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RIXA

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14.1 CONCEITO, OBJETIVIDADE JURÍDICA E SUJEITOS DO


CRIME

Dispõe o art. 137 do Código Penal: “participar de rixa, salvo para separar os
contendores: pena – detenção de 15 (quinze) dias a 2(dois) meses, ou multa”. O parágrafo
único determina que “se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo
fato da participação na rixa, a pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos”.

Como se observa, a norma não definiu o que seja rixa, cujo conceito é doutrinário:
é a briga que envolve três ou mais pessoas, com empurrões, pontapés, golpes de mão,
enfim, com vias de fato ou lesões corporais de parte a parte, caracterizada pela dificuldade
de se caracterizar ou individualizar a conduta de cada um dos briguentos.

A construção desse tipo visa a solução das dificuldades de, em muitas situações
concretas, determinar-se e provar-se as condutas de cada participante da rixa. Diante da
possibilidade da impunidade das condutas da maioria ou de todos, preferiu o Código criar
um tipo que permita a punição pela simples adesão à briga, alcançando, assim, a totalidade
dos participantes.

É um crime de perigo para a vida e a saúde das pessoas, que é a sua objetividade
jurídica.

Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo ou passivo do crime de rixa, porém é
necessária a participação de, no mínimo, três pessoas, ainda quando uma ou várias delas
sejam inimputáveis. Instalada a confusão, com lesões corporais ou vias de fato e não se
podendo determinar exatamente a ação de cada um, haverá crime de rixa.

Não há necessidade de que todos os participantes sejam identificados, bastando a


certeza de que eram três ou mais os envolvidos. Havendo dois sujeitos apenas, haverá vias
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de fato ou lesões corporais recíprocas. Na rixa todos são, ao mesmo tempo, sujeitos ativos e
sujeitos passivos.

14.2 TIPICIDADE

O caput descreve o tipo fundamental e no parágrafo único estão as formas


qualificadas pelo resultado.

14.2.1 Forma típica simples

O tipo fundamental inscrito no caput do art. 137 é simplesmente participar de rixa,


isto é, envolver-se na confusão, desde que não o faça o agente para separar os que brigam.

14.2.1.1 Conduta

O núcleo do tipo é o verbo participar. Não tem o mesmo significado quando se o


emprega em relação a outro crime. Não quer dizer, aqui, colaborar ou contribuir para o fato
típico que está sob o domínio de outrem, mas é empregado no sentido de fazer parte da rixa.
Assim, quem participa de rixa é autor do crime de rixa, o qual exige, para sua configuração, a
presença de pelo menos três autores, ou co-autores.

Participar de rixa é, portanto, diferente de participar do crime de rixa. O partícipe


do crime de rixa é aquele que, dolosamente, estimula, induz ou incentiva o agente a
ingressar na briga, ou, de qualquer modo, contribui para que uma ou mais pessoas a ela se
integrem, ativamente.

14.2.1.2 Elementos objetivos

Participa da rixa quem se envolve diretamente no entrevero, na balbúrdia, na


confusão, na briga, na luta, desferindo golpes, recebendo outros, agindo, enfim, da
produção das lesões corporais nas pessoas dos outros rixantes. Na rixa as agressões devem
ser mútuas e voltadas para os diversos contendores, não sendo, por isso, possível a perfeita
determinação do modo de atuar de cada um deles. É, em verdade, um conflito
generalizado.
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Sendo possível identificar, entre os contendores, dois grupos se digladiando, como


duas torcidas de futebol após o término do jogo, não há rixa, porque aí é possível distinguir
as condutas de cada integrante de cada grupo, que se voltam contra os membros do outro
grupo. Ainda que a briga seja confusa, tumultuária, não haverá rixa, pois os grupos de
pessoas são perfeitamente identificáveis. Do mesmo modo quando cinco pessoas agridem
uma única, não haverá rixa.

A conduta será, necessariamente, positiva, isto é, comissiva. O participante da rixa


pode ingressar na contenda desde o início, permanecer até seu desfecho, ou poderá aderir
a ela em seu curso, e abandoná-la antes do seu término. Desde que tenha-se envolvido
realizando algum comportamento positivo de agressão a qualquer dos demais, já terá
participado da rixa.

Discute-se acerca da necessidade de que a rixa surja, necessariamente, ex


improviso, isto é, que não seja preparada. A preparação pressupõe, necessariamente, um
acordo de vontade prévio de duas ou mais pessoas que se organizam para atacar outras, e
aí haverá um grupo determinado buscando agredir outras pessoas, ainda que
indeterminadas.

Se dois grupos programam um entrevero, com mais razão se afastará a hipótese de


rixa, porque aí também será possível identificá-los. A não ser quando, por exemplo, dez
pessoas resolvem agredir-se mútua e reciprocamente, marcando dia, hora e lugar para o
espetáculo, programando, pois, uma verdadeira rixa, onde todos poderão bater em todos,
aí sim, penso, é possível uma rixa ex proposito.

14.2.1.3 Elemento subjetivo

É crime doloso. O sujeito deve ingressar na briga consciente da situação de fato e


com o fim de participar da confusão, da balbúrdia, agredindo quem, quando e da forma
que puder. Aquele que ingressar na rixa com a finalidade de separar os contendores não
cometerá crime, como dispõe, expressamente, o caput do art. 137 do Código Penal.

Quem dá causa à rixa ou realiza algum comportamento agressivo por negligência,


imprudência ou imperícia não terá cometido crime de rixa. Poderá responder por lesão
corporal culposa.

Aquele que age com dolo de matar ou de causar lesão corporal de natureza grave
responderá por tais crimes, na forma tentada ou consumada, além da participação na rixa,
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como se verá adiante.

14.2.1.4 Consumação e tentativa

A rixa consuma-se quando pelo menos três pessoas realizam os atos de agressão, vias
de fato ou lesão corporal. Iniciada a agressão mútua dos participantes da rixa, já estará esta
consumada.

A tentativa de rixa é, portanto, impossível, a não ser naquela única hipótese de rixa ex
proposito, quando os participantes ajustam, previamente, sua realização e são, antes de
iniciá-la, impedidos pela chegada da polícia ou qualquer outra razão importante, alheia a
suas vontades.

14.2.2 Formas qualificadas pelo resultado

O parágrafo único do art. 137 prevê, como resultado qualificador da rixa, a lesão
corporal ou a morte de alguém, participante da rixa ou não. A pena será de detenção, de
seis meses a dois anos.

Esses resultados devem decorrer de pelo menos uma das condutas realizadas durante
a rixa, ou seja, é imprescindível o nexo causal. Podem ocorrer durante ou depois da rixa,
desde que dela sejam conseqüência.

A morte ou lesão grave terá sido causada dolosa, preterdolosa ou culposamente, por
um ou mais de um dos participantes da rixa. Não importa por quem foi causado o
resultado qualificador, nem a que título, respondendo todos os participantes pela rixa
qualificada pelo resultado, ainda que só um o tenha causado. Não se trata de
responsabilidade objetiva, porque para todos os rixantes era previsível o resultado mais
grave. No mínimo, atuaram todos com culpa inconsciente.

Se o causador do resultado qualificador puder ser identificado, responderá pelo


homicídio ou lesão corporal, a título de dolo ou de culpa, conforme tenha atuado, em
concurso material com o crime de rixa qualificada.

É que a norma do parágrafo único do art. 137 manda aplicar a pena mais grave pelo
fato da participação na rixa.
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14.3 ILICITUDE E CULPABILIDADE

No curso da rixa, terceira pessoa que intervém para separar os contendores pode
sofrer uma agressão injusta, atual ou iminente, e repeli-la usando moderadamente do meio
necessário, causando a morte do seu agressor ou de outro rixante. Estará, sem dúvida, em
legítima defesa. Os participantes responderão por rixa qualificada.

E entre os rixantes? DAMÁSIO defende a possibilidade de um dos participantes da


rixa poder atuar em legítima defesa quando, desenvolvendo-se a rixa apenas por meio de
vias de fatos, um deles volta-se contra outro com um punhal, sendo repelido com uma ação
que lhe causa a morte. Preenchidos, portanto, todos os requisitos da legítima defesa,
penso, igualmente ao mestre, ser plenamente aceitável a convivência da excludente com a
participação na rixa. Nesse caso, o defendente responderá apenas pela rixa qualificada,
tanto quanto os demais.

A culpabilidade pode ser excluída por legítima defesa putativa.

14.4 AÇÃO PENAL

Ação penal pública incondicionada, competente o juizado especial criminal para o


processo, no caso de rixa simples. É possível a suspensão condicional do processo penal,
conforme o art. 89 da Lei nº 9.099/95, também para a rixa qualificada.