CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE GEOGRAFIA

EMERSON GONÇALVES DE LIMA

DESCENTRALIZAÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL E SEUS REFLEXOS NO PARANÁ NA DÉCADA DE 1990

LONDRINA - 2006

EMERSON GONÇALVES DE LIMA

DESCENTRALIZAÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL E SEUS REFLEXOS NO PARANÁ NA DÉCADA DE 1990

Monografia de conclusão de curso apresentada ao Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina, para a obtenção do título de bacharel em Geografia. Orientadora: Profa. Yoshiya Nakagawara Ferreira.

LONDRINA 2006

FOLHA DE APROVAÇÃO

EMERSON GONÇALVES DE LIMA

DESCENTRALIZAÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL E SEUS REFLEXOS NO PARANÁ NA DÉCADA DE 1990.

COMISSÃO EXAMINADORA __________________________________________ Orientadora Profa. Dra. Yoshiya Nakagawara Ferreira Departamento de Geociências - UEL

_____________________________________________ Prof. Dra. Eloiza Cristiane Torres Departamento de Geociências - UEL

_____________________________________________ Prof. Ms. Rosely Maria de Lima Departamento de Geociências - UEL

Londrina, __ de _____________de 2006.

Aos meus pais Edno Gonçalves de Lima e Maria Aparecida Antonio de Lima e meus Tios Luis e Yone pelo apoio

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a DEUS por ter me dado à oportunidade de aumentar meus conhecimentos, fazendo um curso superior na conceituada Universidade Estadual de Londrina. Agradeço à professora orientadora Dra. Yoshiya Nakagawara Ferreira, pelo apoio e encorajamento contínuo na pesquisa. Aos demais Mestres da casa, pelos conhecimentos transmitidos que contribuíram para a minha formação acadêmica. Ao pessoal do Laboratório de Pesquisas Urbanas e Regionais do Departamento de Geociências, pelo apoio bibliográfico. E a todos que fizeram parte da minha vida durante o curso, especialmente aos colegas da minha turma. De modo especial ao meu colega de sala e amigo Bruno R. Silvone, que caminhou junto comigo durante o curso, e é digno desse reconhecimento, pois é um exemplo a ser seguido.

“O importante não é estar aqui ou ali, mas ser. E ser é uma ciência delicada, feita de pequenas grandes observações do cotidiano, dentro e fora da gente. Se não executamos essas observações, não chegamos a ser. Apenas estamos e

desaparecemos.”

Carlos Drumonnd de Andrade

LIMA, Emerson G. Descentralização industrial no Brasil e seus reflexos no Paraná na década de 1990. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Estadual de Londrina: Londrina, 2006.

RESUMO

Este trabalho trata da dinâmica da industrialização brasileira nas últimas décadas, enfocando o aspecto da descentralização industrial, com reflexos no Estado do Paraná. Muitas indústrias foram se instalando em cidades de porte médio, como também em algumas capitais brasileiras mais dinâmicas, como na cidade de Curitiba. Essa descentralização se iniciou de forma moderada no início da década de 1970, crescendo e se consolidando nos últimos 20 anos.

Palavras-Chave: Industrialização, descentralização industrial, urbanização e industrialização, desenvolvimento regional.

LIMA, Emerson G. Industrial decentralization in Brazil and its consequences in the Paraná in the decade of 1990 . Work of Conclusion of Course. University State of Londrina. Londrina, 2006.

ABSTRACT
This work in the last few decades deals with the dynamics of Brazilian industrialization, focusing the aspect of the industrial decentralization, with consequences in the State of the Paraná. Many industrias had been if installing in cities of average transport, as well as in some more dynamic Brazilian capitals, as in the city of Curitiba. This decentralization if initiated at the beginning of moderate form of the decade of 1970, growing and if consolidating in last the 20 years.

Key-words – Industrialization, industrial decentralization, economic development, urbanization, regional development

LISTA DE TABELAS E QUADROS

TABELA 1- Emprego na industria de transformação e extrativa mineral – por Região e Estado – 1989/1998 ...............................................................................................18

TABELA 2 - Distribuição do emprego na indústria de transformação e extrativa mineral na capital e interior por região 1989/1998 – Brasil. ......................................19

TABELA 3 - Evolução da participação regional no emprego setorial da indústria de transformação e extrativa mineral 1989/1998. ..........................................................21

QUADRO 1 - Fases do desenvolvimento regional.....................................................28

SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1

1 - ALGUNS MARCOS TEÓRICOS SOBRE O TEMA PROBLEMA: URBANIZAÇÃO, INDUSTRIALIZAÇÃO E O PROCESSO DA DESCONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL. 3

1.1 - A Relação Entre Urbanização e Industrialização no Brasil. 1.1.1 - Emprego na Indústria nas Décadas de 1970 E 1980 1.2 - Desenvolvimento das Cidades Médias 1.3 - Descentralização X Desconcentração 1.4 - Dinâmica da Descentralização Industrial no Brasil

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1.4.1 A Descentralização Industrial e as Mudanças Sócio-Econômicas Regionais. 20

2 - ECONOMIA REGIONAL E SEUS REFLEXOS NO PARANÁ

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2.1 - Etapas do Desenvolvimento Regional da Economia Paranaense 2.2 - Descentralização Industrial no Estado do Paraná

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

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BIBLIOGRAFIA

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho visa analisar e tecer algumas considerações sobre o papel das transferências industriais que tem ocorrido recentemente no território brasileiro, mostrando a relação entre a urbanização e industrialização no espaço brasileiro e paranaense, enfocando a descentralização. Para atingir os objetivos buscou-se levantar motivos que provocam a descentralização industrial, estudando-a no Brasil nas ultimas décadas. Além disso, enfantizou-se a ligação entre urbanização e industrialização. Foram feitas análises entre o comportamento da industrialização paranaense com a descentralização industrial brasileira. O interesse de estudar o referido tema surgiu de observações e reflexões sobre a campanha que cada município brasileiro faz para atrair novas indústrias, inclusive fazendo com que muitas delas saiam de outras cidades, estando estas mudando até por questão de se modernizarem e/ou problemas diversos que a mesma enfrenta onde estão instaladas. Portanto, buscando uma maximização do lucro, tendo vários incentivos e analisando diversos aspectos, onde os empresários tomam suas decisões para transferirem suas indústrias. O Brasil é um país com dimensões continentais, dividido em regiões que apresentam heterogeneidade, em termos econômicos, culturais e sócio-políticos de forma muito marcante. A conjunção dos deslocamentos do capital mundial e de uma série de medidas políticas internas de estabilização econômica favoreceu, no Brasil dos anos 90, a atração de grandes investimentos, parte dos quais apresentaram uma lógica de localização, que pode ser apreendida pelo processo de descentralização industrial. A última década do século XX marcou consideráveis mutações no desenvolvimento capitalista. A sua mundialização corresponde a grandes

investimentos, sobretudo industriais, que migram e constituem novos espaços de inserção na economia cada vez mais integrada. Esse movimento do capital

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internacional, na figura das corporações transnacionais, concretiza a nova concepção mais flexível da produção. Esses grandes investimentos provocam sensíveis alterações nos locais onde se instalam. No Brasil, a sua distribuição espacial associa-se a um movimento de deslocamento de indústrias para além do espaço tradicional, São Paulo, revelando um processo de desconcentração industrial. A indústria brasileira tem passado por um forte processo de modernização e descentralização espacial nos últimos anos. A guerra fiscal entre as várias unidades da federação, os salários mais baixos nas regiões menos desenvolvidas, a proximidade de fontes de matérias-primas e o desenvolvimento do Mercosul têm provocado o deslocamento da indústria em direção a diferentes regiões. Alguns estados têm se destacado, beneficiando-se do processo de descentralização industrial. Enquanto o emprego se reduz na maior parte do país, estados como o Paraná na região Sul, o Ceará no Nordeste e os vários estados da região Centro-Oeste mostram um grande dinamismo, recebendo novas empresas industriais e apresentando forte crescimento do emprego. Para compreender a urbanização brasileira faz se necessário estudar também a industrialização do espaço brasileiro, visto que esses dois campos da geografia têm uma intima relação, onde um é dependente do outro. E dentro da geografia da indústria a descentralização industrial tem tido papel importante atualmente, uma vez que a indústria brasileira vem se dispersando para vários pontos do país, sendo através da transferência de unidades, ou de novo investimentos para regiões diversas. E onde temos a indústria o espaço urbano se transforma trazendo novos investimentos para as localidades nas quais as mesmas são instaladas, e conseqüentemente impulsionando o desenvolvimento dessas cidades. A indústria é importante para o crescimento econômico da cidade, pois ela reflete um aumento na geração de empregos e na arrecadação do município, que investe na estrutura da cidade, refletindo num aumento da urbanização da mesma.

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1 – ALGUNS MARCOS TEÓRICOS SOBRE O TEMA: URBANIZAÇÃO, INDUSTRIALIZAÇÃO E O PROCESSO DA DESCENTRALIZAÇÃO INDUSTRIAL

1.1- A relação entre Industrialização e Urbanização no Brasil

No artigo sobre Os eixos de desenvolvimento e a estruturação urbano-industrial do estado de São Paulo, Brasil, Adilson Aparecido Bordo, faz um breve relato da relação sobre o processo de urbanização relacionado à industrialização no Brasil, fazendo antes uma retrospectiva sobre a industrialização, conforme citação abaixo:

Desde o final do século VVIII, urbanização e industrialização foram processos complementares, associados um ao outro. As primeiras máquinas exigiam grande quantidade de trabalhadores vivendo próximos das fábricas e, para a comercialização dos produtos industrializados, eram necessários os estabelecimentos comercias, que são típicos do meio urbano. Também a infra-estrutura criada para atender aos interesses de algumas fábricas, como abertura de estradas, ruas, fornecimentos de energia, água encanada, meios de comunicação, atraiu novas indústrias para as cidades, aumentando a concentração de pessoas no espaço urbano. (BORDO, 2005, p.2)

Bordo comenta que, na medida em que crescia a industrialização, as sociedades iam também se urbanizando. A industrialização oferecia empregos urbanos à população rural que deixava os campos em busca de novas oportunidades de vida, em razão de mudanças estruturais, como a mecanização da agropecuária, que diminuiu a necessidade de mão-de-obra no campo, ao mesmo tempo em que crescia a necessidade de trabalhadores nas fábricas e nos serviços urbanos. Deste modo, Bordo conclui que:

Em muitas partes do mundo, principalmente nos países que estavam se industrializando, a população urbana passou a crescer mais que a população rural, caracterizando o processo de urbanização, faz-se necessário que a população urbana aumente em relação à população total de um país. (BORDO, 2005, p.2)

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Desta forma, Bordo relata que:
(...) a transição de um Brasil agrário para um país urbano foi uma conseqüência direta do processo de industrialização que tomou grande impulso na década de 1930, durante o governo de Getulio Vargas que, implementou o modelo de industrialização como forma de substituição das importações. (BORDO, 2005, p.2).

Prosseguindo na sua análise o autor faz uma rápida retomada das décadas de 1940 até o censo de 2003, relacionando a industrialização à urbanização, que sintetizamos abaixo: Assim, a partir dos anos de 1940, a industrialização brasileira foi beneficiada pela intervenção do Estado na economia, com a instalação de grandes empresas estatais, particularmente no ramo da indústria pesada: siderurgia, indústria química, mecânica pesada, metalurgia, mineração, geração de energia (petróleo, hidrelétricas) e outras. Eram setores que exigiam grandes capitais, cujo retorno só se daria em longo prazo e que a burguesia nacional não estava interessada em investir. A partir da década de 1940, o processo de urbanização toma impulso no Brasil, concomitantemente ao aumento das atividades industriais nas cidades, que atrai a mão-de-obra desocupada ou subocupada na zona rural. O censo o IBGE de 1940, o primeiro a dividir a população do Brasil em rural e urbana, apontava que 68,90% dos brasileiros viviam no campo naquele momento. Nos anos de 1950, a industrialização toma novo impulso no governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira, o qual abandonou a política de

intervencionismo estatal e atraiu um grande número de empresas para o Brasil, principalmente no ramo da indústria automobilística, naval, química e mecânica, por intermédio de subsídios, como doação de terrenos, isenção de impostos e empréstimos estrangeiros. (RIBEIRO, 1995, apud BORDO, 2005). O processo de industrialização dos períodos supramencionados concentrou-se na Região Sudeste, sobretudo no Estado de São Paulo. Nos anos de 1950, o processo de urbanização intensifica-se na Região Sudeste, a mais industrializada do país, atingindo as demais regiões na década de 1970, conforme análise feita pelo autor. A partir dos anos 1960, a mecanização do campo – associada a problemas estruturais como o monopólio da terra e a monocultura – expulsou u grande número de trabalhadores rurais para as ares urbanas. A população urbana

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ultrapassa a rural nos anos 1970, passando de 44,67% do total em 1960 para 55,92% dez anos depois. Em 1980, todas as regiões brasileiras já apresentavam uma população urbana superior à rural. Nos anos seguintes, o processo de urbanização diminui a sua intensidade, ao mesmo tempo em que as áreas rurais registram crescimento negativo, com a diminuição de sua população em números absolutos. O ano de 1996 marca o predomínio da população urbana em todos os Estados brasileiros, sendo o Maranhão o ultimo a fazer a transição, conforme dados mencionados no trabalho de Bordo. De acordo com o censo de 2000, 81,23% da população brasileira vivem em cidades, índice considerado alto superior ao de países como Itália (67%), França (76%) e Estados Unidos (77%). Como já assinalado, vale lembrar que os índices de urbanização muitas vezes variam em razão dos critérios adotados pelos países para diferenciar o rural do urbano. O trabalho de Adilson Aparecido Bordo trata principalmente da concentração urbano-industrial em São Paulo que, guardada as proporções tem alguma vinculação com o Estado do Paraná. No Estado de São Paulo, o processo de ocupação rural, bem como a economia agrária foram importantes para a atividade industrial, que atraiu muita mão-de-obra de outras regiões brasileiras. Em síntese, segundo Bordo, citando Maria Flora Gonçalves,

(...) o processo de urbanização originado em São Paulo pelo complexo cafeeiro adquiriu características particulares: uma rede urbana amplamente ramificada, articulada hierarquizada, tendo no seu topo o comando da capital de São Paulo (estrategicamente situada no planalto entre o interior cafeeiro e o porto de Santos) e, nas suas pontas pela extensão do seu sistema viário para além das fronteiras do Estado, a comunicação com os estados vizinhos e seus mercados, possibilitando que se estendesse a área de influência paulista para muito além das fronteiras do Estado de São Paulo. (GONÇALVES, apud BORDO, 2005, p.39).

Os capitais provenientes do café concentravam-se primeiramente na capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, mas, com o crescimento da cultura cafeeira no interior de São Paulo e a exportação do produto pelo porto de Santos, passaram a se concentrar, principalmente, na capital paulista, o núcleo gerenciador e o suporte da rede urbana recém-formada.

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Deste modo, de apenas 31.385 moradores em 1872, a capital paulista passa para 239.820 habitantes em 1900, atrás apenas da cidade do Rio de Janeiro, que contava com 691.565 habitantes, conforme assinala Santos (1993). De acordo com Mamigonian (1967), o processo industrial do Estado de São Paulo principia-se por volta das décadas de 1880-1890, tendo por base os capitais originados do aumento da produção cafeeira e a variedade de mão-de-obra de imigrantes europeus atraídos pela referida atividade econômica, os quais dispunham de um sabe-fazer industrial adquirido na Europa. A partir da década de 1930, o mercado nacional consolida-se na passagem de um Brasil agrário-exportador para um país urbano-industrial. Segundo Pintaudi e Carlos (1995), até 1955, a industrialização era restrita, devido à sua incipiente base técnica e à alta dependência da importação de bens de produção. O avanço industrial precipitou pressões e condições para a implantação da indústria pesada, majoritariamente com investimento estatal, que se realizou entre 1956 e 1960, concentrada, principalmente, no estado de São Paulo. Assim, a formação de um importante mercado interno dentro da rede urbana já existente e a intensificação dos fluxos variados entre ela e a capital do Estado são o embrião da concentração industrial no Estado de São Paulo, particularmente na capital. Em 1950, a população da cidade de São Paulo girava em torno de 2.198.000 habitantes, enquanto o Rio de Janeiro contava com 2.377.000 habitantes, de acordo com Ribeiro (1995). Em 1991, o município de São Paulo contava com cerca de 9.627.000 moradores, atingindo 10.406.166 habitantes no censo de 2000, número que aumenta para 17.878.703, levando-se em conta a população da Região Metropolitana de São Paulo, instituída por lei federal em 1973. São Paulo é a metrópole brasileira que concentrou o maior número de atividades de gestão, controle e comando do território nacional, apresentando-se como o ele de integração do Brasil ao sistema econômico global. Também funciona como um elo de integração do território nacional por centralizar a informação e possibilitar a circulação e a valorização do capital, sintetiza Bordo. Acima, fizemos um rápido retrospecto da urbanização brasileira destacando a Região Sudeste. A seguir procuraremos demonstrar a relação entre emprego, indústria e, consequentemente, urbanização.

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1.1.1 Emprego na Indústria na Década de 1970/1980

Em um denso estudo sobre “Novo operariado, novas condições de trabalho e novos modos de vida nas fronteiras do moderno capitalismo industrial brasileiro” Nadya Araújo Castro, pesquisadora do Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da Bahia relata que:

A integração recente de novos espaços regionais à moderna atividade industrial brasileira, alterando os padrões de divisão interregional do trabalho, obrigou a pensar em escala nacional o estatuto desta novidade, até aqui restrita as fronteiras do eixo Rio-São Paulo. (CASTRO, 1998.p.438)

A pesquisadora acima mencionada cita como estudos já feitos sobre o assunto, os trabalhos referentes a outros estados que passaram a seguir as pegadas deste novo proletariado fabril, surgindo agora em novos espaços regionais brasileiros, como na Bahia, Amazônia, Minas e etc. Deve ser ressaltado que os estudos iniciais relativos às varias formas de existência desta sempre nova classe operária brasileira, destacavam fortemente o peso das chamadas variáveis de “background” (sexo, idade, escolaridade, origem migratória, trajetória ocupacional e etc.), problematizando a inserção dos novos contingentes de migrantes, agora operários, no novo contingentes de migrantes, agora operários, no meio urbano em constituição, complementa a autora. Uma problemática da formação do proletariado fabril brasileiro parecia então, segundo a pesquisadora, estreitamente imbricada com a problemática dos efeitos da intensa redistribuição espacial da força de trabalho e conseqüente redefinição do ritmo e da natureza do crescimento das cidades, vale dizer do padrão de urbanização decorrente. Portanto, a partir dos anos de 1970, segundo Castro, os estudos parecem definitivamente mudar de tom. Busca-se menos no indivíduo e suas trajetórias e mais nas suas condições de vida e formas de sociabilidade os fios para o entendimento de como se constituem as teias fabris e vida extra-fabril, entre contradições produzidas no mundo do trabalho e re-elaboração coletiva das mesmas em direção À constituição de formas de consciência, atitudes e comportamentos

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coletivos que sustentaram a emergência de um novo ator político nos últimos anos da década dos anos 1970 e primeiros da década de 1980. (CASTRO, 1998) Portanto, as cidades (grifo nosso) passam a ser encaradas como uma variável interveniente fundamental ao entendimento destas novas formas de consciência e de expressão que fundamentam o surgimento não apenas de meros agregados ocupacionais, mas de novos atores sociais. A um só tempo, caldo de cultura onde se nutrem as novas relações sociais e produto – elas mesmas- das intensas mudanças por que passa o quadro das relações de trabalho, as cidades passam a ser um foco privilegiado para o entendimento de importantes processos de transformação social, fundamentais a compreensão dos novos padrões de produção da força de trabalho no Brasil. (CASTRO, 1988 p.439) Nesse cenário de consolidação de novas estruturas urbanas, verifica-se uma transformação nas relações entre cidades médias e grandes, onde as primeiras têm apresentado maiores índices de urbanização que as segundas.

1.2 – Desenvolvimento da Cidade Média

Andrade e Serra em um projeto que vem sendo desenvolvido pelo Núcleo de Estudos e Modelos Espaciais Sistêmicos, da UFRJ, sobre o crescimento econômico nas cidades médias brasileira, escreveu um trabalho sobre o desempenho produtivo das médias cidades brasileiras, utilizando características variáveis que representavam diferenças de dimensão demográfica, de grau de industrialização, de nível de renda e de sua desigualdade, de nível educacional, de oferta de infra-estrutura, de nível de dispêndio público e de mercado. Além dessas variáveis, foi feito um controle para atributos de região, de localização espacial (metropolitana e não metropolitana) e de escala urbana. (ANDRADE E SERRA, 2006) Seu estudo abrangeu 128 cidades médias, cuja população urbana possuía entre 100 mil e 500 mil habitantes em 1991. Na análise dos resultados deste trabalho, com as variáveis mencionadas, destacam-se alguns aspectos relevantes: - Para a década de 1970, observa-se que as cidades que experimentaram maior crescimento econômico forma aquelas onde era maior a

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pobreza em 1970. Tal resultado é satisfatório na medida em que provavelmente melhorou o nível de emprego nas cidades mais pobres.

- Considerando o período inteiro 1970/1990 e a década de 1970, as cidades tiveram maior crescimento do seu nível de atividade foram as que tinham menor desigualdade na distribuição da renda.

- O grau de industrialização inicial das cidades médias afetou positivamente o seu desempenho produtivo no período 1980/1990. Entretanto, se for tomado todo o período, 1970/1990, observa-se uma reversão, onde aquelas cidades com melhor desempenho produtivo neste período foram aquelas menos industrializadas.

- Cresceram mais as cidades com população superior a 100 mil habitantes. De qualquer forma as cidades que mais cresceram foram as menores, nas escalas urbanas inferior a 100 mil habitantes.

Os autores Andrade e Serra, ao relacionarem o grau de industrialização com o crescimento econômico nas cidades médias, concluíram que:

O grau de industrialização inicial das cidades médias afetou positivamente o seu desempenho produtivo no período 1980/90, ou seja, aquelas cidades com melhor desempenho produtivo neste período foram as mais industrializadas. Entretanto, se for tomado todo o período 1970/90, o grau de industrialização inicial nestas cidades não se mostra significativo, indicando que na década de 70, o maior ou menor desempenho produtivo delas pode ser associado a outras características estruturais iniciais que não a industrialização. (ANDRADE E SERRA, 2006, p.12)

Ainda, nessa mesma pesquisa, a relação entre a pobreza e o índice de desigualdade na distribuição de renda, apontaram que:

a) As cidades que mais cresceram foram aquelas nas quais havia a maior pobreza em 1970. Este resultado é importante na medida em que mostra que o crescimento destas cidades pode ter reduzido o nível de pobreza existente nas mesmas.

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b) O maior crescimento ocorreu naquelas cidades nas quais era menor a desigualdade na distribuição de renda. Este resultado também tem a sua importância porque valida a idéia de que uma melhor distribuição de renda oferece melhores condições de demanda de bens e serviços, a qual induz maior crescimento.

c) Os sinais indicam um movimento de convergência entre o nível de emprego nas cidades médias. Isto pode ser argumentado na medida em que para a década de 80 é possível observar que foi menor o aumento do emprego nas maiores cidades e nas regiões mais desenvolvidas do país: Sudeste e Sul. Entretanto, deve ser observado que este plausível processo de convergência se dá num cenário econômico majoritariamente recessivo, característico da década de 80, o que pode desqualificar os resultados deste suposto processo de convergência. (idem, p.13 e 14)

Os autores ao finalizar esta pesquisa, concluíram que, do ponto de vista metodológico o resultado obtido pelas análises de regressão efetuadas mostra que o conjunto de características mostrou-se relevante para discriminar a forma pela qual as cidades médias se diferençaram na sua performance. De um modo geral as regressões apresentaram um bom ajustamento estatístico e as variáveis utilizadas para representar as características econômicas das cidades desempenharam bem, com pequenas exceções, o papel discriminador para os desempenhos

diferenciados.

Os autores relataram que:

Ao se quebrar o período 1970/90 nos subperíodos 1970/80 e 1980/90, estimaram-se coeficientes diferentes para as regressões que utilizavam aquele conjunto inicial de características das cidades, o que evidencia mudanças na estrutura econômica ocorridas nas suas duas décadas. Este resultado é compatível com modificações nas condições iniciais que teriam ocorrido nessas cidades de uma década para outra, modificações contrárias àquelas supostas a princípio, ou seja, que as mudanças estruturais obedeceriam a um

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processo endógeno de transformação gerado pelas condições iniciais. (ANDRADE e SERRA, 2006, p.19).

Ainda os autores fizeram uma importante observação quanto à recessão e econômica e o crescimento urbano. Conforme suas palavras:

Observou-se que para o subperíodo 1970/80 os resultados da análise levam à conclusão de que as diferenças de desempenho econômico nas cidades médias funcionaram no sentido de provocar maior divergência nos níveis econômicos destas cidades. Já para o subperíodo 1980/90, a direção do desempenho produtivo diferenciado foi para a convergência desses níveis. Entretanto, como essa década foi caracterizada por uma situação recessiva ou de baixo crescimento econômico no país, é bem provável que o maior crescimento das cidades médias de menor nível econômico não tenha sido capaz nem mesmo de recuperar a perda relativa ocorrida na fase divergente da década anterior. (ANDRADE E SERRA, 2006, p.19)

Tem sido muito importante o papel das cidades médias no apoio ao processo de descentralização econômica, servindo como suporte para o estabelecimento de unidades fabris ou de serviços.

1.3 - Descentralização e desconcentração

Segundo o dicionário Aurélio, desconcentração significa tirar da concentração; que deixe de estar concentrado. Já descentralização é dar autonomia administrativa, é aplicar o descentralismo, que por sua vez significa regime político em que os órgãos administrativos têm autonomia marcante, ficando tanto quanto possível despreendidos do poder central. A maioria dos autores que trabalham com a questão do processo de desconcentração econômica, consideram o estágio de transferência das indústrias para o interior dos Estados brasileiros, das décadas de 1970/80 como um processo de desconcentração e não descentralização industrial, pois o que se transfere são apenas as unidades produtivas da metrópole para outras áreas, principalmente as mais próximas da capital e bem servidas por modernos meios de transporte. No entanto, o comando decisório e a gestão das empresas continuam concentrados na metrópole paulista, bem como as linhas de maior conteúdo tecnológico, ou que, por

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diversas razões, demandassem uma mão-de-obra de maior qualificação.

Já a

descentralização industrial demanda não apenas a transferência de unidades produtivas, como também o processo decisório e o comando das empresas, o que não vem ocorrendo de modo geral.

1.4 - Dinâmica da Descentralização Industrial no Brasil

Na análise do processo de industrialização e urbanização brasileira, a questão da descentralização industrial é fundamental, pois permite compreender as novas localizações industriais e seu reflexo no espaço urbano. A descentralização espacial da indústria brasileira é um processo bem conhecido e teve vários processos durante as últimas décadas. Até a década de 1960 existia um alto grau de concentração industrial, onde a grande maioria das indústrias se localizava na cidade de São Paulo e na sua região metropolitana. Segundo Tinoco (2001) o período entre o início da industrialização brasileira até 1970; é um período de intensa concentração das atividades industriais no Brasil, e a consolidação da Região Metropolitana de São Paulo como pólo no cenário econômico nacional. Sendo a atividade industrial, básica ao processo de desenvolvimento econômico do país, o governo implementou políticas de fortalecimento do setor, bem como de interiorização da indústria para uma reestruturação econômico-industrial e espacial. Cano (1988, p.112) cita vários fatores que contribuíram para a interiorização da indústria, entre eles a modernização da agricultura, que reorientou a localização de indústrias fornecedoras de insumos e bens de capital para esse setor. Outro fator foi a forte organização sindical industrial na grande São Paulo que levou empresas a buscarem alternativas de negociação, além dos aumentos nos custos e do desperdício de tempo. O governo do Estado de São Paulo disponibilizou um serviço de apoio ao empresariado para a escolha de onde investir no interior paulista. Também lançou políticas restritivas de localização industrial para preservação e combate à

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poluição, do meio ambiente em regiões críticas como à Grande São Paulo e Campinas.( CANO, 1988, p.120). No âmbito municipal vários municípios paulistas implementaram políticas atrativas para a instalação de indústrias, concedendo diversos benefícios aos empresários que chegaram a fazer leilões entre cidades. Entre os benefícios concedidos às empresas estão: isenção parcial ou total de tributos, concessão de terrenos a preços subsidiados, implementação gratuita de infra-estrutura e construção de distritos Industriais. Houve efetivamente um acentuado aumento da participação de outras cidades do Estado em relação à Grande São Paulo, no setor industrial entre 1970 e 1980. Quase todo o interior paulista se beneficiou com essa expansão, porém boa parte das indústrias se concentrou na região de Campinas, Baixada Santista, Vale do Paraíba, Ribeirão Preto e Sorocaba, devido principalmente às redes de transportes que favoreceram o fluxo de mercadorias para o mercado consumidor local, regional e nacional. Mesmo com a política de industrialização do interior, a Grande São Paulo ainda contava com uma forte concentração industrial na década de 1980, conforme Araújo Júnior :

Apesar dos esforços para reduzir o alto grau de concentração industrial nos anos 60 e 70, ainda na década de 80, a indústria paulista, estava grandemente concentrada na cidade de São Paulo e sua Região Metropolitana. Nesse sentido, devido a diversos fatores de ordem infra-estrutural desta região (teremos com valor elevado, forte atuação sindical, problemas viários etc.) houve uma intensidade dos movimentos de descentralização e descentralização industrial em direção ao interior e outros estados. (ARAUJO JÚNIOR, 2003, p.140).

Foi na década de 1980 que a industrialização brasileira teve uma grande transformação, devido principalmente ao processo de globalização da economia, iniciado no final da década de 1980 e início dos anos de 1990 que causou impacto na indústria e na economia brasileira em todo seu conjunto. No início da década de 1980 surgem nas economias centrais, os processos de globalização e reestruturação econômica. O Brasil passava por uma crise, com desajuste estrutural da economia provocada por diversos fatores.

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Isso provocou retração no mercado interno e redução de investimentos por um longo período; onde a década de 1980 ficou conhecida tristemente como “década perdida”. Araújo Jr. (2003, Pg. 53) coloca que para controlar as contas públicas o governo reduziu e extinguiu os incentivos fiscais e financeiros, afetando o setor industrial que é um elemento fundamental ao crescimento econômico do país. Nos anos de 1990, na tentativa de combate à inflação houve a implementação de uma política de importações que liberou de forma abrupta e não escalonada a entrada de mercadorias importadas, houve uma queda significativa na alíquota do imposto de importação, que em 1984 era de 78%, foi diminuído e chegou a 12,6% em 1995, isso gerou um agravamento da crise econômica prejudicando as empresas e o interesse nacional. (Araújo Jr. 2003 p. 54). Com a abertura comercial, a indústria nacional teve que se readaptar a situação vigente, buscando mudar suas estratégias em toda a cadeia produtiva para competir com o mercado internacional. As novas estratégias empresariais objetivaram um processo de reestruturação organizacional e industrial, sendo a indústria paulista o palco principal desse processo devido a sua elevada participação no conjunto da indústria nacional. (Araújo Jr. 2003, p.140). Luedemann (1998) coloca que determinados componentes são produzidos por terceiros segundo as especificações da matriz. As empresas prestadoras de serviços de terceirização, em geral cuidam da parte de limpeza, segurança, refeitório, carpintaria, transporte, entre outros.
Assim também se estabelece o “enxugamento” da empresa eliminando cargos e funções e, sobretudo diminuindo custos tanto do montante da mão-de-obra que foi dispensada, como dos encargos com pessoal (LUEDEMANN, 1998, p.64.).

Esse é um aspecto das novas formas de organização do trabalho e da produção na indústria brasileira, que passa por um processo de transformação. Isso equivale dizer que a indústria brasileira como um todo se transformou totalmente a partir dessa abertura comercial, e, no tocante à localização industrial, as empresas buscaram e ainda hoje buscam, locais onde exista um rol de serviços de apoio, e muitas vezes até levam outras empresas ao local escolhido para sua instalação.

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O processo de abertura comercial provocou todo um ajuste, onde as indústrias buscaram se fortalecer através de várias medidas, inclusive se transferindo de uma localidade para outra como forma de baixar os custos de produção e poder concorrer com os produtos internacionais. Portanto várias empresas procuraram alternativas distintas para sua reestruturação. Este é um processo que vem acontecendo com a industrialização brasileira recentemente, empresas instaladas em grandes cidades buscam alternativas em outras localidades para fugir dos problemas, além de ganhar incentivos, tudo objetivando a maximização do lucro. Esse é o processo de descentralização industrial, que acontece principalmente com as empresas localizadas na Região Metropolitana de São Paulo. Cabe aqui um aspecto relevante para um investimento industrial, refere-se à definição do local em que será feito tal investimento. Na maioria dos casos é feito uma análise de diversos fatores de localização industrial, buscando o local mais vantajoso para contemplar os objetivos que norteiam a implantação de uma indústria. KON (1994, P.158) diz: “A empresa industrial privada com fins lucrativos determinará sua localização industrial com vista à máxima rentabilidade do capital a ser investido”. Para isso a empresa terá que avaliar razões de ordem econômica, como: acesso a insumos e a mercados, custos de transportes e de mão-de-obra, entre outros; além de fatores técnicos, como: condições climáticas, facilidade de acesso e comunicações da região com as demais, serviços públicos disponíveis e etc. KON (1994) destaca vários fatores de localização industrial como: custo e eficiência dos transportes, área do mercado consumidor, disponibilidade e custos da mão-de-obra, custos da terra, disponibilidade de energia, suprimento de matérias-primas, disponibilidade água, eliminação de resíduos, dispositivos fiscais e financeiros, economias de aglomeração e existência de instalações. Estes são alguns fatores, embora não esgotem a possibilidade de novos, são recursos materiais e humanos e sua inter-relação com os sistemas político e econômico.

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A determinação da localização de uma indústria requer uma análise custo/benefício onde são colocadas vantagens e desvantagens locacionais, que servirão como apoio à tomada de decisão, o qual faz diminuir as incertezas. Portanto pode-se afirmar que a localização de uma indústria é uma das primeiras decisões no estabelecimento de uma empresa, sendo ainda mais importante pelo fato de ser extremamente difícil voltar atrás se a escolha vier a ser insatisfatória. Considera-se que a melhor localização é aquela que facilita seu crescimento e obtenção de maior lucro. Cabe aqui um aspecto relevante: alguns autores têm essa visão em relação ao que vem acontecendo com o principal pólo industrial brasileiro, Grande São Paulo, a descentralização industrial, porém existem outros que defendem que no início do século XXI esse processo já não acontece com dinamicidade e afirmam haver uma reconcentração industrial na Região Metropolitana de São Paulo, e que ela até então “parou de crescer e deu espaço para o desenvolvimento da periferia”. Tinoco (2001) confirma essa posição em relação à realidade econômica sobre a RMSP.

Na realidade, a RMSP não perdeu o grosso de suas empresas. Realmente, algumas saíram, mas outras entraram. O saldo líquido é que, na “duplicação do país”, realizada essencialmente na periferia (quase tudo que não seja RMSP), ela manteve sua produção industrial. Se esse fenômeno pode ser visto de um ponto de vista mais geral, corretamente, como uma descentralização relativa da indústria nacional, do ponto de vista da RMSP deve ser visto, no máximo, como uma estagnação. (TINOCO, 2001, P.56).

Como conseqüência da acentuada alavancagem urbana ditada pela localização industrial, em 1970, as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, as quais geravam 65% do Valor da Transformação Industrial do país, puderam concentrar apenas em suas sedes, mais de 28% da população urbana brasileira. Embora a descentralização do crescimento urbano seja fenômeno inquestionável, a elevação da participação populacional das cidades médias no conjunto do país deve-se, em grande parte, ao crescimento dos centros intermediários pertencentes às regiões metropolitanas. Assim, o anúncio de um ritmo mais elevado de crescimento do conjunto de cidades médias, muitas vezes por

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incluir as cidades metropolitanas, não deve ser diretamente associado ao processo de descentralização populacional. A elevação dos preços fundiários resultantes do aumento da densidade populacional das sedes metropolitanas, como é sabido, pode provocar tanto a expulsão das moradias para além da franja urbana, como intensificar soluções precárias de habitação mais próximas às áreas centrais. Neste sentido, a mobilidade intra-urbana em direção às cidades médias metropolitanas, pode ser interpretada não apenas como reflexo da própria concentração, mas como uma de suas conseqüências mais significativas. Além disso, vale lembrar, as cidades médias metropolitanas cumpriram o papel de porta de entrada dos grandes fluxos migratórios rural-urbano desde a década de 1950. Alternadamente, os muitos imigrantes que procuram diretamente o núcleo metropolitano, incapazes de arcar com as elevadas rendas fundiárias, fazem outro deslocamento pouco tempo depois, vindo a se fixar em município periférico, mesmo que mantendo relações de trabalho com o núcleo. O fenômeno da descentralização concentrada reflete ao mesmo tempo o poder e os limites da descentralização populacional impulsionada pelas mudanças no padrão locacional das indústrias, a partir da década de 1970. Iniciado pelo espraiamento territorial das indústrias tradicionais, a descentralização industrial da década de 1970 assemelha-se a um movimento de suburbanização da indústria da RMSP: uma combinação temporal entre a amplificação das deseconomias de aglomeração desta metrópole e o surgimento de economias de aglomeração interna das novas áreas de atração. João Saboia, Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicou um testo para discussão sobre A Dinâmica da Descentralização Industrial no Brasil, onde discuti de forma bem extensa como se procedeu a descentralização industrial no Brasil, cujo conteúdo tem sido amplamente divulgado e aceito como uma idéia a ser considerada como importante nas discussões sobre a descentralização da indústria brasileira, cujo conteúdo julgamos importante para trazer como discussão neste trabalho. (SABOIA, 2001) De acordo com esse trabalho, nos últimos anos, a indústria brasileira passou por grandes transformações, que resultaram em forte queda do emprego. Preocupadas com o aumento da competição resultante da abertura da economia, as empresas industriais procuraram se modernizar, tanto pelo lado

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organizacional quanto tecnológico. Por outro lado, a guerra fiscal entre os diferentes estados, juntamente com as diferenças salariais existentes no país, provocou um fluxo de investimentos em direção às mais distintas regiões do país, que resultaram em importantes mudanças espaciais da indústria. O Professor Sabóia apresenta o perfil brasileiro, identificando alguns comportamentos estaduais e regionais. Assim, O emprego industrial caiu 27,1% entre 1989 e 1998. A maior redução ocorreu na região mais desenvolvida do país, o Sudeste, atingindo 35,3%. Apenas a região Centro-Oeste foi poupada da queda do emprego industrial. Em 1989, havia apenas 118 mil empregos na região CentroOeste, aumentando para 179 mil em 1998. Cabe mencionar, todavia, que tal crescimento ocorreu a partir do menor contingente de mão-de-obra industrial existente nas várias regiões do país. Neste último ano, esta região já havia ultrapassado com folga o nível de emprego industrial da região Norte. Na região Sul, a redução do emprego foi bem menos intensa que no Sudeste, não passando de 12%. Também a região Nordeste enfrentou queda do emprego na década de noventa, chegando a quase 20%. Esses índices poderão ser vistos na tabela da RAIS (Relação Anual de Indicadores Sociais):

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Nesse estudo foram apresentados dados sobre as Capitais e o interior do Brasil. Conforme esta pesquisa,

Um dos resultados mais notáveis verificado no emprego industrial ao longo da década de noventa foi a redução da importância das capitais e o crescimento do interior dos estados, indicando um processo de relocalização industrial no país. Apesar disso, as capitais ainda continuam absorvendo parcela considerável da força de trabalho industrial. A participação majoritária das capitais no emprego, em 1989, transformou-se em minoritária, em 1998. Enquanto no início da década, o emprego industrial nas capitais representava 52,8%, no final, havia baixado para 44,1%. Este movimento é verificado em todas as regiões do país. Visto sob outra forma, verificou-se redução de 39,2% no emprego nas capitais, enquanto no interior, a queda não passou de 13,5%. (SABOIA, 2001, p. 13).

Esses resultados poderão ser vistos na tabela abaixo:

Tabela 2

O autor coloca que resultado semelhante é observado quando analisada a distribuição dos estabelecimentos industriais. Em 1989, 47,3% dos estabelecimentos localizavam-se nas capitais. Em 1998, entretanto, sua participação havia sido reduzida para 40,4%. Embora a melhora da cobertura da RAIS no interior do país possa estar distorcendo um pouco os resultados, não há como contestar a maior participação do interior vis-à-vis às capitais. Em São Paulo, por exemplo, houve crescimento da participação do interior de 42,0% para 48,8% dos estabelecimentos. No Rio de Janeiro, de 24,1% para 31,4%. Em Minas Gerais, de 70,8% para 74,5%. No Rio Grande do Sul, de

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64,3% para 67,7%. Em outras palavras, mesmo em estados onde a cobertura da RAIS já podia ser considerada excelente no início da década, há nítido crescimento da participação dos estabelecimentos do interior.

1.4.1 - A Descentralização e as Mudanças Sócio-econômicas Regionais

O processo de descentralização industrial no Brasil possui algumas dinâmicas que influem na configuração espacial dos Estados, como também altera a dinâmica do trabalho e conseqüentemente todo o processo sócio-econômico das regiões. A pesquisa anterior de João Sabóia demonstrou que embora permanecendo a maior geradora de emprego industrial do país, a região Sudeste sofreu redução em sua participação relativa no emprego em 11 dos 13 segmentos industriais analisados, sendo superior a cinco pontos percentuais em sete casos. A principal beneficiária foi a região Sul, elevando sua participação em dez setores. Em nove segmentos, onde houve redução da participação da região Sudeste no emprego industrial, cresceu a participação da região Sul. Entre eles, encontram-se os mais modernos e com maiores índices de desenvolvimento, como material de transporte, mecânica e material elétrico e de comunicação. É como se as duas regiões mais desenvolvidas do país estivessem num processo de troca, com deslocamento do emprego do Sudeste para o Sul. Este resultado corrobora a excelente performance do emprego industrial verificada no Paraná. A tabela que segue (número 3) referente à Evolução da Participação Regional no Emprego Setorial da Indústria de Transformação e Extrativa Mineral, dados de 1989 /1998 expressa o crescimento da Região Sul, principalmente do Paraná.

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TABELA 3

A tabela acima demonstra que, conforme relatou Saboia,

Em cinco segmentos industriais, houve forte transferência do emprego entre as duas regiões, com redução superior a cinco pontos percentuais na região Sudeste e crescimento semelhante na região Sul. Além dos três de alto e médio-alto desenvolvimentos acima mencionados, podem ser adicionados à indústria têxtil, vestuário e artefatos de tecidos e a indústria de borracha, fumo, couros peles e diversos. Portanto, houve também a transferência de segmentos menos desenvolvidos da região Sudeste para a região Sul, como no caso da indústria têxtil, vestuário e artefatos de tecidos, classificada no grupo de médio-baixo desenvolvimento. (SABOIA, 2001, p. 31 e 32).

Conforme ainda a tabela, o autor analisa que o fato da região Sul ser a segunda mais desenvolvida do país, possuindo salários inferiores aos da região Sudeste, participando intensamente da guerra fiscal, além de sua proximidade dos países do Mercosul, fizeram desta região o destino de inúmeras empresas industriais que para lá se dirigiram, especialmente para o Paraná. Diferentemente

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das demais regiões, entretanto, a região Sul atraiu empresas de setores com os mais distintos níveis de desenvolvimento, inclusive os mais modernos da indústria. Na conclusão deste artigo o autor relata que ao mesmo tempo em que diminuía o emprego na maioria das capitais, podia ser observado crescimento no interior de diversos estados. As mudanças espaciais da indústria ao longo da última década resultaram no surgimento de inúmeras aglomerações industriais no interior do país, além do fortalecimento de algumas regiões ainda pouco industrializadas no passado recente e da reafirmação de alguns pólos industriais de pequeno e médio porte. O fato acima pode ser atribuído ao fato de que as indústrias recebem inúmeros incentivos fiscais além de encontrarem mão-de-obra abundante e barata, o que possibilita acréscimo de lucros. A dinâmica do processo de descentralização industrial ocorrido ao longo da década de noventa pode ser resumida da seguinte forma estilizada, complementa o autor. Por outro lado,

(...) na medida em que a indústria se modernizava, havia pouco crescimento econômico no país, acarretando forte redução do emprego, especialmente na região Sudeste, onde a indústria é mais desenvolvida. Os diferenciais salariais, a guerra fiscal, a implantação do Mercosul e o próprio nível de desenvolvimento local serviram de atrativo para que o emprego se deslocasse para a região Sul, em especial para o Paraná, não apenas em setores industriais modernos, mas também nos tradicionais. . (SABOIA, 2001, p.37)

Esse deslocamento do emprego beneficiou também outras regiões, pois segundo Saboia, o deslocamento do emprego beneficiou ainda a região Nordeste em setores tradicionais, com ênfase para o estado do Ceará, onde a guerra fiscal foi muito acirrada, resultando na instalação e deslocamento de empresas em busca de menores salários e maiores benefícios fiscais. Finalmente, também a região Centro-Oeste recebeu parcela do emprego, em segmentos tradicionais e de baixo nível de desenvolvimento que se implantaram após o deslocamento da fronteira agrícola, beneficiados pelo aumento da oferta de matérias-primas e pelos baixos salários. No capitulo seguinte apresentaremos os reflexos do

desenvolvimento regional da economia brasileira e o seu rebatimento no Paraná.

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2 - ECONOMIA REGIONAL BRASILEIRA E SEUS REFLEXOS NO PARANÁ

O Estado do Paraná passou muitas transformações regionais, em função do seu processo de crescimento econômico, cuja síntese abordará abaixo, antes de comentarmos sobre a sua industrialização. Em um dos trabalhos de Ferreira, da década de 80, relatava que:

A natureza da formação paranaense, calcada em diferenciações regionais, tanto físico-naturais como demográficas, tem marcas particulares e distintas que evoluíram nas três ultimas décadas, apresentando especificidades espaciais bem conformadas dentro do Estado como um todo.Uma das unidades regionais características era o Norte do Paraná, correspondendo a uma área sócio-econômica muito mais integrada a São Paulo do que ao próprio Estado do Paraná. Outra grande unidade dentro do Estado era a aglomeração em torno da região de Curitiba. O processo de crescimento da integração do Estado, sobretudo no aspecto econômico, verificou-se somente a partir da década de 70, quando os meios de comunicação se tornaram mais efetivos, ao lado da expansão de sua infraestrutura econômica e social. (FERREIRA, 1985/6, p. 113)

Há muitos estudos realizados sobre a economia regional brasileira, segundo diferentes óticas, tanto de economistas, como de administradores de empresas, geógrafos ou historiadores como João Sabóia, Wilson Cano, Claudia A. Galvão, Rosa Moura, Valdyr Gregori, etc. Um desses estudos destaca a emergência de um novo modelo de desenvolvimento na economia paranaense, cujo conteúdo apresentaremos abaixo (MACEDO et alii, 2002) Nesse estudo, as fases do desenvolvimento regional são referidas a partir dos anos 1970, principalmente pelo processo de descentralização espacial, como será exposto a seguir:

A fase da articulação produtiva percorre os anos 70, alcança os 80 e é acompanhada de um processo de descentralização espacial das atividades econômicas em relação ao centro São Paulo/Sudeste. Segundo Diniz, esse processo resultou de vários fatores:

deseconomias de aglomeração na área metropolitana de São Paulo e criação de economias de aglomeração em vários outros centros

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urbanos e regiões; ação do Estado em termos de investimento direto, incentivos fiscais e construção da infra-estrutura; busca de recursos naturais, traduzida pelo movimento das fronteiras agrícola e mineral, com reflexos na localização de um conjunto de atividades industriais; unificação do mercado, potenciada pelo desenvolvimento da infraestrutura de transportes e comunicações, com efeitos sobre a competição interindustrial e a localização. (DINIZ, 1995, p.7, apud MACEDO et alii, 2002, p. 6).

Os autores acima Macedo, Vieira e Meiners, apoiando-se em Diniz, Galvão e Vasconcelos, reportam sobre a fase do desenvolvimento regional difuso – “nem concentração, nem descentralização” apresentando delineamentos mais claros a partir do final dos anos 80. As teses mais importantes sobre essa nova fase são as análises do Diniz (1995), segundos os autores, porque defende a existência de um processo de reconcentração espacial das atividades econômicas no Brasil, denominado “concentração poligonal”, e um outro autor, Pacheco (1999), que identifica um processo de fragmentação de núcleos dinâmicos dessas atividades, espalhados no espaço do território nacional, denominados “ilhas de produtividade”. Por outro lado, ainda segundo Macedo, Vieira e Meiners:

A tese da concentração poligonal parte da constatação de que os requisitos locacionais das atividades econômicas estão sofrendo forte mudança no contexto do processo de reestruturação produtiva. Alguns deles vêm assumindo crescente importância para o desenvolvimento industrial e para o crescimento diferenciado das regiões, tais como: base educacional e cultural; existência de centros de ensino e pesquisa; concentração de recursos de pesquisa; presença de parques tecnológicos; mercado de trabalho profissional e qualificado; relações industriais articuladas geograficamente (redes de empresas, clusters, arranjos produtivos, etc.); existência de serviços especializados; facilidades de acesso; e ambiente favorável de negócios. (MACEDO et alii, 2002, p7)

Existe ainda a tese das “ilhas de produtividade”, que parte da constatação de que o intenso fluxo de investimentos verificado no Brasil, principalmente a partir de meados da década de 90, está indicando a emergência de significativas transformações no padrão de localização regional das atividades econômicas. Citando Pacheco, os autores Macedo, Vieira e Meiners referem à:

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Atenção especial (...) dada ao que parece ser uma certa descentralização relativa dos investimentos no setor de bens duráveis, especialmente na automobilística, bem como em alguns gêneros de bens salários, com destaque para segmentos em que o dispêndio com mão-de-obra ainda se mostra relevante no custo de produção, tais como calçados, têxtil e vestuário. Motivados por essa aparente descentralização, vários estados e municípios têm-se lançado em programas arrojados de atração de investimentos, utilizando-se de ampla gama de incentivos e de algumas iniciativas localizadas voltadas à geração de externalidades favoráveis a esses novos investimentos. (...) é inegável que a maior agressividade das unidades da Federação menos industrializadas reforça ainda mais essa trajetória de descentralização. (PACHECO, 1999, p.5)

Ao contrário dessas tendências Pacheco identifica um processo de concentração regional dos investimentos em setores com grande potencial de crescimento, como telecomunicações e informática. Pacheco cita ainda:

A importância crescente que algumas externalidades novas assumem na determinação da competitividade industrial, a exemplo da proximidade com fornecedores ou da existência de serviços especializados de apoio à atividade produtiva, o que, evidentemente, favorece as áreas mais intensamente industrializadas. (PACHECO, 1999, p.6, apud Macedo, 2002).

Referindo-se a Galvão e Vasconcelos (1999), Macedo et alii observam o alerta que as teses relativas à concentração poligonal e às ilhas de produtividade não são integralmente antitéticas, embora apresentem divergências relevantes sobre as tendências da nova configuração espacial da economia brasileira. Segundo esses autores, as duas teses analisam a dinâmica espacial da economia brasileira com uma “visão mais próxima da escala microrregional ou local” e rompem com as visões mais tradicionais que focalizam a escala macrorregional do desenvolvimento brasileiro. Há um trabalho bastante significativo de Rosa Moura, intitulado Paraná: meio século de urbanização, que traz referências importantes sobre o crescimento da população paranaense, a modernização técnica da produção e sua relação com a industrialização. (MOURA, 2004)

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Analisando o trabalho da geógrafa Rosa Moura, vimos que a vimos que a autora fez uma abordagem dos principais aspectos da urbanização paranaense. No Paraná, a população cresceu fortemente, cujo ápice foram os anos de 1960.

Esses anos constituíram o marco da reestruturação econômica no Estado, com mudanças gerando o esvaziamento de amplas áreas rurais e direcionando o destino migratório para diversos centros urbanos. A base produtiva passou a apresentar progressiva diversificação na agropecuária, com modernização técnica da produção e grande expansão de culturas, o que permitiu a entrada na comercialização de commodities e na agroindustrialização. No setor industrial, surgiram ramos modernos na linha metalmecânica. (IPARDES, 2000; IPARDES, 2003 apud Moura, 2004,p.34).

Prosseguindo na sua análise, Moura relata que as atividades do setor primário que, em 1970, respondiam por mais de 40% da renda gerada no Estado, progressivamente passaram a ser superadas pelas do setor secundário, que consolidaram sua participação, atingindo, no ano 2000, metade dessa renda. Nesse ano, o setor primário respondeu por apenas 13,7% do valor adicionado fiscal paranaense. Porém, manteve um papel relevante, dada a dinâmica multiplicadora em toda a cadeia produtiva. Com relação à industrialização a autora relata o seguinte:

Os segmentos modernos da metal- mecânica concentraram-se na Região Metropolitana de Curitiba. O padrão que se delineou após os anos 90, com a incorporação de montadoras estrangeiras, supridores diretos e expansão dos segmentos já instalados, reforçou essa concentração. Já no princípio dos anos 80, essa região estava bem à frente das demais, contribuindo com mais de 1/3 do valor adicionado fiscal total do Paraná. Continuou, numa trajetória crescente, ampliando essa diferença e passando a responder, em 2000, por mais de 45% da renda estadual. Poucas mesorregiões conseguiram obter ou manter pequenos ganhos em sua participação, e as maiores perdas ocorreram no Norte Central e Noroeste, que nos anos 70 lideraram a economia paranaense. (MOURA, 2004, p.25)

Com relação ao grau de urbanização, Moura, explica que em 2000, quase 10% dos municípios já apresentavam grau de urbanização superior a 90%. Se for considerado o grau de urbanização do Paraná, em 2000 (81,4%), 83 municípios superam sua média. Estes correspondem predominantemente aos de

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maior porte e a alguns de tamanho intermediário, mas avizinhados dos grandes centros, ou localizados na faixa litorânea, formando extensões urbanas contínuas. Todo esse rápido processo de urbanização sobrecarregou as estruturas urbanas existentes, conforme Moura e, num curto espaço de tempo, as administrações municipais tiveram que se adaptar para responder a demandas ampliadas e modificadas. Em alguns casos, essa adaptação exigiu esforços extremados, como na Região Metropolitana de Curitiba, onde Curitiba esteve próximo de triplicar sua população entre 1970 e 2000, passando a responder por demandas de quase 1 milhão de novos moradores. (MOURA, 2004,p.26) Seus municípios periféricos prossegue a autora, também se obrigaram a situações de difícil controle, presenciando um crescimento de demanda de um conjunto de moradores superior a 870 mil habitantes. Entre eles, a situação mais dramática foi imposta a Colombo, que em três décadas teve o crescimento de uma base populacional de menos de 20 mil habitantes para mais de 180 mil no ano 2000. Por outro lado,

No Interior do Estado, as mudanças não foram menos expressivas: Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Guarapuava, dentre outros, tiveram significativos acréscimos populacionais; porém Foz do Iguaçu apresentou os incrementos mais surpreendentes, saltando de pouco mais de 30 mil habitantes para quase 260 mil em 2000. (MOURA, 2004, p.28)

Todo esse intenso crescimento demográfico resultando em uma urbanização rápida, sem a possibilidade de um acompanhamento institucional locais e estaduais, trouxe uma série de problemas urbanos, pois considere-se, segundo essa pesquisa, o processo de urbanização paranaense distribuiu 7,7 milhões de habitantes nas áreas urbanas do Estado, com um remanescente de população rural da ordem de 18,6% do total da população em 2000. Se relativamente essa proporção parece pequena, o número absoluto de 1,7 milhão de paranaenses vivendo no meio rural é significativo, evidenciando que as atividades do setor primário ainda exercem um papel absorvedor. E apoiando-se em Santos, Moura assim se expressa:

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Como reflexo da modernização nas estruturas urbanas, estaríamos, assim, “deixando a fase da mera urbanização da sociedade, para entrar em outra, na qual defrontamos a urbanização do território” (SANTOS, 1993, p. 125). Nessa fase, a cidade torna-se “o locus da regulação do que se faz no campo” (p. 52). Um verdadeiro “teatro de conflitos crescentes como o lugar geográfico e político da possibilidade de soluções” (p. 11, apud MOURA, 2004, p.43)

A importância do urbano transcende, assim, o fato de ser o solo de mais de 80% da população brasileira e da paranaense. Nesse mesmo solo, desencadeiam-se os enfrentamentos entre uma miríade de segmentos sociais, entre distintas intencionalidades econômicas e entre posturas políticas divergentes. No resultado de seus embates e nas articulações decorrentes é que o espaço urbano vai sendo produzido e, ao mesmo tempo, participando da produção do espaço como um todo.

2.1- Etapas do Desenvolvimento Regional da Economia Paranaense

Neste item apresentamos uma síntese das etapas da economia regional paranaense como um suporte para compreender as várias fases desse desenvolvimento regional. Segue um quadro referente a essas fases:

Fonte: Macedo, Vieira e Meiners, no artigo Fases de Desenvolvimento Regional no Brasil e no Paraná: da emergência de um novo modelo de desenvolvimento na economia paranaense (2002) In: R. Paran. Desenv., Curitiba, n. 103, p. 5-22, jul/dez 2002

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Esse valioso quadro demonstra que a economia paranaense é também um reflexo do desenvolvimento da economia brasileira. A evolução da população paranaense foi bastante lenta até o início do século XX, cujo processo de crescimento se deu somente a partir da incorporação do Norte do Paraná na área de expansão da economia cafeeira paulista. Um dos estudiosos do Paraná, Padis (1981), referindo-se ao crescimento da população paranaense, fez o seguinte relato:

(...) quando do terceiro censo nacional, o Brasil apresentava uma população total de 17.438.434 habitantes, enquanto que o Paraná contava com 327.136, o que corresponde a quase 1,9 por cento do total. Destarte, a população paranaense tornava a crescer em ritmo mais acelerado que o do conjunto do País. Com efeito, nessa década, enquanto a população brasileira sofria um acréscimo global de pouco menos de 22 por cento, a paranaense aumentava em mais de 31 por cento. (PADIS, 1981, p.31).

No ano de 1920, a população brasileira atingia aproximadamente 30 milhões de habitantes, enquanto a população paranaense não atingia ainda 700 mil habitantes. Há um artigo sobre os Movimentos demográficos e a questão agrária no Paraná, de Nakagawara (1979), que relata o seguinte:

Os processos de organização do espaço paranaense caracterizamse por uma série de eventos distintos até o século XX, com repercussões sobretudo nas regiões sul e leste do Estado; porém, esses eventos não foram suficientes para povoar o Paraná ou integrá-lo no sistema sócio-econômico regional. (NAKAGAWARA, 1979, p. 1)

Nesse estudo há uma ênfase à cultura cafeeira que, segundo a autora:
(...) foi sem dúvida, o agente mais expressivo na formação e evolução sócio-econômica do Estado. Entretanto, as duas ultimas décadas tem-se caracterizado por imensas transformações estruturais, com influência dos aspectos conjunturais, trazendo repercussões locais e regionais, refletindo na vida do homem paranaense. (NAKAGAWARA, 1979, p. 1)

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PADIS, estudando o processo de desenvolvimento da economia paranaense apresenta algumas questões básicas, conforme sistematização feita abaixo: a) a identificação dos estrangulamentos dinâmicos de uma economia periférica (problemas de infra-estrutura, incipiência das relações interindustriais, etc.); b) a necessidade de avanço do processo de industrialização do Paraná, de forma a “modernizar” a sua estrutura econômica e social, bem como a natureza de seus processos políticos; c) os limites e as possibilidades do Estado Local em implementar “políticas de desenvolvimento” que viessem a quebrar o “sistema centro-periferia”. Como cepalino, Padis não acreditava nas possibilidades das forças de mercado de, por si sós, criarem as condições necessárias para homogeneizar a difusão espacial da indústria e, dessa forma, romper com o “sistema centro-periferia”. Também não acreditava que esse rompimento pudesse ocorrer em nível regional e, portanto, clamava como a Cepal, por uma política de desenvolvimento nacional, conforme relatou Macedo et alii (p. 10) O estudo dos pesquisadores do Instituto Paranaense de

Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES, Rosa Moura e Clóvis Ultramari, trata dos efeitos da dinâmica demográfica na formatação da ocupação do espaço e na emergência da partilha das unidades territoriais. Nas ultimas décadas, segundo os autores,

O Estado do Paraná experimentou um sensível esvaziamento populacional. Entre 1370 e 1980, sua taxa geométrica de crescimento da população total foi de 0,97% a.a. e entre 1980 e 1991 de 0,89% a.a. Se na primeira década o crescimento era relativamente pequeno, na segunda corresponde à menor taxa dentre os demais estados brasileiros. (MOURA e ULTRAMARI, 1992, p.287)

Houve queda no ritmo de crescimento populacional, pois o êxodo rural, intenso na década de 1970, não deixou de contribuir, nos anos 1980, para a consolidação da concentração populacional na área metropolitana de Curitiba e em outras aglomerações e centros urbanos de médio porte, e para o esvaziamento de um grande numero de municípios.

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Esse processo, embora detenha peculiaridades locais, reflete o padrão acelerado e concentrador da urbanização brasileira, caracterizado, sobretudo pela metropolização e pela segregação de vários segmentos da sociedade quanto à apropriação do espaço e à diversidade de serviços e atividades permitidos pela cidade. De acordo com Moura e Ultramari no Paraná, a participação da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) na população total do Estado cresce de 11,85 em 1970 para 18,88 % em 1980 e 23,48% em 1991.

2.2- Descentralização Industrial no Estado do Paraná

O Paraná, durante o período de concentração industrial, manteve-se como uma economia periférica, tendo como base econômica a atividade agropecuária. A atividade industrial passa a fazer parte importante da economia paranaense, a partir do início do processo de descentralização. Este processo teve seu impacto no Paraná, principalmente na Região Metropolitana de Curitiba. Devido a sua proximidade da indústria paulista, Curitiba tornou-se competidor direto pelos investimentos dirigidos ao interior de São Paulo. Um fato que é importante e notório para este trabalho é que grande parte das indústrias instaladas recentemente foram implantadas por transferência, fusão ou compra; e são provenientes do estado de São Paulo, principalmente da capital paulista. Dentro dessa nova conjuntura o Paraná foi grandemente

beneficiado, onde várias indústrias se instalaram no Estado, com destaque para a Região Metropolitana de Curitiba e o Norte Paranaense, devido à proximidade com o Estado de São Paulo, conforme demonstraram as pesquisas feitas pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES). Nesse processo, a indústria paranaense apresentou moderado crescimento da produção entre 1990 e 1998, mostrando sinais de intensa reestruturação e considerável elevação da competitividade de seu parque industrial, pois houve um aumento maior que outros estados brasileiros, baseado nas informações do IPARDES que fez um estudo sobre o crescimento industrial no

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Paraná entre 1985 e 2000, analisando vários fatores e índices referentes à recente industrialização brasileira. (IPARDES, 2002) No tocante a empresas que se instalaram no Paraná e que estão também em outras localidades, ou se transferiram, o IPARDES, coloca a Synteko fabricante de resinas termofixas em Araucária, que vem aumentando a sua produção; a Tetrapark garrafas que se instalou no interior da unidade de laticínios da Batávia em Carambeí; a Lacta que deve transferir em curto prazo toda a produção de sucos e chocolates de São Paulo para Curitiba. (Ipardes, 2002, p.25 e 26) As indústrias paranaenses como um todo se reestruturou para competir com o mercado nacional e internacional. O Paraná, historicamente, teve como base competitiva da indústria, a riqueza dos recursos naturais de seu território e um desenvolvimento de um expressivo setor agropecuário. Ao longo do tempo se especializou em três

complexos industriais: alimentos, madeira e química. Um aspecto importante é a concentração espacial da indústria paranaense na Região Metropolitana de Curitiba, que detém grande porcentagem da indústria do Paraná, respondendo por mais da metade da renda industrial, além disso, a Região Metropolitana de Curitiba é altamente diversificada. Ao longo da década de 1990, na região Sul - Curitiba houve um aumento na participação das indústrias eletrônicas, mecânica e de material de transportes. A metal mecânica respondeu por mais de 50% do valor adicionado da indústria na região em 2000. (Ipardes, 2003, P.40 e 41) O IPARDES (2003) fez um estudo para mapear as principais aglomerações industriais no Paraná, dividindo o estado em 16 regiões, utilizando uma metodologia própria. Dentre essas regiões já citamos a Sul Curitiba e trabalharemos mais profundamente de Londrina-Cambé. A região de Londrina-Cambé é constituída por 20 municípios pertencentes às bacias hidrográficas dos rios Tibagi e Paranapanema; apresenta um parque industrial bastante diversificado e integrado com 2.208 unidades industriais e crescimento na participação na indústria do Estado, no período de 1995-2000. (Ipardes, 2003, p.50 e 51)

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A região tradicionalmente especializada em segmentos da agroindústria e da indústria tradicional, na década de 90 apresentou um novo desenho nos segmentos especializados, ganhando destaques fertilizantes e defensivos; artefatos de plásticos; e equipamentos para instalação industrial e predial; e autopeças. (IPARDES, 2003, p.51).

Cabe destaque para a indústria de artefatos plásticos com 69 indústrias, que se consolidou na região ao longo da década; outro segmento que cresce na região é o de equipamentos para instalação industrial, comercial e predial, ligado aos segmentos metalúrgico e elétrico. Estes segmentos citados são de maior foco para o presente trabalho, porém a região Londrina-Cambé também vem se consolidando nos ramos moveleiro e vestuário. Existe também o setor farmacêutico que chegou à região através da Hexal Medicamentos em Cambé. Para mostrar essa nova face da recente industrialização norte paranaense, citamos algumas empresas que estão atuando em grande escala nas cidades da região. Temos a Milênia Agrociencias, a Inquima e a Bunge Fertilizantes no ramo de fertilizantes e defensivos; A Dixie-toga, Itap Bemis, Cimplast no setor de plástico; Elevadores Atlas Schindler, Hussmann Brasil e a Pado, no segmento de equipamentos para instalação industrial, comercial e predial. Esses são apenas alguns exemplos de indústrias instaladas recentemente. Caracterizado como um estado agrícola, o Paraná passou a ter destaque industrial quando uma série de capitais internacionais aportaram em seu território, principalmente, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). As condições internas favoráveis à atração de novas indústrias começaram a se estabelecer desde meados da década de 1970, quando ocorreram mudanças no processo de industrialização com a emergência do complexo metal-mecânico centrado espacialmente em Curitiba, capital do estado. Sabóia (2001) destaca que na industrialização brasileira durante a década de 1990 o Paraná se destacou na geração de empregos:

Entre os estados que tiveram crescimento do emprego no período deve-se mencionar o caso do Paraná, única exceção no Sul/Sudeste, com comportamento claramente diferenciado de seus vizinhos. Há também que se destacar o Ceará, cujo aumento do emprego é ainda mais significativo ao ser comparado com a forte

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queda nos outros dois estados mais importantes da região Nordeste – Pernambuco e Bahia. No final da década de noventa, o Ceará caminhava para o primeiro lugar no emprego industrial do Nordeste. Finalmente, cabe citar o grande crescimento do emprego nos quatro estados da região Centro-Oeste, mostrando um comportamento consistente no interior da região. (SABOIA,2001,p.10)

Isso foi fruto do processo de descentralização industrial ocorrido no Brasil, a indústria brasileira tem passado por um forte processo de modernização e descentralização espacial nos últimos anos. A gerra fiscal entre as várias unidades da federação, os salários mais baixos nas regiões menos desenvolvidas, a proximidade de fontes de matérias-primas e o desenvolvimento do Mercosul têm provocado o deslocamento da indústria em direção a diferentes regiões. Para encerrar este item apresentaremos a seguir os principais conceitos e idéias trabalhadas pela Olga Firkowisk no seu artigo sobre a nova lógica de Localização Industrial no Aglomerado Metropolitano de Curitiba ( Firkowisk, 2002). Firkowisk observa que:

(...) nos anos de 90, evidencia-se uma nova lógica de localização das atividades industriais, que se traduz pela ampliação das condições gerais de reprodução do capital –antes restritas à Curitiba – para o aglomerado metropolitano. Segundo essa lógica, novos espaços são apropriados pela indústria, com destaque para a automobilística, que agora tem necessidades e características diferentes. Tais fatos demandam que novos territórios sejam criados para recebê-las, em razão de suas especificidades técnicas e organizacionais, fazendo com que as mesmas se reúnam em distritos, diferenciados dos existentes anteriormente. (FIRKOWISK, 2002,p 80).

Por outro lado a pesquisadora observa que na fase anterior (décadas de 70 e 80), a indústria apresentava-se concentrada principalmente no município de Curitiba (Cidade Industrial de Curitiba - CIC) e na área contígua que alcançava o município de Araucária, no Centro Industrial de Araucária (CIAR); contudo seu padrão era disperso no interior desses dois principais distritos. Na década de 90, a indústria apresenta-se desconcentrada no espaço urbano ampliado, qual seja, o metropolitano, e concentrada no interior de alguns distritos. A própria concepção de distrito se altera em relação ao modelo dominante nas décadas de 70 e 80. A nova fase associa-se à formação da metrópole e tem uma dimensão espacial distinta da anterior.

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Com relação à distribuição espacial dos estabelecimentos industriais na fase recente, Firkowisk afirma que a despeito de as ações governamentais

recentes, visando ao incremento da industrialização no Paraná, basearem-se, pelo menos no âmbito do discurso, na tentativa de descentralizar a indústria, fazendo com que os estabelecimentos se implantem por todo o Estado, a realidade aponta para um caminho distinto, qual seja, aquele do reforço da concentração industrial metropolitana, no entanto, com diferentes perspectivas nas duas fases analisadas neste texto. Nesse texto a autora observa que analisar a nova lógica de localização industrial no aglomerado metropolitano requer a compreensão imediata de que seu surgimento está intrinsecamente relacionado à nova fase industrial, caracterizada pela forte presença da indústria automobilística. Portanto, ela é sinônimo da nova indústria e de seus processos organizacionais e técnicos, havendo total imbricação entre ambas. Com relação aos conflitos socioambientais, surgidos com a nova lógica de localização industrial, Firkowisk afirma que:

No Aglomerado Metropolitano de Curitiba, que se expressa sobretudo a partir dos complexos de produção flexíveis, é portadora de importantes conflitos socioespaciais, sendo o de caráter ambiental um dos mais relevantes, em razão da escolha de localização feita pelos grandes grupos econômicos e da subordinação dos governos locais e estaduais em prontamente atender as demandas impostas, sob pena de o capital migrar para outras áreas. (FIRKOWISK,2002,p 98).

A autora citada traz à tona uma questão importante a ser considerada: a de conciliar o progresso técnico, a industrialização e a urbanização com um manejo adequado dos recursos naturais. Percebe-se que, infelizmente, na maioria dos casos, industrialização e poluição têm caminhado de mãos dadas.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

As

reflexões

feitas

neste

trabalho,

sobre

o

processo

de

concentração/descentralização industrial, principalmente a partir da década de 1970, tanto no Brasil, como seus reflexos no Paraná, assinalam que o próprio processo de desenvolvimento do Brasil, inserido no mercado global, como também tendo referências as nossas condições fisiográficas e sociais, demonstraram que há diferenças regionais que explicam a importância das potencialidades regionais,

sejam institucionais, sociais ou econômicas. Percebemos também que a descentralização industrial promove o desenvolvimento regional, principalmente através do fortalecimento de cidades de médio porte, colocando no passado as grandes aglomerações, em vista dos vários problemas urbanos. Alguns atrativos proporcionados como vantagens fiscais oferecidas pela administração local, representada pelas Prefeituras Municipais de áreas pouco industrializadas, com isenção de impostos e taxas, doação de terrenos, financiamentos a juros subsidiados, “parcerias diversas”, etc., têm criado uma viabilidade da localização industrial em regiões naturalmente pouco atrativas nas condições normais. Convém dar o devido destaque também às legislações

orientadas para a proteção do meio ambiente, como apontou vários estudos sobre o assunto, que criam dificuldades ou limitações para a manutenção da produção, notadamente nas áreas mais prejudicadas pela poluição industrial (coincidentemente as de maior concentração industrial), e que podem ser mais brandas ou mesmo nulas em regiões mais afastadas destes centros. O Paraná também se insere na nova dinâmica regional da economia brasileira, e, como considerações finais, podem ser identificadas as principais questões de forma a se compreender com mais especificidade os

detalhes dessa nova realidade espacial. Os aspectos abaixo já foram referenciados no conteúdo deste trabalho. As tendências de uma nova dinâmica na economia estadual, não mais como um processo de geração de riquezas centrado em maior medida na agroindústria. A dinâmica da economia paranaense tende a se basear cada vez mais na expansão da metal–mecânica e serviços associados.

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Os diferentes potenciais dinâmicos das sub-regiões do Estado e, portanto, as disparidades regionais, que tendem a ser ampliadas e merecem destaque especial para a orientação das políticas públicas. A questão da Região Metropolitana de Curitiba, com tendência crescente de concentração das atividades econômicas do estado, cujas taxas de crescimento populacional são das mais elevadas dentre as Regiões

Metropolitanas do país, e que vem sofrendo um processo de periferização excludente, conforme indicaram vários trabalhos que mencionamos no conteúdo deste trabalho.

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