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Assuntos tratados

1º Horário
 PROCESSO LEGISLATIVO (continuação)
 Decretos Legislativos
 Resoluções

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
 Análise dos Requisitos Formais e Materiais

2º Horário
 SISTEMAS (MATRIZES) DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
 Análise da Regra Geral (Difuso e Concentrado) do Brasil

1º HORÁRIO

DECRETOS LEGISLATIVOS (art. 59, VI, da CF)

- Conceito: São espécies normativas primárias de competência exclusiva do Congresso


Nacional (Ex.: art. 62, § 3º; art. 49, I; art. 49, V, todos da CF).

- Procedimento:

– Fase Iniciativa: Deputados / comissões de Deputados / Mesa da Câmara de Deputados;


Senadores / comissões de Senadores / Mesa do Senado; Mesa do Congresso Nacional.

– Fase constitutiva: Em regra é Bicameral, excepcionalmente, será em sessão conjunta


(unicameral).

– Fase complementar: Ë o Presidente do Congresso quem promulga e publica.

Resoluções (art. 59, VII, da CF)

- Conceito: são espécies normativas primárias de competência privativa do Congresso Nacional,


ou privativa da Câmara de Deputados, ou privativa do Senado Federal que se destina a
vincular matérias, em regra, com efeitos internos das Casas.

- Ex.: Regimento Interno das Casas será aprovado mediante Resolução;

Perda de Mandato é instrumentalizada por resolução;

Obs.: Exceções: Resoluções com efeitos externos as Casas: art. 68, § 2º; art. 52, X; art. 51, I
todos da CF.

Procedimento:

- Fase iniciativa: Na Câmara: Deputados / Comissão de Deputados / Mesa da Câmara;


- No Senado: Senadores / Comissão de Senadores / Mesa do Senado;
- No Congresso: Deputados e Senadores / Comissão de Deputados e Senadores / Mesa da
Câmara e Senado / Mesa do Congresso;

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- Fase constitutiva: Câmara dos Deputados: aprovação na Câmara;
- Senado Federal: aprovação no Senado;
- Congresso Nacional: aprovação na Câmara e aprovação no Senado, excepcionalmente, em
sessão conjunta.

Obs.: Quorum para aprovação depende da Constituição e do Regimento Interno da Casa.

Ex.: art. 68, § 2º (maioria simples); art. 55, § 2º (maioria absoluta); art. 51, I (2/3).

Fase complementar: Resolução da Câmara→ Presidente da Câmara;

- Resolução do Senado: Presidente do Senado;


- Resolução do Congresso Nacional: Presidente do Senado.

Controle de constitucionalidade

- Conceito: Ë a análise (ou verificação) de compatibilidade (ou adequação) de leis ou atos


normativos em relação a uma Constituição (normas constitucionais tanto expressas quanto
implícitas) no que diz respeito ao preenchimento (observância) de requisitos formais e
materiais pelas leis ou atos normativos.

Obs.: O controle de constitucionalidade, segundo Gilmar Ferreira Mendes, é uma relação de


parametricidade (parâmetro), pois só ocorrerá em países nos quais a Constituição é formal e
rígida (Constituições dotadas de supralegalidade de supremacia). Nos países de Constituições
Flexíveis não terão controle de constitucionalidade, pois não exige procedimento especial para
sua modificação, o critério para sua alteração é cronológico.

Obs.: Além da relação de parametricidade é necessária uma sanção, requer declaração invalidade,
de nulidade e anulabilidade de lei ou ato normativo que está contrariando a Constituição.

Obs.: As normas Constitucionais de parâmetro de controle de constitucionalidade serão expressas


e implícitas (Ex.: princípio da proporcionalidade).

Obs.: Para que uma norma seja constitucional deve preencher requisitos:

- Requisitos formais: dizem respeito ao modo ou maneira pela qual a lei é produzida. As leis
devem observar o procedimento de sua elaboração previsto não Constituição.
- Requisitos materiais: dizem respeito ao conteúdo da lei, ou seja, o conteúdo da lei deve estar
de acordo com o conteúdo da Constituição.

Análise dos Requisitos Formais e Materiais

Requisitos Formais: a inobservância dos requisitos formais, ou seja, se não forem preenchidos os
requisitos formais a lei poderá ser inconstitucional em três hipóteses:

- Inconstitucional Formal Orgânica: envolve o descumprimento, a contrariedade de regras de


Competência previstas na Constituição (Regras de Repartição de Competências).

Ex.: Lei Estadual sobre matéria de direito penal.

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- Inconstitucional Formal por Descumprimento de pressupostos objetivos do ato: contrariedade a
requisitos previstos na Constituição para elaboração das leis ou atos normativos.

Ex.: art. 62, da CF (MP editada sem relevância e urgência); art. 18, § 4º (criação de municípios
sem lei complementar federal; regulamento a criação).

- Inconstitucional Formal propriamente dita: envolve o descumprimento de regras do processo


legislativo (art. 59 a 69, da CF). Esta se subdivide em:

– Subjetiva: envolve a fase de iniciativa e ocorre quando o sujeito que deflagrar o


procedimento não for dotado de legitimidade para tal.

Ex.: art. 61, § 1º (matérias de competência privativa do Presidente da República).

– Objetiva: descumprimento da fase constitutiva e da fase complementar.

Ex.: art. 69; art. 65, parágrafo único da CF.

Requisitos Materiais: a inobservância material é aquela que ocorre quando há contrariedade entre
o conteúdo normativo da lei e o conteúdo da Constituição. Porém, alguns autores, como Gilmar
Mendes e Ingo Sarlet, dizem que atualmente a inconstitucionalidade material não envolve
somente um controle entre o conteúdo da lei e da Constituição, pois a análise da
inconstitucionalidade material envolve também a atuação do legislador. Ou seja, ainda que o
conteúdo de uma lei não contrarie a Constituição essa lei poderá ser materialmente
inconstitucional por uma atuação em excesso ou insuficiente do legislador.

Obs.: A inconstitucionalidade material envolve a análise da atuação do legislador, se atuou em


excesso ou foi insuficiente.

A atuação do legislador deve estar norteada por dois princípios:

-Princípio da proibição do excesso;


-Principio da proteção insuficiente;

Para saber se a lei ou ato normativo foi construído em excesso ou de forma insuficiente é preciso
fazer uma análise que envolve o princípio da proporcionalidade (adequação, necessidade e
proporcionalidade em sentido estrito).

Ex.: ADI 855

2º HORÁRIO

Sistema (Matrizes) do controle de Constitucionalidade

Sistema (Matriz) Judicial: Sistema (Matriz) Judicial: Sistema (Matriz) Política:

Teve origem nos EUA em Teve origem na Áustria em Surgiu na França em 1958
1803 com o caso Marbury 1920 com Kelsen. na Constituição Francesa.
X Madison.

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Via exceção: é uma Controle via ação (via
questão excepcional, não principal): ação específica
é a questão principal. para discutir o controle de
constitucionalidade.

Sempre através de caso Através de uma discussão Em regra é um controle


concreto (autor e réu), de em in abstrato (processo preventivo.
modo incidental (surge objetivo): não tem caso
com incidente que concreto, não haverá
prejudica o julgamento do partes. Aprecia a lei em
caso). tese.
.
Controle Difuso Controle concentrado

O Brasil adota, em regra, sistema de controle judicial tanto difuso quanto concentrado.
O primeiro sistema adotado pelo Brasil foi o controle difuso. Surgiu na Constituição da República
de 1891. O controle concentrado surgiu na Constituição de 1934.

Quanto ao momento do controle: em regra, ele é repressivo.

Obs.: Em regra, o controle constitucional no Brasil é judicial e repressivo.

Exceções: controle político (Poder Legislativo: CCJ, controla a constitucionalidade no projeto de


Lei / Poder é Executivo: com veto do Presidente da república, art. 66, da CF e pelo Tribunal de
contas) e preventivo (Poder legislativo).

Controle político repressivo

Poder Legislativo: art. 62/ art. 49, V, da CF.


Poder Executivo: ADI 221 (o Presidente da República pode deixar de aplicar administrativamente
uma lei que entenda ser inconstitucional).
Tribunal de Contas: súmula 347 do STF (relativizada pelo MS 25888/06).

Controle Judicial preventivo

No inter do processo legislativo, realizado pelo STF, é um Controle Difuso porque será realizado
em um caso concreto, via mandado de segurança.

Análise da regra geral (difuso e concentrado) do Brasil

Controle Difuso

Caso concreto de modo incidental.

Ex.: Decisão do juízo monocrático em primeira instância da questão incidente a favor da


inconstitucionalidade: apelação da questão prejudicial irá para Tribunal. (art. 97, da CF: cláusula
de Reserva de Plenário).

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O Pleno ou Órgão Especial do Tribunal decidirá sobre a questão suscitada por maioria absoluta.
Turmas do Tribunal não podem decidir sobre a inconstitucionalidade, nem deixam de aplicar por
entender que é inconstitucional (Súmula vinculante nº10).

O procedimento para decisão no pleno segue os art. 480 e 481 do CPC.

Existe uma exceção a cláusula da reserva de plenário trazida pela Lei 9.756/98 acrescentando o
parágrafo único ao art. 481 do CPC, cujos órgãos fracionários dos tribunais ( Câmaras, Turmas ou
Seções) não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade,
quando já houver pronunciamento desses ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a
questão, por questão de economia processual.

Se da decisão do Pleno ou da Turma com base no art. 481, § único, houver recurso vai para: STF
(Recuso Extraordinário: pré-questionamento, ofensa frontal a CF, repercussão geral). O STF tem
que obedecer a cláusula da reserva legal do art. 97 da CF. O pleno desse decidirá por maioria
absoluta. O Pleno do STF julga a norma e caso concreto. No STF também existe a exceção da
cláusula de reserva legal (art. 481, parágrafo único, do CPC).

Efeito da decisão no controle difuso seja no Tribunal de Justiça, seja no TRF, STF será: inter
partes e ex tunc (desde a origem). O Senado pode atribuir efeito erga omens (art. 52, X).

Obs.: O Senado não é obrigado a suspender a lei, ele tem discricionariedade.

Obs.: Quando o Senado Federal suspende a lei declarada inconstitucional pelo STF no caso
concreto, ele o faz por meio de resolução. O Senado não pode fazer outra resolução modificando
sua opinião.

Obs.: O Senado pode suspender a lei Federal, a Estadual e a Municipal desde que o STF tenha
declarado a inconstitucionalidade.

Outra forma de atribuir efeito erga omnes no controle de difuso veio através da Emenda
Constitucional 45/04 com a Súmula Vinculante (art. 103-A da CF e Lei 11.417/06). O STF pode
editar, revisar ou cancelar súmula vinculante.

A súmula vinculante tem por objeto: a validade; a eficácia; a interpretação de normas jurídicas do
ordenamento.

Os requisitos para súmula vinculante são: oito ministros; reiteradas decisões sobre a matéria
objeto do assunto; controvérsia no Poder Judiciário ou entre o Poder Judiciário e o Executivo
causando grave incerteza no ordenamento jurídico (defesa do princípio da segurança jurídica).

São legitimados para propor súmula vinculante os presentes no art. 103 da CF e além destes: os
Tribunais pátrios (sejam Superiores ou de 2º Grau); Defensor Público Geral da União; os
Municípios em via incidental (Município como parte no caso concreto que envolva matéria que
possa ser objeto de súmula vinculante); STF de ofício.

Exceções aos efeitos regra do controle difuso:

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Exceção quanto ao Efeito temporal: o STF vem entendo que excepcionalmente o efeito no
controle difuso pode ser ex nunc (para o futuro), ou pode ser manipulado (modulado) nos moldes
do art. 27 da Lei 9.868/99.

Ex.: Rec. ext. 197.917/04 (caso Mira Estrela).

No que tange aos atingidos existem divergências tanto no STF quanto na doutrina. Alguns
ministros do STF (Eros Roberto Grau e Gilmar Mendes) vêm defendendo que em determinadas
situações o efeito inter partes deve se tornar erga omnes automaticamente, sem a necessidade do
Senado. Segundo Eros Grau deve-se fazer uma mutação constitucional do art. 52, X, da CF, ou
seja, o texto constitucional continua o mesmo, mas deve-se fazer uma nova interpretação, para
ele compete ao Senado dar publicidade das decisões do STF. Os ministros Joaquim Barbosa e
Sepúlveda Pertence divergem dessa posição. A tese defendida per Eros Grau e Gilmar Mendes e
conhecida como abstrativizaçao do controle difuso (precedente da reclamação 4.335).