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SUMÁRIO

4. PERSECUÇÃO CRIMINAL 4

4.1. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL 4

4.2. TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO) 5

4.3. INQUÉRITO POLICIAL 8


4.3.1. CONCEITO 8
4.3.2. NATUREZA JURÍDICA DO INQUÉRITO POLICIAL 12
4.3.3. FUNÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL 14
4.3.4. FINALIDADE 16
4.3.5. ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO E PROVAS 16
4.3.6. ATRIBUIÇÃO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA 18
4.3.7. FUNÇÕES EXERCIDAS PELA POLÍCIA 19
4.3.8. VALOR PROBATÓRIO E VÍCIOS NA FASE DO INQUÉRITO POLICIAL 21
4.3.9. NATUREZA DO CRIME E ATRIBUIÇÃO PARA AS INVESTIGAÇÕES 23
4.3.10. CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL 26
4.3.11. FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL 41
4.3.12. PEÇAS DE INAUGURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL 44
4.3.13. NOTITIA CRIMINIS E DELATIO CRIMINIS 44
4.3.14. DILIGÊNCIAS INVESTIGATÓRIAS 50
4.3.15. RECONSTITUIÇÃO 51
4.3.16. PRAZOS PARA A CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL 52
4.3.16.1. CPP – REGRA GERAL 52
4.3.16.2. JUSTIÇA FEDERAL 52
4.3.16.3. CPM 52
4.3.16.4. LEI DOS CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR 53
4.3.16.5. LEI DOS CRIMES HEDIONDOS E PRISÃO TEMPORÁRIA 53
4.3.16.6. LEI DE DROGAS 53
4.3.18. EXCESSO DE PRAZO 54
4.3.18. RELATÓRIO 57
4.3.19. INDICIAMENTO 57
4.3.20. CONCLUSÃO DAS INVESTIGAÇÕES 61
4.3.21. ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL 62
4.3.22. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL 64

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4.3.23. IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL 67

4.4. DE OLHO NAS SÚMULAS 68

4.5. INFORMATIVOS 69

4.6. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? 78

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APRESENTAÇÃO

Esse conteúdo faz parte da apostila de processo penal I do Manual Caseiro, sendo apenas um dos
capítulos abordados na apostila.

O primeiro passo para o sucesso nas provas é, certamente, a ESCOLHA DE UM BOM


MATERIAL.

E o que seria um bom material? Um bom material, meu caro aluno, é aquele que apresenta a
informação segura, de forma OBJETIVA, CONCISA, ATUALIZADA. Um bom material é, além
disso, aquele que busca preencher todas as lacunas do estudo, sem que recorramos a materiais adicionais.
Dessa forma, buscamos reunir todas as informações em um único material: doutrina, lei seca, questões
e jurisprudência.

O nosso material oferta justamente essa proposta, TUDO em UM só lugar.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL I

4. PERSECUÇÃO CRIMINAL

Segundo Távora e Alencar (2016), a persecução criminal para a apuração das infrações penais
e sua respectiva autoria comporta duas fases bem delineadas. A primeira, preliminar, inquisitiva, e
objeto do presente capítulo, é o inquérito policial. A segunda, submissa ao contraditório e à ampla
defesa, é denominada de fase processual. Assim, materializado o dever de punir do Estado com a
ocorrência de um suposto fato delituoso, cabe a ele, Estado, como regra, iniciar a persecutio criminis
para apurar, processar e enfim fazer valer o direito de punir, solucionando as lides e aplicando a lei ao
caso concreto.

Em RESUMO:

Fase Investigação
Investigatória Criminal
Persecução
Penal
Fase Processual
ou Judicial

4.1. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

A investigação preliminar criminal é o conjunto de diligências preliminares devidamente


formalizadas que, nos limites da lei, se destinam a apurar a existência, materialidade, circunstâncias e
autoria de uma infração penal, coletando provas e elementos de informações que poderão ser utilizadas
na persecução penal. Desta feita é o gênero do qual fazem parte a investigação feita pelo Ministério
Público, comissões parlamentares de inquérito, termo circunstanciado de ocorrência (TCO), dentre
outros instrumentos investigatórios, mas o inquérito policial é sem dúvidas a principal espécie desse
gênero. Contudo, reforçamos, o inquérito policial é uma das espécies de investigações criminais (e não
a única).

Cumpre ainda fazermos uma distinção entre a persecução criminal e a investigação criminal.
Nesse sentido, a persecução criminal pode ser compreendida como atividade do Estado, desde a
investigação até o momento de aplicação ou não do sanção penal. Ou seja, quando surge um ilícito
criminal, surge para o estado o poder/dever em razão do monopólio por ele assumido, de aplicar a

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jurisdição e investigar aquela conduta delitiva, e a partir da colheita de elementos de informação,
eventualmente provocar o aparato jurisdicional por intermédio da propositura de uma ação penal, para
que obedecido devidamente o processo legal, verificar se, na situação concreta, deverá ser aplicada a
sanção penal.

Em RESUMO:

Fase investigatória
(Investigação
preliminar – inquérito
policial)
Persecução Penal
Fase
Judicial/Processual
(Ação Penal)

4.2. TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO)

O termo circunstanciado de ocorrência trata-se de um procedimento simplificado, que não segue


o mesmo rigor do inquérito policial, substituindo este, nas investigações das infrações penais de menor
potencial ofensivo (IMPO). A competência para julgar IMPO é dos Juizados Especiais Criminais, nesse
sentido, a fase preliminar ao procedimento judicial é também disciplinada na Lei 9.099/95, cujo art. 69
dispõe sobre a lavratura do termo circunstanciado e seu encaminhamento imediato ao Juizado,
permitindo que a investigação policial seja concluída de forma mais célere.

Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo
circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima,
providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.

Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente
encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão
em flagrante, nem se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar,
como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima.

Dessa forma, enquanto o IP está para a investigação dos crimes comuns, o TCO está para a
investigação das infrações de menor potencial ofensivo. Portanto, pode-se dizer que o TCO tem função
de registrar os fatos que, em tese, configuram-se como IMPO. Nele será qualificado o ofendido, o autor
do fato criminoso, descrito o local e as condições em que ocorreu a infração penal e mencionará as
provas existentes, indicando desde já as testemunhas.

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Vale destacar, que nem sempre será utilizado o TCO para a investigação das infrações de menor
potencial ofensivo, conforme esquematizado abaixo:

Inquérito será instaurado mediante portaria, pois não é possível que


AUTORIA IGNORADA
o autor desconhecido compareça ao JECRIM.
Inquérito será instaurado, já que não é possível observar os
COMPLEXIDADE NA
INVESTIGAÇÃO
princípios que regem o procedimento sumaríssimo, quais sejam:
simplicidade, celeridade e informalidade.
Na hipótese de o indivíduo se recusar a comparecer no Jecrim, será
lavrado APF, e não TCO.
RECUSA DE #Atenção: no crime de porte de drogas para uso pessoal (art. 28, Lei 11.
COMPARECER AO 343/06) → ainda que o autor se recuse a comparecer no Jecrim, será
JECRIM lavrado TCO, uma vez que não é possível impor um título prisional àquele
que pratica o crime.

AUTOR NÃO PRESTA O IP será lavrado mediante APF, considerando uma interpretação a
SOCORRO IMEDIATO contrário senso do art. 301.
NOS CRIMES DO CTB Art. 301 . Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que resulte
vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se prestar
pronto e integral socorro àquela.

O art. 69 da Lei nº 9.099/95 fala que o termo circunstanciado é lavrado pela “autoridade
policial”. Quem é considerado “autoridade policial”?

De acordo com o STF, o termo circunstanciado é o instrumento legal que se limita a constatar a
ocorrência de crimes de menor potencial ofensivo, motivo pelo qual não configura atividade
investigativa e, por via de consequência, NÃO se revela como função privativa de polícia judiciária
Assim, o art. 69 da Lei nº 9.099/95 não se refere exclusivamente à polícia judiciária, englobando também
as demais autoridades legalmente reconhecidas.

Dessa forma, o STF julgou constitucional norma estadual que prevê a possibilidade da lavratura
de termos circunstanciados pela polícia militar e pelo corpo de bombeiros militar. Além disso, do
ponto de vista formal, de acordo com o art. 24, incisos X e XI, da CF/88 35, o Estado possui competência
para legislar sobre o tema, pois trata-se de assunto cuja competência é concorrente. [STF. Plenário. ADI
5637/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/3/2022 (Info 1046)].

Ademais, em recente decisão (24/02/2023), o plenário do Supremo Tribunal Federal, por


unanimidade, validou o decreto da Presidência da República que deu competência à Polícia Rodoviária
Federal (PRF) para lavrar termo circunstanciado de ocorrência (TCO) de crime federal de menor
potencial ofensivo. A questão foi objeto de duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs 6245 e

35CF/88, Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar CONCORRENTEMENTE sobre: (...) X - criação,
funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matéria processual;

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6264) julgadas na sessão virtual encerrada em 17/2. As duas ações questionavam o artigo 6º do Decreto
10.073/2019, que autorizava a lavratura do termo.

O STF, em uma ação que discutia a inconstitucionalidade dos parágrafos 2º e 3º do art.


48 da Lei 11.343/06, firmou entendimento de que cabe ao magistrado lavrar o TCO no crime de porte
ou posse de droga para uso pessoal, tipificado no art. 28 da Lei 11.343/06 e, somente na sua ausência,
poderá fazê-lo o delegado. O STF entendeu que a lavratura de termo circunstanciado e a requisição de
exames e perícias não são atividades de investigação. [STF. Plenário. ADI 3807, Rel. Cármen Lúcia,
julgado em 29/06/2020 (Info 986 – clipping)]

ESQUEMATIZANDO:

AUTORIDADES
COMPETENTES PARA
LAVRAR TCO

POLÍCIA POLÍCIA MAGISTRADO


DELEGADO DE POLÍCIA BOMBEIROS
RODOVIÁRIA RODOVIÁRIA (ART. 28, LEI
POLÍCIA MILITAR MILITARES
FEDERAL ESTADUAL 11.343)

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RO Prova: Delegado de Polícia.
Considerando a doutrina e o entendimento do STF, o termo circunstanciado de ocorrência
A. refere-se a instrumento legal limitado a constatar a ocorrência de crimes de menor potencial ofensivo
e constitui atividade investigativa.
B. constitui instrumento cuja lavratura é função privativa da polícia judiciária.
C. deve ser lavrado em caso de crime que envolva violência doméstica ou familiar contra a mulher com
pena máxima inferior a dois anos.
D. deve ser lavrado em caso de crime de lesão corporal culposa cometido na direção de veículo
automotor em que o agente estava sob a influência de álcool.
E. pode ser lavrado pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros Militar se houver norma estadual
prevendo tal possibilidade.
Gab. E.

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4.3. INQUÉRITO POLICIAL

O prof. Leonardo de Barreto Moreira Alves (2021, pág.89) 36 ressalta a importância do inquérito
policial explicando que “em um Estado Democrático de Direito, no qual vige o princípio da presunção
da inocência e o processo é tido sob uma visão garantista, somente sendo possível a aplicação da pena
se há́ elementos de prova para tanto, surge o inquérito policial como a principal forma de investigação
estatal, tendo como função primordial sustentar e viabilizar o oferecimento da ação penal, garantindo
assim a sua justa causa, no sentido de exigência de um suporte probatório mínimo (indícios suficientes
de autoria e prova da materialidade do delito)”.

4.3.1. CONCEITO

O inquérito policial pode ser conceituado como um procedimento administrativo de natureza


inquisitorial, presidido por autoridade policial, que ostenta como finalidade viabilizar a identificação de
elementos de informação relacionados a autoria e materialidade delitiva, proporcionando ao titular da
ação penal a análise sobre a propositura ou não da ação penal.

Corroborando ao exposto, Távora e Alencar (2020), o inquérito policial deve ser compreendido
como sendo “procedimento administrativo, preliminar, presidido pelo delegado de polícia, no intuito
de identificar o autor do ilícito e os elementos que atestem a sua materialidade (existência),
contribuindo para a formação da opinião delitiva do titular da ação penal, ou seja, fornecendo
elementos para convencer o titular da ação penal se o processo deve ou não ser deflagrado”. Agregue-
se ainda a definição proposta, a característica de que o inquérito policial é um procedimento de cunho
inquisitorial.

Complementando, preceitua Pedro Coelho 37 “o inquérito policial pode ser definido como
procedimento administrativo de caráter preparatório e inquisitorial, presidido exclusivamente pela
autoridade policial, com a finalidade precípua de coletar elementos de informação acerca da autoria
e materialidade de uma infração penal”.

- PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO: o que significa que o inquérito policial não é


PROCESSO, mas sim PROCEDIMENTO. Em não se tratando de processo, mas procedimento, na fase
do inquérito policial não há necessidade de observância do contraditório ou da ampla defesa. Nesse
sentido, explica Leonardo de Barreto Moreira Alves (2021, pág.89) 38 “inquérito policial não é um

36 Sinopse para Concursos. Processo Penal Parte Geral, Leonardo Barreto Moreira Alves, 2021, Editora Juspodivm.
37 Dialógos sobre o Processo Penal/ Pedro Coelho – Salvador: Editora JusPodivm, 2020.
38 Sinopse para Concursos. Processo Penal Parte Geral, Leonardo Barreto Moreira Alves, 2021, Editora Juspodivm.

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processo. Por conta disso, não há que se falar, em regra, na existência de contraditório nesta etapa,
vigendo, pois, um sistema inquisitivo, não existindo participação do agente do delito na produção de
provas”.

Os vícios oriundos da fase do inquérito policial não são hábeis a anular posterior processo, salvo
as chamadas provas ilícitas. Assim, em regra, não há que se falar em contaminação e declaração de
nulidade que macule o processo.

PRETENSÃO PUNITIVA
Investigação Preliminar Fase Judicial
NÃO CONTAMINAM o processo penal
Vícios no Inquérito Policial → subsequente.
Exceção: provas ilícitas.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2018 - Prova: CESPE - 2018 - Polícia Federal - Agente de Polícia Federal.
Depois de adquirir um revólver calibre 38, que sabia ser produto de crime, José passou a portá-lo
municiado, sem autorização e em desacordo com determinação legal. O comportamento suspeito de José
levou-o a ser abordado em operação policial de rotina. Sem a autorização de porte de arma de fogo, José
foi conduzido à delegacia, onde foi instaurado inquérito policial.
Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item seguinte.
O inquérito instaurado contra José é procedimento de natureza administrativa, cuja finalidade é obter
informações a respeito da autoria e da materialidade do delito.
Gab. CERTO.
Justificativa: O inquérito policial é procedimento administrativo, e não processo. Além disso, possui a finalidade
de colher elementos informativos de autoria e materialidade do delito.

- PROCEDIMENTO PRELIMINAR (preparatório da ação penal): nos termos do art. 12 do


CPP, inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.
Assim, temos que ele é preparatório da ação penal, na hipótese que servir de base para o ajuizamento
desta. Contudo, cumpre destacarmos que o inquérito policial possui a característica de ser um
procedimento dispensável, o que significa dizer que a ação penal poderá ser proposta sem o IP se já
houverem outros elementos comprobatórios da autoria e materialidade do delito.
Nesse sentido, preceitua Norberto Avena “o inquérito policial não é imprescindível ao
ajuizamento da ação penal. Na medida em que seu conteúdo é meramente informativo, se já dispuserem
o Ministério Público (na ação penal pública) ou o ofendido (na ação penal privada) dos elementos
necessários ao oferecimento da denúncia ou queixa-crime (indícios de autoria e prova da materialidade
do fato), poderá ser dispensado o procedimento policial sem que isto importe qualquer irregularidade
(arts. 39, § 5, e 46, § 1º, do CPP).

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- INQUISITORIAL: não há que se falar em contraditório ou ampla defesa na fase do inquérito
policial.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2018 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-SE Prova: Delegado de Polícia.
Julgue o item seguinte, relativo aos direitos e deveres individuais e coletivos e às garantias
constitucionais.
No âmbito do inquérito policial, cuja natureza é inquisitiva, não se faz necessária a aplicação plena do
princípio do contraditório, conforme a jurisprudência dominante.
Gab. CERTO.

- PRESIDIDO EXCLUSIVAMENTE PELO DELEGADO DE POLÍCIA: embora a


investigação preliminar não seja exclusiva da autoridade policial, podendo outros órgãos proceder a
investigação, por exemplo, o Ministério Público através do PIC, a presidência do inquérito policial é
atribuição exclusiva do Delegado de Polícia. Somente o Delegado de Polícia tem atribuição para
presidir o inquérito policial. Nesse sentido, explica Norberto Avena “a previsão legal de que incumbe
ao delegado a condução do inquérito policial não implica a proibição de que outros órgãos realizem
investigações criminais, como é o caso do Ministério Público. Destarte, deve a lei ser interpretada no
sentido de que a presidência do inquérito policial é incumbência do delegado, e não que a atividade
investigatória, em qualquer caso, seja exclusividade absoluta da polícia”.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2009 Banca: FUNIVERSA Órgão: PC-DF Prova: Delegado de Polícia. Nos termos da Constituição
Federal, ressalvada a competência da União, incumbem às polícias civis, dirigidas por delegados de
polícia de carreira, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
Portanto, com as ressalvas constitucionais, cabe à polícia civil conduzir as investigações necessárias,
colhendo provas pré-constituídas e formar o inquérito, que servirá de base de sustentação a uma futura
ação penal. Acerca do tema inquérito policial, e com fundamento na orientação jurisprudencial do
Supremo Tribunal Federal, assinale a alternativa incorreta.
A. Arquivado o inquérito policial por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode
a ação penal ser iniciada, sem novas provas.
B. Pode o Ministério Público, como titular da ação penal pública, proceder a investigações e presidir o
inquérito policial.
C. Constitui direito do investigado e do respectivo defensor o acesso aos elementos coligidos no
inquérito policial, ainda que este tramite sob segredo de justiça.
D. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
E. O inquérito policial é dispensável, já que o Ministério Público pode embasar seu pedido em peças de
informação que concretizem justa causa para a denúncia.
Gab. B.

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Justificativa: Atenção, a questão pediu a alternativa incorreta. De fato, o MP pode investigar, contudo
a presidência do inquérito policial é exclusiva do Delegado de Polícia, o que torna a assertiva incorreta.

ATRIBUIÇÃO DO DELEGADO DE POLÍCIA: presidência do Inquérito Policial.

Lei nº. 12.830/2013


Art. 2º. As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo
Delegado de Polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado.
§1º. Ao delegado de polícia, cabe a condução da investigação criminal por meio de
inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como objetivo, a
apuração das circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações penais.

Embora a atribuição da presidência do inquérito policial seja exclusiva da polícia, existem outros
meios de investigação que poderão ser feitos por outro órgão, que não a Polícia Judiciária. (Ex.
Ministério Público realiza PIC - Procedimento Investigatório Criminal).

§2º Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de polícia a requisição de


perícia, informações, documentos e dados que interessem à apuração dos fatos.
(Desde que respeitada a Cláusula de Reserva de Jurisdição: por expressa previsão
constitucional, compete exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário, com total
exclusão de qualquer outro órgão estatal, a prática de determinadas restrições a
direitos e garantias individuais).
(...)
§4º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente
poderá ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho
fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos
procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia das
investigações.

- IDENTIFICAR ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO (autor do ilícito e elementos de


materialidade do delito): o inquérito policial tem a finalidade de colher elementos informativos.

No tocante aos elementos informativos, temos que eles são colhidos na fase do inquérito policial.
Diferentemente das provas, que são colhidas na fase do processo. Nesse momento, não há necessidade
de observância do contraditório e da ampla defesa. Tem por função corroborar na opinio delicti e serem
úteis para a eventual decretação de medidas cautelares.

Candidato, o juiz pode fundamentar sua decisão com base apenas nos elementos
informativos? Nos termos do art. 155 do CPP, não pode ser se for exclusivamente. O JUIZ NÃO PODE
CONDENAR COM BASE APENAS com o que consta no IP, pode utilizá-lo de maneira a complementá-
lo.

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Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?
Ano: 2016 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-GO Prova: Agente de Polícia Substituto.
A respeito do IP e da instrução criminal, assinale a opção correta.
A. O juiz é livre para apreciar as provas e, de acordo com sua convicção íntima, poderá basear a
condenação do réu exclusivamente nos elementos informativos colhidos no IP.
Gab. ERRADO.

Nos termos do art. 155 do Código de Processo Penal, embora o juiz possua liberdade para
apreciar as provas, é necessária a motivação, e não poderá proferir condenação com base
exclusivamente nos chamados “elementos informativos”. Vejamos a legislação:

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.

4.3.2. NATUREZA JURÍDICA DO INQUÉRITO POLICIAL

Candidato, qual a natureza jurídica do Inquérito Policial? A natureza jurídica do inquérito


policial é ser PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO e não processo, desta forma uma eventual
irregularidade não contamina os atos subsequentes, conforme preceitua o STF:

2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal estabelece que a suspeição de autoridade


policial não é motivo de nulidade do processo, pois o inquérito é mera peça informativa, de
que se serve o Ministério Público para o início da ação penal. Precedentes. 3. É inviável
anulação do processo penal por alegada irregularidade no inquérito, pois, segundo
jurisprudência firmada neste Supremo Tribunal, as nulidades processuais concernem tão
somente aos defeitos de ordem jurídica pelos quais afetados os atos praticados ao longo da ação
penal condenatória. Precedentes. (RHC 131450, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda
Turma, julgado em 03/05/2016).

Nesse sentido, explica Leonardo Barreto [2021, pág. 252]39:

Diante disso, assevera-se que eventuais vícios existentes no inquérito policial não têm o
condão de contaminar a futura ação penal ajuizada com base nele. Ou seja, diligências

39Alves, Leonardo Barreto Moreira. Manual de Processo Penal / Leonardo Barreto Moreira Alves - São Paulo: Editora
JusPodivm,2021.

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investigatórias que sejam colhidas descumprindo a forma prevista no ordenamento jurídico não
repercutem na futura ação penal, não têm como consequência a nulidade do processo.

O inquérito policial é um procedimento administrativo, não se trata de processo judicial, bem


como, de processo administrativo. Em sendo procedimento administrativo, dele não resulta a
imposição direta de uma sanção penal. Conforme apontado acima, uma das consequências da natureza
do Inquérito Policial como sendo procedimento administrativo, é de que os vícios constantes do mesmo
não contaminam o processo penal que der origem, SALVO na hipótese das chamadas provas ilícitas.

Exemplo de irregularidades que não tem o condão de macular a futura ação penal: crimes de
competência da justiça estadual sendo investigado pela Polícia Federal. Nesse caso, haverá mera
irregularidade.

STF:

Não há nulidade na ação penal instaurada a partir de elementos informativos colhidos em


inquérito policial que não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal considerando que
a situação não se enquadrava no art. 1º da Lei
Caso concreto: a Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério Público estadual e do Juízo de
Direito, conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes de competência da Justiça
Estadual. Entendeu-se que a Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais delitos
considerando que não se enquadravam nas hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da
Lei nº 10.446/2002.
A despeito disso, o STF entendeu que não havia nulidade na ação penal instaurada com base nos
elementos informativos colhidos.
O fato de os crimes de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela Polícia
Federal não geram nulidade. Isso porque esse procedimento investigatório, presidido por
autoridade de Polícia Federal, foi supervisionado pelo Juízo estadual (juízo competente) e por
membro do Ministério Público estadual (que tinha a atribuição para a causa).
O inquérito policial constitui procedimento administrativo, de caráter meramente informativo e
não obrigatório à regular instauração do processo-crime, cuja finalidade consiste em subsidiar
eventual denúncia a ser apresentada pelo Ministério Público, razão pela qual irregularidades
ocorridas não implicam, de regra, nulidade de processo-crime.
O art. 5º, LIII, da Constituição Federal, afirma que “ninguém será processado nem sentenciado
senão pela autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o chamado “princípio do juiz
natural”, princípio esse que não se estende para autoridades policiais, considerando que estas não
possuem competência para julgar.
Logo, não é possível anular provas ou processos em tramitação com base no argumento de que
a Polícia Federal não teria atribuição para investigar os crimes apurados.
A desconformidade da atuação da Polícia Federal com as disposições da Lei nº 10.446/2002 e
eventuais abusos cometidos por autoridade policial, embora possam implicar responsabilidade
no âmbito administrativo ou criminal dos agentes, não podem gerar a nulidade do inquérito ou
do processo penal.
STF. 1ª Turma. HC 169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

Ainda sobre a não contaminação dos vícios do inquérito policial na ação penal subsequente:

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É incabível a anulação de processo penal em razão de suposta irregularidade verificada em
inquérito policial
A suspeição de autoridade policial não é motivo de nulidade do processo, pois o inquérito é mera
peça informativa, de que se serve o Ministério Público para o início da ação penal.
Assim, é inviável a anulação do processo penal por alegada irregularidade no inquérito,
pois, segundo jurisprudência firmada no STF, as nulidades processuais estão relacionadas apenas
a defeitos de ordem jurídica pelos quais são afetados os atos praticados ao longo da ação penal
condenatória.
STF. 2ª Turma. RHC 131450/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/5/2016 (Info 824).

Por outro lado, podemos apontar como irregularidade na fase do inquérito policial que irá
macular o futuro processo, a confissão do agente na Delegacia obtida mediante tortura dos agentes
públicos. Nesse caso, estamos diante de uma prova ilícita por patente violação a norma de direito
material. Não cabe falarmos em mera irregularidade neste segundo caso.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2018 Banca: CEBRASPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal.
Julgue o seguinte item, a respeito de suspeição e impedimento no âmbito do processo penal.
O fato de não ser cabível a oposição de exceção de suspeição à autoridade policial na presidência do IP
faz, por consequência, que não sejam cabíveis as hipóteses de suspeição em investigação criminal.

Gab. ERRADO.

Inicialmente, cumpre reafirmarmos que de fato, não é cabível a exceção de suspeição em face da
autoridade policial, nos termos do art. 107 do CPP. Contudo, isso não significa que não seja possível a
alegação de suspeição, inclusive, o CPP declina que esta deverá ser levantada pelo próprio delegado de
polícia, quando ocorrer motivo legal. Nesse sentido, o texto normativo “não se poderá opor suspeição
às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer
motivo legal”.

4.3.3. FUNÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

FUNÇÃO PREPARATÓRIA FUNÇÃO PRESERVADORA


O inquérito policial serve para fornecer elementos O inquérito policial inibe ações penais
de informação para que o titular da ação penal temerárias, evitando imputações criminais
forme sua opinio delicti. infundadas.

A função preparatória do inquérito policial, que é a função mais conhecida entre os estudiosos,
revela o lastro probatório mínimo necessário para o ajuizamento da ação penal.

Dessa forma, temos que a finalidade do inquérito policial é colher elementos de informação a
respeito da autoria, materialidade e circunstâncias do crime para subsidiar a opinio delicti. A

14
opinio delicti é a convicção do titular da ação penal de que houve um crime e que um crime foi praticado
por determinada pessoa.

Em concurso de Delegado de Polícia Civil da Bahia (2022), foi apontada como CORRETA a seguinte
afirmação: “O inquérito policial é um procedimento preliminar, extrajudicial e preparatório para a ação
penal, sendo por isso considerado como a primeira fase da persecutio criminis; é instaurado pela polícia
judiciária e tem como finalidade a apuração de infração penal e de sua respectiva autoria”.

Vale destacar que o inquérito policial além de ser instrumento unidirecional com função
preparatória (para eventual ação penal), possui uma função preservadora da dignidade da pessoa
humana e do status de inocência (binômio de função preparatória-preservadora).

Conforme ensina o prof. Norberto Avena, a função preservadora do inquérito policial está
relacionada ao intuito de evitar imputações infundadas ou levianas. Tal linha de pensamento, ao fim e
ao cabo, importa em afastar a clássica função unidirecional da investigação criminal, voltada
exclusivamente para a acusação.

O inquérito policial também possui uma função preservadora. Fala-se em função preservadora
pelo fato de que o inquérito serve como instrumento de inibir a instauração de um processo
destituído de elementos de autoria e materialidade, ou seja, um processo temerário.
Nesse sentido, explica Leonardo Barreto [2021, pág, 234]40:

Função preservadora: é a função que assegura que o inquérito servira como filtro contra
processos penais temerários, levianos, arbitrários, o que violaria direitos fundamentais
colocados em jogo, notadamente a presunção de inocência, o status dignitatis e a dignidade da
pessoa humana. Entende-se que o simples ajuizamento da ação penal contra alguém provoca um
fardo à pessoa [...], não podendo, pois, ser ato leviano, desprovido de provas e sem um exame
pré-constituído da legalidade. Esse mecanismo auxilia a Justiça Criminal a preservar inocentes
de acusações injustas e temerárias, garantindo um juízo inaugural de delibação, inclusive para
verificar se se trata de fato definido como crime? O inquérito constitui-se assim em um meio de
afastar dúvidas e corrigir o prumo da investigação, evitando-se o indesejável erro judiciário [...].

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Em concurso de Delegado de Polícia Civil do Pará (2016), foi apontada como CORRETA a seguinte
afirmação: “O inquérito ostenta a função preservadora, consistente em preservar a inocência contra
acusações infundadas e o organismo judiciário contra o custo e a inutilidade em que estas redundariam,
propiciando sólida base e elementos para a propositura e exercício da ação penal”.

40Alves, Leonardo Barreto Moreira. Manual de Processo Penal / Leonardo Barreto Moreira Alves - São Paulo: Editora
JusPodivm,2021.

15
4.3.4. FINALIDADE

O inquérito policial possui a finalidade de apurar os elementos de informação quanto a


autoria e materialidade de uma infração penal. É cediço que após a prática delitiva, surge para o
Estado o poder-dever de punir o autor do delito, esse poder-dever constituir-se no chamado jus puniendi.

Nesse contexto, o inquérito policial apresenta-se como instrumento disponibilizado ao Estado


destinado à colheita de elementos de informação quanto à autoria e à materialidade do delito,
viabilizando posterior propositura da ação penal pelo seu titular (seja o Ministério Público ou a
vítima/ofendido). O propósito dos elementos de informação colhidos no inquérito policial é fornecer
ao titular da ação penal subsídios para o oferecimento da peça acusatória (denúncia ou queixa-
crime).

Corroborando ao exposto, preceitua Fábio Roque e Klaus Negri (2020): 41

O objetivo do inquérito policial é apurar a existência da infração penal (materialidade) e quem a


cometeu (autoria), consoante o art. 4°, CPP. De modo prático, não visa a fornecer os elementos
necessários para que o titular da ação penal mova uma ação penal; visa, na verdade, a munir o
acusador de elementos para formar o seu convencimento, isto é, a formar a sua opinio
delicti, de modo que disso pode ensejar – ou não – uma ação penal.

4.3.5. ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO E PROVAS

Candidato, muito se destaca sobre a finalidade do inquérito policial ser a de colher


elementos de informação, mas o que são esses elementos de informação? São provas?

Muita atenção nesse ponto, prezado candidato. É de extrema relevância a distinção entre os
chamados elementos de informação e as provas. Desse modo, já podemos afirmar a indagação no
sentido de que não, elementos de informação não é sinônimo de provas e devemos vislumbrar de forma
pontual a distinção entre eles.

Vejamos, inicialmente, o que prevê o Código de Processo Penal:

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida
em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente
nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas
cautelares, não repetíveis e antecipadas.

41Costa, Klaus Negri. Processo penal didático/ Klaus Negri Costa, Fábio Roque Araújo – Salvador: Editora Juspodbm, 3 Ed.
rev. Ampl. e atual 2020.

16
Ao analisarmos o teor do art. 155 do CPP, já podemos extrair uma conclusão: enquanto a prova
é produzida em contraditório judicial, os elementos informativos (elementos de informação) são
colhidos na fase de investigação.

Em RESUMO:

ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO PROVAS


São colhidos na fase investigatória. São produzidas na fase judicial. SALVO, as
provas cautelares, irrepetíveis e antecipadas.
É desnecessário a observância do contraditório e Torna-se imprescindível a observância dos
da ampla defesa. princípios do contraditório e da ampla defesa.
Atuação excepcional do juiz (cláusula de reserva de O juiz é dotado de iniciativa probatória
jurisdição). Para confecção dos elementos de (subsidiária).
informação como regra, não será necessária a
participação do juiz, salvo nos casos em que durante
a investigação se precise vulnerar um direito de
intimidade, por exemplo, decretação da
interceptação telefônica.

Atuação de ofício: Não é cabível atuação de ofício


do juiz nessa fase (reforçada pela Lei 13.964/19).
Buscam a formação da opinio delicti do titular da Buscam convencer o juiz para posterior sentença.
ação penal. Além disso, colabora na junção de Assim, contemplamos que as provas corroboram
elementos necessários para a decretação de medidas para o convencimento do juiz.
cautelares (ex. elementos para a fundamentação da
decretação da prisão preventiva).

Nesse sentido, explica Leonardo Barreto [2021, pág, 235]42:

Elementos de informação: são produzidos na investigação criminal, no intuito


de se promover um juizo de probabilidade, não havendo o respeito ao
contraditório e à ampla defesa, muito menos à publicidade e à imediatidade, não
podendo ser utilizados, via de regra, para a formação do convencimento do juiz
e consequente prolação de sentença penal condenatoria.

Provas: são produzidas no processo penal, diante de um juiz, com respeito ao


contraditório, ampla detesa, publicidade e imediatidade, e pretendem formar o
convencimento do juiz, permitindo que este venha a utilizá-la para fins de
condenação do réu.

42Alves, Leonardo Barreto Moreira. Manual de Processo Penal / Leonardo Barreto Moreira Alves - São Paulo: Editora
JusPodivm,2021.

17
Candidato, é possível o magistrado utilizar os elementos informativos para fundamentar
sua sentença? Nos termos do art. 155 do CPP, não pode ser se for exclusivamente com base neles, ou
seja, não poderá condenar com base apenas nos elementos informativos.

O JUIZ NÃO PODE CONDENAR COM BASE APENAS com o que consta no inquérito
policial, contudo, pode utilizá-lo de maneira a complementá-lo. Desse modo, contemplamos que o
juiz pode se valer dos elementos de informação para fundamentar a sentença condenatória desde que
não baseadas exclusivamente nos elementos de informação, conforme preceitua o art. 155 do CP. Nesse
sentido, a Jurisprudência:

I. Habeas corpus: falta de justa causa: inteligência. 1. A previsão legal de


cabimento de habeas corpus quando não houver "justa causa" para a coação
alcança tanto a instauração de processo penal, quanto, com maior razão, a
condenação, sob pena de contrariar a Constituição. 2. Padece de falta de justa
causa a condenação que se funde EXCLUSIVAMENTE em elementos
informativos do inquérito policial. II. Garantia do contraditório: inteligência.
Ofende a garantia constitucional do contraditório fundar-se a condenação
exclusivamente em testemunhos prestados no inquérito policial, sob o pretexto
de não se haver provado, em juízo, que tivessem sido obtidos mediante coação.
(RE 287658, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma,
julgado em 16/09/2003).

4.3.6. ATRIBUIÇÃO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA

Existem várias formas de investigação criminal, o PIC de atribuição do Ministério Público, por
exemplo. Contudo, outras autoridades que não seja a autoridade policial não pode instaurar e presidir
o inquérito, essa atribuição é única e exclusiva do Delegado. Nesse sentido, o art. Art. 2° § 1° da Lei
n. 12.830/2013. Vejamos:

Lei 12.830/2013, Art. 2° § 1° Ao DELEGADO DE POLÍCIA, na qualidade de


autoridade policial, cabe a condução da investigação criminal por meio de inquérito
policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como objetivo a apuração das
circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações penais.

§ 2° Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de polícia a requisição de


perícia, informações, documentos e dados que interessem à apuração dos fatos. (...)

§ 4° O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá


ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho
fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância

18
dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia
da investigação.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?

Ano: 2019 Banca: MPE-PR Órgão: MPE-PR Prova: Promotor Substituto.

Sobre o inquérito policial, controle externo da atividade policial e poder investigatório do Ministério
Público, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa incorreta:

A. O inquérito policial pode ser instaurado de ofício, por requisição do Ministério Público e a
requerimento do ofendido em casos de crime de ação penal pública incondicionada.

B. O membro do “Parquet”, com atuação na área de investigação criminal, pode avocar a presidência do
inquérito policial, em sede de controle difuso da atividade policial.

C. No exercício do controle externo da atividade policial, o membro do “Parquet”, pode requisitar


informações, a serem prestadas pela autoridade, acerca de inquérito policial não concluído no prazo
legal, bem assim requisitar sua imediata remessa ao Ministério Público ou Poder Judiciário, no estado
em que se encontre.

D. O membro do Ministério Público pode encaminhar peças de informação em seu poder diretamente
ao Juizado Especial Criminal, caso a infração seja de menor potencial ofensivo.

E. No inquérito policial, a autoridade policial assegurará o sigilo necessário à elucidação do fato ou


exigido pelo interesse da sociedade e, no procedimento investigatório criminal, os atos e peças, em regra,
são públicos.
Gab. B.
Justificativa: No controle externo da atividade policial que incumbe ao MP, nos termos do art. 129, VII,
da CF, não há a possibilidade de avocar inquérito policial, cuja atribuição para presidência é da
autoridade policial. Lembre-se, a presidência do inquérito policial é de atribuição exclusiva da
autoridade policial.

4.3.7. FUNÇÕES EXERCIDAS PELA POLÍCIA

Polícia
Administrativa

Polícia Polícia
Investigativa Judiciária

19
a) Polícia Administrativa, Preventiva ou Ostensiva: é a atividade policial de natureza preventiva,
encontra-se atrelada a segurança pública, cujo propósito é de impedir a prática de infrações
penais. Denota-se, pois, o seu caráter preventivo. Exemplo: ronda ostensiva realizada pela Polícia
Militar. A polícia administrativa previne crimes.

b) Polícia Judiciária: é a atividade policial de natureza repressiva, cuja atuação acontece depois
que ocorre a prática de uma infração penal. É essa polícia que tem a missão de colher os
chamados elementos de informação para subsidiar a futura ação penal. Exemplo: Polícia Civil.
A polícia judiciária investiga crimes. Em suma, “é aquela voltada para a investigação criminal,
tendo, portanto, caráter repressivo, já que atua após a prática da infração penal, apurando a
sua autoria e materialidade” [ALVES, 2021, pág. 236]43.

c) Polícia Investigativa: Para parte da doutrina a função de polícia investigativa não é a mesma
coisa da função de polícia judiciária, e a primeira não é exclusiva da polícia civil e federal. Temos
algumas disposições normativas que asseveram acerca da diferença entre funções investigativas
e judiciárias:

CF/88 Art. 144, § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e
mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
I - APURAR INFRAÇÕES PENAIS contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,
serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como
outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão
uniforme, segundo se dispuser em lei;
IV - exercer, com exclusividade, as funções de POLÍCIA JUDICIÁRIA da União.

Observe que nesse aspecto a polícia judiciária é diferente da polícia investigava, tendo em vista
que não teria sentido o legislador fazer tal distinção como vemos no artigo supracitado. Vejamos também
o texto da Lei 12.830/2013:

Art. 2º As funções de POLÍCIA JUDICIÁRIA e a APURAÇÃO DE INFRAÇÕES PENAIS


exercidas pelo delegado de polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado.

Súmula Vinculante 14 do STF: Súmula Vinculante 14 STF - É direito do defensor, no interesse


do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária,
digam respeito ao exercício do direito de defesa.

43Alves, Leonardo Barreto Moreira. Manual de Processo Penal / Leonardo Barreto Moreira Alves - São Paulo: Editora
JusPodivm,2021.

20
No tocante ao teor da súmula vinculante n. 14, ao analisarmos pontualmente seu texto,
vislumbrarmos um primeiro erro – expressão elementos de prova “não há o que se falar elementos de
prova, em âmbito de investigação temos os chamados elementos de informação”, enquanto no âmbito
processual temos a prova propriamente (elementos de prova tecnicamente não existe). Posteriormente
cumpre destacar a expressão “competência” (deveria ser atribuição ou função) de polícia judiciária,
também é um termo que tecnicamente equivocado, competência é atrelado a função jurisdicional. De
qualquer forma, apesar dos erros, a súmula traz uma ideia de não diferenciação de polícia investigativa
e judiciária. Desta feita, podemos concluir acerca deste tema, que com relação a função de polícia
investigativa e judiciária é possível que sejam tratadas de forma divergente, bem como, de forma
sinônima.

4.3.8. VALOR PROBATÓRIO E VÍCIOS NA FASE DO INQUÉRITO POLICIAL

Candidato, qual o valor probatório do Inquérito Policial? O inquérito policial TEM VALOR
PROBATÓRIO RELATIVO, o que significa dizer que os elementos informativos colhidos nessa fase,
não são hábeis a fundamentar uma sentença condenatória, por si só, isso porque esses elementos
informativos não foram submetidos ao contraditório e a ampla defesa.

O valor probatório do inquérito policial é relativo, no sentido de que ele, por si só, não pode ser
utilizado para a formação do convencimento do juiz e consequente prolação de sentença penal
condenatória. E que os elementos informativos da investigação são produzidos sem a
observância do contraditório e da ampla defesa, ou seja, de forma unilateral, a partir de
determinações emanadas do delegado de polícia, sem envolvimento direto e efetivo do
investigado e do Ministério Público44.

Dessa forma, temos que o valor probatório do inquérito policial é relativo. Os elementos
produzidos na fase inquisitorial não estão sujeitos ao contraditório e à ampla defesa.

Quando se fala de inquérito policial, é preciso lembrar que o inquérito policial por si só não
produz provas. Prova é um elemento que demonstra determinado fato, mas que está sujeito ao
contraditório e à ampla defesa. Ou seja, é quando o titular da ação penal produz um elemento mostrando
que um fato ocorreu e que foi praticado por determinada pessoa, mas aquele que é imputado pode
contraditar, pode se defender daquilo que está sendo demonstrado.

44Alves, Leonardo Barreto Moreira. Manual de Processo Penal / Leonardo Barreto Moreira Alves - São Paulo: Editora
JusPodivm,2021.

21
No inquérito policial, em regra, não há provas, há elementos de informação. Quando o
delegado de polícia descobre algum fato no âmbito do inquérito policial, ele está descobrindo um
elemento de informação.

CPP, Art. 155. “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e
antecipadas.”

É possível, durante o inquérito policial, a produção de provas. Mas no caso dessas provas
não há que se falar em contraditório real, mas apenas em contraditório diferido.

a) Provas cautelares: produzidas no momento anterior à ação penal, e que precisam ser produzidas
naquele momento, pois serão utilizadas posteriormente na ação penal, e se não for produzida não
terá como dar prosseguimento as investigações, pois há um risco de perecimento. Exemplo:
Interceptação telefônica.

b) Provas não repetíveis: eventualmente podem vir a se perder se não forem produzidas em um
momento específico. Exemplo: exame de corpo de delito em vítima do crime de lesão corporal.
No caso as marcas corporais podem vir a se perder se não forem registradas
c) Provas antecipadas: produzidas antes mesmo da ação penal. São aquelas produzidas perante o
juiz, antes do momento adequad, ou seja, em momento processual distinto do previsto. Exemplo:
Testemunha com 89 anos de idade com COVID-19, a chance dessa testemunha vir a falecer é
alta, então o juiz determina a colheita do depoimento antecipadamente [art. 225 do CPP].

Em RESUMO:

PROVAS CAUTELARES PROVAS IRREPETÍVEIS PROVAS ANTECIPADAS


São aquelas que uma vez São aquelas produzidas
São aquelas que sofrem risco
realizadas não poderão ser perante o juiz, antes do
de perecimento;
refeitas; momento adequado;
Ex.: Interrogatório de
Ex.: Exame de corpo de
Ex.: Interceptação telefônica; testemunha em estado
delito em vítima de agressão.
terminal.
Dependem de autorização Não dependem de Dependem de autorização
judicial; autorização judicial; judicial;
Possuem contraditório Possuem contraditório
Possuem contraditório real.
postergado ou diferido. postergado ou diferido.

CPP Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas
respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria.
Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

22
Polícia judiciária: Polícias Civis e Polícia Federal. É a polícia que auxilia o Poder Judiciário
para as futuras ações penais e para a persecução penal. São instituições comandadas por um delegado de
polícia.

Obs.: o mero fato de um delegado de polícia de determinada localidade investigar um crime praticado
em outra localidade não gera irregularidade. Todas as provas produzidas, desde que lícitas, serão válidas
e ensejarão provas no âmbito da ação penal.

Candidato, caso um delegado de Polícia Civil investigue um crime de competência da


Justiça Federal que, em tese, deveria ser investigado pela Polícia Federal, haverá algum vício?
Pode-se falar que há uma irregularidade, mas essa mera irregularidade não gerará qualquer sanção
processual. Os elementos e as provas colhidas por esse delegado de Polícia Civil serão válidas e não
vão macular a ação penal, ainda que essa ação penal seja de competência da Justiça Federal.

Sobre o tema, vejamos o informativo do STJ:

A ausência de afirmação da autoridade policial de sua própria suspeição não eiva


de nulidade o processo judicial, por si só, sendo necessária a demonstração do
prejuízo suportado pelo réu.
Caso concreto: após a condenação, a defesa do réu descobriu que um dos Delegados
que participou das investigações – conduzidas pelo Ministério Público – seria suspeito
já que seu pai também teria envolvimento com a organização criminosa. Logo, o
Delegado deveria ter se declarado suspeito, nos termos do art. 107 do CPP: “Não se
poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas
declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal. ” Para o STJ, contudo, o
descumprimento do art. 107 do CPP - quando a autoridade policial deixa de afirmar sua
própria suspeição - não gera, por si só, a nulidade do processo judicial, sendo necessária
a demonstração do prejuízo suportado pelo réu. O inquérito é uma peça de informação,
destinada a auxiliar a construção da opinio delicti do MP. Vale ressaltar, inclusive, que
o inquérito é uma peça facultativa. Logo, possíveis irregularidades ocorridas no
inquérito policial não afetam a ação penal. No caso concreto, dentre as provas que
fundamentaram a condenação do réu, apenas a interceptação telefônica foi realizada
com a participação do Delegado suspeito. A defesa, contudo, não se insurgiu contra o
conteúdo material das conversas gravadas nem indicou que seriam falsas. Assim, como
não foi demonstrado qualquer prejuízo causado pela suspeição, é inviável decretação de
nulidade da condenação. STJ. 5ª Turma. REsp 1942942-RO, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
julgado em 10/08/2021 (Info 704).

4.3.9. NATUREZA DO CRIME E ATRIBUIÇÃO PARA AS INVESTIGAÇÕES

Nos crimes militares de competência da Justiça Militar da União, a atribuição para presidir a
investigação será de um oficial denominado “encarregado”, que será pertencente a mesma força armada
e via de regra terá uma patente maior que a do investigado.

23
Da mesma forma, nos crimes militares de competência da Justiça Militar do Estado, a
atribuição para presidir a investigação será de um oficial denominado “encarregado”, que será
pertencente a mesma força armada e via de regra terá uma patente maior que a do investigado.

Nos crimes eleitorais via de regra a atribuição para investigação será da Polícia Federal,
considerando o interesse direto da União. No entanto existe uma exceção pacificada no TSE, nos locais
em que não houver sede da polícia federal, os crimes serão investigados pela polícia civil. Dessa forma,
contemplamos que a atribuição da PF não excluirá a atribuição subsidiária da polícia civil estadual, na
hipótese de município em que não haja órgão da Polícia Federal.

Habeas corpus. Oferecimento. Denúncia. Ausência. Pronunciamento. Autoridade Judiciária.


TRE. Crime eleitoral. Possibilidade. Investigá-lo. Polícia estadual. Ausência. Órgão da Polícia
Federal. Art. 290 do Código Eleitoral. Na investigação de crime eleitoral, não há óbice para a
atuação da polícia estadual quando no local do crime não existir órgão da Polícia Federal.
Ausência de constrangimento ilegal do paciente, em razão de oferecimento da denúncia, quando
presentes a tipicidade da conduta e indícios de autoria. O processo de habeas corpus não admite
o exame aprofundado das provas. Nesse entendimento, o Tribunal indeferiu o habeas corpus.
Unânime. Habeas Corpus n 439/SP, rel. Min. Carlos Velloso, em 15.5.2003.

Nos crimes de competência da justiça estadual, as investigações serão atribuição da polícia


civil. Contudo, cumpre destacarmos que nesse caso, é possível ainda a atuação da polícia federal (art.
144, par. 1º, I da CF/88).

Nos crimes de competência da justiça federal (art. 144, par. 1º, I da CF/88) há uma exceção.
A atribuição de investigação da polícia federal é maior que a competência dos crimes da justiça
federal, de forma que existem situações de crimes de competência da justiça estadual, mas que são
investigados pela polícia federal, desde que presentes dois requisitos cumulativos:

(i) Repercussão Interestadual ou Internacional e


(ii) Exigir Repressão Uniforme, conforme dispuser lei específica. (Lei 10.446/2002).

Trata-se de um rol exemplificativo prioritário (deve se tomar cuidado na hora de se ampliar o


rol). Desta forma se estiver presente crime do rol do art. 1º da Lei 10.446/2002 e estiver presente a
repercussão interestadual ou internacional e exigir repressão uniforme, a polícia federal sem qualquer
outra condicionante pode instaurar a investigação.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia.
Em relação ao inquérito policial, assinale a opção correta.

24
A. Havendo repercussão interestadual que exija repressão uniforme, o delegado da Polícia Federal
poderá apurar crimes cuja apuração seja de competência da justiça estadual, não havendo mácula apta a
invalidar a produção de provas.
B. O delegado de polícia não pode presidir nem instaurar inquérito policial para apurar crime ocorrido
fora de sua circunscrição territorial, pois o lugar de consumação do delito é o que define a atribuição da
polícia investigativa, em nome do princípio do delegado natural.
C. Se, no curso de investigações policiais presididas por delegado de polícia civil estadual, sobrevier a
federalização do crime, deverá ser mantida a atribuição da polícia civil estadual, uma vez que esta não
está subordinada à Polícia Federal e não há, no ordenamento jurídico brasileiro, a possibilidade de
instauração do incidente de deslocamento de competência no curso do inquérito.
D. O prazo para o delegado de polícia civil concluir o inquérito policial é de trinta dias, se o indiciado
estiver solto, configurando constrangimento ilegal a superação desse prazo sem autorização judicial, por
se tratar de prazo próprio.
E. Ainda que haja motivo de interesse público, o chefe de polícia civil não pode avocar nem redistribuir
o inquérito policial, uma vez que a regra dos atos administrativos não se aplica no âmbito da investigação
policial.
Gab. A.
Cumpre ressaltarmos que o parágrafo único deste artigo traz que se for outro crime que não
previsto no rol exemplificativo e presentes os dois requisitos cumulativos podem ensejar a atuação
investigativa da polícia federal, desde que autorizadas pelo ministro da justiça.

Art. 1º Na forma do inciso I do § 1o do art. 144 da Constituição, quando houver repercussão


interestadual ou internacional que exija repressão uniforme, poderá o Departamento de Polícia
Federal do Ministério da Justiça, sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança
pública arrolados no art. 144 da Constituição Federal, em especial das Polícias Militares e Civis
dos Estados, proceder à investigação, dentre outras, das seguintes infrações penais:

I – sequestro, cárcere privado e extorsão mediante sequestro (arts. 148 e 159 do Código Penal),
se o agente foi impelido por motivação política ou quando praticado em razão da função pública
exercida pela vítima;

II – formação de cartel (incisos I, a, II, III e VII do art. 4º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro
de 1990);

III – relativas à violação a direitos humanos, que a República Federativa do Brasil se


comprometeu a reprimir em decorrência de tratados internacionais de que seja parte;

IV – furto, roubo ou receptação de cargas, inclusive bens e valores, transportadas em operação


interestadual ou internacional, quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando em
mais de um Estado da Federação. (Antiga quadrilha ou bando, agora associação criminosa).

V - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou


medicinais e venda, inclusive pela internet, depósito ou distribuição do produto falsificado,
corrompido, adulterado ou alterado (art. 273 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
- Código Penal). (Incluído pela Lei nº 12.894, de 2013).

25
VI - furto, roubo ou dano contra instituições financeiras, incluindo agências bancárias ou
caixas eletrônicos, quando houver indícios da atuação de associação criminosa em mais de
um Estado da Federação. (Incluído pela Lei nº 13.124, de 2015).

VII – quaisquer crimes praticados por meio da rede mundial de computadores que difundam
conteúdo misógino, definidos como aqueles que propagam o ódio ou a aversão às mulheres.
(Incluído pela Lei nº 13.642, de 2018).

Parágrafo único. Atendidos os pressupostos do caput, o Departamento de Polícia Federal


procederá à apuração de outros casos, desde que tal providência seja autorizada ou
determinada pelo Ministro de Estado da Justiça.

Em RESUMO:

CRIMES MILITARES Polícia Judiciária Militar. Encarregado.


CRIMES ELEITORAIS Polícia Federal. Subsidiariamente, a polícia civil Estadual.
CRIMES ESTADUAIS Polícia Civil. Excepcionalmente, Polícia Federal.
CRIMES FEDERAIS Polícia Federal.

4.3.10. CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL

Escrito

Oficiosidade
e Dispensável
Oficialidade

CARACTERÍSTICAS
DO INQUÉRITO
POLICIAL
Temporário Sigiloso

Discricionário
e Indisponível Inquisitorial

A. Procedimento Escrito: nos moldes do art. 9° do CPP, as peças do inquérito serão reduzidas
a escrito. Desse modo, temos que a forma escrita é que será adotada e prevalecerá na elaboração
do inquérito policial, leia-se, na formalização das investigações. E os atos praticados de forma
oral? Entende-se que esses deverão ser reduzidos a termo e, neste caso, rubricadas pela

26
autoridade policial. Corroborando ao exposto Norberto Avena 45 “todos os atos realizados no
curso das investigações policiais serão formalizados de forma escrita e rubricados pela
autoridade, incluindo-se, nesta regra, depoimentos, testemunhos, reconhecimentos, acareações
e todo gênero de diligências que sejam realizadas”.
Vejamos o dispositivo legal:

Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a


escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

B. Dispensabilidade: na eventual hipótese de o titular da ação penal já contar com elementos de


informação suficientes para subsidiar a futura ação penal, o inquérito policial poderá ser
dispensado. Nesse sentido, vejamos o texto normativo:

Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir
de base a uma ou outra.

Interpretando o teor do art. 12 do CPP em sentido contrário, podemos concluir que se não servir
de base para denúncia ou queixa, será dispensado. Contudo, se servir de base, deverá acompanhar a
peça (denúncia ou queixa-crime). Nessa mesma linha, dispõe o art. Art. 39 § 5° do CPP:

Art. 39, § 5º O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a


representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e,
neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Em concurso de Delegado de Polícia Civil da Bahia (2022), foi apontada como CORRETA a seguinte
afirmação quanto a dispensabilidade do inquérito policial: “A instauração de inquérito policial não é
imprescindível à propositura da ação penal pública, podendo o Ministério Público valer-se de outros
elementos de prova para formar sua convicção”.

Obs.: Existe uma doutrina minoritária, uma corrente doutrinária, que entende que o
inquérito policial é indispensável. Como a maior parte das ações penais são precedidas de inquérito
policial, essa corrente defende que a regra é a prévia realização de um inquérito policial e apenas
excepcionalmente não haveria um inquérito policial prévio e, portanto, o inquérito policial seria
indispensável.

Nesse sentido, explica Leonardo Barreto (2021, pág. 255):

45Avena, Norberto. Processo penal / Norberto Avena. – 10. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, São Paulo:
MÉTODO,
2018.

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Há posição (minoritária) na doutrina sustentando que o inquérito policial seria indispensável.
Sem dúvida alguma, Henrique Hoffmann é o maior defensor desta ideia. Para este brilhante
autor, dentre outros argumentos relevantes, observa-se que “nos crimes de ação penal publica
incondicionada (que são a maioria), a regra é a obrigatoriedade de instauração do inquérito
policial, e esse procedimento deve acompanhar a peça acusatória sempre que servir de suporte à
acusação, daí porque a regra é a indispensabilidade, sendo a dispensabilidade uma exceção que
por isso não pode ser erigida à característica do instituto”.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2017 Banca: MPE-SP Órgão: MPE-SP Prova: Promotor de Justiça Substituto.
Assinale a alternativa correta.
A. O inquérito policial, por ser peça informativa, é dispensável para a propositura da ação penal, mas
sempre acompanhará a inicial acusatória quando servir de base para a denúncia ou a queixa.
B. A autoridade policial poderá, a seu critério e em qualquer hipótese, nos termos do artigo 7º do Código
de Processo Penal, determinar a reprodução simulada dos fatos com as participações obrigatórias do
indiciado e do ofendido.
C. Os elementos informativos do inquérito policial servem de base para o oferecimento da denúncia,
mas não podem ser considerados para o reconhecimento da procedência ou não da ação penal.
D. O arquivamento do inquérito policial se dá por decisão judicial e impede que a autoridade policial,
de ofício, proceda a novas investigações.
E. Nos crimes que dependem de representação, a autoridade policial só poderá instaurar inquérito
policial em razão de iniciativa formal do ofendido, seu representante legal ou de procurador com poderes
especiais.
Gab. A.
Justificativa: A alternativa foi elaborada de acordo com o art. 12 do CPP, que prevê que o inquérito
policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. A “contrario
sensu”, quando não servir de base, será dispensável, não precisando acompanhar.

C. Procedimento Sigiloso: A regra geral é a de que o inquérito policial seja sigiloso, tendo em vista
a possibilidade da coleta de mais elementos de informação e garantia da eficácia das diligências
empreendidas no inquérito policial, vejamos o texto normativo:

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação


do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Dessa forma, ao contrário do que ocorre em relação ao processo criminal, que se rege pelo
princípio da publicidade (salvo exceções legais), no inquérito policial é possível resguardar sigilo
durante a sua realização.

O sigilo na fase do inquérito policial mostra-se necessário para garantia da própria eficácia das
investigações, posto que a sua publicação acabaria por prejudicar a própria medida, basta pensarmos,

28
por exemplo, que o investigado tivesse conhecimento que em face dele teria sido decretada a
interceptação telefônica, com toda certeza, não seriam colhidas as conversas necessárias.

Cumpre ressaltarmos, esse sigilo não é oposto em face de todos os envolvidos na relação
processual penal. Conforme explica o prof. Norberto Avena, “o sigilo não alcança o juiz e o Ministério
Público. Não alcança, também, o advogado que, por força do art. 7, XIV, Estatuto da OAB, tem o
direito de examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem
procuração (salvo nas hipóteses de sigilo formalmente decretado, caso em que o instrumento
procuratório é necessário, nos termos do art. 7, § 10, do EOAB), autos de flagrante e de investigações
de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças
e tomar apontamentos em meio físico ou digital, estabelecendo, ainda, a Súmula Vinculante 14 do STF”.
Nessa esteira, vejamos o teor da Súmula:

Súmula Vinculante nº 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, JÁ DOCUMENTADOS em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

O acesso está restrito as diligências JÁ DOCUMENTADAS, e não aquelas ainda em


andamento.

Cumpre ressaltarmos que essa súmula não instituiu o contraditório e/ou ampla defesa no âmbito
do inquérito policial, simplesmente criou, leia-se, reafirmou o direito de acesso da defesa aos
documentos que já foram documentados.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RJ Prova: Delegado de Polícia.
Assinale a opção correta, acerca de inquérito policial.
A. A autoridade policial que preside o inquérito policial para apurar crime de ação penal pública pode,
fundamentadamente, decidir sobre a conveniência e(ou) oportunidade de diligências requisitadas pelo
Ministério Público.
B. O inquérito policial, consoante o princípio da oficialidade, poderá ser instaurado apenas de ofício
pela autoridade policial ou mediante requisição do Ministério Público.
C. Com base em denúncia anônima de fato criminoso, a autoridade policial pode, independentemente
de apuração prévia, instaurar inquérito policial com fundamento exclusivo naquela informação
anônima.
D. Não se permite ao indiciado qualquer tipo de intervenção probatória durante o inquérito policial.
E. O investigado deve ter acesso a todos os elementos já documentados nos autos do inquérito policial,
ressalvadas as diligências em andamento cuja eficácia dependa do sigilo.
Gab. E.

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Nos termos da Súmula Vinculante 14, restringe-se aos elementos de prova já documentados, e
não a todos e quaisquer documentos, ante a premente possibilidade de atrapalhar as próprias
investigações. Nesse sentido, vejamos o teor da súmula: Súmula Vinculante 14. É direito do defensor,
no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito
ao exercício do direito de defesa.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Em concurso de Delegado de Polícia Civil da Bahia (2022), foi apontada como CORRETA a seguinte
afirmação: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova
que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia
judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2013 Banca: MPE-GO Órgão: MPE-GO Prova: Promotor de Justiça.
Sobre o inquérito policial, assinale a alternativa correta:
A. ainda existe, em casos excepcionais e previstos em lei, a figura do curador para indiciados menores
de vinte e um anos.
B. o sigilo possui dupla função: garantista no sentido de preservar o investigado e utilitarista de assegurar
a eficácia da investigação.
C. nos crimes relacionados ao tráfico de drogas (Lei n. 11.343/06), fixou-se o prazo de conclusão do
inquérito em 30 dias para o réu preso e 60 dias para réus soltos, podendo haver duplicação pelo juiz
mediante pedido justificado.
D. a polícia civil não exerce funções de polícia administrativa.
Gab. B.
Justificativa: É o que decorre do CPP: Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário
à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Acesso dos autos do Inquérito Policial pelo Advogado

Candidato, para que o advogado/defensor tenha acesso aos autos do inquérito policial é necessária
procuração? Em regra, não. Qualquer advogado/defensor tem direito a ter acesso a autos de inquérito
policial. A exceção fica por conta de inquéritos policiais que corram em segredo de justiça ou atos
investigatórios que contenham informações sigilosas.

Vejamos:

Estatuto da OAB, Art. 7º – São direitos do advogado:


XIV – examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, MESMO SEM
PROCURAÇÃO, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em
andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em
meio físico ou digital.

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§10º. NOS AUTOS SUJEITOS A SIGILO, deve o advogado apresentar procuração para o
exercício dos direitos que trata o inciso XIV.

Candidato, diante de depoimento colhido de uma testemunha, deve a autoridade policial


promover a juntada imediata do documento? Ou poderia promover a juntada posterior deste
depoimento, com a finalidade de assegurar seu sigilo? A regra é a juntada imediata. Entretanto,
conforme o art. 20 do CPP, cabe à autoridade policial assegurar “no inquérito o sigilo necessário à
elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. ” Assim, excepcionalmente, poderá o
delegado promover a juntada posterior do depoimento sem incorrer em qualquer ilegalidade, observado
o princípio da proporcionalidade.

Autorização Judicial prévia – acesso aos autos do IP

Candidato, para que o advogado tenha acesso aos autos do IP, é necessária autorização
judicial prévia? Em regra, não há necessidade de autorização judicial prévia para que o advogado tenha
acesso dos autos do IP. Contudo, existe uma exceção prevista ao teor do art. 23, da Lei nº 12.850/2013
(Lei das Organizações Criminosa):

Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser decretado pela autoridade judicial competente, para
garantia da celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao defensor,
no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao
exercício do direito de defesa, devidamente precedido de autorização judicial, ressalvados os
referentes às diligências em andamento.

Em RESUMO:

Investigação que apura


Investigação SEM sigilo Investigação COM sigilo ORCRIM com SIGILO
decretado
apenas advogado com o defensor terá acesso aos autos
QUALQUER advogado pode
PROCURAÇÃO pode acessar os apenas com AUTORIZAÇÃO
acessar os autos;
autos; JUDICIAL.

D. Procedimento Inquisitorial: nesta fase não há necessidade de observância do contraditório e da


ampla defesa. Não existe contraditório ou ampla defesa no curso do inquérito policial. Além
disso, eventuais irregularidades não contaminam eventual processo futuro.

Nas lições de Norberto Avena (2020, pág. 164), “salvo na hipótese de inquérito instaurado pela
polícia federal visando à expulsão do estrangeiro, não são inerentes à sindicância policial as garantias
do contraditório e da ampla defesa”.

31
Trata-se o inquérito, assim, de um procedimento inquisitivo, voltado, precipuamente, à obtenção
de elementos que sirvam de suporte ao oferecimento de denúncia ou de queixa-crime (função
preparatória do inquérito).
Observação: Existe uma exceção à ausência de contraditório: o inquérito policial que tem como
objetivo a expulsão de estrangeiro. Neste, há uma série de procedimentos a serem adotados, bem como
prazo para apresentação de defesa pelo expulsando e seu defensor.
Entretanto, a nova lei de migração (Lei n. 13.445/2017) denomina este inquérito de
PROCESSO DE EXPULSÃO e explicita: “Art. 58. No processo de expulsão serão garantidos o
contraditório e a ampla defesa.”

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-SE Prova: Delegado de Polícia.
Julgue o item seguinte, relativo aos direitos e deveres individuais e coletivos e às garantias
constitucionais.
No âmbito do inquérito policial, cuja natureza é inquisitiva, não se faz necessária a aplicação plena do
princípio do contraditório, conforme a jurisprudência dominante.
Gab. CERTO.

O entendimento do STJ é de que é inaplicável o princípio do contraditório tendo em vista que o


inquérito possui apenas natureza administrativa:

HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DO RECURSO PRÓPRIO. NÃO


RECONHECIMENTO. HOMICÍDIO QUALIFICADO. INQUÉRITO
POLICIAL. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. FASE PRÉ-
PROCESSUAL. NATUREZA MERAMENTE INFORMATIVA. EXUMAÇÃO DE
CADÁVER. AUSÊNCIA DE PRAZO HÁBIL PARA REQUERER NOMEAÇÃO DE
ASSISTENTE TÉCNICO. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. AUSÊNCIA DE PATENTE
ILEGALIDADE. Precedentes. III – inaplicável o princípio do contraditório na fase
inquisitorial, porquanto essa possui natureza administrativa, destinando-se a prover
elementos informativos ao responsável pela Acusação, que lhe permitam oferecer a
denúncia. Precedentes. IV- Impossibilidade desta Corte aprofundar o exame do conjunto fático-
probatório, sobretudo na via estreita do writ. (STJ HC 212494 SC 2011/01573769,
Relator: Ministra Regina Helena da Costa, Data de julgamento: 08/05/2014, T5 – quinta turma,
Data de Publicação DJe 14/05/2014.)

E. Procedimento Discricionário: por se tratar de procedimento administrativo (e não processo), o


inquérito policial não tem o rigor procedimental da persecução em juízo.

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Desse modo, o delegado de polícia conduz as investigações da forma que melhor se
apresenta e mostra-se necessária. Nessa esteira, existe um rol não taxativo nos art. 6º e 7º do CPP de
diligências previstas para serem cumpridas. Destaca-se, porém, que essas diligências não são
vinculantes, obrigatórias, e o delegado pode verificar quais serão necessárias, bem como, poderá também
realizar alguma que não esteja prevista. Inobstante a regra da não obrigatoriedade de diligências pré-
estipuladas, o Ordenamento Jurídico comporta uma exceção, qual seja, a realização do exame de corpo
de delito nos crimes que deixam vestígios.
Por todo o exposto, contemplamos que dizer que o inquérito policial goza da característica da
discricionariedade significa que a autoridade policial possui liberdade de atuação dentro dos parâmetros
legais que lhe são conferidos. Não há que se falar em procedimento rígido de observância obrigatória.
Sobre o tema, discorre Norberto Avena 46, “a persecução, no inquérito policial, concentra-se na
figura do delegado de polícia, que, por isso mesmo, pode determinar ou postular, com
discricionariedade, todas as diligências que julgar necessárias ao esclarecimento dos fatos. Enfim, uma
vez instaurado o inquérito, possui a autoridade policial liberdade para decidir acerca das providências
pertinentes ao êxito da investigação. Isso quer dizer que, no início da investigação e no seu curso, cabe
ao delegado proceder ao que tem sido chamado pela doutrina de juízo de prognose, a partir do qual
decidirá quais providências são necessárias para elucidar a infração penal investigada”.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Em concurso de Delegado de Polícia Civil de Goiás (2022), foi apontada como CORRETA a seguinte
afirmação: “No que diz respeito ao inquérito policial, o ofendido, ou seu representante legal, e o
indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade”.

NÃO POSSO IR PARA A PROVA SEM LEMBRAR DA EXCECÃO:

A discricionariedade como característica do inquérito policial não é de natureza absoluta, leia-


se, o Ordenamento Jurídico Brasileiro contempla exceções, ou seja, situação na qual a realização de
determinadas diligências será de realização obrigatória. Exemplo: realização do exame de corpo
de delito nos crimes que deixam vestígios.

Diante do exposto, contemplamos que não caberá a Autoridade Policial o indeferimento das
diligências de natureza relevante, como é o caso do exame de corpo de delito nos crimes que deixam
vestígios. Contudo, aqueles requerimentos que se tratar meramente de diligências impertinentes e
protelatórias, poderão ser indeferidos.

46Avena, Norberto. Processo penal / Norberto Avena. – 10. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, São Paulo:
MÉTODO,
2018.

33
No que tange a realização do exame de corpo de delito, preceitua o art. 158 do CPP “quando a
infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo
supri-lo a confissão do acusado”.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2017 Banca: FAPEMS Órgão: PC-MS Prova: Delegado de Polícia.
Sobre as diligências que podem ser realizadas pelo Delegado de Polícia, é correto afirmar que
A. caso o ofendido ou seu representante legal apresente requerimento para instauração de inquérito
policial, a autoridade policial deve atender ao pedido, em observância do princípio da obrigatoriedade.
B. deparando-se com uma notícia na imprensa que relate um fato delituoso, a autoridade policial deve
instaurar inquérito policial de ofício, elaborando, conforme determina o Código de Processo Penal
vigente, um relatório sobre a forma como tomou conhecimento do crime.
C. conforme disposição expressa no Código de Processo Penal vigente, o Delegado de Polícia não é
obrigado a determinar a realização de perícia requerida pelo investigado, ofendido ou seu representante
legal, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade, ainda que se trate de exame de corpo de
delito, pois a investigação é conduzida de forma discricionária.
D. o inquérito policial é um procedimento discricionário, portanto, cabe ao Delegado de Polícia conduzir
as diligências de acordo com as especificidades do caso concreto, não estando obrigado a seguir uma
sequência predeterminada de atos.
E. poderá a autoridade policial determinar em todas as espécies de crimes, atendidos os requisitos legais
e suas peculiaridades, a reconstituição do fato delituoso, desde que não contrarie a moralidade ou a
ordem pública, com a participação obrigatória do investigado.
Gab. D.

F. Procedimento Indisponível: Uma vez iniciado o inquérito a autoridade policial não poderá
arquivar. Nessa esteira, dispõe Távora e Alencar (2016): a persecução criminal é de ordem
pública, e uma vez iniciado o inquérito, não pode o delegado de polícia dele dispor.

Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de


inquérito.

Delegado NÃO pode arquivar autos do inquérito policial.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Em concurso de Delegado de Polícia Civil da Bahia (2022), foi apontada como INCORRETA a
seguinte afirmação: “O inquérito policial é indisponível para a autoridade policial. Instaurado, deverá
ser conduzido até que se esgotem as diligências legalmente possíveis, com vista à completa apuração do
fato apontado como ilícito penal. Contudo, ausentes os elementos do crime, a autoridade policial poderá
mandar arquivar os autos de inquérito”.

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Nos moldes do art. 17, a autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
O delegado de polícia não pode arquivar nem requisitar arquivamento de um inquérito policial, pois ele
não é o titular da ação penal. O titular da ação penal é o Ministério Público.

➔ O inquérito policial pode ser arquivado? Sim.

➢ Quem tem competência para arquivar o inquérito policial?


Somente o juiz, mediante requerimento do Ministério Público.
Obs.: Essa é a antiga redação do art. 28 do CPP.

➢ O juiz pode discordar do requerimento de arquivamento do inquérito policial?

Sim, art. 28, CPP.


Obs.: Essa é a antiga redação do art. 28 do CPP

O ministro Luiz Fux, em janeiro de 2020, suspendeu a eficácia prática de alguns artigos alterados
pelo pacote anticrime, Lei n. 13.964/2019. Ele suspendeu a nova redação do art. 28 do Código de
Processo Penal. Então, por enquanto, a sistemática antiga está válida. Portanto, conforme veremos em
um tópico específico, é necessário estudar a redação antiga, que é como está sendo realizado na
prática, e também é necessário estudar a redação atualizada trazida pelo pacote anticrime
(atualmente suspensa), porque também pode ser cobrada em provas.

➔ Candidato, uma vez arquivado o IP, é possível desarquivá-lo?

CPP, art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade


judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a
novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.

Súmula n. 524-STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do


Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.

A regra é que o inquérito policial arquivado pode ser desarquivado. Entretanto, a depender da
fundamentação do arquivamento, entende a jurisprudência que ele não poderia ser desarquivado.
Para melhor compreensão do tema, vejamos:

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MOTIVO DO ARQUIVAMENTO DO É POSSÍVEL DESARQUIVAR O
INQUÉRITO POLICIAL INQUÉRITO POLICIAL?
Insuficiência de provas Sim.
Ausência de justa causa
Sim.
(materialidade ou indícios de autoria)
Atipicidade do fato Não.
Não.
Causa extintiva da punibilidade Exceção: certidão de óbito falsa,
neste caso é possível desarquivar.
Não.
Causa extintiva da culpabilidade
Exceção: inimputabilidade.
STJ: Não.
Causa excludente da ilicitude
STF: Sim.

Nas hipóteses em que não pode ocorrer o desarquivamento do inquérito policial, o fundamento
da jurisprudência é de que a decisão judicial que arquivou o inquérito policial fez coisa julgada formal
e material. Ou seja, houve uma decisão de mérito sobre o assunto.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-PB Prova: Delegado de Polícia Civil.
Em regra, é possível desarquivar o inquérito policial quando fundamentado na:
A. atipicidade do fato.
B. falta de justa causa para a ação penal.
C. decadência do direito de representação do ofendido.
D. comprovação de coação moral irresistível.
E. menoridade do autor do fato.
Gabarito A.

Na nova sistemática, o juiz não decide a respeito do arquivamento do inquérito policial, é


uma determinação do Ministério Público e da instância de revisão ministerial. Então agora essa
decisão do Ministério Público não gerará uma coisa julgada material. Portanto, há questionamentos
acerca da validade dessa tabela de possibilidades de desarquivamento do inquérito policial, mas
tem prevalecido o entendimento de que as regras permanecem válidas.

● Arquivamento Implícito

Ministério Público deixa de oferecer a denúncia acerca de determinado indiciado


(subjetivo) ou fato (objetivo), sem, contudo, determinar o arquivamento. Arquivamento implícito
não é admitido pela jurisprudência pátria.

● Arquivamento Indireto

Ministério Público deixa de oferecer a denúncia perante determinado juízo por


considerá-lo incompetente para a ação penal. Neste caso, procede-se na forma do art. 28 do CPP,
para que a instância de revisão ministerial decida sobre o assunto.

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G. Procedimento Temporário: é a conclusão que podemos extrair da análise do art. 10 do CPP o
qual prevê um prazo determinado para o encerramento do inquérito policial. Logo, verifica-
se que o procedimento administrativo em estudo é de natureza temporária. Dessa forma, temos
que o IP é transitório, leia-se, temporário.

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso
em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir
do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver
solto, mediante fiança ou sem ela.

Art. 10 c/c o Art. 3-B §2º, do CPP

INDICIADO PRESO INDICIADO SOLTO


10 dias + 15* 47 30 dias

NÃO POSSO IR PARA A PROVA SEM RECORDAR DA SITUAÇÃO EXCEPCIONAL:

Conforme visto acima, contemplamos que o inquérito policial é temporário, ou seja, possui
prazo determinado para a sua conclusão.

Nos moldes previstos no art. 10 do CPP esse prazo é de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso
em flagrante ou estiver preso preventivamente, ou de 30 dias, no caso em que estiver solto.

Questiona-se, esse prazo é próprio ou impróprio? Quais as consequências jurídicas da


inobservância do prazo? A doutrina entende e defende que o prazo para encerramento do IP é
impróprio para o caso de indiciado solto. Contudo, deve-se ficar atento a observância do princípio da
razoável duração por analogia ao previsto no art. 5°, LXXVIII da Constituição Federal, sob pena de
configuração de constrangimento ilegal.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-GO Prova: Delegado de Polícia Substituto.
A respeito do regime jurídico do inquérito policial e das demais investigações preliminares, assinale a
alternativa INCORRETA.
A. O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e por prazo
razoável, investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias que assistem a
qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus
agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de

47 Com a vigência do Pacote Anticrime, o art. 3-B §2º, do CPP, é expresso ao afirmar que a duração do inquérito de
investigado preso poderá ser prorrogada uma única vez, por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a investigação
não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada.

37
que se acham investidos, em nosso País, os Advogados, sem prejuízo do permanente controle
jurisdicional dos atos documentados produzidos pela instituição.
B. Ante o princípio constitucional da não culpabilidade, inquéritos e processos criminais em curso são
neutros na definição dos antecedentes criminais.
C. Sendo o ato de indiciamento de atribuição exclusiva da autoridade policial, não existe fundamento
jurídico que autorize o magistrado, após receber a denúncia, requisitar ao delegado de polícia o
indiciamento de determinada pessoa.
D. O prazo de que trata o Código de Processo Penal para término do inquérito é próprio, não prevendo
a lei qualquer consequência processual, máxime a preclusão, se a conclusão do inquérito ocorrer após
trinta dias de sua instauração, estando solto o réu.
E. Descabe cogitar de implemento de inquérito pelo Ministério Público quando este, ante elementos que
lhe chegaram, provoca a instauração pela autoridade policial.
Gab. D.

Pacote Anticrime e Possiblidade de Prorrogação

Corroborando ao exposto, explicam Fábio Roque e Nestor Távora (2020): 48

Outro ponto de extrema relevância no novel dispositivo diz respeito à possibilidade de o juiz das
garantias prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito policial por até́ 15 (quinze) dias.
Após a conclusão do referido prazo, se a investigação não for concluída, haverá o relaxamento
da prisão. Esta nova sistemática legislativa altera a regra do CPP, que não previa a possibilidade
de prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito policial, quando o investigado se
encontrar preso.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2019 Banca: CEBRASPE Órgão: MPE-PI Prova: Promotor de Justiça Substituto.
Considerando-se o entendimento dos tribunais superiores a respeito de inquérito policial, é correto
afirmar que
A. o fato de a autoridade policial encontrar provas que justifiquem o flagrante delito convalida a irregular
entrada em residência sem autorização judicial e sem permissão do morador.
B. é possível constatar constrangimento ilegal em razão da excessiva e desarrazoada duração da
investigação, ainda que o prazo de conclusão do inquérito policial seja impróprio.
C. nulidade ocorrida em inquérito policial, em regra, contamina todo o processo penal decorrente.
D. o arquivamento fundamentado em excludente de ilicitude resulta em coisa julgada material, não
podendo mais ocorrer posterior desarquivamento do feito.
E. o Ministério Público, em razão de seu poder investigatório, pode instaurar procedimento
investigatório, realizar diligências e, ainda, presidir inquérito policial.
Gab. B.
Veja o seguinte precedente do STJ:

48CÓDIGO DE PROCESSO PENAL PARA CONCURSOS. 11a. edição. Fábio Roque Araújo Nestor Távora. ATUALIZAÇÃO, 2020.
Editora Juspodivm.

38
Há excesso de prazo para conclusão de inquérito policial, quando, a despeito do
investigado se encontrar solto e de não sofrer efeitos de qualquer medida restritiva,
a investigação perdura por longo período e não resta demonstrada a complexidade
apta a afastar o constrangimento ilegal.
O prazo para a conclusão do inquérito policial, em caso de investigado solto é impróprio.
Assim, pode ser prorrogado a depender da complexidade das investigações. Contudo,
consoante precedentes desta Corte Superior, é possível que se realize, por meio de
habeas corpus, o controle acerca da razoabilidade da duração da investigação, sendo
cabível, até mesmo, o trancamento do inquérito policial, caso demonstrada a excessiva
demora para a sua conclusão. STJ. 6ª Turma. HC 653299-SC, Rel. Min. Laurita Vaz,
Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/08/2022 (Info 747).

Vamos REFORÇAR os prazos?

PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL


Previsão Legal Preso Solto
10 dias, prorrogáveis por até
CPP (Regra Geral) 15 #PACOTEANTICRIME 30 dias, prorrogáveis
Obs.: Suspenso pelo STF
Polícia Federal 15 dias + (15) 30 dias
Crimes contra a Economia 10 dias 10 dias
Popular
Lei de Drogas 30 dias + (30) 90 dias + (90)
Inquérito Militar 20 dias 40 dias + (20)
Fonte: Tabela extraída do material do Legislação Bizurada @deltacaveira.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2018 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-MA Prova: Delegado de Polícia Civil.
De acordo com as legislações especiais pertinentes, o inquérito policial deve ser concluído no
A. prazo comum de quinze dias, estando o indiciado solto ou preso, nos casos de crimes de tortura.
B. mesmo prazo estipulado para a apreciação das medidas protetivas, nos casos de crimes previstos na
lei Maria da Penha.
C. prazo comum de dez dias, estando o indiciado solto ou preso, nos casos de crimes contra a economia
popular.
D. prazo de trinta dias, se o indiciado estiver solto, e de quinze dias, se ele estiver preso, de acordo com
a Lei de Drogas.
E. prazo de quinze dias, se o crime for de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, conforme o Estatuto
do Desarmamento.
Gab. C
Justificativa: O prazo será de 10 dias nos crimes contra a economia popular, esteja o acusado preso ou
solto, o prazo é comum aos dois.

39
H. Procedimento Oficial: o inquérito policial é realizado por uma autoridade oficial, no caso o
delegado de polícia, devidamente habilitado. Nesse sentido, explica Norberto Avena, trata-se de
investigação que deve ser realizada por autoridades e agentes integrantes dos quadros públicos,
sendo vedada a delegação da atividade investigatória a particulares, inclusive por força da
própria Constituição Federal. A propósito, dispõe o art. 144, § 4°, dessa Carta que “às polícias
civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da
União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares”.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?

Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RJ Prova: Delegado de Polícia.


O inquérito policial é atividade investigatória realizada por órgãos oficiais, não podendo ficar a cargo
do particular, ainda que a titularidade do exercício da ação penal pelo crime investigado seja atribuída
ao ofendido.
Considerando-se as características do inquérito policial, é correto afirmar que o texto anterior discorre
sobre
A. o procedimento escrito do inquérito policial.
B. a indisponibilidade do inquérito policial.
C. a oficiosidade do inquérito policial.
D. a oficialidade do inquérito policial.
E. a dispensabilidade do inquérito policial.
Gab. D.

PROCEDIMENTO OFICIAL PROCEDIMENTO OFICIOSO


Atuação por AUTORIDADE OFICIAL Atuação de OFÍCIO

I. Procedimento Oficioso: a instauração do inquérito policial por parte do Delegado de Polícia


ocorre, em regra, de ofício, salvo nos casos de ação privada e pública condicionada, em que o
início dependerá do requerimento ou representação. Dessa forma, contemplamos que nos crimes
de ação penal pública incondicionada, o Delegado de Polícia tem o dever de proceder a apuração
do fato delituoso de ofício.

J. Incomunicabilidade: Esta característica não foi recepcionada pela Constituição, tendo em


vista que na vigência do estado de defesa é vedada a incomunicabilidade do preso. CF/88 Art.
136, § 3º.

Obs.: inobstante a não recepção da incomunicabilidade, algumas provas já cobraram a


literalidade do dispositivo legal. Desse modo, segue abaixo:

40
Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos
autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da
investigação o exigir.

Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de três dias, será decretada
por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão
do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso
III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n. 4.215, de 27 de abril de
1963).

4.3.11. FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

O tema abaixo (formas de instauração do inquérito policial) é de suma importância para os


candidatos que buscam se preparar para os concursos de Delegado de Polícia.
As formas de instauração do inquérito policial estão previstas ao teor do Art. 5º, I, II e § 3º,
CPP. No tocante as formas de instauração do inquérito, é imprescindível o conhecimento da espécie de
ação penal a que aquele delito está sujeito, pois, a depender da espécie de ação penal, a instauração
dependerá ou não do requerimento ou representação da vítima.

➔ Crimes de ação penal pública incondicionada:


○ Instauração de ofício (art. 5º, CPP);
○ Instauração mediante requisição do juiz ou do Ministério Público (art. 5º, CPP);
○ Instauração mediante requerimento do ofendido (art. 5º, CPP);

➔ Crimes de ação penal pública condicionada:


○ Requisição do Ministro da Justiça (art. 24, CPP);
○ Representação da vítima (art. 5º, §4º, CPP);

➔ Crimes de ação penal de iniciativa privada:


○ Instauração mediante requerimento da vítima (art. 5º, §5º, CPP).

Vejamos:

Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:


I - de ofício; (no caso de ação penal pública incondicionada).
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento
do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
§ 1o O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

41
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;
b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de
presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.
§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o
chefe de Polícia.
§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que
caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta,
verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. (denominada de delatio
criminis).
§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem
ela ser iniciado. *49
§ 5o. Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. *50

1) De ofício pela autoridade policial (inciso I): na hipótese do crime ser de ação penal
pública incondicionada.

2) Por requerimento do ofendido ou seu representante (inciso II): nos casos de ação
penal privada ou de ação penal pública condicionada, a instauração do inquérito
policial dependerá do requerimento do ofendido e no caso da ação pública
condicionada, dependerá de representação.

O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela
ser iniciado. Noutra banda, nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder
a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Em RESUMO:

Crime de ação penal pública condicionada Crime de ação penal privada


Depende de REPRESENTAÇÃO Depende de REQUERIMENTO

Obs.: esse requerimento não exige maiores formalismos.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Em concurso de Delegado de Polícia Civil de Goiás (2022), foi apontada como CORRETA a seguinte
afirmação: “Quando se tratar de delitos processáveis por ação penal privada, a autoridade policial
somente poderá iniciar investigação preliminar após requerimento de quem tenha legitimidade para
oferecer queixa-crime”.

49 Dispositivo já cobrado inúmeras vezes em prova de Delegado.


50 Dispositivo já cobrado inúmeras vezes em prova de Delegado.

42
Em concurso de Delegado de Polícia Civil de Goiás (2022), foi apontada como INCORRETA a
seguinte afirmação: “A investigação preliminar de natureza policial, nos crimes em que a ação penal
pública depender de representação do ofendido, poderá sem ela ser iniciada”.

O § 2º do Art. 5º ainda traz a possibilidade de recurso para o despacho que indeferir o


requerimento de abertura do inquérito. Exemplo. Se o requerimento foi feito para o delegado e este
indeferir, caberá o recurso para o chefe de polícia.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?

Em concurso de Delegado de Polícia Civil de Goiás (2022), foi apontada como INCORRETA a
seguinte afirmação: “É irrecorrível o despacho que indeferir requerimento de abertura de inquérito
policial, tendo em vista a prescindibilidade do procedimento investigativo preliminar”.

3) Delatio Criminis

CPP, Art. 5º § 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração
penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade
policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

● Simples: Uma terceira pessoa leva ao conhecimento do Delegado o fato da infração penal.
● Inqualificada: Denúncia anônima (Art. 5º, IV, CF / info 580 STF). A constituição veda o
anonimato, por outro lado não se pode vendar os olhos para um crime que aconteceu. O STF
afirma que a denúncia anônima é válida de base para as investigações, mas não será suficiente
por si só para instaurar o inquérito.
● Postulatória: (Art. 5º § 4º) O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de
representação, não poderá sem ela ser iniciado.

4) Requisição da autoridade competente (inciso III).

Neste aspecto existe uma pequena polêmica no que tange a requisição, afinal candidato, quais
seriam as autoridades competentes para requisitar a instauração do inquérito?

As autoridades seriam o MP e o Juiz, no entanto a doutrina critica a possibilidade deste último


fazer essa requisição, tendo em vista a violação do sistema acusatório, que concede ao titular da ação
penal o pleno domínio e início da ação, não podendo desta forma o juiz requisitar. Da mesma forma a

43
doutrina também critica a requisição realizada pelo MP tendo em vista que não existe hierarquia entre
Promotor e Delegado.

5) Auto de prisão em flagrante


Com a própria prisão em flagrante, o delegado de polícia já poderá instaurar o inquérito policial.

4.3.12. PEÇAS DE INAUGURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

a. portaria do delegado de polícia, em casos de instauração do inquérito de ofício;


b. requerimento do ofendido ou seu representante legal;
c. representação do ofendido ou seu representante legal;
d. requisição do Ministro da Justiça;
e. requisição do Ministério Público ou do magistrado;
f. auto de prisão em flagrante.

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Ano: 2018 Banca: CEBRASPE Órgão: Polícia Federal Prova: Papiloscopista.
Na tentativa de entrar em território brasileiro com drogas ilícitas a bordo de um veículo, um traficante
disparou um tiro contra agente policial federal que estava em missão em unidade fronteiriça. Após troca
de tiros, outros agentes prenderam o traficante em flagrante, conduziram-no à autoridade policial local
e levaram o colega ferido ao hospital da região.
Nessa situação hipotética, ao tomar conhecimento do homicídio, cuja ação penal é pública
incondicionada, a autoridade policial terá de instaurar o inquérito de ofício, o qual terá como peça
inaugural uma portaria que conterá o objeto de investigação, as circunstâncias conhecidas e as
diligências iniciais que serão cumpridas.
Gab. CERTO.

Justificativa: Nos crimes de ação penal pública incondicionada a instauração do inquérito policial será
de ofício e a peça inaugural é a PORTARIA.

4.3.13. NOTITIA CRIMINIS E DELATIO CRIMINIS

A delatio criminis é uma espécie de notitia criminis. No entanto, neste último caso é o
conhecimento, pela própria autoridade policial, de um fato delituoso subdividindo-se em:

a) Notitia criminis de cognição imediata (espontânea): Quando o delegado por meio de atividades
rotineiras toma conhecimento do crime. Segundo Norberto Avena, “a autoridade policial toma
conhecimento da ocorrência de um crime de forma direta por meio de suas atividades funcionais

44
rotineiras, podendo ser por meio de investigações por ela mesma realizadas, por notícia veiculada
na imprensa, por meio de serviços de Disque-Denúncia (denúncias anônimas ou não) etc.”.

b) Notitia criminis de cognição mediata ou provocada: Quando o delegado recebe um expediente


escrito informando do crime. Conforme leciona Norberto Avena, “a autoridade policial toma
conhecimento da ocorrência do crime por meio de algum ato jurídico de comunicação formal do
delito dentre os previstos na legislação processual. Este ato pode ser o requerimento da vítima
ou de qualquer pessoa do povo, a requisição do juiz ou do Ministério Público, a requisição do
Ministro da Justiça e a representação do ofendido”.
c) Notitia criminis de cognição coercitiva: Quando o delegado toma conhecimento do fato
criminoso ao realizar uma prisão em flagrante. Explica Norberto Avena “ocorre na hipótese de
prisão em flagrante delito, em que a autoridade policial lavra o respectivo auto. Veja-se que o
auto de prisão em flagrante é forma de início do inquérito policial, independentemente da
natureza da ação penal. Entretanto, nos crimes de ação penal pública condicionada e de ação
penal privada sua lavratura apenas poderá ocorrer se for acompanhado, respectivamente, da
representação ou do requerimento do ofendido (art. 5., §§ 4. e 5, do CPP)”.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2019 Banca: Instituto Consulplan Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça.
A notitia criminis de cognição imediata ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento do fato
delituoso através da apresentação do indivíduo preso em flagrante-delito, enquanto a denúncia anônima
é considerada notitia criminis inqualificada.
Gab. ERRADO.
Justificativa: Quando a autoridade policial toma conhecimento da infração por meio da prisão em
flagrante, ou seja, da apresentação do indivíduo preso em flagrante, tem-se a “notitia criminis de
cognição coercitiva”. Já na “notitia criminis de cognição imediata”, a autoridade policial toma
conhecimento da ocorrência de um crime de forma direta, por meio de suas atividades funcionais
rotineiras.

Em RESUMO:
NOTITIA CRIMINIS DE NOTITIA CRIMINIS DE NOTITIA CRIMINIS DE
COGNIÇÃO IMEDIATA COGNIÇÃO MEDIATA COGNIÇÃO
(DIRETA OU ESPONTÂNEA): (INDIRETA OU COERCITIVA:
PROVOCADA):
ocorre quando o delegado de ocorre quando o delegado de ocorre quando o delegado de
polícia toma conhecimento do fato polícia toma conhecimento do polícia toma conhecimento do
delituoso por meio de suas fato delituoso por meio de um fato delituoso por meio de uma
atividades rotineiras. Ex. Delegado expediente escrito (requisição situação flagrancial. Ex.
assistindo o jornal, toma do MP, requisição de juiz, Alguém que foi conduzido
conhecimento de um fato representação da vítima). coercitivamente a presença do
criminoso que ocorreu na sua área. delegado como autor do delito.

45
Denúncia Anônima

Notitia criminis inqualificada: ocorre quando o delegado de polícia toma conhecimento do fato delituoso
por meio de denúncia anônima.

ATENÇÃO! O delegado de polícia, em razão de uma denúncia anônima, não pode instaurar um inquérito
policial imediatamente. Antes de instaurar um inquérito policial, o delegado deverá fazer a verificação
da procedência das informações – VPI;

1º - Recebimento da notitia criminis inqualificada;

2º - Verificação de procedência das informações (VPI) – análise da verossimilhança dos fatos


denunciados – art. 5º, § 3º, CPP;

3º - Instauração de Inquérito Policial;

4º - Representação por medidas cautelares.

STF. HC 95244/PE, Rel. Min. Dias Toffoli, 23/03/2010.

STF. HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber, 29/3/2016 (Info 819)

Diante do exposto, temos que a denúncia anônima pode oportunizar a instauração de inquérito
policial, desde que haja a verificação de procedência das informações.

Conforme explica Márcio André 51, a denúncia anônima ocorre quando alguém, sem se identificar,
relata para as autoridades (ex: Delegado de Polícia, MP etc.) que determinada pessoa praticou um
crime. É o caso, por exemplo, dos serviços conhecidos como "disk-denúncia" ou, então, dos aplicativos
de celular por meio dos quais se "denuncia" a ocorrência de delitos. O termo "denúncia anônima" não
é tecnicamente correto porque em processo penal denúncia é o nome dado para a peça inaugural da
ação penal proposta pelo Ministério Público. Assim, a doutrina prefere falar em "delação apócrifa",
"notícia anônima" ou "notitia criminis inqualificada".

Candidato, é possível instaurar investigação criminal (inquérito policial, investigação pelo


MP etc.) com base em “denúncia anônima”? SIM, mas a jurisprudência afirma que, antes, a autoridade
deverá realizar uma investigação prévia para confirmar se a "denúncia anônima" possui um mínimo de
plausibilidade. Assim, contemplamos que não será possível instaurar já de plano, devendo a autoridade
policial realizar diligências a fim de comprovar sua plausividade.

Vejamos:

51 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Denúncia anônimaa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/3a824154b16ed7dab899bf000b80eeee>. Acesso
em: 14/09/2020.

46
(...) As autoridades públicas não podem iniciar qualquer medida de
persecução (penal ou disciplinar), apoiando-se, unicamente, para tal fim, em
peças apócrifas ou em escritos anônimos. É por essa razão que o escrito
anônimo não autoriza, desde que isoladamente considerado, a imediata
instauração de “persecutio criminis”.

– Nada impede que o Poder Público, provocado por delação anônima (“disque-
denúncia”, p. ex.), adote medidas informais destinadas a apurar, previamente,
em averiguação sumária, “com prudência e discrição”, a possível ocorrência de
eventual situação de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir
a verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em
caso positivo, a formal instauração da “persecutio criminis”, mantendo-se,
assim, completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças
apócrifas.

– Diligências prévias, promovidas por agentes policiais, reveladoras da


preocupação da Polícia Judiciária em observar, com cautela e discrição,
notadamente em matéria de produção probatória, as diretrizes jurisprudenciais
estabelecidas, em tema de delação anônima, pelo STF e pelo STJ. (...)

(STF. 2ª Turma. RHC 117988, Relator p/ Acórdão Min. Celso de Mello, julgado
em 16/12/2014).

Diante de uma denúncia anônima, deve a autoridade policial, antes de instaurar o inquérito
policial, verificar a procedência e veracidade das informações por ela veiculadas.

A denúncia anônima, por si só, não serve para fundamentar a instauração de inquérito policial,
mas, a partir dela, pode a polícia realizar diligências preliminares para apurar a veracidade das
informações obtidas anonimamente e, então, instaurar o procedimento investigatório propriamente dito.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia.
Acerca dos atos do delegado de polícia durante o inquérito policial, assinale a opção correta.
A. O delegado de polícia poderá instaurar inquérito policial para apurar delitos específicos e complexos
que chegarem ao seu conhecimento, sendo-lhe autorizada, ainda, a realização de fishing expedition, por
ser um procedimento investigatório especial em razão da artimanha do modus operandi.
B. Em caso de crime que deixar vestígios, se houver a confissão do indiciado, a autoridade policial
poderá dispensar o encaminhamento da vítima para a realização do exame de corpo de delito.

47
C. Diante de notitia criminis inqualificada, antes de determinar a abertura do inquérito policial, o
delegado de polícia deve promover a diligência de verificação de procedência das informações, a fim de
evitar delação inescrupulosa.
D. O delegado de polícia poderá interrogar pessoa inimputável presa em flagrante, não sendo possível a
nomeação de curador para acompanhar o ato.
E. O delegado de polícia poderá realizar o interrogatório, sem a participação de advogado, ainda que o
indiciado informe que deseja a presença de seu advogado no ato.
Gab. C.

Candidato, é possível decretar medida de busca e apreensão com base unicamente em


“denúncia anônima”? NÃO. A medida de busca e apreensão representa uma restrição ao direito à
intimidade. Logo, para ser decretada, é necessário que haja indícios mais robustos que uma simples
notícia anônima.

Candidato, é possível decretar interceptação telefônica com base unicamente em “denúncia


anônima”? NÃO. A Lei n.º 9.296/96 (Lei de Interceptação Telefônica) estabelece: Art. 2º Não será
admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses:
II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis. Desse modo, a doutrina defende que a
interceptação telefônica deverá ser considerada a ultima ratio, ou seja, trata-se de prova subsidiária.
Tendo como fundamento esse dispositivo legal, a jurisprudência pacífica do STF e do STJ entende que
é ilegal que a interceptação telefônica seja determinada apenas com base em “denúncia anônima”.
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?
Ano: 2018 Banca: CEBRASPE Órgão: MPU Prova: Analista do MPU.
Denúncia anônima sobre fato grave de necessária repressão imediata é suficiente para embasar, por si
só, a instauração de inquérito policial para rápida formulação de pedido de quebra de sigilo e de
interceptação telefônica.
Gab. ERRADO

Conforme o entendimento da Jurisprudência as denúncias anônimas não podem embasar, por si sós,
medidas invasivas como interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas
por diligências investigativas posteriores.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2018 Banca: CEBRASPE Órgão: EBSERH Prova: Advogado.
A denúncia anônima de fatos graves, por si só, impõe a imediata instauração de inquérito policial, no
âmbito do qual a autoridade policial deverá verificar se a notícia é materialmente verdadeira.

Gab. ERRADO.

JÁ CAIU CESPE: A interceptação telefônica é medida subsidiária e excepcional, só podendo


ser determinada quando não houver outro meio para se apurar os fatos tidos por criminosos, sendo ilegal
quando for determinada apenas com base em notícia anônima, sem investigação preliminar. CERTO!

48
A interceptação telefônica é subsidiária e excepcional, só podendo ser determinada quando não houver
outro meio para se apurar os fatos tidos por criminosos, nos termos do art. 2°, inc. II, da Lei nº
9.296/1996. Desse modo, é ilegal que a interceptação telefônica seja determinada apenas com base em
“denúncia anônima”. STF. Segunda Turma. HC 108147/PR, rei. Min. Cármen Lúcia, 11/12/2012.

Para ser decretada a medida de busca e apreensão, é necessário que haja


indícios mais robustos que uma simples notícia anônima
Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como
interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas
por diligências investigativas posteriores. Se há notícia anônima de comércio de
drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia deve, antes de representar pela
expedição de mandado de busca e apreensão, proceder a diligências veladas no
intuito de reunir e documentar outras evidências que confirmem,
indiciariamente, a notícia. Se confirmadas, com base nesses novos elementos de
informação o juiz deferirá o pedido. Se não confirmadas, não será possível violar
o domicílio, sendo a expedição do mandado desautorizada pela ausência de justa
causa. O mandado de busca e apreensão expedido exclusivamente com apoio em
denúncia anônima é abusivo. STF. 2ª Turma. HC 180709/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 5/5/2020 (Info 976).
Não é permitido o ingresso na residência do indivíduo pelo simples fato de
haver denúncias anônimas e ele ter fugido da polícia
A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas somada à fuga
do acusado ao avistar a polícia, por si sós, não configuram fundadas razões a
autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu consentimento
ou sem determinação judicial. STJ. 5ª Turma. RHC 89853-SP, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 18/02/2020 (Info 666). STJ. 6ª Turma. RHC 83501-SP, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018 (Info 623).
É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base
unicamente em denúncia anônima
É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base unicamente
em denúncia anônima. Caso concreto: a diretora da unidade prisional recebeu
uma ligação anônima dizendo que Rafaela, que iria visitar seu marido João,
tentaria entrar no presídio com droga. Diante disso, a diretora ordenou que a
agente penitenciária fizesse uma revista minuciosa em Rafaela. Na revista íntima
efetuada, a agente penitenciária encontrou droga escondida na vagina da
visitante. Rafaela confessou que estava levando a droga para seu marido. A
prova colhida é ilícita. STJ. 6ª Turma. REsp 1695349-RS, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 08/10/2019 (Info 659).
Se após a denúncia anônima houve investigação preliminar, poderá ser
decretada a interceptação telefônica
Após receber diversas denúncias de fraudes em licitações realizadas no
Município, o Ministério Público Estadual promoveu diligências preliminares e
instaurou Procedimento Investigativo. Segundo a jurisprudência do STJ e do
STF, não há ilegalidade em iniciar investigações preliminares com base em

49
"denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das alegações contidas
no documento apócrifo. Após confirmar a plausibilidade das "denúncias", o MP
requereu ao juízo a decretação da interceptação telefônica dos investigados
alegando que não havia outro meio senão a utilização de tal medida, como forma
de investigação dos supostos crimes. O juiz acolheu o pedido. O STJ e o STF
entenderam que a decisão do magistrado foi correta considerando que a
decretação da interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na
"denúncia anônima" e sim após a realização de diligências investigativas por
parte do Ministério Público e a constatação de que a interceptação era
indispensável neste caso. STJ. 6ª Turma. RHC 38566/ES, Rel. Min. Ericson
Maranho (Des. Conv. do TJ/SP), julgado em 19/11/2015. STF. 2ª Turma. HC
133148/ES, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 21/2/2017 (Info 855).
Fonte: www.dizerodireito.com.br

4.3.14. DILIGÊNCIAS INVESTIGATÓRIAS

Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial
DEVERÁ:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas,
até a chegada dos peritos criminais;
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais;
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;
IV - ouvir o ofendido;
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do
Título VII, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que lhe
tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras
perícias;
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar
aos autos sua folha de antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social,
sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e
quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.
X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma
deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela
pessoa presa.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: PC-AM Prova: Delegado de Polícia.
Ao chegar a um ”local de fato”, ainda não sabendo que se trata de um local de crime, de acordo com o
Art. 6º do CPP, a primeira providência da Autoridade Policial deve ser a de:
A. apreender objetos que tiverem relação com o fato, evitando a perda de objetos potencialmente
importantes.
B. ouvir o indiciado, a fim de decidir sobre a necessidade de sua detenção imediata.

50
C. prender o suspeito, a fim de evitar sua fuga.
D. preservar o local.
E. ouvir o ofendido, para que se defina a área a ser isolada.
Gab. D.

4.3.15. RECONSTITUIÇÃO
CPP Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de
determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução
simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem
pública.

A reprodução simulada é vedada quando importar em ofensa à moralidade, como, por exemplo,
a reconstituição de crime contra a dignidade sexual, ou em ofensa à moralidade ou a ordem pública

Exemplo: Reconstituir um crime de estupro, não tem sentido pedir para que haja novamente o
ato apenas para verificar como aconteceu.

Nesse sentido, NUCCI explica “não se fará reconstituição de um crime sexual violento, usando
vítima e réu, por exemplo, o que contraria a moralidade, nem tampouco a reconstituição de uma chacina,
num lugar onde a população ainda está profundamente revoltada com o crime, podendo até buscar o
linchamento do réu”.

Cumpre destacarmos que o acusado não será obrigado a participar (em decorrência do princípio
do nemo tenetur se detegere), bem como, o Delegado pode achar que não seja fundamental a
reconstituição e não realizá-la.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2004 Banca: CEBRASPE Órgão: Polícia Federal Prova: Agente Federal da Polícia Federal.
Com relação ao inquérito policial, julgue os seguintes itens.
A reprodução simulada dos fatos ou reconstituição do crime pode ser determinada durante o inquérito
policial, caso em que o indiciado é obrigado a comparecer e participar da reconstituição, em prol do
princípio da verdade real.
Gab. ERRADO.

Conforme ensina Nestor Távora e Fábio Roque, “a participação do indiciado é facultativa, afinal não
está obrigado a se autoincriminar (princípio do nemo tenetur se detegere). Todavia, tem-se admitido a
sua condução coercitiva ao local da reconstituição, mesmo que apenas para presenciar o acontecimento”.
Diante do exposto, contemplamos que o gabarito é ERRADO, posto que em decorrência do princípio da
não autoincriminação, o acusado não é obrigado a participar.

51
4.3.16. PRAZOS PARA A CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

4.3.16.1. CPP – REGRA GERAL

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em
flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em
que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança
ou sem ela.
Assim:

Preso 10 dias + 15*52


Solto 30 dias (prorrogável).

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2023 Banca: CEBRASPE Órgão: DPE-RO Prova: Defensor Público Substituto.
Se uma pessoa for presa em flagrante pelo crime de estupro e, em audiência de custódia, o magistrado
converter sua prisão em flagrante em prisão preventiva, para concluir o inquérito, a autoridade policial
terá o prazo máximo de
A. 5 dias, improrrogáveis.
B. 10 dias, improrrogáveis.
C. 30 dias, prorrogáveis.
D. 15 dias, prorrogável uma única vez.
E. 30 dias, improrrogáveis.
Gab. B.

4.3.16.2. JUSTIÇA FEDERAL

Art. 66. O prazo para conclusão do inquérito policial será de quinze dias, quando o indiciado
estiver preso, podendo ser prorrogado por mais quinze dias, a pedido, devidamente
fundamentado, da autoridade policial e deferido pelo Juiz a que competir o conhecimento do
processo.
Parágrafo único. Ao requerer a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito, a autoridade
policial deverá apresentar o preso ao Juiz.
Assim:

Preso 15 dias (prorrogável + 15 dias).


Solto 30 dias

4.3.16.3. CPM

Art. 20. O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o indiciado estiver preso, contado
esse prazo a partir do dia em que se executar a ordem de prisão; ou no prazo de quarenta dias,
quando o indiciado estiver solto, contados a partir da data em que se instaurar o inquérito.

52 Com a vigência do Pacote Anticrime, o art. 3-B §2º, do CPP, é expresso ao afirmar que a duração do inquérito de
investigado preso poderá ser prorrogada uma única vez, por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a investigação
não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada.

52
Prorrogação de prazo:

§ 1º Este último prazo (indiciado estiver solto) poderá ser prorrogado por mais vinte dias pela
autoridade militar superior, desde que não estejam concluídos exames ou perícias já iniciados,
ou haja necessidade de diligência, indispensáveis à elucidação do fato. O pedido de prorrogação
deve ser feito em tempo oportuno, de modo a ser atendido antes do término do prazo.
Assim:

Preso 20 dias
Solto 40 dias (prorrogável por + 20 dias).

4.3.16.4. LEI DOS CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR

Art. 10. (...) §1º Os atos policiais (inquérito ou processo iniciado por portaria) deverão terminar
no prazo de dez dias (seja preso ou solto).

4.3.16.5. LEI DOS CRIMES HEDIONDOS E PRISÃO TEMPORÁRIA

Terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada
necessidade.

4.3.16.6. LEI DE DROGAS

Lei nº 11.343/2006. Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias,
se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto.
Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido o
Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.
Assim:

Preso 30 dias (podendo ser duplicado).


Solto 90 dias (podendo ser duplicado).

Em RESUMO:

PRAZO Preso Solto


J. Estadual 10 + 1553 30
J. Federal 15+15 30
Lei de Drogas 30 (x2) 90 (x2)
J. Militar 20 40 (+20)
Economia P. 10 10
Crimes Hediondos e prisão temporária 30+30

53 Com a vigência do Pacote Anticrime, o art. 3-B §2º, do CPP, é expresso ao afirmar que a duração do inquérito de
investigado preso poderá ser prorrogada uma única vez, por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a investigação
não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada.

53
O eventual trancamento de inquérito policial por excesso de prazo não impede,
sempre e de forma automática, o oferecimento da denúncia. STF. 2ª Turma. HC
194023 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/09/2021.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?

Ano: 2019 Banca: CEBRASPE Órgão: TJ-BA Prova: Juiz de Direito Substituto.

Aldo, delegado de polícia, recebeu em sua unidade policial denúncia anônima que imputava a Mauro a
prática do crime de tráfico de drogas em um bairro da cidade. A denúncia veio acompanhada de imagens
em que Mauro aparece entregando a terceira pessoa pacotes em plástico transparente com considerável
quantidade de substância esbranquiçada e recebendo dessa pessoa quantia em dinheiro. Em diligências
realizadas, Aldo confirmou a qualificação de Mauro e, a partir das informações obtidas, instaurou IP
para apurar o crime descrito no art. 33, caput, da Lei n.º 11.343/2006 — Lei Antidrogas —, sem
indiciamento. Na sequência, ele representou à autoridade judiciária pelo deferimento de medida de busca
e apreensão na residência de Mauro, inclusive do telefone celular do investigado. Acerca dessa situação
hipotética, assinale a opção correta.

A. A instauração do IP constituiu medida ilegal, pois se fundou em denúncia anônima.

B. Recebido o IP, verificados a completa qualificação de Mauro e os indícios suficientes de autoria,


o juiz poderá determinar o indiciamento do investigado à autoridade policial.

C. Em razão do caráter sigiloso dos autos do IP, nem Mauro nem seu defensor constituído terão o direito
de acessá-los.

D. Como não houve prisão, o prazo para a conclusão do IP será de noventa dias.

E. Deferida a busca e apreensão, a realização de exame pericial em dados de telefone celular que
eventualmente seja apreendido dependerá de nova decisão judicial.
Gab. D.
Justificativa: Conforme estudamos acima, a regra geral para a conclusão das investigações encontra-se
previsto ao teor do art. 10 do CPP, contudo, existem várias regras específicas, entre elas, a prevista para
os crimes na lei de drogas. Nos termos da Lei n. 11.343/2006: Art. 51. O inquérito policial será concluído
no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto.

4.3.18. EXCESSO DE PRAZO

O que acontece se os prazos para a conclusão do inquérito policial não forem observados pelo
delegado?

Se o investigado estiver solto, não haverá problemas, pois entende-se que o prazo é impróprio.
Entretanto, apesar de ser impróprio, não poderá haver abusos e, conforme precedentes do STJ, é possível
que se realize, por meio de habeas corpus, o controle acerca da razoabilidade da duração da investigação,

54
sendo cabível, até mesmo, o trancamento do inquérito policial, caso demonstrada a excessiva demora
para a sua conclusão.

Se o investigado estiver preso e o atraso não for expressivo, não há que se falar em ilegalidade,
uma vez que o processo penal posterior pode “compensar” essa demora, sendo mais célere, por exemplo
(Brasileiro, 2017). Porém, da mesma forma, não pode haver abusos, respeitando-se a razoabilidade (STF,
HC 107.382/SP), sob pena de constrangimento ilegal (STJ, HC 343.951/MG). Analogicamente, no
âmbito do Direito Administrativo, há a súmula 592 do STJ, que afirmar que “o excesso de prazo para a
conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo
à defesa”.

Cumpre ressaltar que o art. 3º-B, § 2º, do CPP, introduzido pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/19)
– cuja aplicação está suspensa por decisão do STF -, que prevê que se o investigado estiver preso das
garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público,
prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a
investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada.

#MOMENTODIZERODIREITO #MARCINHOEXPLICA

Há excesso de prazo para conclusão de IP, quando, a despeito do investigado se encontrar solto, a
investigação perdura por longo período sem que haja complexidade que justifique

Imagine a seguinte situação adaptada:


Em abril de 2013, foi instaurado inquérito policial em desfavor de João a fim de apurar a veracidade de
notícia de que ele, na qualidade de advogado de uma pessoa idosa, teria ficado com dinheiro que seria
devido ao seu cliente.
Não foi decretada a prisão cautelar do investigado nem impostas outras medidas cautelares diversas.
Em março de 2021, a defesa impetrou habeas corpus perante o STJ, no qual alegou que até o momento
não foi oferecida denúncia nem pedido o arquivamento do inquérito policial. Argumentou, portanto, que
é patente o excesso de prazo para a conclusão da investigação.

O STJ concordou com o pedido da defesa? SIM.

O inquérito policial tem prazo para ser concluído?


SIM. No Brasil, o inquérito policial é temporário, ou seja, possui um prazo para ser concluído.
O art. 10 do CPP traz a regra geral sobre o tempo de duração do IP, mas existem outras leis que
disciplinam o tema para crimes específicos, como o art. 66 da Lei nº 5.010/66 ou o art. 51, parágrafo
único, da Lei nº 11.343/2006.
Salvo previsão de lei especial em sentido contrário, o inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias (se
o indiciado estiver preso) ou em 30 dias (se estiver solto). Quando o fato for de difícil elucidação, e o

55
indiciado estiver solto, o Delegado de Polícia poderá requerer a prorrogação do prazo (art. 10, caput e §
3º do CPP).

Prazo do inquérito é impróprio, se o investigado estiver solto


O prazo para a conclusão do inquérito policial, em caso de investigado solto é impróprio.
Assim, em regra, o prazo pode ser prorrogado a depender da complexidade das investigações.

Excepcionalmente, é possível o exame da razoabilidade da duração do IP


Conforme precedentes do STJ, é possível que se realize, por meio de habeas corpus, o controle acerca
da razoabilidade da duração da investigação, sendo cabível, até mesmo, o trancamento do inquérito
policial, caso demonstrada a excessiva demora para a sua conclusão.

Caso concreto
Constata-se, no caso, o alegado constrangimento ilegal decorrente do excesso de prazo para a conclusão
do inquérito policial. Isso porque a investigação foi iniciada em 2013, ou seja, há mais de 9 anos.
As nuances do caso concreto não indicam que a investigação é demasiadamente complexa: apura-se o
alegado desvio de valores supostamente recebidos pelo paciente, na qualidade de advogado da vítima
(pessoa idosa, analfabeta e economicamente hipossuficiente); há apenas um investigado; foi ouvida
somente uma testemunha e determinada a quebra do sigilo bancário de duas pessoas; e com diligências
já cumpridas. Além disso, a investigação ficou paralisada por cerca de 4 anos e a autoridade policial,
posteriormente, apresentou relatório que concluiu pela inexistência de prova da materialidade e de
indícios suficientes de autoria. No entanto, a pedido do Ministério Público, a investigação prosseguiu.
Mostra-se inadmissível que, no panorama atual, em que o ordenamento jurídico pátrio é norteado pela
razoável duração do processo (no âmbito judicial e administrativo) - cláusula pétrea instituída
expressamente na Constituição Federal pela Emenda Constitucional n. 45/2004 -, um cidadão seja
indefinidamente investigado, transmutando a investigação do fato para a investigação da pessoa.
O fato de o paciente não ter sido indiciado ou sofrer os efeitos de qualquer medida restritiva, por si só,
não indica ausência de constrangimento, considerando que a simples existência da investigação, que no
caso está relacionada ao exercício profissional do paciente, já é uma estigmatização. O constrangimento
é patente.

Em suma:
Há excesso de prazo para conclusão de inquérito policial, quando, a despeito do investigado se encontrar
solto e de não sofrer efeitos de qualquer medida restritiva, a investigação perdura por longo período e
não resta demonstrada a complexidade apta a afastar o constrangimento ilegal.
STJ. 6ª Turma. HC 653.299-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 16/08/2022 (Info 747).

Fonte: CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Há excesso de prazo para conclusão de IP, quando, a despeito do investigado
se encontrar solto, a investigação perdura por longo período sem que haja complexidade que justifique. Buscador Dizer o
Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/3b13b1eb44b05f57735764786fab9c2c>. Acesso em:
15/02/2023

56
4.3.18. RELATÓRIO

CPP Art. 10. § 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos
ao juiz competente.

No relatório, a autoridade policial (Delegado de Polícia) irá narrar todos os fatos, procedimentos
e diligências que ocorreram durante o inquérito policial, sem juízo de valor, não devendo informar se
está comprovado ou não a autoria e materialidade.

Não necessariamente o relatório irá encerrar o inquérito, tendo em vista que o MP pode solicitar
novas diligências, não sendo obrigatório que a autoridade policial faça um novo relatório, nessa fase
apenas cumpre uma diligência que o MP solicitou. Alguns Delegados cumprem a diligência e refazem
o relatório tendo em vista que só existirá e será entregue apenas um relatório.

4.3.19. INDICIAMENTO

O indiciamento é o momento no qual o indivíduo deixa de ser um mero suspeito e passa a ser de
fato um indiciado, indiciado em um inquérito policial, quando o delegado já tem elementos suficientes
para apontar a autoria de um crime.

Cumpre destacar a importância de diferenciar algumas expressões:

a. Investigado ou suspeito: Tem se a ideia que aquele pode ter sido o provável autor do crime, mas
que ainda não foi formalmente indiciado. (Juízo de probabilidade de autoria).
b. Indiciado: Aquele suspeito que já foi indiciado nos termos da Lei 12.830/13.
c. Acusado: Expressão utilizada para momento após ao recebimento da denúncia ou queixa.

Lei 12.830/13 Art. 2º § 6º O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato
fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria,
materialidade e suas circunstâncias.

O fundamento central do indiciamento é a autoria, mas como não se pode imputar a alguém
nenhum fato vago, terá de imputar um crime, portanto materialidade e circunstância. Antes da Lei 12.830
não era necessário indiciar fundamentando, após ela o indiciamento precisa ser fundamentado, que diz
respeito a análise técnico-jurídica do fato.

Quanto ao momento, poderá ocorrer o indiciamento, desde o auto de prisão em flagrante até o
relatório final. O ato de indiciamento é exclusivo da fase investigatória. Se o processo criminal já teve
início, sem que tenha tido o indiciamento formalmente, não é mais possível o indiciamento, constituindo-
se em constrangimento ilegal. Nesse sentido, o entendimento do STJ.

57
O INDICIAMENTO após o oferecimento da denúncia constitui-se em constrangimento
ilegal.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia.
Acerca do inquérito policial e dos direitos e garantias do investigado, assinale a opção correta.
A. Conforme entendimento pacificado do STJ, é admitido que a autoridade policial espelhe o aparelho
celular do investigado, sem a anuência deste ou ordem judicial, e monitore as conversas de aplicativos
de mensagens, a fim de obter provas.
B. Ao fim do termo circunstanciado de ocorrência, quando houver provas suficientes do delito e provas
razoáveis acerca da autoria, a autoridade policial tem o dever de indiciar o suspeito.
C. O indiciamento realizado pelo delegado de polícia, embora seja um ato formal, dispensa
fundamentação acerca do convencimento da autoria e da existência do delito, uma vez que não há
alteração do status do indiciado.
D. O advogado do investigado poderá ter acesso ao procedimento investigatório policial já documentado,
para o exercício da defesa, desde que tenha autorização judicial, independentemente da natureza do
delito.
E. O indiciamento pode ser realizado no auto de prisão em flagrante ou no relatório final do inquérito,
mas, de acordo com o STJ, não será admitido após o recebimento da denúncia.
Gabarito E.

A doutrina aponta uma classificação do indiciamento, em indiciamento direto e indiciamento


indireto. O indiciamento direto é aquele realizado na presença do réu, no qual o Delegado já dá ciência
ao indivíduo naquele momento que está sendo indiciado por tal crime. Noutra banda, o indiciamento
indireto – acontece no caso de que o indiciado não esteja presente.

Candidato, quem possui atribuição para realizar o ato de indiciamento? Excelência, trata-se
de ato privado do Delegado de Polícia. Nessa linha, faz-se preciso destacarmos que atualmente, com
o advento da Lei nº 12.830/2013 há previsão expressa de que o indiciamento é atribuição privativa do
Delegado de Polícia. Nesse sentido, proclama o art. 2º, §6º “O indiciamento, privativo do Delegado de
polícia, dar-se-á por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a
autoria, materialidade e suas circunstâncias”. O Indiciamento não pode ser objeto de requisição (seja do
Ministério Público ou do Magistrado).

Indiciamento é atribuição exclusiva da autoridade policial 54

54CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Indiciamento é atribuição exclusiva da autoridade policial. Buscador Dizer o Direito,
Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d860edd1dd83b36f02ce52bde626c653>. Acesso
em: 16/02/2020.

58
O magistrado não pode requisitar o indiciamento em investigação criminal. Isso
porque o indiciamento constitui atribuição exclusiva da autoridade policial.
É por meio do indiciamento que a autoridade policial aponta determinada pessoa
como a autora do ilícito em apuração. Por se tratar de medida ínsita à fase
investigatória, por meio da qual o delegado de polícia externa o seu
convencimento sobre a autoria dos fatos apurados, não se admite que seja
requerida ou determinada pelo magistrado, já que tal procedimento obrigaria o
presidente do inquérito à conclusão de que determinado indivíduo seria o
responsável pela prática criminosa, em nítida violação ao sistema acusatório
adotado pelo ordenamento jurídico pátrio. Nesse mesmo sentido é a inteligência
do art. 2º, § 6º, da Lei 12.830/2013, que afirma que o indiciamento é ato inserto
na esfera de atribuições da polícia judiciária. STJ. 5ª Turma. RHC 47984-SP,
Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 4/11/2014 (Info 552). STF. 2ª Turma. HC
115015/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/8/2013 (Info 717).

Candidato, é possível falarmos em desindiciamento? Sim, é possível. Se o Delegado indiciou


quando havia um juízo de probabilidade de autoria, e este deixa de existir, tendo absoluta certeza que
não foi aquela pessoa que praticou o delito, a autoridade policial fará o desindiciamento, mesmo sem
previsão legal, seguindo a decorrência obvia, tendo em vista que não tem sentindo aquela pessoa
continuar indiciada.

Cumpre trazermos ainda uma questão importante quanto ao indiciamento, trata-se de um efeito
previsto na Lei de Lavagem de Capitais caso ocorra o indiciamento de um sujeito/agente que seja
servidor público. Vejamos:

Lei 9.613/ 98 Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem
prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente autorize,
em decisão fundamentada, o seu retorno.

A Lei de lavagem de capitais traz que o servidor público indiciado por crime de lavagem de
capitais, terá de ser automaticamente afastado de suas funções e para que volte para o cargo é necessário
que o juiz determine. A doutrina afirma que este artigo viola o princípio da presunção da não
culpabilidade, tendo em vista que já afasta pelo fato de ser apenas indiciado, violando também o
princípio da jurisdicionalidade, já que o Delegado que determina o afastamento do servidor. No entanto
o dispositivo não foi declarado inconstitucional e não está suspenso, tendo plena eficácia.

Vejamos:

Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem prejuízo de
remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente autorize, em decisão
fundamentada, o seu retorno.

59
Obs.: o STF reconheceu recentemente a inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
Vejamos:

É INCONSTITUCIONAL A PREVISÃO LEGAL QUE DETERMINA O


AFASTAMENTO DO SERVIDOR PÚBLICO PELO SIMPLES FATO DE ELE TER
SIDO INDICIADO PELA PRÁTICA DE CRIME
É inconstitucional a determinação de afastamento automático de servidor público indiciado em
inquérito policial instaurado para apuração de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos
e valores. Com base nesse entendimento, o STF declarou inconstitucional o art. 17-D da Lei de
Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/98): Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público,
este será afastado, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz
competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno. O afastamento do servidor
somente se justifica quando ficar demonstrado nos autos que existe risco caso ele continue no
desempenho de suas funções e que o afastamento é medida eficaz e proporcional para se tutelar
a investigação e a própria Administração Pública. Tais circunstâncias precisam ser apreciadas
pelo Poder Judiciário. STF. Plenário. ADI 4911/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/11/2020 (Info 1000)55.

Candidato, quem pode indiciar? Só existe uma pessoa que pode indiciar: o delegado de
polícia, a autoridade policial. O MP é o titular da ação penal e se o MP determinar ao delegado de
polícia que este deve indiciar determinada pessoa? Isso não pode acontecer: nem o MP, muito menos
o Judiciário, podem determinar ao delegado de polícia quem deverá ser indiciado porque o indiciamento
é a convicção do delegado de polícia e o indiciamento é um ato privativo dos delegados de polícia, não
pode ser determinado por outra pessoa, não pode ser requerido por outra pessoa.

Candidato, quando ocorre o indiciamento? O indiciamento pode ocorrer em qualquer fase do


inquérito policial. No momento em que o delegado de polícia instaura o inquérito policial e escreve a
Portaria, ele pode indiciar de plano. Nada impede que o delegado de polícia instaure um inquérito policial
e, de plano, no início, na instauração, na Portaria inaugural do inquérito policial, ele já indicie
determinada pessoa, desde que ele fundamente esse indiciamento.

Esse indiciamento pode ocorrer em qualquer momento do inquérito policial por meio de
despacho de indiciamento. Por vezes, durante o inquérito policial, o delegado de polícia já chegou à
convicção de que determinada pessoa praticou determinado crime. Todavia, ele ainda tem diligências
investigatórias, provas que ele ainda quer buscar no âmbito daquele inquérito policial: ele já inicia

55CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional a previsão legal que determina o afastamento do servidor público
pelo simples fato de ele ter sido indiciado pela prática de crime. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/22cdb13a83f73ccd1f79ffaf607b0621>. Acesso em:
08/05/2021.

60
naquele momento, pode realizar o interrogatório do indiciado e, ainda assim, tem outros atos
investigatórios que pretende praticar ao longo do inquérito policial.

No inquérito policial, o mais comum é que o indiciamento aconteça no relatório final, quando o
delegado de polícia relata o inquérito policial que vai para o MP. Lembre-se que o indiciamento só existe
na fase do inquérito policial. Não há que se falar em indiciamento antes da existência de um inquérito
policial: o sujeito pode ser chamado de investigado, suspeito, mas não de indiciado. O indiciamento deve
ocorrer durante o inquérito policial. O indiciamento também não pode ocorrer na fase da ação penal.
Uma vez que o juiz recebe a denúncia e com o recebimento da denúncia tem início a ação penal, não
pode mais haver indiciamento.

4.3.20. CONCLUSÃO DAS INVESTIGAÇÕES

Ao final do inquérito haverá abrem-se três possibilidades, a primeira delas é que o inquérito
policial poderá retornar do MP para a autoridade policial, no entanto, apenas para novas diligências.

CPP. Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade
policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

A segunda possibilidade é o promotor oferecer a denúncia para dar início a ação penal.

Enquanto a terceira opção é pedir o arquivamento do inquérito.

O arquivamento pode ocorrer porque o promotor entende que não tem base suficiente para
oferecer a denúncia, seja porque houve a extinção da punibilidade, não houve crime, não se sabe quem
foi o autor do crime, seja porque foi praticado o crime em excludente de ilicitude como estado de
necessidade, legítima defesa, etc. Quando o promotor entende que não há base suficiente para oferecer
a denúncia ele pede o arquivamento.
Conclusão das Investigações

Requerimento de Novas diligências

Promotor Oferece Denúncia

Pedido de Arquivamento

Pedido de arquivamento (pelo MP) 🡪 será levada para o Juiz apreciar 🡪Juiz poderá homologar o pedido
de arquivamento (concordando com o pedido de arquivamento). Contudo, é possível que o magistrado
discorde. Nesse caso, remeterá a questão ao Procurador Geral de Justiça.

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Assim:

1º Hipótese: MP 🡪promoção de arquivamento 🡪Juiz 🡪 concorda 🡪


Homologa (Homologação da promoção do arquivamento)
🡪ARQUIVAMENTO DO IP. Terminou e ficou todo mundo feliz
Mas e se o juiz não concordar?

2º Hipótese: MP 🡪promoção de arquivamento 🡪Juiz 🡪 DISCORDA


🡪aplicação do art. 28. (Princípio da Devolução) 🡪remeterá ao
PROCURADOR GERAL DE JUSTIÇA, que poderá (...) – três
medidas poderão ser tomadas pelo PGJ.

4.3.21. ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL


Vejamos a antiga redação (revogada pela Lei n. 13.964/2019 – pacote anticrime), porém
ainda aplicada em virtude da suspensão de alguns dispositivos incorporados pelo PAC:

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer


o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no
caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou
peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro
órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao
qual só então estará o juiz obrigado a atender.

RESUMINDO
1. Para que haja o arquivamento do inquérito policial, é necessário o requerimento do
Ministério Público.
2. Diante desse requerimento, o juiz poderá concordar com o arquivamento, e o IP será arquivado,
ou;
3. Poderá discordar, e o IP será encaminhado para o Procurador Geral. Nesse último caso, o
Procurador Geral terá três opções: oferecer a denúncia, designar outro órgão do MP para
oferecer a denúncia ou insistir no arquivamento.
4. Quando o Ministério Público recebe o inquérito policial relatado ele tem três opções: oferecer a
denúncia, se já tiver sua opinio delicti formada; solicitar novas diligências investigatórias;
ou requerer o arquivamento do inquérito.
5. O arquivamento do inquérito policial ocorrerá quando o Ministério Público não houver sua
opinio delicti formada. No entanto, arquivar inquérito policial não significa impunidade àquele
que praticou o delito, pois o inquérito policial arquivado pode vir a ser desarquivado se surgirem
novas provas.

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Portanto, antes do PAC, o promotor pede o arquivamento do inquérito policial (requerimento) e
encaminha para o juiz, que irá concordar e arquivar ou discordar e esse requerimento irá para o
procurador geral de justiça, que por sua vez irá insistir no arquivamento e nesse caso o juiz
obrigatoriamente irá arquivar ou o procurador geral de justiça concordar com o juiz e ele mesmo oferece
a denúncia, ou ainda o procurador concorda com o juiz e designa outro promotor para oferecer a
denúncia.

A nova redação do Art. 28, nova sistemática do Arquivamento do Inquérito Policial:

Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos


informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima,
ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão
ministerial para fins de homologação, na forma da lei. (Redação dada pela Lei n. 13.964,
de 2019).

Obs.: Uma das principais funções do pacote anticrime foi trazer, de maneira definitiva, o sistema
acusatório para o Brasil. Não cabe ao juiz acusar, produzir provas ou determinar se o inquérito
policial deve ou não ser arquivado.

Obs.: O inquérito policial será arquivado mediante determinação do membro do Ministério


Público (não mais requerer ao juiz) responsável por aquele inquérito policial. Todavia, esse inquérito
será revisado pela instância de revisão ministerial.

Perceba que agora a nova redação do Art. 28 não menciona quem ordena o arquivamento,
presumindo-se a princípio que quem ordena esse arquivamento é o Promotor. Após isso o promotor terá
de comunicar a vítima e a autoridade policial além de encaminhar para instância de revisão, para
homologação.

Observação. Se a vítima (e não mais o juiz), não quiser o arquivamento, terá o prazo de 30 dias
para pedir a revisão para instância de revisão.

Diante do nosso cenário proposto pelo Pacote Anticrime, temos que quem arquiva o inquérito é
o próprio promotor, no entanto, precisaria ser confirmado tal arquivamento por uma instância de revisão.

A instância de revisão ministerial foi criada também pelo artigo, que será um colegiado que irá
decidir sobre a homologação ou não do arquivamento. (A instância de revisão está suspensa). Em resumo
a figura do juiz não aparece no processo de arquivamento, a não ser no final, apenas para finalizar o
procedimento, sem informar se concorda ou não.

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O próprio MP entrou em com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo, informando que
o órgão não tem estrutura para criar a instância de revisão, tendo em vista que antes apenas iria para o
PGJ quando o juiz discordasse. Na grande maioria dos casos o Promotor pede o arquivamento e o Juiz
concorda, agora a Lei cria a instância de revisão e afirma que TODOS os casos de arquivamento irão
para tal instância, bem como abre possibilidade de a vítima fazer também a provocação. Desta forma o
Ministro Luiz Fux suspendeu o Art. 28 do CPP.

● CANDIDATO SE CAIR NO CONCURSO O QUE FAZER?

Se for perguntado “a Lei 13.964/19 passou a prever o seguinte procedimento” o procedimento


será este que está suspenso, a Lei não foi revogada, não foi declarada inconstitucional. No entanto se
vier “o STF tendo suspendido o art. 28 da Lei 13.964/19, determinou que o atual procedimento”, neste
caso será o procedimento do antigo Art. 28.

4.3.22. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL


O acordo de não persecução penal foi acrescido ao código de processo penal com o advento do
Pacote Anticrime.

Cumpre apontarmos, neste primeiro momento, que o acordo de não persecução penal é NOVO
na legislação (Código de Processo Penal), porém ele já existia em nosso Ordenamento Jurídico por força
da Resolução 181/2017 do Conselho Nacional do Ministério Público.

Em que consiste o acordo de não persecução penal?

Segundo estabelece o artigo 18 da resolução no 181/17 do CNMP, o acordo de não persecução


penal é um negócio jurídico celebrado entre o Ministério Público e o investigado que pressupõe a
confissão do investigado formal e circunstanciada de infração penal, que não tenha sido praticado com
violência ou grave ameaça a pessoa e que tenha pena mínima inferior a 4 (quatro) anos.

Nas lições de Estácio Luiz e Pedro Tenório (2020):56

O acordo de não persecução penal é um negócio jurídico sujeito a homologação judicial, por
meio do qual o Ministério Público, em exceção ao princípio da obrigatoriedade da ação penal,
propõe acordo, em favor do sujeito passivo da persecução, oferecendo a ele a não apresentação
da denúncia desde que este admita, formal e circunstanciadamente, a prática da infração penal e
cumpra a(s) condição(ões) avençadas.

56PACOTE ANTICRIME: As modificações no sistema de justiça criminal brasileiro, Estácio Luiz Gama de Lima Netto /Pedro
Tenório Soares Vieira Tavares, 2020.

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De acordo com a nova redação do art. 28-A do CPP, não sendo caso de arquivamento e tendo
o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência
ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público (MP) poderá
propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para a reprovação e a
prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente: I –
reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo; II – renunciar
voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou
proveito do crime; III – prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente
à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da
execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); IV –
pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da
execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos
aparentemente lesados pelo delito; ou V – cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo
MP, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada.

Quais são os requisitos necessários para a realização do acordo de não persecução penal?

● Não ser caso de arquivamento;


● Existência de confissão formal e circunstanciada;
● Infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4
(quatro) anos;
● Oferecimento do acordo ser necessário e suficiente para reprovação e prevenção
do crime.

Vejamos:

REDAÇÃO ANTERIOR NOVA REDAÇÃO – PACOTE ANTICRIME


Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado
formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou
SEM DISPOSITIVO grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério
CORRESPONDENTE Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário
NO CPP. e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes
condições ajustadas cumulativa e alternativamente: (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de
fazê-lo; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério
Público como instrumentos, produto ou proveito do crime; (Incluído pela
Lei nº 13.964, de 2019)
III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período
correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois

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terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46
do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade
pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que
tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou
semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério
Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal
imputada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 1º Para aferição da pena mínima cominada ao delito a que se refere
o caput deste artigo, serão consideradas as causas de aumento e diminuição
aplicáveis ao caso concreto. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes
hipóteses: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais
Criminais, nos termos da lei; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que
indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se
insignificantes as infrações penais pretéritas; (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao
cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação
penal ou suspensão condicional do processo; e (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou
praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em
favor do agressor. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º O acordo de não persecução penal será formalizado por escrito e será
firmado pelo membro do Ministério Público, pelo investigado e por seu
defensor. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 4º Para a homologação do acordo de não persecução penal, será realizada
audiência na qual o juiz deverá verificar a sua voluntariedade, por meio da
oitiva do investigado na presença do seu defensor, e sua
legalidade. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 5º Se o juiz considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições
dispostas no acordo de não persecução penal, devolverá os autos ao
Ministério Público para que seja reformulada a proposta de acordo, com
concordância do investigado e seu defensor. (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
§ 6º Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz
devolverá os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução
perante o juízo de execução penal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 7º O juiz poderá recusar homologação à proposta que não atender aos
requisitos legais ou quando não for realizada a adequação a que se refere o §
5º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos ao Ministério
Público para a análise da necessidade de complementação das investigações
ou o oferecimento da denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 9º A vítima será intimada da homologação do acordo de não persecução
penal e de seu descumprimento. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

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§ 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não
persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins
de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
§ 11. O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado
também poderá ser utilizado pelo Ministério Público como justificativa para
o eventual não oferecimento de suspensão condicional do
processo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não
constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos
no inciso III do § 2º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 13. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo
competente decretará a extinção de punibilidade. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
§ 14. No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo
de não persecução penal, o investigado poderá requerer a remessa dos autos
a órgão superior, na forma do art. 28 deste Código. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)

Sobre o tema é pertinente mencionar a Lei nº 14.188/2021 que inseriu no Código Penal novos
institutos, como o crime de violência psicológica (art. 147-B), o qual fica inviabilizado o acordo de não
persecução penal, nos exatos termos do art. 28-A, § 2º, inc. I, do CPP. Em nenhuma situação se admite
o acordo, seja em razão da sua proibição para crimes cometidos com violência ou grave ameaça, seja em
face da sua não aplicação para delitos contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.

4.3.23. IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL


O art. 5º, LVIII, CF preceitua que: “o civilmente identificado não será submetido à identificação
criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”. A regra geral é que nós somos identificados civilmente
(certidão de nascimento, identidade civil – RG, etc.), não será, portanto, o indivíduo identificado
criminalmente (processo para suspeitos de crime) salvo se;

Lei 12.037/2009 Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer


identificação criminal quando:
I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;

Quando o delegado nota algum indício de que aparentemente o documento é falso, por exemplo
uma foto sobreposta a outra.

II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;


Exemplo. Fotografia em que a pessoa está completamente diferente, irreconhecível.

III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre
si;

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Exemplo. Quando uma pessoa apresenta uma identidade profissional com dados x e um RG com
dados Y.

IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da


autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade
policial, do Ministério Público ou da defesa;

Essa situação requer a reserva de jurisdição, necessitando autorização judicial.

V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;

Registros de antecedentes penais.

VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do


documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.

Situação em que a identidade civil foi emitida há muito tempo atrás por exemplo.

Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do
inquérito, ou outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o
indiciado.

Observação. Nada impede que a situação no caso concreto se encaixe em mais de uma das
hipóteses supracitadas.

4.4. DE OLHO NAS SÚMULAS


Súmula Vinculante nº 11: “Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de
fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da
autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade
civil do Estado.”

Súmula Vinculante nº 14: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.”

Súmula nº 524, STF: “Arquivado o Inquérito Policial, por despacho do Juiz, a requerimento do
Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.”

Súmula n° 397, STF: "O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de
crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o Regimento, a prisão em flagrante do
acusado e a realização do inquérito."

Súmula nº 234, STJ: “A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal
não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.”

68
Súmula nº 444, STJ: “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar
a pena- base.”

Súmula nº 522, STJ: “A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica,
ainda que em situação de alegada autodefesa.”

4.5. INFORMATIVOS
2022

A mera denúncia anônima, desacompanhada de outros elementos preliminares indicativos de


crime, não legitima o ingresso de policiais no domicílio.

Caso concreto: a Polícia Militar recebeu denúncia anônima de que Alexandre estaria traficando drogas
em sua casa, no endereço informado. Os policiais se dirigiram até o local. Foram recebidos pelo próprio
Alexandre, que teria permitido a entrada dos policiais. Os PMs fizeram busca na residência e
encontraram droga. Alexandre foi, então, preso em flagrante. Essas provas apreendidas foram
consideradas ilícitas.
O simples fato de o tráfico de drogas configurar crime permanente não autoriza, por si só, o ingresso em
domicílio sem o necessário mandado judicial. Exige-se, para que se configure a legítima flagrância, a
demonstração posterior da justa causa ou, em outros termos, de fundadas razões quanto à suspeita de
ocorrência de crime no interior da residência. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.004.877-MG, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 16/8/2022 (Info Especial 10).

O prazo para o término do IP com o indiciado solto é impróprio; apesar disso, será possível o
trancamento por excesso de prazo, caso o tempo de duração da investigação ultrapasse os limites
do princípio da razoabilidade

Embora o prazo de 30 (trinta) dias para o término do inquérito com indiciado solto (art. 10 do Código
de Processo Penal) seja impróprio, sem consequências processuais imediatas se inobservado, isso não
equivale a que a investigação se prolongue por tempo indeterminado, por anos a fio, devendo pautar-se
pelo princípio da razoabilidade.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 690299-PR, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do
TRF da 1ª Região), julgado em 9/8/2022 (Info Especial 10).

Há excesso de prazo para conclusão de IP, quando, a despeito do investigado se encontrar solto, a
investigação perdura por longo período sem que haja complexidade que justifique.

O prazo para a conclusão do inquérito policial, em caso de investigado solto é impróprio. Assim, em
regra, o prazo pode ser prorrogado a depender da complexidade das investigações.
No entanto, é possível que se realize, por meio de habeas corpus, o controle acerca da razoabilidade da
duração da investigação, sendo cabível, até mesmo, o trancamento do inquérito policial, caso
demonstrada a excessiva demora para a sua conclusão.
No caso concreto, o STJ reconheceu que havia excesso de prazo para conclusão de inquérito policial que
tramitava há mais de 9 anos.
A despeito do investigado estar solto e de não ter contra si nenhuma medida restritiva, entendeu-se que
a investigação já perdurava por longo período e que não havia nenhuma complexidade que justificasse
essa demora.
STJ. 6ª Turma. HC 653299-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 16/08/2022 (Info 747).

69
É constitucional a norma de Regimento Interno de Tribunal de Justiça que condiciona a
instauração de inquérito à autorização do desembargador-relator nos feitos de competência
originária daquele órgão.

Caso concreto: dispositivo do Regimento Interno do TJ/AP condiciona a instauração de inquérito à


autorização do Desembargador Relator nos feitos de competência originária daquele órgão, utilizando-
se como similaridade o inciso XV do art. 21 do Regimento Interno do STF.
Esse dispositivo é constitucional.
Tratando-se de autoridades com prerrogativa de foro do STF, “a atividade de supervisão judicial deve
ser constitucionalmente desempenhada durante toda a tramitação das investigações desde a abertura dos
procedimentos investigatórios até o eventual oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus litis”
(Inquérito 2411-QO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/10/2007).
A mesma interpretação tem sido aplicada pelo STF aos casos de investigações envolvendo autoridades
com prerrogativa de foro nos Tribunais de segundo grau, afirmando-se a necessidade de supervisão das
investigações pelo órgão judicial competente.
Em interpretação sistemática da Constituição, a mesma razão jurídica apontada para justificar a
necessidade de supervisão judicial dos atos investigatórios de autoridades com prerrogativa de foro no
STF aplica-se às autoridades com prerrogativa de foro em outros Tribunais.
Não há que se falar em usurpação das funções institucionais conferidas constitucionalmente ao
Ministério Público, pois o órgão mantém a titularidade da ação penal e as prerrogativas investigatórias,
devendo apenas submeter suas atividades ao controle judicial.
A norma questionada não apresenta vício de iniciativa, não inovando em matéria processual penal ou
procedimental, e limitando-se a regular a norma constitucional que prevê o foro por prerrogativa de
função.
STF. Plenário. ADI 7083/AP, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Dias Toffoli, julgado
em 13/5/2022 (Info 1054).

Não há ilicitude das provas por violação ao sigilo de dados bancários, em razão do
compartilhamento de dados de movimentações financeiras da própria instituição bancária ao
Ministério Público.

Não houve violação ilícita do sigilo de dados bancários. Isso porque não eram informações bancárias
sigilosas relativas à pessoa do investigado, mas sim movimentações financeiras da própria instituição.

Além disso, após o recebimento da notícia-crime, o Ministério Público requereu ao juízo de primeiro
grau a quebra do sigilo bancário e o compartilhamento pelo Banco de todos os documentos relativos à
apuração, o que foi deferido, havendo, portanto, autorização judicial.
Desse modo, as alegadas informações sigilosas não são os dados bancários do investigado, e sim as
informações e registros relacionados à sua atividade laboral como funcionário do Banco.
STJ. 6ª Turma. RHC 147307-PE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª
Região), julgado em 29/03/2022 (Info 731).

Lei estadual pode autorizar que policiais militares e bombeiros militares lavrem TCO

É constitucional norma estadual que prevê a possibilidade da lavratura de termos circunstanciados pela
Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros Militar.
O art. 69 da Lei dos Juizados Especiais, ao dispor que “a autoridade policial que tomar conhecimento da
ocorrência lavrará termo circunstanciado” não se refere exclusivamente à polícia judiciária, englobando
também as demais autoridades legalmente reconhecidas.
O termo circunstanciado é o instrumento legal que se limita a constatar a ocorrência de crimes de menor
potencial ofensivo, motivo pelo qual não configura atividade investigativa e, por via de consequência,
não se revela como função privativa de polícia judiciária.

70
STF. Plenário. ADI 5637/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/3/2022 (Info 1046).

É ilegal a utilização, por parte do MP, de peça sigilosa obtida em procedimento em curso no STF
para abertura de procedimento investigatório criminal em 1ª instância com objetivo de apuração
dos mesmos fatos já investigados naquela Corte

Caso adaptado: a Procuradoria da República no Paraná, com base na colaboração premiada celebrada
por Bruno, instaurou Procedimento Investigatório Criminal (PIC) com o fim de investigar o possível
cometimento de crimes de corrupção, de lavagem de capitais e de fraude à licitação relacionados a
contratos celebrados entre a Petrobras.
Maurício, um dos investigados no Procedimento aberto, impetrou habeas corpus alegando que os fatos
tratados neste PIC são idênticos aos que foram investigados no Inquérito 4.978, que tramitou no STF em
razão do suposto envolvimento de Deputados Federais.
A defesa de Maurício argumentou que Min. Edson Fachin, relator do Inquérito 4.978 no STF, após a
realização de diversos atos de investigação, teria determinado o arquivamento do inquérito com relação
a todos os investigados, entre os quais o próprio Maurício, por não estar demonstrada a materialidade
das infrações penais.
Logo, para a defesa, seria ilegal a instauração do procedimento de investigação pelo Ministério Público.
Além disso, a defesa argumentou que o PIC foi instaurado com base nas declarações prestadas pelo
colaborador no STF, sendo esse documento sigiloso.
O STJ concordou com a defesa. É ilegal a utilização, por parte do Ministério Público, de peça sigilosa
obtida em procedimento em curso no Supremo Tribunal Federal para abertura de procedimento
investigatório criminal autônomo com objetivo de apuração dos mesmos fatos já investigados naquela
Corte.
STJ. 5ª Turma. RHC 149836-RS, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT),
Rel. Acd. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 15/02/2022 (Info 726).

2021

O Poder Judiciário não pode impor ao Ministério Público a obrigação de ofertar acordo de não
persecução penal (ANPP).
Não cabe ao Poder Judiciário, que não detém atribuição para participar de negociações na seara
investigatória, impor ao MP a celebração de acordos. Não se tratando de hipótese de manifesta
inadmissibilidade do ANPP, a defesa pode requerer o reexame de sua negativa, nos termos do art. 28-A,
§ 14, do CPP, não sendo legítimo, em regra, que o Judiciário controle o ato de recusa, quanto ao mérito,
a fim de impedir a remessa ao órgão superior no MP. Isso porque a redação do art. 28-A, § 14, do CPP
determina a iniciativa da defesa para requerer a sua aplicação. STJ. 5ª Turma. HC 607003-SC, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/11/2020 (Info 683). / STF. 2ª Turma. HC 194677/SP, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/5/2021 (Info 1017).

O acordo de não persecução penal (ANPP) não constitui direito subjetivo do investigado, mas sim
faculdade do órgão acusador

O acordo de persecução penal não constitui direito subjetivo do investigado, podendo ser proposto pelo
MPF conforme as peculiaridades do caso concreto e quando considerado necessário e suficiente para a
reprovação e a prevenção da infração penal, não podendo prevalecer neste caso a interpretação dada a
outras benesses legais que, satisfeitas as exigências legais, constitui direito subjetivo do réu, tanto que a
redação do art. 28-A do CPP preceitua que o Ministério Público poderá e não deverá propor ou não o
referido acordo, na medida em que é o titular absoluto da ação penal pública, ex vi do art. 129, inc. I, da
Carta Magna (STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 152.756/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca,
julgado em 14/09/2021).

71
A remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público deve se limitar a questões
relacionadas aos requisitos objetivos, não sendo legítimo o exame de mérito.

“O controle do Poder Judiciário quanto à remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público
deve se limitar a questões relacionadas aos requisitos objetivos, não sendo legítimo o exame do mérito
a fim de impedir a remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público. Nesse sentido, a Segunda
Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu recentemente que não se tratando de hipótese de manifesta
inadmissibilidade do ANPP, a defesa pode requerer o reexame de sua negativa, nos termos do art. 28-A,
§ 14, do Código de Processo Penal (CPP), não sendo legítimo, em regra, que o Judiciário controle o ato
de recusa, quanto ao mérito, a fim de impedir a remessa ao órgão superior no MP. (HC n. 194.677/SP,
julgado em 11 de maio de 2021. Informativo n. 1017)” (STJ. 5ª Turma. HC 668.520/SP, Rel. Min.
Reynaldo Soares Da Fonseca, julgado em 10/08/2021).

Em caso de concurso material de crimes, considerando as penas mínimas de tais crimes (somadas),
o total deve ser inferior a 4 anos. (STF. 2ª Turma. HC 201610 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 21/06/2021).

2020

O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº 13.964/2019,
desde que não recebida a denúncia.

A Lei nº 13.964/2019 (“pacote anticrime”) inseriu o art. 28-A ao CPP, criando, no ordenamento jurídico
pátrio, o instituto do acordo de não persecução penal (ANPP). A Lei nº 13.964/2019, no ponto em que
institui o ANPP, é considerada lei penal de natureza híbrida, admitindo conformação entre a
retroatividade penal benéfica e o tempus regit actum. O ANPP se esgota na etapa pré-processual,
sobretudo porque a consequência da sua recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é
inaugurar a fase de oferecimento e de recebimento da denúncia. O recebimento da denúncia encerra a
etapa pré-processual, devendo ser considerados válidos os atos praticados em conformidade com a lei
então vigente. Dessa forma, a retroatividade penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja
viabilizado a fatos anteriores à Lei nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. Assim, mostra-
se impossível realizar o ANPP quando já recebida a denúncia em data anterior à entrada em vigor da Lei
nº 13.964/2019. STJ. 5ª Turma. HC 607.003-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
24/11/2020 (Info 683). STF. 1ª Turma. HC 191464 AgRg, Rel. Roberto Barroso, julgado em 11/11/2020.

É constitucional o Inquérito instaurado para investigar “fake news” e ameaças contra o STF.

É constitucional a Portaria GP 69/2019, por meio da qual o Presidente do STF determinou a instauração
do Inquérito 4781, com o intuito de apurar a existência de notícias fraudulentas (fake news),
denunciações caluniosas, ameaças e atos que podem configurar crimes contra a honra e atingir a
honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e familiares. Também é constitucional o art. 43
do Regimento Interno do STF, que foi recepcionado pela CF/88 como lei ordinária. O STF, contudo,
afirmou que o referido inquérito, para ser constitucional, deve cumprir as seguintes condicionantes:
a) o procedimento deve ser acompanhado pelo Ministério Público;
b) deve ser integralmente observado o Enunciado 14 da Súmula Vinculante.
c) o objeto do inquérito deve se limitar a investigar manifestações que acarretem risco efetivo à
independência do Poder Judiciário (art. 2º da CF/88). Isso pode ocorrer por meio de ameaças aos
membros do STF e a seus familiares ou por atos que atentem contra os Poderes instituídos, contra o
Estado de Direito e contra a democracia; e, por fim,
d) a investigação deve respeitar a proteção da liberdade de expressão e de imprensa, excluindo do escopo
do inquérito matérias jornalísticas e postagens, compartilhamentos ou outras manifestações (inclusive

72
pessoais) na internet, feitas anonimamente ou não, desde que não integrem esquemas de financiamento
e divulgação em massa nas redes sociais.
O art. 43 do RISTF prevê o seguinte:
“Art 43. Ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal, o Presidente instaurará
inquérito, se envolver autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição ou delegará esta atribuição a outro
Ministro”.

Muito embora o dispositivo exija que os fatos apurados ocorram na “sede ou dependência” do próprio
STF, o caráter difuso dos crimes cometidos por meio da internet permite estender (ampliar) o conceito
de “sede”, uma vez que o STF exerce jurisdição em todo o território nacional. Logo, os crimes objeto
do inquérito, contra a honra e, portanto, formais, cometidos em ambiente virtual, podem ser considerados
como cometidos na sede ou dependência do STF.
STF. Plenário. ADPF 572 MC/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17 e 18/6/2020 (Info 982).
Não há nulidade na ação penal instaurada a partir de elementos informativos colhidos em
inquérito policial que não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal considerando que a
situação não se enquadrava no art. 1º da Lei 10.446/2002

Caso concreto: a Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério Público estadual e do Juízo de Direito,
conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes de competência da Justiça Estadual. Entendeu-se
que a Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais delitos considerando que não se enquadravam
nas hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº 10.446/2002.
A despeito disso, o STF entendeu que não havia nulidade na ação penal instaurada com base nos
elementos informativos colhidos.
O fato de os crimes de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela Polícia Federal não
geram nulidade. Isso porque esse procedimento investigatório, presidido por autoridade de Polícia
Federal, foi supervisionado pelo Juízo estadual (juízo competente) e por membro do Ministério Público
estadual (que tinha a atribuição para a causa).
O inquérito policial constitui procedimento administrativo, de caráter meramente informativo e não
obrigatório à regular instauração do processo-crime, cuja finalidade consiste em subsidiar eventual
denúncia a ser apresentada pelo Ministério Público, razão pela qual irregularidades ocorridas não
implicam, de regra, nulidade de processo-crime.
O art. 5º, LIII, da Constituição Federal, afirma que “ninguém será processado nem sentenciado senão
pela autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o chamado “princípio do juiz natural”,
princípio esse que não se estende para autoridades policiais, considerando que estas não possuem
competência para julgar.
Logo, não é possível anular provas ou processos em tramitação com base no argumento de que a Polícia
Federal não teria atribuição para investigar os crimes apurados.
A desconformidade da atuação da Polícia Federal com as disposições da Lei nº 10.446/2002 e eventuais
abusos cometidos por autoridade policial, embora possam implicar responsabilidade no âmbito
administrativo ou criminal dos agentes, não podem gerar a nulidade do inquérito ou do processo penal.
STF. 1ª Turma. HC 169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

2019
Se o PGJ decidir arquivar um PIC instaurado no exercício de sua competência originária, ele não
precisará submeter esse arquivamento ao Poder Judiciário, não se aplicando o art. 28 do CPP

O Procurador-Geral de Justiça, se entender que é caso de arquivamento do Procedimento de Investigação


Criminal (PIC) por ausência de provas, não precisa submeter essa decisão de arquivamento à apreciação
do Tribunal de Justiça, não se aplicando, nesta hipótese, o art. 28 do CPP. O arquivamento do PIC,
promovido pelo PGJ, nos casos de sua competência originária, não reclama prévia submissão ao Poder
Judiciário, pois este arquivamento, que é por ausência de provas, não acarreta coisa julgada material. O
chefe do Ministério Público estadual é a autoridade própria para aferir a legitimidade do arquivamento

73
do PIC. Logo, descabe a submissão da decisão de arquivamento ao Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. MS
34730/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/12/2019 (Info 963).
É possível a deflagração de investigação criminal com base em matéria jornalística

É possível a deflagração de investigação criminal com base em matéria jornalística.


STJ. 6ª Turma. RHC 98.056-CE, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado EM 04/06/2019 (Info
652).

É desnecessária a remessa de cópias dos autos ao Órgão Ministerial prevista no art. 40 do CPP,
que, atuando como custos legis, já tenha acesso aos autos

No caso em que o Ministério Público tem vista dos autos, a remessa de cópias e documentos ao Órgão
Ministerial não se mostra necessária. O Parquet, na oportunidade em que recebe os autos, pode tirar
cópia dos documentos que bem entender, sendo completamente esvaziado o sentido de remeter-se cópias
e documentos. Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais
verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os
documentos necessários ao oferecimento da denúncia. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.338.699-RS, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 22/05/2019 (Info 649).

Existe julgado em sentido contrário: STJ. 2ª Turma. REsp 1.360.534-RS, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 7/3/2013 (Info 519)

Não é necessária, mesmo após a Lei 13.245/2016, a intimação prévia da defesa técnica do
investigado para a tomada de depoimentos orais na fase de inquérito policial
Não é necessária a intimação prévia da defesa técnica do investigado para a tomada de depoimentos
orais na fase de inquérito policial. Não haverá nulidade dos atos processuais caso essa intimação não
ocorra. O inquérito policial é um procedimento informativo, de natureza inquisitorial, destinado
precipuamente à formação da opinio delicti do órgão acusatório. Logo, no inquérito há uma regular
mitigação das garantias do contraditório e da ampla defesa. Esse entendimento justifica-se porque os
elementos de informação colhidos no inquérito não se prestam, por si sós, a fundamentar uma
condenação criminal. A Lei nº 13.245/2016 implicou um reforço das prerrogativas da defesa técnica,
sem, contudo, conferir ao advogado o direito subjetivo de intimação prévia e tempestiva do calendário
de inquirições a ser definido pela autoridade policial. STF. 2ª Turma. Pet 7612/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 12/03/2019 (Info 933).

2018
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando, mesmo esgotados os prazos para a conclusão
das diligências, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou materialidade
Importante!!!
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido feitas diligências
de investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não foram reunidos
indícios mínimos de autoria ou materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF).
A pendência de investigação, por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita contundente, ofende o
direito à razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa humana
(art. 1º, III, da CF/88).

74
Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito para apurar suposto delito praticado por Deputado
Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a realização de diversas diligências investigatórias, além
de ter aceitado a prorrogação do prazo de conclusão das investigações.
Apesar disso, não foram reunidos indícios mínimos de autoria e materialidade. Com o fim do foro por
prerrogativa de função para este Deputado, a PGR requereu a remessa dos autos à 1ª instância. O STF,
contudo, negou o pedido e arquivou o inquérito, de ofício, alegando que já foram tentadas diversas
diligências investigatórias e, mesmo assim, sem êxito. Logo, a declinação de competência para a 1ª
instância a fim de que lá sejam continuadas as investigações seria uma medida fadada ao insucesso e
representaria apenas protelar o inevitável. STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 21/8/2018 (Info 912). No mesmo sentido: STF. Decisão monocrática. INQ 4.442, Rel. Min.
Roberto Barroso, Dje 12/06/2018.

2017
(Im)possibilidade de reabertura de inquérito policial arquivado por excludente de ilicitude

É possível a reabertura da investigação e o oferecimento de denúncia se o inquérito policial havia sido


arquivado com base em excludente de ilicitude?
• STJ: NÃO. Para o STJ, o arquivamento do inquérito policial com base na existência de causa
excludente da ilicitude faz coisa julgada material e impede a rediscussão do caso penal. O mencionado
art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF realmente permitem o desarquivamento do inquérito caso surjam
provas novas. No entanto, essa possibilidade só existe na hipótese em que o arquivamento ocorreu por
falta de provas, ou seja, por falta de suporte probatório mínimo (inexistência de indícios de autoria e
certeza de materialidade). STJ. 6ª Turma. REsp 791.471/RJ , Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
25/11/2014 (Info 554).
• STF: SIM. Para o STF, o arquivamento de inquérito policial em razão do reconhecimento de excludente
de ilicitude não faz coisa julgada material. Logo, surgindo novas provas seria possível reabrir o inquérito
policial, com base no art. 18 do CPP e na Súmula 524 do STF. STF. 1ª Turma. HC 95211, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 10/03/2009. STF. 2ª Turma. HC 125101/SP , rel. orig. Min. Teori Zavascki,
red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 25/8/2015 (Info 796).
O arquivamento de inquérito policial por excludente de ilicitude realizado com base em provas
fraudadas não faz coisa julgada material. STF. Plenário. HC 87395/PR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 23/3/2017 (Info 858).
2016

O MP, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso às OMPs
O Ministério Público, no exercício do controle externo da atividade policial, PODE TER ACESSO
A ORDENS DE MISSÃO POLICIAL (OMP). Ressalva: no que se refere às OMPs lançadas em face de
atuação como polícia investigativa, decorrente de cooperação internacional exclusiva da Polícia Federal,
e sobre a qual haja acordo de sigilo, o acesso do Ministério Público não será vedado, mas realizado a
posteriori. STJ. 1ª Turma. REsp 1.439.193-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/6/2016 (Info
587).

MPF não tem acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria de
Inteligência da Polícia Federal
O controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público Federal não lhe garante o
acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria de Inteligência do
Departamento de Polícia Federal, mas somente aos de natureza persecutório-penal. O controle externo
da atividade policial exercido pelo Parquet deve circunscrever-se à atividade de polícia judiciária,

75
conforme a dicção do art. 9º da LC n. 75/93, cabendo-lhe, por essa razão, o acesso aos relatórios de
inteligência policial de natureza persecutório-penal, ou seja, relacionados com a atividade de
investigação criminal. O poder fiscalizador atribuído ao Ministério Público não lhe confere o acesso
irrestrito a "todos os relatórios de inteligência" produzidos pelo Departamento de Polícia Federal,
incluindo aqueles não destinados a aparelhar procedimentos investigatórios criminais formalizados. STJ.
1ª Turma. REsp 1.439.193-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/6/2016 (Info 587).

Conflito de atribuições envolvendo MPE e MPF deve ser dirimido pelo PGR
Compete ao PGR, na condição de órgão nacional do Ministério Público, dirimir conflitos de
atribuições entre membros do MPF e de Ministérios Públicos estaduais. STF. Plenário. ACO
924/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/5/2016 (Info 826).
Indiciamento envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função

Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada.
Existem duas exceções previstas em lei de autoridades que não podem ser indiciadas:
a) Magistrados (art. 33, parágrafo único, da LC 35/79);
b) Membros do Ministério Público (art. 18, parágrafo único, da LC 75/73 e art. 40, parágrafo único, da
Lei nº 8.625/93). Excetuadas as hipóteses legais, é plenamente possível o indiciamento de autoridades
com foro por prerrogativa de função. No entanto, para isso, é indispensável que a autoridade policial
obtenha uma autorização do Tribunal competente para julgar esta autoridade. Ex: em um inquérito
criminal que tramita no STJ para apurar crime praticado por Governador de Estado, o Delegado de
Polícia constata que já existem elementos suficientes para realizar o indiciamento do investigado. Diante
disso, a autoridade policial deverá requerer ao Ministro Relator do inquérito no STJ autorização para
realizar o indiciamento do referido Governador. Chamo atenção para o fato de que não é o Ministro
Relator quem irá fazer o indiciamento. Este ato é privativo da autoridade policial. O Ministro
Relator irá apenas autorizar que o Delegado realize o indiciamento. STF. Decisão monocrática. HC
133835 MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 18/04/2016 (Info 825).

É incabível a anulação de processo penal em razão de suposta irregularidade verificada em


inquérito policial
A suspeição de autoridade policial não é motivo de nulidade do processo, pois o inquérito é mera peça
informativa, de que se serve o Ministério Público para o início da ação penal. Assim, é inviável a
anulação do processo penal por alegada irregularidade no inquérito, pois, segundo jurisprudência
firmada no STF, as nulidades processuais estão relacionadas apenas a defeitos de ordem jurídica pelos
quais são afetados os atos praticados ao longo da ação penal condenatória. STF. 2ª Turma. RHC
131450/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/5/2016 (Info 824).

Não é possível decretar medida de busca e apreensão com base unicamente em “denúncia anônima
A medida de busca e apreensão representa uma restrição ao direito à intimidade. Logo, para ser
decretada, é necessário que haja indícios mais robustos que uma simples notícia anônima. STF. 1ª
Turma. HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/3/2016 (Info 819).

Denúncia anônima
As notícias anônimas ("denúncias anônimas") não autorizam, por si sós, a propositura de ação penal
ou mesmo, na fase de investigação preliminar, o emprego de métodos invasivos de investigação, como
interceptação telefônica ou busca e apreensão. Entretanto, elas podem constituir fonte de informação e
de provas que não podem ser simplesmente descartadas pelos órgãos do Poder Judiciário. Procedimento
a ser adotado pela autoridade policial em caso de “denúncia anônima”: 1) Realizar investigações
preliminares para confirmar a credibilidade da “denúncia”; 2) Sendo confirmado que a “denúncia
anônima” possui aparência mínima de procedência, instaura-se inquérito policial; 3) Instaurado o

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inquérito, a autoridade policial deverá buscar outros meios de prova que não a interceptação telefônica
(esta é a ultima ratio). Se houver indícios concretos contra os investigados, mas a interceptação se revelar
imprescindível para provar o crime, poderá ser requerida a quebra do sigilo telefônico ao magistrado.
STF. 1ª Turma. HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/3/2016 (Info 819).

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2021 Banca: FUMARC Órgão: PC-MG Prova: Delegado de Polícia
Acerca dos prazos para encerramento de inquéritos policiais, considerando o disposto no Título II do
CPP (“Do Inquérito Policial”) e a legislação extravagante, é CORRETO afirmar:
A. Investigações de crimes de tráfico de drogas devem ser encerradas no prazo máximo de 30 dias,
quando o investigado estiver solto.
B. Caso um dos investigados seja preso preventivamente no curso das investigações, a Autoridade
Policial terá, como regra, o prazo de 10 dias após o cumprimento da ordem de prisão para finalizar o
inquérito.
C. Caso o prazo para encerramento do inquérito seja superado, quando o fato for de difícil elucidação, e
o indiciado estiver solto, a Autoridade Policial poderá requerer ao magistrado a devolução dos autos,
para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo máximo de 10 dias.
D. A extensão injustificada da investigação por parte da Autoridade Policial, que procrastina em prejuízo
do investigado, não configura crime de abuso de autoridade.
Gab. C.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2021 Banca: NC-UFPR Órgão: PC-PR Prova: Delegado de Polícia
A partir de uma notitia criminis, a autoridade policial da Delegacia de Goioerê/PR instaurou inquérito
policial (IP) em desfavor de L.R. pela prática do crime previsto no art. 171, §2º, inciso III, do Código
Penal (defraudação de penhor). Após várias diligências, a autoridade entendeu que o fato é atípico.
Nesse caso, a autoridade policial deverá:
A. Elaborar o relatório e encaminhar o IP à Corregedoria para o arquivamento.
B. Elaborar o relatório e encaminhar o IP a juízo.
C. Encaminhar o IP ao Ministério Público para o arquivamento.
D. Arquivar o IP e comunicar o arquivamento ao Distribuidor Criminal.
E. Arquivar o IP e comunicar o arquivamento à Corregedoria da Polícia Civil.
Gab. B.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos?


Ano: 2021 Banca: FGV Órgão: PC-RN Prova: Delegado de Polícia Civil Substituto.
No curso de inquérito policial, a autoridade policial indiciou Napoleão pela prática do crime de
homicídio qualificado, em que pese os elementos de informação colhidos demonstrassem de maneira
clara que o investigado agiu em legítima defesa. Visando combater tal decisão e buscar o “trancamento”
do inquérito policial, o advogado de Napoleão poderá:
A. Interpor recurso para o chefe de polícia;
B. Impetrar habeas corpus, sendo competente para julgamento um juiz de 1º grau;
C. Impetrar habeas corpus, sendo competente para julgamento o tribunal de justiça respectivo;
D. Interpor recurso em sentido estrito, sendo competente para julgamento um juiz de 1º grau;

77
E. Impetrar habeas corpus para análise pelo chefe de polícia.
Gab: B.

4.6. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR?

1. (Ano: 2022 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-GO Prova: Delegado de Polícia
Substituto). Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa
com a sequência correta.
( ) Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar, ao
termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal,
civil ou administrativa constitui crime na hipótese prevista na Lei de Abuso de Autoridade.
( ) Nos termos da Lei da Interceptação de Comunicações Telefônicas, quando o fato investigado
constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção, não será admitida a interceptação
de comunicações telefônicas.
( ) A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a
exclusivo requerimento do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução
processual penal.
( ) Nos crimes de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019), será admitida ação privada se a ação
penal pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-
la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova,
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte
principal.
A. F – F – F – V.
B. V – V – F – V.
C. F – F – V – V.
D. V – F – F – V.
E. F – V – V – F.

2. (Ano: 2022 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-GO Prova: Delegado de Polícia
Substituto). A respeito do regime jurídico do inquérito policial e das demais investigações preliminares,
assinale a alternativa INCORRETA.
A. O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e por prazo
razoável, investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias que assistem a
qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus
agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de
que se acham investidos, em nosso País, os Advogados, sem prejuízo do permanente controle
jurisdicional dos atos documentados produzidos pela instituição.
B. Ante o princípio constitucional da não culpabilidade, inquéritos e processos criminais em curso são
neutros na definição dos antecedentes criminais.
C. Sendo o ato de indiciamento de atribuição exclusiva da autoridade policial, não existe fundamento
jurídico que autorize o magistrado, após receber a denúncia, requisitar ao delegado de polícia o
indiciamento de determinada pessoa.

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D. O prazo de que trata o Código de Processo Penal para término do inquérito é próprio, não prevendo
a lei qualquer consequência processual, máxime a preclusão, se a conclusão do inquérito ocorrer após
trinta dias de sua instauração, estando solto o réu.
E. Descabe cogitar de implemento de inquérito pelo Ministério Público quando este, ante elementos
que lhe chegaram, provoca a instauração pela autoridade policial.

3. (Ano: 2022 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-GO Prova: Delegado de Polícia
Substituto). O inquérito policial é o principal mecanismo destinado a reunir os elementos necessários à
apuração da materialidade de uma infração penal e sua autoria. Sobre o tema, informe se é verdadeiro
(V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Quando se tratar de delitos processáveis por ação penal privada, a autoridade policial somente poderá
iniciar investigação preliminar após requerimento de quem tenha legitimidade para oferecer queixa-
crime.
( ) A investigação preliminar de natureza policial, nos crimes em que a ação penal pública depender de
representação do ofendido, poderá sem ela ser iniciada.
( ) É irrecorrível o despacho que indeferir requerimento de abertura de inquérito policial, tendo em vista
a prescindibilidade do procedimento investigativo preliminar.
( ) No crime de sequestro e cárcere privado, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia
poderá requisitar, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e
informações cadastrais da vítima ou de suspeitos.
A. F – V – F – V.
B. V – F – F – V.
C. V – F – V – F.
D. V – F – V – V.
E. F – F – V – F.

4. (Ano: 2022 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-GO Prova: Delegado de Polícia
Substituto). Analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.
I. Se necessário à prevenção dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o delegado de polícia poderá
requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicação que
disponibilizem informações que permitam a localização dos suspeitos do delito em curso.
II. O valor da fiança será determinado com base nas condições pessoais de fortuna e vida pregressa,
sendo irrelevante a natureza da infração.
III. No que diz respeito ao inquérito policial, o ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão
requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
IV. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de
liberdade máxima não seja superior a quatro anos. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que
decidirá em quarenta e oito horas.
A. Apenas I e II.
B. Apenas II e III.
C. Apenas II, III e IV.
D. Apenas I, III e IV.
E. Apenas I, II e III.

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5. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RO Prova: Delegado de Polícia). Durante a
tramitação de um inquérito policial, um delegado, convencido da autoria de uma determinada infração
penal por certo investigado, realizou a análise técnico-jurídica do fato e indiciou o suspeito. Com
referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta, considerando a doutrina e os
entendimentos do STF.
A. O Ministério Público fica vinculado ao indiciamento realizado pelo delegado.
B. É incabível a impetração de habeas corpus para cancelar o indiciamento, apesar dos
constrangimentos causados ao indiciado.
C. Do indiciamento — ato privativo da autoridade policial — decorrem diversas consequências para a
ação penal, para a qual o referido ato é imprescindível.
D. Inexiste fundamento jurídico que autorize o magistrado, após receber a denúncia, a requisitar ao
delegado o indiciamento de determinada pessoa.
E. O simples indiciamento de uma pessoa não implica que seu nome e outros dados sejam lançados no
sistema de informações da Secretaria de Segurança Pública relacionados àquele delito e passem, a partir
disso, a constar da folha de antecedentes criminais do indivíduo.

6. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RO Prova: Delegado de Polícia). Pode o delegado
requisitar, em razão do delito praticado, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da
iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos do crime de
A. roubo.
B. extorsão com emprego de arma.
C. latrocínio.
D. homicídio qualificado.
E. tráfico de pessoas.

7. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RO Prova: Delegado de Polícia). Considerando que
tenha sido instaurado inquérito policial que ainda se encontra em curso, assinale a opção correta acerca
das funções do delegado.
A. Cabe à autoridade policial arbitrar fiança nos delitos punidos com pena máxima não superior a cinco
anos.
B. Finalizadas as investigações e concluído o inquérito policial, a autoridade policial pode determinar
o arquivamento do feito.
C. É vedado ao delegado representar ao juiz para a instauração de incidente de insanidade mental, sob
pena de invasão da competência do Ministério Público.
D. Cabe ao delegado aceitar ou rejeitar a colaboração de detetive particular.
E. Ao elaborar o relatório final do inquérito, a autoridade policial deverá manifestar-se acerca do
mérito da prova colhida.

8. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RO Prova: Delegado de Polícia). Denomina-se
notitia criminis de cognição imediata quando a autoridade policia
A. fica sabendo da infração penal mediante requisição do juiz.
B. efetua a prisão em flagrante.
C. toma conhecimento da infração penal por requerimento do ofendido.
D. fica sabendo da infração penal em razão do desempenho de suas atividades regulares.
E. toma conhecimento da infração penal em razão de requisição do Ministério Público.

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9. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RO Prova: Delegado de Polícia). Julgue os itens
seguintes acerca do inquérito policial.
I. O investigado pode propor diligências à autoridade policial ou apresentar a ela documentos cuja
juntada ao inquérito entenda pertinentes. Nesse caso, caberá à autoridade policial decidir acerca da
realização da diligência solicitada ou da juntada do documento.
II. O defensor do acusado, além de ter acesso aos autos do inquérito, também poderá estar presente no
interrogatório do indiciado e na produção de provas testemunhais, ocasião em poderá fazer perguntas.
III. Em inquérito policial instaurado para apurar a suposta consumação de fatos relacionados ao uso de
força letal, praticados por policial civil no exercício de suas funções, o investigado deverá ser cienti cado
da instauração do procedimento, podendo constituir defensor em até 48 horas.
Assinale a opção correta.
A. Apenas o item I está certo.
B. Apenas o item II está certo.
C. Apenas os itens I e III estão certos.
D. Apenas os itens II e III estão certos.
E. Todos os itens estão certos.

10. (Ano: 2022 Banca: IBFC Órgão: PC-BA Prova: Delegado de Polícia). Ainda no que diz respeito
ao Inquérito Policial, assinale a alternativa incorreta.
A. A instauração de inquérito policial não é imprescindível à propositura da ação penal pública,
podendo o Ministério Público valer-se de outros elementos de prova para formar sua convicção
B. A unilateralidade das investigações preparatórias da ação penal não autoriza a Polícia Judiciária a
desrespeitar as garantias jurídicas que assistem ao indiciado, que não mais pode ser considerado mero
objeto de investigações
C. O indiciado é sujeito de direitos e dispõe de garantias, legais e constitucionais, cuja inobservância,
pelos agentes do Estado, além de eventualmente induzir-lhes a responsabilidade penal por abuso de
poder, pode gerar a absoluta desvalia das provas ilicitamente obtidas no curso da investigação policial
D. Embora ausentes a amplitude de defesa e o contraditório pleno, nos moldes e com a intensidade
incidentes no processo jurisdicional, não é correto dizer que não há defesa na fase de inquérito, uma vez
que pode o investigado requerer diligências no curso das investigações, bem como possui o direito de
não produzir prova contra si mesmo
E. Considerando os documentos que podem interessar aos rumos da investigação, as diligências que
podem ser realizadas e a finalidade do inquérito, torna-se concebível a forma oral, e prescindível seja
ele materializado na forma escrita

11. (Ano: 2022 Banca: IBFC Órgão: PC-BA Prova: Delegado de Polícia). No que se refere ao
Inquérito Policial, assinale a alternativa incorreta.
A. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que,
já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia
judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa
B. O inquérito policial é um procedimento preliminar, extrajudicial e preparatório para a ação penal,
sendo por isso considerado como a primeira fase da persecutio criminis; é instaurado pela polícia
judiciária e tem como finalidade a apuração de infração penal e de sua respectiva autoria

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C. Em regra, a autoridade policial deve instaurar inquérito policial de ofício, sem aguardar provocação,
estando dispensada a anuência dos envolvidos e a necessidade de requerimento ou requisição de quem
quer que seja
D. A aparência de eventual causa de exclusão da antijuridicidade não exime a autoridade policial do
dever de investigar, isso porque, a autoridade policial não pode se investir das funções de julgador para
negar, sem apuração regular, a responsabilidade de qualquer infrator da lei penal, o que importaria
enfrentar a ordem jurídica e social, subvertendo a noção do – poder de polícia
E. O inquérito policial é indisponível para a autoridade policial. Instaurado, deverá ser conduzido até
que se esgotem as diligências legalmente possíveis, com vista à completa apuração do fato apontado
como ilícito penal. Contudo, ausentes os elementos do crime, a autoridade policial poderá mandar
arquivar os autos de inquérito

12. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia). Acerca dos atos
do delegado de polícia durante o inquérito policial, assinale a opção correta.
A. O delegado de polícia poderá instaurar inquérito policial para apurar delitos específicos e complexos
que chegarem ao seu conhecimento, sendo-lhe autorizada, ainda, a realização de fishing expedition, por
ser um procedimento investigatório especial em razão da artimanha do modus operandi.
B. Em caso de crime que deixar vestígios, se houver a confissão do indiciado, a autoridade policial
poderá dispensar o encaminhamento da vítima para a realização do exame de corpo de delito.
C. Diante de notitia criminis inqualificada, antes de determinar a abertura do inquérito policial, o
delegado de polícia deve promover a diligência de verificação de procedência das informações, a m de
evitar delação inescrupulosa.
D. O delegado de polícia poderá interrogar pessoa inimputável presa em flagrante, não sendo possível
a nomeação de curador para acompanhar o ato.
E. O delegado de polícia poderá realizar o interrogatório, sem a participação de advogado, ainda que
o indiciado informe que deseja a presença de seu advogado no ato.

13. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia). A respeito de
investigações policiais, assinale a opção correta.
A. Estando preso o investigado, é proibida a realização de reconhecimento de pessoa por meio de
videochamada, ainda que com a anuência do próprio investigado, por se tratar de procedimento que
exige a presença da pessoa em sede policial.
B. A reconstituição simulada consiste no exame do local do crime por peritos, a m de elucidá-lo
mediante a confecção de fotografias, desenhos e esquemas, sem a presença do investigado e de
testemunhas, para evitar contaminação do local.
C. Durante as investigações policiais, por meio de inquérito presidido pelo delegado de polícia, o
investigado poderá requisitar diligências, as quais, nessa hipótese, deverão ser obrigatoriamente
realizadas, já que a autoridade não pode indeferir tal pedido.
D. Na comarca em que houver duas circunscrições policiais, a autoridade com atribuição em uma delas
deverá requisitar diligências a outra autoridade policial da outra circunscrição, quando, para a conclusão
do inquérito, for necessária a análise de indícios ou provas existentes na localidade dessa última
circunscrição.
E. É permitida a condução coercitiva do investigado até a delegacia de polícia para submetê-lo ao
procedimento de reconhecimento de pessoa, não havendo mácula ao preceito nemo tenetur se detegere.

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14. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia). Em relação ao
inquérito policial, assinale a opção correta.
A. Havendo repercussão interestadual que exija repressão uniforme, o delegado da Polícia Federal
poderá apurar crimes cuja apuração seja de competência da justiça estadual, não havendo mácula apta a
invalidar a produção de provas.
B. O delegado de polícia não pode presidir nem instaurar inquérito policial para apurar crime ocorrido
fora de sua circunscrição territorial, pois o lugar de consumação do delito é o que de ne a atribuição da
polícia investigativa, em nome do princípio do delegado natural.
C. Se, no curso de investigações policiais presididas por delegado de polícia civil estadual, sobrevier a
federalização do crime, deverá ser mantida a atribuição da polícia civil estadual, uma vez que esta não
está subordinada à Polícia Federal e não há, no ordenamento jurídico brasileiro, a possibilidade de
instauração do incidente de deslocamento de competência no curso do inquérito.
D. O prazo para o delegado de polícia civil concluir o inquérito policial é de trinta dias, se o indiciado
estiver solto, configurando constrangimento ilegal a superação desse prazo sem autorização judicial, por
se tratar de prazo próprio.
E. Ainda que haja motivo de interesse público, o chefe de polícia civil não pode avocar nem redistribuir
o inquérito policial, uma vez que a regra dos atos administrativos não se aplica no âmbito da investigação
policial.

15. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia). Acerca do
inquérito policial e dos direitos e garantias do investigado, assinale a opção correta.
A. Conforme entendimento pacificado do STJ, é admitido que a autoridade policial espelhe o aparelho
celular do investigado, sem a anuência deste ou ordem judicial, e monitore as conversas de aplicativos
de mensagens, a fim de obter provas.
B. Ao fim do termo circunstanciado de ocorrência, quando houver provas suficientes do delito e provas
razoáveis acerca da autoria, a autoridade policial tem o dever de indiciar o suspeito.
C. O indiciamento realizado pelo delegado de polícia, embora seja um ato formal, dispensa
fundamentação acerca do convencimento da autoria e da existência do delito, uma vez que não há
alteração do status do indiciado.
D. O advogado do investigado poderá ter acesso ao procedimento investigatório policial já
documentado, para o exercício da defesa, desde que tenha autorização judicial, independentemente da
natureza do delito.
E. O indiciamento pode ser realizado no auto de prisão em flagrante ou no relatório final do inquérito,
mas, de acordo com o STJ, não será admitido após o recebimento da denúncia.

16. (Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: Delegado de Polícia). No que concerne aos
investigados em inquérito policial que investiga uso da força letal, é correto afirmar que a Lei n°
13.964/2019 (Pacote Anticrime):
A. a indicação do profissional para o exercício da defesa do servidor deverá ser precedida de
manifestação de que não existe defensor público lotado na área territorial onde tramita o inquérito e com
atribuição para nele atuar, hipótese em que poderá ser indicado Bacharel em Direito, como defensor ad
hoc, mesmo sem inscrição na OAB.
B. havendo necessidade de indicação de defensor, a defesa caberá exclusivamente à Defensoria
Pública, e, nos locais em que ela não estiver instalada, a União ou a Unidade da Federação
correspondente à respectiva competência territorial do procedimento instaurado deverá disponibilizar

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profissional para acompanhamento e realização de todos os atos relacionados à defesa administrativa do
investigado.
C. na hipótese de não atuação da Procuradoria do Estado, os custos com o patrocínio dos interesses dos
investigados nos procedimentos de que trata esse artigo correrão por conta do orçamento próprio da
instituição a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos fatos investigados.
D. havendo necessidade de indicação de defensor, a defesa caberá preferencialmente à Defensoria
Pública, e, nos locais em que ela não estiver instalada, a União ou a Unidade da Federação
correspondente à respectiva competência territorial do procedimento instaurado deverá disponibilizar
profissional para acompanhamento e realização de todos os atos relacionados à defesa administrativa do
investigado.
E. não contemplou qualquer dispositivo nesse sentido.

17. (Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: PC-AM Prova: Delegado de Polícia). Ao chegar a um ”local de
fato”, ainda não sabendo que se trata de um local de crime, de acordo com o Art. 6º do CPP, a primeira
providência da Autoridade Policial deve ser a de
A. apreender objetos que tiverem relação com o fato, evitando a perda de objetos potencialmente
importantes.
B. ouvir o indiciado, a m de decidir sobre a necessidade de sua detenção imediata.
C. prender o suspeito, a m de evitar sua fuga.
D. preservar o local.
E. ouvir o ofendido, para que se defina a área a ser isolada.

18. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RJ Prova: Delegado de Polícia). Em janeiro de
2017, policiais militares em serviço apreenderam fuzis e revenderam para traficantes de drogas, de modo
que foi instaurado inquérito para apurar crime de comércio ilegal de arma de fogo (art. 17, caput, da Lei
n.º 10.826/2003). Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta com base no advento
da Lei n.º 13.491/2017 e na jurisprudência majoritária do Superior Tribunal de Justiça.
A. A autoridade policial deve declinar de imediato da sua atribuição e remeter ao órgão com atribuição
perante a Justiça Militar, porém se desentranhando os atos investigatórios anteriormente praticados, que
devem ser refeitos devido ao princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa.
B. A autoridade policial deve declinar de imediato da sua atribuição, remeter ao órgão com atribuição
perante a Justiça Militar, e os atos investigatórios praticados anteriormente permanecem válidos, não se
aplicando o princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa
C. A autoridade policial deve prosseguir com as investigações, mas os atos investigatórios praticados
anteriormente devem ser refeitos devido ao princípio constitucional da irretroatividade da lei mais
gravosa.
D. A autoridade policial deve prosseguir com as investigações, pois a Lei n.º 13.491/2017 não se aplica
aos policiais militares, mas tão somente aos militares das Forças Armadas.
E. A autoridade policial deve prosseguir com as investigações, e os atos investigatórios praticados
anteriormente permanecem válidos, não se aplicando o princípio constitucional da irretroatividade da lei
mais gravosa.

19. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RJ Prova: Delegado de Polícia). Etelvina foi vítima
do crime de roubo com emprego de arma de fogo, numa rua com pouca iluminação em um bairro da
Zona Norte do Rio de janeiro. Desesperada, após o assalto, ela saiu pela rua, gritando por socorro. Cerca
de 500 m adiante do local do fato, encontrou Osvaldo, policial civil que havia saído da delegacia para

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jantar. Ele socorreu Etelvina, ouviu o relato dela com a descrição do agente do crime e a levou à delegacia
de polícia. Em seguida, com autorização da autoridade policial de plantão, Osvaldo, acompanhado de
um colega policial civil de plantão, saiu numa viatura policial, em perseguição do indivíduo com as
características mencionadas por Etelvina. Depois de percorrer as proximidades do local do fato durante
cerca de uma hora, não logrou êxito em localizá-lo. A autoridade policial encaminhou todos ao cartório
e ouviu o relato de Etelvina em detalhes, embora ela tivesse dito que tudo havia sido muito rápido. Não
havia testemunhas do fato, somente o relato de Osvaldo, que disse ter ouvido Etelvina na rua, apavorada.
A autoridade policial perguntou a Etelvina se ela teria condições de reconhecer o elemento pelo álbum
fotográfico da delegacia, e ela respondeu que sim. Desse modo, o delegado entregou-lhe o álbum, para
que ela identificasse o indivíduo. Etelvina olhou todo o álbum fotográfico da delegacia e apontou um
indivíduo como o autor do roubo: era Túlio, autor de diversos roubos na circunscrição da delegacia.
Nessa situação hipotética, de posse do termo de reconhecimento fotográfico, a autoridade policial
deverá, segundo jurisprudência do STJ,
A. instaurar inquérito policial, sem indiciar Túlio, a m de colher maiores elementos de convicção sobre
a autoria e circunstâncias do fato.
B. instaurar inquérito policial, chamar Túlio, para ele dizer se conhece Etelvina, e realizar a acareação
do depoimento de ambos, em busca de possíveis divergências.
C. instaurar inquérito policial, indiciando Túlio com base no reconhecimento fotográfico feito por
Etelvina, e requerer sua prisão preventiva ao juízo competente, a m de colher maiores elementos de
convicção sobre a autoria e circunstâncias do fato.
D. instaurar inquérito policial, indiciando Túlio com base no reconhecimento fotográfico feito por
Etelvina, e requerer sua prisão temporária ao juízo competente, a m de que o Ministério Público ofereça
denúncia contra Túlio.
E. instaurar inquérito policial e requerer a prisão temporária de Túlio, para posterior requerimento de
prisão preventiva e oferecimento de denúncia, diante da insofismável certeza da autoria obtida pelo
reconhecimento fotográfico.

20. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-RJ Prova: Delegado de Polícia). O inquérito
policial é atividade investigatória realizada por órgãos o ciais, não podendo ficar a cargo do particular,
ainda que a titularidade do exercício da ação penal pelo crime investigado seja atribuída ao ofendido.
Considerando- se as características do inquérito policial, é correto afirmar que o texto anterior discorre
sobre
A. o procedimento escrito do inquérito policial.
B. a indisponibilidade do inquérito policial.
C. a oficiosidade do inquérito policial.
D. a oficialidade do inquérito policial.
E. a dispensabilidade do inquérito policial.

GABARITOS

1 – B; 2 – D; 3 – B; 4 – D; 5 – D; 6 – E; 7 – D; 8 – D; 9 – C; 10 – E; 11 – E; 12 – C ; 13 – E; 14 – A; 15 – E; 16
– D; 17 – D; 18 – B; 19 – A; 20 – D;

Sugerimos a leitura dos dispositivos legais abaixo:


Ver art. 11; 16; 12; 13 e 14 do Código de Processo Penal.
Ver art. 5º. §2º do Código de Processo Penal.
Ver art. 127 do Código de Processo Penal.

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Ver art. 13-A e 13-B do Código de Processo Penal.
Ver art. 6º, X do Código de Processo Penal.
Ver art. 13, III do Código de Processo Penal.
Ver art. 4º ao 23 do Código de Processo Penal.

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