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Contextualizando a Caminhada

Esta Dissertação de Mestrado está com os Direitos Autorais devidamente registrados na Fundação Biblioteca Nacional sob o n° 325.391 Livro: 596 Folha 51 em nome de Roberto Luiz Warken

Ao encerrar minha jornada no curso de Ciências Sociais em 1986, na UFSC1 , estava ávido por trabalhar em algum projeto que fosse realmente relevante, no qual pudesse aplicar os ensinamentos universitários. De 1986 a 1989 tentei militar pela categoria profissional. Na época, participando de reuniões da APS/SC2, descobrira cedo que o mercado de trabalho para sociólogos pesquisadores era muito escasso, a não ser se o acadêmico tivesse optado por fazer licenciatura, e não o bacharelado. Neste mesmo período, a história da AIDS3 estava em evidência e não demorou muito para eu descobrir a sede do GAPA/SC4, perto do local onde trabalho, bem no centro da cidade de Florianópolis, onde como voluntário, apresentei-me para alguns trabalhos, mas logo percebi que as poucas atividades que existiam eram de cunho ainda assistencialista. Optei então por fazer o acompanhamento de pacientes e seus familiares no hospital de referência, Hospital Nereu Ramos, após o expediente de trabalho, como uma nova opção de minha atuação militante na área. Todavia, acompanhando pacientes terminais e familiares, descobri a dimensão do preconceito que se exercia (e se exerce ainda hoje) contra os (as) portadores do vírus HIV5, em especial, contra os (as) homossexuais. Na época, a noção que se tinha era a de que a AIDS era uma doença exclusiva deste público, tanto que nos Estados Unidos já se falava em uma peste gay (termo em inglês que equivale a homossexual). No final de maio de 1990 recebi
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Universidade Federal do Estado de Santa Catarina. Associação dos Profissionais em Sociologia no Estado de Santa Catarina. 3 Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. 4 Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS de Santa Catarina.

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capacitação pela SES6, para ser multiplicador de informações sobre a síndrome. O curso de 20 horas denominava-se “Aconselhamento em AIDS” e, além do que fazia no hospital, e na sede do GAPA junto ao disque-AIDS, por livre iniciativa comecei a dar mini-palestras em condomínios próximos de minha residência. Depois de um ano e meio, tive que me afastar dessas tarefas para dar mais atenção a minha vida privada, mas nunca deixei de ter em mente que poderia ser mais útil nessa área de resgate da cidadania dos/das considerados/as “desiguais” por parte da sociedade heterodominante. Em meados de 1995 a empresa onde trabalho resolveu aderir a mais recente tecnologia de comunicação, a Internet. Movido pela curiosidade e por uma boa dose de leitura, empreendi os ensaios de construção de minhas primeiras homepages7 e, também, iniciei minhas primeiras “navegações on-line8”. O termo possui o sentido que é dado à ação de atravessar mares, oceanos, lagoas, rios, só que no sentido virtual. Ou seja, navegar num “mar de informações”. Foi criado pela empresa Netscape que utilizava como logomarca um timão sugerindo que seu browser9 equipara-se à uma embarcação virtual. Com um pouco mais de habilidade, construí minha primeira homepage pessoal. Nela falava um pouco sobre minha história e também sobre meus conhecimentos sobre AIDS.

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Vírus da Imunodeficiência Adquirida. Secretaria de Estado da Saúde. 7 Homepage, em inglês, equivale à página de apresentação. É a primeira página de um endereço na Internet. 8 On-line significa conectado a Rede Mundial de Computadores, a Internet (vide mais no glossário). 9 Vide Glossário.

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Imediatamente, comecei a receber vários e-mails com consultas sobre este e outros assuntos, o que me obrigou a seguir a estratégia de deixar perguntas e respostas já prontas no próprio site. Com o passar do tempo, mais de noventa por cento (90%) de meu site10 era dedicado ao assunto e o público homossexual era o que mais contatava comigo. Foi aí que nasceu a idéia de, em 1996, criar um espaço para a Educação Sexual específica de gays e lésbicas, já que, à época não era possível falar em AIDS sem deixar de tocar em sexualidade, e em orientação homossexual. Assim, em primeiro de setembro de 1996, nascia o http://www.glssite.net. Não sabia, à época, que o surgimento do site em si era um marco, haja visto que não havia espaços correlatos na América Latina com esse propósito, a não ser nos Estados Unidos, Canadá, França e Inglaterra. Com a finalidade de aprimorar o trabalho que vinha sendo executado na Internet, bem como de dotar o site de uma pedagogia devidamente embasada na área da educação emancipatória, de 23 de outubro de 1998 a 30 de outubro de 1999 participei do Curso de Pós-Graduação, em nível de Especialização em “Educação Sexual” oferecido pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Como requisito formal apresentei a monografia intitulada: “Aspectos da Educação Sexual Emancipatória num Site Homossexual, na Internet – http://www.glssite.net”. Essa pesquisa consistiu em analisar todo o site e saber como poderia melhorar sua linguagem, para torná-lo especificamente voltado para a Educação Sexual Emancipatória, ainda de uma minoria.

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Ver glossário.

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Em questão de pouco tempo, o site ampliou seu leque de abrangência, deixando de ser apenas focado nas minorias sexuais, voltando-se para todas as categorias. Nesta época passei a freqüentar o NES11, da UDESC, com a finalidade de desenvolver trabalhos em escolas e pesquisas com grupos da própria universidade.

Relembrando o início do site, posso afirmar que, com o passar do tempo este passou por várias melhorias em sua programação e design12 tornando-se mais rápido e mais interativo.

Hoje, a freqüência média de acesso é de oitenta a duzentas pessoas/dia. O site recebe visitas de pessoas provenientes dos mais diversos países, dentre os quais destacam-se Brasil, Portugal, Estados Unidos, Inglaterra, e outros, como pode ser visto no anexo nove (9).

Ele apresenta um sistema de busca variado; sistemas de classificados pessoais e de bate-papos; um grupo de colunistas voluntários (as) que escrevem sobre assuntos diversos; um espaço destinado a informações sobre Educação Sexual que contém uma seção de perguntas e respostas prontas e outra para tirar dúvidas online. Contém também, fóruns, serviços, notícias, dicas, endereços de pessoas formadoras de opinião na mídia13 para utilizar-se na militância eletrônica, links14 da

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Núcleo de Estudos da Sexualidade da UDESC. Desenho, esboço, layout, projeto. 13 Conjunto dos meios de comunicação de massa (rádio, TV. Jornal, etc.) Ver mais no glossário. 14 Links - As ligações de hipertexto que estão embutidas em um documento.

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World Wide Web15 para outros espaços virtuais16 da Internet de interesse similar; mais de dez listas de discussões temáticas, relação atualizada de grupos e organizações não-governamentais e governamentais, espaço dedicado a pesquisas de opinião, um serviço de web-mail17. O acesso ao web-mail do Glssite.Net é possível através de um login18 e uma senha com a “assinatura” (fulanadetal@glssite.net), sistema de oferta de empregos e busca de trabalho exclusivamente para o público homossexual, informações sobre Direitos Sexuais e outros Direitos Humanos. O site é bastante dinâmico e está em constante atualização, como por exemplo, a criação de uma enquete a qualquer tempo. Além disso, o GLSSITE.Net foi “provedor de conteúdo”19 por dois anos do portal20 Matrix (www.matrix.com.br), localizado em Florianópolis-SC, até abril de 2003, na seção destinada a cultura; foi provedor de conteúdo do site Imais (www.imais.com.br), localizado em São PauloSP e era “site âncora”21 do portal Midiagls (www.midiagls.com.br) já descontinuado, que se localizava no Rio de Janeiro-RJ, constituído em parceria com o, também descontinuado, site Glsparty (www.glsparty.com.br) também do Rio de Janeiro/RJ. Desde maio de 2003 está hospedado num do servidores do provedor de acesso www.floripa.com.br, em Florianópolis, que se encontra no Texas, EUA.

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Rede com a Amplitude do Mundo. Que só existem potencialmente; simulados por programas de computador. 17 Toda conta de e-mail acessível através de um browser (navegador) a partir de qualquer computador localizado no mundo que esteja conectado a Internet. 18 Um nome, um apelido, um conjunto de letras e números maiúsculos e/ou minúsculas. 19 Provedor de Conteúdo – É toda aquela pessoa física ou jurídica que fornece conteúdo para determinados portais. 20 Portal - Site que oferece uma série de serviços aos usuários (as) além de conteúdo, e-mail e homepage. 21 Site âncora é um site de grande porte que serve de chamariz para portais.

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Hoje o uso desse instrumento tecnológico faz parte de um processo que busca propiciar um espaço pedagógico virtual para trabalhar a questão específica dos direitos sexuais como direitos humanos, numa perspectiva de educação sexual emancipatória. Também, nesse sentido, interessado em dar prosseguimento aos estudos em educação, no ano de 2000 ingressei como aluno especial no curso de Pós-Graduação em Nível de Mestrado em “Educação e Cultura” UDESC, e em 2001 tornei-me aluno efetivo, concluindo as disciplinas obrigatórias em 2002. Na elaboração do projeto de dissertação senti várias vezes a necessidade de esclarecer dúvidas em relação aos objetivos de meu trabalho no site, como por exemplo: o que as pessoas que acessam o site pensam a respeito de sua utilidade como instrumento que busca prestar uma educação emancipadora? Os usuários e usuárias vêem realmente o site como um instrumento educativo? É possível “trabalhar” o paradigma emancipatório em sua expressão na proposta de Direitos Sexuais como Direitos Humanos no site? Em que perspectivas? O www.glssite.net possui uma didática emancipatória? É possível se apropriar destas didáticas e usálas com outros propósitos? Isto estaria acontecendo no www.glssite.net? Na minha caminhada, frente a essas dúvidas, em relação à mídia de uma maneira geral e mais especialmente à Internet, educação e sexualidade, encontrei respaldo na Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. Conforme Japiassú e Marcondes (1996 p.112), essa é a definição dessa denominação:

“Escola de Frankfurt. Nome genérico para designar um grupo de filósofos e pesquisadores alemães que, unidos por amizade no início dos anos 30, emigraram com o advento do nazismo, só retornando a Alemanha depois da Guerra: Theodor Adorno, Walter Benjamin, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Jüngen Habermas, etc. A pretensão básica do grupo foi a de elaborar uma teoria crítica do conhecimento, de um lado, aprofundando as

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origens hegelianas de Marx, e , de outro, introduzindo um questionamento no sistema de valores individualistas.

Continuam os autores informando que:

Assim, a escola de Frankfurt elucidou o caráter contraditório de conquista racional do mundo, pois a racionalidade científica e técnica conseguem o feito de converter o homem num escravo de sua própria técnica. Procedeu ainda, de modo mais ou menos radical, segundo os autores,a uma crítica da ”massificação“ da indústria cultural, dos totalitarismos, da concepção positivista do mundo, etc.“

Essa teoria explicita que a realidade é um construto cultural, uma categoria forte nessa escola pós-marxista, categoria esta que pode ser utilizada pelo poder hegemônico para criar necessidades, modelos de consumo, noções de normalidade e naturalidade. Segundo essa teoria, este poder hegemônico utiliza-se das novas mídias para fabricar, principalmente através da indústria cultural, a alienação, mas, ao mesmo tempo, pergunto: pode a apropriação desta mesma mídia proporcionar a emancipação pelo esclarecimento? Em Adorno, Vida e Obra, da Coleção Os Pensadores (2000, p.7-8), lê-se:

“O termo (Indústria Cultural) foi empregado pela primeira vez em 1947, quando da publicação da Dialética do Iluminismo, de Horkheimer e Adorno. Este último, numa série de conferências radiofônicas pronunciadas em 1962, explicou que a expressão” indústria cultural “visa a substituir” cultura de massa “, pois esta induz ao engodo que satisfaz os interesses dos detentores dos veículos de comunicação de massa. Os defensores da expressão ”cultura de massa” querem dar a entender que se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas. Para Adorno, que diverge frontalmente dessa interpretação, a indústria cultural, ao aspirar à integração vertical de seus consumidores, não apenas adapta seus produtos ao consumo das massas, mas, em larga medida, determina o próprio consumo.”

Fig.01

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Também encontrei-me com Michel Foucault (1987 e 2001) e sua explanação sobre a construção cultural do poder e de como este poder está potencializado nas ações, nas pessoas, nos objetos, objetos virtualizados tais como sites que

disseminam informações, constroem saberes, educam. Foi dialogando com Foucault que me veio à mente mais fortemente a seguinte questão: quem ou o quê, concretamente, está por detrás da Internet? E, minha dúvida se dissipou em grande parte quando me deparei com a explicação sobre o Panoptismo (Panopticon) elaborado no final do século XVIII (Fig.01).

De acordo com Japiassú e Marcondes (1996 p. 28), “Jeremy Bentham (1748-1832) Filósofo inglês, fundador do utilitarismo, desenvolvido depois por John Stuart Mill (1806-1873).” Uma de suas obras importantes foi o livro intitulado, Princípios de Moral e de legislação (1780). “Em outra obra, intitulada O Panóptico (1786), Bentham elabora todo um plano de organização arquitetural das prisões a fim de submeter os prisioneiros a uma vigilância permanente e poder reinserí-los no sistema produtivo. Pretendia estender esse plano a todas as instituições de educação e de trabalho”.

O termo também ficou esclarecido no capitulo III - O Panoptismo – da obra de Foucault Vigiar e Punir (1987), e no capítulo XIV - O Olho do Poder – do livro Microfísica do Poder, do mesmo autor onde fica claro como esta estruturação arquitetônica para zoológicos, presídios, escolas, hospital etc. é assimilada politicamente com a nítida intenção de exercer controle sobre os corpos, disciplinando-os conforme sua conveniência. O Grande Irmão, o Big Brother, o poder hegemônico é a metáfora do Panóptico que a tudo vê (Fig.02) e controla (Fig.03). E nesse contexto, o da mídia, como instrumento cultural, também se situa a Internet,

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que pode se prestas a manutenção do status qüo do hegemônico e, quem sabe, até, ao exercício do panoptismo para a alienação e controle, ou seja, exercício do poder.
Fig.02

Na

realidade,

o

surgimento

do

www.glssite.net buscava trilhar este caminho, do emancipatório e do esclarecimento e essas descobertas só vieram corroborar o que eu pensava: muitas vezes,

hegemonia e alienação estão interligadas porque a alienação é uma ferramenta do hegemônico. Por outro lado, o
Fig. 03

conhecimento pode lhe proporcionar à emancipação. Por isso a importância de pesquisar constantemente se o site está orientado realmente por um paradigma emancipatório em Educação Sexual, oportunizando a desconstrução de mitos e tabus, de pseudoverdades que incluem normatizações e naturalizações de práticas relacionadas à sexualidade humana. Entendo que a sexualidade é um tema sobre o qual o ser humano, de uma maneira geral, na construção sócio-histórico-cultural da sociedade ocidental cristã, foi proibido de discutir emancipatória e conscientemente. Com essa redução esse ser humano está empobrecido, tem seus direitos expropriados, inclusive na dimensão da sexualidade. E é na luta contra essa redução que o site continua. Mas, enquanto buscava um fio condutor mais central para este trabalho tentava perceber o nexo em estar com um trabalho voltado para a emancipação e

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esclarecimento de uma parcela muito privilegiada de nossa sociedade – a parcela que tem acesso a uma mídia mediatizadora global – a Internet. Perguntei-me algumas vezes: até que ponto há a necessidade de possibilitar às pessoas com orientação sexual distinta daquela estabelecida pelo poder hegemônico como “normal” e “natural”, as ferramentas22, através do instrumento23 chamado computador, que possibilita acesso a Internet para que possam interpretar a sociedade em que vivem, os mecanismos que agem, as relações de poder que se estabelecem, enfim? Haveria a necessidade de uma afirmação da identidade GLBT em nossa sociedade? E ainda, haveria a necessidade dessa atividade que justificasse a minha hipótese dos Direitos Sexuais como Direitos Humanos como se eles assim já não o fossem? Isso não funcionaria exatamente ao contrário do que esperava, ou seja, ao reapresentar o que me parecia óbvio, não estaria fragmentando ainda mais o entendimento do global, ou seja, que Direitos Humanos são para todos e todas e que o diferente, o estranho, o “não-hegemônico”, o “não-natural”, o “não-normal”, ou seja, a diversidade sexual, é própria da humanidade? Foi nesta caminhada que encontrei mais um cúmplice, Dermeval Saviani, que em seu livro – Escola e Democracia -, trata da Teoria da Curvatura da Vara. Mas, afinal, o que significa isso? Saviani explica-a da seguinte maneira, na página 37:

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Entenda-se ferramenta, aqui no sentido vygotskyano de mediação simbólica. Para mais informações recomendo a leitura de Marta Khol de Oliveira – Vygotstky – Aprendizado e desenvolvimento. Um processo sócio-histórico (1999, p.25). 23 Rabardel (2003) pensa “instrumento” como algo antropotécnico, ou seja, pensados ou concebidos em função do ser humano (antropocêntrico) e inclusive propõe a substituição do termo “artefato” por “instrumento” devido às múltiplas possibilidades de relacionamento com o mesmo.

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“Conforme Althusser (1977, pp.136-138), ela foi enunciada por Lênin ao ser criticado por assumir posições extremistas e radicais. Lênin responde o seguinte: quando a vara está torta, ela fica curva de um lado e se você quiser endireitá-la, não basta colocá-la na posição correta. É preciso curvála para o lado oposto”.

Talvez este seja o momento de “curvar a vara” para o lado oposto na questão dos Direitos Sexuais como Direitos Humanos e essa teoria deve me acompanhar nos meus objetivos. Portanto, elejo como área temática do trabalho a relação entre educação e sexualidade e como recorte específico a questão da mídia Internet e sua possível contribuição para uma proposta de educação sexual emancipatória. A partir da questão problematizadora central: quais as possibilidades da Internet colaborar para a reflexão sobre educação sexual, direitos sexuais e humanos e de um site especializado, ainda que com acesso limitado a poucas pessoas, possa ser uma mídia que possibilite uma reflexão crítica, emancipatória e libertadora por parte de seus (suas) usuários (as)? defino meu objetivo geral: investigar essas possibilidades. Nessa mesma linha, tornam-se objetivos específicos da pesquisa: - Desafiar os (as) freqüentadores (as) do site a exporem o entendimento que têm sobre Direitos Sexuais como Direitos Humanos. - Levantar indicadores da compreensão dos pesquisados e pesquisadas sobre a relação entre os Direitos Sexuais como Direitos Humanos. - Aperfeiçoar o site a partir dos resultados da pesquisa, numa linha emancipatória.

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Como caminho metodológico opto por realizar uma pesquisa de cunho qualitativo numa abordagem dialética. Serão executadas as seguintes etapas neste trabalho: - Revisão bibliográfica sobre temas centrais necessários ao trabalho: educação, sexualidade, poder e Internet virtual, pelo www.glssite.net, com a finalidade de saber qual o entendimento que seus (as) usuários (as) têm sobre Direitos Sexuais como Direitos Humanos. - Análise dos dados através da Análise de Conteúdo de Bardin (1977). - Elaboração de propostas pedagógicas para aperfeiçoamento do site e de outros instrumentos de mídia. Como já afirmei anteriormente tenho como cúmplices preferenciais neste trabalho como Jüngen Habermas, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, Karl Marx, Lev Semenovich Vygotsky, Michel Foucault, dentre outros. Dialogando com eles defino a seguir as categorias que são fundamentais neste trabalho no seu ponto de partida. Quanto ao caminho metodológico, começo pela categoria Construto Cultural / Construção Cultural: estes termos significam que todo o conhecimento é uma produção histórico-cultural, devidamente localizada no tempo e no espaço, como bem deixaram claro Marx e Vygotsky. Não se trata pura e meramente do termo – construtivismo - que vamos encontrar em Gaston Bachelard, considerado o pai da epistemologia contemporânea, por exemplo, mas, no sentido “da dialética das relações entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido (mundo exterior)”, como encontramos em (JAPIASSU ,1996, p.53).

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Conforme Triviños (1987)

“O Materialismo dialético apóia-se na ciência para configurar sua concepção do mundo. Resumidamente, podemos dizer que o materialismo dialético reconhece como essência do mundo a matéria que, de acordo comas leis do movimento, se transforma, que a matéria é anterior à consciência e que a realidade objetiva e suas leis são cognoscíveis. Estas leis básicas caracterizam essencialmente o materialismo dialético”.(TRIVIÑOS, 1987, p.23).

O fato é que, as pesquisas de cunho positivistas (que surgiram com Augusto Comte) sempre foram amarradas ao conteúdo, ao dado com outras informações. São comparativas neste sentido e, impossibilitam uma leitura mais interpretativa das realidades estudadas. Aliás, uma das características do positivismo é a de não aceitar outra realidade que não sejam os fatos observáveis. Sempre estava ligada mais ao “como” do que ao “porquê” se produzem às relações entre os fatos. Em (JAPISASSÚ, 1996, p.71) vamos encontrar, também, a informação de que:

“[...]3. Em Hegel, a dialética é o movimento racional que nos permite superar uma contradição. Não é um método, mas um movimento conjunto do pensamento e do real.[...] Para pensarmos a história, diz Hegel, importa-nos concebê-la como sucessão de momentos, cada um deles formando uma totalidade, momento que só se apresenta opondo-se ao momento que o precedeu: ele o nega manifestando suas insuficiências e seu caráter parcial; e o supera na medida em que eleva estágio superior [...]. (JAPIASSÚ, 1996, p.71).

Mais tarde, conforme Japiassú (1996), Karl Marx vai se apropriar deste conceito de Hegel juntamente com Engels e formalizar o método dialético. Em Triviños (1987) vamos ler a afirmação de que a dialética é a luta dos contrários, a lei da contradição. Isto é o que norteia o meu caminho metodológico

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nas análises de conteúdo feitas através de Bardin, para quem este tipo de análise é “um conjunto de técnicas de análise das comunicações”.(BARDIN, 1977, p.31). Em suma, o que pretendo dizer, numa linguagem mais coloquial é que, apesar de a Internet estar sendo usada de forma hegemônica, ela é uma construção humana. Alerto então para o fato de que, se é uma construção humana, existe uma maneira de romper com ela (a hegemonia repressora), mesmo através da disponibilização educativa e política de um site que permita uma relação dialética não só com a temática do mesmo, mas que leve as pessoas a refletirem sobre a própria existência da Internet e como ela vem sendo usada. Em seguida, trabalho com a categoria Emancipatório / Emancipação: a emancipação adota o sentido da pessoa devidamente esclarecida “quanto aos mecanismos de alienação e de manipulação ideológica presentes no sistema, e na revelação de verdades [...]” conforme (PUCCI, 1995, p.48). Para Adorno (op.cit.p.61)

“[...] o objetivo da educação estaria na emancipação (“Muendigkeit”), termo que associa maioridade à autonomia da “voz ativa” (“Mund”=boca) como momento fundamental do ser esclarecido[...]”. Num debate ocorrido na rádio de Hessen, transmitido em 14 de abril de 1968 entre Adorno e Becker, a temática era Educação e Emancipação. Pois, bem! Conforme ADORNO (1995 p.169) citando Kant, a emancipação metaforicamente estaria ligado à menoridade e maioridade, como já foi dito acima e, ele cita um breve ensaio daquele (Kant) intitulado “Resposta à Pergunta: o que é esclarecimento?”[...]”Esclarecimento é à saída dos homens da sua autoculpável menoridade”.

A este propósito, tanto Adorno quanto Horkheimer explicam melhor sobre o conceito de esclarecimento em Dialética do Esclarecimento (1985), mas não é meu propósito me aprofundar neste quesito, neste trabalho.

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Outra categoria que surge como ponto de partida do meu trabalho é a de Mediação: conforme (OLIVEIRA, 1997 p.26),

“Um conceito central para a compreensão das concepções vygostkianas sobre o funcionamento psicológico é o conceito de mediação. Mediação, em termos genéricos, é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação; a relação deixa de ser direta para ser mediada por esse elemento”.

O www.glssite.net é um produto multimídia, podendo ser utilizado como instrumento de mediação, para educar, emancipar e esclarecer também quanto ao poder. Podemos falar numa irreversibilidade da implantação das tecnologias da informação e comunicação – TIC nos processos educativos que irão mudar significativamente a forma como vemos e exercemos a educação. Este processo não diz respeito somente aos novos métodos. Também implica numa mudança significativa em relação à quantidade e a qualidade das informações que, mediatizadas devidamente, proporcionarão novos conhecimentos. Neste sentido Belloni (2001, p.6) fala de uma educação voltada para a autodidaxia, ou seja, aquela centrada no utilizador e para isso ela aponta duas razões:

“[...] entender como funciona esta autodidaxia para adequar métodos e estratégias de ensino; e assegurar que não se percam de vista as finalidades maiores da educação, ou seja, formar o cidadão competente para a vida em sociedade o que inclui a apropriação crítica e criativa de todos os recursos técnicos à disposição desta sociedade”.

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Ao mesmo tempo em que ressalta estes pontos ela nos faz dois questionamentos importantes:

“Como poderá a escola contribuir para que todas as nossas crianças se tornem utilizadoras (usuárias) criativas e críticas destas novas ferramentas e não meras consumidoras compulsivas de representações novas de velhos clichês? [...] Como pode a escola pública assegurar a inclusão de todos na sociedade do conhecimento e não contribuir para a exclusão de futuros ”ciberanalfabetos” ?” (BELLONI, 2001, p.8).

E, nos apresenta sete motivos que devem nos levar a ensinar as mídias, nas escolas, a saber:

“O consumo elevado das mídias e a saturação à qual chegamos – a importância ideológica das mídias, notadamente através da publicidade – a aparição de uma gestão da informação nas empresas[...] -a penetração crescente das mídias nos processos democráticos[...] – a importância crescente da comunicação visual e da informação em todos os campos[...] – a expectativas dos jovens a serem formados para compreender sua época[...] – o crescimento nacional e internacional das privatizações de todas as tecnologias da informação[...]”.(MASTERMANN (1993) apud BELLONI, 2001 p.10).

Para Belloni as TIC só fazem sentido se realizadas em suas duplas dimensões: como ferramentas pedagógicas e como objetos de estudo. Conforme relata para a UNESCO, a educação para as mídias relaciona-se diretamente com a educação para a cidadania e democratização das oportunidades educacionais e do acesso ao saber. Isso fica bem evidente no momento em que sabemos do sucesso das várias formas de ensino à distância – EAD, que têm oportunizado o estudo e a atualização para pessoas de variados segmentos da sociedade, seja por questões geográficas, seja por questões relativas a disponibilidade de tempo.

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Portanto, somos sujeitos que, no contexto sócio-cultural, elaboram seus próprios signos relacionais e têm a capacidade de aprimorar as tecnologias disponíveis para tal. Com o surgimento do computador passamos a contar com um instrumento24 complexo e dotado de várias ferramentas úteis, principalmente no que diz respeito ao texto. Com o advento das interconexões possibilitadas pela Internet, o computador passa a juntar-se aos demais eletrodomésticos e torna-se uma ferramenta multiuso (como se fosse um “cybercanivete” suíço) de pesquisa, socialização, estudo, etc, onde a informação vira moeda de negociação; portanto (do ponto de vista foulcaultiano), a informação vira poder.

Outra categoria importante, parte do meu eixo das reflexões iniciais para a pesquisa, é a da multimídia. Nela, incluo a Internet. E, por último, chego à categoria Poder. Uso principalmente as obras de Michel Foucault: “Vigiar e Punir”, onde trabalhou principalmente sobre como tornar os corpos dóceis, à base da punição e do controle através da tecnologia da disciplina (FOUCAULT, 1987, p.161), além de tornar claro o princípio do panoptismo de Jeremmy Benthan e “Microfísica do Poder” (FOUCAULT, 1996, p.111), em que apresenta a idéia de “como o poder pode ser considerado explicativo da produção dos saberes”. Trabalho com base no entendimento de que o poder não se encontra num lugar específico, mas ele transita entre tudo e todos. É apropriado e delegado conforme as

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conveniências. “O poder não existe [...] Na realidade, o poder é um feixe de relações mais ou menos piramidalizado, mais ou menos coordenado” (FOUCAULT, 2001, p.248). Foucault não chegou a fazer uma taxionomia do poder. Ele esteve mais preocupado em fazer um estudo semiótico25 sobre a representatividade, os significantes e significados do poder em diversas instâncias, inclusive na sexualidade, e que foi bem constado em sua última obra: a “História da Sexualidade” volumes I, II e III. Essas são as premissas básicas que me remetem à busca dos fundamentos pedagógicos no capítulo que segue.

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No sentido de Vygotsky, “um elemento mediador”.(OLIVEIRA. p.27). Ciência geral de todos os sistemas de signos, conforme (JAPIASSÚ, 1996, p.244).

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CAPITULO 1

Refletindo sobre a Internet

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A Internet pode ser considerada a mais sofisticada rede de comunicações que a tecnologia humana já pode conceber, até o presente momento, não só pelo seu caráter global, mas, também, multimídia26. Nascida, inicialmente, para fins militares, ela passou a ser o elo entre as comunidades científicas na última década e, posteriormente, passou ao domínio público, proporcionando troca de informações e encontros virtuais entre pessoas localizadas nos mais remotos lugares do nosso planeta, tal qual uma enorme teia, ao redor da Terra. Este instrumento fantástico, que utiliza milhares de quilômetros de cabos telefônicos, rádios-transmissores e satélites é o mais novo espaço de comunicação criado pela humanidade. Entendido por muitos como ”mundo virtual”, apresenta gigantescas comunidades residenciais e de negócios através dos chamados “portais”. Nos espaços virtualizados podemos encontrar setores destinados a depósitos de informações especializadas sob a forma de sítios (sites). Sites esses, que podem ter várias páginas (homepages). Neles há informações que podem tratar de vários assuntos, desde comércio entre empresas (busines to busines), usando servidores próprios, provedores de acesso ou shoppings virtuais, comércio entre a indústria ou revendedora com o/a consumidor/a (business to consumer) e o peer to peer - a mais recente forma de interação entre indústrias e/ou com revendedores/as sem a intermediação de um

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Ver glossário.

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provedor de acesso, onde o computador de um acessa uma parte do computador do outro. Sites em que você pode apresentar um currículo particular, com os dados de uma determinada pessoa buscando por emprego. Estes sites se prestam também, a encontros virtualizados entre duas ou mais pessoas que, para isto, podem se utilizar de vários programas, os chamados chat´s27, como por exemplo o programa denominado IRC28, ou ainda, as salas de bate-papo de imensos portais, como aquelas encontradas no UOL, Terra, IG, Ibest, Yahoo, Globo, só para citar alguns. À medida em que os diversos sites são criados e organizados segundo os princípios ideológicos de seus autores, a Internet acaba se constituindo num espaço pluralmente articulado de formação e informação, regulado por relações de poder verticalizadas e horizontalizadas. Se de um lado as informações ideologicamente conservadoras e sectárias, podem induzir à formação de pessoas alienadas, reforçando as posturas preconceituosas e unilaterais, por outro, há quem acredite que a Internet possa também estimular a cidadania plena e as mudanças sociais para um mundo mais democrático e igualitário.

“Tapscot defende a tese de que a tecnologia assumiu definitivamente a distribuição do conhecimento e a distribuição do poder, forçando uma mudança radical nas relações entre o Estado e o cidadão. Excessivamente informado e com todo o ferramental de comunicação ao alcance das mãos, o cidadão se torna cada vez mais consciente e impaciente com a
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Bate papo. Internet Relay Chat –sistema que permite a muitos usuários conversarem em tempo real através da Internet.

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inoperância político-burocrática dos governos, passando a agir mais fortemente para uma mudança mais radical nesta relação” (SANTOS, 1999, p.d2).

Portanto o mundo virtual constitui-se numa forma pela qual as pessoas acreditam estar subvertendo o que está estabelecido, ao menos nas relações interpessoais, uma vez que o anonimato garante o exercício pleno das exposições dos mais profundos desejos, sejam relacionados ao amor, ao sexo, ao carinho, entre os gêneros masculino, feminino e transgêneros, com pessoas de diferentes orientações sexuais, geograficamente dispersas, etc. Desta forma, ela apresenta-se não apenas como esse novo instrumento da multimídia que pode servir aos propósitos mercantilistas e de lazer, mas também à Educação e nela a Educação Sexual de seus usuários e usuárias e dos educadores e educadoras sexuais, que todos e todas somos. Entendo a sexualidade como uma construção sócio-histórico-cultural, e com características distintas em cada sociedade. Todavia percebo que estas

características sofrem um questionamento, quando confrontadas com o paradigma29 hegemônico de sexualidade imposto pelo dito primeiro mundo ocidental cristão. Este paradigma hegemônico está baseado em valores histórico-culturais judáicocristãos que prescrevem a única aceita relação heterossexual com fins procriativos, dito “normal” e “natural”, quando são e essencializadas as funções dos aparelhos sexuais, denominados por eles (e, em muitos livros sobre biologia e educação

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O conceito de paradigma, aqui, é o de modelo.Um padrão. Conceito que se aproxima do de Thomas S. Kuhn, onde paradigma é um modelo epistemológico (conhecimento).

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sexual) como “aparelhos reprodutores”, cujo conteúdo está destituído do direito ao prazer. Desta forma, a ideologia por detrás do paradigma hegemônico é essencialmente heterodominante e excludente quanto às demais formas de conjugação sexual e afetiva. Isto, por exemplo, abre um precedente para a existência de movimentos homofóbicos. Sem dúvida, a importância desta pesquisa está na busca da ampliação e difusão de conhecimentos relevantes sobre a sexualidade humana, através de um instrumento da multimídia moderna, abrangente e eficiente (a Internet). Um espaço, um site, que certamente se constituirá num local de permanente consulta e discussão para educadores e educadoras sexuais, daí sua

responsabilidade. Através dessa troca (feedback), as pessoas poderão contribuir para o aprimoramento desse veículo de formação e informação de opiniões, visando o exercício da cidadania plena e real e a construção de uma sociedade com mais conhecimento e baseada nos direitos a livre expressão sexual de seus cidadãos e cidadãs. Lendo a introdução da dissertação de Bittencourt (1999, p.8) , encontro a seguinte afirmativa:

“Com grande crescimento do potencial interativo introduzido pela Internet, e levando em conta a educação como um todo, a modalidade educação a distância transformou-se em com uma excelente alternativa, pois além de atender um grande número de pessoas que estão dispersas geograficamente, e conseguir atender aos anseios do sistema educacional convencional, através da EaD é possível desenvolver nos indivíduos

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participantes,o nível de consciência capaz de dar possibilidades de refletir e transformar a sociedade.”

É também desse autor a constatação de que:

“Com a expansão das Redes de Computadores e, principalmente com o advento da Internet surgiu a Comunicação Mediada por Computador (CMC – Computer Mediated Communication). Segundo Lohuis apud Otsuka (1996) , CMC é qualquer sistema capaz de apresentar e/ou transportar informações de um computador para uma pessoa ou de pessoa para pessoa e por meio dos computadores. A CMC possibilitou uma comunicação muito mais rápida, intensa e eficiente, e introduziu um grande número de novos recursos, provendo o maior enriquecimento das comunicações.”

Nesse momento percebo que não posso falar sobre a temática educação, sexualidade e Internet sem falar também sobre a reprodução, no mundo virtual da exclusão que ocorre no plano do mundo dito real. O economista, empresário, o escritor e estudioso da World Wide Web, Jack, deu uma entrevista para o repórter André Borges da revista Internet Business ( 2002, p.58), onde diz:

“IB - vamos falar um pouco do acesso à rede e, que ainda se restringe algo em torno de 7% da população. As ações de popularização da Internet, promovidas pelo governo e o setor privado, estão no caminho certo? London - sobre este assunto temos uma primeira questão, que deve ser melhor esclarecida. Trata-se da chamada exclusão digital, que é muito debatida, mas da qual tenho uma visão diferente da usual. Sabemos que a força da Internet é tamanha e que penetra na vida do cidadão de tal maneira que traz, consigo, a discussão sobre os limites e a sua inserção social.

E, continua:

Como temos 11 milhões de usuários, logo se conclui que há uma exclusão social e, como se isso fosse um calcanhar de Aquiles da Internet ou um equívoco da organização da rede como instrumento econômico e que pudesse colocá-la em xeque. Temos 7 milhões de assinantes de jornais

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diários no Brasil, menos de 3 milhões de assinantes de revistas. Sabe quantos usuários a TV a cabo tem? Quatro milhões. E quando se discute a questão da imprensa, você não ouve falar em que exclusão de mídia impressa e o do cabo. Isto quer dizer que o fenômeno não é digital, mas social, do conhecimento. A Internet foi o veículo que conseguiu, no mais curto espaço de tempo, chegar a menor exclusão. O que deve ser discutido é a exclusão do conhecimento a, que não é limitada pela Web, mas por uma questão da organização da sociedade como um todo.“

Tudo isso me leva a perceber e destacar, registrando a importância mediadora da Internet, seja para incluir ou excluir pessoas, seja qual for a abordagem, o currículo oculto, desse processo.

Reflexões sobre mediação Criar um site voltado à Educação Sexual não é tão simples como parece ser. Há muito mais fatores envolvidos do que apenas a parte técnica relativa às tecnologias, os hardwares30, softwares31, linguagens de programação e escrita HTML.32 O site deve servir como um instrumento que remeta à uma reflexão permanente por parte de seus usuários e usuárias. Ele deve proporcionar cada vez mais uma mediação necessária a uma compreensão cada vez mais aprofundada de conceitos que devem ser abstraídos. Conforme o pensamento de Rabardel (2003), na medida em que vou me apropriando dos objetos, vou modificando minha forma de pensar. Isso quer dizer que, na medida em que as pessoas vão se “apropriando” de um site emancipatório tal qual o www.glssite, há grande possibilidade de elas mudarem suas formas de pensar. E, à medida que me aproprio de algo, modifico a própria ferramenta, principalmente por conta da mediação que estabeleço com ela.
30 31

Parte física de um computador - material eletrônico, monitor, periféricos, placas etc. Sistema de processamento de dados de um computador. Programa de computador.

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Mas afinal, o que seria essa mediação? À luz de Vygotsky (1997), em termos genéricos, mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação: a relação deixa, então de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento. Ao invés de ser só estímulo e respostas, tem um elo de ligação. O mediador é quem ajuda a concretizar um desenvolvimento que a pessoa ainda não atinge sozinha. Assim, na escola professores e professoras, os (as) colegas mais experientes são os (as) principais mediadores. Conforme Morgado (1998).

“Um dos conceitos mais úteis e importantes de Vygotsky (1974) para esse domínio é a zona de desenvolvimento potencial. O autor procura explicar a distância entre o nível de desempenho atual das crianças e que aquilo que ela não é capaz de fazer sozinho, mas que pode realizar com o apoio de um colega ou de um adulto. A aprendizagem, quando ocorre, situa-se nessa zona.

E continua o autor relembrando:

Pode-se afirmar que, em parte contrariando Piaget (1977), para quem a aprendizagem deve seguir o desenvolvimento, para Vygotsky é a aprendizagem que promove o desenvolvimento, ao intervir e estimular exatamente na zona de desenvolvimento potencial [...] Esse autor defende que a “interação social ela é a origem e o motor da aprendizagem e do desenvolvimento intelectual” [...] a interação social é o “ponto de partida de uma condenação cognitiva cujos efeitos se manifestam posteriormente nas produções individuais”.

32

HypertText Mark-Up Language - Marcador de Hipertexto. É a linguagem usada para escrever um documento World Wide Web.

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O site e todos os seus elementos caracteriza-se sempre como instrumento de mediação, seja para a emancipação, ou não! Instrumento33 aqui entendido como um Elemento que é interposto entre usuários (as) e o conteúdo, ou seja, é a interface34 que amplia as possibilidades de reflexão. A Internet (e nela o www.glssite.net) um instrumento do mediador ou mediadora. No caso do educador ou educadora, em sua relação com usuários e usuárias do Glssite.net; e entre os usuários e usuárias, relacionando-se entre si, ele torna-se uma excelente ferramenta de pesquisa e construção do saber. Na realidade, partindo do pressuposto de que, neste momento histórico, a Internet e nela o www.glssite.net, é parte integrante da mídia de massa (mass media35) sendo um nicho constituído de um pequeno número de pessoas privilegiadas economicamente, todos (as) os (as) esses (as) usuários (as) são sempre, e cada vez mais, educadores (as) e educandos (as) uns dos outros e portanto, todos (as) sempre mediadores (ras), assim como busca ser mediadora na perspectiva emancipatória a proposta pedagógica do construtor do site

www.glssite.net. E qual seria essa base pedagógica? Busca-se no site trabalhar e propor conteúdos voltados inicialmente à crítica à tradição racionalista proposta pelo materialismo histórico, ampliada pela Teoria Crítica.

Teoria Crítica e o Direito a Informação – Mass Media, Alienação, Mediação.
33

No sentido de Pierre Rabardel (2003), “Proponemos um modelo que sitúa al instrumento como tercer pólo entre el sujeto y el objeto (em el sentido filosófico del termino.” 34 Meio através do qual o usuário de computador interage com um programa, o sistema operacional.

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O Materialismo Histórico é teoria formulada por Karl Marx (1818-1883) que busca tecer uma crítica à tradição racionalista. Todavia, entendo que essa teoria não deu conta de explicar toda a sociedade e as relações humanas presentes nela, pois estava centrada, na época, na questão material da sociedade e na estrutura econômica das mesmas. Já, como vimos, a Teoria Crítica, surgida a partir dos anos 30, através de pensadores tais como Max Horkheimer e Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno e, posteriormente, Jüngen Habermas, dentre outros, busca dar ênfase à concepção materialista da história, mas usando para isso também a dimensão cultural. Entendo que a dimensão que hoje mais se aproxima das tendências atuais na teorização educacional crítica é exatamente a dimensão cultural, que tem como metas a busca do real além dos fatos, a denúncia dos totalitarismos, o desmascaramento das manipulações ideológicas, a busca da autonomia do homem e da mulher, e a libertação da humanidade da ignorância. Ao fazê-lo, a Teoria Crítica propõe desencadear a auto-reflexão, levando os agentes sociais a saírem da condição de “objeto” e a colocarem-se como “sujeitos” do processo educacional. Essa perspectiva foi e continua sendo fundamental para a criação e manutenção pedagógica do site de Educação Sexual. Também Chomsky e Dieterich (1999, p.211), ao tratarem do tema “socialização no ciberespaço”, categorizam os indivíduos atingidos pelas mass media, principalmente a televisão:

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Para Houais (2001) é o conjunto dos meios de comunicação de massa (jornal, rádio, televisão, etc.).

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“Para este exército industrial de reserva e o crescente exército de pessoas e lumpenizadas, a ”educação“ fica nas mãos da televisão é a função dos meios de comunicações audiovisuais impedir que a crescente desintegração familiar, a fracassada socialização escolar, a crescente violência se viu e as conseqüências pessoais que resultam do desemprego estrutural e da reprodução atrofiados, gerem com um potencial desestabilizador incontrolável para o regime.

E prossegue dizendo que:

No seu clássico ensaio (afirmativo) sobre necessária doutrinação das massas na democracia liberal, Edward L. Bernays define os meios de comunicação de massa como” portas abertas à mente pública “(open doors to the public mind), que devem ser utilizadas para a ”fabricação do consenso” - em benefício da classe dominante [...] Hoje, estas portas estão abertas em nível mundial, e as transnacionais da imagem entram por elas como se estivessem em sua própria casa, implantando a ”verdadeira essência do processo democrático” até no último o rincão do submundo capitalista.”“.

Para os autores acima citados, desde a década de 80, nós estamos vivenciando a quarta revolução informático-cultural da época moderna, tendo sido a mesma precedida pela invenção da imprensa, em 1445, que gerou uma cultura escrita universal para uma elite informativa; depois o emprego do rádio, nos anos 20 do século XX, fez aparecer uma cultura auditiva de massas, seguida pela evolução comunicativa das imagens da televisão e nos anos 50. A quarta revolução, para Chomsky e Dieterich (1999) “Teve por base o uso massivo dos computadores, a partir da década de 80, e atualmente estamos vivendo a revolução da multimídia”. Em seguida, definem:

“Por ”multimídia” entende-se a convergência das funções do telefone, da televisão e do computador numa só tecnologia, o que permite a comunicação instantânea mediante a transmissão de imagens, dados e vozes (grifo meu). Com este o último desenvolvimento, está-se criando a cultura cibernética, que a primeira cultura realmente universal na história do homem.“(p.216).

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A seguir, também fazem a seguinte comparação:

“Trata-se de um verdadeiro sistema neurológico mundial - uma gigantesca rede de transmissores e receptores que interage, e mediante agentes” neurotransmissores “eletrônicos -, que permite o ser humano comunicar-se em tempo e espaço do real à semelhança do cérebro humano, cuja rede de mais de 100 bilhões de neurônios transmite informação por meio de neurotransmissores químicos”.(p.217).

Finalizam, afirmando:

“Enquanto as bases tecnológicas o do ciberespaço são uma digitalização ( a elaboração da informação em forma binária ) e a multimídia, seu enorme potencial de doutrinação a capacidade de criar um mundo novo, próprio e global: a realidade virtual. Este é um sonho de controle ideológico, por que o novo mundo global está sendo criado a imagem de um punhado de empresas transnacionais e, que operam longe de qualquer controle democrático das maiorias que constituem o objeto da sua atividade.” (p.216-217).

De forma profética, ambos autores afirmam que o ciberespaço36 será dicotômico e se constituirá de duas dimensões, sendo uma voltada para a elite (como banco de dados, jornais, informação econômica, conferências de especialistas etc.) e outra para a doutrinação das massas. Portanto está o ciberespaço também “minado” pela questão do poder.

Conceito de Poder – a Internet sob a Ótica de Foucault

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Espaço cibernético, máquinas movidas a programas utilizadas por pessoas.

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Ao dialogar com Michel Foucault aprendi que o poder emana de tudo e de todos. Ele (o poder) não tem uma direção, não é linear, mas constitui e é constituído. Isto equivale a dizer que o poder como tal pode ser exercido através de múltiplas linguagens e signos. O poder pode ser delegado, apreendido; às vezes é sutil e subliminar. Na Internet encontramos o poder tanto na esfera dos discursos, que impregnam os hipertextos bem como nos signos, nos fetiches “pixelizados”37 que demandam o consumo em esfera global. Aqueles (as) que acreditam estar subvertendo as identidades civis, “enganando” a Internet, essa potencialidade incorpórea, portanto, virtual, através de um codinome qualquer, um nick (um apelido), “hackeando”38 sites, estão tremendamente enganados. Todos (as) têm uma função específica, que é a de reproduzir virtualmente o que é, no mundo tangível, real. A internet, como instrumento, é muito mais poderosa do que se pensa. Afinal de contas, como cita Weininger (2001, p.1), em seu trabalho: “O uso da Internet para fins educativos”:

"[...] a Internet não deve ser apenas encarada como milhões de computadores, cujos recursos podem ser compartilhados, e sim como os milhões de seres humanos atrás das telas e dos teclados: cientistas, professores, alunos e pais, que podem entrar em contato como pessoas, fazer perguntas ou respondê-las, discutir, trocar informações e dicas, colocar opiniões, divulgar informações e muito mais, independentemente do tempo e do espaço.”

Pixel . [Ingl., derivado de picture element, 'elemento de imagem', < pix [pl. de pic, abrev. de picture] + el(ement).] S. m. Inform. 1. A menor unidade gráfica de uma imagem matricial, e que só pode assumir uma única cor por vez. [É o tamanho ou extensão do pixel que determina o grau de resolução da imagem: quanto menor for aquele, maior será esta.]. 38 Hackers são programadores que invadem sites para demonstrar a fragilidade do sistema de segurança.

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32

Trazendo o discurso ao foco deste trabalho, a questão que se coloca é: é possível se apropriar deste espaço virtual para fazer contraposto ao que está estabelecido e que faz a manutenção do estado atual das coisas, o “status qüo?”. Minha reflexão admite duas respostas: sim e não. Se num primeiro momento posso trabalhar num contexto de produzir informações que vão gerar conhecimentos de cunhos emancipatórios e libertadores, que podem ser alcançados por qualquer pessoa localizada geopoliticamente em qualquer canto deste planeta, isto é, proporcionar uma educação emancipatória que pode ser socializada em escala planetária, por outro lado não posso me esquecer do custo financeiro, direto ou indireto, que esta atividade implica. De uma maneira mais simples, posso produzir informações a partir de minha residência e arcar com as despesas financeiras que isto implica ou de uma instituição pública quando, no final das contas, vou descobrir que faço parte dos (as) contribuintes que pagam os impostos que custeiam a rede de Internet daquela mesma instituição. Não há escapatória. Frente ao exposto, enquanto falo das possibilidades de uma educação emancipatória através desta nova multimídia para os (as) “ciberincluídos”, o que fazer com a grande parcela de “ciberexcluídos” vítimas das outras facetas da mass media? Esta é uma interrogação que me leva a reflexão de que devemos ter em mente também a questão da alienação, a descontextualização a que somos reintegrados (as) consecutivamente para que não possamos abstrair a realidade da mesmice que

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muitos (as) de nós vivemos. E, a partir deste ponto, reflito sobre as possibilidades de resgate de nossos direitos, de nossa cidadania.

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CAPITULO 2

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De acordo com o site www.oestado.com.br, de 29 de junho de 2000 um documento da ONU - Organização das Nações Unidas informa que milhões de pessoas vivem sem direitos. Conforme o jornalista Rolf Kuntz, do referido jornal:

"O mundo encerra o século 20 carregando problemas do século 19, com 1,2 bilhão de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia, mais de 1 bilhão sem acesso a água limpa no mundo subdesenvolvido, 2,4 bilhões sem saneamento, 790 milhões de indivíduos subnutridos, 100 milhões de crianças morando ou trabalhando nas ruas e, como novidade, 34 milhões de infectados com HIV. O ódio racial, religioso e contra minorias sexuais continua provocando violência." (2001).

Mais adiante, ele continua comentando o fato e faz uma interrogação: "Esses números são tratados no relatório como negações dos direitos humanos, tais como definidos em documentos assinados por governos da maior parte dos países. Como cobrar a efetivação desses direitos”? Este documento aponta para três dificuldades essenciais a serem tratadas imediatamente. A segunda delas nos chama a atenção:

"2) Falhas de jurisdição - os mecanismos de efetivação dos direitos humanos são fracos, enquanto os acordos comerciais são sustentados por meios de imposição. Daí as pressões para inclusão dos direitos nos acordos de comércio. Também as empresas transnacionais "podem ter enorme impacto nos direitos humanos", afirma o relatório, mas as leis internacionais se aplicam a Estados, não a corporações. Se algumas delas adotaram códigos em relação ao problema, foi por sua iniciativa ou em resposta a pressões."

Neste particular, percebo que os direitos humanos viraram moedas a serem negociadas fora da jurisdição da ONU e, "moedas", no sentido que está se

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colocando aqui, é mesmo no sentido mercantil. Obviamente, no sentido foulcaultiano, para muitas pessoas, direitos humanos e poder financeiro podem até se equiparar. Reafirmo que tanto na esfera econômica como no campo do direito humano há relações de poder e, são estas relações de poder que acabam se tornando o fio condutor central, em muitas circunstâncias. Sigo buscando então o esclarecimento se é possível, e como essa rede da qual procuramos nos apropriar, a Internet, pode promover uma possível educação emancipatória. Digo "possível", não porque os instrumentos podem não estar lá; as informações podem não estar, por um motivo ou outro, mas sim porque pode acontecer de “tudo” estar lá e a pessoa optar simplesmente pelo oposto, mesmo com o esclarecimento. Em 2001, um documento encaminhando a VI Conferência Nacional dos Direitos Humanos expedida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em 05 de junho de 2001, intitulado “Conferência Aprova Ações contra Impunidade e Propõe Sistema de Proteção dos Direitos”, já dava o tom e a palavra-chave a ser perseguida na luta por inclusividade e reconhecimento de que ninguém pode ser discriminado(a) com base em sua orientação sexual. A impunidade sempre esteve ligada historicamente às questões de Direitos Humanos em quase todos os 19339 países neste nosso planeta. E, foi neste sentido
39

Uma pergunta sobre geografia muito freqüente é "Quantos Países existem no mundo?". A quantidade de números diferentes que se ouve ou se lê é inacreditável, pois a maioria das fontes utiliza critérios diferentes do que os que realmente identificam um País. Dependendo da fonte, encontraremos como resposta 189, 191, 192 ou 193 países independentes no mundo. Sabemos que existiam 189 países membros das Nações Unidas, até 03 de março de 2002 (hoje são 191 países membros). Por isso, o número 189 é muito usado para representar a quantidade de países no mundo. Embora este número represente quase todos os países no mundo, há ainda dois países (Taiwan e Vaticano) que são independentes e que não são membros da ONU. Neste momento chegaríamos a 191 + 2 = 193 (Fonte:

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que a comunidade científica na área da sexualidade devidamente articulada com a comunidade civil - leia-se ONG´s - Organizações Não-Governamentais e militantes autônomos de outras áreas, começaram a pensar na elaboração de um documento de cunho "afirmativo e identitário". O próprio Plano Nacional de Direitos Humanos (Brasil) – PNDHU, faz propositura de emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por

orientação sexual, conforme o anexo 1. Já em 1997 surge a Declaração de Valência/Espanha sobre os Direitos Sexuais, em 29 de julho de 1997 (anexo 2) durante o XIII Congresso Mundial de Sexologia “Sexualidade e Direitos Humanos”. Mais tarde, no congresso seguinte da WAS World Association for Sexology - Congresso Mundial de Sexologia, em sua edição XV,ocorrido em Hong Kong (CHINA), entre 23 e 27 de agosto de 1999, a Assembléia Geral aprovou as emendas para a Declaração de Direitos Sexuais, decidida em Valência e promulgou-a durante o evento, divulgando-o mundialmente desde então (anexo 3). Essa Declaração hoje percorre o planeta, como um libelo de defesa desses direitos. Mas apesar do fato de até a Constituição da República Brasileira elencar, dentre os princípios fundamentais, a dignidade do ser humano e em seu artigo 5º citar que “todos são iguais perante a lei”, devendo isso ser entendido e observado

Disponível em <http://tsf.sapo.pt/online/forum/interior.asp?id_artigo=TSF113476&seccao=&id_comment=489550>, acessado em 06/11/03) ou disponível em <http://geography.about.com/library/weekly/aa091399.htm>, acessado em 06/11/03.

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obrigatoriamente não só pelos “órgãos que aplicam o direito”, mas também na “formulação do direito”, na realidade, isto não se tornou realidade. Todos os dias os direitos humanos, e neles os sexuais, vêm sendo aviltados em nosso país, apesar das diretrizes constitucionais e o novo código civil. Como o meu recorte epistemológico é essencialmente sobre as minorias sexuais e, dentre estas, como ponto de partida para o site, as pessoas GLBT´s, há que registrar que para elas, há muito tempo, há mais deveres que direitos e por isso o caráter afirmativo dos onze pontos dos Direitos Sexuais, formulados pela comunidade científica – WAS, tem um peso político imenso junto a essa parcela da comunidade. Em abril de 2003 o Brasil tentou incluir através de uma proposta de revisão a questão da Orientação Sexual no que tange a Declaração Universal dos Direitos Humanos (anexo 4), junto a ONU e foi vencido no que até, para alguns, foi denunciado como uma manobra política de cristãos e muçulmanos fundamentalistas essencialistas (cristãos e muçulmanos crêem que o sexo exista apenas para a reprodução. Para esses, o prazer carnal está num patamar inferior à espiritualidade e à transcendência.). Portanto, nessa visão, culturas que aceitam o prazer pelo prazer são geralmente entendidas como inferiores. Mas, felizmente, muitos países estão mudando sua mentalidade e adequando-se às necessidades e aos anseios de seus cidadãos e cidadãs, incluindo aí também a questão dos GLBT´s. Mas, quem são afinal esses cidadãos e cidadãs? Como resgatar seus direitos? Como buscar emancipação para todos e todas os/as cidadãos/cidadãs no mundo e

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garantir que os direitos sexuais sejam finalmente entendidos e desvelados como parte indissociável dos direitos humanos?

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Reflexões sobre Direitos Humanos e a Constituição Brasileira Na busca desses direitos empreendi uma pequena revisão da Constituição Brasileira, mais especificamente naqueles capítulos ou parágrafos que dizem respeito aos Direitos Humanos. Sobre a questão dos Direitos Humanos no panorama legal do Brasil, a Constituição da República Brasileira elenca, dentre os princípios fundamentais, a dignidade do ser humano e em seu artigo quinto (5º) cita que todos são iguais perante a lei. Sublinhei (literalmente) alguns aspectos de nossa Constituição Federal, que não se encontram em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao mesmo tempo se configuram em categorias exemplares para outros trabalhos científicos que queiram fazer a leitura da Lei sob a ótica da exclusão social, exclusão sexual, exclusão de gênero e por orientação sexual, conforme Warken e Warken (2003, p.9)

“Algumas palavras, estrategicamente colocadas, ou, simplesmente registradas de qualquer forma, levam a interpretações diferentes. Tal fato também nos reconduz ao aspecto educacional como ponto basilar da replicação da exclusão”.

Conforme os autores, constatações óbvias podem ser feitas: a democracia expressa na Carta Magna é alvo de medidas provisórias e tropeços interpretativos. O direito, quando acessível pelo cidadão e cidadã que o busca, possui um contraponto na morosidade burocrática de sua prática.

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O bem-estar da população tem dificuldades no que tange as questões relativas a seguridade social, a inacessibilidade a um plano de saúde terceirizado que contemple todas as pessoas ficando a cargo da exploração comercial. A liberdade encontra um poder paralelo demandado pela criminalidade, em especial o narcotráfico. A igualdade é um disparate. O menor trabalhador que tenta ajudar em casa não tem guarida na própria Consolidação das Leis do Trabalho – CLT; mulheres continuam ganhando subsalários cumprindo as mesmas tarefas e, em muitas vezes, enfrentando jornada dupla de trabalho. A questão das aposentadorias é sobejamente conhecida por todos (as), em seus tropeços. A noção de família está dispersa, mas é mal delineada no Código Civil, que não permite, dentre outras coisas, que casais de pessoas de mesmo sexo possam efetivar uma adoção em conjunto, já avisava a página 33 do jornal Diário Catarinense, de 19 de janeiro de 2003: “DIREITOS HUMANOS – Direitos foram ignorados na nova lei e especialistas consideram a falha um retrocesso – Homossexuais Foras do Código Civil”. A única possibilidade é a adoção por uma das partes, já que a noção de família está ligada a noção casal e este deve ser constituído por pessoas de sexos diferentes, favorecendo esse entendimento às pessoas heterossexuais. O pluralismo é apenas um adjetivo democrático, que também expresso pelos próprios artifícios legislados. Portanto um país sem preconceito é um sonho ainda distante de se tornar realidade, pois as desigualdades sociais são imensas. encontra dificuldade em ser

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A dignidade da pessoa humana (uma redundância sem explicação, ou existe pessoa não-humana?) é o alvo preferido de todo um intrincado de aberrações legais, que, ao contrário, deixam qualquer pessoa indignada, pois o estado não dá conta de coisas tão essenciais como saúde, educação, saneamento básico, água, luz, trabalho, etc. Conforme Warken e Warken (2003, p.10),

“No Art. 3º, onde são expressos os objetivos fundamentais da República, foram destacados os incisos I e IV, onde o primeiro estabelece a construção de uma livre, justa e solidária, e, no segundo, a promoção do bem de todos, além de afastar diversos preconceitos, estando dentre eles o de sexo. Neste, incluímos a preconceitualidade relativa a orientação sexual e não só os aspectos que permeiam a existência social de homens e mulheres, onde observam-se as conquistas das mulheres em alguns campos e da consciência da existência de um contingente homossexual que deve ser respeitado. Naquele, onde a liberdade, a justiça e a solidariedade são evidenciados, torna-se clara a necessidade de todos revitalizarem tais valores através de mecanismos capazes de torná-los inatacáveis.”

E terminam os autores sugerindo:

”A redação dada ao Art. 5º, poderia ter ponto final antecipado, deixando dizer que: todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, pois ao ir mais longe como foi, começou, já mesmo, a estabelecer as desigualdades em relação ao que não se encontra ali descrito como garantia”.

Mais recentemente, o Estado de Santa Catarina promulgou a Lei º 12.574, de 04 de abril de 2003 e impressa no Diário Oficial do estado em 07 de abril de 2003 (anexo 5) que dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual contra Gays, Lésbicas e Transgêneros, um marco na defesa dos direitos sexuais como direitos humanos.

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Contextualizando um pouco a caminhada que veio resultar na promulgação dessa Lei, há que registrar que todo o texto da mesma, assim como o discurso da então deputada Ideli Salvati-PT e o documento apresentado às bancadas foram subsidiados por não-militantes do Partido dos Trabalhadores, juntamente com associados da então Deputada. Coube a mim a elaboração da justificativa embasada de forma histórico-científica e a outros (as) participantes, a elaboração de um texto de cunho jornalístico bem elaborado. O texto foi aprovado por unanimidade! Posteriormente foi impugnado pelo então governador Esperidião Amin Helou Filho na passagem de seu mandato para o governador eleito, Luiz Henrique da Silveira. Desta feita, com a bancada renovada, a Assembléia Legislativa de Santa Catarina, instaurou uma Comissão de Justiça e Cidadania para rever o caso da Proposta de Lei anti-homofóbica de autoria da então Deputada Ideli Salvati, e em tempo hábil, os endereços de e-mail dos componentes da Comissão foram disponibilizados na homepage da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Sabedores disso iniciamos uma campanha na Internet juntamente com um pequeno grupo publicando uma explicação do caso no www.glssite.net e no site www.fervo.com.br , também colaborador, quando também emitimos e-mails para todas as pessoas possíveis para que enviassem outros e-mails aos participantes da Comissão de Justiça e Cidadania pedindo a derrubada do veto do ex-governador. Foi um movimento intenso e muito participativo na busca de um instrumento de resgate, incisivamente, o direito a livre orientação sexual. Terminados os trabalhos, a Comissão aprovou a derrubada do veto por unanimidade e Santa Catarina conta hoje com uma lei anti-homofóbica contra quaisquer atitudes baseada na orientação sexual do indivíduo.

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Agora que pretendo ter deixado mais clara minha busca de alguns dos fundamentos pedagógicos necessários para a investigação, com a necessária revisão de literatura, parto então para o palco da pesquisa: o encontro virtual com a/a outro/a.

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CAPITULO 3

O Encontro Virtual com o outro: o cenário da pesquisa

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Novamente, nesse tempo de revisão teórica, várias mudanças continuaram ocorrendo também no site. Hoje, o GLSSITE.NET passou a consubstanciar-se de um site voltado para a Educação Sexual, e nela também para um site de militância pelos Direitos Humanos e, mais especificamente, pelos Direitos Sexuais40. A seguir apresentarei sinteticamente a estrutura do mesmo para facilitar a compreensão da minha proposta atual de trabalho (Fig. 04).

Quadro (frame) menu 2 do site – É fixo.Contém identificações do site e janela para navegação (links).

Coluna lateral esquerda – aqui estão links para informações gerais

Coluna Central – aqui estão informações comentadas com links

Coluna Direita – aqui ficam os acessos para links específicos em Direito Humano, Direito Sexuais e Educação Sexual.

Fig.04

Quadro (frame) principal. Todas as vezes que um link é acionado em algum frame (quadro) a informação solicitada irá aparecer neste grande espaço tracejado em vermelho. É uma espécie de quadro móvel.Se a pessoa desejar voltar ao quadro anterior, basta clicar no botão correspondente a voltar, no navegador

A seguir pode ser visualizado como é a homepage do site, ou seja, a página de entrada, visualizada através de um navegador. É a partir dela que todas as demais

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Direitos Sexuais – Conjunto de 11 preceitos formulados durante os Congressos Mundiais de Sexologia da World Association for Sexology (Vide anexos).

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páginas abrirão, conforme já foi ilustrado no esquema acima. Perceba que, na realidade, isso não existe se não na forma de códigos HTML. Poderia elencar os códigos HTML´s, dar alguns exemplos apenas para que o leitor e leitora se familiarizassem com o fato de que, nem tudo o que vêem na Internet é o que parece ser, a não ser, um amontoado de códigos que virtualmente dão a impressão de ser algo, mas não é, mas este não é o propósito aqui. O que fiz nada mais foi que me apropriar de uma tecnologia para trabalhar com a Educação Sexual Emancipatória. No momento do trabalho faço uma espécie de “fotografia do site” que está estruturado da maneira que apresento a seguir, conforme a figura 05. Amanhã você poderá acessá-lo e vê-lo com outra aparência, pois ele é dinâmico. Mas, um dos pontos que considero mais importantes: o site é transparente, verdadeiro e militante. Ele aponta para um caminho já trilhado por mim. Se eu fiz, outras pessoas poderão fazer. E, essa transparência que lhe confere a credibilidade. As pessoas sabem que, de um modo ou de outro encontrarão uma pessoa, figuradamente, no outro lado da tela do computador com quem possa estabelecer uma relação dialética (uma lista de discussão, um fórum, um chat, etc.) e dela ambos saem ganhando.

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Fig.05

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Continuando. Conforme a figura 05, apresento a seguir cada link e uma breve explicação de seus respectivos conteúdos, comentados: Coluna Esquerda • • • • • • • • • • Capa, é o link para retorno a página virtual de entrada do site; Agenda, é uma página virtual que contém datas de eventos e fatos importantes; Busca, é uma página virtual com os principais sistemas de busca GLBT Chat (Batepapo) Lés, para homossexuais femininos; Bi; para bissexuais; Gay; para homossexuais masculinos; Trans; para transexuais e transgêneros (disfóricas/os de gênero) Hetero; para heterossexuais; Classificados, é uma página virtual para as cinco categorias acima fazerem qualquer tipo de anúncios; • Colunistas; são pessoas que, independente da orientação sexual colaboram com textos sobre quaisquer assuntos da vida humana. Há colunistas em Nova York, Auckland, Toronto, Canadá, Rio de Janeiro, São Paulo, João Pessoa, Ribeirão Preto, Santa Maria, Curitiba e Florianópolis • Endereços, de pessoas formadoras de opinião, também constam do site;

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• • • • • •

Entidades, endereços de ONG´s estão nesta página virtual; Entrevistas, página virtual com pessoas que fazem as coisas acontecerem; Fóruns, sistema de troca de opiniões em reformulação; Links; endereços de sites importantes na Internet; Listas; sistema de troca de e-mails por tema; Notícias; sistema de homepage pré-programada onde é possível inserir uma notícia a qualquer hora, a partir de qualquer lugar no mundo;

Segurança; centrais de atendimento policial e psicológico específico para GLBT´s;

Trabalho; página virtual de divulgação de nomes, endereços e telefones de GLBT´s procurando emprego e de empresas que buscam este público;

• •

Webchat e IRC; sistema de bate-papo on-line, em tempo real; WebMail; um sistema de e-mail gratuito acessível de qualquer ponto do planeta

• •

WebRing, anel de sites co-irmãos; Postais; uma série de imagens que podem ser enviadas como cartões postais virtuais;

• •

Rádio1, rádio personalizada do portal Terra; Rádio2, rádio personalizado do site Usina do Som;

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Bares; relação virtual de endereços de bares gayfriendly em todo o país, informados pelos próprios visitantes;

Boates; relação virtual de endereços de boates gayfriendly em todo o país, informados pelos próprios visitantes;

Cinemas; relação virtual de endereços de cinemas gayfriendly em todo o país, informados pelos próprios visitantes;

Hotéis; relação virtual de endereços de hotéis gayfriendly em todo o país, informados pelos próprios visitantes;

• •

Filmes; indicação de filmes politicamente corretos em relação aos/as GLBT´s; Livros e Revistas; diversos endereços para comprar livros e revistas: grande parte deles podem ser adquiridos no próprio site;

Motéis; relação virtual de endereços de Motéis gayfriendly em todo o país, informados pelos próprios visitantes;

• •

Músicas; nomes de músicas sugeridas por quem freqüenta; Restaurantes; relação virtual de endereços de restaurantes gayfriendly em todo o país, informados pelos próprios visitantes;

Saunas; relação virtual de endereços de saunas gayfriendly em todo o país, informados pelos próprios visitantes;

Viagens; lista de lugares interessantes sugeridos pelo público;

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Formulário; formulário eletrônico para fazer críticas e sugestões dos itens acima;

• •

Fale Conosco; nossos endereços de e-mail; Princípios; lista de princípios sobre os procedimentos do site;

• Livro de Visitas; sistema para que as pessoas deixem recados. Coluna Direita • Sistema de Busca; trinta e seis endereços para a pessoa visitante encontrar o que quer na Web; • Sistema de E-mail; caixas para postagem de login e senha para acessar suas contas de e-mail; • • • Direitos Humanos Direitos Sexuais; diversos textos científicos e jurídicos ligados ao tema; Visibilidade na Internet; ícones, logotipos, papéis de fundo para possíveis de serem colocados pelo visitante no próprio site, geralmente com as cores do arco-íris; • • • HOMOSSEXUALIDADE O que é? página virtual que responde a esta pergunta; A Ciência; página virtual que explica como a homossexualidade é interpretada a luz da ciência;

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A Religião; página virtual que explica como a homossexualidade é interpretada à luz da religião;

É Natural? página virtual que responde como a naturalização da heterossexualidade é culturalmente construída, assim como a homofobia;

É Normal? página virtual que responde como a normatização da heterossexualidade é culturalmente construída, e está inserida em nosso cotidiano possibilitando o medo a outras possibilidades de orientação sexual;

Eu Sou? página virtual que procura levar a pessoa a reflexão sobre o fato de ela ser ou não, homossexual;

• •

EDUCAÇÃO SEXUAL AIDS; explica sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, formas de prevenção é contágio;

Aparelhos Sexuais; explica sobre os aparelhos sexuais humanos sem aprofundar-se;

DST´s; explica sobre diversas Doenças Sexualmente Transmissíveis, formas de prevenção e contágio;

Glossário; explica sobre termos utilizados no que se convencionou chamar de Comunidade Gay;

Literatura; indica e vende literatura científica sobre educação sexual, sexualidade, sexo e outros;

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Perguntas; espaço para a pessoa formular sua pergunta sobre educação sexual diretamente a quem dirige o site;

• • •

Respostas; respostas pré-configuradas sobre assuntos já tratados; Parafilias; explica sobre outras formas de desejo sexual; Pesquisas; relaciona as pesquisas em andamento e pesquisas já finalizadas no site;

• • • • •

EVENTOS Dia Mundial da AIDS; comenta sobre a importância política deste dia; Parada do orgulho GLBT; comenta sobre a importância política deste dia; ESTUDOS CIENTÍFICOS Teses, Dissertações, Monografias, TCC´s e Outros; base de dados alimentada por usuários e usuárias e, mediante pesquisas efetuadas dentro e fora da internet. Isto equivale a uma publicação ainda não indexada;

Coluna do Centro • Editorial; comentário sobre assunto pertinente sobre algo que está acontecendo no mundo, comportamento, moda, violência, justiça, etc; • Chamada para artigos; cada vez que um artigo novo é postado por um/uma colunista, é feita uma chamada na primeira página do site; • Apoio para Campanhas; esclarece quais são as campanhas em prol dos Direitos Humanos que participamos;

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Contadores:

Três

contadores

orientam

quantas

pessoas

visitaram

diariamente, o site; o país de origem, e outras informações técnicas. Atualmente o Glssite.net recebe uma média de duzentos (200) acessos por dia e este valor variou para mais ou para menos, desde 01 de setembro de 1996. Em tese, mais de trezentas mil pessoas já passaram pelo site desde sua criação; Procedimentos quanto à coleta de dados quantitativos A coleta de dados ocorreu durante um período de trinta e oito dias (38), de 25/09/2001 à 01/11/2001. Foi efetuada através de um formulário eletrônico inserido no www.glssite.net, em (http://www.glssite.net/glssite/pesquisa/pesquisa1.htm). Qualquer pessoa que utilizava este endereço acionava o surgimento da primeira página do site, a homepage. Esta continha um javascript41 que abria uma pequena janela informando que o criador do site estava procedendo uma pesquisa cientifica com coleta de dados. Cabe aqui um parêntesis, o esclarecimento de que a amostra surgida a partir das pessoas que responderam a provocação, foi intencional. Às pessoas interessadas bastava apenas clicar num determinado link que a levava a um formulário eletrônico com o seguinte texto, como cabeçalho: “Estamos executando uma pesquisa de cunho científico e queremos contar com sua colaboração. Com ela pretendemos identificar o entendimento que as pessoas têm sobre Direitos Sexuais. Escolha as opções e justifique sua resposta, pois esta é uma

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Ver glossário.

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pesquisa qualitativa. Ao terminar, clique no botão ENVIAR. A você nosso OBRIGADO!” Em seguida, abaixo, apareciam sete janelas dropdown42 contendo itens designados pela categoria “você”. Na primeira janela havia um questionamento sobre a idade das pessoas pedindo que as mesmas se enquadrassem numa das faixas apresentadas. Na segunda janela havia três opções para a escolha do sexo: homem, mulher ou transexual. Na terceira janela as opções diziam respeito à orientação sexual, quais sejam: bissexual, heterossexual, homossexual ou pansexual. Na quarta janela as opções relacionavam-se ao gênero, e podiam ser: masculino, feminino ou transgênero. A quinta janela pedia que o (a) visitante escolhesse uma das cinco possibilidades de enquadramento no que se refere ao estado civil: casad@, companheir@, solteir@, viúv@ e outro. A sexta janela referia-se a localização espacial em relação ao Brasil, definindo o Estado onde se encontrava vivendo. Foram relacionados 26 estados e ainda, o Distrito Federal-DF. Caso a pessoa não residisse no Brasil, indicaria o país onde se encontrava no momento do preenchimento do questionário, na sétima janela optando por um dos 193 países relacionados na mesma.

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Termo que se assemelha a janela com várias opções em cascata .

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Procedimentos quanto à coleta de dados qualitativos Os dados qualitativos referiam-se a um conjunto de dois procedimentos e iniciaram, “questões”. Na seqüência, o oitavo item era uma pergunta com duas opções apenas, seguidas de uma justificativa: “Para você, Direitos Sexuais são Direitos Humanos? Sim ou não?” Mais abaixo dizia: “Justifique sua resposta no quadro abaixo”. O nono e último item do questionário fazia uma pergunta a qual só tinha duas opções: sim ou não: “Você conhece a Declaração Universal dos Direitos Sexuais?”. Ao terminar de responder o questionário a pessoa clicava num botão que enviava o formulário através de e-mail ao endereço do pesquisador. Assim que o servidor de e-mails emitisse o formulário, um outro script43 abria a página (http://www.glssite.net/adm/agradecepesq.html) de agradecimento com o seguinte conteúdo: “O seu formulário já esta sendo encaminhado. Obrigado por ter colaborado com nossa pesquisa. Para conhecer a Declaração Universal dos Direitos Sexuais clique aqui.” Nas palavras – “clique aqui” – havia um link para (http://www.glssite.net/direitosex/direitossexuais.htm). É importante salientar que as pessoas podiam optar em responder todos os itens ou só alguns itens. Questionários totalmente em branco ou, enviados mais de uma vez ou, com preenchimentos de justificativas que fugissem aos propósitos da pesquisa foram descartados.

Dados Quantitativos

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N° de respostas
1 0,49% ; 1 6,40% 3; 1 0,49% ; 1 6,40% 3; 2; 0,99% 24; 1 ,82% 1 31 1 ; 5,27%

Não Respondeu 10 a 15 anos 16 a 20 anos 21 a 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos 41 a 45 anos

25; 1 2,32% 25; 1 2,32% 27; 1 3,30% 41 20,20% ;

46 a 50 anos 51 a 55 anos 56 a 60 anos

Gráfico 1 – Tabela de faixas etárias versus quantidades de respostas

No total foram recebidos, através de e-mail, duzentos e vinte e dois (222) questionários preenchidos por pessoas que denominarei: VISITANTES. Sendo, que cento e nove (109) destes contendo justificativa, noventa e quatro (94) sem justificativa. Daqueles duzentos e vinte e dois questionários (222) apenas dezenove (19) apresentaram problemas tais como: formulários em duplicata, formulários totalmente vazios ou formulários que foram aproveitados para outros propósitos que não a pesquisa. Temos assim, duzentos e três questionários válidos para a pesquisa (222-19=203=100%). A faixa etária que apresentou o maior número de questionários é aquela que representa as pessoas com idades entre 21 a 25 anos, que representam 20,20%
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Veja o glossário.

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(gráfico 1). Em seguida aparece à faixa etária correspondente às pessoas com idades entre 26 a 30 anos com 13,30%, em seqüência, as faixas etárias correspondentes às idades de 31 a 35 anos, e 36 a 40 anos também com 12,32%, cada uma. Análise de Conteúdo Como pode-se ler no item que trata dos procedimentos quanto à coleta de dados qualitativos, na confecção do questionário, além das perguntas que remetem as questões quantitativas, havia uma questão uma pergunta com duas opções apenas, seguida de uma justificativa: “Para você, Direitos Sexuais são Direitos Humanos? Sim ou não?” Mais abaixo dizia: “Justifique sua resposta no quadro abaixo”. Foram cento e nove respostas (109 = 53,69%) contendo justificativa, o que representa um índice significativo. Todavia um fato sobreveio: como fazer a análise de conteúdo de tanta informação? Como transformar isso de uma forma inteligível e produtiva sem cair em redundâncias e tornar o trabalho prolixo? Foi nesse momento que encontro Bardin (1977) que, por sua vez, me apresentou ao seu método da análise de conteúdo. Trabalhando com Bardin, sobrevieram algumas questões: quando se trata de análise de conteúdo, o que é passível de interpretação? O que se esconde por detrás das afirmações e da linguagem simbólica? Que sentidos pretendemos salientar? De acordo com a autora,

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“A análise de conteúdo (seria melhor falar de análises de conteúdo), é um método muito empírico, dependente do tipo de «fala» a que se dedica e do tipo de interpretação que se pretende como objectivo. Não existe o prontoa-vestir em análise de conteúdo, mas somente em algumas regras de base, por vezes dificilmente transponíveis. A técnica de análise de conteúdo adequada ao domínio e ao objectivo pretendidos, tem que ser reinventada a cada momento,[...]” (BARDIN, 1977, p. 30)

A idéia básica ao utilizar a análise de conteúdo como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, de inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e que por si determinam indicadores, é remeter o pesquisador à

arqueologia sobre o que nos é dado como “pedra bruta” , que precisa ser lapidada e polida para que possamos visualizar as suas características mais básicas, ou seja, as informações soltas, aparentemente sem nexo, aparentemente sem lógica. Para Bardin (op.cit. p.105) fazer uma análise temática, consiste em descobrir os «núcleos de sentido» que compõem a comunicação e cuja presença, ou freqüência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido. Nessa busca dos núcleos de sentido faço o reconhecimento das prováveis categorias constantes nas respostas. Na análise dos conteúdos foram localizadas inicialmente o que denominei de pré-categorias, a saber: 1. Direitos Jurídicos ou Legais, 2. Direitos Humanos, 3. Sexualidade, 4. Sexo Biológico, 5. Direitos Sexuais como Direitos Humanos.

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Após a análise exaustiva das cinco pré-categorias, foram constituídas três grandes categorias: 1. Direitos Humanos 2. Sexualidade Como Dimensão Humana 3. Respeito à diversidade

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CAPITULO 4

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Trabalhando com a categoria dos Direitos Humanos Não se pode falar em Direitos Humanos sem falar da Declaração Universal dos Direitos Humanos que foi formulada pela Organização das Nações Unidas - ONU em 1948, logo após a Segunda Guerra Mundial (anexo 4). Sua constituição, todavia, tem como fundo a própria história humana, sua forma de organização histórico-politico-social, como bem podemos encontrar em centenas de documentos, muitos dos quais remontam a séculos antes de Cristo. Podemos citar o Código de Hamurábi de 1.694 a.C., encomendado por Khammu-rabi. Esse rei da Babilônia mandou escrever, em 21 colunas, 282 cláusulas que ficaram conhecidas como Código de Hamurábi registrado em uma estela44 de diorito45. Em seguida, surgiu a Lei das Doze Tábuas em 450 a.C. Elas foram supostamente baseadas nas leis do grego Sólon e foi um dos resultados da luta por igualdade levada a cabo pelos plebeus em Roma. Quase na mesma época há Dharmasutra de Baudhayama, formulado entre 500 e 300 a.C., onde estavam escritas as Teorias dos Quatro Varna para os brâmanes e assim por diante, dentro de cada cultura num determinado momento histórico, como cita Herkenhoff (2003)

“Num sentido próprio, em que se conceituem como “direitos humanos”, quaisquer direitos atribuídos a seres humanos, como tais, pode ser assinalado o reconhecimento de tais direitos na Antiguidade: no Código de Hamurabi (Babilônia. século XVIII antes de Cristo), no pensamento de Amenófis IV (Egito. século XIV a. C). na filosofia de Mêncio (China. século IV a. C), na República. de Platão (Grécia. século IV a. C.), no Direito Romano e em inúmeras civilizações e culturas ancestrais”
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(es.te.la sf (gr stéle) 1 Pedra vertical monolítica destinada a ter inscrições ou esculturas. 2 Pequeno monumento monolítico sem base nem capitel. 3 Marco fronteiriço. 45 Rocha plutônica, granular, praticamente sem quartzo, com plagioclásio intermediário e minerais ferromagnesianos, em especial horblenda. Disponível em <http://www.pr.gov.br/seid/mineropar/dtermos.html>, acessado em 07/11/03.

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Portanto, a declaração universal da ONU válida ainda hoje é aquela de 1948. Todavia, não posso ser tão simplista e reducionista ao afirmar que ela, a declaração, é somente uma mera construção cultural. Ela vai mais além, como um ícone. Tem como pano de fundo algo muito profundo e, ao mesmo tempo, simples, que rege muitas lutas por inclusão no mundo, ou seja, o fato de que somos seres diversos quanto ao formato psico-morfo-fisiológico, mas que diante das regras que estabelecemos, as Leis, somos todos iguais. As pessoas (será assim que denominarei no texto a seguir, englobando assim homens e mulheres) que responderam ao questionário entendem que a nossa legislação não é inclusiva, pois diz que todos somos iguais perante a lei; todavia, nega direitos fundamentais a casais de pares iguais, ou de pessoas de mesmo sexo, o que não está em consonância com o que preceitua a Declaração Universal dos Direitos Humanos (anexo 4). Sob a ótica deste capítulo que trata da categoria direitos humanos, apresento alguns comentários efetuados por algumas visitantes. Uma das pessoas acredita que Direitos Sexuais são Direitos Humanos “por que todos são iguais perante a lei”. Para outra pessoa, a opinião é um pouco mais elaborada: “Independente da orientação sexual, todas as pessoas no mundo têm direitos e deveres”. Outra cita: “É justa toda e qualquer forma de expressão, inclusive a sexual. É um direito inerente a cada ser vivo”. Uma pessoa visitante faz um questionamento: “Pagamos tudo o que os outros pagam, por que não ter direitos iguais?”. Uma outra/o visitante deixa algo mais claro: “Pois nos meus direitos humanos estão minha liberdade de escolha e minha

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liberdade de escolha é ser bissexual”. Para ela/ele, a questão dos direitos sexuais serem direitos humanos é uma condição sine qüa nom46. Essa categoria tem manifestações em vários segmentos da sociedade atual, inclusive com o mesmo entendimento das/os pesquisadas/os. Para o Secretário de Estado dos Direitos Humanos, Embaixador Gilberto Vergne Sabóia, durante o I Encontro do Ministério Público da União – MPU, ocorrido de 9 a 11 de outrubro de 2000:

“Creio, também que o respeito aos direitos humanos no Brasil passa fundamentalmente pelo reconhecimento do direito de cada um assumira sua própria identidade e escolher os seus próprios caminhos, desde que dentro da lei. Ou seja, é preciso aceitar a diferença, é preciso reconhecer os direitos das pessoas serem diferentes. Isso passa, algumas vezes, por dificuldades de natureza cultural.”(SABOIA, 2001, p.11).

Na continuidade de seu pronunciamento diz o embaixador:

“Queria me referir, por exemplo, à questão dos homossexuais. O Brasil tem uma das taxas mais elevadas de violência contra homossexuais. O número de assassinatos no Brasil bate recordes. Isso evidentemente, vai de encontro não só às regras dos direitos humanos como a própria visão nós temos de nossa sociedade. Temos a visão do Brasil como uma sociedade relativamente tolerante. Como é possível que uma sociedade que se vê como tolerante seja capaz de aceitar ou conviver com esse tipo de violência?” (SABOIA, 2001, p. 11).

Já a “fala” desta (e) outro (a) visitante também é reveladora: “Obviamente, direitos sexuais são sireitos humanos mas infelizmente, principalmente no interior como eu vivo, ninguém é visto como ser humano antes de ser localizada sua sexualidade e, devido a isso há tantos preconceitos, pois se não, não seria tão importante às pessoas saberem” qual sabonete você usa ao tomar banho”. Já esta
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[lat.;pl.: sine quibus non] loc.adj..1. indispensável; loc.subst. 2 elemento, fator sem o qual a circunstância não

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outra pessoa faz uma relação direta dos Direitos Sexuais com os Direitos Humanos: “Uma vez que ao levarmos em consideração a declaração o universal dos direitos humanos, quando dá ao homem o direito de ir e vir, liberdade de opinião, respeito e dignidade ao ser humano não impede de ele admitir que praticar suas sexualidade de acordo com sua vontade própria.” Num outro registro encontramos uma expressão afirmativa, mas com valores judáico-cristãos: “Todos somos iguais perante Deus, e eu não sou ninguém para criticar”. Uma outra pessoa nos traz também a reflexão à noção de limites, senão vejamos: “Todo ser humano tem direito de escolher sua opção sexual, sem qualquer imposição dada pela sociedade do conceito de família que se tem até hoje. Tenho direito de ser o que eu quiser independentemente, sobretudo ter consciência da lei de causas e efeitos, os outros têm o dever de me respeitar pois o direito de alguém termina quando começa o direito do próximo. É uma questão de educação coisa que no Brasil não se tem bons resultados diga-se de passagem temos nossos direitos violados sempre, com a mania de certas pessoas de rotulagem as outras e serem bastante taxativas com suas opiniões inflexíveis.” Como o caro leitor e leitora devem ter notado, há uma sensação nítida de que as pessoas diversas do hegemônico imposto pelo capital, têm um entendimento de pertencimento a proteção das leis que regem seu país, principalmente no que diz respeito aos direitos humanos e, no que tange aos direitos sexuais, ficou claro que para as pessoas pesquisadas este está contido naquele. Já esta outra visitante nos coloca uma constatação óbvia: ”minha conduta sexual é um direito adquirido enquanto cidadã”. Aqui, o forte registro de uma necessidade
se completa, cf. HOUAISS, p.408.

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suprema: “Tenho direito de expressar o que sinto desde que não prejudique outra pessoa. Isto inclui meus sentimentos”. Já esta outra fala expressa juízo de valor, reafirmando o direito: “Não somos melhores nem piores que os heteros ou bissexuais. Somos humanos e por tal natureza básica temos o direito de sermos e exigir que nossos direitos sejam respeitados”. Outra visitante questiona a Constituição: “Por que devem ser respeitados? Apesar de estar na Constituição quaisquer formas de discriminação, ela existe, nem que seja velada”. Outra visitante traz um assunto preocupante, hoje: “Porque nós temos que ter direito de enterrar, e deixar bens e plano de saúde e etc. para minha companheira, após a minha morte”. Após ler esta frase, não há como não adjetivar de cruel a maneira que, às vezes, o estado hegemônico e homofóbico tenta disciplinar a orientação sexual, os direitos sexuais, conforme sua conveniência. Nesse momento, relembro aqui Foucault, quando ao tratar, no capítulo II – Os Recursos para o Bom Adestramento, de seu livro Vigiar e Punir, dá-nos um alerta e nos traz a essa realidade:

“Humildes modalidades, procedimentos menos, se os compararmos aos rituais majestosos da soberania ou aos grandes aparelhos do Estado. E são eles justamente que vão pouco a pouco invadir essas formas maiores, modificar-lhes os mecanismos e impor-lhes os seus processos. O aparelho judiciário não escapará a essa invasão, mal secreta. O sucesso do poder disciplinar se deve sem dúvida ao uso de instrumentos simples: o olhar hierárquico, a sanção normalizadora e sua combinação num procedimento que lhe é específico, o exame”. (FOUCAULT, 1987, p.143).

Mais adiante, no mesmo livro Foucault, ressalta:

“Em suma, a arte de punir, no regime do poder disciplinar, não visa nem a expiação, nem mesmo exatamente a repressão. Põe em funcionamento cinco operações bem distintas: relacionar os atos, os desempenhos, os

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comportamentos singulares (grifo meu) a um conjunto, que é ao mesmo tempo campo de comparação, espaço de diferenciação e princípio de uma regra a seguir. Diferenciar os indivíduos em relação uns aos outros e em função dessa regra de conjunto – que se deve fazer funcionar como base mínima, como média a respeitar ou como o ótimo de que se deve chegar perto[...]”(FOUCAULT,1987, p.152).

Sobre esse recorte que estas pessoas estão fazendo e sobre aos quais também ajuda-nos Foucault nas reflexões que podemos fazer, talvez o tema seja mais esclarecido por Machado, quando faz a introdução de Microfísica do Poder (2001, p. XII e XIII) e esclarece as formas como os micropoderes se relacionam com o macropoder, o poder central, integrados ao Estado e como esses micro-poderes, que possuem tecnologia e história específicas, se relacionam com o nível mais geral do poder constituído pelo Estado. Registro a seguir, outras três frases de impacto de visitantes, quando questionadas se direitos sexuais são direitos humanos: “Se não são, deveriam ser, porque o indivíduo vivencia sua sexualidade durante toda a sua existência, independente do sexo a que pertença ou mesmo que venha a pertencer por opção. Torna-se inalienável o seu direito de viver sua sexualidade, tanto quanto o direito a vida, até porque não se nasce sem sexo. Pode-se até nascer sem uma definição precisa, mas se nasce com sexo e vive-se com ele”. Esta pessoa constata que somos seres sexuais e sexualizados. Freud já dizia isto; todavia, quando ela comenta sobre a inalienidade política de ser quem é, com todas as prerrogativas, remeto-me as palavras do Deputado Nilmário Miranda (2000)(PT) pronunciadas na abertura da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

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dos Deputados, em 21/09/1999, com o objetivo de encontrar alternativas à crescente violência contra homossexuais:

“Esta é a primeira vez que no Congresso Nacional, os direitos humanos dos cidadãos homossexuais são debatidos em evento organizado exclusivamente para esse fim. O modesto número de pessoas presentes reflete as dificuldades naturais de iniciativas como esta inclusive o preconceito da sociedade sobre o assunto.” (MIRANDA, 2000, p.14).

Outra visitante, afirma: “Gay também é ser humano”. Outra pessoa responde: “Sim, pois nossa sociedade é muito mal resolvida em questão de sexo. Muita humilhação e assassinatos são cometidos por pessoas que não se aceitam ou têm problemas outros e justificam o ato de negar a si mesmo e ao outro baseado que a outra pessoa tem uma orientação sexual que impede a sua convivência com a sociedade em geral. Atitude de pura discriminação deve ser criminalizada”. Nas palavras de deputado Marcos Rolim em 2002:

“A primeira geração de direitos humanos, cujo objetivo maior é alcançar a igualdade formal entre os indivíduos, abrange os direitos fundamentais e as liberdades clássicas individuais [...]. Sendo assim, nota-se evidente pertinência das questões suscitadas pela homossexualidade com a primeira geração, principalmente no que diz respeito ao princípio fundamental da isonomia e seu corolário, que é a proibição de discriminações injustas. A propósito, [...] foram dimensionadas à luz dos direitos fundamentais de primeira geração, tais como a liberdade de expressão, a liberdade individual, a proteção da intimidade e da vida privada.[...] Se avançarmos ainda mais no exame das relações entre homossexualidade e o conteúdo dos direitos de primeira geração, pode-se vislumbrar a inclusão da problemática nos direitos de personalidade, precipuamente no que diz respeito ao direito à identidade pessoal e à integridade física e psíquica. (ROLIM, 2002) .

Em síntese, todas estas pessoas apontam para o fato de que os Direitos Sexuais são inalienáveis aos Direitos Humanos. Miranda e Rolim corroboram isto. Não há sentido falar num sem pressupor a existência do outro.

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Como vimos, o próprio Estado brasileiro tem reconhecido em

tese,

principalmente desde o governo federal passado, a necessidade de dar mais importância a determinados segmentos da sociedade brasileira, as chamadas “minorias”, inclusive as sexuais através das atividades da Comissão Nacional dos Direitos Humanos que tem se reunido e até constituíram o Plano Nacional de Direitos Humanos – PNDH já citado e, que até hoje encontra-se na fase de estudos e argumentações que possibilitem uma alteração substancial na Constituição Brasileira. A própria Declaração dos Direitos Sexuais da WAS - World Association for Sexology, que surge para “curvar a vara” para a questão, já que muitos segmentos, em várias das sociedades atuais não atentaram para o fato desses já estarem inseridos nos Direitos Humanos, é um reflexo de que a comunidade científica internacional está preocupada com a questão dos direitos humanos e neles os sexuais em seus respectivos países. Talvez isto ocorra pela necessidade cada vez mais imperiosa de se fazer frente à intervenção negativa das instituições tradicionais, a das várias religiões, por exemplo, na política dos direitos humanos dos vários países, para que não haja “brechas” de modo a propiciar direitos iguais as pessoas não heterossexuais. Esse é um movimento atual, infelizmente, que reflete se em várias organizações homofóbicas que apregoam a discriminação.

Mas estas duas declarações, Direitos Humanos e Direitos Sexuais podem ter um peso pedagógico, educativo, esclarecedor e emancipatório, cada vez maior a medida em que tornem mais claras as necessidades das pessoas no que tange a sua própria natureza, ao seu próprio desejo mas, principalmente, no que diz respeito

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aos seus próprios direitos. E, o www.glssite.net buscou incorporar estes princípios emancipadores e libertadores como paradigmas norteadores do seu existir virtual. Nessa busca, o www.glssite.net procura ser mais uma interface numa mediação emancipatória com o público, visando esclarecer as dicotomias existentes, desvelando e desconstruindo as pseudo-verdades repletas de axiomas excludentes. Pretende ser mais um espaço virtual educativo que oportunize às pessoas talvez uma forte provocação, para sacudir os que se encontram em estado de incapacidade de indignar-se com que está estipulado como verdade. Como educador, e webmaster do site, procuro sempre que o trabalho possa levar as pessoas à condição de protagonistas e não, meramente, de expectadores e expectadoras da história. É como diz Pierre Lévy:

“Por intermédio dos espaços virtuais que os exprimiriam, os coletivos humanos se jogariam a uma escritura abundante, a uma leitura inventiva deles mesmos e de seus mundos. Como certos manifestantes desse fim de século gritaram nas ruas “Nós somos o povo”, poderemos então pronunciar uma frase um pouco bizarra, mas que ressoará de todo seu sentido quando nossos corpos de saber habitarem o cyberspace: “Nós somos o texto.” E nós seremos um povo tanto mais livre quanto mais nós formos um texto vivo.” (LÉVY, 2004).

E certamente, a categoria Direitos Humanos deve ser realmente eixo principal de qualquer processo educativo, pois mesmo com a pergunta Direitos Sexuais são Direitos Humanos, os/as protagonistas da pesquisa, em sua maioria, membros de uma minoria que sofre um processo muito cruel de exclusão (os/as

homossexuais),que teria muitas razões para realizar, via pesquisa, uma ação afirmativa, ressaltando a categoria Direitos Sexuais, não o faz pois entende que isto seria redutor! Resgata essa minoria que Direitos Sexuais são realmente Direitos Humanos, ao dar ênfase a essa categoria maior, com a dos direitos sexuais já

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inserido, e não destacado! Vejamos as seguintes opiniões que conjugam direito e sexualidade e apontam para a próxima categoria, a sexualidade como dimensão humana: “Considero um direito pessoal, a escolha sexual de qualquer pessoa”. Outro visitante diz: “Porque o ser humano é livre para fazer sexo com quem quiser, ninguém tem o direito de escolher o meu parceiro”. Para Silva (2004)

“Por isso que eu digo que a sexualidade é uma dimensão humana séria e precisa ser trabalhada com muita responsabilidade, com um referencial teórico que ilumine a prática pedagógica em sala de aula, com pessoas que se sintam à vontade com o tema e que se identifiquem com o trabalho junto com adolescentes e crianças”.(SILVA, 2004).

Visitantes e o autor deixam claro que a dimensão humana, sempre sexuada, tem sua própria dinâmica e que a mesma é mutável.

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Sexualidade como Dimensão Humana

A segunda categoria deste trabalho está ligada intrinsecamente a primeira e chama a atenção para o fato de que a construção da sexualidade, em nossa sociedade, possui várias dimensões, mas, que a legislação vigente apenas visa fazer a manutenção da diminuição expressa pelo modelo hegemônico, o modelo ditado pelo capital, pela indústria cultural, conforme denunciam Adorno e Horkheimer, teóricos da escola de Frankfurt. Este modelo exclui o ato sexual por desejo, mas não o por dinheiro, como poderá ler mais abaixo. Ao trocar idéias com Nunes (1987) por meio de seu livro “Desvendando a Sexualidade”, no capítulo em que o autor se refere a “descompressão sexual”, vejo que ele revela dez pontos importantes na literatura de Reich, “discípulo dissidente de Freud”, como diz, No sétimo item registrado vamos encontrar o seguinte: “[...] Os seres humanos adotaram uma atitude hostil perante o que é vivo dentro deles e, assim, alienaram-se de si próprios. Essa alienação não é de origem biológica, mas sim de origem econômica.”(NUNES, 1987, p.100). Com Nunes dialogamos, para fazer a introdução desta categoria, concordando com sua afirmação que:

“A sexualidade numa dimensão emancipatória supõe também normas e limites como marcos de sujeitos plenos, e não sanções, preconceitos, segregações, um desfiar de acusações, pecados e medos. Desde o pioneirismo de Freud, sabemos que a sexualidade se a coordenação da sociedade é uma força tanto erótica quanto “tanática”, derivada de tânatos, que configura a morte. Não há sociedade sem a normatização da sexualidade. De uma lado reconhecemos que a exigência social de normatização não significa que toda a normatização deva ser unilateral, totalitária, mordazmente repressora como a história milenar do patriarcalismo tem demonstrado.” (NUNES, 1987, p.108).

Cintra (2003) ajuda-nos a aprofundar o que é esta dimensão sexualidade:

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“Ao ser uma dimensão humana a sexualidade não deixa escapar a nenhum de nós. Não há como conversar sobre o tema sem considerar nossas concepções, nossa história e nossa própria sexualidade Tomar o ser humano como sujeito-objeto de pesquisa e, portanto, como agente-produto, criador e transformador de suas condições de existência, é o que possibilitará uma compreensão mais abrangente da sexualidade humana[...]” (CINTRA, 2003, p. 17).

Portanto a sexualidade é inerente ao ser humano e pode manifestar-se de diversas maneiras, do nascimento até a morte. Frente ao exposto, não existe uma sexualidade, mas, sexualidades. Mas o que nos diferencia dos demais seres vivos, no âmbito de sexualidade, é que ela está intimamente ligada à construção cultural do desejo. Se formos analisar muitos dos livros de história, poderemos observar como a sexualidade se manifestou de diversas formas e como o desejo se expressou diferentemente através dela, em várias épocas e culturas. Em nossa sociedade, são os diversos códigos de conduta que legitimam a expressão do desejo através da sexualidade. O que é proibido, ou não. O que é feio, sujo, pecado, imoral, ético, normal, natural, etc. Enfim, tudo está lá. Desde a medicina higienista até as igrejas, todos promulgam regras e diretrizes sobre a sexualidade padrão. Trocando idéias com Cabral (1999), percebemos o quanto a história da sexualidade está intimamente ligada à construção cultural do desejo. Essa idéia fica muito clara, quando a autora se refere a Santo Agostinho e Lutero e sobre quanto os preceitos daquele primeiro ainda são referência aos católicos e católicas, ditados pelo Papa João Paulo II, hoje, ou seja, o sexo é ainda, nessa abordagem religiosa um mecanismo voltado à procriação.

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A autora comenta sobre Freud, registrando uma das contribuições que esse autor trouxe à questão da dimensão humana da sexualidade:

“A teoria de Freud contrariava diretamente a ideologia reinante daquela época, por isso foi também considerada escandalosa. A concepção positivista e a moral vitoriana em evidencia, no momento em que ele classifica as neuroses e mostra que, na maioria delas, sua etiologia é sexual, reagem demonstrando descontentamento. Até então, em razão dos hábitos culturais o sexo permanecia ausente da análise da vida cotidiana e mesmo da patologia”. (CABRAL, 1999, p.25).

Mais adiante diz Cabral que “para o freudismo que surgia, a sexualidade é que está na base de qualquer expressão humana” (p.26). Isto afirmado por volta de 1900, afrontava o que ela chama de puritanismo da época. Na seqüência de seu trabalho, a autora nos dá dimensão exata da importância da sexualidade como dimensão humana ao traçar uma linha de comparação sobre como a sexualidade era vista a luz da igreja, com Santo Agostinho, com Sigmund Freud (Eros e Tânatos) e na Idade Média, com a dualidade corpo-alma – “Uma reflexão sobre a corporeidade coloca-nos numa condição de sujeito – a partir do corpo que somos – e objeto – a partir daquilo que somos como corpo” (CABRAL, 1999, p.27). Apenas a titulo de ilustração, durante muito tempo quase a maioria dos livros que tratam de morfofisiologia humana tratavam (muitos ainda tratam!) o aparelho sexual humano apenas como aparelho reprodutor, ou, órgão reprodutor, sem quaisquer menções aos prazeres do sexo. Posso registrar que, até o presente momento da apresentação deste trabalho, aprioristicamente, existem três correntes subjacentes aos estudos sobre

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sexualidade: a essencialista biologizante, a culturalista e aquela que considera ambas. A primeira corrente parte do pressuposto de que a sexualidade é determinada por uma herança genética. A segunda, de que a sexualidade se manifesta diferentemente em cada uma pessoa de acordo com a relação ontogenética47 do ser e o meio ambiente em que está inserido, de acordo com o tempo e espaço. Assim, podemos supor uma etnosexualidade48 como uma nova proposta pedagógica, ou seja, estuda as culturas a partir das sexualidades. A terceira e última é uma junção das duas. A sexualidade humana tem uma carga de possibilidades genéticas que podem manifestar-se ou não, e/ou, também, de acordo com o meio e a cultura em que a pessoa está inserida. Uma das antropólogas que dedicou grande parte de sua vida a estudos sobre a relação do ser com o meio e sobre como, desta relação cada cultura se manifesta diferentemente foi Margaret Mead que, em 1931, iniciou uma série de pesquisas na Nova Guiné por dois anos, publicando o livro “Sexo e Temperamento” em 1950 (1999). Seu trabalho deu grande contribuição aos chamados estudos de gênero, ou seja, como se constituem, culturalmente, os papéis sexuais referentes ao ser masculino e feminino e foram de suma importância para subsidiar a luta emancipatória das feministas ( e de outras categorias), nas décadas seguintes. O que pretendo dizer, ao convidar Margaret Mead para esse encontro, é que a sexualidade enquanto dimensão humana possui diversas nuances.
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Deriva de ontologia, ou seja, ciência que considera o ser em si mesmo. Ontogênese diz respeito a constituição corpo-mente do ser. 48 A etnologia é o ramo da antropologia que estuda e compara as diferentes culturas. A etno-sexualidade, enquanto proposta pedagógica, seria o oposto. A partir das manifestações das sexualidades, compreender as culturas.

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A educadora Louro (1998), em faz a seguinte afirmação:

“A sexualidade, não há como negar é mais do que uma questão pessoal e privada, ela se constitui num campo político, discutido e disputado. Na atribuição do que é certo ou errado, normal ou patológico, aceitável ou inadmissível está implícito um amplo exercício de poder que, socialmente, discrimina, separa, classifica”. (LOURO,1998, p.86).

Em seu livro “Gênero, Sexualidade e Educação”, Louro (1997) escreveu um artigo denominado “Construção Escolar das Diferenças”, onde mostra como estruturas sociais, ou locais sociais como a escola, prestam-se a construir determinada tipologia de sexualidade e como estas servem de mecanismos de reprodução do que está estabelecido pela visão social hegemônica. Hoje, em diversos livros também vamos encontrar várias informações sobre como a arquitetura, os brinquedos, os livros, o currículo, intervém na sexualidade. E vemos assim o quanto à dimensão da sexualidade encontra diversas possibilidades de respostas no discurso de vários autores e autoras, em várias vertentes e paradigmas. Katz (1996), em seu livro “A Invenção da Heterossexualidade”, explica-nos algo que muito poucas pessoas sabem. Nele conta que heterossexualidade já foi entendida como uma patologia, na qual uma pessoa tinha um desejo exacerbado por pessoa do sexo oposto e a homossexualidade a ela equiparava-se, no mesmo tipo de entendimento, apenas diferenciando-se quanto ao objeto do desejo, isso lá pela última década do século XIX, época em que o Doutor Von Kraftt-Ebing (KATZ, 1996, p. 31) já deplorava as pessoas não heterossexuais! A dimensão da sexualidade é tão importante que, logo após o surgimento da AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, no início dos anos oitenta (1981),

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várias atividades sobre o esclarecimento de seu significado verdadeiro foram iniciadas mas no Brasil, oficialmente, somente em 1998, surgem os primeiros Cadernos dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, criando, dentre outros o tema transversal denominado “Orientação Sexual”, (denominação adotada no texto mas que para muitos pesquisadores e pesquisadoras, é inadequada. Isto porque Educação Sexual, para uma vertente sexual hoje, é o processo, já orientação sexual refere-se ao desejo sexual, heterossexual, homossexual, etc. ). Das respostas à pesquisa, no que diz respeito a esta categoria pode-se depreender que a maioria das pessoas que contribuíram com suas participações, entende que a sexualidade é inerente ao ser humano. Vejamos algumas de suas respostas: “A sexualidade faz parte do homem e, portanto um e outro são uma coisa só”; “A partir do momento em que falamos de seres humanos, não podemos excluir um fator tão importante como sexualidade.” A noção de corporeidade, de personalidade versus sexo está muito presente. Vejamos esta outra frase: “A sexualidade é uma das partes mais importantes do indivíduo. E, direitos ligados à sexualidade constituem direitos de cidadania sim na medida em que fazem parte deste maravilhoso conjunto chamado ser humano”; “A sexualidade é parte integrante do indivíduo e não pode ser considerada uma coisa à parte”. Todas essas manifestações apontam o entendimento de que a sexualidade é dimensão indissociável do ser humano. Outras pessoas já partem do pressuposto de que a sexualidade é uma escolha como vemos na seguinte frase: “Todo o ser humano tem direito de definir sua sexualidade”. Aponta essa manifestação para um viés que confunde sexualidade com orientação sexual.

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Uma outra fala interessante passa a idéia de sexo com a finalidade de reprodução e prazer: “Lembro-me de uma música, que há anos atrás era a vinheta do fantástico (heeergg) que dizia assim:” sexo, sem ele o mundo não vive “- Nada mais HUMANO!!”. Equipara-se a esta outra: “Sexualidade é humanidade”. Contempla esse visitante a inter-relação de sexo com sexualidade numa perspectiva mais holística. Já esta visitante faz uma relação com a cultura: “A sexualidade está intimamente ligada com a condição humana em todos os sentidos. A expressão humana sexual está ligada à expressão cultural de cada um de nós”. Esta visitante estabeleceu diferenças: “A sexualidade é inerente ao ser humano, desta forma não há forma de dicotomizar o ser sexual do ser social.” Em Costa (1997) encontrei a seguinte afirmação, que corrobora muitas das manifestações na pesquisa:
“A concepção freudiana, ao definir que o homem é um animal que se auto-reprime através das organizações sociais, abandona os pressupostos de construção de uma sexualidade afirmativa e adentra na instrumentalização da repressão sexual. Dessa forma deixa de servir como um instrumento educacional, capaz de livrar o gênero humano da angústia de uma sexualidade frustrada e desprezível”.(COSTA, 1997, p.48).

Werebe (1998), também afirma:
“Cada sociedade, em todos os tempos, procurou controlar a vida sexual de seus membros, tentando colocar limites e barreiras para o seu prazer sexual. Assim foram estabelecidas juridicamente regras e normas para assegurar o caráter politicamente conservador e a utilidade econômica da sexualidade. (WEREBE ,1998, p.3).

As possibilidades de Mediação Emancipatória de um Site sobre Educação Sexual, frase que faz parte do título, e é objetivo geral da pesquisa foram tornandose cada mais claras neste capítulo. Não se pode falar de sexualidade num site na Internet, ou num livro, sem que possamos contextualizá-la devidamente. Há quem

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acredite que a sexualidade “sempre foi assim”, há quem nem sabe definí-la, há quem não sabe identificá-la ou localizá-la. Prestar esclarecimentos, organizar grupos de debates acerca do tema, enfim, é uma das funções do site. Dependendo da ótica, o site é uma ferramenta para alavancar novas reflexões ou um instrumento que pode se prestar a contribuir com a desalienação humana. Portanto nesta perspectiva a categoria “sexualidade como dimensão humana” é fundamental para subsidiar o entendimento da próxima categoria desvelada na pesquisa: o respeito a diversidade.

Respeito à Diversidade

A presente categoria esta entrelaçada às categorias anteriores e trouxe o reconhecimento da existência de uma diversidade sexual e, por conseguinte, a existência de inúmeras orientações sexuais. O emergir desta categoria brotou da questão de que a preservação da individualidade e não apenas da individualização, deve ser observada. Todavia, julgo necessário deixar clara a linha de raciocínio coadunada com o objetivo principal de deste trabalho. Ou seja: o respeito à diversidade é prerrogativa básica, quando se trata de uma educação que se pretende emancipatória e libertadora em qualquer instância educativa, inclusive em um site na Internet sobre educação sexual. Para que a categoria emergida flua com facilidade, sinto que algumas reflexões ainda são necessárias, para que não ocorram outros entendimentos se não aqueles

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que desejo transmitir nessa caminhada e que tratem das manifestações dos visitantes do site que participaram da pesquisa. Vejamos a primeira reflexão em relação ao termo “identidade”: de acordo com Houaiss (2001), a palavra identidade é o conjunto das características próprias e exclusivas de um indivíduo. Para Japiassú e Marcondes (1996) há várias possibilidades de leitura em relação a este termo:

"(lat. Tardio identitas, de idem: o mesmo) Relação de semelhança absoluta e completa entre duas coisas, possuindo as mesmas características essenciais, que são assim a mesma[...]. Na lógica, o princípio da identidade , uma das três leis básicas do raciocínio para Aristóteles, se expressa pela fórmula “A=A”, ou seja, todo objeto é igual a si mesmo”.

E, continuam Japiassú e Marcondes:

“A questão da identidade e da diferença, do mesmo e do outro, é uma das questões mais centrais da metafísica clássica em seu surgimento (Heráclito, Parmênides, Platão). Temos por um lado, a busca de um elemento único, a essência, o ser, que explique a totalidade do real (Parmênides); por outro lado, o pluralismo de Heráclito vê o real como reino da diferença, da mudança e do conflito, sendo que em um sentido dialético algo pode ser e não ser o mesmo, já que está em mudança. Platão busca, de certo modo, conciliar ambas as posições que o influenciaram em sua metafísica dualista, segundo a qual a mudança pertence ao mundo material, ao mundo das aparências, sendo o mundo das formas, fixo, eterno, imutável.” (JAPIASSU e MARCONDES, 1996, p.136,).

Na Proposta Curricular de Santa Catarina (1998), no capítulo relativo a Educação Sexual, na seção destinada a comentar a respeito das “Manifestações da Sexualidade Adolescente” (p.27), há a seguinte afirmação:

“Em seus estudos, Freud fez uma analogia com a tragédia de Sófocles na passagem em que Édipo não compreende o que está escrito no oráculo: “Conhece-te a ti mesmo”. Ou, seja, a identidade é o conhecimento que cada um de nós buscamos em nós mesmos como unidade pessoal que, por sua vez, se distingue de todos os outros indivíduos”.(SANTA CATARINA, 1998, p.27).

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Neste sentido veremos a seguir o quão importante é a identidade para alguém, principalmente para alguém que não tem sua cidadania reconhecida pelo hegemônico. Você se lembra quando falei de sobre “”Teoria da Curvatura da Vara?” Vejamos isso com maior riqueza de detalhes e a linha de correlação que pretendo estabelecer: Relembrando meu diálogo com Saviani (1977, pp.136-138) quando descreve a “Teoria da Curvatura da Vara” (observe a página 10, quando Saviani fala de Althusser, dizendo que tal teoria pertence a Lênin) vejo que identidade e diversidade estão intimamente ligadas. Portanto, na linha de raciocínio que adotei, o respeito à diversidade passa por uma afirmação identitária, por um momento necessário de “curvatura” do não-hegemônico contrapondo-se com a excessiva curvatura do hegemônico. Mas, o que é afirmação identitária? Partindo do pressuposto que toda a cultura hegemônica hoje ainda celebra a heterossexualidade como padrão e não a diversidade da sexualidade e suas demais facetas, e que nos desdobramentos, que são expressões de um positivismo arcaico e ultrapassado, vão sendo apropriados indevidamente, conceitos soltos, para fazer valer a sua dominação, sob uma ótica reducionista da “naturalidade” e “normalidade”, etc. A afirmação identitária que proponho no site procura resgatar a humanidade (entendida aqui em sua dimensão social) também das pessoas não incluídas nas regras padronizantes que regem a sociedade, regras essas que buscam naturalizar “a verdade dos que dominam”. Desta forma, a afirmação identitária é, antes de tudo uma atitude política, inclusiva e resgatadora da cidadania, visando à emancipação pelo esclarecimento, usando do contraste entre os indivíduos que se constituem socialmente (grifo meu)

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num primeiro momento, como pertencentes a uma ou mais categorias e não somente a uma. A idéia é que, a partir da abstração e do entendimento de que as pessoas diferentes têm tantos direitos quanto deveres, conforme todas as outras, ocorra a inclusão. E isto vai além do campo da sexualidade, mas certamente não a exclui. Assim tem sido com a mulheres, com pessoas não-brancas, de etnias diversas, portadoras de necessidades especiais, pessoas que atingiram a maturidade (ou, velhice), pessoas ditas portadoras e portadores de doenças ou necessidades especiais etc. e com as diferentes orientações sexuais. A leitura capitalista de que os indivíduos só têm utilidade, só são “gente”, enquanto economicamente ativos (produtivos) e reprodutivos da espécie, é completamente desfocada da realidade e dificulta afirmações identitárias que possibilitem aos seres humanos serem contemplados em sua tão rica diversidade. Enquanto promove a educação sexual na Internet, o www.glssite.net no sentido vygotskyano, pretende ser mais um agente de mediação. Utiliza-se, dentre outras49 dimensões, da discussão política também, oportunizando a discussão de temas relacionados às sexualidades. Tornou-se (o site) um fórum de debates, com centenas de mensagens (a lista de distribuição de e-mails, lista de discussão chamada listagls, circulou 4.710 mensagens só no primeiro semestre de 2003, o que equivale a 783 mensagens por mês ou quase 27 mensagens por dia, lidas por mais de trezentos participantes/dia).

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Outras dimensões poderiam ser: sexual, econômica, etc. mas a que se mostra mais eficiente é a política.

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Desde 13 de janeiro de 1999 o site foi visitado por 188.401 pessoas. Infelizmente os dados do contador que datavam a partir da criação do site e, no dia primeiro de setembro de 1996 foram perdidos quando o próprio provedor foi atacado por crackers50.

Mas a estimativa é que os números já devem estar além dos duzentos e cinqüenta mil (250.000) acessos. As pessoas que mais visitam o site provem dos seguintes lugares (por ordem de freqüência): 1) Brasil, 2)Portugal, 3)Espanha, 4)Japão, 5)Alemanha, 6)Estados Unidos, 7)Arábia Saudita, 8)Países da América Central, 9)Itália e 10)França. Informações completas com números e percentuais podem ser obtidos no seguinte endereço: http://www.nedstatbasic.net/s?tab=1&link=3&id=155565, ou nos anexos 9, 10 e 11. Portanto, no sentido de oportunizar um espaço político-pedagógico

emancipatório, de respeito à diversidade para gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e heterossexuais o www.glssite.net agrega capital intelectual às pessoas, desconstruindo mitos e tabus, por exemplo, no sentido que Furlani (1998) comenta:

“Sem dúvida a sexualidade constitui-se “numa questão social, estrutural, histórica” e, discutí-la, compreendê-la, recriá-la e re-significá-la passa por transitar, não só na Biologia, mas na contribuição de estudos nas áreas da História, da Antropologia, da moral, da evolução social e da política econômica. Isto porque “as relações sexuais são relações sociais, construídas historicamente em determinadas estruturas, modelos e valores que dizem respeito a determinados interesses de épocas diferentes”, que consolidam modelos sociais hegemônicos de vivência e, mais do que isso, ditam as “verdades” sobre a sexualidade individual e coletiva.” (FURLANI, 1998, p.16).
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Pessoas que desenvolvem programas com o intuito de invadir e destruir conteúdo.

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A questão de um site voltado para a Educação Sexual de GLBT51 e a tantas outras letras que podem a vir e existir e significar todas as orientações possíveis, significa socializar que existem “n” possibilidades de ajuntamentos afetivos, eróticos, sexuais e sabe lá mais o quê, entre as pessoas. Por que parece haver tanta necessidade em afirmar sua identidade e o seu contraposto, a diferença tratado como desigualdade? Para estabelecer os limites, diria Friedrich Nietzsche, ou pelo menos a noção de fronteiras (borderlines) entre os indivíduos. Usarei o signo, a linguagem, para demonstrar essa noção. Senão, vejamos a última palavra que escrevi no parágrafo anterior, “indivíduos”. Indivíduo significa próprio do ser. Pode-se referir a um grupo de indivíduos mulheres ou homens, todavia trata-se “do indivíduo”, trata-se “do ser” e, não, “da indivíduo”, ou “da ser”. Esta construção de linguagem possui toda uma justificativa gramatical que acentua a diferença entre os gêneros feminino e masculino e, por extensão, de todas as possíveis variações que não fazem parte do que está hegemonicamente estabelecido como normal e natural. Estes substantivos-sujeitos não incluem o feminino. Sintetizando, a questão da produção social da identidade tem a ver, conforme Silva (2000) com o estabelecimento da diferença, ou seja, parametrizar, localizar o outro, que não é igual a mim. Ao fazê-lo, eu o estabeleço no tempo e no espaço, na forma de uma construção cultural, atribuindo-lhe um valor.

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Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros.

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É neste sentido, então, por exemplo, que as pessoas não-heterossexuais precisam afirmar, estabelecer as suas identidades sociais, para demonstrarem que existem enquanto agentes político-sociais. Entendo que não-heteros, paradoxalmente, não precisam de muito esforço para se afirmarem como tal, uma vez que o Estado, quando lhes nega as mesmas condições previstas na legislação e as aceita somente para as pessoas heterossexuais, os (as) reconhece legitimamente. Mais adiante, este mesmo Estado cobra deveres de todas as pessoas: heterossexuais ou não. Mas, os direitos são apenas na medida que atendem as prerrogativas do hegemônico. Ou seja, só tem direitos em sua plenitude quem é heterossexual. Esta negação dos direitos aos outros e outras não-heterossexuais lhes dá a ferramenta exata para afirmarem suas identidades como seres humanos diversos, constituídos (as) que são, culturalmente. Portanto, na negação, a afirmação! Conforme Silva (2000),

“Em uma primeira aproximação, parece ser fácil definir ”identidade”. A identidade é simplesmente aquilo que se é: “sou brasileiro”, “sou negro”,[...]A identidade assim concebida parece ser uma positividade (“aquilo que eu sou”), [...] um “fato” autônomo [...] ela é auto-contida e auto suficiente. Na mesma linha de raciocínio, também a diferença como uma entidade independente [...]é aquilo que o outro é: “ela é homossexual”, “ela é velha”[...] A diferença tal como a identidade, simplesmente existe.” (SILVA, 2000, p.74).

Mais adiante, ele afirma:

“Além de serem interdependentes, identidade e diferença partilham de uma importante característica: elas são o resultado de atos de criação lingüística. Dizer que são o resultado de atos de criação significa dizer que não são

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“elementos” da natureza, que não são essências, que não são coisas que estejam simplesmente aí, à espera de serem reveladas ou descobertas, respeitadas ou toleradas[...].Elas não são criaturas do mundo natural ou de um mundo transcendental, mas do mundo cultural e social.” (SILVA, 2000.p.76).

E, para se ter uma noção da contribuição firme de Silva, volto a citá-lo num ponto que considero crucial:

“A identidade normal é ”natural”, desejável, única. A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma identidade, mas simplesmente como a identidade. Paradoxalmente, são as outras identidades que são marcadas como tais: Numa sociedade em que impera a supremacia branca, por exemplo, “ser branco” não é considerado uma identidade étnica ou racial. Num mundo governado pela hegemonia cultural estadunidense, “étnica” é a música ou a comida dos outros países. É a sexualidade homossexual que é “sexualizada”, não a heterossexual. A força homogeinizadora da identidade normal é diretamente proporcional a sua invisibilidade.” (SILVA, 2000. p.83, grifo meu).

Seria mais ou menos aquilo que Foucault (2002) pretendia dizer, se devidamente contextualizado, quando deu a aula inaugural no Collège de France em 2 de setembro de 1970, ou seja, dentre outras coisas de que, o discurso tem o poder de excluir, porque está investido de um poder que nós delegamos a outrem. Eis aqui algumas frases das pessoas que responderam ao questionário on-line, selecionadas para esta categoria, Respeito a Diversidade: “Todos temos direito de ser diferentes”. A questão da identidade dita “normal” é tão forte que a visitante não se deu conta da obviedade de suas palavras, ou seja, somos sempre pessoas diferentes. “Igualdade perante todos”. Pretendeu dizer que todos somos iguais perante a Lei, e não perante um determinado grupo social. Trata-se da igualdade de direitos em relação as demais pessoas, equiparando-se as heterossexuais.

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Se não vejamos como o visitante virtual que se identifica como homossexual, manifesta-se: “Todo ser humano independente da identidade sexual tem o direito de se expressar seja qual for sua preferência sexual”; outro visitante virtual diz: “Todos têm o direito de serem iguais e diferentes”. O discurso aqui embutido é de total inclusividade. O mesmo ocorre na mesma linha de pensamento nas seguintes frases: “A diversidade sexual é um fato real da natureza humana”; “Por que antes de sermos gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros, somos tod@s seres humanos”. Aqui temos outra frase interessante que, ao seu final, recorre ao respeito à diversidade: “Assim, porque como o sexo envolve grande parte de nossas vidas e deve ser considerado o direito humano a opção de uma vida sexual satisfatória e equilibrada, com respeito às expressões alheias”. Numa análise das Constituições Brasileiras, Pinto (1999), escreveu um artigo denominado “Foucault e as Constituições brasileiras: quando a lepra e a peste se encontram com os nossos excluídos”. Ela mostra no artigo que, na medida da necessidade, durante a promulgação das oito (08) constituições, o Brasil teve períodos históricos em que, às vezes, foi mais interessante incluir que excluir, obviamente, de acordo com a conveniência de cada época. Novamente voltamos à questão de que a diversidade, inclusive a de orientação sexual. É uma construção cultural e, como tal, deve ser entendida e trabalhada em qualquer processo intencional, emancipatório, de educação sexual. Nesta minha reflexão sobre diversidades encontro com Bhabha (1998), que possui diversos estudos quanto a multiculturalismo e hibridismo. Trata das culturas

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que se encontram num determinado momento histórico, podendo dar origem a uma terceira cultura que pode, por sua vez, temporariamente, carecer de identidade e ficar limítrofe (ou, borderline); esta somente se firmará quando forem vivenciadas ações afirmativas eficazes. Especialmente em seu texto “O Local da Cultura”, Homi Bhabha levanta diversas categorias, dentre as quais, “identidades” e deixa antever o papel importante da educação nas questões de gênero, por exemplo, no enfrentamento da questão do respeito à diversidade. Nenhuma análise das categorias que são apresentadas nesta dissertação pode se caracterizar como pronta, acabada, fechada em si mesma porque todas fazem parte de um processo. Mas certamente servem de momentos, de ações afirmativas sobre a questão das possibilidades de mediação emancipatória do site www.glssite.net.

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Considerações Finais Começo este parágrafo com uma interrogação: “Incluir” o excluído será inserí-lo na mesmice? Acredito que, não! Todavia, exemplos do oposto não faltam. Incluir o excluído no processo de oportunidades que são oferecidas a outras pessoas é oferecer-lhe, pelo menos, a chance de fazer uma escolha. As mulheres, por exemplo, são pessoas que supostamente estão inclusas num processo de normalidade, mas, nem por isso todas as mulheres resolveram ter uma identidade profissional “essencialmente masculina”. Muitas delas entendem que, embora tenham uma jornada dura de trabalho não remunerado como domésticas, muitas vezes mães, não são reconhecidas socialmente. Muitas mulheres heterossexuais principalmente estão num outro patamar de valores que lhes possibilita reivindicar uma série de benefícios e a justiça assim as entende. Um artigo que deixa isto muito bem claro, porque não vou entrar no mérito desta questão antropológica, está numa entrevista feito por Diogo Schelp (2003) com o autor de “O Sexo Oprimido”52, Van Creveld, cujo título é:” Historiador diz que os discriminados são os homens e que eles têm menos direitos que as mulheres”. Ora! Homens e mulheres heterossexuais sempre puderam fazer escolhas sob a égide que contém as regras do hegemônico que sempre lhes favorece. Já as pessoas não-heterossexuais, não estão sob a proteção de qualquer égide e têm grandes dificuldades de se articularem entre si e usufruírem o que a há de melhor e, mais, este – “não poder articular-se” - é criado pelo poder hegemônico que, no sentido marxista, é mais que uma estratégia de um grupo totalmente
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Disponível em:<http://veja.abril.com.br/011003/p_070.html> acessado em 04/10/2003.

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reificado53, alienado e que prefere as mesmices que conservam o que está exposto como “normal”. O filósofo francês, Pierre Lévy, em entrevista a Revista Nova Escola (2003, p.2226), sob o título “Estamos Todos Conectados”, revela a possibilidade de construirmos uma inteligência coletiva. Para o entrevistado, inteligência coletiva:

“É a capacidade de trocar idéias, compartilhar informações e interesses comuns, criando comunidades e estimulando conexões. Para começar, tome o cérebro humano. Fazemos infinitas conexões, que se intensificam à medida que envelhecemos. Agora, imagine que podemos, graças ao computador, integrar essa “constelação de neurônios” com a de milhões de outras pessoas. Essa é a comparação que faço. A Internet nos permite hoje criar uma superinteligência coletiva, dar início a uma grande revolução humana” (LÉVY, 2003, p.24).

Nesta ótica, as possibilidades de mediação emancipatória de um site sobre Educação Sexual, que é o título desta dissertação de mestrado, visam demonstrar que é possível quebrar determinados paradigmas ditos hegemônicos, porque, citando Wanderley (1999), “Fazendo um recorte ”ocidental” poder-se-ía dizer que “excluídos são todos aqueles que são rejeitados de nossos mercados materiais ou simbólicos, de nossos valores”. Warken e Warken (2003), fazem a seguinte colocação:

“Quanto à Educação Sexual propriamente dita, posso afirmar que a Internet possibilitou e possibilita um trabalho de sucesso em larga escala junto ao público. Essa afirmação é corroborada pelas estatísticas que venho obtendo junto ao GLSSITE.NET, site destinado à Educação Sexual de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e simpatizantes, espaço que criei em 1996, com a finalidade de divulgar informações sobre formas de prevenção contra
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Segundo a teoria marxista, a reificação é o último estágio da alienação do trabalhador, no sentido de que sua força de trabalho se transforma em valor de troca, escapando a seu próprio controle e tornando-se uma “coisa autônoma”.(JAPIASSÚ, 1996, p.233).

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a AIDS [...] e que hoje é também referência no que se refere a Direitos Sexuais e Direitos humanos.” (WARKEN e WARKEN, 2003, p.92).

Então, vislumbro sim possibilidades promissoras na Internet, principalmente para educadoras e educadores, por exemplo, que gostariam de compartilhar

conhecimentos através da publicação de seus materiais em livros reais, mas que, dados os elevados custos, não podem fazê-lo. Já que a Internet está aí, podem aproveitá-la. Neste sentido é que o próprio www.glssite.net também possui uma área destinada a trabalhos de pesquisadores e pesquisadoras, uma outra área para colunistas voluntários, e assim por diante. Adorno (2000, p.19), juntamente com Horkheimer já diziam: “O

desenfeitiçamento do mundo é a erradicação do animismo”, quando conceitua iluminismo. Em “Dialética do Esclarecimento”, Horkheimer e Adorno (1985, p.144), citavam: “Na indústria, o individuo é ilusório não apenas por causa da padronização do modo de produção. Ele só é tolerado na medida em que sua identidade incondicional com o universal está fora de questão”. De acordo com Adorno, citado por Zuin:

“De um certo modo, emancipação significa o mesmo que conscientização, racionalidade...A educação seria impotente e ideológica se ignorasse o objetivo de adaptação e não preparasse os homens para se orientarem no mundo.” (ZUIN,1999, p.119).

Esta é a ótica na qual procuro trabalhar no www.glssite.net. Acredito que a emancipação se dá com o processo contínuo de esclarecimento da pessoa, que vai se libertando de velhas amarras, ao tomar contato não só com a realidade visível, mas com o significado histórico e cultural de sua realidade, ou seja, porque sua

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realidade é do jeito que é. Esse processo é um auxílio precioso na construção do protagonismo de cada cidadão, de cada cidadã. Num artigo escrito para o caderno Mais!, do jornal Folha de São Paulo, (17/10/99, p.8), o sociólogo Pierre Bordieu escreveu um artigo intitulado: “Bordieu desafia a mídia Internacional”. Neste artigo Bordieu demonstra sua preocupação quanto a mídia no sentido que já deixamos claro, de certa forma, aqui na dissertação, ou seja, a mídia também se presta ao poder na sua face desumanizada. Há um momento em que ele declara que gostaria de fazer uma pergunta aos donos de negócios na mídia global: “senhores do mundo, vocês têm domínio de seu domínio? Ou, mais simplesmente, sabem realmente o que fazem, o que estão fazendo, todas as conseqüências do que estão fazendo?”. Mais adiante, ainda referindo-se as mídias ele cita:

“[...] em suma, tudo o que se agrupa sob o nome de “catch all” de informação, deve ser tratado como uma mercadoria igual às outras, a que se devem aplicar as mesmas regras que a qualquer outro produto; e que esse produto industrial padronizado deve assim obedecer à lei comum, a lei do lucro, imune a qualquer exceção cultural sancionada pelas limitações regulamentares[...]. Dizem-nos enfim que a lei do lucro, isto é, a lei do mercado, é eminentemente democrática, já que sanciona o triunfo do produto que é plebiscitado pelo maior número de pessoas.” (BORDIEU,1999, p.8).

O mestre parece estar muito aborrecido por estar assistindo a coisificação do conhecimento e com a falta de indignação das pessoas, ou talvez por elas se encontrarem aparentemente, numa forma de catarse. Quem assistiu aos três filmes dos irmãos Wachonski, Matrix (1999) e Matrix Reloaded (2001), Matrix Revolution (2003) deve entender melhor onde Bordieu quer chegar. Afinal de contas, é a minha realidade apenas uma virtualidade que vivifico

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enquanto estou narcotizado, enquanto que minha realidade “real” é algo mais obscuro da qual preciso me alienar e, que não me ajuda numa emancipação? Em seu artigo “Mediação Pedagógica e o Uso da “Tecnologia”, Masetto (2001) pergunta, criticamente: “Para que se preocupar com tecnologias que colaborem para um ensino e uma aprendizagem mais eficazes? Não basta o domínio do conteúdo como todos apregoam?” Para o autor, a tecnologia é uma ferramenta de mediação entre quem ensina e quem aprende (e vice-versa). Mesmo se o site deixar de estar acessível por algum motivo, acredito que a mensagem de que esta mídia é possível de ser utilizada para uma Educação Sexual Emancipatória, mesmo que seja numa outra oportunidade, continuará a ecoar. Isto porque o www.glssite.net é um espaço virtual que vive um processo constante de transformação. Ele se reconstrói e vai se adequando às necessidades das pessoas em sua busca de emancipação. Nessa perspectiva, um dos espaços mais dialéticos dentro do site, fora a parte de documentação e educacional são as chamadas, listas de discussão, sempre dinâmicas e realimentadoras do site. E certamente essa perspectiva dialética é uma indicação de uma prática educativa crítica. Em “Pedagogia da Autonomia” do Mestre Paulo Freire, encontrei diversos tópicos sobre o que ele pensa ser o conjunto de valores para que se tenha uma boa prática educativo-crítica. Insisto nisto porque educar é o ponto focal do www.glssite.net. Educar para a cidadania, para os direitos humanos, com um recorte na área da educação sexual. O item 1.7 de seu livro, diz:

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“É próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas cronológico. O velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo continua novo.[...] A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia.“ (FREIRE, 1995, p.35-36).

É possível mudar? Esta dissertação é quase uma proposta, um desafio. E, digo isto não pensando somente na educação sexual, mas nas “educações”. Desde a mais generalista aquela mais específica. Há vários caminhos ainda não trilhados na Internet. Outros, já trilhados, podem ser revistos, reinventados. Mas devem os e as que educam ocupar também esses espaços. Isto porque precisamos estar atentos (as) também para o fato de que, muito mais que servir para diminuir distâncias, a Internet e seus sites educacionais servem e devem servir cada vez mais para à inclusão digital, antes que estas ferramentas sejam utilizadas apenas para aumentar as distâncias sociais entre as pessoas e o conhecimento. E, conhecimento não pode ser um privilégio e, sim, uma oportunidade. Aceite o risco. Tente! Você pode. Eu estou tentando.

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ANEXOS 1 - PNDHU – Plano Nacional de Direitos Humanos Referencias AOS Homossexuais no PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS II http://www.mj.gov.br/sedh/index.htm Orientação Sexual 114. Propor emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por orientação sexual.

115. Apoiar a regulamentação da parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação da lei de redesignação de sexo e mudança de registro civil para transexuais.

116. Propor o aperfeiçoamento da legislação penal no que se refere à discriminação e à violência motivadas por orientação sexual.

117. Excluir o termo 'pederastia' do Código Penal Militar.

118. Incluir nos censos demográficos e pesquisas oficiais dados relativos à orientação sexual.

No capítulo GARANTIA DO DIREITO A IGUALDADE, estão referidas as seguintes minorias sociais com o total de propostas afirmativas:

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CRIANÇAS E ADOLESCENTES: 45 MULHERES: 19 AFRO-DESCENDENTES: 28 POVOS INDIGENAS: 23 GAYS, LESBICAS, TRANSEXUAIS E BISSEXUAIS: 10 ESTRANGEIROS E MIGRANTES: 9 CIGANOS: 6 PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIENCIA: 17 IDOSOS: 13

Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais - GLTTB

231. Promover a coleta e a divulgação de informações estatísticas sobre a situação sócio-demográfica dos GLTTB, assim como pesquisas que tenham como objeto as situações de violência e discriminação praticadas em razão de orientação sexual.

232. Implementar programas de prevenção e combate à violência contra os GLTTB, incluindo campanhas de esclarecimento e divulgação de informações relativas à legislação que garante seus direitos.

233. Apoiar programas de capacitação de profissionais de educação, policiais, juízes e operadores do direto em geral para promover a compreensão e a consciência ética sobre as diferenças individuais e a

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eliminação dos estereótipos depreciativos com relação aos GLTTB.

234. Inserir, nos programas de formação de agentes de segurança pública e operadores do direito, o tema da livre orientação sexual.

235. Apoiar a criação de instâncias especializadas de atendimento a casos de discriminação e violência contra GLTTB no Poder Judiciário, no Ministério Público e no sistema de segurança pública.

236. Estimular a formulação, implementação e avaliação de políticas públicas para a promoção social e econômica da comunidade GLTTB.

237. Incentivar ações que contribuam para a preservação da memória e fomento à produção cultural da comunidade GLTTB no Brasil.

238. Incentivar programas de orientação familiar e escolar para a resolução de conflitos relacionados à livre orientação sexual, com o objetivo de prevenir atitudes hostis e violentas.

239. Estimular a inclusão, em programas de direitos humanos estaduais e municipais, da defesa da livre orientação sexual e da cidadania dos GLTTB.

240. Promover campanha junto aos profissionais da saúde e do direito para o esclarecimento de conceitos científicos e éticos relacionados à comunidade GLTTB.

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2 - Declaração de Valência sobre os Direitos Sexuais, em 29-7-97. Tradução de Sonia Melo As pessoas participantes no XIII Congresso Mundial de Sexologia “Sexualidade e Direitos Humanos” declaram que: A sexualidade humana é dinâmica e mutável, se constrói continuamente pela mútua interação do indivíduo e as estruturas sociais, está presente em todas as épocas da vida, como força integradora da identidade e contribui para fortalecer e/ou produzir vínculos interpessoais. O prazer sexual, incluindo o auto-erotismo, é fonte de bem estar físico, psíquico, intelectual e espiritual. É parte de uma sexualidade livre de conflitos e angústia, promotora do desenvolvimento pessoal e social. Portanto, propomos que a sociedade crie as condições dignas onde se possam satisfazer as necessidades para o desenvolvimento integral da pessoa e o respeito aos seguintes Direitos Sexuais inalienáveis, invioláveis e insubstituíveis de nossa condição humana: Direito à liberdade que exclui todas as formas de coerção, exploração e abusos sexuais em qualquer momento da vida e em toda condição. A luta contra a violência constitui uma prioridade. A criança tem direito de ser desejada e querida. Direito à autonomia, integridade e segurança corporal. Este direito abrange o controle e desfrute do próprio corpo, livre de torturas, mutilações, e violências de toda índole. Direito à igualdade e à equidade sexual. Refere-se a estar livre de todas as formas de discriminação. Implica respeito à multiplicidade e diversidade das formas

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de expressão da sexualidade humana, seja qual for o sexo, gênero, idade, etnia, classe social, religião e orientação sexual a qual se pertença. Direito à saúde sexual. Incluindo a disponibilidade de recursos suficientes para o desenvolvimento da investigação e conhecimentos necessários para sua promoção. A AIDS e as DST requerem há tempos mais recursos para seu diagnóstico, investigação e tratamento. Direito à informação ampla, objetiva e verídica sobre a sexualidade humana que permita tomar decisões a respeito da própria vida sexual. Direito a uma educação sexual integral desde o nascimento e ao largo de toda a vida. Neste processo devem intervir todas as instituições sociais. Direito à livre associação. Significa a possibilidade de contrair ou não matrimônio, de dissolver dita união e de estabelecer outras formas de convivência sexual. Direito à decisão reprodutiva livre e responsável. Ter ou não ter filhos, o espaçamento entre os nascimentos e o acesso as formas regulares de fecundidade. Direito à vida privada que implica na capacidade de tomar decisões autônomas com respeito à própria vida sexual dentro de um contexto de ética pessoal e social. O exercício consciente racional e satisfatório da sexualidade é inviolável e insubstituível. A sexualidade humana constitui a origem do vínculo mais profundo entre os seres humanos e de sua realização efetiva depende o bem-estar das pessoas, dos

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casais, da família e da sociedade. É portanto, seu patrimônio mais importante e seu respeito deve ser promovido por todos os meios possíveis. A SAÚDE SEXUAL É UM DIREITO HUMANO BÁSICO E FUNDAMENTAL 6.2.1 – Declaração de Hong Kong

3 - Declaração dos Direitos Sexuais WAS - World Association for Sexology Durante o XV Congresso Mundial de Sexologia, ocorrido em Hong Kong (CHINA), entre 23 e 27 de agosto p.p., a Assembléia Geral da WAS - World Association for Sexology)aprovou as emendas para a Declaração de Direitos Sexuais, decidida em Valência, no XIII Congresso Mundial de Sexologia, em 1997. Sexualidade é uma parte integral da personalidade de todo ser humano. O desenvolvimento total depende da satisfação de necessidades humanas básicas tais quais desejo de contato, intimidade, expressão emocional, prazer, carinho e amor. A sexualidade é construída através da interação entre o indivíduo e as estruturas sociais. O total desenvolvimento da sexualidade é essencial para o bem estar individual, interpessoal e social. Os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade inerente, dignidade e igualdade para todos os seres humanos. Saúde sexual é um direito fundamental, então saúde sexual deve ser um direito humano básico. Para assegurarmos que os seres humanos e a sociedade desenvolva uma sexualidade saudável, os seguintes direitos sexuais devem ser reconhecidos, promovidos,

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respeitados e defendidos por todas sociedades de todas as maneiras. Saúde sexual é o resultado de um ambiente que reconhece, respeita e exercita estes direitos sexuais. 1 - O DIREITO À LIBERDADE SEXUAL A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção, exploração e abuso em qualquer época ou situações de vida. 2- O DIREITO À AUTONOMIA SEXUAL, INTEGRIDADE SEXUAL E À SEGURANÇA DO CORPO SEXUAL Este direito envolve a habilidade de uma pessoa em tomar decisões autônomas sobre a própria vida sexual num contexto de ética pessoa e social. Também inclui o controle e o prazer de nossos corpos livres de tortura, mutilação e violência de qualquer tipo. 3- O DIREITO À PRIVACIDADE SEXUAL O direito às decisões individuais e aos comportamentos sobre intimidade desde que não interfiram nos direitos sexuais dos outros. 4- O DIREITO À IGUALDADE SEXUAL Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente do sexo, g6enero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião, deficiências mentais ou físicas. 5- O DIREITO AO PRAZER SEXUAL O prazer sexual, incluindo o autoerotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual.

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6- O DIREITO À EXPRESSÃO SEXUAL A expressão sexual é mais que um prazer erótico ou atos sexuais. Cada indivíduo tem o direito de expressar a sexualidade através da comunicação, toques, expressão emocional e amor. 7- O DIREITO À LIVRE ASSOCIAÇÃO SEXUAL Significa a possibilidade de casamento ou não, ao divórcio, e ao estabelecimento de outros tipos de associações sexuais responsáveis. 8- O DIREITO ÀS ESCOLHAS REPRODUTIVAS LIVRES E RESPONSÁVEIS É o direito em decidir ter ou não ter filhos, o número e o tempo entre cada um, e o direito total aos métodos de regulação da fertilidade. 9- O DIREITO À INFORMAÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO CIENTÍFICO A informação sexual deve ser gerada através de um processo científico e ético e disseminado em formas apropriadas e a todos os níveis sociais. 10- O DIREITO À EDUCAÇÃO SEXUAL COMPREENSIVA Este é um processo que dura a vida toda, desde o nascimento, pela vida afora e deveria envolver todas as instituições sociais. 11- O DIREITO À SAÚDE SEXUAL O cuidado com a saúde sexual deveria estar disponível para a prevenção e tratamento de todos os problemas sexuais, preocupações e desordens.

4 - Declaração Universal dos Direitos Humanos Proclamada em 10 de dezembro de 1948, pela Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU)

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CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito aos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade, CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão, CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades, CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso, A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos do Homem" como o ideal comum a ser atingido por todos os

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povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. Artigo 1 Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo 2 I. Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. II. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. Artigo 3 Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

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Artigo 4 Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas. Artigo 5 Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. Artigo 6 Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei. Artigo 7 Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo 8 Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. Artigo 9 Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado. Artigo 10

115

Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. Artigo 11 I. Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa. II. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso. Artigo 12 Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. Artigo 13 I. Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. II. Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

116

Artigo 14 I. Todo o homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

II. Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas. Artigo 15 I. Todo homem tem direito a uma nacionalidade. II. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade. Artigo 16 I. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. II. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. III. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. Artigo 17

117

I. Todo o homem tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. II. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. Artigo 18 Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. Artigo 19 Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras. Artigo 20 I. Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas. II. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. Artigo 21 I. Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. II. Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.

118

III. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. Artigo 22 I. Todo o homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade. Artigo 23 I. Todo o homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. II. Todo o homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. III. Todo o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. IV. Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses. Artigo 24

119

Todo o homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. Artigo 25 I. Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. II. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social. Artigo 26 I. Todo o homem tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnica profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. II. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

120

III. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. Artigo 27 I. Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios. II. Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor. Artigo 28 Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. Artigo 29 I. Todo o homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. II. No exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

121

III. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, serem exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas. Artigo 30 Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.

5 - CONTEÚDO DA LEI ESTADUAL 12.574/2003 - APROVADA EM SANTA CATARINA

Lei 12.574/2003 Dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual e adota outras providências. A Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina decreta:

Art. 1º Serão punidos, nos termos desta Lei, toda e qualquer manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra qualquer cidadão ou cidadã homossexual, bissexual ou transgênero.

Art. 2º Consideram-se atos atentatórios e discriminatórios aos direitos individuais e coletivos dos cidadãos e cidadãs homossexuais, bissexuais ou transgêneros, para os efeitos desta Lei:

122

I - submeter o cidadão ou cidadã homossexual, bissexual ou transgênero a qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica;

II - proibir o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público;

III - praticar atendimento selecionado que não esteja devidamente determinado em lei;

IV - preterir, sobretaxar ou impedir a hospedagem em hotéis, motéis, pensões ou similares;

V - preterir, sobretaxar ou impedir a locação, compra, aquisição, arrendamento ou empréstimo de bens móveis ou imóveis de qualquer finalidade;

VI - praticar o empregador, ou seu preposto, atos de demissão direta ou indireta, em função da orientação sexual do empregado;

VII - inibir ou proibir a admissão ou o acesso profissional em qualquer estabelecimento público ou privado em função da orientação sexual do profissional; e VIII - proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão ou cidadã homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações

123

permitidas ao demais cidadãos e cidadãs.

Art. 3º São passíveis de punição o cidadão ou cidadã, inclusive os detentores de função pública, civil ou militar, e toda e qualquer organização social ou empresa, com ou sem fins lucrativos, de caráter privado ou público, instaladas neste estado, que intentarem contra o que dispõe esta Lei.

Art. 4º A prática dos atos discriminatórios a que se refere esta Lei será apurada em processo administrativo, que terá início mediante:

I - reclamação do ofendido;

II - ato ou ofício de autoridade competente; e

III - comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.

Art. 5º O cidadão e a cidadã homossexuais, bissexual ou transgênero que for vítima dos atos discriminatórios poderá apresentar sua denúncia pessoalmente ou por carta, telegrama, telex, via internet ou fax ao órgão estadual competente e/ou a organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.

§ 1º A denúncia deverá ser fundamentada através da descrição do fato ou ato discriminatório, seguido da identificação de quem faz a denúncia, garantindo-se, na forma da lei, o sigilo do denunciante.

124

§2º Recebida a denúncia, competirá à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania promover a instauração do processo administrativo devido para apuração e imposição das penalidades cabíveis.

Art. 6º As penalidades aplicáveis aos que praticarem atos de discriminação ou qualquer outro ato atentatório aos direitos e garantias fundamentais da pessoa humana serão as seguintes:

I - advertência;

II - multa de R$ 1.000 (um mil Reais);

III - multa de R$ 3.000 (três mil Reais);

IV - suspensão da licença estadual para funcionamento por trinta dias; e V - cassação da licença estadual para funcionamento.

§ 1º As penas mencionadas nos incisos II a V deste artigo não se aplicam aos órgãos e empresas públicas, cujos responsáveis serão punidos na forma do Estatuto dos funcionários públicos.

§ 2º Os valores das multas serão corrigidos a partir da data da publicação dessa Lei pela taxa de juros SELIC, podendo ser elevados em até dez vezes quando for verificado que, em razão do porte do estabelecimento, resultarão inócuas.

125

§ 3º Quando for imposta a pena prevista no inciso V supra, deverá ser comunicada a autoridade responsável pela emissão da licença, que providenciará a sua cassação, comunicando-se, igualmente, a autoridade municipal para eventuais providências no âmbito de sua competência.

Art. 7º Aos servidores públicos que, no exercício de suas funções e/ou em repartição pública, por ação ou omissão deixarem de cumprir os dispositivos da presente lei, serão aplicadas as penalidades cabíveis nos termos do Estatuto dos funcionários públicos.

Art. 8º O Poder Público disponibilizará cópias desta Lei para que sejam afixadas nos estabelecimentos e em locais de fácil leitura pelo público em geral.

Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 10. Revogam-se as disposições em contrário.

6 - A História da Internet 1957 - A União Soviética lança o foguete Sputnik , o primeiro satélite artificial terrestre. Como resposta, os Estados Unidos formam a Advanced Research Projects Agency (ARPA), dentro do Departamento de Defesa para estabelecer a liderança norte-americana em ciência e tecnologia aplicáveis militarmente.

126

1965 - A Arpanet patrocina um estudo intitulado “A Competitive Network of Time Sharing Computers” (ou Uma Rede Competitiva com Computadores Interligados Simultaneamente); 1967 - Os primeiros planos de packet-switching sobre princípios de operatividade são apresentados em um simpósio da ACM (Association for Computing Machinery), uma organização científica e educacional, dedicada as pesquisas na área de tecnologia da informação; a ARPA discute um protocolo para a troca de mensagem entre computadores; é desenvolvido o conceito da Arpanet Packet Switch, o IMP; 1969 – O Departamento de Defesa dos EUA contrata um time de pesquisadores nas áreas de negócios, acadêmica e do governo para colaborar com a Arpanet; quatro lugares são escolhidos como os lares dos primeiros IMPs da Arpanet: Universidade de UCLA, em Los Angeles, o SRI (Stanford Research Institute), a UCSB (Universidade da Califórnia em Santa Barbara) e a Universidade de Utah, também nos EUA; 1970 – É criado o network Control Protocol (NPC), precursor direto do TCP; 1971 – Os computadores estão conectados a cerca de 24 lugares; o NWG define os protocolos para acesso de terminal remoto (Telnet) e para transferência de arquivos (FTP); 1972 – Na International Conference on Computer Communication, em Washington, é feita a primeira demonstração pública da Arpanet; Ray Tomlinson, da BBN Tecnologies envia o primeiro e-mail;

127

1973 – É feita a primeira conexão internacional da Arpanet, entre Inglaterra e Noruega; 1974 – Vintion Cerf e Bob Kahn, da ARPA, publicam “A Protocol for Packet Network Interconection”, definindo o Transmission Control Protocol (TCP), que permite a comunicação por computadores via um sistema de redes; é feita a primeira grande revisão no protocolo da Telnet; 1975 – A Arpanet alcança 63 IMPs, o que demanda mais uma grande revisao nos padrões de endereçamento de redes; a direção da Arpanet passa da ARPA para a Defense Communicatios Agency; 1976 – Os primeiros roteadores Internet são desenvolvidos pena pela BBN, pela Universidade de Stanford e pela Universidade College, em Londres; a CCITT (International Telegraph and Telephone Consultation Comitee) define o protocolo X.25 para redes públicas de pacotes; AT&T Bell Labs desenvolve o UUCP(Unix to Unix Protocol); 1977 – A BBN desenvolve o primeiros TCP para Unix; 1979 – Surge a Usenet; 1980 – A Arpanet se espalha rapidamente pelos EUA, conectando mais de 400 hosts em universidades, no governo e em organismos militares; mais de dez mil pessoas tem acesso a Rede; 1981 – Começa a CSNET (Computer Science Network); os computadores em mais de 200 lugares são conectados via Arpanet; a mudança de NCP para TCP é

128

programada para 1° de janeiro de 1983; a BITNET, (Because It’s Time Network) começa como uma rede cooperativa na City University, de Nova York; 1982 – O Departamento de Defesa dos EUA resolve montar uma rede de dados de defesa, baseada na tecnologia da Arpanet; 1983 – O TCP/IP é estabelecido. A internet começa a surgir; é desenvolvido o Name Server da Universidade de Wisconsin; estações de trabalho se tornam acessíveis e há uma explosao de redes locais; 1984 – É estabelecido o DNS (Domain Name Server); o número de hosts da Arpanet ultrapassa mil; 1986 – A National Science Foundation implementa a NSFNET, um sistema de redes regionaois de roteadores conectados por meio de um backbone; a Arpanet começa a ser denominada Internet; 1987 – Mais de mil BBSes estão ligados em rede; o crescimento da rede dificulta o acesso da comunidade acadêmica – era o embrião da Internet2; 1988 – É registrada a marca de 77.448.692 pacotes transmitidos pela Arpanet, por dia; começa o desmantelamento da Arpanet; o Internet Relay Chat (IRC) é desenvolvido por Jarkko Oikarinen; 1989 - A Arpanet desaparece; o número de hosts Internet passa de 100 mil; o número de requisiçòes de arquivos, via FTP chega a mil por mês; 1990 – O Brasil(.br) se conecta à NSFNET juntamente com a Argentina (.ar), a Áustria (.at) , a Bélgica (.be), o Chile (.cl) a Grécia(.gr), a Índia (.in) a Irlanda (.ie), a

129

Coréia do Sul (.kr), a Espanha(.es), e a Suíça (.ch); A Eletronic Forntier Foundation (EFE) é fundada; 1991 – São lançados a World Wide Web, o Gopher e o PGP (Pretty Good Privacy), criado por Philip Zimmermann; 1992 – A Internet une 17 mil redes em 33 países; a Internet Society é fundada; mais de 1 milhão de hosts ligados à Internet; o número de requisiçòes por arquivos via ftp chega a 50 mil por mês; a expressão “Surfando na Internet ”é cunhada por Jean Armour Polly; 1993 – a NSF cria a InterNIC; já existem mais de 1,5 milhão de hosts na Internet e mais de 100 países estão conectados a Rede; 1994 – O número de usuários comerciais explode; já são dois para cada usuário acadêmico; em julho, são mais de 3 milhões de hosts existentes na Internet; o Mosaic se torna o aplicativo cm maior taxa de crescimento; 1995 – Serviços de acesso discado tradicionais, como o Prodigy, a America Online (AOL) e a CompuServe tornam-se provedores de acesso; no mês de julho a estimativa é de que cerca de 30 milhões de pessoas já estejam conectadas à Internet; usuários fora das universidades começam a ter acesso à Internet no Brasil; 1996 – Começa a Guerra dos Browsers entre a Netscape e Microsoft; é lançado o ICQ pela empresa israelense Mirabilis; numa reunião em Chicago, representantes de 34 universidades americanas iniciam a Internet2;

130

1997 – Na manhã de 17 de julho, um erro humano na Network Solutions interrompe o tráfego nos endereços com terminações ".com" e “.net” , tornando inatingíveis milhões de sistemas no mundo todo; 1998 – Em abril, O Departamento de Justiça dos EUA abre um processo contra a Microsoft para impedir a prática de cartel: a Microsoft queria instalar o Internet Explorer em todas as máquinas equipadas com o Windows (quase 80% do mercado mundial de computadores pessoais); a AOL compra a Mirabilis em junho e, em novembro, a Netscape. A união das empresas com a Sun Microsystems indica para a formação de uma frente anti-Microsoft. Já são 151 milhões os usuários ligados a internet.

(FONTE: LEIRIA, Luis. Enciclopédia da Rede. Manual integrante da revista guia da Internet.br n° 32. Rio de Janeiro/RJ: Ediouro publicações S/A 1999 , 112p

NOTA: Em novembro de 1999, a Microsoft é considerada culpada pela justiça norte-americana de estar praticando monopólio e forçando usuários a comprarem seus produtos

7 – Procedência dos cem (100) últimos acessos, até 08/11/03 Conforme http://www.nedstatbasic.net/s?tab=1&link=3&id=155565&cou=all, acessado em 08/11/03

131

País de procedencia
1. Brasil 132074 67.1 % 4.7 % 2.1 % 0.8 % 0.8 % 0.7 % 0.7 % 0.6 % 0.6 % 0.6 % 0.5 % 0.4 % 0.4 % 0.4 % 0.3 % 0.2 % 0.2 % 0.2 % 0.2 % 0.2 %

2.

Estados Unidos

9286

3.

Portugal

4069

4.

España

1624

5.

Japón

1526

6.

Alemania

1436

7.

EEUU Comercial (.com)

1336

8.

Arabia Saudí

1278

9.

Red

1145

10.

Italia

1134

11.

Francia

992

12.

México

806

13.

Canadá

792

14.

Argentina

737

15.

Reino Unido

558

16.

Emiratos Árabes Unidos

422

17.

Chile

411

18.

Uruguay

406

19.

Corea del Sur

402

20.

Países Bajos

358

132

21.

Suiza

335

0.2 % 0.2 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.1 % 0.0 % 0.0

22.

Bélgica

300

23.

China

295

24.

Australia

284

25.

Suecia

192

26.

Taiwán

175

27.

Polonia

172

28.

Venezuela

155

29.

Austria

155

30.

Perú

139

31.

República Checa

119

32.

Israel

118

33.

Colombia EEUU Instituciones Educativas (.edu) Grecia

116

34.

114

35.

106

36.

Noruega

103

37.

Finlandia

100

38.

Turquía

99

39.

Dinamarca

99

40. 41.

Kuwait Nueva Zelanda

96 91

133

% 42. Bolivia 90 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 %

43.

Tailandia

79

44.

Malasia

78

45.

Hong Kong

76

46.

Túnez

73

47.

Antigua USSR

65

48.

Indonesia

60

49.

India

58

50.

Hungría

50

51.

Singapur

49

52.

Rúsia

48

53.

Croacia

41

54.

Sudáfrica

38

55.

Arpanet Antiguo

35

56.

Costa Rica

33

57.

Irlanda

31

58.

Egipto

30

59.

Filipinas

30

60.

Omán

30

61.

República Dominicana

27

134

62.

Panamá

27

0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0

63.

Irán

25

64.

Letonia

25

65.

Paraguay

24

66.

Chipre

23

67.

Qatar Organización sin fines de lucro Eslovaquia

23

68.

22

69.

21

70.

Estonia

21

71.

Luxemburgo

21

72.

Vietnam

19

73.

Yugoslavia

19

74.

Eslovenia

18

75.

Bulgaria

18

76.

Puerto Rico

16

77.

Ucrania

16

78.

Cabo Verde

15

79.

Rumania

15

80.

Islas Cocos

14

81. 82.

Ecuador Jordania

13 11

135

% 83. EEUU Instituciones Gubernamentales (.gov) Guatemala 11 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 % 0.0 %

84.

11

85.

Lituania

10

86.

Islandia

9

87.

Angola

9

88.

Mozambique

9

89.

Yemen

9

90.

Marruecos

8

91.

Nicaragua

8

92.

El Salvador

7

93.

Macao

6

94.

Pakistán

6

95.

Bahráin

5

96.

Bosnia y Hercegovina

4

97.

Líbano

4

98.

Mónaco

4

99.

Seychelles

3

100.

Cuba

3

136

8 – Número de visitante por dia ao site www.glssite.net, até 08/11/03

Conforme http://www.nedstatbasic.net/s?tab=1&link=1&id=155565&name=GLS, acessado em 08/11/03
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137

6 noviembre 2003 7 noviembre 2003 8 noviembre 2003 Total

153 150 119 4922

9 – Plataformas e Navegadores usados pelos visitantes por dia ao site www.glssite.net, até 08/11/03 Conforme http://www.nedstatbasic.net/s?tab=1&link=5&id=155565, acessado em 08/11/03

Navegadores
1. 2. 3. 4. Internet Explorer 6.x Internet Explorer 5.x Netscape 7.x Mozilla 1.x Total 65.8 % 32.9 % 0.7 % 0.7 % 100.0 %

Sistemas operativos
1. 2. 3. 4. 5. Windows 98 Windows XP Windows ME Windows 2000 Windows 95 Total 42.5 % 37.7 % 9.6 % 8.2 % 2.1 % 100.0 %

138

10 – Glossário Browser – Paginador – Navegador Um programa que é usado para explorar a rede. O termos é mais costumeiramente aplicado ao software utilizado para paginar a World Wide Web. Exemplos de paginadores: Internet Explorer, MSN Explorer, Mozilla, Netscape Communicator, Opera, Neoplanet, etc. (N. A. No Brasil o termo mais empregado é navegador). Chat- WebChat Trata-se de um espaço destinado a conversas, bate-papos, localizado no interior de uma página da internet – uma homepage –e que é composto a partir de uma programação na linguagem java inserida em meio aos códigos HTML da mesma. Design Desenho, esboço, layout, projeto.

Download - Transferir A transferência de um arquivo de outro computador para o seu. E-Mail – Correio Eletrônico – Cartas Virtuais

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Um método de envio de mensagens via computadores, ao invés do usual sistema de postagem tradicional. Um dos mais populares e importantes usos das comunicações digitais. Formulário Eletrônico Trata-se de uma página que contém espaços com a forma de quadrados a serem preenchidos com dados que serão enviados posteriormente ao e-mail do dono da página. Frames - Quadros Recurso para paginadores Web introduzido no Navigator 2 (Browser da Netscape) que permite a uma página Web possuir várias janelas controladas e roladas separadamente. Hardware A parte física de um computador ( material eletrônico, monitor, periféricos, placas etc. ) Homepage- Página de apresentação. O primeiro local visitado ao acessar um site World Wide Web. É possível estabelecer que qualquer endereço WWW seja a sua página de apresentação padrão, através dos paginadores Web; assim, você sempre iniciará sua navegação a partir da pagina Web escolhida. (N. A . No mundo utiliza-se com freqüência estas duas palavras unidas como, homepage) . HTML – HyperText Mark-Up Language - Marcador de Hipertexto

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É a linguagem usada para escrever um documento World Wide Web. Internet Rede de computadores de alcance mundial, conectados através do protocolo IP. IRC – Internet Relay Chat ( bate-papo on-line) O IRC - Internet Relay Chat permite que muitos usuários conversem em tempo real através da Internet. (N.A .- O programa de IRC mais popular de todos é o mIRC). Java Linguagem de programação para Intranet, criada pela Sun Microsystems, que estabelece interatividade adicional ao ser embutida em páginas Web. Os experts aclamam-na como o mais significativo avanço da Rede, desde a invenção da Web (http://java.sun.com). JavaScript É uma linguagem compacta para desenvolvimento de aplicações Internet. Seus comandos São embutidos na página HTML e interpretados pelos navegadores. A linguagem não é compilada, e sim executada dinamicamente pelo interpretador do browser. Link – Ligação –âncoras As ligações de hipertexto que estão embutidas em um documento (HTML) da World Wide Web. As âncoras permitem que o usuário salte de um pedaço da informação para um item relacionado, não importando onde, na Internet, ele esteja armazenado. Mailing List – Lista de Correspondências

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Um grupo de discussão em que as mensagens são distribuídas por e-mail. Mídia – Media – Mass Media O conjunto dos meios de comunicação de massa (jornal, a rádio e, televisão, etc.). Mídia também é entendido no meio profissional da área de Tecnologia da Informação – TI com sendo também os meios pelos quais uma série de informações pode ser carregada, por exemplo, um disquete de 1,44” (um vírgula quarenta e quatro polegadas), ou seja, equivalente a um (1) megabyte e quarenta e quatro é considerada uma mídia. Um disco rígido – HD descartável (externo, transportável) é uma mídia, e assim outras tantas formas de armazenamento são, mídias. Não confundir com o setor da área das agências de publicidade e jornais que lidam com veiculação de anúncios,filmes, cartazes, etc. Modem - Modulator/Demodulator Modulador/Demodulador. Um dispositivo que converte informações binárias em um sinal análogo, que pode ser transmitido pelos canais de telefone de voz, e transforma aquele sinal novamente em dados que podem ser reconhecidos pelo computador no seu destino. (N. A .- cada computador, para acessar a Internet, necessita de pelo menos um modem. Quando em rede de computadores, todos eles acessam a Internet através de um único modem).

Multimídia e Hipermídia Multimídia é qualquer combinação de texto, arte gráfica, som, animação e vídeo transmitida pelo computador. Se permite que o usuário, o visualizador do projeto,

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controle quando e quais elementos serão transmitidos, passa a se chamar multimídia interativa. Se fornece uma estrutura de elementos vinculados pela qual o usuário pode mover-se, a multimídia torna-se hipermídia. On-line (ou online) Não há uma definição da comunidade científica quanto à forma de escrever este termo. Muitas pessoas o utilizam separado por hífen, outros não. No momento parece que a simpatia por online (junto) vem ganhando simpatia. Mas, enquanto a simpatia não se torna rotina, escreveremos “on-line” e, em itálico, como os demais termos estrangeiros. On-line significa conectado a Rede Mundial de Computadores, também designado por WWW, que significa as iniciais de World Wide Web, ou seja, a Internet. Portal Site que oferece uma série de serviços aos usuários (as) além de conteúdo, e-mail e homepage. Provedor Um provedor de acesso a Internet é uma empresa que possui computadores servidores que conectam o usuário a Internet. O provedor pode prover serviços de hospedagem de homepages e/ou serviços de e-mail ao (a) usuário (a)final

Script É uma linguagem compacta para desenvolvimento de aplicações Internet. Seus comandos São embutidos na página HTML e interpretados pelos navegadores. A

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linguagem não é compilada, e sim executada dinamicamente pelo interpretador do browser. Uma das coisas que ela possibilita, por exemplo, é, ao acessar um endereço na internet, abrir uma mini-página com uma enquete ou propaganda. Servidor Computador conectado permanentemente à rede. Proporciona acesso dos usuários à rede e armazena as informações e programas que formam a Internet. Site Qualquer uma das redes individuais que, como todas, constitui a internet. *N. A . No Brasil designa-se comumente que um site, ou sítio é um espaço fechado com características próprias. O mesmo que lugar – Designação dos servidores a que se tem acesso por meio da Internet. São os lugares por onde se navega. Qualquer uma das redes individuais que, como todas, constitui a internet. Software Sistema de processamento de dados de um computador. Programa de computador. URL – Uniform Resource Locator. Uma tentativa de padronizar a localização ou os detalhes de endereçamento dos recursos da Internet. Bastante utilizado para se referir a uma conexão World Wide Web. *N. A . Basicamente significa o endereço de uma homepage, ou site.

Virtual Que só existe potencialmente; simulado por programas de computador

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Web - World Wide Web Rede de Abrangência Mundial – Seção gráfica da Internet formada por páginas de hipertexto. WWW Sigla que equivale a World Wide Web

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