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TÍTULO VIII DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

CAPÍTULO I – DOS CRIMES DE PERIGO COMUM

1 GENERALIDADES

O Código Penal brasileiro no capítulo dos crimes contra a pessoa e

no título VIII da parte especial faz previsão dos denominados crimes de perigo.

No capítulo III do Título I são regulados os delitos de perigo individual (“Crimes de Periclitação da Vida e da Saúde”). O Título VIII que

será nosso objeto de estudo trata dos crimes contra a incolumidade pública. Portanto, de uma visão panorâmica de nosso Código Penal, verificamos que o perigo individual e o perigo coletivo ou comum são penalmente protegidos.

A respeito do conceito de perigo, Mirabete (2013, p. 55) descreve a

existência de três teorias que buscam defini-lo: “Três são as teorias que procuram fornecer o conceito de perigo. Para a teoria subjetiva é ele mera criação do espírito, que não existiria objetivamente; seria apenas um juízo, um prognóstico, uma expectativa de dano, uma previsão, uma abstração espiritual. Para a teoria objetiva, o perigo é uma realidade, um estado de fato, uma situação decorrente de condições que possibilitam a verificação do resultado se não forem anuladas por condições contrárias. Há perigo, para essa teoria, sempre que houver probabilidade de dano pela imposição das primeiras condições. Uma terceira teoria, objetivo-subjetiva concilia as anteriores, afirmando-se que o perigo é um trecho da realidade, uma realidade objetiva, mas que exige um juízo mental sobre ele. É sempre com base em um prognostico entre o fato e o evento que se identifica o perigo. A avaliação entre uma determinada situação de fato e a possibilidade de que cause ele um dano determina a conclusão da existência ou não de um perigo”. Os delitos de perigo individual são aqueles que expõem ao risco de dano, os interesses jurídicos de uma pessoa determinada ou de um

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número determinado de pessoas. Já os delitos de perigo comum ou coletivo são aqueles que expõem ao risco de dano interesses jurídicos de um número indeterminado de pessoas. PERIGO COMUM OU COLETIVO É O QUE EXPÕE A RISCO INTERESSES JURÍDICOS DE DIVERSAS PESSOAS O elemento subjetivo dos delitos de perigo comum é quase sempre o dolo de perigo, no qual o agente atua com o fim de criar o perigo de dano a um ou vários bens jurídicos protegidos. No caso deste Título VIII, a comunhão de bens que se pode proteger recebe o nome de incolumidade pública. Isto quer dizer que a incolumidade pública reúne na sua idéia a proteção concomitante de vários bens, como, por exemplo, a integridade física, a vida, o patrimônio, a saúde pública, e a segurança nos meios de transportes. O dolo de perigo nesses delitos pode ser direto (quando o agente age com o fim de expor o bem jurídico diretamente a risco de dano) ou eventual (quando o autor realiza a conduta assumindo o risco de produzir o resultado, que é o perigo de dano). ELEMENTO SUBJETIVO DESTES DELITOS DOLO DE PERIGO DE DANO À INCOLUMIDADE PÚBLICA / DOLO DIRETO OU EVENTUAL / TEM O OBJETIVO APENAS DE EXPOR O BEM PROTEGIDO AO PERIGO DE DANO E NÃO A ESTE Os delitos de perigo comum também são punidos na modalidade culposa (art. 250, § 2º; art. 251, § 3º; art. 252, § único; art. 254; art. 256, § único; art. 259, § único; art. 260, § 2º; art. 261, § 3º; art. 262, § 2º; art. 267, § 2º; art. 270, § 2º; art. 271, § único; art. 272, § 2º; art. 273, § 2º; art. 278, § único; art. 280, § único todos do Código Penal). Quando o crime de perigo comum for doloso e dele resultar lesão corporal de natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade; se resultar morte é aplicada em dobro. No crime de perigo comum culposo que resulta em lesão corporal, a pena aumentar-se-á de metade; se do fato resultar em morte, aplicar-se-á a pena cominada ao crime de homicídio culposo, aumentada de um terço (CP, art. 258).

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CRIME DE PERIGO DOLOSO SE RESULTA EM: * LESÃO CORPORAL GRAVE PENA AUMENTADA DE METADE / * MORTE PENA DOBRADA CRIME DE PERIGO CULPOSO SE RESULTA EM: * LESÃO CORPORAL PENA AUMENTADA DE METADE / * MORTE APLICA-SE PENA DO HOMICÍDIO CULPOSO + 1/3 Neste Título também encontramos crimes de perigo abstrato e crimes de perigo concreto:

* Crimes de perigo abstrato são aqueles em que não é necessária a comprovação do efetivo risco ao bem jurídico protegido, sendo suficiente a realização da conduta. Podemos citar como exemplo destes delitos, o tipo penal do art. 253 do CP (Fabrico, Fornecimento, Aquisição, Posse ou Transporte de Explosivos ou Gás Tóxico ou Asfixiante). * Crimes de perigo concreto são aqueles que exigem a demonstração do efetivo risco ao objeto jurídico protegido no caso em concreto (ex.: o art. 250 do CP – Incêndio).

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INCÊNDIO

Art. 250. Causar incêndio, expondo a perigo a vida,

a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Aumento de pena

§ 1º. As penas aumentam-se de um terço:

I - se o crime é cometido com intuito de obter

vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio;

II - se o incêndio é:

a) em casa habitada ou destinada à habitação;

b) em edifício público ou destinado a uso público ou

a obra de assistência social ou de cultura;

c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de

transporte coletivo;

d)

em estação ferroviária ou aeródromo;

 

e)

em estaleiro, fábrica ou oficina;

 

f)

em

depósito

de explosivo,

combustível

ou

inflamável;

g) em poço petrolífero ou galeria de mineração;

h) em lavoura, pastagem, mata our floresta.

Incêndio culposo

§ 2º. Se culposo o incêndio, a pena é de detenção, de

6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

1 BEM JURÍDICO. RESULTADO NORMATIVO

O bem jurídico protegido é a incolumidade pública que cujo objeto de proteção é a segurança e a tranquilidade de um número

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indeterminado de pessoas. No delito de incêndio protege-se vários bens jurídicos concomitantemente (vida, integridade física, patrimônio, etc.). O resultado normativo é a a efetiva afetação ao bem jurídico protegido, resultado de uma conduta dolosa ou culposa oriunda de um incremento de risco. É irrelevante para a sua ocorrência qualquer resultado naturalístico.

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MODALIDADES TÍPICAS

O

caput prevê a conduta básica do delito que é a provocação do

incêndio que expõe a risco a vida, integridade física e patrimônio de um número indeterminado de pessoas. O § 1º estabelece causas de aumento de pena subjetivas (inciso I) e objetivas (inciso II). Por fim, o § 2º define o incêndio realizado de forma culposa (negligência, imprudência ou imperícia)

3 SUJEITOS DO DELITO

Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime, tratando-se de delito comum. Pode ser autor inclusive o proprietário que incendeia objeto material que lhe pertence, expondo a perigo um número indeterminado de pessoas. É irrelevante que o autor esteja presente no momento da prática da conduta.

Admitem-se as duas modalidades do concurso de pessoas, isto é, coautoria e participação (moral e material). SA QUALQUER PESSOA (INCLUSIVE O PROPRIETÁRIO DA COISA INCENDIADA)

O sujeito passivo imediato é a coletividade, que tem seus bens

jurídicos expostos a risco de dano em face da conduta do agente. Também é sujeito passivo (mediato) aquele que diretamente sofre o risco sobre seu bem jurídico. Este crime é classificado como sendo de sujeito passivo vago, pois tem como vítima a coletividade, que não possui personalidade jurídica.

SP COLETIVIDADE

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4 ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO

O verbo núcleo do tipo é “causar”, cujo sentido é provocar o

incêndio, criando o perigo a um número indeterminado de pessoas e coisas. Esta conduta pode ser comissiva ou omissiva imprópria se o agente tinha a

condição de garante ou garantidor (art. 13, parágrafo 2º do CP). COMBUSTÃO CAUSADA DEVERÁ GERAR PERIGO P/ A VIDA, INTEGRIDADE OU PATRIMÔNIO DE OUTREM – É REALIZADA COMISSIVAMENTE OU DE FORMA OMISSIVA IMPRÓPRIA

O incêndio no entendimento de Julio F. Mirabete (2013, p. 57)

pode ser conceituado como a combustão de qualquer matéria (sólida, líqüida ou gasosa), com sua destruição total ou parcial 1 . INCÊNDIO COMBUSTÃO DE QUALQUER MATÉRIA COM SUA DESTRUIÇÃO TOTAL OU PARCIAL Se o incêndio não causar risco à vida, integridade física ou patrimônio de um número indeterminado de pessoas, mas apenas danificar um patrimônio específico ou de uma pessoa determinada, será tipificado como crime de dano (art. 163 do Código Penal) SE NÃO GERAR PERIGO A UM N.º DETERMINADO DE PESSOAS – O CRIME SERÁ O DE DANO (ART. 163 CP) Para configurar o delito basta que ocorra a combustão, não sendo necessária a criação de chamas. É crime de forma livre porque admite qualquer modo de execução, podendo ser a conduta comissiva (provoca o incêndio) ou omissiva imprópria (o incêndio se inicia por causa diversa, e não toma qualquer providência para cessá-lo). Inclusive há o entendimento de que o perigo produzido não decorra diretamente do fogo, mas do pânico que este pode provocar (ex.: incêndio em local público com grande aglomeração de pessoas). BASTA QUE EXISTA A COMBUSTÃO, INDEPENDENTEMENTE DE CRIAR CHAMAS – ADMITE QUALQUER MEIO DE EXECUÇÃO

1 Magalhães Noronha (1999, p.322) conceitua incêndio da seguinte forma: “Incêndio não é qualquer fogo, mas tão só o que acarreta risco para pessoas ou coisas. É mister, pois, que o objeto incendiado seja tal que exponha a perigo o bem tutelado”.

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O objeto material é a coisa ou bem incendiado. O objeto material

atingido pela conduta do agente no caput não tem relevância, salvo se for um daqueles locais descritos no inciso II, § 1º deste artigo, que apresenta uma causa de aumento de pena em face da natureza do local incendiado. NÃO IMPORTA A NATUREZA DA COISA INCENDIADA – PODE CONSTITUIR UMA CAUSA DE AUMENTO DE PENA Por ser um delito que deixa vestígios, a materialidade será comprovada por meio de exame de corpo de delito, conforme estabelece os arts. 158 e 173 do Código de Processo Penal.

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

Art. 173. No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.

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ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO

O

tipo do artigo 250 não possui elemento normativo.

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ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO

O

crime de incêndio é punido nas modalidades dolosa, culposa e

preterdolosa, quando combinado com a causa de aumento de pena do art. 258 do Código. INCÊNDIO PODE SER: DOLOSO (CAPUT, § 1º), CULPOSO (§ 2)º OU PRETERDOLOSO (ART. 258 CP).

O tipo penal no caput prevê o dolo de perigo genérico, direto ou

eventual. No parágrafo 1º, inciso I, o agente age com o elemento subjetivo específico de obtenção de vantagem pecuniária em proveito próprio ou de outrem. No parágrafo 2º, o sujeito ativo tem que saber que o local que ele incendeia, se enquadra em um daqueles previstos no inciso II do parágrafo

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O incêndio será culposo quando o agente causa a combustão de

forma não intencional (negligência ou imprudência), colocando em risco a vida, a integridade física ou o patrimônio de um número indeterminado de pessoas.

ATEAR

FOGO OU DE CONTROLAR SUA PROPAGAÇÃO CAUSANDO PERIGO COMUM

As modalidades preterdolosas que resultam em lesões corporais

graves ou morte ou culposas agravadas pelo resultado culposo (lesões

corporais ou morte) estão descritas no art. 258 do Código Penal.

Se a intenção do agente através do incêndio for atentar contra a

segurança nacional, pelo princípio da especialidade (conflito aparente de normas) aplicar-se-á o dispositivo descrito no art. 20 da Lei n.º 7.170/83.

NEGLIGÊNCIA OU IMPRUDÊNCIA NO MOMENTO DE

Art. 20 - Devastar, saquear, extorquir, roubar, seqüestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas. Pena: reclusão, de 3 a 10 anos. Parágrafo único - Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se resulta morte, aumenta-se até o triplo. (grifo nosso)

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CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

O

delito se consuma com o perigo comum causado pelo

incêndio, não sendo relevante a extensão ou a duração do fogo. Trata-se de

crime de perigo concreto, no qual se deverá comprovar em cada caso a efetiva situação de perigo. Admite-se tentativa, exceto na modalidade culposa.

CONS. NO MOMENTO QUE OCORRE O PERIGO COMUM (DECORRENTE DA COMBUSTÃO), DEVENDO SER VERIFICADO CASO A CASO / TENTATIVA É ADMISSÍVEL NA FORMA DOLOSA.

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CLASSIFICAÇÃO

O

incêndio é crime comum (qualquer pessoa pode praticá-lo), de

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perigo concreto (deve ser demonstrado) e coletivo (atinge um número indeterminado de pessoas), instantâneo (consuma-se no momento exato da criação do risco), comissivo (realizável por meio de ação) ou omissivo impróprio (o agente não age para impedir a proliferação do incêndio tendo o dever legal de fazê-lo), unissubjetivo (pode ser praticado por um só agente), simples (atinge um bem jurídico, que é a incolumidade pública), de forma livre (comissivo ou omissivo), plurissubsistente (a conduta é fracionável em vários atos) e não-traseunte (delito que deixa vestígios). No entendimento majoritário da doutrina o delito de incêndio é crime material (possui resultado naturalístico que é a causação do perigo concreto). Bitencourt (2013, p. 264) diferentemente classifica-o como delito formal sob o seguinte argumento: “crime que não exige, para sua consumação, a ocorrência de resultado; mas essa infração penal apresenta uma peculiaridade, no particular, causar incêndio não se pode negar que causa transformação no mundo exterior perceptível pelos sentidos e, nesse sentido, pode-se classificá-lo como material”.

9 MODALIDADES DERIVADAS

9.1 CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

As penas do delito de incêndio podem ser elevadas em virtude: a) do fim do agente; b) da natureza e destinação da coisa incendiada; c) pela morte ou lesões corporais (art. 258 do CP).

DO

AGENTE – INCÊNDIO COM O FIM DE OBTENÇÃO DE VANTAGEM PECUNIÁRIA (Inciso I, § 1º)

A) CAUSA

DE

AUMENTO

DE

PENA

PELA

FINALIDADE

A pena do incêndio é aumentada de 1/3 (um terço) quando o agente comete o incêndio com o intuito de obter vantagem de natureza financeira em proveito próprio ou de outrem. É irrelevante que o agente obtenha a vantagem.

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Desta forma, concordamos com Guilherme S. Nucci (2003, p. 729) que entende que a promessa de recompensa conhecida pelo agente é suficiente para tipificar a causa de aumento de pena. Damásio de Jesus (1999, p. 260) posiciona-se de forma diferente, pois entende que a simples promessa não tem o condão aumentar a pena, respondendo o sujeito ativo pela conduta descrita no caput do artigo. Agindo o agente com o fim de obter o valor de seguro há dois posicionamentos doutrinários. No primeiro defendido por Damásio de Jesus (2013, p. 290) e Mirabete (2013, p. 63), o agente responderá pelo delito de incêndio qualificado, que absorve o estelionato. O segundo posicionamento,

o qual nos filiamos, defende que há concurso formal ou material

(dependendo da forma em que a conduta foi realizada) entre os crimes de incêndio comum e estelionato.

B) CAUSA DE AUMENTO DE PENAL EM FACE DA NATUREZA E DESTINAÇÃO DA COISA INCENDIADA (Inciso II, § 1º)

Tratam-se de causas de aumento de pena de ordem objetiva, na qual a elevação da pena se fundamenta na natureza e na maior potencialidade lesiva maior que os lugares a seguir possuem. b.1) Em casa habitada ou destinada a habitação (alínea “a”). Casa habitada é o imóvel onde alguém more ou exerça alguma atividade profissional. É irrelevante para a configuração do delito que alguém

se encontre no seu interior no momento da realização da conduta. Casa

destinada a habitação é o imóvel que já está “pronto”, mas que ainda não está sendo utilizado como moradia ou local de exercício profissional no momento da realização da conduta. CASA HABITADA (COM PESSOAS DENTRO OU NÃO) OU DESTINADA A HABITAÇÃO (QUE AINDA SERÁ HABITADA) b.2 ) Em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura (alínea “b”). Edifício público é aquele onde está sediado qualquer órgão público pertencente à administração pública direta ou indireta, bem como os

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prédios ocupados pelo poder legislativo e judiciário. Edifício destinado ao uso público é aquele imóvel em que há uma grande circulação de pessoas, independentemente se de origem pública ou privada. Ex.: bibliotecas, casas de shows, etc. Edifício destinado a obra de assistência social ou de cultura tem como finalidade prestar auxílio à comunidade e também onde se realiza eventos de natureza cultural. Ex.: Asilos, creches, teatros, galerias de arte, cinemas, etc. EDIFÍCIO É O UTILIZADO PELO ESTADO – A CAUSA DE AUMENTO DE PENA INCIDE POR CAUSA DE SUA IMPORTÂNCIA SOCIAL E DO EVENTUAL PREJUÍZO Á SOCIEDADE COM A PARALISAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO. b.3) Em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo, independentemente de estarem sendo utilizados no momento do fato (alínea “c”) Embarcação é o meio de transporte aquático. Aeronave é o meio de transporte aéreo. Comboio ou veículo de transporte coletivo seriam os meios de transporte terrestres compostos por várias partes, como, por exemplo, trem de ferro, metrô, ônibus, etc. Como é afirmado no tipo penal, o aumento de pena é aplicável ao agente, independentemente da conduta ser realizada quando o meio de transporte não está em circulação. TRANSPORTE COLETIVO EMBARCAÇÃO, AERONAVE OU COMBOIO (TRANSPORTES TERRESTRES) – NÃO IMPORTA SE ESTÃO SENDO UTILIZADOS NO MOMENTO DO INCÊNDIO. b.4) Em estação ferroviária ou aeródromo (alínea “d”). Estação ferroviária é o local destinado para o embarque e desembarque de pessoas, bagagens e cargas nos meios de transporte ferroviários (trem de ferro). Aeródromo, mais comumente nomeado por aeroporto, é o local destinado para o embarque e desembarque de pessoas, bagagens e cargas do meio de transporte aéreo (aeronaves). A dúvida que surge em relação a esta modalidade típica é se ela se estenderia a outros locais destinados para o embarque e desembarque de passageiros, como, por exemplo, rodoviárias, estações de metrô, portos, e etc. Cezar Roberto Bitencourt defende a interpretação extensiva do tipo

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penal para abranger tais locais (2013, p. 265). Entendemos, entretanto, que aplicar a causa de aumento de pena quando o incêndio for praticado nestes lugares somente seria possível com a aplicação de analogia in malam partem, vez que o tipo não faz referência aos mesmos. Porém, acreditamos que a conduta possa ser punível na situação típica da alínea “b”, deste inciso II, já que rodoviárias, portos e estações de metrô são locais destinados ao uso público, podendo, portanto, enquadrar a conduta realizada nestes lugares b.5) Em estaleiro, fábrica ou oficina (alínea “e”). Estaleiro é o local destinado à construção e conserto de navios ou embarcações. Fábrica é o estabelecimento ou local onde se produz algum bem. Oficina é o lugar onde se exerce um ofício ou profissão. Para a incidência da causa de elevação de pena é irrelevante que estes locais estejam ocupados no momento da conduta. NÃO IMPORTA SE ESTIVEREM DESOCUPADOS NO MOMENTO. b.6) Em depósito de explosivo, combustível ou inflamável (alínea “f”). Depósito é local onde se guarda ou estoca alguma coisa. No caso específico deste tipo o Código fala em estocagem de substância explosiva, combustível ou inflamável. O agravamento da pena quando a conduta é praticada contra estes locais se justifica em face do elevadíssimo potencial lesivo que um incêndio pode causar. b.7) Em poço petrolífero ou galeria de mineração (alínea “g”). Poço petrolífero é o local onde é explorado e extraído o petróleo em larga escala. Galeria de mineração é o lugar de exploração e extração de minérios (ferro, bauxita, ouro, etc.). O motivo para o aumento de pena em tais locais se fundamenta no modo de produção que ocorre em locais onde há grande concentração de gases de fácil combustão, como, também por causa do local da exploração, que muitas vezes ocorre a centenas de metros abaixo do solo. b.8) Em lavoura, pastagem, mata ou floresta (alínea “h”). Compreendemos que esta alínea foi parcialmente revogada de forma tácita pelo art. 41 da Lei n.º 9.605/98 (Crimes Contra o Meio Ambiente), em virtude de ser norma posterior e também especial em relação a descrita no Código Penal.

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Por esta razão, o art. 250 não é mais aplicável ao incêndio produzido em “mata” ou “floresta”, porém em relação à “lavoura” e “pastagem” a causa de aumento de pena continua a incidir, vez que o legislador na Lei n.º 9.605/98 nada mencionou sobre as mesmas. A punição da conduta se justifica pela prática comum que ocorre em nosso País, principalmente nas áreas rurais, em que as pessoas utilizam as “queimadas” para limpar o terreno em que pretendem produzir algum tipo de cultura ou transformar em pastagem. Estas condutas costumam trazer grande risco de dano para a coletividade. NO CASO DE MATA OU FLORESTA O INCÊNDIO SERÁ PUNIDO PELO ART. 41 DA LEI N.º 9.605/98 (LEI DE CRIMES AMBIENTAIS.)

Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta:

Pena – reclusão, de 02 (dois) a 04 (quatro) e multa.

Lavoura é o cultivo da terra com o fim de exploração econômica. Pastagem é a vegetação utilizada pelos seres humanos para alimentar os animais. Mata é a reserva florestal mantida com o objetivo de garantir o equilíbrio ecológico de uma determinada região. Floresta é a grande e extensa área de vegetação de grande, médio e pequeno porte.

C) CAUSA DE AUMENTO DE PENA EM FACE DO RESULTADO AGRAVADOR (Artigo 258 do Código Penal)

O artigo 258 do Código Penal estabelece causas de aumento de

pena, apesar de usar a expressão “formas qualificadas”. Aos delitos previstos no capítulo I qualificados pelo resultado morte ou lesão corporal de natureza grave, seja doloso ou culposo, aplicar-se-á o art. 258 do CP.

O presente artigo prevê a sanção para o resultado agravador

culposo, cuja conduta antecedente pode ser dolosa (preterdoloso) ou culposa

(culposo qualificado pelo resultado agravador culposo). QUALIFICADO PELA MORTE OU LESÕES CORPORAIS GRAVES SÃO CRIMES PRETERDOLOSOS / SE O INCÊNDIO FOR CULPOSO E DELE DECORRER A MORTE OU LESÕES CORPORAIS ESTE NÃO SERÁ PRETERDOLOSO

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Havendo lesão corporal simples na modalidade dolosa, ocorrerá

concurso formal de crimes. Cezar Roberto Bitencourt (2003, p. 196) possui o mesmo entendimento.

A primeira parte do artigo descreve o delito qualificado pelo

resultado culposo ou preterdoloso, em que a lesão corporal de natureza grave ou morte é imputada ao agente do crime doloso contra a incolumidade pública a título de culpa. A segunda parte trata de lesão corporal (culposa) ou morte (culposa) provocada pelo atuar culposo do sujeito ativo do delito de perigo comum. A parte inicial do artigo 258 comina pena privativa de liberdade aumentada de metade no caso de lesão corporal de natureza grave e aplicada de dobro se resulta morte. Na parte final do artigo determina que,

em se tratando de lesão corporal, a pena é aumentada de metade, e, na hipótese de morte, aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço.

9.2 MODALIDADE CULPOSA (§ 2º)

O incêndio pode ser praticado de forma culposa, quando o agente com inobservância do dever objetivo de cuidado (por negligência, imprudência ou imperícia) causa a combustão não intencionalmente (ex.:

curto-circuito em instalações elétricas defeituosas).

10 PENA E AÇÃO PENAL

O crime de incêndio, em sua modalidade simples, é punido com

reclusão, de três a seis anos, e multa. Se ocorrer qualquer das hipóteses previstas no § 1º, as penas aumentam-se de um terço. Se do crime de incêndio resulta lesão corporal de natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade; se advém morte, é aplicada em dobro (CP, art. 258).

O incêndio culposo é punido com pena de detenção, de seis

meses a dois anos. Se do fato resulta lesão corporal (leve, grave ou gravíssima), a pena aumenta-se da metade; se resulta morte, aplica-se a

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pena cominada ao homicídio culposo (detenção, de um a três anos), aumentada de um terço (CP, art. 258). Ao incêndio culposo aplicam-se os artigos 60, 61 e 89 da Lei n.º 9.099/90. A ação penal é pública incondicionada.

11 QUESTÕES RELEVANTES

(I) Se o agente além do incêndio quis intencionalmente matar ou causar lesões corporais em pessoa(s) determinada(s) responderá pelos crimes em concurso formal ou material, dependendo da forma como a conduta for realizada.

(II) Se o imóvel incendiado pelo agente está localizado em local deserto ou distante de outras edificações, configurará apenas o delito de dano, pois não houve criação de um perigo comum e concreto para um número indeterminado de pessoas.

(III) Se o agente ao matar uma determinada pessoa com emprego

de fogo (art. 121, parágrafo 2º, inc. III), também expôs a perigo concreto a

vida, a integridade física e o patrimônio de um número indeterminado de pessoas, responderá por homicídio qualificado em concurso formal com o delito de incêndio (art. 250, caput, do CP).

(IV) O agente que ao provocar um incêndio gera perigo comum e

concreto e cuja finalidade seja o recebimento de indenização ou valor do seguro, deverá responder pelo delito do art. 250, caput em concurso material com o do art. 171, parágrafo 2º, inc. V, ambos do Código Penal. (obs.:

questão controversa na doutrina e jurisprudência).

12 JURISPRUDÊNCIA

“Para a caracterização do crime de incêndio é indispensável a criação de efetiva situação de perigo para a vida, a imunidade física ou patrimônio de outrem. É este delito,

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pela nossa lei, de perigo concreto, e não presumido. Se o agente visa a expor a perigo apenas uma pessoa certa e determinada, o crime será o do art. 132 do CP (perigo para a vida ou saúde de outrem). Só haverá o delito do art. 250 se o incêndio acarretar perigo para número indeterminado de pessoas ou bens” (TJSP – AC 75013-3 – Rel. Celso Limongi – RT

658/271).

“Nos crimes de perigo concreto exige-se a constatação do perigo real, ao contrário do que ocorre nos crimes de perigo presumido ou abstrato. Sem as provas nos autos de perigo real ao bem jurídico tutelado, que é a incolumidade pública, não se pode condenar ninguém pelo crime de incêndio em qualquer de suas modalidades: dolosa ou culposa” (TJCE – AC 11463 – Rel. Cláudio Santos – Jurisp. e Doutrina 137/237).

“Sem o dolo de perigo, que se objetiva com a criação de uma situação de perigo de dano a um indeterminado número de pessoas, o delito de incêndio não se aperfeiçoa” (TJSP – AC – Rel. Hoeppner Dutra – RT 430/348 e RJTJSP 17/518).

“Se o fato, por circunstâncias alheias à vontade do agente, não chega a comunicar-se à coisa visada, ou comunicando-se, vem a ser imediatamente extinto, não chegando a concretizar-se o perigo comum, o que se tem a identificar é a simples tentativa” (TJSP – AC – Rel. Weiss de Andrade – RT 507/360).

“Acusado que, afirmando pretender incendiar o caminhão da vítima, mune-se de uma lata de gasolina e dele se aproxima, sendo, no entanto, obstado a prosseguir a ação – Se a intenção do réu de incendiar o veículo da vítima ficou nos atos meramente preparatórios, sendo obstado a prosseguir na sua ação, não se pode falar em tentativa” (TJSP – AC – Rel. Alves Braga – RT 453/356).

“Se o incêndio provocado não gera perigo comum, tipifica-se o delito de dano qualificado” (TJSP – AC 54316-3 – Rel. Ângelo Gallucci – RT 623/280 e RJTJSP 108/480).

“Demonstrando que a intenção do réu, embora agindo imprudentemente, não era a de causar incêndio em propriedade alheia, a ausência do dolo específico possibilita a desclassificação da infração para a modalidade culposa” (TJSP – Rev. – Rel. Rezende Junqueira – RT 562/319).

“O laudo do Instituto de Criminalística é imprescindível à comprovação da materialidade do crime de incêndio” (TJSP – AC 163427-3 – Rel. Ferraz Felisardo – JTJ

181/272).

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“Não há crime de incêndio, se o fogo não teve pontecialidade para expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de um indeterminado número de pessoas. Resta configurada a prática de crime de dano qualificado (art. 163, parágrafo único, inciso II, do CP), se o incêndio limitou-se a atingir a motocicleta da vítima, visando o agente somente à destruição daquele bem” (TJMG, Processo 1.0686.02.054609-5/001[1], Relª. Beatriz Pinheiro Caires, pub. 3/5/2005).

O que distingue o crime de incêndio do de estelionato previsto no art. 171, § 2º, n.º V, do Código Penal é o perigo comum, indiferentemente a este tipo penal (TJRJ, Ap. 1993.050.000843, Rel. Adolphino Ribeiro, j. 4/11/1993).

Juiz autoriza bloqueio de bens de donos de boate incendiada O juiz de plantão do fórum de Santa Maria (RS), Afif Simões Neto, deferiu na noite desta segunda-feira pedido de liminar da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul determinando o bloqueio dos bens dos quatro proprietários da Boate Kiss, onde um incêndio deixou mais de 230 mortos na madrugada de domingo. A casa noturna está no nome de duas mulheres, que segundo a Polícia Civil, seriam parentes dos donos do negócio, o empresário Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, e seu sócio Mauro Hoffman. O objetivo da ação judicial, segundo a Defensoria Pública, é assegurar a reserva de patrimônio da empresa e de seus proprietários, para garantir pagamentos de eventuais indenizações aos familiares das vítimas. "O propósito da Defensoria Pública é assegurar o direito das pessoas a terem garantida futura indenização, de modo coletivo e igualitário a todos os familiares das vítimas da tragédia", disse o defensor público-geral do Estado, Nilton Arnecke Maria. A Defensoria Pública, entretanto, ressalta que a ação não discute a responsabilidade civil dos réus. Desde a manhã de domingo, uma força-tarefa do órgão atua especificamente em assuntos referentes à tragédia de Santa Maria. Defensores públicos destacados pelo órgão prestam orientações jurídicas, informações e encaminhamentos de documentos aos familiares de vítimas. Entre as ações feitas pela Defensoria está a liberação judicial para que familiares pudessem cremar os corpos de vítimas do incêndio. A legislação brasileira prevê que vítimas de mortes violentas, com incêndios, só podem ter seus corpos cremados com autorização de um juiz. (29/01/2013 - 14:36 | Fonte: Terra)

TJRS - Decretada prisão de quatro envolvidos em incêndio em Santa Maria O Juiz de Direito plantonista no Foro de Santa Maria, Régis Adil Bertolini, decretou a prisão temporária de quatro pessoas: dois proprietários da casa noturna. Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Hoffman, do vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e do produtor da banda, Luciano Augusto Bonilha Leão. A medida atende pedido da autoridade policial para que não haja interferência nas investigações. Segundo a polícia, houve o desaparecimento dos

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equipamentos que possuíam as imagens do interior da boate no momento da tragédia. Segundo o magistrado, a prisão temporária será por cinco dias, prorrogável por igual período. Não se mostra razoável, por ora, prolongar o prazo por 30 dias, salvo se outros motivos surgirem durante o inquérito policial. Fonte: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (Publicado em 29 de Janeiro de 2013 às 11h50)

TJRS - Revogada prisão preventiva dos quatro réus no processo da Boate

Kiss

Em decisão unânime, a 1ª Câmara Criminal do TJRS concedeu habeas corpus para soltura do músico da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos. A concessão foi estendida aos demais réus no processo, Elissandro Callegaro Spohr, Luciano Augusto Bonilha Leão e Mauro Londero Hoffmann. A decisão é da última quarta-feira (29/5). A defesa de Marcelo de Jesus dos Santos impetrou o habeas corpus com pedido de revogação da prisão preventiva com o argumento de desnecessidade da segregação cautelar decretada por conveniência da instrução criminal e como garantia da ordem pública. O relator do processo na 1ª Câmara Criminal foi o Desembargador Manuel Martinez Lucas, que votou pela concessão do habeas. Segundo o magistrado, o Juiz de Santa Maria elaborou uma minuciosa fundamentação para a prisão preventiva, na época, como garantia da ordem pública. No entanto, passados quatro meses da tragédia, não é possível admitir a garantia da ordem pública como fundamento geral e irrestrito para manter a prisão. No caso vertente, o douto magistrado a quo teceu longas considerações sobre o episódio da boate Kiss e suas dramáticas consequências, extravasando uma emoção consentânea com a comoção geral da comunidade, o que era compreensível e natural naquele momento, pois o Juiz também é homem e tem humanas reações, felizmente para seus jurisdicionados. Como adiantei, toda essa argumentação tinha razão de ser no momento em que lançada a decisão, mas, a meu juízo, já não se sustenta, afirmou relator. O magistrado destacou ainda que, além de não se verificar na conduta dos réus qualquer traço excepcional de maldade, também não se pode apontar neles qualquer periculosidade, pois, pelo que se tem, são pessoas de bem, sem antecedentes criminais. Não se vislumbra na conduta dos réus elementos de crueldade, de hediondez, de absoluto desprezo pela vida humana que se encontram, infelizmente com frequência, em outros casos de homicídios e de delitos vários, afirmou o Desembargador. A ordem de revogação da prisão foi concedida ao réu Marcelo de Jesus dos Santos e aos demais réus, por aplicação analógica do art. 580 do Código de Processo Penal. Também participaram do julgamento o Desembargador Julio Cesar Finger e a Juíza de Direito convocada ao TJRS, Osnilda Pisa. Também foi julgado, na sessão de hoje, um habeas corpus impetrado pela defesa de Elissandro Spohr, que pretendia anular o recebimento da denúncia por parte do Juízo de Santa Maria. Segundo a defesa, a descrição dos fatos foi genérica em relação às vítimas do episódio. O relator também foi o Desembargador Manuel Martinez Lucas, que não concedeu

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a anulação do recebimento da denúncia. Segundo o magistrado, está demonstrada na denúncia a materialidade dos fatos e a participação dos acusados, não havendo dúvida de que se trata de fato típico. Só tem cabimento o trancamento da ação penal, por falta de justa causa, quando sequer, em tese, o fato denunciado constitui crime. Também participaram do julgamento o Desembargador Julio Cesar Finger e a Juíza de Direito convocada ao TJRS, Osnilda Pisa, que acompanharam o voto do relator. Fonte: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (Publicado em 31 de Maio de 2013 às 14h15)

MPRS - MP ingressa com quatro medidas contra decisão que libertou réus denunciados por incêndio na boate Kiss O Ministério Público ingressou nesta terça-feira, 18 de junho, com quatro medidas contra a decisão do Tribunal de Justiça que libertou, no dia 29 de maio, os quatro réus denunciados e presos preventivamente pelas mortes ocorridas na boate Kiss, em Santa Maria. Foram protocolados pelo MP/RS um pedido de suspensão da ordem de habeas corpus junto à Presidência do Supremo Tribunal Federal; um recurso extraordinário, também no STF, e um recurso especial dirigido ao Superior Tribunal de Justiça. Ainda foi encaminhada ao Tribunal de Justiça uma medida cautelar objetivando o efeito suspensivo dos referidos recursos, especial e extraordinário. Fonte: Ministério Público do Rio Grande do Sul (Publicado em 19 de Junho de 2013 às 15h20)

STJ - Justiça Militar recebe denúncia em caso de incêndio de base na

Antártica

A primeira instância da Justiça Militar da União, em Brasília, recebeu denúncia contra militar acusado de ser responsável pela morte de outros militares (homicídio culposo) e dano a instalação militar, em decorrência do incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz, em 25 de fevereiro de 2012. O acusado foi denunciado pelo Ministério Público Militar (MPM). Por determinação do juiz da Auditoria de Brasília, o processo corre em segredo de justiça a fim de resguardar informações relativas à segurança nacional e aos interesses geopolíticos da República Federativa do Brasil. A pedido do MPM, o juiz determinou o arquivamento em relação a outros dois militares, por falta de indícios consistentes que apontassem o envolvimento dos dois. No dia 28 de fevereiro, às 14h, terá início a instrução criminal do referido processo, com realização da qualificação e interrogatório do acusado e inquirição das seis testemunhas arroladas pelo Ministério Público Militar. A sessão não será pública, em razão do segredo de justiça decretado. Fonte: Superior Tribunal Militar (Publicado em 18 de Fevereiro de 2013 às 09h08)