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GestÃo de Residuos sÓlidos

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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO AMBIENTAL

PÓS-GRADUAÇÃO: LATU SENSU

MÓDULO: GESTÃO DE RESIDUOS SÓLIDOS Brasília , dias 24 e 25 de maio e 14 e 15 de junho 2002
DOCENTE: PROF. DRA. VIVIANA MARIA ZANTA

e-mail: zanta @ufba.br

SUMÁRIO
1-TECNOLOGIAS DE TRATAMENTO E DESTINAÇÃO FINAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (SUB-MÓDULO II).....................................................1 1.1- FUNDAMENTOS DA DIGESTÃO ANAERÓBIA EM ATERROS SANITÁRIO ....................................................................................................1 1.1. Origem e características dos resíduos sólidos urbanos........................2 1.2.Condições ambientais físico-químicas da digestão anaeróbia dos resíduos sólidos urbanos............................................................................................4 1.3.Aspectos microbiológicos e bioquímicos. ............................................13 2- DESTINO FINAL : ATERRO SANITÁRIO.....................................30 Seleção da Área do Aterro ..........................................................................30 2- Descrição e justificativa da concepção adotada....................................34 3- Memorial Técnico e Descritivo...............................................................34 (I - EP)>0 têm-se PER= P- ES- ∆ AS-EP..............................................42

Considerações Finais...................................................................................43 3-COMPOSTAGEM............................................................................52 3.1 Métodos de compostagem......................................................................52 3.2-Etapas de uma usina de compostagem.................................................53 3.3 Processo biológico de compostagem.....................................................54 3.4- Fatores que influenciam no processo.................................................54 3.5- Controle dos Impactos..........................................................................55 3.6-Exemplo:.................................................................................................55 Bibliografia consultada...............................................................................57

ii

1-Tecnologias de

Tratamento e Destinação Final de Resíduos

Sólidos (Sub-módulo II)

As tecnologias de tratamento para resíduos sólidos urbanos podem ser fundamentadas em princípios biológicos, físico –químicos ou térmicos. A aplicabilidade de cada tratamento é função das características e propriedades intrínsecas ao tipo de resíduo ,da quantidade gerada, como adoção de determinadas também da disponibilidade e viabilidade das tencologias frente das condições locais existentes. Para os resíduos sólidos urbanos constituídos por resíduos domésticos, comerciais, resíduos verdes, resíduos de serviços de saúde, resíduos especiaism, as tecnologias de tratamento mais usuais no Brasil são a compostagem, a reciclagem e a incineração. A forma de destinação final para estes resíduos, após o tratamento, ainda é o industriais. Cabe mencionar que para a fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos, o aterro sanitário, desde que concebido para este fim , pode ser considerado como uma forma de tratamento por processo biológico. Neste sub-modulo será abordado, inicialmente, os fundamentos, as etapas ,aspectos de dimensionamento, construtivos e operacionais relativos aos processos biológicos anaérobios e aeróbios e a técnica de confinamento em aterros sanitários. aterro sanitário ou os aterros

1.1- Fundamentos da Digestão Anaeróbia em Aterros Sanitário

Os estudos relativos ao processo de estabilização de resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários iniciaram-se na década de quarenta, tendo se intensificado na década de setenta, devido à crise energética e a conseqüente procura por fontes de energia alternativa. As pesquisas realizadas em grande parte visaram a determinação e análise das características físicas, químicas e ambientais peculiares ao aterro sanitário, que indicassem parâmetros para o seu projeto e operação eficiente. O aterro sanitário, por conter alta concentração de sólidos totais, também pode ser considerado como um biorreator de digestão anaeróbia com alto conteúdo de sólidos, operado em batelada e tratando a fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos (FORSU), inserido em uma proposta de gerenciamento que contenha a coleta seletiva como etapa preliminar. De acordo com KAYHANIAN et al. (1991), a digestão anaeróbia com alto teor de sólidos, tem sido estudada recentemente, utilizando-se reatores operados em batelada. Segundo esses autores, a digestão anaeróbia com alto teor de sólidos, é definida como sendo a digestão que se processa com conteúdos de sólidos totais acima de 22 %. Na literatura, esse processo biológico denominado de modo diferente em vários trabalhos, BRUMMELER (1993) utilizou a denominação digestão a seco (“dry digestion”), enquanto que DeBAERE et al. (1986) apud KAYHANIAN et al. (1991), utilizaram compostagem anaeróbia a seco (“dry anaerobic composting”) para nomear o sistema DRANCO, PERES et al. (1990) utilizaram fermentação a seco (“dry fermentation”) ou, ainda KAYHANIAN et al. (1991) utilizaram digestão anaeróbia com alto teor de sólidos (“high solids anaerobic digestion”). Assim, para o maior entendimento do comportamento dos compostos orgânicos durante a degradação da FORSU, em sistemas anaeróbios operados com elevado conteúdo de sólidos totais, tais como o aterro sanitário, aborda-se aspectos relativos ao substrato, condições ambientais físico-químicas, microbiologia e bioquímica da digestão anaeróbia de resíduos sólidos . 1.1. Origem e características dos resíduos sólidos urbanos.

Os resíduos sólidos urbanos, que compõem o substrato de sistemas biológicos, possuem composição física heterogênea, em termos qualitativos e quantitativos. Isto é devido à influência de fatores diversos, tais como hábitos e costumes da população, crescimento demográfico, nível educacional, crescimento industrial e tipo de coleta praticada. CHRISTENSEN E KJELDSEN (1991) comentaram que a fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos é extremamente variada, podendo ser constituída por compostos orgânicos facilmente degradáveis, como os resíduos alimentares, e aqueles diversidade dificilmente degradáveis, como por exemplo, a lignina. Essa influencia fortemente as taxas de degradação em sistemas

biológicos como os aterros sanitários. MATA-ALVAREZ (1991) em sua revisão sobre a biotecnologia utilizando a digestão anaeróbia de alto teor de sólidos totais para tratar a fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos, afirmou que a composição da fração orgânica é o principal fator que afeta o rendimento do processo biológico. Os componentes físicos dos resíduos sólidos gerados pelas atividades humanas podem ser agrupados de acordo com o seu grau de biodegradabilidade em: facilmente degradáveis (matéria orgânica putrescível); borracha, etc.) Outra e não degradáveis moderadamente degradáveis (papel, papelão, etc.), dificilmente degradáveis (trapo, couro, (vidro, pedra, terra, etc.), conforme BOWERMAN apud GOMES (1989). forma de caracterizar os resíduos sólidos é analisar a sua composição química. De acordo com REES (1980a), durante a degradação dos resíduos sólidos urbanos predomina o metabolismo dos carboidratos sobre o de proteínas e lipídeos, que juntos correspondem cerca de 8 % do resíduo em peso seco. BARLAZ et al. (1989a) citaram que os resíduos sólidos municipais são constituídos tipicamente por aproximadamente 40 a 50 % de celulose, 10 a 15 % de lignina, 12 % de hemicelulose e 4 % de proteína. PERES et al. (1990) analisaram a fração orgânica proveniente de resíduos sólidos domiciliares da cidade de São Paulo, obtendo quanto à composição química, os seguintes percentuais, em sólidos totais (S.T.): 32,9 %

de celulose; 12,5 % de lignina; 9,61 % de proteína; 5,94 % de lipídeo e 5,1 % de hemicelulose. Em relação ao conteúdo elementar as amostras continham em termos de S.T., 42,6 % de carbono; 5,90 % de hidrogênio, 1,54 % de nitrogênio total, 17 % de enxofre e 0,19 % de fósforo. Os autores destacaram o baixo teor de fósforo encontrado nas amostras estudadas. De acordo com GLAUSER et al. (1987) entre os resíduos orgânicos, os complexos de lignina e ligninocelulose são os mais refratários à decomposição anaeróbia. Trabalhos desenvolvidos por HAM e BOOKTER (1982) sobre a decomposição dos resíduos sólidos em lisímetros, e por LECKIE et al. (1979) em aterros controlados pelo teor de umidade, não apresentaram deficiências quanto ao conteúdo de nutrientes. Segundo CHRISTENSEN e KJELDSEN (1991) em um aterro sanitário os resíduos bem homogeneizados não anaeróbios, podem estar apresentam limitações de nitrogênio e fósforo. Em relação à toxicidade em processos presentes nos resíduos sólidos agentes tóxicos como: cátions alcalinos terrosos, amônia, sulfetos, metais pesados, detergentes, antibióticos e produtos químicos (GUNNERSON et al., 1986). A inexistência de coletas diferenciadas ou especiais para resíduos de serviço de saúde e industriais, respectivamente é responsável pela presença destes compostos. Uma característica a ser observada é a dimensão das partículas que compõem os resíduos sólidos, uma vez que a sua redução pode levar a um incremento na hidrólise de polímeros, já que uma maior área superficial estará disponível ao ataque enzimático. DEWALLE e CHIAN (1978) mostraram que se reduzindo o tamanho da partícula de 250 mm a 25 mm, nas mesmas condições operacionais, a taxa de produção de gás foi aumentada em um fator de 4,4, sendo o gás dióxido de carbono, o único gás produzido, provavelmente devido à atividade bacteriana acidogênica. 1.2.Condições ambientais físico-químicas da digestão anaeróbia dos resíduos sólidos urbanos.

O processo de estabilização dos resíduos sólidos urbanos em aterro sanitário ocorre através da seqüência de eventos previsíveis, cuja magnitude e duração variam de acordo com as condições ambientais externas e internas ao ambiente do aterro, de acordo com POHLAND et al. (1985a). POHLAND et al. apud POHLAND E HARPER (1985b), descreveram as fases de estabilização dos resíduos sólidos urbanos em aterro sanitário com apresentado a seguir: Fase I- Ajustamento inicial-Nesta fase ocorre a disposição dos resíduos e o aumento da umidade, observando-se o início do processo de estabilização pela modificação das condições ambientais; Fase II - Transição - Com o aumento da umidade a capacidade de campo é excedida, e o percolado passa a ser liberado da massa de resíduos. Ocorre transição das condições aeróbias para anaeróbias sendo o oxigênio substituído por aceptores de elétrons como o nitrato e o sulfato tornando-se o meio mais redutor. Os ácidos graxos voláteis começam a ser detectados no percolado; Fase III - Formação de ácidos Os ácidos graxos orgânicos voláteis tornam-se predominantes, e há continuidade da hidrólise e fermentação dos resíduos bem como do percolado. Ocorre a diminuição brusca do pH, com a concomitante mobilização e complexação de metais. Os nutrientes, tais como, nitrogênio e fósforo, são liberados e utilizados para o crescimento da biomassa. O gás hidrogênio é detectado no gás influenciando a formação de produtos intermediários. Fase IV - Fermentação metânica - Os produtos intermediários que aparecem na fase anterior são convertidos a metano e dióxido de carbono. O pH é controlado pelo sistema de tamponamento a bicarbonato e o potencial redox é extremamente baixo. Os nutrientes continuam a ser consumidos. A complexação e precipitação das espécies metálicas continuam. A carga orgânica do percolado é drasticamente diminuída com o correspondente incremento da produção de gás. Fase V - Maturação Final - Há a diminuição da atividade biológica, nutrientes e a produção de gás cessa. O oxigênio e substâncias químicas oxidadas começam vagarosamente a reaparecer possibilitando que matéria

orgânica refratária possa ser convertida, possivelmente, a substâncias húmicas, capazes de complexação e remobilização de metais pesados. Entre os parâmetros ambientais do processo, a umidade é provavelmente o mais importante, por fornecer o meio aquoso essencial para a digestão dos resíduos, como também por transportar nutrientes e microrganismos pelo interior do aterro. (EMCOM associates, 1981). FARQHUAR, ROVERS; e MARRIOT apud SENIOR E BALBA (1987) DE WALLE et al. (1978) encontraram como umidade ótima em suas pesquisas, valores na faixa de 60 a 80 % e 55% a 60 %, respectivamente, enquanto de 99 % em peso seco. MCBEAM e FARQUHAR (1980) observaram, investigando a influência da umidade e temperatura em aterro sanitário, que o aumento da umidade estimulou a produção de gás até um certo nível de saturação, mas uma infiltração excessiva retardou a produção de gás. Uma possível explicação, baseada em comentário feito por CHIAN (1977), seja que um alto grau de umidade nos resíduos sólidos favoreceria a fermentação ácida da matéria orgânica, conseqüentemente, liberaria grandes quantidades de ácidos graxos voláteis, o que poderia gerar inibição da etapa metanogênica. KASALI et al. (1990a) verificaram a influência do aumento do teor de água nas etapas de degradação anaeróbia de amostras de resíduos sólidos urbanos, com um mês de aterramento. As amostras foram coletadas a 2,0 metros de profundidade em um aterro sanitário. O experimento foi conduzido em reatores em triplicata utilizando-se reatores de volume igual a 150 mL, contendo 30 g da fração orgânica homogeneizada dos resíduos, Os reatores foram incubados a temperatura ambiente (temperatura média indicada de 24,3 oC) e com diferentes teores de umidade de 60, 65, 70, 75 e 80 % em peso, ajustados com água destilada, e a pH=7,7. A umidade do reator controle foi de 55 %. Estes reatores foram desmantelados para amostragem de ácidos voláteis, pH e metano. O experimento também utilizou colunas de vidro (940 mL) com 380 g de amostra nos mesmos teores já mencionados, tendo sido utilizados para o monitoramento da produção de gás. Os resultados obtidos, em relação ao verificaram uma ótima produção de gás com altos teores de umidade, em torno

conteúdo de umidade e a produção de metano indicaram que o volume total de metano foi maior para os substratos com maiores teores de umidade, com exceção do reator com 80 % de umidade, cuja produção de gás metano foi sensivelmente menor. SUFLITA et al. (1992) realizaram uma pesquisa envolvendo a análise dos aspectos microbiológicos, químicos e “arqueológicos” (denominação usada pelos autores para referir-se a caracterização e datação dos componentes dos resíduos) com amostras coletadas a diferentes profundidades no aterro de Fresh Kills, implantado em 1948 e com término de operação previsto para meados do ano 2000, localizado em “Standen Island” NY-EUA. Estes pesquisadores verificaram que a produção de gás metano era mais acentuada com maiores conteúdos de umidade, que variaram entre 10 a 75% em peso nas amostras coletadas a diferentes profundidades. Outro fator que influencia a digestão anaeróbia dos resíduos sólidos é a temperatura. De acordo com GUNNERSON e STUCKEY (1986), o aumento da temperatura causa um aumento na velocidade das reações químicas, desde que não provoque a degradação das enzimas liberadas pelos microrganismos. PFEFFER (1974) investigou o efeito da temperatura na faixa de 30 a 60 C, em reatores de mistura completa utilizando como substrato resíduos sólidos orgânicos. Os resultados indicaram duas temperaturas ótimas para a digestão: uma a 42 oC na condição mesofilica, e outra a 60oC na condição termofílica. Sob condições termofílicas, o reator apresentou o maior rendimento. Em simulações do processo de degradação em aterro, de acordo com BUIVID, EHRIG; e SCHARF apud CHRISTENSEN e KJELDSEN, (1991) a taxa de produção de metano aumentou significativamente com o aumento de temperatura de 20 a 30 e 40 oC. CHRISTENSEN e KJELDSEN (1991) afirmaram que apenas os organismos mesofílicos são relevantes para a decomposição anaeróbia em aterros sanitários. Possivelmente, esta afirmação possa ser justificada pelo fato da maioria dos aterros sanitários em climas temperados não apresentarem temperaturas acima de 30oC, segundo SUMNER apud REES, (1980b). No

entanto, não

se encontraram dados de literatura quanto a influência da

temperatura ambiente em aterros sanitários em climas tropicais ou semi-áridos, como os encontrados no norte e nordeste do Brasil. Resultados obtidos por SUFLITA et al. (1992) indicaram que 46 amostras de resíduos coletadas no aterro de Fresh Kills (mencionado anteriormente) a temperatura média de 29,4 oC com teor médio de umidade de 36 %. LEITE (1991) determinou com o uso de termopares temperaturas internas na faixa de 26 a 31 oC para resíduos com umidade média de 47%, na fase metanogênica, em dois aterros sanitários experimentais. Estes aterros foram implantados na cidade de São Carlos, estado de São Paulo, cujo clima é ameno, com temperaturas médias diárias em torno de 25 oC. Afim de avaliar a influência da temperatura nas etapas fermentativa e metanogênica, KASALI et al. (1989b), utilizaram como substrato amostras de resíduos sólidos com um mês de degradação, coletadas a 2,0 metros de profundidade em aterro sanitário. Alíquotas de 400 g da fração orgânica dos resíduos foram homogeneizadas e incubadas em diferentes temperaturas, com uma umidade de 60 %, e uma porcentagem de sólidos voláteis de 58,4 %. As temperaturas examinadas foram: a temperatura ambiente (temperatura média de 18,7 oC) e a temperaturas de 30, 40 e 55 oC. Nas temperaturas ambiente e a 30 oC, observou-se a ocorrência de uma fase "lag” de produção de gás 30 e 19 dias, respectivamente. Os reatores a 55oC não apresentaram a fase “lag”, porém a geração de gás cessou após 53 dias de incubação. Constatou-se então, que apenas o pH da amostra havia diminuído para pH=5,7. Afim de avaliar se a temperatura havia exercido um efeito bactericida ou bacteriostático, os autores (KASALI et al., 1989b) reincubaram, por 45 dias, a amostra a 55oC com o pH corrigido com uma solução bicarbonato de sódio (10 % peso/volume). Nesse período não se observou produção de gás. Posteriormente, reduziu-se a temperatura para 40oC, e novamente não ocorreu a produção de gás. Com base nestes resultados, os autores supuseram que o efeito da temperatura 55oC (KASALI et al., 1989b) foi bactericida, e que devido à

baixa concentração de metano no biogás gerado no início do experimento, a

população bacteriana termofílica era possivelmente pequena. As taxas de gás obtidas neste estudo para as temperaturas: ambiente, 30 oC e 40oC respectivamente, de 402, 987 e 3020 cm
3

foram,

de biogás. (Kg resíduo seco)-1.dia-1 de metano. (Kg resíduo seco)-1.dia1.

correspondendo a 171, 502 e 1210 cm 3

O pH é um parâmetro ambiental crítico que afeta o balanço entre as várias populações de microrganismos, como também o nível de atividade microbiana (EMCOM Ass., 1981). SUFLITA et al. (1992) verificaram que o pH das amostras, coletadas em perfis de sondagem no aterro sanitário de Fresh Kills, variou entre 5,8 a 8,1, não existindo uma relação marcante com a taxa de produção do gás metano. DEVLIN (1990) realizou uma série de análises de alcalinidade e ácidos voláteis em amostras de percolado concluindo que os sais de ácidos graxos de cadeia curta, particularmente os acetatos, podem contribuir substancialmente para a alcalinidade total das amostras de percolado. Portanto, nas análises para se determinar a alcalinidade deve-se considerar a contribuição de substâncias outras além do carbonato, afim de se verificar a probabilidade de geração de metano. As conclusões de DEVLIN (1990) parecem ser plausíveis uma vez que a alcalinidade total é composta pelas parcelas da alcalinidade a bicarbonato e a acetato. Quando os ácidos voláteis acumulam-se no meio são neutralizados pelo sistema tampão dióxido de carbono-bicarbonato, dando lugar a alcalinidade a ácidos voláteis ou a acetato, uma vez que este é o principal ácido encontrado. O pH do meio controlado pela alcalinidade a acetato situa-se na faixa de 3,75 a 5,75, e, portanto, a capacidade tampão do acetato - ácido acético, não favorece a digestão anaeróbia. Somente a capacidade tampão da alcalinidade a bicarbonato é desejável, pois se situa na faixa de pH 6,0 a 8,0, favorável ao processo anaeróbio. NYNS e PAUSS apud SENIOR E BALBA (1987), usando reatores de mistura completa concluíram que resíduos com baixa alcalinidade podem resultar no acúmulo de ácidos voláteis, e, portanto, na redução da produção de metano. EHRIG (1983) apud SENIOR E BALBA (1987) demonstrou através de

medidas em aterros sanitários, que uma relação de ácido acético e alcalinidade menor que 0,8 era necessária para o início da metanogênese. Contrariamente a estes resultados, CHRISTENSEN E KJELDSEN (1991) afirmaram que, no ambiente sobre a produção de metano. No entanto, KUGELMAN e CHIN apud CHRISTENSEN e KJELDSEN (1991) observaram o efeito inibitório à atividade bacteriana causado pelas e concentrações de ácido acético, propiônico e butírico em concentrações acima de 6000 mg/L. Além disso, vários trabalhos (BARLAZ et al. (1989a) BALDOCHI (1990)) indicaram o acúmulo de ácidos voláteis como característico da degradação anaeróbia de resíduos jovens (com pouco tempo de aterramento) em aterros sanitários, supondo-se que este acúmulo retarde a metanogênese. BRUMMELER et al. (1989) ao avaliarem a quantidade necessária de agentes de tamponamento para a partida de reatores de digestão anaeróbia com alta concentração de sólidos totais, inoculados com lodo de reator de manta de lodo, concluíram que a adição de 0,06 Kg de NaHCO3/ Kg de sólidos totais controlava o pH e estimulava a produção de metano, enquanto exerceu pequeno efeito sobre o pH. O CaCO3 metanogênese. De acordo com BARLAZ et al. (1989c), a inibição pela presença de cátions pela adição de soluções de tamponamento não foi estudada para o ecossistema dos resíduos sólidos. No entanto, conforme KUGELMAN et al. apud BARLAZ et al. (1989c), que estudaram a toxicidade do cátion Na em digestores anaeróbios, concentrações variando entre 6900 mg/L a 8000 mg/L não foram consideradas inibitórias desde que o acúmulo de sódio fosse lento e outros cátions estivessem presentes. HANSON e MOLIN apud CHRISTENSEN e KJELDSEN (1991) obtiveram uma diminuição das taxas de degradação do acetato frente ao aumento da pressão parcial de 0,2 a 1,0 atm de CO2. Com base nestes resultados sugerem que a pressão parcial típica de o Ca(OH)2 não controlou o pH e inibiu a do aterro sanitário as concentrações de ácidos voláteis raramente alcançariam níveis tais capazes de produzir efeitos inibitórios

CHRISTENSEN e KJELDSEN (1991)

CO2 em aterros de 0,5 atm pode ser desfavorável à geração de metano a partir do acetato. SCHALCH (1992) realizou estudos comparativos e de evolução temporal entre dados de pH, Eh, alcalinidade total, dureza total, nitrogênio total, fósforo total, condutividade, demanda química de oxigênio, demanda biológica de oxigênio, sólidos totais, suspensos e dissolvidos, metais pesados e ácidos voláteis, com a finalidade de verificar a possibilidade de reprodutibilidade das tendências comportamentais da decomposição anaeróbia dos resíduos sólidos urbanos, da cidade de São Carlos, em dois aterros sanitários experimentais. As análises estatísticas realizadas permitiram concluir que há reprodutibilidade entre o comportamento dos dois aterros sanitários, sendo que os parâmetros que não foram reprodutíveis não afetaram o sistema como um todo. Através da manipulação do substrato ou das condições ambientais podese obter um desenvolvimento equilibrado do processo de degradação dos resíduos sólidos em aterros sanitários. Uma das formas mais promissoras processo, segundo LIMA (1989). LEE et al. (1986) comentaram que várias pesquisas obtiveram uma redução do tempo de estabilização dos resíduos sólidos em aterro sanitário com recirculação do percolado in natura. POHLAND et al. (1994) afirmaram que a operação de um aterro sanitário com recirculação do percolado “in natura” possibilita o estabelecimento das relações simbióticas bacterianas durante as fases ácida e metanogênica, permitindo o contato mais eficiente e uniforme entre os microrganismos e os substratos orgânicos, tornando o processo de estabilização em aterro sanitário mais previsível. No entanto, LIMA apud TEIXEIRA (1993) observou que a recirculação direta do percolado “in natura” causou a inibição do processo de degradação, em particular da metanogênese, gerando um excesso de ácidos voláteis. de manipulação das condições ambientais é a recirculação do percolado produzido, que pode estimular o

TEIXEIRA (1993) avaliou a degradação anaeróbia dos resíduos sólidos urbanos, não triturados e triturados, em seis lisímetros isolados termicamente de volume igual a 200 L, inoculados inicialmente com chorume tratado anaerobiamente e esterco bovino, nos quais realizaram-se recirculações de percolado “in natura”, não tendo sido observada a aceleração do processo. LIMA (1989) conduziu em escala de laboratório, um experimento comparando seis tipos de inóculos (lodo de esgoto em digestão, percolado tratado em reator anaeróbio, percolado "in natura" com alta e baixa DQO, esterco de gado “in natura" e em digestão) e observou após 360 dias, que a recirculação de chorume tratado em reator anaeróbio acelerava mais eficientemente a degradação dos resíduos sólidos urbanos. BARLAZ et al. (1987) estudando em reatores (em triplicata) de 208 L a fração orgânica triturada observaram que a recirculação do percolado in natura não estimulou a metanogênese, que ocorreu após a neutralização com carbonato de sódio em dois reatores. Os autores não puderam explicar conclusivamente o motivo da ausência de metano para uma das triplicatas já que a concentração de 3,16 g de Na/L adicionada ao reator não foi considerada inibitória. Em outra pesquisa, BARLAZ et al. (1989c) conduziram um experimento em reatores de 2 L contendo resíduos orgânicos triturados com e sem recirculação do percolado neutralizado, e incubados a 41oC. O percolado foi recirculado diariamente (6 dias por semana). Inicialmente utilizou-se uma solução de bicarbonato de sódio 100 g/L para a neutralização e após sete semanas, uma solução de carbonato de potássio 176g/L. A maior parte dos reatores operados nestas condições apresentaram aceleração do processo embora alguns poucos tenham apresentado inibição do processo cuja causa potencial não foi determinada. Os autores supuseram que o baixo teor de fosfatos ou a presença de algum composto solúvel não identificado possam ter contribuído para a inibição. BARLAZ et al (1990) concluíram, a partir dos experimentos mencionados anteriormente, que a recirculação do percolado sem neutralização estimulou o acúmulo de ácidos carboxílicos, enquanto a neutralização do percolado favoreceu a produção de metano.

1.3.Aspectos microbiológicos e bioquímicos. As populações bacterianas, através de seu metabolismo para obtenção

de energia a partir de um substrato orgânico e de uma fonte de carbono para biossíntese, influenciam as características físico químicas das fases do processo de degradação anaeróbia da fração orgânica dos descritas no item 1.2. A digestão anaeróbia é um processo em que várias bacterianas interagem através de associações sintróficas, populações resultando na resíduos sólidos urbanos

produção de metano e dióxido de carbono a partir da degradação de materiais poliméricos complexos. NOVAES (1986) descreveu a digestão anaeróbia indicando as populações bacterianas envolvidas, em quatro estágios conforme representado na

Figura 1 Inicialmente, os compostos orgânicos complexos, tais como proteínas, carboidratos e lipídeos, são hidrolisados por enzimas liberadas por bactérias fermentativas, resultando em compostos orgânicos mais simples: açúcares, aminoácidos, e peptídeos. No segundo estágio, denominado de acidogênese, ocorre a conversão dos compostos mais simples em ácidos graxos de cadeia longa, tais como o ácido propiônico e butírico, como também a formação de hidrogênio, dióxido de carbono e acetato. No terceiro estágio, a acetogênese ocorre a transformação dos ácidos orgânicos produzidos na fase anterior a acetato, hidrogênio, e dióxido de carbono pela atividade das bactérias acetogênicas, havendo também a utilização do hidrogênio e do dióxido de carbono para a último estágio formação de acetato pelas bactérias homoacetogênicas. O envolve as bactérias metanogênicas acetoclásticas que

transformam acetato a metano e as bactérias metanogênicas utilizadoras de hidrogênio, que convertem hidrogênio e dióxido de carbono a metano.

C o m p o s t o s o r g â n ic o s ( c a r b o id r a t o s , P r o t e í n a s , L ip í d e o s ) 1 C o m p o s t o s O r g â n ic o s s i m p le s ( a ç ú c a r e s , a m in o á c i d o s , p e p t í d e o s ) 1 Á c id o s g r a x o s d e C a d e ia L o n g a B u t í r ic o , P r o p i ô n ic o 2 A c id o g ê n e s e H i d r ó li s e

H 2, C O

2

3

Á c id o a c é t ic o
2

4

C H 4 ,C O

5

M e ta n o g ê n e s e

1 - B a c t é r i a f e r m e n t a t iv a 2 - B a c t é r ia a c e t o g ê n i c a p r o d u t o r a d e H 2 3 - B a c t é r ia h o m o a c e t o g ê n i c a

4 - B a c t é r ia m e t a n o g ê n ic a r e d u t o r a d e CO 2 5 - B a c t é r ia m e t a n o g ê n ic a a c e t o c lá s t ic a

Figura 1 Etapas metabólicas e grupos microbiológicos envolvidos na digestão anaeróbia. (NOVAES, 1986). SENIOR E BALBA (1987), em sua revisão da literatura abrangendo o período de 1934 a 1984 sobre a biotecnologia do aterro sanitário, abordaram, entre outros temas, a biodegradação dos resíduos sólidos via catabolismo aeróbio e anaeróbio. Conforme SENIOR E BALBA (1987), durante o metabolismo aeróbio forma-se água, dióxido de carbono, além de produtos provenientes da hidrólise enzimática da matéria orgânica complexa, sendo o acetato, o propionato e o dióxido de carbono os produtos terminais mais importantes, desde que são os principais intermediários no subseqüente metabolismo anaeróbio. Com a depleção do oxigênio no interior da massa de resíduos, reações químicas de redução do nitrato, sulfato e a metanogênese tornam-se favoráveis, sendo catalisadas por grupos fisiológicos anaeróbios diferentes. HUGHES apud SENIOR E BALBA (1987) afirmaram que, inicialmente, o metabolismo dos resíduos é dominado pelo processo aeróbio, envolvendo uma

grande

variedade

de

organismos

incluindo

invertebrados

(nematóides, em um aterro

protozoários, etc), fungos, bactérias e actinomicetos. Após o estabelecimento das condições anaeróbias sanitário, segundo REES (1980a), a celulose é hidrolisada a celobiose e glicose por um complexo enzimático denominado celulase. Esses açúcares são fermentados a dióxido de carbono, hidrogênio, etanol, acetato, propionato, butirato, valerato e caproato. Formiato, lactato e succinato não são observados no percolado de aterros sanitários. Os aminoácidos, provavelmente, são a única fonte de isobutirato e isovalerato, os quais são encontrados em baixas concentrações no percolado. Os lipídeos são hidrolisados a glicerídeos que por sua vez, são fermentados a ácidos graxos de cadeia longa, os quais são catalisados a acetato e hidrogênio ou a acetato, propionato e hidrogênio, respectivamente, dependendo do número par ou ímpar de carbonos presentes na cadeia. Os ácidos voláteis de cadeia maior do que a do acético, como também, os compostos neutros maiores que o metanol, são metabolizados a hidrogênio e acetato. Poucos são os substratos metabolizados pelas bactérias metanogênicas, além do acetato, hidrogênio e dióxido de carbono, tais como: formiato, metanol, monóxido de carbono e metilaminas secundárias, terciárias ou quaternárias (GLAUSER et al. 1987). Considerando-se que biodegradação. De acordo com vários pesquisadores (MCINNERNEY THAUER apud MARTY, 1986; GLAUSER et al., 1987) a e BRYANT; acidogênese é o principal componente da fração orgânica dos resíduos sólidos são os carboidratos, estes serão enfocados quanto à sua

fortemente influenciada pela pressão parcial de hidrogênio no meio. A baixa pressão parcial de hidrogênio (menor que 10-4 atm), o metabolismo das bactérias é direcionado para a formação de H2, CO2 e acetato, uma vez que a oxidação da molécula transportadora de elétrons a nicotinamida adenina dinucleotídeo (NADH+ em NAD+e H2)torna-se favorável. No entanto, se a pressão parcial de hidrogênio torna-se alta, a reação de oxidação do NADH + torna-se desfavorável

(energia livre positiva), e segundo McINNERNEY e BRYANT (1978) o piruvato é utilizado para reoxidação do NADH+ com a conseqüente formação de produtos reduzidos como propionato, butirato, e outros. A Figura 2 apresenta um esquema das vias de fermentação a partir do piruvato adaptado dos esquemas indicados por McINNERNEY e BRYANT (1981) e LYNCH apud MARTY (1984) no qual observa-se a presença constante do hidrogênio nos caminhos de fermentação a produtos intermediários extracelulares, como o succinato e lactato, e aos demais produtos finais. A partir de carboidratos, pela via Embden-Meyerhof-Parnas, obtém-se o piruvato.
2H

lactato

piruvato piruvato
Acetaldeído
2H

Oxaloacetato
Acrilato
4H

Etanol

Succinato
2H

Acetil-CoA+Fórmico H2 CO2
4H

propionato

etanol acetato
acetocetil CoA

PH2 baixa PH2 alta acetona
2H 4H

4H

butiril CoA

butanol iso propanol

butirato

Figura.2 - Esquema das vias bioquímicas a partir do piruvato. Fonte: Modificado de McINERNEY et al.(1981) e LYNCH et al.apud MARTY (1984).

As fermentações de alguns substratos da fase acidogênica, apresentados na Figura 3. serão abordadas simplificadamente, com base na revisão realizada por GOTTSHALCK (1988). A fermentação láctica metabólicas energético em ATP. As vias de fermentação láctica são: Via homofermentativa que produz 1 mol de lactato para cada mol de glicose fermentada, com um rendimento de 2 ATP. Via heterofermentativa, que produz 1 mol de lactato, etanol e dióxido de carbono por mol de glicose, com rendimento de 1 ATP. Via “Bifidum” que produz acetato e lactato na proporção de 3 para 2 para cada mol de glicose fermentada, com o rendimento de 2,5 moles de ATP. Existem algumas bactérias que produzem etanol a partir da glicose, produzindo cerca de 2 moles de etanol e dióxido de carbono para cada mol de glicose fermentada. Estas bactérias possuem a enzima piruvato-descarboxilase, cuja presença nas células bacterianas é rara. No entanto, como mencionado, outras bactérias como as produtoras de ácido láctico ou clostrídios, podem produzir consideráveis quantidades de etanol durante a fermentação da glicose empregando a síntese a partir do acetaldeído ou do acetil-CoA (Figura 3.3.2). A fermentação butírica ocorre através da fosforilação em nível de substrato. Cada mol de glicose produz 1 mol de butirato, gerando 3 ATPs. Um certo número de bactérias do gênero Clostridium sp, produtoras de butirato, pode produzir pequenas quantidades de butanol. Apenas poucas espécies, no entanto, desviam a produção de butirato para a produção de solventes (butanol e acetona ou iso-propanol) tais como a C. acetobutylicum. O gênero de C. acetobutylicum produz acetona e butanol a partir da glicose na proporção de 2:1, desde que o pH da cultura seja menor ou igual a 5. A produção do propionato é realizada por uma grande variedade de bactérias anaeróbias. Estas bactérias podem fermentar glicose ou lactato, sendo estes os substratos preferenciais destas espécies bacterianas. As vias metabólicas da produção do propionato são: dos carboidratos pode ocorrer por três vias pelo rendimento que se diferenciam pelos produtos obtidos e

Via do acrilato, na qual 3,0 moles de lactato produzem 2 moles de propionato, 1 mol de acetato e 1 mol de dióxido de carbono, com rendimento de 1 ATP. Via do succinato, que é empregada pela maioria dos organismos produtores de propionato. Nesta via, o succinato é um produto intermediário, mas pode também ser um produto final, porém em baixa concentração. Por esta via, 1 mol de lactato energético de 1 ATP. A produção de acetato é realizada por bactérias redutoras de prótons obrigatórias De acordo com bactérias homoacetogênicas, e bactéria redutoras de prótons produz 1 mol de propionato, com um rendimento

facultativas, que constituem o grupo de bactérias acetogênicas. MARTY (1984), as bactérias redutoras de prótons facultativas são bactérias fermentativas, cujo metabolismo produz álcoois, ácidos voláteis, acetato e hidrogênio quando em culturas puras. No entanto, quando em culturas mistas com bactérias metanogênicas, que retiram o hidrogênio do meio, o seu metabolismo é direcionado para a produção de acetato e hidrogênio. As bactérias redutoras obrigatórias de prótons dependem das relações sintróficas com outras espécies utilizadoras de hidrogênio para que possam catabolizar o substrato disponível da etapa acidogênica, cujas reações químicas são termodinamicamente desfavoráveis, sendo possíveis quando em co-cultura como se pode observar pelo exemplo clássico apresentado por ZINDER (1991), com relação à fermentação do etanol a acetato. Organismos Organismo S” Metanogênica Soma Reação 2CH3CH2OH + 2H2O→2CH3COO +2H +4H2 4H2 +HCO3 + H+→CH4 +3H2O 2CH3CH2OH+ HCO3-→ 2CH3COO + H++CH4+ H2O
-

∆Go’
+

(Kj/reação) +19,3 (1) - 135,6 (2) -116,3 (3)

As homoacetogênicas que podem utilizar, segundo ZEHNDER (1982) e GOTTSHALCK (1988), substratos como hexoses, produzem 3 moles de acetato através da via Enbden-Meyerhof-Parnas ou pela redução do CO2. Outros

substratos são o hidrogênio, o dióxido de carbono e o metanol como indicam as seguintes reações: Substrato Reação ∆Go’ (Kj/reação) -107,1(4) -706,3 (5)

Dióxido de carbono e 4 H2 +2 CO2 →CH3COOH + 2H20 hidrogênio Metanol 4CH3OH + 2 CO2 →3CH3COOH + 2 H20

As bactérias metanogênicas são capazes de utilizar apenas certos substratos (NOVAES, 1986), como citado anteriormente, sendo as reações químicas termodinamicamente favoráveis, como pode ser visto pelas reações descritas por McINNERNEY e BRYANT apud THAUER et al. (1978). Substratos Hidrogênio e bicarbonato Fórmico Acético Metanol Reação química 4H2 + HCO3- + H+ → CH4 + 3 H2O HCOO- + H2O + H+ → CH4 + 3 HCO3CH3COO- + H2O → CH4 + HCO3CH3OH → 3CH4 + HCO3- + H2O + H+ ∆Go’ (Kj/reação) -135,6 (6) -130,6 (7) -31,0 (8) -314,7 (9)

MARTY (1984) apresentou uma relação de gêneros metanogênicos com suas respectivas morfologias e substratos utilizados, como pode ser visto na Tabela 1..

Tabela 1- Gêneros metanogênicos isolados em culturas puras Espécies Methanobacterium sp Morfologia Bacilos, livres formadores Substrato ou H2, formiato. de

Methanobrevibacter sp Methanomicrobium sp Methanococcus sp Methanospirillum sp Methanosarcina sp Methanothrix sp

filamentos. Bacilos curtos Bacilos móveis. Pequenos cocos. Bacilos curvos. Sarcinas.

H2, formiato. H2, formiato. H2, formiato, metanol, acetato, metilaminas. H2, formiato. H2, acetato, metanol,

metilaminas. Bacilos formadores de Acetato.

filamentos longos. Fonte: modificada de MARTY (1984) As características microbiológicas e químicas da decomposição dos resíduos sólidos foram determinadas por BARLAZ et al (1989a), que utilizaram reatores de 2 L preenchidos com resíduo triturado e mantidos a temperatura de 41oC. Os autores buscaram simular um aterro sanitário. Para diminuir o tempo de degradação, recirculou-se o percolado produzido, após neutralização, até que fosse detectado metano no biogás ou que o pH atingisse valores 7,0. A umidade inicial foi de 73 %. No experimento de BARLAZ et al (1989a) foram observadas quatro fases no processo, a fase aeróbia (i), e fases anaeróbias ácida (ii), metânica acelerada (iii) e metânica desacelerada (iv). Na fase aeróbia, os açúcares presentes nos resíduos frescos foram oxidados a CO2 e H2O. A fase anaeróbia ácida é caracterizada pelo acúmulo de ácidos carboxílicos e diminuição do pH de 7,5 para valores entre 5,7 e 6,2. Os autores atribuíram o acúmulo de ácidos carboxílicos à oxidação de apenas uma fração dos açúcares presentes nos resíduos durante a fase aeróbia, à baixa atividade das bactérias anaeróbias acetogênicas e metanogênicas e à dissolução do dióxido de carbono. A hidrólise durante a fase ácida e a fase metânica acelerada foi pequena, possivelmente devido à inibição pelo produto ocasionada pelo acúmulo de ácidos carboxílicos. Conforme ZOETEMEYER et al.(1982), os ácidos voláteis podem inibir ou estimular o crescimento bacteriano dependendo da concentração. Presume-se permeiam facilmente a que os ácidos voláteis na sua forma não dissociada próximos a

membrana celular. Dependendo do pH intracelular, dissociam-se, diminuindo o pH interno, criando condições fisiologicamente energia destinada à síntese da biomassa. No experimento realizado por BARLAZ et al (1989a) foi observado que durante a fase metânica acelerada ocorreu aumento do pH para valores entre 6,2 a 7,9, com o concomitante decréscimo de ácidos carboxílicos. A produção de gás metano alcançou níveis de concentração de 60 % no biogás. Na fase metânica desacelerada, a concentração de metano, o valor de pH e as concentrações das populações celulolíticas e metanogênicas permaneceram a níveis similares a da fase (iii). Simultaneamente, a taxa de produção de metano diminuiu, a concentração de ácidos carboxílicos ficou abaixo do limite de detecção, as populações de bactérias acetogênicas aumentaram, e ocorreu um aumento na taxa de hidrólise da celulose e hemicelulose. Com base nestes resultados, os autores, concluíram que nas fases (ii) e (iii), a utilização dos ácidos voláteis limitou a metanogênese, enquanto na fase (iv) foi a hidrólise dos polímeros o fator limitante. Ainda, nesta pesquisa, observou-se as variações dos grupos chaves bacterianos ao longo do tempo. Para tanto se preparou um extrato com uma fração da amostra sólida retirada dos reatores, segundo procedimento elaborado por BARLAZ et al. (1989b). A evolução dos grupos metabólicos de bactérias celulolíticas, acetogênicas produtoras de hidrogênio e foi avaliada hemicelulolíticas, desfavoráveis, que ativam o mecanismo de troca de prótons, possivelmente contra íons potássio, consumindo

metanogênicas utilizadoras de hidrogênio e dióxido de carbono empregando-se a enumeração pela técnica do Número

Mais Provável com

meios contendo celulose, xilana, butirato, acetato, e hidrogênio mais dióxido de carbono, respectivamente. Observou-se um incremento de 2, 4, 5, 5 e 6 vezes de ordem de magnitude entre o resíduo fresco e a fase de produção metânica, respectivamente, para bactérias hemicelulolíticas, celulolíticas, acetogênicas catabolizadoras de butirato e as metanogênicas utilizadoras de acetato e de hidrogênio e dióxido de carbono. aproximadamente 10
2

A ordem de grandeza das populações de

celulolíticas acetogênicas e metanogênicas no início do experimento foi

células /g resíduo seco. Ao final do experimento, as

populações bacterianas alcançaram valores de aproximadamente 10 8 células /g resíduo seco para as metanogênicas, 10
7

células /g resíduo seco para as

acetogênicas e 10 5 células /g resíduo seco para as celulolíticas. Durante a realização desse estudo, BARLAZ et al. (1989c) observaram que, dos vinte reatores controle, com umidade de 45%, três reatores apresentaram concentrações traços de metano no biogás, enquanto os demais apresentaram concentrações de metano com valores máximos de 1,2 %. Os reatores controles não apresentaram produção de percolado. Os reatores com recirculação do percolado produzido neutralizado apresentaram os seguintes comportamentos: doze reatores apresentaram uma evolução satisfatória da produção de metano, após a fase anaeróbia ácida; vinte reatores apresentaram inibição, definida pelos autores, como sendo a estagnação por três semanas consecutivas da produção de metano. Destes vinte reatores, onze não produziram quantidade de metano mensurável e nove apresentaram sinais de recuperação após a inibição. BARLAZ et al. (1989c) coletaram amostras nos reatores controles com concentração traço de metano no início (14o dia), no meio do experimento (77o dia) e ao final do experimento (118o dia). Até o 14o dia, ocorreu o desenvolvimento das fases aeróbia e anaeróbia ácida, caracterizada pela queda do pH e pela acumulação de ácidos voláteis, principalmente acético e butírico e em menores quantidades, láctico, propiônico, isobutírico e valérico. Não se obteve durante o experimento produção de metano embora tenha sido relatado o aumento da população metanogênica, mesmo em condições ácidas (pH menor que 6,3). Nestes reatores, foi verificada a presença simultânea de nitrato e ácidos carboxílicos, o que sugeriu a existência de decomposição não uniforme dos resíduos, uma vez que a utilização do nitrato como aceptor terminal de elétrons é mais favorável energeticamente do que a fermentação do açúcar a ácidos carboxílicos. Com base nos resultados obtidos, os autores supuseram que, possivelmente, o baixo pH ou a presença de algum composto tóxico tenha sido a causa da inibição. Neste experimento, os reatores com recirculação foram classificados por BARLAZ et al (1989c) como inibidos, não apresentaram características

químicas ou microbiológicas que explicassem a inibição. Os autores relataram que ocorreu acúmulo de acetato, não existindo produção de metano em quantidade mensurável e, mesmo assim, a população metanogênica aumentou da ordem de 3 a 4 vezes de magnitude com relação à população presente no resíduo fresco. Assim, acreditam que a atividade metanogênica assimilatória pode ocorrer na ausência de atividade desassimilatória. A causa potencial para a inibição não foi encontrada pelos pesquisadores. BARLAZ et al. (1989d) também determinaram o balanço de massa dos principais constituintes degradáveis do resíduo nos reatores com recirculação de percolado neutralizado. Para tanto estimaram o potencial metanogênico da decomposição anaeróbia das principais frações constituintes através da do experimento, após a estequiometria das reações químicas de conversão a metano, no momento em que o resíduo fresco foi incubado e ao longo determinação das frações constituintes (celulose, hemicelulose, ácidos e açúcares). Os valores obtidos através deste balanço estiveram, conforme os autores, sujeitos a várias fontes potenciais de erros experimentais, tais como, as medidas gasosas, carbono convertido à massa celular, a mineralização não metanogênica do carbonato e outros. Assim, neste trabalho determinou-se que a recuperação carbono média de foi de 88,4 %, isto é, o quanto foi metabolizado a produtos

intermediários e a metano com relação ao carbono inicialmente presente na amostra. O potencial metanogênico dos resíduos, baseado nas medidas de metano, foram foram de no mínimo 77,6 a 106,8 L de CH 4 /kg de resíduo seco, em com os encontrados na literatura sobre trabalhos

reatores operados com recirculação de percolado neutralizado. Estes valores compatíveis experimentais de HALVADAKIS apud BARLAZ et al. (1989d). De acordo com KASALI et al., (1990a), grande parte dos estudos Apenas algumas realizados sobre o processo de degradação anaeróbia dos resíduos sólidos abordaram principalmente a fase de formação de metano. pesquisas mais recentes passaram a relatar as fases hidrolítica e fermentativa quanto as populações bacterianas e aos seus produtos metabólicos.

KASALI et al. (1989a., 1990a) realizaram uma série de pesquisas abordando, com maior ênfase, as características bioquímicas fermentativa da etapa e frente a várias condições ambientais, tais como, umidade

tamponamento. Estes estudos foram conduzidos em reatores em escala de laboratório, utilizando como substrato a fração orgânica homogeneizada com um mês de aterramento, coletada a 2,0 metros de profundidade em aterro sanitário. Basicamente dois tipos de reatores foram utilizados com propósitos diferentes, ou seja, utilizaram-se colunas de vidro com 940 mL de capacidade providas de medição de produção de gás por deslocamento de líquidos para o monitoramento da composição e volume de biogás e reatores de 164 mL para análise de produtos intermediários e alguns parâmetros físico-químicos de interesse. Esses reatores eram desmontados para a amostragem. Em um dos experimentos realizados, KASALI et al. (1990a) observaram o comportamento de produtos intermediários frente a diferentes teores de umidade (55,60, 65, 70, 75 e 80 %), utilizando reatores (164 mL) com 30 gramas de substrato, incubados à temperatura ambiente, sob atmosfera de nitrogênio. Os resultados mostraram que as concentrações dos ácidos isovalérico, valérico e capróico não foram influenciadas pelos diferentes teores de umidade. No entanto, as concentrações dos ácidos acético, propiônico, butírico e isobutírico aumentaram com o acréscimo da umidade no início do experimento, quando a metanogênese era baixa. Posteriormente, particularmente com o acetato, os autores observaram que os reatores com umidade igual a 70,75 e 80 % apresentaram concentrações máximas de ácidos primeiro do que os reatores com 55, 60 e 65 % de umidade. Este comportamento foi explicado, pelos inibição pelo produto nos autores, como sendo, possivelmente devido à reatores com menores conteúdos de umidade. De acordo com WANG e WANG apud KASALI et al. (1990a), o fator chave da inibição pelo produto é a concentração crítica, embora o baixo pH possa contribuir. Para organismos anaeróbios, a acumulação de ácidos voláteis limita a geração glicolítica de ATP. Através da interação entre acidogênicas e

metanogênicas utilizadoras de H2 é possível reverter esta situação.

O efeito

da adição de concentrações diferentes

de solução de

bicarbonato de sódio dias de fermentação dos

para o tamponamento das fases intermediária e resíduos orgânicos, em amostras de 350 g do

metanogênica, também foi observado por KASALI et al. (1989a), durante 90 substrato dispostas em colunas de vidro com 940 mL e amostras com 10 g foram colocadas em frascos de 164 mL em triplicata. Foram adicionadas alíquotas de bicarbonato de sódio na concentração de 1; 2,5; e 5 %, e água destilada a pH 7,0, de modo a atingir-se nas amostras a umidade de 77% equivalente à capacidade de campo do resíduo. A Tabela 2 resume os resultados obtidos ao final do experimento.

Tabela 2. Valores acumulados de metano e biogás frente a diferentes concentrações de soluções de bicarbonato de sódio. Adição Metano acumulado Biogás acumulado (dm3 .kg resíduo seco-1) 81,9 103,9 48,8 32,3 (dm3 .kg resíduo seco-1) NaHCO3(1%) 55,7 NaHCO3 (2,5%) 63,9 NaHCO3 (5%) 16,2 Controles 17,0 Fonte: KASALI et al. (1989a)

Através destes resultados, os autores constataram a inibição da produção de metano e o acúmulo de acetato e propionato nos reatores tratados com a solução tampão de 5 %, A causa provável indicada foi a toxicidade do cátion Na. Nos reatores com solução tampão de 2,5 % também se observou o acúmulo de propionato, o que não afetou a atividade metanogênica. Ainda, concluíram que a adição de 2,5 % de NaHCO3, o equivalente a 0,084 g NaHCO3. (g resíduo seco -1) foi mais benéfica ao processo. Para avaliar as interferências de diferentes valores de pH, nos caminhos metabólicos, KASALI et al. (1988) adicionaram soluções de fosfato de potássio e fosfato de sódio a 0,2 mol/L, em amostras de 400 g de resíduo colocadas em colunas de vidro (940 mL), e em amostras de 10 g de resíduo colocadas em

reatores de 170 mL experimento,

incubados a valores de pH 5,3; 6,2; 7,4 e 8,3 por 14 Ao término do

semanas a 30 oC. O pH dos reatores controles foi de 7,7. voláteis, com exceção

a pH 7,4, observou-se as maiores concentrações de ácidos do ácido propiônico que acumulou em maior

concentração a pH 8,3. A metanogênese no início do experimento foi favorecida com o incremento do pH. No entanto, no decorrer do experimento, as taxas de biogás foram decaindo, com exceção do pH 6,2. Os solventes etanol e propanol estavam presentes em todos os reatores. Butanol e metanol somente em pH 5,3 e 6,2, acetona em pH 7,4 e 7,7 enquanto a presença de iso-propanol foi verificada em pH de 6,2; 5,3 e 7,4. Ao final do experimento, somente o pH 7,4 e 8,3 apresentaram acúmulo de solventes, especificamente acetona e propanol. O efeito do aumento da temperatura foi relatado por KASALI et al (1989b), em amostras de 400 g a 60 % de umidade incubadas a temperaturas de 30, 40, 55 oC e a temperatura ambiente. O acréscimo de temperatura foi favorável a
o

metanogênese com exceção da temperatura termofílica de 55 Ainda, KASALI et al (1989c),

C, que se

caracterizou pelo acúmulo de solventes e não pelo de ácidos voláteis. verificaram com o auxílio de traçador (Carbono 14), em amostras de substrato de 12 e 24 g colocadas em frascos de 28 e 50 mL e em colunas com 90 g de resíduos, que o principal precursor de metano foi o acetato. Verificaram também que, para o substrato metanol a conversão a metano foi elevada, estando presente acetato no meio. SUFLITA et al (1992) avaliaram a atividade de várias enzimas hidrolíticas como uma indicação geral do processo de decomposição das características microbiológicas em amostras de resíduos retiradas do aterro sanitário de Fresh Kills. Foram analisadas a distribuição e a atividade relativa de três enzimas em vinte e oito amostras datadas de 1965 a 1988. Estereases, amilases, e proteases estavam presentes em todas as amostras e apresentaram faixa de amplitude moderada ao longo do período de vinte e três anos. O intervalo de tempo de aterramento não mostrou ser um fator determinante na distribuição da atividade das três enzimas, A atividade da celulase só foi positiva em duas amostras testadas, o que pode ser devido à dificuldade de extração dessas enzimas, como

sugerido por KHAN et al

apud SUFLITA et al. (1992), ou pelo grau de

heterogeneidade no tamanho da amostra analisada. Nesta pesquisa em amostras de resíduo selecionadas no aterro de Fresh Kills, foram determinados valores de bactérias aeróbias entre 104 a 106 UFC/g resíduo seco. As células eram tipicamente associadas a superfícies dos resíduos. Ensaios em meio de cultivo e técnicas de microscopia revelaram inúmeras morfologias de células e colônias. Em relação aos microrganismos anaeróbios fermentativos, foram encontrados valores entre 105 e 107 UFC/g resíduo seco, sob condições anaeróbias de cultivo. Observou-se que as bactérias degradadoras de proteínas variaram entre 2 a 15 %, e de 0 a 4% do total de bactérias fermentativas, quando incubadas a 22 e 37C, respectivamente. As degradadoras de amido variaram entre 0,4 a 12 % e 3 a 4 % da população fermentativa quando incubadas as mesmas temperaturas. As bactérias anaeróbias degradadoras de celulose não foram avaliadas quantitativamente. A atividade de degradação da celulose de uma cultura bacteriana oriunda de amostra de percolado de vazadouro de lixo a céu aberto foi avaliada por GOMES (1995) através de ensaios de acompanhamento do crescimento celular e produção de metabólitos, sob condição de anaerobiose estrita. As culturas anaeróbias celulolíticas não foram purificadas, mas através dos procedimentos microbiológicos, obteve-se o predomínio de bacilos celulolíticos formadores de esporos. A cultura foi capaz de utilizar diferentes açúcares, amido, álcoois como o glicerol e propanol, bem como proteína gelatina. BALDOCHI (1990) identificou as fases anaeróbias ácida e metânica instável do processo de estabilização em dois aterros sanitários experimentais, segundo o modelo proposto por POHLAND et al. (1983) apud POHLAND e HARPER (1985b), relacionando o comportamento dos ácidos voláteis com o comportamento do gás, da demanda química de oxigênio, pH e alcalinidade do percolado. O comportamento qualitativo e quantitativo dos ácidos voláteis individuais e totais foram obtidos através de análises cromatográficas gasosas. Os resultados indicaram que os ácidos mais significativos quantitativamente em ordem decrescente foram o acético, propiônico, butírico, isobutírico, valérico e

isovalérico, os quais contribuíram com até 98 % da DQO solúvel encontrada nas amostras de percolado dos aterros sanitários experimentais. VILLAS BÔAS (1990) estudou a microbiota anaeróbia fermentativa hidrolítica para nas amostras de resíduo sólido coletadas a dois metros de

profundidade em aterros sanitários empregando técnicas de bacteriologia

anaeróbios. Contagens desse grupo bacteriano foram realizadas nas amostras de percolado do aterro sanitário experimental 1 e nos resíduos sólidos da cidade de São Carlos aterrados há cinco e dez anos. Quatro cepas foram isoladas e identificadas. Além disso, mediu-se o potencial de biodegradabilidade dos resíduos aterrados. Os valores de contagens obtidos foram na faixa de 105 a 108 UFC/g de resíduo seco nos aterros 1 e 2. No percolado, encontrou-se 10 7 UFC/g de resíduo seco amostras coletadas em aterros com cinco e dez anos. Das quatro cepas isoladas uma pertencia ao gênero Megasphaera sp, sendo que as outras três provavelmente eram do gênero Selemonas sp Os potenciais de produção de CH4 nos aterros sanitários 1 e 2 foram de 97,8 e 85, 1 NLCH4/ kg de resíduo seco volátil, respectivamente, medidos através do teste de biodegradabilidade. BADRA (1993) isolou e identificou culturas de bactérias metanogênicas, em nível de gênero, provenientes de amostras de resíduos sólidos coletadas a 2,0 metros de profundidade em aterro sanitário experimental na fase metanogênica. As fontes de carbono utilizadas para o cultivo das amostras foram acetato de sódio, metanol e formiato de sódio. Segundo a análise morfológica e das fontes energéticas utilizadas, obteve-se, a acetato de sódio, uma cocultura formada por um organismo utilizador de acetato e uma metanogênica semelhante ao gênero Methanobrevibacter sp; em metanol, uma cultura semelhante ao gênero Methanosarcina sp; em formiato de sódio, uma cultura semelhante ao gênero Methanobacterium sp. BARLAZ et al. (1990) em sua revisão sobre a produção de metano, técnicas de otimização e dinâmica microbiológica concluíram que os trabalhos recentes em microbiologia têm permitido uma melhor compreensão do ecossistema do resíduo. BARLAZ et al (1989a) mostraram que todos os grupos

tróficos requeridos para a metanogênese dos resíduos estão presentes no resíduo fresco e que, inicialmente, a não disponibilidade do acetato e, posteriormente à baixa hidrólise do polímero, limitaram a taxa de produção de metano. Afim de otimizar o processo, evitando-se a acidificação inicial e a queda do pH, propuseram como possíveis soluções a recirculação e neutralização de percolado, ou a adição de resíduo anaerobiamente degradado aos resíduos que embora se tenha um bom frescos como inoculo de bactérias metanogênicas capazes de metabolizar os ácidos produzidos. Estes autores disseram, conhecimento das características do percolado relacionadas com o estado de decomposição, ainda permanecem dificuldades em se estimar com precisão o potencial de produção de metano em aterros sanitários.

2- Destino Final : Aterro Sanitário
O projeto de aterro sanitário NBR- 8419 (1984), de acordo com a definicão da norma

é um método de confinamento de resíduos sólidos,

segundo técnicas de engenharia de modo a minimizar os riscos de impactos ambientais e à saúde pública. O aterro sanitário pode ser projetado para atender a esta definição, ou seja de confinamento seguro , ou pode biológico com energética. Os principais elementos que um projeto de aterro sanitário deve contemplar são descritos na seqüência Seleção da Área do Aterro A escolha da área para a implantação de um aterro sanitário deve ser realizada com base em critérios técnicos, sócio econômicos e politico-sociais que minimizem os riscos ambientais e a comunidade. As características que devem ser avaliadas e alguns seguir:  Solo • Capacidade de retenção de contaminantes (o teor de matéria orgânica, o teor e a natureza dos argilo-minerais presentes, o teor de ferro e manganês, pH e ambiente redox , Permeabilidade, Erodibilidade: (textura, estrutura, composição, teor de umidade, coesão, espessura, relação textural entre os horizontes ou camadas, e plasticidade do solo).
•Compressibilidade •Colapsividade

ter como proposta o tratamento gerado como fonte

ou sem

interesse

de uso do biogás

valores de referência são apresentados a

e recalques

e capacidade de suporte (SPT)

CETESB (1993) indica os solos classificados como CL ,. CH , SH ou OH ( classificação de Casa Grande ) , que tenham um percentual de mais de 30 % passando pela peneira nro 200, que apresentem um Limite de Liquidez maior ou igual a 30 %; que apresentem um Índice de Plasticidade maior ou igual a 15, pH maior ou igual a 7,0 e um coeficiente menor ou igual a 10 –7 cm/s.  Topografia e Declividade
Segundo ZUQUETTE (1987) e McBEAN et al. (1995), a faixa de declividade ideal situa-se entre 2 e 5%.Para ZUQUETTE (op. cit.), terrenos com declividades de até 10% podem ser utilizados.

Geologia/hidrogeologia  Geologia/Hidrogeologia Alguns valores de espessuras mínimas para camadas adjacentes ao aterro e os respectivos coeficientes de permeabilidade e a espessura da camada insaturada. Permeabilidades e espessuras propostas para a camada subjacente ao aterro. Fonte Brasil(1) França(2) Comunidade Européia(3) Canadá(4) Estados Unidos da América(5) Coeficiente de permeabilidade 1x10-5 cm/s 1x10-7 cm/s 1x10-7 cm/s 1x10-7 cm/s 1x10-5 cm/s 1x10-6 cm/s 1x10-7 cm/s Espessura mínima do meio 1,5 m (resíduos não perigosos) 5,0 m (resíduos perigosos) 5,0 m (resíduos perigosos) 1,0 m (resíduos não perigosos) 1,0 m (resíduos inertes) 2,0 m (resíduos não perigosos) 1,5 m (resíduos domésticos)

(1) NBR 13.896 – Aterros de resíduos não perigosos – critérios para projeto, implantação e operação, 1997. (2) Ministere de l’amenagement du territoire et de l’environnement, 1998. (3) Commission of the european communities – proposal for a council directive on the landfill of waste,1997.

(4) Ministry of environment, lands and parks, 1988. (5) US EPA (1991) apud Lee & Jones-Lee, 1998. TABELA 01. Distâncias mínimas entre a base do aterro e o nível do lençol freático na estação chuvosa. Fonte Brasil Estados Unidos da América(2) Canadá(3) Bolívia(4)
(1)

Distância (m) 1,5 1,5 1,2 1,5

(1) NBR 13.896 – Aterros de resíduos não perigosos – critérios para projeto, implantação e operação, 1997. (2) US EPA (1991) apud Lee & Jones-Lee, 1998. (3) Ministry of environment, lands and parks, 1988. (4) Norma Boliviana de Residuos Sólidos NB 757, apud Valeriano & Escalera (1998).  Água Superficial CETESB (1993) considera que deve ser observada uma distância mínima de 200 m entre o aterro e o corpo d’água. Para LEITE (1995), a distância mínima do aterro às drenagens não deve ser inferior a 300 m. Já ZUQUETTE (1993) apud SARAIVA & RODRIGUES (1994), considera como favorável distâncias maiores que 500 m. A seguir apresenta-se as distâncias mínimas recomendadas por alguns países. Distâncias mínimas entre um aterro e um corpo de água superficial. Fonte Estados Unidos da América Wyoming
(1)

Distância Mananciais – 305 m Lago ou lagoa perene – 305 m Lagoa intermitente – 91 m Rio ou córrego perene – 91 m 61 m Mananciais – 3.220 m Rios perenes – 30 m 500 m de qualquer corpo d’água

Novo México(2) Georgia (3) Comunidade Européia(4)

Canadá(5) Bolívia
(6)

Mananciais – 300 m Outros corpos d’água – 100 m 500 m de qualquer corpo d’água

(1) Wyoming environmental quality act, 1997. (2) Davis, 1996. (3) Department of natural resources, 1997. (4) Commission of the european communities – proposal for a council directive on the landfill of waste,1997. (5) Ministry of environment, lands and parks, 1988. (6) Norma Boliviana de Residuos Sólidos NB 757, apud Valeriano & Escalera (1998).  Uso e ocupação do solo As distâncias mínimas no entorno da área ocupada um aterro e alguns tipos de ocupação humana propostas por diferentes países são indicadas . Fonte França(1) Tipo de ocupação Residências, áreas de expansão urbana e estabelecimentos Comunidade européia(2) públicos Áreas urbanas, recreação e agrícolas Distâncias 200 m (aterros de resíduos perigosos) de 500 m no caso de aterros sanitários e 2.000 m para aterros Estados Unidos América Canadá(5) da Wyoming
3) (

de

resíduos

perigosos Residências, escolas e 300 m hospitais 305 m

Carolina do Sul(4) Residências estabelecimentos públicos e

300 m

(1) Ministere de l’amenagement du territoire et de l’environnement, 1998.

(2) Commission of the european communities – proposal for a council directive on the landfill of waste,1997. (3) Wyoming environmental quality act, 1997. (4) Department of health and environmental control, 1998. (5) Ministry of environment, lands and parks, 1988.

2- Descrição e justificativa da concepção adotada A concepção do projeto escolhida deve ser compatível com o tipo de resíduo a ser aterrado, com as características ambientais da área selecionada e com disponibilidades de recursos ( técnicos, humanos e financeiros ). 3- Memorial Técnico e Descritivo O memorial técnico deve conter :  Projeção da Produção de Resíduos Sólidos A projeção de Resíduos Sólidos deve ser determinada para a vida útil do Aterro Sanitário, a qual recomenda-se ser de vinte anos. A produção atual de resíduos sólidos pode ser determinada através de dados de campo referente a quantidade coletada pelo serviço de limpeza púbica ou ser estimada correlacionando-se com dados populacionais e cota per capita de geração de resíduos sólidos. Para o caso de aterro sanitário para resíduos sólidos domiciliares a CETESB (1997) sugere os seguintes valores de geração per capita: População ( hab) Até 100 mil 100 mil a 200 mil 200 mil a 500 mil < 500 mil Produção de Lixo per Capita ( kg/hab.dia) 0,4 0,5 0,6 0,7

Assim , Pa= A x B onde A – geração de resíduos per capita B – população atual Para a estimativa da produção futura de resíduos pode-se considerar a influência da taxa de segundo a relação : Pf = {(1+D) x [ A x ( 1+ E )] x [B x ( 1 +C)]} sendo A – produção per capita ( kg / hab. Dia) B- população do município C- taxa de crescimento populacional D – taxa de incremento do serviço de limpeza pública E- taxa de incremento da geração per capita 2.2 –Dimensionamento e configuração geométrica disposição A estimativa da área necessária para a disposição dos resíduos deve considerar o método de escavação escolhido com base nas características do local e na quantidade de resíduos a ser aterrada. Os métodos de escavação são definidos como  trincheira ( abaixo do nível do terreno): ser aterrada e da vida útil desejada. local plano ou levemente da área de crescimento populacional, taxa de incremento do serviço de limpeza pública e a taxa de incremento da geração per capita

inclinado . As dimensões da trincheira dependem da quantidade de resíduos a

rampa ou escavação progressiva ( acima do nível do terreno) : áreas planas e secas , que disponham de solo para cobertura do lixo .  método da área ( abaixo do nível do terreno): locais com depressões , fundos de vale , cavas abandonadas. Além da área destinada especificamente a disposição de resíduos deve-se adotar um percentual estruturas de apoio.  Sistemas de Proteção ao Meio Ambiente  Sistema de Impermeabilização Inferior e nos Taludes. Os sistemas de impermeabilização podem se constituídos por barreiras naturais ou artificiais. As barreiras naturais são construídas com solos são compactados ou com adição de polímeros enquanto as artificiais, de 20 a 40 % para acesso, circulação e

constituídas por mantas sintéticas ( vide texto em anexo)

  Sistema de drenagem superficial de águas A drenagem superficial de águas pluviais tem com finalidade evitar a percolação e infiltração de água no maçico de resíduos aterrados, minimizando-se a selamento e taludes. Os drenos superficiais podem ter caráter provisório ou definitivo. O dimensionamento deste sistemas se baseia nos fundamentos do hidráulica referentes ao escoamento livre. (vide texto em anexo) Sistemas de Drenagem sub-superficial de percolado Um método expedito para a estimatica de percolado, denominado de Método Suíço é : Q= 1 x P x AX K onde: geração de percolado e a erosão das camadas de

T Q= vazão média do líquido Percolado ( L/s) P = precipitação média anual ( mm) A = área do aterro ( m2) t= número de segundos em 1 ano K= coeficiente que depende do grau de compactação de acordo com Peso Específico dos Resíduos no aterro 0,4 a 0,7 ton / m3 > 0,7 ton/m3 k 0,25 a 0,5 0,15 a 0,25 uso do

Para situações de maior responsbilidade recomenda-se o Balanço Hídrico

A precipitação que cae em uma área de aterro sanitário passa por processos de dois tipos: superficiais e sub-superficiais. Os processos superficiais incluem a retenção, evaporação, infiltração e escoamento superficial. Os processos sub-superficiais seguem-se à infiltração e incluem a evapotranspiração. percolação e fluxo lateral . Estes processos podem ser definidos por :  Retenção Superficial: é a porção de água que é armazenada

superficialmente. Inclue a interceptação pela vegetação e o armazenamento em depressões do terreno. Pode ser reduzida pela infiltração e evaporação Escoamento superficial: é a porção de água que escoa superficialmente sobre o solo. Esta variável depende das características do solo ( capacidade de infiltração) e da quantidade de água precipitada ( precipitação menos a retenção superficial) Infiltração : é a quantidade de água que flue através do solo. Este fator é dependente de condições existentes, tais como : tipo de solo ( umidade,

matéria orgânica, permeabilidade, porosidade não capilar) , cobertura vegetal e estação do ano. Armazenamento : é o volume de água acumulada no solo . A água do solo está sujeita as forças de atração molecular, à tensão superficial e à atração gravitacional. Em função dessas forças e da natureza do terreno , as águas podem se encontrar na zona de aeração, próxima à superfície, ou na zona saturada . A zona de aeração , denominada como zona de solo, pode perder água por evaporação ou transpiração . A espessura desta camada é definida, em geral, pelo comprimento médio das raízes da vegetação de cobertura. A zona de saturação é aquela em que a água ocupa todos os vazios e está sob pressão hidrostática. Assim a quantidade de água presente no solo é vista sob dois aspectos : 1-a reserva permanente , que corresponde a água que não pode ser removida do solo, ou seja, que não pode ser removida por capilaridade , gravidade ou por osmose , e é medida pelo teor de umidade no ponto de murchamento ; 2- A capacidade de campo , que corresponde à umidade retida em um solo previamente saturado após sua drenagem natural por gravidade. Evaporação: é a transformação da água no estado líquido para vapor . É dependente de temperatura do ar, radiação solar, pressão do vapor, vento e pressão atmosférica. A taxa de evaporação da superfície do solo saturado é aproximadamente igual a taxa de evaporação da superfície da água sob condições similares. A evaporação pode ser medida por evaporímetros tais como o tanque classe A , que de forma simplista pode ser descrito como um recipiente cilíndrico de eixo vertical ( enterrado ou não ) , aberto para a atmosfera , contendo água no estado líquido. Para avaliar a evaporação em superfícies do solo , utiliza-se lisímetros ( caixas estanque contendo o solo a ser estudado , aberta na parte superior)  Transpiração : é a água absorvida pelas raízes das plantas e que é transpirada em forma de vapor . Este processo é dependente d tipo de vegetação de cobertura , da densidade de vegetação e da quantidade de água disponível no solo. Pode ser medida através de fitômetro ( recipiente estanque com terra e planta) .

Evapotranspiração: é a combinação transpiração . Pode de água suficiente ser definida como no solo para a superfície completamente coberta por

das ações da evaporação e perdida oriunda de uma

a água

vegetação se existir uma quantidade vegetação. A evaporatranspiração

denominada de potencial é a perda d’água observada em superfície natural que esteja totalmente coberta por vegetação e que o teor de umidade esteja próximo da capacidade de campo. É a perda de água obtida em superfície coberta por grama Batatais em fase de crescimento ativo , bem suprida de umidade , no centro de uma área irrigada desprezar o transporte denominada de real ou atual com dimensões que permitam horizontal de vapor d’água. A evapotranspiração é a perda de água nas condições reinantes

( condições naturais de vegetação e de umidade o solo) Deve-se lembrar que neste balanço hídrico não está sendo na camada de resíduos. As

considerada a água proveniente da decomposição da matéria orgânica e a variação de armazenamento de umidade condições que influem em cada parâmetro e os fatores intervenientes são: Fatores que afetam a geração do volume de percolado
Condições Parâmetro Disponibilidade de Precipitação água Escoamento superficial Condições superficiais aterro do Evapotranspiração Fatores intervenientes Chuva: quantidade ; intensidade; frequência; duração Topografia cobertura, da superfície, material de

vegetação,

permeabilidade,

condições de umidade do solo, precipitação. Temperatura, vento, umidade, pressão atmosférica , material de cobertura material , de

vegetação, radiação solar. Escoamento Topografia da superfície, superficial Infiltração cobertura, vegetação,

permeabilidade,

condições de umidade do solo, precipitação, Topografia da superfície, material de cobertura, vegetação, escoamento superficial evaporação, condições de drenagem .

Descreve-se a seguir o exemplo de um balanço hídrico, apresentado por CETESB (1993). Este exemplo considera o aterro como homogêneo constituído de material poroso. se no texto em anexo) Parâmetros empregados : -Precipitação ( P): valores médios mensais (obtidos através de métodos de medição direta em instrumentos como pluviômetros ou pluviógrafos ) -Evapotranspiração Potencial ( EP): valores médios mensais (obtidos um maciço ( As tabelas citadas encontram-

através de métodos de medição direta em instrumentos como evaporímetros) -Escoamento Superficial (ES): valores médios mensais determinados por ES= C’ x P ` Sendo C’ = α x C Ponde o volume precipitação ES – Escoamento superficial

C a razão entre o volume escoado superficialmente e

precipitado influenciado por tipo de solo, cobertura, tipo de ocupação , tempo de retorno e intensidade da precipitação . Portanto, encontra-se na literatura valores de C fornecidos em função do tipo de superfície ( Ex.:asfalto , grama, solo ) , ou em função do tipo de ocupação ( Ex.:área comercial , industrial , parques , cemitérios) ou ainda, com base na densidade de ocupação ( Ex.: edificação muito densa , surbúbios com alguma edificação ). tipo de solo arenoso ou argiloso ( C) , da declividade Neste exemplo, os valores para o coeficiente de escoamento (C’) foram dados em função do para terrenos planos e com inclinação média e para a intensidade de precipitação ( α) . A tabela 5.15 indica os valores para C e α

-Infiltração ( I) : Valores médios dados pela diferença entre a precipitação e o escoamento superficial I=P - ES -Perda potencial de água acumulada é obtida somando-se mês a mês os valores negativos de (I-EP) ou seja obtém-se a parcela mensal de água foi introduzida no solo. Atribue-se o valor zero ao último valor positivo de I-EP porque , neste mês a infiltração superou a precipitação não havendo déficit (a água contida no solo atingiu a capacidade de campo* infiltração ocorrendo portanto no fim da estação que são úmida). Para os meses subsequentes a evapotranspiração potencial supera a déficit de entrada de água , acumulados mensalmente. *Capacidade de campo – o solo está totalmente saturado com água . ∑ NEG( I-EP) -Armazenamento de água no solo (AS): valor inicial de água disponível no solo dado pelo produto da quantidade de água disponível no solo ( tabela 5.16) pela espessura da camada de solo , valor este atribuído ao penúltimo e último meses da estação úmida ( I-EP>0), ou seja, a capacidade de campo foi atingida. Para os meses subsequentes (I- EP<0) nos quais há deficit de em função dos valores da água no solo, os valores de AS são dados

evapotranspiração potencial acumulados e da quantidade AS inicial existente ( valor dado a ultimo mês da estação úmida). Estes valores AS de são fornecidos nas tabelas 5.17 a 5.19. Observa-se que o valor de AS encontrado para o último mês da estação seca deve ser somado ao valor de (I-EP ) positivo do mês subsequente. Os valores obtidos que forem acima da capacidade de armazenamento significam fluxo de percolação. AS= Água disponível x Camada de solo superficial onde Água disponível = capacidade de campo – ponto de murchamento

-Troca de armazenamento de água no solo (∆AS) é a diferença entre o valor armazenado em um dado mês e o valor armazenado de água do mês anterior. ∆ AS = ASn-ASn-1 -Evapotranspiração real (ER) :representa a quantidade real de perda de água em um mês. Para os meses em que a infiltração é maior que a evapotranspiração potencial, a evapotranspiração real ( ER) é igual a evapotranspiração potential (EP) , pois neste caso o que infiltrou é suficiente para compensar o ∆ AS até o valor total de água disponível e a

evapotranspiração real, sendo restante o que percola. . Quando a infiltração é menor que a evapotranspiração potencial, a evaporação real que irá ocorrer é condicionada ao valor real armazenado de água. Deste modo, para (I - EP)>0 ( I - EP)<0 → ER=EP → ER= EP + [(I- EP)-∆ AS] ou seja ER= I- ∆ AS

-Percolação (PER): é dada por PER= P- ES- ∆ AS-ER isto é PARA (I - EP)>0 têm-se PER= P- ES- ∆ AS-EP PARA ( I - EP)<0 têm-se PER= P- ES- I

VAZÃO MENSAL (QM em (L/s)) : valores médios mensais de percolado QM= PER x A cont 2.592.000

Sendo Acont – área de contribuição do Aterro e 2.592.000 o número de segundos em um mês

Considerações Finais

O balanço hídrico apresentado e ilustrado numéricamente pela tabela 2, é recomendado, como já mencionado, pela CETESB , orgão ambiental do estado de São Paulo , para situações de maior responsabilidade. Cabe ressaltar que a análise do Balanço Hídrico descrito considera apenas os parâmetros relativos a hidrologia local sem avaliar a

contribuição da camada de resíduos . Ainda, observa-se que os meses que irão gerar percolado são aqueles em que a infiltração supera a evapotranspiração real ( igual a evapotranspiração potencial ) e a variação mensal de água acumulada.

Balanço Hídrico adaptado para Aterro Industrial. (Fonte Cetesb , 1993) Parâmetros JAN (mm) EP P C’ ES I I-EP NEG(I-EP) AS ∆AS ER PER 96,2 238,0 0,22 52,4 185,6 +89,4 FEV MAR 107,1 135,0 0,22 29,7 105,3 -1,8 -1,8 148 -2 107,3 0 ABR 61,0 65,7 0,18 11,8 53,9 -7,1 -8,9 141 -7 60,9 0 MAI 54,8 29,1 0,18 5,2 23,9 -30,9 -39,8 114 -27 50,9 0 JUN 49,3 47,7 0,18 8,6 39,1 -10,2 -50,0 107 -7 46,1 0 JUL 65,6 35,2 0,18 6,3 28,9 -36,7 -86,7 83 -24 52,9 0 AGO 89,7 25,9 0,18 4,6 21,2 -68,5 -155,2 52 -31 52,2 0 SET 87,6 60,9 0,18 11,0 49,9 -37,7 -192,9 40 -12 61,9 0 OUT 101,6 116,1 0,22 25,5 90,6 -11 -203,9 37 -3 93,6 0 NOV 110,5 149,3 0,22 32,8 116,5 +6,0 43 6 110,5 0 DEZ 89,0 225,4 0,22 49,6 175,8 +86,8 ANUAL 1015,6 1301,2 275,6 1025,6 +10

103,2 173,0 0,22 38,1 134,9 +31,7 (0) 150 150 20,2 0,0 996,2 1-3,2 69,2 31,7

129,8 +86,8 89,0 924,7 0 100,9

 Sistemas de Drenagem de Gases O dimensionamento dos drenos de gás dependem da vazão de gás gerada. Existem modelos que possibilitam uma estimativa do potencial de gás, não a’te o momento um modelo que possa ser empregado sem restrições. Deste modo , na prática utilizam-se tubos com diâmetros que variam de acordo com a altura do aterro de 0,20 a 1,0 metro. Para aterros de até 15 metros de altura recomenda-se empregar tubos com até 0,40 m . O espaçamento entre os drenos , baseando-se em dados construtivos reais, pode varia entre 30 a 50 metros.  Sistemas de tratamento de gases e percolado. O tratamento mais comum aos gases de aterro é a queima através de queimadores construídos na saída dos drenos de gases . O tratamento do percolado é bem mais complexo que o tratamento de águas residuárias , uma vez que sua carga orgânica ( D.Q. O) pode atingir valores até 200 vezes domésticos por exemplo. Ainda sua composição e volume variam ao longo do tempo consideravelmente em função da idade do resíduo aterrado e das condições climáticas. Algumas das alternativas para o tratamento dos percolados são: -Recirculação do percolado -Evaporação do percolado -Tratamento conjunto com esgotos sanitários -Tratamento biológico aeróbio -Tratamento biológico anaeróbio -Tratamento físico químico : precipitação química , oxidação química , adsorção com carvão ativado, osmose inversa , flotação. maiores que os correspondentes aos esgotos

Algumas das limitações de emprego destas alternativas citadas em literatura são : -A recirculação é recomendada par áreas com baixa pluviometria -O co-tratamento com esgotos domésticos pode ser viável dependendo dos custos de transportes envolvidos. -Os tratamentos físicos não apresentaram grande eficiência quanto a DQO e - A utilizam substâncias químicas que viabilidade do podem elevar os custos do tratamento dos processos biológicos está condicionada as (presença de compostos tóxicos aos características energia percolado

microrganismos). Para os processos aeróbio deve se considerar o custo de e a produção de lodo. O processo anaeróbio não possue estas desvantagens.

 Sistemas de monitoramento O monitoramento do aterro sanitário tem como finalidade avaliar a influência do mesmo sobre o meio ambiente. Em geral este monitoramento restringe-se a avaliação dos mananciais superficiais e subterrâneos. Os métodos empregado para detecção da pluma de contaminação no aquífero livre é através de poços de filtro longo que penetram na camada saturada possibilitando a retirada de amostras para a análise laboratorial. Caso se deseje obter a posição exata da pluma no aquífero devese empregar poços multi - níveis, que são uma combinação de vários poços simples de filtro curto em uma única escavação. O número mínimo fluxo do aquífero. O controle da qualidade da água superficial é feito coletando amostras à montante e à jusante do aterro e comparando com os valores admissíveis para os usos da água . de poços a serem instalados para fins de controle é quatro , sendo 1 à montante e 3 à jusante do aterro considerando o

O sistema de tratamento de percolado deve ser monitorado quanto à sua eficiência .

 Estruturas de Controle Para que o Aterro Sanitário tenha uma operação adequada faz-se necessário a existência de instalações que o controlem e o protejam. Estas unidades são -Cercas: para o isolamento do aterro visando impedir a entrada de

catadores , animais ou outros elementos que possam prejudicar o andamento dos serviços. Em regiões de ventos intensos recomenda-se utilizar cercas de tela móveis para retenção de materiais leves arrastados da frente de operação. -Cinturão verde: consiste numa faixa de isolamento de 5 a 10 metros de largura , composta por arbustos e árvores que impeçam a visualização do aterro. -Portaria : sua função é o controle de entrada e saída de veículos da área do aterro, bem como do tipo de resíduos que carregam . - Balança: sua função é avaliar a quantidade de resíduos que entram no aterro , bem como fornece dados para o controle da vida útil do aterro. -Escritórios: para o desenvolvimento de atividades administrativas visando o controle de materiais , equipamentos e funcionários. -Refeitórios, Vestiários e Sanitários : para atendimento das necessidades dos funcionários -Galpões para abrigo de veículos e equipamentos e pátio de estocagem de materiais . -Estradas internas : devem ser mantidas em condições de operação garantindo-se o trânsito de veículos mesmo durante períodos de chuva. As estradas podem ser de uso permanente ou de uso temporário As de uso permanente devem ser construídas com largura mínima de 8,0 metros com inclinação longitudinal máxima de 10 %, enquanto as de caráter provisório

devem ter uma largura mínima de 6,0 metros e no máximo uma inclinação longitudinal de 15 %. Ambas devem ter inclinação transversal da ordem de 2 %. -Iluminação: em aterros operados em período integral há necessidade de iluminação nos acessos e frente de trabalho afim de ser ter condições de operacionalidade e segurança.

 - Procedimentos Operacionais -Preparação da área Esta fase compreende atividades de limpeza da área e o planejamento das etapas de implantação do aterro indicando as atividades a serem para a configuração da área para recebimento dos resíduos realizadas ( abertura da área, implantação de sistemas de proteção ambiental ). -Execução das Células Sanitárias Os resíduos devem ser dispostos em células sanitárias . Estas são executadas compactando-se os resíduos de encontro a um desnível natural do terreno , ou contra o talude da trincheira ou mesmo o talude de uma camada de lixo ( célula-mãe), na forma de um tronco de pirâmide, disposta sobre o terreno . A compactação é feita em movimentos ascendentes por um trator esteira formando uma rampa com taludes de inclinação aproximada de 1 (v) : 3( H). Para uma melhor compactação os resíduos são espalhados sobre essa rampa formando camadas com espessuras aproximadas de 0,4 metros , sobre as quais o trator esteira passa de 3 a 5 vezes . A sobreposição destas camadas irá formar uma célula de lixo formato prismático que de deverá ser recoberta com camada de terra com

espessura mínima variando de 0,15 a 0,30 cm até cerca de 0,5 m dependendo das características do material empregado ( susceptibilidade à processos de erosão) .

As dimensões das células

dependem da quantidade de resíduos a

serem aterrados . A altura da célula pode varias de 2,0 a 6,0 metros . Dimensionamento da célula de lixo Dimensões típicas: b- 3 a 9 m h-2,4 a 3,6 m Fórmulas: h=
3

v p2

(1)

fazendo-se

L =b= 2 v = h

3

pxv

(2)

A= b2 + 2 x b x h x p (3) onde h : altura da célula (m) v = volume diário ( m3) p= Talude de rampa de trabalho (1(v) :3 (H=p)) L= profundidade de célula (m) b= frente de operação (m) A= área a ser coberta com solo ( m2)

1 h h L b p=3

 Encerramento do Aterro Após o encerramento das atividades de disposição de resíduos ainda

se faz necessário a manutenção das superfície final e dos taludes que ficam sujeitas a recalques e a erosão . Para evitar este processo de deterioração deve-se evitar o escoamento de águas de chuvas construindo –se um sistema de drenagem de águas de chuva no entorno do aterro e taludes , como também executando a camada final com declividade adequada . Os taludes e patamares do aterro, em toda a sua extensão, devem ser protegidos como plantio de vegetação adequada, por exemplo, grama imediatamente após a sua construção . Deste modo recomenda-se que as obras de encerramento sejam realizadas a medida que o aterro se desenvolve . A proposta para uso futuro da área deve considerar que o processo de degradação é longo podendo alcançar períodos superiores a 10 anos e que após a estabilização ser atingida semelhante a turfa. 4-Equipamentos e Mão de Obra As principais operações realizadas em um aterro são : compactação e a cobertura de resíduos , corte e transporte de terra , abertura de drenos e estradas e o nivelamento das superfícies . Para estas atividades o conjunto básico de equipamentos é constituído por: • Trator de esteiras: atividades de compactação, cobertura dos resíduos, corte de terras, preparação e manutenção de estradas e drenos. • Pás-carregadeiras: corte da terra e transporte , se a jazida de terra se localizar próxima ao local de utilização. Mais empregada em aterros de grande dimensões. • • Retroescavadeiras: aberturas de valas, execução de drenos, assentamento de tubulações. Caminhões basculantes: transporte de materiais diversos. o aterro apresentará uma resistência

Motoniveladoras

Dados para pré –seleção do Trator de esteiras Tipo de Operação Compactação e cobertura do lixo Serviços diversos (adicional de 30% do tempo de operação) Compactação e cobertura do lixo Serviços diversos (adicional de 30% do tempo de operação) Corte de terra a uma distância máxima de 60 m para uso na cobertura do lixo Quantidade de lixo (ton/dia) < 50 < 250 < 500 < 30 <150 <300 Potência indicada (HP) 40 a 50 70 a 90 140 a 160 40 a 50 70 a 90 140 a 160

3-Compostagem
2.1-Conceito

A compostagem é a transformação biológica aeróbia orgânica em material estabilizado partículas coloídais. O composto pode ser utilizado como recondicionador

de matéria

ou húmus., que é uma substância escura ,

uniforme com consistência amanteigada e aspecto de massa amorfa , rica em de solos

representando uma fonte de macro e micro nutrientes. Os principais efeitos do uso do composto no solo são: melhoria da estrutura do solo , aumento da capacidade de absorção de água , ativação susbtancial da vida microbiana, melhor aeração, aumento da estabilidade do pH . 3.1 Métodos de compostagem Basicamente, a compostagem pode ocorrer promovendo-se a

aeração natural através de revolvimentos manuais ou mecanizados ou aplicandose a aeração forçada por meio de insuflamento de ar por tubulações perfuradas ou através de cilindros giratórios denominados de bioestabilizadores . São exemplos de métodos naturais , o processo tipo “windrow” e de aeração forçada as pilhas estáticas aceleradas e o uso de bioestabilizadores , o processo DANO .Os dois primeiros são recomendados para municípios de pequeno e médio porte e o último para municípios de grande porte.

3.2-Etapas de uma usina de compostagem A usina de compostagem, em geral, por várias etapa, como apresentado a seguir: Recepção , triagem primária, bioestabilizador, peneira rotativa, pátio de maturação primária , pátio de maturação secundária , beneficiamento. Recepção , triagem primária, trituração, pátio de maturação primária , pátio de maturação secundária . Recepção , triagem primária, peneira rotativa, pátio de maturação primária , pátio de maturação secundária , beneficiamento Algumas recomendações para as unidades que compõe a usina são: recepção : prever balança rodoviária; fosso coberto e com sistema de drenagem de percolado triagem: utilizar motores a prova de água e pó , esteira com largura útil mínima de 1 m e velocidade entre 6 a 12 m / min ; no caso de peneira usar tipo rotativo, com seção circular ou sextavada , malha de , no mínimo 5 cm , e rotação entre 12 a 20 rpm. Pátio de compostagem : área deve incluir setores de peneiramento, secagem e armazenamento do composto curado; leiras com altura entre 1,2 e 1,80 e larguras entre 2,5 a 4,5 m com formas que podem ser piramidal em cunha ou tronco piramidada; sistema de drenagem de percolado. Beneficiamento: peneiras rotativas de seção circular ou hexagonal , com malha de cerca de 20 mm de abertura. Outras instalações: posição adequada de acesso anos de operação. e segurança para administração , viveiros de mudas e horta, e aterro com capacidade mínima de 10

3.3 Processo biológico de compostagem O processo de compostagem pode ser definido como um processo controlado de decomposição da microbiana de oxidação e oxigenação de uma massa heterog6enea de matéria orgânica no estado sólido e úmido. O processo possue duas fases: Fase 1 ou de bioestabilização: a temperatura eleva-se até , temperaturas termofílicas na faixa ótima de 55 a 60 C
o

a qual deve ser controlada pela

revolvimento e pela unidade. Nesta fase , o composto possue características de pH ( 6,0) e relação C: N ( 18:1) não danosas ao cultivo de espécies vegetais, Fase 2 , denominada de cura, na qual as temperaturas são mesofílicas ( 45 C a 55 oC ) . Nesta fase a matéria atinge as características de húmus ( C:N de 12:1 e pH entre 6,0 e 8,0)
o

3.4- Fatores que influenciam no processo Os fatores que intervêm no processo e controlados são: Microrganismos: Os principais microrganismos são as bactérias , fungos e actinomicetos. As bactérias são mais ativas na fase termófila , decompondo a matéria orgânica em compostos menores, os fungos e o actinomicetos tem o papel de decompor resíduos resistentes tais como materiais celulósicos Unidade : a umidade é importante para permitir a atividade biológica. O teor de umidade ótimo é 55 % Oxigenação: é essencial para o processo, deve existir um concentração na fase termófila de 5 % de O2 . Para o dimensionamento de equipamentos de insuflamento recomenda-se uma taxa de 0,3 a 0,6 m3 de ar /kg de STV .dia que portanto devem ser

Temperatura: deve-se manter o processo inicialmente na faixa ideal de temperatura em torno de 55 microrganismos patogênicos. Relação C:N: a proporção ótima situa-se na faixa de 30 :1 e ao final do processo deve ser 10:1. Relações mais elevadas tornam o processo mais lento, enquanto proporções menores não possibilita a mineralização do carbono até a eliminação do excesso de N na forma de amônia. Se o composto for disposto com alta relação C:N haverá consumo do N do solo, em caso contrário, se a relação for baixa, ocorrerá liberação de amônia que pode causas danos ao cultivo pH : o processo conduz o pH incialmente ácido para alcalino .Tamanho da partícula: o tamanho ideal está entre 1 a 5 cm, pois deve-se permitir a aeração adequada. 3.5- Controle dos Impactos Emanação de vetores: localização , ventos predominantes, cinturão verde, operação eficiente, recobrimento de leiras durante os primeiros dez dias com uma camada de composto maturado ( 45 % de umidade e 20 cm de espessura) Proliferação de vetores: operação eficiente, limpeza de áreas e equipamentos, cobertura da leira com material maturado Produção de Percolado: operação das leiras com umidade de projeto, aumento do ciclo de reviramento, incorporar composto maturado seco. Produção de rejeitos: aterramento adequado. 3.6-Exemplo: -Escolha do local de acordo com os critérios ambientais -Dimensionamento da área necessária -Dados: produção : 13 toneladas de resíduo orgânico peso específico 0,6 ton/m3
o

C para

a eliminação de ervas daninhas e

Dimensões adotadas para as leiras:altura: 1,50 m e largura de 3,0 m Método natural ; Tempo do processo: 100 dias -Área da seção reta (As) -Volume da Leira (V) Comprimento da leira (C) As = 3,0 x 1,5 =2,25 2 V = 13 = 21,67 m3 0,6 C = 21,67 = 9,63 m 2,25 adotado: 10 m

Dimensão da Leira: 1,50 x 3,00 x 10,00 Área da base: 10 x 3,00= 30,00 m2 Área para revolvimento: 30,00 m2 Área útil: 100 x 60= 6000 m2 Adota-se: -área de estocagem de produtos recicláveis: 70 m2 -área de circulação e estacionamento : 10% da área útil -área das estruturas de apoio (escritório, equipamentos): 100 m2 Área total: 6770 m 2

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