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FACULDADE INTEGRADA ESPÍRITA – UNIBEM ATUALIZE PROMOTORA DE CURSOS E EVENTOS CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO: SAÚDE PÚBLICA

ANA CECILIA DIAS ARAGÃO

A HUMANIDADE DIANTE DE SUA RELAÇÃO COM A AMAMENTAÇÃO:

NATURAL x CULTURAL x INATO

CAMPINAS

2010

ANA CECILIA DIAS ARAGÃO

A HUMANIDADE DIANTE DE SUA RELAÇÃO COM A AMAMENTAÇÃO:

NATURAL x CULTURAL x INATO

Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Especialista em Saúde Pública, Curso de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade Integrada Espírita – UNIBEM.

Orientador: Profª. Neusa Pereira dos Santos

CAMPINAS

2010

TERMO DE APROVAÇÃO ANA CECILIA DIAS ARAGÃO A HUMANIDADE DIANTE DE SUA RELAÇÃO COM A

TERMO DE APROVAÇÃO

ANA CECILIA DIAS ARAGÃO

A HUMANIDADE DIANTE DE SUA RELAÇÃO COM A AMAMENTAÇÃO:

NATURAL x CULTURAL x INATO

Monografia apresentada como requisito parcial a obtenção do título de Especialista no curso de Saúde Pública das Faculdades Integradas Espírita – UNIBEM Atualize Promotora de Cursos e Eventos.

Banca examinadora

Prof.ª Neusa Pereira dos Santos

Campinas, 13 novembro de 2010.

Dedico este trabalho aos meus pais, Alba e Miguel, que são minha fonte alimentadora de sonhos e, que plantaram em mim uma semente de amor, a qual cuidarei para que sempre frutifique.

AGRADECIMENTOS

Ao meu querido irmão Guinho e sua esposa Kaká que aceitaram toda a

promoção da prática da amamentação com a chegada de seu filho Lucas, fazendo desta tríade um elo de afeto ao qual estarei ligada para sempre. Ao meu sobrinho Willye que mais do que ninguém provou durante 3 anos que não há alimento melhor do que o leite materno nos primeiros anos de vida.

À professora Neusa, orientadora deste trabalho que me auxiliou da melhor

maneira acompanhando todo o percurso para sua realização.

Em especial, à colega de trabalho, chefe, amiga, Monica Macedo, que acreditou no meu potencial sem, ao menos, me conhecer e que me permitiu voar mais alto, abrindo novos horizontes à minha frente. Às colegas de trabalho que sempre acreditaram e fortaleceram meu amor à Fonoaudiologia, em especial a Beti e a Liliane que jamais me deixam esquecer ao que vim. Às amigas Gai e Jake, companheiras que vivenciam junto cada alegria e cada tristeza do meu percurso.

À Rosinha, amiga de muitos anos, que com sua sede de saber é um modelo

inspirador. Carinhosamente à Lara, que depois de anos de conhecimento, nos

descobrimos em áreas de atuação muito próximas e foi a mola propulsora para a realização deste curso.

A cada um dos meus pacientes, principalmente aos binômios mãe / bebê que

a cada dia me ensinam cada vez mais sobre a relação humana.

“Na arte de criar alimentos para o lactente, um par de glândulas mamárias leva evidente vantagem sobre os dois hemisférios cerebrais do maior cientista.”

Samuel Friedman

RESUMO

Trata-se de um estudo em que o objetivo é destacar informações sobre a relação da humanidade com a amamentação, identificando a importância das ações profissionais em relação ao fator inato e cultural desta prática. O levantamento bibliográfico foi realizado através de pesquisa nas bases de dados MEDILINE, SciELO, Pub Med, LILACS, Internet, livros científicos e de literatura. A história da humanidade mostra que o fator cultural está associado aos fatores natural e inato em relação à prática da amamentação. Muitas vezes, os conhecimentos em relação aos benefícios e vantagens da amamentação são sobrepostos pelas informações recebidas culturalmente. Inúmeros esforços vêm sendo aplicados à sociedade desde os anos 70 na intenção de mudança dos índices da prática de aleitamento materno, mas ainda é necessário que aqueles que possuem a tarefa de auxiliar nesta mudança compreendam que amamentar vai muito além do fato de um bebê receber leite materno. Passa pelo respeito às crenças e valores de cada indivíduo, considerando seus saberes e desmistificando a idéia de que a amamentação é inata. Quando ocorre a compreensão do natural, inato e cultural, permeáveis uns aos outros, o profissional se torna capaz de expandir sua atenção atingindo seus objetivos de forma mais eficiente.

Palavras-chave: Inato. Cultura. Amamentação. Aleitamento Materno.

ABSTRACT

This is a study in which the goal is to highlight information on the relationship of humanity with breastfeeding, identifying the importance of professional actions in relation to innate and cultural factor of this practice. The bibliographic search was conducted through the databases MEDILINE, SciELO, Pub Med, LILACS, Internet, books and scientific literature. Human history shows that the cultural factor is associated with natural and innate factors in relation to breastfeeding. Often, knowledge about the benefits and advantages of breastfeeding are superimposed by

the information received culturally.

Numerous efforts have been applied to the society

since the 70s with the intention of changing rates of breastfeeding, but it is still necessary for those who have the task to assist in this change to understand that

breastfeeding is going much beyond the fact that a baby gets milk

breast. Depends

on respect for the beliefs and values of each individual, given their expertise and demystifying the idea that breastfeeding is innate. When there is an understanding of the natural, innate and cultural permeable to each other, the professional is able to expand their attention to reaching their goals more efficiently.

Keywords: Inbred. Culture. Breastfeeding. Breastfeeding.

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 – INFLUÊNCIAS NA ALIMENTAÇÃO INFANTIL

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LISTA DE ABREVIATURAS

AM

- Aleitamento Materno.

AME

- Aleitamento Materno Exclusivo.

IgA

- Imunoglobulina A.

LAM

- Método de Amenorréia Lactacional.

LISTA DE SIGLAS

IHAC

- Iniciativa Hospital Amigo da Criança.

IUBAAM

- Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação.

OMS

- Organização Mundial De Saúde.

ONG

- Organização Não Governamental.

MS

- Ministério da Saúde.

NBCAL

- Norma Brasileira para Comercialização de Alimentos para Lactentes.

PNIAM

- Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno.

UNICEF

- Fundo das Nações Unidas para a Infância.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

13

1.

ALEITAMENTO MATERNO

15

1.1

CONCEITOS

15

1.2

COMPOSIÇÃO DO LEITE MATERNO

17

1.3

VANTAGENS DO ALEITAMENTO MATERNO

19

1.4

BARREIRAS E INTERFERÊNCIAS AO ALEITAMENTO MATERNO

22

2.

DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA AMAMENTAÇÃO

25

3.

DISCUSSÃO

30

4.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

32

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

33

13

INTRODUÇÃO

A amamentação é um ato natural vivenciado pela humanidade, porém poderá ele ser considerado como um ato inato? Diante deste questionamento, o conhecimento da natureza deste ato é essencial para o desenvolvimento de práticas profissionais frente ao aleitamento materno. Muitos acreditam ser este, um ato que todo binômio mãe / bebê tem a possibilidade de desempenhar de forma correta e adequada por trazer em sua carga natural congênita toda a habilidade para tal. Este pode ser um dos primeiros enganos cometidos pelos profissionais designados ao apoio deste binômio. Segundo Knibiehler 1 (2004) na história da amamentação desde os primórdios encontramos referências de mães que amamentaram seus filhos. Hera, rainha dos deuses, esposa de Zeus que alimentava o universo, Maria mãe de Jesus que deu o peito ao seu filho divino, o que pode ser considerado como prova de Sua existência humana. Com a evolução dos tempos observa-se que esta prática foi sendo modificada. Na antiguidade os filhos eram designados a ser amamentados por escravas ou serventes e muitas vezes mantidos distantes do seio familiar. Ainda segundo Knibiehler (2004) Soranos, um dos médicos mais famosos do século II d.C, afirmava que o leite materno era o melhor alimento para um bebê, porém este bebê deveria ser carregado por uma mulher e alimentado por outra (seguindo modelo de transplantio na agricultura) descrevendo modelos ideais de nutrizes que perdurou até meados do século XIX. Acreditavam que a copulação estragava o leite ou o fazia secar com o reaparecimento do fluxo menstrual, o que impedia a mulher de desempenhar o papel de esposa e nutriz ao mesmo tempo. Com o cristianismo veio a imposição da fidelidade recíproca, porém o tabu em relação aos atos sexuais perdurou e se tem registros de contratos de “nutrição” assinados pelo pai e pelo alimentador, o marido da ama de leite. As vantagens do aleitamento materno são infinitas, trazendo benefícios às mães, às crianças, à família e também à sociedade como um todo. O aleitamento materno é preconizado pela OMS de forma exclusiva do nascimento aos 6 meses, devendo ser estendido até 2 anos ou mais.

1 KNIBIEHLER, Y. Allaitement. Dictionnaire de la pensée médicale. Paris: Puf, p. 29, 2004, citado por DAMASCENO, N., 2008.

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Apesar das vantagens da prática do aleitamento materno, ainda se faz necessária uma maciça promoção através de iniciativas governamentais e de ONGs sobre a importância desta prática. (CARVALHO, 2003) Idéias advindas do século XIX reduzem a prática da amamentação em um ato natural, comum aos mamíferos, fortalecendo pensamentos de que amamentar é institivo, próprio do ser humano, portanto inato, sem levar em consideração todas as inferências e interferências do meio. Elenca-se como objetivo deste estudo, destacar informações que comprovem que a amamentação não é um fator inato ao ser humano desmistificando este pensamento e determinando a importância das ações profissionais de apoio e orientação em relação ao aleitamento materno e à amamentação para toda uma família.

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1. ALEITAMENTO MATERNO

1.1 CONCEITOS

O termo “amamentação” se difere do termo “aleitamento materno”, pois o conceito da amamentação é o ato da mãe dar o peito para o bebê mamar. E aleitamento materno se refere à alimentação através de leite materno, independente do meio pelo qual o recebe que pode ser pela mama, pelo copinho, pela colherzinha, pelo conta-gotas e até mesmo pela mamadeira. (REGO, 2008, p.17) Para que os termos usados em relação à prática do aleitamento materno fossem padronizados evitando confusões e discordâncias referentes ao tipo de oferta da alimentação, desde 1991 a OMS define como:

ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO (AME) - criança que recebe apenas leite materno direto do seio da mãe ou de qualquer outra forma.

ALEITAMENTO MATERNO PREDOMINANTE – leite materno + água, chá, suco, sais de rehidratação oral, suplementos vitamínicos e minerais ou soro glicosado (não abrange alimentos semi-sólidos ou leite não humano).

ALEITAMENTO MATERNO MISTO - leite materno + leite artificial ou de outros animais.

ALEITAMENTO MATERNO COMPLEMENTADO – leite materno + outros alimentos líquidos, semi-sólidos, sólidos e leite artificial.

Na mesma linha, no manual de orientação alimentar de lactente à adolescente, do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (2006), encontra-se o estabelecimento de 10 passos para a alimentação saudável. Este manual segue as recomendações da OMS para o aleitamento materno e afirma que o consumo precoce de alimentos complementares pode interferir na sua

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manutenção além de não suprirem as necessidades nutricionais da faixa etária que compreende estas recomendações.

Este documento refere que a partir dos seis meses de idade é indicada a introdução de alimentos complementares associados ao aleitamento materno até dois anos ou mais.

Os 10 passos para a alimentação saudável compreendem em:

1. Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos.

2. A partir dos seis meses, introduzir de forma lenta e gradual, outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.

3. Após os seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas, legumes), três vezes ao dia, se

a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.

4. A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança.

5. A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com consistência pastosa

(papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.

6. Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é, também, uma alimentação colorida.

7. Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

8. Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos

e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Usar sal com

moderação. 9. Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

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10. Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

1.2 COMPOSIÇÃO DO LEITE MATERNO

Para compreendermos a composição do leite materno é importante distinguirmos as fases pelas quais, o leite humano passa, sendo que cada uma delas apresentam características bioquímicas diferenciadas e adequadas para determinado período da vida de uma criança.

A primeira fase é composta pelo colostro, que inicia sua formação já durante

a gestação, por volta do 7º mês quando é denominado de pré-colostro. O colostro

está presente nos 4 primeiros dias após o nascimento, sendo um fluido amarelado e espesso com volume variando entre 2 e 20 ml por mamada composto por lipídios, lactose e alto teor de proteínas. Há alta concentração de vitaminas, com destaque

para o -caroteno que confere a cor amarelada. (VALDÉS; SÁNCHEZ; LABBOK, 1996). O mesmo autor faz a seguinte referência quanto à concentração do colostro:

Destaca-se, no colostro, a concentração de IgA (3,2 g/100 ml) (Mickelson & Moriarty,1982) e de lactoferrina, que, junto a grande quantidade de linfócitos e macrófagos (100.000 mm³), conferem uma condição protetora ao recém- nascido frente aos germes do meio ambiente. Estas células do colostro não são destruídas no aparelho digestivo do lactente, mantendo-se ativas para exercer sua função imunológica. (VALDÉS; SÁNCHEZ; LABBOK, 1996, p.

30).

Após o 4º dia, inicia-se a formação do leite de transição que perdura até o 15º dia. A composição deste leite vai variando de acordo com o decorrer dos dias, até

atingir a composição da próxima fase, a do leite maduro. Nesta fase o volume médio

é de 700 a 900 ml / dia até o 6º mês e de 600 ml / dia nos meses seguintes. O leite maduro é composto principalmente por proteínas, carboidratos, lipídios, minerais,

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vitaminas e contém 88% de água. (VALDÉS; SÁNCHEZ; LABBOK, 1996, CARVALHO; TAMEZ, 2005)

Já as proteínas contidas neste leite são caseína (30%) e proteínas do soro (70%), mais nutritivas diferentemente das contidas no colostro. Esta composição permite que haja a formação de um coágulo mais fino e poroso no estômago, favorecendo uma digestão enzimática mais fácil e rápida. O teor de proteínas é adequado e perfeito para o crescimento e desenvolvimento cerebral do bebê. (VALDÉS; SÁNCHEZ; LABBOK, 1996, CARVALHO; TAMEZ, 2005)

Segundo Valdés, Sánchez, Labbok (1996) e também Carvalho e Tamez (2005), o carboidrato mais abundante no leite humano é a lactose que determina evacuações semi-líquidas, favorecendo a absorção de cálcio e ainda fornece galactose, importante na mielinização dos axônios favorecendo o desenvolvimento do sistema nervoso central além de fornecer 40% da energia necessária. A lactoferrina tem ação bacteriostática promovendo a colonização intestinal com lactobacilos bífidos além de contribuir para a absorção intestinal do ferro.

Os lipídios fornecem cerca de 50% da energia do leite e aumentam com o tempo de lactação sendo o componente mais variável do leite humano. Sua concentração aumenta por sucessivas ejeções do leite e a qualidade dos ácidos graxos é modificada de acordo com a alimentação da mãe. Os ácidos graxos essenciais presentes somente no leite humano se mostram importantes no desenvolvimento cerebral e da retina e ainda, estudos sugerem que protegem contra o desenvolvimento de doenças auto-imunes na vida adulta. Também o colesterol favorece o desenvolvimento neurológico sendo fundamental para o crescimento. (VALDÉS; SÁNCHEZ; LABBOK, 1996, CARVALHO; TAMEZ, 2005)

Valdés, Sánchez, Labbok (1996) e ainda Carvalho e Tamez (2005) referem que quanto ao fornecimento de minerais e vitaminas, poucos casos são descritos em relação à deficiência deles, pois a presença dos vários componentes no leite materno mostra que normalmente estão relacionados com algum defeito metabólico ou deficiência nutricional materna.

Ainda há a formação de um leite que não é conseqüência das fases citadas anteriormente, mas que completa as descrições, pois aparece em uma situação

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diferenciada que é o acontecimento do parto prematuro. A composição deste leite chamado de leite de pré-termo tem maior teor de proteínas, lipídios e calorias e menor teor de lactose do que o leite maduro, pois o prematuro tem mais necessidade de proteínas protetoras sendo a lactoferrina e a IgA abundantes neste leite, e a capacidade de digestão de lactose do prematuro é menor. (VALDÉS; SÁNCHEZ; LABBOK, 1996, CARVALHO; TAMEZ, 2005)

1.3 VANTAGENS DO ALEITAMENTO MATERNO

Há muito já se fala sobre as vantagens da prática do aleitamento materno desencadeando benefícios para a criança, a mãe, a família e até para a sociedade. Desde os primórdios que estes benefícios são conhecidos, porém com o desenvolvimento econômico da sociedade, a prática do aleitamento materno deixou de ser incentivada entre as famílias. Diante deste cenário, a OMS e a UNICEF pressionadas por pesquisadores da área da saúde e organizações de consumidores em 1979 realizou em Genebra a primeira reunião para discussão sobre a alimentação infantil e necessidade de um código de regulamentação para os fabricantes de alimentos infantis. A partir desta conferência foram desenvolvidas iniciativas como a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação (IUBAAM), Semanas Mundiais de Amamentação, criação das Normas de Comercialização de Alimentos para Lactentes com adaptação ao nosso país (NBCAL) e Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (PNIAM). Todas estas ações têm por objetivo principal promover, apoiar e proteger o aleitamento materno. (CARVALHO; TAMEZ, 2005) Dentre as vantagens do aleitamento materno para o bebê destaca-se que o leite materno é completo para todas as suas necessidades porque contém vitaminas, sais minerais, proteínas, açúcares, gorduras, ferro, água, enzimas, substâncias nutritivas e protetoras não encontradas em nenhum outro leite de forma equilibrada e adequada. (OMS, 2002)

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Os estudos realizados ao longo dos anos comprovam que o leite materno é capaz de proteger o bebê de infecções e alergias, reduzir a gravidade do sarampo, acelerar a maturação intestinal prevenindo alergias e intolerâncias alimentares. (OMS, 2003)

Segundo Calvano 2 (2005, p. 60) o leite materno pode prevenir doenças crônicas degenerativas como diabetes, doença de Crohn, linfomas e ainda diminui a incidência de distúrbios orofaciais e a incidência de cáries. Também são atributos do leite materno a prevenção de doenças oculares em função do alto nível de vitamina A encontrado em sua composição e a prevenção da icterícia por acelerar a expulsão de mecônio da luz intestinal. Sua composição promove a colonização intestinal por bactérias que promovem uma acidez maior favorecendo a evacuação e facilitando a absorção de cálcio e ferro. (VALDÉS; SÁNCHEZ; LABBOK, 1996)

O leite de vaca possui o dobro da quantidade de caseína do leite materno,

esta caseína quando combinada com o cálcio forma um complexo insolúvel que diminui a absorção do cálcio e gorduras, dificultando sua digestão. (MOURA, 2005)

A prática da amamentação favorece o vínculo mãe / bebê auxiliando no

desenvolvimento de uma criança mais segura em relação à afetividade, (LOUZADA,

2008):

Segundo Bertoldo e Santos 3 (2008), os neurofisiologistas concluíram que os

elevados níveis de ocitocina liberados acompanhado com a prolactina

colaboram para o aumento do amor materno e essas ações comportamentais

desses hormônios sugerem que a amamentação facilita a relação mãe e

filho, promovendo o vínculo afetivo, contribuindo assim nesse período um

aumento do prazer e da felicidade da mãe. (LOUZADA, 2008)

Também com a prática da amamentação, ocorre o benefício da redução dos riscos de contaminação e acidentes pelos objetos alternativos ao peito utilizados para alimentar o bebê. (CARVALHO, 2005)

2 CALVANO, L. M. O poder imunológico do leite materno. In: CARVALHO, M. R.; TAMEZ, R. N. Amamentação – bases científicas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p. 57-65.

BERTOLDO, I. E. B.; SANTOS, M. L. Benefícios Biopsicossociais do Aleitamento Materno. In:

ISSLER, H. (Org.) O Aleitamento Materno no Contexto Atual: Políticas, Práticas e Bases Científicas. São Paulo: Sarvier, 2008. v. 1, p.263 - 266.

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Caspi et. al. (2007) e Gomez - Sanchiz et. al. (2003) afirmam que os níveis de crescimento e desenvolvimento de bebês alimentados pelo leite materno são melhores do que aqueles que são alimentados por outros tipos de leite e estudos comprovaram que crianças alimentadas com leite materno podem ser mais inteligentes. A importância do AME é ainda mais reforçada quando verificamos vários estudos mostrando que episódios de pneumonia e diarréia podem ser reduzidos de forma importante com o aleitamento materno. Um estudo realizado por Victora et. al. (1987) mostrou que o risco de morte por diarréia é 14 vezes maior e por Cesar et. al. (1999) de 61 vezes maior para internação por pneumonia em crianças que recebem outro tipo de alimento. Broad (1979), Victora (1987) e Duffy et. al. (1997) mostraram que crianças amamentadas exclusivamente têm duas vezes menos episódios de otite média e adoecem duas vezes e meia menos que crianças alimentadas por outros leites. Em situações especiais, como quando o bebê é prematuro (abaixo de 36 semanas) a composição do leite materno é modificada naturalmente. Os níveis de lactoferrina, lisozima e IgA são maiores, aumentando os fatores de proteção. (MATUHARA, A. M.; NOGANUMA, M., 2006) Para a mãe, as vantagens do aleitamento materno indicam que o sangramento uterino e o retorno do útero ao tamanho normal acontecem mais rapidamente quando a amamentação é iniciada precocemente, também aumentando as reservas de ferro. A ação reflexa do hormônio ocitocina liberado pela hipófise ao haver o estímulo de sucção no seio, realiza a contração uterina e o hormônio prolactina estimula a produção láctea aumentando os níveis de colostro e depois de leite, a cada mamada. (OMS, 1991) A amamentação pode ser utilizada como método natural de planejamento familiar, através do Método da Amenorréia da Lactação (LAM), se as 3 condições combinadas forem obedecidas: a mãe não estar menstruando, o bebê tiver até 6 meses de idade e estar sendo amamentado exclusivamente. (KENNEDY, 1991) Segundo Hartge (1989) e Yuan (1989) seus estudos demonstraram que quanto mais a mulher amamenta e maior é o tempo desta amamentação, menor é o risco de câncer de mama e ovários. Para a família a amamentação reflete principalmente em economia financeira por não ter custos, possibilitando a destinação de recursos para outras

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necessidades da família e a disponibilidade de tempo para ela, visto que o leite já está pronto a cada mamada. A sociedade é favorecida por ter uma população constituída por crianças menos doentes, consequentemente adultos mais saudáveis, diminuindo gastos do governo com a saúde e das empresas que tem os números de absenteísmo diminuído em virtude do menor número de vezes que a mãe ou o pai necessitam acompanhar suas crianças doentes.

1.4 BARREIRAS E INTERFERÊNCIAS AO ALEITAMENTO MATERNO

Os mitos disseminados na sociedade de que ao amamentar os peitos caem, o leite não é suficiente para o bebê, que bebês prematuros não devem mamar no peito, interferem prejudicialmente à promoção do aleitamento materno. (OMS, 2003) Carvalho (2005) ressalta que o uso de chupetas, chucas e mamadeiras podem favorecer infecções por contaminação do leite ou dos próprios materiais. Também podem aumentar os intervalos entre as mamadas, além de promover a “confusão” de bicos, pois para a sucção do peito e da mamadeira, músculos diferentes são utilizados fortalecendo antagonistas que segundo o autor:

Chuquinhas ou mamadeiras são veículos de contaminação porque os líquidos ou leites artificiais podem ser preparados de forma não higiênica, usando água contaminada, diluindo excessivamente o pó e atrapalhando a proteção imunológica fornecida pelo leite materno. (CARVALHO, 2005, p.

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Todo ser humano carrega consigo duas heranças: a genética e a cultural. Muitas vezes os profissionais orientadores esquecem-se destas cargas e ditam-lhe regras e normas para que sigam condutas preconizadas sem percebê-lo como ser individual que traz consigo aprendizados obtidos através da cultura vivenciada que constrói o seu saber. Nesta mesma direção há a seguinte reflexão de Bitar:

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A amamentação é uma escolha individual que se desenvolve dentro de um contexto sociocultural, portanto influenciada pela sociedade e pelas condições de vida da mulher. (BITAR, 1995)

Para Giugliani (1994) há a transmissão da experiência familiar em aleitamento materno fortalecendo e evidenciando o fator cultural que influencia a prática da amamentação. A influência familiar é de grande importância e Nakano (2007) relata que é preciso alcançar além do binômio mãe/bebê, tornando a família participante do processo de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Com a modernidade, as mães deixam de ter o apoio dos familiares facilitadores e apoiadores da prática da amamentação, as avós, tias e irmãs que já não podem estar ao seu lado ou também não vivenciaram a experiência de amamentar, sofrendo a “cobrança” da prática como um fator inato, favorecendo ao desmame precoce. (ORLANDI, 1985) A introdução precoce de outros alimentos interfere na prática do AME e muitas vezes, está relacionada ao fato da mãe/ família achar que o bebê tem fome, seu leite é fraco e insuficiente para satisfazê-lo e com isso, outros fatores são acarretados concomitantemente como o ingurgitamento mamário, mamadas curtas e infrequentes, dificuldade de pega e posicionamento (VAUCHER; DURMAN, 2005) Diante das dificuldades acima descritas há a escolha pela oferta do leite artificial favorecendo o desmame precoce parcial ou total atribuindo ao bebê, na maioria das vezes, os motivos para esta decisão. Porém, no estudo de Pinto (2008) não foram citados fatores como falta de orientação, choro do bebê ou nervosismo materno como fatores de opção / conveniência evidenciando que, são fatores socialmente menos aceitos e por isso, reprimidos. Outro fator influenciador para o favorecimento do desmame precoce é o fato da mulher desde a revolução industrial participar do mercado de trabalho para a qual as leis trabalhistas vêm sendo modificadas na tentativa de proteger e apoiar o aleitamento materno. (DAMASCENO, 2008) Já Ryan & Martinez (1989), Agüir (1996), Rea (1997) (citados por Ferreira, 2004) referem que a influência do trabalho está muito mais relacionada à duração da amamentação do que à decisão de amamentar em virtude da relação direta às condições ofertadas pelas empresas e aceitação por parte dos colegas.

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A necessidade financeira familiar é um dos motivos que leva a mulher a trabalhar fora e assim ser esse um fator influenciador na prática da amamentação. (FROTA et. al. 2008) Há uma grande dificuldade para as mulheres manterem seus bebês em AME, retornando ao trabalho após quatro meses de licença gestante. Há um novo projeto de lei tramitando no governo para que a licença maternidade seja estendida até os seis meses para toda mulher trabalhadora, indo ao encontro da prática de AME preconizada pela OMS / MS / UNICEF. Este projeto de lei tende a ampliar a lei n 11.770, que atualmente beneficia com dedução integral dos 60 dias nos impostos fiscais a empresa privada chamada de “empresa cidadã” que prorrogar a licença maternidade para 180 dias das funcionárias nutrizes. (BRASIL, 2008) Desde os primórdios, a alimentação artificial é comercializada associada a vários utensílios cada vez mais modernizados e cercados de grande marketing. (DAMASCENO, 2008) Porém, diante de abusos da indústria alimentícia, em 1992, criou-se a norma brasileira de comercialização de alimentos para lactentes que passou a ser um instrumento legal para regulamentação comercial de substitutos do leite materno e ainda defendendo os riscos associados ao desmame precoce fortalecendo o incentivo ao aleitamento materno. (BRASIL, 2001) Algumas mulheres relacionam a queda de seus seios com a gravidez e amamentação levando-as à prática de cirurgias plásticas estéticas em virtude da “ditadura da beleza”. Em nosso país, a preocupação com a beleza, formas perfeitas do corpo é muito grande e fortalecida pela mídia. (RISCADO, 2009). Sendo assim, este também pode ser um fator de influência negativa à amamentação. Mesmo quando mulheres que tem a visão da amamentação como uma ação inata, biologicamente determinada, se deparam com dificuldades na prática do ato de amamentar e percebem a importância e a necessidade de aprendizado evidenciando que vai além do instinto. (ALMEIDA, NOVAK, 2004) Na mesma direção, Carvalho e Tamez (2005) referem que o aleitamento materno é natural, porém vai além de um ato institivo ou inato, é uma habilidade, portanto deve ser aprendida. Esta é uma cultura humana que necessita ser recuperada e para isso é necessário que os olhares sejam modificados.

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2. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA AMAMENTAÇÃO NO MUNDO

Dentre as histórias míticas há a referência de que quase todas as mulheres amamentavam. Hera, a esposa de Zeus, rainha dos deuses, derramou seu leite para todo o universo, tracejando a via láctea. (DAMASCENO, 2008) Houve um tempo em que o ser humano precisava caçar e catar alimentos para sua sobrevivência e quando uma mãe não podia amamentar seu filho, outra mãe o fazia até que fosse capaz de conseguir seu próprio alimento, caso contrário estaria fadado à morte. Ainda no período Neolítico, quando o homem passou a plantar e domesticar rebanhos, levou um tempo para que as crianças fossem alimentadas com leite animal ofertados por utensílios ou diretamente de suas tetas. (CASTILHO; BARROS FILHO. 1984) Segundo A Bíblia Sagrada 4 (1969, citada por Castilho e Barros Filho, 1984) Moisés na passagem de Êxodo de 1:15 a 2:10, relata sobre o comportamento da utilização de amas entre os egípcios e hebreus para garantir a sobrevivência das crianças que eram afastadas de suas mães. Há outra citação em I Samuel capítulo I:

22 – 24 que em 1000 a. C., descrevendo o fato de somente após o desmame, com 3 anos, Samuel ter sido levado para viver com o sacerdote Eli parecendo fazer referência ao tempo de amamentação naquela época. Quando Maria deu o peito ao Seu filho divino, provou a sua humanidade diante do seu papel de mãe. Para os povos da Mesopotâmia, Egito e Hebron as crianças eram dádivas divinas e recebiam cuidados semelhantes, até que os romanos passaram a dominar essas terras e a partir daí as crianças perderam seu valor. (CASTILHO; BARROS FILHO; 1984) De acordo com Badinter 5 (1985), Plutarco foi o primeiro moralista a favor do aleitamento materno:

Em todos os militantes do aleitamento materno, de Plutarco ao doutor Brochard (fim do século XIX), passando por Favorinus, Erasmo e muitos outros, encontra-se indefectivelmente uma profissão de fé naturalista: "É a

4 A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Trad. João Ferreira de Almeida. Edição revista e atualizada no Brasil. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil; 1969. p.309.

5 BADINTER, E. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de: L’Amour en plus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

26

natureza, dizem eles, que manda que a mãe amamente o seu bebê." Ora, é mal, moral e fisicamente, desobedecer à natureza. Nas entrelinhas, para todos esses moralistas, quem diz "lei da natureza" diz "lei divina". E não é bom desobedecer a Deus. (BADINTER, 1985, p. 130)

Segundo Castilho e Barros Filho (1984), entre os séculos XIII e XVII, aconteceu a invenção da imprensa, aparecendo a publicação de livros. Alguns autores seguiam as orientações de Avicena que escreveu o “Cânon da Medicina” que acreditava que a saúde da nutriz e suas características influenciavam a saúde do bebê devendo ser substituída por outra mulher quando adoecesse ou que o leite fosse ordenhado e exposto ao ar livre para só depois ser administrado aos bebês através de chifres conectados a bicos artificiais. Suas orientações eram em favor da amamentação, porém não valorizavam o colostro. A história tem relatos que entre os séculos XIV e XIX, muitos faziam uso da prática da amamentação, porém era praticada por mulheres que não as mães dos seus bebês, contratadas para cuidar destas crianças até que fosse desmamado. A idéia da concepção higienista do século XIX impõe à mãe a responsabilidade pela saúde de seu filho gerando conflitos entre o querer e o poder amamentar. O primeiro embate cultural no Brasil aconteceu com a chegada dos portugueses que acreditavam ser um comportamento institivo e natural, não cabível ao homem civilizado de cultura européia. (ALMEIDA; NOVAK, 2004) Com a revolução industrial esta prática foi fortalecida em virtude das mães necessitarem trabalhar duro junto aos seus maridos, não tendo a possibilidade de estarem mais próximas de seus filhos para amamentá-los. A modernidade trouxe também um maior número de “mães solteiras” e no final do século XVIII eram obrigadas pela miséria a cumprir o resguardo dentro dos hospitais, e, então eram convidadas a amamentar as crianças abandonadas. Elas amamentavam além de seus filhos, mais 2 ou 3 crianças favorecendo a transmissão de doenças contagiosas como a sífilis. (DAMASCENO, 2008) As idéias em relação a alimentação infantil começaram a mudar quando Mauriceau 6 (1668, citado por Castilho e Barros Filho, 1984) publicou “The accomplisht midwife”. Nesta obra, começou a incentivar as mudanças principalmente em relação ao emprego de amas, introduzindo papas e outros substitutos ao leite

6 MAURICEAU, F. The accomplisht midwife. Londres. 1673.

27

materno. Começou a nascer aí, o interesse pelo binômio mãe / bebê e mais adiante, pelo bem estar da mãe. Nos séculos XVI e XVII a amamentação era mais comum entre mães protestantes do que católicas porque a Igreja Católica proibia as relações sexuais enquanto as mães estivessem amamentando. (BADINTER, 1985) A valorização do colostro começou a aparecer através de Cadogan 7 em 1748, que referenciou a propriedade purgativa favorecendo a eliminação do mecônio e em seguida a influência sobre o poder preventivo de doenças infantis e até maternas. Também fez referências ao laço afetivo estabelecido quando a mãe amamentava desde as primeiras horas de vida do bebê. (CASTILHO; BARROS FILHO; 1984) Segundo Castilho e Barros Filho (1984) a mortalidade infantil passou a ser reduzida na Inglaterra entre 1675 e 1750 influenciando os hábitos em relação à oferta do colostro 8 . Com as orientações de Cadogan, priorizando o bem estar da mãe, a amamentação sob livre demanda passou a ser reduzida, antecipando a introdução de alimentos complementares a partir do segundo ou quarto mês. A volta da recomendação da livre demanda aparece só no final do século XVIII. (FILDES 9 , 1986 citado por Castilho; Barros Filho; 1984) Com a revolução pasteuriana passa-se a ter um novo olhar para a importância do aleitamento materno. O leite materno é reconhecido como alimento protetor e mesmo que não seja oferecido diretamente do peito, deve ser através da mamadeira. Entre os anos de 1920 e 1930 a instituição francesa, o “Socorro Branco”, passa a assegurar o recolhimento do leite materno e a partir daí, a amamentação passa a ter uma valorização afetiva. (DAMASCENO, 2008) Ainda, segundo Damasceno (2008) o surgimento do feminismo no início dos anos 70 com mulheres “fálicas”, desqualificavam os cuidados maternos. Segundo essas mulheres, amamentar era vergonhoso, ridículo. Almeida e Novak (2004) referem que a chegada do leite condensado e a farinha láctea no Brasil, importados da Suíça, com o leite industrializado e a mamadeira passaram a ser uma alternativa terapêutica à idéia do leite fraco. A

7 CADOGAN, W. Essay upon nursing and the management of children. Londres. 1748.

Esta é uma referência de Hollingworth, T.H. (1957) em Fildes, V. A. 9 FILDES, V. A. Breasts, bottles and babies: a history of infant feeding. Edinburgh: Edinburgh University Press, 1986.

8

28

utilização desta prática permitiu a institucionalização do desmame precoce como uma ação sociocultural protegido pela própria medicina. Segundo Fomon 10 (2001, citado por Castilho e Barros Filho, 1984), por volta de 1880, a água começou a ser clorada no Primeiro Mundo, melhorando a condição de preparo do leite em pó. E à medida que passaram a ter maior conhecimento em relação às necessidades nutricionais das crianças, os pediatras passaram a se

responsabilizar pelo preparo laboratorial do leite pronto para uso e pelas orientações de como preparar fórmulas caseiras. Mas os cálculos matemáticos eram complicados demais para a maioria da população. (COLON 11 , 1999, citado por CASTILHO e BARROS FILHO, 1984) As mamadeiras de vidro e os bicos de borracha foram patenteados em 1845 e as indústrias passaram a promover o leite evaporado. Nesta ocasião, com interesse financeiro combinado com a queda de natalidade após a Segunda Guerra, foi iniciada uma maciça promoção dos substitutos do leite materno. (REA, 1990) Fomon (2001, citado por Castilho e Barros Filho, 1984), refere que em 1909 foi criada a primeira fórmula de soja e indicada em 1929, como alternativa às crianças alérgicas ao leite de vaca. Na década de 50, foi observado que crianças alimentadas com esta fórmula apresentavam deficiências vitamínicas. Já na década de 60 houve um retorno à queda de natalidade em função do acesso à pílula anticoncepcional através do movimento feminista. Agora os seios passam a ter uma conotação sexual e estética minimizando a sua ação funcional. (JELLIFFE 12 , 1978, citado por CASTILHO; BARROS FILHO; 1984)

A partir de 70, iniciou-se um movimento mundial para a volta da promoção à

amamentação e desde então, avanços nos estudos realizados tem auxiliado os conhecimentos em torno do leite materno, seus potenciais e os benefícios da amamentação.

A tabela abaixo referencia cronologicamente os eventos acontecidos após a

Revolução Industrial e que foram capazes de influenciar a alimentação infantil. (CASTILHO; BARROS FILHO; 1984)

10 FOMON, S. J. Infant feeding in the 20th century: formula and beikost. Journal of Nutrition. 2001;131: 409S-420S

11 COLON, A. R.; COLON, P. A. Nurturing children: a history of pediatrics. Westport: Greenwood Press, 1999.

12 JELLIFFE, D. B. , JELLIFFE, E. F. Human milk in the modern word- psychosocial, nutritional, and economic significance. Oxford: Oxiford University Press, 1978.

29

Tabela 1 – influências na alimentação infantil após a revolução industrial

Data

Evento

1838

Simon: “LV tem mais proteína que LM”.

1856

Gail Borden: leite condensado.

1867

Leibig: Primeira fórmula comercializável (farinha de trigo + malte + bicarbonato de potássio) farinha leite diluído.

1872

Leite condensado: baixo teor de gordura, alta energia.

1874

1880

Fórmula artificial completa: leite em pó, malte, farinha de trigo, açúcar – preço inacessível.

Água clorada.

1883

Myenberg: leite evaporado.

1885

Exata composição do leite materno: Meigs e Biedert.

1890

Pasteurização do leite de vaca.

1895

Rotch: fórmulas matemáticas impraticáveis em casa – leite pronto em frascos. Eletricidade – conservação. Propagandas – aumento do consumo de leite de vaca e fórmulas. Produção de leite modificado mais próximo da composição do leite materno.

1912

Associação de beribéri, escorbuto, pelagra e raquitismo à falta de vitaminas. Necessidade energética recomendada.

1920

Óleos de fígado de bacalhau e suco para suplementação. Sólidos mais cedo.

1929

Fórmula de soja para alergia ao leite de vaca.

1940

Leite evaporado ou pasteurizado com vitamina D + suco – vitamina C. Após Segunda Guerra: lucro = propaganda + aumento natalidade.

1960

Pílula anticoncepcional = diminuição natalidade. Papas com glutamato monossódico, açúcar e amido = melhor textura e aparência. Várias mudanças das fórmulas pela necessidade do lactente.

1962

Regulamentação das fórmulas.

1970

Movimento pró amamentação. Relação com leite de vaca:

1990

alergia, diarréia, anemia. Não amamentados: fórmula com ferro ou leite com cereal fortificado. Declaração de Innocenti, IHAC, 10 passos para o sucesso do AM, regulamentação propagandas de fórmulas, bicos e mamadeiras. OMS: padrão de crescimento de crianças amamentadas diferente. Novas curvas de crescimento para crianças amamentadas – OMS 2006. Padrão de crescimento para século XXI. Recomendação da OMS: AME até 6 meses, após AMC até 2 anos ou mais.

1993

1997 - 2003

Século XXI

LV = leite de vaca, LM = leite materno, IHAC = iniciativa hospital amigo da criança, AM = aleitamento materno, OMS = Organização Mundial de Saúde, AME = aleitamento materno exclusivo, AMC = aleitamento materno complementado.

FONTE: CASTILHO, S. D.; BARROS FILHO, A. A. (1984)

30

3. DISCUSSÃO

O dicionário Michaelis traz a referência ao termo “natural” como:

adj m+f (lat naturale) 1 Que pertence ou se refere à natureza. 2

Produzido pela natureza, ou de acordo com suas leis. 3 Que segue a

ordem regular das coisas. 4 Não contrafeito, não estudado;

desafetado. 5 Espontâneo. 6 Conforme à índole humana; inato,

ingênito. 7 Fácil, sem constrangimento. 8 Conforme à razão ou ao

uso. 9 Que se oferece espontaneamente ao espírito. 10 Derivado

da natureza (em oposição a habitual). 11 Instintivo. 12

Acomodado, apropriado, consoante. 13 Provável, presumível,

verossímil. 14 Originário, oriundo. 15 Não falsificado. 16 Próprio.

17 de origem terrena; humano. 18 Em que não há trabalho do

homem

(MICHAELIS,

2009)

2. O termo “inato” é descrito no dicionário Aurélio como adjetivo que se refere ao que nasce com o indivíduo, congênito, ingênito, nativo, nato. (Aurélio século XXI, 2003, pág 379)

Já o termo “cultura” refere-se a valores, crenças, normas e práticas que são absorvidos pelos modos de vida aprendidos, transmitidos e/ou compartilhados, de um grupo determinado que oriente os pensamentos, decisões e ações de maneira padronizada de uma determinada sociedade. (TEIXEIRA, 2006) Para Edward Tylor, (1871):

Cultura é o todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade.

) (

no nascimento, dotada de capacidade ilimitada de obter conhecimento

John Locke, em 1690, afirmou que a mente humana era uma caixa vazia

13

Geertz (1978) faz a proposta de duas idéias a partir do referencial de cultura:

13 Trechos retirados de texto de autor desconhecido. Cultura: Um Conceito Antropológico. Disponível em: < http://www.grupoescolar.com/materia/cultura:_um_conceito_antropologico.html>. Acesso em: 10/06/2010.

31

quero propor duas idéias. A primeira delas é que a cultura é melhor vista não como um complexo de padrões concretos de comportamento - costumes, usos, tradições, feixes de hábitos - como tem sido o caso até agora, mas como um conjunto de mecanismos de controle - planos, receitas, regras, instruções ( o que os engenheiros de computação chamam “programas”) - para governar o comportamento. A segunda idéia é que o homem é precisamente o animal mais desesperadamente dependente de tais mecanismos de controle, extragenéticos, fora da pele, de tais programas culturais, para ordenar seu comportamento.

(

)

Quando nos deparamos com a amamentação ao longo da história da humanidade podemos observar que existe uma co-relação entre os fatores inatos ao ser humano, fatores naturais referentes à sua existência e fatores aprendidos ao longo de sua vida que são transmitidos de geração em geração de acordo com os valores de sua comunidade. A transmissão cultural tem um papel muito importante, pois muitas vezes está em desacordo com os conhecimentos científicos, mas é credibilizado de tal maneira que mesmo diante de comprovações contrárias ao costume, se torna difícil modificá- lo.

Ao pensarmos que ser natural é desenvolver algo de forma espontânea, de acordo com as leis da natureza, como podemos acreditar que para amamentar existam interferências que por diversas vezes geram fracassos, fortalecendo um sentimento de impotência e de incapacidade? Muitas vezes ao se deparar com a informação de que a amamentação não é inata, profissionais se surpreendem e questionam a informação por confundirem o ato de amamentar com a presença dos reflexos estomatognáticos já desenvolvidos no bebê durante a vida intra uterina. A necessidade de manejo clínico, orientações, ações para melhora dos índices mundiais de AM nos leva a identificar o ato da amamentação como muito além de inato ao binômio mãe / bebê, necessitando considerar todos os fatores que envolvem esta prática. Os textos de Almeida e Novak (2004) e Damasceno (2008) nos mostram exatamente que há uma fusão entre os aspectos naturais e culturais envolvidos no ato de amamentar. Fatores estes, que ora claramente é percebido na sua individualidade, ora tão unido que torna imperceptível a identificação das características de cada um. Amamentar não é uma prática simples e única, é o resultado da influência de diversos fatores, é uma prática a ser aprendida.

32

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para que o profissional possa ofertar o acolhimento ao binômio mãe / bebê e sua família de forma efetiva, ampla e global é necessário que esteja imbuído de um saber que respeita aquilo que todo ser traz consigo, suas crenças e valores. A natureza, a cultura e a carga congênita muitas vezes se fundem impossibilitado delimitar onde começa e onde termina cada um deles. Diante desta mescla de fatores cabe ao profissional compreender que o resultado do seu atendimento está intimamente ligado ao seu próprio referencial, que como ponto de partida deve entender estes conceitos com propriedade. Diante disto, vale ressaltar que ainda há muito que se fazer em relação à promoção, apoio e proteção ao aleitamento materno, até que nós seres humanos, possamos tornar a prática da amamentação naturalmente um ato difundido entre as culturas sociais e familiares.

33

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8 VALDÉS, V.; SÁNCHEZ, A. P.; LABBOK, M. Manejo Clínico da Lactação – Assistência à Nutriz e ao Lactente. Rio de Janeiro: Revinter, 1996.

9 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. KRAMER, M. S.; KAKUMA, R. The Optimal Duration of Exclusive Breastfeeding: A Systematic Review. Genebra: OMS, 2002.

10 BRASIL.

Ministério

da

Saúde.

Organização

Pan-Americana

da

Saúde.

Organização

Mundial

da

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(OPAS/OMS)

Amamentação.

Informativo

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junho

de

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41 CASTILHO, S. D.; BARROS FILHO, A. Z. Alimentos utilizados ao longo da história para nutrir lactentes. Campinas, 2004.

42 A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Trad. João Ferreira de Almeida.

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43 BADINTER, E. Um amor conquistado: O mito do amor materno. Tradução de L’Amour em plus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 130.

44 MAURICEAU, F. The accomplisht midwife. Londres. 1673.

45 CADOGAN, W. Essay upon nursing and the management of children. Londres.

1748.

46 FILDES, V. A. Breasts, bottles and babies: a history of infant feeding. Edinburgh:

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47 FOMON, S. J. Infant Feeding in the 20th Century: Formula and Beikost. Journal of Nutrition. 2001, 131, p. 409S - 420S.

48 COLON, A. R.; COLON, P. A. Nurturing children: a history of pediatrics. Westport: Greenwood Press, 1999.

49 JELLIFFE, D. B. , JELLIFFE, E. F. Human milk in the modern word - psychosocial, nutritional, and economic significance. Oxford: Oxiford University Press, 1978.

50 REA, M. F. Substitutos do leite materno: passado e presente. Rev. Saúde Pública. São Paulo, 1990, v. 24, p. 241 - 249.

51 MICHAELIS. Moderno dicionário da língua portuguesa. 2009. Disponível em:

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52 Dicionário Aurélio século XXI, 2003, p. 379.

53 TEIXEIRA, M. A.; NITSCHKE, R. G.; DE GASPERI, P.; SIEDLER, M. J. Significados de avós sobre a prática do aleitamento materno no cotidiano familiar: a cultura do querer – poder amamentar. Contexto Enfermagem. Florianópolis, 2006, v.15, (1), p. 98 – 106.

37

54 GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. Disponível em:

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