Você está na página 1de 11

Aula 10

UNIFICAÇÃO ITALIANA

• Os italianos estavam divididos em cidades estados e não produziram uma


unificação na mesma época dos Estados vizinhos. Isso dificultou a vida nacional
da Itália, uma vez que se tornou conveniente para os estados vizinhos a
fragmentação italiana.
• Maquiavel, em sua obra o príncipe, já falava da necessidade de se unificar a Itália.
• Quando se chega a revolução francesa, há uma unificação parcial promovida
pelos franceses, no interesse do estado Frances. Porem, quando as guerras
napoleônicas chegam ao final e ocorre o congresso de Viena para reestruturar a
Europa, a Itália volta a ser divida em 8 estados e desses estados, apenas 1 era
governado por italianos, o Piemonte. Mas a burguesia do norte italiano ressentiu-
se dessa fragmentação. Daí a necessidade de se buscar a unificação
• Com se processaria essa unificação, que tipo de estado seria criado. Essas eram as
questões que se discutiam.
• Entre 1815 e 1830, as elites italianas continuaram a pensar em termos liberais e
iluministas. Queriam unificar o Estado, mas não queriam nenhum tipo de
influência popular, para evitar a radicalização. As duas ressurreições, com apoio
popular de 1820 e 1830 são facilmente controladas.
• Em 1830, surge um fator novo nessa história que o José Mazzini, o movimento
jovem Itália, formado por republicanos, diferentes daquilo que defendiam os
liberai, que queriam forma um Estado a partir da revolução popular. Esses
republicanos não conseguiram atingir seus objetivos, não conseguiram formar um
Estado republicano, mas sua pressão forçou os liberais a buscarem mais
rapidamente a unificação italiana.
• O grande impulso dado a esse processo é dado em 1948, quando o rei Carlos
Alberto do Piemonte inicia um luta contra os austríacos com vistas a expulsa-los.
Ao mesmo que ocorre uma constituição no Piemonte, procura-se explorar a
fragilidade das posições austríacas. Porém, não recebe os apoios necessários. O
apoio necessário seria o apoio do papa, por outro lado o apoio de Mazzine afasta
todos os liberais. Isso enfraquece o rei Carlos Alberto que abdica em favor de seu
filho, Vitor Emanuel. Esse fato inicia uma nova fase no processo de unificação.
Para sanar a crise política, Vitor Emanuel se volta para uma solução científica, a
arte política de Camillo Cavour, que tinha um projeto de unificação na Itália.
• Esse projeto estava baseado na premissa de que os italianos, por si só, não teriam
forca de promover seus anseios de unificação, o ressurgimento. Era necessário
apoio político das grandes potências européias, e isso faz com que Cavour
introduza o Piemonte em todos os grandes acontecimentos da Europa, participa da
guerra da Criméia, procura obter o apoio de Napoleão III. Outro apoio que
Cavour busca é o apoio econômico da Inglaterra, recorrendo aos investimentos
ingleses. Napoleão III hesitava dar seu apoio aos italianos, todavia acabou sendo
persuadido a dar seu apoio ao Piemonte em sua guerra contra a Áustria em 1859.
O apoio de Napoleão não foi completo, assinou a paz de Villafranca com os
Asutríacos, mas foi suficiente para que o Piemonte anexasse a Lombardia e o
reino das Duas Sicílias com a expedição de Garibaldi e os 1000 camisas
vermelhas com o apoio dos pequenos Estados na região, proclamasse, em 1861, a
criação do Reino da Itália.
• Em três novas etapas o reino da Itália foi tomando a configuração hoje conhecida
• A primeira etapa foi em 1867, quando foi anexada a Venécia como resultado da
guerra da Prússia com o Império Austríaco. A segunda se deu em 1871, quando
em função da guerra da Franco-prussiana foi anexada Roma.

UNIFICACAO ALEMÃ

• Assim como a Itália, eram os germânicos divididos entre inúmeros pequenos


Estados, quando do Tratado de Westphalia, em 1648, as grandes potencias de
Europa, Francia, Império Austríaco e Suécia, selaram um acordo que pretendia
manter os Estados alemães, mais de 300, divididos.
• Essa constelação de Estados se manteve até 1789, com a Revolução Francesa. A
exemplo do que ocorreu com a Itália, na região germânica, também ocorreram
unificações parciais, sendo a mais importante delas a formação da Confederação
do Reno. Era uma região sensível, de desenvolvimento industrial. Quando
terminam as guerras napoleônicas, a questão dos Estados Alemães se torna
importante no Congresso de Viena. Durante as Guerras Napoleônicas, foi se
formando, nas elites dos estados alemães a idéia quanto a necessidade da
unificação da Alemanha. Para os Alemães, a derrota da batalha de Iena, na qual
Napoleão fez a declaração do bloqueio continental, foi extremamente impactante.
FICHTE, em 1807, escreve os discursos a nação alemã. Hegel, depois,
desenvolveu uma filosofia que se centrava na necessidade de se unificar a
Alemanha. Na Prússia, em 1810, os setores mais esclarecidos da região, iniciaram
um processo de modernização da Prússia. O ministro Stain executou uma reforma
agrária de cima para baixo com vistas a liquidar o feudalismo, que afasta os
setores populares e beneficiava os grandes proprietários, os Junkers. Essa reforma
agrária modernizou a agricultura, introduziu o regime de assalariamento, tudo isso
sem contrariar os interesses dos latifundiários. Outro ponto da modernização da
Prússia foi a reforma educacional, que reforçava o ensino médio e produzia a
formação de técnicos.
• O problema da unificação, entretanto, era político. Isso se conclui a partir da
verificação de que havia dois Estados que competiam pela unificação da
Alemanha, desde o início do processo. Essas potências eram a Prússia e Áustria,
que no Congresso e Viena, chegam a um compromisso. Em primeiro lugar haveria
a diminuição dos Estados alemães. A Prússia foi beneficiada com a anexação de
diversos micro-Estados. Para se manter o equilíbrio se organizou a confederação
germânica em 1815, que era composto por 36 Estados.
• A confederação tinha sua sede na cidade de Frankfurt. A representação de cada
estado na Dieta era dada pela do tamanho da população de cada Estado, o que
significa que a Prússia tinha a maior representação. E para contrabalançar tal
influencia prussiana, a presidência foi dada perpetuamente a Áustria. Isso era a
expressão do equilíbrio que se buscou, a ninguém no momento convinha a guerra.
• Sabe-se que a unificação alemã se deu em 1870, mas é importante entender que
quando a Prússia obtém êxito unificando a Alemanha politicamente e excluindo a
Áustria, ela já tinha feito isso em grande medida no plano econômico. A
Unificação alemã se dá primeiro economicamente.
• A questão evolui da seguinte maneira. Os prussianos a partir de 1815, resolvidos
as questões de fronteiras, iniciam um grande esforço político-administrativo para
integraram se território recém conquistado. Esse esforço se dá até 1818, quando se
pode dizer que o Estado prussiano está consolidado. A Prússia então começa a
propor aos estados germânicos vizinhos a formação de uma área de livre
comercio, para ampliar o mercado. Em 1834, essa área de livre comércio já possui
grande complexidade e os Estados dessa área criam a união aduaneira, chamada
Zollverein, que representava 25 Estados e 26 milhões de pessoas. Com o
Zollveirein as fronteiras praticamente desapareceram.

OBS: União aduaneira é uma área de livre comércio na qual se acrescenta uma tarifa
externa comum.

• A hipótese da criação de um mercado comum estava na ata do Congresso de


Viena e os prussianos se antecipam. Os austríacos, quando perceberam que a área
de livre comércio se tornava uma união aduaneira, pediram a Prússia para entrar
no grupo, mas isso lhes foi negado. Os austríacos não puderam impedir a criação
da União Aduaneira, uma vez que esta estava prevista em Viena.
• No Zollveirein, houve abolição dos direitos alfandegários internos sobre matéria
prima, foi adotado um mesmo sistema alfandegário interno em todo o grupo,
Houve unificação de moedas pesos e medidas, foi criada uma burocracia para
supervisionar o comércio. No Zollverein, havia o nacionalismo alemão, que tinha
suas diferenças em relação ao Frances.
• O nacionalismo francês era de adesão, de acordo com Renan, autor Frances que
escreveu o livro, o que é uma nação, nação é um compromisso que se renova
diariamente. É Frances aqueles que desejam ser Franceses e que respeitem as leis
francesas. A constituição nacional alemã, por outro lado não é de caráter liberal,
vai contra ao liberalismo. É alemão quem tem sangue alemão, ser alemão não é
um ato de vontade.
• Voltando ao Zollveirein. Essa união aduaneira se torna o berço no qual se
desenvolve o capitalismo alemão. Independentemente, da unidade política, em
termos econômicos, há uma única Alemanha.
• Em 1848, houve revoluções em todas as partes na Europa, a começar com a
revolução de fevereiro na Franca, que terminou por colocar Napoleão III no
governo francês. Na Alemanha, houve duas revoluções.
o A revolução em Frankfurt
o A revolução em Berlin.
• Não nos interessa o conteúdo de cada uma delas, mas sim os seus desfechos, uma
vez que elas influenciam a unificação Alemã
• A revolução de Frankfurt começou no Estado vinho de Baden, que no seu início
era tipicamente liberal. Tinha o objetivo a promover eleições para um parlamento
com a finalidade de criar uma Alemanha unificada que fosse uma monarquia
constitucional. Depois que a assembléia foi organizada, os trabalhadores urbanos,
se apresentam em apoio aos liberais, esperando que a constituição dos liberais
contivesse cláusulas sociais. Os liberais não aceitam as propostas dos
trabalhadores que iniciam uma insurreição, que é esmagada pelas forcas
aristocráticas com o apoio dos liberais. Não queriam o apoio popular. Mas sem o
apoio popular, não havia cofre nem exército, e os liberais não conseguiram apoio
de nenhum príncipe e foram derrotados.
• A revolução de Berlim procura uma constitucionalização da monarquia
prussiana. Frederico Henrique IV concorda com a criação de uma Dieta. Em seu
discurso de abertura da Dieta faz o seguinte discurso. “Sinto movido a declarar
solenemente, que nenhum poder na terra poderá convencer-me a transformar a
relação natural entre príncipe e povo relação que por sua verdade interior nos tem
feito tão poderosos, em uma constituição contratual, nunca permitirei que uma
folha de papel escrito se interponha entre nosso deus no Céu e este país, para
governar-nos por seus parágrafos e romper a antiga e sagrada aliança”. No ano
seguinte em 1848, a revolução aperta e a dieta decide que tem de Haver uma
constituição. O rei então admite fazer concessões, até que a massa popular em
Berlim decide sair às ruas para apoiar a assembléia e exigir uma constituição. A
assembléia não aceita o apoio. As tropas reais esmagam a plebe e a dieta. Os
liberais preferiram perder a que ganhar com as massas populares.
• Curiosamente, Frederico Guilherme IV, outorga uma constituição em que possuía
amplos poderes. Essa constituição introduz o voto de três classes.

• O desenvolvimento alemão deslanchou na década de 50, após as revoluções de


48. Os estudiosos costumam se referir ao processo de industrialização alemão
como retardatário. Mas a industrialização alemã possuiu características bastante
peculiares.
o A reforma educacional.
o Formação de uma consciência crítica a respeito da economia política. Em
1841, Frederic List publicou um livro intitulado Sistema Nacional de
Economia Política, que consiste em uma das grandes referencias da
economia política da perspectiva nacionalista. List diz que não se pode
seguir o que os ingleses dizem para nós fazermos, devemos seguir o que
os ingleses fizeram, ou seja, a Alemanha deve possuir uma política
comercial protecionista que dê cobertura a indústria nascente. List
defende o investimento na infra-estrutura ferroviária, esse será o grande
diferencial no processo de industrialização alemão. Esse investimento
começa com a importação de maquinário inglês, mas que logo consegue
nacionalizar essa tecnologia. A malha ferroviária alemã chega a ser
capilar, possuindo inclusive um forte sentido estratégico.
o O aprimoramento da técnica ferroviária.
• A unificação entra em sua reta final em 1862, quando Otto Von Bismarck torna-
se chanceler da Prússia. Bismarck era um Juncker, proprietário de terras do Leste
da Prússia. Os junckers possuíam hábitos muito peculiares (As festas da Cerveja
e o duelo). Todos mostravam com muito orgulho os ferimentos do duelo. O
próprio Bismark possuía o pescoço todo cortado. Isso dava-lhes uma identidade
muito própria que os diferenciava do resto da população.
• Em 1862, houve um impasse político entre o Guilherme Primeiro e o parlamento.
Guilherme I era um rei novo, que tinha o projeto de reforçar as forcas armadas da
Prússia, com o aumento do tempo de serviço militar obrigatório de 2 para 3 anos.
Os liberais não aceiram isso, uma vez que tal medida aumentaria os gastos
governamentais e militarizaria em demasiado a sociedade prussiana. Bismarck
resolveu esse impasse com o recurso de decurso de prazo, firmando a posição do
Juncker. Logo em seu discurso de inauguração, deixou claro sua idéia de defesa
da unificação. Bismarck não se ocupava de questões econômicas, voltava-se
sempre para o lado político. Sua preocupação era fortalecer, no ângulo político
estratégico, a posição da Prússia, que se debilitava comparativamente as outras
nações. Para evitar isso, era necessária a unificação.
• Esse raciocínio que o levou a impedir a entrada da Áustria no Zollveirein.
• O primeiro passo no processo de unificação política foi a crise com a Dinamarca.
No norte da Prússia há dois Ducados SCHLESWIG e HOLSTEIN. A
complicação estava na questão de a soberania desses dois ducados estarem sobre
a soberania do rei da Dinamarca e não do Estado dinamarquês, mas serem dois
estados alemães, e não podiam ser separados. Essa condição foi reafirmada em
uma conferencia em Londres havida em 1852. Em 1863, o Frederico VII, da
Dinamarca, resolve quebrar as regras e o problema é levado a Confederação
Germânica e Prússia e Dinamarca resolvem dar um ultimato a Dinamarca. A
disputa militar se inicia em Janeiro de 1864, que termina em Junho com a derrota
dinamarquesa. Os vencedores dividem os espólios e Holstein fica para a Áustria e
Schelswig fica para a Prússia. Em 1866, há outra crise, na qual Prússia e Áustria
se desentendem sobre a administração dos dois ducados, situação forcada por
Bismarck. Prússia e Áustria entram em guerra em 1866, que ficou conhecida
como guerra de 7 semanas, com a derrota da Áustria. Isso foi possível com o uso
das ferrovias construídas na década de 50 e 60. Na batalha de Sadoba, foi
assinado o tratado de Praga, que determinava que a Áustria reconhecesse a
dissolução da Confederação Germânica e não se oporia a uma nova organização
da Alemanha da qual ela não faria parte. Reconhecia ainda a anexação dos dois
ducados pela Prússia. A Prússia incorporou Hanouver, Herss, Nassau e
Frankfurt. A Áustria entrega a Venécia para Cavour, que apoiou a Prússia nessa
guerra. Foi dessa data em diante que o império Austríaco se tornou Austro-
Húngaro, pois os húngaros se aproveitando da fragilidade de Viena, se insurgiram
e exigiram autonomia do império e Budapeste se tornou a segunda capital do
império. Com isso os Prussianos formaram a Confederação Germânica do Norte
e só não unificaram totalmente o país, porque os Estados Católicos do Sul,
bastante ligados a Franca e de economia agrícola não aderiram a investida contra
a Áustria. Bismarck assinou com os três Estados do sul tratados militares que
pregavam a mútua defesa e ajuda em caso de ataque estrangeiro.
• Em 1867, Bismark fez uma reforma constitucional na Prússia e estabelece
sufrágio Universal. A essa altura os sociais democratas já era fortes, era
necessário esvaziar esse grupo.
• Para unificar os alemães do sul era necessária uma nova guerra. Essa guerra não
poderia ser entre os Alemães.
• A oportunidade da guerra surge de forma estranha. Os espanhóis depõem a rainha
que se refugia na Franca. É chamado um rei alemão católico, Leopoldo, para
assumir o trono da Espanha. Isso foi feito em segredo, até que o processo vazou
para a Franca, que de imediato reagiu enviando seu embaixador para conversar
com Guilherme I. O imperador disse que isso não era mais uma possibilidade,
mas a Franca queria que Guilherme I escrevesse e assinasse esse compromisso.
Isso não foi aceito por Guilherme e Bismarck vaza o acontecimento para a
imprensa alemã, que relata o ocorrido como se fosse uma afronta ao rei Frances,
dizendo que Guilherme I, expulsa o enviado do rei Frances. Quando a notícia
chega a Franca em 14 de julho, Napoleão III é obrigado a declarar Guerra.
• Em Julho de 1870, começa a guerra Franco-Prussiana. A Franca perde a luta e
Napoleão III é capturado pelo exército Prussiano. A guerra continua e os
germânicos libertam Napoleão III, uma vez que os próprios franceses não
aceitaram Napoleão III de volta. Paris é cercada e a falta de comida forca os
franceses a se entregar.
• O estado maior se instala no palácio de Versalhes e Bismarck tem que enfrentar
outro problema. Guilherme I não aceitava a ser Imperador Alemão, queria ser rei
da Prússia. Isso era ruim, uma vez que os adversários alemães iriam dizer que a
Prússia havia invadido territórios alheios e que sua ação foi imperialista,
Bismarck precisava demonstrar que a ação prussiana não era imperialista, era
uma ação legítima para se unificar os povos germânicos. Assim, o chanceler pede
que os príncipes alemães exaltem por escrito o novo imperador alemão, fato que
ajuda Guilherme I a aceitar seu novo título.
• No salão dos espelhos no palácio de Versalhes foi feita a coroação de Guilherme I
como imperador alemão.
• Depois da saída dos alemães de Paris, ocorre a comuna de Paris.
• A unificação alemã é feita sem o povo e sem os liberais, que eram contra a
utilização extensiva de forcas armadas. O processo foi completado pelos Junckers
e a coroa. O Estado alemão nasce com uma divisão muito clara: a economia
ficaria com os liberais e a política com os conservadores. Foi uma unificação
feita pelo alto, os conservadores se mantêm no poder, a formação do Estado
Nacional em outros países significou a ascensão da burguesia. O novo estado era
conservador e altamente militarizado, com uma economia muito poderosa.
• Da Franca, os alemães retiram os territórios de Alsácia e Lorena, ricas em carvão.
Bismarck sabia que os franceses iriam querer revanche e para isso optou deixar a
Franca bem fraca para que não pudesse revidar. Essa política foi posta em prática
com a cobrança de uma indenização de guerra bastante alta e com uma enorme
militarização da renânia.
• Em 1871, nasce o Estado Alemão. Bismarck forma a chamada a pequena
Alemanha, constituída por apenas estados alemães. Quem opta por construir a
grande Alemanha é Adolf Hitler, anexando Estados onde houvesse alemães.
Bismarck considerava a Alemanha uma potência geopoliticamente satisfeita.

Aula 11

POLÍTICA EXTERNA DE BISMARCK. – A diplomacia de Bismarck

• Em 1848, segundo Hobsbawn, termina a era das revoluções, uma vez que as
revoluções travadas contra o que restava do feudalismo acabam. A partir de 1848,
é o mundo capitalista se consolida. Ainda em 1848, Marx e Engels produziram o
manifesto comunista. Esse manifesto é um texto muito interessante. Marx faz uma
análise sobre o capitalismo e sua reprodução. O capitalismo seria um sistema de
produção com vocação internacionalista e que gera as próprias contradições. Já
nas revoluções de 48, havia as idéias socialistas no seio dos trabalhadores, com os
conflitos entre capital e trabalho.
• Nessa época ainda não havia marxismo, isso só ocorre com a morte de Marx. O
movimento da classe trabalhadora se faz em direção ao marxismo.
• No início da década de 1860, em 1863, é criada a primeira organização política de
cunho socialista, em Lipzic, a Organização Geral dos Trabalhadores Alemães. O
ideólogo dessa associação era Fernando Lassaly, um constitucionalista. Essa
associação está na raiz do primeiro partido político na Alemanha. Marx e Lassaly
não se entendiam. Ambos eram socialistas, mas suas concepções de socialismo
eram completamente diferentes. Para o Marx, o socialismo viria da revolução
proletária, para Lassaly viria com a obra do Estado, era necessário unificar a
Alemanha por meio da forca do Estado prussiano e não por meio democrático
como Marx pensava. Lassaly ficou pouco tempo a frente da Organização Geral
dos Trabalhadores Alemães e morre prematuramente.
• Em 1869, foi criado o Partido Socialista dos Trabalhadores na Saxônia, pelos
marxistas Ogus Pebel e Ioran Lartinel. Assim em 1869, havia duas organizações
políticas, ambos obtiveram êxito. Esses dois movimentos eram rivais, mas
acabaram se unindo em 1875, devido a unificação e o fato da burguesia alemã
acabou se aproximando de Bismarck. O movimento operário cresceu bastante,
sendo uma dor de cabeça para o chanceler, pelo grane número de greves que esses
operários realizavam. Em 1871, foram 212 greves e em 1873 foram 260 greves. A
forca do movimento operário era crescente. A união dos dois partidos cria o
Partido Social democrata Alemão (PSD), que se deu na convenção de Gotta. Em
1877, o partido obteve 9% dos votos, expressão bastante significativa.
• Nesse período, a sociedade alemã era profundamente estratificada, e o partido
cresce no meio operário e um estado que a economia se fortalece enormemente.
• Em 1873, há o início de uma crise importante no capitalismo mundial que dura
até 1896. Essa crise leva a superação do capitalismo concorrencial e conduz o
capitalismo a sua faze monopolista. Na Alemanha, em 1873, há o pagamento da
dívida de guerra francesa a vista, que foi negada por Bismarck. Durante essa crise
também ocorre a segunda revolução industrial. É um momento complexo no qual
há crescimento econômico e tecnológico e também crise. A crise provoca uma
enorme agitação no meio operário o que dá grande forca ao PSD.
• Bismarck então apresenta a idéia de restringir a ação do PSD, propõe um conjunto
de leis chamadas de leis anti-socialistas. O PSD iniciou um tipo de ação política
que não se restringia ao parlamento, ia as ruas. Nesse projeto, Bismarck enfrentou
a objeção dos liberais que temiam pelo fim da expressão individual e coletiva.
Nesse cenário, Bismarck muda sua base política, negociando com os liberais
nacionais. A Alemanha sofria, durante a crise, com a concorrência dos EUA no
mercado de cerais. Na Europa Oriental toda há um enorme número de imigrantes
que vão para os EUA. Outro mercado em que a Alemanha sofre com a
concorrência americana é a área da siderurgia. Assim os liberais nacionais aceitam
votar a favor das leis anti-socialistas, desde que Bismarck elevasse a taxa
alfandegária para proteger as produções nacionais de milho e de aço. Isso ficou
conhecido como a união do Milho com o aço. As medidas protecionistas
começam em 1879 e o livre comércio vai declinando, uma vez que as medidas
anti-socialistas são aprovadas em 1878.
• Entre 1878 e 1890 vigoraram as leis anti-socialistas, que proibiram as passeatas,
os comícios, as bandeiras e a imprensa. Ou seja, o PSD deveria se comportar
como os partidos liberais.
• Depois de 1890, as leis anti-socialistas irão ser ironicamente chamadas de leis
socialistas, uma vez que foi na clandestinidade que o PSD teve um enorme
crescimento.
• O PSD é um partido marxista e Engels acompanhava toda a evolução do partido e
foi acompanhando todas as mudanças do capitalismo e reconhece que as lutas
sociais não poderiam mais ser travadas como eram em 1848. Assim, isso refletia
na teoria socialista. Houve uma ainda maior tendência evolutiva e darwinista na
teoria o socialista. O capitalismo de crise em crise ira se inviabilizar, mas nunca
especulou esse processo, o fim capitalismo e o início do socialismo. Quem
proporia uma resposta a esse problema seria Lênin em 1917, que defendia que o
processo de constituiria via a revolução. Nesse sentido era importante para que o
PSD produzisse quadros capazes de levar a diante a transformação socialista. A
clandestinidade e o esforço voltado para produzir quadros fizeram o PSD um
partido com uma estrutura enorme, sendo considerado um Estado dentro do
Estado.
• O Bismarck propõe as leis anti-socialistas, para não ficar mal com sua base,
Bismark tenta demonstrar aos trabalhadores que eles não precisavam de um
partido, eles possuíam o Estado alemão. Assim, o chanceler aprova uma
legislação trabalhista. Não foram os liberais que o fizeram. Em 1890, o Guilherme
II é coroado imperador e não suportava Bismarck. Assim, criou um protesto não
aceitando a renovação das leis anti-socialistas o que forçou o Chanceler a
renunciar seu cargo.
• Quando Bismarck voltou para casa, Guilherme II aceitou dar continuidade as leis
trabalhistas de Bismarck.
• Esse período no mundo é muito importante. Em 1870, Alemanha e Itália se
unificam. A década de 1870 também marca a unificação americana e o início da
Era Meiji. É também o período da segunda revolução industrial ou revolução
científica, com a mudança do padrão energético da produção capitalista, mudança
tecnológica na química na siderurgia, mudando a paisagem das cidades. É
também o início do capitalismo financeiro. É a era da sociedade anônima e o fim
da chamada empresa familiar. (ler os três primeiros capítulos da era dos impérios).
A crise de 1873 a 1896 é uma crise diferente, que se dá em meio ao crescimento
econômico. A crise se apresenta não na forma de superprodução, mas na forma de
um lucro muito inferior ao que se pretendia. Há uma enorme concorrência e o
mundo se torna pequeno para tanta produção. Daí o protecionismo e a expansão
para o exterior em busca de matérias primas e mercados. O mercado internacional
deixou de ser livre concorrencial e passou a ser oligopolista.

Diplomacia de Bismarck (1871 – 1890)

• A primeira idéia a fixar é que Bismarck considerava a Alemanha um país


geopoliticamente satisfeito. A Alemanha não tinha mais qualquer pretensão de se
expandir. Por que essa preocupação. A unificação da Alemanha provocou um
desequilíbrio no cenário geopolítico europeu, conceito muito caro aos europeus. A
Alemanha se unifica mediante três guerras dando uma inequívoca demonstração
de poderio militar e desenvolvimento econômico. Para Bismarck a união alemã
era o bem mais precioso que os alemães poderiam ter, isso não era negociável. O
pilar da política de Bismarck era a manutenção da unidade em um cenário de
desconfiança.
• A diplomacia de Bismarck, portanto, é conservadora que não visa a nenhuma
conquista nem dentro nem fora da Europa. Para ele o que poderia ameaçar a
unidade alemã era o revanchismo Frances. Assim, Bismarck tinha como objetivo
o isolamento da franca, não podia haver interlocutores nem aliados,
principalmente com a Rússia. Isso representaria uma guerra em duas frentes. Para
alcançar isso, Bismarck se aproxima do império austro Húngaro e do império
Russo e em 1873, propõe a aliança dos três imperadores. Essa aliança foi
reconstruída duas vezes. Na Alta política européia, eram os cinco de Viena que
determinavam a política continental. Abaixo deles está a Itália, que não possuía
uma direção própria. A Inglaterra só atuaria com a quebra do equilíbrio, assim a
entente dos três imperadores isolaria a França.
• A entente dos três imperadores é difícil de ser mantida em virtude do
nacionalismo. O nacionalismo da questão oriental em especial. O final do século
XIX é um período das nacionalidades se torna um fator político de importância
crescente. O capitalismo que elevava a educação urbana e do citadino eram
favorável aos nacionalismos. Os impérios mais vulneráveis a essas mudanças
eram o império Austro-Húngaro e Otomano. O princípio da nacionalidade era
prejudicial a liga dos três imperadores porque criava atritos entre os impérios
Russo e Austro-Húmgarp. O Império ruuso pretendia aumentar sua influencia as
custas do Império Turco-Otomano. Os Russo, desse o início do Século XIX,
sentem a necessidade de obterem uma saída para mares quentes. A opção mais
lógica era a saída pelo mar negro, por meio dos estreitos de Bósforos e
Dardanelos, alcançando o mediterranio. A Rússia assim poderia se tornar uma
potência militar e comercial no mediterrâneo. Os ingleses achavam isso
desastroso e fizeram um tratado para proteger o império turco otomano. Todas as
vezes que os russos tentaram se assenhorear dos estreitos a Inglaterra interveio.
Prova disso foi a guerra da Criméia (1854) e o apoio inglês ao Japão no final do
século XIX, para impedir o fortalecimento russo ao pacífico. Os dois impérios o
russo e o austro-hungaro se chocavam nos Bálcãs e no império otomano. Por isso
Bismarck teve de reformular sua liga dos três imperadores. Em 1877, houve a
guerra da Rússia conra a Turquia e os russos só não tomam Constantinopla,
porque a esquadra inglesa disse não. Ma a Rússia impôs a Turquia o tratado de
Santo Estefan eu criava a grande Bulgária. Em junho de 1878, Bismarck convoca
um congresso em Berlin para reavaliar o tratado de Santo Estafan imposto ao
império otomano. A grande Bulgária foi desfeita, criando-se a Bulgária e a
romélia e os russos ficaram irritados com os alemães. Em 1879, Bismarck reinicia
a recomposição da liga dos três imperadores que é posta novamente em sua
plenitude em 1881.
• A questão colonial pode ser visto na política de Bismarck, no congresso de Berlin
de 1884, no qual as potências européias estabeleceram as regras sobre a partilha
da África. Aqui, a burguesia alemã ficou enlouquecida porque Bismarck não
colocou a Alemanha na corrida colonial. Para evitar atritos na Europa, a
Alemanha era uma potência satisfeita
• Em 1885, a aliança dos três imperadores se rompe, porque um príncipe Alexandre
de Batemberg unifica a Bulgária, criando a grande Bulgária, patrocinada pela
Rússia. Em 1887, Bismarck mais uma vez refaz a liga dos três imperadores, por
meio do tratado de resseguro com a Rússia, agora com o nome de Tríplice
Aliança. O tratado de resseguro era a afirmação russa de que em caso de uma
guerra entre franca e Alemanha, os russos ficariam neutros. Em contrapartida, a
Alemanha apoiaria as pretensões russas na região dos estreitos do mar negro.
• Há duas correntes que interpretam a diplomacia de Bismarck.
o A primeira é aquele que descreve Bismarck como um herói e grande
diplomata. Aqui Guilherme II é o oposto, um idiota sem visão estratégica.
o A segunda corrente revisionista, que afirma que Bismarck conseguiu a
paz, mas seu sistema era manejável só por ele mesmo, exprimia uma visão
dos Junckers, que no contexto mundial era insuficiente e não dava conta
dos novos desafios que surgiam. Os interessem imperialistas alemães
foram contidos. Os revisionistas diziam que, se a Alemanha entrasse na
partilha do mundo em seu inicio não haveria problemas, o impasse ocorreu
devido ao fato de que, quando a Alemanha entrou no regime imperialista,
o mundo já estava dividido. A fase Guilhermina daria vazão a esses
interesses reprimidos da burguesia nacional alemã.

Aula 12 – Japão – Revolução Meiji. 10’00’’

Aula 13 – Apresentar o conceito do imperialismo e o colonialismo. 38’00’’


Aula 14 – Relações internacionais a partir de 1890.

• Em 1890, termina a era Bismarck. Guilherme I morre e assume seu neto,


Guilherme II.
• Guilherme II queria reinar e governar. Não gosta de Bismarck e ele estava
próximo de círculos da elite empresarial alemã que se ressentia da política externa
do Chanceler.
• Bismarck com suas bases junckers tinha como objetivo a manutenção da unidade
alemã, queria ser forte na Europa, daí seu desinteresse no que se refere às
conquistas coloniais. Guilherme II vai procurar realizar os objetivos da política
externa da burguesia industrial alemã. Esta estava vendo as oportunidades de
expansão serem perdidas. Guilherme II poria em pratica a sua weltmachpolitic.
• O primeiro problema da nova política externa alemã aparece em 1891. O tratado
de ressegura tinha a duração de três anos e deveria ser renovado em 1891.
Guilherme II dizia que esse tratado era irracional, uma vez que apoiava o império
austro-húngaro que pretendia se expandir para os Bálcãs e apoiava a Rússia que
possuía a mesma intenção e negou-se a renová-lo.
• Nesse momento a Franca não perdeu tempo. Em 1892, o governo Frances inicia
negociações entre a franca e a Rússia que culmina com a aliança franco-russa de
1894.
• Outro problema foi o protecionismo, que crescia a partir de 1880. 44’04’’