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FACULDADE INTEGRADA DO BRASIL PÓS-GRADUAÇÃO EM LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS- LIBRAS DISCIPLINA: FAMÍLIA NO PROCESSO DE

FACULDADE INTEGRADA DO BRASIL PÓS-GRADUAÇÃO EM LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS- LIBRAS DISCIPLINA: FAMÍLIA NO PROCESSO DE INCLUSÃO DOCENTE: GLEDSON FREIRE

Paula Janaína Meneses Rodrigues Mifra Angélica Chaves da Costa

FAMÍLIA E ESCOLA NO PROCESSO DE INCLUSÃO: DESAFIOS E CONQUISTAS

Mossoró/RN, 21 de março de 2015.

Paula Janaína Meneses Rodrigues Mifra Angélica Chaves da Costa

FAMÍLIA E ESCOLA NO PROCESSO DE INCLUSÃO: DESAFIOS E CONQUISTAS

Trabalho apresentado como requisito de avaliação da disciplina Família no Processo de Inclusão, ministrada pelo professor Gledson Freire.

Mossoró/RN, 21 de março de 2015.

FAMÍLIA E ESCOLA NO PROCESSO DE INCLUSÃO: DESAFIOS E CONQUISTAS

1 Introdução

Segundo Moraes (2006), a Constituição Federal Brasileira de 1988 adota o princípio da igualdade de direitos que se estabelece a partir da igualdade de aptidão e de possibilidades. Comparato (1996) complementa afirmando que as leis devem ter como finalidade a igualdade de condições sociais, meta alcançada também pela aplicação de políticas ou programas de ação estatal. Dentro dessa perspectiva, a inclusão se estabelece com o objetivo de possibilitar essa igualdade aos deficientes, pois se trata de um processo em que a sociedade se adapta para garantir participação social as pessoas com necessidades especiais (SASSAKI, 1997). Na escola, esse processo de inclusão também rompe com o conceito de seleção dos mais aptos e de disciplinamento social dentro da relação saber-poder teorizada por Foucault (1997). Diante da gama de diversidade escolar, a escola deve estar primeiramente aberta ao novo, encarando com comprometimento a construção dessa nova perspectiva, buscando sempre romper as barreiras encontradas no caminho. Um caminho que não deve ser percorrido apenas pela escola e sociedade, mas principalmente pela família do deficiente, desde o aceitar a necessidade de seu filho ou filha até buscar também a inclusão social deste. Assim, neste trabalho observamos o relato de uma mãe e de uma professora acerca da inclusão, ressaltamos que o nome dos personagens é fictício, pois não obtivemos autorização para usar o nome real. Como metodologia de pesquisa realizamos aplicação de questionários (anexo).

2 O sentir e o agir da mãe de um surdo

Maria diante da plenitude de sua gravidez pegou rubéola e como consequência se deparou com a surdez de sua única filha. “Inicialmente foi um choque”, afirmou Maria. Mas a dificuldade não a abateu, pois logo em seguida buscou apoio para o aprendizado de LIBRAS da sua filha. Ela queria melhorar as condições de vida dela, que ela tivesse o acompanhamento necessário a sua deficiência. Com relação ao restante da família, no início o sentimento predominante foi de pena, mas logo os parentes aceitaram a surdez e nunca tiveram preconceito, nunca a chamaram de

“mudinha”, Laís (nome fictício) era chamada pelo nome dela. A maior preocupação de Maria era mostrar que a filha era capaz de fazer o que ela quisesse. Percebemos aqui a importância do comportamento dessa mãe, que sempre foi a maior motivadora da filha. Segundo Barbosa, Rosini e Pereira (2007) se as atitudes dos pais forem positivas com relação à educação inclusiva, melhor e mais rápido será o processo de inclusão. Uma inclusão que para Maria significa aceitar as pessoas com as suas dificuldades, mas que ainda é muito difícil por conta da falta de compreensão dos professores, pois há falta de um intérprete de libras, de comunicação e muita exigência dos educadores em relação a sua filha. E como ela conhece as leis que amparam a surdez, como o direito ao intérprete e a uma avaliação diferenciada, afirma que ainda há muito que melhorar na escola. Disse que sempre teve que conversar primeiro com a direção da escola para poder matricular sua filha, enquanto as outras crianças faziam a matrícula normalmente na secretaria. Além de frequentar uma escola regular, sua filha também estuda no Centro de Capacitação de Educadores e Atendimento ao Surdo – CAS Mossoró. Maria também afirma não ter uma relação dialógica com os professores, pois os mesmos são muito conservadores, seu diálogo ocorre apenas com a coordenação da escola. Apesar dessa falta de comunicação com os docentes, ela afirma que há parceria com a escola, pois sempre é chamada para participar dos eventos da escola, das avaliações. Já com relação à inclusão de sua filha na escola, ela afirma que em questão de professores e gestão ainda há muito que melhorar, ao contrário da turma, dos jovens que aceitam sua filha bem. Por fim, questionamos o que ainda precisa melhorar para a inclusão de sua filha na sociedade, ela nos afirmou que as pessoas devem aceitar a LIBRAS como a língua do surdo e que não seja tão cobrado o português dos surdos. Percebemos que Maria é uma mãe bem atuante e participativa na vida de sua filha, pois desde o primeiro momento buscou a inclusão social dela, conhecendo seus direitos e aprendendo a LIBRAS. Tal comportamento é importantíssimo, pois a falta de conhecimento e de participação da família pode contribuir para a exclusão do deficiente. Além disso, a presença da mãe na escola, sabendo o que está sendo feito em sala, auxiliando nas atividades de casa, bem como também dando dicas sobre o temperamento e comportamento do deficiente contribui para a inclusão deste (FERRAZ, ARAÚJO E CARREIRO, 2010).

3 O professor pensando e fazendo a inclusão de surdos

No pensar e na perspectiva do fazer inclusão como nos orienta Sassaki (1997) e Mantoan (2006) estabelecemos um diálogo com uma professora que ensina uma aluna surda. Essa profissional será denominada de Isabel, é um nome fictício, pois desejamos preservar a identidade do sujeito entrevistado. Essa professora é formada em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), possui duas especializações na área de Educação Especial e Inclusão. Trabalha em uma escola do município de Mossoró/RN pela manhã e no Centro de Capacitação de Educadores e Atendimento ao Surdo (CAS) à tarde. Tem 29 anos de atuação como professora no Estado e 15 no Município. Foi questionado inicialmente se durante a formação inicial dela houve alguma disciplina, evento, debate promovido pelo curso que abordasse a inclusão de pessoas com deficiência, ela afirmou “na UERN na época não havia uma disciplina específica no Curso de Pedagogia, mas tinham poucos cursos e seminários. Falava-se pouco sobre inclusão”. No decorrer das narrativas da educadora percebemos que embora sua formação inicial não tenha proporcionado uma base consistente para trabalhar no enfoque da educação inclusiva, ela se abriu para novas descobertas, aprendizagens após ter uma aluna surda em sua sala de aula. E, embora, no início tenha ficado com um “certo temor”, se questionava constantemente se estava realizando um trabalho correto. Revela que sempre tenta incluir a “aluna através de brincadeiras, atividades”, buscando a interação da turma com a surda. Afirma que “na escola regular as pessoas ainda tem preconceito, mas no CAS os alunos se sentem incluídos”, é o mundo deles, aprendem em conjunto. Skliar (2005) nos fala da necessidade da aproximação surdo, sujeitos surdos, cultura surda. Para haver uma relação satisfatória entre professor-surda- turma é primordial “existir o respeito à individualidade, vendo que o aluno é capaz”. Com o surdo ela gosta de usar nas aulas gravuras, vídeos, oficinas, livros. Ela acredita que há uma parceria família e escola, através de palestras, eventos, reuniões para assim ser realizado um bom trabalho com a educanda. Pensando numa formação continuada, como Imbernón (2000) e Freire (2008) nos aponta essa necessidade, ela confessa ter concluído recentemente a “Especialização em Atendimento Educacional Especializado (AEE), encontros, seminários”. Além disso, finaliza dizendo que para haver uma melhoria no processo de inclusão deve haver “maior discussão na escola sobre ‘deficiência’; o poder público atender as necessidades das pessoas com deficiência; consciência dos pais no sentido de motivar e participar mais da vida do filho”.

CONSIDERAÇÕES

A inclusão das pessoas com deficiência é extremamente importante para que seja verdadeiramente estabelecida a igualdade social e a dignidade humana. Percebemos o quanto é importante a participação da família nesse processo, pois é a primeira instituição social que vai acolher e incluir o deficiente. Já o professor também é sujeito primordial, pois ele quem vai desenvolver estratégias e buscar o conhecimento necessário para trabalhar a deficiência desse aluno, sempre primando pelo seu aprendizado e real inclusão.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, A. J. G.; ROSINI, D. C. e PEREIRA, A. A. (2007). Atitudes parentais em relação à educação inclusiva. Rev. bras. educ. espec., vol.13, n.3, p. 447-458.

COMPARATO, Fábio Konder. Direito Público: estudo e pareceres. São Paulo: Saraiva, 1996.

FERRAZ, C. R. A.; ARAÚJO, M. V. e CARREIRO L. R. R. (2010). Inclusão de crianças com Síndrome de Down e paralisia cerebral no ensino fundamental I: comparação dos relatos de mães e professores. Rev. bras. educ. espec., vol.16, n.3, p.397-414.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 37 ed., 2008.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

IMBERNÓN, Francisco. Formação Docente e Profissional. 8 ed., Cortez Editora, 2000.

p.119.

MANTOAN, Maria Teresa Edler. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer?2 ed. São Paulo: Moderna, 2006.

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19 ed. São Paulo: Atlas, 2006.

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro:

WVA, 1997.

SKLIAR, Carlos. A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 2005, 3 ed.

ANEXOS

FOTOS

FOTOS Figura 1 – Entrevista com a mãe 2 – Entrevista coma mãe Figura

Figura 1 – Entrevista com a mãe

FOTOS Figura 1 – Entrevista com a mãe 2 – Entrevista coma mãe Figura

2 – Entrevista coma mãe

Figura

Figura 3 – Entrevista com a professora Figura 4- Entrevista com a professora

Figura 3 – Entrevista com a professora

Figura 3 – Entrevista com a professora Figura 4- Entrevista com a professora

Figura 4- Entrevista com a professora