processo de atenção • Perspectiva de rede (integralidade dos níveis de atenção/modelos de atenção e da gestão) 1. 3.Reconhecer a Política Nacional de Humanização enquanto eixo articulador das práticas de saúde no SUS.

inicialmente os Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs). UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 25 . estendendo a cobertura da atenção à saúde e à seguridade social apenas aos trabalhadores inseridos no mercado de trabalho e aos seus familiares. depois Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps). Modelo de Atenção à Saúde: forma de organização tecnológica do processo de trabalho em saúde. Hegemonia: Supremacia. Sistema Único de Saúde. Para entender a gestão do SUS.1. político e social que o país viveu anteriormente. o Sistema Único de Saúde vem mostrando resultados inquestionáveis para a população brasileira. do modelo sanitarista que o sucedeu e ainda o modelo de vigilância proposto para atender à política de promoção da saúde. v. quais são os problemas que você enfrenta quando busca atendimento de saúde? Elabore uma lista apontando os problemas e as possíveis soluções para o seu enfrentamento. superioridade ou domínio de alguém sobre algo. Brasília : Conass. após duas décadas de existência. embora persistam ainda muitos problemas que desafiam o cotidiano dos gestores e profissionais de saúde. O modelo médico-assistencial privatista desenvolveu-se como componente do sistema previdenciário. convém realizarmos uma breve retrospectiva histórica para conhecermos os determinantes históricos que impulsionaram o processo de construção do Sistema Único de Saúde (SUS). não sendo possível dissociá-los. Unidade I Módulo I. (Proformar. 2003). 1 Conselho Nacional de Secretários Saúde. suas origens remontam há muito mais tempo. O SUS vem sendo instalado como um processo social em permanente construção. Assim. Da mesma maneira que somos fruto do nosso passado e da nossa história. o sistema de saúde é produto de todo o contexto econômico. a partir da crise do modelo médico assistencial privatista que se tornou hegemônico na segunda metade do século 20. induzido pelo processo da industrialização brasileira1. 2007. Ainda que sua instituição formal tenha se dado na Constituição Federal de 1988. O quadro ao final deste texto apresenta as características do modelo médico-assistencial privatista.TExTO 2 reforma Sanitária no Brasil Para entender melhor a política de saúde do país. Coleção Progestores. Esse modelo foi marcado pelo Como usuário do SUS.

Faça uma pesquisa a respeito das sucessivas mudanças do setor previdenciário ocorridas no século passado até a criação do SUS. nos anos 1970. criou os programas de Extensão da Cobertura da Atenção Primária (APS) entendida como nível básico de atenção. os movimentos pela redemocratização tomaram força. marcado pela repressão dos direitos civis e centralização do poder político e econômico. caracterizados por profunda crise econômica e política. com a inserção dos grandes monopólios internacionais do setor farmacêutico e de equipamentos hospitalares. Seus conceitos foram progressivamente incorporados aos processos de formulação de políticas em vários países. o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) apresentou o projeto denominado Sistema Único de Saúde. com universalização do direito à saúde. Unidade I Módulo I. O movimento sanitário caracterizouse pela forte oposição à ditadura militar e engajamento em favor dos direitos coletivos. Medicina Comunitária: Movimento de reforma da organização dos serviços de saúde surgido nos Estados Unidos na década de 1960. descentralizado. que. e pela prestação de serviços de saúde predominantemente pelo setor privado. Os primeiros sinais de mudança surgiram em 1979. O fim desse regime foi fundamental para a consolidação da Reforma Sanitária. em detrimento de medidas de saúde pública. começavam a se desenvolver as primeiras experiências de municipalização da saúde. realizados por instituições acadêmicas e Secretarias de Saúde. As mudanças que ocorreram a partir dos meados de 1970. agravando o quadro de saúde no país. constituindo-se na base políticoideológica da reforma sanitária brasileira. correlacionando-as. aumento da desigualdade social. crescem movimentos sociais pela redemocratização do país e políticas alternativas para o setor saúde. No 1º Simpósio Nacional de Política de Saúde. São nesses espaços de construção da medicina comunitária que surge o movimento sanitário. determinaram o esgotamento desse modelo de atenção à saúde. que trouxe a proposta de adoção dos cuidados básicos de saúde. colocando como proposta um sistema público. com as políticas de saúde. de caráter preventivo e coletivo. fortemente influenciado pela Confe- Por que redemocratização do país? Lembremos um pouco da nossa história: Em 1964. privilegiamento da prática médica curativa. liderado por setores mais progressistas da área da saúde. com a criação do Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento (Piass) a partir dos primeiros projetos-piloto de medicina comunitária. respectivamente. (Proformar. À medida que os anos foram passando. o Brasil passa a viver sob nova ordem. culminando com o fim do regime militar em 1984. Paralelamente. 2003). em contraposição ao modelo excludente ao qual tinha acesso apenas a população economicamente ativa. O modelo de desenvolvimento vigente. em 1980. 26 PROMOçãO DA SAÚDE . sobretudo a partir da década de 1970. inclusive o Brasil. destacouse pela concentração de renda. integração das ações preventivas e curativas e participação da população. com o golpe militar. queda acentuada da qualidade de vida e de trabalho da população. introduzindo-se um conjunto de idéias transformadoras para o setor saúde que ficou conhecido como Reforma Sanitária. especializada e individualizada. Paralelamente. pela criação de um complexo médico-industrial. À luz desses princípios orientadores surgem projetos como a Prev-Saúde. realizado no ano de 1979 em Brasília.

Na Conferência. projeto interministerial (Previdência – Saúde – Educação) preconizando a participação popular. o meio ambiente. com destaque para a universalização da assistência. Capítulo II da Seguridade Social e seção II da Saúde. as Ações Integradas de Saúde (AIS) em 1983. A Constituição Federal de 1988. foi o ponto culminante na discussão contra a elitização da prática médica. a constituição de instâncias colegiadas gestoras das ações de saúde. de acordo com determinados estágios equivalentes ao grau de responsabilidade assumido pelo município com relação ao sistema de serviços de saúde. Um fato muito importante que marcou a história da saúde no Brasil foi a 8ª Conferência Nacional de Saúde (8ª CNS).080 expressa o conceito ampliado de saúde: A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes. o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. e da Lei nº 8. Por sua vez. sob a responsabilidade política dos governos.142. (Proformar.3º da Lei nº 8. realizada em Alma-Ata (localizada no atual Cazaquistão). reafirmou-se ser a saúde um dos direitos fundamentais do homem. A Conferência Internacional sobre a Atenção Primaria à Saúde. a saúde como direito de todos e dever do Estado e a criação de um sistema único. os Estados e os municípios elaboraram as Constituições Estaduais e as Leis Orgânicas Municipais. proteção e recuperação da saúde. o saneamento básico. iniciando-se o processo de construção do SUS nessas esferas de governo.080. o trabalho.142. da descentralização e da participação social. de 19 de setembro de 1990 e 8. Unidade I Módulo I. Prevê a transferência de poder e de recursos aos municípios. que regulamenta a participação da comunidade no SUS. em 1987. o transporte. que foi regulamentado dois anos depois pelas Leis nº 8. Essa doutrina influiu na criação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (Suds). 2003). organizado segundo os princípios da universalidade. da integralidade das ações. a alimentação. compreendendo os artigos de número 196 a 200. os níveis de saúde da população expressam a organização socioeconômica do País.rência de Alma-Ata. em 1978. a municipalização e integração das ações curativas–preventivas e educativas. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 27 . Art. a renda. tendo como temas centrais a saúde como direito. que dispõe acerca das condições para a promoção. realizada em 1986. e reconhece-se a sua determinação interssetorial. Nesse evento foram lançadas as bases doutrinárias de um novo sistema público de saúde. incorporando parcialmente as propostas concebidas pelo movimento da reforma sanitária brasileira. precedendo-se à criação do SUS. tendo como referência um conceito ampliado de saúde. a descentralização.080. criou o SUS. Sistema Único de Saúde A saúde na Constituição Federal Brasileira de 1988 está colocada no Título VIII da Ordem Social. a educação. entre outros. Sua regulamentação se dá por meio da Lei nº 8. a reformulação do Sistema Nacional de Saúde e financiamento setorial. a moradia. de 28 de dezembro de 1990. bem como contra a inacessibilidade dos serviços médicos às grandes massas populacionais. Municipalização das ações e serviços de saúde: Forma de descentralização político-administrativa do sistema de saúde adotada nos anos 1990. a integralidade das ações.

um sistema decisório compartilhado pelas diferentes instâncias federativas. estaduais (Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS) e federal (Ministério da Saúde). só era oportunizado aos que tinham carteirinha do Inamps. ou seja. CIB: Comissão integrada por representantes dos gestores municipais (Colegiado de Secretários Municipais de Saúde – COSEMS) e estadual (Secretaria Estadual de Saúde). põe fim à maneira iníqua como eram tratadas as pessoas economicamente excluídas. estabelecendo o pleno exercício do poder municipal na função de gestor da atenção à saúde. a NOB/SUS-93 institucionalizou as Comissões Intergestores Tripartite (CIT) e Bipartite (CIB) criando. coordenados pelos gestores estaduais. 28 PROMOçãO DA SAÚDE .gov.br. tornando-se o principal responsável pelas ações e serviços de saúde. Em 1996. com a participação dos municípios. O processo de descentralização nos anos 90 foi direcionado pela edição das Normas Operacionais Básicas (NOBs) do SUS. de oferta de serviços e de acessibilidade. 196 da Constituição. A afirmação saúde é direito de todos e dever do Estado expressa no art. assumindo a regionalização da assistência por meio de Planos Diretores de Regionalização (PDR) e de Investimentos. O acesso a esse sistema. além de definir as formas de gestão e de repasse de recursos para os municípios. como popularmente se dizia. com o cuidado de não provocar rupturas bruscas que levassem a desestruturar as condições e práticas existentes. definidas segundo critérios sanitários.Já no início da instalação do SUS foi possível constatar as mudanças. geográficos. A organização regionalizada da assistência pressupõe a divisão do território estadual em regiões/microrregiões de saúde. que não estavam afiliadas ao Sistema de Assistência Médica e Previdenciária por estarem à margem do mercado de trabalho formal. epidemiológicos. a assistência era prestada em unidades ambulatoriais com poucos recursos e em hospitais filantrópicos como indigentes. Em 1993. Você poderá ter acesso à Normas Operacionais Básicas consultando a pasta de legislação do SUS em www. sociais. às demais pessoas da população. Ressalta-se que a implantação do SUS foi se dando de forma progressiva.saude. a NOB/SUS-96 consolidou a política de municipalização. CIT: Comissão integrada por representantes dos gestores municipais (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde – CONASEMS). NOAS-SUS nº 01/2001. O que você sabe sobre a atuação do Conselho de Saúde em seu município? Procure informações sobre local e agenda de reuniões e as possibilidades de sua participação enquanto trabalhador de saúde e cidadão. Seguiu-se a Norma Operacional da Assistência à Saúde. dessa forma.

a cada um de acordo com sua necessidade. reconhecendo. 2007. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretários Saúde. mas um acordo interfederativo – que articula o Pacto pela Vida. Embora tenhamos uma legislação afirmando que o acesso às ações e aos serviços de saúde é direito de todos. O acesso igualitário baseia-se na equidade. A Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial articula-se com vários ministérios. que em linhas gerais significa trabalhar as questões de saúde para a redução das desigualdades sociais e regionais. dentre outros. A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas assegura aos povos indígenas o acesso à atenção integral à saúde. 2002. tem o desenvolvimento e inclusão social entre suas linhas de ação e estabelece o apoio aos projetos de saúde da população negra. que visem à redução dos riscos de adoecer e possibilitando o acesso universal (princípio da universalidade) e igualitário (princípio da equidade) às ações e serviços de promoção. cirurgias cardíacas. A universalidade traz o entendimento de que compete ao SUS atender toda a população sem qualquer espécie de discriminação. religião ou outras características sociais ou pessoais. mas também se deve às demandas universais da população mais carente e às demandas setorizadas dos serviços que envolvem maiores custos como transplantes. Brasília : CONASS.1 ed. com o reconhecimento de necessidades diferentes entre sujeitos também diferentes. O Pacto pela Saúde introduz um sentido de gestão pública por resultados e de responsabilização sanitária. Sistema Único de Saúde. SUS: avanços e desafios. tratamentos dialíticos. sexo. A integralidade da assistência. é entendida como o direito do cidadão ao atendimento preventivo e Políticas públicas têm sido implementadas para a promoção da inclusão e igualdade étnica-racial.Em 2006. estende a discussão da saúde para fora dos limites setoriais e aprofunda a descentralização do SUS para Estados e municípios de forma compartilhada2. o Pacto em Defesa do SUS e o Pacto de Gestão. seja de raça. proteção e recuperação da saúde. inclusive. mediante políticas econômicas e sociais. deu-se o Pacto pela Saúde – um movimento de mudança que não é uma norma operacional. princípio de justiça social. renda. ou seja. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. para atingir direitos iguais. Há problemas de carência de recursos. idade. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 29 . Coleção Progestores. cor. o direito de preservarem sua medicina tradicional e sua cultura. Princípios do SUS A saúde é um direito fundamental de todo ser humano e compete ao poder público garantir este direito. na prática observamos que existem demandas que não são respondidas pelo sistema. 2 Fonte: BRASIL.

2007. órgãos deliberativos que “buscam participar da discussão das políticas de saúde tendo uma atuação independente do governo. Conselho Nacional de Secretários Saúde. A hierarquização.curativo. negociar e pactuar com outros atores sociais a favor do bem comum. embora façam parte de sua estrutura. com direção única e privilegiando a municipalização. o princípio da descentralização pressupõe que cada esfera de governo tem a sua responsabilidade e direito. Coleção Progestores. dentro de uma região. O empoderamento da comunidade. Importante ferramenta desse princípio são os Conselhos de Saúde. 30 PROMOçãO DA SAÚDE . podendo adequar ações e estratégias em função dessa realidade. em instâncias colegiadas nos diferentes níveis de governo. e onde se manifestam os interesses dos diferentes segmentos sociais. no nível ambulatorial ou emergencial e em todos os níveis de complexidade do sistema. possibilitando a negociação de propostas e o direcionamento de recursos para diferentes prioridades”3. juntamente com a descentralização. A participação da população. proporciona o desenho de um modelo que deve se adequar às necessidades coletivas de saúde. O cidadão deve ter acesso a ações básicas como vacinação.e o acesso ao atendimento hospitalar e à reabilitação – atenção terciária e secundária. diferente do anterior em que a população se adequava ao que existia. Unidade I Módulo I. estabelece o controle social na formulação e acompanhamento das políticas do sistema. Empoderamento é a condição de uma pessoa. A regionalização e a hierarquização da rede de serviços assistenciais vêm no sentido de organizar a descentralização de suas ações e serviços. deverá oferecer àquela população o atendimento a cuidados básicos – atenção primária. o maior conhecedor de suas necessidades e singularidades. 2003). portanto. Na operacionalização do SUS. Esse princípio possibilita a participação de todos na formulação de políticas de saúde e identifica o município como o gestor mais próximo da comunidade e. v.1. um grupo social ou uma comunidade ampliar sistematicamente sua capacidade de realização – empreender ações. As regiões se organizam buscando o uso racional do sistema.Brasília : CONASS. Sistema Único de Saúde. ao de maior complexidade – atenção secundária . como parte de um município grande ou agregando um ou mais municípios e complementando dessa forma a oferta de serviços. Para entender a gestão do SUS. 3 CONASS. (PROFORMAR. consultas ambulatoriais e a procedimentos de alta complexidade.

Bibliografia
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. ______. Ministério da Saúde. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, o serviço e o funcionamento dos serviços correspondentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, de 20 de setembro de 1990. ______. Ministério da Saúde. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS} e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília. ______. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Política Nacional de atenção à Saúde dos Povos Indígenas. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. ______. Ministério da Saúde. NOB 01/1993 (Norma Operacional Básica), 1993. ______. Ministério da Saúde. NOB 01/1996 (Norma Operacional Básica), 1996. ______. Ministério da Saúde. NOAS 01/2001 (Norma Operacional da Assistência à Saúde), 2001. ______. Ministério da Saúde. NOAS 01/2002 (Norma Operacional da Assistência à Saúde), 2002. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. Coleção Progestores. Para entender a gestão do SUS. SUS: avanços e desafios. Brasília: CONASS, 2006. ______. Coleção Progestores. Para entender a gestão do SUS. O Sistema Único de Saúde. v. 1. Brasília : CONASS, 2007. FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde PROFORMAR. un. I, mód.1. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE

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aNExO
Modelos assistenciais
Modelo
Modelo médicoassistencial privatista

Sujeito
Médico • especialização • complementaridade (paramédicos)

Objeto
Doença (patologia e outras) Doentes (clínica e cirurgia) Modos de transmissão Fatores de risco

Meios de Trabalho
Tecnologia médica (indivíduo)

Formas de Organização
Rede de serviços de saúde Hospital

Modelo sanitarista

Sanitarista • auxiliares

Tecnologia sanitária

Campanhas sanitárias Programas especiais Sistemas de vigilância epidemiológica e sanitária

Vigilância em Saúde

Equipe de saúde População (cidadãos)

Danos, riscos, necessidades e determinantes dos modos de vida e saúde (condições de vida e trabalho)

Tecnologias de comunicação social, de planejamento e programação local situacional e tecnologias médicosanitárias

Políticas públicas saudáveis Ações intersetoriais Intervenções específicas (promoção, prevenção e recuperação) Operações sobre problemas e grupos populacionais

Fonte: TEIXEIRA, 2001 in: PROFORMAR, Unidade I, Módulo I.

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PROMOçãO DA SAÚDE

TExTO 3

Estratégia de Saúde da Família

No início da década de 80, alguns países iniciaram as primeiras atividades de mudança nos serviços primários de saúde que foram reconhecidas mundialmente como resolutivas e de impacto - Cuba, Canadá e Inglaterra. A partir dessas experiências mundiais, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a organizar o Sistema de Atenção à Saúde com valorização para o primeiro nível de atenção, a Atenção Básica (AB) ou Atenção Primária à Saúde (APS), operacionalizando a universalização do acesso aos serviços com equidade, descentralização da gestão, integralidade das ações e participação social. Para a execução da Atenção Básica, em 1994, originou-se no Brasil o Programa de Saúde da Família, proposto pelo governo federal aos municípios, por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O Programa de Saúde da Família (PSF) constituiu-se numa das principais estratégias de reorganização dos serviços e de reorientação das práticas profissionais na promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e reabilitação; nas modalidades de alocação de recursos e remuneração das ações básicas de saúde. Atualmente, o PSF é definido como Estratégia de Saúde da Família (ESF), pois o termo “programa” se reporta a uma atividade com início, desenvolvimento e finalização. A ESF visa à reorganização da atenção primária e não prevê um tempo para finalizar esta reorganização. Estruturada como estratégia, para dar conta do processo de reorganização da rede de atenção básica, a Saúde da Família, por esta potencialidade, é tam-

Família – Conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica, ou normas de convivência, residentes na mesma unidade domiciliar, ou pessoa que mora só em uma unidade familiar. IBGE.

Atenção Básica - um conjunto de ações, de caráter individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção nos sistemas de saúde, dirigidas à promoção, prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação.
(Ministério da Saúde, 2004).

Participação Social – Envolvimento ativo da população organizada na tomada de decisão e no controle social sobre as políticas e o sistema de saúde. A participação social no SUS é garantida mediante a atuação dos Conselhos de Saúde em todos os níveis – nacional, estadual e municipal – bem como por meio das Conferências de Saúde, realizadas periodicamente. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde(PROFORMAR, - Unidade I, Módulo 1, p. 19, 2003).

UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE

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visando a maior equidade da assistência em saúde. A visita domiciliária é uma forma de atenção em Saúde Coletiva voltada para o atendimento ao indivíduo. dando conta de aproximadamente 85% da demanda exigida pela clientela. algumas ferramentas são bastante eficazes. com a mudança do foco de atuação – do indivíduo para a família e para o ambiente onde ela vive. Nessa lógica. (Ceccim e Machado. as singularidades de suas vidas. com o estabelecimento do contato mais próximo com as adversidades da vida e das pessoas. cura ou recuperação de um dos seus membros. Traz como pressupostos. a apropriação das condições ambientais pela equipe de saúde da família torna-se necessária. como essas formas são socializadas entre os membros. em resposta às necessidades de uma atenção integral. com intensa participação da população.bém uma política de reorganização de todo o sistema de saúde. de 28/3/2006 ficou estabelecido que a Saúde da Família é o modelo prioritário do Ministério da Saúde para organizar a Atenção Básica. p. quais padrões de solidariedade se desenvolvem no interior do universo familiar e como estes podem contribuir para o processo de cuidado. facilitando o processo de trabalho da equipe: • Visita domiciliária – possibilita identificar como se expressam. Considerando que a ESF realiza ações de saúde preventivas e curativas. sua causalidade e consequências são fatores determinantes de risco para a saúde humana. É uma das estratégias da Clínica Ampliada.1). na família. uma vez que a problemática ambiental. de suas famílias e suas comunidades. Possibilita compreender o todo dos sujeitos. as formas de trabalho e vida dos membros que a compõem. Essas ações são desenvolvidas por uma equipe multiprofissional. O principal objetivo é o de reorientar as práticas de atenção à saúde. Esta mudança de paradigma está pautada numa visão ampliada do processo saúde – doença. Pela Portaria GM/MS nº 648. oferecer às famílias ações de saúde preventivas e curativas em suas próprias comunidades. de suas famílias e sua realidade social e comunitária. sendo considerada como a porta de entrada dos usuários para os serviços de saúde. à família ou à coletividade que é prestada nos domicílios ou nos diversos recursos sociais locais. resultando na reorganização da demanda por meio do conhecimento da comunidade e do estabelecimento de prioridades. s/d. resultando em melhorias importantes nas condições de saúde da população. Além de buscar a identificação dessa funcio- 34 PROMOçãO DA SAÚDE . dirigidas ao indivíduo e à comunidade.

um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 35 . um auxiliar de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde.tratamento realizado em casa. de maneira que cada elemento do grupo se sinta na obrigação moral de apoiar os outros. aos interesses e às responsabilidades de um grupo social. (Coren SP. 2000). A visita domiciliária pode utilizar como instrumentos a entrevista e a observação sistemática. um dentista. a sua prática compreende ainda entender as funções sociais. Dependência recíproca. Composição da equipe e características do processo de trabalho em Saúde da Família: O trabalho das Equipes de Saúde da Família é o elemento-chave para a busca permanente de comunicação e troca de experiências e conhecimentos entre os integrantes da equipe e destes com a população. econômicas. A equipe ampliada. além de organizar o acesso aos serviços de saúde para priorização do atendimento a essas famílias. por decisão do indivíduo ou família. Relação de responsabilidade entre pessoas unidas por interesses comuns. ideológicas e de reprodução da força de trabalho da família na sociedade. identificar as famílias com maiores riscos sociais de adoecer e morrer e menores potencialidades para o seu enfrentamento. Cada equipe se responsabiliza pelo acompanhamento de cerca de 3000 a 4500 pessoas ou de mil famílias de uma determinada área e estas passam a ter corresponsabilidade no cuidado à saúde. Você poderá aprofundar o estudo sobre Educação em Saúde nas próximas unidades do programa. unidades de saúde da família. permanente e de qualidade e realiza ações de promoção por meio de práticas de educação em saúde. um enfermeiro. A atuação das equipes se dá principalmente nos seguintes espaços: unidades básicas de saúde. Por ter território definido. presta assistência integral. quando grande parte dos cuidados pode ser realizada pelos familiares. no mínimo por um médico. Possibilita também. com uma população delimitada sob sua responsabilidade. a ESF apoia e maneja a situação para promover a qualidade de vida neste momento. As equipes são compostas. tem também. residências e comunidade.nalidade familiar. Solidariedade: sentido moral que vincula o indivíduo à vida. a equipe pode intervir sobre os fatores de risco aos quais a comunidade está exposta. • Internação Domiciliária .

• Acompanhamento e avaliação sistemática das ações postas em prática. 2007). compromisso e respeito. demográficas e epidemiológicas do território. culturais. • Definição precisa do território de atuação. • Promoção e estímulo à participação da comunidade no controle social. de acordo com prioridades e sob a coordenação da gestão municipal. buscando parcerias e integrando projetos sociais e setores afins. 36 PROMOçãO DA SAÚDE . com atualização contínua. (CONASS. possibilitando a criação de vínculos de confiança com ética. priorizando solução dos problemas de saúde mais frequentes. de forma sistemática. • Diagnóstico. voltados para a promoção da saúde. efetivada por meio do conhecimento da estrutura e da funcionalidade das famílias que visa propor intervenções que influenciem os processos de saúde-doença dos indivíduos. mapeamento e reconhecimento da área. os dados para a análise da situação de saúde considerando as características sociais. O cadastramento da população residente no território é necessário. programação e execução das atividades segundo critérios de risco à saúde. no planejamento. das famílias e da própria comunidade. a produção de informações sobre a saúde da população exige o conhecimento do total de moradores da área de adscrição. • Valorização dos diversos saberes e práticas na perspectiva de uma abordagem integral e resolutiva. Além disso. integrando as áreas técnicas e profissionais de diferentes formações. econômicas. • Prática do cuidado familiar ampliado. Que conhecimentos são necessários para desenvolver as competências para este novo modelo de atenção? O processo de trabalho das equipes de Saúde da Família se caracteriza por atividades como: • Manter atualizado o cadastramento das famílias e dos indivíduos e utilizar.Analise as atividades que caracterizam o processo de trabalho em Saúde da Família e pense em como o técnico de enfermagem pode se inserir nesse processo. • Trabalho interdisciplinar e em equipe. pois a equipe saúde da família é responsável pelas ações de vigilância em saúde que vão além da utilização da UBS por cuidado em saúde. que compreenda o segmento populacional determinado. na execução e na avaliação das ações. • Promoção e desenvolvimento de ações intersetoriais. visando à readequação do processo de trabalho.

por meio do contato com a Unidade de Saúde da Família (USF) e encaminhamento às unidades de referência. • Identificar os problemas de saúde mais comuns e situações de risco as quais a população está exposta. como de promoção da saúde ou curativas. • Aspectos integrais da saúde do indivíduo e da sua família: tanto nas ações preventivas. demográficas e epidemiológicas. estimulando a organização das comunidades para exercer o controle social das ações e serviços de saúde. • Formação de equipe multiprofissional adequada ao número de clientes assistidos. A característica principal das Equipes de Saúde da Família é o estabelecimento de vínculos de compromisso e de corresponsabilidade com a população. atribuições básicas da Equipe de Saúde da Família: • Conhecer a realidade das famílias pelas quais são responsáveis. sistemas de informação para o monitoramento e a tomada de decisões. as principais mudanças estão relacionadas com: • Mudança de enfoque: modelo centrado na atenção à saúde. de forma a intervir em situações que transcendem a especificidade do setor saúde e que tem efeitos determinantes sobre as condições de vida e de saúde dos indivíduos-famílias-comunidade. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 37 . por meio de parcerias estabelecidas com diversos segmentos sociais e institucionais. • Responsabilidade pela prestação da assistência por área territorial: planejamento mais adequado das atividades. psicoculturais.No modelo de assistência da ESF. com ênfase nas suas características socioeconômicas. Utiliza ainda. atuando de forma intersetorial.

• Promover ações intersetoriais e parcerias com organizações formais e informais existentes na comunidade para o enfrentamento conjunto dos problemas. apoio mútuo e melhoria do autocuidado. as DST e Aids. com a participação da comunidade. troca de experiências. de doenças infectocontagiosas em geral. que é fundamental no processo de cuidar. visando promover a saúde pela educação sanitária. • Resolver a maior parte dos problemas de saúde detectados e. • Discutir de forma permanente. por meio da adequada referência do caso. respondendo de forma contínua e racionalizada à demanda. a hanseníase. garantir a continuidade do tratamento. • Promover. • Incentivar a formação e/ou participação ativa nos Conselhos Locais de Saúde e no Conselho Municipal de Saúde. • Prestar assistência integral. quando isso não for possível. um plano local para o enfrentamento dos fatores que colocam em risco a saúde. os procedimentos de vigilância à saúde e de vigilância epidemiológica. com a equipe e a comunidade. • Programar as atividades e reestruturar o processo de trabalho. o conceito de cidadania. de acordo com a qualificação de cada profissional. • Desenvolver processos educativos por intermédio de grupos dirigidos à recuperação da autoestima. nos diversos ciclos da vida. • Valorizar a relação com o usuário e com a família para a criação de vínculo de confiança. atuando no controle de doenças transmissíveis como a tuberculose.• Elaborar. buscando contatos com indivíduos sadios ou doentes. das doenças e agravos não transmissíveis e de doenças relacionadas ao trabalho e ao meio ambiente. 38 PROMOçãO DA SAÚDE . • Executar. a qualidade de vida e contribuir para que o meio ambiente torne-se mais saudável. por meio da educação continuada. enfatizando os direitos de saúde e as bases legais que os legitimam.

Ministério da Saúde. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz. S. (org). Brasília: Ministério da Saúde. Brasília: 2000. Comunicação em Saúde. D. 2000. Estratégia do Programa de Saúde da Família e Programa Agentes Comunitários de Saúde. 2007. HEIMANN. Ministério da Saúde. ______. v. L. Integralidade e Intersetorialidade. Caderno 1. Coleção Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde. Unidade I. Módulo 1. São Paulo: NISIS/SES. atenção Básica à Saúde no Contexto do SUS: Novas Estratégias e reafirmação dos Princípios de acessibilidade. Secretaria de Políticas de Saúde. Cadernos de Atenção Básica. Radis. ______. A. Acesso em: 10 de março de 2009. CORBO. Disponível em: <http://www. Comunicação em Saúde: Principais momentos do PSF. M. Manual de Enfermagem. FUNDAçÃO OSwALDO CRUz.fiocruz. 2002. Rio de Janeiro: Fiocruz. 2001. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 39 . (org). Brasília. a Implantação da Unidade de Saúde da Família. Modelos de atenção e a saúde da família. Programa Saúde da Família. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. H. MOROSINI. MENDONçA. M. Cadernos do Aluno.ensp. V. 2005. Programa Saúde da Família. 2003. ______.html>. 4. M. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Ministério da Saúde. Saúde Coletiva..Bibliografia BRASIL. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Rio de Janeiro: Fiocruz. Departamento de Atenção Básica.br/radis/23-web-01. Rio de Janeiro: Fiocruz. Profissionalização de Auxiliares de Enfermagem. GOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Santa Catarina. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde PROFORMAR.

os quais para sua resolução devem ser compreendidos e visualizados pelos diferentes atores sociais ali implicados (gestores. Pesquise sobre sua vida e obra. tal qual ele é. Barcellos e Rojas. 2004. isto é. pensamos em espaços onde se dão as relações sociais e ambientais. vivendo em tempo e espaço singulares. trabalhadores e cidadãos/usuários). com problemas e necessidades de saúde determinados. 40 PROMOçãO DA SAÚDE . que é por ele considerado como território usado pelos homens. Garantir a possibilidade desse reconhecimento e análise de impacto exige a construção de métodos para serem aplicados nesse território-espaço – o que na saúde denomina-se “territorialização”. culturais. A definição proposta por Santos (2003) nos mostra a sua complexidade. ele é o lócus onde se verifica a interação população-serviços no nível local. CONASS. políticos e epidemiológicos. sendo também. 2007. o teatro da ação de todas as empresas. de todas as instituições. 1993. o espaço vivido pelos homens.TExTO 4 Território Quando falamos em território. portanto. o território-espaço vai para além de um simples recorte político-operacional do sistema de saúde. Visite a UBS próxima de sua casa e procure saber qual é a sua área de abrangência. Esses fatores e suas inter-relações são os determinantes do processo saúde-doença sobre os quais a equipe de saúde e a própria população tem co-responsabilidade. influenciada por fatores socioeconômicos. o significado é muito mais amplo do que uma extensão geográfica. Milton Santos foi um geógrafo brasileiro de projeção internacional que se dedicou aos estudos de geografia humana. Seu reconhecimento é fundamental para a caracterização da população e dos determinantes de saúde. Caracteriza-se por uma população específica. bem como para a análise dos impactos dos serviços sobre os indicadores de saúde desse espaço. Segundo Mendes. Esta é a definição de território vivo que incorpora a rede de relações humanas que vão se desenvolvendo sobre uma base geográfica. contando com o apoio de outros setores afins ao sistema de serviços de saúde.

para o enfrentamento de problemas e necessidades de saúde da população que o habita e o produz socialmente. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde-PROFORMAR.Fica evidente que o entendimento/apropriação do território por parte dos grupos técnicos e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) tende a influir diretamente na forma como esse território será incorporado à prática de ações de saúde. inicia-se a partir de 1994. utilizando como modelo a Saúde da Família. O mapeamento é uma importante ferramenta para a definição e visualização da área de abrangência do território. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 41 . recursos sociais). possibilitando: • Aprender a aplicar novas metodologias relativas ao processo de territorialização em saúde. A territorialização possibilita o diagnóstico da situação de saúde e condições de vida. um processo de reorganização da atenção básica. Para a apropriação do território como espaço de produção de saúde. Essas informações subsidiam a busca de soluções adequadas que possam melhorar as condições de vida e saúde locais. O. Unidade I. a identificação de problemas e necessidades a serem enfrentadas e revela potencialidades locais. Módulo 3. cuja base metodológica de ação e ponto de partida deram-se pelo processo de territorialização. para contemplar ações de saúde coletiva envolvidas no contexto. por meio da construção de identidades e de políticas. C. adoece e morre a população em determinados lugares e situações. Barcellos. • Reconhecer a área de abrangência. ainda. Facilita. saber como vive. No mapa são localizadas as características mais relevantes do ambiente natural e construído (características geográficas. ou seja. construídas nas bases da solidariedade e da corresponsabilidade (gestão/atores sociais). infraestrutura. como processos vivos de produção de condições de saúde. 2003. por meio da análise do que determina e condiciona cada situação. remete à necessidade de formular estratégias para as políticas efetivas. Territorialização O reconhecimento dos espaços de convivência social.

• Documentos e registros administrativos: legislação médico-sanitária. referências bibliográficas e sistemas administrativos. bem como da prevenção de agravos e da promoção da saúde naquele espaço. • Mortalidade: refere-se aos óbitos. socioeconômico e ambiental. Área de abrangência: área sob a responsabilidade de um determinado serviço de saúde ou equipe de Estratégia de Saúde da Família. financeiros. Disponível em <www. epidemiológico. • Realizar levantamento dos problemas que definam o diagnóstico da comunidade. • Ambientais e de condições de vida: características do território. • Conhecer as condições de infraestrutura da área e recursos sociais.br/psf/programa/comofunciona. a partir daí. das pessoas que frequentam esses serviços de saúde e.asp>. que identificam o contexto de vida da população ou de indivíduos. humanos.• Identificar acessibilidade e barreiras.saude. • Identificar o perfil demográfico. fica evidente a necessidade de os diferentes atores sociais conhecerem a história dos indivíduos. • Serviços de saúde: descrevem os recursos de saúde e a produção de serviços – recursos físicos. de domicílios e variáveis sociais.gov. que deverão trabalhar em prol da resolutividade dos agravos à saúde que acometem os membros daquele território. o número de habitantes de uma área ou distribuição de subgrupos populacionais (por idade ou sexo). Nesse contexto. • Morbidade: refere-se à ocorrência de doenças e agravos à saúde. • Identificar as lideranças formais e informais. Para o diagnóstico da situação de saúde do território destacam-se os seguintes tipos de dados: • Demográficos: referem-se à população. • Conhecer e se apropriar do território a partir das demandas/necessidades da população. produção na rede de serviços básicos de saúde e em outras instituições de saúde. Qual a história dos serviços de saúde. 42 PROMOçãO DA SAÚDE . do seu território de corresponsabilidade e como esse território se insere na dinâmica da vida de cada um. entender as diferentes representações dos atores sobre os serviços de saúde e sobre a comunidade.

Acesso em: 11 de março de 2009.2. FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. MONKEN. 2007. MENDES. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.2. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.. 8. Rio de Janeiro. Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde. O Território e o Processo Saúde-Doença. jun 2006.>. BARCELLOS.. 2005.br. atenção primária e promoção da saúde. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde PROFORMAR. n. São Paulo.1. Vigilância em saúde e território utilizado: possibilidades teóricas e metodológicas. Brasília: Conass. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 43 .3. 3. mai-jun. v. v. Rio de Janeiro: Fiocruz. Território: Espaço Social de Construção de Identidades e de Políticas. Rio de Janeiro: Fiocruz.21. M. Disponível em: <www. 2007. BARCELLOS. R. DONATO. F. O Território no Programa de Saúde da Família. n. Rio de Janeiro.ufu. C. PEREIRA.hygeia. 2003. ______. Para entender a gestão do SUS. Cadernos de Saúde Pública. un. I.Bibliografia CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. A. Coleção Progestores. C. 2003. v.Hygeia revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde. M. mód.ig. v.

Parte desse processo é a reorganização da atenção à saúde. na medida em que implica mudanças na forma de pensar e agir. assim como do planejamento e das ciências sociais em saúde. 1 . em permanente processo de construção e renovação a fim de atender às necessidades da população brasileira no âmbito da saúde. O conceito de Vigilância em Saúde deve ser entendido como uma forma de pensar e de agir. da melhor forma possível.142. tornando-se referencial para o processo de mudança no modelo de atenção. ambas de 1990.TExTO 5 Vigilância em Saúde Nos últimos 20 anos. A Vigilância em Saúde nasce das questões sociais. mas também as investigações e a organização de bancos de dados sobre outros 44 PROMOçãO DA SAÚDE . que passam a envolver não apenas as doenças transmissíveis. O SUS hoje é uma realidade. que tem como objetivo realizar a análise permanente da situação de saúde da população e a organização e execução de práticas de saúde adequadas ao enfrentamento dos problemas existentes. por isso precisa ser construída com a participação ativa dos trabalhadores de saúde e da população. fruto do debate sobre a crise da saúde e do movimento sanitarista que culminaram na definição do SUS na Constituição Federal de 1988 e suas posteriores regulamentações por meio das Leis nº 8. de modo que o Estado e municípios possam utilizar. tendo como fundamento o modelo de Vigilância da Saúde. o sistema de saúde brasileiro vem passando por um amplo processo de transformação.080 e nº 8. O termo Vigilância em Saúde é resultado de debates que visam à articulação de conhecimentos e técnicas vindos da epidemiologia. apresentando algumas discussões: Modelo de Atenção à Saúde – forma de organização de prestação de serviços e do conteúdo das ações de saúde. os recursos disponíveis para atender às necessidades e demandas da população.Vigilância em Saúde como análise de Situações de Saúde Monitoramento da situação com a ampliação de objetos de vigilância epidemiológica.

Constitui-se. Articula o enfoque populacional (promoção). técnicas e instrumentos utilizados no desenvolvimento das distintas práticas que compõem o elenco de atividades da Vigilância em Saúde. Tecnologias de Vigilância em Saúde: conjunto de métodos. acidentes e violência. A Portaria GM/MS nº 1. Salienta o desenvolvimento de políticas públicas saudáveis e de ações sociais organizadas em defesa da saúde e das melhorias de condições de vida. destinadas a controlar determinantes. como mortalidade materno-infantil.Vigilância em Saúde como uma Proposta de redefinição das Práticas Sanitárias Destaca a dimensão técnica. de 15 de junho de 2004. com o de risco (prevenção) e o clínico (assistência). bem como os aspectos relativos à organização e produção dos serviços de saúde. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 45 . em substituição a anterior epidemiologia e controle de doenças. fica evidenciado que a Vigilância em Saúde articula os vários níveis de prevenção.agravos. 3 . 2 . contribuindo para um planejamento mais abrangente. constituindo-se em espaço privilegiado para a implementação das campanhas de imunização e programas de controle de endemias e epidemias. por meio de operações montadas sobre os problemas nas diferentes fases do processo saúde-doença. numa estratégia de organização de um conjunto de políticas e práticas que assumem configurações específicas de acordo com a situação de saúde das populações de um determinado território.Vigilância em Saúde como Proposta de Integração Institucional entre a Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Sanitária Essa vertente se concretizou em várias reformas administrativas realizadas pelas secretarias de saúde nos anos 1990. Diante dessas discussões. com a criação de Departamentos de Vigilância em Saúde. resultando no fortalecimento das ações de vigilância sanitária e articulação com os centros de saúde do trabalhador. ao expressar a Vigilância em Saúde como um modelo assistencial alternativo que reúne um conjunto de práticas sanitárias que requerem tecnologias distintas. doenças crônicas.172. riscos e danos. passou a utilizar a denominação de Vigilância em Saúde. Enfatiza também a dimensão gerencial. com uma prática que organiza processos de trabalho em saúde. para enfrentar problemas no cotidiano em um território delimitado. de fato.

riscos. discutidas e acordadas entre a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Fonte:Teixeira. análise e intervenção sobre os problemas. • Vigilância de doenças transmitidas por vetores e antropozoonoses.Políticas públicas saudáveis.Operações sobre problemas e grupos populacionais. . Antropozoonose – infecção transmitida ao homem. descrição. Formas de Organização . de planejamento e programação local situacional e tecnologias médico-sanitárias. Secretaria de Estado da Saúde (SES) e as secretarias municipais de Saúde (SMS) nas quais se destacam: • Notificação de doenças e agravos. • Diagnóstico laboratorial de agravos de saúde pública. necessidades e determinantes dos modos de vida e saúde (condições de vida e trabalho). conforme demonstrado no quadro abaixo: Sujeito Equipe de Saúde População Objeto Danos.Intervenções específicas (promoção. . por meio da identificação. ações Prioritárias de Vigilância em Saúde: As ações prioritárias de Vigilância em Saúde estabelecem um conjunto de atividades e metas. • Imunizações. 46 PROMOçãO DA SAÚDE . • Controle de doenças. • Investigação epidemiológica. por reservatório animal. necessidades e condições de vida dos diversos grupos populacionais. • Vigilância ambiental. prevenção e recuperação). Meios de Trabalho Tecnologias de comunicação social. 2001.Processo de trabalho da Vigilância em Saúde O processo de trabalho de Vigilância em Saúde implica o trabalho coletivo realizado pela equipe de saúde do nível local e pela população.

UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 47 . Vigilância Sanitária. sistemas de informação e vigilância ambiental em saúde. Compreende uma série de funções específicas. tendo como objetivo aumentar a capacidade dos estados e municípios em assumir as atividades de notificação. A Vigilância em Saúde compreende a Vigilância Epidemiológica. confirmação laboratorial. • Divulgação de informações epidemiológicas. • Elaboração de estudos e pesquisas em epidemiologia. • Alimentação e manutenção de sistemas de informação. investigação. com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos (doenças transmissíveis e doenças e agravos não transmissíveis). de forma que as medidas de intervenção pertinentes possam ser desencadeadas com oportunidade e eficácia. Constitui-se importante instrumento para o planejamento. Vigilância em Saúde Ambiental e Vigilância em Saúde do Trabalhador. bem como a normatização das atividades técnicas correlatas. organização e operacionalização dos serviços de saúde.VE Definida como um conjunto de ações que proporciona o conhecimento. a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva. Vigilância Epidemiológica .• Monitorização de agravos de relevância epidemiológica. • Acompanhamento das atividades programadas. Essas ações prioritárias propõem atividades e metas que visam fortalecer o Sistema Nacional de Vigilância em Saúde. permitindo conhecer o comportamento da doença ou agravo selecionado como alvo das ações. imunização. • Ações básicas de vigilância sanitária.

Vigilância Sanitária . que devem ser dotados de autonomia técnico-gerencial para enfocar os problemas de saúde próprios de suas áreas de abrangência. Veja as ações da Vigilância Sanitária. da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde. • Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas. têm propiciado a incorporação das doenças e agravos não transmissíveis às atividades da Vigilância Epidemiológica. As secretarias estaduais de Saúde devem assumir as responsabilidades de coordenação. 48 PROMOçãO DA SAÚDE . A Vigilância Sanitária utiliza. • Divulgação de informações pertinentes. • Processamento.São funções da Vigilância Epidemiológica: • Coleta de dados. O campo de atuação e as atribuições previstas para a Vigilância Sanitária demandam saberes de vários campos do conhecimento. com o declínio das taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias e o crescente aumento das mortes por causas externas e doenças crônico-degenerativas. análise e interpretação dos dados coletados. As mudanças no perfil epidemiológico das populações. em anexo. supervisão e monitoramento das ações. • Recomendação das medidas de controle apropriadas. inclusive da área jurídico-legal para que suas ações estejam respaldadas e não possam ser anuladas. Para o desenvolvimento do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) a atual orientação estabelece como prioridade o fortalecimento dos sistemas municipais de Vigilância Epidemiológica. A natureza do trabalho em Vigilância Sanitária é bastante complexa e diferencia-se das outras práticas de saúde. • Promoção das ações de controle indicadas. diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente.VISa Definida como um conjunto de ações capazes de eliminar.

VSa É definida como um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana.. processos de trabalho e assistência. • Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada a Fatores Físicos (Vigifis). Risco: (. gerenciamento de risco e risco potencial.. Vigilância em Saúde do Trabalhador .Visat Conjunto de práticas sanitárias articuladas suprassetorialmente.como um dos seus principais instrumentos. • Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada às Substâncias Químicas (Vigiquim). Busca a identificação de situações de risco ou perigos no ambiente que possam causar doenças. • Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada à Qualidade do Ar (Vigiar). incapacidades e mortes. potencial de riscos. grau de risco. apoiados nos princípios da vigilância em saúde. com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à saúde. grupos de risco. (.. Vigilância em Saúde ambiental . cuja especificidade está centrada na relação da saúde com o ambiente. (COSTA. • Vigilância em Saúde da População Exposta ao Solo Contaminado (Vigisolo).. a norma sanitária que estabelece parâmetros e padrões. para a UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 49 . (Brasil. • Vigilância em Saúde Ambiental dos Riscos Decorrentes dos Desastres Naturais (Vigidesastres). 2000).) A legislação mais recente procura utilizá-lo na forma de expressões mais precisas tais como fatores de risco. 2001). Áreas prioritárias de atuação da Vigilância em Saúde Ambiental (VSA): • Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua).) risco é a probabilidade de ocorrência de efeitos adversos relacionados a objetos submetidos a controle sanitário. com o objetivo de adotar ou recomendar medidas para a remoção ou redução da exposição a essas situações de risco.

nas três esferas de governo. pretende acrescentar ao conjunto de ações de vigilância em saúde. questões como território. • Intervir nos fatores determinantes de agravos à saúde da população trabalhadora. apontando para a reorganização do modelo de atenção à saúde. faz-se ne- 50 PROMOçãO DA SAÚDE . São objetivos da Visat: Faça um levantamento sobre os principais agravos que acometem o trabalhador de saúde no exercício de sua profissão. visando eliminá-los ou controlá-los. ramos produtivos. conhecer. • Conhecer a realidade da saúde da população trabalhadora. relacionando-os com as causas e as medidas de prevenção. com a finalidade de planejar. atenuá-los e controlá-los. Deve ser compreendida como parte da Vigilância em Saúde. nas estruturas existentes nesse setor.melhoria das condições de vida e saúde da população. Nesse sentido. • Subsidiar a tomada de decisões dos órgãos competentes. independentemente da forma de inserção no mercado de trabalho e do vínculo trabalhista estabelecido. A Vigilância em Saúde do Trabalhador deve atuar de forma contínua e sistemática no sentido de detectar. • Estabelecer sistemas de informação da saúde do trabalhador. na sua impossibilidade. estratégias de produção de conhecimentos e mecanismos de intervenção sobre os processos de produção. Devem ser consideradas no planejamento das ações de Visat. Considerando o SUS como um processo em permanente construção. pesquisar e analisar os fatores determinantes e condicionantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho. perfil epidemiológico e a participação dos trabalhadores e das comunidades. visando eliminá-los ou. executar e avaliar intervenções sobre esses aspectos. aproximando os diversos objetos comuns das práticas sanitárias àqueles oriundos da relação entre o trabalho e a saúde. • Avaliar o impacto das medidas adotadas.

estados. Guia de Vigilância Epidemiológica. Bibliografia BRASIL. Sanitária. em que as Vigilâncias Epidemiológica. dos grupos sociais e das pessoas. Ministério da Saúde. ______. de 15 de junho de 2004. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 51 . Constituição (1988). Ministério da Saúde.172. 6. de 19 de setembro de 1990. Ministério da Saúde. 1. Dispõe sobre as condições para a promoção. Lei n. na área de Vigilância em Saúde. Diário Oficial da União. o serviço e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Ministério da Saúde. de 20 de setembro de 1990. Portaria n. organizacional e. 8. 8. 2007.142. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. municípios e Distrito Federal. Diário Oficial da União. na disponibilidade ao novo e nas possibilidades que se abrem para os atores que compõem o processo de trabalho em saúde. Pressupõe a esses atores o desenvolvimento da capacidade de observar e analisar os problemas de saúde da população. Regulamenta a NOB/SUS 01/96 no que se refere às competências da União. 17 de junho de 2004. nos níveis institucional. Ambiental e da Saúde do Trabalhador devam estar integradas. Lei n. principalmente. define a sistemática de financiamento e dá outras providências. de 28 de dezembro de 1990. ed. Diário Oficial da União. proteção e recuperação da saúde. Brasília. Secretaria de Vigilância em Saúde.cessário compreender o modelo de Vigilância em Saúde proposto. ______. Brasília: Ministério da Saúde. O desenvolvimento das práticas de Vigilância em Saúde implica processo de reflexão. Departamento de Vigilância Epidemiológica. ______. de forma individual e coletiva e em uma perspectiva do comprometimento do fazer. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. operacional. ______.080.

anexo ações da Vigilância Sanitária Cabe à Vigilância Sanitária desenvolver um conjunto de ações relacionadas aos seguintes bens. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. • Saneantes destinados à higienização. aditivos alimentares. 2007. 6. odontológicos. Fundamentos de Vigilância Sanitária. • Conjuntos. O Processo de trabalho da Vigilância em Saúde. ______. produtos e serviços: • Alimentos. O SUS e a Vigilância em Saúde. Para entender a gestão do SUS. FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. hospitalares e coletivos. limites de contaminantes orgânicos. 2007. • Medicamentos de uso humano. suas embalagens. Rio de Janeiro: Fiocruz. hemoterápicos e de diagnóstico laboratorial e por imagem. Vigilância em Saúde. CONSELHO NACIONAL DOS SECRETÁRIOS DE SAÚDE. produtos de higiene pessoal e perfume. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários. Para entender a gestão do SUS. 6. 2000. processos e tecnologias.COSTA. E. 52 PROMOçãO DA SAÚDE . A. Vigilância em Saúde. I. Coleção Progestores. Coleção Progestores. II. 2004. Brasília: Conass. v. desinfecção ou desinfestação em ambientes domiciliares. • Cosméticos. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV/PROFORMAR. • Equipamentos e materiais médico-hospitalares. v. seus insumos. ______. suas substâncias ativas e demais insumos. reagentes e insumos destinados a diagnóstico. águas envasadas. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV/PROFORMAR. inclusive bebidas. Brasília: Conass. 2004.

clubes. os realizados em regime de internação. • Instalações físicas. salões de beleza. • Cigarros. ambientes e procedimentos envolvidos em todas as fases dos processos de produção dos bens e produtos. • Quaisquer produtos que envolvam a possibilidade de risco à saúde. cemitérios. sangue e hemoderivados. cigarrilhas. equipamentos. incluindo a destinação dos respectivos resíduos. • Radioisótopos para uso diagnóstico in vivo. academia de ginástica. • Serviços direcionados para a atenção ambulatorial. • Serviços como: creches. tecnologias. charutos e qualquer outro produto fumígero. derivado ou não do tabaco.• Imunobiológicos e suas substâncias ativas. tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições. os serviços de apoio diagnóstico e terapêutico. asilos para idosos. bem como aqueles que impliquem a incorporação de novas tecnologias. presídios. obtidos por engenharia genética. cantinas e refeitórios escolares. por outro procedimento ou ainda submetidos a fontes de radiação. radio-fármacos e produtos radioativos utilizados em diagnóstico e terapia. • Órgãos. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 53 . submetidos ao controle e fiscalização sanitária.

(PROFORMAR Unidade I. 2003). universalidade e equidade na implementação da rede de serviços de saúde em nosso país. Quando um usuário do SUS necessita de certa ação que não está disponível em sua unidade básica de referência. o qual deverá realizar o procedimento solicitado. do eu.TExTO 6 Política Nacional de Humanização Antes de entender é preciso sentir. feita a ação. 54 PROMOçãO DA SAÚDE . 2008). (Deleuze) Entende-se por humanização a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários. • Fragmentação da rede assistencial dificultando a complementaridade entre a rede básica e o sistema de referência. como: • Fragmentação do processo de trabalho e das relações entre os diferentes profissionais. (AURÉLIO. Sistema de Referência (SR) e Contrarreferência (CR): é um sistema de informação que garante ao cidadão o atendimento integral às suas necessidades de saúde – a integralidade das ações. • Despreparo dos profissionais para lidar com a dimensão subjetiva nas práticas de atenção. Módulo I. o paciente deverá ser encaminhado de volta à sua unidade básica de origem para dar continuidade ao seu atendimento. • Sistema Público de Saúde burocratizado e verticalizado. • Pouco fomento à cogestão e à valorização dos trabalhadores e usuários no processo de produção de saúde. ele deve ser encaminhado a outro estabelecimento de saúde de diferente complexidade. • Baixo investimento na qualificação dos trabalhadores em relação ao trabalho em equipe e gestão participativa. apesar dos saberes acumulados no que se refere aos seus princípios norteadores e à descentralização da atenção e da gestão. Minidicionário da Língua Portuguesa. o SUS ainda enfrenta vários problemas. A construção histórica do SUS tem sido marcada pelo esforço em materializar os princípios da integralidade. Subjetivismo: tendência em reduzir toda a realidade à concepção do sujeito. Entretanto. Em seguida. trabalhadores e gestores.

a autoestima e a cooperação na melhoria de sua saúde e de sua qualidade de vida. em 2003. Embora necessária. não é suficiente. nuances. invisível. Redes Quentes: supõem desejos. A PNH busca colaborar na efetivação dos princípios do SUS. a valorização do trabalho em saúde e a integração das ações no processo de atenção. Nesse sentido. alguns se referem à formação e à atuação dos trabalhadores de saúde. É uma rede de afetos. • Oferecer um eixo articulador das práticas em saúde. • Contagiar por atitudes e ações humanizadoras a rede do SUS. trabalhadores e usuários) que se ocupam da produção da saúde e do sujeito. comprometido com a defesa da vida e fortalecido na pactuação democrática e coletiva de seu processo. com forma – fluxograma. Construir tal política impõe que o SUS seja tomado em sua perspectiva de rede (integralidade dos níveis de atenção/modelos de atenção e da gestão). destacando um aspecto subjetivo nelas presente. incluindo gestores. Propõe ações micropolíticas (de relações entre os sujeitos). se propõe a: • Traduzir os princípios do SUS em modos de operar dos diferentes equipamentos e sujeitos da rede de saúde. a compreensão e a generosidade no trato com os usuários dos serviços de saúde. • Fragilidade do controle social nos processos de gestão e atenção do SUS. apresentando modos de funcionamento padronizados e burocráticos. como você enquanto trabalhador da saúde e da enfermagem poderia se engajar? UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 55 . que afeta a rede fria. (PROFORMAR. fazendo com que eles se sintam bemvindos e à vontade no grupo que os acolheu Com isso poderão desenvolver a confiança. • Construir trocas solidárias e comprometidas com a dupla tarefa de produzir saúde e sujeitos. o Ministério da Saúde. a Humanização no SUS. Pretendendo-se um SUS para além desse cenário. com base na PNH. Unidade I. Dentre os problemas apontados sobre a atenção e a gestão no SUS. Dentre as propostas da PNH. Redes Frias: definida como plano extenso. cumplicidades. 2003). trabalhadores e usuários.• Formação dos trabalhadores de saúde distante do debate e da formulação da política pública de saúde. Foi formulada a partir da sistematização de experiências bem-sucedidas de práticas de humanização nas ações de atenção e gestão desenvolvidas por estados. Cria uma essência e submete a outras regras. municípios e serviços de saúde. que permeia os diferentes espaços de saúde e agrega os diversos núcleos de saber/ poder (gestores. Surge como política transversal. Módulo I. com a superação de desafios importantes como o acolhimento. Como você analisa esses problemas e suas possíveis causas? Como poderiam ser enfrentados ou minimizados? Acolhimento: Prática que tem como princípios a solidariedade. Rede em Saúde: conjunto de equipamentos/serviços/sujeitos de produção de saúde articulados entre si. instituiu a Política Nacional de Humanização (PNH).

• Autonomia e protagonismo dos sujeitos – a corresponsabilidade entre gestores. Instituinte: parte do princípio do que está instituído (normalizado) para encontrar nele a possibilidade de novas formas de ser e de fazer. mas instituinte. • Compromisso com a democratização da relação de trabalho e valorização dos trabalhadores de saúde. o que se reflete em mudanças nas práticas de saúde. o estabelecimento de vínculos solidários e a participação coletiva na produção da saúde e produção de sujeitos. • Transversalidade – concepções e práticas que atravessam as diferentes ações e instâncias aumentam o grau de abertura da comunicação intra e intergrupos e ampliam as grupalidades. mas aponta alguns dispositivos que podem ser somados a outras políticas para melhoria da qualidade de vida da população. A PNH não é uma política instituída. • Fortalecimento do controle social com caráter participativo em todas as instâncias gestoras do SUS. • Valorização da ambiência. • Valorização da dimensão subjetiva. com organização de espaços saudáveis e acolhedores de trabalho. Não deve ser interpretada como uma política capaz de resolver os problemas do SUS. (CASTORIADIS. estimulando processos de educação permanente. 1992). em todas as práticas de atenção e gestão no SUS. fortalecendo o trabalho em equipe multiprofissional. coletiva e social. com destaque para: 56 PROMOçãO DA SAÚDE . fortalecendo/estimulando processos integradores e promotores de compromissos/responsabilidades. usuários e trabalhadores da saúde.Princípios da PNH • Indissociabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde – incorporação da humanização no desenvolvimento de práticas interdependentes e complementares.

angústias e. além do diagnóstico psiquiátrico e da medicação. quando necessário. garantindo atenção resolutiva e articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário. Portanto. além de frisar que o projeto busca a singularidade (a diferença) como elemento central de articulação (lembrando que os diagnósticos tendem a igualar os sujeitos e minimizar as diferenças: hipertensos. para definição de propostas de ações. 2007). • Projeto Terapêutico Singular .). ao mesmo tempo.O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um sujeito individual ou coletivo. Está inserida em uma matriz organizacional (Equipe de Apoio Matricial). UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 57 . • Equipes de Referência e Equipe de Apoio Matricial . Foi bastante desenvolvido em espaços de atenção à saúde mental como forma de propiciar uma atuação integrada da equipe valorizando outros aspectos. responsabilizando-se integralmente por ele. etc.Equipe de Referência é um grupo multiprofissional. (Ministério da Saúde.recepção do usuário. nos parece melhor porque destaca que o projeto pode ser feito para grupos ou famílias e não só para indivíduos. no tratamento dos usuários. resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar.• Acolhimento com classificação de risco . O acolhimento vem mudar a lógica do atendimento. a clientela é assistida pela sua equipe básica de referência e. permitindo que o critério de priorização da atenção seja o agravo à saúde e/ou grau de sofrimento e não mais a ordem de chegada. Assim. O nome Projeto Terapêutico Singular. diabéticos. desde sua chegada. buscam-se recursos de uma equipe de retaguarda especializada na rede de serviços matriciais de apoio. é uma reunião de toda a equipe em que todas as opiniões são importantes para ajudar a entender o sujeito com alguma demanda de cuidado em saúde e. como também é conhecido. permitindo que ele expresse suas preocupações. em lugar de Projeto Terapêutico Individual. caracterizado pelo objetivo de cada serviço de saúde. com apoio matricial se necessário. As equipes de referência passam a ser a estrutura permanente e nuclear dos serviços de saúde. consequentemente. ouvindo sua queixa. tendo uma clientela sob sua responsabilidade.

indicam caminhos e intermedia as relações. da família e da comunidade.Instituição de Visita Aberta ampliando para a família. da interação entre os trabalhadores e gestores.Modelos de gestão participativa em que se inclui a sociedade civil. da atenção dispensada ao usuário. quanto por outros componentes estéticos ou sensíveis apreendidos pelo olhar. olfato. Nos serviços de saúde.trabalho clínico que visa o sujeito e a doença. a ambiência é marcada tanto pelas tecnologias médicas presentes. Utiliza como meios de trabalho a integração de equipe multiprofissional. • Projeto Acolhendo os Familiares/rede social participante . tendo como objetivo produzir saúde e aumentar a autonomia do sujeito. • Programa de Formação em Saúde e Trabalho e Comunidade Ampliada de Pesquisa .ambiente físico. os trabalhadores e gestores dos serviços de saúde. reconhecimento da clientela e construção de vínculo. Exemplos de Sistema de Escuta Qualificada: Instalação de ouvidorias dirigidas ao cliente interno e externo traz as demandas do usuário e/ou trabalhador de saúde e constitui-se em instrumento gerencial. aproxima os diversos atores do sistema de saúde. 58 PROMOçãO DA SAÚDE . pois levanta problemas. conforme a vulnerabilidade de cada caso e a ampliação dos recursos de intervenção sobre o processo saúde-doença. audição. a elaboração de projeto terapêutico (PTS). direcionado para a atenção acolhedora. Reconhecer e propiciar o direito de acompanhante a todo cliente internado possibilitando a manutenção do vínculo com seu mundo pessoal. de acordo com sua disponibilidade.• Ambiência . dando-lhe voz e direito de opção. ações de incentivo e valorização do trabalho em equipe e participação em processos de educação permanente. • Clínica Ampliada . o direito à visita ao familiar internado. ruídos do ambiente. temperatura. Envolver o cliente no Projeto Terapêutico entendendo-o como protagonista no processo de produção de sua própria saúde. Uso de instrumentos como pesquisas para medir o nível de satisfação do cliente. O componente afetivo também se faz presente na ambiência.Promover capacitações sistemáticas. • Sistemas de Escuta qualificada para usuários e trabalhadores da saúde . independentemente de idade ou grau de dependência e propiciando condições adequadas para sua permanência. o usuário e os seus familiares. profissional e de relações interpessoais. como luminosidade. resolutiva e humana. social. a família e o contexto. podendo ser expresso na forma do acolhimento.

a humanização da assistência tem procurado: • estimular. valores que promovam maior autonomia dos sujeitos e participação coletiva na gestão. acompanhar e dar suporte às comissões de humanização dos hospitais e ambulatórios. apoiar e disseminar as Ações de Humanização nos serviços de saúde próprios do Estado. contemplando ações dirigidas para a promoção da saúde e qualidade de vida no trabalho. por meio de UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 59 . • ampliar e potencializar as concepções e práticas de humanização nos serviços da SES-SP. fortalecer. pesquisar e levantar os pontos críticos do funcionamento dos serviços. No âmbito da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). intervindo diretamente na qualidade da atenção da rede de serviços do SUS. incentivar a democratização da gestão. • contribuir para a articulação e integração da política de humanização por meio de um diálogo constante com as demais coordenadorias. promove também transformações na sua prática de produção da saúde. propor mudanças que beneficiem usuários e trabalhadores. A Política Nacional de Humanização (PNH) nos possibilita rever os processos de trabalho. Ao proporcionar os processos de mudança do ponto de vista do indivíduo e valorizálos. promover o trabalho em equipes multiprofissionais. com atividades de valorização e de cuidados aos trabalhadores da saúde. • Grupo de Trabalho de Humanização . tendo como atribuições: difundir a PNH. Traz em sua essência a transformação das relações sociais. • contribuir para a formação permanente em humanização.• Programas de Qualidade de Vida e Saúde para os Trabalhadores da Saúde Desenvolver programas com foco no trabalhador.Constituído por representantes de profissionais e demais trabalhadores em cada equipamento de saúde. entre outros. • estimular. A Secretaria de Estado da Saúde deve dar continuidade e aprofundamento ao processo de humanização nas unidades de saúde estaduais.

PROFORMAR. pensando no processo de produção da saúde. un. Brinquedoteca. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. 2006. 2003. Método Mãe Canguru. Nesse caso. na lógica da humanização. Cantinho da Beleza. 2. equipe de referência e projeto terapêutico singular . ______. Secretaria Executiva. 2007. Programa de Formação de agentes Locais de Vigilância em Saúde . Voluntariado. mód. 60 PROMOçãO DA SAÚDE . Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Ministério da Saúde. FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. o cuidado em saúde deve ser visto não como operação e monitoramento do tratamento ou como atenção aos aspectos periféricos do bem-estar do paciente. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. de reflexão crítica e de transformação da prática. I. Secretaria de Atenção à Saúde. entre outras ações. Humaniza SUS. Programa de Prestação de Serviços à Comunidade. remetemo-nos à questão do cuidado. Rio de Janeiro: Fiocruz. Finalmente. Leituras Complementares.projetos. ed. Formação de Apoiadores para a Política Nacional de Humanização da Gestão e da Atenção à Saúde. 2004. Brasília: Ministério da Saúde. ______. Leia Comigo. Bibliografia BRASIL. 1. Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília. mas. Cartilhas de Humanização. Visita Aberta. como: Jovens Acolhedores. Textos Básicos de Saúde. Ministério da Saúde. Brasília. Acolhimento com Classificação de Risco. Rio de Janeiro. destacando o cuidado como categoria reconstrutiva. Humaniza SUS. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Série B. Política Nacional de Humanização. Ministério da Saúde. Iniciativa Hospital Amigo da Criança. ______. a Humanização como Eixo Norteador das Práticas de atenção e Gestão em todas as Instâncias do SUS. 2007. Clínica ampliada. Ministério da Saúde. Conte Comigo.

Objetivos Específicos III.2.Pesquisa em bases de dados (www. III.Processo de produção da informação: • Coleta de dados • Armazenamento/processamento • Interpretação e distribuição da informação 3. UNIDaDE III Conteúdos 1. 3. 2.1.Reconhecer os indicadores de saúde. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade III.Interpretação dos indicadores por meio de exercícios com cálculos matemáticos. Sugestão de ações para estágio supervisionado: Pesquisa sobre os indicadores de saúde de seu município/estado. 4. Acompanhamento no serviço do processo de alimentação. planos e programas de saúde. 2. organização e gestão de dados do Sistema de Informação de Saúde.Debate sobre a importância dos registros em saúde para a alimentação do sistema. 5.Identificar os sistemas de informação utilizados em saúde.Levantamento de indicadores de saúde mais utilizados.Dado e informação 2. com destaque para as possibilidades de atuação do técnico de enfermagem. Integração curricular: ÁrEa I Vigilância em Saúde.Indicadores de saúde • Coeficiente de mortalidade • Coeficiente de morbidade • Coeficiente de prevalência • Coeficiente de incidência • Taxa de letalidade 1.br) sobre a estrutura do Sistema e os Subsistemas de Informações em Saúde mais utilizados.datasus.Leitura e discussão de texto: Sistema de Informação em Saúde.gov. organização e gestão do sistema de informação.Apresentação dos trabalhos.Sistemas de Informação em Saúde: • Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) • Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS) • Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) • Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) • Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sinasc) • Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) • Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS) • Sistema de Informação relacionado ao controle do câncer de colo de útero (Siscolo) • Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) • Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) • Cadastro do Cartão Nacional de Saúde (CNS/Cadsus) • Imunizações (SI-PNI) Método 1. 1.Sistema de Informação em Saúde Objetivo Reconhecer os sistemas de informação enquanto ferramentas para a formulação e avaliação das políticas. UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 61 . elaboração dos conceitos de dados e informação e debate sobre a importância da alimentação.Levantamento no serviço de instrumentos utilizados para alimentar os sistemas de informação em saúde.

As informações dão suporte ao Planejamento Participativo Estratégico-situacional. Quanto mais informações são coletadas. quanto para situações de saúde mais abrangentes. Unidade II. a produção de dados. Esses bancos. que se constituirão no Sistema de Informação em Saúde. assim. melhor será a tomada de decisão e mais eficaz serão as ações propostas. de natureza multimídia (laboratório. Para a obtenção e utilização dessas informações nos diversos espaços de produção de saúde. Unidade II. avaliação e pesquisa. ao trabalho. 62 PROMOçãO DA SAÚDE . Módulo 5. Isso serve tanto para um determinado problema de saúde de um usuário do SUS. agrupados por características específicas. 1994). Módulo 5. diagnósticos. • administrativos: desenvolvidos para fins contábeis e de controle de produção de serviços de saúde prestados. Uma boa definição de informação é a de que se trata de um conjunto estruturado de dados de modo que possa ser entendido por todos os seus usuários. ou o número bruto que ainda não sofreu qualquer tratamento estatístico (Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde(PROFORMAR. 2003). raios-X. entre outros. O trinômio Informação-Decisão-Ação é considerado a base da prática estratégica em saúde. maior clareza se tem da situação.TExTO 7 Sistema de Informação em Saúde Sabemos que em saúde a informação é um recurso muito importante e por meio dela podemos tomar decisões. medidas antropométricas). gerando. Os dados. cirur- Dado é um valor quantitativo referente a um fato ou circunstância. 2003). gerados pelos Sistemas de Informação em Saúde podem ser classificados em três tipos: • epidemiológicos: desenvolvidos e utilizados para fins de vigilância. (Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde-PROFORMAR. doenças e agravos de notificação compulsória. produzirão os bancos de dados. • clínicos: armazenam dados clínicos (resultados de exame. englobando dados sobre eventos vitais (nascimentos e óbitos). Dado é uma descrição limitada da realidade (Moraes. não chega a ser uma informação. Contém dados demográficos dos pacientes atendidos. procedimentos realizados. ao ambiente. é preciso que se realize o seu registro. Produzir dados significa produção da informação de forma sistematizada. relacionadas a um grupo de pessoas ou uma coletividade. mas não trazem dados clínicos.

como também incidência e prevalência. bem como do desempenho do sistema. Mortalidade e morbidade são alguns dos indicadores de saúde mais conhecidos. Esses sistemas são instrumentos de trabalho muito importantes para a área da saúde. 2003). acompanhamento e avaliação dos modelos de atenção à saúde e das ações de prevenção e controle das doenças. como a esperança de vida ao nascer. orientando a instalação. Vistos em conjunto. que retratem fielmente a situação de saúde da população no país. UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 63 . sendo a esfera responsável pela organização. São de utilização obrigatória para os estados e municípios. Para a operacionalização da informação pelos SIS. Faz-se necessário. acompanhamento e avaliação dos modelos de atenção à saúde e das ações de prevenção e controle das doenças. subordinados ao Ministério da Saúde. Módulo 5.gia) ou de diferentes utilidades de saúde. de ações e serviços no âmbito do SUS. Esses ainda são de disponibilidade restrita. devem gerar informações/dados de qualidade. coordenação. devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde. Pesquise os indicadores de seu município/Estado. O Sistema de Informação em Saúde (SIS) integra as estruturas organizacionais dos sistemas de saúde. planos e programas de saúde. Os Sistemas de Informação em Saúde são informatizados. relembrando conhecimentos matemáticos de coeficientes e proporções. ainda. é necessária a obtenção de requisitos técnicos e profissionais no planejamento. Esses sistemas constituem instrumentos de trabalho muito importantes para a área da saúde. apoiando o processo de tomada de decisões. que todos os envolvidos no processo de trabalho em saúde tenham a compreensão de sua importância/objetivo. possibilitando a análise de situações em nível local. são medidassíntese que contêm informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde. Indicadores de saúde Em termos gerais. de sua manutenção/alimentação e sua utilização. monitoramento e planejamento. A construção de um indicador é um processo cuja complexidade pode variar desde a simples contagem direta de casos de determinada doença. e sua operacionalização é feita por meio de portarias ministeriais. criados para avaliação. Portanto. até o cálculo de proporções. supervisão e execução das atividades exigidas. (Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde-PROFORMAR. (Opas/OMS). Unidade II. orientando a instalação. taxas ou índices mais sofisticados. gestão e alimentação do SIS. razões. pois a informação é a base para a gestão dos serviços. pois a informação é a base para a gestão dos serviços. A análise desses dados permite a construção de importantes indicadores para a descrição do perfil de saúde de uma região. Pesquise como são realizados esses cálculos. com o propósito de facilitar a formulação e avaliação das políticas.

destinados a auxiliar a operacionalização.Instrumentos que agregam dados e possibilitam informações sobre a população atendida. análise. e suas orientações devem ser de conhecimento geral das instituições de saúde. Contém dados sobre o número de atendimentos realizados por tipo de procedimentos e. SIA-SUS – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS . estadual e federal. bem como da população. dependendo deste. por grupo populacional. 64 PROMOçãO DA SAÚDE . controle e gestão do atendimento ambulatorial do SUS. processamento. fornecendo informações para análise do perfil da morbidade e contribuindo. registro. Esses dados são recolhidos por meio das fichas de cadastramento e acompanhamento. em todo o território nacional. apresentação e difusão de dados e geração de informação.Conjunto de programas de processamento de dados criados conforme as normas do Ministério da Saúde. Sinasc – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – Tem por objetivo coletar dados sobre nascimentos. Esse sistema possibilita uma análise global e integrada de todos os agravos definidos para desencadear as medidas de controle. eliminação e/ou erradicação das doenças transmissíveis.São etapas do processo de informação dos SIS: coleta. SI-PNI – Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização Visa contribuir para o controle. para a tomada de decisões nos níveis municipal. realizado pelo Estado e municípios. Sinan – Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Tem por objetivo o registro e o processamento dos dados sobre agravos de notificação em todo o território nacional. O documento de entrada do sistema é O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi criado pelo Ministério da Saúde em 1973. É o principal instrumento de coleta de dados das doenças de notificação compulsória e outros agravos. Sistemas de Informação em Saúde: SIAB – Sistema de Informação da Atenção Básica . devendo ser objeto de análise e discussão das equipes e dos gestores da Estratégia de Saúde da Família. e fornecê-los para todos os níveis do Sistema de Saúde. públicas e privadas. dessa forma.

áreas com problemas de acompanhamento e encaminhamento das mulheres. a avaliação e a gestão dos gastos públicos e das Políticas de Saúde. SIOPS – Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde – Instrumento de planejamento. das três esferas de governo. Importante ferramenta para o gestor na avaliação e planejamento das ações a serem realizadas: identificar serviços ou áreas mais necessitadas de capacitação. SIH-SUS – Sistema de Informações Hospitalares do SUS – Um complexo de programas de processamento de dados destinados a auxiliar a operacionalização. O documento básico é a Declaração de Óbito (DO). Siscolo – Sistema de Informação relacionado ao controle do câncer de colo de útero – Permite o gerenciamento das informações oriundas das unidades de saúde. padronizado em todo o país. realizado pelo estado e municípios. problemas de qualidade de coleta e processamento das lâminas.Declaração de Nascimento). SIM – Sistema de Informação de Mortalidade – Permite a obtenção regular de dados sobre mortalidade. que funciona por meio da coleta e processamento de informações sobre receitas totais e despesas com ações e serviços públicos de saúde. foi desenvolvido o Sistema de Seleção de Causa Básica (SCB). UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 65 . A codificação da causa básica do óbito depende do conhecimento de um especialista e. permite que estudos epidemiológicos se utilizem mais de seus dados.a Declaração de Nascido Vivo (DN . Possibilita o conhecimento da estrutura do financiamento da Saúde Pública no Brasil e facilita o controle. para apoiar esse processo. Pela quantidade de informações de que dispõe. O documento básico é a Autorização de Internação Hospitalar (AIH). controle e gestão do atendimento hospitalar do SUS. gestão e controle social do SUS. Inicialmente produzido para controlar e fiscalizar as internações hospitalares é principalmente um instrumento para pagamento.

______. 6. Coleção Progestores para entender a gestão do SUS: O Sistema Único de Saúde. planos e seguros de saúde). Tomos I. para subsidiar a análise da situação sanitária. possibilitar a agregação de informações no âmbito federal e o acompanhamento do fluxo deste usuário no interior do sistema de saúde. O IBGE vem aperfeiçoando suas pesquisas e estudos e as formas de acessá-los. 2007. Coleção Progestores para entender a gestão do SUS: Vigilância em Saúde. possibilitando à Agência Nacional de Saúde Suplementar verificar as diversas categorias e especialidades disponíveis para os seus usuários. a tomada de decisões baseada em evidências. elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).br >. Atualmente muitos dados estão disponíveis por meios eletrônicos. Brasília: Conass. O acesso às informações do sistema deve respeitar o direito do usuário à privacidade e à confidencialidade. a fim de identificar o cidadão no sistema local e. cujas atividades são reguladas. v. 2005. Brasília: Ed. que indicam caminhos para a busca de novos conhecimentos e tecnologia para o setor. 2007. v.O Cartão Nacional de Saúde é considerado um instrumento fundamental para articular a execução descentralizada dos serviços e o caráter nacional e único do Sistema de Saúde. pelo Departamento de Informática do SUS. 66 PROMOçãO DA SAÚDE . a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (PMAS). controladas e fiscalizadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). São eles o Censo Demográfico. o planejamento e a programação das ações em saúde. o mesmo ocorrendo com o Ministério da Saúde. do Ministério da Saúde. II. A pesquisa em saúde também encontra nesses sistemas dados relevantes. gov. Datasus. CNS/Cadsus – Cadastro do Cartão Nacional de Saúde .datasus. Bibliografia BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE.1. Outros sistemas de informação (bases de dados demográficos/pesquisas) poderão ser utilizados junto aos SIS. CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – Permite a identificação dos profissionais de saúde cadastrados na rede de prestadores de serviços das operadoras. disponível em: < www. ao mesmo tempo. O cartão tem uma numeração nacional (baseada no número do PIS/ Pasep). normalizadas. Brasília: Conass. Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde.Saúde Suplementar é um conjunto de instituições privadas que oferece serviços de atenção à Saúde sob a forma de pré ou pós-pagamento (isto é. Ministério da Saúde. O SUS de a a Z: garantindo saúde nos municípios.

II. Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde. Programa de Formação de agentes Locais de Vigilância em Saúde . Rio de Janeiro: Fiocruz. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. v. 3. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Rio de Janeiro: Fiocruz. Organização Mundial de Saúde. v. Políticas de Saúde: a organização e a operacionalização do Sistema Único de Saúde. un. Brasília: 2002. ______. ______. O Território e o Processo Saúde-Doença. UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 67 . OPAS/OMS Organização Pan-Americana de Saúde. 2007. 2004. Rio de Janeiro: Fiocruz. Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde.1.PROFORMAR. mód.FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. 5. 2007.

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Apresentação dos trabalhos. quantitativa 2. 5. considerando-se viabilidade de execução. relacionando com a Bioética.Analisar o papel da pesquisa e sua aplicação em saúde e as etapas de elaboração de um projeto de pesquisa. IV.Pesquisa em Saúde Objetivo Reconhecer a importância da pesquisa enquanto ferramenta na produção de conhecimentos e no desenvolvimento profissional em saúde. 3.1. Tomar por referência as etapas para elaboração de projeto de pesquisa abordada no texto: Pesquisa Científica. no serviço ou na comunidade.Identificar as linhas de pesquisa em Saúde.Pesquisa Científica • Métodos: qualitativa. seus métodos.2. UNIDaDE IV Objetivos Específicos IV. Conteúdos 1. instrumentos.Debate sobre aspectos éticos e legais evolvidos na realização de pesquisas em saúde. adequação ao perfil de atuação do técnico. sobre tema pertinente às ações do técnico de enfermagem.Participação de oficinas de trabalho em grupos para elaboração de projeto de pesquisa.Levantamento de situações da vida cotidiana e profissional em que se utiliza a pesquisa 2. com destaque para o conceito de bioética. 4.Comitê de Ética em Pesquisa/CEP Método 1. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e avaliação de produto parcial da Unidade IV Sugestão de ações para estágio supervisionado: Pesquisa em anais de Congressos de Enfermagem sobre as pesquisas e trabalhos científicos realizados pela enfermagem. sob orientação do instrutor.Discussão sobre o conceito de pesquisa. Realização de pesquisa individual ou em grupos.Princípios éticos e legais • Bioética. contextualização à realidade do serviço e da comunidade. 4. relevância do tema. com análise dos projetos. Levantamento de Instituições que contam com a atuação de Comitês de Ética em Pesquisa. fontes.Projeto de pesquisa: etapas • O Tema • O Problema • A Hipótese • Os Objetivos • A Metodologia • O Orçamento 3. Sugestão de tema: Problemas de saúde mais comuns relacionados ao campo de atuação do técnico de enfermagem. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 69 .

Em saúde. Pesquisa Social: teoria. São frutos de determinada inserção no real. de S. a sociedade tem avançado em seu desenvolvimento e na aquisição de conhecimentos. As questões da investigação estão. a pesquisa deve ser vista como recurso na produção de conhecimentos. Na enfermagem. a pesquisa se intensifica a partir de 1970. Petrópolis: Vozes. processos de trabalho e construção de novos paradigmas. 1994. modificar ou intervir em uma dada realidade. Toda pesquisa se inicia com a formulação de um problema e o objetivo é encontrar a solução. gerando conhecimento científico e promovendo o crescimento tecnológico. Maria C. se não tiver sido. Segundo Minayo. literário. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. método e criatividade.ed. constituindo-se em ferramenta necessária à revisão de práticas. portanto. com a realização das primeiras defesas de teses que possibilitou à enfermagem maior credibilidade profissional.TExTO 8 Pesquisa Científica Movida pela curiosidade e. 3. Quando não temos problemas não somos instigados a 1 MINAYO. a pesquisa é considerada atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade. nada pode ser intelectualmente um problema. Ou seja. Portanto. em primeiro lugar. contribuindo para a promoção da saúde e do crescimento profissional. A pesquisa contribuiu substancialmente para o desenvolvimento de povos e nações. pela necessidade em conhecer melhor. um problema da vida prática. muitas vezes. relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente condicionadas. 70 PROMOçãO DA SAÚDE . Todos nós podemos ser pesquisadores na medida em que temos um problema e vamos à busca de conhecimentos para resolvê-lo. artístico etc. embora seja uma prática teórica. nele encontrando suas razões e seus objetivos1. a pesquisa vincula pensamento e ação. Pesquisa: Conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico.

a pesquisa envolvendo seres humanos deverá sempre tratá-los em sua dignidade. • ponderação entre riscos e benefícios. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 71 . O que se estuda é caracterizado pelo subjetivismo. Já a quantitativa trabalha com análise do ponto de vista estatístico. onde os fenômenos não são mensuráveis. Considera-se qualitativa aquela em que a análise é procedida por indução. não podendo o pesquisado ser utilizado como meio de satisfação de interesses de terceiros. mesmo não sendo pesquisadores. deduzir. Porém. Resolução 196/96 de 10 de outubro de 1996.pensar. pode ser quantitativa ou qualitativa. nos inúmeros questionamentos que se apresentam no cotidiano. Ser um pesquisador é exercer a capacidade que todos temos de reflexão. 16 de outubro de 1996. da ciência. • garantia de que danos previsíveis serão evitados (não maleficência). o princípio da justiça conduz à reflexão ética orientada pela garantia do respeito à dignidade humana na realização das pesquisas. A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. é necessário respeitar os princípios éticos e legais. 2 Conselho Nacional de Saúde. analisar. no que se refere ao método. quase que diariamente de forma intuitiva. comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos.2 Pesquise o número de estabelecimentos de saúde existentes no seu município. Ministério da Saúde. individuais ou coletivos (beneficência). (Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa). Além da metodologia para a realização da pesquisa. A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde estabelece que as pesquisas envolvendo seres humanos devem atender às exigências éticas e científicas fundamentais como: • consentimento livre e esclarecido dos indivíduos-alvo e a proteção a grupos vulneráveis e aos legalmente incapazes (autonomia). Em síntese. A pesquisa. o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos. conhecê-lo profundamente e desenvolvê-la segundo metodologia estabelecida. em que os fenômenos são medidos. Verifique também quantos são públicos e quantos são privados. na pesquisa científica precisamos definir o assunto a ser pesquisado. crítica. análise e criatividade. respeitá-los em sua autonomia e defendê-los em sua vulnerabilidade. Essa atividade praticamos. Diário Oficial da União. não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária (justiça e equidade). dos cientistas ou de interesses industriais e comerciais. tanto atuais como potenciais. • relevância social da pesquisa com vantagens significativas para os sujeitos da pesquisa e minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis. O bemestar das pessoas que se submetem a pesquisas deve sempre prevalecer sobre os interesses da ciência e mesmo da sociedade. Nesse sentido. quantificados.

evitando dupla interpretação. Para a pesquisa é necessária a indicação da teoria que a fundamenta.Da mesma forma. define que em toda instituição em que se realize pesquisa envolvendo seres humanos deverá ser criado o Comitê de Ética em Pesquisa/CEP. de conhecimento. portanto com acesso às fontes de consulta. Todo projeto de pesquisa necessita ser aprovado pelo CEP e no caso de pesquisa em grupos vulneráveis. É ele que desenha os cenários. A justificativa para a escolha do tema envolve a apresentação dos fatos e motivos que levaram a essa pesquisa. A elaboração de projeto de pesquisa consiste na descrição detalhada de todas as ações para aquilo que se pretende realizar. O Problema A revisão da literatura. É responder à pergunta: Por que fazer?. Todo problema precisa ser passível de solução. de caráter multidisciplinar e transdisciplinar. Nessa etapa. fornece clareza dos passos a serem seguidos e prevê situações que podem dificultar o seu desenvolvimento. deverá ser convidado um representante para participar da análise do projeto. ser de área de interesse do pesquisador. é fator essencial para a formulação do problema e deve estar dentro dos limites do pesquisador. 72 PROMOçãO DA SAÚDE . principalmente. É o planejamento da pesquisa. O Tema Para a definição do tema a ser pesquisado. tempo ou custos. analisar a viabilidade dos métodos e técnicas a serem utilizados. Construí-lo em forma de pergunta ajuda a identificar o que se deseja pesquisar. comunidades e coletividades. As etapas a seguir relacionadas devem ser cumpridas para a concretização do projeto. é necessário considerar sua relevância e possíveis contribuições e. Para a formulação do problema é necessário ter clareza e objetividade.

496. Nessa etapa estabelecemos resultados esperados. outras pesquisas e inclusive a intuição do pesquisador. os passos a serem dados. a Metodologia A metodologia da pesquisa indica o que será feito para se atingir os objetivos estabelecidos. mas unicamente a título de um princípio a partir do qual se pode deduzir um determinado conjunto de consequências. Ministério da Saúde. Os Objetivos Os objetivos estabelecem aonde se pretende chegar. Acesso em: 16 de março de 2009. articulando. Disponível em: < bvsms. cronograma de execução. O Orçamento O orçamento constitui-se em instrumento importante para a viabilização da pesquisa não descartando a possibilidade da necessidade de revisão ou cortes no decorrer da pesquisa. o que será utilizado e onde será realizada. (Brasil. 2008).br/bvs/publicacoes/contribuicoes_20_anos_ SUS. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 73 . ou seja. independentemente do fato de ser verdadeira ou falsa. O Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SCTIE) do Ministério da Saúde foi instituído no ano de 2000. os instrumentos utilizados. a população pesquisada.gov. a coleta de dados. qual o resultado final de sua pesquisa. Compreende a relação dos recursos necessários e seus custos estimados. Existem os objetivos gerais que oferecem uma visão ampla da pesquisa e os específicos que descrevem aspectos detalhados. como será realizada a análise dos dados e a forma do relatório. testável para o problema proposto. São enunciados em verbos no infinitivo e referem-se ao que é pretendido medir.pdf>. Conheça mais sobre as pesquisas fomentadas pelo SUS. e tem a missão de contribuir para o aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde (SUS).a Hipótese É uma possível explicação ou resposta. Pode ser colocada em forma de pergunta ou afirmação.saude. tecnologia e inovação em saúde. pelo Decreto nº 3. Para a sua formulação utilizam-se várias fontes como teorias. Todo modelo de instrumento deve ser anexado ao projeto. Hipótese: proposição que se admite. coordenando e induzindo o desenvolvimento de atividades de ciência. É o que antecipa a resposta ao problema. provar. Detalhamos de que forma.

Metodologia da pesquisa. Cadernos de Ética em Pesquisa. spe. Verificar se na sua instituição de trabalho existe pesquisa de satisfação do cliente. Traga o que você discutiu no trabalho e aprimore a proposta com auxílio do professor (a) e colegas de estudo. Disponível em: < bvsms. UFSC. Acesso em: 16 de março de 2009. Florianópolis. Rev. novembro de 1998. J. Ano I. E. ______. Departamento de Ciência e Tecnologia. ______. Tecnologia e Insumos Estratégicos. Textos Básicos de Saúde. Série B. scielo. n.   Disponível em: <http://www. CARDOSO.br/bvs/publicacoes/contribuicoes_20_ anos_SUS.   1993 . Conselho Nacional de Saúde.  Ribeirão Preto. aprimorar seus conhecimentos acerca de pesquisa. Pesquisa 1. BRASIL. Resolução 196/96 de 10 de outubro de 1996.br/scielo. Identifique no seu cotidiano situações problemas que poderiam ser pesquisadas e discuta com sua equipe de trabalho as possibilidades existentes para a realização de atividade científica. 2001. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Ministério da Saúde. Latino-Am.pdf>. Ministério da Saúde. Bibliografia ANGERAMI. Conselho Nacional de Saúde. Diário Oficial da União.gov.saude. Brasília: Ministério da Saúde. junto com colegas de estudo e com auxílio do docente.  v. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Quais são os dados levantados? Quais encaminhamentos são adotados? Você pode. 1. Secretaria de Ciência. Enfermagem. 2008. Disponível 74 PROMOçãO DA SAÚDE . S. 16 de outubro de 1996. Publicação da Conep. Acesso em: 18 de março de 2009. O desenvolvimento da pesquisa no Brasil. Pesquisa para saúde: contribuições aos 20 anos do SUS.  n.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11691993000300007&lng=en& nrm=iso>.referências bibliográficas É nesse item que serão relacionados os livros citados no projeto de pesquisa utilizando-se a orientação da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Administração. L.2.

Disponível em: < http://www.S.A.  n.  2004 . C.   Disponível em: <http://www. pesquisando e ensinando: acerca de significados e implicações da prática da enfermagem. LIMA.doc>. Rev.br/bioetica/normart.  v. Latino-Am.  Ribeirão Preto. Projeto de Pesquisa.pdf> . 4.ufpr. HEERDT. J..scielo. O projeto de pesquisa. B.br/~jiani/metodologia/pesquisa1. Diretrizes e Leis em Pesquisa em Saúde.php?script=sci_ arttext&pid=S0104-11692004000500015&lng=en&nrm=iso>. V. Cadernos acadêmicos ritter dos reis. Acesso em: 18 de março de 2009.campus2. Acesso em: 18 de março de 2009.M. Acesso em: 18 de março de 2009. R. E. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. L. Oct.ufrgs. Disciplina: Metodologia da Pesquisa Jurídica. MARTINS. 5.htm>. Acesso em: 18  de março de 2009. Porto Alegre: 2004. Pesquisa Científica.br/~nilce/metodolog. Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul. Normas. Disponível em: <http:// www.pdf>. Enfermagem. (org) et al. 12. unisul. R. HOUAISS. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 75 .br/scielo. GOLDIM. CARVALHO. Acesso em: 18 de março de 2009. O que é pesquisa? Disponível em: <http:// people.%20pesquisa%20cientifica. (org).edu.doc>.br/~ines/pccsi/O_Projeto de Pesquisa_2004B.uniritter. Acesso em: 18 de março de 2009. M.pucrs.pro.VILLAR. Cuidando. 2001. Disponível em: < http://www. Acesso em: 18 de março de 2009.ronaldomartins.br/w2/editora/downloads/Caderno_Academico-vol_4. CAREGNATO.br/materiais/didaticos/ProjetodePesquisa.doc>. Projeto de pesquisa: o que é e como se faz.em: <http://www. Rio de Janeiro: Objetiva. Disponível em: <http://inf. T.

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4.Debate sobre as consequências individuais e sociais da opção por práticas pedagógicas tradicionais ou problematizadoras.Educação e Saúde Objetivo Participar de práticas de educação em saúde tendo por referência os princípios da educação problematizadora.Leitura e discussão de texto: Educação e saúde na prática do técnico de enfermagem e debate sobre o papel do educador e do aprendiz em cada uma delas. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Sugestão de ações para estágio supervisionado: Observação e acompanhamento de práticas educativas realizadas no serviço. participação social e ética.1. grupos de discussão. 2.Reconhecer as práticas educativas mais comuns em saúde e seus princípios pedagógicos. em escolas ou na comunidade. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 77 . 5.Alternativas pedagógicas • Pedagogia tradicional • Pedagogia tecnicista • edagogia problematizadora P 2.Debate sobre a relação entre opção pedagógica e princípios de cidadania. UNIDaDE V Objetivos Específicos V.Pesquisa e observação das práticas educativas mais comuns em saúde (palestras. Conteúdos 1. 3.Práticas educativas em saúde Método 1. campanhas pelos meios de comunicação de massa).Análise das características de práticas educativas tradicionais. centradas na transmissão de informações e de práticas que favorecem a participação social e o empoderamento.

Reconhecer os princípios da Política de Educação Permanente.Política de Educação Permanente em Saúde: • rticulação de gestão. atenção.Planejamento de ações educativas com vistas à intervenção nos problemas de saúde identificados em sua área de atuação.Planejamento de atividades de educação em saúde: • Clientela • Conteúdo • Objetivos M • etodologia /técnicas de ensino • ecursos didáticos R • valiação da aprendizagem A • Carga horária Método 1.Objetivos Específicos V. Conteúdos 1. 2. 3.Apresentação dos trabalhos e debate sobre os aspectos conceituais e práticos da Política de Educação Permanente.Leitura e discussão do texto: Educação Permanente em Saúde.2. Objetivos Específicos V. SUS e Política Nacional de Humanização (PNH) Sugestão de ações para estágio supervisionado: Participar de atividades de Educação Permanente em Saúde em seu município/local de trabalho 78 PROMOçãO DA SAÚDE .Dramatização de propostas de educação em saúde para intervenção nos problemas de saúde em sua área de atuação com base nas pesquisas realizadas na unidade anterior. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Sugestão de ações para estágio supervisionado: Realização de atividades de educação em saúde no serviço ou na comunidade. 4. 2. formaA ção e controle social • orresponsabilidade dos profissionais C e serviços pelo cuidado e pela cura • osturas criativas de construção de coP nhecimentos referenciadas nas necessidades dos usuários • esenvolvimento conjunto de conheD cimentos.Planejar ações de educação em saúde.Pesquisa sobre os princípios que norteiam a Política de Educação Permanente e sua importância enquanto política pública. atitudes e comportamentos favoráveis ao cuidado em saúde Método 1. com destaque para as possibilidades de atuação do técnico de enfermagem.Pesquisa em grupos sobre a instituição da Política de Educação Permanente em seu município/Estado e em seu local de trabalho. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade V Integração Curricular: ÁrEa I Política Nacional de Saúde. Conteúdos 1. sobre tema pertinente às ações do técnico de enfermagem e considerando as pesquisas realizadas na unidade anterior.3.

seja na promoção da saúde. Entendemos que só podemos oferecer ao outro aquilo que conhecemos e que está internalizado em nós. propomos trazer situações rotineiras do nosso cotidiano em que desenvolvemos ações de educação em saúde.TExTO 9 Educação e Saúde na Prática do Técnico de Enfermagem No seu cotidiano de trabalho. podemos dizer que o profissional utilizou Volte ao período em que cursou o ensino fundamental. Para melhor entendimento das concepções pedagógicas. Cliente é admitido na unidade de internação com um quadro de hipertensão arterial sistêmica. deixou que a sua situação de saúde chegasse a esse ponto. não existe participação. a enfermagem desenvolve constantemente ações de educação. para a grande maioria. Frequentamos escolas e experimentamos modelos tradicionais de aprendizado. Procure se lembrar de seus professores e como era aprender. Desse modo. Pensemos numa situação hipotética A. médio ou mesmo o curso de auxiliar de enfermagem. guardadas as raras exceções em que nos sentimos respeitados e incluídos no exercício do aprender. O técnico de enfermagem. Nessa situação. Aprender. a atitude que tomamos na vida reflete as experiências vividas ao longo de nossa existência. Esta teoria pedagógica Paulo Freire chamou de educação bancária. a chamada bancária. entre elas. Discorre então sobre todos os cuidados a serem tomados para a manutenção da pressão arterial em níveis pressóricos normais. foi ou continua sendo um ato passivo. Por que em algumas aulas era prazeroso e fácil aprender? Em quais momentos o aprendizado era difícil? Por quê? A dificuldade estava relacionada a quê? UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 79 . vivencia essas experiências de educação e as reproduz como apreendeu nos bancos escolares. reportando-se à educação. recuperação ou reinserção do cliente na sociedade. e seu primeiro contato é com o técnico de enfermagem que o recebe e verifica os sinais vitais. cliente. O técnico questiona como ele. O docente transmite o conhecimento que detém e o aluno escuta. como participante da equipe. Em nenhum momento busca saber sobre as condições que fizeram com que a pressão arterial atingisse esses níveis. reflexão e seu conhecimento e suas convicções totalmente desconsideradas.

a pedagogia tradicional ou bancária. privilegiando a formação técnica. sua realidade e seus conhecimentos. sem que questionem porque fazem ou como fazem. críticas.br/index. afetivos. mas meros tarefeiros. mas também à pedagogia vertical do magíster dixit tradicionalmente praticada. pois é assim que acontece quando utilizamos esse método. sua participação pode ser muito ativa no executar e menos no pensar. A ação baseou-se essencialmente no aspecto técnico da realidade encontrada. 80 PROMOçãO DA SAÚDE . A intenção é transformar aquele que aprende e encaixá-lo na sociedade existente. constituindo uma prática pedagógica socialmente contextualizada. questionamentos. São profissionais que não sabem refletir sobre suas ações. não apenas à injusta estrutura social. uma meta. Muitas escolas preparam seus alunos dessa forma. Assim é a pedagogia tradicional. sua estória de vida. Acesso em: 21 de março de 2009. o processo educativo interativo favorece o intercâmbio de saberes e oferece os subsídios necessários para o crescimento de todos os participantes envolvidos e.php?option=com_glossary&fu nc=view&Itemid=82&catid=40&t erm=Magister+dixit>. socioeconômicos.Considerando-se que os indivíduos vivenciam diferentes contextos sociais. tornam as pessoas competitivas. Recebe o cliente e faz uma orientação extremamente cuidadosa e detalhada sobre a maneira adequada de cuidar da lesão. É uma pedagogia centrada em quem detém o conhecimento e da valorização dos conteúdos educativos. Disponível em: < http://buenoecostanze. o fazer pedagógico precisa estar fundamentado em uma abordagem interdisciplinar que possibilite a compreensão de aspectos cognitivos. podem ser atribuídos. propostas do educando não são contempladas. (Palestra Bordenave). Situação hipotética B O técnico de enfermagem recebe um paciente diabético que procura a Unidade Básica de Saúde para realizar curativo de uma lesão em seu pé. foram preparados para atingir um fim. Essa prática foi bastante utilizada durante o regime militar em que imperava a racionalidade e o aspecto mais importante relacionava-se à sua eficiência profissional e capacidade de produzir. Mais uma vez se desconsiderou o sujeito. chamada tecnicista ou do condicionamento. que executará todas as técnicas com grande maestria e cumprirá de forma eficiente suas tarefas. ou de falta dele. Dessa forma exercemos a prática educativa de maneira autoritária e paternalista. na América Latina. Indica soluções necessárias à assepsia.O mestre disse. individualistas. especifica os materiais necessários para a realização correta do curativo e o que deve ser observado no processo de cicatrização. (Metodologia da Problematização no Ensino em Enfermagem: uma reflexão do vivido no PROFAE/RS). ou seja. apresenta-se como um importante instrumento de transformação social. Em outras palavras. políticos e culturais. questionar técnicas. ou mesmo.adv. o cliente permaneceu calado e passivo. também chamada de transmissão. O que me impressionou muito foi que cada uma dessas opções pedagógicas produz efeitos marcadamente diferentes no individuo e na sociedade. Para o técnico é visível que a lesão está em precárias condições pela falta de cuidado. Portanto. não há interação entre sujeito/realidade/conhecimento. magíster dixit: Termo latino . Essa opção pedagógica. desse modo. Esse aluno provavelmente será um profissional habilidoso. Comprovei assim que muitos de nossos problemas de desenvolvimento.

da autonomia. O docente assume o papel de facilitador do processo ensino-aprendizagem e todos trocam experiências e conhecimentos. e a expressar seus entendimentos segundo suas percepções. O grupo passa a discutir os problemas encontrados. É quando constatam situações sociais. ou ainda segundo Paulo Freire.Bordenave). podemos dizer que assim todos aprendem. Esta pedagogia desenvolve o pensamento crítico e a capacidade da coletividade em transformar realidades. Na metodologia problematizadora o professor assume o papel de facilitador e não daquele que ensina e a construção do conhecimento é feita buscando o entendimento da realidade por meio de questionamentos e reflexões. sobre a experiência de amamentar. como aluno ou já profissional. Na primeira fase os educandos são convidados a observar uma dada realidade. Em seguida passam a discutir as prováveis maneiras de se solucionar os problemas apresentados. (Palestra . Havendo interação. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 81 . o contexto de vida e saberes de cada um se torna conhecido. agendando novo encontro para avaliação da aplicabilidade dessas soluções em sua realidade de vida. mas na relação social existente entre os atores. necessidades. O início do trabalho educativo se dá com o relato das mães para o grupo.Situação hipotética C O técnico de enfermagem trabalha na Unidade Básica de Saúde e faz parte de um grupo de orientação sobre aleitamento materno. que gente com pouca educação não compreende. É nessa troca rica de experiências que o saber coletivo é construído possibilitando a formação de sujeitos e a transformação social. Enquanto esta relação de superioridade-inferioridade não mudar. preferencialmente do seu cotidiano. A equipe que desempenha o papel de facilitadores estimula a participação para que surjam as situações problema. analisando criticamente cada situação e suas várias possibilidades. Essa opção pedagógica compreende várias fases. pedagogia libertadora. Os facilitadores trocam com o grupo as informações mais técnicas que podem subsidiar o entendimento de situações específicas. A solução estaria então em simplificar a linguagem? Não. Valendo-se do saber popular naquilo que um é rico o outro é pobre e viceversa. a incomunicação vai continuar. Trabalhar dessa forma é basear a prática educativa na pedagogia problematizadora. porque o problema básico não está na linguagem empregada. viveu situações como a apresentada no caso C? Pôde participar de atividades que julgou que estava ensinando e ao término da prática educativa percebeu que mais aprendeu do que ensinou? Esses profissionais costumam usar um vocabulário técnico. analisando aquela realidade concreta e chegando a um ou mais Você.

A construção do conhecimento a partir daí transforma-se numa realidade 82 PROMOçãO DA SAÚDE .. Transforma-se em prática de vida.br/PauloFreire/index. capacitando o oprimido tanto para a aquisição dos instrumentos de leitura e escrita quanto para a sua libertação fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados (http://www. art. A fase seguinte é de reflexão sobre o problema encontrado e suas possíveis causas.projetomemoria. onde logo cedo pôde experimentar as dificuldades de sobrevivência das classes populares. outras inexequíveis e assim passam a trabalhar com hipóteses pertinentes àquela realidade. o grupo irá aplicá-las à realidade. Pernambuco. não mais educativa.. mas a inserção do objeto de estudo em uma realidade mais ampla faz deles cidadãos com capacidade de transformar realidades. Conheça mais sobre esse educador em: http://www.art.Ele foi quase tudo o que deve ser como educador. Passa-se a identificar os pontos-chave do problema. livros. o que é verdadeiramente importante e passível de ação para a solução.. de análise e a capacidade de entender não somente o problema. O facilitador participa com perguntas buscando orientar a discussão. Paulo Freire . Na medida em que o entendimento e conceituação do problema são construídos os educandos se transformam em professores de si próprios. vai em busca de conhecimento para compreendê-las e torna-se criativo e inovador ao propor soluções ocorrendo assim uma mudança individual e coletiva. como vídeos.problemas. O uso do raciocínio.. o aluno participante desenvolve um olhar crítico às situações de vida. terceira fase.br/ PauloFreire/index. A teorização. Internet.A coragem de pôr em prática um autêntico trabalho de educação que identifica a alfabetização com um processo de conscientização. em Recife...jsp).Considera o ato de ler e aprender como condições para a cidadania autêntica e a transformação do mundo. depois de elencadas as soluções mais pertinentes.projetomemoria. A última etapa. A elaboração de soluções/hipóteses possíveis para resolver os problemas faz parte da etapa seguinte. Na pedagogia da problematização.jsp Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921. O facilitador pode utilizar estratégias para auxiliar na compreensão. de professor de escola a criador de idéias e “métodos”. Nesse processo a criatividade e a crítica devem ser estimuladas. filmes. . representa o estudo do problema. Para a teorização do problema as informações devem ser buscadas em outras fontes como palestras. textos. O facilitador contribui para a sistematização da discussão/estudo produzida pelo grupo podendo também levar contribuições teóricas sobre o assunto estimulando a busca de novos conhecimentos. uma das regiões mais pobres do país. Os educandos compreendem nesta fase que algumas soluções são viáveis.. .

C. Disponível em: <http://www.. a pedagogia da problematização como prática emancipatória da formação em enfermagem.social que propicia o desenvolvimento de um cidadão.br/regiocom/upload/File/Palestra-Bordenave. SCHAURICH.60. [online]. J. N. Consultor Internacional em Comunicação e Educação.pdf>.pdf>. B.F. Acesso em: 21 de março de 2009. A. SANTOS..pdf>. Propomos a você técnico de enfermagem. Bibliografia BERBEL. CABRAL.portalbvsenf. FARAH. 2007.interface. ALMEIDA. M. M. B.2 .pdf>. Esc.ucpel. I.nates..usp. Acesso em: 21 de março de 2009. Acesso em: 21 de março de 2009. RODRIGUES.eerp. B. D. a utilização da metodologia da Problematização no Curso Introdutório para Saúde da Família do Pólo de Capacitação da UFJF.222. jun. Disponível em: <200.org. M. O desenvolvimento de um comunicador para o desenvolvimento. A. Acesso em: 21 de março de 2009. A. que se utilize desta prática no seu cotidiano e seja um agente de transformação. Anna Nery.pdf >. Metodologia da problematização no ensino em Enfermagem: uma reflexão do vivido no PrOFaE / rS.. br/revista2/artigo3. S.171/PDF/a%20pedagogia%20da%20problematizacao. Acesso em: 21 de março de 2009. M. a problematização e a aprendizagem baseada em problemas: diferentes termos ou diferentes caminhos? Disponível em: <http://www.. D. vol. br/pdf/ean/v11n2/v11n2a21. PIERANTONI. Disponível em:<http://www. BORDENAVE. F. no. Entrevista. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 83 . R. T.ufjf. Disponível em: <http://antares.N.tche.br/novo/revista/pdf/v006n2/Pesquisa1.11. NERY.

considerando. exige uma compreensão e um acompanhamento contínuo que interfere nas práticas diárias dos serviços. seus determinantes e os princípios do SUS. sujeitos dinâmicos nesse processo. gestão e controle social em saúde. o desafio colocado aos trabalhadores é o de desenvolver ações para enfrentar a problemática de saúde/doença. com caráter de educação permanente. nos diversos níveis de atenção à saúde. no sentido de enfrentar as mudanças aceleradas e os desafios gerados no desempenho do trabalho. com o objetivo de garantir pessoal qualificado para a compreensão e intervenção intersetorial e. para a formulação de uma política de educação em saúde. Nessa lógica. é imprescindível pensar em estratégias e ações que possam garantir a qualificação dos trabalhadores. resultando num processo de reflexão e construção de inovações para uma política nacional de formação e desenvolvimento de profissionais de saúde. sobretudo. então. desenvolvidos na lógica da integralidade. baseados em situações reais e locorregionais. integrante do cotidiano do sistema de saúde. nos diferentes cenários do SUS. A complexidade com que se dão esses processos. 84 PROMOçãO DA SAÚDE . Para o fortalecimento dessas ações faz-se necessária a utilização de potencialidades individual e coletiva do conjunto de atores. Esse contexto de produção de saúde acena. O desenvolvimento de uma política de educação em saúde deve reunir educação. segundo estratégias de promoção da saúde como qualidade de vida.TExTO 10 Educação Permanente em Saúde No processo de trabalho em saúde.

Pensar problematicamente é colocar perguntas no lugar de respostas. ou uma comunidade ampliar sistematicamente sua capacidade de realização. Tais diretrizes têm como referência as necessidades dos usuários. Alteridade – qualidade do que pertence ao outro. Un. ligações com a sociedade civil). I. Problematização – movimento de tensionar. formação e controle social com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas. (BRASIL. Devemos considerar que somos todos educadores em saúde. empreender ações. o que é ou está no outro. onde o aprender e o ensinar se incorporam no cotidiano das organizações desse trabalho. práticas profissionais. 2005 a). Articula gestão. que são extremamente dinâmicas. de perguntação e de implicação. pertencente ao mundo dos movimentos. voltados para o desenvolvimento conjunto/coletivo de conhecimentos. educação em serviço.996 . negociar e pactuar com outros atores sociais a favor do bem comum. bem como a luta por um desenho orientado pelas complexidades locais e pela responsabilidade dos profissionais e serviços pelo cuidado e pela cura. Ela aciona movimentos de estranhamento. de desacomodação. resultando em aumentos de potências. social e historicamente construídas. I. Empoderamento – é a condição de uma pessoa. estruturadas a partir da problematização. das populações e tenham como objetivo a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho. onde a aprendizagem é interpretada como atividade inventiva. um grupo social. produzindo saúde e produzindo sujeitos implicados na produção de saúde. Ser outro. Traz em seu arcabouço ênfase no ensino e na cidadania. é instituído no Brasil por meio da Portaria Ministerial nº 198. serviço) e cidadania (controle social. Propõe que os processos de formação dos trabalhadores de saúde tomem como referência as necessidades de saúde das pessoas. mediante o processo de empoderamento. singular em cada caso ou realidade. é editada a Portaria Ministerial nº 1. colocar-se ou constituir-se como outro. Faz-se necessário que todos os profissionais de saúde participem dos processos de educação permanente em saúde e sintam-se corresponsáveis por este processo. incentivando o assumir de posturas criativas de construção de conhecimentos. a Política de Formação e Desenvolvimento para o SUS: Caminhos da Educação Permanente em Saúde. A Educação Permanente em Saúde sugere e qualifica uma ligação orgânica entre o ensino (educação formal. inventor de novidade.Em 2003. o trabalho (gestão setorial. pois a educação em saúde se dá nas relações cotidianas e é parte integrante dos processos de trabalho em saúde. com a aprovação do Conselho Nacional de Saúde. é uma atividade da educação problematizadora.É a aprendizagem no trabalho. atenção. Educação Permanente em Saúde (EPS) . 2003). Em 2006. entre o saber anterior. BRASIL. atitudes e comportamentos favoráveis ao cuidado em saúde. alteridade com os movimentos populares.2003. Mód. práticas participativas. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 85 . educação continuada). Ambos os documentos são referência para a definição do campo de saberes e práticas da Educação e Ensino da Saúde. (PROFORMAR.Política de Educação Permanente em Saúde. prévio e a experiência presente.

que se movimentam em direção a um projeto de vida libertador. como no ambiente familiar. • Interagir conscientemente com os sujeitos sociais (indivíduos. na sala de aula. Carta de Ottawa – Documento resultante da 1ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. participar de práticas educativas na lógica da educação permanente em saúde. 86 PROMOçãO DA SAÚDE . faça uma discussão sobre sua experiência na participação em treinamentos/capacitações no serviço e aponte o que foi considerado de importante no desenvolvimento deles.Torna-se necessário repensar a Educação em Saúde sob a perspectiva da participação social. É um componente que está presente desde a Carta de Ottawa. Em grupo. podendo ocorrer espontaneamente ao longo de toda a vida. instituições e grupos) que ativamente podem fazer a diferença. na escola. cabem ao técnico de enfermagem e demais profissionais de saúde. ocorrida em 1986 no Canadá. de relacionar-se emocionalmente com os fatos da vida. Dessa forma. • Contribuir para que as populações reconheçam as situações de risco à saúde nas quais estão envolvidas. na rua. pensar intelectualmente sobre o que nos cerca. na igreja. devendo incluir entre seus objetivos de trabalho a intenção de: • Partilhar conhecimentos sobre saúde. acontecendo em lugares sociais. utilizando-se de metodologias ativas. no trabalho. compreendendo que as verdadeiras práticas educativas só têm lugar entre sujeitos sociais e considerar que a Educação em Saúde é uma estratégia para a constituição de sujeitos ativos. contemplando o universo dos processos de trabalho e as vivências acumuladas. Significa que o técnico de enfermagem também tem responsabilidades pelas ações educativas da equipe de saúde. • Educar é um processo por meio do qual se criam formas de perceber a realidade. conceber novas alternativas de interferir na realidade e ainda. Levar a prática educativa para o cotidiano do processo de trabalho do técnico de enfermagem pressupõe considerar que: • Todas as relações sociais são potencialmente educativas.

• Avaliação – verificação se os objetivos propostos foram ou não contemplados. São Paulo. metodologia. R. SãO PAULO. C. Manual para Operacionalização das ações Educativas no SUS. Porto Alegre. BRASIL. bem como indica a necessidade de novas ações de diagnóstico. • Plano de ação – determina os objetivos. Ministério da Saúde. Educação e Saúde. B. Após a execução. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 87 . et. • Execução – operacionalização do plano de ação. Secretaria de Estado da Saúde. além de identificar os resultados alcançados também fornece subsídios para a reprogramação das ações.Nessa perspectiva. população alvo. EPSJV. 2007. sua discussão. 2005. v. a Estratégia Saúde da família como Objeto de Educação em Saúde. flexível e ordenadas.6. análise. Educação em Saúde. Ministério da Saúde. B. Identifique juntamente com sua equipe de trabalho. Bibliografia BESEN. um problema de saúde que esteja ocorrendo na sua área de trabalho e elabore um plano de ação educativa. 1997. interpretação e o estabelecimento de prioridades. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário. podendo ser reavaliadas e reformuladas durante o processo. Trabalho. Deve iniciar-se na etapa de diagnóstico e acompanhar todas as fases do planejamento. Santa Catarina: 2007. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz. é fundamental que as ações educativas sejam planejadas de forma participativa. al. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz. ______. a avaliação. recursos e cronograma de atividades. 2008-9. CECCIM. O planejamento prevê as seguintes fases: • Diagnóstico – compreende a coleta de dados.

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O SUS no Estado de São Paulo .

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UNIDaDE I Objetivos Específicos I. 2.3. cobertura. 3. secundário.Analisar as competências dos níveis federal. estadual e municipal na gestão do SUS e na execução das ações e serviços de saúde.Níveis de Gestão do SUS: • Ministério da Saúde • Secretaria de Estado da Saúde • Secretaria Municipal de Saúde Método 1. Conteúdos 1. 3.O SUS no Estado de São Paulo Objetivo Reconhecer a estrutura do SUS no Estado de São Paulo e o papel da Secretaria de Estado da Saúde (SES) na coordenação do sistema de saúde no âmbito estadual. UNIDADE I – O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO 91 . 2.Caracterizar a estrutura da rede de serviços do SUS em seu município/Estado.Debate sobre as características da rede de serviços no que se refere a acesso. resolutividade. terciário e quaternário). estadual e municipal na gestão do SUS.Pesquisa sobre as competências dos níveis federal. I.Conhecer o Plano Estadual de Saúde e seus eixos prioritários. com base na leitura do texto anterior.Rede de Serviços do SUS: • Atenção Primária à Saúde: Unidades Básicas de Saúde e Estratégia de Saúde da família • Rede de Serviços de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar I. 1.Debate sobre as propostas do Plano Estadual de Saúde do Estado de São Paulo. 4.Leitura e discussão do texto: O SUS no Estado de São Paulo.Apresentação dos trabalhos com sistematização das competências dos três níveis de gestão do SUS.O Plano Estadual de Saúde do Estado de São Paulo – PES • Eixos Prioritários avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade I Integração Curricular: ÁrEa I Política Nacional de Saúde Sugestão de ações para Estágio Supervisionado: Pesquisa sobre os processos de organização dos serviços de saúde locorregionais e das ações de saúde implantadas no município.1.Apresentação dos trabalhos e classificação dos serviços conforme a complexidade das ações de saúde oferecidas e dos recursos tecnológicos necessários (níveis primário.Pesquisa em grupos para levantamento da rede de serviços do SUS disponíveis em seu município/Estado. 1. considerando-se o perfil epidemiológico e demográfico no município/Estado. 2.2.

pela sua localização geográfica e seu desenvolvimento econômico.9% e a feminina 29. Conjunto de objetivos que dão forma a determinado programa de ação governamental e condicionam a sua execução.623 habitantes. com uma estimativa.3%). Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa). O Estado de São Paulo. político e cultural. a população no Estado de São Paulo. passando de 2.TExTO 11 O Sus no Estado de São Paulo Política: Arte de bem governar os povos. As políticas públicas de saúde no Brasil estão substanciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). com uma extensão territorial de 248. Tem uma situação privilegiada no contexto brasileiro. e representa um dos mais importantes projetos sociais já lançados no mundo.5% da população da Região Sudeste. Assegurando os princípios da universalidade. na faixa etária menor de 1 ano.8 %. esta taxa foi de 14. o SUS contribui de forma significativa para melhorar os indicadores de saúde e a qualidade de vida da população.4 para 3. segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2007. Sistema de regras respeitantes à direção dos negócios públicos. Sua divisão territorial jurídico-administrativa é de 645 municípios. No período de 1991 a 2004.663. desempenha papel importante nas políticas públicas de saúde. de uma população de 41.5 milhões de idosos. a faixa etária com maior taxa média anual de crescimento foi a acima de 60 anos (47.209. A população masculina registrou aumento de 26. 15 regiões administrativas de governo e 17 regiões de saúde. as Políticas de Saúde do Estado de São Paulo O Estado de São Paulo situa-se na região sudeste do País. com grau de urbanização de aproximadamente. Em 2005.43 km². integralidade e equidade no atendimento aos cidadãos brasileiros. observa-se um aumento progressivo da esperança de vida da população. seguindo os princípios do SUS. (AURÉLIO. 95% do total da população do Estado. consolidando-se como Estado de referência para as questões de saúde.1%. no período de 1991/2005. criado pela Constituição Federal Brasileira. em 1988. Princípio doutrinário que caracteriza a estrutura constitucional do Estado. Em relação ao perfil populacional. Em São Paulo. 92 O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO . representava 51.

além de responsabilizar-se pela média e alta complexidade. executa vigilância sanitária e epidemiológica. era de 2. reorganizados agora. Ainda. garante fornecimento de medicamentos para Estados e municípios por intermédio da Fundação para o Remédio Popular (FURP). O gestor estadual avalia e acompanha as atividades desenvolvidas pela esfera municipal.2%. Com a instituição do SUS e o movimento de descentralização dos serviços. em 2000.5 para 73. Compromisso expresso não só no Plano Estadual de Saúde. 32% dos gastos de ressonância magnética e 38% de tomografia computadorizada do país. mas em espaços regionais de negociação e pactuação. o SUS-SP.4 anos. que obedece diretrizes fundamentais que garantem o acesso às ações e serviços de saúde a todos que vivem ou transitam pelo território paulista e a promoção da equidade em um sistema ainda significativamente desigual. e produz. no Instituto Butantã. produz e distribui fármacos e imunoderivados. o SUS/SP realizou 29% das internações de cirurgias oncológicas.05. onde estão as principais unidades de referência nacional. novamente. questionar a eficácia sistêmica. É nesse contexto que se desenvolvem. a capacidade de atuar de forma integrada e cooperativa da SES-SP. A intensa mobilização desencadeada por esses processos resultou num grande compromisso público assumido pela SES-SP com a sociedade. agora difundido não mais em novas estruturas administrativas.o número médio de anos de vida aumentou em 7. Esperança de vida ao nascer – indicador que mensura a probabilidade de tempo de vida média da população residente em determinado espaço geográfico. ginecologia e pré-natal e outras – e pela garantia da universalidade no acesso. 52% das internações de transplantes. Taxa de Fecundidade Total – número médio de filhos vivos tidos por uma mulher ao final do seu ciclo reprodutivo residente em determinado espaço geográfico e ano considerado. UNIDADE I – O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO 93 . A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. os municípios passaram a ser responsáveis pela garantia do primeiro nível de atenção à saúde dos cidadãos – vacinação. como protagonista do processo de construção do SUS-SP. em torno de 64 Colegiados de Gestão Regionais. mas também num amplo e inclusivo pacto. Uma delas gerencia uma máquina extremamente diversificada que presta serviços de média e alta complexidades. Todo esse processo. O Estado de São Paulo apresenta a maior e mais complexa rede de atendimento em saúde do País. consolida seu papel como gestor estadual caracterizado por duas vertentes. no ano considerado. veio. oriundos das Políticas do Pacto pela Saúde. investiga e produz conhecimento em saúde coletiva. mais da metade das vacinas e soros distribuídos no país. a partir de 2007. A outra se vincula à gestão de um sistema de saúde altamente complexo. consulta médica básica em pediatria. A Taxa de Fecundidade Total (TFT). o Pacto de Gestão pela Saúde e o Plano Estadual de Saúde. estabelecido entre a SES-SP e os gestores municipais. passando de 68. Em 2006. do governo federal.

incluindo os procedimentos de maior complexidade.O Plano Estadual de Saúde do Estado de São Paulo – PES O Plano Estadual de Saúde de São Paulo foi elaborado no contexto do Pacto pela Saúde – 2006. no Estado de São Paulo. a serem enfrentados pelo PES. definidas no Plano Nacional de Saúde e no Pacto pela Saúde. nas regiões geográficas ou em grupos populacionais que ainda não dispõem adequadamente de assistência de média e alta complexidade. Os principais desafios da política de saúde no Estado de São Paulo. desenvolvendo sua capacidade de planejamento e gestão. com redução das desigualdades regionais e aperfeiçoamento da qualidade das ações de saúde. compartilharam enredos. • Criar mecanismos de acesso a serviços e ações de saúde. Ampliação do acesso da população. definiram estratégias e agiram para construir melhores cenários. e as estaduais. praticamente conquistada na atenção básica ou primária. integradores e resolutivos. O PES-SP criou nove Eixos Prioritários. • Fortalecer a SES-SP em seu papel coordenador do sistema de saúde. para incorporar a análise da situação de saúde. São eles: 1. por meio de avanços na gestão. as prioridades nacionais. 94 O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO . fundamento de todo o sistema de saúde e essencial para reduzir as desigualdades. no âmbito estadual. hierarquização e investimentos do SUS. para o SUS-SP. regionalização. são: • Aperfeiçoar a universalidade da atenção à saúde. reconhecidas pelo governo de São Paulo. por meio da elevação da qualidade das ações. nos quais os atores identificaram os problemas e potencialidades em saúde. ainda encontradas na situação de saúde da população. o conhecimento técnico acumulado sobre os principais problemas do SUS. desenhado em bases regionais. focalizaram prioridades. mais inclusivos.

Incentivo ao desenvolvimento de ações de promoção de saúde. 6. mas repleto de possibilidades. 2008. prestando conta à sociedade. Secretaria de Estado da Saúde. os trabalhadores e usuários conhecerem e se apropriarem dessas políticas e estratégias para efetivar ações de saúde de qualidade e resolutas. Bibliografia SãO PAULO. Com base no Plano Estadual de Saúde – 2008/2011. devem planejar e executar suas políticas de saúde. Fortalecimento da participação da comunidade e do controle social na gestão do SUS. 7. UNIDADE I – O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO 95 . e. 4. Tecnologia e inovações em saúde. que os gestores de forma solidária. Plano Estadual de Saúde 2008-2011. de um instrumento para o aperfeiçoamento da gestão estadual. Fortalecimento e aperfeiçoamento da capacidade de gestão estadual. O POA 2008 não é estático.2. Redução da mortalidade infantil e materna. de fato. apresenta limitações que devem ser aprimoradas pelo próprio processo de discussão e implementação com a convicção de que se trata. doenças e agravos prioritários. 8. são elaborados os Planos Operativos Anuais (POA). 5. Gestão da Educação e do Trabalho. São Paulo: SES-SP. Desenvolvimento de serviços e ações de saúde destinados aos segmentos populacionais mais vulneráveis aos riscos de adoecimento ou aos portadores de necessidades específicas. São Paulo. 20 anos do SUS São Paulo. 3. 9. 2008. É nesse cenário desafiador. ______. Controle de riscos.

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atenção à Saúde Mental no SUS .

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A saúde mental no SUS
Objetivo
Reconhecer a Política Nacional de Saúde Mental e seu contexto histórico.

UNIDaDE

I

Objetivos Específicos
I.1- Analisar o contexto histórico da loucura e da Reforma Psiquiátrica no Brasil

Conteúdos
1- Contexto histórico da loucura e do tratamento psiquiátrico 2- Reforma psiquiátrica no Brasil: • Desospitalização • Luta antimanicomial

Método
1- Debate sobre a situação dos doentes mentais e do tratamento psiquiátrico no País e no Estado, com destaque para o estigma da loucura. 2- Pesquisa sobre a história da loucura e da psiquiatria e sobre o movimento da Reforma Psiquiátrica. 3- Apresentação dos trabalhos com sistematização sobre os princípios da reforma psiquiátrica e da Política de Saúde Mental do País e no Estado. 4- Leitura e discussão do texto: O contexto histórico da loucura e da Reforma Psiquiátrica. 1- Levantamento da rede de atenção à saúde mental em seu município/Estado e suas características. 2- Apresentação dos trabalhos com sistematização dos níveis de complexidade da rede de atenção à saúde mental e itinerário terapêutico. 3- Leitura e discussão do texto: Rede de atenção aos portadores de transtornos mentais. 4- Debate sobre avanços e desafios na implementação da política de atenção à saúde mental em seu município/Estado.

I.2- Caracterizar a rede de atenção aos portadores de transtornos mentais

1- Política Nacional de Saúde Mental 2- Rede de atenção aos portadores de transtornos mentais • entros de Atenção C Psicossocial (CAPS, CAPSi e CAPSad) • Itinerário terapêutico • rogramas: De volta para casa, P Desospitalização, e Luta antimanicomial

avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade I Integração Curricular: ÁrEa I Política Nacional de Saúde, SUS e Política Nacional de Humanização (PNH) Sugestão de ações para Estágio Supervisionado: Pesquisa sobre a inserção da atenção à saúde mental nos processos de organização dos serviços de saúde locorregionais.

UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS

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TExTO 12 O contexto histórico da loucura e da reforma psiquiátrica

Durante muito tempo a assistência às pessoas com transtornos mentais foi organizada conforme o modelo baseado na internação e afastamento do convívio social, em instituições com características manicomiais e tratamento fundamentado na medicalização, desconsiderando-se totalmente os fatores psicossociais e direitos relacionados à sua cidadania. Conforme veremos adiante, essa situação mudou muito, sendo resultado de movimentos que foram ganhando força a partir da Reforma Sanitária, que propunham a extinção progressiva dos manicômios e a organização da atenção baseada no modelo da promoção de saúde. As instituições abertas, como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Convivência, unidades de Saúde Mental em hospital geral, são alguns recursos que foram criados para assistir às pessoas com transtornos mentais. Novas demandas surgem com esse novo cenário, dentre elas, a necessidade de capacitar os profissionais inseridos nos diversos níveis de atenção à saúde, considerando-se que a assistência secularmente realizada em hospital psiquiátrico passa a ser realizada na rede de saúde, tendo como porta de entrada as Unidades Básicas de Saúde/Estratégia de Saúde da Família (ESF). É premente que a equipe de saúde esteja preparada para minimamente reconhecer o portador de transtornos mentais, prestar atendimento e agir de forma adequada em situações de crise. Lembramos que ao atender um cliente é importante estimularmos suas potencialidades e, também, conhecermos sua realidade e suas vivências, para a individualização dos cuidados. Porém, quando recebemos uma pessoa tida como “diferente”, nem sempre atentamos para os “pré” conceitos existentes, que, muitas vezes, são reflexos da nossa história de vida.

Segundo dados epidemiológicos, os transtornos mentais e comportamentais afetam universalmente 25% da população em uma determinada fase da vida. Estão presentes em 10% da população adulta e em 10% a 20% de crianças e adolescentes (Relatório sobre a saúde no mundo, 2001). O uso prejudicial de álcool e outras drogas acomete grande parte da população, em especial o do primeiro, cuja dependência afeta 11,2% da população brasileira, seguido pelo tabaco (9%), benzodiazepínicos (1,1%), maconha (1%) e os solventes (0,8%).
(CEBRID, I Levantamento domiciliar sobre o uso de psicotrópicos, 2002). (SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SãO PAULO. 20 anos do SUS São Paulo, 2008).

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ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS

Propomos, então, discussões para a revisão de conceitos e, assim, contribuir para a humanização do atendimento nos serviços de saúde, independentemente do nível de atenção, bem como, para a promoção da cidadania dessas pessoas.

Um bom exemplo de como é difícil saber lidar com o incomum consta do livro O Alienista, de Machado de Assis, que retrata o dilema “quem é/está louco?”. Sabemos que o “desafio” de cuidar desses clientes pode se transformar em um gratificante aprendizado.

Compreendendo a história da loucura: uma viagem através dos séculos1
Quando você escuta a palavra LOUCURA, o que vem à sua mente? Não raras as vezes quando fazemos esta pergunta a diversos grupos de pessoas, costumamos escutar definições relacionadas a temas como: o louco é alguém que é “agressivo”... “perigoso”...; ou ainda, “lugar de louco é no hospício”; “eu morro de medo de encontrar um ‘doido’ pela rua”... “temos que chamar a polícia”!!! É ou não assim que, muitas vezes, pensamos ou escutamos as pessoas se referirem aos doentes mentais? Pois é!!! Contudo, você sabia que nem sempre foi assim? Alguma vez você já parou para pensar que em outros tempos e lugares “os loucos” não tinham que ser presos em manicômios e/ou afastados da sociedade? Sabia que o próprio nome “loucura” é algo bem mais recente do que geralmente pensamos ser? E que as noções de periculosidade e incapacidade são construções que mais têm a ver com interesses econômicos do que com a realidade dos fatos? Diversos estudos nos revelam que a loucura nem sempre foi vista sob o olhar da medicina e da psicologia. Um tema, hoje tão controverso, foi objeto das mais variadas explicações, passando desde o campo da mitologia até o da religião. Na Grécia Antiga, o “louco” era considerado uma pessoa com poderes

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ALVES, C. F. O. Texto n. 1. Compreendendo a história da loucura: uma viagem através dos séculos. Guia Curricular Área III. Participando do processo de recuperação da saúde individual em situações clínicas, cirúrgicas e de emergências. Primeira unidade - Participando da Assistência à Saúde Mental. Escola Técnica de Saúde Profª Valéria Hora. UNCISAL. Maceió. Alagoas, 2007.

UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS

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diversos. O que dizia era ouvido como um saber importante e necessário, capaz de interferir no destino dos homens. A loucura era tida como uma manifestação dos deuses, sendo, portanto, reconhecida e valorizada socialmente. Não havia necessidade de seu controle e/ou exclusão. No início da Idade Média, a loucura era vista como expressão das forças da natureza ou algo da ordem do não-humano. Era exaltada, num misto de terror e atração. Mais tarde, era tida como possessão por espíritos maus, os quais precisavam ser expulsos mediante práticas inquisitoriais, sob o controle da Igreja. Com o emergir do Racionalismo, época em que houve uma grande valorização do pensamento científico racional, a loucura deixa de pertencer ao âmbito das forças da natureza ou do divino, assumindo o status de desrazão (ou falta de raciocínio racional), sendo o “louco” aquele que transgride ou ignora a moral racional. Neste contexto, surge a associação com a periculosidade, visto que, uma vez desarrazoado, representa o não-controle, a ameaça e, por conseguinte, o perigo. A loucura ganha um caráter moral, passando a ser algo desqualificante, e que traz consigo um conjunto de vícios, como preguiça e irresponsabilidade. Atrelado a isto, no século XVII, com o Mercantilismo, predominava o pressuposto de que a população era o bem maior de uma nação, devido ao lucro que podia trazer por meio do trabalho. Daí, todos aqueles que não podiam contribuir para o processo de produção, comércio e consumo, começam a ser excluídos do convívio social e encarcerados, sob a prerrogativa do controle social a tudo que fosse desviante. Velhos, crianças abandonadas, aleijados, mendigos, portadores de doenças venéreas e os loucos passam a ocupar verdadeiros depósitos humanos. Foi aí que surgiram os primeiros Hospitais Gerais com o intuito de servir de depósito para aqueles que deviam ser isolados da sociedade “sã” e “produtiva”. Mais tarde, com o início da Revolução Francesa (1789), os ideais de ‘Liberdade, Igualdade e Fraternidade’ preconizaram um movimento de reabsorção, pela sociedade, destes excluídos. Os loucos continuaram presos, só que, agora, sendo denominados de doentes mentais. Foram criados, então, hospitais próprios para os doentes mentais, denominados de manicômios, cujas carac-

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ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS

terísticas principais eram o isolamento e o tratamento baseado em punições e castigos, pois se acreditava que só assim poder-se-ia curar o ”louco” de sua alienação. A ação agregava noções de cuidado e de castigo, sendo o doente mental destinado ao isolamento e à punição. Foi nesse período, marcado pela luta dos direitos de cidadania e de valorização do homem, que surge na França, Phillipe Pinel, médico criador de proposta humanitária para os portadores de transtornos mentais, proposta essa que, aliada à prática da docência, trouxe inovações clínicas, notadamente sobre os estudos da influência de tóxicos nas alterações do comportamento e a conceituação de esquizofrenia, dentre outros. Jean Martin Charcot, médico e contemporâneo de Pinel, realizou estudos sobre histeria e o tratamento baseado na hipnose. Nessa época, Freud dedica-se à teoria da psicanálise, sendo pioneiro nessa área.

Freud (1856 – 1939) é considerado um dos maiores pensadores do século 20. Médico neurologista, dedicou-se aos estudos da mente humana e sua estrutura, que a partir de longa prática clínica, consolidou a teoria conhecida como Psicanálise. É um método de tratamento para perturbações ou transtornos psíquicos, largamente utilizado no mundo todo.

a reforma psiquiátrica: um novo capítulo na construção de cidadania para o portador de sofrimento psíquico2
Como já vimos anteriormente, o “louco”, depois denominado de doente mental, representou uma associação de perigo e irrecuperabilidade. Entretanto, com o início do século XX e as primeiras tentativas de discussão do papel do manicômio no tratamento da loucura, perceberam-se diversas manifestações, em diversos lugares do planeta, na tentativa de promover uma mudança radical neste modelo excludente e preconceituoso. A princípio, os movimentos diziam respeito apenas à busca pela humanização nos hospícios. Partia-se de uma crítica à estrutura de isolamento asilar, vista como responsável pelos altos índices de cronificação que, por ser o mani-

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ALVES, C. F. O. Texto n. 2. “A Reforma Psiquiátrica: um novo capítulo na construção de cidadania para o portador de sofrimento psíquico”. Guia Curricular Área III. Participando do processo de recuperação da saúde individual em situações clínicas, cirúrgicas e de emergências. Primeira unidade - Participando da Assistência à Saúde Mental. Escola Técnica de Saúde Profª Valéria Hora. UNCISAL. Maceió. Alagoas, 2007.

UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS

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portanto. perfeitamente convencido da impossibilidade de reformar o manicômio. superado e questionadas as suas finalidades num contexto mais geral das instituições sociais (BASAGLIA apud AMARANTE. também nos anos 60. dizendo respeito ao sujeito. deve ser combatido. uma vez que havia se afastado de sua finalidade. Outros movimentos. além do domínio da psiquiatria. torna-se-lhe evidente que o manicômio é um lugar de segregação. vendo-a como algo inerente à condição humana. deveria ser urgentemente reformado. Suas propostas encontram fortes reações do poder político local. optassem em dar alta coletiva aos pacientes e. Basaglia assume a direção do Hospital Psiquiátrico de San Giovanni. na década de 60. fato que fez com que os técnicos do hospital. também convencidos da inviabilidade manicomial. que teve como precursor o médico Franco Basaglia. sobretudo. Em 1971. negado. à comunidade e aos demais atores sociais. assim como 104 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Tal movimento. em Trieste. mas. à família. no início da década de 50. isto é. foi na Itália que surgiu o movimento que marcou definitivamente a mudança de rumo. 1992). e o da Antipsiquiatria. que tem por objetivo a desconstrução do aparato manicomial. Dá-se início a um projeto mais sólido de desinstitucionalização. não nega a existência da doença mental. em seguida. antes propõe uma nova forma de olhar e cuidar da mesma. nos Estados Unidos. O movimento de desinstitucionalização da psiquiatria italiana inicia-se a partir da experiência de Franco Basaglia na direção do Hospital Psiquiátrico de Gorizia (1961 a 1968). ocorrido na Inglaterra. utilizando algumas contribuições do modelo das Comunidades Terapêuticas. de violência e morte. o qual. na visão social acerca do fenômeno da loucura.cômio uma instituição de cura. denominado de Psiquiatria Democrática (1961). Entretanto. sendo rechaçadas. não só na assistência hospitalar. o da Psiquiatria Comunitária. pedissem demissão em massa. como o das Comunidades Terapêuticas. indicavam a necessidade de transformações mais radicais no modelo de assistência ao portador de sofrimento psíquico. Com o trabalho nesta instituição.

incapacidade. tendo em vista a promoção da cidadania e bem-estar social àqueles que padecem de sofrimento psíquico. Basaglia parte. no qual a loucura tem sido revisitada e novas construções têm sido feitas.de toda a lógica de segregação que lhe é implícita. a própria estrutura social teria que promover a revisão de valores e práticas institucionais excludentes. voltando toda a atenção ao sujeito. fundamentalmente. da premissa de que deveria ser produzido um novo imaginário social para a loucura. A instituição psiquiátrica deveria ser negada. de forma que hoje. se resumida a um de seus aspectos. com toda a sua cultura de exclusão. buscando-se substituir os serviços e tratamentos oferecidos pela lógica hospitalocêntrica. mas como uma pessoa. Estas noções influenciaram grandemente diversos outros países. enquanto saber e poder. dentre outros. permitindo sua inserção como mais um dos diversos aspectos da vida do sujeito. de forma a gerar uma nova relação entre o “louco” e a sociedade. por intervenções que visassem a reinserção social do sujeito no pleno exercício de sua cidadania. Tratava-se de uma tentativa de colocar a doença entre parênteses. preguiça. por meio de um trabalho interdisciplinar e psicossocial. a reforma psiquiátrica no Brasil O início do processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil é contemporâneo aos acontecimentos do processo de redemocratização do País e ao mo- UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 105 . vivenciamos importante momento histórico. considerando sua complexidade. Sujeito este que passa a ser considerado não apenas como um doente. mas retirá-los do primeiro plano. nem muito menos o sofrimento vivenciado pelo sujeito. que não poderia ser abordada em sua totalidade. que a desvinculasse dos conceitos de periculosidade. no Brasil. Tal postura não intentava negar a existência da doença. Além disso.

Neste contexto.O ano de 1978 costuma ser identificado como o de início efetivo do movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos em nosso País. centros de convivência. novembro de 2005. que formam uma rede de serviços para o atendimento da demanda psiquiátrico-psicológica de uma determinada região geopoliticocultural. não sendo apenas uma retórica. dentre outros. surgem as primeiras leis em vários Estados brasileiros que determinam a substituição progressiva dos leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. OPAS. sindicalistas. visto anteriormente. Brasil. surge neste ano. são criadas cooperativas. Brasília. Entretanto. Trata-se da primeira demonstração. socioculturais e conceituais. cabe dizer que a reforma psiquiátrica traz marcas históricas próprias. Neste período. era possível e exequível. vimento sanitário que emerge em favor da mudança dos modelos de atenção e de gestão em saúde. Sob a influência do projeto de lei Paulo Delgado. na cidade de São Paulo. de que a Reforma Psiquiátrica. novembro de 2005. políticas. bem como a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais. foi influenciado pela Psiquiatria Democrática Italiana. hospitais-dia. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. DAPE. Brasília. Ministério da Saúde. Neste mesmo ano cria-se o primeiro CAPS no Brasil. residências terapêuticas. da hegemonia de uma rede privada de assistência e a construir coletivamente uma crítica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência às pessoas com transtornos mentais. solidariedade e cidadania. são implantados no município de Santos os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) que funcionam 24 horas. 106 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . A intervenção na Casa de Saúde Anchieta/Santos demonstrou de forma inequívoca a possibilidade de construção de uma rede de cuidados efetivamente substitutiva ao hospital psiquiátrico. com grande repercussão. inserida no amplo contexto internacional em prol de mudanças pela superação da violência asilar. inicia-se o processo de intervenção da Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) na Casa de Saúde Anchieta. movimento plural formado por trabalhadores integrantes do movimento sanitário. Ainda no ano de 1989. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. totalmente indefesos às medidas punitivas e aprisionadoras. que passa a protagonizar e a construir a partir deste período a denúncia da violência dos manicômios. Brasil. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). associações de familiares. Ministério da Saúde. dá entrada no Congresso Nacional o projeto de lei do deputado federal Paulo Delgado. OPAS. ambulatórios de saúde mental. sobretudo este Movimento. Buscase romper a lógica de exclusão e segregação dos portadores de transtornos mentais. No ano de 1987 são realizadas a I Conferência Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro. RJ) e o II Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (Bauru. um hospital psiquiátrico no qual foram constatados maus-tratos e mortes de pacientes. Por uma Sociedade sem Manicômios. É. por meio de variados campos de luta. apontando-se para uma prática baseada nos princípios de inclusão. da mercantilização da loucura. residências para os egressos do hospital e associações. cujo lema. membros de associações de profissionais e pessoas com longo histórico de internações psiquiátricas. e. A experiência do município de Santos passa a ser um marco no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira. É um movimento que vai além da assistência em saúde mental e compreende profundas transformações nas dimensões jurídicas. que propõe a extinção progressiva dos manicômios no País e a criação de recursos assistenciais substitutivos. SP). em 1989. criam-se serviços como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

157 ambulatórios de saúde mental. prossegue com a expansão de rede de serviços abertos para o atendimento de pessoas com transtorno mental. O cliente. 217 unidades básicas de saúde com equipes de saúde mental. um pouco mais motivado. uma conduta harmônica para o atendimento humanizado. Porque deve haver sintonia. Qual a impressão que o cliente pode ter do serviço? Quem estará correto. houve redução de 67. 7 oficinas terapêuticas e 194 Residências Terapêuticas. qualquer pessoa que trabalhe no local. é necessário ponderar sobre questões que afetam o ser humano.. a rede pública de atenção à saúde mental é integrada por 58 hospitais psiquiátricos. o profissional da higiene e limpeza. Foi encorajado a mostrar iniciativa. constata-se que ainda é insuficiente perante a demanda existente. não é seu lugar. Entretanto. Imagine que o cliente está no CAPS e acaba de ser atendido pelo técnico de enfermagem. Embora seja considerada uma grande rede de serviços. 2008. enfim. mas o segurança que fica na recepção do serviço. O processo de mudança. tanto no olhar que se dirige ao cliente e seus familiares. vai até a porta da copa pedir um copo descartável e ouve um sonoro “você não pode vir aqui.. 7 hospitais-dia. um dos grandes desafios agora são os recursos humanos que abrangem todos os profissionais que de alguma forma terão contato com os usuários dos serviços. no Estado de São Paulo. a copeira. a copeira ou o técnico de enfermagem? Em quem confiar? Nessa hipótese. tanto quanto em relação àqueles que o assistem. materializado no primeiro CAPS criado em São Paulo. a contradição poderá acarretar a deterioração do vínculo usuário-equipe. além dos aspectos estruturais. Portanto. o que demonstra o firme propósito do Estado na consolidação da política de atenção à saúde mental.. 182 CAPS. Atualmente. com 12. ainda mergulhado em preconceitos que nossa sociedade alimenta. vá ver TV”. O que você pensa disso? UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 107 . o Estado de São Paulo tem uma tradição de vanguarda nas reformulações políticas em saúde mental. Em 20 anos do SUS no Estado de São Paulo. ou seja.216 de 06/04/2001. além de 904 beneficiários no Programa de Volta para Casa.. SES-SP.3% do número de leitos em hospitais psiquiátricos que não apresentavam condições assistenciais mínimas para o tratamento de pessoas com transtornos mentais.136 leitos e ainda 540 leitos psiquiátricos em hospitais gerais.Como vimos. são TODOS de fato: não só os profissionais da equipe terapêutica. Em 2001 é sancionada a Lei nº 10. os quais necessitam estar qualificados e preparados para assumir esse compromisso. com iniciativas importantes para a transformação de conhecimentos e de suas práticas. que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. a andar ao invés de dormir a tarde toda na sala de televisão. e a participar das atividades terapêuticas. Quando se diz todos. o agente administrativo.

novembro de 2005. de 6 de abril de 2001. ______. Secretaria de Atenção à Saúde. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. Secretaria de Estado da Saúde. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. SãO PAULO. OPAS. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o Modelo Assistencial em Saúde Mental. ______.Bibliografia BRASIL. OPAS. 10. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. 2008. novembro de 2005. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. 20 anos do SUS São Paulo. Diário Oficial da União de 8 de abril de 2001. 108 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Coordenação Geral de Saúde Mental. 216. Brasília. São Paulo: SES/SP. Lei nº. Brasília.

sinalizem a doença mental. Desde as primeiras queixas ou sinalizações em torno da existência de um sofrimento psíquico intenso (como uma tristeza que se prolonga por muito tempo. o diagnosticar. UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 109 . tendo em vista a continuidade da vida fora dos muros dos hospitais. O. o tratar e o reabilitar. Primeira unidade . porque. também. aos doentes mentais. Alagoas.Compreendendo o percurso da atenção à Saúde Mental. F.Participando da Assistência à Saúde Mental. modo como são popularmente denominadas as crises referentes ao sofrimento psíquico em suas mais diversas formas e manifestações. UNCISAL. surgem diversos questionamentos acerca de quais as condutas e procedimentos apropriados para cuidar daqueles pacientes. 2007. sobre as formas de tratamento dispensadas. Assim. geralmente consiste em momento controverso e mobilizador.9 Itinerário Terapêutico . um estado ansioso que compromete a qualidade de vida de uma pessoa ou ainda manifestações ‘esquisitas’ como o “conversar sozinho”. principalmente. na medida em que se percebe a existência de manifestações que. O imaginário popular é repleto das mais diversas ideias e representações sobre o sofrimento psíquico e. durante séculos. antes de tudo. de alguma forma. Guia Curricular Área III. cirúrgicas e de emergências. Não somente pelo caráter de sofrimento e dor indecifrável à qual se submete o paciente. Escola Técnica de Saúde Profª Valéria Hora. entendamos como ocorre este processo entre o adoecer. “escutar vozes estranhas”. é preciso que. na direção de construirmos uma nova compreensão social sobre a humanização do tratamento aos portadores de sofrimento psíquico. Texto. “ver vultos”. C.TExTO 13 rede de atenção aos portadores de transtornos mentais Itinerário terapêutico: compreendendo o percurso da atenção à saúde mental1 O “adoecer dos nervos”. Maceió. Participando do processo de recuperação da saúde individual em situações clínicas. dentre inúmeras outras) é preciso que haja a consciência 1 ALVES. mas.

a Política de Saúde Mental do SUS. a comunidade busca explicações e soluções baseadas em crenças e rituais religiosos. deve existir uma série de serviços de cunho extra-hospitalar que deem conta da demanda nos mais diversos níveis de complexidade. é importante compreender que qualquer pessoa pode vivenciar. tirar mal olhado. 2008. 110 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . levar a um culto religioso etc. Neste sentido. geralmente para aqueles casos onde não foram suficientes as outras intervenções. como “benzer. de modo que apresentar tais manifestações não é sinônimo de condenação ou inutilidade eterna. alguma vez em sua vida. SES-SP. Fundamentada na redução progressiva e planejada de leitos em hospitais psiquiátricos e sua substituição por uma rede de atenção em saúde mental. e. no nosso papel de profissionais de saúde. já está sofrendo e.216 (2001) e nas recomendações da III Conferência de Saúde Mental (2000). Geralmente. cuidado e tratamento. situações desta natureza. muito provavelmente. sendo a internação hospitalar o último recurso a ser empregado. porque. que precisa ter seus profissionais habilitados e sensibilizados para as abordagens iniciais aos portadores de sofrimento psíquico.” É importante percebermos que estas atitudes fazem parte das crenças populares. muito menos de perigo incontrolável. São Paulo. precisamos revelar à sociedade a indicação adequada de tratamento. 20 anos do SUS São Paulo. quando estas manifestações começam a ocorrer. sofrerá ainda mais. A reforma psiquiátrica preconiza a necessidade de existência de amplas redes de serviços que ofereçam o necessário suporte aos portadores de sofrimento psíquico em crise ou fora dela. prevê a construção de uma rede de serviços articulados à atenção básica. Na verdade. faz-se necessário que conheçamos a rede de saúde de nosso município. então? É a esse percurso. imundície ou outras questões de cunho preconceituoso. o tratar e o reinserir na comunidade que chamamos de itinerário terapêutico. aos recursos do território e a outras políticas setoriais. O que fazer. Contudo. Sendo assim. como já vimos. se não for bem acolhido. para que possamos realizar os encaminhamentos e orientações apropriados a cada caso. por meio de atos normativos. Essa rede compreende desde a Atenção Básica. alguém que passa a apresentar estas características precisa de atenção.sobre a existência de uma rede de serviços que sirva de referência para o cuidado e atenção de alguém que vive estas situações. entre o adoecer. apoiados na Lei nº 10. A partir daí. de âmbito territorial.

Essas mudanças foram asseguradas pelos seguintes documentos legais: Portaria n. Bibliografia SãO PAULO. 20 anos do SUS São Paulo. onde. por meio de uma intervenção multiprofissional e interdisciplinar. Outro elemento importantíssimo neste contexto são os ambulatórios especializados. nem todos os municípios têm ainda uma rede que propicie itinerário humanizado e eficiente.336. portanto. O tratamento não se encerra com a alta e nem se resume à unidade de saúde. familiares. UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 111 . empresas. São Paulo: SES-SP. 2008. não podemos perder de vista seu aprimoramento e concretização. por meio de parcerias e conscientização popular sobre agravo e as possibilidades de vinculação e vida social.Neste cenário encontram-se os Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). do Ministério da Saúde. compreensão e engajamento dos mais diversos setores sociais. Cria o Cuidador em saúde e os Serviços de Residência Terapêutica de Saúde mental : anexos I. É verdade que tal conquista ainda está em construção.220. Vivemos dias de reforma. Portaria n. centros comunitários. De qualquer maneira. Após os períodos de tratamento mais intensivos. representados principalmente pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e internações hospitalares. precisamos dar nossa contribuição para a melhoria da atenção a esta importante parcela da sociedade. está sendo incentivada pelo Programa De Volta Para Casa. II e III. Reinserção esta que. II. I. atualmente. Estabelece Centros de Atenção Psicossocial: Caps. que têm por papel acolher às demandas de uma determinada localidade. igrejas. antes precisa contar com o apoio. por meio de bolsa-auxílio aos usuários que saíram do hospital. As Residências Terapêuticas acolhem os pacientes crônicos de longa permanência em hospitais psiquiátricos e que não possuem vínculos familiares que lhes permitam a reinserção nas suas famílias de origem. de 19 de março de 2002. 1. que visam realizar a manutenção do acompanhamento àqueles pacientes sem a indicação para tratamentos intensivos. II e IV. de 11 de novembro de 2000. Somos participantes desta história. é preciso haver clareza acerca da necessidade de uma rede de reabsorção social deste usuário ao seu seio comunitário. dentre outros. isto é. Secretaria de Estado da Saúde.

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UNIDaDE II Objetivos Específicos II.Debate sobre o entendimento do grupo sobre ambiente e relação terapêutica.Análise sobre as características do ambiente dos serviços de atenção à saúde no sentido de favorecerem o tratamento e recuperação da saúde. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade II Integração Curricular: ÁrEa I Processo saúde-doença ÁrEa III Qualidade de vida no trabalho Sugestão de ações para Estágio Supervisionado: Estabelecer relação interpessoal terapêutica com o cliente e seus familiares. como também nas relações interpessoais na equipe de saúde. Destaque para condições ambientais de conforto e segurança.Debate sobre a importância da comunicação no estabelecimento de relações terapêuticas profissional-paciente. 6. UNIDADE II – ABORDAGEM TERAPêUTICA EM SAÚDE MENTAL 113 .Caracterizar ambiente e relação terapêutica. rigidez/flexibilidade de normas e rotinas do serviço. Conteúdos 1.Abordagem terapêutica em saúde mental Objetivo Reconhecer a importância da relação interpessoal terapêutica em saúde mental. com o objetivo de caracterizar situações terapêuticas e não-terapêuticas. Participar na promoção/manutenção do ambiente terapêutico e na recuperação do cliente quanto à sua integridade mental. 3.Dinâmica de grupo sobre as formas de comunicação verbal e não-verbal.1. comunicação e relação terapêutica. 5.Leitura e discussão do texto: Ambiente. 2.Comunicação • Verbal • Não-verbal 3. 4. emocional e no equilíbrio com o meio em que vive.Ambiente Terapêutico • Características 2. qualidade da relação profissional/cliente.Dramatização de situações vivenciadas em nível pessoal/familiar em que foi necessário atendimento/hospitalização em serviço de saúde.Comunicação terapêutica Método 1.

de modo a transmitir sensação de segurança e bem- No ambiente terapêutico o cliente deve ser protegido de causar dano a si próprio ou aos demais. física e psicologicamente.O ambiente deve ser arejado e de preferência amplo e bem iluminado. Ministério da Saúde. ainda. espaço onde ele consiga se sentir bem e seguro. somos tomados por expectativas que podem ser correspondidas plenamente. por exemplo. Brasília: Ministério da Saúde. seja qual for o nível de complexidade da atenção. e que propicie a recuperação da saúde.TExTO 14 ambiente. em saúde mental deve ocupar uma posição privilegiada tendo em vista que. Não cabe discutirmos aqui se ele volta ou não ao setor. 2003. 1 Brasil. pode-se determinar sua adesão ao tratamento ou o seu afastamento. Reafirmamos a importância da interação. quando se tem uma estrutura física bem-cuidada e um processo de trabalho organizado. dependendo da relação que se estabelece entre o profissional e o cliente. como pode ocorrer. 114 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Considerar esses aspectos é relevante em qualquer serviço de saúde. porém. que podem ser geradas pela própria causa que nos levou a procurar o serviço. É necessário que as atividades desenvolvidas sejam supervisionadas. em situações de agressividade ou tentativa de suicídio. porém. Rio de Janeiro: Fiocruz. na maioria das vezes envolvem fatores como o ambiente e a maneira como os profissionais se relacionam e tratam os seus clientes. comunicação e relação terapêutica Quando procuramos atendimento em um serviço de saúde. A qualidade da relação que se estabelece com o cliente ao recebê-lo no setor faz parte do que denominamos ambiente terapêutico. São fatores que promovem ambiente terapêutico1: • Planta física . Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. É normal criarmos expectativas em situações como estas. em parte. que ocorre com maior fluidez. ou. muito além do que estávamos esperando. mas quanto é prejudicial ao cliente e aos seus familiares adiar por mais tempo o tratamento.

Por isso. embora tenha tempo para repousar ou refletir. prevê complicações e até previne UNIDADE II – ABORDAGEM TERAPêUTICA EM SAÚDE MENTAL 115 . que fazem parte da crença de cada pessoa. Ao contrário. trabalhos manuais e outros. que ações você proporia para melhorá-lo? a observação de cliente com transtorno mental A observação do comportamento de cliente que apresenta transtorno mental é instrumento valioso para a intervenção terapêutica. o paciente não vegeta pelos corredores e salas em uma atitude passiva. Também se devem evitar objetos e adornos que possam pôr em risco a segurança. os profissionais de saúde tendem a relaxar com a manutenção da higiene. é importante que ela se mantenha não somente pela questão do bem-estar. • Atividades . além de tumultuar o ambiente. exercícios físicos. ou seja.Não obstante os avanços da musicoterapia. inclusive dos pacientes.estar. assim como objetos ou imagens religiosas ou ritualísticas. no caso. • Arrumação e decoração . possibilita a identificação de possíveis alterações. • Higiene ambiental . também. mas. tal técnica deve sempre ser orientada por um profissional competente (se possível.Ninguém pode se sentir bem num ambiente fisicamente sujo. um musicoterapeuta). Neste ambiente. Você acredita que os fatores ambientais e interpessoais presentes em seu local de trabalho promovem sua saúde mental? Se não.O excesso de mobília ou o mobiliário colocado incorretamente. a utilização de aparelhos sonoros nem sempre favorece a formação de um ambiente terapêutico. pode atrapalhar o atendimento num caso de emergência.Num ambiente terapêutico. • Som ambiente . reunião de grupo. Muitas vezes devido ao fato de que os transtornos mentais não são transmissíveis. O profissional deve se preocupar em tornar o local o mais belo e agradável possível. É importante a participação de todos nesta questão. uma escolha inadequada pode causar irritação e até mesmo desencadear crises. para evitar surtos de doenças infectoparasitárias. aconchegante. No entanto. porém. simples. ele se mantém em atividade.

o uso de adornos e maquiagem. pois cria a oportunidade de iniciar o tratamento ou. de reavaliá-lo e adequá-lo às exigências do momento. ainda. na medida em que possibilita distinguir a sua singularidade.a reincidência de surtos. compromete toda a dinâmica familiar. idade que aparenta ter. É bem possível que a atividade psicomotora esteja alterada. tem a oportunidade de observar seu comportamento e. nem sempre sua adesão ocorre naturalmente. porém. obter dados que irão complementar o trabalho da equipe terapêutica. pode facilitar a condução do caso. diga-se. A observação criteriosa e direcionada nos permite verificar: • Aparência A observação sobre a maneira como o cliente com transtorno mental se apresenta pode revelar condições muito diferentes do padrão dito normal. Reconhecer precocemente as alterações significa abreviar o sofrimento psíquico. A participação da família nesse processo é fundamental. condições socioeconômicas e culturais. Outra alternativa para levantar dados significativos é por meio de contato com seus familiares e amigos. visto que grande parte dos transtornos mentais é crônica e regida por seu próprio dinamismo. • Contato com a equipe multiprofissional Resiliência é um termo usado em física que significa a capacidade que possui um corpo para recuperar sua forma original após ser submetido a uma pressão. Dizemos que tanto o cliente como a família necessitam ser cuidados e 116 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . o que. as expressões faciais. • Atividade psicomotora e comportamento Observar especialmente a maneira como as informações. sua postura. Estabelecer comparação das características do cliente com outras pessoas da mesma faixa etária. É por meio da interação com o cliente que a equipe estabelece formas de ajudá-lo a enfrentar a situação e a superar os seus problemas. ao entrar em contato com o cliente que chega ao serviço de saúde. Nesse processo destaca-se a importância da atuação do técnico de enfermagem que. o estado de suas roupas e a maneira como se veste. acontecimentos e atividades são processadas pelo cliente. pois o comportamento de muitas pessoas com transtorno mental é extremamente desgastante. dessa forma. Esse olhar abrange o estado geral do cliente. seu cuidado com a higiene corporal. Foi incorporada em ciências humanas referindo-se à capacidade que a pessoa tem de superar as adversidades e sair fortalecido. movimentos e gestos.

B.” Uma relação. num registro de enfermagem. torna-se uma ferramenta de trabalho importantíssima para que o profissional possa intervir junto ao paciente.se a seguinte anotação: “Paciente tenso com o fato de sua mulher não ter comparecido à visita. Ministério da Saúde. 2 Considerar que as relações interpessoais que assumimos no ambiente de trabalho para promover a assistência de enfermagem são terapêuticas. Brasil. 2001). portanto. A comunicação terapêutica consiste na habilidade profissional em usar seu conhecimento sobre comunicação para ajudar a pessoa com tensão temporária. Certa vez. a conviver com outras pessoas e a se ajustar ao que não pode ser mudado. Fala que quer morrer por isso. superando bloqueios à autorrealização para enfrentar seus problemas. sentimentos e emoções com os do paciente. os familiares e todo o grupo de pacientes. (TEIXEIRA. Para que o profissional consiga estabelecer uma relação terapêutica. 2003 UNIDADE II – ABORDAGEM TERAPêUTICA EM SAÚDE MENTAL 117 . o que o levaria a fazer interpretações erradas.M. Brasília: Ministério da Saúde. depois de conviverem com tantas crises. acabam se tornando pessoas resilientes e bastante motivadas e interessadas no tratamento. A comunicação verbal com o paciente portador de transtorno mental nem sempre é muito fácil e algumas técnicas podem auxiliar para favorecer o autoconhecimento do paciente na mesma medida em que você o compreende. Diz que ela nunca o amou e que só se casou com ele para não ficar solteira. para que não confunda seus desejos. necessidades. para ser terapêutica. Aconselhei que tivesse mais fé em Deus. distintas de meros contatos sociais. de aceitação e de comunicação clara. encontrou. necessita de um início de confiança. relação terapêutica: a ferramenta indispensável2 Relação terapêutica é aquela que se estabelece entre os membros-integrantes da equipe terapêutica. Uma vez estabelecida. valores morais.tratados. e que assim que estivesse bom voltasse para sua terra e arrumasse uma outra mulher. muitos familiares. crenças. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. Entretanto. é muito importante o seu autoconhecimento. Manual de enfermagem psiquiátrica. Rio de Janeiro: Fiocruz. et al. não pensasse mais em morrer.

Trata-se de permitir que o paciente conduza e escolha o assunto. 2. • Propostas abertas . • Clarificação . Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. Bibliografia BRASIL. Ministério da Saúde. et al.a reimpr.. olhando-o numa atitude aberta.B. 2003 RODRIGUES. mostrando-se receptivo. ed. • Paráfrase .É uma pausa mais ou menos longa na conversação que deve ser respeitada para que o paciente possa refletir. • Frases por repetição . Ministério da Saúde.Consiste em repetir ao paciente o conteúdo do que disse. Rio de Janeiro: Fiocruz. TEIXEIRA. A. pode-se repetir uma palavra ou uma frase no decorrer da conversa para motiválo a falar mais. M. et al.É muito importante que você ouça o que o paciente tem a dizer. 2001.Pode-se pedir ao paciente que torne a mensagem mais clara. de maneira que ele perceba a sua importância.B. São Paulo: Atheneu.Você poderá encontrar mais dados sobre Comunicação na Área III. O Guia da Enfermagem: Fundamentos para assistencia. com o objetivo de fazê-lo tomar consciência sobre o que foi dito. São Paulo: Iátria. Brasília: Ministério da Saúde. 2008. 118 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS .Quando um paciente fica bloqueado. Manual de enfermagem psiquiátrica. 1. • Escuta . • Silêncio . para que se compreenda o que foi dito ou até para complementar uma ideia exposta. PROFAE.

1. 3. prevenção de complicações e até da reincidência de surtos.Debate sobre a importância da observação do comportamento do cliente. UNIDADE III – RECONHECENDO ALTERAçõES MENTAIS 119 . de enfermagem: anatomia e fisiologia.Participação de dinâmica de grupo sobre observação. Utilizar dicionário de termos técnicos como apoio. UNIDaDE III Objetivos Específicos III. psicologia.Sistematização das alterações de funções mentais abordadas no texto. Conteúdos 1. 2. 4. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade III Integração Curricular: curso de aux. relacionando-as com situações vivenciadas no cuidado com estes pacientes. Participar de atividades terapêuticas observando e registrando o estado do cliente.Caracterizar alterações das funções psíquicas.Reconhecendo alterações mentais Objetivo Reconhecer a importância da observação como ferramenta para as ações de enfermagem na atenção a clientes com alterações mentais.Observação: • Aparência • Atividade psicomotora • Comportamento Funções psíquicas • Alterações da consciência • Alterações da atenção • Alterações da orientação • Alterações da memória • Alterações da afetividade • Alterações da vontade • Alterações do pensamento • Alterações de sensopercepção • Alterações da linguagem Método 1. possibilitando a identificação de alterações.Trabalho em grupo sobre alterações características de transtornos mentais com base na leitura e discussão do texto: O cuidado em saúde mental: reconhecendo as alterações. enfermagem clínica Sugestão de ações para estágio supervisionado: Desenvolver ações de enfermagem a clientes com alterações de comportamento.

Embora as principais funções psíquicas do ser humano sejam aqui apresentadas de forma isolada. ou. estado de sonolência que pode ser apenas despertado por forte estímulo (geralmente doloroso). alterações da consciência Dentre as funções psíquicas destaca-se a consciência. rebaixamento do nível de consciência. o qual pode apresentar diversos graus: obnubilação. P. estupor. perceber e conhecer os seus objetos. É sempre a pessoa na sua totalidade que adoece. 2000. na prática isso não ocorre . Nos estados crepusculares. os dados epidemiológicos mostram alta prevalência de transtornos mentais e comportamentais na população em geral. 60).TExTO 15 O cuidado em saúde mental: reconhecendo as alterações Como já vimos. p. famílias e comunidades. Você se recorda dos dados epidemiológicos sobre os transtornos mentais que vimos no texto 12? Não existem funções psíquicas isoladas e alterações psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela função. A definição neuropsicológica trata a palavra consciência no sentido de estado vígil. exercendo considerável impacto sobre as pessoas. mas há um estrei- 120 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . sociais. O rebaixamento do nível de consciência ocorre também nos quadros de delirium e estado onírico. (Dalgalarrondo. com implicações psíquicas. o paciente pode aparentar pleno domínio de sua lucidez. econômicas. A definição psicológica leva em consideração a capacidade de a pessoa entrar em contato com a realidade. lúcido.é impossível separar a atividade mental em áreas distintas. acordado. acompanhado de inibição da psicomotricidade. assim como os transtornos associados ao uso de álcool e demais substâncias psicoativas. em vigília. A consciência pode sofrer alterações patológicas. estado no qual não há nenhuma atividade voluntária consciente. caracterizada pela lentidão na compreensão e dificuldade de concentração. outra forma de alteração de consciência. Várias funções psíquicas podem estar alteradas em uma pessoa acometida por transtorno mental e os profissionais responsáveis pelos seus cuidados e tratamento necessitam estar atentos às suas manifestações. culturais e políticas. coma. ao fato de estar desperto. mais especificamente.

ente ou objeto. A capacidade de memorizar está intimamente ligada ao nível de consciência.. agitação ou lentificação psicomotora.” Ocorre em quadros histéricos agudos e em pessoas com epilepsia. Estado onírico: alteração da consciência. atenção e interesse afetivo. Delirium é o termo atual mais utilizado para designar a maior parte das síndromes confusionais agudas. ansiedade. distração – revela a incapacidade de manter o foco da atenção em determinado estímulo. acompanhado dos seguintes sintomas: desorientação temporoespacial. Exemplos de alterações: desatenção – a pessoa manifesta incapacidade de direcionar o foco para determinado estímulo. involuntária ou passiva. com dificuldade em se concentrar. (Dalgalarrondo. presente. condizente a um sonho muito vívido (com predomínio das alucinações visuais). quase sempre visuais. P. quando ocorre independentemente do desejo da pessoa. Há rebaixamento leve a moderado do nível de consciência. Dentre as alterações de memória destacam-se a amnésia . relacionada ao desejo de se concentrar em algo e. alterações da atenção A atenção é uma dimensão da consciência definida como a capacidade de se concentrar em uma atividade ou ação. ilusões e/ou alucinações. p. em psicoses tóxicas e síndromes de abstinência das drogas. agindo no automático. UNIDADE III – RECONHECENDO ALTERAçõES MENTAIS 121 . Pode ser voluntária ou ativa. 2000. com turvação da consciência e confusão mental. por exemplo. alterações da memória A memória é a capacidade de reter experiências passadas e evocá-las no momento presente. o real e o psicótico. Constam do rol das alterações a desorientação cronopsíquica – a pessoa perde a referência de data (dia. 68). É como se ele estivesse voltado “para dentro. alterações da orientação A orientação expressa a consciência que a pessoa tem de si e também a capacidade de se situar no tempo e no espaço (lugar).incapacidade parcial ou total de recordar fatos e experiências passadas. e a paramnésia – ocorrem distorções dos dados de memória em que o fato evocado não tem relação com o objeto original da percepção.tamento transitório da mesma. mês e ano) e a dupla orientação – a pessoa vivencia dois mundos ao mesmo tempo. voltando-se para determinada situação.

alterações da linguagem A linguagem é o principal instrumento de comunicação do ser humano. alterações do pensamento O processo do pensar envolve o curso do pensamento. alterações de sensopercepção Sensopercepção é a capacidade de perceber e interpretar as sensações e percepções advindas dos sentidos. a lentificação e o bloqueio (parada súbita e inesperada de seus pensamentos. embotamento afetivo – perda de todo tipo de vivência afetiva. ecolalia 122 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Os estímulos podem ser: auditivos. etc. da forma: a fuga de ideias (uma ideia se segue a outra de forma extremamente rápida). olfativos. e ambivalência afetiva – sentimentos opostos ao mesmo objeto ou estímulo. São exemplos de alterações: ilusão – percepção deformada de um objeto existente. e conteúdo identificado como o assunto em si. religiosos. que representa a estrutura básica do pensamento. táteis e gustativos. São exemplos de alterações do curso de pensamento: a aceleração. a maneira como o pensamento flui. quando vinham fluindo normalmente). ou seja. Uma pessoa pode apresentar apatia – diminuição da excitabilidade emotiva e afetiva. e do conteúdo. ideias fragmentadas). alucinação – sensações e percepções em que o objeto não existe.mudanças súbitas e imotivadas do estado afetivo. Exemplos de alterações: disartria – problemas em articular as palavras.alterações da afetividade Afetividade diz respeito à capacidade de experimentar sentimentos e emoções. labilidade afetiva . a desagregação do pensamento (perda da coerência do pensamento. relacionado a temas sobre perseguição. visuais. a forma.

. 2. Porto Alegre : Artmed. UNIDADE III – RECONHECENDO ALTERAçõES MENTAIS 123 . Manual de enfermagem psiquiátrica. DALGALARRONDO.repetir as últimas palavras proferidas por alguém. Bibliografia BRASIL. TEIXEIRA. Rio de Janeiro: Fiocruz.B. São Paulo: Atheneu. PROFAE. 2002. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. e mutismo – manter-se mudo. P. afasia .. 2000. Brasília: Ministério da Saúde. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. logorreia – fala acelerada e compulsiva.ed. Ministério da Saúde.não conseguir falar. 2001. et al. M. Ministério da Saúde.

.

Utilizar dicionário de termos técnicos como apoio.Dinâmica de grupo para a sensibilização dos alunos em relação aos clientes com transtornos mentais 2. Objetivos Específicos IV.Assistência de enfermagem ao cliente com principais alterações de comportamento • cliente ansioso • cliente deprimido • cliente agitado • cliente que se acha perseguido c • liente com comportamento antissocial Método 1. 4.5.Exposição de filmes sobre transtornos mentais e debate. UNIDaDE IV Conteúdos 1.Trabalho em grupo sobre alterações características de transtornos mentais com base na leitura e discussão do texto: Ações de enfermagem em saúde mental. • A organização da rede de atenção • stratégias para a redução de E danos e riscos associados ao consumo prejudicial 2. curso de auxiliar de enfermagem: introdução à enfermagem: administração de medicamentos Sugestão de ações para estágio supervisionado: Desenvolver ações de enfermagem a clientes com transtornos mentais.Transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool e outras drogas. enfermagem: clínica. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: curso de auxiliar de enfermagem: anatomia e fisiologia. Lembrar de discussões da unidade anterior sobre ambiente e relação terapêutica.Reconhecer a assistência de enfermagem indicada para clientes com alterações de comportamento mais comuns em transtornos mentais.Transtornos de ansiedade 1.1. o conforto e a manutenção das condições clínicas dos clientes. dentro dos princípios de segurança.Transtornos alimentares 1.Transtornos de personalidade 1. 1. aplicar princípios ergonômicos e técnicas adequadas à prevenção de acidentes e descarte de resíduos. relacionando-as com situações vivenciadas na assistência a estes pacientes. Utilizar e operar equipamentos de trabalho.Transtornos mentais 1.2.2.Apresentação dos trabalhos e sistematização sobre a assistência de enfermagem indicada conforme a alteração de comportamento apresentada. Destaque para cuidados de enfermagem sobre a segurança. 3. 2. IV. materno-infantil.4.Caracterizar os transtornos mentais mais comuns.1.Trabalho em grupo para a elaboração de plano de cuidados de enfermagem para clientes com alterações de comportamento mais comuns em transtornos mentais.Transtornos do humor 1. Participar de atividades terapêuticas observando e registrando o estado do cliente. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 125 .3.Transtornos mentais: identificação e ações de enfermagem Objetivo Caracterizar os principais transtornos mentais relacionando com as ações de enfermagem.Sistematização das características dos transtornos mentais abordadas no texto.

tem resultado em embates de saber/poder que (re)afirmam suas verdades em campos separados e. 126 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Quando seguimos esta lógica. de histórias que se cruzam configurando a história em certo momento. enquanto que o segundo efetua um outro tipo de corte. 2003. Brasília: Ministério da Saúde. Menos do que contribuir para o avanço de dispositivos e instrumentos de diagnóstico. ao mesmo tempo. a das binarizações. todos perdemos. em cada história de vida. tratamento e reabilitação. A esta outra lógica chamamos transversalização. de um tipo de afecção. e a saúde coletiva. de uma categoria social ou de gênero. O que estamos querendo aqui destacar é: esta lógica deve ser combatida em prol de outra maneira de pensar e fazer que experimente as diferentes contribuições. garanta as especificidades acumu- Binário: que tem dois elementos ou que comporta dois aspectos que se opõem. de outro. tomando a incidência e a prevalência das alterações em plano coletivo. Perdemos as contribuições das análises propiciadas pelo recorte da saúde coletiva que capta as expressões de uma comunidade. 1 Ministério da Saúde. O primeiro tem como seu foco as manifestações individuais das alterações da saúde. de uma localidade. esta divisão entre a clínica de um lado. oponentes.TExTO 16 ações de enfermagem em saúde mental a lógica que separa o campo da saúde1 Sempre foi um desafio para as práticas de saúde aliar o âmbito clínico de intervenção com o da saúde coletiva. fazendo-as interpelações umas das outras. em cada sujeito. promoção e prevenção. A Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas. Perdemos as contribuições da experiência clínica que está voltada para as características singulares que se expressam em cada corpo. Parece que hoje aí reside o grande desafio: instaurar em todos os campos da saúde pública uma atitude que. grande parte das vezes.

melancolia. Principais tipos de transtornos mentais TRANSTORNOS DO HUMOR Os transtornos do humor são também denominados transtornos afetivos. angústia. choro fácil. 2008. vergonha e incapacidade. consiga fazer atravessar tais saberes uns sobre os outros. 2004b). Nessa doença ocorrem dificuldades na área do afeto. A depressão unipolar é a principal causa de desabilitação na Europa e estima-se que se torne a segunda colocada no ranking da carga de doença em 2020. de modo a construir novos olhares. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 127 . perda de interesse geral. para além disso. Uma pessoa com depressão apresenta manifestações clínicas resultantes de alterações: • afetivas: tristeza. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Nos transtornos afetivos destacam-se a depressão unipolar e o transtorno afetivo bipolar. • vontade e psicomotricidade: tendência a ficar na cama o dia todo. apatia. mutismo. a responsável por um terço de todas as causas de desabilitação por condições neuropsiquiátricas no mundo (wHO. memória e atenção reduzidas.7% dos anos vividos com alguma desabilitação. responsável por 5. • ideativas: pessimismo em relação a tudo. As transformações conceituais e estruturais da atenção à saúde mental. BRASIL. • cognitivas: dificuldade em tomar decisões. passa a voltar-se para a atenção descentralizada e de base comunitária (PSF). diminuição da libido. cansaço fácil. desespero. sentimento de culpa. espelha de certa maneira a lógica da transversalização. concentração. desânimo. A iniciativa do Ministério da Saúde visando a incorporação de ações de saúde mental no conjunto de ações que compõem o cuidado integral à saúde na atenção básica.ladas ao longo do tempo em cada núcleo de saber e. • autovaloração: baixa autoestima. logo atrás da doença isquêmica do coração. lentificação psicomotora. sozinha. ideias autodestrutivas. negativismo. novos dispositivos de intervenção. • neurovegetativas: fadiga. reforça a importância do domínio clínico em consonância com a saúde coletiva. Quem ganha com isto? Os usuários do sistema de saúde e todos aqueles comprometidos com a saúde enquanto defesa da vida. que é nossa capacidade de vivenciarmos internamente nossas emoções e nossos sentimentos. inutilidade e fracasso. que a partir do histórico e tradicional modelo hospitalocêntrico/manicomial. Isto significa que a depressão unipolar será.

multidões e temor em ficar sozinho. e.A depressão. após um susto ou ao receber uma notícia perturbadora. Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA). provocando taquicardia. além de prejudicar sua vida social e profissional. mostrou que a incidência de depressão nessa localidade chega a 22%. os sintomas físicos também aparecem. isso pode ocasionar grande sofrimento psíquico. homens e mulheres. desencadeando alterações fisiológicas. alterações na pressão arterial e temperatura. variando entre a mania e a depressão. ainda que seja em sua própria casa. os sintomas de ansiedade aparecem diante de algum objeto bem-definido e/ou situações. de diferentes classes sociais. autoestima exagerada. moderada ou grave.abrata. hiperatividade. Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados no tratamento da depressão unipolar e transtorno bipolar e os cuidados de enfermagem na sua administração. falta de senso crítico.medo de altura. por exemplo. Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é caracterizado pelo estado de humor que oscila entre dois polos. a pessoa apresenta agitação psicomotora (hiperatividade). Disponível em: <http://www. inicia muitas atividades sem concluí-las. taquipneia. que torna a aparecer depois de haver desaparecido. Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA). fobia social. maiores de 18 anos. o que é considerado normal. inquietação motora. não provocam medo às pessoas. IBOPE e Parceiros. em geral. que. de forma recorrente. cefaleia. 128 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Fonte: Associação Brasileira de Familiares. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Familiares. TRANSTORNOS DE ANSIEDADE A ansiedade é uma reação emocional à percepção de um perigo real ou imaginário. palpitações. calafrios. tontura. Na mania. geralmente. São as fobias específicas . irritada. Em transtornos fóbico-ansiosos. labilidade de humor. desinibição exagerada. agorafobia. relaxamento dos músculos lisos da bexiga e intestinos. comportamento inadequado.org. tensa. Em manias graves não é incomum o aparecimento de delírios e/ou alucinações. com 793 pessoas na cidade de São Paulo. animais. Ansiedade intensa estimula o sistema nervoso autônomo. Dependendo do grau de ansiedade que a pessoa vive. a pessoa fica angustiada. pele úmida. segundo Código Internacional de Doenças (CID-10).br>. muito pelo contrário. acha que não tem problemas e não procura tratamento. euforia. psicológicas e comportamentais. Acesso em: 10 de março de 2009. avião. fala muito (logorreia) e troca o tempo todo de assunto (fuga de ideias). É difícil convencer a pessoa de que está doente. tremores. com dificuldade em se concentrar. boca seca. gasto excessivo. Tem ideias de grandeza. medo persistente de se expor em qualquer situação de grupo. ou seja. Qualquer pessoa está predisposta a viver momentos de ansiedade. é classificada em leve. pupilas dilatadas. Em transtornos da ansiedade generalizada (TAG). aversão excessiva a lugares abertos.

ao perigo imaginário de morte iminente. Tem início abrupto. a afetividade fica comprometida. em geral. Isso deixa a pessoa constantemente atemorizada. medo de perder o controle ou de enlouquecer. as crises são rápidas e passam em alguns minutos. ouve e sente coisas que não são reais. A esquizofrenia é um dos mais graves transtornos mentais e o que mais se distancia de nosso ideal sobre normalidade. dor no peito. Bock. O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade que se caracteriza por obsessões e reações compulsivas. acompanhadas de sintomas somáticos resultantes de estimulação do sistema nervoso autônomo. TRANSTORNOS DO PENSAMENTO Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados nos transtornos de ansiedade e os cuidados de enfermagem na sua administração. com a sensação de que está em grande perigo. A pessoa com TOC apresenta pensamentos ou ações repetitivas sobre as quais não tem controle e suas repetições se assemelham a verdadeiros rituais. sensação de falta de ar. sendo assaltada pelo ímpeto desesperado de fugir daquela situação. mas uma coisa é importante: ele é um homem e tem necessidade de afeto.Em transtornos de pânico a pessoa tem a sensação de morte. embotada ou inapropriada. de pavor. parestesias. O transtorno é conhecido como a síndrome do pânico. com sinais de palpitação. Franco Basaglia. Há um desgaste muito grande de energia. é um homem total e nós devemos responder não à sua esquizofrenia mas ao ser social e político. porém. A alteração da percepção produz alucinações – a pessoa vê. ela vivencia como se “real” fosse. 2002. o pensamento se encontra invariavelmente esvaziado UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 129 . A pessoa que vive essa situação não tem o alcance de que a ameaça não existe. Em geral. por isso é a mais identificada pelas pessoas como loucura. As crises de pânico são manifestações de intensa ansiedade. de dinheiro e de trabalho. Esquizofrenia Estou de acordo que um esquizofrênico é um esquizofrênico. relacionadas. tendem a se repetir outras vezes.

Uma pessoa com transtorno de personalidade antissocial é descrita como tendo baixa tolerância às frustrações e um baixo limiar para descarga de agressão. TRANSTORNOS ALIMENTARES Os transtornos alimentares são mais comuns em mulheres.e sem sentido – discurso desorganizado. apesar de muito magra. destacando-se a anorexia e a bulimia nervosa. necessidade compulsiva de fazer exercícios e ginástica para perder peso. fazer movimentos estranhos.é comum o cliente efetuar movimentos constantes. às regras e às obrigações sociais. TRANSTORNO DE PERSONALIDADE Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados no tratamento de transtornos do pensamento e os cuidados de enfermagem na sua administração. propensão marcante para culpar os outros. sintomas de de- 130 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Veste-se em conformidade com pensamentos delirantes que apresenta. irresponsabilidade e desrespeito às normas. porém. Em consequência. o receio de engordar atormenta a pessoa o tempo todo. personalidade psicopática ou sociopatia. anorexia nervosa Uma alteração característica do portador de anorexia é a distorção da imagem corporal. permanecer totalmente imóvel. indiferença e insensibilidade pelos sentimentos alheios. dificuldade no convívio social e tendência ao isolamento. Mesmo com o peso muito abaixo do normal. acaba deixando sua autoimagem de lado. ainda. Muitas vezes tal comportamento é alcunhado de estranho. incapacidade de experimentar culpa e de aprender com a experiência. Não é rara a aparência do portador de esquizofrenia ser precária e bizarra. Transtorno de personalidade antissocial O CID-10 considera a personalidade antissocial sinônimo de transtorno amoral de personalidade. têm aumentado significativamente também entre os homens. imerso em percepções distorcidas do mundo e de si mesmo. sendo frequentes sadismo e crueldade. transtorno associal da personalidade. Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados nos transtornos de personalidade e os cuidados de enfermagem na sua administração. ficar se balançando. Em geral traz sérios comprometimentos à saúde. É comum nessas pessoas a existência de baixa estima. ou. comunicação bastante prejudicada. pois. a pessoa se enxerga “gorda”. particularmente com a punição. A atividade psicomotora também pode estar alterada .

para desviar do rumo muitas vezes visto como inexorável no uso de drogas. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. Também faz uso de laxantes. sob o efeito do álcool.. Estudos mostram o uso cada vez mais precoce de substâncias psicoativas. 2003). Sente que não tem controle sobre a situação. perdem-se de seu movimento de abertura e precisam. pois afeta não só o dependente. Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados nos transtornos alimentares e os cuidados de enfermagem na sua administração. OPAS. temos altos índices de abandono escolar. No Brasil. fatalmente. estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicoativas (CEBRID) sobre o uso indevido de drogas por estudantes (n = 2.730) dos antigos 1º e 2º graus em dez capitais brasileiras (Galduróz et. onde cada vida se expressará de uma maneira singular. independentemente da idade. diuréticos e enemas de forma indiscriminada. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Pessoas com comportamento bulímico geralmente são tidas como perfeccionistas e dependentes da aprovação dos outros para a manutenção da autoestima. o que.5% dos estudantes faltaram à escola. chegamos a 14. 2 Se nas práticas de saúde nosso compromisso ético é o da defesa da vida. mas também o coletivo.1%. desperta sentimentos de culpa e vergonha. e para a mesma amostra. sexo. Há uma extrema preocupação com a forma e o peso. em seu processo de expansão. 2003).7%. 2001 apud BRASIL. com ênfase na Brasil.DAPE. de um coletivo. Brasília. Pessoas com anorexia nervosa podem apresentar desnutrição grave. cujos efeitos alteram nosso comportamento. (BRASIL. Não podemos nos afastar deste intrincado ponto onde as vidas. Secretaria de Atenção à Saúde. temos que nos colocar na condição de acolhimento. de novos agenciamentos e outras construções. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 131 . Bulimia nervosa Na bulimia nervosa há um comportamento variável. Como consequências. indução de vômitos e prática exagerada de exercícios. ora a pessoa mantém jejum prolongado e quando não suporta a privação. (BRASIL. nível de instrução e poder aquisitivo (OMS. incluindo o álcool. Ministério da Saúde. mas também onde cada vida é expressão da história de muitas vidas.pressão e perturbações do sono. Cerca de 10% das populações dos centros urbanos de todo o mundo consomem abusivamente substâncias psicoativas. após beber. Entende-se por droga psicoativa qualquer substância química que provoca modificação em nosso funcionamento mental. Quanto ao uso frequente. e que 11. 1997) revelou porcentual altíssimo de adolescentes que já haviam feito uso de álcool na vida: 74. al.5% brigaram. Coordenação Geral de Saúde Mental. ingere grandes quantidades de alimento de uma só vez (episódios bulímicos) às escondidas. a organização da rede de atenção2 A necessidade de definição de estratégias específicas para a construção de uma rede de assistência aos usuários de álcool e outras drogas. Ficou constatado que 19. TRANSTORNOS MENTAIS E DE COMPORTAMENTO DECORRENTES DO USO DE ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS O consumo abusivo de drogas é considerado um problema de saúde pública. novembro de 2005. bem como o rompimento de outros laços sociais que reforçam a percepção pública deste uso como próximo ao crime. faltando a compreensão do fenômeno como reflexo de questões multifatoriais. muitas vezes sucumbem ao aprisionamento. 2003).

Diante da diversidade das características populacionais existentes no País e da variação da incidência de transtornos causados pelo uso abusivo e/ou dependência de álcool e outras drogas. o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e outras Drogas. Originalmente apresentada de forma favorável na prevenção de doenças transmissíveis. assumida pelo Ministério da Saúde desde 1994. o programa organiza as ações de promoção. proteção à saúde e educação das pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas e estabelece uma rede estratégica de serviços extra-hospitalares para esta clientela. esta estratégia.reabilitação e reinserção social. Os Centros de Atenção Psicossocial para Atendimento de Pacientes com dependência e/ou uso prejudicial de álcool e outras drogas (CAPSad) são os dispositivos estratégicos desta rede. No 3 idem 132 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . levou o Ministério da Saúde a instituir. é internacionalmente reconhecida como alternativa pragmática e eficaz no campo da prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids. prevenção. no ano de 2002. com indicadores epidemiológicos relevantes. no âmbito do SUS. e passam a ser estabelecidos sobretudo em grandes regiões metropolitanas e em regiões ou municípios de fronteira. articulada à rede de atenção psicossocial e fundada na abordagem de redução de danos. Estratégias para a redução de danos e riscos associados ao consumo prejudicial3 O conceito de redução de danos vem sendo consolidado como um dos eixos norteadores da política do Ministério da Saúde para o álcool e outras drogas.

ofertando o que é possível e o que é necessário. implica um conjunto de intervenções de saúde pública que visam prevenir as conseqüências negativas do uso de álcool e outras drogas. as demandas de cada situação. a elaboração e distribuição de materiais educativos para usuários de álcool e outras drogas. e a ampliação do número de unidades de tratamento para o uso nocivo de álcool e outras drogas. o paradigma da redução de danos se situa como estratégia de saúde pública que visa a reduzir os danos causados pelo abuso de drogas lícitas e ilícitas. A estratégia de redução de danos e riscos associados ao consumo prejudicial de drogas vem permitindo que as práticas de saúde acolham. Pesquise sobre o álcool e outras drogas psicoativas de maior impacto epidemiológico. sem julgamento. entre outras. cachimbos) para prevenir a infecção dos vírus HIV e hepatites B e C entre usuários de drogas. e incentivando-o à mobilização social. resgatando o usuário em seu papel autorregulador. a distribuição de insumos (seringas. decorre que a abordagem de redução de danos. ao mesmo tempo em que aponta para as diretrizes do tratamento e da construção da rede de atenção para as pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas. sempre estimulando sua participação e seu engajamento. por meio de trabalho de campo. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 133 .campo do álcool e outras drogas. são estratégias de redução de danos a ampliação do acesso aos serviços de saúde. informando sobre as formas mais seguras do uso de álcool e outras drogas e sobre as consequências negativas do uso de substâncias psicoativas. Deste marco ético em defesa da vida. especialmente dos usuários que não têm contato com o sistema de saúde. mental e social. Estabeleça correlação com as propostas terapêuticas e os cuidados de enfermagem. traçando com ele estratégias que estão voltadas para a defesa de sua vida. Assim. agulhas. considerando suas repercussões na área física. sem a exigência imediata e automática da abstinência. de cada usuário. A estratégia de redução de danos sociais reconhece cada usuário em suas singularidades. os programas de prevenção de acidentes e violência associados ao consumo.

ed. 2008).. As mesmas alterações podem aparecer em vários transtornos e. restabelecimento dos vínculos afetivos. 2. seja realizada dentro dos princípios éticos e humanos. o que varia é a predominância que alguns exercem sobre os outros. cumpre apenas a função didática. destaca a importância do técnico de enfermagem na equipe de saúde que provê o tratamento e sua recuperação. 1999 apud Brasil.reimpr. Nise da Silveira O comportamento que os clientes com transtornos mentais apresentam é resultante de diversas alterações que ocorrem em suas funções psíquicas. Saber identificar no cliente os principais comportamentos e conseguir lidar com cada um deles individualmente para atendê-lo em suas necessidades. organizado pelas alterações de comportamento mais comuns que o cliente com transtorno mental apresenta. em todos os níveis de atenção à saúde.Prestando assistência de enfermagem ao cliente com principais alterações de comportamento4 O que melhora no atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. Assim. É indispensável que a assistência aos portadores de transtornos mentais. aumento da capacidade de gerenciamento da própria vida. 134 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . O cuidado é uma característica essencial do ser humano e pressupõe uma postura de convivência. interação e comunhão. Rio de Janeiro: Fiocruz. quando isso acontece. 1. Brasília: Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. O planejamento da assistência e a prescrição de enfermagem para atender às necessidades do cliente são realizados pelo enfermeiro. As relações de cuidado devem ocorrer na perspectiva sujeito-sujeito e não na perspectiva sujeito-objeto. O que cura é a alegria. promovendo maior autonomia. o que cura é a falta de preconceito. as ações de cuidado devem ser vistas como um “processo permanente de busca de equilíbrio dinâmico de todos os fatores que compõem a vida humana” (BOFF. sociais e da qualidade de vida. tais comportamentos são vistos em diferentes transtornos. Nesses casos. visto que é o cliente na sua totalidade que adoece e é nessa dimensão que os cuidados devem ser prestados. 4 Adaptado de BRASIL. O cuidado de enfermagem. 2003. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental.

é esperado que ele apresente medo de realizá-las. Esta pessoa pode apresentar um padrão respiratório ineficaz. na conversação também pode ajudar. pois sentir-se só diante de tantos medos pode ser ainda mais assustador. e auxiliálo e estimulá-lo na execução de exercícios respiratórios. Inicialmente. você deve observar a possibilidade de ele estar com roupas muito apertadas. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 135 . Comece participando com ele. Muitas vezes queixa-se de medos injustificáveis. É inútil tentar provocar situações para que ele “perca o medo”. É importante orientar sempre a pessoa em relação ao tempo. correndo-se o risco de fazê-lo entrar em pânico. utilizando frases curtas. Pode ser bastante salutar a sua participação em atividades simples. além de observar a coloração de mucosas e leito ungueal. espaço e pessoas caso esteja desorientado. e você deve estimulá-lo. porém não competitivas. assim como vários aspectos para a sua ansiedade. com um tom de voz firme. Portanto. As excretas devem ser observadas e anotadas. em todos os casos. Mostrar-se tranquilo. É muito importante observar também o padrão de alimentação (pode apresentar hiperfagia) e uma nutricionista pode lhe fornecer orientações quanto à dieta mais adequada para evitar aumento ponderal exagerado. não acha? Na manutenção de um ambiente terapêutico. ouvir as queixas e receios é essencial. “incomoda” e solicita a equipe em demasia. até que se sinta seguro. porém é inútil tentar lhe mostrar que o medo que sente é irreal.Cuidados de enfermagem ao cliente ansioso Você se lembra das reações de um paciente com transtorno de ansiedade? Podem apresentar vários níveis. aumentando assim a tensão. Dizer-lhe que não deve se preocupar pode fazer com que se sinta incompreendido e sozinho.

Esta vigilância deve ser discreta para não lembrar a todo instante ao paciente o grau de periculosidade a que se expõe. Este deve ser mantido sob vigilância quando em uso de objetos pontiagudos e cortantes e cordas – isto é. e depressão não é um problema incomum. Um paciente deprimido costuma se descuidar de seus cuidados básicos por não valorizá-los ou por achar que deve ser punido. vestuário. você pode lembrá-lo de que já fez referência à vontade ou tentativa de morrer e que a equipe deseja protegê-lo. atividades e padrões de sono e repouso. No entanto. É um bom momento para fazê-lo sentir-se valorizado.Cuidados de enfermagem ao cliente deprimido Este é um cliente que se apresenta triste. e “sentir pena” pode não ser a melhor forma de demonstrá-lo. é muito importante a enfermagem estar atenta às questões como a alimentação e hidratação. fornecerá um dado para seus cuidados. Você pode perguntar ao paciente se deseja morrer. ouvindo-o e participando das atividades. Porém. É comum encontrarmos membros da equipe que não gostam de trabalhar com esse tipo de paciente. O maior risco em lidar com esse tipo de paciente é o de suicídio (esse risco aumenta quando começa a melhorar de seu transtorno). Sua presença constante. Pode ser muito difícil ver nos outros um quadro agravado do que sentimos. Por isso. peso. eliminações intestinais. é uma boa maneira de manter a vigilância e integrá-lo ao grupo. 136 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . É descrito muitas vezes como “baixo astral”. culpado e isolado. é contraindicado tecer comentários quanto a essa atitude. tudo o que possa pôr em risco a sua integridade física – até que passe o perigo. pois a pergunta não irá induzi-lo. por razões óbvias. é necessário que o profissional se conscientize de que “sentir pena” não só não ajuda como pode atrapalhar. O ambiente terapêutico requer respeito. Caso o paciente pergunte se está sendo vigiado. Para lidar com este tipo de transtorno.

mantê-la é quase impossível. É preciso ter cuidado com mensagens verbais e não-verbais. e numa equipe despreparada pode muitas vezes ser alvo de zombarias e deboches. dançar.Cuidados de enfermagem ao cliente agitado A equipe muitas vezes descreve esse paciente como “irritante”. É como se estivesse se defendendo todo o tempo. Ganhar a confiança deste paciente não é fácil. mesmo assim. Com frequência. porém somente após ter criado com ele uma relação de confiança e. porém é importante estar a par que este paciente pode estar pronto a responder de maneira ameaçadora. com cores berrantes e vários enfeites. Pode se vestir de maneira extravagante. Este é um paciente que dorme pouco e em geral acorda cedo. etc. No entanto. agitando-se e tornandose agressivo. É extremamente ativo e pode falar. É muito importante que lhe sejam oferecidos líquidos e alimentos que possa ingerir enquanto mantém a atividade. desde dúvidas até delírios paranoicos. interpreta mal qualquer comentário. perda ponderal e grau de hidratação são imprescindíveis. com o cuidado de não fazê-lo de forma autoritária para não provocar reações desagradáveis que possam gerar a necessidade de contê-lo. Por estas razões tende a provocar o medo em outras pessoas. utilizandoos de forma desarmônica. cantar. Qualquer atitude não planejada pode resultar em desconfiança. para evitar que UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 137 . gritar. Você deve estabelecer limites para ele. A aferição de seus sinais vitais. pois sua hiperatividade não lhe permite sentar para alimentar-se. A melhor forma de interagir com ele é chamá-lo para as atividades e conversar sobre assuntos gerais. causando o seu afastamento. Também se alimenta mal. Cuidados de enfermagem com cliente que se acha perseguido É claro que sua desconfiança pode apresentar um grau variado.

se possível. Por isso é aconselhável permitir que o cliente escolha o que deseja comer e. para não ser usado. pois ele pode achar que estão tentando envenená-lo. Manter uma conduta firme e franca com o paciente. geralmente o fazem por alguma imposição. Porém não deve se expor desnecessariamente. não se deve demonstrar receio. Pelo mesmo motivo. Cuidados de enfermagem ao cliente com comportamento antissocial São vistos na equipe como “sedutores” e desafiadores. Apresentam boa verbalização. É importante que o profissional de saúde esteja alerta a estas manobras. Em relação ao potencial de violência. Não se consideram doentes e. Deve-se estar alerta aos sinais de intoxicação ou abstinência. atributos que muitas vezes usam para atrair simpatia e conseguir o que querem. A alimentação e a hidratação desse paciente podem estar prejudicadas. deve-se verificar sua boca após a administração de medicamentos. É bastante útil estimulá-los a participar de atividades.“ suas suspeitas se confirmem”. ou administrá-los na forma líquida. Nesta categoria. podem estar incluídos os dependentes de drogas ilícitas e os alcoolistas. Conselhos ou promessas “arrancadas” destes pacientes não serão capazes de resolver seus problemas enquanto não admitirem que tem um problema para controlar o uso da substância. se buscam o serviço de Saúde Mental. que ele mesmo prepare seus alimentos. ouvindo seus receios. Recomenda-se evitar situações que lhe provoquem ansiedade. pode ser uma boa maneira de ganhar sua confiança. É conveniente solicitar a ajuda de mais pessoas do serviço e até mesmo conter o paciente em caso de 138 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . são inteligentes e agradáveis.

M. Ministério da Saúde. é necessária a utilização de técnicas apropriadas e uma boa dose de compreensão e carinho. ______. BRASIL. 13 ed. 2003. 2008.necessidade. para evitar agravos ao paciente. como conduta violenta que implique em risco de lesões físicas para si e para os outros. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 139 . A Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas. 2002. A. é importante que esta seja feita por profissionais preparados. O que não deve ser esquecido é que. 2. Brasília: Ministério da Saúde. 2003.L. Rio de Janeiro: Fiocruz. O. Ministério da Saúde. Rio de Janeiro: ANS. Brasília: Ministério da Saúde.reimpr. Diretrizes assistenciais para a saúde mental na saúde suplementar .B. Ministério da Saúde. seja qual for a medida adotada.216 de 28 de janeiro de 2001. Para tal. ed. ______. M. ______. TEIXEIRA. Diário Oficial da União. Perante a necessidade de contenção mecânica. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental . FURTADO. As contenções podem ser medicamentosas (químicas) ou mecânicas (físicas). São Paulo: Saraiva .. 1. ela deve vir acompanhada de respeito. Bibliografia BOCK.. As contenções mecânicas são indicadas para os estados de agitação não controláveis com medicação ou em episódios agudos. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. evitando-se desafios do tipo: “Vem me bater agora!” Também é indispensável que se explique ao paciente que a medida adotada se deu porque ele passou do limite ou para protegê-lo. Agência Nacional de Saúde Suplementar. de 9 de abril de 2001. Lei Federal 10. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.

M. e cols. 2001. P.DALGALARRONDO. Porto Alegre: Artmed. TEIXEIRA. 2000. Manual de enfermagem psiquiátrica.B. São Paulo: Atheneu. anexo Sugestão de filmes Rain Man – autismo As Horas – depressão Uma Mente Brilhante – esquizofrenia Mr Jones – transtorno bipolar Melhor Impossível – transtorno obsessivo compulsivo O Silêncio dos Inocentes . Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais.sociopatia Bicho de Sete Cabeças – manicômio 140 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS .

✎ Anotações .

✎ Anotações .

Ficha Técnica Projeto Gráfico e Editoração Capa Ilustrações Revisão Marli Santos de Jesus Ricardo Ferreira Didiu Rio Branco Benedito Amancio do Vale Dante Pascoal Corradini Formato Tipologia Papel Número de páginas Tiragem 210 x 205 mm Optima Capa | Triplex 250 g/m2 Miolo | Offset 90 g/m2 144 10.000 .

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SECRETARIA DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE GESTÃO PÚBLICA SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO SECRETARIA DA SAÚDE .

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