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UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL – UAB

PROGRAMA NACIONAL DE FORMAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


– PNAP

ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE

DISCIPLINA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO GOVERNAMENTAL E A


ELABORAÇÃO DE INDICADORES

Aluno: Joélio de Carvalho Corrêa Jr

Pólo: São Francisco de Paula

ATIVIDADE 1

O planejamento, considerado uma extensão do pensamento Marxista,


consolidou-se a partir de inúmeras experiências pelo mundo. No Brasil, o
planejamento se aprofunda durante o período militar, caracterizado por planos
com estilo autoritário, centralizador e economicamente concentrador. A partir
do Governo Collor, fundamentado no modelo neoliberalista, novas iniciativas de
planejamento, ou de extinção deste, ganharam força.

Diante do exposto, baseado em seu conhecimento prévio e material


didático, responda:

1 Por que o contexto brasileiro atual é adverso à adoção do Planejamento


Estratégico Governamental como instrumento de gestão pública?

Um fator de suma importância para a implantação de um


Planejamento Estratégico Governamental (PEG) de sucesso é a continuidade
deste processo, contudo parece incrustado em nosso cenário político
administrativo a falta desta sequência de políticas públicas. Fica clara que a
concorrência eleitoral tem pesado mais que a coerência administrativa na
gestão pública, onde o alvo não é o “Estado Necessário” e sim a próxima
eleição, não podendo ser valorizadas as políticas públicas já implantadas pelos
governos passados, pois estes trariam “frutos perigosos” na concorrência do
poder. No governo Lula, a manutenção do Programa Bolsa Família pareceria
ser a exceção, contudo este fora alterado de forma sutil, objetivando a não
vinculação da idéia inicial do governo anterior. Uma proposta ultimamente
apresentada por alguns setores é aumentar constitucionalmente a duração dos
mandatos governamentais para cinco ou seis anos, aumentando o prazo para a
real implementação de projetos oriundos do PEG, contudo em minha opinião
dever-se-ia criar ferramentas em nível de Estado que obrigassem a
continuidade deste processo, “isolando” a variação de governos, mantendo o
objetivo de “Estado Necessário”. Também seria necessária a criação de
indicadores de avaliação para a real necessidade e sucesso destas políticas
públicas, quando comprovada a positividade da ação esta se enquadraria na
obrigatoriedade da continuidade e em alguns casos a sua conclusão.

2 Quais as características que definem o “Estado Herdado” e o “Estado


Necessário”?

A principal característica do “Estado Herdado” é a situação não


desejada, onde as políticas públicas não estão de acordo com as expectativas
da população, pois se fosse diferente este seria denominado “Estado Ideal”.
Normalmente o “Estado Herdado” tem caráter negativo, pois se caracteriza por
um momento indesejado, como já ocorreu no Brasil – um Estado
patrimonialista, autoritária e clientelista. Já o “Estado Necessário” se
caracteriza pelo processo de pesquisa, análise e adequação, processos que
tomo a liberdade de denominar – “Processo Evolutivo do Estado”, onde tem-se
uma problematização e uma evolução na melhora das condições de vida da
população. A descoberta das reais necessidades da população é ponto chave
do “Estado Necessário”, pois ao contrário estaríamos sendo prepotentes
(característica comum no “Estado Herdado”), onde pensamos que somos
sabedores das reias necessidades de outros, onde nem sempre a sua
necessidade é idêntica a do outro. Um fato que considero de suma importância
no processo de transformação é a cientificação do mesmo, onde métodos
científicos de pesquisa e análise são fatores primordiais para esta evolução.
Como citei acima, o “Estado Ideal” é aquele em que todas as necessidades e
expectativas da população para uma vida com qualidade e sustentável sejam
obtidas, para muitos utópico, porém é o “Estado Necessário”!

3 Por que é imprescindível o compromisso dos gestores para promover a


construção do “Estado Necessário”?

Um ponto imprescindível para os gestores públicos é o estado de


consciência do vínculo exclusivo com o bem estar da população, deixando de
lado fatores ideológicos, partidários e individuais. Claro que este compromisso
é bastante importante, contudo a profissionalização destes gestores, também é
fator imprescindível, onde estes utilizarão ferramentas científicas para,
inicialmente, identificar as reais necessidades e, posteriormente, promover um
Plano Estratégico que coordenará o processo evolutivo. Contudo fica clara a
necessidade da boa intenção e da isenção de interesses acima citados, fato
este que advém da boa remuneração do gestor, além de procedimentos de real
fiscalização sobre os mesmos.

Há inúmeras dificuldades na transição do “Estado Herdado” para o


“Estado Necessário”. Isso porque, essa mudança exige, além da alteração de
forças políticas, uma transformação da conformação do Estado pelo governo.
Frente ao exposto, estudiosos apontam que a adoção de metodologias de
trabalho, entre elas o Planejamento Estratégico Governamental, podem
contribuir para esta tão almejada transição.
Sendo assim:

4 Explique de que forma o Planejamento Estratégico Governamental pode


contribuir no desafio da construção do “Estado Necessário”.

O Planejamento Estratégico Governamental (PEG) é uma


ferramenta científica importante para a evolução do Estado de forma positiva.
O desenvolvimento desta ferramenta está baseado em etapas importantes
como levantamento de dados (levantamento das reais necessidades da
população), processo decisório e planejamento das ações a serem tomadas, a
seguir, o acompanhamento do sucesso das ações e decisões, através de
indicadores científicos. Esta ferramenta está diretamente relacionada as
relações entre Estado e sociedade; capacidade e novas adaptações da
estrutura administrativa do Estado; desenvolvimento de processo decisório
participativo, entre outras. Sabemos que a estruturação de um PEG é um
grande desafio para um governo, contudo este processo deve ser
implementado na busca do Estado Ideal. Deixando bem claro que o PEG não
pode ser apenas enfocado no fator econômico, como os Planejamentos
Estratégicos de instituições privadas, mas sim aspectos sociais e de caráter
universal.

O Planejamento Estratégico Situacional, método PES, foi criado pelo ex-


ministro de planejamento chileno Carlos Matus durante o longo período em que
ficou preso em função do golpe militar naquele país. A partir de suas reflexões,
Matus formulou uma crítica ao planejamento governamental tradicional e
propôs um método alternativo que levasse em conta o caráter situacional e
estratégico que deveria possuir o planejamento.

5 Quais as características que distinguem o Planejamento Estratégico


Situacional do Planejamento tradicional?

A principal diferença está citada na questão anterior, ou seja, no


Planejamento Tradicional o fator principal é o econômico, normalmente
relacionando ao lucro e exploração de uma classe. Outro ponto que considero
importante é a negação de um único diagnóstico da realidade no PES,
enquanto o tradicional tem um diagnóstico identificado com os interesses de
alguns indivíduos. O processo decisório do modelo tradicional é de cima para
baixo, enquanto o PES nunca age de forma determinista, considerando o jogo
social como uma questão sempre aberta.

6 Descreva os pontos que tornam apropriado o método PES para servir


de fundamento ao Planejamento Estratégico Governamental:

A principal característica é o fator não normativo como o


planejamento tradicional; ele leva em consideração não apenas um ponto de
vista e sim a observação das demandas da sociedade como um todo; uma
relação com o jogo social de maneira aberta, ou seja, a não existência de uma
realidade acabada e definitiva; os atores na situação de governo não têm o
controle total sobre os fatores e recursos das ações tomadas.

O foco de uma gestão estratégica é tornar possível, no futuro, o que hoje


nos parece impossível ou improvável e manter a atenção sobre o que é mais
importante fazer para atingir os objetivos traçados. Trata-se de enfrentar
problemas planejados para construir viabilidade.

7 Na composição da gestão estratégica, Matus, propõe quatro momentos,


os quais vão muito além da simples conformação cronológica. De acordo
com o pensamento do autor e com base em suas reflexões a partir da
leitura do material responda: por que é mais adequada a utilização do
termo momentos em substituição aos termos fases ou etapas? Quais são
e como podem ser descritos os momentos da gestão estratégica?

A denominação de momentos em substituição vem em referência


ao não estagnação, ou seja, não se identifica o início ou o fim de um respectivo
momento, sendo um processo encadeado e contínuo. Diferentemente dos
termos “etapas e fases” que propiciam idéias contrárias as acima citadas, isto
é: factual, seccional e estagnado.
Os momentos da gestão estratégica são:
Diagnóstico: explicar a realidade sobre a qual se quer atuar e
mudar; foi, é e tende a ser.
Formulação: expressar a situação futura desejada ou o plano; o
que deve ser.
Estratégia: verificar a viabilidade do projeto formulado e conceber
a forma de executá-lo; é possível? Como fazer?
Operação: agir sobre a realidade; fazer, implementar, monitorar,
avaliar.

Observe a figura:
Fonte: Dagnino, 2009, p. 105

8 Com base na figura, explique a frase: “O grau de governabilidade que


um ator social precisa para governar é inversamente proporcional ao
projeto de governo, entendido este como a ambição de mudar a situação
previamente existente” (Dagnino, 2009, p. 104).

A governabilidade está relacionado ao Apoio Político que é


estabelecido por parte da população que elegeu estes atores; uma relação
muito interessante é a de que um projeto de governo que não ambicione alterar
a situação já existente, não requer uma alta governabilidade, ou seja, o apoio
político pode ser menor do que em um projeto que vise alterar radicalmente a
situação encontrada. Como já afirma o ditado: toda mudança não é bem
recebida pelo ser humano, que tem uma tendência a inércia cotidiana. Logo, a
governabilidade é diretamente proporcional ao apoio político recebido. A
proposta de governo que recebeu o apoio político nem sempre é facilmente
implantada, dependendo do transcorrer do processo, a governabilidade
começa a ficar dificultada, principalmente se o projeto for considerado muito
transformador, provocando a diminuição do apoio político.

9 Os problemas produzidos nos jogos sociais são os alvos (objetos) do


Planejamento Estratégico Governamental. Assim sendo, como podemos
definir um problema? Qual a importância da correta formulação do
problema pelo ator social?

O problema ou situação-problema é o fator prioritário da etapa de


diagnóstico. O problema pode se classificado em Estruturado (aquele que pode
ser facilmente identificado as suas respectivas variáveis) e o Quase
Estruturado (se enumera apenas algumas das variáveis). Nos jogos sociais os
problemas são os de Quase Estruturados, ou seja, apenas algumas variáveis
podem ser relacionadas. O problema pode ser uma ameaça, uma oportunidade
ou um obstáculo. A identificação e enfrentamento de um problema é um fator
muito importante que deve ser executado pelo ator social atuante.
O ator social tem de apresentar uma postura propositiva, onde ele
não pode desviar do problema, mas sim um enfrentamento dos mesmos para
que o caráter reativo seja propulsor de ações de governo. Uma das fases
importantes de um Planejamento Estratégico Governamental é o Diagnóstico,
sendo que a identificação do problema correta é fator preponderante para a
tomada de decisões corretas, já uma identificação incorreta do problema pode
gerar uma visão distorcida da situação desviando o foco de uma ação
especifica.

Explicar a situação em que uma instituição ou um ator está ou pretende


estar envolvido é uma questão tratada pela Metodologia de Diagnóstico de
Situações. Já a Metodologia de Planejamento de Situações proporciona
conceitos para formular propostas de ação para resolver problemas sob
incertezas, conceber estratégias que levem em conta outros atores e eventuais
mudanças de contextos e atuar no momento oportuno e com eficácia,
recalculando e completando um Plano de Ação.

10. Diante disso, explique o que é um plano de ação e quais são as etapas
para sua construção.
Um Plano de Ação é a união de dois aspectos: primeiramente o
ato de planejar, identificando o problema, fazendo o diagnóstico e em
sequência a tomada de ações que direcionam as mudanças necessárias e
esperadas.
As principais etapas são:

 identificação do ator que planeja;


 descrição da situação-problema onde se quer atuar;
 problemas precisos a enfrentar;
 objetivos bem definidos;
 identificação de interessados e de beneficiários;
 nome do plano (aspecto comunicacional);
 principais ações a realizar, trajetória, encadeamento;
 definição de responsáveis, rede de ajuda e parceiros;
 previsão de recursos necessários, produtos e resultados
esperados;
 indicação do prazo de maturação dos resultados;
 indicadores para verificação do andamento dos trabalhos,
produtos, uso de recursos, contexto e resultados;
 clareza ao atuar em relação a aliados e a oponentes;
 clareza ao atuar em relação a mudanças no contexto;
 previsão de procedimentos para acompanhamento das
ações, cobrança e prestação de contas;
 previsão de procedimentos para avaliação e para revisão
durante a execução do que foi planejado.