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DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA A AGRICULTURE E A SEGURANÇA ALIMENTAR NA AFRICA

Documento de apoio para discussão no Encontro Ministerial Brasil -África 10 a 12 de Maio de 2010

FAO

Resumo

Este trabalho apresenta o desempenho dos setores da agricultura, pecuária, pesca e aqüicultura na África durante as últimas décadas. O documento enfatiza a garantia da segurança alimentar e os resultados nutricionais decorrentes. Além das limitações naturais devido à baixa fertilidade do solo e à degradação ambiental, a incidência de conflitos e desastres naturais, várias restrições à produtividade e ao crescimento agrícola e à segurança alimentar no continente serão abordadas. Dentre elas podemos citar os baixos níveis de capitalização e investimento no setor agrícola; o crescente atraso tecnológico resultante da não-adoção de insumos melhorados e outras inovações; o aumento dos riscos na agricultura em razão das alterações climáticas, pragas e doenças; a instabilidade do mercado global; mercados globais e regionais com baixo índice de integração e a ineficiência de instituições regionais. Todos esses fatores contribuem para um abastecimento alimentar inadequado para atender as necessidades de uma população cada vez maior e levaram à crescente dependência de importações de alimentos e inclusive dependência de ajuda alimentar na África. Os desafios e as oportunidades com que se depara o setor agrícola e a segurança alimentar na África, assim como atividades selecionadas da FAO abordando essas questões são apresentados. A Agricultura reganhou fôlego graças ao crescimento positivo no setor, que foi superior ao crescimento da população em muitos países nos últimos anos, à disponibilidade de opções tecnológicas bem como mudanças positivas no ambiente de políticas públicas. Logo, é fundamental trabalhar junto aos pequenos agricultores de forma a melhorar seu acesso aos mercados de insumos e produtos e ao crédito, com vistas a aumentar sua produtividade e renda no âmbito dos mercados global e regional.

1-INTRODUÇÃO

A África é um continente rico em recursos naturais e humanos, que no ano de 2009 contava com uma população estimada de 1.10 milhões de pessoas. A agricultura constitui um setor econômico predominante, empregando quase 60 por cento da força de trabalho, respondendo por cerca de 20 por cento das exportações totais de mercadorias (tendo registrado uma queda de mais de 50 por cento em 1960), e responsável por entre 11 e 12 por cento do PIB em 2008. No continente de forma geral, o crescimento econômico esteve bem acima dos 5 por cento até 2008, e para a região subsaariana acima de 5,5 por cento. A partir do ano 2000, grande parte desse crescimento foi impulsionada por exportações de produtos primários. O desenvolvimento agrícola na África subsaariana foi superior a 3,5 por cento, bem acima da taxa anual de crescimento populacional

de dois por cento. Ainda assim, esse crescimento não foi o suficiente para atingir as metas de

redução da pobreza, que prevalece como um desafio sério para o continente.

A pobreza continua sendo endêmica em todas as regiões, com exceção da África Norte, e

continua concentrada nas áreas rurais. Estima-se que 388 milhões de pessoas na África viviam com menos de US $ 1.25/por dia em 2005 em comparação a 295 milhões em 1990. A pobreza também se concentra em áreas politicamente marginalizadas e em zonas de conflito, em países pós-conflito, e naqueles que não têm faixa litorânea ou possuem ecossistemas hostis. Enquanto na África do Norte (incluindo o Oriente Próximo), os índices de pobreza medidos são mais baixos do que em qualquer outra região em desenvolvimento, 29 por cento da população da região vive com menos de dois dólares por dia. No decorrer da última década, o crescimento do setor agrícola obteve baixos índices, ás vezes mesmo negativos, e a renda agrícola é altamente variável de ano para ano. Atualmente, o continente africano abriga a metade dos países com baixa renda e déficit alimentar do mundo, e 34 dos 49 países menos desenvolvidos (PMDs). O Fórum Econômico Mundial estimou que, até 1970, 10 por cento dos pobres do mundo encontravam-se na África, trinta anos mais tarde, em 2000, os pobres representavam 50 por cento.

Estudos recentes sugerem que a África subsaariana pode estar revertendo esta situação, tendo em conta os resultados positivos registrados na produção de safras alimentícias. Outras mudanças que ocorrem no continente como a redução do número de conflitos armados, a melhoria da capacidade de instituições regionais e sub-regionais e os avanços realizados em prol do desenvolvimento do ambiente de negócios, reforçam o otimismo com relação às perspectivas para o sector agrícola na África. Em curto prazo, a alta internacional dos preços dos alimentos trouxe um impacto muito negativo para muitos países, especialmente na África Oriental e Austral, e aumentou significativamente o número de pessoas em situação de pobreza e insegurança alimentar. Embora essa situação geral seja um desafio sério, ela também gera oportunidades reais para a África. A região tem, de fato, as maiores reservas de terras aráveis e recursos hídricos não explorados. O desafio consiste em encontrar formas de se conseguir ganhos de produtividade satisfatórios em diferentes sistemas de agricultura pluvial, através da coordenação de investimentos em tecnologia e investimentos em infra-estrutura e instituições, bem como criar um ambiente de política favorável para a promoção dos mercados de insumos e produtos, além de promover a tão necessária transformação agrícola.

Este documento de apoio foi elaborado com base em diferentes avaliações realizadas recentemente sobre a agricultura na África. O presente trabalho está organizado da seguinte forma: a próxima seção analisa o desempenho da agricultura e tendências em matéria de segurança alimentar. A Seção de número três destaca os principais desafios e oportunidades para o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar na região. Antes de proceder à conclusão, a quarta seção delineia o papel da FAO e algumas de suas atividades na África.

2 PRODUÇÃO AGRÍCOLA E SEGURANÇA ALIMENTAR NA ÁFRICA

2.1 Produção Agrícola

A agricultura africana possui um conjunto único de características que a torna muito diferente da agricultura de outros continentes. Dentre as particularidades do setor agrícola africano podemos mencionar a falta de um sistema de produção dominante, um fator crucial para a segurança alimentar. Ao contrário de outras regiões onde a produção de alimentos é baseada principalmente

em um número limitado de sistemas de produção, no continente africano a diversidade é a

norma. Dezessete sistemas de produção distintos e heterogêneos são praticados em uma grande variedade de zonas agroecológicas com diferentes graus de importância dos setores da pecuária, da pesca e aqüicultura. O nível de diversidade é ainda maior nas propriedades rurais individuais, onde os agricultores normalmente praticam 10 ou mais tipos de cultivo. Além disso, o tamanho

das unidades de produção é relativamente pequeno. Aproximadamente três quintos de

agricultores africanos são agricultores de subsistência, sendo que até 90 por cento deles optam

por

pequenos sistemas de produção diversificados.

O

setor também é caracterizado pela predominância da agricultura pluvial em solos

intemperizados e de baixa fertilidade, pela grande quantidade de mulheres que desempenham um papel fundamental na garantia da segurança alimentar das famílias, e pela baixa e estagnada produtividade da mão de obra, com um nível mínimo de mecanização. As mulheres constituem cerca de 70 por cento de toda a mão de obra agrícola e produzem cerca de 90 por cento dos alimentos na África subsaariana. Na África do Norte, as mulheres contribuem com cerca de 33 a

50 por cento da mão de obra necessária para a produção agrícola. O número de famílias chefiadas por mulheres está aumentando no continente em grande parte devido à migração masculina, o impacto da AIDS e conflitos. Geralmente a produtividade agrícola é muito baixa, como descrito na seção a seguir.

2.1.1 A baixa produtividade da terra

Mundialmente, melhor tecnologia e melhores políticas têm sido importantes fontes de crescimento agrícola e de produtividade. Desde os anos 60, as elevadas safras de cereais vêm sendo impulsionadas pela utilização ampla de irrigação, de variedades melhoradas e fertilizantes. Apesar das melhorias nas safras se estenderem muito além das áreas irrigadas, alcançando grandes áreas de agricultura pluvial, a África subsaariana não tomou parte nesse êxito agrícola (Figura 1). No geral, a região tem tido baixo rendimento de alimentos básicos, inclusive em períodos recentes. O aumento na produtividade de cereais decorrente da revolução verde que impulsionou o crescimento agrícola e econômico global da Ásia nos anos 60 e 70, não atingiu a

África subsaariana, onde a taxa de adoção de insumos para aumentar a produtividade tem sido baixa. Há muitas razões para isso, dentre elas: a dependência da agricultura pluvial, solos naturalmente pobres, infra-estrutura deficiente, a polarização política em relação à agricultura, e baixos níveis de investimento.

Em termos de produtividade de mão de obra, deve ser observado que em muitas partes do mundo nos últimos 25 anos, a taxa de crescimento do valor agregado agrícola per capita da população rural tem sido superior a 2 por cento. Na África subsaariana este valor foi de apenas 0,9 por cento, menos da metade do que em qualquer outra região e bem abaixo dos 3,1 por cento registrados no leste da Ásia e do Pacífico. A taxa de crescimento do PIB agrícola per capita da população rural para a região foi próximo de zero durante o começo dos anos 70 e negativa durante os anos 80 e início dos anos 90. Porém, com taxas de crescimento positivas nos últimos 10 anos, esta tendência inverteu-se, sugerindo que a estagnação da agricultura da África subsaariana possa estar com os dias contados (Figura 2).

Figura 1: Evolução das colheitas de cereais desde 1960 em todas as regiões

das colheitas de cereais desde 1960 em todas as regiões Fonte: Banco Mundial, 2008. Relatório de

Fonte: Banco Mundial, 2008. Relatório de Desenvolvimento Mundial: Agricultura a serviço do Desenvolvimento.

Figura 2: Crescimento do PIB agrícola per capita da população na África subsaariana

agrícola per capita da população na África subsaariana 2.1.2 Produção de alimentos per capita Ao longo

2.1.2 Produção de alimentos per capita

Ao longo dos últimos quarenta anos, a produção de alimentos na África progrediu de forma lenta. A Figura 1 acima mostra que a produção de alimentos por pessoa quase triplicou no Leste Asiático, quase dobrou na Ásia, e que na América do Sul aumentou em 70 por cento. Na África a produção de alimentos por pessoa praticamente não registrou melhorias. A produção de cereais anual per capita tem oscilado entre 135 kg e 172 kg durante a década de 1990 muito abaixo da média global de 352 kg. O que é mais surpreendente é a diferença entre as duas regiões que obtiveram desempenhos bem melhores: A África do Norte e a África Ocidental, com aumentos de 52 por cento e 46 por cento, respectivamente (Figura 3). De fato, a África do Norte e a África Ocidental aumentaram a produção bem acima do crescimento populacional. Problemas de produção de alimentos são relativamente mais severos na África Austral, Central e do Leste.

Figura 3: África, produção de alimentos per capita, 1982/84 a 2005/07 175 Africa Eastern Africa
Figura 3: África, produção de alimentos per capita, 1982/84 a 2005/07
175
Africa
Eastern Africa
Middle Africa
Northern Africa
Southern Africa
Western Africa
150
Asia
125
100
75
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006

Fonte: dados de FAOSTAT, FAO. Produção bruta de alimentos per capita, índices consideram as médias de três anos 1982/84

2.2 Produção Pecuária

Em complemento às colheitas, o gado pode fornecer renda, alimentação de qualidade, combustível, força de tração, material de construção e adubo, contribuindo assim para o sustento doméstico, segurança alimentar e nutrição. Em vários países africanos, a pecuária contribui com 20 a 30 por cento do produto interno bruto agrícola (PIB). Em Botsuana, na Mauritânia e na Namíbia, esta contribuição pode chegar a 80 por cento. Onze por cento da população Africana é totalmente dependente de animais e agricultores que optam por sistemas mistos de lavoura- pecuária obtêm mais de metade de sua renda através dos animais; em algumas regiões semi- áridas os ruminantes são praticamente os únicos meios de produção de alimentos. Entre 1995 e 2007, a taxa de crescimento anual da produção de produtos de origem animal (carne, leite e ovos) oscilou em torno de 2 por cento na África Subsaariana, 3 por cento no Oriente Próximo e África do Norte contra 4 por cento em todos os países em desenvolvimento como um todo (Tabelas 1 e 2). No entanto, a produção total de carne é atualmente insuficiente para satisfazer as necessidades alimentares, e a África conta com um grande déficit comercial de animais e produtos animais.

Tabela 1: Produção dos produtos pecuários, 1995-2007.

Tabela 1: Produção dos produtos pecuários, 1995-2007. Tabela 2: Produção das principais categorias de carne,
Tabela 1: Produção dos produtos pecuários, 1995-2007. Tabela 2: Produção das principais categorias de carne,
Tabela 1: Produção dos produtos pecuários, 1995-2007. Tabela 2: Produção das principais categorias de carne,
Tabela 1: Produção dos produtos pecuários, 1995-2007. Tabela 2: Produção das principais categorias de carne,

Tabela 2: Produção das principais categorias de carne, 1995-2007.

2: Produção das principais categorias de carne, 1995-2007. 2.3 Pesca e Aqüicultura A África subsaariana sozinha
2: Produção das principais categorias de carne, 1995-2007. 2.3 Pesca e Aqüicultura A África subsaariana sozinha
2: Produção das principais categorias de carne, 1995-2007. 2.3 Pesca e Aqüicultura A África subsaariana sozinha

2.3 Pesca e Aqüicultura

A África subsaariana sozinha tem cerca de 9,2 milhões de quilômetros quadrados adequados para a produção em pequena escala de peixes. O sector da pesca na África provê uma contribuição vital para atender as necessidades de segurança alimentar e nutricional de 200 milhões de pessoas e proporciona renda para mais de 10 milhões de trabalhadores envolvidos. No entanto, a África subsaariana é atualmente responsável por apenas 1,2 por cento da produção aquícola mundial, totalizando 0,6 milhões de toneladas; o abastecimento de pescado per capita está diminuindo no continente; em alguns países, a dieta média continha uma quantidade ainda menor de proteína de peixe em 1990 do que na década de 1970 a única região geográfica do mundo onde isso ocorreu. No entanto, experiências recentes em alguns países africanos indicam que o futuro da aqüicultura é especialmente encorajador, dada a alta demanda projetada em razão da rápida urbanização e do aumento global de renda.

O atual abastecimento regional de peixe está aquém da demanda e as projeções futuras para 2020 indicam que a diferença entre oferta e procura continuará a crescer. O consumo per capita de peixe na África subsaariana diminuiu de 9,9 kg em 1982 para 7,6 kg em 2003 (Tabela 3). Esperava-se que o setor da aqüicultura invertesse esta tendência, mas a sua expansão não ocorreu devido a investimentos públicos limitados e de curta duração no apoio técnico aos criadores de peixes e ao fato de que os mecanismos do setor privado em grande parte falharam na oferta de alternativas. Os pequenos produtores se distanciaram da aqüicultura, pois o setor ainda não está efetivamente integrado à economia agrícola.

Além disso, o peixe tornou-se um produto principal de exportação e a liberalização do comércio, de maneira geral, resultou em um maior acesso aos mercados internacionais. Conseqüentemente, a África se tornou um exportador líquido de peixes desde 1985. Estudos recentes têm mostrado que as exportações de peixes estão entre as dez primeiras fontes de câmbio para o Gana, Quênia, Namíbia e Senegal e os ganhos do comércio internacional dos produtos da pesca contribuíram para garantir a segurança alimentar nesses países. Entretanto, os exportadores africanos continuam enfrentando limites impostos por barreiras técnicas e não-técnicas, e uma grande quantidade de peixes é recusada e/ou destruída nos portos de entrada devido ao não cumprimento de normas de qualidade e segurança alimentar estabelecidas pelos países importadores. A comercialização local do pescado deve ser promovida por meio do desenvolvimento de infra- estrutura de comercialização.

Tabela 3: Oferta total e per capita de peixe por continente em 2003

   

Oferta de

Oferta total * (milhões de toneladas)

alimentos

Região

per capita

(kg/year)

Mundo

104.1

16.5

Africa

7.0

8.2

América Central e do Norte

9.4

18.6

América do Sul

3.1

8.7

Ásia (incluindo a China)

69.4

40.1

Europa

14.5

19.9

Oceania

0.8

23.5

Obs.: * equivalente ao peso vivo. Fonte: FAO (2007)

2.4 Tendências nutricionais e Segurança Alimentar na África

2.4.1 Fome e desnutrição

Até 2008, a África registrou avanços na redução da proporção de pessoas que sofrem de fome. No entanto, este progresso foi ameaçado pela rápida escalada dos preços dos alimentos que começou no início de 2008, o que minou a segurança alimentar na região. De acordo com estimativas recentes, o número de subnutridos na África subsaariana aumentou para 265 milhões em 2009 contra 212 milhões em 2004-06. Embora algum progresso tenha sido alcançado na redução da proporção de pessoas sofrendo de fome crônica de 34 para 30 por cento, a desnutrição tem aumentado de forma consistente na África subsaariana desde 1990-92 de 167 milhões de pessoas para 194 milhões em 1995-97 e 205 milhões em 2000-02 (Tabela 4).

Algum progresso foi alcançado ao lidar com a fome crescente; quatorze de 30 países que obtiveram uma redução de 25 por cento da fome na última década estavam na África subsaariana apesar do fato de que a região seja mais afetada pela desnutrição. Vários países que atingiram os maiores índices de redução na proporção de desnutridos também estão localizados na África subsaariana. Eles incluem Gana, Congo, Nigéria, Moçambique e Malaui com Gana sendo o único país a ter alcançado os objetivos da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar (WFS) e a Meta de Desenvolvimento do Milênio (MDM). O sucesso em Malaui, por exemplo, é basicamente devido a uma drástica inversão de política governamental em 2005 que reintroduziu os subsídios aos insumos para os pequenos agricultores e disponibilizou sementes melhoradas e fertilizantes a preços acessíveis. A obtenção de excedente na produção de milho permitiu que Malaui triplicasse exportações em apenas dois anos e alcançasse um crescimento econômico médio total de 11,37 por cento ao ano.

Mais de 40 por cento dos desnutridos na África subsaariana estão no leste da África. Além disso, mais da metade da população da República Democrática do Congo, do Burundi e da Eritréia são afetados, enquanto Angola, República Centro-Africana, Chade, Etiópia, Quênia, Madagascar, Mali, Moçambique, Ruanda, Serra Leoa, Tanzânia, Togo e Zâmbia apresentam taxas de prevalência entre 30 e 45 por cento. A taxa de incidência da Nigéria é baixa (8 por cento), porém como o país possui grande população isto significa que a Nigéria é responsável por boa parte da insegurança alimentar na África Ocidental e Central.

A África Ocidental tem ido contra a tendência no resto da África, com o número de pessoas subnutridas caindo drasticamente de 37 para 35 milhões, e o nível de incidência da desnutrição baixando de 20 para 13 por cento entre 1990/92 e 2004/06. Os progressos nesta sub-região dão base para o otimismo de que a tendência pode ser revertida em outras partes da África. Os países que se destacam são o Gana e a Nigéria, e eles foram os únicos países da África subsaariana que obtiveram quedas significativas tanto na prevalência como no número de pessoas subnutridas para o período.

Os países na região do Norte de África têm alguns dos níveis mais baixos de desnutrição no mundo em desenvolvimento, contudo, o número de pessoas subnutridas na região tem aumentado desde 1990-1992; aumentou de 4 milhões de pessoas em 1990/92 para 4,9 milhões em 2004/06, mas a prevalência de desnutrição se manteve relativamente constante em

torno de 3 por cento. Apesar da incidência de desnutrição relativamente baixa na região do da África do Norte, a tendência negativa em relação ao aumento da fome tem de ser invertida.

Tabela 4: Incidência da desnutrição e avanços em direção ao WFS e MDM por região

e avanços em direção ao WFS e MDM por região Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança
e avanços em direção ao WFS e MDM por região Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança
e avanços em direção ao WFS e MDM por região Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança
e avanços em direção ao WFS e MDM por região Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança
e avanços em direção ao WFS e MDM por região Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança
e avanços em direção ao WFS e MDM por região Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança
e avanços em direção ao WFS e MDM por região Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança

Fonte: FAO, 2009. Situação da Insegurança Alimentar no Mundo.

Figura 4: África, porcentagem de desnutridos, por região

60 1990-1992 50 1995-1997 2000-2002 40 2004-2006 30 20 10 Central Africa East Africa Southern
60
1990-1992
50
1995-1997
2000-2002
40
2004-2006
30
20
10
Central Africa
East Africa
Southern Africa
West Africa

Fonte: FAO 2009. As Regiões são determinadas segundo definições da FAO: existem diferenças significativas entre essas áreas e as determinadas pela ONU, exceto pelo Oeste africano.

2.4.2 Nutrição

A

má nutrição é um importante desafio para a segurança alimentar na região. A média

de

ingestão calórica foi de 2.192 kcal por dia em 2004, de longe o mais baixo do mundo, já que a

média global foi de 2.399 kcal por dia. Enquanto no período de 2004-2006, a exigência mínima

de energia foi cumprida em todos os países da África do Norte, 23 dos 37 países da África

subsaariana consumiam em média, menos do que a exigência nutricional para uma vida saudável. Cerca de 38 por cento das crianças menores de cinco anos de idade padecem de desnutrição crônica. O número de crianças abaixo do peso na região aumentou de 29 para 37 milhões entre 1990 e 2003, enquanto a proporção de crianças desnutridas com idade inferior a cinco anos caiu poucos pontos percentuais, passando de 32 para 28 por cento entre 1990 e 2006.

A maioria dos países africanos que obtiveram menos progresso nesta área situa-se na África

subsaariana. O continente tem se saído mal em comparação com outras regiões no que diz respeito à proporção de crianças desnutridas de 5 anos de idade ou menos. De 25 países africanos

que dispunham de dados, 18 relataram melhorias neste setor. A FAO estima que, a menos que a atual tendência seja revertida, o número de pessoas desnutridas na África vai aumentar agora e em 2015, quando quase metade dos pobres do mundo viverá na África Subsaariana.

3. DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA A AGRICULTURA E A SEGURANÇA ALIMENTAR

Além dos obstáculos naturais que confrontam a África, incluindo grandes áreas com clima semi- árido e solos pobres, agravados pelos conflitos de degradação ambiental e desastres naturais, vários outros fatores explicaram as decepções vistas no desenvolvimento da agricultura e na situação de segurança alimentar na África. Estes fatores incluem um ambiente institucional e políticas inadequadas, a deficiência do governo em investir no setor, o que acaba por afastar também o investimento privado. As estradas precárias e outras infra-estruturas do setor contribuíram para as deficiências dos mercados, resultando em investimentos e serviços financeiros inadequados do setor privado nas áreas rurais. A conseqüência tem sido um crescente déficit tecnológico, tendo em vista que melhores tecnologias não estão sendo adotadas de forma consistente. Os riscos na agricultura também têm aumentado em decorrência das alterações climáticas (chuvas irregulares, secas e inundações), incidência de pragas e doenças e em função

da volatilidade dos mercados globais de alimentos. Num contexto de fraca integração entre

mercados regionais e globais, de padrões populacionais mutantes (e.g. rápida urbanização) e de falta de implementação de políticas regionais, programas, normas e regulações, a dependência da África pela importação de alimentos aumentou consideravelmente.

Globalmente, em um mundo em mudanças, novas oportunidades para a agricultura estão surgindo. Novos mercados dinâmicos, inovações institucionais e tecnológicas de longo alcance, e novos papéis para o estado, o setor privado, e a sociedade civil estão acontecendo em um contexto completamente novo para a agricultura. A nova agricultura emergente é liderada por empresários do setor privado em largas cadeias de valor que conectam os produtores aos consumidores, e incluem muitos pequenos empreendedores apoiados por suas organizações. A agricultura de alimentos de base e produtos tradicionais de exportação também encontra novos mercados, ao passo em que se torna mais diferenciada para responder às novas exigências dos

consumidores, aos novos usos (por exemplo, bicombustíveis) e se beneficia, até certo ponto, da integração do mercado regional. As seções abaixo discorrem sobre esses desafios e oportunidades para a África.

3.1 Baixa Capitalização e Baixos Investimentos na Agricultura

A agricultura na África subsaariana é enormemente sub-capitalizada. Isso reflete tanto o investimento insuficiente como o rápido crescimento da população rural da região. Apesar da importância do setor agrícola como motor de crescimento, recursos suficientes não foram destinados para o setor para aumentar o investimento e desenvolver políticas e programas eficazes. Em 1980 foi reconhecido que, em média, os países africanos gastaram 7,5 por cento do total da produção agrícola (PIB) no setor. O valor equivalente para a Ásia foi de 9,6 por cento. Em 1988, cerca de dois terços dos países africanos tinha reduzido esse valor para uma média global de apenas 6 por cento do PIB agrícola.

Ao mesmo tempo, a Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (OPD) para a agricultura na África

subsaariana, estimada em US$ 4 bilhões no final dos anos 1980, havia caído para apenas US$ 1 bilhão até o início de 2000. Em termos de proporção, a parte da OPD destinada à agricultura caiu

de uma alta de 18 por cento em 1979 para apenas 3,5 por cento em 2004. Atualmente, os gastos

com agricultura recobraram os níveis de 1975. Ciente do baixo investimento no setor, os Chefes

de Estado e de Governo assumiram o compromisso de Maputo/Moçambique em julho de 2003

de destinar pelo menos 10 por cento de seus orçamentos nacionais para o desenvolvimento agrícola e rural.

Como resultado do baixo investimento no setor, a infra-estrutura em geral é subdesenvolvida na África subsaariana, aumentando assim os custos de transação e riscos de mercado e, portanto

diminuindo a competitividade da agricultura africana. Devido parcialmente às baixas densidades populacionais, existem menos e mais precárias estradas na África subsaariana do que existiam na Ásia na época da revolução verde. Os países da região são pequenos, muitos deles sem litoral, e

as barreiras ao comércio são relativamente elevadas devido aos altos custos de transporte. Além disso, como já mencionado, o investimento em irrigação na África subsaariana (4 por cento da área de plantio) é também apenas uma fração do efetuado na Ásia (34 por cento da área de plantio).

Uma avaliação recente das políticas de comércio agrícola da África constatou que os agricultores africanos têm os piores incentivos e incidem mais tributos sobre a agricultura no continente do que em outras regiões do mundo. As políticas macroeconômicas e os baixos investimentos públicos na agricultura também reduziram os incentivos para os agentes privados e limitaram a oferta de bens públicos, tais como pesquisa e desenvolvimento (P&D) e estradas. De acordo com

o Banco Mundial (2007), a falta de diretrizes políticas coerentes e a baixa capacidade

institucional para a implementação de políticas públicas surgiram como fatores chave para o mau

desempenho do auxílio à agricultura africana; embora erros e inconsistências de doadores também tenham sido relatados como fatores que impediram o governo de prestar serviços vitais aos agricultores (e.g. extensão, subsídios, melhores preços, etc.).

Investimentos insuficientes na produção agrícola, desenvolvimento da cadeia de valor e serviços de apoio podem vir a ter um impacto fortemente negativo na segurança alimentar de grande parte dos pobres e famintos, a maior parte dos quais vive em áreas rurais e depende direta ou indiretamente da agricultura para sua subsistência. Atualmente, existe uma necessidade premente de investimentos massivos em bens públicos que apóiem à agricultura, especialmente pesquisa e extensão, estradas rurais, grandes projetos hídricos, educação e saúde. Sem investimento em infra-estrutura básica, inclusive para a sua manutenção, as commodities agrícolas africanas continuarão a ter um baixo índice de competitividade com relação às importações.

Garantir um ambiente de políticas públicas para investimento e a geração de riqueza na agricultura, que torne a produção agrícola de pequena escala mais produtiva e sustentável é um desafio chave na África. Uma ampla gama de instrumentos de políticas pode ser usada para aumentar o acesso a ativos (terra, água, educação e saúde), para melhorar os incentivos e aumentar a qualidade e quantidade de investimentos tanto públicos quanto privados na agricultura.

A reação dos agricultores aos incentivos de preços melhores depende dos investimentos públicos

em infra-estrutura de mercado, instituições, e serviços de apoio. Portanto, fazer com que mercados de produtos funcionem de forma mais eficiente para os produtores de pequena escala melhorando o acesso aos serviços financeiros, reduzindo a exposição a riscos, melhorando o desempenho das organizações de produtores e promovendo a inovação através da ciência e tecnologia, contribuirá para a agricultura produtiva e lucrativa. Além disso, é extremamente importante tornar a agricultura mais sustentável através de práticas de gestão de terrenos, controle hídrico e provisão de incentivos em longo prazo para gerenciamento de recursos naturais. Nunca é demais enfatizar a urgência de lidar com as mudanças climáticas por meio de investimentos em medidas de mitigação e adaptação.

3.2 Baixa Produtividade e Aumento do Déficit Tecnológico

Por trás da baixas produtividades da mão de obra e do solo mencionados anteriormente, está o uso restrito de tecnologias melhoradas na agricultura africana. A região apresenta o mais baixo nível de uso de insumos melhorados por unidade de terreno em todo o mundo e deveria urgentemente estabelecer metas a fim de promover sua utilização. Em 2002, apenas 14 por cento dos 184 milhões de hectares de terras aráveis da África eram cultivadas. O uso de fertilizantes deve ser aumentado em relação ao baixo nível atual. Da mesma forma, o uso de tratores, que agora é de 13/100km2 em comparação com 89/100km2 no Leste da Ásia, deve ser ampliado para níveis aceitáveis. O continente também precisa aumentar o uso de sementes melhoradas e animais melhorados para aumentar a produtividade para níveis competitivos.

A água é um insumo importante, senão o insumo mais importante na agricultura, e a África tem

recursos hídricos consideráveis embora não homogeneamente distribuídos entre as sub-regiões. Apesar de potenciais de irrigação existentes, contudo, a agricultura permanece (93 por cento) pluvial com o alto risco de seca e perda de safra; apenas 7 por cento das terras aráveis estão sob irrigação e apenas 4 por cento das reservas hídricas são usadas. Da mesma forma, sistemas de integração de lavoura-pecuária são restringidos por falta de ração adequada, doenças e potenciais genéticos ruins. A produtividade nos setores de pesca e aqüicultura sofre de várias restrições. A

aqüicultura sofre de falta de isca de alta qualidade, e ração de baixo custo e boa qualidade; meios insuficientes de controlar doenças à medida que a intensidade de produção aumenta.

Altas perdas pós-colheita caracterizam a produção agrícola (agricultura, pecuária e pesca) na África e podem chegar a atingir níveis de 15 por centos em cereais, leguminosas e oleaginosas, até 30 por cento em raízes e tubérculos, e até 40 por cento em algumas frutas e vegetais. Algumas estimativas colocam as perdas pós-colheita no setor de pesca e aqüicultura em 20 a 30 por cento, o que significa que a produtividade de pesca africana pode ser ampliada substancialmente pela melhoria do gerenciamento pós-colheita.

Promover, melhorar ou mesmo criar instituições rurais para fornecer uma ampla gama de serviços rurais permanece como um dos desafios fundamentais com que se depara a África. A

capacidade destas instituições pode ser fortalecida de forma a contribuir com acesso equitativo

de pequenos produtores, comerciantes e outros agentes a ativos financeiros, mercados, e serviços

bem como a recursos naturais produtivos e tecnologia. Especificamente, as organizações de pobres e pequenos produtores poderiam tomar responsabilidade coletiva pelo gerenciamento de recursos naturais, desenvolvendo conexões com ONGs e o setor privado como parceiros para entrega de serviço.

3.3 Aumento dos Riscos na Agricultura: Mudança Climática, Pragas e Doenças, e Mercados

Espera-se que a mudança climática tenha efeitos perversos sobre a agricultura, silvicultura e pesca na maior parte das regiões da África através de fenômenos climáticos extremos mais freqüentes tais como enchentes e secas, mas também criará condições novas e melhores em outras partes do continente onde a precipitação e outros parâmetros climáticos podem melhorar. O Relatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática estima que a África será a mais vulnerável à mudança climática globalmente, devido aos estresses múltiplos de infra- estrutura deficiente, pobreza e governança. Rendimentos de cultura em sistemas de agricultura pluvial na África subsaariana poderiam cair 50 por cento pelo ano de 2020 enquanto o rendimento é previsto para cair em até 90 por cento em 2100. Adicionalmente a cobertura do árido e semi-árido poderia expandir em 60-80M ha. A pesca será particularmente afetada devido a mudanças na temperatura do mar que poderia diminuir as tendências de produtividade em 50- 60 por cento; as previsões do Banco Mundial mostram que a África subsaariana vai ultrapassar a Ásia como a região de maior insegurança alimentar, abrigando 40-50 por cento das pessoas subnutridas globalmente em 2080 em comparação com 24 por cento hoje.

A ameaça de doenças e pragas transfronteiras é ainda outro empecilho importante para a

produtividade agrícola. Alimentos básicos no leste da África são ameaçados por sérias doenças

da banana e mandioca, espalhadas por práticas de produção, movimentação de material de

plantio, e em alguns casos insetos vetores. Outros desafios incluem febre aftosa, peste suína clássica, febre do Vale do Rift, peripneumonia bovina; mosca do novo mundo, carvão do trigo e gafanhotos do deserto, que requerem o fortalecimento dos serviços veterinários e fitossanitários para executar as ações preventivas necessárias.

Os altos preços dos alimentos observados desde 2007 tiveram um impacto devastador sobre a

população rural pobre. Declínios recentes em preços no mercado mundial ainda não foram

sentidos em mercados africanos locais, onde preços em média ainda são mais altos do que os níveis antes de 2008. Países na África subsaariana tem tendido a experimentar os maiores aumentos de preços em seus mercados locais. Por exemplo, preços de mandioca aumentaram em

60

por cento na Republica Democrática do Congo, preços de sorgo na Nigéria aumentaram em

50

por cento de janeiro a outubro de 2009. Durante o mesmo período, o preço doméstico do

milho aumentou em 35 por cento em Burquina Faso. Preços regionais para culturas como milho, arroz e sorgo aumentaram na Etiópia, Eritréia e Senegal em mais de 100 por cento.

A crise do preço de alimentos e a contínua volatilidade de preços no mercado internacional

trouxeram à tona a necessidade de desenvolver estratégias para ajudar países a atenuar o impacto

de choques externos. Dois dos mais severos choques externos choques climáticos e preço de

commodities são peculiarmente problemáticos para a África por causa de sua alta vulnerabilidade a estes riscos. Além de repensar estratégias e políticas de segurança alimentar, especialmente nas áreas de mercado e comércio, há uma ampla variedade de instrumentos

(gerenciados pelo governo e baseados no mercado) que poderiam ser usados para reduzir o risco ligado à volatilidade de preço.

3.4 Crescente degradação ambiental e de recursos

A combinação de alqueives mais curtos, expansão para terrenos mais frágeis impulsionados por

rápido crescimento populacional, e uma falta de uso de fertilizantes resultou em severa degradação do solo na África subsaariana. Aproximadamente 75 por cento da terra de plantio é afetada por severo desgaste de nutrientes do solo. Por exemplo, a perda de produtividade anual estimada na região montanhosa da Etiópia por causa da degradação do solo é de 2-3 por cento do PIB agrícola por ano. Claramente o declínio da fertilidade do solo é grande parte da razão para o baixo rendimento da África subsaariana, portanto revertê-lo deve ser uma alta prioridade. A África responde por 27 por cento da terra degradada no mundo, principalmente devido à insegurança de posse de terra e falta de promoção adequada de medidas de conservação de água e solo. Antes de expandir áreas cultivadas, os governos deveriam colocar ênfase em medidas de conservação de água e solo e criar incentivos para a participação eficaz de comunidades e

produtores individuais. Também existem preocupações sobre a pesca abusiva em águas internas, onde os habitats estão se degradando, suprimentos de água estão diminuindo, e a poluição está aumentando.

A silvicultura é um importante fornecedor de necessidades de energia doméstica na África,

gerando, em muitos países, mais de 75 por cento das necessidades de energia doméstica para cozinhar, aquecimento e outros usos. Enquanto muitos governos africanos estão cada vez mais mostrando vontade política de abordar os problemas do setor, este compromisso não foi atendido por alocação de recursos humanos e financeiros adequados para o setor. Incentivos insuficientes para o setor privado também contribuíram para uma falta de suporte em lidar de forma efetiva e eficiente com as muitas dificuldades do setor. Como resultado, desflorestamento e degradação de floresta têm aumentado nas áreas úmidas e secas na África, e como tal permanecem desafios chave para a obtenção de sustentabilidade (MDG7) na África. A negligência com o setor é comprometedora e continuará a comprometer o desenvolvimento econômico, dada a importância

que tem para a conservação de água e solo e energia. O que o diga a contribuição das florestas africanas para mitigar a mudança climática global.

3.5 Cadeias de valor globais/regionais fracamente integradas

Efetiva integração em mercados globais e regionais criará novas oportunidades para o comércio agrícola, crescimento e segurança alimentar. Por mais de três décadas, países da África subsaariana tiveram interesse em iniciativas de integração regional e acordos de comércio regionais se proliferaram de acordo. No entanto, estes acordos são caracterizados por parcerias múltiplas sobrepostas, estruturas complexas, e eventualmente, compromissos confusos e conflitantes; eles têm se limitado a auxiliar a região no aumento do comércio, atraindo investimento estrangeiro direto, ampliando crescimento, e obtendo convergência entre os países membros.

O funcionamento eficiente de mercados regionais na África está impedido por inter alia políticas

inapropriadas, baixos volumes, competitividade limitada, falta de informação, infra-estrutura inadequada, instituições fracas e assimetrias de poder de mercado. Como resultado, existe relativamente pouco comércio intra-africano que é altamente concentrado geograficamente, com quase nenhum comércio entre o leste e o oeste do continente. Acordos de comércio regionais têm o potencial, se adequadamente projetados e efetivamente implementados, de ser um importante instrumento em integrar países membros em mercados globais. Por conseguinte, Organizações

Econômicas Regionais devem racionalizar e harmonizar seus acordos de comércio regionais,

assim fortalecendo o processo de integração e economias da região, e auxiliar países membros a

se tornarem parceiros mais ativos na economia global e regional.

A África enfrenta as maiores distâncias até os grandes mercados mais próximos e um quinto de

sua população não tem acesso litorâneo. Sua malha ferroviária responde por apenas 2 por cento abaixo do total mundial, a capacidade de frete marítimo é de 11 por cento (a maioria sendo propriedade estrangeira registrada na África por conveniência), e o frete aéreo é menos de 1 por cento; da mesma forma, sua capacidade de geração de energia per capita é menos de metade da encontrada na Ásia ou na América Latina. Países exportadores dentro da região precisam

aumentar sua capacidade para participar em negociações de comércio e para atender as exigências cada vez mais rigorosas de qualidade e segurança do comércio mundial.

Além disso, governos e doadores poderiam promover padrões inclusivos ajudando pequenas e médias empresas (SMEs) e agricultores africanos a atingir os padrões e até mesmo ajudá-los a aproveitar oportunidades de adicionar valor aos seus produtos. Harmonização de políticas e estruturas legais, bem como acordos institucionais que promovam infra-estrutura regional e o movimento de pessoas e bens vai aumentar a integração regional e melhorar conexões horizontais em desenvolvimento de cadeias de valor.

3.6 População Rural Mutante

O fracasso do crescimento econômico da África, que não conseguiu atingir índices de desenvolvimento aos do resto do mundo em desenvolvimento deixou um legado de pobreza e fome. O aixo crescimento não apenas reduziu recursos domésticos disponíveis para

investimentos em infra-estrutura, desenvolvimento Agrícola, saúde, educação e nutrição, mas também agravou a crise de AIDS/HIV, que envolve um ciclo vicioso de pobreza e doença com a conseqüência de diminuição de mão de obra agrícola e, portanto da capacidade produtiva.

A migração tem afetado a estrutura da população e força de trabalho no setor agrícola. Atualmente, aproximadamente 38 por cento da população da África subsaariana vive em áreas urbanas. Até 2030, é previsto que quase metade da população será urbana. Enquanto esta tendência poderia em grande parte ser atribuída à migração rural-urbana que drena a força de trabalho jovem de áreas rurais, a causa principal é a pobreza e base de recursos naturais degrada os. Uma importante conseqüência é uma mão de obra agrícola que está diminuindo e envelhecendo da qual se espera que produza alimento suficiente para uma população urbana crescente. Além disso, a migração contribuiu para uma tendência chamada „feminização do setor agrícola‟, em referência ao fato de que mais homens do que mulheres estão deixando o setor agrícola e as áreas rurais. Na África subsaariana 80 por cento da comida básica é produzida por mulheres. Existe, portanto uma necessidade de projetar políticas que tornem possível tanto para agricultores homens quanto para mulheres acesso igual às tecnologias de produção melhoradas e outros insumos produtivos.

3.7 Operacionalizando Compromissos para Desenvolver Agricultura Africana

Diversos compromissos foram firmados no nível continental desde os anos 80 no Plano Lagos de Ação para o Desenvolvimento Econômico da África e no começo dos anos 90 na iniciativa Comunidade Econômica Africana. Alguns dos mais recentes incluem a Declaração Maputo sobre Segurança Alimentar (2003); a Declaração Sirte sobre Agricultura e Água (2004); a aprovação de NEPAD/CAADP (2005) para alcançar taxa de crescimento anual de 6 por cento na agricultura, e para manter com o passar do tempo; a Declaração Abuja sobre Fertilizantes para uma Revolução Verde Africana (2006); Cúpula de Segurança Alimentar de Abuja (2206); Declaração Sharm El Sheikh sobre Alta de Preços de Alimentos (2008).

Apesar destes acordos, a implementação tem sido seriamente ineficiente. Alguns dos empecilhos são a capacidade financeira e humana limitada das organizações continentais e regionais para implementar estes acordos. Existe uma sensação de que a maior parte dos acordos tende a abranger uma ampla variedade de questões sem prioridade e foco. Além disso, a falta de vontade política constitui um empecilho severo tendo em vista que é um pré-requisito para qualquer programa de ação significativo. Além de acordos institucionais fracos, há uma falta de estratégias reais para mobilização de recurso assim como colocar em ação sistemas de avaliação, monitoramento e acompanhamento.

3.8 Crescente Dependência em Importação de Alimentos

A produção de alimento e sistemas de abastecimento inadequados combinados com insegurança alimentar crescente ligada à falta de acesso a alimentação são ampliadas pela pressão crescente sobre estoques nacionais de alimentos e dependência de importação de alimentos em décadas recentes. A maioria dos países africanos é constituída de importadores líquidos de alimentos e recebem uma grande proporção de auxílio de alimentação global com 20 por cento do auxílio de alimentação total consumido no Chifre da África sozinho. Alinhado com o aumento no número

de atingidos pela fome, importação de alimentos tem crescido nos últimos anos do século XX, com a África gastando aproximadamente 18.7 bilhões de dólares apenas no ano 200 aumentado mais que o dobro para 49 bilhões em 2008.

Ao mesmo tempo, auxílio alimentar evidencia dependência externa considerável: Em 2006 a África recebeu 3.8 milhões de toneladas de ajuda alimentar, que é mais de um quarto do total mundial. Importações de produtos agrícolas têm crescido mais rapidamente do que exportações desde os anos 60 e a África como um todo tem sido uma região de importação agrícola líquida desde 1980. Isto quer dizer que as exportações agrícolas têm sido capazes de pagar pelas importações.

A solução estrutural em longo prazo para que a África subsaariana alcance a segurança alimentar

é aumentar sua produção agrícola através de ganhos de produtividade, especificamente através

de pequenos agricultores. Aumentar a produtividade agrícola vai requerer aumentos em investimentos em gerenciamento e desenvolvimento hídrico para produção de culturas e em melhorar infra-estrutura e estradas rurais incluindo transporte, estocagem e empacotamento que são atualmente terrivelmente inadequados. A soluçãodeve ser buscada com devida atenção à sustentabilidade tendo em vista a degradação crescente da base de recurso natural.

3.9 Situações de Emergência e Conflito na Região

Severas condições climáticas adversas, desastres naturais, choques econômicos, conflitos ou uma combinação desses fatores também afetaram as tendências da subnutrição e sua prevalência na África. Em 2007, um número recorde de países (47) enfrentou crises de alimentos requerendo assistência emergencial, com 27 desses países na África. No período de 1993-2000, uma média de 15 países africanos enfrentou crises de alimentos anualmente; esse número subiu para aproximadamente 25 países desde 2001. Tendo enfrentado insegurança alimentar severa em uma estação, muitos países permanecem na lista por vários anos devendo aos efeitos restantes da seca e/ou conflitos e baixa resistência. Como relatado anteriormente, os países ou áreas com maior insegurança alimentar atualmente na África subsaariana são aqueles em situações complexas de emergência resultantes de conflito em andamento (leste da RD do Congo, região de Darfour do Sudão, e o Delta do Níger da Nigéria) ou países se recuperando de conflitos (Serra Leoa, Libéria

e República da África Central). Não se pode estressar o bastante a necessidade de estabilidade social e política para fornecer um ambiente sereno para atividades econômicas e desenvolvimento agrícola na África.

4- ATIVIDADES DA FAO NA ÁFRICA

Como declarado em sua visão, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), luta por um mundo livre de fome e desnutrição onde o alimento e a agricultura contribuam para a melhoria de padrões de vida para todos, especialmente os mais pobres, de uma maneira economicamente, socialmente e ambientalmente sustentável. A cada dois anos a FAO organiza consultas de alto nível através da Conferência Regional para a África. O objetivo primordial dessas reuniões periódicas é de revisar questões específicas que a região enfrenta e as áreas de prioridade que deveriam ser levadas em consideração ao preparar o Programa de

Trabalho e Orçamento para o próximo biênio, bem como em relação a objetivos de prazo maior do programa da Organização para atender as necessidades da Região.

A assistência da FAO a países membros africanos e suas instituições incluem apoio para trabalho de campo, consultoria para governos sobre políticas e planejamento e uma ampla variedade de necessidades de desenvolvimento. O trabalho acarreta a provisão de assistência técnica para países ao avaliar a situação agrícola e alimentar, status nutricional, com uma visão de aconselhar sobre como melhor alcançar o objetivo geral de segurança alimentar. Segue uma breve delineação da assistência prestada pela FAO na África.

4.1 Programas de segurança alimentar

Seguindo as cúpulas de 1996 e 2002, a FAO apoiou a preparação de Estratégias Nacionais para Segurança Alimentar e Desenvolvimento Agrícola para 150 países em desenvolvimento e países em transição em seus esforços para reduzir fome e desnutrição. Mais tarde a FAO lançou o Programa Especial para Segurança Alimentar (SPFS) que foi aprovado pela Cúpula Mundial de Segurança Alimentar (WFS) em 1996. A fase piloto foi operacional até o fim de 2008. A estratégia dessa fase foi demonstrar através de projetos piloto como pequenos agricultores poderiam usar tecnologias de baixo custo para aumentar níveis de produtividade e produção, diversificar atividades de produção de alimentos e assim finalmente melhorar dieta e segurança alimentar geral no lar.

Desde 2001, com base nas experiências da fase piloto da SPFS e outros programas similares, a FAO tem fornecido assistência técnica em suporte aos Programas Nacional e Regional para Segurança Alimentar (NPFS e RPFS) projetados, possuídos e implementados pelos próprios governos nacionais e organizações de integração econômica regional (REIOs). Atualmente, 40 países africanos se engajaram no processo do Programa Nacional para Segurança Alimentar (NPFS). Até agora, 11 países estão implementando o NPFS e em 26 países membros os documentos do NPFS estão em diferentes estágios de formulação. O NPFS atualmente sob implementação na África visa atingir mais de 20 milhões de pessoas e ter um orçamento indicativo de mais de USD 2.0 bilhões, dos quais metade já foi mobilizada até agora.

No nível regional, o RPFS está operacional dentro de uma organização regional na África, a UEMOA, com um orçamento indicativo de USD 268 milhões, enquanto quatro outros RPFS estão em diferentes estágios de formulação. O RPFS complementa o NPFS e aborda questões transfronteiriças incluindo o gerenciamento de recursos hídricos, padrões e segurança de alimentos, doenças transfronteiras e questões ambientais. Cooperação Sul-Sul permanece sendo um veículo importante para compartilhamento de conhecimento e transferência de tecnologia entre os países em desenvolvimento do mundo e a África, especialmente os países da África subsaariana tem se beneficiado de forma substancial.

4.2 Classificação Integrada de Fase de Segurança Alimentar e Humanitária (IPC)

Desde 1994, a FAO tem auxiliado na melhoria do rigor da análise de segurança alimentar, nutrição e subsistência, e sua relevância para tomada de decisões. Com apoio da Comunidade Européia (CE), um instrumento chamado Classificação Integrada de Fase de Segurança

Alimentar e Humanitária (IPC) foi desenvolvido e utilizado na África. Inicialmente desenvolvido para melhorar a análise de forma consistente e facilitar reposta efetiva no contexto da Somali, o IPC é tido agora amplamente como uma ferramenta útil e um processo para gerara uma compreensão compartilhada de situações de segurança alimentar. O IPC foi adotado pelos governos do Burundi, Costa do Marfim, Quênia e sul do Sudão, onde mapas do IPC são regularmente produzidos. A República Democrática do Congo, Uganda, a República Unida da Tanzânia e o Zimbábue recentemente completaram o treinamento técnico inicial e produziram um primeiro mapa de IPC e análise de IPC.

4.3 Segurança Alimentar através da Comercialização Agrícola

A FAO está fornecendo apoio técnico para vários países para o aumento de rendas e padrões de vida das pequenas famílias rurais através de sistemas de produção agrícola mais lucrativos, maior acesso ao mercado e atividades de valor agregado. Com financiamento do Fundo Fiduciário Italiano, projetos estão sendo implementados em Mali, Malaui, Libéria, Senegal, Serra Leoa, Zâmbia, e diversos países na região dos Grandes Lagos. Componentes do projeto incluem (1) Promoção e apoio à produção orientada ao mercado Organizações Baseadas no Agricultor; (2) Apoio para fortalecer conexões de mercado/desenvolvimento de cadeia de valor; e (3) Apoio para fortalecer instituições e serviços de suporte.

4.4 Melhorando Estatística e Informação Agrícola

Por vários anos, a FAO tem fornecido apoio técnico para países africanos nas áreas de censo agrícola, estatística agrícola e fortalecimento institucional, estatística agrícola para segurança alimentar e sistemas de informação de aviso antecipado, processamento de dados estatísticos e databases, construção de capacidade e treinamento. Começando com 1950, o Programa decenal da FAO para o Censo Agrícola (WCA) tem ajudado países a executar seu censo agrícola nacional pelo menos uma vez a cada década utilizando conceitos internacionais, definições e metodologia padrões. A FAO também é muito ativa na incorporação de estatística agrícola na Estratégia Nacional para Desenvolvimento de Estatística, em grande cooperação com PARIS21. Com a assistência da Fundação Bill e Melinda Gates, um projeto CountrySTAT para 17 países da África subsaariana está sendo implementado para melhor harmonização de dados, integração, acesso e disseminação. A Organização continua a promover e auxiliar países com a implementação do programa do Novo Mundo para o Censo Agrícola de 2010; recentemente forneceu apoio técnico para Algéria, Costa do Marfim, Guiné, Libéria, e Mauritânia.

4.5 Incorporando o Direito a Alimentação aos Planos e Estratégias Sub-nacionais

Um número crescente de governos reconhece que soluções tecnológicas sozinhas não bastam para atacar as causas principais e subjacentes da fome e assim, cada vez mais, mais atenção tem sido dada a como essas medidas de políticas são formuladas e implementadas. Isto também está encapsulado na abordagem de duas vias aumentada que inclui medidas para melhorar governança de segurança alimentar se apoiando nos princípios do direito a alimentos. Devido à crescente extensão da descentralização na África, a formulação e implementação de intervenções almejadas para reduzir pobreza, insegurança alimentar e vulnerabilidade estão em grande parte com os distritos. Com apoio da FAO, Uganda, Serra Leoa e Tanzânia/Zanzibar, entre muitos

outros países africanos, se comprometeram a realizar o direito ao alimento através da ratificação

de instrumentos legais internacionais e preservação do direito a alimentos em suas políticas e

leis. Através de apoio bilateral da Alemanha, a FAO tem selecionado distritos em Serra Leoa, Uganda e Zanzibar para melhoria de resultados e processos de políticas públicas. O projeto tem como objetivo a facilitação da participação de indivíduos mais susceptíveis á situações de insegurança alimentar; advoga por processos mais transparentes de implementação e formulação de políticas; promove ferramentas simples para que atores não estatais monitorem a implementação de políticas e planos; e apóia mecanismos de recursos e reclamação e responsabilidade em nível distrital. Espera-se que planos de desenvolvimento com intervenções e prioridades do FSN bem como mecanismos de envolvimento não estatal sejam colocados em

funcionamento e utilizados até dezembro de 2012.

4.6 NEPAD /CAADP (Programa Compreensivo para o Desenvolvimento Agrícola Africano) e a Conferência de Syrte sobre Água para Agricultura e Energia

Com o apoio da FAO, o Programa Compreensivo para o Desenvolvimento Agrícola Africano (CAADP) foi preparado, e subseqüentemente aprovado em julho de 2003 pelos Chefes de Estado e de Governo em Maputo. Ele requer 25 bilhões de dólares de investimento anual para sua implementação. Nessa estrutura de trabalho, Programas Nacionais de Investimento de Meio- Termo e Perfis de Projetos de Investimentos Bancáveis foram preparados para 51 países africanos para um orçamento total de 10 bilhões de dólares.

Além disso, no setor de controle hídrico para agricultura e energia, um portfólio detalhado de 1000 programas de investimento e projetos de curto, médio e longo prazo foi preparado para cada um dos 53 países africanos em consulta com ministérios relevantes para um envelope de financiamento total de 65 bilhões de dólares na ocasião da Conferencia Ministerial organizada pela FAO, a União Africana e NEPAD em Sirte em dezembro de 2008.

4.7 Melhorando Produção de Plantas, Proteção e Saúde Animal

A FAO promove intensificação sustentável de sistemas de produção de cultura na África.

Também se empenha em facilitar a participação de pequenos pecuaristas na África, no mercado cada vez mais competitivo para commodities de pecuária, em salvaguardar saúde pública veterinária e animal, manter diversidade genética animal, e minimizar o impacto ambiental da produção pecuária.

A abordagem requer integração e harmonização de todas as práticas políticas de produção

apropriadas visando aumento da produtividade de maneira sustentável. Algumas das atividades principais incluem:

Gafanhoto do Deserto: Em outubro de 2003, a FAO emitiu um alerta internacional sobre os riscos de surto de gafanhotos do deserto na Mauritânia, Nigéria e Sudão. Ações fortes, no entanto levaram tempo para serem tomadas e foram iniciadas apenas quando o inseto começou a voar e devastar campos de culturas. Em 2005, a subsistência de aproximadamente 8 milhões de pessoas foi afetada na North and Northwest África e mais

de 13 milhões de hectares tiveram de ser borrifados com pesticidas químicos para acabar

com a praga. Em 2006, a FAO lançou o Programa de Gafanhoto do Deserto para a Região Ocidental para cobrir nove países da Líbia ao Senegal, no mesmo modelo do Programa da Região Central que começou em 1997. Infelizmente, a infestação recentemente recomeçou na Mauritânia. Operações estão em andamento para um controle prévio do gafanhoto do deserto para evitar o gasto de 390 milhões de dólares novamente como na campanha de controle de gafanhoto de 2003-2005.

Ug99: O tipo de doença de ferrugem do colmo do trigo, que surgiu em Uganda em 1999 e alcançou o Iran em 2007, poderia ter sérios impactos na segurança alimentar. Vinte e

nove países, responsáveis por 37 por cento da produção de trigo global, são afetados ou em risco. As perdas econômicas poderiam exceder 7,5 bilhões de dólares. Para combater esta ameaça, a FAO lançou em conjunto com CIMMYT e ICARDA o Programa Global

de Doença de Ferrugem Trigo que objetiva complementar esforços de pesquisa para

desenvolver variedades resistentes e apoiar diretamente países afetados ou em risco.

A FAO, através de seu orçamento central, atualmente gerencia quarto programas

importantes: Sistema de Prevenção de Emergência para Doenças e Pragas Transfronteiriças de Plantas e Animais (EMPRES), estabelecido pelo Diretor Geral da FAO em 1994; o Programa Global de Erradicação de Peste Bovina (GREP), também estabelecido em 1994, e o Programa Contra Tripanossomíase Africana (PAAT), estabelecido em 1997 como uma Aliança Internacional combinando as forças da FAO, da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a União Africana/ Bureau Interafricano de Recursos Animais (AU-IBAR) e a Implementação do Plano Global de Ação para Recursos Genéticos Animais endossado pela Conferência da FAO em 2007. Além disso, um amplo projeto financiado por doações está sendo implementado: a Iniciativa de Pecuária, Meio Ambiente e Desenvolvimento (LEAD). Adicionalmente, um projeto de multi-doadores que foca na avaliação e mitigação dos impactos ambientais do setor de pecuária global em rápido crescimento e a Iniciativa Pró-Política de Pecuária para Pobres (PPLPI), que promove políticas e mudanças institucionais no setor pecuário para promover redução de pobreza, estão atualmente sendo implementados. O PPLPI estabeleceu projetos „subsidiários‟ na África subsaariana (a Iniciativa de Política de Pecuária no Chifre da África com base no IGAD no final de 2005)

Peste Bovina: Em 1994, a FAO iniciou o Programa Global de Erradicação de Peste Bovina para controlar uma doença terrível que matou mais de 1 bilhão de cabeças de gado nos anos 70 e 80. Entre 1994 e 2009, aproximadamente 170 países e territórios obtiveram sucesso na eliminação da peste bovina. A FAO está agora trabalhando com a OIE (Organisation Internationale des Epizooties) para declarar o mundo livre da peste bovina em 2010 ou 2011. Será a primeira doença animal a ser erradicada no mundo e a segunda doença na história da humanidade depois da varíola.

Peste suína Clássica: Esta doença se espalhou no final dos anos 50 da África para a Europa. Desde 1994, projetos de controle e prevenção por um orçamento total de 8

milhões de dólares têm sido implementados pela FAO em diferentes regiões, incluindo a África, o Cáucaso e a America Latina.

Febre aftosa: Apesar do aviso prévio emitido pela FAO em março e novembro de 2001, ação de urgência não foi tomada. Como resultado, o Reino Unido teve que matar milhões de cabeças de gado por um custo financeiro global de 3 bilhões de dólares e enormes perdas foram sofridas na Irlanda, França e Países Baixos. Da África do Sul para o Zimbábue e para o Uruguai, a doença causou perdas totalizando bilhões de dólares. Desde 1994, a FAO implementou 42 programas projetos regionais e nacionais com um orçamento total de 65 milhões de dólares para controlar e erradicar a doença.

4.8 Promoção de Igualdade de Gênero em Áreas Rurais

A FAO está promovendo bem estar social e econômico da população rural pobre. Ela auxilia

governos membros em abordar questões de emprego rural, equidade e gênero. Com base em assistências passadas e em andamento, um número cada vez maior de países está coletando e apresentando dados estatísticos agrícolas em nível sub-familiar, ilustrando relações socioeconômicas entre agricultores do sexo masculino e feminino operando de forma semi- independente dentro da mesma unidade de produção agrícola. Os dados resultantes são usados na preparação, implementação e avaliação de programas de desenvolvimento agrícola sensíveis ao gênero que contribuem com o alcance de segurança alimentar nacional e desenvolvimento agrícola sustentável da forma concebida no CAADP. Um kit de ferramentas estatísticas de „lição aprendida‟ que facilita a coleta e análise de dados desagregados por sexo foi desenvolvido para apoiar a implementação do round de 2010 do Censo Mundial de Agricultura (2006-2015). Em seguida, o trabalho da FAO de estatística relacionado ao gênero na África vai focar mais na promoção do uso efetivo de dados desagregados por sexo para o qual atividades piloto já começaram em Mali e no Senegal.

4.9

Segurança e Qualidade de Alimento

O

abastecimento de alimento nutritivo e seguro está sendo abordado pela Comissão Codex

Alimentarius conjunta FAO/OMS e Convenção Internacional de Proteção de Plantas da FAO, dois órgãos de estabelecimento de padrões internacionais reconhecidos como pontos de referência pela OMC. Para assegurar a segurança do alimento que consumimos, mais de 320 padrões, diretrizes e códigos de pratica foram desenvolvidos cobrindo os principais produtos alimentícios. Hoje, a data de validade de bens perecíveis em lojas é um exemplo de padrão comum na nossa vida diária. Além disso, mais de 3700 limites de resíduos máximos para vários pesticidas e drogas veterinárias, aproximadamente 2000 provisões de aditivos alimentícios do Codex e 150 níveis máximos recomendados de contaminantes e toxinas naturais do Codex foram estabelecidos.

4.10 Conservação de Recursos Naturais, Biodiversidade e Meio Ambiente

Tratados internacionais importantes e instrumentos têm sido concluídos sob os auspícios da FAO: o Código de Conduta para Pesca Responsável (em 1995); o Código de Conduta revisado sobre a Distribuição e Uso de Pesticidas (em 2002); o Tratado Internacional de Recursos

Genéticos de Plantas para Alimentos e Agricultura (em 2004); e em cooperação com a UNEP, a Convenção de Rotterdam sobre o Procedimento de Consentimento Prévio Informado para o Comércio Internacional de Certos Produtos Químicos e Pesticidas Perigosos (em 2004). A FAO também conduz ações e programas objetivando a proteção do meio ambiente. Durante a última década, aproximadamente 50 milhões de dólares foram mobilizados para auxiliar 36 países na eliminação de pesticidas obsoletos e para construir capacidade na redução de riscos. O Programa de Estocagem Africano se tornou atualmente um modelo mundial.

O Programa Integrado de Gestão de Pragas permitiu o aumento de rendimentos e a redução do uso de pesticidas químicos em culturas importantes, tais como arroz, algodão e vegetais. O programa de Escola de Campo Agrícola nesta área beneficiou 10 milhões de agricultores em 90 países, a maioria dos quais na África

Em apoio à atenuação da mudança climática e política de adaptação, a Instalação do Programa de Floresta Nacional da FAO foi criado em 2002. A Instalação está atualmente auxiliando 70 países e organizações regionais. Em outra iniciativa importante, a FAO estabeleceu em 2008, em parceria com a UNEP e UNDP, o Programa Colaborativo das Nações Unidas para Reduzir Emissões de Desflorestamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento, conhecido como UN-REDD. Está sendo implementado e, nove países pilotos. Um sistema global de monitoramento de florestas foi lançado mês passado em apoio à medição e créditos de carbono sob o REDD.

Desde 1998, a FAO tem avançado no tocante a Agricultura de Conservação (CA) por meio de quatro workshops regionais para desenvolvedores de políticas (policy makers) na África Austral e nas regiões central e sul da Ásia., três conferências globais, e um programa de CA regional para o Oriente Médio e África do Norte. Também forneceu conselho de políticas e materiais de treinamento desenvolvidos através de 19 projetos pilotos nas regiões oriental e austral do continente africano, Ásia e América Latina. Na África Austral , o programa de emergência da FAO adotou a CA como pilar central de seu trabalho de reabilitação agrícola. A FAO é reconhecida como um recurso global especialmente sobre os componentes da mecanização da Agricultura de Conservação e tecnologias de plantio direto.

4.11 Promoção de Pesca Sustentável e setores de Aqüicultura

A FAO tem trabalhado de perto com seus Países Membros na África para facilitar e assegurar o desenvolvimento sustentável em longo prazo e utilização da aqüicultura e pesca do mundo. Programas principais incluem os seguintes:

Código de Pesca de Conduta de Pesca Responsável: Composto de projetos englobando 12 áreas tópicas e financiado por doadores múltiplos para apoiar sua implementação.e pesca do mundo. Programas principais incluem os seguintes: Programa Cooperativo: projetos auxiliando a construção de

Programa Cooperativo: projetos auxiliando a construção de capacidade para uma abordagem de ecossistema, gerenciamento baseado no ecossistema, e promoção de pesca sustentável. Iniciativas de instituições regionais e sub-regionais para combater pesca ilegal, não regulada e não reportada (IUU) foram apoiadas.de projetos englobando 12 áreas tópicas e financiado por doadores múltiplos para apoiar sua implementação. 24

4.12

Responder de maneira eficaz ante situações de Emergência

A FAO tem operado 468 projetos de emergência em 96 países por uma entrega total de 632

milhões de dólares em 2008-2009, financiados quase completamente por contribuições voluntárias. Apenas no ano de 2009, o balcão da Unidade de Operações de Emergência da África recebeu sete Apelos Consolidados, dois Apelos Rápidos para Madagascar e Burquina Faso, e desenvolveu um Plano de Ação Humanitário para a República democrática do Congo. Um total de 171 Projetos Operacionalmente Ativos avaliados em 300 milhões de dólares foi implementado em 30 países dos quais 11 receberam mais de 10 milhões de dólares. Em resposta

ao Tsunami do Oceano Indico em 2004, um dos maiores programas para a recuperação de

subsistências baseadas na pesa, agricultura e silvicultura foi implementado com 75 projetos em vários países incluindo a Somália. Sob a Iniciativa sobre Preços Elevados de Alimentos que foi lançada em dezembro de 2007, agricultores pobres na África e em outros países em desenvolvimento foram capazes de ter acesso à sementes, fertilizantes, rações e outros insumos

caros. Estes projetos, avaliados em quase 400 milhões de dólares, foram implementados em 93 países dos quais 35 estão na África com recursos próprios da FAO (17 milhões de dólares) e contribuições voluntárias de fundo fiduciário.

4.13 Prevenção, Preparação e Aviso Prévio

A FAO tem sido capaz de fornecer avisos prévios efetivos de escassez de alimentos e

emergências graças ao desenvolvimento do Sistema de Avisos Prévios e Informação Global (GIEWS). Informações relevantes sobre tendências futuras no desenvolvimento agrícola e questões subjacentes e também base de dados estatísticos, análise econômica e projeções estão disponíveis e são regularmente atualizados. Não apenas todos os países do mundo e de fato na África têm acesso às ferramentas e informações, mas o sistema está sendo usado por vários países na África para gerenciar produção agrícola e questões de segurança alimentar.

5-CONCLUSÕES

Após décadas de declínio na produção de alimentos per capita, uma nova onda de otimismo com

relação à África e a agricultura africana surgiu. De modo geral, o crescimento da agricultura e da economia foi superior ao crescimento da população em muitos países, os conflitos armados diminuíram, instituições regionais e sub-regionais estão se fortalecendo, e avanços foram obtidos

no desenvolvimento do setor de negócios. Há amplo consenso de que a agricultura africana

possui um enorme potencial de crescimento devido à abundância de recursos naturais, como terra

e água. A agricultura na África subsaariana reagiu positivamente a um melhor ambiente

macroeconômico e aos melhores subsídios aos preços causados, entre outros motivos, pela “tributação” reduzida da agricultura e alta dos preços mundiais.

Entretanto, as expectativas positivas para a agricultura na África não irão se concretizar se não forem realizadas políticas conjuntas e investimentos maciços, especialmente se quisermos atingir um desenvolvimento sustentável da agricultura e uma redução significativa da desnutrição e da pobreza. Muitos desafios precisam ser superados, incluindo o elevado déficit tecnológico, infra-

estrutura deficiente, capacidade técnica reduzida, sistemas de comercialização e produção e serviços associados ineficazes, lentos progressos na integração regional, baixo nível de governança e deficiências institucionais em alguns países, conflitos e alta incidência e prevalência de HIV / AIDS e outras doenças. Dentre as ações prioritárias e necessárias para garantir o desenvolvimento agrícola e rural que vá de par com a redução da pobreza estão:

aumentar a capacidade de desenvolver e implementar melhores tecnologias e políticas agrícolas, facilitar o acesso dos agricultores à água e insumos modernos (sementes de alta qualidade, fertilizantes, etc.), a construção de infra-estruturas rurais (estradas, galpões de armazenamento, etc.), interligar pequenos produtores aos mercados e auxiliá-los na adaptação às novas condições tornando-os mais produtivos, reduzindo o risco e vulnerabilidade, especialmente no referente a eventos climáticos extremos e oscilações de preços, e aumentar o acesso ao crédito, aos ativos e as competências. Portanto, são necessários investimentos públicos e privados.

Os agentes da mudança, como a globalização, a liberalização do mercado, a privatização, a urbanização, o HIV / AIDS, o crescimento populacional, alterações climáticas e a propriedade evolutiva da pesquisa agrícola, redefinem muitos dos problemas a serem abordados e os tipos de soluções disponíveis. Como a África possui algumas características únicas que a diferem da Ásia, onde a Revolução Verde teve um impacto profundo, estas políticas devem também ser vistas em um amplo contexto social e econômico.

O mais importante no momento é trabalhar junto aos pequenos agricultores para melhorar seu acesso aos mercados, tanto de insumos como de produtos, e ao crédito, a fim de aumentar sua produtividade e rendimentos. No entanto, com a industrialização e a globalização da agricultura, é provável que no futuro haja uma quantidade menor de pequenos agricultores que trabalhem em tempo integral e cada vez mais terras cultivadas em unidades maiores. Apesar de acreditar-se cada vez mais que a África precisa se apoiar em seus próprios recursos para o desenvolvimento agrícola - como ocorreu com os países asiáticos há uma geração -, existem graves preocupações acerca das condições sob as quais a África negocia e comercializa com o resto do mundo. Subsídios aos agricultores nos países da OCDE e as restrições comerciais ainda prejudicam as perspectivas dos agricultores africanos tanto nos mercados domésticos como nos mercados de exportação. Mas se os países da África Subsaariana quiserem competir em melhores condições nos mercados nacional, regional e internacional e beneficiar da tendência internacional de alta dos preços agrícolas, eles deverão avançar agressivamente para eliminar as barreiras ao comércio regional, promover as cadeias de valor regionais e unir esforços para promover a integração regional. A Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD) propõe uma abordagem abrangente, que leva em conta estes fatores. Todavia, um esforço ainda maior é necessário para implementar eficazmente muitos dos compromissos continentais empreendidos.