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A INSERÇÃO DA TERCEIRA IDADE NO MERCADO DE TRABALHO DE PORTO VELHO 27

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A INSERÇÃO DA TERCEIRA IDADE NO MERCADO DE TRABALHO DE PORTO VELHO1

Lady Day Pereira de Souza2

RESUMO: O presente artigo trata da análise da inserção do idoso no mercado de trabalho de Porto Velho partindo do fato de que há um processo crescente de envelhecimento da população, e que essa, apresenta necessidades e anseios ligados a uma situação financeira melhor. Construiu-se uma análise histórica do papel do idoso na sociedade que desencadeia numa visão sobre sua relação com as mudanças de comportamento na atualidade do mundo do trabalho, além de dar ênfase à potencialidade e qualidade de vida do idoso, a compreensão da importância do trabalho para o ser humano, a significância da aposentadoria para o indivíduo idoso e a uma perspectiva da empresa em relação aos colaboradores. Foi realizada observação do Comércio de Porto Velho e entrevistas com alguns gerentes e proprietários de empresas, para identificar a forma como é percebida a inserção do idoso no mercado de trabalho em Porto Velho. Os resultados obtidos revelam que há a ausência de pessoas da terceira idade no mercado de trabalho em Porto Velho, e esse trata com indiferença a sua inserção no mercado. Palavras-Chaves: Terceira idade, mercado de trabalho, empresas, Porto Velho-RO.

1 INTRODUÇÃO

No mercado de trabalho brasileiro a disputa por uma vaga impõe ao profissional maiores exigências. Conseguem suas vagas aqueles que têm maiores qualificações para atender as necessidades desse mercado. Cada dia mais a população idosa se interessam por uma vaga nesse mercado competitivo, porém, a sociedade, de forma genérica, atribui a essa população a figura de um ser inativo, e muitas vezes incapaz, configurando num obstáculo para a inserção dos mesmos no mercado. O interesse do indivíduo da terceira idade em continuar ativamente no mercado de trabalho cresce a cada dia, principalmente, devido à necessidade e desejo de manter o padrão
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Artigo científico em Administração para obtenção de título de Bacharel em Administração, sob orientação do Prof. Ms. Wander Pereira de Souza, Universidade Federal de Rondônia, Agosto / 2006. 2 Acadêmica de Administração da Universidade Federal de Rondônia, ladydps@gmail.com.

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de vida igual ao que tinha anterior a aposentadoria, ou se possível melhorá-la, associada à necessidade de sentir-se socialmente ativo estabelecendo contatos e relações interpessoais como enquanto trabalhava, já que nessa fase seus papéis sociais vão se resumindo a família ou a um pequeno grupo. Esse interesse da população idosa pelo mercado de trabalho na sociedade se dá por meio de um fenômeno que altera a formação popular etária ativa, que de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000) nos próximos 20 anos o número de idosos no Brasil pode ultrapassar os 30 milhões de pessoas, representando quase 13% da população. Além disso, o grupo das pessoas maiores de 65 anos de idade passa, cada vez mais, a fazer parte da População Economicamente Ativa (PEA). Já em algumas cidades brasileiras o idoso vem ganhando espaço no mercado de trabalho, porém, é uma proporção insignificante perante o total de seu contingente. Existem organizações que apostam na experiência destes profissionais, mas, “apenas empresas que contam com políticas consistentes de gestão de pessoas e programas de valorização de diversidade”3, porém, distante da realidade destas empresas, o cenário costuma ser mais rigoroso, principalmente quando o idoso não tem formação educacional elevada. O tema foi proposto partindo de dois pressupostos: o primeiro é que existem pessoas que passam a vida no trabalho e na fase idosa ainda sentem-se capazes de fazer novas atividades; o segundo é de que pessoas que não tiveram oportunidades, apenas agora nesta fase da vida dispõe de tempo, vontade e até necessidade de atuarem em atividades que ofereçam melhores condições financeiras para o sustento. Considera-se, ainda, que nas grandes cidades brasileiras há empresas que percebem a população idosa como pessoas capazes de comporem o quadro efetivo de pessoal, com capacidade, produtividade e habilidade. Com o intuito de observar a relação entre a terceira idade e o mercado de trabalho, pode-se questionar: de que forma é percebida a inserção da população idosa no Comércio de Porto Velho? O método utilizado neste estudo é de natureza qualitativa, feita através de pesquisa de campo exploratória e descritiva “que busca conhecer aspectos importantes e peculiares do comportamento humano em sociedade. [...] opinião de pessoas ou grupos de pessoas sobre aspectos de sua realidade”4, além de pesquisas bibliográficas.

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SILVEIRA, Mauro. Especial diversidade – a melhor idade. Publicado: VOCE S/A. Editora Abril. Edição 75. Setembro/ 2004 4 FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para o trabalho científico: Elaboração e formatação. Explicitação das Normas da ABNT. Porto Alegre, 2006.

passou a ser privilegiada com a figura do velho 5 CAMARANO. a segunda é a idade adulta. e a última etapa é a velhice. aqueles que estavam na faixa etária de 60 anos ou mais. essa etapa exprime principalmente uma representação social que foi sendo ideologicamente construída através dos anos. e a história oficial pouca importância a ele dispensou”. uma época de regressão. principalmente no que diz respeito à aquisição do saber. Na pesquisa foram considerados indivíduos idosos. cadastradas na Associação Comercial de Rondônia . e sofreu com uma imagem do velho caduco no século XVII. uma época de estabilização e equilíbrio.3 Foram observadas quinze empresas comerciais. De acordo com Beauvoir (apud FROMER. Já no século XIX. Ariés (1981:18) ao identificar algumas variações na maneira de como os diversos momentos da vida são percebidos pela sociedade ao longo da história. Ana Amélia. A velhice corresponde a uma fase de mudanças socioeconômicas e transformações biológicas. para Fromer (2003:20). o ser humano passa por três etapas desde o nascimento até a morte. aponta que é possível notar que as sociedades da Antiguidade Clássica e a tradição judaico-cristã relacionavam o indivíduo ancião à virtude.1 A TERCEIRA IDADE E A SOCIEDADE Nos estudos acadêmicos existem variedades de critérios que identificam as idades da vida humana associada a aspectos fisiológicos. “a literatura praticamente silenciou a respeito dos velhos.ACR. entretanto.OMS5 para definir pessoas idosas do ponto de vista cronológico nos países em desenvolvimento como o Brasil. critério este. e à estabilidade. 2003:20). à prudência. Fustioni (apud TEIXEIRA. 2 REFERÊNCIAL TEORICO 2. 2001:11) considera que contanto que leve uma vida normal. além dessas características. adotado pela Organização Mundial de Saúde . afirma que a última etapa da vida (a velhice) foi rejeitada no século XVI.Ipea. Rio de Janeiro. 2002. . uma época de desenvolvimento e evolução. A primeira etapa é denominada de juventude. Envelhecimento da população brasileira: uma contribuição demográfica. ainda assim.

o que desperta uma sensação de variedade de novas possibilidades no mercado de trabalho. Essa denominação consolidada através dos anos. de uma situação de valoração em sua mão-de-obra para a imagem de um ser obsoleto de acordo com as mudanças no mercado de trabalho. Fromer (2003:24) caracteriza o início do século XXI pelo ilimitável conhecimento humano. onde o fator “produtividade” se torna o objetivo fundamental para o sucesso da empresa ante a concorrência. tecnológico e científico. do sábio e do prudente conselheiro e no século XX foi novamente desprezada. gradualmente. Esse novo fator exaltou qualidades supostamente inerentes à população jovem. o idoso foi valorizado enquanto um indivíduo virtuoso tendo em vista a sua acumulação de experiência ao longo da vida. desqualificando novamente os idosos quanto à performance. “esse esforço em resgatar o prestígio da velhice gerou novas denominações que. no entanto. e o crescente uso da virtualidade que agiliza os processos. se por um lado. No século XIX. Durante muito tempo se utilizou o termo “velhice” para nomear a última fase da vida. permitindo assim. o prolongamento da vida ativa (trabalho que exigiria menor esforço físico) e maior inserção social da população idosa. atenuaram o impacto negativo do termo. competitividade. associou-se à imagem de um ser humano decadente e improdutivo e trouxe a idéia de perda e declínios criando um estigma da velhice como sendo a pior idade. por outro acabaram criando novas convenções esvaziadas de sentido”. Fromer (2003:22) constrói uma linha de entendimento até os dias atuais. até porque o eixo da economia deixa de estar centrado na indústria e se transporta. vigor e versatilidade. do ancestral. das situações que direcionaram para a atual imagem do idoso na conjuntura social. estudiosos buscaram outras designações menos pejorativas. O século XVIII foi marcado pelo crescimento e rejuvenescimento da população européia proporcionada pela Revolução Industrial através de melhorias da higiene e dos processos tecnológicos. principalmente as inerentes a essa temática. arrojo.4 patriarca. É importante observar no decorrer da história a partir do século XVIII o idoso passa. no século que inicia nota-se que sociedade atual se revela mais acessível aos debates das questões sociais. Fromer (2003:16) aponta que diante do desconforto que o termo provoca. todavia. para o chamado setor de serviços. principalmente nas sociedades ocidentais. O século XX foi caracterizado pelo o progresso industrial. e enfatiza que “a concepção de produtividade parece adquirir nuances mais maleáveis. gradativamente. ou terciário”. A autora refere-se as .

permitir o desenvolvimento de suas habilidades. Smith e Peterson (apud NERI. melhor idade. Já Ávila (apud TEIXEIRA. Featherman. ou seja. a pessoa idosa se rende ao senso comum atribuindo a si próprio uma visão de improdutividade e incapacidade devido a sua idade. à cultura do indivíduo pode gerar condições que promovam progresso psicológico de acordo com essas limitações. A terceira idade tende a ocorrer na faixa dos 65 anos de idade nos países de primeiro mundo e 60. de acordo com as peculiaridades individuais. é a desconfiança no futuro. psíquicas e emocionais dessa idade. 1993:09). com as perdas inevitáveis do envelhecimento”. Isso se apresenta diferentemente de acordo com cada indivíduo. cujas não apresentam significados concretos. em diferentes graus de eficácia. mas resulta da qualidade da interação entre pessoas em mudança. O termo foi introduzido pelo Francês Huet nos anos 70 e está associada à aposentadoria e emprego lucrativo e segundo Fromer (2003) transmite uma idéia de bem estar.5 seguintes denominações: terceira idade. O envelhecimento é apontado por Grünewald (apud TEIXEIRA. nos países em desenvolvimento de acordo com a OMS. Segundo a autora envelhecer é algo cercado por determinantes sociais e por particularidades que são relativas a cada sociedade e a cada momento vivido pela mesma. . A terceira idade sendo o último estágio das classes de idades da vida humana pode está associada com fatos como ter deixado de trabalhar. desde que ouse inserir-se nas mudanças sociais. Neste estudo foi utilizada a recente denominação “terceira idade”. afirmam que “uma velhice satisfatória não é um atributo do indivíduo biológico. fragilidade e incapacidade. 2001:12) entende que “o que realmente caracteriza a velhice é a perda dos ideais da juventude. por outro lado. maior idade. conforme anteriormente mencionado. considerando o seu uso habitual no dia-a-dia e principalmente na literatura científica. é o humor irritadiço. 2001:12) como resultado de construções sociais. é o desinteresse pelo cotidiano nacional e internacional. assumir o papel de avó e avô na família. vivendo numa sociedade em mudanças”. o que quer dizer que se por um lado o envelhecimento referese a surgimento de declínios. é a falta de sintonia com os ideais de seu tempo. Com estudos atuais chegou-se à guisa de concluir que não se pode definir o envelhecimento como sendo apenas uma questão cronológica ou fisiológica. idade de ouro. psicológico ou social. porém. à perda de faculdades mentais entre outros. o desamor ao trabalho”. Para Neri (1993:13) “envelhecer satisfatoriamente depende do delicado equilíbrio entre as limitações e as potencialidades do indivíduo o qual lhe possibilitará lidar. sempre respeitando as limitações físicas. Portanto percebe-se que é possível ao indivíduo da terceira idade envelhecer bem.

Assim. declínio no prestígio social. pois o avanço da idade não determina a deterioração da inteligência. o indivíduo da terceira idade tem mais objetividade e maturidade nas suas decisões. 6 Esse estudo não é o foco do trabalho. é ou será uma condição para qualquer ser humano. sua capacidade intelectual torna-se mais aguda e mais seletiva. o idoso tem sido taxado como improdutivo. As mudanças psicossociais referem-se às modificações afetiva e cognitiva. tornando-se num colaborador que apresenta resultados coerentes por haver uma delimitação no que quer trabalhar. Porém.6 2. e as vitalidades física. Diante dessas situações naturais. enquanto o indivíduo se mantém em atividade intelectual. é comum a existência de um interesse amplo. Nessa fase ocorrem mudanças biológicas. ao padrão de vida. As mudanças físicas são gradualmente progressivas e se caracterizam com o aparecimento de rugas. À medida que envelhece. da capacidade auditiva e visual. continua capaz de produzir. e maior concentração do que o indivíduo jovem. fisiológicas. afastamento de pessoas de outras faixas etárias. 2001:16). . psicossociais. aprimorando a compreensão do assunto.2 POTENCIALIDADES DO IDOSO E QUALIDADE DE VIDA Envelhecer é um processo natural indiscutível e inevitável. mental e emocional6. Então. segregação familiar e dificuldades econômicas. sofrendo assim isolamento social. quando em treinamento. redução da acuidade sensorial. maior nível de envolvimento e acuidade. 2001:16). incapaz. há estudos que comprovam que quando os indivíduos alcançam a terceira idade com saúde é capaz de se manterem participativos. sendo que ela está ligada à educação. As mudanças socioeconômicas ocorrem quando as pessoas se aposentam. interrupção da vida profissional. A autora ainda afirma que o idoso demonstra. progressivas perdas da elasticidade e da força muscular. Daí se percebe que a capacidade produtiva do idoso está diretamente relacionada à capacidade intelegiva que possuem. e ativos em atividades que estimulem a criatividade até o fim da vida. A partir dos 30 anos o indivíduo vai começando a selecionar os assuntos pelos quais se interessam. Como afirma Berg (apud TEIXEIRA. isto é. o que tem afinidade. a dois ou três assuntos e se torna um craque naquilo. econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas. na faixa compreendida entre os 20 e os 30 anos de idade. Aos 60 essa seleção aumenta e ele se dedica conforme cada caso. estudos revelam que aos oitenta anos de idade o indivíduo apresenta condições de aprendizagem semelhante as que apresentavam aos doze. mas se faz necessário para apresentar os aspectos circunstanciais. Das mudanças funcionais podemos citar a necessidade cotidiana de ajuda para desempenhar as atividades básicas. De acordo com Lopes (apud TEIXEIRA. pois ele já saber o que gosta de fazer. por várias atividades.

1993:23) asseguram que a qualidade de vida deve ser vista na perspectiva do curso de vida como um todo. A qualidade de vida na terceira idade depende da interação entre o indivíduo e o meio em que vive. a autoconfiança. “o grande problema é a interferência do senso de ineficácia que pode ser intensificado por preconceitos do próprio idoso e das pessoas que o cercam” (NERI. proporcionando para si uma vida inativa e dando espaço às patologias naturais dessa idade. num contexto sociocultural. ou envolvimento. o trabalho. o indivíduo idoso internaliza a falta de potencialidade para executar atividades. Essas tarefas vitais referem-se à espiritualidade. se realizou os sonhos. através das suas experiências e de suas potencialidades. . pois. 1993:19). o amor. mais permanece ativo e disposto e sua vida tem maior importância” (TEIXEIRA. com qualidade também nas outras idades”. Witmer e Sweeny (apud NERI. às vezes. mantendo-se em constantes atividades física e mental. as realizações. 2001:18). para a autora. O significado de qualidade de vida para o ser humano está intimamente ligado com a satisfação das necessidades do indivíduo. De acordo com Teixeira (2001:17) “dispor de uma vida com qualidade na terceira idade implica ter vivido bem. envelhecer bem significa estar satisfeito com a vida atual. Entretanto. em que o indivíduo saudável e em transformação constante desempenha tarefas vitais. se fez atividades que gostava. “quanto mais o idoso se envolve com grupos sociais. ter expectativas positivas em relação ao futuro. mas também a relacionamentos interpessoais aos quais as pessoas possam dedicar-se. Esse fato reforça a idéia da participação do idoso como colaborador ativo na sociedade. Portanto. ambos em transformação. auto-realização.7 Ter tido uma qualidade de vida ajuda o idoso manter-se ativo e produtivo. A importância dos envolvimentos sociais para as pessoas idosas está associada ao sentido de continuação de sua vida ativa. é como a pessoa construiu a vida. e a amizades. Pode-se dizer que o que contribui para que haja uma qualidade de vida na terceira idade. que não se restringe apenas às atividades a serem desenvolvidas. A autora considera que a conservação do significado pessoal na terceira idade se dá na perspectiva da manutenção do senso de responsabilidade pessoal e da capacidade de comprometimento.

A compreensão da sociedade de que o trabalho consome as formas do trabalhador. Entretanto. ibidem. Propõe-se que daí se desenvolveu uma concepção do idoso como um indivíduo à parte do mercado de trabalho. O trabalho na Idade Média era desempenhado pelos servos.3 TRABALHO HUMANO A palavra “trabalho” na Grécia antiga era designada por duas palavras: ponos7. mas um fim em si mesmo. é produto especial desta forma de trabalho” (BRAVERMAN. Fátima Regina. que tinha sentido negativo do trabalho como esforço e penalidade. estava destinado o sofrimento nesta vida para que pudesse se purificar de seus pecados e alcançar a salvação na outra vida. 1987:18). ibidem. devido ao histórico de escravidão e trabalho forçado. o trabalho como atividade proposital. De certa forma em nossa sociedade esses sentidos são validados como categorias de valores para distinguir natureza dos trabalhos. a filosofia. sendo o trabalho não apenas um meio para o fim (o produto). A Igreja rezava por todos encaminhando as preces a Deus e interpretando os propósitos divinos. “assim. . 2001. a busca do conhecimento e a política. Os nobres tinham como função guerrear defendendo a ordem social da cristandade e assim ganhando a redenção. Ergon8 é a outra palavra. orientado pela inteligência. Mas esta (a inteligência) por sua vez. Essas atividades eram incumbidas a pobres e escravos. que significa instrumento de tortura. que possui um sentido positivo como criação e arte praticada pela aristocracia que se dedicavam as artes. é uma expressão da energia humana. 9 Idem. o sentido de trabalho transforma-se profundamente com a revolução industrial. é o produto especial da espécie humana. onde a teoria marxista revela uma manifestação mais tênue das capacidades físicas e mentais do ser humano. uma situação que é muitas vezes internalizada pela própria pessoa. p.8 2. denegado dos direitos de cidadão. No latim popular tripalium9 é a palavra que denominar “trabalho”. Aos servos de vida miserável. trazendo como conseqüência uma vida ociosa e inativa para maioria da população dessa idade. gera o pensamento de que seria crueldade ao exigir ou possibilitar a continuação do idoso no mercado de trabalho após toda uma vida de atividade profissional. Esses sentidos em relação ao trabalho ainda estão presentes 7 8 TEIXEIRA. 22 Idem. Assim atividades manuais recebem menos valoração do que trabalhos intelectualizados.

de acordo com Teixeira (2001:22) formou-se no senso comum um sentido de sofrimento e constrangimento em relação ao trabalho. pois de acordo com Neri (1993:143). 1993:143). 2. anseios e projetos pessoais. ao se modificar o homem constrói uma identidade. refazer suas opções. 1993) afirma que a satisfação ou o interesse da pessoa idosa pelo trabalho se refere a uma crise ou pontos de mudança durante a meia-idade (40-45 anos de idade) e explica que a partir desse momento “muitas pessoas começam a prestar atenção ao tempo e a preocupar-se com o balanço entre o que foi pretendido e o que foi obtido até a ocasião. O autor acrescenta que para as pessoas que ainda não se desenvolveram profissionalmente. é através do trabalho que o indivíduo se transforma / modifica e tenta buscar sempre o melhor. Um envelhecer com saúde pode garantir à pessoa idosa. Em seus estudos. pode reavaliar suas escolhas de vida e assim. essa pode ser a época para redimensionar os objetivos visando um bom envelhecer. Entretanto. Kimmel (apud NERI. conquista espaços e modifica a sociedade. No cerne do capitalismo o trabalho é percebido como o que possibilita o ser humano a prover o sustento para a sobrevivência e realizar suas vontades. O autor faz uma retomada das modificações que ocorreram no período de 1992 a 2001: a primeira transição é caracterizada com a drástica redução da inflação com implicações positivas para a diminuição da pobreza e com o início do plano real. além da exigência da elevação do nível educacional desses profissionais. refletindo uma satisfação na vida. O trabalho pode ser particularmente relevante para o indivíduo de terceira idade. possibilitando assim negociações diretas entre empresas e . novos projetos e vontade de novas realizações como a continuação no mercado de trabalho. tendo como referência temporal a aposentadoria que se aproxima” (KIMMEL apud NERI. Portanto. Outra transição é uma busca pela redução da tutela do Estado sobre as relações de emprego e o mercado de trabalho. A segunda foi o avanço tecnológico e as práticas administrativas adotadas na esteira. desencadeando na troca da mão-de-obra humana por máquinas que cooperou com num alto índice de desemprego.9 na sociedade atual.4 MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL No Brasil o mercado de trabalho se mostra cada vez mais competitivo para os trabalhadores e Chahad (2003:215) aponta as principais transições relevantes às exigências que o mercado tem hoje. na medida em que este indivíduo envelhece.

a qual sofreu uma pressão populacional herdada do passado ainda foi muito forte na década de 90. refletindo no emprego. um dos negócios que mais expandiu foi o setor de serviços. e expansão de novas formas de negócio. “em parte isso decorreu pela própria estratégia de crescimento adotada pela indústria.10 trabalhadores. e sujeitas a uma melhor posição no mercado de trabalho. desemprego. informalidade. A quinta transição se refere à natureza demográfica. Tais cobranças foram enfatizadas pela globalização dos mercados. por falta de . diante de sua exposição à competição internacional. ou seja. ganhos reais e produtividade. Chahad (2003) menciona que ocorreram mudanças nos setores produtivos na década de 90. trabalhando por conta própria. antes como forte estimulador a produções. foi um produto criado pra atender as necessidades das indústrias/clientes. com impactos no emprego. 2003:217). na remuneração. exigindo um profissional atualizado que correspondam às mudanças bruscas do mercado. 2003). um trabalho sem carteira assinada. “As inovações tecnológicas ocorrem com maior intensidade. com uma maior terceirização de parte de seu processo produtivo” (CHAHAD. rotatividade no trabalho. como uma oportunidade de sobrevivência de pessoas que não conseguem uma colocação no mercado formal de trabalho. mais voltado para a regulação e fiscalização. segundo o autor. Outra principal característica da década de 90 foi o crescimento acelerado do mercado de trabalho informal. Identifica que a indústria foi o ramo mais prejudicado pela abertura comercial.0% ao ano na década referida. 2003:216). E a última transição veio com o processo de inovação tecnológica. refletindo dificuldades no mercado de trabalho no que se refere a aumento do desemprego. o contrato por tempo indeterminado previsto na CLT era praticamente a única opção disponível para as empresas do setor privado (NORONHA. Até as recentes mudanças introduzidas de governo. Alem da mudança de papel do Estado. que ocasionou forte cobrança por competitividade e produtividade às empresas e respectivos trabalhadores. atuou como catalisador de trabalhadores que ingressavam no mercado de trabalho ou que buscavam novas oportunidades de negócio. e atualmente. e tem levado as empresas a repensar o seu modo de organização e gestão do processo produtivo. O mercado informal surge dessa forma. na estrutura ocupacional e no conteúdo do trabalho” (CHAHAD. Porém. Todas essas transições implicaram na plena modificação do mercado de trabalho. que representa um crescimento médio da População Economicamente Ativa (PEA) a cerca de 3. O setor de serviço. onde o empreendedor faz sua hora e seu local. isso sugere que as pessoas busquem maior qualificação e se tornem cada vez mais competitivas.

detectaram que cerca de 40% desempenha a atividade informal por 10 anos ou mais. Numa visão futurista alguns autores afirmam que o emprego está desaparecendo: “o mundo está entrando em uma nova fase de sua história. esses dados se mantiveram constante ao longo da década. 2004:29). Percebe-se que todas essas transformações ocorridas na economia nacional nos últimos anos trouxeram profundas modificações nas condições de funcionamento do mercado de trabalho. Antes. hoje. Outro fator de relevância no mercado de trabalho são as formas de trabalho e emprego. Tais autores afirmam que no Brasil na década de 90. fruto da emergência da avançada tecnologia e sua aplicação no mundo do trabalho” (RIFIKIN apud CORRÊA. a capacidade do pensar. 2004:30) explica que o emprego é um produto da Revolução Industrial. onde cada indivíduo tinha seu posto de trabalho. Pode-se dizer que a estabilidade destas pessoas na informalidade fomenta uma característica das atividades informais. E referente ao tempo de permanência na atividade informal. tornando um meio de remuneração mais acessível ao trabalhador... a maioria dos trabalhadores informais tinha a idade de 30 a 59 anos. formular estratégicas. é crucial. que chama de Terceira Revolução Industrial. utilização de consultores. equipes de treinamento multifuncional ou trabalhadores autogerenciados (que trabalham em casa). cuja inserção.11 qualificação ou por outros tipos de situações visto como obstáculos por membros da sociedade. a terceira idade configura-se como um dos segmentos mais vulneráveis quanto sua participação na força de trabalho. estariam eliminando o emprego como instituição econômica. desvalorização da mão-de-obra e valorização do conhecimento individual como instrumento competitivo e tecnológico.) vem provocando uma redefinição nas regras de assalariamento reorientada para flexibilidade da jornada de trabalho” (2002:280). se apresenta com ocupações nas posições mais precárias. entre outras ferramentas tecnológicas. Bridges (apud CORRÊA. ter conhecimentos tecnológicos e saber operar a tecnologia em voga. a forte presença de pessoas mais velhas atuando nesse mercado. responsáveis pela ampliação do desemprego. Segundo Souza & Nakatani “o aumento de pessoas desempenhando atividades por conta própria (. o autor prossegue argumentando que a tecnologia e automação. Esses se modificaram com o passar dos anos. a maioria era trabalho braçal. terceirização. Nesta conjuntura. Essas alterações são em grande parte. . A autora aposta numa tendência relacionada a substituição do emprego por trabalhos temporários.

A proporção de homens idosos aposentados passou de 51.3% a 53. (. que o mercado de trabalho brasileiro torna-se cada vez mais alvo de interesse da terceira idade. E em 2050 o mundo tenha cerca de 1.2% em 1978 para 77. Calcula-se que em 2025 o Brasil será o sexto país mundial em população idosa. a três fatores básicos: a compreensão do valor indiscutível das relações interpessoais que se originam nas relações de trabalho. ao contrário do que ocorre em quase todo o mundo. 2004:72).1%.9 bilhões de idosos. junto à queda de taxas da população jovem economicamente ativa motivou a contração da força de trabalho em alguns países o que comprometeu o próprio crescimento econômico. As mudanças demográficas que levaram ao envelhecimento da população coincidiram com a crise do petróleo na década de 70 fazendo com que aumentasse a taxa de desemprego. Esses incentivos aliados às mudanças demográficas geraram desequilíbrios na seguridade social e déficit que comprometeram no desempenho fiscal de muitos países desenvolvidos. sendo o Brasil um dos países que acompanha essa tendência de envelhecimento populacional (FURTADO.. e a . objetivando eliminar os incentivos à aposentadoria precoce para elevar a taxa de participação e o nível de emprego para a população idosa.6%em 1998 e a correspondente para mulheres variou de 31. A redução da taxa de participação do idoso no mercado de trabalho. Quer dizer. as taxas de atividade da população idosa brasileira parecem muito pouco sensíveis a aposentadoria. aposentados ou não. a percepção de um conjunto de características que lhes são socialmente imputados a partir do trabalho.5 PARTICIPAÇÃO DO IDOSO NO MERCADO DE TRABALHO De acordo com estudos de Furtado (2005:03) o processo de envelhecimento da população se deve a queda nas taxas de fecundidade e pela elevada perspectiva de vida. com 33 milhões de “maiores de sessenta anos” (CORRÊA. 2005:03). esses países desenvolvidos promoveram mudanças em suas políticas para a terceira idade. Diante desse contexto.) A volta do aposentado ao mercado é uma característica muito particular da sociedade brasileira. Podemos perceber as conseqüências desse fenômeno demográfico através da experiência da Europa.12 2. Percebe-se dessa forma. Inicialmente utilizaram políticas macroeconômicas contracionistas com incentivos a aposentadoria precoce para tentar reduzir os altos níveis de desemprego e gerando espaço para os jovens em idade para ingressavam no mercado de trabalho. Camarano (2001:02) aponta que: As variações nas taxas de atividade da população idosa não estão refletindo o grande aumento observado na proporção de idosos aposentados. Teixeira (2001:01) atribui o despertar do interesse desses indivíduos pelo trabalho numa fase avançada de suas vidas..

Para eles manterem-se ou voltarem ao mercado de trabalho constitui. Uma situação em que o indivíduo recebe uma pensão mensal devido à contribuição que fez ao longo de sua vida profissional. No Brasil. desqualificação técnica e da competição com os jovens num mercado de trabalho cada vez mais competitivo. especialmente no período posterior à primeira guerra mundial. Uma vez que o indivíduo da terceira idade resolve ingressar numa organização. a aposentadoria. não raro. o afastamento dos idosos das atividades produtivas pode significar. Kreling (2006:14) aponta que a inserção do idoso no mercado de trabalho se dá. vínculos empregatícios mais frágeis. A aposentadoria é um dos direitos sociais adquiridos recentemente. se depara com limitações nas possibilidades de obter novas ocupações em vista das possíveis deficiências educacionais. postos de trabalho menos qualificados e. na maioria das vezes. em condições mais desfavoráveis. de modo que. 2. de modo geral. numa necessidade. a fixação de uma idade ou tempo de contribuição mínimos para aposentar. Várias vezes. uma situação de precariedade para condição de vida no aspecto financeiro e psicológico. grande parte do sistema da previdência social é mantida pelas contribuições de trabalhadores ativos. e não uma conquista de um benefício recebido após uma longa vida de trabalho. A aposentadoria é considerada um instrumento de justiça social e proteção ao trabalhador proporcionada pelo Estado. a medida que a terceira idade busca o reingresso no mercado se vê diante de vários obstáculos. considerando que a população idosa aumenta e. o que acarretará um imenso déficit nos recursos públicos. não se mostra uma variável institucional que induza a redução das . desde 1991 a concessão de aposentadoria é feita independentemente do desligamento do emprego. crescentemente. remunerações inferiores e instáveis. foi uma das transformações advindas com a industrialização.6 APOSENTADORIA Pensar a terceira idade está associado à questão da aposentadoria à medida que o assunto coincide com o estágio da vida humana que passa de uma situação de ativo a inativo. com menores possibilidades de emprego. No entanto.13 vontade de manter um padrão de vida semelhante ao que possuíam anterior à aposentadoria. vive mais. Porém. principalmente. Esse direito consiste no recebimento mensal de pensão vitalícia em função do tempo de contribuição ao Estado através do trabalho.

propondo a si próprio mudanças. A duração média das aposentadorias no Brasil está crescendo significativamente. A fase da aposentadoria pode ser recebida de diferentes formas pelas pessoas. Sobre isso. ou seja. acaba se tornando uma estratégia de sobrevivência ou de melhoria de situação econômica do idoso e para sua família”. chegando a 17. Devido o aumento da sobrevida da população brasileira. 2003:17) Mudar é lei da vida e é da natureza humana a resistência às mudanças. Considerando que essa pensão destinada ao aposentado acaba por não corresponder. o ser humano sempre almeja se superar além de seus limites. Isso pode representar para o indivíduo idoso o isolamento social. e até 20 anos para mulheres. 19 . Conforme Beauvoir (apud FROMER. podendo conduzir a vida até suas almejadas realizações e evitando que a vida o conduza sem direção. hoje os idosos passam mais tempo recebendo a pensão. Dessa forma o idoso pode desenvolver a idéia de autoconfirmação de inutilidade perante a vida. à capacidade de consumo apresentada pelo salário que este possuía enquanto trabalhador ativo. saber a hora de parar. Contudo. partindo da idéia de que a maioria de seus contatos sociais está relacionada diretamente com o ambiente de trabalho.14 taxas de participação de idosos no mercado de trabalho brasileiro. 2001. ao passo em que outros têm dificuldades de aceitar o envelhecer e a aposentadoria. que significa alegria de pode começar algo novo. p. Mas quando o indivíduo se permite a mudar. pode ser assumida alguma perda importante da vida social das pessoas. Furtado (2005:17) afirma que “a percepção da aposentadoria. optar por projetos através de planejamentos. Entretanto. Junto com o afastamento do trabalho provocado pela aposentadoria. as pessoas têm que traçar novos caminhos e redefinir seus horizontes. Chega um tempo na vida em que as pessoas precisam parar. Porém. O autor alerta que para essa população é preciso descobrir que a vida não termina com a aposentadoria. o grande desafio para o indivíduo nessa fase 10 TEIXEIRA. o que causa dificuldades na manutenção do sistema previdenciário. juntamente com uma remuneração proveniente do mercado de trabalho. na maioria dos casos. Fátima Regina. tem a possibilidade de tomar decisões.5 anos para homens. 2004:70) enfatiza a importância de visualizar a aposentadoria como uma oportunidade. Maldonado (apud CORRÊA. Para França (1999:09) a aposentadoria apresenta suas implicações negativas. vem precisamente da palavra jubilum10. 2001:18) aquelas que aceitam o envelhecimento de uma forma mais tranqüila. que tende a afetar a sua estrutura psicológica. Segundo Lopes (apud TEIXEIRA. A palavra aposentar. conforme divulgado na Folha de São Paulo (28/07/1996). geralmente aceitam a aposentadoria.

Essa passagem do indivíduo para a aposentadoria pode desestabilizar sua identidade pessoal a ponto de acontecerem quadros de depressão. quanto pode significar-lhe a própria morte em vida. 1999:13). o envolvimento com novos campos de ação.. e até mesmo suicídio. com o passar do tempo pode transformar-se num grande vazio a ser preenchido. alguns necessitam de maior força física que diminui com a idade (.).. E hoje as empresas precisam vencer desafios da competitividade e da globalização do mercado. e uma delas seria o planejamento do futuro de acordo com a renda que a pessoa possui. Isso leva a crer que para o indivíduo da terceira idade que esteja disposto a voltar ou manter-se no mercado de trabalho deve traçar um planejamento e se qualificar de acordo com o que quer continuar ou começar a trabalhar..15 é preencher o tempo livre com algo que lhe traga satisfação aderindo à mudança no modo de vida..) atualizado (. agora se torna num marasmo e isso precisa ser administrado. que o tempo livre disponível pelo indivíduo que se aposenta. essas empresas vêm demonstrando maiores avanços na valorização do capital humano no ambiente organizacional. Assim.) e outras poderão necessitar de um conhecimento especializado e da experiência acumulada dos mais velhos (FRANÇA. 2. muito embora no momento inicial deste novo período seja envolvido por um sentimento de bem-estar e liberdade. Há uma grande intenção nas correntes ideológicas empresariais. Para isso.). Existem maneiras de se preparar para essa fase. Para Chiavenato (1999) “todo processo produtivo somente se realiza com a participação conjunta de diversos parceiros. condições físicas e psíquicas.7 A EMPRESA: VALOR HUMANO E PRODUTIVIDADE As últimas décadas apresentaram mudanças que tornaram o mercado mais competitivo. . Depois de aposentado. Segundo França (1999) algumas pessoas ainda poderão ter maior facilidade ou dificuldade para ingressarem num emprego dependendo do tipo de trabalho: Certas profissões requerem conhecimento tecnológico (. suas qualidades no trabalho e seu grau de conhecimento.. chegando a determinar o sucesso da organização. cada qual contribuindo com algum recurso”. afirma Teixeira (2001:22). confusão mental... tanto pode significa-lhe uma oportunidade para novas realizações profissionais e pessoais. (. estudo. que defende que a empresa é composta por pessoas. caso não saiba canalizar as suas energias para atividade que lhe tragam alguma forma de prazer e realização pessoal e que ofereçam razão a sua existência como indivíduo.. A vida corrida de antes: trabalho. lar.

“a produtividade do trabalho pode ser identificada como sendo o processo contínuo que procura obter. o máximo de sua capacidade com o mínimo de tempo e esforço” (CARVALHO.. . O trabalho na terceira idade pode ser bem vantajoso para empresa..) é um fator determinante de maior eficiência das tarefas pessoais que se dá o nome de ‘produtividade do trabalho’. pois este público por ter acumulado experiência durante muitos anos. reduze as incertezas. Segundo Carvalho (1995) “o grau de interesse (. É através do respeito pelos colaboradores e a renovação dos conhecimentos desses indivíduos. participantes dos custos e benefícios da atividade empresarial. gerando alto nível de rotatividade em suas empresas. considerando que são mais suscetíveis a reclamações trabalhistas e difíceis de gerenciar. e ainda são mais seletivos no aprendizado de novas habilidades: Há um mecanismo de compensação nestes indivíduos que lhes proporciona uma redução nas suas capacidades de receber e de processar informações e que faz surgir neles uma forte tendência a estreitarem o campo de interesse e ignorarem certos eventos. França (1999) numa análise feita de uma pesquisa em 197 empresas americanas que empregam pessoas mais velhas observa que “quanto maior é a empresa mais alta é a participação dos aposentados em níveis administrativos ou gerenciais (. Para a autora. a partir do potencial do emprego motivado.) e pequenas empresas (. 1995) pressupondo que a empresa tem um papel fundamental na motivação aos colaboradores através de seu foco no capital intelectual. Percebe-se nas organizações que algumas pessoas se destacam mais que outras.) preferem contratar trabalhadores mais velhos porque os jovens representam uma necessidade de treinamento a custo mais alto” (FRANÇA 1999:14). dizer que os bons resultados dos colaboradores na empresa são alcançados através da produtividade decorrente do grau de interesse com que os mesmos utilizam suas capacidades para obter um aumento do rendimento de suas tarefas. Teixeira (2001) menciona a possibilidade do público da terceira idade representar um aumento no comprometimento à empresa.. Essas pequenas empresas percebem a desvantagem de ter jovens empregados... uma transformação das pessoas em parceiros de negócio.16 Propõe-se. adotam procedimentos mais seguros. pode apresentar um bom desempenho no trabalho desde que não sejam exigidas respostas que vão além das suas capacidades.. estes trabalhadores são considerados mais cautelosos que os mais jovens nas tomadas de decisões. que geram vantagens competitivas para a empresa. à qual depende exclusivamente da motivação interior do indivíduo”. então. Pode-se então. o que contribui na elevação das capacidades de concentração e confiabilidade nos resultados (IIDA apud TEIXEIRA 2001:23).

3 ANÁLISE DOS RESULTADOS Os resultados a seguir apresentados foram obtidos através de pesquisa exploratória ao mercado de trabalho de Porto Velho. O artigo jornalístico indica ainda que os idosos cumprem uma jornada semanal não muito diferente da média dos ocupados. Alguns exemplos de empresas brasileiras que empregam pessoas idosas como a Pizza Hut e o grupo Pão de Açúcar que contratam indivíduos da terceira idade. Outro exemplo é uma lanchonete do Rio de Janeiro que buscou vantagens sobre os concorrentes ao iniciar o programa Bob’s Melhoridade. O pão de Açúcar deu início a um projeto de contratação de pessoas com mais de 55 anos de idade em 1997 e atualmente totalizam em 800 pessoas idosas contratadas. A Pizza Hut tem 16 lojas no Estado de São Paulo das quais nove possui funcionário da terceira idade totalizando 12 ao todo. . por meio de uma amostragem quinze empresas comerciais cadastradas na Associação Comercial de Rondônia . os profissionais idosos têm maior exposição ao trabalho de força física do que no trabalho em uma empresa comercial. Foi publicado na Folha de São Paulo (27/09/2004) que em 2003 a participação das pessoas com mais de 60 anos de idade cresceu consideravelmente no total da População Economicamente Ativa (PEA). afirmando a importância desses na contribuição da renda familiar.9%. Serviços estes. A empresa aposta que é na diversidade dos colaboradores que vai atingir a vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes. bastante desenvolvidos nas atividades informais onde há maior concentração de idosos em atividade no mercado de trabalho. Só na região metropolitana de São Paulo a participação desses indivíduos na PEA é de 21. É relevante mencionar que nas atividades informais. que objetiva a contratação de pessoas da ordem de 50 anos. as funções atribuídas ao trabalhador estão de acordo com as limitações de cada um.17 No Brasil nota-se uma crescente busca da terceira idade por uma vaga no mercado. e não vincula isso a um gesto de responsabilidade social . A escolha por empresa do tipo comercial ocorreu por essas se caracterizarem pelo oferecimento de serviços de atendimento e vendas ao publico.contratam porque acreditam na capacidade e competência do indivíduo da terceira idade para as atividades que lhe é proposta.ACR. É importante ressaltar que nestas empresas.

prestando informações sobre o assunto e esclarecendo a posição da . até a formação atual do artigo. ou havido em outras épocas. confirmada por Fromer (2003:20). promotora da qualificação e inserção do idoso no mercado de trabalho. Entre elas estão a Igreja Católica São Luiz Gonzaga que oferece atividades tais como pintura. para saber se havia algum programa ou projeto em ação. estudos e materiais bibliográficos específicos ao tema. promovem exposições para a comunidade local desses artigos produzido pelo coletivo dos idosos freqüentadores dos encontros. estaria se inserindo no mercado de trabalho. onde há instituições que acompanham o processo de reinserção profissional do idoso. como livros. A exemplo de Florianópolis. Assim fechou-se o circuito de visitação as possíveis instituições que poderiam ser fomentadoras dessa ação. Com esse fim. O SEBRAE foi visitado a fim de se verificar possíveis estudos realizados por essa instituição na área de qualificação de mão-de-obra idosa. Das quinze empresas comerciais que compunham a amostragem. A bibliografia utilizada foi encontrada de forma geral sendo especificada ao tema deste artigo. com fim de disponibilizar qualificação ao idoso e assim promover sua reinserção no mercado de trabalho. revistas e trabalhos publicados foi um dos obstáculos dessa pesquisa. que ainda há em torno do assunto. Porém. foram visitados órgãos como a Gerência de Ações Serviços Social GASS. A dificuldade enfrentada para a localização de informações. culinária. artesanato. amenizando a ociosidade. Ficou-se um forte sentido que as práticas destinadas à terceira idade em Porto Velho não passa da percepção de ocupação do tempo do idoso. Isso evidencia a poucas reflexões sociais e principalmente acadêmicas. assim como há em outras partes do Brasil. Às empresas observaríamos sua receptividade a essa exclusiva mão-de-obra. Foram encontradas apenas instituições que trabalham com entretenimento. a Casa da Vovó. pintura. constituído no cerne das referidas instituições. seis aceitaram participar do projeto. Eventualmente. Entretanto. e pesquisas divulgadas na internet. a instituição está voltada para a orientação na abertura de empresas e ações para fomentar essa realização. como a qualificação de funcionários de empresas. No SESC entrou-se em contato com a assistente social a qual informou que a instituição oferece atividades de lazer como dança. natação entre outros a pessoas dessa faixa etária. e estabelecida entrevista com representante da Casa do Ancião.18 A princípio a pesquisa estava voltada ao idoso que recebendo qualificação profissional por instituições afins. através de algumas poucas dissertações sobre a terceira idade. as informações revelaram desconhecimento da existência de instituição que em sua natureza promovesse tal ação em Porto Velho.

Enquanto. a fim de obter maiores informações. Noutro momento. Sendo assim. alegando uma série de contratempos da própria empresa. As empresas que tem em seu quadro funcional pessoas idosas não usam dessa situação como uma imagem de marketing ou responsabilidade social. as opiniões sobre o assunto seguiam uma mesma linha de afirmações e sugestões. apenas as que tinham maior número de funcionários. já estão na empresa há anos. sem muitas variantes. esta não era uma realidade só das empresas que não optaram em não participar do projeto. Nelas se afirmava a concordância de que terceira idade poderia trazer importante contribuição atuando no comércio de Porto Velho. as condições de contratação se deram há muito tempo atrás. foi realizada observação ao quadro de funcionários a fim de entrever possível utilização da mão-de-obra idosa pela empresa. em discordância com as afirmações anteriores listavam diversos obstáculos para a contratação dessa população: a não correspondência do idoso à agitação do mercado de .19 empresa sobre este. entre outros. camelôdromos. apresentaram algumas pessoas da terceira idade em seu quadro de empregados. tempo suficiente para construir sua história. de mostrar suas capacidades e habilidades com o trabalho e estabelecer densos elos de amizades. No entanto. Concordando com a tendência identificada na pesquisa de Souza & Nakatani (2002:280). pela sua grande responsabilidade e bom relacionamento com os demais funcionários. Toda a pesquisa exploratória intensificou a concepção de que no comércio de Porto Velho os funcionários são em sua maioria jovens e adultos e com um sério indicador de que para a população idosa estava destinado o mercado informal. e característica familiar. Então esses funcionários apontados pelas gerências das empresas visitadas como símbolo de aceitação da mão-de-obra idoso. algumas empresas em cidades grandes do Brasil se utilizam dessas prerrogativas. Contudo. apesar da explicação sobre os fins da pesquisa negaram a solicitação feita para uma entrevista semi-estruturada. não foi admitido enquanto idoso. Das empresas entrevistadas. vendedores ambulantes. É visível sua presença nas feiras. barracas de alimentação. ou seja. os funcionários agora idosos. Todavia. Evidenciou-se nas entrevistas cedidas por empresários que havia certa homogeneização do discurso. os vários momentos de retorno à empresa em busca da resposta ao pedido feito para participar da pesquisa. Foi constatado que os funcionários eram da faixa etária jovem e/ou adulto. Outras nove empresas comerciais. para se constituírem enquanto imagens de empresas colaboradoras nas lutas pelo bem estar social dos indivíduos da sociedade. e Chahad (2003:217).

Esse preconceito é gerado através de interferência do senso da própria sociedade. a falta de qualificação profissional dessa população. a falta de qualificação profissional. para os gerentes e empresários que participaram do projeto. discernimento experiência. atuação social tanto como um trabalhador e um consumidor. Esse resultado comprova as afirmações de Fromer (2004:16) quando argumenta sobre as denominações dirigidas as pessoas idosas. Daí se evidenciou de forma empírica um fato curioso nos discursos. Entretanto. No entanto. com a percepção do idoso como pessoa inativa. já que o mercado exige agilidade. a vulnerabilidade da saúde. alegaram um rol de dificuldades relacionadas ante a população idosa: a vulnerabilidade a saúde. Percebendo a coerência com Neri (1993:19) quando aponta ser um grande problema o preconceito por parte do próprio idoso e das pessoas que o cercam. sendo inapto para o ritmo do mercado de trabalho. A primeira palavra revela toda a carga negativa atribuída à idade idosa. Nesses termos. que para os empresários e gerentes entrevistados a pessoa da terceira idade poderia passar por essa possibilidade de ser qualificado. relativo ao uso distinto das denominações “idoso” e “terceira idade”. estando obsoleto em seu parco conhecimento técnico-escolar. a suposta lentidão que atrapalharia no desenvolvimento das atividades. quando mencionada na entrevista a denominação “terceira idade” o discurso se caracterizava relativamente positivo. Esta pessoa da terceira idade além de ser visto como capaz de exercer alguns tipos de atividade. demonstrar vigor. Quando na entrevista se utilizava à palavra “idoso” o discurso era construído de forma relativamente negativa. ou no mercado de trabalho como todo. de alguma forma. na produção econômica. ao serem questionados por que não havia idosos. Relatos esses em concordância com Teixeira (2001:16) e Neri (1993:23) quando atribui à população idosa uma capacidade produtiva relacionada diretamente com a capacidade inteligiva. . Aqui não se creditou que houve contradição no discurso dos empresários e gerentes. que estando no fim de seus dias não poderia mais aprender. então.20 trabalho. entre outros. por exemplo. que se mantém com a qualidade de vida e não se altera com a idade. Percebeu-se. por ter ainda capacidade de aprender e tido como responsável para assumir funções por ter a capacidade da lucidez. Até a falta de procura de emprego formal por parte do próprio idoso foi utilizado como fator que dificultava a contratação dos mesmos. dando a idéia de não contribuição. em suas empresas. todos foram unânimes em defender que há possibilidade da inserção do indivíduo da terceira idade no comércio de Porto Velho.

Foi observado que a medida que a população da terceira idade aumenta. oferecem à terceira idade mais saudável e disposição para novas realizações de vida. Esse novo modo de envelhecer apresenta um idoso que tem necessidades diferentes de idosos do passado. O contexto permite a possibilidade de ver essa população como economicamente ativa. que ditam os fatores de sobrevivência da empresa e o tipo de profissional que essa empresa precisa. na grande parte dos casos. ainda é uma situação contida. por sua vez. outros tipos de atitudes. vai se agravando alguns problemas sociais. O proposto estudo se dispôs a estabelecer um primeiro olhar sobre a percepção da inserção do idoso no mercado de trabalho de Porto Velho através da observação em empresas comerciais. Hoje a terceira idade apresenta outros tipos de consumo. é quem a sustenta financeiramente. a quantidade de profissionais de 60 anos desocupados num mercado onde o vigor do jovem e conhecimentos tecnológicos são requisitos básicos para uma posição no mercado. além de assumir um papel diferente na estrutura familiar no qual. para promover essa vantagem no mercado competitivo. fazendo com que os indivíduos da terceira idade busquem permanecer. O mercado de trabalho.21 Para a abertura de espaço no mercado de trabalho ao indivíduo da terceira idade. ou se disponibilizem a uma vaga no mercado de trabalho. esses idosos vivem cerca de 17 a 20 anos além da aposentadoria. . e o aumento do mercado de informal. um tempo de descanso. são alguns deles: déficit nos recursos públicos através da aposentadoria precoce que é mantida pelos trabalhadores ativos. desde a década de 90 vem sofrendo transformações consideráveis. Ou ainda. as novas tecnologias no âmbito da saúde e as necessidades de uma vida com qualidade. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS As situações sociais do idoso no decorrer da história contribuíram na formação da imagem atual da pessoa mais velha que se caracteriza de modo bastante negativo. alguns sugeriram a criação de leis para favorecessem as empresas a contratar e manter funcionários idosos em seus quadros de funcionários. contudo. A velhice carrega uma idéia de inatividade. que fossem elaboradas políticas públicas para qualificação da mão-de-obra idosa que estivesse interessada a ingressar no mercado de trabalho. antes era sustentado pela família e agora. Em grandes centros brasileiros existem empresas que vêem vantagens em diversificar seu quadro pessoal com a contratação da terceira idade. Todavia.

e os restritos referenciais bibliográficos. Percebe-se então. na maioria das vezes não é visto com bons olhos pelas outras pessoas. . Existe um sentimento de que o idoso tenha que se empenhar apenas em atividades de entretenimento.22 A grande dificuldade na realização do estudo foi à ausência de dados e estudos sobre a população idosa de Porto Velho relacionado ao mercado de trabalho. para que posteriormente juntos. porém. existe um olhar de incapacidade da população em relação ao idoso. Foi observado que a realidade de Porto velho em comparação com as grandes cidades brasileiras apresenta uma imensa disparidade. A ausência de população idosa no comércio da cidade de Porto velho confronta com sua necessidade financeira e diante dessa situação a terceira idade procura se colocar no mercado como trabalhador autônomo. certo descaso e a necessidade de um estudo aprofundado sobre a população idosa dessa cidade. tem vida economicamente ativa. Notou-se que de maneira geral. admite condições precárias. O mercado de trabalho de Porto Velho é visivelmente ocupado pela mão-de-obra jovem e adulta. não há um trabalho direcionado para canalizar suas atividades. pois não existe uma procura pela compreensão das necessidades e anseios desse grupo social em Porto Velho. A necessidade financeira o leva a permanecer ativo no mercado de trabalho e isso. empresas e governo. Identificou-se que a inserção do idoso no comércio de Porto Velho é percebida pelas empresas e governo com indiferença. Às vezes sua real situação não lhe permite esse recurso. É uma população que vive a margem dessa sociedade. As empresas e governo não notam uma busca por uma colocação no mercado e necessidade da população idosa. A visão das empresas sobre a inserção do idoso no mercado de trabalho segue esse olhar. O ingresso da terceira idade no mercado de trabalho se apresenta de forma desfavorável e ao partir para atividades informais. considerando que o assunto é pouco abordado no meio acadêmico. possam atender adequadamente os anseios da terceira idade de Porto Velho. expandindo o mercado da informalidade de Porto Velho.

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