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Trabalho - Sumula Vinculante e Uniformização Jurisprudencial

Trabalho - Sumula Vinculante e Uniformização Jurisprudencial

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2. DA UNIFORMIZAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA 2.1.

Considerações iniciais O presente estudo refere-se, em suma, à importância, à função e aos mecanismos de uniformização de jurisprudência no ordenamento jurídico pátrio, notadamente aqueles pertinentes à processualística civil, com especial enfoque para a influência que o precedente jurisprudencial assume nos dias atuais. Cumpre tecer, desde logo, breves comentários acerca da importância da uniformização jurisprudencial. Regra geral, a jurisprudência padronizada resulta na confiança da sociedade quanto aos seus direitos, bem como no estrito conhecimento sobre a exegese das normas materiais e formais vigentes. Acarreta, portanto, em segurança jurídica. Saliente-se ainda que outra benesse naturalmente decorrente da aplicação deste instituto é a redução da provocação do Poder Judiciário, vez que a sociedade, conhecendo de maneira pretérita e abstrata as possibilidades de obtenção da tutela jurisdicional, deixa de instaurar litígios em que se conhece previamente a possibilidade de insucesso. Outro benefício louvável da utilização deste instituto é o de que a existência de entendimento jurisprudencial pacífico acerca da matéria litigiosa constitui um sólido embasamento à decisão do juiz monocrático. Usualmente, o precedente consolidado resulta no exaurimento da função jurisdicional, inclusive com a manifestação dos nossos Tribunais Superiores, servindo de referência segura a todos os julgadores monocráticos de casos semelhantes. Todavia, não se pode deixar de considerar (e essa é a grande crítica à adoção deste sistema) que o esforço excessivo em se criar uma jurisprudência uniformizada poderia resultar na subversão da supremacia da lei que vigora no ordenamento jurídico brasileiro. A Garantia Constitucional de acesso à Justiça (artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal), está intimamente atrelada à prerrogativa do magistrado de julgar o caso fático em tela, sendo que nada, exceto à lei, poderia vincular a sua decisão.

2. que os que defendem a padronização da jurisprudência apontam seus benefícios práticos. (grifo nosso) . posto que a vinculação de magistrados monocráticos a decisões colegiadas de órgãos superiores acabaria por ferir a supremacia da legislação e subvertendo o preceito fundamental da separação dos poderes. que conta com a seguinte redação: Art. A primeira acepção do termo. cumpre conceituar e explanar o significado do termo jurídico “súmula”. 506. A palavra "súmula" é originária de summula. Da conceituação do termo jurídico “súmula” Antes de conceituar e explicar o que é exatamente e como se procede a uniformização da jurisprudência. que podem ser desde ordem econômica até de ordem social. contar-se-á da data: (. O prazo para a interposição do recurso..) III .2. 184 e seus parágrafos. é mencionada no Código de Processo Civil em seu artigo 506.. Aqueles que se posicionam contrariamente à adoção deste instituto alertam para os perigos formais que a uniformização jurisprudencial pode trazer consigo. ou ao enunciado jurisprudencial que reflete entendimento pacificado de determinado tribunal (como sinônimo do termo súmula propriamente dito). Juridicamente. as súmulas podem referir-se ao teor abreviado de determinado julgamento (como sinônimo de ementa).da publicação da súmula do acórdão no órgão oficial. a título exemplificativo.Têm-se. do latim. portanto. aplicável em todos os casos o disposto no art. que significa "sumário" ou "resumo". posto que o resultado final de todo e qualquer incidente de uniformização jurisprudencial (como veremos mais adiante). não é outro senão a edição de uma súmula. transferindo ao Judiciário função de cunho tipicamente legislativo que não lhe foi outorgada pela Constituição Federal de 1988.

portanto. que Costa e Aquaroli (1999. 742). As súmulas. as súmulas são julgamentos revestidos de maior presunção de consonância do tribunal quanto à matéria tratada. etc.3. porém. 2. embargos infringentes. assim. p. a jurisprudência interna dos tribunais". (grifo nosso) . da padronização de seu entendimento quanto a determinadas matérias de direito. conforme predispõe o artigo 479 do CPC. p. haja vista a exigência de que a uniformização decorra do voto da maioria absoluta dos membros do colegiado em questão. a uniformização de jurisprudência: "é um expediente cujo objeto é evitar a desarmonia de interpretação de teses jurídicas. portanto. Na concepção doutrinária de Wambier. indica a condensação de série de acórdãos do mesmo tribunal.No dispositivo supra. procedimento do qual trataremos na sequencia e. Almeida e Talamini (1999. 269) assim definem com maestria: “Na jurisprudência (súmula). Objetivamente falando. Do conceito e natureza jurídica da uniformização jurisprudencial O termo “uniformização jurisprudencial” encontra diversas definições pelos mais variados doutrinadores pátrios. representam a formalização pelos tribunais de seus entendimentos jurisprudenciais. mais relevante é a segunda acepção da palavra. que pelo seu grau acentuado de formalismo. vislumbra-se nossa Lei de Ritos referir-se à palavra súmula como sinônimo de ementa (resumo) dos julgamentos proferidos nas instâncias superiores.. cabendo aqui colacionar aquelas consideradas mais elucidativas. Para o presente estudo. confere ao entendimento sumular uma confiabilidade e segurança maiores que aqueles comumente conferidos aos julgamentos costumeiros de acórdãos. tudo em função do elevado interesse público envolvido em procedimento desta natureza. uniformizando. revelando sua orientação para casos análogos".

1. observa-se que o incidente de uniformização de jurisprudência pode ser instaurado pelo juiz. DO INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA 2. faz o nosso Código de Processo Civil previsão expressa a despeito da maneira pela qual tal incidente deve tramitar junto aos tribunais deste País em seus artigos 476. Por sua vez. na sequencia do raciocínio. a uniformização da jurisprudencial é manejável através de instrumento processual que possui natureza incidental.4. 2. outrossim. incluindo-se aqui o Ministério Público. as hipóteses de cabimento encontram previsão nos incisos I e II do artigo 476 do CPC.Da análise do conceito retro. que visa a padronização do entendimento de determinado tribunal quanto a determinadas matérias de direito. 477. pois. desde que este atue no processo. percebe-se que ou doutrinadores se utilizaram do termo “expediente” para definir a natureza jurídica deste instituto. p. ao final. mas um meio disciplinador de um incidente cujo objetivo é extinguir uma divergência jurisprudencial. 476). almejando. atribuindo-lhe natureza tipicamente instrumental incidental. Nery Junior e Nery (2001. É. 478 e 479. um procedimento. Da legitimidade para propositura e hipóteses de cabimento Como mencionado anteriormente. de natureza incidental (aos recursos). diante de tais informações é possível concluir que a uniformização de jurisprudência não é recurso e sequer sucedâneo recursal. Da análise do artigo 476 do Código de Processo Civil.4. quais sejam: . Não podendo ser diferente. lecionam que esse incidente de uniformização de jurisprudência: "é destinado a fazer com que seja mantida a unidade da jurisprudência interna de determinado tribunal". ou pela parte. a edição de uma súmula sobre a divergência suscitada. Ora.

2. que se fundará na existência da divergência. o órgão julgador competente pelo caso fático que o ensejou deverá emitir juízo de admissibilidade. grupo de câmaras ou câmaras cíveis reunidas. ou grupo de câmaras. ao dar o voto na turma. requerer. câmara. os autos seguem ao presidente do tribunal para que seja marcada data de julgamento do incidente. 476. solicitar o pronunciamento prévio do tribunal acerca da interpretação do direito. Nesse sentido: RSTJ 17/452 e STJ-RT 664/175. Na sequência. ao arrazoar o recurso ou em petição avulsa. porém. fundamentalmente. II – no julgamento recorrido a interpretação for diversa do que lhe haja dado outra turma. No parágrafo único do mesmo artigo. que muito embora a redação do caput do artigo 476 do CPC indique que "compete ao juiz" suscitar o incidente em questão (quando verificadas as hipóteses acima elencadas). segundo as hipóteses de cabimento anteriormente mencionadas. ocorre divergência. câmara.2.) Parágrafo único.4.. quando: I – verificar que. É a sequencia de tramites predisposta no artigo 477 do Código de Processo Civil: . os Tribunais pátrios consagraram o entendimento de que a instauração se trata apenas de uma faculdade do magistrado. Saliente. a seu respeito. 476.Art. Do juízo de admissibilidade Quando suscitado o incidente de uniformização. que o julgamento obedeça ao disposto neste artigo. (. Compete ao juiz. o que faz parecer que os desembargadores ou ministros teriam a obrigação de efetuar a instauração do incidente de uniformização quando configuradas as hipóteses de cabimento.. é garantido o direito da parte de também promover o requerimento do incidente: Art. A parte poderá. lavrando um acórdão acerca da questão.

Do julgamento do incidente Recebidos os autos do incidente. sob pena de impossibilidade de fixação de súmula acerca da matéria em questão. na função de custus legis. 2. O parágrafo único do artigo 478 exige também o parecer do Ministério Público acerca da matéria. RJTJESP 128/253. o Presidente do Tribunal designará sessão de julgamento. 478. indo os autos ao presidente do tribunal para designar a sessão de julgamento. Nesse sentido: RT 605/137. os Tribunais têm rejeitado o incidente quando a divergência apontada encontra-se superada. (. por fim. será ouvido o chefe do Ministério Público que funciona perante o tribunal.Art. o julgamento que não obtiver maioria absoluta dos juízes titulares com direito a voto valerá apenas para o caso concreto. Saliente-se que o acórdão de que trata o dispositivo mencionado prestase tão somente a reconhecer o cabimento do incidente de uniformização. Em qualquer caso. ou seja. É acórdão que não discute o mérito da questão. Reconhecida a divergência. Por essa razão.4. . Saliente-se que o julgamento do incidente deve decidir por maioria a edição da súmula. caso contrário. que o incidente só será admitido quando a divergência for ativa. 477. devendo ser obedecido pela turma que julgar o recurso original. senão veja-se: Art.) Parágrafo único.479). A secretaria distribuirá a todos os juízes cópia do acórdão. nas hipóteses em que haja decisões recentes com entendimento contrário. será lavrado o acórdão.. mas só expõe a controvérsia (que deverá ser unicamente de direito) e os julgamentos divergentes ao órgão competente para o julgamento (tal competência é geralmente definida pelos regimentos internos dos tribunais). Cumpre asseverar.. na qual necessariamente deverá ser alcançada a maioria absoluta dos seus membros (art.3.

o qual deverá observar o entendimento recém firmado pelo pleno do tribunal. a vinculação da decisão proferida no julgamento do incidente é obrigatória. O julgamento. inexiste efeito vinculante em relação à tese firmada pelo Tribunal pleno (tal efeito só existe na constituição para as sumulas expedidas pelo pleno do STF). tomado pelo voto da maioria absoluta dos membros que integram o tribunal.4. Pela regra geral constitucional. É o que determina o artigo 479 do nosso Código de Ritos: Art. devendo a tese vencedora ser aplicada ao caso concreto de maneira cogente. que nada mais é que uma síntese da tese consolidada pelo julgamento. O tradicional doutrinador processualista Vicente . Turma ou Grupo de Câmaras competente para decidir o caso originário. 479.4.Ao final. será objeto de súmula e constituirá precedente na uniformização da jurisprudência. após seu julgamento retornam os autos para a Câmara. Parágrafo único. Finda a consumação da finalidade uniformizadora do incidente. retoma-se a polêmica acerca da imperatividade dos precedentes jurisprudenciais sobre a qual discorremos no introito desta narrativa. Já em relação aos casos futuros relativos à mesma matéria apreciada. Os regimentos internos disporão sobre a publicação no órgão oficial das súmulas de jurisprudência dominante. Dos efeitos da decisão sumulada Os efeitos da fixação de jurisprudência promovida pelo tribunal pleno devem ser considerados quanto ao caso fático que ensejou o incidente e quanto ao poder vinculante quanto aos casos futuros que debateram no Judiciário sobre o mesmo tema de direito uniformizado No que tange aos autos originários (os autos do recurso em que foi instaurado o incidente de uniformização). 2. fixada a interpretação do direito pela maioria absoluta dos membros do tribunal. é elaborada a súmula.

5. Isso porque. voltando à Câmara. só pode seguir o entendimento fixado pelo pleno. dentre eles o artigo 518 § 1º que oferece impeditivo de admissibilidade ao conhecimento do recurso de apelação quando a causa tiver sido julgada pelo juízo a quo em consonância a entendimento sumulado por tribunal superior. Considerações finais Tem-se reconhecido cada vez mais a importância da jurisprudência no ordenamento jurídico pátrio. porque se reconhece desde . que muito embora o a doutrina sinalize que o precedente não possui tal eficácia vinculante. atribuir efeito vinculante aos entendimentos sumulados. mormente quando se discute alternativas para desembaraçar o Poder Judiciário. porque o processo. muitos tribunais têm acrescentado em seus regimentos internos a proibição de que os julgamentos de seus órgãos sustentem tese superada por súmula. ainda que meticulosamente. Tais situações legais e jurisprudências nada mais fazem do que na prática.Greco Filho leciona com maestria e esclarece um pouco sobre o assunto com as seguintes lições (p. transferindo ao jurisdicionado parcela de poder legislativo. Ele tem força vinculante para o caso concreto cujo julgamento está em curso. o que se percebe da prática diária forense é a cada vez maior utilização pelos magistrados de julgados emitidos por Órgãos hierarquicamente superiores no embasamento de suas decisões. 348): O valor desse precedente é relativo. Como é cediço que a coercibilidade da norma jurídica como um todo se encontra justamente na sua efetiva aplicação pelo Poder Judiciário. Tal impedimento recursal encontra-se estampado ainda em dispositivos legais inseridos no Código de Processo Civil. em atenção ao Princípio da Primazia Legislativa que norteia o Ordenamento Jurídico brasileiro. Turma ou Grupo de Câmaras para aplicar a lei ao caso concreto. porém. mas para os casos futuros terá apenas a autoridade de uma decisão já tomada pelo órgão mais elevado do tribunal. 2. a uniformização reforça a segurança no próprio ordenamento jurídico. Cumpre esclarecer.

De maneira tal que quaisquer mecanismos que visem e obtenham sucesso no acréscimo da celeridade processual. Medidas tais como a que se tem notícias de que será adotada pelo novo Código de Processo Civil (projeto de lei em trâmite em Brasília).logo pela sociedade a exegese da norma. independentemente da força cogente que os precedentes exerçam. após reiteradas decisões sobre matéria constitucional. a uniformização de jurisprudência representa tema de fundamental importância. À margem da polêmica discussão acerca da constitucionalidade do chamado efeito vinculante. a partir de sua publicação na imprensa oficial. consagrada pelas súmulas emitidas pelos nossos Órgãos Colegiados. 103-A. visando suprir.1. de ofício ou por provocação. deficiências de cunho estrutural que tanto atravacam e arrastam os milhões de procedimentos judiciais nação afora. independentemente da Constitucionalidade formal do instituto. e Justiça morosa é Justiça ineficaz. 3. o art. nas esferas federal. DA SÚMULA VINCULANTE 3. aprovar súmula que. Do conceito Acrescentado pela Emenda Constitucional de nº 45 do ano de 2004. mediante decisão de dois terços dos seus membros. . O Supremo Tribunal Federal poderá. a par das exaustivas discussões doutrinárias levantadas a despeito do assunto. que pretende criar meios de julgamento simultâneo de causas que versem sobre os mesmos assuntos. terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. A verdade é que. 103-A da Constituição Federal nos traz a seguinte redação: Art. hão de ser aceitos por aclamação e ratificados pela sociedade como um todo. Destaca-se que. o ordenamento jurídico caminha de maneira inevitável para a adoção de mais e mais medidas dessa natureza. a sociedade como um todo clama pela eficácia da Justiça. pela padronização dos julgados.

3. devemos remontar às duas grandes famílias jurídicas existentes: a) a civil law. modelo do direito codificado. 578/579). julgar mais adequada. acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. julgando-a procedente. no tocante à sua interpretação em relação à matéria constitucional. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar. nas esferas federal. revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. 860). em seu Manual de Processo Civil. afirma que a súmula vinculante foi criada com o intuito de vincular os órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública. na forma estabelecida em lei. . p.estadual e municipal. 581).417. revisão e o cancelamento do enunciado das súmulas vinculantes. enfim. positivado. a Lei nº 11.2. Ou seja. segundo Lenza (2009. bem como proceder à sua revisão ou cancelamento. a aprovação. direta e indireta. dando-lhes a interpretação que o Supremo Tribunal Federal. esta possui o escopo de declarar a eficácia e a validade das normas. mais centrado na primazia da lei escrita. p. § 1º A súmula terá por objetivo a validade. p. guardião da Constituição. conforme o caso. e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula. Conforme ensinamento de Pedro Lenza. atribuindo competência exclusiva ao STF para a edição. caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que. b) a common law. em sua obra Direito Constitucional Esquematizado (2009. Da origem da Súmula Vinculante Para entendermos a origem da súmula vinculante. anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada. estadual e municipal. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei. mais ligado às normas gerais e organizadoras. a interpretação e a eficácia de normas determinadas. de 19/12/2006 foi criada para regulamentar este instituto." Ernane Fidélis Santos (2007.

o que forçou ao judiciário daquele país a adotar o efeito vinculante aos precedentes judiciais. Há ainda.3 Da legitimidade para provocação da Súmula Vinculante De acordo com Fidélis Santos (2007. muito embora ambos os sistemas sejam radicalmente opostos e aparentemente incompatíveis. provocado pelo próprio STF. surgiu o instituto dos precedentes. em seu ordenamento constitucional de 1976. se deve ou não proceder ao julgamento da questão. . adepto do sistema civil law. tal qual ocorre com a súmula vinculante brasileira. 861). que. feito por qualquer um de seus onze ministros. uniformizando as decisões. preliminarmente. 3. fato que indubitavelmente inspirou o legislador brasileiro. Desta forma. conforme o qual todos os juízes deverão julgar os casos concretos de acordo com as decisões do órgão hierarquicamente superior. certa influência do direito português. ainda. que. provocava diversas discussões em relação a determinados temas de repercussão. foi a aceitação de parte dos princípios costumeiros e centrados nas decisões dos juízes do sistema common law pelo direito brasileiro.modelo do precedente judicial anglo-saxão. haja vista que os juízes poderiam decidir de diversas maneiras diferentes. Podemos observar. O autor ainda nos mostra. para garantir a segurança jurídica e evitar o risco de instabilidade. segundo Lenza. p. por seu sistema federalista juridicamente descentralizado. que. que proporcionou o surgimento da súmula vinculante em nosso ordenamento jurídico. a edição de uma nova súmula vinculante pode ser de ofício. citando André Ramos Tavares. para que o próprio órgão delibere. que a súmula vinculante tem sua origem em países como os Estados Unidos. mais ligado aos costumes e centrado na primazia das decisões judiciais. consagrou a idéia de “vinculação geral” e de “força de lei” às decisões de seu Tribunal Constitucional no controle das leis. criando leis contraditórias.

VII – partido político com representação no Congresso Nacional.a Mesa de Assembléia Legislativa ou a Mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal. .o Governador de Estado ou o Governador do Distrito Federal. tal relação também se encontra no art. I a IX da Lei nº 9.) VI . VIII .partido político com representação no Congresso Nacional. V .o Presidente da República. II . VI . 3o São legitimados a propor a edição. 2o Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade: I . a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante: (. IV .a Mesa do Senado Federal. VI a XI. em seu art. 11. 2º.417/2006. IX . III .o Defensor Público-Geral da União. 103-A da Constituição Federal enuncia que todos aqueles que possuem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade podem provocar a elaboração de uma súmula vinculante. estendeu tal legitimidade: Art.. VII . Por sua vez.O parágrafo segundo do art..o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.868/99: Art.confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.a Mesa da Câmara dos Deputados.o Procurador-Geral da República. a Lei n. 3º.

Lenza (2009. X . revisão e o . haja vista que o parágrafo primeiro do art. Aprofundando-se na questão do procedimento de elaboração da súmula. os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios. seja esta admitida ou não por decisão irrecorrível do relator. p. Consequentemente à deflagração do processo de criação da súmula vinculante. os Tribunais Regionais do Trabalho. IX – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. com exceção das propostas que este mesmo tiver formulado. que o faz de ofício ou mediante provocação. revisão e cancelamento da Súmula Vinculante Como já visto anteriormente.417/2006.4. é o que Lenza (2009. 584) nos traz.VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. os Tribunais Regionais Federais. 2º. Vale salientar ainda que. os Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares. a edição. Da produção. entre órgãos judiciais ou entre estes e os entes da administração pública.o Governador de Estado ou do Distrito Federal. p. 584) mostra que haverá sempre a manifestação do Procurador-Geral da República para que tal seja feita. colhida a manifestação do Procurador-Geral da República. Sendo tal acréscimo válido. para a edição de uma súmula vinculante. revisão e cancelamento de súmulas vinculantes é exclusiva do Supremo Tribunal Federal. controvérsia atual que culmine em grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. conforme art. § 2º da Lei nº 11. 103-A de nossa Carta Magna ressalva tal possibilidade. 3. XI .os Tribunais Superiores. a competência para edição. a manifestação de terceiros no processo (nos termos do Regimento Interno do STF). requerse que haja reiteradas decisões a respeito de matéria constitucional inerente às normas as quais exista.

em sessão oficial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União o enunciado da mesma. p. com relação às instâncias hierarquicamente inferiores ao STF no Poder Judiciário. assim como esta também não repercute no próprio STF. 589) comenta que a súmula vinculante. por dois terços de seus membros. Contudo. a súmula vinculante não repercute no Poder Legislativo. se tal ocorresse. social ou de segurança pública. conforme art. pois isso o impediria de exercer sua principal função. revisão ou cancelamento de súmula vinculante não autoriza a suspensão de processo judicial que trate da mesma matéria discutida pelo STF. Finalmente. a proposta de edição. 3.5. Vale lembrar que. impedindo a adequação da mesma à evolução da sociedade.cancelamento de súmula. poderá limitar os efeitos vinculantes ou definir a eficácia desta para a partir de uma determinada data ou momento. no prazo de dez dias após a sessão em que se editou. Considerações finais Pedro Lenza (2009. Por uma questão de lógica. 3. modificou ou cancelou a súmula vinculante.6. impediria o Supremo de revisar ou cancelar a súmula editada. pois. Dos efeitos Conforme ensinamento de Lenza (2009. em sessão plenária. o STF. 585). que é a de editar as normas jurídicas. com efeito vinculante. p. por pelo menos dois terços dos membros do Supremo. Ernane Fidélis Santos ensina que esta possui eficácia imediata. o Supremo deverá publicar. 6º da referida Lei. e ainda que a súmula tenha sido aprovada por unanimidade. a partir da publicação de seu enunciado na imprensa oficial. dependerão de decisão tomada. introduzida em nosso ordenamento jurídico pela Reforma do Judiciário. atendendo a interesses de ordem econômica. além de repercutir no Poder Executivo e dos demais órgãos da Administração Pública direta e indireta. a súmula terá efeito vinculante. se mostra totalmente . No tocante à restrição dos efeitos da súmula vinculante.

entre órgãos judiciais ou entre estes e os entes da administração pública. . devendo o enunciado da súmula versar sobre validade. a súmula vinculante é amplamente necessária em nosso ordenamento jurídico. §1º da Lei nº 11. que o Supremo Tribunal Federal editará súmula vinculante apenas em relação a matérias e assuntos específicos e desde que sejam observados os requisitos expostos pelo art.417/2006. uma vez que visa obter segurança jurídica. sendo um grande erro relacioná-la a um fenômeno de engessamento do judiciário. ainda. acerca do qual haja frequentes decisões a respeito de matéria constitucional inerente às normas as quais exista. “desafogando”. consequentemente. podemos observar que o além de constitucional. 2º. Vale lembrar. interpretação e eficácia de ordenamento jurídico determinado. controvérsia atual que culmine em grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica Diante do exposto. conforme o mesmo doutrinador. o Poder Judiciário de milhares de causas que versam a respeito de matérias repetidas. uma vez que a própria norma que a regula prevê a revisão e até mesmo o cancelamento dos enunciados editados pelo STF.constitucional.

5. 1999. Curso Avançado de Processo Civil. SANTOS. LENZA. Rosa Maria de Andrade. e AQUAROLI. ed. 11. NERY. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.Volume 2.Volume 1. ALMEIDA. GRECO FILHO. Eduardo. . Ernani Fidélis. Código de Processo Civil Comentado. São Paulo: Editora Saraiva. 2. 2001. NERY JUNIOR.13. Marcelo. São Paulo. WAMBIER. Dicionário Jurídico. Direito Processual Civil . 1996. 12. 2007. São Paulo: Editora Saraiva. e TALAMINI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: COSTA.ed. São Paulo: Editora Saraiva. ed. Wagner Veneziani. São Paulo: WVC Editora. Renato Correia de. Nelson. Luiz Rodrigues. Pedro.4. ed. 2009. Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro . Direito Constitucional Esquematizado .ed.

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