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Autor: Marcos Paulo

Os sinais de Deus
Será que é bom pedirmos sinais a Deus para sabermos se algo é ou não da
sua vontade?

Ou será uma falta de fé ou uma prova da fé, pedir sinais a Deus?

Será que Deus concederá sinais se lhe pedirmos?

Uma das questões que ultimamente vem me chamando a atenção é sobre o agir de Deus
sobre a nossa esfera humana. Dias atrás, estive a conversar com uma amiga, a qual me relatou
haver recebido sinais que ela havia pedido a Deus, como uma prova de que Ele estaria lhe
confirmando algo sobre o que ela esperava como uma aprovação de Deus. E assim aconteceram
sinais que ou consideramos como mera coincidência ou sorte, ou podemos considerar como uma
manifestação visível do poder soberano de Deus que a tudo governa.

Ao ouvir isso, estive a meditar nas Escrituras para poder melhor compreender tais
experiências, que, no meu entender, são maravilhosas, principalmente, no sentido de confirmação
e crescimento de nossa fé no caminhar da vida cristã. Porém, como toda experiência humana, é
preciso saber se realmente até que ponto isso é desejável e edificante, ou se há determinados
perigos nessa busca pelos sinais de Deus para as nossas vidas.

Os sinais de Deus são a exteriorização de sua vontade em três propósitos: 1) no sentido


pessoal e íntimo com cada um daqueles a quem Ele queira se revelar; 2) sinais que indicam juízos
sobre a terra(no sentido apocalíptico e escatológico) e 3) sinais manifestos através de curas e
milagres. Nós podemos perceber esses três tipos de sinais nas Escrituras Sagradas. No velho
testamento, percebe-se vários profetas, homens de Deus, reis, mulheres, e basta lê as histórias de
Abraão, Moisés, Jacó, Elias, Eliseu, Gideão, Davi; enfim, variados tipos de pessoas tiveram sinais
perceptíveis de Deus aos cinco sentidos humanos. Contatos pessoais, conversas com Deus,
acontecimentos que aos olhos humanos seriam impossíveis de acontecer, a não ser pela
intervenção do SENHOR Todo Poderoso sobre a esfera dos homens na terra. No novo testamento,
encontramos diversos sinais de Deus na época de Jesus, as curas e os milagres realizados por este
estavam repletos de sinais visíveis do poder de Deus entre os seres humanos. Os apóstolos
também realizaram diversos sinais através do ministério missionário. Pregaram o evangelho e
diversas pessoas foram salvas e curadas. Milagres, maravilhas do Espírito Santo, através dos
apóstolos, foram realizados no primeiro século da igreja primitiva. E todos esses acontecimentos
eram sinais que Deus estava atuando poderosamente no meio de toda aquela gente.

Agora, uma questão de suma importância é saber se Deus responde aos sinais que dele
pedimos, como uma forma, de sabermos se isso é ou não da vontade dele. Penso que essa
questão se trata de um ponto delicado para qualquer cristão sincero e que tem sua vida na
dependência de Deus. Todo aquele que quer de fato andar e ser guiado pelo Espírito de Deus
procura sempre em ocasiões importantes de sua vida saber se a escolha a ser tomada é ou não é
da vontade de Deus. Se Deus está ou não naquele empreendimento; se Deus aprova ou não nosso
comportamento. Se Deus estar ou não naquelas situações que se desenrola e que atitudes deve
ser tomada diante delas, pois se Deus providencialmente planejou aquilo, a atitude é “A”;
entretanto, se Deus não está ali, então a atitude seria “B”. Como então resolver esses dilemas que
todos os cristãos sinceros passam em alguma medida, quando paira a dúvida sobre a decisão a ser
tomada ou quanto à discernir se é ou não a vontade de Deus.

A primeira questão que se impõe é afirmar que Deus confirma a sua vontade através de
sinais, que apontam para aquilo que está de acordo com a sua vontade. A vontade de Deus pode
se manifestar através de circunstâncias que aguardávamos como um sinal dele para que
tomássemos aquela decisão inicial. Na Bíblia encontramos um exemplo sobre isso. Abraão, já
idoso, pedi ao seu mais antigo empregado de sua casa, que procure uma esposa para seu filho
Isaque, mas que fosse de sua linhagem, pois nisso havia o interesse da preservação da linhagem
messiânica( Abraão aprendeu de sua experiência com Agar a não confiar na carne humana para
garantir as promessas de Deus, mas a confiar na provisão sobrenatural de Deus, assim também,
esse caso nos serve de exemplo que, em regra, os filhos de Deus devem se casar com as filhas de
Deus, ambos compartilhando a Fé de Abraão). E o servo de Abraão pedi um sinal a Deus para que
este mostre entre as filhas dos homens(dos cananeus), a semita Rebeca:

“E disse consigo: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, rogo-te que me acudas hoje e
uses de bondade para com o meu senhor Abraão! Eis que estou ao pé da fonte de água,
e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água; dá-me, pois, que a moça a
quem eu disser: inclina o cântaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei
ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso
verei que usaste de bondade para com o meu senhor” - Gêneses 24:12-14

E Deus assim confirmou o sinal que o empregado de Abraão lhe pediu. Fazendo conforme
descrito pelo texto acima. Deus age por meios de circunstâncias, confirmando a nossa fé
depositada nele. Se aquilo está nos propósitos de Deus, com certeza, o Senhor levará a cabo os
seus desígnios soberanos. E o que devemos fazer, é está em estado de observação; estado de
alerta, atento para a manifestação da vontade de Deus, como foi feito pelo servo de Abraão:

“O homem a observava, em silêncio, atentamente, para saber se teria o SENHOR levado


a bom termo a sua jornada ou não”- Gêneses 24:21.

E aconteceu conforme havia pedido o servo de Abraão. Acredito que esse tipo de
acontecimentos se repete nas vidas de muitos filhos de Deus. O príncipe dos pregadores – C. H.
Spurgeon, um fiel servo do Servo Senhor Jesus, em seu livro meditações matinais, assim se
expressou:
“Cometemos uma injustiça contra nosso Senhor quando supomos que Ele realizou todos
os seus atos poderosos e mostrou-se forte para com aqueles dos primeiros tempos, mas
não opera maravilhas ou revela seu braço para os santos que estão agora na terra.
Façamos um retrospecto de nossa própria vida. Certamente podemos descobrir nela
alguns incidentes felizes, aliviando-nos e glorificando ao nosso Deus. Você nunca
experimentou livramentos? Não atravessou rios, amparado pela presença divina? Não
recebeu favores especiais? Não passou incólume pelo fogo? Não teve nenhuma
manifestação? O Deus que deu a Salomão o desejo de seu coração nunca atentou para
você nem respondeu aos seus pedidos? Esse Deus de imensa generosidade de quem
Davi cantou - que satisfaz tua boca com coisas boas – nunca saciou você com a sua
gordura? Nunca o fez deitar em verdes pastos? Nunca o conduziu às águas tranqüilas?
Certamente a bondade de Deus tem sido a mesma para conosco como foi para com os
santos do passado.”(Meditações Matinais. São Paulo: United Press, 2001. P. 9 de jul)

Porém penso que isso se dá numa proporção de fé e intimidade com a pessoa de Deus e do
nosso Senhor Jesus Cristo. Acredito que essas experiências tornam-se mais evidentes em dois
estados do caminhar da vida cristã: 1) quando se trata daquele ainda novo na fé. Deus assim age
para que o conheça mais profundamente e tenha a convicção de seu mover sobre a sua vida.
Trata-se daquele momento inicial da caminhada com Cristo, em que a fé necessita de provas
visíveis, para a sua confirmação e enraizamento na vida cristã; 2) quando por um amadurecimento
da fé em Cristo. Aqueles cristãos experientes na comunhão com o SENHOR, sabem da realidade
dos vários sinais de Deus guiando-os para o realizar de seus santos propósitos. Basta ouvirmos
pregações ou lermos livros desses servos de Deus para ficarmos maravilhados com os vários
testemunhos que eles nos trazem, deixando-nos perceber quão pobre é a nossa comunhão com
Deus e o pouco conhecimento que temos acerca deste.

Por volta do ano de 2006( acho que é esse ano), comprei um livrinho chamado “A oração
de Jabez”, que foi um Best seller. O autor conta as muitas bênçãos que Deus pode nos
proporcionar se orarmos com fé. E me lembrei de um sinal que Bruce Wilkinson pede a Deus, e o
Senhor atende o seu pedido. Escreve Bruce Wilkinson autor do livro:

“Lembro-me da primeira vez que orei pedindo por um desses compromissos. Foi num
lugar surpreendente - a bordo de um navio na costa da Turquia. Eu estava viajando
sozinho, avaliando uma empresa especializada em levar grupos para fazer turismo no
Mediterrâneo, seguindo os passos da igreja primitiva. Passamos dias maravilhosos a
bordo daquele navio, com tempo suficiente para me dedicar a diversos projetos, mas,
com o passar dos dias, fui me sentindo cada vez mais solitário. Na manhã em que
ancoramos em Patmos, a ilha onde João escreveu o livro de Apocalipse, cheguei ao
fundo poço.

“Em vez de seguir o roteiro turístico, caminhei pelas ruas daquele pequeno porto
conversando com Deus. Senhor, sinto saudade de casa e estou fraco, dizia eu. Mas
quero ser teu servo. Mesmo aqui, alarga minhas fronteiras. Manda-me alguém que
precise de mim.

“Numa pequena praça encontrei um restaurante com mesas na calçada. Sentei-me e


pedi uma xícara de café. Poucos minutos depois, ouvi a voz de um homem atrás de
mim.
“—você está no navio do cruzeiro?

“Olhei pra traz e vi um jovem caminhando em minha direção.

“—sim, estou – disse eu. – e você?

“Ele disse que era americano e que vivia na ilha. Perguntou se poderia sentar-se ali. Seu
nome era Terry. Poucos minutos depois ele já estava me contando sua história. De
acordo com o que ele me contou, seu casamento estava à beira de um penhasco. Na
verdade, aquele dia era o fim de tudo. Sua esposa dissera que partiria à noite[iriam se
separar].

“Você sabe o que eu estava pensando naquele momento, não é? Tá bom, Senhor, acho
que este é o compromisso de hoje[ um sinal que ele havia pedido e Deus lhe
concedeu]. E eu aceito...

“—você quer que sua esposa vá embora? – perguntei. Ele disse que não.

“(...)Passei uma hora conversando com ele sobre vários aspectos e princípios bíblicos
para um casamento feliz. Terry nunca ouvira falar de nenhum deles. Quando eu já
estava acabando, Terry estava tão ansioso para ter uma oportunidade de colocar em
prática aquelas idéias salvadoras que pulou da cadeira e ficou em pé na minha frente.

“—Terry – disse eu -, quero ouvir notícias suas de como foram as coisas entre você e a
sua esposa hoje. Aconteça o que acontecer, venha até o navio entes de partirmos e me
conte, está bem?

“Terry concordou, despediu-se e partiu. Naquela noite, todos voltaram ao navio. Eu


estava no convés, esperando alguma coisa. Ainda me sentia solitário, um pouco
frustrado, e comecei a repensar o que se passara no coração de Terry naquele café.
Quando o capitão ordenou que se desse o último apito, anunciando nossa partida, fui
até a proa onde a tripulação estava ocupada mexendo com as amarras do navio. E ali,
correndo atrás de nós pela costa, vinha um casal de mãos dadas. Quando chegaram
perto o suficiente para me verem na balaustrada, começaram a gritar:

“—funcionou! Funcionou! Vamos ficar juntos!

“(...) Deus havia marcado um compromisso na agenda daquele jovem para que
pudesse se encontrar comigo. Começamos a nos aproximar a parti do momento em
que orei...”(p.40-43).

Tais experiências ou atribuímos ao mero acaso ou atribuímos à divina providência de Deus.


Não há uma terceira alternativa.

Uma outra questão que gostaria de abordar, é se, pedir Sinais a Deus – trata-se apenas de
buscar confirmação para aquilo que cremos ser a vontade dele, sendo isso positivo; ou por outro
lado, será que essa atitude não trata-se de uma falta de fé, e portanto, sendo algo negativo diante
de Deus? Será que se pedirmos sinais a Deus estaremos incorrendo numa atitude semelhante a de
Tomé que disse: “se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não
puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei”(Jo 20:25)? Penso que a resposta para essa
pergunta é bem simples – porém quero deixar claro que toda essa questão é meio que complexa,
e portanto; qualquer tentativa de enquadrar as ações de Deus dentro de uma lógica ou de um
arcabouço argumentativo, estará fadado a não corresponder a realidade de fé de muitos cristãos,
se constituindo em mera teoria sem correspondência com a realidade.

No entanto, me parece claro que tais experiências são reservados àqueles que creram em
Cristo, que tiveram seus corações transformados e foram feitos novas criaturas nele: somente
estes, o Senhor esclarece em algumas situações a sua vontade por meio de sinais. O Senhor Jesus
nos diz que o único sinal que Deus deixou aos incrédulos(representado pelos escribas e fariseus)
foi sua morte e a ressurreição. Esse é o sinal histórico para o qual eles devem olhar, para serem
curados de seus pecados:

“Então, alguns escribas e fariseus replicaram: Mestre, queremos ver de tua parte algum
sinal. Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum
sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. Porque assim como esteve Jonas três dias e
três noites no ventre do grande peixe, assim o filho do homem estará três dias e três
noites no coração da terra”(Mt 12:38-40).

Aqueles que não vivem pela fé, de modo algum experimentarão os sinais que Deus só
distribui àqueles que têm intimidade com Ele; aqueles que o conhece verdadeiramente. Na minha
percepção de fé em Deus, os sinais são manifestações de sua soberana graça. Nós não merecemos
receber nada dele, não há para com Ele qualquer obrigação de nos abençoar com sinais e
experiências extraordinárias. Por isso, me posiciono contra qualquer regra pré-estabelecida
quanto as ações de Deus nesse sentido. Ele age quando e da forma como Ele quer. O que devemos
é sempre permanecer em fé diante de Deus com ou sem sinal. Na luz ou no escuro, devemos
caminhar a estrada da vida cristã de fé em fé, rompendo em fé as barreiras da vida. Como disse
Jesus a Tomé: “Disse-lhe Jesus: porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e
creram”(João20:29). Jesus nos mostra que, em determinadas circunstâncias, são “Bem-
aventurados” aqueles que descansam na Palavra verdadeira e inabalável de Deus em fé,
independentemente do que os olhos conseguem enxergar. Morrer e no terceiro dia ressuscitar, a
ciência já conseguiu explicar isso? De forma alguma, mas isso é “fato científico” para o campo da
fé, pois essa fé nos traz a experiência empírica de que este Jesus não morreu, pois ele estar agindo
nas milhares de vidas transformadas por todo este globo terrestre.

Podemos olhar os sinais como respostas de orações específicas a que fizemos a Deus e que
dele estávamos a esperar respostas concretas. Nesse sentido, não vejo de forma alguma nada de
errado esperarmos respostas de Deus em virtude de petições(não exigências, imposições de nossa
parte) em oração, na esperança, de vermos sinais, respostas reais, concretas de Deus. Um
belíssimo exemplo disso é George Müller, um homem muito usado por Deus no século XIX na
Inglaterra, o qual sustentou várias crianças nos orfanatos que ele levantou confiando unicamente
no Senhor. Por diversas vezes George escreve em seu diário que as provisões de Deus chegavam
quase que diariamente para o sustento das crianças e manutenção dos alojamentos. George
nunca divulgou as necessidades materiais dos orfanatos que cuidava, pois era interesse dele, que
toda contribuição feita, fosse feita pelo mover de Deus. Ele confiava que Deus iria tocar nas
pessoas e iria movê-las a contribuir generosamente. Nunca chegou a buscar contribuições ou pedi
a quem quer que fosse qualquer ajuda no sustento das crianças ou manutenção das estruturas do
orfanato. Tudo realizado pela fé, confiando no ministério que Deus havia colocado em seu
coração. Disse George Müller:

“...Estou constantemente recebendo respostas. Uma vez persuadido de que certa coisa é
justa, continuo a orar até receber. Nunca deixo de orar!...”(BOYER, O. S. Heróis da Fé.
11ºed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. P.145)
George Müller tinha o costume de recomendar a cada cristão que mantivesse um registro
das respostas de Deus às orações feitas. Numa página assentava o pedido com a data e no lado
oposto a data em que recebera a resposta (BOYER, p.144). Dessa forma, isso nos faz buscar
respostas concretas aos pedidos de oração. Estou ultimamente colocando isso é prática. Para
George Müller não havia dúvida acerca dessas respostas. Eu poderia escrever as várias
experiências visíveis, sinais concretos da ação de Deus em favor de seu filho amado George
Müller, mas como me encontro nesse exato momento cansado de digitar e de pensar, termino por
aqui, com a minha Fé renovada em busca dos sinais de Deus. Eu creio nos sinais de Deus, e você?
Tens vistos estes sinais? Amém!!!

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