UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E ECONÔMICAS FACULDADE DE DIREITO

O DEBATE ACERCA DA INVESTIGAÇÃO DIRETA REALIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO

RAPHAEL CAMINHA COSTA LACERDA

RIO DE JANEIRO 2011

como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito. RIO DE JANEIRO .RAPHAEL CAMINHA COSTA LACERDA O DEBATE ACERCA DA INVESTIGAÇÃO DIRETA REALIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO Projeto de Monografia apresentado à Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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11. Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. Bibliografia: f.Caminha Costa Lacerda. . Raphael O debate acerca da investigação direta realizada pelo Ministério Público / Caminha Costa Lacerda. Faculdade de Direito. Raphael. . Projeto de Monografia (graduação em Direito) – Universidade Federal do Rio de Janeiro.2011 11f.

com. 55 – Apto 205.Rio de Janeiro – RJ CEP: 22631280 Turno: Manhã Sugestão de Orientador: Nilo Pompírio da Hora . Barra da Tijuca .DADOS PESSOAIS RAPHAEL CAMINHA COSTA LACERDA DRE: 106015559 Telefone: (21) 2430-8515 / (21) 3326-2412 Celular: (21) 7706-0277 / (21) 9996-0545 Email: raphaelcclacerda@yahoo.br Endereço: Avenida Gastão Senges.

...............................1 ..8 2.......................................................................Formulação das questões.....................7 2........1 .................. TEMA...6-7 2................................ REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO....................................................................................8 3.......................................Objetivos.............................. CRONOGRAMA.............................10 5..........................Delimitação do tema e do objeto.....................................................................................................................................Metodologia de pesquisa......................................................4 ........Justificativa do tema.......................9 3..2 .........SUMÁRIO 1..................................................................................... 11 ...........................8 2..........................................9 3................................9 4.....7-9 2............................................3 ..Autores relevantes....................2 .................................................................................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................................................................................ INTRODUÇÃO......................

uma emenda constitucional. mesmo que implicitamente. membros do Ministério Público e advogados públicos. porém. e é em cima desta deficiência que o Ministério Público deseja realizar o trabalho investigativo. o que dificulta a obtenção de provas quando há a realização do processo judicial criminal. Desta feita. na letra fria da lei. Por um lado. assim como magistrados. se a atividade investigatória do Ministério Público estaria permitida diante do texto constitucional de 1988. a questão é polêmica por dois aspectos: primeiramente e a principal. em se considerando não ter havido permissão constitucional para a investigação direta pelo Parquet. Os delegados de polícia. Muitos inquéritos policiais são mal instruídos. moldaria a denúncia eficientemente. há o interesse dos advogados de impedir a investigação do Parquet na defesa de seus clientes processados criminalmente. faz nascer a expectativa de que a relação da polícia judiciária com o Ministério Público. factualmente não é isto o que ocorre. portanto.1. e posteriormente. se seria razoável se atribuir essa faculdade aos membros deste órgão através de uma inovação legislativa. reclamam da elevação desproporcional da instituição dentro do Poder Público diante de uma injusta usurpação de suas atribuições. são competentes para realizar o trabalho investigativo que lhes é atribuído por Lei. sendo certo que não poderiam desempenhar suas funções sem a devida formação na área jurídica e.e a partir daí surgem as polêmicas da sua intervenção nessa fase préprocessual. será harmônica e voltada para a proteção do interesse público. para que o Parquet pudesse investigar residiria no fato de que. Outrossim. visto que o argumento. não se pode olvidar que os delegados de polícia participam da carreira jurídica do Estado. ao utilizar o sistema acusatório. enquanto titular da ação penal. Assim. dentre outros. INTRODUÇÃO A legislação processual penal brasileira. o que historicamente era função da polícia judiciária . Fato é que a questão posta em exame neste trabalho de final de curso traz muita polêmica e diversos conflitos de interesses. enquanto os membros do Ministério Público justificam essa prerrogativa a título de enriquecerem o conjunto de provas para a melhoria da persecução penal do Estado. por sua vez. qual seja. . o Ministério Público vem atribuindo maior importância à fase investigatória do processo penal.

Com efeito. expressas na Constituição Federal.1 . pode-se achar que esta competência estaria bem descrita pela Carta Magna. TEMA 2. defendendo ou afastando a possibilidade do órgão ministerial realizar seus procedimentos investigatórios criminais de maneira direta. realizar as investigações criminais. argumentam que o art. . tanto na doutrina quanto na jurisprudência. aqueles que advogam a tese de que o Ministério Público possa realizar a investigação criminal direta. das polícias judiciárias – civil e federal – e do Ministério Público. porém os defensores da tese que afasta o poder investigatório criminal do Ministério Público comparecem ao debate com argumentos igualmente sólidos. Basicamente. ao estabelecer o poder de “requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial”. A análise será feita sob a perspectiva das polêmicas que se inserem no contexto do debate jurídico quanto à possibilidade ou não do Ministério Público realizar diretamente. surge então um grande debate sobre o Ministério Público. em razão disso. A um exame superficial. o sustentam com base no artigo 129 do diploma constitucional. baseadas nas diferentes interpretações conferidas a certos dispositivos constitucionais da Carta Magna de 1988. Em suma. Sob esta temática serão analisadas as funções. a investigação criminal. que permitiria esta função do Parquet. o projeto final deste trabalho acadêmico terá o intuito de mostrar as grandes divergências sobre o tema. 144 da Lei Maior atribui às polícias judiciárias – civil e federal – a competência exclusiva de apurar as infrações penais e. Além disso.Delimitação do tema e do objeto O objeto de estudo da presente monografia é o debate acerca da investigação direta pelo Ministério Público. 2. como titular da ação penal e destinatário das provas colhidas na fase de investigação criminal. dentre outras. junto com a Polícia Judiciária. Nesta esteira. sem qualquer tipo de intervenção policial. possuir a faculdade de realizar este procedimento diretamente. Desta rica polêmica surgem diversos posicionamentos. será analisada a avaliação geral do trabalho das polícias judiciárias atualmente.

período em que é realizado a colheita de todas as provas para o processo judicial.4 . defendendo ou afastando a possibilidade do órgão ministerial realizar tal procedimento.2. Neste contexto.Objetivos O presente trabalho tem como objetivo analisar a controvérsia relativa à possibilidade ou não de o Ministério Público realizar as investigações criminais diretamente. serão analisados os diversos posicionamentos. .Quais são os argumentos do Ministério Público que o legitimariam para o exercício da investigação criminal realizada diretamente? E quais seriam as justificativas das Polícias Judiciárias (Polícias Civil e Federal) para estarem em desacordo com tal procedimento? . considerando que esta temática diz respeito a fase de instrução criminal.Qual o debate doutrinário e jurisprudencial acerca da possibilidade de o Ministério Público realizar a investigação criminal diretamente? .Justificativa do tema Não se pode negar que a matéria envolve o interesse de toda a sociedade brasileira. tanto na doutrina quanto na jurisprudência.Formulação das questões . Para tanto. baseadas nas diferentes interpretações conferidas a certos dispositivos constitucionais da Carta Magna de 1988. o que justifica ainda mais o seu debate.2 .Como se enfrenta a questão da admissibilidade constitucional da investigação criminal realizada diretamente pelo Ministério Público? 2. 2. não há uma posição consolidada pela doutrina e jurisprudência.3 . cumpre ressaltar também que apesar de ser um tema já muito recorrente no meio jurídico.

artigos. por fim. No capítulo seguinte. atentando para todo o sistema normativo do Estado Brasileiro que trata do tema. analisando os julgados que tratam desta matéria. No que diz respeito ao capítulo em seguida.1 Autores relevantes Serão estudadas as diversas opiniões sobre o tema. obviamente no que toca ao papel do Ministério Público na persecução penal. Paulo Rangel. de modo a expor seus principais argumentos e. Na parte posterior do texto. ressaltando-se a tarefa dos órgãos públicos nessa atividade soberana. REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO 3.2 Metodologia de pesquisa O trabalho acadêmico se iniciará com uma breve explanação sobre a persecução penal do Estado. Serão analisados trabalhos especificamente de: Fernando da Costa Tourinho Filho. expondo de igual maneira os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que afastam a possibilidade do órgão ministerial realizar diretamente a investigação criminal. jurisprudências e manuais específicos de direito processual penal.3. 3. será exposto o tema central deste trabalho sob o entendimento daqueles autores que defendem a plena possibilidade do Ministério Público realizar diretamente a investigação criminal. sendo chamada por muitos. reserva-se um espaço para tratar sobre a origem do Ministério Público e a sua posição dentro do Poder Público após a Constituição Federal de 1988. Para exemplificar. Também será dado enfoque à investigação criminal na qualidade de etapa deste relevante exercício do poder estatal. a fase pré-processual. de sorte a comparar as legislações processuais penais. consultados livros. . Rogério Lauria Tucci e Marcellus Polastri Lima. Aury Lopes Júnior. de modo a também se observar o compromisso da construção de um estado justo e democrático. a fim de se verificar uma possível (ou provável) compatibilidade desta instituição com a investigação criminal realizada diretamente. haverá em outro capítulo uma breve explanação sobre como a questão é tratada nos ordenamentos jurídicos de outros países. Por fim. será apresentado o posicionamento que pareça ser o mais correto. dar-se-á destaque para a corrente contrária.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . CRONOGRAMA Atividades Abril Maio Junho Julho Leitura de bibliografia X X Levantamento de fontes X X Análise das fontes X X Redação da monografia X X X Revisão da monografia X X Redação final e entrega da monografia X Defesa de monografia X 5.

CINTRA. LOPES JÚNIOR. Rogério Lauria. RT. Lumen Juris. São Paulo. Rio de Janeiro. Direitos e garantias individuais no processo penal brasileiro. 2007. José Afonso. Editora Saraiva. Processo Penal Constitucional. 2007. Gilmar Ferreira. BRANCO. DA SILVA. 6ª Edição. RT. Investigação criminal direta pelo Ministério Público: visão crítica. Bruno. 2005 MENDES. Rio de Janeiro. FERNANDES. Antonio Scarance. DINAMARCO. Editora Saraiva. 2009. 2009. Rio de Janeiro. 2004. 4ª edição. 2ª edição. Comentário contextual à Constituição. Volume I. RANGEL. Inocêncio Mártires. São Paulo. Processo Penal. 4º ed. Ministério Público e investigação criminal. Rogério Lauria. Paulo. . Paulo Gustavo Gonet. COELHO. 22º ed. Fernando da Costa. 2002 CALABRICH. Cândido Rangel. fundamentos e limites constitucionais. São Paulo. Antonio Carlos de Araújo. Direito processual penal e sua conformidade. Sistemas de investigação preliminar no processo penal. Ministério Público e persecução criminal. Lúmen Júris. São Paulo: Revista dos Tribunais. 3ª Ed. Lumen Juris. 7: Investigação criminal pelo Ministério Público. São Paulo. Marcellus Polastri. Aury. 2006. TUCCI. LIMA. 32ª Edição. GRINOVER. São Paulo: Malheiros Editores. Temas Fundamentais de Direito. São Paulo. Aury. Teoria Geral do Processo. Curso de direito constitucional. 2010. v. 2010. . Lumen Iuris. 2001. Rio de Janeiro. São Paulo: Revista dos Tribunais. LOPES JÚNIOR. 2004 TUCCI. Ada Pellegrini.TOURINHO FILHO.