Atividade da disciplina “Teoria Arqueológica 1”

Docente: Frederic Pouget Discente: Faynystton Missio
Primeiramente, é necessário que enfatizemos o fato de que as três partes que
aqui serão abordadas e relacionadas possuem uma conexão muito
interessante, tornando-se, assim, trabalhos agradabilíssimos de serem
analisados.
Tanto o texto de Trigger quanto o de Ferreira possuem uma ligação no que se
refere à abordagem feita a um assunto em comum, destacando a forma pela
qual entidades colonialistas – sejam elas externas ou internas – usaram a
arqueologia e áreas afins para creditar sua exploração e invasão. Se há uma
relação clara entre os dois, certamente é essa. Além disso, também há nos
dois textos e, simultaneamente, no documentário diversas explanações acerca
do pensamento de superioridade do europeu, ou euro-americano, em
comparação com o nativo. Os “brancos” se consideravam emocional e
intelectualmente mais desenvolvidos que os nativos, sejam estes os povos
tradicionais da América do Norte, os tasmanianos da Austrália ou os Kaingang
do oeste paulista. Salvo o caso dos Kaingang, os quais eram considerados
preguiçosos e relutantes ao trabalho, sendo, assim, passivos de extermínio, os
outros nativos eram tidos como povos atrasados na linha da evolução humana
e, por conta disso, deveriam ser “civilizados” por quem estava muitas etapas à
frente deles, ou seja, os bondosos europeus. É claro que não podemos praticar
anacronismos e temos de situá-los em suas respectivas épocas, mas é de uma
ignorância patente chamar os povos tradicionais de atrasados e
intelectualmente inferiores quando se tem um pensamento desse.
Também podemos relacionar o texto do Trigger com o documentário “Racismo
– Uma História” exatamente pelo tema principal do último: o racismo na ciência.
Houve um período em que era a última moda no mundo científico classificar os
seres humanos em raças e distribuí-las numa “escadinha”, da mais evoluída
para a menos evoluída. Desse modo, os europeus justificavam o que estavam
fazendo, ou seja, matando, extorquindo e extinguindo povos nativos, alegando
que ocupavam um posto maior na escava evolutiva e que eram mais aptos à
sobrevivência que os “primitivos”. Sendo assim, era inaceitável que os brancos
e os nativos se miscigenassem, pois isso era considerado um golpe na frágil
pureza ariana. E essa postura contrária à miscigenação gerou uma das mais
absurdas práticas científicas já praticadas: a eugenia – que propunha que para
manter a pureza da “raça superior” era necessário controlar, geneticamente
inclusive, a população “civilizada” e evitar a mistura com as “raças inferiores”.
Para ilustrar melhor essa ideia, no texto do Trigger é citado que houve uma
época em que os princípios do Iluminismo, como o racionalismo e a
concordância de que todos partilhamos de uma similaridade emocional e
intelectual foram substituídos pelo conservadorismo, a ideia de raças e o
sentimento de uma identificação nacional – tema, inclusive, abordado pela
Tânia Andrade Lima em seu texto “A Arqueologia na construção da identidade
nacional: uma disciplina no fio da navalha” –.
Por último, podemos associar as três partes destacando outro ponto em
comum: a política colonialista. Todos os três abordam esse tema. No texto do
Trigger ela é mencionada no caso da invasão da África, só para citar um
exemplo; no documentário ela é claramente evidenciada na “relação” entre os
britânicos e os tasmanianos, além dos alemães e os povos da Namíbia; e no
texto do Ferreira esse é um dos temas mais valorizados, tendo em vista a
política colonialista proposta por Ihering – que é chamada de uma “colonização
interna”, visto que se tratava da colonização dos povos nativos de São Paulo
pelos próprios paulistas.

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