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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE GENÉTICA E BIOQUÍMICA PÓS-GRADUAÇÃO EM GENÉTICA E BIOQUÍMICA

Caracterização Cariotípica de espécies de peixes do gênero Astyanax: uma contribuição para a análise da biodiversidade do grupo

Aluno (a): Alessandra Ribeiro Torres – Mariano

Orientador (a): Profª. Drª. Sandra Morelli Co-Orientador (a): Profª. Drª. Ana Maria Bonetti

UBERLÂNDIA, MG 2010

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE GENÉTICA E BIOQUÍMICA PÓS-GRADUAÇÃO EM GENÉTICA E BIOQUÍMICA

Caracterização Cariotípica de espécies de peixes do gênero Astyanax: uma contribuição para a análise da biodiversidade do grupo

Alessandra Ribeiro Torres-Mariano Orientador (a): Profª. Drª. Sandra Morelli Co-Orientador (a): Profª. Drª.Ana Maria Bonetti

Tese

apresentada

à

Universidade

Federal de Uberlândia como parte dos requisitos para obtenção do Título de Doutor em Genética e Bioquímica, área de concentração Genética.

UBERLÂNDIA - MG 2010
ii

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

T693c

Torres-Mariano, Alessandra Ribeiro, 1967Caracterização cariotípica de espécies de peixes do gênero Astyanax : uma contribuição para a análise da do grupo / Alessandra Ribeiro Torres-Mariano. - 2010. 79 f. : il. Orientadora:.Sandra Morelli. Coorientadora: Ana Maria Bonetti. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Uberlândia, Programa de Pós-Graduação em Genética e Bioquímica. Inclui bibliografia. 1.Peixe - Genética - Teses. 2. Astyanax (Peixe) Genética - Teses. I.Morelli, Sandra.II.Universidade Federal de Uberlândia. Programa de Pós-Graduação em Genética e Bioquímica. III. Título. 597-115 CDU:

Elaborado pelo Sistema de Bibliotecas da UFU / Setor de Catalogação e Classificação

iii

Drª. Dr. Dr. Sandra Morelli Examinadores: Profª. Drª. Isabel Cristina Martins dos Santos Prof.UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE GENÉTICA E BIOQUÍMICA PÓS-GRADUAÇÃO EM GENÉTICA E BIOQUÍMICA Caracterização Cariotípica de espécies de peixes do gênero Astyanax: uma contribuição para a análise da biodiversidade do grupo Aluno (a): Alessandra Ribeiro Torres-Mariano Comissão Examinadora: Presidente: Profª. Mário Antônio Spanó Prof. Dr. _________________________________________ Sandra Morelli iv . Rodrigo Aparecido Fernandes Redondo Prof. Luiz Antônio Carlos Bertollo Data da Defesa: 28/01/2010 As sugestões da Comissão examinadora e as Normas PGGB para o formato da tese foram contempladas.

Dedico esse trabalho aos meus filhos Raíssa e Leonardo. meus pais Ottoni e Marina. v .

“O valor das coisas não está no tempo em que elas duram. coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. mas na intensidade com que acontecem. Chico Xavier vi . existem momentos inesquecíveis. Por isso. qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".” Fernando Pessoa "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo.

tornando agradável o nosso local de trabalho. Isabel Cristina Martins dos Santos o Prof. Rodrigo Redondo por me orientar e ensinar os passos que deveriam ser seguidos para que eu atingisse o meu objetivo. Ao prof. Dr. Dr. Drª. Carlos Ueira Vieira pela amizade e por todos os ensinamentos e dicas durante a realização dos experimentos. Rodrigo Aparecido Fernandes Redondo o Prof. SP que identificou os exemplares utilizados nesse trabalho. Ao Instituto de Genética e Bioquímica e à Coordenação da Pós-Graduação em Genética e Bioquímica. Ao Prof. Aos membros da banca examinadora: o Profª. FAPEMIG. Drª. À Universidade Federal de Uberlândia. Francisco Langeani Neto – UNESP – São José do Rio Preto. Aos colegas do Laboratório de Citogenética Animal pela amizade e companheirismo. Mário Antônio Spanó o Prof. À Patrícia Elda Sobrinho por ter cedido as sondas utilizadas no FISH duplo. Dr. Dr. Dr. Botucatu. pela companhia nas coletas e amizade. Luiz Antônio Carlos Bertollo À profª Drª Ana Maria Bonetti por me aceitar em seu laboratório e dar dicas tão preciosas no desenvolvimento do meu trabalho. Ao Secretário da Coordenação de Pós-Graduação – Gerson Fraissat – por todas as informações e pela amizade. Ao Prof. Fausto Foresti – Laboratório de Biologia e Genética de Peixes. Ao técnico do Laboratório de Citogenética Animal José Clidenor dos Santos. Dr. vii . Dr. SP – por me dar a oportunidade de estar em seu laboratório aprendendo e desenvolvendo parte desse trabalho. Ao Prof. CNPq. UNESP. Sandra Morelli o Profª.AGRADECIMENTOS Aos órgãos de fomento à pesquisa: CAPES.

À minha mãe que me acompanhou e apoiou durante todos esses anos. aprendi a admirá-la e respeitá-la cada vez mais. Débora e Rosangela: “que a nossa amizade persista ao longo do tempo”.. pelo tempo que gastei no desenvolvimento desse trabalho.” viii . À DEUS pela oportunidade de desenvolvimento do presente trabalho. Ao meu tio Otoniti que direta ou indiretamente participou da elaboração deste trabalho. namorado. Luiz Carlos Guilherme. Às amigas Patrícia. Ivo Zanatta – Fazenda Quilombo – Córrego Quilombo. em suas propriedades. mas mais do que isso. João Batista Dias – Fazenda Lageado – Córrego dos Caetano e Sr. em todos os momentos. Ao meu amigo. pela grande amizade. que esteve sempre ao meu lado nos momentos felizes e nos momentos difíceis da vida. À minha orientadora Sandra Morelli: “Obrigado pela oportunidade.. marido e amante. Ao Sr.Aos colegas do Laboratório de Genética Molecular pela amizade. companheiro. Com todos esses anos de convivência. pela permissão de coletar os exemplares utilizados nesse trabalho. Aos meus filhos. Raíssa e Leonardo. A todos aqueles que de alguma forma participaram e me apoiaram na realização desse trabalho. apoio e ensinamentos.

.................... CC........... CC............. Q e A evidenciando AgNORs ......Lista de Figuras Mapa destacando a localização da bacia do Rio Araguari ....... Q e A evidenciando sítios CMA3 positivos ...... A ....... Q e A submetidas ao tratamento com DAPI ..................... 39 Metáfase de A................. CC Astyanax sp................. mostrando a localização dos pontos de coleta em relação ao Rio Araguari................ mostrando a localização dos pontos de coleta em relação ao Rio Araguari....................... 4 Foto de satélite retirada do software online Google Earth...................... 57 Metáfases de Astyanax sp........... 40 Foto de satélite retirada do software online Google Earth......... 27 Metáfase de A..... 54 Metáfases de Astyanax sp................................... bockmanni tratada com CMA3 ............................................. eigenmanniorum from the Caetano Stream.. 56 Metáfases de Astyanax sp..................................................... 5 Karyotypes of A............. bockmanni submetida à técnica de double FISH.. 39 Metáfase de A....... 58 ix .......... Q e Astyanax sp.... Q e A evidenciando sítios de DNAr 5S e 18S........ ..................... CC...... 55 Metáfases de Astyanax sp... CC..... 52 Cariótipos de Astyanax sp... bockmanni tratada com DAPI...

.............................Lista de Tabelas Chromosome number frequency found in Astyanax eigenmanniorum from de Caetano Stream ....................................................................... 28 Fórmula cariotípica e número fundamental das 3 populações de Astyanax do grupo A.................................... 52 x ................................................. paranae analisadas..............

Lista de Abreviaturas 2n a A AgNOR AR AT B CC CEMIG CMA3 DAPI DNA DNAr FISH GC IGS/ETS ITS Km m m MG NF NOR NTS Q RNAr sm st Número diplóide Cromossomo acrocêntrico Açude artificial da Fazenda Lageado Região organizadora nucleolar impregnada com nitrato de Prata Arm ratio Adenina – Timina Cromossomo supranumerário Córrego dos Caetano Central Elétrica de Minas Gerais Cromomicina A3 Diamidino-2-fenilindol Ácido desoxirribonucléico Ácido desoxirribonucléico ribossômico Hibridação in situ fluorescente Guanina Citosina Espaçadores transcritos externos Espaçadores transcritos internos Quilômetro Cromossomo metacêntrico Metros Minas Gerais Número fundamental Região organizadora de nucléolos Espaçadores não transcritos Córrego Quilombo Ácido ribonucléico ribossômico Cromossomo submetacêntrico Cromossomo subtelocêntrico xi .

.............................. 47 4......................................................1 1.. 34 3............................ 12 1.. 38 4............ B chromosomes in a population of Astyanax eigenmanniorum (Characiformes.......................Sumário Apresentação ...... 51 5................................5 1.........................4....... A citogenética na família Characidae.................................. MG.................. Considerações e Conclusões Finais .............. Characidae) from the Araguari River Basin (Uberlândia........4 Introdução Geral ................................................................................................................................................................................................................................................................ 10 1...............Caracterização das regiões organizadoras nucleolares e da heterocromatina do cromossomo B em Astyanax bockmanni.......... Resultados e Discussão ................... Characidae) da bacia do Rio Araguari (Uberlândia..............1.........1.......... Vari & Castro..... MG.......... Material e Métodos ..... 44 4.... 25 3. Referencias Bibliográficas .......................................................................... Referências Bibliográficas: ........................................ 44 4......................8 1..................................................................................................................................5 1.............. Introdução ... paranae (Pisces..... Considerações sobre a família Characidae e o gênero Astyanax....................................................... Localização e caracterização dos locais de coleta ........ destacando o gênero Astyanax. Referências Bibliográficas: .....2................... 2007 (Characiformes....Localização de sítios ribossômicos 5S e 18S em três populações de Astyanax sp gr A......... 62 .............. 46 4............. 17 2.............................Fundamentação Teórica ........2.......................3...4...............................1....... Brasil) ......3.......5...................... Characidae) da bacia do Alto Paraná – Uberlândia MG......... Brazil) .... Genes ribossomais e hibridação in situ fluorescente (FISH).................................................

pertencentes à bacia do Rio Araguari. com muitas populações apresentando cromossomos supranumerários. As regiões organizadoras de nucléolos impregnadas com nitrato de Prata (AgNORs) nessa população são múltiplas e a hibridação in situ fluorescente (FISH) destacou seis cromossomos. com sonda de DNAr 18S. Esse complexo é composto por 15 espécies. porém na população do Córrego dos Caetano (bacia do Rio Araguari). essa população foi analisada com o intuito de localizar os genes ribossômicos 5S e 18S. As regiões organizadoras de nucléolos (NOR) são. Nesse gênero já foram descritas quase 100 espécies. No presente estudo. paranae. Astyanax scabripinnis foi considerado um complexo de espécies. o número cromossômico varia entre 2n=46. nas regiões centro-oeste. o número diplóide encontrado foi 2n=48. 2n=48 e 2n=50. foi descrita recentemente e está distribuída em riachos do Alto Paraná.RESUMO Astyanax constitui um gênero numeroso da família Characidae. eigenmanniorum. A espécie Astyanax bockmanni. incluíndo A. A análise dos . O número de cromossomos nas 3 populações é 2n=50. paranae. com a presença de um ou dois cromossomos supranumerários metacêntricos grandes em fêmeas. encontrado desde a Argentina até a fronteira do México com os Estados Unidos. além de caracterizar a heterocromatina que forma o cromossomo B. A sonda 5S localizou sítios pericentroméricos em um par de cromossomos metacêntricos e teloméricos em um par de acrocêntricos. Ela apresenta 2n = 50 cromossomos na maioria das populações estudadas. sudeste e sul do Brasil. depois de serem analisados morfológica e citogeneticamente. Dentro desse grupo. foram analisados os cariótipos de três populações de Astyanax sp gr A. embora com variações nas fórmulas cariotípica. No presente trabalho. múltiplas tanto em análises de AgNORs como por FISH. porém existem dificuldades na identificação delas por apresentarem morfologias muito similares. anteriormente chamada de A. na maioria das vezes. Córrego Quilombo e de um açude formado por uma nascente que deságua no Córrego dos Caentano. Nesse sentido a citogenética tem sido uma excelente ferramenta citotaxonômica. provenientes do Córrego dos Caetano.

As características cromossômicas específicas de cada população estão provavelmente correlacionadas com o isolamento geográfico existente entre as mesmas. determinar o seu número e estabelecer algumas particularidades em relação às populações estudadas. permitiram localizar os genes ribossomais nos cromossomos. AgNOR.cromossomos após coloração com os fluorocromos CMA3 e DAPI. assim como dos sítios de DNAr 5S e 18S por FISH. .

Apresentação 1 .

particularmente de A. Grande. deixando. pertencente à bacia do Rio Araguari. O terceiro capítulo complementa as informações coletadas no segundo. O Rio Araguari é um dos principais afluentes do Rio Paranaíba. a posição atual do gênero Astyanax na sistemática de peixes. incluindo a icitofauna. além de dados relacionados à citogenética clássica e molecular dessas espécies. Esse isolamento. como consequência os seres aquáticos. paranae. coletada no córrego dos Caetano. O quarto capítulo é o estudo citogenético de três populações de Astyanax sp gr A. localizando os genes ribossomais 5S e 18S por meio de hibridação in situ fluorescente (FISH) e descreve a constituição da heterocromatina do cromossomo supranumerário dessa população. na tentativa de preservá-lo. em muitos casos. por isso é necessário conhecer o patrimônio genético dessa bacia. provocando alterações nas propriedades físicas e químicas da água e. Tietê e Paranaíba. Essa população apresentou 2n=48 cromossomos. totalmente heterocromáticos. ao longo de centenas a milhares de anos.Apresentação A bacia do Alto Paraná abrange um trecho do Rio Paraná e os rios Paranapanema. Sua bacia situa-se no sudoeste de Minas Gerais. com a presença de um ou dois cromossomos B ou supranumerários. scabripinnis. são afetados. 2 . Nesse sentido o presente trabalho contribui com a descrição citogenética de duas espécies de peixes do gênero Astyanax provenientes do Córrego dos Caetano e Córrego Quilombo. os leitos dos rios. Este trabalho é constituído de quatro capítulos. Araguari e Uberlândia. pode levar a uma possível especiação ou mesmo à extinção dessas espécies. O primeiro é uma revisão bibliográfica onde são reunidas informações sobre a região de coleta dos exemplares utilizados. bockmanni). O segundo capítulo é um artigo já publicado que descreve citogeneticamente uma população de A. onde estão os municípios de Araxá. As espécies de piracema refugiam-se em córregos e outros cursos de água para se reproduzirem. ambos pertencentes à bacia do Rio Araguari. eigenmanniorum (hoje identificada como A. em fêmeas. bockmanni e o complexo de espécies A. Existem pelo menos 5 usinas hidrelétricas instaladas ao longo do leito desse rio.

scabripinnis. além de caracterizar a heterocromatina que compõe o cromossomo B encontrado nas fêmeas dessa população e caracterizar citogeneticamente três populações de A. sp gr A. paranae da bacia do Rio Araguari com o intuito de determinar possíveis diferenciações entre elas.pertencente ao complexo de espécies A. além de sítios 5S. Brasil). impregnação por nitrato de Prata. 3 . que determina o número de cromossomos. DAPI e CMA3. Portanto. MG. bockmanni do Córrego dos Caetano (Uberlândia. os objetivos desse trabalho foram: localizar os sítios ribossômicos 5S e 18S da população de A. a localização e número de sítios ribossômicos 18S com FISH.

Capítulo 1 Fundamentação Teórica 4 .

Apresenta uma área de drenagem de 21. 2008). A bacia do Rio Araguari situa-se no sudoeste de Minas Gerais. devido à destruição das matas ciliares. O bioma predominante da bacia do Rio Paranaíba é o Cerrado. Piedade. Os principais afluentes da margem esquerda do Rio Paranaíba são os rios Dourados. Localização e caracterização dos locais de coleta A bacia do Alto Paraná abrange um trecho do Rio Paraná (próximo à barragem de Itaipu). com várias corredeiras de pedra e cânions e. Araguari. como conseqüência desse mau uso de suas águas. Cachoeira Dourada e Emborcação. Existem pelo menos cinco usinas 5 . onde estão os municípios de Uberlândia.1. De acordo com a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) (PORTAL PEIXE VIVO) o Rio Paranaíba constitui uma bacia que drena uma área de aproximadamente 220. ao qual pertencem algumas usinas hidrelétricas tais como. Suas nascentes estão localizadas na Serra da Canastra.2 milhões de pessoas (ANDRADE et al. Apesar de ter perdido cerca de 60% de sua vazão.856 km². São Simão. Grande. lançamento de efluentes domésticos e industriais. Bagagem.Introdução Geral 1. sendo 55 deles em Minas Gerais. O Rio Araguari tem águas escuras porém limpas. utilização de agrotóxicos e dragas irregulares na agricultura. Perdizes. abrangendo um total de 20 municípios com uma população estimada de 1. e que. junto com outras menores.. 196 municípios. os rios Paranapanema. são responsáveis pela geração de energia de grande parte de Minas Gerais e Goiás (CEMIG – PORTAL PEIXE VIVO). a bacia do Rio Paranaíba é conhecida principalmente por suas riqueza diamantífera e seu potencial hidroelétrico. 2008). Araguari e Araxá (Figura 1). com clima variando de úmido a semi-úmido e semi-árido. A qualidade da água oscila de média a ruim. Tijuco e Prata (CEMIG – PORTAL PEIXE VIVO). apresenta um bom potencial para geração de energia elétrica (WIKIPEDIA.000km2. Tietê e Paranaíba. devido à sua conformação. Itumbiara.

na tentativa de preservá-lo. em muitos casos.hidroelétricas instaladas ao longo do leito desse rio. eutrofização. 2007 apud RÊGO. pode levar à uma especiação ou mesmo à extinção desses animais justificando a necessidade de se conhecer o patrimônio genético dessa bacia. refugiam-se em córregos e outros cursos d’água para se reproduzirem. 2008). Figura 1: Mapa destacando a localização da bacia do Rio Araguari. a ictiofauna. O primeiro tem uma extensão de aproximadamente 9Km e atravessa muitas propriedades rurais sendo que. Com essas alterações. Estas modificações de habitats muitas vezes não são toleradas por varias espécies de peixes (AGOSTINHO et al. principalmente as espécies de piracema. suas águas foram desviadas para irrigar plantações e/ou formar veios de água 6 . Tais condições causam alterações nas propriedades físicas e químicas da água. que afetam diretamente a fauna aquática. ao longo de centenas a milhares de anos. condições anóxicas. produção excessiva de algas. Esse isolamento. incluindo o Córrego dos Caetano e o Córrego Quilombo. onde foram realizadas as coletas para o desenvolvimento desse trabalho (Figura 2). como a liberação de gases tóxicos. além de alterações nas características do curso de água. deixando. em várias delas. Os represamentos provocam efeitos negativos para ambiente. Retirado de Brito e Rosa (2003) Contribuem com essa bacia inúmeros córregos. os leitos dos rios..

Seu solo é arenoso e cheio de pedregulhos. Na época da estiagem. cheio de cascalhos. Seu terreno apresenta um declive acentuado. chegando a secar em alguns pontos. seu volume de água aumenta. Figura 2: Foto de satélite retirada do software online Google Earth. permitindo a formação de pequenas quedas d’água. o que resulta em forte corredeira.para o gado. sua vazão de água diminui muito. Sua nascente está localizada na região conhecida popularmente por Tiracouro. mostrando a localização dos pontos de coleta em relação ao Rio Araguari O Córrego Quilombo tem uma extensão de aproximadamente 3Km e deságua a mais ou menos 700m abaixo do Córrego dos Caetano. pois os espécimens que estão abaixo dela não conseguem subir. a qual constitui uma barreira natural para os peixes. formando pequenas cachoeiras. Entre a cachoeira e a nascente do córrego existem trechos em que o curso de água é escasso devido aos desvios feitos pelos fazendeiros. constituindo assim uma barreira geográfica artificial. existe uma cachoeira de aproximadamente 10m de altura.5Km a montante da foz. O solo é arenoso. próxima à rodovia Neuza Rezende. 7 . À uma distância aproximada de 2. Na época das chuvas.

os peixes que tem nadadeiras com raios constituem um grupo dominante em número de espécies e. vivem em diferentes profundidades. (2000). e poucos são catádromos. embora formem um grupo heterogêneo. Dentre esses. Das 18 famílias conhecidas. 2003). desovam em água doce e passam a maior parte da vida em água salgada.. Eles são atraentes para os pesquisadores. com 952 espécies descritas e aproximadamente 400 espécies não descritas. sua distribuição é ampla. em regiões frias ou quentes e. tambaquis. De acordo com Vaz et al.1. são conhecidas diversas espécies de caracídeos. vivendo parte de suas vidas na água doce e parte na água salgada. pacus. Essa diversidade auxilia no entendimento da sua história evolutiva. No Brasil. como as enguias. Baseado na classificação cladística. 8 . 2000). Os peixes são encontrados em ecossistemas aquáticos marinhos ou dulcícolas. por isso. abrangendo quase um terço da ictiofauna sul americana. 2006). como os salmões. a maioria é anádroma. piranhas. Considerações sobre a família Characidae e o gênero Astyanax Os peixes formam o grupo de vertebrados mais antigo e diversificado. 2006). lambaris ou piabas. exibem continuidade filogenética (NELSON. 270 gêneros e 1674 espécies de água doce (NELSON. com enorme variação biológica. perfazendo um total de 1352 espécies (REIS et al. piraputangas. incluindo sua morfologia e nos habitats que ocupam. tabarana. caranhas. desovam em águas salgadas e retornam para água doce. tanto nos táxons fósseis como nos vivos (NELSON. Nelson (2006) considera que mais de 225 espécies são diádromas. a fauna neotropical é a mais numerosa. ou seja. devido à riqueza de informações e diversidade que exibem.2.. mas estabelece certa dificuldade de classificação. As informações já conhecidas sobre os peixes são bastante vastas e incluem todas as áreas da biologia. entre outras. 2006). Aproximadamente 43% de todas as espécies de peixes vivem exclusivamente em água doce. tais como: matrinchãs. dourados. A ordem Characiformes compreende 18 famílias. Characidae é uma das mais numerosas. com grande diversidade em relação à habitats e regime alimentar (VAZ et al.

A.. dentro da família Characidae. FERREIRA NETO et al.. São encontrados nos mais diversos ambientes. eigenmanniorum. além da citogenética.. sudeste e sul do Brasil (VARI e CASTRO. dificuldades na identificação por serem morfologicamente muito semelhantes. o que lhes proporciona estímulo para a reprodução. fasciatus. Estudos citogenéticos têm evidenciado uma grande diversidade cariotípica entre diferentes populações ou mesmo em uma mesma população (FERNANDES e MARTINS SANTOS. A. MEDRADO et al. Movem-se em cardumes e podem realizar curtas migrações ascendentes na época das cheias.Os lambaris ou piabas estão distribuídos desde a Argentina até a fronteira do México com os Estados Unidos (EIGENMANN 1921. foi descrita recentemente e está distribuída em riachos do Alto Rio Paraná. utilizando análise canônica variável. 2003). Esses dados. Os lambaris pertencem ao gênero Astyanax que. nas regiões centro-oeste. A maioria deles estava alocada na subfamília Tetragonopterinae. altiparanae. scabripinnis foi a primeira espécie do gênero a ser considerada como um complexo. é classificado como Incertae Sedis juntamente com outros 87 gêneros considerados heterogêneos. em conjunto. rios. 2009. Bertaco e Malabarba (2001) reforçaram essa hipótese com a descrição de duas espécies pertencentes a 9 . scabripinnis são hoje consideradas como complexos de espécies. A espécie A. 2004. estando presentes em ambientes com fundo de areia e pedra (VAZ et al. 2008).. 2008. apud MORELLI 1981). Seis delas. A. lagos. quando foram analisadas sete populações de bacias hidrográficas diferentes. Dentro desse gênero já foram descritas quase 100 espécies. porém. tais como cabeceiras de riachos. Existem. Algumas espécies aparecem com maior freqüência na época das cheias.. de onde foram excluídos por falta de evidências quanto à sua monofilia (LIMA et al. anteriormente classificada como A. A. permitiram propor que essa espécie não poderia representar uma única entidade taxonômica. bockmanni. 2000). 2007). PAZZA et al. foram estudadas morfologicamente. brejos. a partir dos estudos desenvolvidos por Moreira-Filho e Bertollo (1991).

A introdução de metodologias que evidenciam regiões cromossômicas como as de heterocromatina constitutiva (banda C) ou NOR. relacionadas ao conjunto de fenômenos que acompanham o processo evolutivo dos diferentes grupos de peixes (GALETTI-JÚNIOR. Com isso. apesar das dificuldades de adaptação aos seus cromossomos. 1992). O estudo das modificações na estrutura dos cariótipos. (1988) relatam que as variações na macroestrutura cromossômica entre diferentes populações podem estar relacionadas com a sua mobilidade e tamanho. 252 gêneros e 921 espécies de peixes de água doce (dentre elas. ou seja. fornecem importantes resultados para a caracterização dos cromossomos dos peixes e suas relações evolutivas (ALMEIDA-TOLEDO et al. tais como Prochilodontidae 10 . 41 apresentando cromossomos supranumerários). 1986). A citogenética na família Characidae. Oliveira et al. FELDBERG et al. incluindo A. A ictiocitogenética foi aperfeiçoada a partir da aplicação de técnicas de bandeamento utilizadas na citogenética humana e de outros mamíferos.3. além da citotaxonomia (BARROS e MARGARIDO. Um levantamento feito por Oliveira et al. (2000) registra os números cromossômicos haplóides e diplóides de 44 famílias.. deixando de focar exclusivamente na identificação do número e morfologia dos cromossomos. o uso de fluorocromos e hibridação in situ. o qual parece ser composto por 15 espécies distintas. 1999). paranae (Bertaco e Lucena 2006). são ferramentas importantes para aumentar o conhecimento de muitas populações desse grupo. 1988. onde são analisados diferentes tipos de polimorfismos e modos de diversificação cromossômica. além de ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento de diversas linhas de pesquisa (TOLEDO-FILHO..esse complexo. 1978). os quais variam de 2n=20 cromossomos em Pterolebias longipinnis a 2n=132 em Corydoras aeneus. grupos de peixes. observa-se uma expansão nas pesquisas exibindo uma abordagem populacional. 1. destacando o gênero Astyanax A citogenética de peixes fornece subsídios para elucidar problemas evolutivos.

. 2008). FERNANDES e MARTINS-SANTOS.. Esses cromossomos podem ser meta-. tais como Salminus (VENERE et al. bockmanni (FERNANDES e MARTINS-SANTOS.(FELDBERG et al.. 1992). a maioria apresenta variabilidade cariotípica como. No entanto. 2009).. metacêntricos e de tamanho correspondente ao maior do 11 . 1991. Entre as espécies que formam o complexo A. Kosswig (1973) reforça tal afirmativa. PERES et al.. VICARI et al. Nessa família.1992). subtelo. 2004.. 2002. 1999. 2008). que apresentam maior mobilidade e populações mais numerosas tendem a conservar a macroestrutura cariotípica. 1991). MONDIN et al. como Curimatidae. pois elas mantem um fluxo genetico constante. 2007). 2003). o número cromossômico varia de 2n = 36 em A. 1996. além da presença de cromossomos B ou supranumerários em várias espécies. 2008). Bryconamericus (PAINTERMARQUES et al. Chilodontidae. Cichlidae e Hemiodontidae possuem cariótipos menos variáveis quanto ao número de cromossomos (FELDBERG et al. PAZZA et al. De acordo com Denton (1973).ou acrocêntricos. Os macrocromossomos são mais freqüentes em fêmeas.. 2n = 48 e 2n = 50 (ALVES e MARTINS-SANTOS. podem ser encontrados gêneros com números cromossômicos constantes e pouca variabilidade cariotípica. 2008. FERNANDES e MARTINS-SANTOS.. porém a grande maioria apresenta muita variabilidade. submeta-. 2004. dizendo que não há outra classe de vertebrados apresentando grande quantidade de cariótipos diferentes como os Characidae. Porém. scabripinnis. esse número varia de 2n = 46. Anostomidae. 2000) e Astyanax scabripinnis (MOREIRA-FILHO e BERTOLLO... Parodontidae. altiparanae e A. por exemplo. 2000) e Oligosarcus (RUBERT e MARGARIDO. 1983) a 2n = 50 em A. VICARI et al. como Hoplias (BERTOLLO et al..ou microcromossomos. Entre os Astyanax. KAVALCO et al. os complementos cromossômicos entre os peixes geralmente são diversificados. macro.. sendo este último o mais comum. Serrasalmus (NAKAYAMA et al. Brycon (WASKO e GALETTIJÚNIOR. 2000) e Astyanax (MOREIRA-FILHO e BERTOLLO. schubarti (MORELLI et al. Algumas famílias de peixes neotropicais.. grupos que apresentam pouca mobilidade e pequenas populações têm cariótipos distintos. 2006. 2005. SOUZA et al.

. com 2n = 48 + 1 ou 2 supranumerários. 1997).4. (2004) esses cromossomos podem variar de 0 a 4. 2004). bockmanni (TORRES-MARIANO e MORELLI. (1985) analisaram três exemplares fêmeas capturadas no Rio Atibaia. que apresentaram número diplóide igual a 48 cromossomos. são mais freqüentes em machos e com maior variação de número de uma célula para outra (ROCON-STANGE e ALMEIDA-TOLEDO. Nesses organismos os genes ribossomais estão presentes em multiplas cópias por genoma. enquanto os macrocromossomos variam de 0 a 2. 1996. Genes ribossomais e hibridação in situ fluorescente (FISH) Em eucariotos superiores as famílias multigênicas correspondem a um elemento estrutural comum ao genoma desse grupo e são definidas como um conjunto de genes derivados por duplicação de um gene ancestral. 2003) e os microcromossomos. na população do Rio Grande (MG). correspondente em tamanho ao maior cromossomo do complemento. bockmanni o número diplóide mais comum é 50 cromossomos. 1993. 1. (1994) e Kavalco et al. com 50% de semelhança. O macrocromossomo B metacêntrico. bem como em outras espécies do mesmo gênero. assim como a população estudada por Torres-Mariano e Morelli (2008). Stripecke et al. como A. De acordo com Moreira-Filho et al. é o mais freqüente entre as fêmeas das populações do complexo de espécies A. arranjadas em seqüências repetidas e organizados em duas 12 . MIZOGUCHI e MARTINS-SANTOS. Em A. scabripinnis. Fauaz et al. FERRO et al. (1999). A repetição em tandem da matriz de RNAr das famílias multigênicas confere uma dinâmica especial à evolução dessas regiões. sendo que duas delas apresentaram 2n = 50 e uma apresentou um cromossomo supranumerário de tamanho correspondente ao segundo par. analisaram 4 machos e 2 fêmeas de A.. (2009) encontraram 2n = 50. cf eigenmanniorum. 2008). tornando-as importantes para a compreensão da estrutura e evolução do genoma (MARTINS e WASCO.complemento (VICENTE et al. Artoni et al.

1931 apud BICUDO. 5. Estes estão separados por espaçadores transcritos internos (ITS) e externos (IGS ou ETS) que são íntrons eliminados na organização das moléculas precursoras de RNAr (ANDRADE e JORDÃO. Os NTS não sofrem pressão seletiva. 2005). As NORs. 1993). associadas ao RNAr recém transcrito 13 . Embora essa conservação seja observada.8S e 28S. A região codificante do DNAr 5S é conservada. PENDAS et al. Suas unidades repetitivas possuem aproximadamente 120 pares de bases. podem ser facilmente visualizadas (HOWELL e BLACK. variando de tamanho entre as espécies (ANDRADE e JORDÃO. O DNAr 45S é composto por três genes que codificam os RNAs 18S. Assim. A Prata se liga preferencialmente em proteínas não-histônicas. que são processados e parcialmente organizados para formar as subunidades do ribossomo no nucléolo. incluindo os peixes.. 2000). 1991 apud FERNANDES. 2005). 1990. 2004. 2005). Todo esse conjunto é conhecido citogeneticamente como NOR e é considerada uma região associada aos nucléolos que têm a função de reorganizá-los no final da divisão celular (HEITZ. permitindo a ocorrência de mutações em taxas bastante elevadas. de natureza ácida. o tamanho e a organização das seqüências de bases destes segmentos variam inter e intraespecificamente (MESTRINER. 1980). 1985). Os ITSs são geralmente ricos em GC e compostos por seqüências repetitivas (TORRES et al. 2006). 2005. ocupa uma região intersticial nos cromossomos.famílias multigênicas distintas: a 5S e a 45S (MARTINS e WASCO. intercaladas por um espaçador não transcrito (NTS) muito heterogêneo. KING. 2006). levando a uma diferenciação nessa região e distinção entre espécies que divergiram recentemente na historia evolutiva (ALVES-COSTA e MARTINS. ocorreram mudanças em seqüências nucleotídicas e na organização das unidades repetidas em peixes (WASKO e GALETTI-JÚNIOR. mesmo entre organismos filogeneticamente distantes. migra para o nucléolo e se une ao RNAr 5. quando impregnadas pelo nitrato de Prata..8S e 28S para formar a subunidade maior do ribossomo. 1994 apud FERNANDES. ANDRADE e JORDÃO. onde na maioria das vezes. O DNAr 5S é transcrito em um local diferente da região organizadora nucleolar (NOR).

PAZZA et al.. Em A.. 2006. bockmanni da bacia do Rio Paranapanema e na população da bacia do 14 . variando o número e a localização destas regiões (NAKAYAMA et al. porém Fonteles et al. 2008 TORRES-MARIANO e MORELLI. tais como número. tamanho e a organização das seqüências do DNA ribossômico. Quando está presente em apenas um par de cromossomos. A presença de NORs conservadas em um único par de cromossomos é comum a todas as espécies de Brycon estudadas e pode ser uma característica primitiva na subfamília Bryconinae. rápida e barata. as NORs são múltiplas com até dez cromossomos marcados. evidenciando os sítios que estiveram transcricionalmente ativos e ainda apresentam resíduos de RNAr associados a proteínas. pois.. (2008) encontrou três cromossomos marcados em uma população de Electrophorus electricus.. Na família Characidae é possível observar uma variação no padrão de AgNOR. Entre os Anostomidae. 1977 apud MOREIRA-FILHO. Em A. fasciatus. 1984). Em algumas espécies. Eles sugerem que este fato seja esporádico. 1983). atividade. Em peixes essa técnica é amplamente utilizada por ser uma técnica simples. apesar de todas elas serem simples. sendo simples em alguns grupos e múltiplas em outros. indicando uma notável estabilidade entre esses peixes (WASKO e GALETTI-JÚNIOR. dizemos tratar-se de um sistema de NOR simples. a impregnação das NORs com nitrato de Prata (AgNOR) permite caracterizar algumas espécies. podem ser consideradas marcadores citogeneticos. localização. Em outros grupos de caracídeos é possível observar ambos os padrões de Ag-NOR.nos sítios de DNAr. Por outro lado. Em Serrasalminae. As NORs são variáveis em muitos aspectos. gêneros. caracteriza um sistema de NORs múltiplas (MOREIRA-FILHO. 2000). como nos Astyanax. 1983). o padrão é múltiplo. embora algumas populações apresentam NOR simples (MEDRADO et al. famílias e até mesmo em ordens de peixes. Nos Gymnotiformes o padrão de NOR comum é simples. 2002). presos em torno de cistrons de DNAr condensados (HOWELL. estão localizadas em posições diferentes nos cromossomos (GALETTIJÚNIOR et al. 2006). o padrão de NOR é constante e por isso. a localização das NORs em mais de um par cromossômico.

2000. pois existem vários relatos de evidências de sítios não correspondentes às AgNORs. Na maioria das vezes. Por outro lado. o DNAr 5S. Nos últimos anos a FISH tem sido utilizada para o mapeamento das NORs e sítios de DNAr 5S. como por exemplo. 1993. consideram que os cromossomos de peixes e anfíbios são muito semelhantes em sua composição e possuem regiões ricas em GC relacionadas com as NORs. independente de sua atividade.. 2001 apud GALETTI-JÚNIOR et al. diferente do que pode ser observado com a impregnação por nitrato de Prata ou coloração com CMA3 e Mitramicina. 2006. o mais estudado do gênero. 2004). 2004). A citogenética molecular é baseada principalmente na técnica de hibridação in situ fluorescente (FISH). Sua identificação só pode ser realizada por hibridação in situ (GALETTI-JÚNIOR et al... mesmo aqueles usualmente não detectados pelo nitrato de Prata. são evidenciados pela Cromomicina A3 (CMA3) ou Mitramicina (GALETTI-JÚNIOR et al. tais como Hoechst 33258. apud AMEMIYA e GOLD.. 2004). MAISTRO et al. preferencialmente. 2008). Quinacrina e DAPI. de heterocromatina associada às NORs ou sítios de DNA ribossômico (DNAr). MANTOVANI et al. todos os sítios de NORs dos cromossomos de peixes. já foram encontradas populações com o número de AgNORs variando de um a quinze (ROCON-STANGE e ALMEIDA-TOLEDO. No complexo A. onde uma sonda de DNA marcada é hibridada sobre alvos citológicos.. 2007 e SOUZA et al.. Porém.. independente de sua atividade. 2001. scabripinnis. que são inversos às produzidas por fluorocromos AT base – específicos. essa relação não é absoluta. 1986) esses antibióticos se ligam. ARAUJO e MORELLI. produzem padrões fluorescentes em cromossomos. não pode ser localizado pelo tratamento com nitrato de Prata e coloração com fluorocromos. Amemiya e Gold (1986). em regiões cromossômicas ricas em pares de bases GC e. cromossomos metafásicos. sítios detectados pelo CMA3 e não pelo nitrato de Prata também foram evidenciados (MORELLI et al. 15 .. Por outro lado. através de sondas de DNAr. De acordo com Schweizer (1981.. TORRES-MARIANO e MORELLI. VICARI et al. 2008). Essa técnica permite a detecção de todos os sítios de DNAr 45S existentes em uma espécie. geralmente. 2009. Essas regiões podem ser interespaçadoras.Rio Araguari a AgNOR é múltipla com até seis cromossomos marcados (KAVALKO et al.

Cypriniformes. Nele. Characiformes. Kavalco et al. (2008) e Kavalco et al. 2005). esses dados foram determinados em 71 espécies de peixes pertencentes a diferentes ordens. 16 . Almeida-Toledo et al. de acordo com os autores supra citados. quando Ferro et al. CENTOFANTE et al. scabripinnis pertencentes à bacia do Rio SapucaíGuaçu. como por exemplo Acipenseriformes. Kavalco et al. Os sítios de DNAr 18S. 2003. reunidos até hoje. por sua vez. Os dados sobre os genes ribossômais 5S e 18S. Salmoniformes. está localizado em regiões intersticiais do cromossomo. tem sido importantes para a caracterização cariotípica das diferentes espécies do gênero Astyanax. (2008).Fernandes (2006) reuniu dados de estudos que localizam os genes DNAr 45S e/ou 5S nos cromossomos. Anguilliformes. JESUS e MOREIRA-FILHO. facilitando sua conservação no genoma (SCHWEIZER e LOIDL.. Segundo ele. (2002) analisaram os genes 5S e 28S em cinco espécies do gênero. muito mais variáveis que os 5S. (2001) observaram os genes 5S e 18S em quatro populações de A. (2005). No gênero Astyanax. quando estão localizados em regiões teloméricas. 2003. 2001. estudos localizando os genes ribossomais 5S e 45S tiveram seu inicio em 2001. com o 2º ou 3º par metacêntrico constantemente marcado na região centromérica. Fernandes (2006).. Siluriformes. na maioria dos casos. MANTOVANI et al. com 16 cromossomos marcados. Adicionalmente. (2009) observaram 8 cromossomos em A. A. Mantovani et al. scabripinnis (MANTOVANI et al. Vicari et al. aumentando a variabilidade inter e intrapopulacional (FERRO et al. apresentam-se localizados em 2 a 16 cromossomos no gênero Astyanax. Peres et al. apresentam maior facilidade na transferência de material genético. 2006).. 2005) apresentou maior número de sítios ribossômicos 18S. (2004). Esses estudos demonstraram que o DNAr 5S. Os genes DNAr 45S. Perciformes e Tetraodontiformes. O DNAr 5S se mostrou conservado nos estudos citados acima. 1987 apud FERNANDES.. foram evidenciados até oito sinais positivos. Kavalco e Moreira-Filho (2003). bockmanni. nas regiões terminais ou intersticiais de diversos pares de cromossomos. (2009) prosseguiram com essas análises em Astyanax.

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Capítulo 2 B chromosomes in a population of Astyanax eigenmanniorum (Characiformes. Brazil) Publicado em Genetics and Molecular Biology 2008 24 . MG. Characidae) from the Araguari River Basin (Uberlândia.

altiparanae (Pacheco et al. B chromosomes in a population of Astyanax eigenmanniorum (Characiformes. 1983) to 2n = 50 in A. Araujo and 25 . Pfister and Moreira-Filho. 1983. 1997). 2007. Brazil) Alessandra Ribeiro Torres-Mariano and Sandra Morelli Instituto de Genética e Bioquímica. Abstract A cytogenetic study was conducted on an Astyanax eigenmanniorum population from the Caetano Stream (18° 44' 56" S/ 048° 18' 39" W) . Fauaz et al. supernumerary chromosome. Received: August 18. increasing the diploid number to 49 or 50 chromosomes. Uberlândia. 2006. MG. MG. (1977). bearing supernumerary chromosomes. eigenmanniorum (Stripecke et al. Fernandes and MartinsSantos. This is the first occurrence of an A. Brazil. 2004) and A. Characidae) from the Araguari River Basin (Uberlândia. Accepted: May 22. The supernumerary chromosomes were totally heterochromatic and highlighted after C-banding. thus characterizing a multiple NOR system in the species. 2001. However. Astyanax eigenmanniorum.. MG.. Key words: Characidae. Preliminary cytogenetic studies in Brazilian Astyanax species were initiated in the late 1970s by Foresti et al.in Uberlândia. schubarti (Morelli et al. Further studies confirmed that the chromosomal number in this fish group ranges from 2n = 36 in A.. eigenmanniorum population with 2n = 48 chromosomes. heterochromatin. in several specimens it was also possible to observe metaphases with one or two B chromosomes. Universidade Federal de Uberlândia.. 1994. A. respectively. The silver-stained nucleolus organizing regions (AgNORs) were located in at least five chromosomes of the standard karyotype.2. 1985.. nucleolus organizing regions (NORs). scabripinnis (Morelli et al. Brazil showing a modal diploid number of 48 chromosomes in the standard male and female karyotypes.

Fernandes and Martins-Santos. Ferro et al. the most studied species is A.. altiparanae correspond to the species with the highest number of cytogenetic studies. eigenmanniorum from the Caetano Stream (18° 44' 56" S/ 048° 18' 39" W.. these characteristics are not present in all B chromosomes (Beukeboom.. 2004. The animals were identified by Dr.. SP). Néo et al. However. 1987). São José do Rio Preto. in some cases. 2006) and A. fasciatus (Pazza et al. which presents macro.Morelli. Mestriner et al. scabripinnis (Kavalco and Moreira-Filho.. B chromosomes can be found in haploid or diploid organisms. 1992. Supernumerary or B chromosomes are additional dispensable chromosomes that are present in some individuals from some populations in some species. Valdener Garutti (UNESP. Vicente et al. 1972). Karyotypic variability among different Astyanax fish populations is very common and. This paper gives the description of a large metacentric supernumerary chromosome in A. Torres-Mariano and Morelli. Brazil). and A. 2006). fasciatus (Morelli et al. scabripinnis. 2003. seven females. although very common. 2000. the presence of different numbers of chromosomes has been found among individuals of the same population. 1996. remaining in populations exclusively by means of their distinctive transmission mechanisms (Rejón et al. Araujo and Morelli.. and further registered and 26 . 2005). 2006). which have probably arisen from the A (standard) chromosomes but follow their own evolutionary pathway (Camacho et al. 1983. 2000. Thirteen specimens (five males. and one unsexed) were cytogenetically analyzed. Moreira-Filho et al..2006). MG. after the C-banding technique (Sumner. 1994). Uberlândia. 2000). such as in A.. and can be seen totally or partially heterochromatic (Jones..and micro-supernumerary chromosomes with a frequency that varies between males and females and according to the altitude at which populations occur (Salvador and Moreira-Filho. 1991). A. 2003. These chromosomes may constitute an alternative form of organization of the genetic material and can be considered true parasites. Among fishes.

deposited in the fish collection of the Laboratory of Animal Cytogenetics, at the Federal University of Uberlândia. Mitotic chromosomes were obtained according to Bertollo et al. (1978). Nucleolus organizer regions (AgNORs) were identified following the procedure described by Howell and Black (1980). Constitutive heterochromatin was detected using the C-banding technique (Sumner, 1972). The chromosome morphology was determined on the basis of the arm ratio (AR), as proposed by Levan et al. (1964), and the chromosomes were classified as metacentric (m), submetacentric (sm), subtelocentric (st), and acrocentric (a). A. eigenmanniorum presented a standard karyotype with a diploid number of 2n = 48 chromosomes, both in males and females (Table 1) and a karyotype composed of 7 pairs of metacentric (m), 9 pairs of submetacentric (sm), 5 pairs of subtelocentric (st), and 3 pairs of acrocentric (a) chromosomes (Figure 1a). However, in several specimens it was also possible to observe metaphases with one or two B chromosomes, increasing the diploid number up to 49 chromosomes or 50 chromosomes (Table 1). In three females the proportion between 48 and 49 chromosomes was very similar (Table 1). The metaphases with 49 and 50 chromosomes showed the presence of one or two large metacentric supernumerary chromosomes, respectively (Figure 1b, c), corresponding in size to the second chromosome pair of the A complement, which proved to be totally heterochromatic when subjected to C-banding (Figure 1e). The other chromosomes showed heterochromatin located at the telomeric and/or centromeric regions, as well as in the whole short arm (Figure 1e). Although two male specimens (n. 584 and 623) showed 2n = 49 chromosomes, a low metaphase index was found with this chromosome number (Table 1), and they did not present completely heterochromatic chromosomes after C-banding. Thus, the extra chromosome found in these cases appears only to be a lost chromosome from another standard metaphase. A. eigenmanniorum is characterized by a multiple NOR system. Indeed, AgNORs were seen in different chromosome pairs of the standard karyotype. In the first pair of submetacentric chromosome it is also evident a size polymorphism between the homologous NORs, but with a low frequency (Figure 1d).
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Data from only three A. eigenmanniorum populations have been described to date (Stripecke et al., 1985; Fauaz et al., 1994; Pfister and Moreira-Filho, 1997), all with 2n = 50 chromosomes. Some triploid specimens were found in populations of the

Figure 1 - Karyotypes of A. eigenmanniorum from the Caetano Stream, presenting 48 chromosomes (a), 49 chromosomes with 1 B chromosome (b), and 50 chromosomes with 2 B chromosomes (c). In (d) Ag-NOR bearing chromosomes - from left to right: 3rd metacentric chromosome, an acrocentric chromosome (which is rarely detected), 4th metacentric pair, and 1st submetacentric pair, highlighting the size polymorphism of the NOR site. In (e) C-banded metaphase: the small black arrow indicates the heterochromatic supernumerary chromosome; the thick white one indicates the metacentric NOR bearing chromosome.

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Grande River, MG (Fauaz et al., 1994), and only one female from Atibaia River population showed a B chromosome whose size corresponds to that found in the present paper (Stripecke et al., 1985). In the A. eigenmanniorum population from the Caetano Stream, the presence of at least one totally heterochromatic B chromosome was evidenced in several specimens. It is also interesting to note that these specimens presented inter- and intra-individual variation in chromosome number (Table 1), suggesting a recent origin for the B chromosomes in this population. This paper also describes, for the first time, the presence of supernumerary chromosomes in an A. eigenmanniorum population with the diploid number equal to 48 chromosomes.

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Characidae) da bacia do Rio Araguari (Uberlândia. Vari & Castro. sito ribossômico 5S e da heterocromatina do cromossomo B em Astyanax bockmanni. MG) Short Comunication – Journal of Fish Biology 33 .Capítulo 3 Caracterização das NORs. 2007 (Characiformes.

Vari & Castro. Brasil) Alessandra Ribeiro Torres-Mariano & Sandra Morelli Instituto de Genética e Bioquímica – Universidade Federal de Uberlândia Resumo Analises da hibridação in situ fluorescente (FISH) utilizando sonda de DNAr 18S. Astyanax bockmanni. pode-se propor que esta seja um complexo de espécies. Palavras Chave: Genes ribossomais. que evidenciam regiões cromossômicas específicas (ALMEIDA-TOLEDO et al. 34 . Fluorocromos. Cromossomo supranumerário.3. NOR.e intraespecifico. evidenciando a presença de heterocromatina rica em bases AT. Essas metodologias podem ser utilizadas como excelentes marcadores populacionais. FELDBERG et al. fluorocromos e hibridação in situ. 1988. evidenciaram seis sítios ribossômicos. Caracterização das regiões organizadoras nucleolares e da heterocromatina do cromossomo B em Astyanax bockmanni. tais como banda C e impregnação das regiões organizadoras nucleolares com nitrato de Prata (AgNOR). Os cromossomos de peixes e suas relações evolutivas têm sido caracterizados utilizando metodologias de bandamento. Pela diversidade das características entre as populações de A. assim como outras do gênero Astyanax. Characidae) da bacia do Rio Araguari (Uberlândia. evidenciando um alto grau de polimorfismo inter.. 2007 (Characiformes. 1992). confirmando os dados de AgNORs e CMA3 e com a sonda de DNAr 5S foi encontrada em dois pares de cromossomos: um em região telomérica e outro pericentromérica. MG.. bockmanni estudadas. O tratamento com DAPI destacou todo o cromossomo supranumerário que quando submetido a tratamento com a CMA3 não apresentou marcas.

2000.A AgNOR evidencia apenas os cromossomos portadores das NORs que estiveram ativas em interfases precedentes e por isso. 1985... essa informação é complementada com o uso de fluorocromos com afinidade por bases GC. PAZZA et al.. 1997. (1998). sendo descritas apenas cinco populações. pois na maioria das espécies de peixes. tais como os genes ribossomais 18S e 5S vêm permitindo a localização exata dessas regiões no genoma (MESTRINER et al. Foram utilizados 16 exemplares (5 machos. Dados relacionando as AgNORs com FISH utilizando sondas de DNAr 18S e 5S estão disponíveis apenas para a população da bacia do Rio Paranapanema (STRIPECKE et al. com o objetivo de localizar fisicamente os sítios ribossômicos 5S e 18S. A hibridação in situ fluorescente (FISH) utilizando sondas de segmentos de DNA específicos. bockmanni do Córrego dos Caetano. além de caracterizar a heterocromatina constitutiva de seus cromossomos supranumerários. 49 e 50 cromossomos e um ou dois cromossomos supranumerários metacêntricos grandes.. apenas em fêmeas. bockmanni (VARI e CASTRO. essas regiões estão relacionadas às NORs e as evidenciam independente de sua atividade (AMEMIYA e GOLD. anteriormente identificada como A. normalmente. 2009). As regiões ricas em A/T e G/C foram evidenciadas utilizando a técnica descrita por Christian et al. As sondas de DNA ribossômico (DNAr) 18S e 5S utilizadas são heterólogas de Moenkausia sanctaefilomenae. 2006. O número de cromossomos encontrado na maioria delas foi igual a 50. (1986). 2008).. TORRES-MARIANO e MORELLI. são raros. eigenmanniorum. FAUAZ et al. O presente trabalho é uma complementação da caracterização citogenética de A.. porém a população descrita por Torres-Mariano e Morelli (2008) apresentou 48. 2009). MG. com algumas modificações. para a obtenção dos cromossomos mitóticos utilizando a técnica descrita por Bertollo et al. (1978). A FISH foi realizada conforme a metodologia descrita por Pinkel et al. KAVALCO et al. bacia do Rio Araguari (Uberlândia. Brasil) (TORRES-MARIANO e MORELLI. 2007). 2008 e KAVALCO et al. 10 fêmeas e 1 sexo indefinido) coletados no Córrego dos Caetano (18° 44' 56" S/ 048° 18' 39" O). PFISTER et al. 1994. 1986). Estudos citogenéticos em A. 35 ...

Em eucariotos superiores. O maior par de cromossomos submetacêntricos (sm) mostrou-se constantemente marcado nas metáfases analisadas. concordando com a localização também telomérica das AgNORs (Torres-Mariano e Morelli. Kavalco et al. cromossomos de peixes e anfíbios são muito semelhantes em sua composição e possuem regiões ricas em pares de bases GC relacionadas com as NORs. (1999) considera que a coloração com CMA3 não deve ser utilizada como um método direto e único de detecção dos genes ribossômicos. Esses genes estão presentes em milhares de cópias repetidas em seqüência por genoma e organizados em duas famílias multigênicas distintas: 5S e 45S. além das regiões heterocromáticas associadas às NORs. Torres-Mariano e Morelli (2008) evidenciaram até seis cromossomos portadores de AgNORs teloméricas em A. ocupam uma região intersticial nos cromossomos (WASKO e 36 . A hibridação in situ fluorescente (FISH) utilizando sonda de DNAr 18S. Artoni et al. bockmanni. 2004. localizou seis sítios ribossômicos. se une aos RNAr 5. incluindo os peixes. na maioria das vezes. as NORs são constituídas pela união dos sítios ribossômicos 18S. ANDRADE e JORDÃO. 2008). Quando esse material foi submetido à coloração com CMA3. 5. 2005). seis cromossomos apresentaram sítios positivos teloméricos (Figura 1b). (MARTINS e WASCO. Essas regiões podem ser interespaçadoras. (2009) detectou a presença de oito cromossomos subteloacrocêntrios portadores de NORs. utilizando FISH e coloração com nitrato de Prata. que se organizam para formar as subunidades do ribossomo. bockmanni da bacia do rio Paranapanema. corroborando os dados de AgNORs e CMA3 (Figura 3). A região codificante do sítio ribossômico 5S é conservada mesmo entre organismos filogeneticamente distantes. caracterizando um sistema de NORs múltiplas na população de A. O RNAr 5S. que está localizado fora da região das NORs.8S e 28S (45S). de heterocromatina associada às NORs ou sítios de DNAr. Nesses organismos. De acordo com Amemiya e Gold (1986).Em estudos prévios. pois pode também evidenciar heterocromatina constituída de grande quantidade de bases GC.8S e 28S para formar a subunidade maior dos ribossomos. destacando-se o primeiro par submetacêntrico que apresenta polimorfismo de tamanho das NORs.

2000). (2000). além de um cromossomo metacêntrico com um sítio discreto na região intersticial. 2002. fasciatus da bacia do Rio Tietê (SP) e A. A população de A. A localização dos genes DNAr 5S no gênero Astyanax parece ser conservada em relação ao par de metacêntrico. Cromossomos B com heterocromatina rica em bases AT também foram encontrados em A. a distribuição do sítio ribossômico 5S é diversificada. Em A.. porém mostrou-se positivo quando corado com DAPI (Figura 2). de tamanho correspondente ao 2º do complemento.. MANTOVANI et al.GALETTI-JÚNIOR.. Neste caso foi isolado um DNA satélite de 51pb. 2005). embora ocorra a predominância de um par de cromossomos portadores desses genes. na região telomérica.. esse cromossomo não apresentou marcação positiva quando submetido à coloração com CMA3 (Figura 1b). sendo uma telomérica e a outra intersticial (KAVALCO et al. próximo ao centrômero (Figura 3). 2009). 2006).. scabripinnis.. o qual foi chamado de As51. scabripinnis das bacias dos rios São Francisco e Paranapanema (ABEL et al. além da possibilidade de ser encontrado em sintenia com o sítio de DNAr 18S (KAVALKO et al. Na população de A. com aproximadamente 59% de bases AT. 2008). 2004).. assim como em algumas outras espécies de Astyanax (ALMEIDA-TOLEDO et al. em um estudo realizado por Mestriner et al. indicando que sua heterocromatina é rica em bases AT. No gênero Astyanax. 37 . FERNANDES e MARTINS-SANTOS. bokmanni ora analisada os sítios ribossômicos 5S e 18S ocorrem em sintenia no cromossomo metacêntrico. bockmanni analisada por Torres-Mariano e Morelli (2008) apresenta um ou dois cromossomos supranumerários totalmente heterocromáticos. No presente trabalho. PERES et al. que já foi evidenciado em diversas espécies (ALMEIDA-TOLEDO et al. Essa localização pode dificultar a transferência de material genético entre cromossomos. tais como A. 2006. 2002. bockmanni de duas populações da bacia do rio Paranapanema foram observadas marcações em dois pares de cromossomos metacêntricos. a sonda de DNAr 5S localizou esse cístron de forma bem evidente em um par de cromossomos acrocêntricos de médio porte. No presente estudo. Essa seqüência repetitiva está presente em outras populações da mesma e de outras espécies de Astyanax.

A. Z. Seu número diplóide 2n=48 contrasta com 2n=50. bockmanni analisado nesse trabalho. Valdener Garutti e Dr. bockmanni possa também englobar um grupo de espécies distintas. A presença de NOR em cromossomos supranumerários não é comum. De acordo com os dados coletados até o presente momento. Characidae). não apresentam sítios ribossômicos. Genetics and Molecular Biology 29: 448–452.1. os resultados deste trabalho vêm acrescentar novos dados para o conhecimento da estrutura cariotípica dessa espécie. à semelhança do que ocorre com outras espécies do gênero Astyanax. Francisco Langeani Neto. In: XVI Congrés Internat. p. L. Patrícia Elda Sobrinho.. cromossomos supranumerários de peixes do gênero Astyanax. Foresti F. Resumos. (1988) An early stage of sex chromosome differentiation in the fish Eigenmannia virescens (Sternopygidae). Almeida-Toledo. L. Mantovani. Agradecimentos: Dr. pela contribuição. Conservation of the 5S bearing chromosome pair 38 . bem como a localização dos sítios de DNAr 5S.. CAPES. (2006) Chromosomal distribution of the As-51 satellite DNA in two species complexes of the genus Astyanax (Pisces. Ao que tudo indica. C. o número de sítios de DNAr 18S diverge daquele encontrado para a população do rio Paranapanema. (2002).DNA repetitivo em tandem. 258. & Toledo-Filho. Ms. Canadá. and UFU (Brazil). F. Bonillo C. & Moreira-Filho. de Génétique. assim como A. F. & Daniel-Silva M. L. Dr. Dra. Débora Diniz. S. Porto-Foresti F. Como visto.. Referências Bibliográficas: Abel.. 3. bockmanni do Córrego dos Caetano (bacia do Rio Araguari) mostra-se divergente das demais populações dessa espécie já analisadas. 2000). Ozouf-Costaz. FAPEMIG. Os estudos realizados em A. encontrado para a maioria das demais populações. bockmanni ainda são escassos e. S. Foresti. O. Almeida-Toledo. Além disso. rico em bases AT. por isso. é possível que A. F. são relativamente comuns em peixes (MESTRINER et al. Toronto. CNPq. Fausto Foresti. Toronto. D. F. 2000).. M. A. apesar de já terem sido descritos alguns casos como em gafanhotos (CAMACHO.

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41 . indicado pela seta e em (b) as setas apontam seis cromossomos CMA3 positivos em regiões teloméricas. bockmanni tratada com CMA3. destacando em (a) o cromossomo B.a. Figura 1: Metáfase de A. Figura 2: Metáfase de A. A seta indica o cromossomo supranumerário. b. bockmanni tratada com DAPI.

Figura 3: Metáfase de A. As marcas vermelhas destacam os sítios de DNAr 5S e as marcas verdes os sítios de DNAr 18S. 42 . As pontas das setas indicam marcas discretas de sítios de DNAr 5S e as setas destacam cromossomos portadores de marcas em sintenia. bockmanni submetida à técnica de double FISH.

Capítulo 4 Localização de sítios ribossômicos 5S e 18S em três populações de Astyanax sp gr A. paranae (Pisces. Characidae) da bacia do Alto Paraná – Uberlândia (MG) (Journal of Fish Biology) 43 .

quando foram analisadas sete populações de bacias hidrográficas diferentes. Incertae Sedis) foi considerada como um complexo de espécies a partir dos estudos de Moreira-Filho e Bertollo (1991). O tratamento com DAPI não evidencia uma distinção concreta entre estas populações. paranae (Pisces. Bertaco e Lucena (2006) consideram que esse complexo é composto por aproximadamente 15 espécies. elas exibem particularidades que permitem uma distinção entre elas. paranae.4. Characidae) da bacia do Alto Paraná – Uberlândia MG Alessandra Ribeiro Torres-Mariano & Sandra Morelli Instituto de Genética e Bioquímica – Universidade Federal de Uberlândia Resumo: O complexo de espécies Astyanax scabripinnis. A sonda de DNAr 5S utilizada na FISH marcou um par de cromossomos metacêntricos e um par acrocentrico nas 3 populações. MG. FISH e Genes ribossomais 4. pertencente ao gênero Astyanax classificado hoje como Incertae Sedis. Nesse estudo foram analisadas 3 populações de Astyanax sp gr A. Palavras Chave: Astyanax scabripinnis. Brasil) que apresentaram número cromossômico igual a 50.1. Localização de sítios ribossômicos 5S e 18S em três populações de Astyanax sp gr A. 44 . citogenética e morfologicamente. Fluorocromos. paranae. com algumas variações na fórmula cariotípica. provavelmente determinada pelo isolamento geográfico a que estão submetidas. é composto por 15 espécies incluindo A. paranae da bacia do Rio Araguari (Uberlândia. incluindo A. AgNOR múltiplas coincidindo com os dados obtidos pelo tratamento com CMA3 e FISH utilizando sondas de DNAr 18. Introdução Astyanax scabripinnis (Characidae. Apesar de esses dados serem coincidentes nessas populações.

pertencente à bacia do Alto Paraná.. permitindo um melhor entendimento da organização do genoma dos peixes. KAVALCO et al. 2002. como DNA satélites (MESTRINER et al. CMA3. PERES et al. Suas regiões organizadoras de nucléolos (NOR) normalmente são múltiplas. 2n = 48 e 2n = 50 (ALVES e MARTINS-SANTOS. FERNANDES e MARTINS-SANTOS.. KAVALCO et al. 2008). 2004. 2004. 2000. independente de sua atividade.. 2006a. 2009). utilizando coloração convencional com Giemsa. Por outro lado. 45 . ABEL et al. mas apenas as ativas em interfases precedentes (HOWELL. com o objetivo de verificar possíveis diferenciações entre as populações. paranae da bacia do rio Araguari. estão relacionadas às NORs (AMEMIYA e GOLD. além dos sítios ribossômicos 5S e 18S (ALMEIDA-TOLEDO et al. 2006. a hibridização fluorescente “in situ” (FISH) revela a localização exata de todos esses sítios... Elas também podem ser evidenciadas pela coloração com Cromomicina A3 (CMA3) já que este é um fluorocromo com afinidade por seqüências ricas em G-C (SCHWEIZER. 2007). MANTOVANI et al.. não evidencia todas as NORs existentes. FERNANDES e MARTINS-SANTOS. scabripinnis varia de 2n = 46. 1977). 1986).. sendo este último o mais comum. A impregnação com o nitrato de Prata nas regiões organizadoras nucleolares (AgNORs) é um método indireto. decorrentes do isolamento geográfico entre elas. DAPI e FISH com sondas de DNAr 5S e 18S.O número diplóide das espécies que formam o complexo A. 2005. impregnação com nitrato de Prata. KAVALCO et al.. Nesse estudo foram analisados os cariótipos de três populações de Astyanax sp.. gr A. 1976) que. VICARI et al. já que a Prata tem afinidade pelas proteínas associadas ao RNAr recém transcrito nos sítios de DNAr e. tendo sido bastante utilizada na localização regiões cromossômicas específicas. 2002. por esse motivo. na maioria das espécies de peixes. 2008.

4. Brasil. e se encontram localizados no município de Uberlândia. Os exemplares foram identificados pelo Prof. (1964). (1980). SP. A morfologia dos cromossomos foi determinada com base na razão entre os braços. que é o principal formador da bacia do Alto Paraná. paranae. 20 metáfases por animal para se determinar o número e a fórmula cariotípica de cada uma das populações. Dr. obtidas de Moenkausia sanctaefilomenae e a hibridação in situ fluorescente (FISH). As NORs foram detectadas pela técnica descrita por Howell e Black (1980). Todos esses locais de coleta fazem parte da bacia do Rio Araguari (Figura 1). 12 fêmeas e 2 sexo indefinido) oriundos do Córrego dos Caetano (18º44’47S/048º18’42O) e aqui denominados de Astyanax sp CC. A. Foram analisadas. em média. 11 exemplares (3 machos. Francisco Langeani Neto e foram depositados na Coleção de Peixes da UNESP – Campus São José do Rio Preto. modificada. e 4 fêmeas e 4 sexo indefinido) do Córrego Quilombo (18º44’47S/048º18’41O). como proposto por Levan et al.2. 46 . Brasil. com modificações. contribuinte da bacia do Rio Paranaíba. Os cístrons ribossômicos foram detectados utilizando sondas de DNAr 18S e 5S heterólogas. identificados por Astyanax sp. sendo: 18 espécimes (4 machos. realizada por meio da técnica descrita por Pinkel et al. Q e 9 indivíduos (2 machos e 7 fêmeas) provenientes de um açude localizado na fazenda Lageado. MG. também com algumas adaptações. A coloração com Cromomicina A3/Dapi foi realizada segundo a técnica descrita por Christian et al. Os cromossomos mitóticos foram obtidos utilizando a técnica descrita por Bertollo et al. sendo classificados como metacêntricos (m). Material e Métodos Foram analisadas três populações de Astyanax sp gr A. submetacêntricos (sm). formado por uma nascente que deságua no Córrego dos Caetano (18º44’43S/048º18’49O). subtelocêntricos (st) e acrocêntricos (a). (1986). (1978). com algumas modificações. denominados Astyanax sp.

12 sítios nas três populações (Figuras 6 a. A princípio. Apesar do número de genes ribossômicos ser praticamente o mesmo. de localização e de posição. Embora não tenha sido possível a identificação precisa de cada cromossomo portador dessas regiões. mas com variações numéricas. pôde-se verificar que elas se apresentaram distribuídas entre as diferentes classes de cromossomos do cariótipo. Resultados e Discussão Apesar da grande diversidade cariotípica entre as espécies que compõem o complexo A. MANTOVANI et al. 2003. em média. 2008). paranae. em relação aos cromossomos m. a maioria das populações estudadas possui 2n=50 cromossomos. também apresentaram o número diplóide igual a 50 cromossomos. sm. aqui examinadas. A detecção dessas regiões pelo nitrato de Prata evidenciou a ocorrência de AgNORs múltiplas. 2000. Esta condição de NORs múltiplas foi confirmada pela FISH com sonda de DNAr 18S.e interpopulacionais. Não foi evidenciado heteromorfismo cromossômico em relação ao sexo. 47 . VICARI et al. Entretanto. diferenças no tocante à constituição do cariótipo. Embora conservando o mesmo número diplóide.. indicando a ausência de cromossomos sexuais diferenciados. 1991. podendo ser bem caracterizado o primeiro par metacêntrico como portador dessas regiões nas populações de Astyanax. tanto nos machos como nas fêmeas.4. As três populações de Astyanax deste estudo seguiram esse mesmo padrão. As três populações de Astyanax sp. com número diplóide variando entre 2n = 46. onde foram mapeados. A (Figura 3b e c). 2n = 48 e 2n = 50. Q e Astyanax. O número fundamental e a fórmula cariotípica correspondente para cada população encontram-se relacionados na tabela 1 e os cariótipos apresentados na figura 2. Pertencentes ao grupo A. 2004. tanto no braço curto como no braço longo de vários cromossomos (Figura 3a. mesmo que estas apresentem o mesmo número de cromossomos. estas regiões foram sempre visualizadas em posição telomérica. st e a permitem uma diferenciação entre elas. No gênero Astyanax as NORs usualmente são múltiplas. KAVALCO e MOREIRA-FILHO.. sp. citótipos diferentes são observados com freqüência (MOREIRA-FILHO e BERTOLLO. sp. MAISTRO et al. scabripinnis. com variações intra. ou seja.3. b e c).. b e c).

VICARI et al. Artoni et al. 2002. b e c). Esse fato corrobora a natureza GC rica das NORs. FERNANDES e MARTINS-SANTOS. 2001. ela tem afinidade por heterocromatina constituída de grande quantidade de bases GC.. 1977). ALMEIDA-TOLEDO et al. os sítios CMA3+ foram também múltipos e teloméricos (Figuras 4a. não forneceram evidências concretas de particularidades específicas nas três populações amostradas (Figura 5a. a qual destaca apenas as regiões que estiveram ativas em interfases precedentes (HOWELL. Essas regiões podem ser interespaçadoras de heterocromatina associada às NORs ou dos próprios sítios de DNAr. consideram que a coloração com CMA3 não deve ser utilizada como um método direto e único de detecção dos genes ribossômicos. o que foi também observado em outras populações de Astyanax que fazem parte do complexo A. Como conseqüência. o número de sítios ribossômicos detectados por FISH geralmente é maior que os sítios de AgNORs. além daquelas diretamente relacionadas com as NORs. porém em cromossomos acrocêntricos. Marcações biteloméricas aparecem também nas populações de Astyanax sp CC e Astyanax sp Q. scabripinnis (FERRO et al. Q pôde ser identificada a ocorrência de um sítio bitelomérico bem evidente. pois. nas três populações. Os dados obtidos com DAPI. 2008) Em Astyanax sp.. Este fato pode ser explicativo para os resultados 48 . b e c). (1999). 2008. se não em todos pelo menos em alguns sítios presentes no cariótipo. em um cromossomo acrocêntrico (Figura 6b). PERES et al. A hibridação in situ fluorescente tem se mostrado eficiente na detecção dos sítios ribossômicos. 2006b. o que coincide com a posição ocupada pelas AgNORs nos cromossomos. independentemente de sua atividade. Em Astyanax sp A pode ser bem caracterizada a ocorrência de sítios fluorescentes no primeiro cromossomo metacêntrico. por outro lado. De acordo com Amemiya e Gold (1986). assim como em ambos os telômeros de um cromossomo submetacêntricos. sendo por isso frequentemente utilizada na complementação dos dados de AgNORs. A localização de todos os sítios de DNAr 18S também é telomérica. principalmente nas espécies que apresentam NORs múltiplas. cromossomos de peixes e anfíbios são muito semelhantes em sua composição e possuem regiões ricas em pares de bases GC relacionadas com as NORs.alguns cromossomos portadores desses sítios parecem diferir entre as populações. Coincidentemente.

. 2001. dois deles localizados intersticialmente em um par metacêntrico e dois na região telomérica de um par acrocêntrico (Figuras 6a. Por sua vez. scabripinnis.obtidos no presente estudo. que consideram esse fato como uma característica conservada no gênero. ALMEIDA-TOLEDO et al. 2002. (2008) destacam que essa não deve ser considerada uma característica diagnóstico do gênero. 2008). 2006b. 49 . 2002. Alternativamente. tanto por impregnação pela Prata como por FISH. a localização e a posição dos sítios de DNAr 5S podem ser também variáveis em Atyanax. CC e Q foi observada a sintenia de sítios de DNAr 5S e 18 (Figura 5a e b). pois foi observada também em outros gêneros da mesma família. seja conseqüência dessa problemática técnica. FERNANDES e MARTINS-SANTOS. apud FERNANDES. Em Astyanax sp. a ocorrência de dois pares de cromossomos portadores desses cístrons tem sido predominante.. VICARI et al. 2006) sugerem que a presença de apenas um homólogo portador de sítio de NOR possa ser também conseqüência de rearranjos cromossômicos. com um cromossomo metacêntrico de tamanho médio constantemente marcado nas cinco populações analisadas por Almeida-Toledo et al. MANTOVANI et al. b e c). 2008. Nas populações de Astyanax sp CC e Astyanax sp Q. Entretanto.. A ocorrência de um par acrocêntrico com sítio terminal no braço menor também foi destacada para outras espécies do complexo A. mas apenas em relação ao cromossomo metacêntrico médio. O número. Peres et al. correspondente ao 2º ou 3º par do complemento (ALMEIDA-TOLEDO et al. Assim sendo. 2005). PERES et al.. o tamanho reduzido dos sítios de NORs nas espécies analisadas pode também dificultar a detecção de todas as regiões presentes no genoma. Fernandes e Martins-Santos (2003. 2005. MANTOVANI et al. onde foi geralmente encontrado um número muito maior de sítios ribossômicos do que de AgNORs. (2002). como é o caso do primeiro par metacêntrico do cariótipo de Astyanax sp Q e Astyanax sp A. Quatro sítios de DNAr 5S foram constatados nas três populações. A co-localização dos sítios ribossômicos 5S e 18S já foi descrita anteriormente em populações de Astyanax pertencentes ao complexo A. Entretanto. scabripinnis (FERRO et al. pois já foram observados de dois a oito loci intersticiais ou terminais. é possível que a presença de NORs em apenas um dos homólogos.

CNPq. A formação do açude é recente e seu ambiente difere das características dos córregos. Destaca-se. os dados obtidos indicam que as populações analisadas já apresentam certo grau de divergência entre elas. como diferentes classes de DNAs repetitivos. provavelmente esses fatores estariam estimulando uma seleção entre indivíduos que compõem sua população. Patrícia Elda Sobrinho por ceder as Sondas de DNAr 5S e 18S e Dra. visto que. bem como fornecer novos subsídios para uma definição de seu status taxonômico Agradecimentos: Dr. A. provavelmente decorrentes de seu isolamento geográfico. de DNAr 5S e CMA3+ há mais concordância do que diferenças entre as três populações. Fausto Foresti por me receber em seu laboratório. Q. As três populações aqui estudadas estão praticamente isoladas geograficamente (Figura 1). CAPES. No tocante aos sítios de NORs (AgNORs e DNAr 18S). coletivamente. Débora Diniz. porém os peixes do açude da Fazenda Lageado (Astyanax sp A) podem chegar ao Córrego dos Caetano. resultando em características cariotípicas que a diferem quando comparadas com as outras duas populações. embora possam ocorrer alguns cromossomos marcadores específicos para cada população. os resultados são concordantes entre elas. não podendo. Ms. apesar do isolamento geográfico entre esses pontos. Francisco Langeani Neto. a aparente ausência de sintenia nos espécimes de Astyanax sp. portanto. A investigação de outros marcadores cromossômicos. enquanto que a estrutura cariotípica de Astyanax sp. A. pela identificação dos exemplares. entretanto. 50 . pela contribuição. apresenta uma maior semelhança com a de Astyanax sp. Assim sendo. uma vez que ele deságua nesse local.além de sintenia em um cromossomo metacêntrico. serem consideradas como uma unidade do ponto de vista evolutivo. FAPEMIG. CC e Q são mais divergentes entre si. poderão contribuir para o melhor entendimento deste processo de diferenciação entre as populações. foi também visualizada essa situação em um cromossomo acrocêntrico. de uma maneira geral. A estrutura cariotípica geral de Astyanax sp. não apresentam comunicação entre si. pois os córregos dos Caetano e Quilombo (Astyanax sp CC e Q). and UFU (Brazil). Dr.

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Q – Córrego Quilombo. A – açude da Fazenda Figura 1: Foto de satélite retirada do software online Google Earth.Tabela 4. 54 . Número Fundamental 94 92 92 2n Astyanax sp CC Astyanax sp Q Astyanax sp A Lageado.1: Fórmula cariotípica e número fundamental das 3 populações de Astyanax do grupo A. mostrando a localização dos pontos de coleta em relação ao Rio Araguari. 50 50 50 Fórmula Cariotípica 6m + 28sm + 10st + 6a 10m + 26sm + 6st + 8a 6m + 30sm + 6st + 8a Legenda: CC – Córrego dos Caetano. paranae analisadas.

a. b. 55 .

CC (a). A (c). Figura 2: Cariótipos de Astyanax sp. Q (b) e Astyanax sp. Astyanax sp. 56 .c.

c. CC.a. Figura 3: Metáfases de Astyanax sp. As setas indicam os sítios mais evidentes de NORs. 57 . Q e A evidenciando AgNORs. b.

. CC.a. 58 . As cabeças de seta destacam os cromossomos portadores de sítios CMA3+ biteloméricos. c. b. Q e A evidenciando sítios CMA3 positivos. Figura 4: Metáfases de Astyanax sp.

Q e A submetidas ao tratamento com DAPI. CC. 59 .Figura 5: Metáfases de Astyanax sp.

Figura 6: Metáfases de Astyanax sp. b.a. 60 . CC. c. indicado pela cabeça de seta e de sintenia em cromossomos metacêntricos (a e c) e acrocêntricos (c). Note a ocorrência de um cromossomo com sítios de DNAr 18S biteloméricos em (b). Q e A evidenciando sítios de DNAr 5S (vermelho – setas largas) e 18S (verdes – setas estreitas).

Capítulo 5 Considerações e Conclusões Finais 61 .

e o sítio ribossômico 5S. bockmanni forme um grupo de espécies. banda C e encontraram um ou dois cromossomos supranumerários em fêmeas. Astyanax sp Q e Astyanax sp A. Ag-NOR. Considerações e Conclusões Finais Esse estudo consiste na análise citogenética de 4 populações de peixes do gênero Astyanax provenientes do Córrego dos Caetano. seus citótipos são diferentes. e caracterizando a heterocromatina que forma seus cromossomos supranumerários. A comparação entre as três populações revelou que 62 . CMA3 e FISH com sonda de DNAr 18S. Foi possível também caracterizar as NORs. e Açude da Fazenda Lageado.. utilizando AgNOR. mapeando fisicamente as NOR e o DNAr 5S. scabripinnis. aqui denominadas Astyanax sp CC. 2009). Com as análises foi possível determinar o número e tipos de cromossomos que formam seu cariótipo. Córrego Quilombo. pertencente ao complexo de espécies A. paranae. Os resultados revelaram seis cromossomos portadores de NOR quando submetidos à AgNOR. bockmanni da bacia do Rio Parapanema descritas citogeneticamente. Apesar do número cromossômico ser igual entre elas. e ausência de cromossomos supranumerários (KAVALCO et al. foram descitos em um estudo anterior por Torres-Mariano e Morelli (2008) que determinaram o número de cromossomos. 3 populações de Astyanax sp gr A.5. de acordo com o local onde foram coletadas. CMA3 e FISH com sonda de DNAr 18S. Com a sonda de DNAr 5S foi possível observar 2 pares de cromossomos marcados e o DAPI revelou que a heterocromatina que compõe o cromossomo supranumerário é “rica” em AT. contribuintes da bacia do Rio Araguari no município de Uberlândia (MG – Brasil). Elas apresentaram resultados divergentes em relação às NORs e sítios ribossômicos 5S. O presente trabalho complementou esses dados. Com as particularidades inerentes a cada uma dessas populações é possível diferenciá-las e propor que A. assim como seus números fundamentais. Exemplares de A. Dados citogeneticos relativos a essa espécie são escassos com apenas mais duas populações de A. Foram descritas também. bockmanni coletadados no Córrego dos Caetano.

Dessa forma. Com a FISH utilizando sonda 18S a marca bitelomerica foi destacada na população de Astyanax sp Q. O Açude deságua no Córrego dos Caetano fato este que. são múltiplas. tanto com CMA3. Foram encontrdas também marcas sintênicas dos sítios ribossômicos 5S e 18S nas populações de Astyanax sp CC e Astyanax sp Que. As diferenças aqui observadas provavelmente são conseqüência do isolamento geográfico entre essas populações. A sonda 5S revelou a presença de 4 cromossomos marcados nas três populações. porém quando seus dados são comparados. elas apresentam diferenças. pois o Córrego dos Caetano e Córrego Quilombo estão completamente isolados entre si. são necessários estudos utilizando outros marcadores cromossômicos. com uma média de 12 cromossomos com marcas positivas. permite uma interação entre essas duas populações. porém em Astyanax sp A essa marca se encontra em um cromossomo submetacentrico. assim como a maioria das outras espécies do complexo A. Para se definir sua taxonomia. não devem ser consideradas como uma unidade do ponto de vista evolutivo. Foi possível observar. ausente em Astyanax sp A. por exemplo.elas apresentam algumas semelhanças. Em relação às NORs. teoricamente. quanto com FISH utilizando sonda de DNAr 18S. cada uma dessas populações apresenta caracterisitcas que lhes são peculiares. marcas biteloméricas em um cromossomo acrocentrico do complemento nas populações de Astyanax sp CC e Q. tais como diferentes classes de DNAs repetitivos. Apesar das semelhanças. scabripinnis. 63 .