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Ordem do estudo e breve explicação da escolha cronológica:

No Brasil é muito comum o músico autodidata e pessoas que, ao longo dos anos, estudaram com dezenas de professores e metodologias diferentes e até mesmo professores sem nenhuma metodologia, em todos os casos, é comum encontrarmos grandes lacunas no aprendizado e, dessa maneira, se torna importante retornar ao estudo de conceitos básicos. Você já se disse alguma vez? Preciso voltar a estudar do começo? Se não, talvez seja o momento de estudar bem os conceitos mais básicos para não chegar lá na frente e ser mais um a se fazer essa pergunta.

Saliento uma perspectiva diferenciada no aprendizado, retornar as bases estudando cada conceito a fundo, ao invés de estudar muitos aspectos diferentes de forma superficial e, aliás, esse é um dos grandes erros no aprendizado musical, a superficialidade de conceitos aparentemente simplórios.

Separando o estudo pela perspectiva do seu estilo:

Muitos conceitos musicais são comumente estudados em qualquer estilo como, por exemplo, leitura, intervalos e percepção. Não importa o nível ou o estilo musical em que você se encontre essas matérias serão importantes e poderão ser inseridas na sua rotina de acordo com a sua necessidade, acredito que o treino de ouvido deva vir antes mesmo da leitura e seria interessante ser estudada logo nos primeiros meses do estudo.

Quando entramos no estudo da harmonia funcional ou harmonia aplicada encontramos um problema para aqueles que têm no rock e pop as suas únicas influências e ambições musicas, pois nesses estilos é muito raro encontrarmos harmonias mais complexas e maiores desafios harmônicos para a improvisação, o que em nada desmerece o estilo, porém, nesse momento cabe ao músico tomar certas escolhas quanto ao seu futuro musical, talvez se fazendo a pergunta: Eu quero estudar musica de maneira mais séria e me abrir também para o estudo de outros estilos ou meu interesse é unicamente tocar e trabalhar no universo da música pop e rock?

Quando pessoas que tocam por hobby me procuram para comprar o meu material e me dizem que tem o interesse único pelo rock e pelo pop, sou sincero e digo as mesmas que o meu pacote iniciante- intermediario já atenderia as suas pretensões musicais. De outro lado, encontro pessoas que, apesar de atuarem unicamente no rock e no pop, estão abertas a estudarem outros estilos para ampliar sua visão musical, seja porque querem tocar outros estilos ou porque querem conhecer música de uma maneira mais profunda.

Escrevo sobre isso porque é algo que afeta a cronologia do estudo.

Jazz, Fusion, Música brasileira, Salsa e estilos com maior variação harmônica:

Os estilos citados acima e alguns outros vão exigir, logo no princípio, uma forte base nas tríades. Se o músico não trabalhar bem com 3 notas como ele poderia trabalhar bem com 7 notas de uma escala? As tríades e depois as tétrades, representam uma enorme porção de responsabilidade no aprendizado dessas linguagens, principalmente no improviso, até porque é muito comum salientar individualmente cada acorde da progressão (que na maioria das vezes é a terça e a sétima, no caso dos diminutos e meio

diminutos também a quinta diminuta) ao invés de solarmos pensando no centro tonal. Ademais, é importante frisarmos que dentro de uma escala estão contidas varias tríades e tétrades, pegando, por exemplo, a escala maior de Dó percebemos que agrupando as notas em terças, dentro do campo harmônico, geraremos naturalmente 7 triades e consequentemente 7 tétrades, portanto, seria um pouco prematuro querer trabalhar com escalas antes de trabalhar com tríades e tétrades. Sonoramente também existe a facilidade de memorizar 4 diferentes qualidades de tríades antes de passar para dezenas de tipos de escalas.

Rock, Blues, Metal, Pop e estilos com pouca variação harmônica:

Por outro lado os estilos acima citados trabalham muitos mais com um centro tonal que não varia e, até por isso, é muito comum improvisar usando apenas uma mesma escala, independente das trocas de acordes. Nesse caso, iniciar os estudos pela escala pentatônica seria muito mais urgente, pois conhecendo bem a pentatônica você conseguiria improvisar com fluência em 90% do repertório do estilo. Isso não afasta a necessidade de estudar, tríades, tétrades e outros conceitos, porém sugiro uma pequena mudança de cronograma.

Hoje em dia vemos grandes músicos de rock que bebem de outras fontes e em suas músicas existem grandes desafios harmônicos e improvisacionais, isso vem desde os tempo da banda Yes, Frank Zappa e se fortaleceu pelos grupos progressivos e pela fusão do rock com outros estilos.

Músicos ecléticos que se interessam por vários estilos:

Comecei tocando heavy metal com 12 anos, meu único interesse era Metallica e Iron maiden, porém, e cada dia que mergulhava mais na música começava uma transformação de valores musicais e uma caminhada sem voltada na busca de novos desafios sonoros, ritimicos harmônicos, melódicos e composicionais.

É bem comum para aqueles que tocam um instrumento abrirem a mente para novos estilos e novas sonoridades, são comuns o interesse por novos caminhos e o rompimento com idéias antigas, portanto, eu resolvi criar uma cronologia baseada no músico que esta interessado em crescer em todos os aspectos e não somente em um estilo, portanto, cabe a você direcionar o cronograma.

Tenha em mente que existem muitas coisas que você nesse momento pode não ter a certeza de que precisa estudar, mas que mesmo assim será algo importante para formar a sua base musical. Pense seriamente nas suas expectativas em longo prazo.

Cronologia do estudo:

Começamos estudando a Escala pentatônica menor em 12 tonalidades, ciclos de quartas e outras dicas fundamentais previstas na vídeo aula aula de pentatônicas, incluindo sobreposição das mesmas.

Junto com as escalas pentatônicas eu sugiro a vídeo aula de Desenvolvimento de motivos. Veja essa aula no youtube onde aplico o encontro final das 2 aulas, mas antes não esqueça de estudar cada aula individualmente: http://www.youtube.com/watch?v=NAKvYUSWUEo

Rotina: 50% do seu tempo estude as pentatônicas / 25% do tempo estude desenvolvimento de motivos / 25% do tempo estude pentas com motivos.

Recomendaria ir estudando logo em seguida o Aulão de arpejos (tríades e tétrades e sobreposição) e também a vídeo aula de tríades 3 volumes (sendo que o ultimo volume é para músicos mais avançados). Apesar de ter falado muito sobre o estudo das tríades e tétrades antes das escalas, eu acredito que a escala pentatônica deva ser a primeira no cronograma porque a mesma só tem 5 notas e por ser obviamente a escala mais popular do universo e de ser uma escala muito melódica e usada em qualquer estilo.

Rotina: Continue com a penta na sua rotina estudando as mesmas com os motivos 25% do seu tempo

/ tríades 25% do seu tempo / tétrades 25% do seu tempo / tríades e tétrades com motivos 25% do seu tempo)

Nessa etapa do seu aprendizado eu já espero de você uma fluência nos ciclos de quartas e no uso de motivos melódicos (que é algo que você nunca deve abandonar), a primeira ferramenta vai te dar uma fluência no braço do seu instrumento e a segunda musicalidade e a exigência de ouvir cada nota que você esta tocando para poder desenvolver suas idéias.

Nessa altura do campeonato você poderia fazer um resumo de todas essas idéias estudando uma rotina proporcional ao seu tempo.

Agora entraremos nas vídeo aulas de Escala maior e Acordes (tríades e tétrades). Você perceberá que em ambas as vídeo aulas eu insisto no estudo dos ciclos de quartas. Na vídeo aula de acordes a questão da voz guia começa a ser martelada como um conceito imprescindível para se harmonizar e tocar acordes.

Como já aprendemos melodicamente as tríades e as tétrades, ficará agora muito mais fácil vermos que, harmonicamente e melodicamente, a concepção sonora se funde, num approach bem pianistico, porém a questão dos acordes tipo DROP2 é fundamental para ser aplicado na guitarra.

Agora também é interessante conseguir tocar os acordes em todas as inversões e regiões ao longo do braço e poder automaticamente ver o arpejo correspondente daquele local, é dessa maneira que o pianista trabalha mão esquerda e mão direita.

Nesse momento as aulas de Leitura, Fraseado no jazz, intervalos harmônicos e melódicos e Treino de ouvido podem ser introduzidas a qualquer momento.

Agora é um ótimo momento para tratarmos das vídeo aulas de Modos da escala maior e logo depois

a vídeo aula de Dominantes, que é um zoom especifico no grau mixolídio.

Na sua ROTINA DE ESTUDO continue dividindo o seu tempo pensando nos tópicos novos, mas ainda estudando um pouco os tópicos antigos. Imaginemos que nesse momento você já tenha abandonado o estudo das pentatônicas e tríades, porém ainda não esteja 100% seguro das tétrades e das inversões do acordes, então você pode fazer uma rotina tipo:

20% do seu tempo para as tétrades / 20% acordes tipo DROP 2 / 50% modos

OBS: Não se esqueça de estudar cada modo individualmente como proposta na vídeo aula, pensando nas notas que caracterizam cada modo ao invés de pensar que o modo é determinada escala começada de um determinado local.

Excelente momento para estudar a vídeo aula de Blues maior já que as pentas e o modo mixolídio estão debaixo das mãos. Note que no tornaround será exigido também o conhecimento dos arpejos na progressão I7 VI7 II-7 V7. Aproveite o embalo para estudar também a vídeo aula de Blues menor.

Nesse momento o estudo dos proficiencys da Berklee 1 e 2, improvisação e formação de acordes quartais e dos workshops podem ser introduzidos a qualquer momento.

Monte sua rotina baseada nas rotinas anteriores, abandonando progressivamente os tópicos mais antigos. Passar semanas num mesmo tópico é normal, sobretudo quando o tópico é novo e o conteúdo inédito ou mais complexo para vocês, enfim, adéque a rotina as suas necessidades, porém, nunca estude o assunto por menos de 1 semana.

A vídeo aula restrição no estudo do improviso vem em um bom momento, pois estudaremos aqui a extensão e densidade nas frases para termos uma variação maior no nosso fraseado já que nesse momento toda uma base solida na improvisação já foi criada e agora olhamos para conceitos menores mas não menos importantes.

Até esse momento tudo o que vimos se atém ao campo harmônico maior, portanto é um bom momento para estudarmos a vídeo aula sobre escala menor melódica e o seu campo harmônico. Como o estudo das tríades, tétrades e inversões já foi feito de forma exaustiva, a assimilação da nova escala e do campo harmônico será bem mais simples, nesse momento percebemos o quanto é importante ter uma base firme dos conceitos musicais.

Posso dizer sem medo que, após todo esse processo, que pode ter levado meses ou 1 ano, não importa o tempo, mas se você estudou de forma correta, usando os playalongs e fazendo os exercícios propostos com certeza você é um músico com uma sólida base para improvisar e fazer acordes, seja qual for o estilo. Agora você tem as ferramentas importantes para continuar avançando.

Se o seu interesse for jazz, fusion, agora é um grande momento para estudar as aulas de harmonia aplicada no improviso, onde proponho o estudo de 5 standards de jazz fazendo a analise harmônica e mostrando a aplicação no improviso. É um bom momento também para estudar as vídeo aulas de Chord Melody, Voice leading e completar o cronograma dos Proficiencys da Berklee.

Bons estudos e Deus te abençoe.

Mateus Starling

www.mateusstarling.com.br