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UNIVERSIDADE PAULISTA DE CAMPINAS - UNIP

SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO

CAMPINAS - SWIFT

2012

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Fernanda de Souza Gramostin – RA: B304BJ-8

Gabriela C. S. Godoy – RA: B209HG-4

Maria Claudia Stefanini de Souza – RA: B43ADI-7

Sara Melissa Azevedo Melo – RA: B4524D-6

SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO

MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO

Trabalho realizado e apresentado à disciplina Atividades Práticas Supervisionadas.

Orientadora:

Profª.

Helen

G.

Mozena

CAMPINAS – SWIFT

2012

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SUMÁRIO

1. Resumo

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2. Introdução Geral

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3. Introdução Teórica

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4. Metodologia

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5. Entrevistas

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6. Resultados

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7. Discussão

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8. Conclusão

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9. Referências

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10. Anexos

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1. RESUMO

Ao decorrer do estudo, apresentaremos nosso aprendizado nas áreas de emoção, motivação, percepção e sensação. Relacionando o conhecimento obtido em entrevistas realizadas durante o semestre com teoria e prática em nossa realidade.

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2. INTRODUÇÃO GERAL

Este trabalho se propõe a tratar sobre sensação, percepção, motivação e emoção. Para nos debruçarmos sobre esses temas, efetuamos entrevistas com voluntários através de instituições de modo a coletar dados para tecermos impressões a respeitos de tais temas. Assim conseguimos analisar melhor como cada indivíduo responde a estímulos e situações em sua vida cotidiana, deixando de lado o senso comum em nome de uma abordagem mais criteriosa e científica, amparado por um arcabouço teórico e por dados empíricos. Procurando nos manter em coerência com a proposta da disciplina “Processos Psicológicos Básicos”, traçamos nosso trabalho de modo a abordarmos cada um desses temas separadamente, estabelecendo comparações entre as teorias de diversos autores.

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3. INTRODUÇÃO TEÓRICA

O ser humano complexo tem suas características únicas, estas que o diferenciam dos outros animais e que o fazem ter uma visão de mundo e senti-lo subjetivamente de modo que se difere de qualquer outro individuo. O ser humano como uma maquina natural desenvolveu ao longo de sua evolução “sistemas” de adaptação ao mundo exterior e ao interior, capacidades de comunicação e criação sendo que desde suas mais primitivas existências já se formava por gestos simbólicos e desde sempre se sabe que emoções, sensações, percepções e motivações existiam. Com o passar dos séculos esses elementos se aperfeiçoaram de acordo a cada cultura e aos momentos que passamos entre guerras, comunismo até o momento de hoje: o capitalismo. Abordaremos aqui os principais conceitos que envolvem estas quatro perfeições humanas, e como elas se conectam para que funcionem em sintonia. A sensação é o processo que detecta a energia física do ambiente e a codifica em sinais neurais. O processo de transdução sensorial é o momento onde os sistemas sensoriais convertem a energia do estímulo em impulsos neurais e quem seleciona, organiza e interpreta as sensações é a percepção. Ambas trabalham juntas para que possamos experienciar o mundo ao nosso redor, mas cada uma com a sua devida função. A maneira pela qual acontece à entrada das informações em nosso cérebro é um processo feito pelo processamento inferior ou ascendente chamado de bottom- up. Após nosso cérebro receber as informações, é realizada a construção das nossas percepções feitas através do processamento do tipo superior ou descendente chamado de top-down. A importância dos processamentos bottom-up e top-down são fortalecidos em sua importância ao nos deparar, por exemplo, com pessoas que apresentam dano cerebral revelando assim a importância de outras conexões na cadeia de sensação- percepção. Ao perder uma área do lobo temporal essencial para o reconhecimento de faces, a pessoa passará a sofrer de uma condição chamada de Prosopagnosia, que apresenta sensação completa e percepção incompleta, tendo condições de sentir as informações visuais e relatar com precisão as características de uma face, mas sendo incapaz de reconhecê-la. Quando visualizada uma face desconhecida, o individuo não teria uma reação, e diante de uma face familiar, o seu sistema nervoso

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autônomo responderia com um aumento de transpiração, entretanto, ainda assim, não teria a menor ideia de quem é a pessoa. Se este indivíduo observasse a própria face no espelho, permaneceria intrigado, pois devido a sua lesão cerebral, não seria capaz de um processamento do tipo superior top-dowm por não ser capaz de relacionar seu conhecimento armazenado a seu “input” sensorial. A comunicação é essencial para o ser humano. Os sentidos da visão e da audição constituem nas mais importantes formas de sentir o mundo. Os demais sentidos, tato, olfato, gustação, senso de posição e movimentação corporal e não menos importantes, pois influem severamente caso não estejam em pleno funcionamento na capacidade de perceber o mundo. Deve-se levar em consideração que o corpo humano recebe estímulos do mundo exterior durante as vinte e quatro horas do dia e imaginar como seria a comunicação com esse mundo externo, no caso de ser privado de alguns dos sentidos citados.

Os seres humanos vivem em um oceano de energia onde muitas são imperceptíveis para seus sentidos humanos que dificilmente esgotam todas as possibilidades sensoriais. No caso dos ouvidos, por serem mais sensíveis a sons na faixa dos limites sensoriais, o zumbido de um mosquito pode soar como uma bomba de mergulho graças ao baixo limiar para sons dessa frequência. Em contra partida, o grito de um morcego por ser muito alto, pode parecer silencioso. Na estimulação subliminar, são analisadas as mensagens imperceptíveis e vindas de forma inconsciente, essas mensagens que são sentidas é o estímulo subliminar (abaixo do liminar). Se não fosse pela Ciência, esses estímulos exerceriam grande poder de sugestão. O limiar absoluto pode ser detectado no ponto a partir do qual pode-se detectar um estímulo metade do tempo e neste limiar ou em um ponto levemente abaixo dele, torna-se possível, algumas vezes, detectar o estímulo. Torna-se importante que sejam detectadas pequenas diferenças entre os estímulos, por exemplo, reconhecer a voz do próprio filho entre vozes de outras crianças. Mesmo sem saber, o ser humano no decorrer do dia aplica em vários momentos a adaptação sensorial. Por exemplo, ao adentrar em um ambiente, nota- se um aroma desagradável, porém alguns minutos já não é mais percebido, mesmo o aroma permanecendo no ambiente. Isso se dá devido à redução de nossa sensibilidade em relação aos estímulos que não se modificam somados a exposição

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constante de nossas células nervosas a um estímulo. Sendo assim, as células nervosas disparam com menos frequência. Em outro exemplo, é citado o fato de olhar fixamente para um objeto e ele permanecer em nosso campo de visão. Tal fato se dá de maneira imperceptível e a explicação é que nossos olhos na verdade se movem o tempo todo fazendo com que o estímulo retiniano mude constantemente. Nossas sensações se dividem em partes que denominamos “os sentidos”. A visão representa um dos principais sentidos para o ser humano seu trabalho consiste em receber a energia luminosa. Conta com receptores denominados cones, que possibilitam ver as cores e os detalhes e também os bastonetes, que são sensíveis à luminosidade e favorece enxergar em ambientes com pouca luz, um exemplo curioso é que os gatos veem melhor à noite, devido às pupilas se abrirem mais e permitindo assim entrar mais luz, como são dotados de mais bastonetes e menos cones, podem assim ver menos detalhes e cores se comparados aos seres humanos. O sistema visual do ser humano atua no nível superior top-down no nível inferior bottom-up. Na parte auditiva, mesmo sendo sensíveis a sons, os seres humanos apresentam maior facilidade em ouvir os sons que se assemelham a voz humana. A energia sonora é medida em decibéis, uma conversa normal atinge em média 60 decibéis., quando existe uma exposição prolongada na marca de 85 decibéis ou mais pode acarretar em perda auditiva. As perdas auditivas são caracterizadas em sua maioria pela lesão das células ciliadas que são responsáveis em disparar os impulsos para as fibras nervosas que são encarregadas de enviar as mensagens para o córtex auditivo do lobo temporal. Percebe-se que em pessoas que apresentam perda em algum canal de comunicação possuem em seu organismo algum tipo de “comando” que parece compensar tal perda fornecendo outras habilidades sensoriais. A importância do tato geralmente vem destacada através dos benefícios trazidos principalmente aos bebês na questão de receberem estimulações por massagens manuais e amparando assim a sua sobrevivência. Mesmo não sendo o primeiro sentido em vir á mente, é citado como essencial para o desenvolvimento humano. Mistura quatro sensações distintas: a pressão, o calor, o frio e a dor. Na parte de dentro da pele contempla diferentes tipos de terminações nervosas especializadas que atendem apenas recebendo pressão em seus receptores

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específicos. Neste caso, somente o cérebro apontaria sensibilidade ao receber estimulação inesperada. Em muitos casos a dor pode ajudar, pois avisa que algo está errado e que alguma providência deve ser tomada. Existem pessoas que ao nascer descobrem não possuir a capacidade de sentir dor e tornam-se vulneráveis em experimentar ferimentos graves. Há pessoas que mesmo tendo algum membro ausente, indicam sentir dor ou sensação de movimento. A explicação para esse fenômeno vem de que o cérebro é preparado para trabalhar com um corpo completo de todos os membros. Sendo assim, algumas dores, imagens e sons são em muitas vezes interpretados de forma errônea pelo cérebro e isso se deve a atividade espontânea do sistema nervoso central que não recebe estímulos sensoriais. A Teoria do Portão esclarece que a medula espinhal traz um portão neurológico que funciona como um filtro onde pode bloquear ou permitir que os sinais da dor sejam transmitidos para o cérebro. O fechamento deste portão pode ser conquistado através de massagens ou práticas de acupuntura e também pelo próprio cérebro através do envio de mensagens direcionadas a medula buscando explicar sobre o trabalho psicológico sobre a dor. É notado que ao distrair a atenção em outro foco, ocorre liberação de endorfinas e a dor pode ser diminuída, levando em conta os diferentes níveis de tolerância que cada um tem sobre a dor. Sendo assim, pode-se dizer que a dor atravessa as barreiras físicas no tocante que o cérebro pode criar a dor através da atividade cerebral e isso com ou sem interferência sensorial. Nota-se que a dor é um encontro entre corpo, parte física e mente parte psicológica. Assim como o tato, o sentido químico do paladar envolve quatro sensações básicas: o doce, o salgado, o amargo e o azedo. Na língua, há cerca de duzentos ou mais brotos gustativos operando em cada papila gustativa da língua que são somados a polos que capturam as propriedades químicas da comida. Levando-se em conta que a apreciação do paladar sofre alterações com perda de sensibilidade de acordo com a chegada da idade e com o ingerir de bebidas alcoólicas e cigarro. A experiência de vida e mesmo a questão genética afetam o gosto pelo o que ingerirmos e isso fica exemplificado, por exemplo, no fato do café ser apreciado e ao mesmo tempo evitado por tantas pessoas. A respiração é um sentido que funciona aos pares, exceto ao nascer e ao morrer. O olfato é interessante, pois cada um pode inalar ou não algo de alguém ou de quaisquer coisas e por isso mesmo constitui-se em uma experiência individual.

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Respirar é um sentido químico onde grupos de células receptoras localizadas no topo de cada cavidade nasal recebem as moléculas que veem carregadas pelo ar, com a missão de fazerem a seleção entre aromas, fumaças, fragrâncias, entre outros. Após isso, os receptores olfativos respondem com a emissão de alertas vindos do nosso cérebro através das fibras axonais. Os odores são reconhecidos individualmente e disparam combinação de receptores. Essa atividade é amparada pelo córtex olfativo. É interessante que nem todos os odores serão possíveis de serem descritos e em muitas situações, as palavras executarão esse papel com mais facilidade e clareza. Quando um indivíduo envelhece, sua capacidade entra em declínio. Os odores tem o poder de despertar memórias e sentimentos estando em linha direta com a área do cérebro responsável em receber as informações do olfato. Pessoas incapazes de sentir odores possuem anosmia. Mesmo com os cinco sentidos familiares ainda não se tornam possíveis certas coisas, como por exemplo, coordenar nosso movimento para levar alimento à boca ou mesmo para tocar em alguém. Para a realização de movimentos a princípio tidos como simples, torna-se necessário o trabalho de mais um sentido chamado sexto sentido. No corpo humano, existem milhares de sensores de posição e movimento que enviam informações para o cérebro. Este movimento que trata dos sentidos da posição das partes do corpo humano é a Cinestesia. Em paralelo ao sentido da Cinestesia, o sentido Vestibular ampara para que haja equilíbrio do corpo ao monitor a posição e o movimento da cabeça. Ao fazer quaisquer movimentos com o corpo, as substâncias que existem na cabeça também se movimentam. Se girar em torno de si mesmo e parar de repente, os líquidos que ficam nos canais semicirculares e nos receptores cinestésicos não perderão o movimento imediatamente, assim esse efeito tardio enviará ao cérebro a mensagem de que ainda existe movimento físico, que ainda está rodando. Ao falar de todos esses sentidos, pode-se verificar que nossas sensações e percepções trabalham em conjunto auxiliando a experienciar o mundo que cerca nossas vidas. Esse processo único é composto em traduzir o mundo em forma de mensagens neurais para que o cérebro possa reconhecer e essa tarefa é contemplada no processamento bottom-up. Após o cérebro receber essa tradução, acontece o processamento top-down que consiste em como a mente apura as experiências, pois mesmo é no cérebro que elas residem. Qual seria a influencia que a percepção envia à sensação ou a sensação à percepção? Nossas maneiras de

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observar um mesmo objeto se diferencia de acordo com cada experiência subjetiva

e por cada percepção de mundo que nossas sensações nos trazem. Retemos as

informações externas pelas sensações e é a partir daí que a percepção retém seu papel. Ela seleciona todos os nossos impulsos neurais que veem através dos nossos sentidos e começa a organizá-lo, interpretá-lo e dá um significado a todas as sensações humanas recebidas pelo ambiente externo. A percepção possui o

trabalho de atribuir significado a estímulos sensoriais a partir da experiência, ou seja, as sensações são criadas pela energia física do ambiente e são decodificados em impulsos neurais, estes impulsos levam as informações para a percepção que, por si só, organiza-os, interpreta-os a partir de algo já vivenciado pelo individuo e, então, dá-se um significado. Conscientemente, somente podemos ter uma percepção por vez, isso porque necessita-se de uma atenção maior para que esse processo consciente seja realizado, a percepção consciente exige atenção. Como exemplo, daremos a seguinte situação: uma rosa no meio de uma sala com duas pessoas exala seu perfume e ambas as pessoas o sentem, ou seja, em cada indivíduo houvera o processo sensorial onde os olfatos de ambas receberam a química em seus receptores nasais, o odor da flor é o mesmo para os dois indivíduos, portanto,

a sensação é a mesma. Entretanto, após codificar os sinais que vieram da flor, o

processo de percepção se inicia daí em diante não há mais nada em comum. Digamos que uma dessas pessoas nunca tivesse visto uma rosa nem sequer sentido o seu cheiro, e a outra pessoa cultivasse rosas em sua casa desde a infância, na hora em que a percepção de cada uma exercesse seu trabalho e procurasse dar um significado para aquele odor, a primeira pessoa em questão não saberia dizer do que se tratava aquilo, talvez um odor agradável que parecesse um perfume, mas ela jamais diria que era uma rosa. A segunda pessoa em questão já diria imediatamente que era uma rosa, e até mesmo descrevê-la desde como fora plantada até o momento em que fora retirada da plantação em que nascera. A partir disse podemos observar que o objeto da sensação é o mesmo, mas é a percepção que dá o significado subjetivo para cada um de nós. Por isso trabalham em conjunto com suas devidas funções diferentes. A percepção envolve muitas pesquisas, pois é um ponto crucial da capacidade humana e de como o cérebro age perante o modo como vemos, sentimos o mundo. A mente é quem desenvolve o ofício de transformar sensação em percepção, para isso entramos no conceito Gestalt, que seria a forma como o

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homem organiza essas sensações. Na Gestalt, o todo é maior que a soma das partes, isso significa que perante um objeto, nós captamos seu significado por tudo o que está composto nele, perante o que ele é em seu completo formato e perante nossa interpretação sobre ele, todavia se este mesmo objeto estiver divido em partes, não será mais o mesmo objeto como antes, mas sim partes de um objeto. Isso funciona na organização das sensações. Existem quatro princípios a serem avaliados quanto à percepção de objetos e formas: a tendência à estruturação, ou seja, a capacidade natural do ser humano de agrupar elementos próximos ou semelhantes; a segregação figura-fundo, ou seja, percepcionamos figuras saliente e definidas que estão em fundos indefinidos, não pode-se observar um objeto sem separá-lo de seu fundo; a pregnância ou boa forma que seria a qualidade de ter facilidade com o perceber das figuras simples, reguladas, definidas e simétricas, que são as boas formas; e a constância perceptiva que é a capacidade de reconhecer que os objetos continuam os mesmos, nem nenhuma alteração, independente do ângulo que se é visto, ainda que o objeto pareça pequeno estando longe, ele continua do seu tamanho original, o que muda é somente a distância em que o enxergamos. Embora exista esta diferença entre sensação e percepção, ambas se unem e se completam para fazer com que percebemos o mundo de nossa forma, estamos constantemente filtrando informações sensoriais e levando-as até a percepção através de seus meios para que tudo tenha um sentido para cada indivíduo. Os fundamentos da Gestalt que são explicações de como percebemos o mundo, nos ajuda a entender o processo, mas esta forma que somos levamos a interpretar a realidade, nem sempre é fidedigna. O cérebro constrói a percepção, ele possui a capacidade de nos dar sensações que não são dadas a nós pelo exterior, ele cria a percepção para que o indivíduo dê significado ao seu ambiente. Nossos olhos possuem todas as ferramentas necessárias para que o cérebro possa efetuar sua parte perante a percepção do indivíduo sobre o mundo. Temos indicadores monoculares em cada um dos olhos separadamente e indicadores binoculares em ambos, isso faz com que as imagens ligeiramente diferentes que são recebidas pela retina possam ser unidas pelo cérebro que assim criará a sensação tridimensional que ambas as imagens devem ter ou podem ter perante nossa percepção. Os indicadores monoculares ajudam a perceber o mundo em três dimensões ainda que fechemos um dos olhos. Isso se dá também porque existe o

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conhecimento de tamanho relativo, de interposição, de claridade relativa, de gradiente de textura, altura relativa, movimento relativo, perspectiva linear, e por fim, luz e sombra. Todas essas perspectivas fazem-nos perceber a profundidade ainda que com apenas um dos olhos. Importante destacar que, através de muito estudo foi possível considerar essas variáveis perceptivas e como se dão e por que se dão perante nossa percepção, Max Wertheimer (1880-1943) e Kurt Koffka (1886-1940) ajudam a desenvolver experimentos que provam que as formas de organização perceptiva são recebidas de forma individual e interpretadas com subjetividade, isso dentro da Gestalt. Hermann von Helmholtz (1821 – 1894), Gustav Theodor Fechner (1801 – 1887) e Ernst Heinrich Webe (1795 – 1878) também são nomes muito importantes no estudo da percepção antes mesmo da Gestalt, além das outras tantas influências que ajudaram ao que hoje estudamos e sabemos sobre as percepções humanas. As sensações e percepções trabalham juntas, mas o que mais as influenciam? Uma pessoa que está com fome recebe um sinal fisiológico logo em que sente o cheiro de uma comida, o que isso significa? Um outro indivíduo sai para jantar com seu parceiro(a), pede sua comida preferida, mas logo recebe a notícia do término do relacionamento e a partir daí a sua comida preferida tornou-se fonte de tristeza, pois sempre que a vê ou sente o seu odor relembra do momento em que terminara a relação, isso tem a ver com o que, afinal? Podemos confirmas que as emoções também trabalham em conjunto ás percepções e as sensações, e junto à elas existem as motivações que influenciam totalmente tanto na emoção quanto na percepção e na sensação. Importante destacar que todas elas exercem funções diferentes. Por que Renata passa tanto tempo no laboratório de biologia? Por que quase sempre Clementina está comendo? Por que João abandonou riqueza e “status”? As perguntas “por que” deste tipo geralmente são questões a respeito de motivação. Para os psicólogos, como David Myers (2006), a motivação é uma necessidade ou desejo que energiza o comportamento e o direciona para um objetivo. Ela pode ser abordada, destacando quatro motivos como a fome, sexo, pertencimento e realização no trabalho (Myers, David – 2006). Apresentaremos três perspectivas que se mostram influentes para entendermos a motivação:

A primeira que vamos falar é a dos Instintos e Psicologia Evolucionista, influenciada por Darwin. Muitos teóricos viam o comportamento sendo controlado

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por forças biológicas. Mas quando ficou claro que o processo era de nomear e não explicar o comportamento, essa abordagem foi destituída. Hoje, porém, a suposição básica de que os genes predispõem o comportamento típico da espécie permanece influente na Psicologia evolucionista até hoje. A segunda é a dos Impulsos e Incentivos, onde quase todas as necessidades fisiológicas criam estados psicológicos de excitação que nos impulsionam a reduzir ou satisfazer essas necessidades. A tendência auto-reguladora do corpo é conhecida como homeostase. Todas as vezes que os mecanismos automáticos no corpo não conseguem manter um estado de equilíbrio, diz-se que há uma necessidade. Supõe-se que é então ativado um impulso que faz com que as pessoas ajam para corrigir o desequilíbrio. Dependendo do que aprendemos, o cheiro de um perfume pode ser motivador ou não. A terceira é a Excitação, quando temos comportamentos motivados , aumentamos nossa excitação. As crianças se sentem estimuladas com um novo brinquedo, mas se o estímulo for grande pode lhes causar estresse. Algumas necessidades têm prioridades sobre as outras. Para Maslow (Myers, 2006), quando um conjunto de necessidades é satisfeito, um novo conjunto o substitui. Assim, em sua hierarquia, as necessidades são encaminhadas para cima através dos vários sistemas, começando com as necessidades fisiológicas depois de segurança, pertencimento, estima, e por final a de auto-realização. Todas as pessoas necessitam de alimentos para satisfação de suas necessidades diárias de energia e crescimento. Embora muito poucos organismos regulem conscientemente sua ingestão de alimento, a maioria consegue cosumir a quantidade precisa de alimento necessário. Isto se deve a influência entre a fisiologia e nossa aprendizagem. O hipotálamo regula a nossa fome e o peso corporal, mas a experiência cultural possui papel importante. A nutrição normal de algumas pessoas é interrompida por transtornos alimentares, como a anorexia, onde a pessoa fica obcecada em perder peso, não come e mesmo assim se enxerga gorda. Esse transtorno em geral se desenvolve na adolescência. Cerca de metade das mulheres que sofre de anorexia também sofre de bulimia. Sabe-se que muitas mães de meninas que sofrem desses transtornos são mulheres preocupadas com seu peso e sua aparência, e isto nos diz muito a respeito da sociedade em que vivemos, onde o

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corpo obedece a um padrão de beleza que é exaltado em revistas de moda e até em brinquedos infantis. Embora as pessoas não possam viver muito tempo sem alimento, elas podem facilmente sobreviver sem sexo. Se o fizessem, no entanto, a raça humana deixaria de existir. Como a fome, a excitação sexual depende da influência de fatores internos e externos. Estudos científicos podem demonstrar quatro estágios semelhantes entre homens e mulheres quanto à excitação e o orgasmo. Durante a fase de excitação, as áreas genitais se enchem de sangue, a fase de platô onde a excitação atinge o ponto máximo, o orgasmo, que são contrações musculares em todo corpo, fase de resolução em que o corpo volta ao estado de não excitação e, por final, o período refratário em que o homem pode ficar horas ou dias sem ter outro orgasmo. Alguns transtornos sexuais podem acontecer, no caso de homens pode ser a ejaculação precoce ou incapacidade ereção, em mulheres pode ser orgasmos frequentes ou ausentes. Sabe-se que estes transtornos podem ser superados com terapia de orientação comportamental. Os hormônios sexuais controlam o desenvolvimento das características sexuais masculinas e femininas e ativam o comportamento sexual. Os hormônios influenciam a excitação sexual por meio do hipotálamo que monitora os níveis de hormônios no sangue e ativa os circuitos neurais apropriados. Temos estímulos externos - que podem ser um filme erótico - e estímulos internos, como se lembrar de uma atividade sexual passada. No adolescente a maturação física cria uma dimensão sexual para sua identidade emergente. Como esse adolescente irá se comportar em relação ao sexo e a filhos antes do casamento vai depender de sua cultura. Alguns fatores apontaram que a falta de escolaridade, uso de bebida alcoólica, entre outras, contribuem para a gravidez na adolescência e também as doenças sexualmente transmissíveis (DST), pois seus sistemas biológicos ainda estão imaturos. Por outro lado, em adolescentes muito inteligentes e com influências religiosas, são mais centrados no futuro e adiam sua relação sexual. Quanto a orientação sexual, culturas variam em termos de atitude, mas a maioria é heterossexual. Alguns homossexuais lembram-se de ter preferência por brincar com o sexo oposto, mas a maioria relata não ter atração pelo mesmo sexo durante ou logo depois da puberdade.

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Os homossexuais sofrem muito preconceito na sociedade e estão buscando uma maneira de serem aceitos, pois se sabe que não é uma doença. Existem várias teorias a respeito de que maneira essa orientação sexual pode acontecer e a biologia tem feito mais descobertas a esse respeito. Mas o que realmente sabemos é que devemos respeitar a orientação de cada um, porque a beleza do ser humano encontra-se na diferença. A Percepção e a sensação estão estreitamente ligadas à Motivação, na verdade, cada sujeito organiza muito do seu paradigma perceptivo em torno das suas próprias necessidades, interesses e modelação socio-cultural. As sensações que recebemos do mundo exterior podem ser mais intensas de acordo com o que nosso organismo necessidade no momento, a cor do suco (visão) ou o cheiro da laranja (olfato) quando se está com sede (processo motivacional) pode parecer mais intensa e mais chamativa. E todos estes processos são influenciados pela emoção. Algumas pessoas não sentem fome quando estão tristes, suas motivações são baixas mesmo diante de uma sensação que o faça aumentar a motivação e tudo o que os sentidos lhe proporcionam levam a percepções tristes, nada consegue satisfazê-la. Isso tudo nos leva a última teoria que envolve esses quatro processos que exercem seus ofícios juntos a favor do ser humano. A emoção é complexa, é uma condição que surge em resposta a eventos e experiências com caráter afetivo que são desencadeadas do exterior. Quando nos referimos à emoção, não podemos deixar de citar suas reações cognitivas, comportamentais e fisiológicas, essas reações ao se tratar de qualquer emoção intensa, seguem de pelo menos seis componentes (Atkinson,2002): o estado afetivo, ou seja, o sentimento que está associado à emoção sentida; respostas corporais principalmente àquelas que envolvem o sistema nervoso; cognição, ou seja, pensamento, lembrança, memórias de situações associadas à emoção sentida; a expressão facial; reações gerais à emoção como, por exemplo, o que desencadeia no organismo quando se tem um pensamento muito negativo; tendências de ação, por exemplo, a raiva pode trazer a agressão. Todos estes fatores são de importantes quando se refere ao estudo da emoção, muitos teóricos acreditam nos componentes da emoção e que todos eles exercem influências de uns sobre os outros. Entre todas as espécies de emoções que nosso organismo no geral é capaz de

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presenciar, sentir e demonstrar, a raiva, a felicidade, o amor e o medo, são constantemente estudados. A partir do senso comum, temos a inclinação de reconhecer que a consciência vem antes da atividade fisiológica, ou seja, sorrimos por que estamos felizes e estávamos felizes primeiro para que depois sorríssemos, segundo a teoria James-Lange (Myers, 2006) que fora estudada por William James (1842 – 1910) e por Carl Lange (1834 – 1900), isso não segue uma perspectiva correta. Entre três teorias clássicas sobre a emoção, a teoria de James-Lange confirma que primeiro existe a resposta fisiológica e depois o sentimento, a resposta corporal é que desencadeia o sentir, ou seja, estamos tristes porque choramos e estamos felizes porque sorrimos (Myers, 2006). Entretanto, o estudioso psicólogo Walter Cannon (1871 -1943) considerou o ponto de vista da teoria de James e Carl incorreta, pois muitos sentimentos exprimem as mesmas reações fisiológicas, pois não são distintos o suficiente para demonstrar reações diferenciadas, a paixão faz com que o coração acelere, o medo e a raiva causam a mesma reação. Segundo o teórico Cannon junto com outro teórico Philip Bard (1898 – 1977), as experiências emocionais ocorrem ao mesmo tempo das reações fisiológicas. “O estímulo que dispara a emoção é encaminhado simultaneamente para o córtex cerebral, causando a consciência da emoção, e para o sistema nervoso simpático, causando a excitação corporal.” (Myers - 2006). Esse processo envolve a cognição e as maiorias dos teóricos consideram significativamente o fator cognitivo nos processos emocionais, fisiológicos e comportamentais. Na teoria de Stanley Schachter (1922 – 1997), existem dois fatores da emoção onde a mesma possui dois componentes:

excitação física e rótulo cognitivo. Muitos psicólogos acreditam que a cognição (memórias, interpretações e percepções) é um componente essencial da emoção. Schachter também demonstra que, assim como a teoria de James-Lange dizia, a emoção torna-se existente a partir da consciência vinda da resposta corporal, entretanto, Schachter também acreditava, assim como Cannon-Bard, que as emoções eram fisiologicamente semelhantes, a partir disso, uma experiência emocional exige uma interpretação consciente da excitação (Myers, 2006). Existe a questão muito ponderada sobre a cognição deve preceder ou não a emoção, segundo o professor e psicólogo Robert Zajonc (Myers, 2006) as reações emocionais podem ser mais rápidas que a interpretação subjetiva do indivíduo em dada situação, ou seja, pode-se sentir a emoção antes de pensar. As pesquisamos

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sobre a emoção partidas da visão dos processos neurológicos demonstra como existe a possibilidade de experienciar a emoção antes da cognição, visto que algumas vias neurais envolvidas na emoção não passam pelas áreas corticais envolvidas no pensamento e a resposta é rápida ao ponto de deixar o indivíduo alheio ao que aparenta. Então, Zajonc afirma que algumas de nossas respostas emocionais não estão ligadas ao pensamento deliberado, e a cognição nem sempre é necessária à emoção. Em contrapartida, surge um estudioso também partido do princípio da emoção Richard Lazarus afirma que o cérebro processa e reage a uma quantidade demasiada de informações sem a necessidade de o indivíduo estar consciente, todavia, mesmo estas emoções que são sentidas simultaneamente ou automaticamente necessitam de uma avaliação cognitiva, pois se não a tivesse, não poderia se saber ao que se está reagindo. Dentre as emoções, por exemplo, o de gostar e o medo não possuem pensamento consciente, a amor, ódio e depressão são muito afetados pelas interpretações, memórias e cognição no geral. A emoção envolve o corpo, as reações fisiológicas são claras e muitas vezes de intensidade genuína, estas emoções são expressas fisiologicamente, mas estão acontecendo de forma psicológica a todo o momento. Assim como afirmou Cannon- Bard e posteriormente Schachter, algumas reações fisiológicas como transpiração, respiração ofegante e frequência cardíaca são muito difíceis de discernir entre raiva, medo e excitação sexual, porém, mesmo produzindo uma excitação semelhante, são sentidos de maneira diferente e são percebidos de maneiras diferentes para as pessoas. Somente algumas vezes é possível diferenciar indicadores fisiológicos de emoções específicas como o sorrir e o entristecer, os lábios posicionam-se de maneiras diferentes dando expressões diferentes. Estas respostas físicas que acompanham a emoção, o sorrir ou o chorar, por exemplo, são consideradas inatas e também universais. O corpo usualmente expressa emoções sentidas pelos indivíduos, seja através da face ou até mesmo o tom de voz, a comunicação verbal é existente e importante para expressão emoções e sentimentos como, por exemplo, um “olhar do apaixonado”. Algumas comunicações não-verbais são mais sensíveis que outras, ou seja, mais fáceis de detectar, algumas pessoas conseguem detectar emoções mais rapidamente e com mais facilidade que outras, os introvertidos, por exemplo, têm mais facilidade em ler emoções alheias; os extrovertidos não. Robert Rosenthal e Judith Hall, citado por Myers, 2006, relatavam e confirmavam a ideia da capacidade

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e introvertidos captarem mais emoções alheias e além do estudo envolver somente

extrovertidos e introvertidos, Hall afirma que mulheres em geral superam os homens, porque são mais hábeis em detectar pistas emocionais, uma sensibilidade não verbal as envolve e uma pesquisa feita com mais de vinte e três mil mulheres de aproximadamente vinte e seis culturas diferentes relataram ter sentimentos mais abertos e dar uma importância maior a emoção e, quando entrevistadas, as mulheres consideravam uma probabilidade maior de serem empáticas (Myers, 2006). É provável que o gênero e o que envolve isso durante o desenvolvimento, ou seja, as experiências e o que é ensinado desde a infância, possam explicar essa percepção emocional das mulheres. Embora seja natural e saudável sentir emoções tendo reações comportamentais existem pessoas que tentam suprimir estas emoções e isto não é saudável, pois diminui a memória e dá-se um maior gasto de energia mental. Em suma, sabemos que a emoção é muito importante para a saúde e também para as culturas que envolvem o mundo, muitas expressões são diferentes, mas muitas outras são universais como as expressões de crianças e inclusive as crianças cegas que nunca viram uma expressão, possuem suas expressões como as de crianças não cegas, ou seja, expressões faciais como a alegria ou a raiva são inatas aos seres humanos. Darwin mostra em suas pesquisas que na época pré-

histórica antes da linguagem verbal, o que ajudava a sobrevivência era a expressão,

a demonstração de ameaça, submissão etc. As expressões faciais que veem junto

as emoções fisiológicas, cognitivas e comportamentos expressos também amplificam e regulam as emoções de forma a fazerem o corpo responder de acordo aos sinais do organismo sobre determinada emoção, algumas pessoas que são submetidas a fazerem expressões de raiva, por exemplo, dizem sentir raiva ao fazê-

lo. As emoções são uma parte muito importante do fenômeno humano e o que se sabe sobre ela não é suficiente, existem muitas teorias em desenvolvimento recente sobre as emoções e suas consequências no geral, todas estas são importantes para

o saber sobre a emoção humana que em conjunto aos demais processos, tornam o ser humano da forma que é.

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4. METODOLOGIA

Em busca de um possível melhor resultado, buscamos instituições reconhecidas para a realização de todas as entrevistas, solicitando sempre a autorização da diretoria da unidade para continuidade das entrevistas. As entrevistas foram efetuadas em ambiente disponível das instituições as quais colaboraram, sendo estes ambientes o mais neutros possível em matéria de interferência sensorial. A média de idade dos entrevistados pairou entre 20 e 50 anos, sendo quatro mulheres e cinco homens, todos aparentemente de classe média, sendo os indivíduos o mais representativos quanto possível da fatia social a que se pretendeu atingir e coletar resultados. Na primeira atividade, os instrumentos utilizados foram uma folha de papel sulfite com a imagem impressa do plugue e uma página em branco e caneta para anotar as respostas obtidas, ao tempo médio de 10 minutos para realizar cada entrevista. Com os instrumentos em mãos, apresentamos a imagem do plugue ao observador e tomamos nota de suas reações, postulando que não se tratava de qualquer tipo de teste de inteligência e questionando o que era visualizado pelos mesmos em diversos angulos, sempre tomando nota de suas reações e respostas. E, na segunda atividade, os instrumentos utilizados constituíram-se de laptop de propriedade de uma das integrantes, o vídeo contendo a reação de uma menina ao saber que vai para a Disney – retirado do site de vídeos Youtube e exibido no software de reprodução de vídeos Media Player Classic, uma caneta e folha de papel em branco para anotação das respostas apresentadas, levando de 10 a 15 minutos em cada entrevista. Ao inicio da atividade foi solicitado aos participantes que visualizassem o vídeo em questão, enquanto as participantes tomaram nota de suas expressões ao longo da reprodução do vídeo. No final da exibição questionou- se aos colaboradores sua forma de percepção das emoções dos indivíduos no dia a dia (analise do comportamento, aspecto cognitivo ou fisiológico), se acreditavam que seu estado emocional no momento poderia inferir na percepção das emoções a seu redor, como observaram as reações apresentadas enquanto assistiam ao vídeo e como se sentiam ao final da exibição. Seguindo uma mesma ordem nas perguntas e tomando nota das reações e respostas apresentadas.

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1º BIMESTRE

5. ENTREVISTAS

Entrevistadora: Maria Claudia Stefanini de Souza Figura observada: PLUG Data da observação: 19/09/2012 (manhã) Instituição: CEIVI Pessoa do sexo feminino com idade estimada entre 20 e 30 anos.

A observadora ao olhar a figura detectou uma tomada e uma água-viva. Disse que foi de fácil visualização, imediata e nesta sequência. Logo após, foi observado um espaço denominado por ela como sendo um coreto. Ela disse que na verdade teria outro nome que gostaria de usar para identificar, mas somente a palavra coreto veio á sua mente no momento. Informou que esse espaço seria pequeno e foi visto por ela em um filme podendo ser associado como pertencente a um castelo, porém não necessariamente somente a um castelo. Até então, ela não visualizava mais nada. Mas, ao descobrir a parte redonda da figura com uma folha branca, a colaboradora observou com êxito a forma em letra “E” após aproximadamente dois minutos. Ela explicou ter dificuldade em identificar a letra, pois estava focando somente na cor preta, mas a partir do momento que incluiu a cor branca, a visualização ficou clara. A última figura observada foi descrita como sendo uma entrada em um buraco negro. Chegou-se na conclusão desta imagem ao cobrir com uma folha a parte branca e preta da figura. A observadora disse que relacionou esta imagem a um desenho animado, porém não comentou em que época e/ou idade que tinha quando assistiu o desenho. As observações foram realizadas observando sempre a mesma figura em ângulos diferentes.

Entrevistadora: Sara Melissa Azevedo Melo Figura observada: PLUG Data da observação: 21/09/2012 (tarde) Instituição: Veramar – Serviços Contábeis

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Pessoa do sexo masculino com idade estimada entre 20 e 30 anos.

O colaborador da entrevista notou em primeira instância a figura do PLUG, proferiu que existia uma obviedade na imagem e se somente isso era preciso observar. Fora questionado se observava alguma outra imagem, o colaborador disse da existência da letra “E”, imediatamente disse haver uma letra “D” também. Cerca de um minuto e meio, o colaborador observou todas as figuras e não notou nada além do que esperávamos que percebesse. Durante a entrevista ele questionou várias vezes se era um teste (embora tenha sido claro desde o início de que não era teste psicológico ou derivado disso), ele parecia tranquilo, e observou a imagem apenas no ângulo horizontal.

Entrevistadora: Fernanda Gramostin Figura observada: Plug Data da observação:19/09/2012 Instituição: Casa da Criança Paralítica Pessoa do sexo Feminino com idade estimada entre 30 e 40 anos

Quando fui iniciar a observação informei que não era uma pesquisa, e que só pediria para que a pessoa me informasse que imagem ela conseguiria identificar na folha que apresentei. A primeira identificação foi a de um plug de tomada, depois virou a folha de cabeça para baixo e disse ter visto um elefante de costas. Pedi para que ela continuasse e me informasse se enxergava mais alguma figura e esta me disse que não. Então a ajudei a identificar a letra E, pedindo que só olhasse a parte branca, só assim conseguiu enxergar a letra. Perguntei o que a influenciou a ver a imagem do plug e ela me disse que se lembrou do plug que tem em sua casa devido a sua cor preta.

Entrevistadora: Gabriela Godoy Figura observada: PLUG Data da observação: 19/09/2012 (tarde) Instituição: Casa da Criança Paralítica

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Pessoa do sexo feminino com idade estimada entre 30 e 40 anos.

Inicialmente a observadora descreveu uma tomada e uma oca de índios. Após questionar se não havia mais nada e observar a figura de diversos ângulos, foi coberta a parte da área branca e a observadora relatou avistar a letra “E”, após virar a imagem mais uma vez detectou também uma letra “C”, porém, não notou o “D” no contraste. Durante toda a atividade se mostrou prestativa e questionou se havia mais alguma figura. Disse que o formato de plug de tomada influenciou sua percepção. As observações foram realizadas observando sempre a mesma figura em ângulos diferentes.

Entrevistadora: Giseli Jancoski Figura observada: PLUG Data da observação: 27/09/2012 (tarde) Instituição: Ciretran Pessoa do sexo masculino com idade estimada entre 25 e 30 anos.

O observador detectou primeiramente um plug de tomada e “1 up” (o colaborador disse ser a “vida” do personagem principal do vídeo game “Mario Bros”). Seguiu olhando a imagem de diversos ângulos e perspectivas sob um olhar curioso. Após cerca de 30 segundos relatou uma letra “E” na parte branca e um “D” na parte escura. Assimilou rapidamente as imagens e, por fim, disse observar também um quiosque. Afirmou que o contraste entre preto e branco influenciou na percepção dessas figuras e o fez perceber a semelhança com seus itens cotidianos.

2º BIMESTRE

Entrevistadora: Maria Claudia Stefanini de Souza Vídeo observado: Reação de uma criança ao saber que vai pra Disney Data da observação: 06/11/2012 Instituição: 1ª Companhia do 48º Batalhão de Policia Militar do Interior Pessoa do sexo masculino com idade estimada entre 40 e 50 anos.

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O observador mostrou-se interessado durante a exibição do vídeo, rindo ao ver as expressões e falas da menina enquanto recebia os presentes e depois quando a mesma começou a chorar. Quando questionado sobre como reconhecia emoções em outras pessoas, o observador demonstrou uma feição pensativa e respondeu observar os aspectos fisiológicos para embasar sua resposta. Acredita que o modo como se sente no momento pode interferir em sua percepção das emoções alheias. Afirmou sentir surpresa e comoção ao assistir o vídeo, pois a menina evidenciou bastante as emoções e algumas reações foram inesperadas.

Entrevistadora: Sara Melissa Azevedo Melo Vídeo observado: Reação de uma criança ao saber que vai pra Disney Data da observação: 06/11/2011 Instituição: 1ª Companhia do 48º Batalhão de Policia Militar do Interior Pessoa do sexo feminino com idade estimada entre 40 e 50 anos.

A colaboradora observou desconfiadamente o vídeo, mantendo-se impassível durante toda a exibição. Imediatamente após a exibição demonstrou indignação, afirmando que a criança era manipulada pela mãe, e disse não reconhecer emoções verdadeiras na menina. Quando questionada sobre sua forma de analisar as emoções em outras pessoas, relatou que apenas o aspecto fisiológico lhe basta, observando atentamente o olhar e, retirando daí, sua percepção. Reafirmou sua opinião sobre a criança dizendo que a menina apenas foi guiada pelas emoções que a mãe estava manipulando e não vê sentido na situação, já que a menina se encontrava mexendo num computador e após a mãe chama-la, subitamente se emocionou com os presentes. A observadora relatou não ter sentido emoções relevantes durante o vídeo.

Entrevistadora: Fernanda Gramostin

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Vídeo observado: Reação de uma criança ao saber que vai pra Disney Data da observação: 06/11/2011 Instituição: 1ª Companhia do 48º Batalhão de Policia Militar do Interior Pessoa do sexo masculino com idade estimada entre 30 e 40 anos

Inicialmente, o observador mostrou-se desconfiado com a atividade, acreditando ser um teste de sua inteligência, porém, após os primeiros 30 segundos de vídeo, houve uma melhora perceptível em suas feições e o colaborador passou a sorrir com as situações vividas por Lily no vídeo. Quando questionei sobre sua maneira de distinguir as emoções alheias, voltou a demonstrar desconfiança e, após pensar um pouco, disse observar atentamente a fisionomia das pessoas para compreender suas emoções. Concordou que seu estado emocional pode interferir em sua análise do estado emocional das pessoas ao seu redor. Relatou sentir surpresa durante a exibição do vídeo, que depois tornou-se felicidade após ver a alegria representada pela menina.

Entrevistadora: Gabriela Godoy Vídeo observado: Reação de uma criança ao saber que vai pra Disney Data da observação: 06/11/2011 Instituição: 1ª Companhia do 48º Batalhão de Policia Militar do Interior Pessoa do sexo masculino com idade estimada entre 25 e 30 anos.

O colaborador observou pacientemente o vídeo exibido, rindo e demonstrando-se bem emocionado em alguns momentos. Ao questionar sua forma de percepção das emoções, declarou analisar os aspectos comportamentais e fisiológicos – como a forma de gesticular, e o contexto inserido na situação. Ao ser indagado se seu estado emocional poderia alterar sua forma de perceber emoções em outras pessoas, pensou por alguns instantes antes de responder positivamente. Relatou sentir-se muito emocionado durante a exibição do vídeo, pois, em suas palavras: “É sempre bom ver criança feliz”. E descreveu as emoções da menina como um nível crescente de felicidade ao ganhar cada objeto da marca Disney levando ao ápice de sua felicidade, que culminou em um choro de felicidade. O observador mostrou-se contente ao final da entrevista.

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6. RESULTADOS

Durante a realização da primeira atividade pudemos notar respostas amplas e divergentes. Lembrando que a atividade foi realizada com colaboradores na faixa etária entre 20 e 40 anos, sendo três mulheres e dois homens. Todos relataram visualizar a figura do plugue, sendo que apenas um não conseguiu localizar nenhuma das letras “E” e “D” de fundo. Fora do esperado, os entrevistados relataram objetos e animais diversos, como água-viva, quiosque, buraco negro, elefante e personagens de jogos de videogames, detectados por senso-comum ou memórias dos participantes e sempre observando a figura em variados ângulos e perspectivas. Na segunda atividade observamos que três dos entrevistados relataram sentir emoções positivas – como alegria, surpresa e emoção – sorrindo e demonstrando interesse durante a exibição do vídeo, enquanto apenas um relatou não sentir nada positivo e manteve-se impassível ao observar as cenas, relatando observar manipulação e falta de emoções reais na menina. Os quatro entrevistados responderam basear-se no aspecto fisiológico, observando feições do rosto e olhares, e um relatou observar o comportamento e o contexto em que a situação está inserida. Todos concordaram que o próprio estado emocional pode inferir em suas percepções emocionais sobre outras pessoas. Em geral, todos os entrevistados mostraram-se prestativos ao convite de realização das atividades e, em ambas as atividades nós nos deparamos com resultados além do esperado ao inicio das entrevistas, ressaltando que, de um único objeto, sempre podemos obter diferentes pontos de vista de um grupo de indivíduos.

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7. DISCUSSÃO

Na atividade de observação da figura plug, houve envolvimento do processamento inferior ou bottom-up no momento de recepção da imagem e de suas propriedades e bem como do processamento superior ou top-down na elaboração e devolutiva em forma de percepção. A percepção contemplando o processo de receber, reter e direcionar significado sobre os estímulos recebidos deriva de experiências anteriores com o êxito suficiente em fornecer significados esperados e não esperados em relação á imagem mostrada. Tal fato ficou demonstrado no momento em que uma colaboradora ao ver a figura do plug, disse que a imagem a remetia a um coreto ao qual havia visto em um desenho. Neste momento observa-se a emoção interagir com a parte fisiológica pelo fato da colaboradora pegar a folha com a figura em suas mãos a retirando de cima da mesa. Esta cena não se repetiu no decorrer das demais figuras relatadas por ela. Na emoção, observa-se que foi positiva devido ao sorriso esboçado por ela ao explicar com mais detalhes do que em relação às demais figuras observadas e também pela proximidade que essas informações foram colhidas com a colaboradora. Imagina-se que se a mesma figura for mostrada a mesma colaboradora daqui algum tempo, pode ser que a emoção e mesmo seu ponto de vista a faça ver a figura de forma diferente. Na segunda atividade que consistia em mostrar aos colaboradores o vídeo sobre uma menina que recebe a notícia da viagem à Disneylândia, foi utilizado para observar sentimentos de motivação e emoção. Dentre os colaboradores, notam-se variações de motivação e emoção a partir de que nem todos mantiveram o mesmo comportamento de interesse e nem todos se emocionaram e foi observado prevalecimento da individualidade ao assistir ao mesmo vídeo. Em relação à menina do vídeo, foi notado que ao receber a notícia da viagem ela a todo o momento para os pais como se precisasse confirmar se a sensação que ela experienciava era real e demonstrava que sua percepção ainda parecia confusa, como se não estivesse certa se estava processado a informação corretamente. Ainda sobre o comportamento de motivação fica a dúvida se ela realmente ficou surpresa ou se foi meio influenciada pela família e pela própria situação, pois como

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uma criança poderia dizer não a um passeio que envolve sua família e o qual grande parte das crianças de sua idade tem o desejo de fazer. Percebe-se também que a parte fisiológica e a parte emocional agiram em conjunto, dado o momento em que ao mesmo tempo em que pulava e se agitava também chorava. Pode-se concluir que os sentimentos de sensação, percepção, motivação e emoção estão interligados e acontecem meio que simultaneamente ou distanciados minimamente talvez pelo tempo de frações de segundos. Observar e analisar as emoções nas outras pessoas não se trata de tarefa fácil, sendo necessário desenvolver um pensamento sistêmico para que informações relevantes não passem despercebidas, afinal nossas emoções podem nos animar ou não.

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8. CONCLUSÃO

O contato com os colaboradores foi engrandecedor para o grupo pois, além dos vários sentimentos envolvidos no momento das entrevistas, pudemos observar a individualidade de cada sujeito ao serem colocados nas mesmas situações e apresentando opiniões tão diferentes, remetendo a importância das várias Psicologias para o atendimento a cada um em suas necessidades bem como a nossa convivência enquanto seres humanos com toda essa diversidade. Nas entrevistas foi notado que os sentimentos de sensação, percepção, motivação e emoção aparecem quase que simultaneamente nas pessoas e ao mesmo tempo também das reações fisiológicas, denotando a complexidade do ser humano e da necessidade de pensamentos sistêmicos, tudo de forma bem estruturados para que nenhuma informação relevante se perca. O fato de cada um

colher as informações sobre a figura e também sobre o vídeo e as transmitindo para

o cérebro que consequentemente retêm-nas, percebê-nas e faz a devolutiva junto à lembrança que aquilo trás para o indivíduo, lembrança esta que motiva o comportamento daquele momento e a emoção traduzida no semblante e nas descrições por mais simples que sejam. Gostaríamos de pontuar também sobre a importância em analisar e dar tratamento adequado às emoções das pessoas, buscando por ouvi-las com atenção

a fim de chegar mais perto e para que elas saibam que também há alguém por

perto, pois muitas vezes o que elas precisam é serem ouvidas e entendidas através

de todas as suas características não só as quais nós colocamos aqui, mas em todo

o seu complexo humano.

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9. REFERÊNCIAS

MYERS, David G. Psicologia, 7ª edição. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2006. ATKINSON, Rita L. Introdução à Psicologia, 13ª edição. São Paulo: Editora Artmed, 2002.

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10. ANEXOS

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