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Projeto de Iniciação Científica

SILVIA HELENA SÉRVULO DA CUNHA


Turismo 2º ano noturno Campus MBII

Relatório Final do Projeto de Iniciação Científica

Projeto “Megaeventos
Desportivos e Renovação
Urbana como Fatores de
Indução ao Desenvolvimento
Turístico”

Professora Coordenadora:
Agnes Fernandes

São Paulo-SP
2009
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SUMÁRIO

1- Introdução...............................................................................................03

2- Referencial Teórico.................................................................................04

3- Atividades Desenvolvidas.......................................................................06

4- Estudo de Caso.......................................................................................06

5- O Caso Brasileiro....................................................................................09

6- Considerações Finais..............................................................................13

7- Referências Bibliográficas.......................................................................20

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1) INTRODUÇÃO

Este é o projeto da parte referente ao tema “Renovação Urbana”, tema


que será visto principalmente sobre o prisma dos impactos, tanto positivos
como negativos, que inevitavelmente são causados pelos Megaeventos
Desportivos nas relações urbanas.

Neste tema está sendo pesquisado, além destes impactos causados e


conseqüente mudança nas relações urbanas, a atuação do Poder Público nas
situações de pré, trans, e pós-evento, que acredita-se ser determinante quanto
aos resultados.

Para tanto está sendo avaliado material referente aos Jogos Olímpicos
(maior Evento do Planeta), principalmente sobre os Jogos de 1992 em
Barcelona, considerado uma marca divisória na concepção, elaboração e
execução de um Megaevento Desportivo, principalmente no que se refere a
Renovação Urbana e Sustentabilidade, e também material referente aos Jogos
Panamericanos de 2007 (que aconteceram na cidade do Rio de Janeiro),
principalmente em relação as transformações na Estrutura e Relações
Urbanas, que se faz necessário para uma correta avaliação sobre a atuação do
Poder Público Brasileiro, para posterior apontamento de correções de conduta
necessárias.

Em relação a experiência Olímpica, pode-se encontrar um vasto


material, principalmente em inglês e espanhol, mas em relação a experiência
Nacional que se limita, até o momento, aos Jogos Panamericanos do Rio de
Janeiro de 2007, pouco, material acadêmico foi encontrado até o momento,
estando assim a análise limitada a documentos e declarações oficiais, que
contam um lado da história: o da atuação positiva do Poder Público, omitindo
os erros e fracassos, e artigos sobre os quais não se pode afirmar que não
sejam igualmente tendenciosos.

Também devemos notar que nenhum material com um tema desta


abrangência foi encontrado.

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E por ultimo, foi devidamente observado que o Brasil já sediou uma
Copa do Mundo de Futebol de 1.950, e um Jogos Panamericanos em São
Paulo em 1963, mas as relações sociais, políticas, econômicas e culturais
urbanas eram diferentes nesta época, motivo pelo qual não se considerou
relevante o estudo destes modelos para a atual pesquisa.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

Consenso entre todos os textos sobre “Mega eventos”, é que são de


curta duração, mas com uma repercussão a longo prazo, com grandes
impactos sobre as estruturas e relações na localidade na qual são realizados,
causando impactos tanto negativos quanto positivos. (Luiz Gustavo Medeiros
Barbosa, 2003 - Jogos Pan-Americanos 2007 – Compreensão dos impactos a
busca de uma estratégia para maximizar os benefícios), (Katia Rubio, 2005 –
Os Jogos Olímpicos e a transformação das Cidades: os custos sociais de um
megaevento), (Marlene Matias, 2007 – Os efeitos dos mega eventos esportivos
nas cidades).

A possibilidade que a grande visibilidade proporcionada pela realização


de um mega evento trás, atrai a candidatura de muitas localidades com
interesse em desenvolver e fomentar o turismo local. Segundo Rubio (2005)
citando García (2004), este é o principal argumento utilizado pelas cidades
postulantes a um evento deste porte, com perspectivas das melhoras
estruturais como rede de transporte, moradia, instalações esportivas e novos
postos de trabalho, o que vem de “carona” com esta projeção, e aumento de
fluxo turístico mantido após o evento.

Segundo David Harvey, em seu livro “A Produção Capitalista do Espaço”


(2001), mudou a estrutura das relações entre as Cidades e o Estado; Por
consequência das questões econômicas, existe a necessidade crescente das
Cidades de tomarem as “rédeas” do seu desenvolvimento através de uma
atitude empreendedora inovadora, o que vem acontecendo a partir da década

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de 1970, principalmente sob as condições das relações sociais capitalistas e da
acumulação de capitais. “... a competição dentro da divisão internacional do
trabalho significa a criação da exploração de vantagens específicas para a
produção de bens e serviços. Certas vantagens derivam da base de recursos...
Mas outras vantagens se criam através dos investimentos públicos e privados
nas infra-estruturas físicas e sociais que fortalecem a base econômica da
região metropolitana como exportadora de bens e serviços”.
Harvey fala também, citando Reis e Lambert (1985), da inevitabilidade
de que , mesmo se buscando o bem comum e obtendo-se sucesso nesta
empreitada, sacrifícios são necessários, pois a região urbana precisa garantir
vantagens competitivas para manter o seu desenvolvimento como um todo.
Neste contexto, identifica-se a utilização de modelos de sucesso na
reestruturação urbana, sendo Barcelona, com realização dos Jogos Olímpicos
de 1992, um modelo seguido por inúmeras localidades, como no caso do
Brasil, entre outros, o exemplo da cidade de Belo Horizonte (Danick Mirielle,
Fabiana Ribeiro, Juliana Oliveira, Sérgio Nunes, 2007 - Tradição e
desenvolvimento de uma grande Metrópole - O planejamento, as
potencialidades sociais, econômicas e turísticas e o “Modelo Barcelona”).
A Cidade do Rio de Janeiro sediou em 2007 os “Jogos Panamericanos”,
tomando também como modelo o já citado acima projeto bem sucedido da
Cidade de Barcelona na Espanha, e o segue também para a realização dos
“Jogos Olímpicos de 2016”, tendo sido escolhida por votação e conseqüente
definição do Comitê Olímpico Internacional em 02/10/2009. Isto nos faz refletir
sobre o legado deixado pelos primeiros, e o potencial para a realização do
segundo, com benefícios para a sociedade, não só a carioca como a brasileira
em geral, e a minimização dos impactos negativos.
Também teremos no País a realização da Copa do Mundo de Futebol
em 2014, que acontecerá em várias cidades brasileiras, mas quanto a estes
eventos que ocorreram e estão por ocorrer no Brasil, como já foi dito o material
encontrado foi muito pouco, restrito ao fornecido oficialmente pelo Ministério do
Turismo, comitês organizadores, reportagens e palestras.

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3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Nesta primeira etapa foram desenvolvidas atividades de pesquisa em


biblioteca, pesquisa em internet a textos acadêmicos, relatórios oficiais e
artigos publicados, leitura e anotação sobre os textos, reuniões com o grupo de
pesquisa com os colegas integrantes do grupo do Projeto e com a professora
coordenadora deste, participação do ciclo de palestras do Núcleo do
Conhecimento do Salão do Turismo em São Paulo (Grandes Eventos
Esportivos e o marketing de destinos turísticos, Criatividade em eventos
esportivos e produtos turísticos, A Atividade Turística em Unidades de
Conservação Ambiental, Marca Brasil, Promoção Internacional e Captação de
Eventos Internacionais, Copa do Mundo 2014 - infra-estrutura turística,
Desafios da Copa 2014 e a Promoção dos Destinos Turísticos), e início da
participação no curso de Metodologia Científica do Nead.

4. ESTUDO DE CASO

Para se entender a história de sucesso do Projeto dos Jogos Olímpico


de Barcelona, que no estudo de caso em questão não está diretamente ligado
ao resultado esportivo dos Jogos, mas sim relacionado a sustentabilidade das
relações sociais, culturais, econômicas e estruturais urbanas da cidade, é
necessário se compreender seu processo histórico recente.

Nos anos 80, Barcelona iniciou um resgate a suas tradições: festas


foram recuperadas e reinventadas, atividades culturais foram profundamente
incentivadas, enfim, sua identidade recuperada em consequência de políticas
públicas que vem sendo adotadas nos aproximados últimos 30 anos.
Danick Mirielle, Fabiana Ribeiro, Juliana Oliveira, Sérgio Nunes (2007):
“Nos anos 90 o plano estratégico prioriza os aspectos econômicos – um maior
incentivo ao setor de serviços e o estímulo ao turismo. Várias intervenções no
6
espaço público em virtude das Olimpíadas em 1992 que deram uma dimensão
simbólica para a população local, as atividades culturais são auto-sustentáveis
e vistas como atração turística para a cidade, que implicaram em diversas
intervenções e na construção do Port Olimpic na área de Parc de Mar. Criação
de museus nos padrões internacionais, universidades, centros de cultura. A
cultura é vista como geradora de riqueza, fator de coesão social e elemento de
promoção internacional, transformando sua riqueza cultural, ponto crucial na
formação da identidade individual e coletiva em valor de troca”.

Barcelona ‘92

Dentro deste contexto, o projeto dos Jogos Olímpicos de Barcelona,


segundo Golden Goal Sports Ventures Ltda, citando Soldberg & Preuss
(2007), realizou-se com aproximadamente 70% de financiamento público e
30% vindo da iniciativa privada.

“ “Se os Jogos não existissem, os teríamos inventado”, costumava dizer


o ex-Prefeito de Barcelona, Pasqual Maragall para referir-se aos Jogos
Olímpicos de 92 como uma “desculpa” para o ambicioso projeto de renovação
urbana nos anos 80 e 90. A cidade investiu vultosas quantias e implementou
projetos urbanísticos de grande envergadura, redefinindo centralidades e
constituindo verdadeiros marcos na evolução urbana”. BARROS e PICINATTO
(2006).

Uma das coisas que mudou no padrão de Jogos anteriores foi a


destinação da Vila Olímpica, nesta edição atraindo segmentos das classes
médias e altas para sua moradia, e não mais ao uso popular. “A Cidade foi
literalmente “reconstruída” a prazo fixo”, “...e todo o processo foi baseado no
aproveitamento máximo de mercado, na mais pura ótica do capitalismo
(imobiliário) em suas articulações atualizadas com os demais mercados: de
consumo, de serviços, do turismo, da cultura e das localizações das empresas
transnacionais.” BARROS e PICINATTO (2006).

Desta forma, anota-se a existência de um custo social: “... sacrifícios são


necessários, pois a região urbana precisa garantir vantagens competitivas para

7
manter o seu desenvolvimento como um todo.” HARVEY (2001). Contudo, o
engajamento e comprometimento da população com todo o processo, este
contexto no qual ela vinha inserida foi e é essencial para o sucesso deste
Projeto.

O grande acontecimento dos “Jogos” de 1992 foi bem aproveitado pela


cidade, pois com o projeto bem elaborado gerou-se:

• Marca forte no contexto internacional;


• Infraestruturas e equipamentos de base, de elevada qualidade;
• Imagem forte e associada a arte e cultura, inovação e sofisticação,
sempre num ambiente moderno;
• Modelo de gestão que articula corretamente a visão e o interesse da
cidade e os investimentos privados;
• Múltiplas fontes de interesse e atração: desde o futebol à arquitetura, da
história à diversão;
• Diversidade e complementaridade da oferta em termos de produtos
culturais desenhados para diversos segmentos de mercado;
• Uso intenso da Internet na promoção turística e na relação dos turistas
com a cidade;
• Intensa atividade cultural durante todo o ano.
(AMPORTO - Exercício de Benchmarking)

Assim, com uma campanha de marketing maciça integrada, a “Marca


Barcelona”, como dito acima, se tornou forte no contexto internacional, e o
Projeto Barcelona 92 se transformou em um modelo a ser seguido, mas nem
sempre alcançado.

5. O CASO BRASILEIRO

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O Rio de Janeiro foi eleito sede dos XV Jogos Pan-americanos com 30
dos 51 votos possíveis. No Brasil não se realizava uma competição
multidesportiva a mais de 40 anos (Pan de São Paulo - 1963).
Segundo Ricardo Leyser, Secretário-Executivo do Comitê de Gestão do
PAN 2007 do Ministério do Esporte disse durante Seminário Gestão de
Legados de Megaeventos Esportivos (Organizado pelo Conselho Federal de
Educação Física − CONFEF e o Ministério do Esporte − ME, através da
Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Esporte e Lazer, realizaram entre
os dias 1º e 4 de maio de 2008, no auditório do Arte SESC-RJ ): “O PAN 2007
foi o que deixou maior legado entre todos os PANs. Como não tínhamos
exemplos de PAN, seguimos o exemplo da organização de uma olimpíada” (no
caso, a de Barcelona).

De acordo com o artigo de 21/05/2009 às 11h35 de Brasília, do Swim it


Up Clipping, do Ministério do Turismo:
“Os Jogos Pan-americanos Rio 2007 trouxeram vários benefícios para a
economia do Brasil e da cidade do Rio de Janeiro. Esta é a conclusão do
estudo "Impactos socioeconômicos dos Jogos Pan-americanos Rio 2007", feito
pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), a pedido do Ministério
do Esporte. De acordo com a pesquisa, a movimentação econômica do evento
esportivo superou R$ 10 bilhões. Um dos destaques foi a criação significativa
de postos no mercado de trabalho - 178.955 pessoas contratadas direta ou
indiretamente pelo equivalente ao período de um ano. Os números da pesquisa
fortalecem e justificam o projeto de trazer os Jogos Olímpicos de 2016 para o
Brasil.”
“O estudo observou a movimentação em 42 setores da economia e
estimou os impactos socioeconômicos gerados pela operação do Pan em cada
área, identificando oportunidades que não existiriam caso o Brasil não tivesse
acolhido o evento, como construção de instalações esportivas, melhoria de
infra estrutura urbana, aquisição de equipamentos de segurança e todos os
serviços necessários aos Jogos e os outros serviços a eles agregados.”

“Os impactos também foram mapeados em quatro áreas espaciais:


município do Rio de Janeiro, sua região metropolitana, o estado do Rio e o
restante do Brasil. E, ao contrário do que possa ser imaginado, os efeitos
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positivos do Pan não se limitaram ao estado do Rio de Janeiro. Mais da metade
da produção (55,9%) e dos empregos (60,38%) gerados pelo evento esportivo
beneficiou pessoas que moram além das fronteiras do estado fluminense,
assim como quase metade da massa salarial (49,3%) e dos impostos indiretos
arrecadados (52,4%).”

Dados indicam que os gastos com o Pan foram de aproximadamente R$


3,7 bilhões, 800% maiores do que os previstos pelo COB, e certamente não
houve a integração necessária entre o Poder Público Federal, Estadual e
Municipal.

O site do “Portal da Copa 2014” (que é um veículo de informações


concebido pela Editora Mandarim e pelo Sinaenco - Sindicato Nacional da
Arquitetura e da Engenharia, para estimular e divulgar todas as ações que
levem ao sucesso da Copa do Mundo de Futebol de 2014 no Brasil), postou em
07/10/2009 a seguinte notícia:

“O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou Ricardo Leyser,


secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte e membro do Comitê
Organizador da Olimpíada 2016, a devolver R$ 18,4 milhões aos cofres
públicos devido a suspeita de superfaturamento em gastos dos Jogos Pan-
Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.”

“O TCU encontrou indícios de superfaturamento em serviços de hotelaria


e infraestrutura da Vila Pan-Americana, no valor de R$ 2 milhões. Em outro
processo, o TCU pede o ressarcimento de R$ 16 milhões por irregularidades
na execução de contrato entre Ministério do Esporte e a Empresa Fast
Engenharia S/A para a construção de estrutura temporária da Vila Pan-
americana.”

“Leyser negou envolvimento em irregularidades e disse que vai recorrer.


O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, integrante do comitê dos Jogos de
2016 defendeu a permanência do secretário na organização.”

“O TCU apontou uma série de problemas, que estão sendo explicados.


A gente tem que ter muita calma antes de sair apontando o dedo para as
10
pessoas. A participação dele é fundamental na construção dos Jogos", disse
Paes ao veículo “Folhapress”.

Alberto Murray Neto, ex membro do COB, integrante da Corte Arbitral


do Esporte, membro do Comite Olímpico Internacional, em entrevista a
Wanderley Nogueira na Jovem Pan on line, em 10/07/2009 fala que é contra a
candidatura do Brasil para sediar os Jogos Olímpicos em 2016, baseado em
avaliação sobre o legado dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro de
2007. Fala destas repetidas denuncias sérias que envolvem o Pan como do
TCU sobre superfaturamentos e gastos públicos sem licitação, e pedidos de
instalação de CPI´s no Rio e em Brasília. Também fazem este relato Mauricio
Roberto da Silva e Giovani De Lorenzi Pires (2007).

Da Silva e Pires dizem ainda: “A pergunta que percorreu insistentemente


lugares e tempos de mídia, logicamente aqueles não controlados pelo discurso
oficial pró-Pan, foi: o quê se ganhou com os Jogos? Usando a linguagem
oficial, qual foi e para quem ficou o tal “legado Pan”? Está cada dia mais claro
que para a imensa maioria da população brasileira pouco ficou, exceto um
(in)certo sentimento de patriotismo ufanista-ingênuo, comum nestes períodos
de grandes eventos internacionais do esportivo, inflado pelo fermento de uma
parte significativa da mídia, especialmente a televisiva, Galvão Bueno e Rede
Globo de Televisão à frente.”
“Será que a cultura esportiva do povo brasileiro teve algum benefício, foi
modificada para melhor com a realização do Pan? No máximo, ficamos
sabendo da falta de cultura (e ética) esportiva de alguns dos ídolos nacionais,
como o ex-jogador de basquete e comentarista de TV Oscar “Mão Santa” que,
na arena de ginástica artística, torcia aos berros para que os atletas
estrangeiros errassem ou caíssem dos aparelhos! Esse episódio mostrou como
os chamados ídolos esportivos podem contribuir para a des-educação das
nossas crianças e jovens.”

Têm-se instalações esportivas de primeiro mundo, mas subutilizadas


como notamos em reportagens como a de 13/04/2009 no Swim It Up! Clipping,
O Estado de S.Paulo:

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“O legado do Pan-Americano de 2007 deixou de ser mera retórica
apenas no Complexo Esportivo de Deodoro. Ao contrário dos gigantes
adormecidos - Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo, Arena Multiuso e
Estádio do Engenhão (pista de atletismo) -, as quatro instalações de Deodoro
se mantêm em plena atividade. E o espaço na Vila Militar, bairro da zona oeste
do Rio, ainda colocou um pé na modernidade, nos últimos meses, com a
criação de um laboratório para equinos e também de um novo ginásio para a
prática de judô.”

“Sinalização, limpeza pública e segurança também são apontadas como


quesitos insatisfatórios por turistas internacionais e nacionais. A estratégia
receptiva e a imagem comercializada extrapolam a percepção do turista e
remetem a urgência de soluções práticas.” DANIELE JULIÃO (2008) – O Lixo
do Pan 2007: o problema dos resíduos sólidos nas cidades turísticas e mega
eventos.
Com certeza ganharam com o Pan “grandes empreiteiras nacionais que
participaram do projeto, que, além de tudo ganharam visibilidade mesmo que
às custas de verbas públicas; continuando pelo COB, que levou também os
louros do “sucesso” dos Jogos, especialmente seu Presidente Carlos Nuzzman
e seus familiares e amigos, cujas empresas viraram prestadoras de vários
serviços ao Co-Rio, sem qualquer concorrência.” Mauricio Roberto da Silva e
Giovani De Lorenzi Pires (2007).
Mais uma informação relevante é relativa a saúde dos cidadãos:
“Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dólar investido no
esporte, economiza-se 3,2 na saúde. Então, se o PAN do Rio custou cerca de
R$ 2 bilhões, economizaremos mais de 6 bilhões de dólares na saúde.” Djan
Madruga - Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento (Seminário
Gestão de Legados de Megaeventos Esportivos – 2008).

6. CONSIDERAÇÃOES FINAIS

Este tema é extremamente atual, visto que as relações políticas e


econômicas Municipais vêm se transformando ao longo destes últimos anos,
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exigindo da Administração Pública Municipal uma postura empreendedora para
proporcionar o contínuo desenvolvimento das Cidades, mudando assim as
Relações Urbanas, e Renovando toda sua estrutura.

De acordo com Luiz Gustavo Medeiros Barbosa (2003), citando Roche


(1994), usualmente também é assumido que os mega eventos trazem
conseqüências futuras em termos de turismo, realocação de plantas industriais
e investimentos externos. Citando Jones (2001) argumenta que para muitas
cidades os mega eventos podem ser um “atalho” para conseguir um
reconhecimento global através da exposição de mídia, o que pode ser bom
para um destino turístico caso o evento seja um sucesso, ou até mesmo,
destrutivo caso o evento possua falhas perceptíveis para todos os
participantes: atletas, familiares, imprensa e torcedores.

Se junta a isto o fato do Brasil ser sede dos Jogos da Juventude em


2013 (Rio de Janeiro), sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 (sendo
Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo 3 das cidades favoritas entre as 12 que
serão sede de jogos), e de ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 na cidade
do Rio de Janeiro, entre outros grande eventos já definidos a se realizarem no
país. Isto é um fato.

Ricardo Leyser, durante Seminário Gestão de Legados de Megaeventos


Esportivos, considerou: “Este seminário foi uma experiência muito importante
de gestão do conhecimento. Agora temos a chance de confrontar a nossa
experiência com outras. Confrontar acertos e erros. O Brasil vai sediar pelo
menos três megaeventos (“agora com os Jogos Olímpicos confirmados para o
Rio em 2016, são quatro”) nos próximos anos e é fundamental que a gente
traga especialistas estrangeiros para ver como atuar. O principal é que o
segmento esportivo sai ganhando muito sobre a gestão dos legados. A partir
do momento em que o Brasil se insere neste campo, o Profissional de
Educação Física precisa se qualificar e se preparar na área da gestão
esportiva”.

Assim, só com estas duas informações acima, facilmente se tem a


perspectiva de um “casamento” perfeito para o alcance de interesses comuns,

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pois dificilmente algo é mais empreendedor do que a realização de um
Megaevento Desportivo.

Na verdade, vários fatores estão em jogo, e, apesar de que com certeza


a realização de um Megaevento Desportivo desta dimensão traz muita
visibilidade a Cidade e ao País sede, abrindo divisas e inúmeras possibilidades
de desenvolvimento (principalmente na área Turística), questões desde o custo
social deste empreendimento até o próprio custo econômico e político devem
ser bem analisadas e avaliadas, pois se não muito bem planejadas podem
fadar a empreitada ao insucesso e a localidade ao desastre.

O fato de um mega evento deste porte se realizar em uma cidade do


País, já se constitui em uma grande chance, de um grande gancho para seu
desenvolvimento como um todo, o que se multiplica, se democratiza muito mais
como uma alavanca de crescimento sócio-econômico no caso da Copa do
Mundo, que como a de 2014 no Brasil, distribui sua realização por várias de
suas Cidades.

As Cidades já estão se preparando para receber o grande evento,


melhorando toda a sua infraestrutura, tanto a turística quanto a básica, o que
favorece a toda a população que, além de usufruir desta, ganha empregos
antes, durante e depois do evento.

Como exemplo podemos notar a Cidade de São Paulo, que se organiza


para aumentar e modernizar todo o seu sistema de transporte urbano,
construindo novas linhas e estações de trem, metrô e ônibus, interligando todos
estes sistemas e modernizando-os.

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Revista da Folha de 12 de julho de 2009

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Corroborando o fato, temos exemplos tanto de sucessos quanto de
fracassos, abrangendo nesta visão tanto o pré, quanto o trans e o pós evento,
e esta pesquisa pretende, justamente, levantar todos os aspectos
determinantes a estes resultados: os positivos e os negativos, para uma
análise compreensiva do tema e conseqüente encaminhamento de parâmetros
para o sucesso destes eventos, e bom desenvolvimento das Cidades
envolvidas.

A Diretriz do COI para o Projeto de Organização de um Megaevento em


uma Cidade tem parâmetros atuais que visam a sustentabilidade tanto social,
quanto econômica, cultural e ambiental, mas, repetindo, a atuação do Poder
Público local (Tanto o Federal, quanto o Estadual e o Municipal) é essencial
para o bom desenvolvimento destes Projetos e seus Planos de Ação, e uma
relação “afinada” entre o Comitê Organizador dos Jogos e deste Poder Público
é condição “Sine qua nom” para tal, e deve visar muito mais do que o Evento
propriamente dito, mas também o desenvolvimento econômico da Cidade,
Região e País, buscando a inclusão social e melhoria da qualidade de vida nas
relações urbanas, o que abrange o pré e o pós Evento também.

Enfim, considerando-se as falhas ocorridas nos “Jogos Panamericanos


do Rio de Janeiro de 2007, há quem acredite que a votação da Lei Geral do
Turismo (11161/08), de 18 de setembro de 2008, conseguiu sua aprovação
pela necessidade do “enquadramento” do Brasil neste padrão do COI, visando
a boa realização dos Megaeventos agendados para o país, e principalmente
para reforçar a imagem do país como capacitado para a realização ao
Megaevento pleiteado: “Jogos Olímpicos de 2016”.

Com a nova realidade sobre as relações econômicas entre Cidades e


Estado como citado ao início, e todos os exemplos que temos, de anteriores
realizações de Megaeventos Desportivos, deve-se reconhecer a grande
oportunidade de desenvolvimento para o País, mas falhas gritantes e
denúncias de fraudes como as ocorridas na realização dos Jogos
Panamericanos no Rio de Janeiro em 2007, deixa muitos brasileiros
apreensivos quanto a realização dos próximos Megaeventos que já estão
agendados para acontecerem no País, e que vários até sejam contra o fato.

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A verdade é que o problema não está no fato, e sim em quem é
responsável pela realização do evento e como o faz, e da falta de informações
e controle que o povo brasileiro tem sobre isto.

Este trabalho, assim, vem para focar nossa atenção na organização


destes eventos, participando e até denunciando ações, se necessário, para que
o legado, diferente do acontecido com os Jogos Panamericanos de 2007 do
Rio de Janeiro, sejam quase que integralmente positivos.

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