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1226053609 Manual de Introducao a Economia

1226053609 Manual de Introducao a Economia

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  • 1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA
  • 1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA
  • 1.3. QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA ANÁLISE ECONÓMICA
  • 1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA
  • 1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO
  • 1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO
  • 1.6. O MERCADO
  • 1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO?
  • 1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA
  • 1.7. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO
  • 2. PROCURA E OFERTA
  • 3. ELASTICIDADES
  • 3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed)
  • 3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo)
  • 3.3. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA
  • 4. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR E A PROCURA DE MERCADO
  • 4.1. O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL
  • 4.3. A UTILIDADE
  • 4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO
  • 5. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO E CUSTOS DE PRODUÇÃO
  • 5.1. TEORIA DA PRODUÇÃO
  • 5.1.1 Introdução
  • 5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável
  • 5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO
  • 5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS
  • 5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO
  • 6. ESTRUTURAS DE MERCADO
  • 6.1. INTRODUÇÃO
  • 6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA
  • 6.4. OLIGOPÓLIO

Carlos Miguel Oliveira

28-01-2008
INTRODUÇÃO À
ECONOMIA
Instituto Superior de Línguas e Administração

CADERNO 1 - MICROECONOMIA

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 1

















FI CHA TÉCNI CA

Manual de Introdução à Economia

Carlos Miguel Oliveira

Versão 01

ISLA de Vila Nova de Gaia
Direcção Académica

Depósito Legal 000 000/00

ISBN 000-00-0000-0


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 2
Conteúdo
1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA ....................................................................................................... 4
1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA ....................................................................................................... 6
1.3. QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA ANÁLISE ECONÓMICA ...................... 7
1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA ............................................................................................... 7
1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO .......................................... 7
1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO ......................................................... 8
1.6. O MERCADO .................................................................................................................................. 11
1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO? ................................................................................. 13
1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA ..................................... 14
1.7. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO ........................................................................................ 15
2. Procura e Oferta ............................................................................................................................... 18
2.1 A procura de mercado ................................................................................................................... 19
2.2.. A oferta de mercado .................................................................................................................... 21
3. ELASTICIDADES ................................................................................................................................ 24
3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed) ........................................................................... 24
3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo) ............................................................................... 28
3.3. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA ................................................................................. 28
4. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR e A PROCURA DE MERCADO ......................................................... 30
4.1. O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL .................................. 30
4.2. ORDENAÇÃO DAS PREFERÊNCIAS ......................................................................................... 34
4.3. A UTILIDADE ............................................................................................................................ 38
4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO .............................................................................. 40
5. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO e CUSTOS DE PRODUÇÃO ....................................................... 47
5.1. TEORIA DA PRODUÇÃO ........................................................................................................... 48
5.1.1 Introdução ........................................................................................................................... 48
5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável ................................................................... 51
5.1.3. Análise da Produção com dois factores variáveis ............................................................ 56
5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO .................................................................................... 64
5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS ........................................ 64
5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO ................................................................................................... 65
5.2.3. CUSTOS A LONGO PRAZO ................................................................................................... 68
6. ESTRUTURAS DE MERCADO ............................................................................................................ 72
6.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 72
6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA.......................................................................... 73
6.3. MONOPÓLIO ............................................................................................................................ 84
6.4. OLIGOPÓLIO ............................................................................................................................. 90

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 3
6.4.1. O MODELO DE COURNOT E BERTRAND ............................................................................ 91
6.4.2. O MODELO DE EDGEWORTH .............................................................................................. 92
6.4.3. O MODELO DE CHAMBERLIN ............................................................................................. 92
6.4.4. TEORIA DE JOGOS ............................................................................................................... 93













INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 4
1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA

1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA

A economia é uma ciência social abrangente, dedicada à compreensão da forma como a sociedade
faz a afectação dos seus recursos escassos.
Como disciplina académica, a economia tem dois séculos. Adam Smith publicou o seu livro pioneiro
A riqueza das Nações em 1776 (ano da declaração de independência dos E.U.A
1
), dando um
elevado contributo na análise do modo como os mercados organizavam a vida económica e
geravam um rápido crescimento económico. Demonstrou que um sistema de preços e de mercado é
capaz de coordenar os indivíduos e as empresas sem necessidade de qualquer direcção central.
Começava a era do capitalismo, marcada pela proliferação das empresas do sector ferroviário, têxtil
e outros, que estenderam a sua influência a todas as partes do mundo. Com o início da Revolução
Industrial na Grã-Bretanha, desenvolveu-se paralelamente a ideologia do liberalismo clássico e do
capitalismo. Estas ideias liberais eram baseadas nos fundamentos da doutrina do lassaiz-faire,
segundo a qual caberia aos governos assumirem exclusivamente as funções que apoiassem e
estimulassem as actividades lucrativas, e a interferência governamental era proibida nos demais
assuntos económicos. O liberalismo proporcionou as bases filosóficas do sistema capitalista e criou
na Inglaterra uma atmosfera favorável ao desenvolvimento do sistema fabril.
Adam Smith mostrou uma preocupação com a análise das empresas, no contexto da sua situação
perante o mercado, desenvolvendo as ideias do laissez-faire e mão invisível, procurando explicar a
formação dos preços com base em duas teorias de organização do mercado, a saber, a
concorrência perfeita e o monopólio. A primeira foi adoptada na Teoria Económica tradicional por
mais de 150 anos sem contestação. Nesse sistema, a empresa tem os seus preços determinados
pelo mercado, através da inter-relação entre a oferta e a procura. A flutuação dos preços determina
a produção, os custos e o lucro. Para Adam Smith, o sistema de preços era infalível, pois levaria
sempre ao equilíbrio de firma e da economia.
Assim, resumidamente, o mercado de concorrência perfeita ou pura é concebido como organizado
por um grande número de empresas, que individualmente são pequenas em relação ao todo
(mercado) e não podem exercer influência perceptível no preço. O produto é homogéneo, ou seja,
qualquer empresa vende um produto idêntico ao de qualquer outra e, portanto, os compradores são
indiferentes ao comprarem a qualquer vendedor Observa-se a existência da livre mobilidade dos
recursos, no sentido de que cada recurso pode imediatamente entrar e sair do mercado como
respostas a impulsos monetários. O outro sistema de organização de mercado examinado pelos
clássicos é o monopólio, definido como uma situação em que há apenas um produtor num mercado
bem definido, sem a existência de rivais ou concorrentes directos.
Posteriormente, com os neoclássicos, a Teoria dos Preços foi formulada em termos de uma nova
teoria do valor baseada nos conceitos de “utilidade” (já desenvolvidos pelos clássicos) passou a
constituir a essência do pensamento microeconómico, ou seja, da tomada de decisões. A teoria da
empresa, desenvolvida sobre este prisma, passa a descrever o equilíbrio da empresa como sendo

1
Não é uma coincidência o aparecimento destes dois documentos. O movimento pela libertação política da tirania das
monarquias europeias surgiu quase simultaneamente com as tentativas de emancipação dos preços e salários da pesada
regulamentação estatal.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 5
baseada em ajustes marginais, ou seja, em termos das variações em unidades adicionais de
produção (teoria da produção) e de custos (teoria dos custos).
Um século depois, surge Karl Marx (1867, 1885, 1894) que com o seu trabalho “O Capital”, veio
tecer uma enorme crítica ao capitalismo, condenando-o pelos seus ciclos económicos, e pelas
profundas depressões que os caracterizavam. Marx defendia que estas depressões iriam criar
movimentos revolucionários, conduzindo ao socialismo. A sua corrente de pensamento era oposta à
neoclássica, surgindo como resposta aos elevados custos sociais e decréscimo do bem-estar,
decorrentes do capitalismo e revolução industrial
2
.
Nas décadas que se seguiram, os acontecimentos pareciam confirmar as profecias de Marx. O
pânico económico e as profundas depressões dos anos 90 do século passado e dos anos 30 do
actual levaram os intelectuais do século XX a questionar a viabilidade do capitalismo da empresa
privada. Os socialistas começaram por aplicar o seu modelo na União Soviética em 1917 e por volta
de 1980 cerca de um terço do mundo era regido por doutrinas marxistas.
Em 1936, na sequência da grande depressão, John Maynard Keynes publicou “A Teoria Geral sobre
o Emprego, o Juro e o Dinheiro”. Esta obra fundamental descrevia uma nova abordagem da
economia que ajudaria as políticas governamentais, fiscais e monetárias a suavizar os maiores
estragos dos ciclos económicos.
Nos anos oitenta, as perspectivas fundamentais de Adam Smith foram redescobertas, marcadas
pela capacidade do mercado para gerar rápidas mudanças tecnológicas e elevados padrões de vida.
No ocidente os governos reduziram a seu papel regulamentador e liberalizaram os preços. Na
Europa de leste (1989) os países socialistas abandonaram o seu aparelho de planeamento central e
permitiram que as forças de mercado se desenvolvessem novamente.
Definição de economia: é o estudo da forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para
produzir bens com valor e como os distribuem entre os seus diferentes membros.
Na nossa cadeira distinguiremos entre macroeconomia, que estuda o funcionamento da economia
como um todo, e microeconomia, que estuda o comportamento dos componentes individuais tais
como a indústria, a empresa e o indivíduo.
No início tínhamos apenas o conceito de economia. Apesar da existência simultânea dos dois
“braços” económicos ao longo dos séculos, a sua divisão só começou a ser mais transparente a
partir da 1ª grande depressão de 1930, em que Ragnar Frish
3
(1985-1973), um economista
norueguês, criou as palavras micro-dinâmica e macro-dinâmica (1933) para denotar aquilo a que
hoje chamamos micro e macroeconomia.
As diferenças entre os dois ramos da economia são:
A microeconomia lida com as escolhas individuais enquanto a macro lida com agregados
económicos (consumos totais, produção total, etc.). A distinção é contudo sujeita algumas
qualificações pois mesmo em microeconomia lidamos com agregados como procura total, procura
de mercado para o trabalho, oferta da indústria. Contudo a diferença reside no facto de que estes
agregados são derivados das escolhas individuais (para além de na micro estudarmos agregados de
produtos homogéneos; não estudamos a procura combinada entre maças e laranjas). Na
macroeconomia falamos por exemplo de PNB (produto nacional bruto), que é o agregado de muitos
tipos diferentes de produtos.

2
A revolução industrial elevou a produtividade do trabalho a níveis inusitados para a época, com a multiplicação das fábricas
e a ampliação da utilização da máquina, que se fez à custa do bem-estar social.
3
Conjuntamente com o economista Alemão Jan Tinbergen ganhou o Prémio Nobel da Economia.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Na microeconomia, os preços relativos tem um papel fundamental na análise económica. Aqui nós
estudamos a resposta dos consumidores e produtores a alterações relativas dos preços, tratando
sempre a questão de uma forma homogénea. Na macroeconomia os preços têm uma importância
relativa.

1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA

A microeconomia é o estudo de como as pessoas fazem opções sob condições de escassez. Não
devemos dar uma interpretação restritiva à escassez porque mesmo quando os recursos materiais
são abundantes outros recursos importantes não o serão.
Ex. O dinheiro é um recurso escasso, mas para um magnata que contraia uma doença mortal a
escassez não reside no dinheiro, mas sim no tempo, na energia e na mobilidade física necessária ao
desempenho das suas actividades normais.
O tempo e o dinheiro não são os únicos recursos escassos. Toda a escolha envolve
considerações importantes de escassez. Conviver com a escassez é a essência da condição
humana. Na verdade, se não fosse o problema da escassez, a vida ficava desprovida de muito do
seu sentido e dificilmente qualquer decisão teria importância para alguém com um tempo de vida
infinito e recursos materiais inesgotáveis.
De facto, toda a nossa vida é um complexo problema de múltipla escolha. Simultaneamente, os
indivíduos e as empresas tem inúmeras escolhas e decisões a tomar (quando e como aumentar o
output, produzir o output interna ou externamente; etc.), e nem todas podem revestir a
característica económica (apesar de existir sempre uma possível explicação). Na nossa análise
preocupar-nos-e-mos com as escolhas económicas mais convencionas, envolvendo a alocação de
recursos escassos de forma eficiente.
Os recursos produtivos são usualmente classificados nas seguintes categorias:
- Recursos naturais: terra, água, ar, minerais e florestais;
- Recursos humanos: trabalho especializado e não especializado;
- Recursos de capital: máquinas, equipamentos, edificações;
- Recursos organizacionais: uma categoria especial que deriva da combinação e potenciação dos
recursos da instituição. Consiste na combinação dos três recursos anteriores para produção de um
output. Esta acção envolve riscos, cabendo ao empresário a responsabilidade organizativa.
No futuro falaremos de recursos produtivos com factores de produção e estudaremos a forma como
as empresas combinarão os recursos escassos na produção de bens e serviços. Bens e serviços que
também serão escassos para o consumidor, sendo as suas alocações feita (em sistema capitalista)
através dos mercados. Aqui os consumidores terão que decidir, tendo em atenção que o seu poder
de compra é limitado (escasso) e deve ser alocado pelos diferentes tipos de bens e serviços, que
constituem o seu cabaz de compras.
O nosso objecto de estudo centrar-se-á nas decisões individuais feitas pelos consumidores,
empresas e governo (que de uma forma menos extensa afecta a última alocação dos recursos
escassos da sociedade).


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 7
1.3. QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA
ANÁLISE ECONÓMICA

Num sentido mais lato saber se as áreas de floresta virgem devem ser ou não protegidas, ou se o
governo deveria ou não garantir o rendimento mínimo nacional são afinal questões normativas -
questões que envolvem os nossos valores. Uma questão normativa é urna questão sobre o que tem
de ser ou deveria ser. Por si só a análise económica não consegue responder a estas questões.
A análise económica pisa terrenos mais firmes quando se trata de responder a questões positivas -
questões acerca das consequências políticas e mecanismos institucionais específicos. Se
proibirmos o abate de árvores nas florestas virgens, o que pode acontecer ao preço da madeira?
Que outros materiais poderiam ser desenvolvidos e a que preço? Qual a influência do rendimento
mínimo nacional no desemprego? Estas são questões económicas positivas, e as respostas são
nitidamente importantes para o nosso pensamento sobre as questões normativas subjacentes. Aqui
as afirmações económicas começam com pressupostos a partir dos quais se derivam conclusões
(comprovadas empiricamente). A análise económica positiva não envolve valores ou opiniões, tendo
as suas respostas relevância importante para a formação do nosso pensamento sobre as questões
normativas subjacentes.

1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA

Ser racional quer dizer tomar decisões de acordo com o critério custo-benefício, isto é, actuar se e
só se os benefícios excederem os custos.
Existem dois critérios de racionalidade:
Baseada no egoísmo - critério segundo a qual o indivíduo racional considera somente os custos e
benefícios que se referem directamente a eles. Este padrão, explicitamente, anula motivações como
tentar fazer os outros felizes, tentar fazer o que esta correcto, etc.
Baseado no objectivo imediato - teoria segundo a qual as pessoas racionais agem eficientemente na
procura de qualquer objectivo que tenham no momento da tomada da decisão. O atractivo deste
critério mais geral é o de que ele envolve motivações (dever, gostar, caridade, etc.).
Por exemplo, se o desejo irresistível de um fumador é o de saborear um charuto esta conduta seria
racional segundo o critério do objectivo imediato, sempre que a pessoa não pagasse mais pelo
charuto do que o necessário. O facto de se arrepender posteriormente a ter fumado um cigarro, ou,
inclusive isso ser causa de morte prematura, não é simplesmente relevante segundo este critério.
Segundo o critério do egoísmo, pelo contrário, esta conduta seria irracional.
Ambos os critérios encontram amplas aplicações na análise económica. Qualquer um dos padrões
que empreguemos implica uma solução de compromisso.

1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE
DECISÃO


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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“The true cost of any decision includes the cost of the best forgone opportunity”
“A thorough understanding of costs is fundamental to understanding economic decision making.”

Muitas das opções que os economistas estudam podem ser resumidas na seguinte questão.
Deverei efectuar a actividade x'?
Os economistas dão resposta a estas questões, comparando os custos e benefícios da actividade
em questão. A regra de decisão a usar é simples. Se:
C(x) representa os custos de fazer x
e
B(x) os beneficios
Então;
se B(x)>C(x) implica fazer x . De outro modo, não.
Para se aplicar esta regra, necessitamos de definir e medir os custos e benefícios. Os valores
monetários são um útil denominador para este propósito, mesmo quando a actividade não tem
nada a ver com o dinheiro.

1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO.

Erro 1. Ignorar o custo de oportunidade
Imagine que costuma ir a discoteca todas os sábados, e que para si vale 5.000u.m.. O consumo
mínimo é de 3 000u.m.. contudo este não é o único custo para ir à discoteca. Deve ter também em
consideração o valor da alternativa mais atractiva a que renunciará no caso de ir a discoteca.
Suponha agora que se não for, ficará a trabalhar como assistente para um dos seus professores.
Este trabalho rende-lhe 4.000u.m. por dia, e gosta tanto de o fazer que o faria mesmo sem ser
pago. Assim, a questão que se coloca é “Devo ir à discoteca ou ficar a trabalhar como assistente?"
Neste caso, o custo não é somente o custo explícito de ir á discoteca (3 000u.m.) mas também o
custo de oportunidade de perder o seu salário (4.000u.m.), O total dos custos são de 7.000u.m., o
que ultrapassa o benefício que é e 5.000u.m..
Devo trabalhar primeiro ou tirar antes um curso universitário?
As despesas relativas a frequência num curso universitário não se limitam ao custo das propinas,
alimentação, alojamento, livros e outros materiais escolares. Incluem também o custo de
oportunidade dos salários perdidos enquanto se estuda. Este custo é tanto maior quanto maior for a
experiência profissional, ou seja, é menor quando se começa a trabalhar depois de terminar o
ensino secundário.
Considerando o lado dos benefícios, uma das vantagens de um curso universitário é proporcionar
salários mais elevados, e quanto mais cedo se entrar para a Universidade mais tempo poderá
beneficiar desta vantagem. Um outro factor importante é o facto de que normalmente o tipo de

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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emprego que se arranja é menos desagradável, quanto mais instrução e experiência se tiver.
Iniciando de imediato um curso universitário é possível evitar os trabalhos menos agradáveis. Por
isso para a maioria das pessoas, faz mais sentido tirar primeiro um corso universitário e só depois
começar a trabalhar. É certamente mais sensato frequentar um curso universitário com 20 anos do
que com 50. Este exemplo é uma ilustração perfeita do argumento de Friedman relativamente ao
modo de avaliar uma teoria. Ninguém pensa que os estudantes que terminam o ensino secundário
decidem quando devem iniciar o seu curso universitário com base em cálculos que envolvem custos
de oportunidade Pelo contrário, a maior parte dos estudantes vai para uma universidade assim que
termina o ensino secundário porque é o que fazem todos os seus colegas. Socialmente é o que se
deve fazer. Este hábito não surgiu do nada, e tem subsistido porque é talvez o mais eficiente.

Porque é que os bancos pagam juros?
Suponha que é banqueiro e que alguém lhe deposita 1 000 u.m. no dia 1 de Janeiro sem que você
tenha que lhe pagar juros. Você pode pegar no dinheiro e comprar um bem produtivo, como por
exemplo um pinhal. Suponha que todos os anos as árvores crescem em média 6% e que o preço de
uma árvore é proporcional à quantidade de madeira que contém Nesta óptica poderia ao fim do ano
vender o pinhal por 1060 u.m. e ganhar 60.
Mas esta opção também é valida para a pessoa que depositou o dinheiro no seu banco. Esta pessoa
estará disposta a deixá-lo utilizar o seu dinheiro, mas apenas se você o compensar pelo custo de
oportunidade de não o ter utilizado ele próprio. Se lhe pagar 5% de juros, ele provavelmente aceitará
já que não terá o trabalho de cuidar das árvores, ficando você com os restantes 1% ( 10 u.m.) por
ter tratado desse assunto.
O conceito de Custo de oportunidade tem tanto de simples como de importante no estudo da
microeconomia. A arte de aplicar este conceito correctamente está na forma como se consegue
reconhecer o maior valor alternativo que é sacrificado com o prosseguimento de uma certa
actividade.

Erro 2. Não ignorar os custos irrecuperáveis
Frequentemente um custo de oportunidade não parece ser um custo relevante, quando na
realidade o é. Outro erro comum quando se tomam decisões é considerarmos determinado custo
como relevante quando na realidade não o é. Isto acontece frequentemente com os custos
irrecuperáveis, custos esses que já foram incorridos no momento em que a decisão é tomada. Ao
contrário dos custos de oportunidade, estes custos deverão ser ignorados. O princípio de que se
devem ignorar os custos irrecuperáveis ressalta claramente, do seguinte exemplo.
Você está a planear uma viagem de cerca de 400 km. À excepção do custo, é-lhe completamente
indiferente entre ir no seu próprio carro ou de avião. O bilhete de avião custa 13 000u.m., e você
não sabe qual será o custo de levar o seu carro. Assim, telefona para a Hertz para ter um valor
estimativo. A pessoa com quem fala diz-lhe que para fazer essa estimativa deve começar por
considerar os custos de um carro típico, onde se fazem, por exemplo, 17 000 Km. Assim:
Seguro 130 000u.m.
Juros 260 000u.m.
Combustível e óleo 130 000u.m.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Manutenção 130 000u.m.
Total 650 000u.m.

Dividindo este valor total por 17000 Km, conclui que o preço por Km é 38u.m.20. Se usa este
número para calcular a custo da viagem de carro, conclui que lhe iria custar 15 280u.m.. Dado que
este valor é mais elevado do que os 13 000u.m. do bilhete do avião, decide ir de avião. Se decidir
desta maneira, você comete um erro não considerar os custos irrecuperáveis. O valor do seguro e
dos juros não varia conforme o número de quilómetros que efectua num ano. Ambos são custos
irrecuperáveis e serão sempre os mesmos quer viaje ou não com o cano. Dos custos mencionados,
o óleo, o combustível e a manutenção são os únicos que variam consoante o número de quilómetros
que efectuar. Isto dá-lhe um custo de 260 000u.m. por 17 000km, ou seja, 15u.m.30/Km. Ao preço
de 15u.m.30/km, a viagem só lhe custará 6120u.m.; e dado que este valor é muito mais baixo que
o bilhete de avião, deve ir de automóvel.
No Exemplo anterior, note o papel desempenhado pela suposição de que, exceptuando os custos,
lhe era indiferente o meio de transporte utilizado. Isto permite-nos afirmar que o único factor que se
devia considerar era o custo actual dos dois modos de transporte. Se preferisse um meio ao outro,
tinha também de ter em consideração o peso dessa preferência. Assim, por exemplo, se estivesse
disposto a pagar 7800u.m. para evitar a maçada de guiar, o custo real de guiar passaria a ser de 13
920u.m., e não 6120u.m., e neste caso deveria ir de avião.

Erro 3. Focar apenas alguns custos relevantes
Uma pessoa que ao tomar uma decisão seja vítima da falácia do custo irrecuperável, tem em
atenção um custo que deveria ter ignorado. A falácia do custo de oportunidade é exactamente o
oposto: ignorar custos que deveriam ter sido considerados. Mas o exemplo que se segue tornará
claro que os custos de oportunidade não são os únicos custos que as pessoas tendem a ignorar.
O impulso de muitos consumidores preocupados com a poupança de combustível seria escolher
imediatamente um carro com baixo consumo de Combustível como o Opel Corsa TD. Mas
provavelmente não haverá tantas Corsas TD disponíveis. Suponha que existe um total de 1000
Corsas TD e 1000 Sport 1.4 gasolina. Se alugar um Diesel em vez de um a gasolina, alguém terá de
alugar um a gasolina em vez de um a Diesel. Se o meu objectivo é poupar energia só deveria alugar
o Diesel se a pessoa que vai ficar com o a gasolina fizer menos quilómetros por ano do que eu.
Mas quem é que pode adivinhar se é isso que vai acontecer? Se as taxas de aluguer dos dois
automóveis estiverem estabelecidas no mercado e cada um escolher geralmente o carro que vai
minimizar as suas despesas totais com as deslocações, podemos dizer isto: o facto de eu escolher
um Diesel vai reduzir o consumo de energia da sociedade se, e apenas se, o TD for menos
dispendioso, para mim, do que o 1.4Gasolina. Para perceber porquê, repare primeiro que, se a
gasolina custar 168u.m. o litro, o custo anual do Corsa a gasolina é dado pelo cálculo
em que K é o número de quilómetros que eu faço por ano e 340.000u.m. a aluguer anual do veiculo
em 5 anos. O custo correspondente para o Diesel será:
( )
100
€ 168 10
€ 000 . 340
×
+ =
K
g C

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 11
Estes custos serão absolutamente iguais se eu fizer exactamente 36.363 Kms por ano (para obter
este número iguale as equações e resolva em ordem a K). Se eu andar mais de 36.363
quilómetros, o Diesel ficará mais barato; se eu andar menos, será o gasolina o mais barato. Assim,
por exemplo, se andar 6000 quilómetros por ano, deverei escolher o a gasolina, mesmo que a
poupança de energia seja a minha única preocupação.
Mas como é que vou saber se a pessoa que vai ficar com o Diesel que eu poderia ter alugado ou
comprado não vai fazer ainda menos quilómetros do que eu? Se todos seguirem a regra "conduzir o
carro menos dispendioso" tal não acontecerá com as taxas de aluguer indicadas. (Se a gasolina ficar
mais barata para mim, também será mais barato para alguém que faça menos quilómetros por ano
do que eu). é o que acontece se metade dos condutores, incluindo eu, andarem 6000 quilómetros
por ano enquanto todos os outros fazem 4000? Se fosse esse o Caso, então todos considerariam o
gasolina mais barato com estas taxas de aluguer e ninguém ia querer alugar um a Diesel. As
companhias de aluguer de automóveis iriam descobrir que podiam aumentar substancialmente os
preços dos gasolina e, mesmo assim, alugá-los todos. Pela mesma ordem de ideias, teriam um forte
incentivo para baixar as taxas de aluguer dos Diesel, caso não os quisessem ver ficar a ganhar pó
nos parques de estacionamento. Por fim, as taxas de aluguer dos dois automóveis seriam ajustadas
de modo a que os Diesel ficassem menos dispendiosos para os condutores que fazem muitos
quilómetros, e os a gasolina ficassem menos dispendiosos para os que fazem poucos quilómetros.

Erro 4. O problema dos custos externos de uma actividade
O custo externo de uma actividade é o custo que incide sobre pessoas que não estão directamente
envolvidas nessa actividade. Suponha que tem um jardim em sua casa. Levar as folhas à lixeira
próxima custa-lhe 2.000u.m. e queimá-las fica em apenas 100u.m.. Se você está apenas
interessado nos custos, vai certamente decidir queimar as folhas. O problema é que queimar as
folhas acarreta um importante custo externo, o que significa um custo que recai sobre pessoas que
não estão directamente envolvidas na decisão. Este custo externo é o prejuízo provocado pelo fumo.
Esse custo não vai incidir directamente sobre o agente que toma a decisão (queimar as folhas), mas
sobre as pessoas que moram na direcção do vento. Suponha que as prejuízos provocados pelo
fumo montam a 2500 u.m.. O bem da comunidade exige que as folhas sejam levadas, e não
queimadas. Contudo, do seu ponto de vista, será melhor queimá-las.
A Teoria Económica tem como objectivo resolver o problema da escassez, ou seja, afectar os
recursos escassos à utilizações alternativas da forma mais eficiente.
Há sempre custos associados a qualquer escolha e a escolha existe sempre, quer no consumidor,
produtor ou governo. A escolha resulta de um processo de decisão, que deve ser sempre óptimo e
eficiente.
A Teoria Económica pretende representar a realidade da forma mais aproximada possível, daí que
seja uma ciência social dedutiva, com elevado grau de abstracção.

1.6. O MERCADO

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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 12
Mercado é o mecanismo pelo qual os compradores e vendedores de uma mercadoria se confrontam
para determinar o seu preço e quantidade.
Num sistema de mercado tudo tem preço. O preço representa o valor de um bem em termos
monetários, ou seja, representam as condições em que os indivíduos e as empresas trocam os
diferentes bens. Quando concordo em comprar um telemóvel a um vendedor por 50.000u.m., isto
significa que ele vale mais de 50.000u.m. para mim e menos de 50.000u.m. para o vendedor.
Os preços também servem de sinais para os produtores e consumidores. Se por exemplo os
consumidores quiserem mais telemóveis, a sua procura irá aumentar, mas como os vendedores
estão com as suas existências reduzidas aumentam o preço do produto para racionar a oferta
limitada. Por sua vez o preço mais elevado irá estimular a produção (o contrário também é
verdadeiro).
O que é verdade para os mercados de consumo também o é para os mercados de factores de
produção, tais como o trabalho, capital, etc., Os preços coordenam as decisões dos produtores e
dos consumidores num mercado. Os preços mais elevados tendem a reduzir as compras dos
consumidores e estimularem a produção. Os preços mais baixos estimulam o consumo e retraem a
produção.
Os preços são o pêndulo do mecanismo de mercado
O equilíbrio de mercado representa um equilíbrio entre todos os compradores e vendedores. Todos,
consumidores e empresas pretendem comprar ou vender algumas quantidades dependendo do
preço. O mercado estabelece o preço de equilíbrio que equipara os desejos dos vendedores e
consumidores. O preço representa o equilíbrio entre a oferta e a procura. Os preços ajudam a
equiparar o consumo e a produção (a oferta e a procura).

Os três problemas económicos - O quê, como e para quem
O próprio mercado tem capacidade para resolve-los, através do seu equilíbrio.
1. O quê será produzido é determinado pela decisão de compra dos consumidores. O
dinheiro que deixa nas caixas das empresas vai acabar por proporcionar os salários, as rendas e os
dividendos que os consumidores, como empregados, recebem como remuneração.
As empresas, por seu lado, são movidas pelo desejo de maximizar os seus lucros - lucros que
correspondem a diferença entre as receitas líquidas (lucro total), ou a diferença entre as vendas e
os custos totais (as empresas são atraídas pelos lucros elevados da produção de bens com elevada
procura.
Os custos relativos também afectam a produção e o comércio entre países. O Japão produz e
exporta electrónica de consumo e importa alimentos, enquanto os EUA importam electrónica de
consumo e exportam alimentos. Quem toma estas decisões? É o governo ou o congresso japonês?
De facto não é nenhum deles. É o sistema de preços quem toma as decisões. Dado que existe em
abundância nos EUA, a terra é relativamente barata e os custos dos alimentos são relativamente
baixos. Porque a terra é escassa e cara no Japão, enquanto o talento tecnológico é relativamente
abundante, os custos dos alimentos são relativamente elevados enquanto os da electrónica de
consumo são baixos. Analisando os sinais dos preços da terra e do trabalho, as empresas, os
agricultores e os consumidores podem escolher o bem que será mais apropriado produzir, negociar
e consumir.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 13
2. A concorrência entre os diferentes produtores é que determina como as coisas são produzidas. A
melhor forma de os produtores alcançarem um preço de concorrência e maximizarem o lucro é
manterem os custos no mínimo, através da adopção dos métodos de produção mais eficientes.
O mais importante a apreender é o posicionamento tecnológico e a forma mais eficiente de utilizar a
tecnologia ao longo do tempo.
3 - Para quem são as coisas produzidas é determinado pela oferta e procura nos mercados dos
factores de produção - Os mercados determinam os salários, as rendas da terra, as taxas de juro e
os lucros - passaremos a designá-los por preços dos factores de produção. Através do somatório dos
rendimentos dos factores de produção, podemos calcular o rendimento da população. A repartição
do rendimento entre a população é portanto determinada pelo montante possuído de factores
(horas-homem, hectares de terreno, etc.) e pelos preços dos factores (níveis salariais, rendas da
terra, etc.).

1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO?

Os consumidores não podem, por si só, ditar quais os bens que devem ser produzidos. A procura
dos consumidores tem de se encaixar com a oferta de bens e serviços pelas empresas.
Os custos empresariais e as decisões de oferta, juntamente com a procura dos consumidores,
ajudam a determinar o que deve ser produzido.
Os mercados funcionam como um link, que reconcilia os gostos dos consumidores com as
limitações tecnológicas das empresas.
O lucro tem um papel muito importante no dia-a-dia do mecanismo de mercado, constituem o
prémio ou castigo para as empresas, induzindo-as a produzir da forma mais eficiente possível os
bens mais desejados.
Uma imagem dos Preços e dos Mercados
A figura abaixo representada dá-nos uma visão global de como os consumidores e produtores
actuam em conjunto para determinar os preços e as quantidades, tanto de factores de produção
como das produções.
Em cima estão os mercados dos produtos, em baixo os mercados dos factores de produção.
Os consumidores compram bens e vendem factores de produção, as empresas vendem bens e
serviços e adquirem factores de produção. Os consumidores usam o seu rendimento da venda de
trabalho e outros factores para adquirir bens às empresas; estas baseiam os preços dos seus bens
nos custos do trabalho e do património. Os preços nos mercados de bens são estabelecidos de
modo a equiparar a procura dos consumidores com a oferta das empresas; os preços no mercado
de factores são estabelecidos de modo a equilibrar a oferta dos consumidores com a procura das
empresas.
A procura e a oferta formam uma teia de relações interdependentes que se conjugam através do
mecanismo de mercado para resolver os problemas económicos.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 14



















Figura 1. O funcionamento do mercado.
Fonte: Adaptado de Frank, R, 2002, Microeconomia e o Comportamento, McGrawHill.



1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA

Foi Adam Smith quem proclamou o princípio da Mão Invisível. Decorrente do princípio da
racionalidade egoísta, todo o indivíduo é levado por uma “mão invisível” a atingir o melhor bem
possível. Num contexto de concorrência perfeita (mercado em que nenhuma empresa ou
consumidor é suficientemente forte para afectar o preço de mercado) a interferência governamental
seria prejudicial, pois estaria a condicionar a utilização dos recursos da forma mais eficiente. Num
mercado concorrencial a afectação dos recursos é sempre eficiente, encontrando-se a economia na
sua fronteira de possibilidades de produção (conceito estudado na Introdução à Economia). Contudo
quando se verifica uma situação de concorrência imperfeita (por ex. Se a EDP elevar o preço da
energia eléctrica para ganhar lucros extraordinários e assim criar maiores dividendos para os seus
accionistas – não esquecer que foi recentemente parcialmente privatizada – estará a produzir esse
bem abaixo do nível de maior eficiência, logo a afectar a economia. Neste caso os preços não são
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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 15
determinados pelos custos de produção ou mercados, desaparecendo a propriedade da mão
invisível.
Em concorrência perfeita e sem falhas de mercado, os mercados conseguirão extrair tantos bens e
serviços quantos os recursos disponíveis o permitam.

1.7. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO

Como sabemos, uma economia de mercado perfeitamente concorrencial não existe. As economias
de mercado estão prejudicadas pelo:
• Monopólio;
• Poluição;
• Desemprego e inflação;
• Injustiça na repartição do rendimento.
Em resposta às falhas de mercado (mecanismos de mercado), os países introduziram o conceito da
“Mão Visível do Governo”:
Substituindo o mercado ao possuírem certas actividades;
• Regulamentado;
• Incentivando o Investimento, Investigação e Educação;
• Cobrando impostos – redistribuindo rendimento
As três funções básicas que o Estado deve promover são:
1. Eficiência – As falhas de mercado levam a ineficiências:
Em situações de concorrência imperfeita, o preço não é determinado pelo mecanismo de mercado.
Um ex. típico é o poder monopolístico que conduz a alterações na própria estrutura de mercado. Nas
últimas décadas os governos têm refreado este poder através da proibição de fixação de preços ou
divisões de mercado.
Dentro da economia existem Externalidades
4
, que ocorrem quando as empresas, indivíduo ou
estado impõe custos ou benefícios a outros que se situam fora do mercado. O governo criou
regulamentação própria para externalidade como a poluição do ar, da água, sonora, detritos
industriais, etc.,
Os Bens públicos são actividades económicas que proporcionam grandes ou pequenos benefícios
para a comunidade. Estas actividades não podem ser entregues à iniciativa privada, porque não a
gere da forma mais eficiente possível (ex. construção de auto-estradas, apoio a ciência e saúde).
2. Equidade – Os mercados não produzem necessariamente uma repartição do rendimento que
possa ser encarada como socialmente justa ou equitativa. Uma sociedade de mercado de puro
laissez-faire poderá produzir níveis de desigualdade do rendimento e do consumo que sejam
inaceitáveis. O rendimento pode ser resultado de padrões aleatórios como a herança, o azar, o

4
Existem críticos e defensores da regulamentação dos mercados e externalidades. Tudo se prende à forma como ela é
efectuada.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 16
preço dos factores, acasos tecnológicos
5
. Como forma de repartição do rendimento existem os
impostos e/ou sistemas de transferência de rendimento (Seg. Social, subsídios, etc.)
3. Crescimento económico e estabilidade – os governos através de políticas e instrumentos
macroeconómicos (políticas fiscais e monetaristas) conseguem (às vezes) influenciar os níveis de
despesa, produto, inflação e desemprego.


5
Um acaso tecnológico, como por exemplo a invenção de um robot, poderá reduzir a mão de obra em determinada
actividade, transferindo o rendimento para os proprietários da tecnologia.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 17


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 18
2. PROCURA E OFERTA

A temática da economia encontra-se associada, a maior parte das vezes, a procura e oferta. A
análise da procura e oferta é considerada como uma importante ferramenta exploratória e
preditiva.
Antes de iniciarmos o estudo em mais detalhe, e como este é um curso introdutório,
procuraremos clarificar alguns do termos utilizados:
- A procura é a relação entre o preço de mercado e a quantidade que os consumidores estão
dispostos a adquirir de determinado produto. Quando falamos de procura estamo-nos a referir a
uma quantidade “desejada”. Este pressuposto é muito importante para o entendimento de que a
quantidade que os consumidores procuram de determinado bem e a determinado preço de
mercado nem sempre é a quantidade que as pessoas adquirem.
- A oferta traduz a relação entre o preço de mercado e a quantidade que as empresas
(vendedores) estão dispostos a oferecer no mercado.
A análise baseada na oferta e procura é do tipo “what if” (e se..), representando o relacionamento
entre quantidades oferecidas e procuradas a determinado nível de preço do mercado.
Poderemos considerar uma curva da procura do Ferrari Enzo Dino que procurará responder a
quantas unidades seriam compradas se o seu preço de venda fosse de 10.000€. Com certeza a
resposta seria: muitas! Esta resposta traduziria um desejo e não as quantidades reais de ferraris
que seriam adquiridas no mercado, uma vez que a quantidade oferecida a este preço seria
próxima ou mesmo igual a 0 (zero). O estudo da procura e da oferta permitem-nos retirar algumas
conclusões sobre as alterações do comportamento dos agentes face a alterações de variáveis do
meio envolvente ao mercado, à organização ou ao consumidor. Este estudo deverá ser feito antes
da ocorrência das alterações, tornando-se um importante instrumento na predição das
consequências de fenómenos económicos (e.g. o que acontecerá se o imposto sobre um bem
aumentar 10%?).
Outro conceito importante a reter é o de preço de mercado. Na nossa análise iremos tratá-lo de
forma indistinta relativamente a factores como a localização, espaço de venda, qualidade do
produto… Sabemos que o preço é uma variável importante para o consumidor e que o mesmo é
diferenciado por loja, região e outros factores que potenciam a descriminação. Contudo vamos
encara-lo como uma espécie de preço médio de mercado.
De notar que nossa análise iremos relacionar duas variáveis: preço e quantidade. Do ponto de
vista formal o preço poderá explicar a quantidade procurada ou oferecida, ou a quantidade
procurada e/ou oferecida poderão explicar o preço a fixar no mercado.

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30.
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cura e oferta
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
fixado acim
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s empresas.
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igual a 12. N
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ta igual a 50
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18 unidade
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.0 ………………
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TE I MICROEC
……………………
om recurso a
CONOMIA
…::…………………
o caderno de
…………….
e exercícios.
23

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 24
3. ELASTICIDADES
No estudo da procura e oferta de mercado é muito importante a medição da resposta dos
consumidores às alterações dos preços dos produtos e do seu rendimento. Sabemos já que a
procura é inversamente relacionado ao preço, ou seja, quanto maior o preço menor será a
quantidade procurada. Sabemos ainda que, regra geral, quanto maior o rendimento maior será a
quantidade procurada de determinado bem.
O conceito de elasticidade permite-nos conhecer a sensibilidade da quantidade procurada face à
alteração de variáveis como o preço de determinado produto, o rendimento ou o preço de produtos
que de alguma forma estejam relacionados. É assim usado para medir a reacção dos consumidores
face a mudanças em variáveis económicas.
Por outro lado o estudo das diferentes elasticidades permitem-nos caracterizar algumas tipologias
de bens como os bens normais, inferior, complementares ou substitutos.

3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (E
d
)

A elasticidade preço da procura (Ed) mede a reacção dos consumidores às mudanças no preço.
Essa reacção é calculada pela razão entre duas variações percentuais. A variação percentual na
quantidade procurada dividida pela variação percentual no preço. Ou seja,

Eu=_
:orioção pcrccntuol Jo quontiJoJc procuroJo (∆%µJ)
:orioção pcrccntuol no prcço Jo proJuto (∆%P)
_

Exemplo: o preço do leite muda de 2,00 u.m. para 2,20 u.m.. Qual será a elasticidade preço da
procura do leite se a quantidade procurada de leite é de 85 mil de litros por ano quando o preço é
2,20 e é de 100 mil de litros por ano quando o preço é 2,00 u.m.. A resposta é simples:
A variação absoluta na quantidade foi de 15 mil de litros (100 – 85) e traduz uma diminuição. Em
termos percentuais isso equivale a 15% pois, a quantidade era de 100 mil litros a 2,00 u.m. que era
o preço inicial. Quando o preço aumentou para 2,20 u.m. houve uma queda na quantidade
procurada de 15% [100(85 – 100)%/100].
A variação absoluta no preço foi de 0,20 u.m. (2,20 – 2,00) traduzindo um incremento no preço. Em
termos percentuais isso equivale a 10% pois, o preço inicial era 2,00 e aumentou para 2,20 houve
um aumento de 10% [
2,20-2
2
× 1uu = 1u%¸.
A elasticidade desta mudança será: Eu=¡
∆%çÐ
∆%P
¡ =EJ = ¡
-15%
10%
¡ =EJ = 1,S

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 25
Nota: dada a relação inversa entre a procura e a oferta é necessária a utilização de um módulo para
obtermos um resultado positivo. Não esquecer que se a variação do preço foi negativa a variação da
quantidade procurada será positivo e vice-versa.
Fórmula da Elasticidade no arco: Fd =
Q2-Q1
Q2+Q1
2
P2-P1
P2+P1
2


CLASSIFICANDO BENS DE ACORDO COM A SUA ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA
1. ELÁSTICOS
Se a elasticidade preço do bem for maior que 1,00 diz-se que a procura desse bem é elástica. A
variação percentual na quantidade excede a variação percentual do preço. Ou seja, os
consumidores são bastante sensíveis a variações no preço.
2. INELÁSTICOS
Se a elasticidade preço do bem for menor que 1,00 diz-se que a procura por esse bem é inelástica.
A variação percentual na quantidade é menor que a variação percentual no preço. Ou seja, os
consumidores são relativamente pouco sensíveis a variações no preço.
3. ELASTICIDADE UNITÁRIA
Se a elasticidade preço do bem for igual a 1,00 diz-se que a procura por esse bem é de elasticidade
neutra. A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual no preço.

ELASTICIDADE E BENS SUBSTITUTOS
A elasticidade preço da procura para um bem em particular é influenciada pela disponibilidade ou
não de bens substitutos. Quanto mais bens substitutos estiverem disponíveis mais elástica é a
procura, se não há bens substitutos a procura é inelástica.

OUTROS DETERMINANTES DA ELASTICIDADE
1. Tempo: elasticidade de Curto Prazo e elasticidade de Longo Prazo. Quanto mais tempo os
consumidores tiverem para procurar substitutos maior será a intensidade de sua reacção.
2. Espaço: a elasticidade de um mercado é diferente da elasticidade de uma única empresa. A
elasticidade do mercado diz quanto a quantidade global mudará se o preço geral foi alterado,
contudo se uma única empresa muda seu preço a elasticidade poderá ser outra.
3. Peso da aquisição no orçamento do consumidor: se um bem representa pouco do orçamento
total do consumidor a reacção será menor a variações de preço. Exemplo: aumento de 10% no
preço do lápis. Aumentou de 1,00 u.m. para 1,10 u.m.. Poucas pessoas deixaram de comprar
lápis por isso. Entretanto, se o bem ocupa um peso razoável no orçamento do consumidor,

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 26
então as reacções serão maiores. Exemplo: O preço do automóvel subiu 10%. Aumentou de
15.000,00 u.m. para 16,500,00 u.m.. A intensidade da reacção será maior para esta
mudança. A procura será mais elástica.
4. Bens necessários versos bens supérfluos: para bens essenciais como pão, arroz, feijão, etc. a
procura é mais inelástica. Para bens de luxo a procura é mais elástica.
Exemplos de Elasticidades
Produto Ed
Sal 0,1
Água 0,2
Café 0,3
Cigarros 0,3
Calçados 0,7
Habitação 1,0
Automóveis 1,2
Refeições em restaurantes 2,3
Viagens de Avião 2,4
Cinema 3,7


A ELASTICIDADE DE UMA PROCURA LINEAR
A elasticidade muda a cada ponto. Ela aumenta a medida que os pontos vão se movendo para a
esquerda. Uma função procura pode ter várias elasticidades. De notar que a elasticidade preço da
procura tem uma influência directa sobre a receita total da organização (RI = P × µ)

0
20
40
60
80
100
120
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55
P
r
e
ç
o
Quantidade Procurada
12 27
42
76
50
46
16
r
s
t
u
v
w

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 27
Em cada ponto as mudanças absolutas no preço é igual a 4 unidades (80-76=4; 50-46=4; 20-16
=4) os percentuais de mudança nos preços são de: do ponto r para o s queda de 4 unidades ou 5%
(4*100/80); do ponto t para o u queda de 4 unidades ou 8% (4*100/50); do ponto v para o w
queda de 4 unidades ou 20% (4*100/20). Essas são as mudanças nos preços.
As quantidades variam da seguinte maneira: do ponto r para o s aumento de 2 unidades ou 20%
(2*100/10); do ponto t para o u aumento de 2 unidades ou 8% (2*100/25); do ponto v para o w
aumento de 2 unidades ou 5% (2*100/40).
As elasticidades em cada mudança são de: Ed = 4,0 (de r para s); Ed = 1,0 (de t para u); Ed = 0,25
(de v para w). Teoricamente a elasticidade de uma recta vai de zero ao infinito.

USANDO A ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA
A elasticidade preço da procura para um bem revela-se um instrumento fundamental para se poder
quantificar e predizer o quanto mais de um bem será vendido a um preço menor e vice-versa.
ex.: Vamos supor que a elasticidade preço da procura de filmes num cinema é igual a 2.
Imaginemos que o director do cinema decide aumentar o preço do ingresso em 10%. Se o preço
inicial era igual a 5,00 u.m. e a quantidade vendida igual a 100 bilhetes por sessão ele agora deverá
ter em atenção que a quantidade procurada sofrerá uma diminuição igual a 20 bilhetes por sessão,
já que o preço será fixado em 5,50 u.m. Vamos verificar a implicar desta decisão nas receitas do
cinema por sessão
Situação Preço fixado (1) Quantidade Procurada
(2)
Receita obtida (1x2)
Inicial 5,00 100 500
Alteração do preço 5,50 80 440
Em geral o aumento de preço do bilhete de cinema tem dois efeitos, do ponto de vista do
empresário:
1. Efeito Positivo de vender a um preço mais alto.
2. Efeito Negativo de vender menor quantidade.
Neste caso a decisão de aumentar o preço ou não dependerá de qual dos efeitos supera o outro.
Verifica-se uma diminuição da receita total, contudo ainda não poderemos concluir nada sem
conhecer as implicações na estrutura de custos da empresa e no resultado económico final da
empresa.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 28
3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (E
o
)

A elasticidade preço da oferta (Eo) mede a reacção dos vendedores às mudanças no preço.
Essa reacção também é calculada pela razão entre dois percentuais. A variação percentual na
quantidade ofertada dividida pela mudança percentual no preço. Ou seja,
Eo =
:orioção pcrccntuol no quontiJoJc o¡crcciJo
:orioção pcrccntuol Jo prcço
=
∆%µs
∆%P

Dos determinantes o tempo tem grande importância, pois a elasticidade de curto prazo será em
geral diferente da de longo prazo. Assim, ao longo do tempo, quando as firmas têm possibilidade de
reagir mais intensamente às variações de preço, a curva de oferta irá se tornando cada vez mais
elástica.

PREVENDO MUDANÇAS NO PREÇO USANDO O CONCEITO DE ELASTICIDADE
Quando oferta ou procura mudam pode-se traçar um diagrama para saber a direcção da mudança
do preço de equilíbrio. Esse diagrama dirá tudo sobre direcções mais quando se deseja saber o
quanto o preço mudará faz-se uso das elasticidades.
Sabendo-se as elasticidades de procura e oferta, a variação nos preços, resultante de um aumento
na quantidade procurada será é dada pela divisão do percentual de mudança na procura pela soma
das elasticidades de oferta e procura:
∆P (:orioção no prcço) =
∆%çd
Ld+Lo
; isto para o preço de equilíbrio.

Equivalentemente pode-se calcular variações devido a mudanças na oferta:
∆P (:orioção no prcço) =
∆%µs
EJ +Eo



3.3. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA


Elasticidade rendimento da procura
É utilizada para medir a reacção dos consumidores face a alterações no rendimento.
Er =
∆%µJ :orioção pcrccntuol no quontiJoJc procuroJo
∆%R :orioção pcrccntuol no rcnJimcnto


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 29
Para bens normais há uma relação positiva entre rendimento e quantidade procurada, logo a
elasticidade rendimento é positiva.
Para bens inferiores há uma relação negativa entre rendimento e quantidade procurada, logo a
elasticidade rendimento é negativa.
Diz-se que a elasticidade rendimento da procura é elástica se a elasticidade rendimento é maior que
um e inelástica se menor que um.

Elasticidade preço cruzada
É utilizada para medir a reacção dos consumidores às mudanças de preços de bens afins.
É definida como a variação percentual na quantidade procurada de um produto em particular (X)
dividida pela variação percentual no preço de um bem afim (Y):
Ex, y =
∆%çdx (vu¡ìução pc¡ccntuuI nu quuntìdudc p¡ocu¡udu do bcm )
∆%P¡(¡u¡ìução no p¡cço do bcm ¡

Para bens substitutos há uma relação positiva entre quantidade procurada do bem e variação de
preço do substituto, logo a elasticidade cruzada de bens substitutos é positiva.
Para bens complementares há uma relação negativa entre quantidade procurada do bem e preço
do bem complementar, logo a elasticidade cruzada é negativa.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 30

4. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR E A
PROCURA DE MERCADO
Neste capítulo vamos tentar analisar a forma como a economia procura explicar o processo de
decisão referente às escolhas do consumidor. Será a base teórica para a derivação das curvas de
procura de mercado.
Quando pensamos nas nossas escolhas diárias e decisões de compra, somos capazes de enumerar
um conjunto extenso de factores que podem afectar a nossa decisão: preço, gosto pessoal,
qualidade dos produtos, (in)existência de produtos substitutos ….. . Efectivamente são vários os
factores que pesam na nossa decisão.
A análise explanada nas próximas páginas é muito abstracta e deverá ser entendida no contexto da
sua modelização.

4.1. O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO
ORÇAMENTAL

Estes apontamentos são baseados no de Frank no seu livro Microeconomia e Comportamento.
Para simplificar, comecemos por considerar um mundo somente com dois bens, alimentação e
habitação. Um cabaz de bens é o termo usado para descrever uma combinação particular de
alimentação, medida em quilos por semana, e habitação, medida em metros quadrados por
semana. Assim, na Figura 2, um cabaz (cabaz A) pode consistir em 5 m
2
/semana de habitação e 7
kg/semana de alimentação. Para abreviar, podemos usar a notação (5; 7) que representa o cabaz A
e a notação (3, 8) que caracteriza o cabaz B. De forma geral, (H0,, A0) representa o cabaz de H0
metros quadrados/semana de habitação e A0 kg/semana de alimentação. Convencionou-se que o
primeiro número do par de qualquer cabaz se refere ao bem representado ao longo do eixo
horizontal.
Figura 4.1. Representação de cabazes de bens

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 31
Suponha que o rendimento de um consumidor é R = 13 000u.m./semana, e que gasta tudo numa
combinação de alimentação e habitação. (Note que o rendimento também varia). Suponha, ainda,
que o preço da habitação e da alimentação é respectivamente:
PH = 650 u.m./m
2
e
PA= 1.300 u.m./kg.
Se o consumidor gastar todo o seu rendimento em habitação, pode comprar:
R/PH = (1300u.m./semana) ÷ (650 u.m./m
2
) = 20 m
2
/ semana.
0 mesmo é dizer que podem comprar o cabaz de 20 m
2
/semana de habitação e 0 kg/semana de
alimentação, denotado (20, 0).
Suponha, em alternativa, que o consumidor gasta todo o seu rendimento em alimentação. Obteria,
assim, o cabaz será traduzido por:
R/PA = (13000u.m./semana) ÷ (1.300 u.m./Kg), o que quer dizer 10Kg de Alimentação e 0 m2
/semana de habitação, denotando (0,10).
Figura 4.2 Representação da restrição orçamental do consumidor
Na Figura 4.2. estes
extremos estão
identificados por K e L,
respectivamente. 0
Consumidor será também
capaz de comprar qualquer
outro cabaz que se
encontre ao longo da linha
recta que liga Os pontos K e
L. Esta linha é designada
por restrição orçamental, ou
conjunto de oportunidades,
e está representada pela sigla B no diagrama.
Recorde-se da regra de álgebra que aprendeu no liceu, segundo a qual o declive de uma linha recta
é a sua "altura" sobre a sua "base" (a variação da sua posição vertical dividida pela variação,
correspondente, da sua posição horizontal). Note que, aqui, o declive da restrição orçamental é a
sua ordenada na origem (a altura) dividida pela sua abcissa na origem (a base correspondente): -
(10 kg/semana)/(20m
2
/semana) = - (1/2 ou 0,5) kg/m
2
. O sinal negativo significa que a restrição
orçamental é decrescente, ou seja, tem um declive negativo. Em termos gerais, se R representa o
rendimento semanal do consumidor, e PH e PA representam os preços de habitação e alimentação,
respectivamente, a ordenada e a abcissa na origem serão dadas por (R/PH) e (R/PA), respectivamen-
te. Assim, a fórmula geral para o declive da restrição orçamental e dada por - (R/PÁ)/ /(R/PH), que é,
simplesmente, a negativa do quociente dos preços dos dois bens.
Em adição à possibilidade de comprar qualquer outro cabaz que se encontre ao longo da sua
restrição orçamental, o consumidor pode também adquirir qualquer cabaz que esteja incluído no
triângulo orçamental formado por ele e pelos dois eixos (área colorida do triangulo). Na Figura 4.2.,
D é um desses cabazes. 0 cabaz D custa 8.450 u.m./semana:

Carlos
Custo
u.m./
referi
triâng
u.m./
Se H
orçam
R = P
Tradu
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A
Q =
A equ
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µ
A=10

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Caso
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Fonte:
A Figu
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/semana. Os
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A
P
P
P
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UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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TE I MICROEC
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2
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32
3. 000
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rados),

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 33
não altera a ordenada na origem da restrição orçamental do consumidor, a subida do preço de
habitação apenas desloca a restrição orçamental para dentro em torno da ordenada na origem,
como se mostra no diagrama.
Note que, na Figura 4.3. embora o preço dos alimentos não se tenha alterado, a nova restrição
orçamental B2 reduz, não somente a quantidade de habitação que o consumidor pode comprar, mas
também a quantidade de alimentação (este problema prende-se com uma diminuição real do poder
de compra do consumidor; o seu rendimento real baixou).
Exercício prático: Verifique o efeito de uma redução do preço da habitação, de 650u.m./m
2
para
520u.m./m
2
, sobre a restrição do orçamental 1 B1 na Figura 3.
Poderá constatar se representar a nova restrição orçamental que uma redução no preço da
habitação deixa, mais uma vez, inalterada a ordenada na origem da restrição orçamental. Desta vez,
a restrição orçamental efectua uma rotação para fora. Repare, também, como no caso 1, que
embora o preço da alimentação não se altere, a nova restrição orçamental permite ao consumidor
comprar um cabaz que englobe não só mais habitação, mas também mais alimentação.
Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u.m./kg
para 2600u.m./kg sobre a restrição orçamental B1.
O exercício anterior demonstra que, quando o preço da alimentação é alterado, a restrição
orçamental efectua uma rotação em torno da sua abcissa na origem. Repare ainda, que, embora o
rendimento e o preço da habitação se mantenham inalterados, a nova restrição orçamental reduz
não só a quantidade de alimentos que o consumidor pode comprar como também a quantidade de
habitação.
Quando alteramos o preço de apenas um dos bens, alteramos, necessariamente, o declive da
restrição orçamental, o mesmo acontece se alterarmos ambos os preços em proporções diferentes.
Mas, como poderá constatar no caso seguinte, alterar os dois preços exactamente na mesma
proporção dá origem a uma nova restrição orçamental com mesmo declive da recta original.
Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u.m./kg
para 2600u.m./kg e de um aumento do preço da habitação de 650u.m./m
2
para 1300u.m./rn sobre
a restrição orçamental B1 na figura3.
Repare que aqui, o efeito da duplicação dos preços da alimentação e da habitação é deslocar a
restrição orçamental para dentro e paralelamente à restrição original. A lição importante a tirar
deste exercício é que o declive da restrição orçamental retracta apenas preços relativos, não
podendo ser referência para os níveis de preços em termos absolutos. Quando os preços da
alimentação e da habitação se alteram na mesma proporção, o custo de oportunidade da habitação
em termos de alimentação mantém-se como anteriormente.

Alterações do rendimento.

O efeito de uma alteração do rendimento é muito semelhante ao efeito de uma alteração de todos
os preços em proporções iguais. Suponha, por exemplo, que o rendimento do nosso hipotético
consumidor é reduzido a metade, de 13 000u.m./semana para 6500S/semana. A abcissa na
origem da restrição orçamental do consumidor vai diminuir de 20 m
2
/semana para 10 m
2
/semana,
e a ordenada na origem de 10 kg/semana para 5 kg/semana, como se mostra na Figura 4. Assim, o
novo orçamento, B2, é paralelo ao antigo, B1, ambos com um declive de ½. Em termos de efeito

Carlos
sobre
difere
as alt
Exerc
15.60
O exe
fora e
orçam
Figura
Os ex
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podem
pode
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cham
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apres


4.2.

Vamo
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Para
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s Miguel Olive
e aquilo que
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terações.
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a 4.4.
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UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 35
preferir A tem mais habitação, mas menos alimentação, do que B. Quem passar muito tempo em
casa vai provavelmente escolher o A, enquanto uma pessoa com um metabolismo muito rápido es-
colherá provavelmente o B.
De uma forma geral, podemos dizer que, para dois cabazes como estes, o consumidor pode fazer
três escolhas: 1)A é preferido a B; 2) B é preferido a A; 3)A e B são igualmente preferidos. A
ordenação da preferência permite ao consumidor ordenar os diferentes conjuntos, mas não lhe
permite fazer afirmações quantitativas mais precisas sobre a sua preferência relativa. Assim, por
exemplo, o consumidor poderá dizer que prefere A a B, mas não pode afirmar que A lhe dá o dobro
da satisfação de B.
As ordenações de preferências diferem, frequentemente, entre os consumidores. Uns gostam de
Verdi, outros gostam dos Rolling Stones. No entanto, apesar destas diferenças, a maior parte das
ordenações de preferências partilham algumas características importantes. Mais especificamente,
os economistas assumem geralmente quatro propriedades simples. Começaremos por considerar
as primeiras três dessas propriedades, o que nos fará avançar no sentido de sermos capazes de
construir uma representação analítica concisa das preferências que nos são necessárias para o
problema da distribuição orçamental.
1. Exaustividade. Uma ordenação de preferências está completa se permitir ao consumidor ordenar
todas as combinações possíveis de bens e serviços. Tomada à letra, a exaustividade é sempre falsa,
pois existem muitos bens que não são possíveis de avaliar de uma forma precisa por os
desconhecermos quase completamente. E, contudo, uma suposição simples e útil para a análise
das escolhas dentro dos vários cabazes de bens que são familiares aos consumidores.
2. Transitividade. Se gosta mais de bife que de hambúrguer, e mais de hambúrguer que de
cachorros quentes, então provavelmente você gosta mais de bife que de cachorros quentes. Uma
ordem de preferência de um consumidor é transitiva, quando para cada três cabazes A, B, e C, se
ele preferir A a B, e preferir B a C, então ele vai sempre preferir A a C. A relação entre as
preferências é como a relação usada para comparar alturas de pessoas.
Nem todas as relações comparativas são transitivas. Uma relação não transitiva é demonstrada na
relação de "derrotas do futebol". Nalgumas épocas o Porto derrota o Sporting, e o Sporting vence o
Benfica, o que não quer, necessariamente, dizer que o Porto vá vencer o Benfica, “embora seja o
mais provável!”.
A transitividade é uma simples propriedade de coerência e aplica-se à relação "igualmente preferido
a", e a qualquer combinação desta com a relação "preferido a". Por muito razoável que a
transitividade nos pareça, veremos em situações posteriores exemplos de comportamentos que nos
parecerão incompatíveis com ela. Mas, apesar disso, trata-se de uma descrição precisa das
preferências na maior parte dos casos, e a não ser que seja especificado de outra forma, iremos
adoptá-la ao longo das aulas.
3. Quanto mais, melhor. A propriedade de quanto mais, melhor, quer dizer que, sendo tudo o resto
constante, maior quantidade de um bem é preferível a menos quantidade desse mesmo bem.
Naturalmente, podemos pensar em exemplos onde mais de "qualquer coisa" faz-nos sentir pior que
melhor (como por exemplo alguém que comeu de mais). Mas, nestes casos, há normalmente algum
tipo de dificuldades práticas, como um problema de autocontrolo ou uma incapacidade de
armazenar um bem para utilização futura. Desde que as pessoas possam dispor livremente dos
bens que não querem, ter mais de algo não lhes pode fazer mal.
Como exemplo da aplicação da suposição de quanto mais, melhor, considere dois conjuntos, A, que
têm 12 m
2
/ semana de habitação e 10 kg/semana de comida, e B, que tem 12m
2
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de 2008 | R
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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 37
As curvas de indiferença também nos permitem comparar a satisfação que está implícita nos
cabazes dispostos ao longo delas com os que estão acima ou abaixo. Permite-nos, por exemplo,
comparar o cabaz C (20, 7) ao cabaz K (23, 4) que tem menos alimentação e mais habitação que o
C. Sabemos que C é igualmente preferido a A (25, 6) porque ambos os cabazes estão dispostos ao
longo da mesma curva de indiferença. D, por sua vez, é preferido a K por causa da suposição do
quanto mais, melhor: tem a mais 2 m
2
habitação/semana e 2kg alimentação/semana que K.
A Transitividade, diz-nos finalmente que, uma vez que C é igualmente preferido a D e D é preferido
a K, C deve ser preferido a K..
Por um raciocínio análogo, podemos dizer que o cabaz L é preferido a A. Em geral os cabazes que se
situam acima de uma curva de indiferença, são todos preferidos aos cabazes que se situam sobre
ela. Da mesma maneira que todos os que se situam sobre uma curva de indiferença são preferidos
àqueles que estão dispostos abaixo
A propriedade da exaustividade implica que exista uma curva de indiferença que passa através de
todos os cabazes possíveis. Assim sendo, podemos representar as preferências dos consumidores
com um mapa de curvas de indiferença.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 38

4.3. A UTILIDADE

A satisfação que deriva do consumo de um consumidor é chamada na economia por utilidade.
Suponha que um consumidor consume 5 Kg de alimentação. A satisfação total que ele obtém é
chamada de Utilidade Total. Suponha agora que ele consome um Kg extra de alimentação, a
satisfação extra que ele irá obter é chamada Utilidade Marginal do sexto Kg de alimentação.
Como temos visto neste capítulo o consumidor compara diferentes bens ou serviços, como é o caso
da habitação e alimentação, e escolha sempre a combinação que maior utilidade lhe poderá trazer.
Contudo o conceito de utilidade leva a muitas dúvidas e perguntas
Poderemos medir a utilidade?
Qual será a relação entre a utilidade de um bem e o seu Preço?
Existem duas teorias que se debruçam sobre o aspecto da mensuração da utilidade:
Teoria da utilidade ordinal: a utilidade não é medida como os preços e quantidades, contudo é-nos
possível ordenar a utilidade dos diferentes bens, ou seja, eu posso dizer que a utilidade de um Kg
de alimentação é maior, igual ou menor que de um m
2
de habitação.
Teoria da utilidade cardinal: que afirma que a utilidade total e marginal são mensuráveis
Kg de Alimentação Utilidade Total Utilidade Marginal
0 0
1 20 20
2 35 15
3 45 10
4 50 5
5 53 3
6 55 2
7 56 1
8 56 0
9 55 -1
10 53 -2

Como podemos Identificar pelo quadro acima representado a Utilidade Total é máxima quando a
Utilidade Marginal é nula. Podemos também verificar que a utilidade marginal é decrescente, ou
seja, a utilidade marginal decresce à medida que vamos consumindo mais Kg de alimentação –
Está é a chamada Lei da Utilidade Marginal Decrescente.
Em termos matemáticos representaremos a função Utilidade como:
U=U(x1, x2)
Onde U é a utilidade, e x1 e x2 são quantidades consumidas dos dois produtos.
A representação gráfica da função utilidade para determinado nível de utilidade não é mais do que a
curva de indiferença. Uma função utilidade representa um mapa de curvas de indiferenças –
diferentes curvas para diferentes níveis de utilidade.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 39
Não se esqueça:
Quanto mais à direita (da origem) uma curva de indiferença estiver maior é o seu nível de utilidade.
Ao longo de uma curva de indiferença a utilidade é constante.
Duas curvas de indiferença não se podem interceptar.
A moderna teoria do comportamento do consumidor baseia-se na Utilidade Ordinal, usando a
técnica das Curvas de indiferença. Como já referenciado, as curvas de indiferença mostram as
combinações de produtos que nos dão a mesma utilidade total.
Como é efectuada a maximização da utilidade através do recurso à teoria do comportamento do
consumidor?











A teoria do comportamento do consumidor conjuga a restrição orçamental e as curvas de
indiferença para determinar a escolha óptima do consumidor. Desta forma consiguimos determinar
as quantidades que maximizam a decisão de compra do consumidor utilizando as seguintes
variáveis:
- Rendimento do consumidor;
- Preço da cada bem;
- Relação de escolha subjectiva patente nas preferências do consumidor.



Ponto de maximização da utilidade. Ponto
onde a restrição orçamental intercepta a
curva de indiferença como um nível de
utilidade superior.
Note que a restrição orçamental também
intercepta uma curva de indiferença no
ponto A e B, mas o nível de utilidade nesta
curva é inferior ao da curva U
1

Bem X
Bem Y
A
B
C
U
1

U
3

U
4

U
2

Utilidade crescente. Curvas de
indiferença à direita traduzem
um nível de utilidade superior.
X’
Y’

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 40
4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO

Já vimos até agora como as alterações nos preços e no orçamento podem alterar as nossas
decisões de compra. Toda a análise e derivação das curvas de procura individual partem da
maximização da utilidade do consumidor face a variações do preço de determinado produto. Nos
pontos anteriores foi referenciado que existiam 3 dimensões na escolha do consumidor (análise
entre dois bens, ou um bem e um cabaz):
- Rendimento disponível
- Preços dos produtos

- Relação de preferência entre os dois produtos.


Analisemos o gráfico ( Fig 4.6.) abaixo apresentado:







Suponha que o rendimento do consumidor é de 15 600$/semana e que o preço do bem composto
é, 130$. A ordenada na origem será então de 15 600.A abcissa na origem será de 15.600/PH sendo
PH o preço de habitação.
A Figura 1 mostra quatro restrições orçamentais que correspondem a quatro preços diferentes de
habitação, nomeadamente 3120$/m
2
, 1560$/m
2
, 780$/m
2
e 520$ m
2
. Os melhores cabazes
possíveis têm respectivamente 2,5 – 7 – 15 - e 20 m
2
/semana de habitação. Se repetíssemos
indefinidamente este procedimento com muitos preços, os pontos de tangencia resultantes
formariam a linha identificada por CPC na Figura 1. Esta linha é designada por curva preço-consumo
ou CPC.
Para o consumidor individual, cujo mapa de curvas de indiferença é mostrado na Figura 1, note que,
cada vez que o preço da habitação desce, a restrição orçamental roda para fora, permitindo ao
consumidor, não só conseguir comprar mais habitação, como também mais bens compostos. Cada
Variáveis expressas na restrição
orçamental:
R = Px X + Py Y
Relacionamento traduzido pela curva de
indiferença, que traduz um determinado nível
de utilidade. U=f(x,y)
Restrição orçamental
Curva de indiferença

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 41
vez que o preço da habitação desce, este consumidor escolhe um cabaz que contém mais habitação
que o cabaz escolhido anteriormente. Note, no entanto, que a quantidade de dinheiro gasto nos
bens compostos pode subir ou descer enquanto o preço da habitação desce. Assim, por exemplo, a
quantia gasta em outro bem desce quando o preço da habitação desce de 3120$/m
2
para
1560$/m
2
, mas sobe quando o preço de habitação desce de 780$/m
2
para 520$/m . Mais à frente
iremos ver por que é que este padrão de compra é relativamente comum.
Uma curva de procura individual é, como a curva de procura do mercado, uma relação que nos
indica as quantidades que o consumidor comprará a vários preços. Toda a informação que
necessitamos para construir a curva de procura individual está contida na curva preço-consumo. O
primeiro passo para passar da CPC para a curva de procura individual é o de anotar as combinações
relevantes de preço-quantidade da CPC da Figura 1.
Preço da Habitação ($m
2
) Quantidade de habitação procurada (m
2
)
3120 2.5
1560 7
780 15
520 20
O passo seguinte consiste em representar os pares preço-quantidade do Quadro 1. colocando o
preço de habitação sobre o eixo das ordenadas e a quantidade de habitação sobre o eixo das
abcissas. Com um número suficiente de pares de preço-quantidade, criamos a curva de procura
individual, mostrada na linha DD da Figura 2.
Repare que, ao mudar da CPC para a curva de procura individual, está mudar de um gráfico
cujos dois eixos medem quantidades para outro, em que um eixo mede o preço e o outro a
quantidade.

Neste capítulo outro conceito importante a reter é o de excedente do consumidor, que retracta o
benefício (quantificado) ao comprar determinado produto a determinado preço.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 42
Excedente do consumidor

Quando uma troca se faz voluntariamente, os economistas geralmente assumem que ela beneficia
os intervenientes. De outro modo, não estariam dispostos a faze-la. Esse tipo de medida é
designado por excedente do consumidor.
O excedente do consumidor é extremamente útil para medir os benefícios e/ou custos do
consumidor. É uma quantificação da extensão do benefício que os consumidores terão ao
participarem numa transacção.
Este benefício pode ser traduzido pelas variações do preço de um bem ou serviço, que por sua vez
são afectados por uma série de factores que já estudamos.
Usualmente utilizam-se duas formas para medir o excedente do consumidor:
• Baseada na curva da procura do consumidor para o produto;

Se o preço do mercado para a habitação for de 390$/m
2
a quantidade procurada de habitação será
de 12 m
2
.
Na compra do 1º m
2
o preço a pagar será de 1820$, logo o excedente do consumidor pela compra
do 1º metro quadrado será de 1820$ - 390$ = 1490$.
Na compra do 2º m
2
o preço a pagar será de 1690$, logo o excedente do consumidor pela compra
do 2º m
2
de habitação será 1690$ - 390$ = 1300.
Note-se que a altura da curva de procura correspondente a qualquer quantidade mede o máximo
que o consumidor está disposta a pagar por uma unidade adicional de habitação. Essa quantia
menos o preço de mercado é o excedente que obtém ao consumir a última unidade.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 43
O excedente total do consumidor ao consumir 12m
2
de habitação ao preço de 390$ é a área
sombreada entre a curva da procura e o preço de mercado.
Como medida do benefício podemos afirmar que sempre que existe uma perda de excedente do
consumidor o preço de equilíbrio de mercado tornou-se mais elevado.

Agregação das Curvas de Procura Individuais
A procura de mercado é igual ao somatório das procuras individuais.
Variando o i de 1 a n consumidores.
Assim a cada preço a procura de mercado será igual ao somatório das procuras individuais dos
consumidores.
Preço
Q
d
de
m
2
/habitação
pelo consumidor
A
Q
d
de
m
2
/habitação
pelo consumidor
B
Q
d
de
m
2
/habitação
pelo consumidor
C
Procura de
mercado de
habitação / m
2

1560$ 14 10 22 46
1200$ 24 15 32 71
980$ 34 20 42 96
750$ 44 25 52 121

Podemos assim representar a curva de procura de mercado, já que temos a relação do mercado
entre as quantidades procuradas a diferentes preços.

A Procura de Mercado
Como vimos a procura de mercado resulta da procura individual dos seus consumidores, assim

=
=
n
i
i mercado
d D
1
Preço / m2
2100
1800
1500
1200
900
600
300
20 40 60 80 100 120 Quantidade Procurada
Curva de Procura de Mercado para a Habitação

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 44
podemos definir a procura como a quantidade de determinado bem ou serviço que os consumidores
desejam adquirir num dado período de tempo. A procura como “fruto do desejo individual”
representa o máximo que os consumidores podem adquirir, dado o seu rendimento e os preços no
mercado.
Existem inúmeras variáveis que podem afectar directamente a procura (analisadas no capítulo
II). Tradicionalmente a função procura é traduzida pela seguinte forma:

Função geral da procura
Onde:
qi
d
= quantidade procurada da bem i num dado período de tempo t.
pi = preço do bem i/t
ps = preço dos bens substitutos ou concorrentes /t
pc = Preço dos bens complementares /t
R = Rendimento do consumidor/t
G = Gostos ou hábitos dos consumidores

Relações que se estabelecem com a procura

1- Relação entre a quantidade procurada e o preço do próprio bem
Traduz-se na função convencional da procura:
qi
d
=f(pi) com ps, pc, R e G constantes
sendo que :

,traduzindo a lei geral da procura, que nos diz que a quantidade procurada de um bem ou serviço
varia na relação inversa do seu preço
6
.
Como já vimos a curva da procura é usualmente negativamente inclinada, podendo assumir várias
formas:

6
Não esquecer o efeito da substituição e rendimento.
Existe uma excepção a esta regra – paradoxo de Giffen – em que por exemplo a diminuição do preço de um bem
provoca também uma quebra na sua procura.
) , , , , ( G R p p p f q
c s i
d
i
=
0 <
Δ
Δ
i
d
i
p
q

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 45

2 – Relação entre a procura de um bem e o preço de outros bens
No caso de um bem substituto, em que o consumo de um bem substitui o consumo do outro
qi
d
=f(ps) com pi, pc, R e G constantes
Ou seja, há uma relação directa entre, por exemplo, o consumo da Coca-cola e uma variação no
preço da água mineral.
Neste caso estamos normalmente perante deslocações da curva da procura. Se por exemplo o
preço da água mineral aumenta-se haveria uma deslocação da curva da procura da coca-cola para a
direita.
No caso de um bem complementar, em os bens ou serviços são consumidos conjuntamente.
qi
d
=f(pc) com pi, ps, R e G constantes
Por exemplo, um aumento no preço dos automóveis deverá diminuir a procura de gasolina.
O relacionamento entre a variação da quantidade procurada de determinado bem e a o preço de um
produto substituto ou complementar pode ser medido através da elasticidade preço cruzada da
0 >
Δ
Δ
s
d
i
p
q
0 <
Δ
Δ
c
d
i
p
q

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 46
procura (atenção às aulas e ao capitulo 3.)

3 – Relação entre a procura de um bem e o rendimento do consumidor
qi
d
=f(R) com pi, ps, pc G constantes
se
∆µ
Ð
∆R
> u, o bcm é consiJcroJo normol
se
∆µ
Ð
∆R
< u, o bcm é consiJcroJo in¡crior
Para bens de primeira necessidade (bens básicos como alguns bens de alimentação, água,
electricidade) a alteração do rendimento não irá afectar a sua procura.


O relacionamento entre o rendimento e a quantidade procurada de determinado artigo é estudado
através da elasticidade rendimento da procura (atenção às aulas..).
4 – Relação entre a procura de um bem ou serviço e hábitos do consumidor
qi
d
=f(G) com pi, ps, pc R constantes
Bem de primeira necessidade
Bem Normal Bem Inferior

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 47
Os hábitos ou gostos dos consumidores podem ser manipulados pela publicidade e campanhas
promocionais. Podemos ter campanhas para aumentar ou diminuir o consumo de bens, como nos
exemplos a seguir:


OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES
Quando falamos de variações na procura referimo-nos ao deslocamento da curva da procura, devido
a alterações em ps, pc, R ou G.
Variações na quantidade procura são movimentos ao longo da própria curva, devido a variações no
preço do próprio bem ou serviço (pi).
Os sinais dos coeficientes da função procura indicam a relação entre a quantidade procurada e a
variável em questão (directa ou inversamente proporcional). Por essa razão se o coeficiente de pi é
negativo, o coeficiente de ps é positivo, o coeficiente de pc é negativo e o rendimento positivo.





5. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO
E CUSTOS DE PRODUÇÃO

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 48
Vamos iniciar a temática do estudo da empresa. A partir deste ponto vamos nos debruçar sobre o
estudo da forma como as empresas tomam as suas decisões, nomeadamente ao nível da decisão
quanto ao que produzir (quantidade) e ao preço de troca no mercado.

5.1. TEORIA DA PRODUÇÃO

Tópicos para discussão e estudo
• Tecnologia da Produção
• Isoquantas
• Produção com um factor Variável (Trabalho)
• Produção com Dois factores Variáveis
• Rendimentos de Escala

5.1.1 Introdução

Esta temática é voltada para a oferta de mercado. A teoria da produção procura resolver as
seguintes questões:
• O modo como uma firma toma decisões de produção (de forma a minimizarem o seu custo);
• A forma de variação dos custos de produção são indexadas ao nível de produção;
• As características da oferta de mercado;
• Problemas das actividades produtivas em geral.

A análise da função produção de uma organização é muito similar à análise do comportamento do
consumidor e da forma como estes escolhem entre determinados bens de forma a maximizar a sua
utilidade. A problemática aqui é centrada na combinação dos inputs produtivos (factores de
produção) tendo em atenção o custo dos referidos inputs.


Tecnologia da Produção
• O Processo Produtivo
Como processo produtivo vamos considerar a combinação e transformação de factores de produção
ou inputs produtivos em bens e serviços

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 49

• Tipos de factores (factores de produção)
– Trabalho
– Terra
– Matérias-primas
– Capital
– Organizacional

• Função de Produção:
– Indica o maior nível de produção que uma firma pode atingir para cada combinação
possível de factores, dado o estado da tecnologia (eficiência técnica ou tecnológica);
– Mostra o que é tecnicamente viável quando a firma opera de forma eficiente (eficiência
económica).

No caso de dois factores a função de produção é caracterizada por:
– Q = F(K,L)
– Q = Produto (em unidades), K = Capital, L = Trabalho
Como já visto, essa função depende do estado da tecnologia

Isoquantas
A representação gráfica da função produção de uma empresa é traduzida sob a forma de uma
isoquanta. A isoquanta traduz a combinação de recursos de forma a produzir determinado nível de
produção.
• Premissas para a nossa análise:
– Um produtor utiliza dois factores para a produção de determinado bem, por exemplo:
alimentação: Trabalho (L) & Capital (K)
– Observações:
1) Para qualquer nível de K, o produto aumenta quando L aumenta.
2) Para qualquer nível de L, o produto aumenta quando K aumenta.
3) Várias combinações de factores podem produzir a mesma quantidade de produto.
– Podemos desta forma afirma que são curvas que representam todas as possíveis
combinações de factores que geram a mesma quantidade de produto

Carlos

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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 51








• Flexibilidade no uso de factores
– As isoquantas mostram de que forma diferentes combinações de factores podem ser
usadas para produzir a mesma quantidade de produto.
– Essa informação permite ao produtor reagir eficientemente às mudanças nos mercados
de factores.

• Curto Prazo versus Longo Prazo
– Curto prazo:
– Período de tempo no qual as quantidades de um ou mais factores não podem ser
modificadas.
– Tais factores são denominados factores fixos.
– Longo prazo
– Período de tempo necessário para tornar variáveis todos os factores.

Note-se que no momento em que se fixa a quantidade a produzir e se procede à escolha da
combinação optima de recursos estamos a fixar um dos inputs produtivos. Na nossa análise
consideramos que fixamos o valor do Capital (provavelmente estamos a criar um custo fixo para a
organização).


5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável

Podemos verificar que o Capital foi fixado em 10 unidades.

Carlos













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s Miguel Olive
Observações
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Carlos





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eira | Março
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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53


Carlos














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UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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Carlos












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Carlos




5.1.3















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Carlos


















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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 58
• A variação na produção resultante de uma variação na quantidade de trabalho é dada por:













Substitutos Perfeitos
• Observações válidas no caso de factores perfeitamente substituíveis:
1) A TMST é constante ao longo de toda a isoquanta.
2) O mesmo nível de produção pode ser obtido através de qualquer combinação de factores
(A, B, ou C)











L) )( (PMgL Δ
Isoquantas quando os factores são
perfeitamente substituíveis
Trabalho
por mês
Capital
por mês
Q
1
Q
2
Q
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A
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C
Q
1
Q
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Q
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Capital
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Q
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A
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K
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Q
1
Q
2
Q
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A
B
C

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 59
Função de Produção de Proporções Fixas
• Observações válidas no caso de factores que devem ser combinados em proporções fixas:
1) Não é possível a substituição entre os factores. Cada nível de produção requer uma
quantidade específica de cada factor (p.ex. trabalho e martelos pneumáticos).
2) O aumento da produção requer necessariamente mais capital e trabalho (isto é,
devemos nos mover de A para B e, então, para C).

Uma Função de Produção para o Trigo
• Os agricultores devem escolher entre técnicas de produção intensivas em capital ou
intensivas em trabalho.













• Observações:
1) Operando no ponto A:
• L = 500 horas e K = 100 horas de máquina.
2) Operando no ponto B
• L aumenta para 760 e K diminui para 90; TMST < 1:


Isoquanta que Descreve a Produção
de Trigo
Trabalho
(horas por ano)
Capital
(horas
por ano)
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40
80
120
100
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por ano
A
B
10 - K = Δ
260 L = Δ
O ponto A é mais intensivo em
capital, e o B é mais intensivo
em trabalho.
100
90
Produção = 13.800 ton
por ano
A
B
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260 L = Δ
O ponto A é mais intensivo em
capital, e o B é mais intensivo
em trabalho.
04 , 0 ) 260 / 10 ( = − =
Δ
Δ
=
L
K -
TMST

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 60

3) TMST < 1, portanto, o custo do trabalho deve ser menor do que o custo do capital para
que o agricultor substitua capital por trabalho.
4) Se o trabalho for um recurso caro, o agricultor usará mais capital (ex. USA).
5) Se o trabalho não for caro, o agricultor usará mais trabalho (ex. Índia).


Rendimentos de Escala
• Medição da relação entre a escala (tamanho) de uma empresa e sua produção.
1) Rendimentos Crescentes de Escala: A produção cresce mais do que o dobro quando há
duplicação dos factores:
• Produção maior associada a custo mais baixo (automóveis)
• Uma empresa é mais eficiente do que muitas empresas (utilidade)
• As isoquantas situam-se cada vez mais próximas













2) Rendimentos Constantes de Escala: A produção dobra quando há duplicação dos
factores
• O tamanho não afeta a produtividade
Rendimentos de Escala
Trabalho (horas)
Capital
(horas de
máquina)
10
20
30
10
20
30
Rendimentos crescentes:
As isoquantas situam-se cada vez mais próximas
5 10
2
4
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A
Rendimentos crescentes:
As isoquantas situam-se cada vez mais próximas
5 10
2
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0
A
5 10
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0
A

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 61
• Afecta um grande número de produtores
• As isoquantas são espaçadas igualmente












3) Rendimentos Decrescentes de Escala: A produção aumenta menos que o dobro quando
há duplicação dos factores
• Eficiência decrescente à medida que aumenta o tamanho da empresa
• Redução da capacidade administrativa
• As isoquantas situam-se cada vez mais afastadas










Rendimentos de Escala
Trabalho (horas)
Capital
(horas de
máquina)
Rendimentos constantes:
as isoquantas são
espaçadas igualmente
10
20
30
10
20
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A
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15 5 10
2
4
0
A
6
Rendimentos de Escala
Trabalho (horas)
Capital
(horas de
máquina)
Rendimentos decrescentes:
as isoquantas situam-se
cada vez mais afastadas
10
20
30
10
20
30
5 10
2
4
0
A
5 10
2
4
0
A

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 62
Exemplo de um estudo de Rendimentos de Escala efectuado na Indústria Textil de um país em vias
de desenvolvimento
• A indústria de Textil observou crescimento significativo, com a deslocalização das empresas
que operavam nos países mais desenvolvidos (a partir de 1996), bem como o surgimento
de algumas empresas muito grandes.
• Pergunta
• Esse crescimento pode ser explicado pela presença de economias de escala?
• Há economias de escala?
– Custos (percentagem de custo para grandes empresas)
• Capital - 77%
• Trabalho - 23%
– Custos (percentagem de custo para pequenas empresas)
• Capital - 65%
• Trabalho - 35%
• Os Grandes Fabricantes
– Aumentaram o maquinário e o trabalho
– A duplicação dos factores mais do que dobrou a produção
– Verificam-se economias de escala para os grandes produtores
• Os Pequenos Fabricantes
– Pequenos aumentos na escala têm pouco ou nenhum impacto na produção
– Aumentos proporcionais nos factores aumentam a produção proporcionalmente
– Verificam-se rendimentos constantes de escala para os pequenos produtores

Podemos então concluir que os rendimentos de escala estão associados a:
- Sector de actividades onde as empresas estão inseridas;
- Dimensão da empresa;
- Composição de capital e trabalho utilizado na sua função produção.




INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 63
IMPORTANTE A RETER SOBRE ESTA TEMÁTICA:
• Uma função de produção descreve a produção máxima que uma empresa pode obter para
cada combinação específica de factores.
• Uma isoquanta é uma curva que mostra todas as combinações de factores que resultam
em um determinado nível de produção.
• O produto médio do trabalho mede a produtividade do trabalhador médio, enquanto o
produto marginal do trabalho mede a produtividade do último trabalhador incluído no
processo produtivo.
• A lei dos rendimentos decrescentes explica que o produto marginal de um factor diminui
quando a quantidade desse factor é aumentada.
• As isoquantas inclinam-se sempre para baixo porque o produto marginal de todos os
factores é positivo.
• O padrão de vida que um país pode oferecer a seus cidadãos está intimamente relacionado
a seu nível de produtividade.
• Na análise de longo prazo, tendemos a enfocar a escolha da empresa em termos de escala
ou dimensão de operação.


















INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 64
5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO

INTRODUÇÃO
A teoria da produção, vista anteriormente, prende-se exclusivamente com questões tecnológicas,
físicas, entre inputs e produtos. Vejamos agora o lado dos custos de produção, que determinarão a
oferta da empresa.
Observaremos como a visão do economista difere da do contabilista, em particular no que se refere
aos custos implícitos e custos sociais, incorporados pelos economistas em suas curvas de custos.

5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS
Custos contabilísticos: envolvem dispêndio monetário. É o custo explícito, considerado na
contabilidade financeira.
Custos de oportunidade: são custos implícitos, que não envolvem desembolso monetário. Os custos
de oportunidade privados são os valores dos inputs que pertencem à empresa e são usados no
processo produtivo. Esses valores são estimados a partir do que poderia ser ganho, no melhor uso
alternativo (por isso também são chamados de custos alternativos).
Exemplos:
a) O capital em caixa na empresa: o custo de oportunidade é o que a empresa poderia estar a
ganhar, aplicando, por exemplo, no overnight;
b) O custo de oportunidade de se investir na ampliação da empresa é o que se ganharia se o
dinheiro fosse empregado no mercado financeiro;
c) Quando a empresa tem prédio próprio, ela deve imputar um custo de oportunidade,
correspondente ao que ela pagaria se tivesse que alugar instalações.
Para o economista, as curvas de custos das empresas deveriam considerar, além dos custos
contabilísticos, os custos de oportunidade, pois assim reflectiria a verdadeira escassez relativa do
recurso utilizado.
As empresas públicas, mais que as privadas, costumam utilizar a visão do economista para o
cálculo das tarifas e preços públicos.

AVALIAÇÃO PRIVADA E AVALIAÇÃO SOCIAL EXTERNALIDADES
Avaliação privada: avaliação financeira, específica da empresa.
Avaliação social: custos (e benefícios) para a sociedade como um todo, derivado da produção das
empresas.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 65
Por exemplo, quando aumenta a produção automobilística, além dos custos dessa indústria,
devemos considerar também o aumento dos custos sociais, derivados do aumento da poluição
sonora e ambiental (emissão de gases, ruído, etc.), além do desgaste das ruas e estradas. Quando
aumenta a produção da indústria extractiva de madeira, há perdas ecológicas derivadas do
desbravamento.
Essa óptica é muito utilizada em avaliação de projectos de investimento, principalmente no sector
público. Tomemos como exemplo um projecto de construção de uma hidroeléctrica da EDP. Pela
óptica privada (da EDP), o custo a ser considerado é o seu desembolso financeiro no projecto. Isso
inclui os gastos com impostos, pessoal, capital, terra, etc.. Sob a óptica social, impostos e encargos
sociais com trabalhadores não são custo social, e sim transferências. Nesse caso, o custo privado é
maior que o custo social. Comparando-se o custo social com o benefício ou retorno social do
projecto, decide-se se o mesmo deve ou não ser implementado.
A diferença entre a óptica privada e a social também pode ser chamada de externalidades (ou
economias externas), que podem ser definidas como as alterações de custos e benefícios para a
sociedade. Derivadas da produção das empresas, ou então como as alterações de custos e receitas
da empresa, devidas a factores externos à empresa. Nessa linha, por exemplo, os comerciantes de
lustres têm externalidades positivas por se localizarem próximos um do outro; uma indústria
química poluidora dos rios impõe externalidades negativas à indústria pesqueira etc.


5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO

Como vimos anteriormente, a curto prazo, alguns factores são fixos, qualquer que seja o nível de
produção. Normalmente, consideramos como factor fixo a planta da empresa, ou equipamentos de
capital.
Conceitos de custo total, custo variável total e custo fixo total
Custo Variável Total (CVT): parcela do custo que varia, quando a produção varia (por exemplo,
salários e matérias-primas). E a parcela dos custos da empresa que depende da quantidade
produzida.
CVT = f (q)
Ou seja, são os gastos com factores variáveis de produção.
Custo Fixo Total (CFT): parcela do custo que se mantém fixa, quando a produção varia (por exemplo,
rendas das instalações). Ou seja, são os gastos com factores fixos de produção.
Custo Total (CT) = CVT + CFT

Carlos
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de 2008 | R
o custo variá
as curvas CT
gnifica que, d
inantes. Mas
osto fixo a c
ei dos rendi
lei dos custos
, custo variáv
= Custos Tota
CVT/q
T/q
NOMIA – PART
.0 ………………
ável total CVT,
T e CVT cresc
dada certa ca
s um aument
curto prazo),
mentos decr
s crescentes)
vel médio e c
is / quantidad
TE I MICROEC
……………………
, que depend
em, mas a ta
apacidade ins
to maior de
e os custos
rescentes do
).
usto fixo méd
de produzida
CONOMIA
…::…………………
de da quantid
axas decresc
stalada, no in
produção co
s começam
o lado dos
dio
a = CT/q (Cust
…………….
ade produzid
centes, para d
nício, o aume
meça a "satu
a crescer a
custos (aqui
to unitário)
66
da.
depois
nto de
urar' o
taxas
mais


Carlos

O form
ou le
mão-d
traba
satura
propo

Conce
Custo
produ

Como
são in

Na fig
total m
s Miguel Olive
mato em U d
i dos custos
de-obra para
lhadores e a
a a utilizaç
orcionais de p
eito de custo
o marginal (C
uzir uma unid
o dCFT = O, s
nfluenciados

Relações grá
gura abaixo a
médio e custo
INTRODU
eira | Março
as curvas de
crescentes.
um grande
aumentar a p
ão de capit
produção (ou
marginal
Cmg) = variaç
ade a mais d
segue que CM
pelos custos
ficas entre o
apresentada,
o variável mé
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
e CTMe e CVM
Inicialmente
equipamento
produção, po
tal, e a ad
seja, os cust
ção do CT/va
do produto
Mg = (dCVT +
fixos.
custo margin
observamos
édio no ponto
NOMIA – PART
.0 ………………
Me também s
, os custos m
o de capital.
ois o custo m
missão de
tos médios co
ariação em q
+ dCFT)/dq =
nal e os custo
que a curva
o de mínimo d
TE I MICROEC
……………………
se deve à lei
médios são d
Até certo po
médio cai. Ma
mais trabal
omeçam a au
q = ΔCT/ Δ
dCVT/dq , ou
os médios tot
de custo ma
destas.
CONOMIA
…::…………………
dos rendime
declinantes,
nto, é vantaj
as chega-se
hadores não
mentar).
Δq = dCT/dq
u seja, os cus
al e variável
arginal corta
…………….
ntos decresc
pois tem-se
joso absorve
a certo pont
o trará aum
. É o custo
stos margina
as curvas de
67
centes,
pouca
r mais
to que
mentos
de se
is não
e custo

Carlos

Intuit
custo
signif
médio
(total

5.2.3

Como
existe
Deve
sequê
difere
um in
qualq
equip
Um ag

CURV
Supo
curva
s Miguel Olive
ivamente, se
o médio cresc
fica que o cu
o, o médio só
ou variável),
3. CUSTOS
o foi visto, o
em custos fixo
ser observa
ência de cur
entes escalas
nvestimento,
quer uma das
pamentos (ca
gente económ
VA DE CUSTO
nhamos três
as de custo m
INTRODU
eira | Março
e o custo ma
cera: assim,
usto médio e
ó pode cair. C
o marginal e
S A LONGO
longo prazo
os: todos os c
ado que o lo
rtos prazos:
s de produção
a empresa e
s alternativas
pital fixo) e o
mico opera a
MÉDIO DE LO
tamanhos o
médio de curto
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
rginal (ou sej
quando o cu
estará cresce
Consequentem
estará cortand
PRAZO
é um períod
custos são va
ongo prazo é
os empresár
o (tamanhos)
está numa s
s. Depois do
pera em cond
curto prazo e
ONGO PRAZO
ou escalas d
o prazo (CMeC
NOMIA – PART
.0 ………………
ja, o custo a
usto margina
ndo. Analoga
mente, quand
do o médio no
o de tempo
ariáveis.
é um horizo
rios têm um
), que eles po
situação de lo
investimento
dições de cur
e planeia a lo
O (CmeL)
e produção:
C):
TE I MICROEC
……………………
adicional) sup
al supera o c
amente, se o
do o custo m
o ponto de m
no qual todo
onte de plan
elenco de s
odem escolh
ongo prazo:
o realizado, o
rto prazo
ongo prazo.
pequena, m
CONOMIA
…::…………………
pera o médio
custo médio
o custo marg
arginal for igu
mínimo do cus
os os inputs
eamento. Na
situações de
er. Por exem
o empresário
os recursos s
média e grand
…………….
o, é evidente
(total ou var
ginal for infer
ual ao custo
sto médio.
são variáveis
a verdade, é
e curto prazo
plo, antes de
o pode selec
são convertid
de, e as seg
68
que o
riável),
rior ao
médio
s. Não
é uma
o, com
e fazer
ccionar
os em
guintes

Carlos

d

p

in
fu
C
A curv
(CM e
longo
Supo
assim
s Miguel Olive
Se a emp
dada pelos cu
Se planei
pode, se quise
Se planeja
ntersecção d
uturos da pro
CMeC2; em q4
va "cheia" é
e) para prod
o prazo.
ndo um núm
m ilustrada:
INTRODU
eira | Março
resa planeia
ustos CmeC1;
a produzir q3
er, produzir co
produzir q2 o
das plantas.
ocura, o emp
4, CmeC3).
a curva de c
uzir cada nív
ero ilimitado
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
produzir ao n

3, a melhor i
om CmeC1, m
ou q4, existem
Mas, em um
resário deve
custo médio d
vel de produç
de possibilid
NOMIA – PART
.0 ………………

nível de produ
instalação é
mas os custos
m duas alter
m planeamen
escolher a p
de longo praz
ção. Também
dades, uma c
TE I MICROEC
……………………
ução q1, não
dada por CM
s seriam maio
rnativas. Esse
nto de longo
lanta de insta
zo (CMeL), e
m é chamada
urva de custo
CONOMIA
…::…………………
há dúvidas: e
MeC2, pois ga
ores;
es pontos fic
prazo, prev
alação maior
mostra o me
a de curva d
o médio a lon
…………….
escolhe a est
astaria meno
cam justamen
endo-se aum
r (em q2, esco
enor custo u
e planeamen
ngo prazo po

69
trutura
os. Ele
nte na
mentos
olheria
nitário
nto de
de ser

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 70
O PONTO A) traduzirá a Escala óptima

FORMATO DA CURVA DE CUSTO MÉDIO DE LONGO PRAZO
Como vimos, as curvas de CMe de curto prazo têm a forma de U devido à lei dos rendimentos
decrescentes, resultante da existência de inputs fixos a curto prazo. A longo prazo, não existem
inputs fixos e a forma da curva de CMe de longo prazo (CMeL) é determinada pelas economias ou
deseconomias de escala. No início, à medida que a produção se expande, a partir de níveis muito
baixos, os rendimentos crescentes (economias) de escala causam o declínio da curva CMeL.
Mas, à medida que a produção se torna maior, as deseconomias de escala passam a prevalecer,
provocando o crescimento da curva.

COMO ESCOLHER A COMBINAÇÃO ÓPTIMA DOS FACTORES DE PRODUÇÃO
No curto prazo normalmente apenas um dos factores é variável, logo a variação do custo total
estará intimamente ligada a variação deste factor. Contudo no longo prazo todos os factores de
produção, por definição, variam livremente, temos a oportunidade de escolher qualquer combinação
de inputs que a minha função produção permita.
A escolha dos inputs depende dos preços relativos dos factores produtivos (normalmente e na
nossa análise - capital e trabalho).
Analogamente à teoria do comportamento do consumidor (conceito de restrição orçamental), temos
também aqui uma restrição a nível de custos. A esta restrição vamos dar o nome de ISOCUSTO,
assumindo as mesmas propriedades da restrição orçamental. Contudo agora não temos um
rendimento fixo para gastar entre os dois inputs. A recta de isocusto vai variar de acordo com o nível
de output, sendo a escolha óptima dos inputs produtivos ligada à minimização dos custos de
produção.
Vamos retratar este matéria com um exercício.


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 71


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 72
6. ESTRUTURAS DE MERCADO
6.1. INTRODUÇÃO

As empresas inserem-se em mercados que podem assumir diversas formas de funcionamento. O
objectivo deste capítulo é o de estudar o comportamento das empresas e a forma como as mesmas
fixam os seus preços.
Tipo de
estrutura de
mercado
N.º de empresas que integram a
oferta total
Grau de substituibilidade ou diferenciação
ente produtos
CONCORRÊNCIA
PERFEITA
Muitas empresas.
A oferta de cada uma delas é
uma parcela ínfima da oferta
global.
Não existe confronto directo ou
rivalidade entre os produtores
Cada uma delas não se preocupa
com os efeitos do
comportamento individual das
demais. As decisões de cada
empresa não alteram nem o
volume das vendas globais nem
o preço praticado no mercado
Produtos perfeitamente homogéneos.
Os bens oferecidos por todas as empresas
são sucedâneos perfeitos.
È indiferente para o consumidor dar
preferência a qualquer dos vendedores.
Os bens tem características tipificadas ou
standartizadas.
Concorrência
monopolista
Muitas empresas Produtos sucedâneos próximos
Oligopólio Poucas empresas
A oferta de cada empresa é
significativa em relação à oferta
global do mercado.
As decisões de cada empresa
condicionam a situação dos
demais, existe rivalidade e
confronto no mercado
Produtos homogéneos ou diferenciados.
No caso de produtos
heterogéneos/diferenciado os bens
oferecidos apresentam entre si alguma
diferença identificável pelos compradores.
Apresentam a capacidade de se substituírem
na satisfação das necessidades similares
Monopólio Única empresa.
A oferta da empresa é a oferta do
mercado.
Produto sem sucedâneo próximo ou remoto

O OBJECTIVO DA EMPRESA
À luz da teoria neoclássica ou marginalista o objectivo da empresa é sempre maximizar o
lucro total.
A maximização do lucro total corresponde à produção em que:
Receita Marginal (RMg) = Custo Marginal (CMg)

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 73
O que significa que se a empresa aumenta a produção, e a receita adicional (RMg) for maior
que o custo adicional (CMg), o lucro estará aumentando, no caso contrário o lucro estará
diminuindo. O equilíbrio dar-se-á quando a RMg igualar o CMg.
A teoria neoclássica ainda preserva a vantagem de ser a teoria mais geral, com razoável
poder preditivo e formalmente consistente, sendo bastante adequado para estruturas de mercado
concorrenciais. Nota-se, contudo, um grande avanço nas teorias alternativas, que são bem mais
recentes, não estando ainda perfeitamente consolidadas.

6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA

Hipóteses do modelo:
- Atomicidade (mercado atomizado). Infinitos compradores e vendedores (átomos). Nenhum
agente isolado tem capacidade para afectar o preço de mercado. Assim o preço de mercado é um
dado fixo para empresas e consumidores (são price-takers, isto é, tomadores de preços no
mercado).
- Homogeneidade (produto homogéneo). Todas as firmas oferecem um produto homogéneo
(semelhante, não há diferenças como qualidade, embalagem, etc.)
- Mobilidade de bens. Não existem custos de transporte.
- Mobilidade das empresas. O mercado não tem quaisquer tipos de barreiras de entrada ou
saída, tanto para compradores, como para vendedores.
- Racionalidade. Todos os agentes económicos agem racionalmente, isto é, as empresas
maximizam os seus lucros, os consumidores a sua utilidade.
- A informação é completa. Todos os agentes conhecem tudo do mercado: preços, qualidade,
custos, receitas e lucros dos concorrentes.
- Não existem externalidades.
- O mercado dos factores de produção também é em concorrência perfeita. Equivale a dizer
que os preços dos factores de produção são fixos, dados. Ou seja, todas as firmas se deparam com
idênticas curvas de custos.
Todas as hipóteses anteriores, também são válidas para o mercado de factores de produção.
Como podemos observar, são hipóteses "ideais", reflectindo um mercado sem barreiras, sem
interferências; enfim, pouco realistas. Mas essas hipóteses representam uma base, um referencial,
para a construção de modelos mais próximos da realidade. Como observa a economista inglesa
Joan Robinson, é mais útil construir inicialmente modelos simples e depois preencher os detalhes,
do que construir directamente modelos com todos os detalhes da realidade.

Carlos
Dada
sua s
não a
Como
seja,

ho

po
Assim
de cu
Dessa
empr
(corre
variaç
a pró
s Miguel Olive
FUNCIONAM
Curvas de p
a hipótese d
saída, por exe
afectando o p
o P0 é preço d
é horizontal.
se quiser
omogéneos, o
não venderá
or que vender
m, ao preço p0
ustos.
a forma, a c
esas) é nega
esponde a di
ção de preço
Curvas de r
Receita tota
RT = preço
RT= p.q
Receita Mé
Rme = RT/q
Rme = p.q /
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pria procura
INTRODU
eira | Março
MENTO DO M
procura de me
da atomicidad
emplo, traria
reço Po).
de venda pa
A empresa só
vender a um
os consumido
á a um preço
r mais barato
0, a empresa
curva de proc
ativamente in
zer que a cu
de mercado,
receita da em
al (RT) : total
o unitário de v
dia (RMe): re
q
/ q = p R
RMe é semp
da empresa
P
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
ERCADO DE C
ercado e da f
de, uma emp
uma alteraçã
ra a empresa
ó pode vende
m preço ma
ores comprarã
o mais baixo.
o?
vende quant
cura de mer
nclinada, mas
urva de procu
a procura pa
mpresa
de receita da
venda x quan
eceita por unid
Me = p
pre igual ao p
individual, a
Procura
NOMIA – PART
.0 ………………
CONCORRÊN
firma individu
resa isolada
ão apenas inf
a, então a cu
er a esse preç
ais alto, não
ão mais bara
Seria irracion
o puder, depe
rcado de me
s a curva de
ura para a e
ara a firma é
a empresa.
ntidade vendi
dade de prod
reço unitário
RMe é a pró
TE I MICROEC
……………………
CIA PERFEITA
ual
não consegu
finitesimal na
urva de procu
ço, pois:
o venderá n
ato das outras
nal, pois, se a
endendo do s
rcado (com
procura para
mpresa é inf
indeterminad
da
duto vendida
de venda. Po
pria curva de
CONOMIA
…::…………………
A
e alterar o pr
a curva de of
ura é dada p
nada (como
s empresas);
ao preço p0 v
seu tamanho
a qual se de
a a firma indi
finitamente e
da).
or outro lado,
e procura da
…………….
reço de merc
erta de merc
para a empre
os produto

vende quanto
e da sua est
efrontam tod
ividual é hori
elástica: se o
como o preç
empresa indi
74
ado (a
cado Si
sa; ou
s são
o quer,
trutura
das as
izontal
ocorrer
ço P0 é
ividual

Carlos
(afina
Em c
Então

Curva
As cu
Equilí
conco
Supõe
então
empr
Mostr
RMg =
s Miguel Olive
al, a RMe mos
Em concorr


Receita Ma
Portanto:


oncorrência
o, a RMg é igu
as de custos
rvas de custo
íbrio da firm
orrência perfe
e-se que o em
o, qual a qua
esa.
raremos que
= CMg, sendo
R
RMg
Δ
Δ
=
INTRODU
eira | Março
stra o que o c
rência perfeita
rginal (RMg):
perfeita, a re
ual ao preço,
os são as mes
ma em conco
eita)
mpresário ra
antidade ópt
a regra para
o CMg cresce
dq
q dp
q
RT
= =
Δ
.
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
consumidor c
a, a RMe é fix
é a variação
eceita margin
e é fixa (pois
smas já vista
orrência per
cional tenha
tima para a
a firma maxi
ente
p =
NOMIA – PART
.0 ………………
compra, a dad
xa, pois P0 é c
da receita to
nal é o preço
s o que se gan
as anteriorme
rfeita (a curt
sempre por
firma, ou sej
mizar lucros
TE I MICROEC
……………………
dos preços, o
constante.
otal, quando v
o recebido p
nha de receita
ente, na teoria
to prazo) (o
objectivo últi
ja, a quantid
é dada por;
CONOMIA
…::…………………
u seja, a próp
varia a quant
pela unidade
a adicional é
a dos custos
u maximizaç
imo maximiza
dade que ma
…………….
pria procura).
idade vendid
adicional ve
dado).
de produção.
ção de lucro
ar lucros. Vej
aximiza o luc
75
.
a:
ndida.
.
os em
jamos,
cro da

Carlos
Corre
Sabem
lucro.
• re
aume
• re
Porta
RMg =
Entre

Falta
grafic


s Miguel Olive
esponde ao po
mos que o e
. Então, se:
eceita adicio
entada, pois o
eceita adicion
nto, no equilí
= CMg temos
tanto, existem
provar que a
camente.
INTRODU
eira | Março
onto X do grá
empresário ra
onal > custo
o lucro aumen
nal < custo ad
íbrio:
s a quantidad
m dois pontos
maximização
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
fico a seguir,
acional semp
o adicional,
ntará;
dicional, a qu
de óptima
s onde RMg =
o de lucros d
NOMIA – PART
.0 ………………
ou seja, ao n
pre aumenta
o lucro mar
uantidade q n
= CMg (X e Y,
á-se no ponto
TE I MICROEC
……………………
nível de produ
rá a produçã
rginal aumen
não será aum
no gráfico):
o X, com CMg
CONOMIA
…::…………………
ução q0
ão, quando is
nta e a qua
entada, pois
g crescente. V
…………….
sso significa
antidade dev
o lucro cairá
Vamos mostra
76
maior
ve ser
.
ar isso

Carlos

Em q1


Em q2


Em q3



Em q4


Em q5


Em q6


Porta
esse
s Miguel Olive
1 RMg = 60
CMg = 80

2 RMg = 60
CMg = 60

3 RMg = 60
RMg = 30
4 RMg = 60
CMg = 40
5 RMg = 60
CMg = 60

6 RMg = 60
CMg = 10
nto, a produç
No ponto q2
é um ponto d
INTRODU
eira | Março
0
0

0
0

0

0

0

00
.
ção óptima pa
2, também RM
de prejuízo m
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
Nestes trê
vantajoso
constante
lucros ma
Por isso, o
é o máxim
RMg> CMg
pouco ma
q5 Máximo
o CMg é c
A partir de
.
ara a firma oc
Mg = CMg, m
áximo.
NOMIA – PART
.0 ………………
ês pontos, com
para ele aum
, mas os cust
rginais são cr
o ponto q2, em
mo lucro.
g. O CMg é cr
is a produção
o lucro. Não d
rescente (e R
e q5
corre no pont
mas o CMg é d
TE I MICROEC
……………………
m o custo ma
mentar a prod
tos são decre
rescentes).
mbora a RMg
rescente, mas
o até CMg=RM
deve aumenta
RMg fixa), o qu
to q5, onde RM
decrescente.
CONOMIA
…::…………………
arginal decres
dução, pois a
escentes (ent
= CMg, ainda
s ainda dá pa
Mq
ar mais a pro
ue significa lu
Mg = CMg, co
Mostraremos
…………….
scente é
RMg é
tão os
a não

ara aumentar
odução, pois
ucros menore
om CMg cresc
s mais adiant
77
r um
es,
cente.
te que

Carlos
Essas
s Miguel Olive

Áreas de luc
O gráfico a
s áreas també

Curva de of
INTRODU
eira | Março
cro total (LT),
cima mostra
ém podem se
ferta da firma
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
, receita total
as áreas de
er visualizada
a em concorrê
NOMIA – PART
.0 ………………
(RT) e custo
e LT, RT e CT
as em termos
ência perfeita
TE I MICROEC
……………………
total (CT)
T em termos
s de curvas to
a
CONOMIA
…::…………………
de curvas m
otais, como a
…………….
médias e marg
seguir se mo
78
ginais.
ostra.

Carlos
curva
médio
onde
mostr
quand
oferta
s Miguel Olive
Provaremos
a de custo ma
o mínimo

. Ou
CVMe é míni

Mostraremo
raremos por q
Por que é
do o preço d
a: variação de

- quando o
- quando o
- quando o
INTRODU
eira | Março
s que "a curv
arginal, a part
u seja, a curv
mo.
os primeiro p
que ela é def
a curva de C
de mercado a
e q, quando p
preço é p0, a
preço é p1, a
preço é p2 a
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
va de oferta d
tir do ponto e
va de oferta
por que a curv
finida apenas
CMg? A resp
aumenta, ou
p aumenta).
a firma oferec
a firma oferec
firma oferece
NOMIA – PART
.0 ………………
da firma em c
em que o cus
da firma é o
va de oferta
s após o CVMe
posta é que
seja, reflect
ce q0 (que ma
ce q1 (que ma
e q2 (que max
TE I MICROEC
……………………
concorrência
sto marginal
CMg, a parti
é o próprio ra
e mínimo.
essa curva r
te o aumento
aximiza seu lu
aximiza seu lu
ximiza seu luc
CONOMIA
…::…………………
perfeita é o
é maior do q
r do ponto A,
amo crescent
reflecte a res
o de q, quan
ucro, a p0);
ucro, a p1);
cro, a p2).
…………….
ramo crescen
ue o custo va
, no gráfico a
te do CMg. D
sposta das f
ndo p varia (
79
nte da
ariável
abaixo,
Depois,
firmas,
isso é

Carlos
firma
em re
algum
situaç

s Miguel Olive
Como a firm
em concorrê
elação a varia
Por que ap
ma coisa ocor
p = CVMe m
Em termos
p.q=CVMe .
RT = CVT
Abaixo des
ções distintas
a) p

É a situação
b) p < CTMe
INTRODU
eira | Março
ma maximiza
ência perfeita
ações de preç
penas após o
rre quando:
mínimo
totais (multip
.q
sse ponto, a
s, com três pr
>CTMe (RT>
o normal, com
e, mas p > CV
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
lucros apena
é o ramo cre
ços, dão-se ne
o CVMe mínim
plicando amb
firma deve
reços de mer
>CT)
m lucros extra
VMe (RT< CT,
NOMIA – PART
.0 ………………
as no ramo cr
escente da cu
esse trecho d
mo? Porque
os os membr
fechar as p
rcado diferent
aordinários.
mas RT> CVT
TE I MICROEC
……………………
rescente do C
urva de CMg,
da curva.
o preço mín
ros por q), oco
portas. Para
tes.
T)
CONOMIA
…::…………………
CMg, então a
dado que as
nimo para qu
orre quando:
provar isso,
…………….
curva de ofe
reacções da
ue a firma pr

suponhamo
80
erta da
firma,
roduza
os três

Carlos
Nesta
que p
Assim
maté
esper
já inv
s Miguel Olive
a situação, a
pagar todos
m, se fecha, p
rias-primas) e
rar por dias m
c) p = CVMe
Neste caso
estiu na activ



INTRODU
eira | Março
firma aprese
os custos fix
paga todo CF
e uma parte
melhores, com
e mínimo (RT
, o prejuízo é
vidade, tem c
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
enta um preju
xos (renda i
FT. Se contin
dos custos f
m preços mais
= CT)
é o mesmo, fe
clientes etc., d
NOMIA – PART
.0 ………………
uízo, mas ela
nstalações, p
uar, ela pode
ixos. Como é
s vantajosos.
echando a em
deve continua
TE I MICROEC
……………………
não deve fec
parcelas de
e pagar todo
é uma situaçã

mpresa ou co
ar, esperando
CONOMIA
…::…………………
char as porta
compra do e
os os custos
ão de curto p
ontinuando a
o melhorar o
…………….
as, pois assim
equipamento
variáveis (sa
prazo, a firma
operar. Mas
mercado.
81
m teria
o etc.).
alários,
a deve
como

Carlos
meno
conco
variáv
remu
empr
custo
extrao
oport
as cu
vimos
empr
merca
prazo
Grafic
s Miguel Olive
d) p < CVMe
Nessa situa
Assim, uma
os os custos
orrência perfe

Equilíbrio de
Como sabe
veis (salários
CT= CVT ou
Posto isto, c
Nas curvas
neração pode
egue seus re
o de oportuni
ordinário: o e
unidade.
Como os ec
urvas de cust
s nos tópicos
Em concorr
esas para es
ado apresent
o a tendência
camente:
INTRODU
eira | Março
e mínimo (RT
ação, a firma
a firma em co
s variáveis (
eita é o ramo
e longo prazo
emos, a long
, rendas, etc.
CTMe = CVM
cabe uma dif
de custos v
e ser medida
ecursos em ou
dade da act
empresário r
conomistas c
tos vistas até
anteriores é
rência perfeit
sse mercado
ta lucros extr
a é de que
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
T < CVT)
não consegu
oncorrência p
(principalmen
crescente da
o de uma firm
go prazo, nã
). Portanto:
Me.
ferenciação e
istas até ago
a pelo custo d
utra actividad
ividade empr
recebe mais
consideram ta
é agora já têm
o lucro extrao
a, supõe-se q
(pelas hipóte
raordinários -
os lucros ex
NOMIA – PART
.0 ………………
e nem pagar
erfeita só ope
nte salários).
a curva de CM
ma em concor
ão existem c
entre lucros "e
ora está engl
de oportunid
de. Isso é cha
resarial. O qu
do que deve
ambém os cu
m englobado
ordinário (LT=
que os lucros
eses de trans
e livre entra
xtras tendem
TE I MICROEC
……………………
os custos va
era quando o
. Então, a c
Mg, após o CV
rrência perfeit
ustos fixos,
extraordinário
obada a rem
ade, ou seja,
amado de luc
ue exceder e
eria receber,
ustos de opo
o lucro norm
= RT-CT).
s extraordinár
sparência de
da e saída de
m a zero, exi
CONOMIA
…::…………………
ariáveis. Deve
o preço de me
curva de ofe
VMe mínimo.
ta
ou seja, tod
os" e lucros "n
muneração do
, o que ele re
cro normal, o
esse custo é
, de acordo
rtunidades (c
mal. Nesse se
rios a curto p
e mercado - t
e firmas). De
stindo apena
…………….
e fechar as po
ercado super
erta da firm

dos os custo
normais".
o empresário
eceberia se t
que reflecte
chamado de
com seu cus
custos "implíc
entido, o lucr
prazo atraem
odos sabem
essa forma, a
as lucros no
82
ortas.
ra pelo
ma em
os são
. Essa
ivesse
o real
e lucro
sto de
citos"),
ro que
novas
que o
longo
rmais.

Carlos
curva




s Miguel Olive

(mais firma
Quando pre
LT = RT - CT
no ponto (P
a de custo mé
Resumindo
INTRODU
eira | Março
s entrando, a
eço chega a P
T
P2, q2), RT =
édio de longo
: a longo praz
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
a curva de ofe
P2 cessam os
CT (RMe = C
prazo (escala
zo, em conco

NOMIA – PART
.0 ………………
erta de merca
lucros extrao
CTMe) e LT =
a ou tamanho
rrência perfe
TE I MICROEC
……………………
ado aumenta
ordinários, po
= 0. Esse po
o óptimo da e
eita, só existe
CONOMIA
…::…………………
, deslocando
ois:
nto correspo
empresa).
m lucros "nor
…………….
-se para a dir
onde ao mínim
rmais”.
83
reita).
mo da

Carlos
6

Hipót
a
b
Essas



te

g
u

FUNC

Curva
Como
procu
Porta

s Miguel Olive
6.3. MON
teses do mo
a) Uma única
b) Existência
s barreiras po
Protecção
Controlo s
Tradição,
empo para ve
Monopólio
grandes dime
um preço equ
Monopólio

CIONAMENT
a de procura
o se trata de
ura para a em
nto:
INTRODU
eira | Março
NOPÓLIO
odelo
a empresa pr
a de barreiras
odem ocorrer
o de patentes
sobre o fornec
exemplo: me
encer a tradiç
o natural, no
nsões, opera
ivalente à em
o estatal, prot
TO DO MODE
a do monop
uma única
mpresa.
UÇÃO À ECON
de 2008 | R

roduz um pro
s à entrada de
de várias for
s (direito único
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ercado de re
ção dos relóg
ormalmente d
a com baixos
mpresa mono
tegido por leg
ELO DE MON
olista
empresa, ter
NOMIA – PART
.0 ………………
duto sem sub
e firmas conc
rmas:
o de produzir
matérias-prim
lógios. Os jap
ios suíços.
devido à efici
custos. Seria
polista
gislação.
NOPÓLIO
remos que co
TE I MICROEC
……………………
bstitutos próx
correntes.
r)
as chave;
poneses tiver
iência da em
a difícil algué
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CONOMIA
…::…………………
ximos.
rem que inve
mpresa. A em
ém oferecer o
e a procura
…………….
estir durante
presa já exis
o mesmo prod
para a indús
84
muito
ste em
duto a
stria =

Carlos
Assim
preço
aume
contro
ele re
discri
se fixa
se b
unida



Curva
A rece
cada
Rme
Rme
Em co
Em m
mais
Rmg
NOTA
estive
No
diagra
ou se
quant
receit
Supo
Rme
RT =
RMg =

s Miguel Olive
m, se o mon
o diminuirá,
entará. Ness
olo do preço
esolve produz
minar preços
ar um preço d
aixar o pre
ades.
as da Receit
eita média d
unidade do p
=
RT
Q
=
P × µ
µ
= P
oncorrência p
monopólio, a R
baixo que as
=
∆RT
∆Q
=
oRI

A: Prova-se q
ermos perant
modelo de
ama a segui
eja, a receita
tidade (abcis
ta média (Rm
ndo uma curv
= p = a - bq
p.q = (a – bq
= dRT/dq = a
INTRODU
eira | Março
nopolista res
se produ
se sentido,
de mercado,
zir (traduzindo
s). No gráfico
de 1,45 u.m.
eço para 1,2
ta Média e M
o monopolist
produto. É a p
µ
= P
perfeita, vimo
RMg é diferen
quantidades
I
µ

ue a RMg co
te uma curva
monopólio,
r, prova-se q
a marginal c
ssa) na meta
me).
va de procura
).q = aq – bq
a – 2bq
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
solver oferec
uzir menos,
o monopolis
que depende
o a sua capac
podemos co
irá vender 10
275 u.m. v
Marginal
ta é o preço
própria procu
os que RMg =
nte da Rme. I
s anteriores.
orta o eixo d
de procura li
, conforme
que 0A = 0B/
corta o eixo
ade do corte
a linear, temo
2

NOMIA – PART
.0 ………………
cer mais, o
o preço
sta tem o
e de quanto
cidade para
onstatar que
0 unidades,
venderá 11
do produto n
ra de mercad
Rme = p.
sso porque a
das abcissas
near
o
/2,
da
da
os:
TE I MICROEC
……………………
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do.
a quantidade
na metade
CONOMIA
…::…………………
é o que o co
adicional é v
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…………….
nsumidor pa
vendida a um
Rme, sempr
85
ga em
preço
re que

Carlos
Saben

0 = a
a = bq
q1 = a
Interc
0 = a
a = 2
q2 = a
Assim

A rela

Tínha
relaçã
Procu

Procu



Custo
mono
Podem
estrut
mono
essên
mode



s Miguel Olive
ndo que, no d
Intercepçã
– bq1
q1
a/b
cepção da RM
– 2bq2
bq2
a/2b
m: q1 = q2/2
ação entre a
amos visto an
ão ente a rec
ura elástica:

ura inelástica

os de produ
opolista
mos consi
tura de
opolista nã
ncia daquela
elo de concor
INTRODU
eira | Março
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ão da Rme no
Mg no eixo da
ou 0A = 0B/2
as curvas Rm
nteriormente
eita total (RT


:

ção do
derar que
custos
ão difere
a observada
rência perfeit
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
terior, no eixo
o eixo das ab
s abcissas
2
me, RMg, e
, quando dis
) e a elasticid
se p↑ q↓
se p↓ q↑
se p↑ q↓
se p↓ q↑
a
do
em
a no
ta.
NOMIA – PART
.0 ………………
o das abcissas
bcissas
RT em mon
scutimos a e
dade-preço da
↓ RT↓
↑ RT↑
↓ RT↑
↑ RT↓
TE I MICROEC
……………………
s, o preço é ig
nopólio
elasticidade-p
a procura (Ep
CONOMIA
…::…………………
gual a zero, t
preço da pro
pp):
…………….
emos que:
cura, que há
86
á uma

Carlos

O Equ
em co

Como
que m
Cme
totais
Como
inelás
é sem
elásti
s Miguel Olive
uilíbrio no cur
oncorrência p
o chegar ao e
maximiza o lu
e qual a rece
s, o diagrama
o podemos o
stica da procu
mpre positivo
ca da procura
INTRODU
eira | Março
rto prazo de
perfeita.
equilíbrio? Pr
ucro (q0). De
eita quando s
fica:
observar, nun
ura. Isso porq
, a RMg que
a.
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
uma empresa
imeiro determ
pois, vemos
se vende q0, n
nca a posição
que o ponto d
iguala o CMg
NOMIA – PART
.0 ………………
a monopolist
minamos o p
qual o custo
na curva Rme
o de máximo
de máximo lu
g também é p
TE I MICROEC
……………………
ta também oc
onto onde a
o de produção
e (procura de
o lucro do m
cro ocorre qu
positiva. E a
CONOMIA
…::…………………
corre onde a
RMg = CMg,
o para produ
e mercado)em
onopolista p
uando a RMg
RMg é positiv
…………….
RMg = CMg,
, que é a pro
uzir q0 na cur
m termos de c
ode estar na
= CMg. Com
va apenas na

87
como
odução
rva de
curvas
a faixa
o CMg
a faixa

Carlos
Curva
No gr
biunív
podem
temos
procu
Então
relaçã
a curv
O CM
situaç
defini
O equ
Como
s Miguel Olive
a de oferta d
ráfico anterio
voca entre q
mos ter difer
s apenas um
ura fosse mai
o, a empresa
ão estável en
va da procura
Mg intercepta
ções, mas d
ida entre preç

uilíbrio de lon
o existem ba
INTRODU
eira | Março
de uma emp
or (em termo
quantidade p
rentes preços
m ponto em c
or o preço se
a monopolist
ntre os preços
a.
a a RMg no
ois preços (
ços e quantid
go prazo de u
arreiras à ent
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
presa monop
s de curvas
roduzida e p
s, dependend
ima da curva
eria maior par
ta não tem c
s de venda e
mesmo pont
p0 e p1). En
dade oferecid
uma empresa
trada de nov
NOMIA – PART
.0 ………………
polista
médias e ma
preço de ven
do da curva
a da procura
ra o mesmo q
curva de ofe
a quantidade
to A. Assim,
tão, não é p
das pelo mono
a monopolista
vas empresa
TE I MICROEC
……………………
arginais) nota
nda do produ
da procura.
corresponde
q0.
erta. Não tem
e produzida. A
temos uma
possível esta
opolista
a.
s, o monopó
CONOMIA
…::…………………
amos que nã
uto. Para um
Ou seja, par
nte ao preço
m uma curva
A oferta é um
quantidade
abelecermos
ólio não será
…………….
ão há uma re
ma dada prod
ra determina
de venda p0
a que mostre
m ponto único
q0 igual nas
uma relação
á quebrado,
88
elação
dução,
do q0,
0. Se a
e uma
sobre
s duas
o bem
o que

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 89
permitirá a persistência de lucros extraordinários também a alongo prazo.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 90
6.4. OLIGOPÓLIO

Oligopólio é a organização de mercado em que há poucos vendedores de uma mercadoria. Assim,
as acções de cada vendedor afectarão os outros vendedores. Como resultado, a menos que
façamos alguns pressupostos específicos sobre as reacções das outras empresas as acções da
empresa em estudo, não podemos construir a curva de procura desse oligopolista, com uma
solução indeterminada. Para cada pressuposto de comportamento específico que fazemos, temos
uma solução diferente. Assim, não temos uma teoria geral do oligopólio. Tudo o que temos são
muitos modelos diferentes, a maior parte dos quais algo insatisfatórios.
Definição de Oligopólio : Oligopólio é a forma de organização de mercado em que há poucos
vendedores de uma mercadoria. Se houver apenas dois vendedores, teremos um duopólio. Se o
produto for homogéneo, como, por exemplo, aço, cimento e cobre, teremos um oligopólio puro. Se o
produto for diferenciado, como, por exemplo, carros e cigarros, teremos um oligopólio diferenciado.
Para simplificar, no texto e no que se segue, tratamos principalmente de um duopólio puro. O
oligopólio é a forma predominante de organização de mercado no sector industrial das economias
modernas e surge por razões gerais idênticas às do monopólio, isto é, economias de escala,
controle sobre as fontes de matérias-primas, patentes e licença governamental.
A interdependência entre as empresas da indústria é a característica mais importante que separa o
oligopólio das outras estruturas de mercado. Esta interdependência é o resultado natural do
pequeno número, isto é, como há poucas empresas em uma indústria oligopolística, quando uma
delas baixa seu preço, faz uma campanha de publicidade bem-sucedida ou introduz um modelo
melhor, a curva de procura que os outros oligopolistas enfrentam vai se deslocar para baixo.
Consequentemente, os outros oligopolistas reagem.
• Há muitos padrões de reacção dos outros oligopolistas em relação as acções do
primeiro e só podemos definir a curva de procura de nosso oligopolista enfrenta se e quando
presumirmos um padrão específico de reacção. Desse modo, temos uma solução
indeterminada. Mas mesmo se presumirmos um padrão de reacção determinada, de maneira
que possamos ter uma solução determinada, esta é apenas urna das muitas soluções
possíveis.

• Devido à situação esboçada no ponto anterior, actualmente não existe uma teoria
geral do oligopólio. Tudo o que temos são casos ou modelos específicos, alguns dos quais são
aqui discutidos. Estes poucos modelos, porém, conseguem três coisas:
• eles mostram claramente a natureza da interdependência oligopolística;
• indicam as falhas que uma teoria satisfatória do oligopólio precisa preencher;
• dão alguma indicação da grande dificuldade deste ramo da microeconomia, do
tempo que talvez tenhamos de esperar para obter uma teoria geral do oligopólio. Em
resumo. a teoria do oligopólio é um dos segmentos menos satisfatórios da microeconomia.

Carlos
6.4.1

No m
miner
venda
negat
0 pre
maxim
const
parte
água
EXEM
empr
totais
Em se
600
merca
maxim
3$. A
encon
merca
agora
Este
para
s Miguel Olive
1. O MODE
modelo de Co
ral em condiç
as de cada e
tiva, em que e
essuposto bá
mizar seus lu
tante. Diante
das duas em
que seria ven

MPLOS. Na Fig
esa A for a ún
s no ponto A,
eguida, vamo
unidades. En
ado total D m
miza sua RT e
A empresa A
ntra sua nov
ado total, D. A
a reage novam
processo de
o ponto E. Fi
INTRODU
eira | Março
ELO DE CO
ournot come
ções de cust
empresa oco
e = 1 e RT é m
sico de com
ucros totais,
desse press
mpresas, até
ndido, se o m
g. acima repr
nica vendedo
em que ela v
os supor que
ntão, a curva
menos 600 u
e lucros totai
agora reage
va curva de
A empresa A
mente e vend
movimentaçõ
inalmente, a
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
URNOT E B
eçamos por
to de produçã
orre no ponto
máxima.
portamento f
ou RT, pres
uposto, have
que cada um
mercado fosse
resentada, D
ora do mercad
vende 600 un
a empresa E
a de demand
unidades e é
s no ponto B
e, presumin
demanda, d'
agora maxim
de em B' sobr
ões e contra-
empresa A o
NOMIA – PART
.0 ………………
BERTRAND
presumir que
ão zero. Port
o médio da s
feito por Cou
sume que a
erá diversas m
ma delas ven
e perfeitamen
é a curva de
do, então D =
nidades ao pr
E entre no me
da da empre
representad
B (sobre dB) e
ndo que a em
'A, subtraindo
miza seus lucr
re sua nova c
-movimentaç
ou a empresa
TE I MICROEC
……………………
D
e existem du
tanto o nível
sua curva de
urnot é que c
outra empr
movimentaçõ
nda exactam
nte competitiv
e procura do
= dA e a empr
reço de 6$. Es
ercado e que
esa 11 é dad
a por dB na F
m que ela ve
mpresa B con
o 300 unida
ros totais no p
curva de dem
ões por parte
a B estará dia
CONOMIA
…::…………………
uas empresa
de maximiza
e procura line
cada empres
resa conserve
es e contra-m
ente 1/3 do
vo.
mercado de á
resa A maxim
sta é a soluçã
a empresa A
da pela curv
Fig.. Desse m
ende 300 uni
ntinue a vend
des da curv
ponto A´

sob
anda, d'B.
e das duas e
ante da curv
…………….
as vendendo
ação de lucro
ear com incli
sa, na tentat
e a sua pro
movimentaçõ
montante to
água minera
miza sua RT e
ão de monop
A continue a v
va de deman
modo, a empr
idades ao pre
der 300 unid
a de deman
re dA'. A emp
empresas con
a de procura
91
o água
os das
nação
iva de
dução
es por
otal de
l. Se a
lucros
ólio.
vender
nda do
resa B
eço de
dades,
da do
resa B
nverge
a dE e,

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 92
assim, maximiza seus lucros totais vendendo 400 unidades ao preço de 4$ ( ponto E´). A outra
empresa, então, também estará diante de dE, sua curva de procura (obtida, subtraindo 400
unidades da curva de procura do mercado total) e também estará no ponto E. Desse modo, cada
empresa continuará a vender 400 unidades ao preço de 4$ e terá RT e lucros totais de l 600$. A
produção de 400 unidades por parte de cada empresa representa 1/3 da produção perfeitamente
competitiva de 1 200 (dada pela condição P = CMg = 0).
Se, na determinação de seu nível óptimo de produção, cada empresa presumir que a outra mantém
seu preço (e não sua produção) constante, teremos o modelo de Bertrand (ver exemplo à frente).

6.4.2. O MODELO DE EDGEWORTH
No modelo de Edgevorth, assim como no modelo de Cournot, presumimos que EXISTEM duas
empresas, A e B, vendendo uma mercadoria homogénea produzida ao custo zero. Além disso, no
modelo de Edgeworth, são feitas outras suposições relacionadas a seguir:
(1) cada empresa enfrenta uma curva de procura linear, idêntica para seu produto;
(2) cada empresa tem capacidade de produção limitada e não pode abastecer todo o
mercado sozinha;
(3) cada empresa, na tentativa de maximizar sua RT ou lucro total, presume que a outra
empresa mantenha seu preço constante.
O resultado desses pressupostos é que haverá uma oscilação contínua do preço do produto entre o
preço de monopólio e o preço de produção máxima de cada empresa Às vezes, observam-se
oscilações de preço nos mercados oligopolístícos.

6.4.3. O MODELO DE CHAMBERLIN

Tanto o modelo de Cournot como o de Edgeworth se baseiam no pressuposto extremamente
ingénuo de que os dois oligopolistas (duopolistas) nunca reconhecem sua interdependência. Não
obstante, estudamos estes modelos porque eles nos dão alguma indicação da natureza da
interdependência oligopolística e também porque eles são precursores de modelos mais realistas.
Um desses modelos mais realistas é o de Charnberlin. Chamberlin parte dos mesmos pressupostos
básicos de Cournot. Contudo, Chamberlin ainda presume que os duopolistas reconhecem sua
interdependência. O resultado é que, sem qualquer forma de acordo ou conluio, os duopolistas
estabelecem preços idênticos, vendem quantidades idênticas e maximizam seus lucros conjuntos.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 93
Exemplo: na figura acima, D é a curva de procura do mercado total para a produção
combinada dos duopolistas A e B. Se a empresa A for a primeira a entrar no mercado, ela escolherá
o ponto A sobre D (= dA), tendo assim o lucro de monopólio de 3 600$. A empresa B, tomando a
produção da empresa A conforme dada, está diante da curva de demanda dB e, assim, decide
vender 300 unidades no ponto B. (Até aqui o modelo de Chamberlin é idêntico ao de Cournot.)
Todavia, os duopolistas A e B compreendem agora que o melhor que podem fazer é partilhar
igualmente os lucros do monopólio de $3 600. Desse modo, cada duopolista vende 300 unidades
ou metade da produção do monopólio ao preço de 6$ e obtém um lucro de 1 800$.Deve-se notar
que esta solução é estável, é alcançada sem conluio e resulta em 200$ de lucros para cada
empresa a mais do que na solução de Cournot

6.4.4. TEORIA DE JOGOS

A teoria de jogos é uma ferramenta essencial para analisar os comportamentos estratégicos dos
jogos oligopolisticos.
Tal como nas outras estruturas de mercado o pressuposto das empresas continua a ser a
maximização dos seus benefícios.
Termos básicos utilizados na teoria de jogos:
• Jogador: empresa, a qual se pretende analisar o comportamento estratégico.
• Payoff: beneficio da empresa a escolher uma estratégia, dada a estratégia escolhida pelo(s)
outros(s) intervenientes no jogo.
• Estratégia: acção que a empresa ou jogador pode optar como uma das possíveis no jogo.
• Matriz de payoff: forma de representar a informação dos diferentes payoffs.


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 94
MATRIZ DE PAYOFF para um jogo de duas estratégias com dois jogadores.
J
o
g
a
d
o
r

1

Jogador 2
S1 S2

S1

10,20



S2





O jogador 1 pode optar pelas estratégias S1 ou S2, o Jogador 2 também tem as mesmas opções.
Neste caso as estratégias de ambos jogadores são idênticas, contudo os jogadores podem optar por
estratégias diferentes.
Se ambos os jogadores optarem pela estratégia S1, recebem um payoff de 10 (jogador 1) e 20
(jogador2).

REGRAS DO JOGO

• É um jogo de informação completa, os jogadores conhecem as estratégias possíveis e
respectivos payoffs.
• Os jogadores escolhem as estratégias simultaneamente. Caso as escolhas sejam efectuadas
em momentos diferentes, temos que representar o jogo através de uma árvore de decisões.
• Normalmente as jogadas são simultâneas e únicas. Caso os jogadores possam fazer mais do
que uma jogada temos um jogo de repetição.
• No nosso estudo, utilizaremos a teoria de jogos para analisar o comportamento de empresas
oligopolistas. O seu objectivo último é a maximização do seu benefício.
• Os nosso modelos são de duopolio, jogos com apenas duas empresas. A introdução desta
condicionante permite uma análise mais simplista e real dos comportamentos num mercado
oligopolista.

O JOGO DA ÁRVORE

Aplica-se no caso da decisão estratégica não ser tomada em simultâneo. Num jogo entre duas
empresas, a empresa 1 pode tomar a sua decisão em 1º lugar, e só então a empresa 2 reage a
jogada do seu adversário.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 95
È representado da seguinte forma:









Neste jogo a empresa 1 pode optar por fazer publicidade ou não fazer publicidade (o nódulo mais
escuro é referente ao posicionamento estratégica da empresa 1). Após e só após da decisão da
empresa 1 a empresa 2 escolhe a sua estratégia. Se por exemplo a empresa 1 optar por fazer
publicidade, a empresa 2 optará por faze-la também visto, obter um payoff melhor nesta situação
(4).
Não nos vamos debruçar sobre este tipo de jogo.

CONCEITO DE ESTRATÉGIA DOMINANTE: é a melhor estratégia possível para um jogador
independentemente da escolha do outro.
JOGO 1.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço
Baixar o
Preço

Aum. Preço

10,10


6,12

Baixar Preço

12,6


7,7

Sabemos que o motiva cada um dos jogadores é a obtenção do melhor payoff possível. O resultado
obtido depende da opção de cada um. Vejamos:
• Se a E2 (empresa 2) optar por aumentar o seu preço, a melhor escolha possível para E1 será
baixar o seu preço, pois obtém um payoff de 12 > 10.
• Se E2 optar por baixar o seu preço, a E1 optará também por baixar o seu preço, uma vez que
7>6.
Não obstante a escolha da empresa 2, a empresa 1 escolherá sempre baixar o seu preço, pois o
beneficio obtido com esta escolha estratégica é sempre superior. BAIXAR O PREÇO É A ESTRATÉGIA
DOMINANTE DA EMPRESA 1.
Fazer
publicidade
Fazer
publicidade
Fazer
publicidade
Não fazer
publicidade
Não fazer
publicidade
Não fazer
publicidade
6,4
8,2
3,9
7,7
E1
E2
E2
Matriz de payoff, com 2
jogadores e com duas
estratégias possíveis e
idênticas para ambos os
jogadores:
• Aumentar o preço
• Baixar o preço

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Vejamos agora como se comporta a empresa 2:
• Se E1 opta por aumentar o seu preço, E2 optará por baixar o seu preço uma vez que assim
conseguirá um payoff de 12, superior ao que conseguiria se opta-se por aumentar o seu preço –
10.
• Se E1 opta por baixar o seu preço (estratégia dominante da empresa 1) a empresa 2 optará
também por baixar o seu preço, pois assim fixará o seu payoff com 7, superior a 6. A EMPRESA
2 POSSUÍ TAMBÉM UMA ESTRATÉGIA DOMINANTE. NESTE CASO IDENTICA À DA EMPRESA 1 –
BAIXAR O PREÇO.
Uma vez que ambas as empresas tem uma estratégia dominante, o comportamento de ambas seria
provavelmente o de optarem por baixar o preço, obtendo um payoff de 7 para cada uma.

Podemos constar que existem uma alternativa melhor para ambas as empresas: ambas
aumentaram o seu preço (10,10). Contudo sabemos que este é um jogo de decisão única, não
existindo nenhum incentivo para cada empresa optar pela referida estratégia, como veremos mais
adiante.

JOGO 2.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

9,15


4,9

Baixar Preço

14,9


8,11

A matriz acima, representa um novo jogo, similar ao visto anteriormente, mas com payoff diferentes.

Vejamos se alguma empresa possuiu uma estratégia dominante:
Opção da emp.2 Opção da Emp.1
Aum.preço Baixar o preço
Baixar preço Baixar o preço
A empresa 1 possuiu uma estratégia dominante: BAIXAR O PREÇO

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Opção da emp.1 Opção da Emp.2
Aum.preço Aum. o preço
Baixar preço Baixar o preço
A empresa 2 NÃO TEM ESTRATÉGIA DOMINANTE.

Num jogo de decisão simultânea e única a empresa 1 iria optar pela sua estratégia dominante:
Baixar o preço. A empresa 2, que conhece esta decisão (a informação é completa) iria fazer a sua
opção baseada na estratégia dominante da empresa 1, ou seja, sabendo que E1 iria baixar o seu
preço, escolheria aumentar o seu, fixando o seu payoff em 11.

DILEMAS.
Dilemas são jogos em que ambos os jogadores ficariam em melhor situação se abandonassem a
sua estratégia dominante e optassem por uma estratégia mais cooperativa.
Dilema do prisioneiro:
JOGO 3.
M
a
n
u
e
l

Maria
Confessar
Não
Confessar

Confessar

9;15

4;9

Não
Confessar

14;9

8;11

Esta matriz é resultado de um problema clássico: O dilema do prisioneiro. Imaginemos que a Dra.
Maria e o Dr. Manuel, altos responsáveis da EXPO 98 foram detidos por suspeita de falsificação de
notas de 10.000 esc. O Chefe Arnaldo, responsável da Judiciária, sabia que tinham sido estes os
responsáveis pela falsificação, contudo apenas tinha provas para uma sentença de 6 meses. Tendo
consciência do estado da investigação decide chamar os dois suspeitos, coloca-os em salas
separadas e a ambos faz-lhes a seguinte proposta:
Detective: Senhor(a) faço-lhe a seguinte proposta: Dado que se aproxima o vigésimo quinto
aniversário do 25 de Abril se confessar o crime e o seu colega não, terá a pena suspensa e o seu
colega apanhará 25 anos de prisão. Se confessar o crime e o seu colega também apanharão
apenas 1 ano de pena. Se nenhum de vocês confessarem, e em virtude do reduzido n.º de provas
que tenho contra vocês apanharão uma pena de 6 meses de cadeia.
Vamos tentar analisar a decisão a tomar pela Dra. Maria e pelo Dr. Manuel:

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Confessar é estratégia dominante para ambos os suspeitos, logo o resultado provável seria ambos
confessarem o crime e obterem uma pena de um ano de prisão. Contudo eles sabem que se não
confessarem podem apanhar apenas 6 meses de cadeia, sendo este o melhor alternativa possível
para ambos os jogadores. Sabemos que a informação é completa, e que ambos os jogadores tem
perfeito conhecimento do resultado das suas decisões. Supondo mesmo que lhes é dada
autorização para discutirem o caso conjuntamente é de esperar que a sua decisão se mantenha e
ambos confessem. Eles sabem que a sua decisão tem que ser simultânea e única, facto pelo qual
não deverão chegar ao acordo para ambos não confessarem. Existe uma tendência para se
desviarem ao acordo, por exemplo o Dr.Manuel pode perfeitamente chegar ao momento da sua
decisão e confessar, ficando assim em liberdade e impondo uma pena de 25 anos à sua colega Dra.
Maria. Está por sua vez tem perfeito conhecimento que isto pode acontecer, assumindo portanto a
decisão menos penalizadora para ela dada as circunstancias. AMBOS CONFESSARIAM.

Este exemplo é utilizado porque retracta na perfeição a noção do dilema, bem como as alternativas
e comportamentos possíveis.

O JOGO 1, retracta também uma situação de dilema, situação que passaremos a denominar de
“Dilema Oligopolistico”. A empresa 1 e 2 sabem que se ambas optarem por um comportamento
cooperativo e escolherem o aumento dos seus preços como estratégia dominante estarão a obter
payoff superiores (10,10), e como tal a melhorarem consideravelmente a sua situação. Num jogo
único como o que estamos a retractar é quase impossível que ambas optem por coludirem a sua
decisão, uma vez que uma fuga ao acordado poderia provocar uma considerável perda de payoff.
JOGO 1.
E
m
p
r
e
s
a

1


Empresa 2
Aum.Preço
Baixar o
Preço

Aum. Preço

10,10


6,12

Baixar Preço

12,6


7,7




ESTRATÉGIAS DOMINADAS
Nem sempre existe uma estratégia dominante para um ou ambos os jogadores. Se tal acontecer,
pelo menos podemos verificar se os jogadores tem estratégias dominadas. A estratégia dominada é
Em caso de acordo de ambas
optarem por aumentar os seus
preços, as setas indicam as
possíveis fugas ao acordado:
• A empresa 2 poderia baixar
o seu preço e ganhar um
payoff de 12, deixando a
empresa 2 com 6.
• A empresa 2 teria a
“tentação” de aumentar o
seu payoff optando assim
Num jogo de jogada única é quase impossível a
existência de comportamentos cooperativos. O
dilema manter-se-á

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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precisamente o oposto da dominante, ou seja, existe sempre uma estratégia melhor como opção.
Normalmente este conceito é utilizado quando os jogadores podem optar entre três ou mais
estratégias, não existindo uma estratégia dominante que evidencie um comportamento claro a
tomar.
Analisemos o jogo abaixo representado:
JOGO 4.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço
Manter
Preço
Baixar
Preço

Aum. Preço 3,4

6,3

5,5
Manter
Preço

4,7

12,6 4,5

Baixar Preço 9,8

8,4

7,5

Podemos verificar que nenhuma das empresas possuí uma estratégia dominante:
Se a Emp.2 opta Emp.1 opta
Aum.Preço Baixar o preço
Manter o preço Manter o preço
Baixar o preço Baixar o preço
A empresa 1 não tem estratégia dominante, mas como podemos verificar existe uma estratégia que
nunca é considerada como alternativa para a sua decisão; está estratégia é a de aumentar o preço,
sendo portanto uma estratégia DOMINADA para a empresa 1.
Se a Emp.1 opta Emp.2 opta
Aum.Preço Baixar o preço
Manter o preço Aum.preço
Baixar o preço Aum. Preço

A empresa 2 não também não possuí uma estratégia dominante, mas possuí uma estratégia
DOMINADA – Manter o preço.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Se eliminarmos estas estratégias da nossa matriz de payoffs
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Manter
Preço
Baixar Preço

Aum. Preço
3,4
6,3

5,5
Manter
Preço

4,7


12,6

4,5

Baixar Preço

9,8

8,4


7,5

Passaremos a ter uma nova matriz de payoff, em que cada empresa apenas terá duas opções
estratégicas, já que eliminamos aquela que nunca seria utilizada.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço
Manter
Preço

4,7


4,5

Baixar Preço

9,8


7,5

Podemos agora verificar que dadas as “novas alternativas” estratégicas de ambas empresas,
existem estratégias dominantes:
A estratégia dominante da empresa 1 é BAIXAR O PREÇO;
A estratégia dominante da empresa 2 é MANTER O PREÇO.
Num jogo simultâneo e de jogada única o resultado seria a escolha das empresas pela sua
estratégia dominante, resultando num payoff de 9 para E1 e 8 para E2.


EQUILIBRIO DE NASH.
Em variadas situações podemos nos deparar com a inexistência de estratégias dominantes ou
dominadas. A solução deste problema é-nos dada pelo equilíbrio de Nash. O equilíbrio
7
de Nash
existe sempre que um jogador toma a melhor decisão que pode, dada a acção empreendida pelo

7
Notem que equilíbrio significa que ninguém quer alterar o seu comportamento, desde que nada se altere. Por exemplo, no
equilíbrio entre a oferta e a procura, os consumidores e vendedores estão a adquirir e a vender quantidades desejadas a um
certo nível de preços. Ninguém deseja ver esta situação alterada, desde que os restantes factores que a afectam
permaneçam constantes. É claro que se o a procura de mercado for afectada por exemplo por um aumento do rendimento,
este equilíbrio terá que se deslocar e ajustar.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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outro jogador. O resultado do equilíbrio será uma situação de payoff em que nenhum dos jogadores
desejará alterar a sua posição, correndo o risco de perder benefício.

JOGO 5.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

4,4


6,8

Baixar Preço

7,6


3,2

Estamos perante a ausência de estratégias dominantes e dominadas. Vamos tentar identificar o
equilíbrio de Nash:
Se a empresa 1 escolhe Aum.Preço, a empresa 2 escolherá baixa-lo. Desta escolha estratégica
resulta um payoff de 6 e 8 respectivamente. Fixando está escolha vamos determinar se alguma
empresa tem algum incentivo em optar por outra estratégia. Se a empresa 1 optar por baixar o seu
preço ela vai ter uma redução de 3 no seu payoff, já que passa de 6 para 3, logo não terá qualquer
incentivo em fugir da decisão tomada. O mesmo acontece com a empresa 2, já que se aumenta o
preço, irá ver o seu payoff reduzido de 8 para 4. ESTA ESCOLHA ESTRATÉGICA É UM EQUILIBRIO DE
NASH.
Contudo temos também outra solução que aponta para um equilíbrio de NASH – a empresa 1 baixar
o seu preço a empresa 2 aumentar o seu. Está escolha resulta num payoff de 7,6. È bastante
frequente a existência de mais do que um equilíbrio de nash no mesmo jogo. Uma vez que não
aprofundaremos mais está área de estudo, iremos pressupor que o melhor equilíbrio é aquele cujo
somatório dos payoffs seja mais elevado.

Exercício: Identifique o equilíbrio de Nash do jogo abaixo representado:

JOGO 6.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

11,9


1,2

Baixar Preço

4,2


3,4
As setas de deslocação
podem ser uma ajuda na
identificação do(s)
equilíbrio(s) de Nash

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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JOGOS COM REPETIÇÃO
Temos vistos que em decisões únicas será racionalmente impossível que em situação de dilema
oligopolistico os intervenientes optem por uma decisão cooperativa, que lhes permite obter um
resultado melhor, do que aquele que advém da escolha das suas estratégias dominantes. Num jogo
de repetição, em que existe mais do que uma jogada, já será possível que as empresas optem por
uma decisão cooperativa contrária a(s) sua(s) estratégia(s) dominante(s).
O comportamento cooperativo implica a colusão, ou seja, um acordo explicito entre duas ou mais
partes, com vista a fixarem as estratégias a serem seguidas por cada empresa. Este tipo de acordo
é ilegal, contudo ocorrem com mais frequência do que a imaginada.

JOGO 7.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

14,16


4,30

Baixar Preço

19,5


7,9

Neste jogo podemos verificar que se ambas as empresas optam-se pela sua estratégia dominante, a
E1 receberia um payoff de 7 e a E2 de 9. Optando por uma estratégia de colusão, o resultado
possível jogo seria ambas aumentarem o preço, elevando os seus payoff para 14 e 16,
respectivamente. Mais uma vez é de frisar que ambas correm o risco de uma das partes fugir ao
acordo e obter ganhos consideravelmente mais elevados. Contudo num sistema de jogadas
repetidas o incentivo a fazer batota é diminuto uma vez que o jogador “rival” automaticamente
responderia à nova decisão do jogador batoteiro. Por exemplo:
1. As empresas têm conhecimento que se optarem pela sua estratégia dominante (baixar o preço
para ambas) os seus payoffs seria de 7 para E1 e 9 para E2. Decidem assim optar pela colusão
e assumem a decisão conjunta de subida dos preços, passando para um nível de payoff
superior. A E1 ganharia 14 (mais 5) e a E2 16 (mais 7).
2. A empresa 2, tentada pelo payoff que irá obter se baixar o preço decide quebrar o acordo e
assim conseguir um lucro de 30, deixando a E1 com uma redução de 10 no seu payoff.
3. A empresa 1, constatando a quebra do compromisso, abaixa também o seu preço, levando o
equilíbrio para o nível decorrente das suas estratégias dominante.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 103

Notem: Outra possibilidade de colusão seria a empresa 2 propor a empresa 1 que esta opta-se por
aumentar o seu preço, enquanto ela (E2) aumentava o seu. O somatório dos payoffs para esta
decisão seria igual a 34, valor que seria repartido pelas duas empresas 17.

Factores que possibilitam a colusão e a sua manutenção:

1. Poucas empresas: quanto mais baixo for o número de partes envolvidas mais fácil é chegar a
um consenso, e mais fácil é mante-lo.
2. Aspectos legais e leis Anti-trust: desvios a acordos “ilegais” implicam maior atenção por parte
das entidades fiscalizados e reguladoras.
3. Custos de produção similares: sempre que existam não haverá tendência a desvios. É claro que
se os custos de produção de uma das empresas forem muito baixos ela facilmente pode baixar
o preço e assim ganhar quota de mercado.
4. Quotas de mercado similares: reduz o factor concorrência. Ninguém precisa de apanhar
ninguém.
5. Estabilidade económica: recessões atingem directamente os lucros das empresas via RT. Existe
uma tendência para a redução dos preços. Espera conseguir um aumento das receitas via
aumento do volume de vendas.
6. Facilidade de observar as “batotas”: é claro que este factor depende do tipo de industria e do
caminho que os produtos/serviços levam até chegar ao consumidor final.
7. Aspecto histórico da similaridade dos preços.




INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA

F IC H A T ÉC N IC A

Manual de Introdução à Economia Carlos Miguel Oliveira Versão 01 ISLA de Vila Nova de Gaia Direcção Académica Depósito Legal 000 000/00 ISBN 000-00-0000-0

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1

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA

Conteúdo
1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. O OBJECTO DA ECONOMIA ....................................................................................................... 4 A ESCASSEZ E A ESCOLHA ....................................................................................................... 6 QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA ANÁLISE ECONÓMICA ...................... 7 A RACIONALIDADE ECONÓMICA ............................................................................................... 7 O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO .......................................... 7

1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO ......................................................... 8 1.6. O MERCADO .................................................................................................................................. 11 1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO? ................................................................................. 13 1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA ..................................... 14 1.7. 2. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO ........................................................................................ 15 Procura e Oferta ............................................................................................................................... 18 2.1 A procura de mercado ................................................................................................................... 19 2.2.. A oferta de mercado .................................................................................................................... 21 3. ELASTICIDADES ................................................................................................................................ 24 3.1. 3.2. 3.3. 4. 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. 5. 5.1. 5.1.1 A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed) ........................................................................... 24 A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo) ............................................................................... 28 OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA ................................................................................. 28 O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL .................................. 30 ORDENAÇÃO DAS PREFERÊNCIAS ......................................................................................... 34 A UTILIDADE ............................................................................................................................ 38 A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO .............................................................................. 40 TEORIA DA PRODUÇÃO ........................................................................................................... 48 Introdução ........................................................................................................................... 48

A ESCOLHA DO CONSUMIDOR e A PROCURA DE MERCADO ......................................................... 30

TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO e CUSTOS DE PRODUÇÃO ....................................................... 47

5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável ................................................................... 51 5.1.3. Análise da Produção com dois factores variáveis ............................................................ 56 5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO .................................................................................... 64 5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS ........................................ 64 5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO ................................................................................................... 65 5.2.3. CUSTOS A LONGO PRAZO ................................................................................................... 68 6. ESTRUTURAS DE MERCADO ............................................................................................................ 72 6.1. 6.2. 6.3. 6.4. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 72 O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA.......................................................................... 73 MONOPÓLIO ............................................................................................................................ 84 OLIGOPÓLIO............................................................................................................................. 90

Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::…………………………….

2

......4....... 92 6........ TEORIA DE JOGOS .........1............................... O MODELO DE CHAMBERLIN .........3.........INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 6.......................2.....................0 …………………………………::……………………………......................4..................... 92 6.........................................4............................................. 93 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.....................4....................... 91 6.................. O MODELO DE COURNOT E BERTRAND ....... 3 . O MODELO DE EDGEWORTH.........................................4..........................

desenvolvida sobre este prisma. através da inter-relação entre a oferta e a procura. no sentido de que cada recurso pode imediatamente entrar e sair do mercado como respostas a impulsos monetários. Posteriormente. no contexto da sua situação perante o mercado. A teoria da empresa. Adam Smith publicou o seu livro pioneiro A riqueza das Nações em 1776 (ano da declaração de independência dos E. desenvolveu-se paralelamente a ideologia do liberalismo clássico e do capitalismo. procurando explicar a formação dos preços com base em duas teorias de organização do mercado. Como disciplina académica. ou seja. 4 . Nesse sistema. O liberalismo proporcionou as bases filosóficas do sistema capitalista e criou na Inglaterra uma atmosfera favorável ao desenvolvimento do sistema fabril. O OBJECTO DA ECONOMIA A economia é uma ciência social abrangente. O outro sistema de organização de mercado examinado pelos clássicos é o monopólio. pois levaria sempre ao equilíbrio de firma e da economia. que estenderam a sua influência a todas as partes do mundo. Começava a era do capitalismo. Demonstrou que um sistema de preços e de mercado é capaz de coordenar os indivíduos e as empresas sem necessidade de qualquer direcção central. qualquer empresa vende um produto idêntico ao de qualquer outra e. o sistema de preços era infalível.0 …………………………………::……………………………. a Teoria dos Preços foi formulada em termos de uma nova teoria do valor baseada nos conceitos de “utilidade” (já desenvolvidos pelos clássicos) passou a constituir a essência do pensamento microeconómico. O movimento pela libertação política da tirania das monarquias europeias surgiu quase simultaneamente com as tentativas de emancipação dos preços e salários da pesada regulamentação estatal. segundo a qual caberia aos governos assumirem exclusivamente as funções que apoiassem e estimulassem as actividades lucrativas. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. INTRODUÇÃO À ECONOMIA 1. a saber.1. a empresa tem os seus preços determinados pelo mercado. têxtil e outros. Estas ideias liberais eram baseadas nos fundamentos da doutrina do lassaiz-faire. A flutuação dos preços determina a produção. os custos e o lucro.A1). dedicada à compreensão da forma como a sociedade faz a afectação dos seus recursos escassos. Adam Smith mostrou uma preocupação com a análise das empresas. da tomada de decisões. com os neoclássicos. os compradores são indiferentes ao comprarem a qualquer vendedor Observa-se a existência da livre mobilidade dos recursos.U. sem a existência de rivais ou concorrentes directos. A primeira foi adoptada na Teoria Económica tradicional por mais de 150 anos sem contestação. que individualmente são pequenas em relação ao todo (mercado) e não podem exercer influência perceptível no preço. ou seja. O produto é homogéneo. marcada pela proliferação das empresas do sector ferroviário. dando um elevado contributo na análise do modo como os mercados organizavam a vida económica e geravam um rápido crescimento económico. resumidamente. Para Adam Smith. e a interferência governamental era proibida nos demais assuntos económicos.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 1. desenvolvendo as ideias do laissez-faire e mão invisível. Com o início da Revolução Industrial na Grã-Bretanha. o mercado de concorrência perfeita ou pura é concebido como organizado por um grande número de empresas. definido como uma situação em que há apenas um produtor num mercado bem definido. Assim. a economia tem dois séculos. a concorrência perfeita e o monopólio. portanto. passa a descrever o equilíbrio da empresa como sendo 1 Não é uma coincidência o aparecimento destes dois documentos.

Marx defendia que estas depressões iriam criar movimentos revolucionários. Nos anos oitenta. 2 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Apesar da existência simultânea dos dois “braços” económicos ao longo dos séculos. na sequência da grande depressão. O pânico económico e as profundas depressões dos anos 90 do século passado e dos anos 30 do actual levaram os intelectuais do século XX a questionar a viabilidade do capitalismo da empresa privada. A revolução industrial elevou a produtividade do trabalho a níveis inusitados para a época. surge Karl Marx (1867. 3 Conjuntamente com o economista Alemão Jan Tinbergen ganhou o Prémio Nobel da Economia. não estudamos a procura combinada entre maças e laranjas). a empresa e o indivíduo.). Em 1936. que se fez à custa do bem-estar social. Nas décadas que se seguiram. que estuda o funcionamento da economia como um todo. Na macroeconomia falamos por exemplo de PNB (produto nacional bruto). as perspectivas fundamentais de Adam Smith foram redescobertas.0 …………………………………::……………………………. um economista norueguês. etc. os acontecimentos pareciam confirmar as profecias de Marx. Contudo a diferença reside no facto de que estes agregados são derivados das escolhas individuais (para além de na micro estudarmos agregados de produtos homogéneos. decorrentes do capitalismo e revolução industrial2. criou as palavras micro-dinâmica e macro-dinâmica (1933) para denotar aquilo a que hoje chamamos micro e macroeconomia. A distinção é contudo sujeita algumas qualificações pois mesmo em microeconomia lidamos com agregados como procura total. que estuda o comportamento dos componentes individuais tais como a indústria. Na Europa de leste (1989) os países socialistas abandonaram o seu aparelho de planeamento central e permitiram que as forças de mercado se desenvolvessem novamente. condenando-o pelos seus ciclos económicos. No início tínhamos apenas o conceito de economia. produção total. A sua corrente de pensamento era oposta à neoclássica. As diferenças entre os dois ramos da economia são: A microeconomia lida com as escolhas individuais enquanto a macro lida com agregados económicos (consumos totais. surgindo como resposta aos elevados custos sociais e decréscimo do bem-estar. em termos das variações em unidades adicionais de produção (teoria da produção) e de custos (teoria dos custos). Na nossa cadeira distinguiremos entre macroeconomia. Os socialistas começaram por aplicar o seu modelo na União Soviética em 1917 e por volta de 1980 cerca de um terço do mundo era regido por doutrinas marxistas. procura de mercado para o trabalho. 5 . e microeconomia. oferta da indústria. com a multiplicação das fábricas e a ampliação da utilização da máquina. a sua divisão só começou a ser mais transparente a partir da 1ª grande depressão de 1930. fiscais e monetárias a suavizar os maiores estragos dos ciclos económicos. John Maynard Keynes publicou “A Teoria Geral sobre o Emprego. Esta obra fundamental descrevia uma nova abordagem da economia que ajudaria as políticas governamentais. Um século depois. que é o agregado de muitos tipos diferentes de produtos. e pelas profundas depressões que os caracterizavam. veio tecer uma enorme crítica ao capitalismo. 1894) que com o seu trabalho “O Capital”. marcadas pela capacidade do mercado para gerar rápidas mudanças tecnológicas e elevados padrões de vida. conduzindo ao socialismo. em que Ragnar Frish3 (1985-1973).INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA baseada em ajustes marginais. Definição de economia: é o estudo da forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com valor e como os distribuem entre os seus diferentes membros. o Juro e o Dinheiro”. No ocidente os governos reduziram a seu papel regulamentador e liberalizaram os preços. 1885. ou seja.

envolvendo a alocação de recursos escassos de forma eficiente. Ex. cabendo ao empresário a responsabilidade organizativa. A ESCASSEZ E A ESCOLHA A microeconomia é o estudo de como as pessoas fazem opções sob condições de escassez. Bens e serviços que também serão escassos para o consumidor. Simultaneamente.Recursos de capital: máquinas. Aqui os consumidores terão que decidir. Conviver com a escassez é a essência da condição humana. Na verdade. minerais e florestais. O dinheiro é um recurso escasso. tendo em atenção que o seu poder de compra é limitado (escasso) e deve ser alocado pelos diferentes tipos de bens e serviços.Recursos naturais: terra. O tempo e o dinheiro não são os únicos recursos escassos. toda a nossa vida é um complexo problema de múltipla escolha. Toda a escolha envolve considerações importantes de escassez.). edificações.Recursos humanos: trabalho especializado e não especializado. os indivíduos e as empresas tem inúmeras escolhas e decisões a tomar (quando e como aumentar o output. 6 . . ar. Na nossa análise preocupar-nos-e-mos com as escolhas económicas mais convencionas. mas sim no tempo. tratando sempre a questão de uma forma homogénea. sendo as suas alocações feita (em sistema capitalista) através dos mercados. e nem todas podem revestir a característica económica (apesar de existir sempre uma possível explicação).INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Na microeconomia. que constituem o seu cabaz de compras. a vida ficava desprovida de muito do seu sentido e dificilmente qualquer decisão teria importância para alguém com um tempo de vida infinito e recursos materiais inesgotáveis. Os recursos produtivos são usualmente classificados nas seguintes categorias: . Não devemos dar uma interpretação restritiva à escassez porque mesmo quando os recursos materiais são abundantes outros recursos importantes não o serão. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. equipamentos. produzir o output interna ou externamente. os preços relativos tem um papel fundamental na análise económica. No futuro falaremos de recursos produtivos com factores de produção e estudaremos a forma como as empresas combinarão os recursos escassos na produção de bens e serviços. Na macroeconomia os preços têm uma importância relativa. na energia e na mobilidade física necessária ao desempenho das suas actividades normais. O nosso objecto de estudo centrar-se-á nas decisões individuais feitas pelos consumidores.Recursos organizacionais: uma categoria especial que deriva da combinação e potenciação dos recursos da instituição.2. se não fosse o problema da escassez. mas para um magnata que contraia uma doença mortal a escassez não reside no dinheiro. Consiste na combinação dos três recursos anteriores para produção de um output. De facto. água. Aqui nós estudamos a resposta dos consumidores e produtores a alterações relativas dos preços. empresas e governo (que de uma forma menos extensa afecta a última alocação dos recursos escassos da sociedade). 1.0 …………………………………::……………………………. etc. . . Esta acção envolve riscos.

QUESTÕES NORMATIVAS ANÁLISE ECONÓMICA E QUESTÕES POSITIVAS NA Num sentido mais lato saber se as áreas de floresta virgem devem ser ou não protegidas. tentar fazer o que esta correcto. explicitamente. Segundo o critério do egoísmo. 7 . Qualquer um dos padrões que empreguemos implica uma solução de compromisso. Por si só a análise económica não consegue responder a estas questões. e as respostas são nitidamente importantes para o nosso pensamento sobre as questões normativas subjacentes. esta conduta seria irracional. se o desejo irresistível de um fumador é o de saborear um charuto esta conduta seria racional segundo o critério do objectivo imediato. ou se o governo deveria ou não garantir o rendimento mínimo nacional são afinal questões normativas questões que envolvem os nossos valores. A RACIONALIDADE ECONÓMICA Ser racional quer dizer tomar decisões de acordo com o critério custo-benefício. A análise económica pisa terrenos mais firmes quando se trata de responder a questões positivas questões acerca das consequências políticas e mecanismos institucionais específicos. actuar se e só se os benefícios excederem os custos. anula motivações como tentar fazer os outros felizes.teoria segundo a qual as pessoas racionais agem eficientemente na procura de qualquer objectivo que tenham no momento da tomada da decisão. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. não é simplesmente relevante segundo este critério. pelo contrário. Este padrão. Baseado no objectivo imediato . O facto de se arrepender posteriormente a ter fumado um cigarro. caridade. Por exemplo. inclusive isso ser causa de morte prematura.critério segundo a qual o indivíduo racional considera somente os custos e benefícios que se referem directamente a eles.). Aqui as afirmações económicas começam com pressupostos a partir dos quais se derivam conclusões (comprovadas empiricamente). Se proibirmos o abate de árvores nas florestas virgens. etc.0 …………………………………::……………………………. ou. Ambos os critérios encontram amplas aplicações na análise económica. Uma questão normativa é urna questão sobre o que tem de ser ou deveria ser. O atractivo deste critério mais geral é o de que ele envolve motivações (dever. Existem dois critérios de racionalidade: Baseada no egoísmo .3.4. 1.5.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 1. tendo as suas respostas relevância importante para a formação do nosso pensamento sobre as questões normativas subjacentes. isto é. etc. sempre que a pessoa não pagasse mais pelo charuto do que o necessário. gostar. A análise económica positiva não envolve valores ou opiniões. o que pode acontecer ao preço da madeira? Que outros materiais poderiam ser desenvolvidos e a que preço? Qual a influência do rendimento mínimo nacional no desemprego? Estas são questões económicas positivas. 1.

Suponha agora que se não for.). Para se aplicar esta regra. e quanto mais cedo se entrar para a Universidade mais tempo poderá beneficiar desta vantagem. 8 . Um outro factor importante é o facto de que normalmente o tipo de Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.000u. Se: C(x) representa os custos de fazer x e B(x) os beneficios Então.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA “The true cost of any decision includes the cost of the best forgone opportunity” “A thorough understanding of costs is fundamental to understanding economic decision making.m. O consumo mínimo é de 3 000u. alojamento.m. o que ultrapassa o benefício que é e 5. a questão que se coloca é “Devo ir à discoteca ou ficar a trabalhar como assistente?" Neste caso.m. A regra de decisão a usar é simples. Este custo é tanto maior quanto maior for a experiência profissional. comparando os custos e benefícios da actividade em questão. Devo trabalhar primeiro ou tirar antes um curso universitário? As despesas relativas a frequência num curso universitário não se limitam ao custo das propinas.m. Este trabalho rende-lhe 4. é menor quando se começa a trabalhar depois de terminar o ensino secundário. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO. Deverei efectuar a actividade x'? Os economistas dão resposta a estas questões.) mas também o custo de oportunidade de perder o seu salário (4.. e gosta tanto de o fazer que o faria mesmo sem ser pago. Ignorar o custo de oportunidade Imagine que costuma ir a discoteca todas os sábados. De outro modo. alimentação. se B(x)>C(x) implica fazer x . por dia. 1. não.0 …………………………………::…………………………….000u..m. contudo este não é o único custo para ir à discoteca. Incluem também o custo de oportunidade dos salários perdidos enquanto se estuda.000u. mesmo quando a actividade não tem nada a ver com o dinheiro.000u. O total dos custos são de 7. ficará a trabalhar como assistente para um dos seus professores. Assim. ou seja. e que para si vale 5.m. Erro 1. uma das vantagens de um curso universitário é proporcionar salários mais elevados.000u.. Considerando o lado dos benefícios.m. Deve ter também em consideração o valor da alternativa mais atractiva a que renunciará no caso de ir a discoteca. necessitamos de definir e medir os custos e benefícios.” Muitas das opções que os economistas estudam podem ser resumidas na seguinte questão.. Os valores monetários são um útil denominador para este propósito. o custo não é somente o custo explícito de ir á discoteca (3 000u.1.5. livros e outros materiais escolares.

Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Porque é que os bancos pagam juros? Suponha que é banqueiro e que alguém lhe deposita 1 000 u. Ao contrário dos custos de oportunidade. A pessoa com quem fala diz-lhe que para fazer essa estimativa deve começar por considerar os custos de um carro típico. mas apenas se você o compensar pelo custo de oportunidade de não o ter utilizado ele próprio. por exemplo. Suponha que todos os anos as árvores crescem em média 6% e que o preço de uma árvore é proporcional à quantidade de madeira que contém Nesta óptica poderia ao fim do ano vender o pinhal por 1060 u. Se lhe pagar 5% de juros. e você não sabe qual será o custo de levar o seu carro. custos esses que já foram incorridos no momento em que a decisão é tomada. 9 . no dia 1 de Janeiro sem que você tenha que lhe pagar juros.m. estes custos deverão ser ignorados. faz mais sentido tirar primeiro um corso universitário e só depois começar a trabalhar. ele provavelmente aceitará já que não terá o trabalho de cuidar das árvores. 260 000u.m. O conceito de Custo de oportunidade tem tanto de simples como de importante no estudo da microeconomia. Assim.m.. Mas esta opção também é valida para a pessoa que depositou o dinheiro no seu banco. Socialmente é o que se deve fazer. Não ignorar os custos irrecuperáveis Frequentemente um custo de oportunidade não parece ser um custo relevante.m. Isto acontece frequentemente com os custos irrecuperáveis. e tem subsistido porque é talvez o mais eficiente. 17 000 Km. telefona para a Hertz para ter um valor estimativo. Esta pessoa estará disposta a deixá-lo utilizar o seu dinheiro. Outro erro comum quando se tomam decisões é considerarmos determinado custo como relevante quando na realidade não o é. O bilhete de avião custa 13 000u. Este hábito não surgiu do nada. onde se fazem. Iniciando de imediato um curso universitário é possível evitar os trabalhos menos agradáveis. Assim: Seguro Juros Combustível e óleo 130 000u. é-lhe completamente indiferente entre ir no seu próprio carro ou de avião. É certamente mais sensato frequentar um curso universitário com 20 anos do que com 50. A arte de aplicar este conceito correctamente está na forma como se consegue reconhecer o maior valor alternativo que é sacrificado com o prosseguimento de uma certa actividade. ficando você com os restantes 1% ( 10 u. O princípio de que se devem ignorar os custos irrecuperáveis ressalta claramente.0 …………………………………::……………………………. como por exemplo um pinhal. quanto mais instrução e experiência se tiver. Este exemplo é uma ilustração perfeita do argumento de Friedman relativamente ao modo de avaliar uma teoria. Você está a planear uma viagem de cerca de 400 km. e ganhar 60. À excepção do custo.m. Ninguém pensa que os estudantes que terminam o ensino secundário decidem quando devem iniciar o seu curso universitário com base em cálculos que envolvem custos de oportunidade Pelo contrário.) por ter tratado desse assunto. do seguinte exemplo.m. a maior parte dos estudantes vai para uma universidade assim que termina o ensino secundário porque é o que fazem todos os seus colegas. quando na realidade o é.m.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA emprego que se arranja é menos desagradável. 130 000u. Erro 2. Você pode pegar no dinheiro e comprar um bem produtivo. Por isso para a maioria das pessoas.

deve ir de automóvel. e neste caso deveria ir de avião.4 gasolina. exceptuando os custos. Focar apenas alguns custos relevantes Uma pessoa que ao tomar uma decisão seja vítima da falácia do custo irrecuperável. Se decidir desta maneira. o litro.4Gasolina.20. Se alugar um Diesel em vez de um a gasolina. Se o meu objectivo é poupar energia só deveria alugar o Diesel se a pessoa que vai ficar com o a gasolina fizer menos quilómetros por ano do que eu.m. O custo correspondente para o Diesel será: 10 K × 168€ 100 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. conclui que lhe iria custar 15 280u.. decide ir de avião. Mas provavelmente não haverá tantas Corsas TD disponíveis. Mas o exemplo que se segue tornará claro que os custos de oportunidade não são os únicos custos que as pessoas tendem a ignorar.m. conclui que o preço por Km é 38u.m. repare primeiro que. Dado que este valor é mais elevado do que os 13 000u. Mas quem é que pode adivinhar se é isso que vai acontecer? Se as taxas de aluguer dos dois automóveis estiverem estabelecidas no mercado e cada um escolher geralmente o carro que vai minimizar as suas despesas totais com as deslocações. ou seja. Isto dá-lhe um custo de 260 000u. para evitar a maçada de guiar. A falácia do custo de oportunidade é exactamente o oposto: ignorar custos que deveriam ter sido considerados. 650 000u. 15u.0 …………………………………::……………………………. por exemplo.m.m. note o papel desempenhado pela suposição de que. o custo anual do Corsa a gasolina é dado pelo cálculo em que K é o número de quilómetros que eu faço por ano e 340..m. Isto permite-nos afirmar que o único factor que se devia considerar era o custo actual dos dois modos de transporte. o TD for menos dispendioso. Se preferisse um meio ao outro. Erro 3. Ao preço de 15u..m. O valor do seguro e dos juros não varia conforme o número de quilómetros que efectua num ano..m. o combustível e a manutenção são os únicos que variam consoante o número de quilómetros que efectuar.m. lhe era indiferente o meio de transporte utilizado. O impulso de muitos consumidores preocupados com a poupança de combustível seria escolher imediatamente um carro com baixo consumo de Combustível como o Opel Corsa TD. por 17 000km. do que o 1. alguém terá de alugar um a gasolina em vez de um a Diesel. você comete um erro não considerar os custos irrecuperáveis.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Manutenção Total 130 000u. e apenas se. se estivesse disposto a pagar 7800u. Para perceber porquê. para mim. a viagem só lhe custará 6120u. o custo real de guiar passaria a ser de 13 920u. tinha também de ter em consideração o peso dessa preferência. No Exemplo anterior. podemos dizer isto: o facto de eu escolher C ( g ) = 340. Ambos são custos irrecuperáveis e serão sempre os mesmos quer viaje ou não com o cano.m. e dado que este valor é muito mais baixo que o bilhete de avião. Suponha que existe um total de 1000 Corsas TD e 1000 Sport 1. o óleo. Assim. e não 6120u. se a gasolina custar 168u.30/km. tem em atenção um custo que deveria ter ignorado. 10 . do bilhete do avião.m. Se usa este número para calcular a custo da viagem de carro.30/Km.000€ + um Diesel vai reduzir o consumo de energia da sociedade se. Dos custos mencionados.000u.m. Dividindo este valor total por 17000 Km.m.m. a aluguer anual do veiculo em 5 anos.

o que significa um custo que recai sobre pessoas que não estão directamente envolvidas na decisão.m. será melhor queimá-las.6. afectar os recursos escassos à utilizações alternativas da forma mais eficiente. por exemplo. 6 K × 115$ 100 Erro 4.363 Kms por ano (para obter este número iguale as equações e resolva em ordem a K). alugá-los todos. O problema é que queimar as folhas acarreta um importante custo externo. deverei escolher o a gasolina. 1. O MERCADO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. ou seja. daí que seja uma ciência social dedutiva.m. incluindo eu. O problema dos custos externos de uma actividade O custo externo de uma actividade é o custo que incide sobre pessoas que não estão directamente envolvidas nessa actividade. é o que acontece se metade dos condutores. mas sobre as pessoas que moram na direcção do vento.0 …………………………………::……………………………. mesmo que a poupança de energia seja a minha única preocupação. do seu ponto de vista. andarem 6000 quilómetros por ano enquanto todos os outros fazem 4000? Se fosse esse o Caso. Por fim. As companhias de aluguer de automóveis iriam descobrir que podiam aumentar substancialmente os preços dos gasolina e.. que deve ser sempre óptimo e eficiente. A Teoria Económica pretende representar a realidade da forma mais aproximada possível. Mas como é que vou saber se a pessoa que vai ficar com o Diesel que eu poderia ter alugado ou comprado não vai fazer ainda menos quilómetros do que eu? Se todos seguirem a regra "conduzir o carro menos dispendioso" tal não acontecerá com as taxas de aluguer indicadas. se eu andar menos. caso não os quisessem ver ficar a ganhar pó nos parques de estacionamento. e os a gasolina ficassem menos dispendiosos para os que fazem poucos quilómetros. e não queimadas. A Teoria Económica tem como objectivo resolver o problema da escassez. e queimá-las fica em apenas 100u. O bem da comunidade exige que as folhas sejam levadas. então todos considerariam o gasolina mais barato com estas taxas de aluguer e ninguém ia querer alugar um a Diesel. o Diesel ficará mais barato. Este custo externo é o prejuízo provocado pelo fumo. (Se a gasolina ficar mais barata para mim. Suponha que as prejuízos provocados pelo fumo montam a 2500 u. quer no consumidor.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA C (d ) = 700. vai certamente decidir queimar as folhas.m. Assim. Se eu andar mais de 36. com elevado grau de abstracção.. Levar as folhas à lixeira próxima custa-lhe 2. as taxas de aluguer dos dois automóveis seriam ajustadas de modo a que os Diesel ficassem menos dispendiosos para os condutores que fazem muitos quilómetros. produtor ou governo. será o gasolina o mais barato. Esse custo não vai incidir directamente sobre o agente que toma a decisão (queimar as folhas). teriam um forte incentivo para baixar as taxas de aluguer dos Diesel. também será mais barato para alguém que faça menos quilómetros por ano do que eu).000$ + Estes custos serão absolutamente iguais se eu fizer exactamente 36. A escolha resulta de um processo de decisão.000u. Contudo. Suponha que tem um jardim em sua casa. Pela mesma ordem de ideias. mesmo assim.363 quilómetros. Há sempre custos associados a qualquer escolha e a escolha existe sempre. se andar 6000 quilómetros por ano. 11 . Se você está apenas interessado nos custos.

m. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Por sua vez o preço mais elevado irá estimular a produção (o contrário também é verdadeiro). As empresas. Quem toma estas decisões? É o governo ou o congresso japonês? De facto não é nenhum deles. representam as condições em que os indivíduos e as empresas trocam os diferentes bens.m. negociar e consumir. são movidas pelo desejo de maximizar os seus lucros . O que é verdade para os mercados de consumo também o é para os mercados de factores de produção. Os custos relativos também afectam a produção e o comércio entre países. Porque a terra é escassa e cara no Japão. os custos dos alimentos são relativamente elevados enquanto os da electrónica de consumo são baixos. O quê será produzido é determinado pela decisão de compra dos consumidores. capital. tais como o trabalho. consumidores e empresas pretendem comprar ou vender algumas quantidades dependendo do preço. as rendas e os dividendos que os consumidores.000u. através do seu equilíbrio. ou a diferença entre as vendas e os custos totais (as empresas são atraídas pelos lucros elevados da produção de bens com elevada procura. a sua procura irá aumentar. por seu lado. Os preços mais elevados tendem a reduzir as compras dos consumidores e estimularem a produção. Os preços mais baixos estimulam o consumo e retraem a produção. Todos. Quando concordo em comprar um telemóvel a um vendedor por 50... Os três problemas económicos . Os preços são o pêndulo do mecanismo de mercado O equilíbrio de mercado representa um equilíbrio entre todos os compradores e vendedores. para o vendedor. ou seja.000u.m. Os preços ajudam a equiparar o consumo e a produção (a oferta e a procura). Se por exemplo os consumidores quiserem mais telemóveis. O mercado estabelece o preço de equilíbrio que equipara os desejos dos vendedores e consumidores.O quê. O preço representa o equilíbrio entre a oferta e a procura. como empregados. 12 . Dado que existe em abundância nos EUA.lucros que correspondem a diferença entre as receitas líquidas (lucro total). mas como os vendedores estão com as suas existências reduzidas aumentam o preço do produto para racionar a oferta limitada. etc. Analisando os sinais dos preços da terra e do trabalho. enquanto o talento tecnológico é relativamente abundante. as empresas. O Japão produz e exporta electrónica de consumo e importa alimentos. Os preços também servem de sinais para os produtores e consumidores. dinheiro que deixa nas caixas das empresas vai acabar por proporcionar os salários. O 1. Num sistema de mercado tudo tem preço. para mim e menos de 50. Os preços coordenam as decisões dos produtores e dos consumidores num mercado. recebem como remuneração. os agricultores e os consumidores podem escolher o bem que será mais apropriado produzir.000u. enquanto os EUA importam electrónica de consumo e exportam alimentos. a terra é relativamente barata e os custos dos alimentos são relativamente baixos. como e para quem O próprio mercado tem capacidade para resolve-los. isto significa que ele vale mais de 50. É o sistema de preços quem toma as decisões.0 …………………………………::…………………………….INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Mercado é o mecanismo pelo qual os compradores e vendedores de uma mercadoria se confrontam para determinar o seu preço e quantidade. O preço representa o valor de um bem em termos monetários.

Através do somatório dos rendimentos dos factores de produção. em baixo os mercados dos factores de produção. as taxas de juro e os lucros . A procura dos consumidores tem de se encaixar com a oferta de bens e serviços pelas empresas.0 …………………………………::……………………………. os preços no mercado de factores são estabelecidos de modo a equilibrar a oferta dos consumidores com a procura das empresas. O lucro tem um papel muito importante no dia-a-dia do mecanismo de mercado. Os custos empresariais e as decisões de oferta.Os mercados determinam os salários. induzindo-as a produzir da forma mais eficiente possível os bens mais desejados. A repartição do rendimento entre a população é portanto determinada pelo montante possuído de factores (horas-homem.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 2. Os consumidores usam o seu rendimento da venda de trabalho e outros factores para adquirir bens às empresas. etc. as rendas da terra.6. Uma imagem dos Preços e dos Mercados A figura abaixo representada dá-nos uma visão global de como os consumidores e produtores actuam em conjunto para determinar os preços e as quantidades.) e pelos preços dos factores (níveis salariais.passaremos a designá-los por preços dos factores de produção. Os preços nos mercados de bens são estabelecidos de modo a equiparar a procura dos consumidores com a oferta das empresas. A procura e a oferta formam uma teia de relações interdependentes que se conjugam através do mecanismo de mercado para resolver os problemas económicos. etc.). que reconcilia os gostos dos consumidores com as limitações tecnológicas das empresas. O mais importante a apreender é o posicionamento tecnológico e a forma mais eficiente de utilizar a tecnologia ao longo do tempo. Os mercados funcionam como um link. ajudam a determinar o que deve ser produzido. por si só. A concorrência entre os diferentes produtores é que determina como as coisas são produzidas. Em cima estão os mercados dos produtos. ditar quais os bens que devem ser produzidos.Para quem são as coisas produzidas é determinado pela oferta e procura nos mercados dos factores de produção . rendas da terra. 1. constituem o prémio ou castigo para as empresas. juntamente com a procura dos consumidores. as empresas vendem bens e serviços e adquirem factores de produção. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. através da adopção dos métodos de produção mais eficientes.1. 13 . hectares de terreno. estas baseiam os preços dos seus bens nos custos do trabalho e do património. Os consumidores compram bens e vendem factores de produção. 3 . A melhor forma de os produtores alcançarem um preço de concorrência e maximizarem o lucro é manterem os custos no mínimo. tanto de factores de produção como das produções. podemos calcular o rendimento da população. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO? Os consumidores não podem.

O funcionamento do mercado. 1.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA PROCURA Vestuário Habitação Alimentaçã Decisão de compra dos consumidores Famílias OFERTA PREÇO nos Mercados de Bens/serviço Vestuário Habitação Alimentaçã Custos de produção O quê Como Para quem Empresas Propriedade dos factores Trabalho Terra Capital OFERTA Salários. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA Foi Adam Smith quem proclamou o princípio da Mão Invisível. Se a EDP elevar o preço da energia eléctrica para ganhar lucros extraordinários e assim criar maiores dividendos para os seus accionistas – não esquecer que foi recentemente parcialmente privatizada – estará a produzir esse bem abaixo do nível de maior eficiência. R. pois estaria a condicionar a utilização dos recursos da forma mais eficiente. Microeconomia e o Comportamento. todo o indivíduo é levado por uma “mão invisível” a atingir o melhor bem possível. Num contexto de concorrência perfeita (mercado em que nenhuma empresa ou consumidor é suficientemente forte para afectar o preço de mercado) a interferência governamental seria prejudicial.2.6. McGrawHill. Contudo quando se verifica uma situação de concorrência imperfeita (por ex. encontrando-se a economia na sua fronteira de possibilidades de produção (conceito estudado na Introdução à Economia). Num mercado concorrencial a afectação dos recursos é sempre eficiente.0 …………………………………::……………………………. 2002. Neste caso os preços não são Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. rendas. Fonte: Adaptado de Frank. etc PREÇO nos Mercados de Factores Trabalho Terra Capital PROCURA MERCADO DE FACTORES Figura 1. 14 . Decorrente do princípio da racionalidade egoísta. logo a afectar a economia.

sonora. Um ex. Os Bens públicos são actividades económicas que proporcionam grandes ou pequenos benefícios para a comunidade. o 4 Existem críticos e defensores da regulamentação dos mercados e externalidades. construção de auto-estradas. Dentro da economia existem Externalidades 4. Estas actividades não podem ser entregues à iniciativa privada. desaparecendo a propriedade da mão invisível. apoio a ciência e saúde). O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO Como sabemos.0 …………………………………::……………………………. 15 . Desemprego e inflação. os mercados conseguirão extrair tantos bens e serviços quantos os recursos disponíveis o permitam. O rendimento pode ser resultado de padrões aleatórios como a herança.7. As economias de mercado estão prejudicadas pelo: • • • • Monopólio. detritos industriais. Eficiência – As falhas de mercado levam a ineficiências: Em situações de concorrência imperfeita. os países introduziram o conceito da “Mão Visível do Governo”: Substituindo o mercado ao possuírem certas actividades. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA determinados pelos custos de produção ou mercados. típico é o poder monopolístico que conduz a alterações na própria estrutura de mercado. • • • Regulamentado. Cobrando impostos – redistribuindo rendimento As três funções básicas que o Estado deve promover são: 1. O governo criou regulamentação própria para externalidade como a poluição do ar. Injustiça na repartição do rendimento. Uma sociedade de mercado de puro laissez-faire poderá produzir níveis de desigualdade do rendimento e do consumo que sejam inaceitáveis. o azar. Incentivando o Investimento. o preço não é determinado pelo mecanismo de mercado.. Em resposta às falhas de mercado (mecanismos de mercado). 2. Nas últimas décadas os governos têm refreado este poder através da proibição de fixação de preços ou divisões de mercado. porque não a gere da forma mais eficiente possível (ex. etc. Poluição. Em concorrência perfeita e sem falhas de mercado. indivíduo ou estado impõe custos ou benefícios a outros que se situam fora do mercado. Tudo se prende à forma como ela é efectuada. Equidade – Os mercados não produzem necessariamente uma repartição do rendimento que possa ser encarada como socialmente justa ou equitativa. uma economia de mercado perfeitamente concorrencial não existe. Investigação e Educação. da água. 1. que ocorrem quando as empresas.

transferindo o rendimento para os proprietários da tecnologia. Crescimento económico e estabilidade – os governos através de políticas e instrumentos macroeconómicos (políticas fiscais e monetaristas) conseguem (às vezes) influenciar os níveis de despesa. 5 Um acaso tecnológico. inflação e desemprego. etc. 16 .INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA preço dos factores. produto. como por exemplo a invenção de um robot. Como forma de repartição do rendimento existem os impostos e/ou sistemas de transferência de rendimento (Seg. Social. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.) 3. subsídios.0 …………………………………::……………………………. acasos tecnológicos5. poderá reduzir a mão de obra em determinada actividade.

17 .0 …………………………………::…………………………….INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.

a maior parte das vezes.g. procuraremos clarificar alguns do termos utilizados: . Do ponto de vista formal o preço poderá explicar a quantidade procurada ou oferecida.A oferta traduz a relação entre o preço de mercado e a quantidade que as empresas (vendedores) estão dispostos a oferecer no mercado. Quando falamos de procura estamo-nos a referir a uma quantidade “desejada”. A análise da procura e oferta é considerada como uma importante ferramenta exploratória e preditiva.0 …………………………………::…………………………….A procura é a relação entre o preço de mercado e a quantidade que os consumidores estão dispostos a adquirir de determinado produto.000€. PROCURA E OFERTA A temática da economia encontra-se associada. O estudo da procura e da oferta permitem-nos retirar algumas conclusões sobre as alterações do comportamento dos agentes face a alterações de variáveis do meio envolvente ao mercado. e como este é um curso introdutório. o que acontecerá se o imposto sobre um bem aumentar 10%?). região e outros factores que potenciam a descriminação. A análise baseada na oferta e procura é do tipo “what if” (e se. qualidade do produto… Sabemos que o preço é uma variável importante para o consumidor e que o mesmo é diferenciado por loja.). Este pressuposto é muito importante para o entendimento de que a quantidade que os consumidores procuram de determinado bem e a determinado preço de mercado nem sempre é a quantidade que as pessoas adquirem. Outro conceito importante a reter é o de preço de mercado. Este estudo deverá ser feito antes da ocorrência das alterações. tornando-se um importante instrumento na predição das consequências de fenómenos económicos (e. De notar que nossa análise iremos relacionar duas variáveis: preço e quantidade. uma vez que a quantidade oferecida a este preço seria próxima ou mesmo igual a 0 (zero). espaço de venda. Na nossa análise iremos tratá-lo de forma indistinta relativamente a factores como a localização. à organização ou ao consumidor.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 2. ou a quantidade procurada e/ou oferecida poderão explicar o preço a fixar no mercado. Antes de iniciarmos o estudo em mais detalhe. a procura e oferta. Poderemos considerar uma curva da procura do Ferrari Enzo Dino que procurará responder a quantas unidades seriam compradas se o seu preço de venda fosse de 10. 18 . . Contudo vamos encara-lo como uma espécie de preço médio de mercado. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Com certeza a resposta seria: muitas! Esta resposta traduziria um desejo e não as quantidades reais de ferraris que seriam adquiridas no mercado.. representando o relacionamento entre quantidades oferecidas e procuradas a determinado nível de preço do mercado.

nos medida que o preço dimin aumentara a quantid nui dade procura ada de pizzas Normalmen uma curv da procura (linear) é traduzida por um equação.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Iremo ver mais à frente. Con pos e vo ntudo terem a necessi mos idade de dese envolver algu cálculo ma um atemático básico. aulas vamos tent utilizar to s tar odos estes tip dando especial relev à análise gráfica.quanto menor o preço de um produto m maior será a probabilidad de aquisiç do mesm Se de ção mo. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. a dec A rela ação entre a p procura e ofe podem se expressa em equações. repararmos no ex xemplo anterior quando o preço cai de 10 para 4 u. q os que num me ercado de co oncorrência perfeita (me ercado idílico as o) empresas são pric takers.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. -àm medida que o preço de um bem dimin ele torna. s. 19 . a qua d antidade proc curada aume enta de 1 para 10 unidade a es. Baseand do-nos no exe emplo das piz zzas. 2. à medid que o seu preço vai dim da minuindo o pr roduto vai se tornando mais competiti relativame e ivo ente a produt similares como hambu tos urgers. Neste caso cisão que as m mesmas terão que tomar residirá na es o scolha da qua antidade a pr roduzir e vend der. nte va ma A neg gatividade da relação entre o preço e quantidade procurada é traduzida pela Lei Ge a e eral da Procu é explicad pelos segu ura da uintes factores: . Falam de mos um ef feito de troca provocado p produtos s a por substitutos. Nas . retrata a curva de procura por pizzas para um grupo de alunos (men e r e nsal).1 A procura de merc a cado emplo que se segue. graficamente.m.mais “barato” relativa m nui -se amente a pro odutos simila ares. trabalham com base num preço fixo pelo mer ce e rcado. P ocura Mensal de Pro Pizza Preço P B C D E F 10 8 6 4 2 Quantidade 1 4 7 10 1 13 1 Q Podem constata que na pro mos ar ocura a relaçã entre o pre e a quan ão eço ntidade procurada é negat ou tiva invers dizendo-n que à m sa. tabelas ou g erta er e . O exe Os da ados são apre esentados na tabela e exp a pressam o co omportament da compra relacionada com to a o preç das pizzas ço s. ou seja.

20 . Inf fluências esp pecíficas: A p procura de de eterminados bens é influe b enciada por fa actores específicos co omo seja a ve enda de guard da-chuvas em dias chuvos m sos Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. Pr co onsumidores representam uma var m riedade de inf fluências cult turais e históricas e afecta a curva da procura am a 5. Mais ind divíduos cond duzem a um maior consum mo 3. é ilustra ado o efeito da alteraçã do preço de um bem na o ão m quantidade proc curada (ou d desejada). ura podem sofrer deslocações r s. mesmo q os preços não se que s alterem 2.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. Dimensão do mercado: m medida pela população inf fluência de fo orma nítida a curva da pro ocura. Q Quando o pr reço cai de P2 para P3 verificamos um s desl locamento ao longo da curva da procur do ponto B para o ponto C.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA No gráfico abaix apresenta xo ado. o ra o P Q Notem que existe uma diferenç consideráv entre os te m ça vel ermos “altera ação na quan ntidade procura” e altera ação da proc cura. logo que a c a tre curva sofreu uma deslocação (simples ou alteraç do seu de ção eclive). As curvas da procu também p Facto ores que afe ectam a proc cura: Rendiment médio : to com o aum mento do rend dimento médio os indivídu tendem a comprar uos mais de quase tu s udo. quando fala ngo a amos de alte eração da pr rocura estam a mos afirma que toda a relação ent o preço e quantidade foi alterada. Pr reços de bens relacionado A procura de um s os: da ado bem ten nde a diminuir (aumenta quando ar) diminui (aumen o preço d bens subs nta) de stitutos P Q referências: as prefer rências (gostos) dos 4. Enquanto que na al lteração da quantidade p q procurada es stamos a fala de ar deslocação ao lon da curva da procura.

Pr pr rodução é me enor e a oferta aumenta a Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. A oferta de merc a cado rta analisada de forma similar. Te ecnologia: o progresso tecnológico consiste nas alterações qu diminuem a quantidad dos a ue de factores necessários para a mesma quantidade de pr roduto reço dos facto ores de produção: quando o preço dos factores de produção diminui a o custo de o s e 2.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. que não o preço do próprio b e o bem.) eço 4 6 8 10 0 12 2 Quantidad de pizzas p mês de por 100 200 300 400 500 P Q Facto ores que infl luenciam a c curvam da o oferta: 1. que afectam a quant tidade procu urada. Irá represe entar a relaçã entre o pre de mercado e a ão eço A ofer deve ser a quant tidade oferec cida de determ minada produ Vejamos um exemplo: uto. designam-se por de eslocações da curva da pro a ocura. 21 . A pro ocura aumenta (ou dimin nui) quando a quantidade procurada para cada p preço de me ercado aume enta (ou dimin nui).INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Quando existem alterações de factores. 2.2.m. : Relação entre preço e quantidad oferecida da PizzaHub o de d Pre (u..

Po factores de pro odução levand à contracç da oferta do ção fluências esp pecíficas: a o oferta de det terminados bens é influen b nciada por fa actores específicos 5.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA 3. Esta situa ação é oferec desig gnada por ex xcesso de p procura. Pr reços de ben relacionados: a oferta de um dado bem tende a aumentar (diminuir) quando ns o diminui (aumen o preço d bens subs nta) de stitutos olítica do gov verno: os impostos e as políticas salariais podem fazer aum m mentar o cust dos to 4. O p preço é visto como o pên ndulo que eq quilibra as fo orças da proc cura e oferta a. existem várias ocasiões em que o preço fixado no mercado não revela a conjugaçã entre o o ão os de esejos dos consumidores e das empres que sas opera em determ am minado merca ado. fixado é igua a 6. Neste caso a al quant tidade procur rada ascende as 37 unida e ades e a oferec cida será ap penas igual a 20. Inf co omo seja o clima na agricu ultura 2. No gráfico abaix apresentado o preço de equilíbrio é de xo 8. Terem mos um exces de procur igual a 37-2 17 unida sso ra 20= ades Q Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. logo as quantida o ades procura adas ou desejadas serão superiores às quan o s ntidades cidas pelas empresas.3 O equilíbrio d mercado de o O equ uilíbrio do me ercado é uma situação em que a m a qua antidade proc curada é igual à oferecid não da se alt terando o pre (que pas eço ssamos a designar por preço de equilíbrio de mer rcado). Situaç A: Excess de procura ção so a Aqui o preço de m mercado é fixa abaixo do ponto ado de eq quilíbrio. Grafic camente o eq quilíbrio ocor quando a curva rre da pr rocura interce P a curva da oferta.m e o preço f m.u. Dese equilíbrios de mercado e Coloc cando em ca ausa a exist tência de m mercado perfeitos. 22 . No caso epta o abaix apresentad o equilíbrio do mercad dáxo do do se quando o pre eço é de 8 e a quant tidade transa accionada igual a 30.

logo as quantid dades procu uradas ou desejadas serão inferiore às es quant tidades ofere ecidas pelas empresas. N Neste caso a quantidad oferecida ascende as 50 de s unida ades e a procura será ap penas igual a 15. Admit tindo agora uma desloc cação da curva da procu para D3 e da curva da oferta para S3.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Situaç B: Excess de oferta ção so Aqui o preço de mercado é fixado acima do ponto de equilí o íbrio.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. o ura a novo equilíbrio de mercado é potenciado q e quando a qu uantidade tra ansaccionada for igual a 44 a unida ades e o preço de equilíbrio a 9 u.m. face ao pr ura . Esta s situaç é designa por exce ção ada esso de oferta No a.u. reço de equ uilíbrio anterior teremos u desequilíb provocad por um brio do um e excesso de procura de 18 unidade O es.m. o mática da proc cura e oferta deverá ser co onsolidada co recurso ao caderno de exercícios. 23 . gráfic abaixo apresentado o p co preço de equi ilíbrio é de 8 8.m e a quant o m tidade transa accionada n mercado se fixar em 40 no m unida ades O efe da deslo eito ocação das c curvas da procura e ofe erta Centr rando-nos na relação disp ponibilizado e entre a procu D2 e a Oferta S2: o equilíbrio dá-se ura o quand P=8 e Q=3 do 30. equilí íbrio de merc cado só será fixado quan o á ndo preço aumentar para 10 u. Terem um exce mos esso de ofert igual a 50 ta 0-15= 35 un nidades O efe da deslo eito ocação da cu urva da proc cura Centr rando-nos na relação disponibilizado entre a procu D2 e a Of ura ferta: o equilí íbrio dá-se qu uando P=8 e Q=30. e o pr reço fixado é igual a 12. om e A tem Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. Admit tindo agora uma desloca ação da curv da va procu para D3.

Sabemos ainda que.1. Em termos percentuais isso equivale a 15% pois. ELASTICIDADES No estudo da procura e oferta de mercado é muito importante a medição da resposta dos consumidores às alterações dos preços dos produtos e do seu rendimento.00 u. Em termos percentuais isso equivale a 10% pois. o preço inicial era 2.00 e aumentou para 2. A variação percentual na quantidade procurada dividida pela variação percentual no preço. O conceito de elasticidade permite-nos conhecer a sensibilidade da quantidade procurada face à alteração de variáveis como o preço de determinado produto. para 2.20 u.20 u. Qual será a elasticidade preço da procura do leite se a quantidade procurada de leite é de 85 mil de litros por ano quando o preço é 2. É assim usado para medir a reacção dos consumidores face a mudanças em variáveis económicas. Ou seja.00) traduzindo um incremento no preço..00 u. Quando o preço aumentou para 2. 3.20 houve um aumento de 10% . Ed çã   çã           ç         ∆%   ∆% Exemplo: o preço do leite muda de 2. ou seja. A variação absoluta no preço foi de 0. 24 . Essa reacção é calculada pela razão entre duas variações percentuais. 100 10% . inferior. complementares ou substitutos. quanto maior o rendimento maior será a quantidade procurada de determinado bem. o rendimento ou o preço de produtos que de alguma forma estejam relacionados.m. que era o preço inicial. a quantidade era de 100 mil litros a 2. quanto maior o preço menor será a quantidade procurada. A resposta é simples: A variação absoluta na quantidade foi de 15 mil de litros (100 – 85) e traduz uma diminuição.5 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.m. Sabemos já que a procura é inversamente relacionado ao preço. regra geral. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed) A elasticidade preço da procura (Ed) mede a reacção dos consumidores às mudanças no preço.0 …………………………………::…………………………….20 – 2.m. houve uma queda na quantidade procurada de 15% [100(85 – 100)%/100].20 u. Por outro lado o estudo das diferentes elasticidades permitem-nos caracterizar algumas tipologias de bens como os bens normais.20 e é de 100 mil de litros por ano quando o preço é 2.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 3. (2.00 u. ∆% ∆% % % A elasticidade desta mudança será: d 1.m.m.m..

A elasticidade do mercado diz quanto a quantidade global mudará se o preço geral foi alterado. Poucas pessoas deixaram de comprar lápis por isso. A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual no preço. Quanto mais tempo os consumidores tiverem para procurar substitutos maior será a intensidade de sua reacção. Exemplo: aumento de 10% no preço do lápis. Não esquecer que se a variação do preço foi negativa a variação da quantidade procurada será positivo e vice-versa. INELÁSTICOS Se a elasticidade preço do bem for menor que 1. ELÁSTICOS Se a elasticidade preço do bem for maior que 1. 2. se o bem ocupa um peso razoável no orçamento do consumidor.00 diz-se que a procura por esse bem é de elasticidade neutra.00 diz-se que a procura desse bem é elástica.. 3.0 …………………………………::……………………………. contudo se uma única empresa muda seu preço a elasticidade poderá ser outra.00 diz-se que a procura por esse bem é inelástica. ELASTICIDADE E BENS SUBSTITUTOS A elasticidade preço da procura para um bem em particular é influenciada pela disponibilidade ou não de bens substitutos. 3.10 u. Ou seja. Quanto mais bens substitutos estiverem disponíveis mais elástica é a procura. para 1. 25 .m.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Nota: dada a relação inversa entre a procura e a oferta é necessária a utilização de um módulo para obtermos um resultado positivo. OUTROS DETERMINANTES DA ELASTICIDADE 1. Entretanto. A variação percentual na quantidade é menor que a variação percentual no preço. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Tempo: elasticidade de Curto Prazo e elasticidade de Longo Prazo. se não há bens substitutos a procura é inelástica. Aumentou de 1. Espaço: a elasticidade de um mercado é diferente da elasticidade de uma única empresa. ELASTICIDADE UNITÁRIA Se a elasticidade preço do bem for igual a 1. Fórmula da Elasticidade no arco: CLASSIFICANDO BENS DE ACORDO COM A SUA ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA 1. 2.m. Ou seja. Peso da aquisição no orçamento do consumidor: se um bem representa pouco do orçamento total do consumidor a reacção será menor a variações de preço. os consumidores são relativamente pouco sensíveis a variações no preço. A variação percentual na quantidade excede a variação percentual do preço. os consumidores são bastante sensíveis a variações no preço.00 u.

feijão.2 0. De notar que a elasticidade preço da procura tem uma influência directa sobre a receita total da organização ( 120 ) 100 80 r s 76 Preço 60 50 46 t u 40 20 v w 16 0 0 5 1012 15 20 2527 30 35 4042 45 50 55 Quantidade Procurada Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.3 2. Aumentou de 15.7 1.3 0.2 2.m. Bens necessários versos bens supérfluos: para bens essenciais como pão. Ela aumenta a medida que os pontos vão se movendo para a esquerda. para 16.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA então as reacções serão maiores. 4. etc.4 3.0 …………………………………::……………………………. 26 . Para bens de luxo a procura é mais elástica.0 1.00 u.500.3 0. Exemplo: O preço do automóvel subiu 10%. a procura é mais inelástica. Uma função procura pode ter várias elasticidades.. arroz. Exemplos de Elasticidades Produto Sal Água Café Cigarros Calçados Habitação Automóveis Refeições em restaurantes Viagens de Avião Cinema Ed 0.m.7 A ELASTICIDADE DE UMA PROCURA LINEAR A elasticidade muda a cada ponto.1 0.00 u.000. A procura será mais elástica. A intensidade da reacção será maior para esta mudança.

Teoricamente a elasticidade de uma recta vai de zero ao infinito.: Vamos supor que a elasticidade preço da procura de filmes num cinema é igual a 2. 27 . do ponto v para o w queda de 4 unidades ou 20% (4*100/20). Se o preço inicial era igual a 5. do ponto t para o u queda de 4 unidades ou 8% (4*100/50). Essas são as mudanças nos preços. do ponto t para o u aumento de 2 unidades ou 8% (2*100/25). Efeito Positivo de vender a um preço mais alto. e a quantidade vendida igual a 100 bilhetes por sessão ele agora deverá ter em atenção que a quantidade procurada sofrerá uma diminuição igual a 20 bilhetes por sessão. do ponto de vista do empresário: 1. Efeito Negativo de vender menor quantidade.00 5. contudo ainda não poderemos concluir nada sem conhecer as implicações na estrutura de custos da empresa e no resultado económico final da empresa.0 (de t para u).25 (de v para w). 20-16 =4) os percentuais de mudança nos preços são de: do ponto r para o s queda de 4 unidades ou 5% (4*100/80). Imaginemos que o director do cinema decide aumentar o preço do ingresso em 10%. Verifica-se uma diminuição da receita total. 2. As quantidades variam da seguinte maneira: do ponto r para o s aumento de 2 unidades ou 20% (2*100/10).0 …………………………………::…………………………….50 100 80 500 440 Receita obtida (1x2) Em geral o aumento de preço do bilhete de cinema tem dois efeitos. do ponto v para o w aumento de 2 unidades ou 5% (2*100/40). 50-46=4. ex. USANDO A ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA A elasticidade preço da procura para um bem revela-se um instrumento fundamental para se poder quantificar e predizer o quanto mais de um bem será vendido a um preço menor e vice-versa.00 u.m. Neste caso a decisão de aumentar o preço ou não dependerá de qual dos efeitos supera o outro. As elasticidades em cada mudança são de: Ed = 4. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Vamos verificar a implicar desta decisão nas receitas do cinema por sessão Situação Preço fixado (1) Quantidade Procurada (2) Inicial Alteração do preço 5. já que o preço será fixado em 5.m.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Em cada ponto as mudanças absolutas no preço é igual a 4 unidades (80-76=4. Ed = 0.50 u. Ed = 1.0 (de r para s).

Esse diagrama dirá tudo sobre direcções mais quando se deseja saber o quanto o preço mudará faz-se uso das elasticidades. Ou seja. ∆%   çã   ∆%   çã             Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. A variação percentual na quantidade ofertada dividida pela mudança percentual no preço.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 3. Sabendo-se as elasticidades de procura e oferta. a variação nos preços. a curva de oferta irá se tornando cada vez mais elástica. isto para o preço de equilíbrio. resultante de um aumento na quantidade procurada será é dada pela divisão do percentual de mudança na procura pela soma das elasticidades de oferta e procura: ∆   çã     ç ∆% .2. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA Elasticidade rendimento da procura É utilizada para medir a reacção dos consumidores face a alterações no rendimento. ao longo do tempo.0 …………………………………::…………………………….3. Equivalentemente pode-se calcular variações devido a mudanças na oferta: ∆   çã     ç ∆% 3. Assim. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo) A elasticidade preço da oferta (Eo) mede a reacção dos vendedores às mudanças no preço. 28 . pois a elasticidade de curto prazo será em geral diferente da de longo prazo. PREVENDO MUDANÇAS NO PREÇO USANDO O CONCEITO DE ELASTICIDADE Quando oferta ou procura mudam pode-se traçar um diagrama para saber a direcção da mudança do preço de equilíbrio. quando as firmas têm possibilidade de reagir mais intensamente às variações de preço. çã   çã             ç ∆% ∆% Dos determinantes o tempo tem grande importância. Essa reacção também é calculada pela razão entre dois percentuais.

Para bens inferiores há uma relação negativa entre rendimento e quantidade procurada. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. logo a elasticidade rendimento é positiva.0 …………………………………::……………………………. logo a elasticidade cruzada é negativa. É definida como a variação percentual na quantidade procurada de um produto em particular (X) dividida pela variação percentual no preço de um bem afim (Y): . 29 . Para bens complementares há uma relação negativa entre quantidade procurada do bem e preço do bem complementar. Elasticidade preço cruzada É utilizada para medir a reacção dos consumidores às mudanças de preços de bens afins. logo a elasticidade cruzada de bens substitutos é positiva. ∆%   çã   ∆%   çã       ç               Para bens substitutos há uma relação positiva entre quantidade procurada do bem e variação de preço do substituto. logo a elasticidade rendimento é negativa. Diz-se que a elasticidade rendimento da procura é elástica se a elasticidade rendimento é maior que um e inelástica se menor que um.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Para bens normais há uma relação positiva entre rendimento e quantidade procurada.

Assim. Convencionou-se que o primeiro número do par de qualquer cabaz se refere ao bem representado ao longo do eixo horizontal. 7) que representa o cabaz A e a notação (3. medida em metros quadrados por semana. (H0. Será a base teórica para a derivação das curvas de procura de mercado. medida em quilos por semana. 8) que caracteriza o cabaz B.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 4. De forma geral. na Figura 2. alimentação e habitação. gosto pessoal. Para abreviar. O CONJUNTO ORÇAMENTAL DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO Estes apontamentos são baseados no de Frank no seu livro Microeconomia e Comportamento. Figura 4. 4. A0) representa o cabaz de H0 metros quadrados/semana de habitação e A0 kg/semana de alimentação. somos capazes de enumerar um conjunto extenso de factores que podem afectar a nossa decisão: preço. Efectivamente são vários os factores que pesam na nossa decisão. qualidade dos produtos. e habitação. Quando pensamos nas nossas escolhas diárias e decisões de compra. . Representação de cabazes de bens Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. (in)existência de produtos substitutos ….. um cabaz (cabaz A) pode consistir em 5 m2/semana de habitação e 7 kg/semana de alimentação.1.1. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR PROCURA DE MERCADO E A Neste capítulo vamos tentar analisar a forma como a economia procura explicar o processo de decisão referente às escolhas do consumidor.. comecemos por considerar um mundo somente com dois bens. 30 . A análise explanada nas próximas páginas é muito abstracta e deverá ser entendida no contexto da sua modelização. Para simplificar. podemos usar a notação (5.0 …………………………………::……………………………. Um cabaz de bens é o termo usado para descrever uma combinação particular de alimentação.

assim.m. Se o consumidor gastar todo o seu rendimento em habitação. Note que. simplesmente./semana) ÷ (650 u. o cabaz será traduzido por: R/PA = (13000u. 0 mesmo é dizer que podem comprar o cabaz de 20 m2/semana de habitação e 0 kg/semana de alimentação. Suponha. ou seja. ainda./kg.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Suponha que o rendimento de um consumidor é R = 13 000u. Figura 4.2. o consumidor pode também adquirir qualquer cabaz que esteja incluído no triângulo orçamental formado por ele e pelos dois eixos (área colorida do triangulo)./semana. aqui. O sinal negativo significa que a restrição orçamental é decrescente.m./semana: Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R./Kg). Em adição à possibilidade de comprar qualquer outro cabaz que se encontre ao longo da sua restrição orçamental. e PH e PA representam os preços de habitação e alimentação.300 u. em alternativa. 31 .m. 0).m. estes extremos estão identificados por K e L.m. Em termos gerais. que o preço da habitação e da alimentação é respectivamente: PH = 650 u. Recorde-se da regra de álgebra que aprendeu no liceu. (Note que o rendimento também varia). Suponha.450 u. correspondente. Na Figura 4..300 u. a ordenada e a abcissa na origem serão dadas por (R/PH) e (R/PA). segundo a qual o declive de uma linha recta é a sua "altura" sobre a sua "base" (a variação da sua posição vertical dividida pela variação.10). o declive da restrição orçamental é a sua ordenada na origem (a altura) dividida pela sua abcissa na origem (a base correspondente): (10 kg/semana)/(20m2 /semana) = .(1/2 ou 0. ou conjunto de oportunidades. denotado (20.(R/PÁ)/ /(R/PH). e que gasta tudo numa combinação de alimentação e habitação.m.2 Representação da restrição orçamental do consumidor Na Figura 4. que é.0 …………………………………::……………………………. e está representada pela sigla B no diagrama. 0 Consumidor será também capaz de comprar qualquer outro cabaz que se encontre ao longo da linha recta que liga Os pontos K e L. respectivamente.5) kg/m2 . 0 cabaz D custa 8. tem um declive negativo. pode comprar: R/PH = (1300u. respectivamente. D é um desses cabazes./m2 e PA= 1./m2 ) = 20 m2 / semana. se R representa o rendimento semanal do consumidor.m. que o consumidor gasta todo o seu rendimento em alimentação. respectivamente. Obteria./semana) ÷ (1. a negativa do quociente dos preços dos dois bens.2. a fórmula geral para o declive da restrição orçamental e dada por . denotando (0. Assim.m. o que quer dizer 10Kg de Alimentação e 0 m2 /semana de habitação. da sua posição horizontal). Esta linha é designada por restrição orçamental.

mente. (note-s que o rendimento sem se manal e o preço dos alime entos perman necem inalter rados). 0u./ /semana. A equação pa a restriçã orçamental na Figura 4. amente. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. u. E es simplesm stá.m.m.3. Os caba azes como F que estão situados fo do F. Se H e A represen ntavam as qu uantidades de habitação e alimentaçã respectiva ão. foca do alcance do consumidor.m.0 ……………… s eira …………………… …::………………… …………….m.m. Figura 4. a res strição orçam mental deve s satisfeita pela seguinte equação: ser e (1) Tradu uzindo que a despesa sem manal do cons sumidor em habitação (PH mais a sua despesa semanal h H) a em a alimentação ( (PA) deve ser igual ao se rendiment semanal ( eu to (R). u. são cha amados de inviáveis ou não exequív veis. Se alterarmos qualquer um de os os s eles.(PH/PA). r ara dem a QA: QA = R PH − × QH . da orçamental é determinada totalmente p pelo rendimento do Caso 1) o declive e a posição d restrição o consu umidor e pelo preços do respectivos bens.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Custo = 5x650u. valor a abaixo do ren ndimento do consumidor que é de 13 000 3.. Se quise ermos aproximar a restriç orçamen à forma g ção ntal geral da recta basta-nos resolver a equação (1) pa QH em ord a./ /semana.300 o m. Microeco onomia e Compo ortamento. . teremos uma s nova restrição orça amental. (2) PA PA A equ uação 2 é um outra man ma neira de verm que a ord mos denada na or rigem da rest trição orçame ental é dada por R/PA e o seu declive p . A um c custo de 18 200 8. – O efe da variaç do preço d um bem a eito ção de Fonte: FranK. 32 . Os cabazes que se encontra dentro do triângulo o e am orçamental ta ambém pode ser em referidos como co onjunto viáve ou exequí el ível. o ora triâng gulo orçamen ntal.m + 4x1./m2 pa PS2 ara =130 00u. McGr rawHill A Figu 3 mostra que o efeito de um aume ura ento do preço de habitação de PH1 = 65 o 50u.2 é: por ara ão Varia ação nos pre eços.

Note que./kg sobre a restrição orçamental B1.m.m. como poderá constatar no caso seguinte. o efeito da duplicação dos preços da alimentação e da habitação é deslocar a restrição orçamental para dentro e paralelamente à restrição original. Repare que aqui. por exemplo. 33 . Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u. a restrição orçamental efectua uma rotação em torno da sua abcissa na origem. alteramos. não podendo ser referência para os níveis de preços em termos absolutos. embora o preço dos alimentos não se tenha alterado. a nova restrição orçamental reduz não só a quantidade de alimentos que o consumidor pode comprar como também a quantidade de habitação. de 13 000u.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA não altera a ordenada na origem da restrição orçamental do consumidor. A lição importante a tirar deste exercício é que o declive da restrição orçamental retracta apenas preços relativos. O efeito de uma alteração do rendimento é muito semelhante ao efeito de uma alteração de todos os preços em proporções iguais. inalterada a ordenada na origem da restrição orçamental. a nova restrição orçamental B2 reduz. mas também mais alimentação. o seu rendimento real baixou). como se mostra no diagrama. de 650u. Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u. que o rendimento do nosso hipotético consumidor é reduzido a metade./semana para 6500S/semana. como se mostra na Figura 4. na Figura 4. alterar os dois preços exactamente na mesma proporção dá origem a uma nova restrição orçamental com mesmo declive da recta original. O exercício anterior demonstra que.m./kg para 2600u. Em termos de efeito Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. a nova restrição orçamental permite ao consumidor comprar um cabaz que englobe não só mais habitação. Assim. que embora o preço da alimentação não se altere./m2. quando o preço da alimentação é alterado. Repare ainda. embora o rendimento e o preço da habitação se mantenham inalterados. também.m. o declive da restrição orçamental. Alterações do rendimento. o custo de oportunidade da habitação em termos de alimentação mantém-se como anteriormente./m2 para 1300u. Exercício prático: Verifique o efeito de uma redução do preço da habitação. a subida do preço de habitação apenas desloca a restrição orçamental para dentro em torno da ordenada na origem. Poderá constatar se representar a nova restrição orçamental que uma redução no preço da habitação deixa./rn sobre a restrição orçamental B1 na figura3. Desta vez.m./kg e de um aumento do preço da habitação de 650u. Repare. mas também a quantidade de alimentação (este problema prende-se com uma diminuição real do poder de compra do consumidor. B2. que. necessariamente. Quando alteramos o preço de apenas um dos bens.3. mais uma vez. Mas. sobre a restrição do orçamental 1 B1 na Figura 3.m. é paralelo ao antigo. ambos com um declive de ½. o novo orçamento.m. A abcissa na origem da restrição orçamental do consumidor vai diminuir de 20 m2/semana para 10 m2/semana. como no caso 1. Quando os preços da alimentação e da habitação se alteram na mesma proporção. a restrição orçamental efectua uma rotação para fora. e a ordenada na origem de 10 kg/semana para 5 kg/semana. o mesmo acontece se alterarmos ambos os preços em proporções diferentes.m. B1. não somente a quantidade de habitação que o consumidor pode comprar. Suponha./kg para 2600u.m.0 …………………………………::……………………………./m2 para 520u.

/sema sobre a re ana estrição orçamental B1 na Figura 4. bámos de ver Consideran três bens (N = 3). Exerc cício prático: Demonstre o efeito de um aumento de rendiment de 13.2. v vamos consid derar de nov um mundo com apena dois bens a habitaçã e a vo as s. ORDENA AÇÃO DAS PREFER S RÊNCIAS os ar omo a econom lidou com problemas d índole subj mia m de bjectiva ligado a os Vamo agora tenta explicar co situaç ções pessoais de gosto ou preferência por determin s u nado produto ou serviço Para simplificar. Consid derando apen dois bens (N = 2).m.m. nos sso 4. s s suponha que A contém 4 m2/semana d habitação e 2 kg/sema de de ana comid enquanto B contém 3 m2/sema da. ão alime entação.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. Tal como no ca da redução do rend aso dimento. o ana de habit tação e 3kg g/semana de comida. o de eclive da res strição orçam mental manté ém-se inaltera ado. Considere d cabazes. a Os ex xemplos disc cutidos até a agora coloca o consum am midor perant a oportunidade de co te omprar apena dois bens diferentes. os problemas o ma uito orçamentais dos consumidores podem ser colocados como um escolha entre não ape m ma enas dois. 34 . é um plano.000 m d to 0u.60 00u. A e B. a restrição orç s rês çamental tran nsforma-se n naquilo a que os matem máticos cham mam hiperplano ou plano multidimens sional. Figura 4. O exe ercício anterio mostra que um aumento dos rendim or mentos deslo a restriçã orçamenta para oca ão al fora e de forma paralela. nem n preocuparemos com is no nosso estudo. É desnecessá dizer que muito pouco consumido as ário e os ores têm um leque de op pções tão res strito. a u dois Para s sermos mais concretos. Quando ndo s temos mais de tr bens. De um forma mu geral. a re nas s estrição orçam mental é uma linha recta como acab a. Se não e conhe ecermos as preferências do consumidor não pod demos dizer qual destes conjuntos ele irá s e Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R.4.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA sobre aquilo que o consumid pode comprar.4. A únic dificuldad real é a r ca de representação geoo métrica deste cas multidimensional./semana para a 15. ma N bens dif as ferentes. a red e dor dução do rendimento pa metade não é ara difere ente da duplic cação dos preços. Não somos muit bons na v so o to visualização d superfície que de es apres sentam mais de três dimen nsões. A or rdenação das preferência é um sistema que pe as ermite ao co onsumidor or rdenar divers cabazes d bens em t sos de termos da sua atracção ou preferência. Resulta precisamen a mesma restrição orç a nte çamental de ambas a as alt terações. em que N pode ser um núme muito ele ero evado.

A ordenação da preferência permite ao consumidor ordenar os diferentes conjuntos. 2) B é preferido a A. há normalmente algum tipo de dificuldades práticas. e B. Uma relação não transitiva é demonstrada na relação de "derrotas do futebol". o consumidor pode fazer três escolhas: 1)A é preferido a B. Tomada à letra. Por muito razoável que a transitividade nos pareça. melhor. e mais de hambúrguer que de cachorros quentes. sendo tudo o resto constante. que tem 12m2 /semana de Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. melhor. Nalgumas épocas o Porto derrota o Sporting. podemos pensar em exemplos onde mais de "qualquer coisa" faz-nos sentir pior que melhor (como por exemplo alguém que comeu de mais). trata-se de uma descrição precisa das preferências na maior parte dos casos. e o Sporting vence o Benfica. “embora seja o mais provável!”. o que não quer. 35 . Naturalmente. 3)A e B são igualmente preferidos. podemos dizer que. Quem passar muito tempo em casa vai provavelmente escolher o A. considere dois conjuntos. 1. 3. B. o consumidor poderá dizer que prefere A a B. Assim. por exemplo. e C. 2.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA preferir A tem mais habitação. As ordenações de preferências diferem. Uma ordem de preferência de um consumidor é transitiva. Mas. Mais especificamente. Exaustividade. e preferir B a C. contudo. os economistas assumem geralmente quatro propriedades simples. maior quantidade de um bem é preferível a menos quantidade desse mesmo bem. e a qualquer combinação desta com a relação "preferido a". Mas. melhor. então ele vai sempre preferir A a C. quando para cada três cabazes A. apesar destas diferenças. mas não pode afirmar que A lhe dá o dobro da satisfação de B.0 …………………………………::……………………………. iremos adoptá-la ao longo das aulas. Como exemplo da aplicação da suposição de quanto mais. Nem todas as relações comparativas são transitivas. veremos em situações posteriores exemplos de comportamentos que nos parecerão incompatíveis com ela. a maior parte das ordenações de preferências partilham algumas características importantes. De uma forma geral. Desde que as pessoas possam dispor livremente dos bens que não querem. mas menos alimentação. Se gosta mais de bife que de hambúrguer. Quanto mais. e a não ser que seja especificado de outra forma. No entanto. apesar disso. mas não lhe permite fazer afirmações quantitativas mais precisas sobre a sua preferência relativa. frequentemente. enquanto uma pessoa com um metabolismo muito rápido escolherá provavelmente o B. Uns gostam de Verdi. E. como um problema de autocontrolo ou uma incapacidade de armazenar um bem para utilização futura. Uma ordenação de preferências está completa se permitir ao consumidor ordenar todas as combinações possíveis de bens e serviços. pois existem muitos bens que não são possíveis de avaliar de uma forma precisa por os desconhecermos quase completamente. necessariamente. dizer que o Porto vá vencer o Benfica. A transitividade é uma simples propriedade de coerência e aplica-se à relação "igualmente preferido a". ter mais de algo não lhes pode fazer mal. então provavelmente você gosta mais de bife que de cachorros quentes. para dois cabazes como estes. do que B. Começaremos por considerar as primeiras três dessas propriedades. que têm 12 m2/ semana de habitação e 10 kg/semana de comida. A. outros gostam dos Rolling Stones. se ele preferir A a B. A propriedade de quanto mais. A relação entre as preferências é como a relação usada para comparar alturas de pessoas. o que nos fará avançar no sentido de sermos capazes de construir uma representação analítica concisa das preferências que nos são necessárias para o problema da distribuição orçamental. entre os consumidores. quer dizer que. nestes casos. Transitividade. uma suposição simples e útil para a análise das escolhas dentro dos vários cabazes de bens que são familiares aos consumidores. a exaustividade é sempre falsa.

o entado pela curva identi ificada como 1 na Figura 3. O ma importante é que ela nos ais as permitem efectuar um gráfico descritivo d preferênc o das cias dos cons sumidores. ao move ermos de Z para W. Pe suposição de transitiv ela o vidade. dev vemos encon ntrar um caba que é igua az almente prefe erido a A.5. agora. de cujas preferências estamos a falar). melhor diz-n que só ex nos xistirá um único cabaz des sses na linha recta que lig Z a W. podemo encontrar outro ponto . Porque Z é nto es a a preferido a A. É cha o a amada curva de indiferen porque o consumido está nça or indife erente a todos os cabazes que se situam ao longo dela. Este grupo é represe . as de claro. sudoe este de Assim por exemp m. depen sabem que C é também igua mos almente prefe erido a A (um vez que C é igualmente preferido a B. o. q os que tem 28 m2/sema ana de ha abitação e 12 kg/semana de alimentaç 2 ção. e o re esultado final será a cur de l rva indife erença: Um co onjunto de to odos os cabazes que são igualmente p preferidos ao cabaz original A. do que te somente 6 m2/semana de habitaçã e 4 kg/sem em ão mana de alim mentação. z Este cabaz tem 12 m2/se de emana habita ação e 10 kg/se emana de alime entação. Este princípio diz e z-nos que B é preferido a A porque tem mais A.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA habita ação e 11 kg/ g/semana de comida. breve emente.chamado C . Seja B o cabaz q é igualmente preferid a A.que é igualmente os o preferido a B. m alime entos e não te menos ha em abitação. 36 . e que A.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. algumas das imp plicações des stas três prim meiras. A Nesta zona todos os z cabazes são preferidos s supos sição do quanto a A (qua anto mais mais. melhor indi icamelhor) ) nos que todos os Cabazes cabaz zes a norde este preteridos a A (pelo axiom do ma de A s preferido a são os “quanto mais A. Os pontos ga p dessa linha a nord a deste a B são todos melho ores que B. e os pontos a s sudoeste de B são todos piores. Consi ideremos. s Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. por s sua melhor”) vez. e suponhamos que contém 1 m2/sema de que do 17 ana habita ação e 8 Kg/ g/semana de alimentação (As quantia exactas d cada bem em B dependem. plo. 7 onde as quantidades e 7) q específicas d C uma vez mais de z ndem das pr referências do consumido que consid or derarmos. e A é preferido a W. consideremos o pr rimeiro cabaz A da Figura 4. é preferido a todos os cabazes a s s A. por sua v é preferid a W ido e vez. Podem mos repetir este process as vezes que quiserm so mos. consider remos. C r representa o cabaz (20. cons sequentemen nte. p Precis samente da m mesma mane eira. dor. dos gostos do consumid . P Para vermos como. a suposição s do quant mais. o conjun de cabaze dispostos ao longo da linha que liga W a Z. é preferi a A e que A. melhor to diz-no que Z. A sup s q posição de quanto mais. Antes de passarmos para a quarta suposiçã acerca da ordenação d preferênc s ão das cias. e daí t também igua almente pref feridos uns aos outros.9. que ma e B é igua almente prefe erido a A).

4) que tem menos alimentação e mais habitação que o C. por sua vez. é preferido a K por causa da suposição do quanto mais. A Transitividade. D. Em geral os cabazes que se situam acima de uma curva de indiferença. podemos representar as preferências dos consumidores com um mapa de curvas de indiferença. melhor: tem a mais 2 m2 habitação/semana e 2kg alimentação/semana que K. uma vez que C é igualmente preferido a D e D é preferido a K. Sabemos que C é igualmente preferido a A (25. Por um raciocínio análogo.. podemos dizer que o cabaz L é preferido a A.0 …………………………………::……………………………. C deve ser preferido a K. comparar o cabaz C (20.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA As curvas de indiferença também nos permitem comparar a satisfação que está implícita nos cabazes dispostos ao longo delas com os que estão acima ou abaixo. são todos preferidos aos cabazes que se situam sobre ela. 37 . Da mesma maneira que todos os que se situam sobre uma curva de indiferença são preferidos àqueles que estão dispostos abaixo A propriedade da exaustividade implica que exista uma curva de indiferença que passa através de todos os cabazes possíveis. por exemplo. Permite-nos. 6) porque ambos os cabazes estão dispostos ao longo da mesma curva de indiferença. 7) ao cabaz K (23. diz-nos finalmente que. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Assim sendo.

como é o caso da habitação e alimentação. Teoria da utilidade cardinal: que afirma que a utilidade total e marginal são mensuráveis Kg de Alimentação 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Utilidade Total 0 20 35 45 50 53 55 56 56 55 53 Utilidade Marginal 20 15 10 5 3 2 1 0 -1 -2 Como podemos Identificar pelo quadro acima representado a Utilidade Total é máxima quando a Utilidade Marginal é nula. a utilidade marginal decresce à medida que vamos consumindo mais Kg de alimentação – Está é a chamada Lei da Utilidade Marginal Decrescente. A representação gráfica da função utilidade para determinado nível de utilidade não é mais do que a curva de indiferença. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Contudo o conceito de utilidade leva a muitas dúvidas e perguntas Poderemos medir a utilidade? Qual será a relação entre a utilidade de um bem e o seu Preço? Existem duas teorias que se debruçam sobre o aspecto da mensuração da utilidade: Teoria da utilidade ordinal: a utilidade não é medida como os preços e quantidades. A UTILIDADE A satisfação que deriva do consumo de um consumidor é chamada na economia por utilidade.0 …………………………………::……………………………. e escolha sempre a combinação que maior utilidade lhe poderá trazer. Uma função utilidade representa um mapa de curvas de indiferenças – diferentes curvas para diferentes níveis de utilidade. Como temos visto neste capítulo o consumidor compara diferentes bens ou serviços. ou seja. 38 . igual ou menor que de um m2 de habitação. Podemos também verificar que a utilidade marginal é decrescente. ou seja. e x1 e x2 são quantidades consumidas dos dois produtos. x2) Onde U é a utilidade. Suponha agora que ele consome um Kg extra de alimentação. contudo é-nos possível ordenar a utilidade dos diferentes bens.3.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 4. Em termos matemáticos representaremos a função Utilidade como: U=U(x1. a satisfação extra que ele irá obter é chamada Utilidade Marginal do sexto Kg de alimentação. A satisfação total que ele obtém é chamada de Utilidade Total. Suponha que um consumidor consume 5 Kg de alimentação. eu posso dizer que a utilidade de um Kg de alimentação é maior.

0 …………………………………::……………………………. Ponto onde a restrição orçamental intercepta a curva de indiferença como um nível de utilidade superior. A moderna teoria do comportamento do consumidor baseia-se na Utilidade Ordinal.Rendimento do consumidor. 39 . Ao longo de uma curva de indiferença a utilidade é constante.Relação de escolha subjectiva patente nas preferências do consumidor. as curvas de indiferença mostram as combinações de produtos que nos dão a mesma utilidade total. Note que a restrição orçamental também intercepta uma curva de indiferença no ponto A e B. . . Duas curvas de indiferença não se podem interceptar. Como é efectuada a maximização da utilidade através do recurso à teoria do comportamento do consumidor? Ponto de maximização da utilidade. A teoria do comportamento do consumidor conjuga a restrição orçamental e as curvas de indiferença para determinar a escolha óptima do consumidor.Preço da cada bem. Desta forma consiguimos determinar as quantidades que maximizam a decisão de compra do consumidor utilizando as seguintes variáveis: . Como já referenciado. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. mas o nível de utilidade nesta curva é inferior ao da curva U1 Bem X A C X’ U4 U3 B U2 U1 Y’ Bem Y Utilidade crescente. Curvas de indiferença à direita traduzem um nível de utilidade superior. usando a técnica das Curvas de indiferença.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Não se esqueça: Quanto mais à direita (da origem) uma curva de indiferença estiver maior é o seu nível de utilidade.

cada vez que o preço da habitação desce.4. A ordenada na origem será então de 15 600. os pontos de tangencia resultantes formariam a linha identificada por CPC na Figura 1.600/PH sendo PH o preço de habitação.e 20 m2 /semana de habitação. Para o consumidor individual.y) - Relação de preferência entre os dois produtos. note que. que traduz um determinado nível de utilidade. Analisemos o gráfico ( Fig 4. A Figura 1 mostra quatro restrições orçamentais que correspondem a quatro preços diferentes de habitação. 40 . Cada Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. a restrição orçamental roda para fora. nomeadamente 3120$/m2. Se repetíssemos indefinidamente este procedimento com muitos preços. como também mais bens compostos.A abcissa na origem será de 15. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO Já vimos até agora como as alterações nos preços e no orçamento podem alterar as nossas decisões de compra. não só conseguir comprar mais habitação. permitindo ao consumidor. 1560$/m2. 130$. cujo mapa de curvas de indiferença é mostrado na Figura 1.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 4. 780$/m2 e 520$ m2. Esta linha é designada por curva preço-consumo ou CPC.) abaixo apresentado: Restrição orçamental Curva de indiferença Suponha que o rendimento do consumidor é de 15 600$/semana e que o preço do bem composto é.0 …………………………………::……………………………. ou um bem e um cabaz): Rendimento disponível Preços dos produtos Variáveis expressas na restrição orçamental: R = Px X + Py Y Relacionamento traduzido pela curva de indiferença.5 – 7 – 15 . Os melhores cabazes possíveis têm respectivamente 2. Nos pontos anteriores foi referenciado que existiam 3 dimensões na escolha do consumidor (análise entre dois bens. U=f(x.6. Toda a análise e derivação das curvas de procura individual partem da maximização da utilidade do consumidor face a variações do preço de determinado produto.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA vez que o preço da habitação desce. O primeiro passo para passar da CPC para a curva de procura individual é o de anotar as combinações relevantes de preço-quantidade da CPC da Figura 1. como a curva de procura do mercado. criamos a curva de procura individual.5 7 15 20 O passo seguinte consiste em representar os pares preço-quantidade do Quadro 1. este consumidor escolhe um cabaz que contém mais habitação que o cabaz escolhido anteriormente. por exemplo. está mudar de um gráfico cujos dois eixos medem quantidades para outro.0 …………………………………::……………………………. Repare que. Mais à frente iremos ver por que é que este padrão de compra é relativamente comum. que a quantidade de dinheiro gasto nos bens compostos pode subir ou descer enquanto o preço da habitação desce. Preço da Habitação ($m2) 3120 1560 780 520 Quantidade de habitação procurada (m2) 2. colocando o preço de habitação sobre o eixo das ordenadas e a quantidade de habitação sobre o eixo das abcissas. ao mudar da CPC para a curva de procura individual. no entanto. Toda a informação que necessitamos para construir a curva de procura individual está contida na curva preço-consumo. Assim. 41 . Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. uma relação que nos indica as quantidades que o consumidor comprará a vários preços. mas sobe quando o preço de habitação desce de 780$/m2 para 520$/m . Note. em que um eixo mede o preço e o outro a quantidade. que retracta o benefício (quantificado) ao comprar determinado produto a determinado preço. Com um número suficiente de pares de preço-quantidade. mostrada na linha DD da Figura 2. a quantia gasta em outro bem desce quando o preço da habitação desce de 3120$/m2 para 1560$/m2. Uma curva de procura individual é. Neste capítulo outro conceito importante a reter é o de excedente do consumidor.

De outro modo. Note-se que a altura da curva de procura correspondente a qualquer quantidade mede o máximo que o consumidor está disposta a pagar por uma unidade adicional de habitação. 42 . Este benefício pode ser traduzido pelas variações do preço de um bem ou serviço. Na compra do 1º m2 o preço a pagar será de 1820$. Usualmente utilizam-se duas formas para medir o excedente do consumidor: • Baseada na curva da procura do consumidor para o produto.390$ = 1300. logo o excedente do consumidor pela compra do 2º m2 de habitação será 1690$ . logo o excedente do consumidor pela compra do 1º metro quadrado será de 1820$ . É uma quantificação da extensão do benefício que os consumidores terão ao participarem numa transacção. Esse tipo de medida é designado por excedente do consumidor. não estariam dispostos a faze-la.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Excedente do consumidor Quando uma troca se faz voluntariamente. Na compra do 2º m2 o preço a pagar será de 1690$. os economistas geralmente assumem que ela beneficia os intervenientes. O excedente do consumidor é extremamente útil para medir os benefícios e/ou custos do consumidor.0 …………………………………::……………………………. Essa quantia menos o preço de mercado é o excedente que obtém ao consumir a última unidade. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.390$ = 1490$. que por sua vez são afectados por uma série de factores que já estudamos. Se o preço do mercado para a habitação for de 390$/m2 a quantidade procurada de habitação será de 12 m2.

Como medida do benefício podemos afirmar que sempre que existe uma perda de excedente do consumidor o preço de equilíbrio de mercado tornou-se mais elevado. 43 . Assim a cada preço a procura de mercado será igual ao somatório das procuras individuais dos consumidores.0 …………………………………::……………………………. Curva de Procura de Mercado para a Habitação Preço / m2 2100 1800 1500 1200 900 600 300 20 40 60 80 100 120 Quantidade Procurada A Procura de Mercado Como vimos a procura de mercado resulta da procura individual dos seus consumidores. já que temos a relação do mercado entre as quantidades procuradas a diferentes preços. Agregação das Curvas de Procura Individuais A procura de mercado é igual ao somatório das procuras individuais. assim Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Dmercado = ∑ d i i =1 n Variando o i de 1 a n consumidores.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA O excedente total do consumidor ao consumir 12m2 de habitação ao preço de 390$ é a área sombreada entre a curva da procura e o preço de mercado. Qd de m2/habitação pelo consumidor A 14 24 34 44 Qd de m2/habitação pelo consumidor B 10 15 20 25 Qd de m2/habitação pelo consumidor C 22 32 42 52 Procura de mercado de habitação / m2 46 71 96 121 Preço 1560$ 1200$ 980$ 750$ Podemos assim representar a curva de procura de mercado.

G ) Função geral da procura Onde: qi d= quantidade procurada da bem i num dado período de tempo t. 44 .INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA podemos definir a procura como a quantidade de determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir num dado período de tempo. A procura como “fruto do desejo individual” representa o máximo que os consumidores podem adquirir. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. pi = preço do bem i/t ps = preço dos bens substitutos ou concorrentes /t pc = Preço dos bens complementares /t R = Rendimento do consumidor/t G = Gostos ou hábitos dos consumidores Relações que se estabelecem com a procura 1. pc.Relação entre a quantidade procurada e o preço do próprio bem Traduz-se na função convencional da procura: qid =f(pi) com ps. que nos diz que a quantidade procurada de um bem ou serviço varia na relação inversa do seu preço6.traduzindo a lei geral da procura. Existem inúmeras variáveis que podem afectar directamente a procura (analisadas no capítulo II). Existe uma excepção a esta regra – paradoxo de Giffen – em que por exemplo a diminuição do preço de um bem provoca também uma quebra na sua procura. dado o seu rendimento e os preços no mercado. Tradicionalmente a função procura é traduzida pela seguinte forma: qid = f ( pi . p c . R e G constantes sendo que : Δqid <0 Δpi . R.0 …………………………………::……………………………. podendo assumir várias formas: 6 Não esquecer o efeito da substituição e rendimento. Como já vimos a curva da procura é usualmente negativamente inclinada. p s .

O relacionamento entre a variação da quantidade procurada de determinado bem e a o preço de um produto substituto ou complementar pode ser medido através da elasticidade preço cruzada da Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. o consumo da Coca-cola e uma variação no preço da água mineral. Δqid <0 Δp c qid =f(pc) com pi. 45 . Neste caso estamos normalmente perante deslocações da curva da procura. ps. Se por exemplo o preço da água mineral aumenta-se haveria uma deslocação da curva da procura da coca-cola para a direita. há uma relação directa entre.0 …………………………………::……………………………. pc. No caso de um bem complementar. R e G constantes Por exemplo. um aumento no preço dos automóveis deverá diminuir a procura de gasolina. por exemplo. em os bens ou serviços são consumidos conjuntamente. em que o consumo de um bem substitui o consumo do outro qid =f(ps) com pi. R e G constantes Δqid >0 Δp s Ou seja.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 2 – Relação entre a procura de um bem e o preço de outros bens No caso de um bem substituto.

pc G constantes se ∆ ∆ se ∆ ∆ 0. ps.    é    Para bens de primeira necessidade (bens básicos como alguns bens de alimentação.. Bem Normal Bem Inferior Bem de primeira necessidade O relacionamento entre o rendimento e a quantidade procurada de determinado artigo é estudado através da elasticidade rendimento da procura (atenção às aulas.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA procura (atenção às aulas e ao capitulo 3. electricidade) a alteração do rendimento não irá afectar a sua procura. 4 – Relação entre a procura de um bem ou serviço e hábitos do consumidor qid =f(G) com pi. ps.    é    0. pc R constantes Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.) 3 – Relação entre a procura de um bem e o rendimento do consumidor qid =f(R) com pi.0 …………………………………::……………………………. 46 . água.).

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Os hábitos ou gostos dos consumidores podem ser manipulados pela publicidade e campanhas promocionais. Podemos ter campanhas para aumentar ou diminuir o consumo de bens. 47 . Os sinais dos coeficientes da função procura indicam a relação entre a quantidade procurada e a variável em questão (directa ou inversamente proporcional). pc. Por essa razão se o coeficiente de pi é negativo. Variações na quantidade procura são movimentos ao longo da própria curva. devido a variações no preço do próprio bem ou serviço (pi). o coeficiente de pc é negativo e o rendimento positivo.0 …………………………………::……………………………. 5. como nos exemplos a seguir: OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES Quando falamos de variações na procura referimo-nos ao deslocamento da curva da procura. R ou G. devido a alterações em ps. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO E CUSTOS DE PRODUÇÃO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. o coeficiente de ps é positivo.

TEORIA DA PRODUÇÃO Tópicos para discussão e estudo • • • • • Tecnologia da Produção Isoquantas Produção com um factor Variável (Trabalho) Produção com Dois factores Variáveis Rendimentos de Escala 5.1. As características da oferta de mercado. 5. A partir deste ponto vamos nos debruçar sobre o estudo da forma como as empresas tomam as suas decisões.1 Introdução Esta temática é voltada para a oferta de mercado. A análise da função produção de uma organização é muito similar à análise do comportamento do consumidor e da forma como estes escolhem entre determinados bens de forma a maximizar a sua utilidade. A forma de variação dos custos de produção são indexadas ao nível de produção. A problemática aqui é centrada na combinação dos inputs produtivos (factores de produção) tendo em atenção o custo dos referidos inputs. A teoria da produção procura resolver as seguintes questões: • • • • O modo como uma firma toma decisões de produção (de forma a minimizarem o seu custo). 48 .1.0 …………………………………::…………………………….INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Vamos iniciar a temática do estudo da empresa. nomeadamente ao nível da decisão quanto ao que produzir (quantidade) e ao preço de troca no mercado. Tecnologia da Produção • O Processo Produtivo Como processo produtivo vamos considerar a combinação e transformação de factores de produção ou inputs produtivos em bens e serviços Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Problemas das actividades produtivas em geral.

49 . o produto aumenta quando K aumenta. K = Capital. No caso de dois factores a função de produção é caracterizada por: – – Q = F(K.L) Q = Produto (em unidades). L = Trabalho Como já visto. o produto aumenta quando L aumenta. 2) Para qualquer nível de L. dado o estado da tecnologia (eficiência técnica ou tecnológica). • Premissas para a nossa análise: – Um produtor utiliza dois factores para a produção de determinado bem. – Podemos desta forma afirma que são curvas que representam todas as possíveis combinações de factores que geram a mesma quantidade de produto Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. por exemplo: alimentação: Trabalho (L) & Capital (K) – Observações: 1) Para qualquer nível de K.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • Tipos de factores (factores de produção) – – – – – Trabalho Terra Matérias-primas Capital Organizacional • Função de Produção: – Indica o maior nível de produção que uma firma pode atingir para cada combinação possível de factores.0 …………………………………::……………………………. essa função depende do estado da tecnologia Isoquantas A representação gráfica da função produção de uma empresa é traduzida sob a forma de uma isoquanta. – Mostra o que é tecnicamente viável quando a firma opera de forma eficiente (eficiência económica). A isoquanta traduz a combinação de recursos de forma a produzir determinado nível de produção. 3) Várias combinações de factores podem produzir a mesma quantidade de produto.

L=3 =1). L=5) =1). tam-se as re espectivas iso oquantas qu representa as ue am comb binações de capital e trabalho que potenciam de eterminado nível de produção. L=3). ). . 2).(K=3. L= (K=1.A Ve erde temos as combinaçõe que resulta num outp de 90 unid s es am put dades. A figura abaixo apres sentada dá-n diferente combinaçõ de nos es ões inputs produtivos para a produção de determ s minado nível de output. L= (K=3. Note-s que se quant mais à dire se localiz uma isoqu to eita zar uanta maior será o nível de produção d empresa. s e da As isoquantas representam a assim um po otencial de escolhas par as organiz e ra zações. a sabe er: .(K=5. que nelas conse eguem aufer as difere rir entes combinações de recursos po ossíveis para a obtençã de a ão determinado nível de produção o. L= (K=3: L=2 (K=2. . L=3 (K=2.A azul estão assin naladas combinações que potenciam um nível de p e u produção igua a 55 unidad al des: .INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Analis semos um ex xemplo prático. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. No gráfico abaixo apresentad represent o do.L=5) =2).A vermelho encon ntramos com mbinações que resultam nu output de 75 unidades e um e s: .0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. 3). 3) .(K=5. 50 . (K=1.

– Essa informação permite ao produtor reagir eficientemente às mudanças nos mercados de factores.1.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • Flexibilidade no uso de factores – As isoquantas mostram de que forma diferentes combinações de factores podem ser usadas para produzir a mesma quantidade de produto.2. – Longo prazo – Período de tempo necessário para tornar variáveis todos os factores. Na nossa análise consideramos que fixamos o valor do Capital (provavelmente estamos a criar um custo fixo para a organização).0 …………………………………::……………………………. 5. Note-se que no momento em que se fixa a quantidade a produzir e se procede à escolha da combinação optima de recursos estamos a fixar um dos inputs produtivos. 51 . • Curto Prazo versus Longo Prazo – Curto prazo: – Período de tempo no qual as quantidades de um ou mais factores não podem ser modificadas. – Tais factores são denominados factores fixos. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Análise da Produção com um factor Variável Podemos verificar que o Capital foi fixado em 10 unidades.

ou prod duto de um t trabalhador a adicional.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. então decresce.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA • Observações: O 1) À medida que aumenta o númer de trabalh ro hadores. PM = Produto Q = Trabalho L o 3) O produt marginal d trabalho (P to do PMg). ating um ge máximo (1 112( e. aumenta rapidamente no início. 52 . utividade mar rginal do trab balho é facilmente obtido através da subtracção do valor do produto total à medida q vamos acrescentando uma o que o unida adicional de factore tra ade abalho. to enta e depois dim minui. depois dimin e se torna negativo. nui a PMgL = ΔProduto ΔQ = ΔTrabalho ΔL O con nceito de pro oduto margin ou neste caso. inicialmente aume to M). Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. o. produ nal. o pr roduto (Q) au umenta. 2) O produt médio do trabalho (PM ou produt por trabalhador.

… 53 .0 ……………… s eira …………………… …::…………………………….INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R.

r a Explica a ocorrência de um PMg decrescente mas não necessariam g e.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA • Observaçõ ões: – – – – Quando PMg = 0. PM enc Q contra-se no seu nível máx ximo A Lei dos Rendime entos Margina Decrescen ais ntes • À medida que o uso de determin a nado factor aumenta. PM é c Q crescente Quando PMg < PM. • • Supõe-se que a qualidade do factor variável seja constante.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. or • Quando a quantidade utilizada do f factor trabalh é grande. o PMg decres como resultado ho sce de ineficiê ências que af fectam o próp processo produtivo. che a ega-se a um ponto em que as q quantidad adicionais de produto obtidas torna des s am-se menores (ou seja. PT encon Q ntra-se no seu nível máxim u mo Quando PMg > PM. PM é d Q decrescente Quando PMg = PM. o PMg diminu ui). Supõe-se uma tecnologia constante Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. o PM é grande como Mg consequê ência da maio especialização. 54 . • Quando a quantidade utilizada d factor trabalho é peq e do quena. prio o • Pode ser aplicada a decisões d longo pr r de razo relativas à escolha entre diferentes s a configuraç ções de plant produtiva tas as. mente de um PMg m negativo • e.

INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Para retractar o ef feito da inova ação na prod dução vamos nos socorrer do Estudo d Malthus so r de obre a Crise de Alimentos s: • Malthus p previu o alast tramento da fome em lar escala. q decorreria dos rendim rga que a mentos decrescen ntes da produ ução agrícola aliados ao crescimento p populacional c contínuo. • Por que a previsão de Malthus reve elou-se incorrecta? Ín ndice do Consu o umo Alimentar Mundia al Pe Capit er ta Ano 1948-1952 1960 1970 1980 1990 1995 1998 Índice 100 115 123 128 137 135 140 Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. 55 .0 ……………… s eira …………………… …::………………… …………….

a • am sos a de As inovações tecnológicas resultara em excess de oferta e reduções d preços. p ara mente para 3. 5.1. ção ois es s • • No longo prazo. 1 devido ao rendiment decrescen nte 15). 56 . Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. 20. 20. K& L s factores v são variáveis. 1 o que ilus a ocorrên de rendimentos decre 15). stra ncia escentes do t trabalho no curto e c longo praz zos). mitiram o aum mento da ofe erta de alimentos a taxas superiores ao cre escimento da procura. (Note que a produção au umenta a uma taxa decres scente depois pa 2 e finalm (55.3 Análise da Produç com do factore variáveis 3. antas descrev vem as possív combinações de K & L que produz veis zem o mesmo nível o As isoqua de produt to Taxa Marginal de S Substituição Decrescente • Interpreta ação das Isoq quantas 1) Suponha que o nível de capital seja 3 e que o nível de t e trabalho aum mente de 0 para 1. O que se verificou fo o facto de Malthus nã ter levado em consid e oi e ão o deração os efeitos e potenciais dos avanço tecnológico que perm s os os.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA • • Os dados mostram que o crescimen da produç excedeu o cresciment populacion e nto ção to nal. 2) Suponha que o nível de trabalh seja 3 e que o nível de capital aum ho e mente de 0 para 1. p ara ra mente. a pro odução aumenta a uma taxa a depois pa 2 e finalmente par 3 (Novam decrescen (55.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. os tos ntes do capita al).

57 . dado um nível constante de pr o rodução. . . 3) TMST e Produtividad Marginal de Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. 2) Uma T TMST decres scente decor de rendim rre mentos decre escentes e implica isoqu uantas convexas. • • Deve-se ter em atenção as possibilidades de substit D m s tuição entre o factores.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA • Substituiç entre fact ção tores • Os O administra adores de um firma dese ma ejam determin a combin nar nação de factores a ser s utilizada. os A inclinação d cada isoq de quanta indica a possibilidade de subs a stituição entre dois fa actores. • A taxa marginal de substitu uição técnica é dada por: TMST = Variaç no Capita / Variação no Trabalho ção al n TMST = − ΔK ΔL (dad um nível constante d Q) do l de • Observaçõ ões: 1) A TMST cai de 2 pa 1/3 à med T ara dida que a quantidade de trabalho aumenta de 1 para 5 e p unidades.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • A variação na produção resultante de uma variação na quantidade de trabalho é dada por: (PMgL)( ΔL) Isoquantas quando os factores são perfeitamente substituíveis Capital por mês A B C Q1 Q2 Q3 Trabalho por mês Substitutos Perfeitos • Observações válidas no caso de factores perfeitamente substituíveis: 1) A TMST é constante ao longo de toda a isoquanta. ou C) Capital por mês C Q2 B K1 A Q1 Q3 L1 Trabalho por mês Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. 2) O mesmo nível de produção pode ser obtido através de qualquer combinação de factores (A. B. 58 .0 …………………………………::…………………………….

0 …………………………………::…………………………….04 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Operando no ponto B • L aumenta para 760 e K diminui para 90. trabalho e martelos pneumáticos). 2) O aumento da produção requer necessariamente mais capital e trabalho (isto é. Isoquanta que Descreve a Produção de Trigo Capital (horas por ano) O ponto A é mais intensivo em capital. Uma Função de Produção para o Trigo • Os agricultores devem escolher entre técnicas de produção intensivas em capital ou intensivas em trabalho. para C). 59 .10 ΔL = 260 B Produção = 13. Cada nível de produção requer uma quantidade específica de cada factor (p.800 ton por ano 40 Trabalho 250 500 760 1000 (horas por ano) • Observações: 1) Operando no ponto A: • 2) L = 500 horas e K = 100 horas de máquina. e o B é mais intensivo em trabalho. devemos nos mover de A para B e.ΔK ΔL = −(10 / 260) = 0. então.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Função de Produção de Proporções Fixas • Observações válidas no caso de factores que devem ser combinados em proporções fixas: 1) Não é possível a substituição entre os factores. TMST < 1: TMST = . 120 A 100 90 80 ΔK = .ex.

60 . o agricultor usará mais trabalho (ex. o custo do trabalho deve ser menor do que o custo do capital para que o agricultor substitua capital por trabalho. Índia). Rendimentos de Escala • Medição da relação entre a escala (tamanho) de uma empresa e sua produção. o agricultor usará mais capital (ex. portanto.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 3) TMST < 1. 4) Se o trabalho for um recurso caro. 1) Rendimentos Crescentes de Escala: A produção cresce mais do que o dobro quando há duplicação dos factores: • • • Produção maior associada a custo mais baixo (automóveis) Uma empresa é mais eficiente do que muitas empresas (utilidade) As isoquantas situam-se cada vez mais próximas Rendimentos de Escala Capital (horas de máquina) Rendimentos crescentes: As isoquantas situam-se cada vez mais próximas A 4 30 2 10 0 5 10 Trabalho (horas) 20 2) Rendimentos Constantes de Escala: A produção dobra quando há duplicação dos factores • O tamanho não afeta a produtividade Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. USA). 5) Se o trabalho não for caro.

61 .INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • • Afecta um grande número de produtores As isoquantas são espaçadas igualmente Rendimentos de Escala Capital (horas de máquina) Rendimentos constantes: as isoquantas são espaçadas igualmente A 6 30 4 20 2 10 0 5 10 15 Trabalho (horas) 3) Rendimentos Decrescentes de Escala: A produção aumenta menos que o dobro quando há duplicação dos factores • • • Eficiência decrescente à medida que aumenta o tamanho da empresa Redução da capacidade administrativa As isoquantas situam-se cada vez mais afastadas Rendimentos de Escala Capital (horas de máquina) A 4 Rendimentos decrescentes: as isoquantas situam-se cada vez mais afastadas 30 2 10 0 5 10 20 Trabalho (horas) Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::…………………………….

• Pergunta • • Esse crescimento pode ser explicado pela presença de economias de escala? Há economias de escala? – Custos (percentagem de custo para grandes empresas) • • – Capital .77% Trabalho .INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Exemplo de um estudo de Rendimentos de Escala efectuado na Indústria Textil de um país em vias de desenvolvimento • A indústria de Textil observou crescimento significativo.65% Trabalho . . 62 .35% • Os Grandes Fabricantes – – – Aumentaram o maquinário e o trabalho A duplicação dos factores mais do que dobrou a produção Verificam-se economias de escala para os grandes produtores • Os Pequenos Fabricantes – – – Pequenos aumentos na escala têm pouco ou nenhum impacto na produção Aumentos proporcionais nos factores aumentam a produção proporcionalmente Verificam-se rendimentos constantes de escala para os pequenos produtores Podemos então concluir que os rendimentos de escala estão associados a: .Composição de capital e trabalho utilizado na sua função produção. bem como o surgimento de algumas empresas muito grandes.0 …………………………………::……………………………. . Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.23% Custos (percentagem de custo para pequenas empresas) • • Capital .Sector de actividades onde as empresas estão inseridas. com a deslocalização das empresas que operavam nos países mais desenvolvidos (a partir de 1996).Dimensão da empresa.

Uma isoquanta é uma curva que mostra todas as combinações de factores que resultam em um determinado nível de produção. enquanto o produto marginal do trabalho mede a produtividade do último trabalhador incluído no processo produtivo. tendemos a enfocar a escolha da empresa em termos de escala ou dimensão de operação. O produto médio do trabalho mede a produtividade do trabalhador médio. Na análise de longo prazo. 63 . As isoquantas inclinam-se sempre para baixo porque o produto marginal de todos os factores é positivo.0 …………………………………::…………………………….INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA IMPORTANTE A RETER SOBRE ESTA TEMÁTICA: • • • Uma função de produção descreve a produção máxima que uma empresa pode obter para cada combinação específica de factores. • • • • A lei dos rendimentos decrescentes explica que o produto marginal de um factor diminui quando a quantidade desse factor é aumentada. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. O padrão de vida que um país pode oferecer a seus cidadãos está intimamente relacionado a seu nível de produtividade.

que não envolvem desembolso monetário. os custos de oportunidade. considerado na contabilidade financeira. prende-se exclusivamente com questões tecnológicas.2. físicas. as curvas de custos das empresas deveriam considerar. mais que as privadas. b) O custo de oportunidade de se investir na ampliação da empresa é o que se ganharia se o dinheiro fosse empregado no mercado financeiro. aplicando. que determinarão a oferta da empresa. Exemplos: a) O capital em caixa na empresa: o custo de oportunidade é o que a empresa poderia estar a ganhar. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO INTRODUÇÃO A teoria da produção.1. Esses valores são estimados a partir do que poderia ser ganho. ela deve imputar um custo de oportunidade. entre inputs e produtos. c) Quando a empresa tem prédio próprio. Observaremos como a visão do economista difere da do contabilista. específica da empresa. É o custo explícito. 64 . Vejamos agora o lado dos custos de produção. AVALIAÇÃO PRIVADA E AVALIAÇÃO SOCIAL EXTERNALIDADES Avaliação privada: avaliação financeira.0 …………………………………::……………………………. 5. Avaliação social: custos (e benefícios) para a sociedade como um todo.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 5. As empresas públicas. Os custos de oportunidade privados são os valores dos inputs que pertencem à empresa e são usados no processo produtivo. por exemplo. vista anteriormente. incorporados pelos economistas em suas curvas de custos. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. além dos custos contabilísticos. costumam utilizar a visão do economista para o cálculo das tarifas e preços públicos. derivado da produção das empresas. pois assim reflectiria a verdadeira escassez relativa do recurso utilizado. correspondente ao que ela pagaria se tivesse que alugar instalações. em particular no que se refere aos custos implícitos e custos sociais. no melhor uso alternativo (por isso também são chamados de custos alternativos). Custos de oportunidade: são custos implícitos. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS Custos contabilísticos: envolvem dispêndio monetário.2. Para o economista. no overnight.

Nesse caso.2. devidas a factores externos à empresa. quando a produção varia (por exemplo. ou equipamentos de capital. principalmente no sector público. decide-se se o mesmo deve ou não ser implementado. Conceitos de custo total. há perdas ecológicas derivadas do desbravamento. ou então como as alterações de custos e receitas da empresa. Sob a óptica social. os comerciantes de lustres têm externalidades positivas por se localizarem próximos um do outro. impostos e encargos sociais com trabalhadores não são custo social. consideramos como factor fixo a planta da empresa. por exemplo. capital. e sim transferências. quando a produção varia (por exemplo. A diferença entre a óptica privada e a social também pode ser chamada de externalidades (ou economias externas). uma indústria química poluidora dos rios impõe externalidades negativas à indústria pesqueira etc. Derivadas da produção das empresas. o custo privado é maior que o custo social. etc. Quando aumenta a produção da indústria extractiva de madeira. devemos considerar também o aumento dos custos sociais. CUSTOS A CURTO PRAZO Como vimos anteriormente. além dos custos dessa indústria. Nessa linha. etc. terra. CVT = f (q) Ou seja. E a parcela dos custos da empresa que depende da quantidade produzida. Ou seja.0 …………………………………::……………………………. 5. que podem ser definidas como as alterações de custos e benefícios para a sociedade. custo variável total e custo fixo total Custo Variável Total (CVT): parcela do custo que varia. rendas das instalações). a curto prazo.2. Custo Fixo Total (CFT): parcela do custo que se mantém fixa.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Por exemplo. Pela óptica privada (da EDP). qualquer que seja o nível de produção. derivados do aumento da poluição sonora e ambiental (emissão de gases. Essa óptica é muito utilizada em avaliação de projectos de investimento. além do desgaste das ruas e estradas. Isso inclui os gastos com impostos. 65 . alguns factores são fixos. são os gastos com factores fixos de produção. Custo Total (CT) = CVT + CFT Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Normalmente. salários e matérias-primas). o custo a ser considerado é o seu desembolso financeiro no projecto. Comparando-se o custo social com o benefício ou retorno social do projecto. Tomemos como exemplo um projecto de construção de uma hidroeléctrica da EDP. pessoal.). são os gastos com factores variáveis de produção.. quando aumenta a produção automobilística. ruído.

custo variáv médio e custo fixo méd o vel dio Custo Médio ( Cme ou CTme) = Custos Totais / quantidad produzida = CT/q (Cust unitário) o e de a to Custo Variável Médio (CVMe) = CVT/q o Custo Fixo Médio ( o (CFMe) = CFT T/q CTme = Cvme + CF e Fme Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. 66 . o aumento de produ ução dá-se a custos decli inantes. é a le dos rendimentos decr ei rescentes do lado dos custos (aqui mais o priadamente c chamada de lei dos custos crescentes) s ). no in nício. mas a ta as T axas decresc centes. e os custos começam a crescer a taxas s crescentes. que depend da quantidade produzid sto só ável .0 ……………… s eira …………………… …::………………… …………….que.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Grafic camente: O cus total (CT) s varia com o custo variá total CVT. Note. a curvas CT e CVT crescem. Mas um aument maior de produção começa a "satu s to urar' o equip pamento de capital (supo osto fixo a c curto prazo). No fu undo. aprop Conce eitos de custo médio total. para depois d crescer a taxas cre escentes. até c -se certo ponto. Sig gnifica que. de da. d dada certa ca apacidade ins stalada.

pois tem-se pouca mão-d de-obra para um grande equipamento de capital. po o custo médio cai. os custos médios são d m declinantes.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. Até certo ponto. Relações gráficas entre o custo margin e os custo médios total e variável nal os Na fig gura abaixo a apresentada. Inicialmente. s o segue que CM = (dCVT + dCFT)/dq = dCVT/dq . Conce de custo marginal eito Custo marginal (C o Cmg) = variaç do CT/va ção ariação em q = ΔCT/ Δ = dCT/dq . ou lei dos custos crescentes. os cust médios co tos omeçam a aumentar). ou seja. e a admissão de mais trabalhadores não trará aum o mentos propo orcionais de p produção (ou seja. observamos que a curva de custo ma arginal corta as curvas de custo e total m médio e custo variável mé o édio no ponto de mínimo destas. é vantaj o joso absorver mais trabalhadores e a aumentar a p produção. Ma chega-se a certo pont que ois m as to satura a utilização de capit a tal. os cus Mg u stos marginais não são in nfluenciados pelos custos fixos.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA O form mato em U das curvas de CTMe e CVM também se deve à lei dos rendimentos decresc e Me s centes. o d Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. É o custo de se Δq produ uma unidade a mais d produto uzir do Como dCFT = O. 67 .

INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA

Intuitivamente, se o custo marginal (ou sej o custo adicional) sup e ja, a pera o médio é evidente que o o, custo médio cresc o cera: assim, quando o cu usto margina supera o c al custo médio (total ou var riável), signif fica que o cu usto médio e estará crescendo. Analoga amente, se o custo marg ginal for infer ao rior médio o médio só pode cair. C o, ó Consequentem mente, quand o custo marginal for igu ao custo médio do ual (total ou variável), o marginal e estará cortand o médio no ponto de m do o mínimo do cus médio. sto

5.2.3 CUSTOS A LONGO PRAZO 3. S
o os s. Como foi visto, o longo prazo é um período de tempo no qual todo os inputs são variáveis Não existe custos fixo todos os c em os: custos são va ariáveis. Deve ser observa ado que o lo ongo prazo é um horizo onte de planeamento. Na verdade, é uma a sequê ência de cur rtos prazos: os empresár rios têm um elenco de s situações de curto prazo com e o, difere entes escalas de produção (tamanhos) que eles po s o ), odem escolher. Por exemplo, antes de fazer e um in nvestimento, a empresa e está numa s situação de lo ongo prazo: o empresário pode selec o ccionar qualq quer uma das alternativas Depois do investimento realizado, o recursos s convertidos em s s. o os são equip pamentos (capital fixo) e opera em cond dições de cur prazo rto Um ag gente económ opera a curto prazo e planeia a lo mico ongo prazo.

CURV DE CUSTO MÉDIO DE LO VA ONGO PRAZO (CmeL) O Suponhamos três tamanhos o escalas de produção: pequena, m ou média e grand e as seg de, guintes curva de custo m as médio de curto prazo (CMeC o C):

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INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA

Se a empresa planeia produzir ao n nível de produ ução q1, não há dúvidas: e escolhe a est trutura

dada pelos cu d ustos CmeC1; • Se planeia produzir q3, a melhor i instalação é dada por CM 2, pois ga MeC astaria meno Ele os.

pode, se quise produzir co CmeC1, m os custos seriam maio p er, om mas s ores; • Se planeja produzir q2 o q4, existem duas alter ou m rnativas. Esse pontos fic es cam justamen na nte in ntersecção d plantas. Mas, em um planeamen de longo prazo, prevendo-se aum das m nto mentos fu uturos da pro ocura, o empresário deve escolher a planta de insta alação maior (em q2, esco r olheria CMeC2; em q4, CmeC3). C A curv "cheia" é a curva de c va custo médio d longo praz (CMeL), e mostra o me de zo enor custo unitário (CM e para produzir cada nív de produç e) vel ção. Também é chamada de curva de planeamen de m a nto longo prazo. o Supondo um número ilimitado de possibilid dades, uma curva de custo médio a lon prazo pode ser o ngo m assim ilustrada:

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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA O PONTO A) traduzirá a Escala óptima

FORMATO DA CURVA DE CUSTO MÉDIO DE LONGO PRAZO Como vimos, as curvas de CMe de curto prazo têm a forma de U devido à lei dos rendimentos decrescentes, resultante da existência de inputs fixos a curto prazo. A longo prazo, não existem inputs fixos e a forma da curva de CMe de longo prazo (CMeL) é determinada pelas economias ou deseconomias de escala. No início, à medida que a produção se expande, a partir de níveis muito baixos, os rendimentos crescentes (economias) de escala causam o declínio da curva CMeL. Mas, à medida que a produção se torna maior, as deseconomias de escala passam a prevalecer, provocando o crescimento da curva.

COMO ESCOLHER A COMBINAÇÃO ÓPTIMA DOS FACTORES DE PRODUÇÃO No curto prazo normalmente apenas um dos factores é variável, logo a variação do custo total estará intimamente ligada a variação deste factor. Contudo no longo prazo todos os factores de produção, por definição, variam livremente, temos a oportunidade de escolher qualquer combinação de inputs que a minha função produção permita. A escolha dos inputs depende dos preços relativos dos factores produtivos (normalmente e na nossa análise - capital e trabalho). Analogamente à teoria do comportamento do consumidor (conceito de restrição orçamental), temos também aqui uma restrição a nível de custos. A esta restrição vamos dar o nome de ISOCUSTO, assumindo as mesmas propriedades da restrição orçamental. Contudo agora não temos um rendimento fixo para gastar entre os dois inputs. A recta de isocusto vai variar de acordo com o nível de output, sendo a escolha óptima dos inputs produtivos ligada à minimização dos custos de produção. Vamos retratar este matéria com um exercício.

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0 …………………………………::…………………………….INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. 71 .

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA

6. ESTRUTURAS DE MERCADO
6.1. INTRODUÇÃO
As empresas inserem-se em mercados que podem assumir diversas formas de funcionamento. O objectivo deste capítulo é o de estudar o comportamento das empresas e a forma como as mesmas fixam os seus preços. Tipo de estrutura de mercado CONCORRÊNCIA
PERFEITA

N.º de empresas que integram a oferta total Muitas empresas. A oferta de cada uma delas é uma parcela ínfima da oferta global. Não existe confronto directo ou rivalidade entre os produtores Cada uma delas não se preocupa com os efeitos do comportamento individual das demais. As decisões de cada empresa não alteram nem o volume das vendas globais nem o preço praticado no mercado Muitas empresas Poucas empresas A oferta de cada empresa é significativa em relação à oferta global do mercado. As decisões de cada empresa condicionam a situação dos demais, existe rivalidade e confronto no mercado Única empresa. A oferta da empresa é a oferta do mercado.

Grau de substituibilidade ou diferenciação ente produtos Produtos perfeitamente homogéneos. Os bens oferecidos por todas as empresas são sucedâneos perfeitos. È indiferente para o consumidor dar preferência a qualquer dos vendedores. Os bens tem características tipificadas ou standartizadas.

Concorrência monopolista Oligopólio

Produtos sucedâneos próximos Produtos homogéneos ou diferenciados. No caso de produtos heterogéneos/diferenciado os bens oferecidos apresentam entre si alguma diferença identificável pelos compradores. Apresentam a capacidade de se substituírem na satisfação das necessidades similares Produto sem sucedâneo próximo ou remoto

Monopólio

O OBJECTIVO DA EMPRESA À luz da teoria neoclássica ou marginalista o objectivo da empresa é sempre maximizar o lucro total. A maximização do lucro total corresponde à produção em que: Receita Marginal (RMg) = Custo Marginal (CMg)

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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA O que significa que se a empresa aumenta a produção, e a receita adicional (RMg) for maior que o custo adicional (CMg), o lucro estará aumentando, no caso contrário o lucro estará diminuindo. O equilíbrio dar-se-á quando a RMg igualar o CMg. A teoria neoclássica ainda preserva a vantagem de ser a teoria mais geral, com razoável poder preditivo e formalmente consistente, sendo bastante adequado para estruturas de mercado concorrenciais. Nota-se, contudo, um grande avanço nas teorias alternativas, que são bem mais recentes, não estando ainda perfeitamente consolidadas.

6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA
Hipóteses do modelo: Atomicidade (mercado atomizado). Infinitos compradores e vendedores (átomos). Nenhum

agente isolado tem capacidade para afectar o preço de mercado. Assim o preço de mercado é um dado fixo para empresas e consumidores (são price-takers, isto é, tomadores de preços no mercado). Homogeneidade (produto homogéneo). Todas as firmas oferecem um produto homogéneo

(semelhante, não há diferenças como qualidade, embalagem, etc.) Mobilidade de bens. Não existem custos de transporte. Mobilidade das empresas. O mercado não tem quaisquer tipos de barreiras de entrada ou

saída, tanto para compradores, como para vendedores. Racionalidade. Todos os agentes económicos agem racionalmente, isto é, as empresas

maximizam os seus lucros, os consumidores a sua utilidade. A informação é completa. Todos os agentes conhecem tudo do mercado: preços, qualidade,

custos, receitas e lucros dos concorrentes. Não existem externalidades. O mercado dos factores de produção também é em concorrência perfeita. Equivale a dizer

que os preços dos factores de produção são fixos, dados. Ou seja, todas as firmas se deparam com idênticas curvas de custos. Todas as hipóteses anteriores, também são válidas para o mercado de factores de produção. Como podemos observar, são hipóteses "ideais", reflectindo um mercado sem barreiras, sem interferências; enfim, pouco realistas. Mas essas hipóteses representam uma base, um referencial, para a construção de modelos mais próximos da realidade. Como observa a economista inglesa Joan Robinson, é mais útil construir inicialmente modelos simples e depois preencher os detalhes, do que construir directamente modelos com todos os detalhes da realidade.

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INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA FUNCIONAM MENTO DO MERCADO DE C CONCORRÊNCIA PERFEITA A Curvas de p procura de me ercado e da f firma individu ual

Procura P

Dada a hipótese d atomicidad uma empresa isolada não consegue alterar o pr da de, reço de mercado (a saída, por exe emplo, traria uma alteraçã apenas inf ão finitesimal na curva de oferta de merc a cado Si sua s não a afectando o preço Po). Como P0 é preço d venda para a empresa então a cu o de a, urva de procu é dada p ura para a empresa; ou seja, é horizontal. A empresa só pode vende a esse preç pois: ó er ço, • se quiser vender a um preço ma alto, não venderá n m ais o nada (como os produtos são ho omogéneos, o consumido os ores comprarã mais bara das outras empresas); ão ato s • não venderá a um preço mais baixo. Seria irracion pois, se a preço p0 v á o nal, ao vende quanto quer, o or r o? po que vender mais barato Assim ao preço p0, a empresa vende quanto puder, depe m, endendo do s tamanho e da sua est seu trutura de cu ustos. Dessa forma, a c a curva de proc cura de mer rcado de mercado (com a qual se de efrontam tod as das empresas) é nega ativamente in nclinada, mas a curva de procura para a firma indi s a ividual é hori izontal (corre esponde a dizer que a cu urva de procu para a empresa é inf ura finitamente e elástica: se ocorrer o variaç de preço de mercado, a procura pa a firma é indeterminad ção ara da). Curvas de r receita da em mpresa Receita tota (RT) : total de receita da empresa. al a RT = preço unitário de v o venda x quan ntidade vendida RT= p.q Receita Média (RMe): re eceita por unid dade de prod duto vendida Rme = RT/q q Rme = p.q / q = p RMe = p

Portanto, a RMe é semp igual ao preço unitário de venda. Po outro lado, como o preç P0 é pre or ço a própria procura da empresa individual, a RMe é a própria curva de procura da empresa indi e ividual

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c Receita Marginal (RMg): é a variação da receita to otal. antidade ópt tima para a firma. Equilí íbrio da firm em conco ma orrência per rfeita (a curt prazo) (ou maximizaç to ção de lucro em os conco orrência perfe eita) Supõe e-se que o em mpresário racional tenha sempre por objectivo últi imo maximiza lucros. então qual a qua o. Vej ar jamos. xa. dos pria . Então a RMg é igu ao preço. sendo CMg cresce o ente Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. ual s nha a Curva de custos as As curvas de custo são as mes os smas já vista anteriorme as ente. a próp procura). Mostr raremos que a regra para a firma maximizar lucros é dada por. RMg = CMg. a . ou seja. ou sej a quantid ja. stra consumidor c compra. na teoria dos custos de produção. a dad preços. Em concorr rência perfeita a RMe é fix pois P0 é constante.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA (afina a RMe mos o que o c al. 75 . o.q = =p Δq dq Em concorrência perfeita. dade que ma aximiza o luc da cro empresa. a. quando v varia a quantidade vendida: Portanto: RMg = ΔR RT dp. e é fixa (pois o que se gan de receita adicional é dado).0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. a re eceita margin é o preço recebido p nal o pela unidade adicional vendida.

com CMg crescente. • re eceita adicion < custo ad nal dicional. a qu uantidade q não será aumentada. • re eceita adicio onal > custo adicional. Então. V o o g Vamos mostra isso ar grafic camente. n Portanto. ou seja. no gráfico): m s Falta provar que a maximização de lucros dá-se no ponto X. pois o lucro cairá. ao nível de produ n ução q0 Sabem que o e mos empresário ra acional semp aumentará a produçã quando is significa maior pre ão. sso lucro. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. o lucro mar o rginal aumen e a qua nta antidade dev ser ve aume entada. 76 . pois o lucro aumen ntará. no equilí íbrio: RMg = CMg temos a quantidad óptima s de Entretanto.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Corre esponde ao po onto X do gráfico a seguir.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. existem dois pontos onde RMg = CMg (X e Y. se: .

No ponto q2. a produç óptima pa a firma oc ção ara corre no pont q5. Mostraremos mais adiant que Mg mas d s te esse é um ponto d prejuízo máximo.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. mas os cust são decre tos escentes (ent os tão Em q2 RMg = 60 0 CMg = 60 0 lucros marginais são cr rescentes). mas ainda dá pa aumentar um s ara r pouco mais a produção até CMg=RM o Mq q5 Máximo lucro. ainda não a é o máxim lucro. rescente. com o custo ma vantajoso para ele aum mentar a prod dução. pois o CMg é crescente (e RMg fixa). m o CMg é decrescente.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Em q1 RMg = 60 0 CMg = 80 0 ês m arginal decres scente é Nestes trê pontos. em mbora a RMg = CMg. Por isso. pois a RMg é constante. A partir de q5 e Em q4 RMg = 60 CMg = 40 0 Em q5 RMg = 60 CMg = 60 0 Em q6 RMg = 60 CMg = 10 00 . também RM = CMg. onde RM = CMg. o ponto q2. Não deve aumenta mais a pro o d ar odução. 77 . o qu significa lu R ue ucros menore es. de Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. mo Em q3 RMg = 60 0 RMg = 30 RMg> CMg O CMg é cr g. Portanto. co CMg cresc to Mg om cente.

receita total (RT) e custo total (CT) cro . RT e CT em termos de curvas m e T médias e marg ginais. como a seguir se mo ostra. O gráfico acima mostra as áreas de LT. Curva de of ferta da firma em concorrê a ência perfeita a Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. 78 . Essas áreas també podem se visualizada em termos de curvas to s ém er as s otais.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Áreas de luc total (LT).

quando o preço é p0. cro. . quan p varia (isso é te o ndo oferta variação de q. a curv de oferta da firma é o CMg. a p0). te D mostr raremos por q ela é def que finida apenas após o CVMe mínimo. reflect o aumento de q. Mostraremo primeiro p que a curv de oferta é o próprio ra os por va amo crescent do CMg. a part do ponto e que o cus marginal é maior do que o custo va tir em sto ariável médio mínimo”.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Provaremos que "a curv de oferta d firma em concorrência perfeita é o ramo crescen da s va da c nte curva de custo ma a arginal. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R.quando o preço é p1. a partir do ponto A. a firma oferec q1 (que ma ce aximiza seu lu ucro. o u va . a onde CVMe é mínimo. quando p aumenta). a firma oferec q0 (que ma ce aximiza seu lu ucro. f quand o preço d mercado a do de aumenta. 79 . Ou seja. ou seja. a: e . Depois. s e Por que é a curva de C CMg? A resp posta é que essa curva r reflecte a res sposta das firmas. .quando o preço é p2 a firma oferece q2 (que max e ximiza seu luc a p2). no gráfico abaixo. a p1).0 ……………… s eira …………………… …::………………… …………….

dado que as reacções da firma. mas RT> CVT T) Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R.q RT = CVT Abaixo des ponto.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. a) p >CTMe (RT> >CT) É a situação normal.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Como a firm maximiza lucros apena no ramo cr ma as rescente do C CMg. esse trecho da curva. reços de mer rcado diferent tes. oco quando: ros orre p. em re elação a varia ações de preç dão-se ne ços.q=CVMe . então a curva de ofe da erta firma em concorrê ência perfeita é o ramo cre escente da cu urva de CMg. b) p < CTMe mas p > CV e. suponhamo três sse p os situaç ções distintas com três pr s. Para provar isso. 80 . VMe (RT< CT. . a firma deve fechar as portas. com lucros extra o m aordinários. d Por que ap penas após o CVMe mínim Porque o preço mín mo? nimo para qu a firma pr ue roduza algum coisa ocor quando: ma rre p = CVMe m mínimo Em termos totais (multip plicando ambos os membr por q).

ela pode pagar todo os custos variáveis (sa FT. 81 . fe echando a em mpresa ou co ontinuando a operar. a firma aprese a enta um preju uízo. com preços mais vantajosos. m que p pagar todos os custos fix (renda instalações. o Assim se fecha. d deve continua esperando melhorar o mercado. p m. mas ela não deve fec char as porta pois assim teria as. paga todo CF Se continuar. matérias-primas) e uma parte dos custos fixos.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Nesta situação. e os alários. m s c) p = CVMe mínimo (RT = CT) e Neste caso. o prejuízo é o mesmo..0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. ar. o Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. Mas como já investiu na activ vidade. a firma deve a esper por dias m rar melhores. tem c clientes etc.). parcelas de compra do e xos p equipamento etc. Como é uma situaçã de curto p ão prazo.

Deve fechar as po e ortas.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA d) p < CVMe mínimo (RT < CVT) e T Nessa situa ação. c cabe uma dif ferenciação e entre lucros "e extraordinário e lucros "n os" normais". tod go ão dos os custo são os variáv (salários. o que reflecte o real cro custo de oportunidade da actividade empr o resarial. Nas curvas de custos vistas até ago está englobada a rem ora muneração do empresário. a c nte . as cu urvas de cust vistas até agora já têm englobado o lucro norm Nesse se tos é m mal. rendas. O qu exceder e ue esse custo é chamado de lucro e extrao ordinário: o e empresário r recebe mais do que deve eria receber. a firma não consegue nem pagar os custos va ariáveis. ou seja. ou seja. Então. Equilíbrio de longo prazo de uma firm em concor e o ma rrência perfeit ta Como sabe emos. etc. Essa o remuneração pode ser medida pelo custo d oportunidade. amado de luc normal. existindo apena lucros normais. supõe-se q os lucros extraordinár que s rios a curto p prazo atraem novas empresas para es mercado (pelas hipóte sse eses de trans sparência de mercado .todos sabem que o e merca apresent lucros extr ado ta raordinários . a long prazo. sto oportunidade. 82 . curva de ofe erta da firm em ma conco orrência perfe é o ramo crescente da curva de CM após o CV eita a Mg.e livre entrada e saída de firmas). uma firma em co a oncorrência perfeita só ope quando o preço de me era ercado super pelo ra meno os custos variáveis ( os s (principalmen salários). Portanto: veis CT= CVT ou CTMe = CVM Me.). a longo prazo a tendência é de que os lucros ex o a xtras tendem a zero. Assim. entido.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. De e essa forma. eceberia se tivesse empregue seus re ecursos em ou actividad Isso é cha utra de. VMe mínimo. nã existem custos fixos. o lucr que ro vimos nos tópicos anteriores é o lucro extrao s ordinário (LT= RT-CT). de acordo com seu cus de . m as Grafic camente: Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. Posto isto. o que ele re e a de . Como os ec conomistas c consideram ta ambém os cu ustos de oportunidades (c custos "implíc citos"). = Em concorr rência perfeita.

q2).0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. (mais firmas entrando. só existem lucros "nor rmais”.CT T no ponto (P2. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. RT = CT (RMe = C P CTMe) e LT = 0. Esse ponto correspo onde ao mínim da mo curva de custo mé a édio de longo prazo (escala ou tamanho óptimo da e a o empresa). eita. deslocando-se para a dir Quando pre chega a P2 cessam os lucros extrao eço ordinários. 83 . po ois: LT = RT .INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA erta ado reita). Resumindo: a longo praz em concorrência perfe zo. a curva de ofe de merca aumenta.

prot o tegido por leg gislação. A empresa já exis em ste grandes dimensões.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. MON 6 NOPÓLIO Hipót teses do mo odelo a) a Uma única empresa pr a roduz um produto sem sub bstitutos próx ximos. Seria difícil algué oferecer o mesmo prod g a a ém duto a um u preço equivalente à em mpresa monopolista • Monopólio estatal. Tradição. Os jap poneses tiver rem que inve estir durante muito te empo para ve encer a tradiç dos relógios suíços.3. FUNC CIONAMENT DO MODE DE MON TO ELO NOPÓLIO Curva de procura do monopolista a a Como se trata de uma única empresa. b) b Existência de barreiras à entrada de firmas conc a s e correntes. ter o remos que co onsiderar que a procura para a indús stria = procu para a em ura mpresa. 84 .INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA 6. Portanto: Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. Essas barreiras po s odem ocorrer de várias for rmas: • • • Protecção de patentes (direito único de produzir o s o r) Controlo s sobre o fornec cimento de m matérias-primas chave. exemplo: me ercado de relógios. ção • Monopólio natural. no o ormalmente d devido à efici iência da em mpresa. opera com baixos custos.

85 .bq RT = p. Curva da Receit Média e M as ta Marginal A rece média do monopolist é o preço do produto no mercado: é o que o consumidor paga em eita ta n cada unidade do p produto. os Em m monopólio. o preço aume entará.2 275 u. s Rmg ∆RT ∆Q RT Q A: orta o eixo d abcissas na metade do corte da Rme. irá vender 10 unidades.m. o cer preço o diminuirá. Rme Rme Em co oncorrência p perfeita. É a p própria procura de mercad do.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Assim se o mon m.m. Supondo uma curv de procura linear. a R RMg é diferen da Rme. se produ uzir menos. conforme o diagra ama a seguir. que depende de quanto olo e ele re esolve produz (traduzindo a sua capac zir o cidade para discriminar preços No gráfico podemos co s). a receita marginal c a corta o eixo da quant tidade (abcis ssa) na meta do corte da ade receit média (Rm ta me). nopolista res solver oferec mais. v venderá 11 unida ades. prova-se q 0A = 0B/ que /2. sempr que das re NOTA Prova-se que a RMg co estive ermos perant uma curva de procura linear te No modelo de monopólio.q = aq – bq2 RMg = dRT/dq = a – 2bq Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. . temo va a os: Rme = p = a . vimo que RMg = Rme = p. Ness sentido. ou se eja.q = (a – bq).0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. onstatar que ar de 0 se fixa um preço d 1.45 u. o monopolis se sta tem o contro do preço de mercado. se baixar o pre eço para 1. Isso porque a quantidade adicional é v nte vendida a um preço mais baixo que as quantidades anteriores.

no eixo das abcissas o preço é ig o s. quando dis scutimos a elasticidade-p e preço da procura. e RT em mon as me. 86 . que há uma á relaçã ente a receita total (RT) e a elasticid ão dade-preço da procura (Ep a pp): Procu elástica: ura se p↑ se p↓ Procu inelástica: ura se p↑ se p↓ q↓ ↓ q↑ ↑ q↓ ↓ q↑ ↑ RT↓ RT↑ RT↑ RT↓ Custo de produção do os mono opolista Podem mos estrut tura mono opolista considerar de nã ão que a do em custos difere essên ncia daquela observada no a a mode de concorrência perfeit elo ta.UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA INTRODU Saben que.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. temos que: • Intercepçã da Rme no eixo das ab ão o bcissas 0 = a – bq1 a = bq1 q q1 = a a/b Interc cepção da RM no eixo das abcissas Mg 0 = a – 2bq2 a = 2bq2 q2 = a a/2b Assim q1 = q2/2 ou 0A = 0B/2 m: 2 A rela ação entre a curvas Rm RMg. nopólio Tínha amos visto an nteriormente. no d ndo diagrama ant terior. gual a zero.

Como CMg é sem mpre positivo. Como podemos o o observar. E a RMg é positiv apenas na faixa g p va a elástica da procura a.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA O Equ uilíbrio no cur prazo de uma empresa monopolist também oc rto a ta corre onde a RMg = CMg.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. vemos qual o custo de produção para produ q0 na cur de o o uzir rva Cme e qual a rece quando s vende q0. nun a posição de máximo lucro do monopolista pode estar na faixa nca o o a inelás stica da procu Isso porq o ponto d máximo lucro ocorre qu ura. n curva Rme (procura de mercado)em termos de curvas eita se na e e m c totais o diagrama fica: s. como em co oncorrência p perfeita. que de uando a RMg = CMg. Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. a RMg que iguala o CMg também é positiva. Como chegar ao e o equilíbrio? Primeiro determ minamos o ponto onde a RMg = CMg. odução que m maximiza o lu ucro (q0). 87 . que é a pro . Depois.

temos uma quantidade q0 igual nas duas Mg a to s situaç ções. Assim.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. Então. o monopó não será quebrado.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA Curva de oferta d uma emp a de presa monop polista No gr ráfico anterio (em termos de curvas médias e ma or arginais) nota amos que nã há uma re ão elação biunív voca entre q quantidade produzida e p preço de ven nda do produ uto. Como existem ba o arreiras à ent trada de nov empresas. a ta curva de ofe erta. O CM intercepta a RMg no mesmo pont A. o que vas ólio á Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. Se a s m a procu fosse maior o preço se maior par o mesmo q0. ura eria ra Então a empresa monopolist não tem c o. não é possível esta p abelecermos uma relação bem o defini entre preç e quantid ida ços dade oferecid pelo mono das opolista O equ uilíbrio de longo prazo de u uma empresa monopolista a a. Para um dada prod ma dução. par determinado q0. A oferta é um ponto único sobre ão ntre s e m a curv da procura va a. podem ter difer mos rentes preços dependend da curva da procura. mas dois preços (p0 e p1). Ou seja. Não tem uma curva que mostre uma m a e relaçã estável en os preços de venda e a quantidade produzida. 88 . do ra temos apenas um ponto em cima da curva da procura correspondente ao preço de venda p0. s.

0 …………………………………::…………………………….INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA permitirá a persistência de lucros extraordinários também a alongo prazo. 89 . Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.

Em resumo. de maneira que possamos ter uma solução determinada. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Desse modo.4. Para cada pressuposto de comportamento específico que fazemos. A interdependência entre as empresas da indústria é a característica mais importante que separa o oligopólio das outras estruturas de mercado. no texto e no que se segue. a teoria do oligopólio é um dos segmentos menos satisfatórios da microeconomia. como. por exemplo. economias de escala. alguns dos quais são aqui discutidos. Consequentemente. esta é apenas urna das muitas soluções possíveis. teremos um oligopólio puro. Para simplificar. as acções de cada vendedor afectarão os outros vendedores. a curva de procura que os outros oligopolistas enfrentam vai se deslocar para baixo. Esta interdependência é o resultado natural do pequeno número. como há poucas empresas em uma indústria oligopolística. Se o produto for homogéneo. Se o produto for diferenciado. Estes poucos modelos. isto é. Mas mesmo se presumirmos um padrão de reacção determinada. Como resultado. isto é. Definição de Oligopólio : Oligopólio é a forma de organização de mercado em que há poucos vendedores de uma mercadoria. Assim. controle sobre as fontes de matérias-primas. carros e cigarros. porém. actualmente não existe uma teoria geral do oligopólio. Tudo o que temos são muitos modelos diferentes. a menos que façamos alguns pressupostos específicos sobre as reacções das outras empresas as acções da empresa em estudo. 90 .0 …………………………………::……………………………. não podemos construir a curva de procura desse oligopolista. tratamos principalmente de um duopólio puro. Tudo o que temos são casos ou modelos específicos. por exemplo. temos uma solução indeterminada. cimento e cobre. teremos um oligopólio diferenciado. não temos uma teoria geral do oligopólio. • Devido à situação esboçada no ponto anterior. temos uma solução diferente. os outros oligopolistas reagem. com uma solução indeterminada. teremos um duopólio. conseguem três coisas: • eles mostram claramente a natureza da interdependência oligopolística. Se houver apenas dois vendedores. aço. • Há muitos padrões de reacção dos outros oligopolistas em relação as acções do primeiro e só podemos definir a curva de procura de nosso oligopolista enfrenta se e quando presumirmos um padrão específico de reacção. patentes e licença governamental. quando uma delas baixa seu preço. OLIGOPÓLIO Oligopólio é a organização de mercado em que há poucos vendedores de uma mercadoria. a maior parte dos quais algo insatisfatórios. • indicam as falhas que uma teoria satisfatória do oligopólio precisa preencher. como.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 6. faz uma campanha de publicidade bem-sucedida ou introduz um modelo melhor. • dão alguma indicação da grande dificuldade deste ramo da microeconomia. do tempo que talvez tenhamos de esperar para obter uma teoria geral do oligopólio. O oligopólio é a forma predominante de organização de mercado no sector industrial das economias modernas e surge por razões gerais idênticas às do monopólio. Assim.

Diante desse pressuposto. presumin que a em ndo mpresa B con ntinue a vend 300 unid der dades. encon ntra sua nov curva de demanda. A empresa A agora reage e. 91 . resentada. A empresa B agora reage novam a mente e vend em B' sobr sua nova curva de demanda. maxim mizar seus lu ucros totais.1 O MODE DE COURNOT E B 1.INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PART I MICROEC TE CONOMIA 6.0 ……………… s eira …………………… …::………………… ……………. resa A maxim sua RT e lucros miza totais no ponto A. d'B. Na Fig acima repr g. se o m mercado fosse perfeitamen competitiv e nte vo. Desse m modo. Fi Carlos Miguel Olive | Março de 2008 | R. D. pres sume que a outra empr resa conserve a sua produção e const tante. En ntão. a empr resa B maxim sua RT e lucros totais no ponto B (sobre dB) em que ela ve miza ende 300 uni idades ao pre de eço 3$. ou RT. Se a empresa A for a ún vendedo do mercad então D = dA e a empr nica ora do. have diversas movimentações e contra-m erá m movimentações por parte das duas em mpresas. A empresa A agora maxim seus lucr totais no p ado miza ros ponto A´ sobre dA'. até que cada um delas ven exactamente 1/3 do montante to de ma nda otal água que seria ven ndido. vamo supor que a empresa E entre no me os ercado e que a empresa A continue a vender v 600 unidades. em que ela v s vende 600 un nidades ao pr reço de 6$. d''A. a curva de demand da empre 11 é dad pela curv de deman a da esa da va nda do merca total D m ado menos 600 u unidades e é representada por dB na F Fig. em que e = 1 e RT é m máxima.. de re c Este processo de movimentaçõ e contraões -movimentações por parte das duas e e empresas con nverge inalmente. EXEM MPLOS. subtraindo 300 unidades da curva de demanda do va o merca total. 0 pre essuposto básico de comportamento f feito por Cou urnot é que c cada empres na tentativa de sa. Port to ão tanto o nível de maximiza ação de lucro das os venda de cada e as empresa oco orre no ponto médio da sua curva de procura line com inclinação o s e ear negat tiva. sta ão Em se eguida. D é a curva de procura do mercado de á e água mineral. a para o ponto E.4. a empresa A o a empresa B estará dia ou a ante da curva de procura dE e. Es é a soluçã de monopólio. ELO BERTRAND D modelo de Co ournot come eçamos por presumir que existem du e uas empresa vendendo água as o No m miner em condiç ral ções de cust de produçã zero.

presume que a outra empresa mantenha seu preço constante. então. Chamberlin ainda presume que os duopolistas reconhecem sua interdependência. O resultado desses pressupostos é que haverá uma oscilação contínua do preço do produto entre o preço de monopólio e o preço de produção máxima de cada empresa Às vezes. A outra empresa. também estará diante de dE. na tentativa de maximizar sua RT ou lucro total. presumimos que EXISTEM duas empresas. vendendo uma mercadoria homogénea produzida ao custo zero. Desse modo. estudamos estes modelos porque eles nos dão alguma indicação da natureza da interdependência oligopolística e também porque eles são precursores de modelos mais realistas. A e B. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. 6. A produção de 400 unidades por parte de cada empresa representa 1/3 da produção perfeitamente competitiva de 1 200 (dada pela condição P = CMg = 0). O MODELO DE EDGEWORTH No modelo de Edgevorth. 6. Além disso. O MODELO DE CHAMBERLIN Tanto o modelo de Cournot como o de Edgeworth se baseiam no pressuposto extremamente ingénuo de que os dois oligopolistas (duopolistas) nunca reconhecem sua interdependência. Um desses modelos mais realistas é o de Charnberlin.2. O resultado é que. no modelo de Edgeworth.0 …………………………………::…………………………….3.4.4. cada empresa continuará a vender 400 unidades ao preço de 4$ e terá RT e lucros totais de l 600$. Chamberlin parte dos mesmos pressupostos básicos de Cournot. teremos o modelo de Bertrand (ver exemplo à frente). idêntica para seu produto. sua curva de procura (obtida. (3) cada empresa. Se. Contudo. assim como no modelo de Cournot.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA assim. 92 . vendem quantidades idênticas e maximizam seus lucros conjuntos. na determinação de seu nível óptimo de produção. Não obstante. sem qualquer forma de acordo ou conluio. (2) cada empresa tem capacidade de produção limitada e não pode abastecer todo o mercado sozinha. cada empresa presumir que a outra mantém seu preço (e não sua produção) constante. observam-se oscilações de preço nos mercados oligopolístícos. maximiza seus lucros totais vendendo 400 unidades ao preço de 4$ ( ponto E´). subtraindo 400 unidades da curva de procura do mercado total) e também estará no ponto E. são feitas outras suposições relacionadas a seguir: (1) cada empresa enfrenta uma curva de procura linear. os duopolistas estabelecem preços idênticos.

Tal como nas outras estruturas de mercado o pressuposto das empresas continua a ser a maximização dos seus benefícios. está diante da curva de demanda dB e. Payoff: beneficio da empresa a escolher uma estratégia. TEORIA DE JOGOS A teoria de jogos é uma ferramenta essencial para analisar os comportamentos estratégicos dos jogos oligopolisticos.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Exemplo: na figura acima. Se a empresa A for a primeira a entrar no mercado.4. assim. a qual se pretende analisar o comportamento estratégico. dada a estratégia escolhida pelo(s) outros(s) intervenientes no jogo. Desse modo. os duopolistas A e B compreendem agora que o melhor que podem fazer é partilhar igualmente os lucros do monopólio de $3 600. D é a curva de procura do mercado total para a produção combinada dos duopolistas A e B. (Até aqui o modelo de Chamberlin é idêntico ao de Cournot. ela escolherá o ponto A sobre D (= dA).Deve-se notar que esta solução é estável. Matriz de payoff: forma de representar a informação dos diferentes payoffs.) Todavia. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. • • Estratégia: acção que a empresa ou jogador pode optar como uma das possíveis no jogo. é alcançada sem conluio e resulta em 200$ de lucros para cada empresa a mais do que na solução de Cournot 6. decide vender 300 unidades no ponto B. tendo assim o lucro de monopólio de 3 600$.0 …………………………………::……………………………. tomando a produção da empresa A conforme dada.4. 93 . A empresa B. Termos básicos utilizados na teoria de jogos: • • Jogador: empresa. cada duopolista vende 300 unidades ou metade da produção do monopólio ao preço de 6$ e obtém um lucro de 1 800$.

utilizaremos a teoria de jogos para analisar o comportamento de empresas oligopolistas. Caso as escolhas sejam efectuadas em momentos diferentes. 94 . jogos com apenas duas empresas. os jogadores conhecem as estratégias possíveis e respectivos payoffs.20 S2 O jogador 1 pode optar pelas estratégias S1 ou S2. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. REGRAS DO JOGO • É um jogo de informação completa. e só então a empresa 2 reage a jogada do seu adversário. recebem um payoff de 10 (jogador 1) e 20 (jogador2). Neste caso as estratégias de ambos jogadores são idênticas. temos que representar o jogo através de uma árvore de decisões. • Os jogadores escolhem as estratégias simultaneamente. O seu objectivo último é a maximização do seu benefício. o Jogador 2 também tem as mesmas opções. Se ambos os jogadores optarem pela estratégia S1. O JOGO DA ÁRVORE Aplica-se no caso da decisão estratégica não ser tomada em simultâneo. a empresa 1 pode tomar a sua decisão em 1º lugar. Caso os jogadores possam fazer mais do que uma jogada temos um jogo de repetição. • Normalmente as jogadas são simultâneas e únicas. Jogador 2 S1 Jogador 1 S1 S2 10. contudo os jogadores podem optar por estratégias diferentes.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA MATRIZ DE PAYOFF para um jogo de duas estratégias com dois jogadores. Num jogo entre duas empresas. A introdução desta condicionante permite uma análise mais simplista e real dos comportamentos num mercado oligopolista. • No nosso estudo. • Os nosso modelos são de duopolio.0 …………………………………::…………………………….

• Se E2 optar por baixar o seu preço.4 Fazer publicidade E2 E1 Não fazer publicidade 8. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA È representado da seguinte forma: Fazer publicidade Não fazer publicidade Fazer publicidade Não fazer publicidade 6.9 7. Não nos vamos debruçar sobre este tipo de jogo. a E1 optará também por baixar o seu preço. Se por exemplo a empresa 1 optar por fazer publicidade. Preço Baixar Preço 10. obter um payoff melhor nesta situação (4). a empresa 1 escolherá sempre baixar o seu preço. JOGO 1. BAIXAR O PREÇO É A ESTRATÉGIA DOMINANTE DA EMPRESA 1. pois o beneficio obtido com esta escolha estratégica é sempre superior. com 2 jogadores e com duas estratégias possíveis e idênticas para ambos os jogadores: • • Aumentar o preço Baixar o preço Sabemos que o motiva cada um dos jogadores é a obtenção do melhor payoff possível. uma vez que 7>6.12 7. O resultado obtido depende da opção de cada um.6 6. 95 .7 E2 Neste jogo a empresa 1 pode optar por fazer publicidade ou não fazer publicidade (o nódulo mais escuro é referente ao posicionamento estratégica da empresa 1).0 …………………………………::……………………………. Após e só após da decisão da empresa 1 a empresa 2 escolhe a sua estratégia.Preço Preço Aum.7 Empresa 1 Matriz de payoff. CONCEITO DE ESTRATÉGIA DOMINANTE: é a melhor estratégia possível para um jogador independentemente da escolha do outro. a empresa 2 optará por faze-la também visto. Vejamos: • Se a E2 (empresa 2) optar por aumentar o seu preço. a melhor escolha possível para E1 será baixar o seu preço. Não obstante a escolha da empresa 2.2 3. Empresa 2 Baixar o Aum.10 12. pois obtém um payoff de 12 > 10.

mas com payoff diferentes. Preço Baixar Preço 9.2 Aum. JOGO 2.9 8.0 …………………………………::……………………………. como veremos mais adiante.10).1 Baixar o preço Baixar o preço A empresa 1 possuiu uma estratégia dominante: BAIXAR O PREÇO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. Contudo sabemos que este é um jogo de decisão única. Uma vez que ambas as empresas tem uma estratégia dominante. pois assim fixará o seu payoff com 7. superior a 6. superior ao que conseguiria se opta-se por aumentar o seu preço – 10. não existindo nenhum incentivo para cada empresa optar pela referida estratégia.11 A matriz acima. representa um novo jogo. similar ao visto anteriormente. o comportamento de ambas seria provavelmente o de optarem por baixar o preço.9 4. obtendo um payoff de 7 para cada uma. Podemos constar que existem uma alternativa melhor para ambas as empresas: ambas aumentaram o seu preço (10. NESTE CASO IDENTICA À DA EMPRESA 1 – BAIXAR O PREÇO. E2 optará por baixar o seu preço uma vez que assim conseguirá um payoff de 12.Preço Baixar o Preço Aum.15 14.preço Baixar preço Opção da Emp.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Vejamos agora como se comporta a empresa 2: • Se E1 opta por aumentar o seu preço. Empresa 2 Aum. A EMPRESA 2 POSSUÍ TAMBÉM UMA ESTRATÉGIA DOMINANTE. Vejamos se alguma empresa possuiu uma estratégia dominante: Opção da emp. • Se E1 opta por baixar o seu preço (estratégia dominante da empresa 1) a empresa 2 optará também por baixar o seu preço. Empresa 1 96 .

Manuel: Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.preço Baixar preço Opção da Emp.0 …………………………………::…………………………….2 Aum. sabia que tinham sido estes os responsáveis pela falsificação.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Opção da emp. Dilemas são jogos em que ambos os jogadores ficariam em melhor situação se abandonassem a sua estratégia dominante e optassem por uma estratégia mais cooperativa.º de provas que tenho contra vocês apanharão uma pena de 6 meses de cadeia. Se nenhum de vocês confessarem. DILEMAS. que conhece esta decisão (a informação é completa) iria fazer a sua opção baseada na estratégia dominante da empresa 1. Maria e o Dr. O Chefe Arnaldo. A empresa 2. terá a pena suspensa e o seu colega apanhará 25 anos de prisão. responsável da Judiciária.1 Aum. altos responsáveis da EXPO 98 foram detidos por suspeita de falsificação de notas de 10.9 8. fixando o seu payoff em 11. Vamos tentar analisar a decisão a tomar pela Dra. 97 . Se confessar o crime e o seu colega também apanharão apenas 1 ano de pena. contudo apenas tinha provas para uma sentença de 6 meses. e em virtude do reduzido n. Dilema do prisioneiro: JOGO 3. Maria e pelo Dr. o preço Baixar o preço A empresa 2 NÃO TEM ESTRATÉGIA DOMINANTE. coloca-os em salas separadas e a ambos faz-lhes a seguinte proposta: Detective: Senhor(a) faço-lhe a seguinte proposta: Dado que se aproxima o vigésimo quinto aniversário do 25 de Abril se confessar o crime e o seu colega não.9 Não Confessar 4. ou seja. Tendo consciência do estado da investigação decide chamar os dois suspeitos. Imaginemos que a Dra. Maria Confessar Manuel Confessar Não Confessar 9.15 14. Manuel.11 Esta matriz é resultado de um problema clássico: O dilema do prisioneiro.000 esc. escolheria aumentar o seu. Num jogo de decisão simultânea e única a empresa 1 iria optar pela sua estratégia dominante: Baixar o preço. sabendo que E1 iria baixar o seu preço.

6 6. Eles sabem que a sua decisão tem que ser simultânea e única. Sabemos que a informação é completa. logo o resultado provável seria ambos confessarem o crime e obterem uma pena de um ano de prisão. Está por sua vez tem perfeito conhecimento que isto pode acontecer.12 7. 98 . A empresa 1 e 2 sabem que se ambas optarem por um comportamento cooperativo e escolherem o aumento dos seus preços como estratégia dominante estarão a obter payoff superiores (10. Existe uma tendência para se desviarem ao acordo. Empresa 2 Baixar o Aum. facto pelo qual não deverão chegar ao acordo para ambos não confessarem.0 …………………………………::……………………………. sendo este o melhor alternativa possível para ambos os jogadores. e como tal a melhorarem consideravelmente a sua situação. JOGO 1. por exemplo o Dr. Este exemplo é utilizado porque retracta na perfeição a noção do dilema.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Confessar é estratégia dominante para ambos os suspeitos. ficando assim em liberdade e impondo uma pena de 25 anos à sua colega Dra. deixando a empresa 2 com 6. Num jogo único como o que estamos a retractar é quase impossível que ambas optem por coludirem a sua decisão. AMBOS CONFESSARIAM. assumindo portanto a decisão menos penalizadora para ela dada as circunstancias.Manuel pode perfeitamente chegar ao momento da sua decisão e confessar.10 12. pelo menos podemos verificar se os jogadores tem estratégias dominadas. bem como as alternativas e comportamentos possíveis.Preço Preço Aum. Supondo mesmo que lhes é dada autorização para discutirem o caso conjuntamente é de esperar que a sua decisão se mantenha e ambos confessem. as setas indicam as possíveis fugas ao acordado: • A empresa 2 poderia baixar o seu preço e ganhar um payoff de 12. e que ambos os jogadores tem perfeito conhecimento do resultado das suas decisões. Maria. situação que passaremos a denominar de “Dilema Oligopolistico”. Preço Baixar Preço 10. Se tal acontecer.10). O dilema manter-se-á ESTRATÉGIAS DOMINADAS Nem sempre existe uma estratégia dominante para um ou ambos os jogadores. Contudo eles sabem que se não confessarem podem apanhar apenas 6 meses de cadeia. retracta também uma situação de dilema. uma vez que uma fuga ao acordado poderia provocar uma considerável perda de payoff. A empresa 2 teria a “tentação” de aumentar o seu payoff optando assim Empresa 1 Num jogo de jogada única é quase impossível a existência de comportamentos cooperativos.7 • Em caso de acordo de ambas optarem por aumentar os seus preços. A estratégia dominada é Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. O JOGO 1.

Preço A empresa 2 não também não possuí uma estratégia dominante.5 4. existe sempre uma estratégia melhor como opção. sendo portanto uma estratégia DOMINADA para a empresa 1.preço Aum. mas como podemos verificar existe uma estratégia que nunca é considerada como alternativa para a sua decisão. está estratégia é a de aumentar o preço.1 opta Aum.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA precisamente o oposto da dominante.2 opta Aum.5 Aum.6 8. Normalmente este conceito é utilizado quando os jogadores podem optar entre três ou mais estratégias.1 opta Baixar o preço Manter o preço Baixar o preço A empresa 1 não tem estratégia dominante. Analisemos o jogo abaixo representado: JOGO 4.0 …………………………………::……………………………. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.4 4.5 7.2 opta Baixar o preço Aum. não existindo uma estratégia dominante que evidencie um comportamento claro a tomar. ou seja.3 12. Preço Manter Preço Baixar Preço 3.8 Podemos verificar que nenhuma das empresas possuí uma estratégia dominante: Se a Emp. 99 .7 9.4 Baixar Preço 5. mas possuí uma estratégia DOMINADA – Manter o preço.Preço Empresa 1 Aum. Se a Emp.Preço Manter o preço Baixar o preço Emp.Preço Manter o preço Baixar o preço Emp. Empresa 2 Manter Preço 6.

já que eliminamos aquela que nunca seria utilizada.7 9.3 12.8 4. Ninguém deseja ver esta situação alterada. Empresa 1 100 . no equilíbrio entre a oferta e a procura. este equilíbrio terá que se deslocar e ajustar. resultando num payoff de 9 para E1 e 8 para E2. em que cada empresa apenas terá duas opções estratégicas.5 7. os consumidores e vendedores estão a adquirir e a vender quantidades desejadas a um certo nível de preços.5 Passaremos a ter uma nova matriz de payoff. Por exemplo. A estratégia dominante da empresa 2 é MANTER O PREÇO. Em variadas situações podemos nos deparar com a inexistência de estratégias dominantes ou dominadas.Preço Empresa 1 Aum.0 …………………………………::…………………………….4 Baixar Preço 5.Preço Baixar o Preço Manter Preço Baixar Preço 4. desde que os restantes factores que a afectam permaneçam constantes. EQUILIBRIO DE NASH. Num jogo simultâneo e de jogada única o resultado seria a escolha das empresas pela sua estratégia dominante.8 4. dada a acção empreendida pelo 7 Notem que equilíbrio significa que ninguém quer alterar o seu comportamento. Empresa 2 Aum. A solução deste problema é-nos dada pelo equilíbrio de Nash. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. desde que nada se altere. O equilíbrio7 de Nash existe sempre que um jogador toma a melhor decisão que pode. existem estratégias dominantes: A estratégia dominante da empresa 1 é BAIXAR O PREÇO.5 7.4 Empresa 2 Manter Preço 6.6 8. É claro que se o a procura de mercado for afectada por exemplo por um aumento do rendimento.7 9. Preço Manter Preço Baixar Preço 3.5 4.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Se eliminarmos estas estratégias da nossa matriz de payoffs Aum.5 Podemos agora verificar que dadas as “novas alternativas” estratégicas de ambas empresas.

Contudo temos também outra solução que aponta para um equilíbrio de NASH – a empresa 1 baixar o seu preço a empresa 2 aumentar o seu. já que passa de 6 para 3.Preço Aum.8 3. Se a empresa 1 optar por baixar o seu preço ela vai ter uma redução de 3 no seu payoff.4 o Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.Preço. Preço Baixar Preço 11. Empresa 2 Aum.Preço Aum.2 o As setas de deslocação podem ser uma ajuda na identificação do(s) equilíbrio(s) de Nash Estamos perante a ausência de estratégias dominantes e dominadas. ESTA ESCOLHA ESTRATÉGICA É UM EQUILIBRIO DE NASH. Preço Baixar Preço 4.2 Baixar Preço 1.6.2 3. È bastante frequente a existência de mais do que um equilíbrio de nash no mesmo jogo.4 7. já que se aumenta o preço. logo não terá qualquer incentivo em fugir da decisão tomada. Uma vez que não aprofundaremos mais está área de estudo. O mesmo acontece com a empresa 2. Desta escolha estratégica resulta um payoff de 6 e 8 respectivamente. JOGO 5. irá ver o seu payoff reduzido de 8 para 4. Empresa 1 Empresa 1 101 . Vamos tentar identificar o equilíbrio de Nash: Se a empresa 1 escolhe Aum. correndo o risco de perder benefício. iremos pressupor que o melhor equilíbrio é aquele cujo somatório dos payoffs seja mais elevado. a empresa 2 escolherá baixa-lo. Exercício: Identifique o equilíbrio de Nash do jogo abaixo representado: JOGO 6.0 …………………………………::……………………………. O resultado do equilíbrio será uma situação de payoff em que nenhum dos jogadores desejará alterar a sua posição.9 4. Empresa 2 Aum. Está escolha resulta num payoff de 7.6 Baixar Preço 6.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA outro jogador. Fixando está escolha vamos determinar se alguma empresa tem algum incentivo em optar por outra estratégia.

Por exemplo: 1.0 …………………………………::……………………………. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. com vista a fixarem as estratégias a serem seguidas por cada empresa.9 Neste jogo podemos verificar que se ambas as empresas optam-se pela sua estratégia dominante. deixando a E1 com uma redução de 10 no seu payoff. 2. um acordo explicito entre duas ou mais partes. elevando os seus payoff para 14 e 16. respectivamente.5 4. Preço Baixar Preço 14.30 7. 3. tentada pelo payoff que irá obter se baixar o preço decide quebrar o acordo e assim conseguir um lucro de 30. Mais uma vez é de frisar que ambas correm o risco de uma das partes fugir ao acordo e obter ganhos consideravelmente mais elevados. que lhes permite obter um resultado melhor. Optando por uma estratégia de colusão. Decidem assim optar pela colusão e assumem a decisão conjunta de subida dos preços.16 19. em que existe mais do que uma jogada. Contudo num sistema de jogadas repetidas o incentivo a fazer batota é diminuto uma vez que o jogador “rival” automaticamente responderia à nova decisão do jogador batoteiro. passando para um nível de payoff superior. abaixa também o seu preço. Num jogo de repetição. As empresas têm conhecimento que se optarem pela sua estratégia dominante (baixar o preço para ambas) os seus payoffs seria de 7 para E1 e 9 para E2.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA JOGOS COM REPETIÇÃO Temos vistos que em decisões únicas será racionalmente impossível que em situação de dilema oligopolistico os intervenientes optem por uma decisão cooperativa. Este tipo de acordo é ilegal. a E1 receberia um payoff de 7 e a E2 de 9. O comportamento cooperativo implica a colusão. A empresa 1. já será possível que as empresas optem por uma decisão cooperativa contrária a(s) sua(s) estratégia(s) dominante(s). A empresa 2. A E1 ganharia 14 (mais 5) e a E2 16 (mais 7). contudo ocorrem com mais frequência do que a imaginada. Empresa 2 Aum. o resultado possível jogo seria ambas aumentarem o preço. Empresa 1 102 . do que aquele que advém da escolha das suas estratégias dominantes.Preço Baixar o Preço Aum. constatando a quebra do compromisso. JOGO 7. ou seja. levando o equilíbrio para o nível decorrente das suas estratégias dominante.

valor que seria repartido pelas duas empresas 17. Poucas empresas: quanto mais baixo for o número de partes envolvidas mais fácil é chegar a um consenso. Aspectos legais e leis Anti-trust: desvios a acordos “ilegais” implicam maior atenção por parte das entidades fiscalizados e reguladoras. 3. Quotas de mercado similares: reduz o factor concorrência. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R. 4. 103 . Espera conseguir um aumento das receitas via aumento do volume de vendas. Existe uma tendência para a redução dos preços.0 …………………………………::……………………………. Custos de produção similares: sempre que existam não haverá tendência a desvios. Ninguém precisa de apanhar ninguém. 6. Estabilidade económica: recessões atingem directamente os lucros das empresas via RT. 7. 5. É claro que se os custos de produção de uma das empresas forem muito baixos ela facilmente pode baixar o preço e assim ganhar quota de mercado. Facilidade de observar as “batotas”: é claro que este factor depende do tipo de industria e do caminho que os produtos/serviços levam até chegar ao consumidor final. 2. Factores que possibilitam a colusão e a sua manutenção: 1. Aspecto histórico da similaridade dos preços. enquanto ela (E2) aumentava o seu.INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Notem: Outra possibilidade de colusão seria a empresa 2 propor a empresa 1 que esta opta-se por aumentar o seu preço. O somatório dos payoffs para esta decisão seria igual a 34. e mais fácil é mante-lo.

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