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PLANEJAMENTO E

CONTROLE DA
PRODUÇÃO I

Coronel Fabriciano
Julho de 2015.

Elaborada pela Professora: Kívia Gomes

Versão: 3.0

Índice
CAPÍTULO 1 – VISÃO GERAL DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO ................................................ 5
1.1 Introdução ............................................................................................................................. 5
1.2 Funções dos Sistemas de Produção ..................................................................................... 6
1.2.1 Função Produção ........................................................................................................... 7
1.2.2 Função Marketing ........................................................................................................... 8
1.2.3 Função Finanças ............................................................................................................ 8
1.2.4 Outras funções de Suporte ............................................................................................. 8
1.2.4.1 Engenharia .............................................................................................................. 8
1.2.4.2 Compras/Sumprimentos .......................................................................................... 9
1.2.4.3 Manutenção ............................................................................................................. 9
1.2.4.4 Recursos Humanos ................................................................................................. 9
1.3 Planejamento e Controle da Produção .................................................................................. 9
1.3.1. Planejamento Estratégico da Produção ....................................................................... 12
1.3.2. Planejamento-Mestre da Produção ............................................................................. 12
1.3.3. Programação da Produção .......................................................................................... 12
1.3.4. Acompanhamento e Controle da Produção ................................................................. 12
1.4 Classificação dos Sistemas de Produção ............................................................................ 13
1.4.1. Por grau de padronização dos produtos ...................................................................... 13
1.4.1.1. Produtos Padronizados ........................................................................................ 13
1.4.1.2. Produtos sob Encomenda..................................................................................... 13
1.4.2. Por tipo de operações ................................................................................................. 13
1.4.2.1. Processos Contínuos............................................................................................ 13
1.4.2.2. Processos Discretos ............................................................................................. 14
1.4.3. Por natureza do produto .............................................................................................. 15
1.4.3.1. Produtos Tangíveis ............................................................................................... 15
1.4.3.2. Produtos Intangíveis ............................................................................................. 15
CAPÍTULO 2 – PREVISÃO DE DEMANDA .................................................................................. 16
2.1. Introdução .......................................................................................................................... 16
2.2. Etapas de um Modelo de Previsão ..................................................................................... 16
2.2.1. 1ª Etapa – Objetivo do modelo .................................................................................... 17
2.2.2. 2ª Etapa – Coleta e análise dos dados ........................................................................ 17
2.2.3. 3ª etapa – Seleção da técnica de previsão .................................................................. 18
2.2.4. 4ª etapa – Obtenção das previsões ............................................................................. 18
2.2.5. 5ª etapa – Monitoração do modelo .............................................................................. 18
2.3. Técnicas de Previsão ......................................................................................................... 18
2.3.1. Técnicas Qualitativas .................................................................................................. 19
2.3.2. Técnicas Quantitativas ................................................................................................ 19
2.4. Previsões baseadas em Séries Temporais ........................................................................ 19
2.4.1. Técnicas para Previsão da Média................................................................................ 20
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Profª.: Kívia Gomes

2.4.1.1. Média Móvel ......................................................................................................... 20
2.4.1.2. Média Exponencial Móvel ..................................................................................... 21
2.5. Previsões baseadas em Correlações ................................................................................. 23
2.6. Manutenção e Monitoração do Modelo .............................................................................. 25
CAPÍTULO 3 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA PRODUÇÃO ........................................... 27
3.1 Introdução ........................................................................................................................... 27
3.2 Missão Corporativa ............................................................................................................. 27
3.3 Estratégia Corporativa......................................................................................................... 28
3.4 Estratégia Competitiva ........................................................................................................ 28
3.5 Estratégia de Produção ....................................................................................................... 29
3.5.1. Critérios estratégicos da produção .............................................................................. 30
3.5.2. Áreas de decisão na produção .................................................................................... 30
3.6 Plano de Produção.............................................................................................................. 31
3.6.1. Entradas para o Plano de Produção ............................................................................ 32
3.6.2. Preparação do Plano de Produção .............................................................................. 33
3.6.2.1 Plano de Produção – Exemplo 3.1......................................................................... 34
3.7 Análise da Capacidade de Produção .................................................................................. 36
CAPÍTULO 4 – PLANEJAMENTO-MESTRE DA PRODUÇÃO ..................................................... 38
4.1 Introdução ........................................................................................................................... 38
4.2 Elaboração do Plano-Mestre de Produção .......................................................................... 39
4.2.1. Arquivo do Plano-Mestre de Produção ........................................................................ 39
4.2.2. Itens que entram no Plano-Mestre de Produção.......................................................... 41
4.2.3Tempo no Plano-Mestre de Produção ........................................................................... 41
4.3 Análise da Capacidade de Produção PMP .......................................................................... 42
CAPÍTULO 5 – ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES ..................................................................... 43
5.1 Programação da Produção ................................................................................................. 43
5.2 Administração de Estoques ................................................................................................. 44
5.3 Classificação ABC dos Estoques ........................................................................................ 45
5.4 Tamanho do Lote de Reposição – Lote Econômico ............................................................ 47
5.5 Modelos de Controle de Estoques....................................................................................... 47
5.5.1 Controle de Estoques por Ponto de Pedido .................................................................. 48
5.5.2 Controle de Estoques pelo MRP .................................................................................. 48
5.6 Estoques de Segurança ...................................................................................................... 49
CAPÍTULO 6 – SEQUENCIAMENTO E EMISSÃO DE ORDENS ................................................. 50
6.1 Introdução ........................................................................................................................... 50
6.2 Sequenciamento nos Processos Contínuos ........................................................................ 50
6.3 Sequenciamento nos Processos Repetitivos em Massa ..................................................... 51
6.4 Sequenciamento nos Processos Repetitivos em Lote ......................................................... 52
6.4.1 Regras de Sequenciamento ......................................................................................... 53
6.4.2 Teoria das Restrições................................................................................................... 55
6.5 Emissão e Liberação das Ordens........................................................................................ 55
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Profª.: Kívia Gomes

.....CAPÍTULO 7 – ACOMPANHAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO ..........................3......................3 Controle sob a Ótica do TQC ............................................................................2 Sistema Kanban com Um Cartão ..............................................................3...................................................................... 67 8.............3....................................................................... 68 8...................: Kívia Gomes .1 Pré-Requisitos para o Funcionamento do Sistema Kanban .............3..........................4 Cálculo do Número de Cartões Kanban ...............................................4 Painel Porta-Kanban ...................................................................1 Cartão Kanban de Produção ..................................................3 Sistema Kanban com Fornecedores.............................................................. 67 8.............. 57 7...5 Medidas de Desempenho do Processo ....................................... 60 7.............................................2............... 65 8.... 57 7...................................1 Introdução ................... 69 REFEÊNCIAS BIBLOGRÁFICAS ..........2 Cartão Kanban de Requisição Interna ...... 68 8...................3.... 70 UnilesteMG Profª................2..................................................................................................5...... 63 8........................3 Cartão Kanban de Fornecedor ...2 Funções do Acompanhamento e Controle da Produção ............................................................................................. 64 8...5 Funções Executadas pelo Sistema Kanban ............. 63 8....3 Funcionamento do Sistema Kanban...................................4 O Ciclo PDCA para Controle de Processos ...............2................................................................................................ 59 7..................1 Introdução ..................................2 Tipos de Cartões Kanban ................................................................................ 59 7............................... 66 8............................... 64 8........................................................................ 65 8...............................................1 Sistema Kanban com Dois Cartões .......................................................3.................................................... 66 8................. 69 8...................................... 61 CAPÍTULO 8 – SISTEMA KANBAN ......2.............

a manutenção e revisões periódicas do produto.  Além de produzir alimentos. Empresas de bens ou serviços que não adaptarem seus sistemas produtivos para melhoria contínua da produtividade não terão espaço nesse processo de globalização.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 5 CAPÍTULO 1 – VISÃO GERAL DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO 1. uma série de atividades básicas deve ser executada:  Prever a demanda por alimentação.  Dentro de uma cadeia produtiva podem existir os dois tipos de produção. etc.  Com baixos lead times e estoques no atendimento das necessidades dos clientes.. como a de serviços.  Elaborar uma sequência viável de fabricação. etc.  Planejar e acompanhar os estoques de alimentos e materiais complementares. UnilesteMG Profª. os pneus. a montagem do carro.: Kívia Gomes . A conceituação de sistemas produtivos abrange tanto a produção de bens.1 Introdução Capitalismo – definindo novos paradigmas produtivos.  Objetivo principal: atender de forma rápida e padronizada às necessidades alimentares dos clientes.  Exemplo .Cadeia Automobilística:  Etapas do sistema produtivo que fabricam bens: o motor. Hoje as empresas devem possuir um sistema:  Flexível de produção.  E outras etapas que fabricam serviços: a venda do carro pela concessionária. Exemplo de um sistema produtivo voltado para Serviços: Restaurante Fast food.  Com rapidez no projeto e implantação de novos produtos.

de prevenção.  Planejar e acompanhar os estoques de peças.  Produção. os sistemas produtivos devem exercer uma série de funções operacionais.  A Produção não pode ampliar sua capacidade produtiva sem o aval de Finanças para comprar equipamentos. quer dizer do planejamento. programação e controle do sistema.  Motivar.: Kívia Gomes . deve-se:  Prever a demanda. etc.  Da segurança física dos bens e instalações. os problemas enfrentados pela administração são semelhantes:  Planejar a produção. desempenhadas por pessoas.  Motivar e treinar a mão de obra.  Da organização e limpeza do ambiente. componentes e sub-montagens. Em ambos os casos. Essas funções podem ser agrupadas em três funções básicas:  Finanças. Exemplo de um sistema produtivo típico de bens: Fábrica de Eletrodomésticos.  Do planejamento e inspeção da qualidade.  Objetivo Principal: montar equipamentos eletrodomésticos com base na compra ou fabricação de peças componentes e colocá-los à disposição dos clientes. recrutamento e treinamento de funcionários. até o controle dos estoques.  Manter os padrões de qualidade. aplicação dos recursos financeiros.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 6  Dimensionar a necessidade de máquinas e mão de obra.  Sequenciar as atividades.  Marketing.  E garantia da qualidade. O sucesso de um sistema produtivo depende da forma como essas três funções se relacionam.  Motivar e treinar a mão de obra.  Planejar e administrar os recursos produtivos de acordo com a demanda.  Montar um esquema de manutenção dos equipamentos e instalações. UnilesteMG Profª. etc.  Elaborar a sequência produtiva.  Não podendo esquecer:  Da manutenção dos equipamentos e instalações. Exemplo:  Marketing não pode promover a venda de bens ou serviços que a Produção não consiga executar.  Administrar os estoques.2 Funções dos Sistemas de Produção Para atingir seus objetivos. distribuição dos produtos. que vão desde o projeto dos produtos. padronizar e treinar a mão de obra. 1.  Além da fabricação e montagem dos eletrodomésticos. A eficiência de qualquer sistema produtivo depende da forma como esses problemas são resolvidos. etc.

2000. Fonte: Tubino.1: Funções básicas de um sistema de produção. etc.2. Figura 1.  entretenimento. A Tabela 1. Além das operações de fabricação e montagem de bens.1 apresenta alguns exemplos de operações produtivas e em quais sistemas produtivos elas ocorrem. A estrutura funcional deve ceder espaço a uma estrutura operacional multilateral e aberta. a função de Produção também compreende as atividades de:  armazenagem. 2000. quando estão voltadas para a área de serviços.2: Estrutura operacional.  aluguel.. como mostra a Figura 1.: Kívia Gomes .  movimentação. 1. Fonte: Tubino. UnilesteMG Profª. onde a responsabilidade pelas ações vai até o ponto em que o efeito dessa ação se fizer sentir.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 7 Figura 1.1 Função Produção Consiste em todas as atividades que diretamente estão relacionadas com a produção de bens ou serviços.2.

Finanças deve providenciar:  a orçamentação e o acompanhamento de receitas e despesas. visando ao projeto de novos bens ou serviços a serem desenvolvidos.2.2. 1.4.  e.1 Exemplos de Operações produtivas Fonte: Tubino. por outro lado (longo prazo).  e a análise econômica dos investimentos produtivos.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 8 Tabela 1.4 Outras funções de Suporte 1. tomando decisões sobre estratégias de publicidade e estimativas de preços para os mesmos. buscar informações sobre potenciais necessidades dos clientes.2.2. 1.  a provisão de fundos para atender a esse orçamento. 2000. Todas as atividades produtivas que não adicionarem valor aos bens ou serviços devem ser consideradas como perdas e eliminadas. Com relação a seu envolvimento com o sistema de produção e o planejamento e controle do mesmo. A essência da função Produção consiste em adicionar valor aos bens ou serviços durante o processo de transformação.: Kívia Gomes . Marketing está encarregado de contactar os clientes e sentir o mercado.3 Função Finanças Está encarregada de administrar os recursos financeiros da empresa e alocá-los onde forem necessários.2 Função Marketing Está encarregada de vender e promover os bens e serviços produzidos por uma empresa.1 Engenharia UnilesteMG Profª. abastecer a Produção com informações sobre a demanda pelos produtos atuais. 1. visando:  por um lado (médio e curto prazo). permitindo o planejamento e programação da produção.

2.4.4 Recursos Humanos É de sua responsabilidade recrutar e treinar os funcionários. e Engenharia do Processo ou Industrial. ao serem definidas suas metas e estratégias. e pelas condições ambientais de salubridade e segurança.2. componentes.3 Manutenção Encarrega-se em manter os equipamentos e instalações do sistema de produção em perfeito estado de uso.  O PCP usa as informações da Engenharia para identificar o que e como produzir os produtos solicitados pelos clientes.3 Planejamento e Controle da Produção Em um sistema produtivo. passando-lhe informações sobre o planejamento das quantidades de materiais e prazos necessários para o atendimento de um programa de produção.2 Compras/Sumprimentos Têm por responsabilidade suprir o sistema produtivo com as matérias-primas. 1. e o replanejamento exige rapidez na troca de informações sobre a mudança de estado dos mesmos. e acompanhar esta ação. definindo o patamar de produção necessário para atender à previsão de demanda. a negociação de contratos.2.  O PCP tem interesse imediato no bom andamento das atividades de manutenção. estabelecer as relações trabalhistas.4.  direcionar a ação dos recursos humanos sobre os físicos. UnilesteMG Profª. base para uma política de recrutamento e treinamento. pela produção de pequenas máquinas. definição de materiais.  O PCP relaciona-se com Recursos Humanos a longo prazo. 1.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 9 Assume todas as funções técnicas de projeto dos produtos e dos processos de fabricação e montagem dos bens ou serviços. a política salarial e fazer com que os mesmos se sintam prestigiados e envolvidos com a eficiência do sistema produtivo.  Pode subdividir-se em Engenharia do Produto.. 1. faz-se necessário:  formular planos para atingi-las. 1.  O PCP relaciona-se diretamente com Compras. permitindo a correção de prováveis desvios. envolvendo a definição do roteiro de fabricação e montagem dos produtos projetados. materiais indiretos e equipamentos necessários à produção dos bens ou serviços. e curto prazo programando os recursos produtivos onde os funcionários serão alocados. etc. e acompanhando o desempenho dos fornecedores no atendimento desse programa.: Kívia Gomes . parâmetros dimensionais. solicitando-lhe a reposição dos materiais.  administrar os recursos humanos e físicos com base nesses planos.  Pode ser responsável também pela produção do ferramental.4. envolvendo o projeto do produto com desenhos. A programação da produção exige o conhecimento das condições físicas dos equipamentos e instalações.

Figura 1. Uma visão geral do inter-relacionamento das atividades do PCP é apresentada na Figura 1.3: Fluxo de informações do PCP. UnilesteMG Profª.4. As atividades do PCP são exercidas nos três níveis hierárquicos de planejamento e controle das atividades produtivas de um sistema de produção. tático e operacional.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 10 Como departamento de apoio. ver Figura 1.: Kívia Gomes .3. 2000. de forma a atender da melhor maneira possível aos planos estabelecidos em níveis estratégico. Fonte: Tubino. o PCP é responsável pela coordenação e aplicação dos recursos produtivos.

porém pode-se afirmar que os horizontes dependerão da flexibilidade do sistema produtivo.  Médio Prazo: em semanas com a abrangência de meses à frente.  Longo Prazo: é medido em meses ou trimestres com alcance de anos.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 11 Figura 1. para a semana em curso. Fonte: Tubino.: Kívia Gomes . médio e curto prazo?  Não existe um padrão. 2000.  Qual o período de abrangência do longo.  Curto Prazo: é medido em dias. UnilesteMG Profª.4: Visão geral das atividades do PCP. Uma questão importante na definição das atividades de PCP diz respeito aos horizontes de planejamento e programação da produção.

1.: Kívia Gomes .3. Planejamento Estratégico da Produção Consiste em estabelecer um Plano de Produção para determinado período (longo prazo) segundo as estimativas de vendas e a disponibilidade de recursos financeiros e produtivos.2. detalhado a médio prazo. Acompanhamento e Controle da Produção Por meio da coleta e análise dos dados. Fonte: Tubino. a partir do Plano de Produção. com base nas previsões de vendas de médio prazo ou nos pedidos em carteira já confirmados. É encarregada de fazer o sequenciamento das ordens emitidas. de forma a otimizar a utilização dos recursos. 1. 1. período a período. baseado no PMP e nos registros de controle de estoques. atividades e objetivos para a tomada de decisão nas empresas. fabricação e montagem dos itens. tendo como finalidade possibilitar a adequação dos recursos produtivos à demanda esperada dos mesmos. É responsável pela emissão e liberação das ordens de compra.3. 1. O PMP especifica itens finais que fazem parte das famílias de produtos do Plano de Produção.3.3. 1. busca garantir que o programa de produção emitido seja executado conforme planejado.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 12 Figura 1. Programação da Produção Estabelece a curto prazo quanto e quando comprar. UnilesteMG Profª. fabricar ou montar de cada item necessário à composição dos produtos finais. 2000.3. Planejamento-Mestre da Produção Consiste em estabelecer um Plano-Mestre de Produção (PMP) de produtos finais.4. O Plano de Produção trabalha com famílias de produtos.5: Prazos.

2. 1. alta costura. Exemplos de fabricação de bens: eletrodomésticos. consumo de materiais. Normalmente possuem grande capacidade ociosa e dificuldade em padronizar os métodos de trabalho e os recursos produtivos. etc.4. Por tipo de operações Processos Contínuos X Processos Discretos 1.2. clínicas médicas. petróleo e derivados. construção civil. 1. produtos químicos de forma geral.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 13 Além das informações úteis ao PCP.1. Produtos sob Encomenda São bens ou serviços desenvolvidos para um cliente específico. 1.1. UnilesteMG Profª. etc. alimentos industrializados. Processos Contínuos Envolvem a produção de bens ou serviços que não podem ser identificados individualmente.1.4. combustíveis. como energia elétrica. automóveis.4. índices de quebras de máquinas. Por grau de padronização dos produtos Produtos Padronizados X Produtos sob Encomenda 1.4 Classificação dos Sistemas de Produção Existem três formas de classificar os sistemas de produção. estaleiros. Produtos Padronizados São bens ou serviços que apresentam:  alto grau de uniformidade. Exemplos de fabricação de bens: fabricação de máquinas-ferramentas.  estão à disposição no mercado para os clientes. Exemplos de fabricação de bens: produção de bens de base. fast foods. horas/máquinas e horas/homens consumidas.1. etc.2. serviços bancários. Exemplos de prestação de serviços: táxis. etc. 1.  São empregados quando existe alta uniformidade na produção e demanda de bens ou serviços e não há flexibilidade no sistema.  seus sistemas produtivos podem ser organizados de forma a padronizar mais facilmente os recursos produtivos e os métodos de trabalho e controle. projetos arquitetônicos.1.4. roupas.: Kívia Gomes . etc.4.) para outros setores do sistema produtivo.  são produzidos em grande escala. o Acompanhamento e Controle da Produção está encarregado de coletar dados (índices de defeitos. Exemplos de prestação de serviços: linhas aéreas. etc.

laboratórios de análise química.2. ferragens. arquitetura. cada lote segue uma série de operações que necessita ser programada à medida que as operações anteriores forem realizadas. com todas as suas atividades voltadas para essa meta. aviões. A) Processos Repetitivos em Massa: são empregados na produção em grande escala de produtos altamente padronizados. etc. etc. C) Processos por Projeto: tem como finalidade o atendimento de uma necessidade específica dos clientes.  Exemplos de prestação de serviços: oficinas de reparo para automóveis e aparelhos eletrônicos. Tabela 1. em lote ou unidades. gado.  Exemplos de prestação de serviços: agências de propaganda. etc. cada lote ou produto podendo ser identificado individualmente em relação aos demais.  Exemplos de fabricação de bens: produtos têxteis em pequena escala (sapatos).4. eletrodomésticos. Processos Discretos Envolvem a produção de bens ou serviços que podem ser isolados. 1. etc. abate e beneficiamento de aves.: Kívia Gomes .2 Características dos sistemas de produção Fonte: Tubino. escritórios de advocacia. etc. suínos. produtos têxteis. sistemas de monitoramento por radar. etc.  Exemplos de prestação de serviços: transporte aéreo.2. etc.  Exemplos de fabricação de bens: navios.  Exemplos de fabricação de bens: automóveis. B) Processos Repetitivos em Lote: caracterizam-se pela produção de um volume médio de bens ou serviços padronizados em lotes. usinas hidroelétricas. UnilesteMG Profª. alimentos industrializados. produtos cerâmicos. editoração de jornais e revistas.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 14 Exemplos de prestação de serviços: serviços de aquecimento e ar condicionado. 2000.

: Kívia Gomes . Por natureza do produto Produtos Tangíveis X Produtos Intangíveis 1. como uma consulta médica.4. podendo apenas ser sentido. Produtos Tangíveis Quando o produto fabricado é algo tangível. diz-se que o sistema de produção é uma manufatura de bens. uma geladeira.3.3.4.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 15 1. podendo ser tocado e visto. Produtos Intangíveis Quando o produto gerado é intangível.3. como um carro.2. UnilesteMG Profª. diz-se que o sistema de produção é um prestador de serviços. 1.1. um filme.4.

O setor de Marketing ou Vendas é. normalmente. Introdução A previsão da demanda é a base para o planejamento estratégico da produção. 2. envolvendo a definição de:  planos de produção e armazenagem.  vendas.  Planejar o uso do sistema produtivo: previsões de médio e curto prazo são empregadas para o planejamento-mestre e programação da produção no sentido de utilizar os recursos disponíveis.  e sequenciamento da produção.  que qualificação de mão de obra buscar.  mão de obra. vendas e finanças de qualquer empresa.  fluxo de caixa. A previsão da demanda é a principal informação empregada pelo PCP na elaboração de suas atividades.1): UnilesteMG Profª. Etapas de um Modelo de Previsão Um modelo de previsão da demanda pode ser dividido em cinco etapas (Figura 2.  planos de compras e reposição dos estoques.  em que nível de atividade trabalhar.  compras.1.: Kívia Gomes . O valor previsto será sempre uma aproximação do valor real. etc. o responsável pela preparação da previsão da demanda. e afeta de forma direta o desempenho esperado de suas funções de planejamento e controle do sistema produtivo. A previsão da demanda dos produtos não é uma ciência exata. As previsões são usadas pelo PCP em dois momentos distintos:  Planejar o sistema produtivo: previsões de longo prazo usadas para elaborar estrategicamente o plano de produção definindo:  que produtos e serviços oferecer ao mercado.  planos de cargas de mão de obra.  produção e estoques.2. As empresas podem desenvolver os planos de:  capacidade.  de que instalações e equipamentos dispor.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 16 CAPÍTULO 2 – PREVISÃO DE DEMANDA 2. envolve uma boa dose de experiência e julgamento pessoal do planejador. etc. As previsões permitem que os administradores dos sistemas produtivos antevejam o futuro e planejem adequadamente suas ações.

mensal.1.  Alguns cuidados básicos que devem ser tomados na coleta e análise dos dados:  quanto mais dados históricos forem coletados e analisados. Fonte: Tubino.2. no sentido de identificar e desenvolver a técnica de previsão que melhor se adapte. anual etc. trimestral. 1ª Etapa – Objetivo do modelo Consiste em definir a razão pela qual necessitamos de previsões.  o tamanho do período de consolidação dos dados (semanal.: Kívia Gomes .Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 17 Objetivo do modelo Coleta e análise dos dados Seleção da técnica de previsão Obtenção das previsões Monitoração do modelo Figura 2. 2000.) tem influência direta na escolha da técnica de previsão mais adequada. mais confiável a técnica de previsão será. como promoções especiais. devem ser analisadas e substituídas por valores médios. 2ª Etapa – Coleta e análise dos dados Consiste em coletar e analisar os dados históricos do produto. compatíveis com o comportamento normal da demanda.1: Etapas do modelo de previsão da demanda. 2.  Variações extraordinárias da demanda.  Periodicidades diferentes para dados idênticos: UnilesteMG Profª.2.  Que produto (ou famílias de produtos) será previsto.2. 2. com que grau de acuracidade e detalhe a previsão trabalhará.  os dados devem buscar a caracterização da demanda pelos produtos da empresa. e que recursos estarão disponíveis para esta previsão?  A sofisticação e o detalhamento do modelo dependem da importância relativa do produto (ou família de produto) a ser previsto e do horizonte ao qual a previsão se destina.

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Figura 2.2: Exemplos de periodicidades diferentes.
Fonte: Tubino, 2000.

2.2.3. 3ª etapa – Seleção da técnica de previsão
Consiste em escolher a técnica de previsão mais apropriada. Não existe uma técnica que seja
adequada a todas as situações.
 Alguns fatores a serem avaliados para escolha da técnica de previsão são:
 custo do erro decorrente de uma previsão inadequada;
 acuracidade dos dados;
 disponibilidade de dados históricos;
 disponibilidade de recursos computacionais;
 experiência passada com a aplicação de determinada técnica;
 disponibilidade de tempo para coletar, analisar e preparar os dados e a previsão;
 período de planejamento para o qual necessitamos da previsão.
2.2.4. 4ª etapa – Obtenção das previsões
Com a definição da técnica de previsão e a aplicação dos dados passados para obtenção dos
parâmetros necessários, podemos obter as projeções futuras da demanda.
2.2.5. 5ª etapa – Monitoração do modelo
Consiste em monitorar a extensão do erro entre a demanda real e a prevista, para verificar se a
técnica e os parâmetros empregados são válidos.

2.3. Técnicas de Previsão
As características gerais que estão presentes em todas as técnicas de previsão são:
 supõe-se que as causas que influenciaram a demanda passada continuarão a agir no
futuro;
 as previsões não são perfeitas, pois não somos capazes de prever todas as variações
aleatórias que ocorrerão;
 a acuracidade das previsões diminui com o aumento do período de tempo analisado;
 a previsão para grupos de produtos é mais precisa do que para os produtos
individualmente, visto que, no grupo os erros individuais de previsão se minimizam.

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As técnicas de previsões podem ser subdivididas em dois grandes grupos: as técnicas qualitativas e
as quantitativas.
2.3.1. Técnicas Qualitativas
Privilegiam dados subjetivos, os quais são difíceis de representar numericamente. Estão baseadas
na opinião e no julgamento de pessoas-chaves, especialistas nos produtos ou nos mercados onde
atuam estes produtos. São mais rápidas de se preparar e são empregadas:
 quando não se dispõe de tempo para coletar e analisar os dados da demanda passada;
 na introdução de um produto novo, para o qual não existam dados passados em que se
possa apoiar;
 quando o panorama econômico e político for muito instável, tornando os dados passados
rapidamente obsoletos.
2.3.2. Técnicas Quantitativas
Envolvem a análise numérica dos dados passados, isentando-se de opiniões pessoais ou palpites.
Consistem em analisar os dados passados objetivamente, empregando-se modelos matemáticos
para projetar a demanda futura. Podem ser subdivididas em dois grandes grupos:
 as técnicas baseadas em séries temporais: procuram modelar matematicamente a
demanda futura relacionando os dados históricos do próprio produto com o tempo;
 as técnicas baseadas em correlações: procuram associar os dados históricos do produto
com uma ou mais variáveis que tenham alguma relação com a demanda do produto.

2.4. Previsões baseadas em Séries Temporais
As previsões baseadas em séries temporais partem do princípio de que a demanda futura será
uma projeção de seus valores passados, não sofrendo influência de outras variáveis. É o método
mais simples e usual de previsão, e quando bem elaborado oferece bons resultados. Para montar
o modelo de previsão, é necessário plotar os dados passados e identificar os fatores que estão por
trás das características da curva obtida.

Figura 2.3: Fatores que influenciam séries históricas.
Fonte: Tubino, 2000.

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Fatores que influenciam séries históricas:
 Tendência: consiste num movimento gradual de longo prazo, direcionando os dados.
 Sazonalidade: refere-se a variações cíclicas de curto prazo, relacionadas ao fator tempo,
como a influência de alterações climáticas ou férias escolares.
 Variações irregulares: são alterações na demanda passada resultantes de fatores
excepcionais, como greves ou catástrofes climáticas, que não podem ser previstos e,
portanto, incluídos no modelo.
 Excluindo-se os fatores de tendência, sazonalidade e excepcionalidade, restam as
variações aleatórias, ou normais, que serão tratadas pela média.
2.4.1. Técnicas para Previsão da Média
Procuram privilegiar os dados mais recentes da série histórica, que normalmente representam
melhor a situação atual. As técnicas mais empregadas são: a média móvel e a média exponencial
móvel.
2.4.1.1. Média Móvel
Utiliza dados de um número predeterminado de períodos, normalmente os mais recentes, para
gerar sua previsão. A cada novo período de previsão se substitui o dado mais antigo pelo mais
recente.
A média móvel pode ser obtida a partir da seguinte equação:

em que:
- Mmn = Média móvel de n períodos;
- Di = Demanda ocorrida no período i;
- n = Número de períodos;
(
)
- i = índice do período
Exemplo 2.1: Considerando que a demanda nos últimos seis meses de determinado produto foi
igual à apresentada na tabela seguinte, calcule a demanda para o mês de julho por meio da média
móvel de três períodos.
Período

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Demanda

60

50

45

50

45

70

UnilesteMG

Profª.: Kívia Gomes

.Mt = Previsão para o período t. vamos admitir que para uma média móvel de três períodos. corrigido por um coeficiente de ponderação.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 21 Exemplo 2. . ou de forma exponencial. = Coeficiente de ponderação.4.1. conforme se queira dar mais ou menos ênfase ao período. . o do meio 30% e o mais antigo 20%.  A soma das ponderações tem que ser igual a 1. pondera-se com pesos maiores os dados mais recentes. Sua equação é: ( ) em que: .Dt-1 = Demanda do período t-1. o período mais recente tenha ponderação de 50%.2: Admitindo que em Julho a demanda real foi de 60 unidades.2. 2. Calcule a previsão para o mês de julho. Exemplo 2.: Kívia Gomes .1. acrescida do erro cometido na previsão anterior.3: Acompanhando o exemplo 2. Média Exponencial Móvel O peso de cada observação decresce no tempo em progressão geométrica. a nova previsão para Agosto seria? Outra alternativa de ponderar a importância relativa dos períodos empregados na previsão consiste em atribuir-lhes pesos diferentes. Cada nova previsão é obtida com base na previsão anterior.  Normalmente. UnilesteMG Profª.Mt-1 = Previsão para o período t-1.

para um valor de  = 0. Período Demanda 1 90 Período Demanda 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 90 95 98 90 92 95 90 100 92 95 UnilesteMG 2 95 3 98 4 90 5 92 6 95  = 0.4: Qual seria a próxima previsão da demanda de um produto. utilizando  = 0.50 Previsão Erro Profª.1? Exemplo 2. Quanto maior o seu valor. Empregar a média exponencial móvel para prever a demanda do período 11.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 22 O coeficiente de ponderação () é fixado pelo analista dentro de uma faixa que varia de 0 a 1.50. mais rapidamente o modelo de previsão reagirá a uma variação real da demanda. sabendo que a previsão anterior foi de 100 unidades e que o valor real atingiu 110 unidades.10 Previsão Erro 7 90 8 100 9 92 10 95  = 0.10 e  = 0. Exemplo 2.: Kívia Gomes .5: Admitindo que as demandas nos últimos 10 períodos tiveram o comportamento mostrado na tabela seguinte.

Previsões baseadas em Correlações As previsões baseadas em correlações buscam prever a demanda de determinado produto com base na previsão de outra variável que esteja relacionada com o produto.5. em que: . Dois tipos de dados precisam ser levantados:  o histórico da demanda do produto em questão (variável dependente – Y). O objetivo das previsões baseadas em correlações consiste em estabelecer uma equação que identifique o efeito da variável de previsão sobre a demanda do produto em análise. .n = Número de pares XY observados (∑ ) (∑ )(∑ ) (∑ ) (∑ ) UnilesteMG ∑ (∑ ) Profª.  o histórico da variável de previsão (variável independente – X).a = Ordenada à origem.b = Coeficiente angular.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 23 2.: Kívia Gomes . ou interceptação no eixo dos Y. . . .Y = Previsão da demanda para o item dependente.X = Valor da variável independente.

20 15.50 32.20 11.750.00 12.6: Uma cadeia de fast food verificou que as vendas mensais de refeições em suas casas estão relacionadas ao número de alunos matriculados em escolas situadas num raio de 2km em torno da casa.00 22.00 6.50 34.56 10. A empresa pretende instalar uma nova casa numa região onde o número de alunos é de 13.00 38.: Kívia Gomes .25 8.00 45.00 9.00 25.40 40.30 10.60 41.70 24.00 12.10 29.10 ∑ UnilesteMG ∑ ∑ ∑ Profª. Os dados referentes às vendas mensais e ao número de alunos matriculados num de 2km das 13 casas da cadeia estão apresentados na Tabela seguinte.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 24 Exemplo 2.10 14.00 47.20 7. Qual a previsão da demanda para essa nova casa? Vendas por Casa Y (mil) Número de Alunos X (mil) 31.20 40.00 13.90 13.

valores acima e abaixo dos reais.Dprevista = Demanda prevista no período.  variações irregulares na demanda podem ter acontecido em função de greves. que é a diferença entre o valor da demanda e o valor previsto pelo modelo para dado período. catástrofes naturais. afetando a demanda.  permitir a escolha de técnicas. ou parâmetros. formação de estoques temporários.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 25 2. Uma forma de acompanhar o desempenho do modelo consiste em verificar o comportamento do erro acumulado.: Kívia Gomes . compara-se o valor do erro acumulado com o valor de 4MAD. há necessidade de acompanhar o desempenho das previsões e confirmar sua validade perante a dinâmica atual dos dados. Manutenção e Monitoração do Modelo Uma vez decidida a técnica de previsão e implantado o modelo. A manutenção e monitorização de um modelo de previsão confiável busca:  verificar a acuracidade dos valores previstos. aleatoriamente.6. ∑ | | em que: .  Identificar. mais eficientes. pois espera-se que o modelo de previsão gere. Em geral.. devendo assim se anular.  ações estratégicas da concorrência. o problema deve ser identificado e o modelo deve ser revisto. sendo que os mais comuns são:  a técnica de previsão pode estar sendo usada incorretamente ou sendo mal interpretada. MAD (Mean Absolute Deviation). A monitoração é realizada por meio de cálculo e acompanhamento do erro da previsão. isolar e corrigir variações anormais. O erro acumulado deve ser comparado com um múltiplo do desvio médio absoluto.  variações aleatórias aos dados da demanda. . UnilesteMG Profª.n = Número de períodos Uma série de fatores pode afetar o desempenho de um modelo de previsão. . Quando erro > 4MAD.Datual = Demanda ocorrida no período. que deve tender a zero. etc.  a técnica de previsão perdeu a validade devido à mudança em uma variável importante ou devido ao aparecimento de uma nova variável.

50) e compará-las ao valor padrão de 4MAD. podemos calcular o valor dos erros acumulados para as duas alternativas de previsões empregando a média exponencial móvel ( = 0.50 Previsão Erro ∑ Profª. Período Demanda 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 90 95 98 90 92 95 90 100 92 95  = 0.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 26 Exemplo 2.5.10 e  = 0.7: Aproveitando os dados do exemplo 2.: Kívia Gomes .10 Previsão Erro ∑ UnilesteMG  = 0.

bem como a filosofia gerencial da empresa para administrálo. Fonte: Tubino. a empresa deve entender os limites de suas forças e habilidades no relacionamento com o meio ambiente.  fornecedores. etc. 3. 2000. de maneira a criar vantagens competitivas em relação à concorrência. é a razão de sua existência.  Para efetuar um planejamento estratégico.  funcionários. UnilesteMG Profª.1: Visão geral do Planejamento Estratégico. Representa os interesses dos diversos públicos que compõem o negócio:  acionistas. Definição clara de qual é o negócio atual da empresa e qual deverá ser no futuro. aproveitando-se de todas as situações que lhe trouxerem ganhos.2 Missão Corporativa É a base de uma empresa. Figura 3.1 Introdução O planejamento estratégico busca maximizar os resultados das operações e minimizar os riscos nas tomadas de decisões das empresas.  O impacto de suas decisões são de longo prazo e afetam a natureza e as características das empresas no sentido de garantir o atendimento de sua missão.  clientes.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 27 CAPÍTULO 3 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA PRODUÇÃO 3.: Kívia Gomes .

: Kívia Gomes . em dado instante. suas metas de desempenho e as estratégias que serão formuladas para as várias áreas funcionais do negócio. Figura 3.4 Estratégia Competitiva Estratégia Competitiva. 2000. 3.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 28 3.3 Estratégia Corporativa Define as áreas de negócios em que a empresa deverá atuar. UnilesteMG Profª. propõem a base na qual os diferentes negócios da empresa irão competir no mercado. Fonte: Tubino. É a estratégia corporativa que faz com que os diversos negócios da empresa tenham um sentido comum e obtenham resultados superiores à mera soma dos resultados individuais. ou estratégia da unidade de negócios.2: Direcionamento da estratégia corporativa. é a escolha de determinada posição competitiva. 2000. Figura 3. para suportar a competição e buscar tais metas. e como ela deverá adquirir e priorizar os recursos corporativos para atender às reivindicações de cada unidade de negócios. Uma estratégia competitiva.3: Dinâmica da estratégia competitiva. Fonte: Tubino. A estratégia corporativa deverá especificar em que condições a diversificação de negócios contribuirá para o crescimento sustentável de toda a corporação.

3. Após a definição da estratégia competitiva a ser adotada pela empresa. que dá sustento à posição competitiva da unidade de negócios da empresa.4: Estratégias Funcionais.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 29 Porter (1986) define três estratégias genéricas de margem/volume que podem ser empregadas na competição pelo mercado:  Liderança de custos: a empresa deverá buscar a produção ao menor custo possível. A estratégia produtiva deve especificar como a produção irá suportar uma vantagem competitiva e como irá complementar e apoiar as demais estratégias funcionais.  Focalização: a empresa deverá focar suas habilidades em determinado grupo de clientes e atendê-los melhor do que os demais competidores do mercado. Fonte: Tubino.: Kívia Gomes . Figura 3. podendo com isto praticar os menores preços do mercado e aumentar o volume de vendas. pode-se então passar ao detalhamento das estratégias funcionais adequadas ao atendimento dessa questão.5 Estratégia de Produção Consiste na definição de um conjunto de políticas. UnilesteMG Profª. Fonte: Tubino. 2000. no âmbito da função de produção.  Diferenciação: busca-se a exclusividade em alguma característica do produto que seja mais valorizada pelos clientes. Figura 3.5: Definição da estratégia produtiva. 2000.

Tabela 3. UnilesteMG Profª.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 30 3.: Kívia Gomes .5. de desempenho são relevantes para a empresa e que prioridades relativas devem ser dadas a eles.1.2. 3. Critérios estratégicos da produção O objetivo da estratégia de produção é fornecer à empresa um conjunto de características produtivas que deem suporte à obtenção de vantagens competitivas a longo prazo.2 Descrição das áreas de decisão Fonte: Tubino. Áreas de decisão na produção As políticas definidas para cada área do sistema de produção orientam a operação e evolução desse sistema. Tabela 3.5. 2000.  Ponto de partida: estabelecer quais critérios. ou parâmetros.1 Descrição dos critérios de desempenho Fonte: Tubino. 2000.

recursos humanos. que sofre alterações conforme o mercado e a concorrência forem posicionando-se. em que as informações serão desmembradas. Figura 3. chamado de plano de produção. que tem por meta direcionar os recursos produtivos para as estratégias escolhidas.: Kívia Gomes .  Os períodos de planejamento são de meses ou trimestres.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 31 As decisões estratégicas devem ser entendidas como um processo dinâmico. UnilesteMG Profª.6: Dinâmica da estratégia de produção. O plano de produção trabalha com informações agregadas de vendas e produção.  Há necessidade de desenvolver uma dinâmica de replanejamento que seja empregada sempre que uma variável importante do plano se alterar substancialmente.  Os produtos são medidos em valores financeiros.  A nível tático. normalmente com o agrupamento de produtos em famílias afins. é elaborado um plano de longo prazo. abrangendo um ou mais anos à frente. estoques.6 Plano de Produção Como resultado das decisões estratégicas no âmbito da produção.  Este plano servirá de base para equacionar os níveis de produção. máquinas e instalações necessárias para atender à demanda prevista de bens e serviços. 2000. Fonte: Tubino. 3. o plano de produção servirá de base para desenvolver o planejamentomestre da produção.

2000.3 Informações necessárias a um plano de produção Fonte: Tubino. 2000. 2) Manter uma taxa de produção casada com a demanda Figura 3.7: Taxa de produção constante. Ao se projetar um plano de produção.: Kívia Gomes .6.8: Produção casada com vendas.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 32 3. busca-se atender as necessidades dos clientes com um sistema produtivo eficiente. decidindo com base nas variáveis que influenciam as taxas de demanda e de produção. Ao traçar os rumos estratégicos da produção. 2000. Fonte: Tubino. têm-se três grupos de alternativas básicas que poderão ser seguidas: 1) Manter uma taxa de produção constante Figura 3. Fonte: Tubino. Tabela 3. UnilesteMG Profª. Entradas para o Plano de Produção Há uma série de informações necessárias para a elaboração de um plano que atenda às políticas definidas para a área de produção.1. que satisfaça os critérios estratégicos da produção.

eleger o plano mais viável estrategicamente.9: Produção em patamares.2. 3. 2000. 8. algoritmos genéticos. UnilesteMG Profª. outras aproveitam-se da experiência e do bom senso dos planejadores.  Técnicas informais de tentativa e erro: empregam tabelas e gráficos para visualizar as situações planejadas e decidir pela mais viável.: Kívia Gomes . 6. ou buscar estabilidade para a mão de obra para pelo menos seis meses.). etc. turno extra. Os passos básicos para gerar um plano de produção são os seguintes: 1. programação por objetivos. 5. estabelecer o horizonte e os períodos de tempo a serem incluídos no plano. determinar os custos de cada alternativa de produção disponível. etc. para buscar a melhor alternativa. etc.). 2.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 33 3) Variar a taxa de produção em patamares Figura 3. 4. para cada alternativa disponível (turno normal. Preparação do Plano de Produção Várias técnicas podem ser utilizadas para auxiliar na elaboração de um plano de produção. Fonte: Tubino.). simulação. 3. definir as políticas de produção e estoques que delimitarão o plano (por exemplo: manter um estoque de segurança de 10% da demanda. subcontratações. desenvolver planos de produção alternativos e calcular os custos decorrentes. no horizonte de planejamento. determinar a capacidade de produção pretendida por período. 9. determinar a previsão da demanda destas famílias para os períodos. 7. não atrasar entregas.  Técnicas matemáticas: empregam modelos matemáticos (programação linear.6. agrupar os produtos em famílias afins. analisar as restrições de capacidade produtiva. Algumas delas procuram soluções otimizadas.

previsão de demanda e custos são apresentados na Tabela 3.4. vamos admitir atrasos e transferências de entregas para os períodos seguintes.1: Desenvolver um plano de produção de uma família de produtos. Tabela 3.000/8 = 250) por trimestre e utilizar os estoques para absorver as variações da demanda. 2000. para os próximos dois anos com períodos trimestrais. UnilesteMG Profª. 2000.1 Fonte: Tubino.1 Fonte: Tubino.: Kívia Gomes . vamos supor que a estratégia adotada seja de manter a capacidade produtiva constante de 250 unidades (2.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 34 3.6. Nesta primeira alternativa de plano. Na primeira alternativa a ser analisada.2. Os dados de estoques.1 Plano de Produção – Exemplo 3.1 Exemplo 3. Tabela 3.5: Alternativa 1 do exemplo 3.4: Dados do exemplo 3.

Para uma terceira alternativa.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 35 Na segunda alternativa.: Kívia Gomes . vamos admitir a introdução de turnos extras de até 40 unidades por trimestre. UnilesteMG Profª. Tabela 3.6: Alternativa 2 do exemplo 3.1 Fonte: Tubino. vamos supor que o ritmo de produção normal seja de 200 unidades por trimestre.7: Alternativa 3 do exemplo 3. 2000. Não se aceitam atrasos na entrega. e que até 40 unidades por trimestre possam ser obtidas com turnos extras e o restante subcontratado de terceiros em lotes de 25 unidades. Tabela 3. um ritmo de produção normal de 230 unidades e a possibilidade de atrasar e entregar pedidos nos períodos seguintes. 2000.1 Fonte: Tubino.

Tabela 3.9.2 Fonte: Tubino.  Se os recursos foram excessivos e gerarem ociosidade.9: Padrões de consumo de exemplo 3. UnilesteMG Profª. Uma rotina que pode ser seguida para análise da capacidade produtiva é apresentada a seguir: 1. 2. multiplicar o padrão de consumo de cada família para cada grupo de recursos pela quantidade de produção própria prevista no plano para cada família.2: Vamos admitir que uma unidade de negócios (ou uma fábrica focalizada) trabalhe com quatro famílias de produtos e possua uma linha de montagem e cinco células de fabricação em sua estrutura produtiva. e o plano de produção das quatro famílias é apresentado na Tabela 3. para cada família em cada grupo de recursos. consolidar as necessidades de capacidade para cada grupo de recursos. Exemplo 3.2 Fonte: Tubino.: Kívia Gomes .  Se os recursos disponíveis e previstos não forem suficientes. 2000.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 36 3. 2000. 4. mais recursos deverão ser planejados ou o plano reduzido.7 Análise da Capacidade de Produção Um bom planejamento estratégico da produção deve preocupar-se em balancear os recursos produtivos de forma a atender à demanda com uma carga adequada para os recursos da empresa. Tabela 3. em horas por unidade.8: Padrões de consumo de exemplo 3. são apresentados na Tabela 3. Os dados padrões de consumo.8. 3. obter o padrão de consumo (horas/unidade) de cada família de produtos no plano para cada grupo de recursos. a demanda planejada poderá ser aumentada ou os recursos excessivos poderão ser dispensados e transformados em capital. identificar os grupos de recursos a serem incluídos na análise.

10: Capacidade de produção prevista e atual da montagem no exemplo 3.2. A Tabela 3.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 37 Com o cruzamento dos dados das Tabelas 3. enquanto dispomos de 480 horas no turno normal (40 horas/semana x 12 semanas). Figura 3.9 podemos obter o consumo em horas de cada família para cada trimestre e totalizar as cargas de trabalho por grupo de recursos. de 555 horas para o terceiro etc. A Figura 3. Para o primeiro trimestre os valores foram obtidos da seguinte forma: Tabela 3.8 e 3. 2000. UnilesteMG Profª. Fonte: Tubino. 2000. de 549 horas para o segundo.10 ilustra esta situação.2 Fonte: Tubino.10 apresenta estes cálculos. O plano de produção está prevendo um carregamento de 549 horas para o 1º trimestre na linha de montagem.10: Total das cargas de trabalho em horas do exemplo 3..: Kívia Gomes .

1 Introdução Plano-Mestre de Produção (PMP) é o resultado do Planejamento-Mestre de Produção  formalizará as decisões tomadas quanto à necessidade de produtos acabados (produtos finais) para cada período analisado.: Kívia Gomes . UnilesteMG Profª. Fonte: Tubino. 2000. Figura 4.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 38 CAPÍTULO 4 – PLANEJAMENTO-MESTRE DA PRODUÇÃO 4.1: Hierarquização dos planos.

2. informatizar o sistema de cálculo referente à elaboração do PMP).. em que a partir de um PMP inicial busca-se verificar a disponibilidade de recursos para sua execução: O PMP diferencia-se do Plano de Produção sob dois aspectos: 1.1.  Produção: colocará suas limitações de capacidade e instalações.  Engenharia: fornecerá os padrões atuais de tempos e consumos de materiais para execução das tarefas. Arquivo do Plano-Mestre de Produção Para facilitar o tratamento das informações (em alguns casos. etc. 2. Na elaboração do PMP. 4.  Recursos Humanos: apresentará seu plano de contratação e treinamento pessoal. UnilesteMG Profª. horas extras. emprega-se um arquivo com as informações detalhadas por item que será planejado: a) Demanda Prevista: previsão da demanda do item para o horizonte de planejamento analisado.2 Elaboração do Plano-Mestre de Produção 4. etc. estão envolvidas todas as áreas que têm um contato mais direto com a manufatura. tanto no sentido de fornecer subsídios para a tomada de decisões. nível de agregação dos produtos.: Kívia Gomes . novos equipamentos.  Compras: informará suas necessidades referentes à logística de fornecimento externo.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 39 O PMP é obtido por um processo de tentativa e erro.  Marketing: passará seu plano de vendas e a previsão da demanda para os períodos analisados.  Finanças: coordenará os gastos com estoques. como no sentido de usar as informações do PMP. unidade de tempo analisada.

: Kívia Gomes . UnilesteMG Profª.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 40 b) Demanda Confirmada: demanda já confirmada pelos clientes no período analisado.2: Arquivo do PMP com estoque mínimo Fonte: Tubino. Tabela 4. Admite-se que este item é produzido em lotes de 100 unidades e mantém um estoque mínimo de 50 unidades. A Tabela 4.2 mostra o arquivo de um item produzido para estoque para os próximos dois meses. Tabela 4. 2000. divididos em períodos semanais. Admite-se que este item é produzido em lotes de 100 unidades. aplicam políticas de estoques que visam amortecer os erros de previsões e nivelar o ritmo de produção. c) Recebimentos Programados: quantidades dos itens que já foram programadas anteriormente e que estão previstas para darem entrada dentro do horizonte de planejamento do PMP. divididos em períodos semanais. e) PMP: quantidades planejadas para a produção do item. A Tabela 4. Os estoques projetados influenciam na forma como o PMP se desenrolará.1 mostra o arquivo de um item produzido para estoque para os próximos dois meses. d) Estoques Projetados: informações de estoques disponíveis e projetados. 2000. As empresas ao fazerem seu Planejamento-Mestre da Produção.1: Arquivo do PMP Fonte: Tubino.

Fonte: Tubino. direcionando as prioridades.2.: Kívia Gomes . Mudanças no nível firme são caras e indesejáveis.2.2. à medida que se avança no tempo elas são permitidas. Fonte: Tubino. Figura 4. 2) A amplitude (ou horizonte) que o plano deve abranger em sua análise:  O PMP é desmembrado em dois níveis de horizontes de tempo. 4.3Tempo no Plano-Mestre de Produção O Planejamento-Mestre da Produção trabalha com a variável tempo em duas dimensões: 1) Determinação da unidade de tempo para cada intervalo do plano:  A determinação dos intervalos de tempo que compõem o PMP dependerá da velocidade de fabricação do produto incluído no plano e da possibilidade prática de alterar o plano. com objetivos diferenciados: a) Nível firme de horizonte curto: o PMP serve de base para a programação da produção e a ocupação dos recursos produtivos. b) No nível sujeito a alterações com horizonte longo: o PMP serve para o planejamento da capacidade de produção e as negociações com os diversos setores envolvidos na elaboração do plano. Itens que entram no Plano-Mestre de Produção Figura 4.3: Dinâmica do PMP. 2000. 2000.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 41 4. UnilesteMG Profª.  Normalmente trabalham-se com intervalos de semanas.2: Estrutura de um produto acabado.

horas-homem/unidade. ou gargalos). Identificar os recursos a serem incluídos na análise (pode-se considerar apenas os recursos críticos. m³/unidade. Obter o plano de consumo da variável que se pretende analisar (horas-máquinas/unidades. 4. Consolidar as necessidades de capacidade para cada recurso. 3. Rotina de análise da capacidade produtiva do PMP: 1. 5.3 Análise da Capacidade de Produção PMP A função da análise de capacidade produtiva do PMP consiste em equacionar os recursos produtivos da parte variável do plano. Estes padrões de consumo são conhecidos como “perfis de carga unitária do produto”. Comparar as disponibilidades dos recursos com as necessidades de capacidade calculadas em cada período para a tomada de decisão quanto à viabilidade do PMP. etc. UnilesteMG Profª.) de cada produto acabado (final) incluído no PMP para cada recurso. 2.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 42 4. Os padrões de consumo dos recursos devem levar em conta em que período este recurso será acionado quando da programação do produto acabado. de forma a garantir uma passagem segura para sua parte fixa e posterior programação da produção. Multiplicar o padrão de consumo de cada produto para cada recurso pela quantidade de produção em cada período prevista no PMP.: Kívia Gomes .

Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 43 CAPÍTULO 5 – ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES 5. 2000.1 Programação da Produção Figura 5.1: Hierarquia das funções do PCP Fonte: Tubino. UnilesteMG Profª.: Kívia Gomes .

etc.  Emissão e liberação de ordens.2 Administração de Estoques Tipos principais de estoques:  Matérias-primas.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 44 Atividades da programação da produção no sistema de Empurrar a Produção:  Administração de Estoques.: Kívia Gomes . Sistema Puxar a produção – as atividades são operacionalizadas pelo sistema Kanban.  Sequenciamento.  Produtos em processo. As principais funções para as quais os estoques são criados:  Garantir a independência entre etapas produtivas  A colocação de estoques amortecedores entre etapas de produção ou distribuição da cadeia produtiva permite que estas etapas possam ser encaradas como independentes das demais.  Itens componentes comprados ou produzidos internamente.  Produtos acabados.  Permitir uma produção constante  Sistemas produtivos que possuem variações sazonais em sua demanda ou em suas matérias-primas estocam produtos acabados ou matérias-primas para evitar que o ritmo de produção sofra grandes saltos nestes períodos.  Ferramentas e dispositivos para as máquinas.  Peças de manutenção. UnilesteMG Profª. gerando um excedente que precisa ser administrado. 5.  Materiais indiretos.  Possibilitar o uso de lotes econômicos  Algumas etapas do sistema produtivo só permitem a produção ou a movimentação econômica de lotes maiores do que a necessidade de consumo imediata.

 definir os estoques de segurança do sistema. B e C. podendo-se calcular também as percentagens acumuladas. Calcula-se a demanda valorizada de cada item. UnilesteMG Profª.  Como fator de segurança  Variações aleatórias na demanda são administradas pela colocação de estoques de segurança baseados no erro do modelo de previsão. 5. 4. 5.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 45  Reduzir os lead times produtivos  A manutenção de estoques intermediários dentro dos sistemas produtivos permite que o prazos de entrega dos produtos possam ser reduzidos. consistindo em separar os itens por classe de acordo com sua importância relativa.2: Classificação ABC Fonte: Tubino. No planejamento e controle dos estoques. Pode-se elaborar a classificação ABC por demanda valorizada empregando a seguinte rotina: 1. compram em quantidades superiores às necessárias visando obter desconto no preço unitário. É responsável pela definição do planejamento e controle dos níveis de estoque. quanto menor o nível de estoques com que um sistema produtivo conseguir trabalhar. há necessidade de:  equacionar os tamanhos dos lotes.  Para obter vantagens de preço  Algumas empresas incrementam seus níveis de estoques para se prevenir de possíveis aumentos de preços. Colocam-se os itens em ordem decrescente de valor de demanda valorizada. Calculam-se as percentagens da demanda valorizada de cada item em relação a demanda valorizada total. 3. 2000. 2.3 Classificação ABC dos Estoques É um método de diferenciação dos estoques segundo sua maior ou menor abrangência em relação a determinado fator. mais eficiente este sistema será. Como os estoques não agregam valor aos produtos. estabelecem-se as classes A. Calcula-se a demanda valorizada total dos itens. Figura 5.: Kívia Gomes . multiplicando-se o valor da demanda pelo custo unitário do item.  definir a forma de reposição. normalmente dos materiais comprados. ou ainda. Em função dos critérios de decisões.

1: A Tabela 5.2: Cálculo das Classes dos itens Fonte: Tubino.1. Faça a classificação ABC dos itens da Tabela 5. 2000.: Kívia Gomes .3: Gráfico ABC dos itens Fonte: Tubino.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 46 Exemplo 5.1: Valores da demanda anual e custo unitário de 10 itens Fonte: Tubino.1 apresenta uma amostra de 10 itens com as demandas anuais e custos unitários. 2000. Tabela 5. 2000. Figura 5. Tabela 5. UnilesteMG Profª.

: Kívia Gomes .Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 47 5. B. Modelos que buscam diretamente emitir as ordens de reposição:  Modelos baseados na lógica MRP (Material Requirement Planning – Planejamento de Necessidade de Materiais).5 Modelos de Controle de Estoques Pode-se dividir os modelos convencionais de controle de estoques em dois grupos: A. conforme os dados abaixo: 5. UnilesteMG Profª.4 Tamanho do Lote de Reposição – Lote Econômico O custo unitário do item é fixo e a entrega do lote de reposição é realizada de uma única vez. Tamanho do lote de reposição: Número de reposições durante o período: Exemplo 5.2: Calcule o tamanho do lote de reposição e o número de reposições de um determinado item. Modelos que indiretamente se encarregam de determinar o momento da emissão das ordens de reposição:  Controle por Ponto de Pedido.

Vamos admitir que este item tenha um estoque de segurança de 80 unidades.: Kívia Gomes . um custo de preparação do pedido de $200.3: Suponhamos que um item tenha uma demanda anual de 1. e um tempo de ressuprimento de 15 dias.2 Controle de Estoques pelo MRP Tabela 5.00. uma taxa de encargos financeiros sobre os estoques de 50% ao ano e um custo unitário de $10. 2000. Supondo um ano com 300 dias úteis e a reposição se dando através de lotes econômicos. chamada de Ponto de Pedido ou de reposição que. podemos montar o modelo de controle por ponto de pedido da seguinte forma: 5.3: Exemplo de MRP Fonte: Tubino. UnilesteMG Profª. dá partida ao processo de reposição do item em uma quantidade preestabelecida. Exemplo 5.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 48 5. quando atingida.00.5.5.200 unidades.1 Controle de Estoques por Ponto de Pedido Consiste em estabelecer uma quantidade de itens em estoque.

A determinação dos estoques de segurança leva em consideração dois fatores que devem ser equilibrados: 1) Os custos decorrentes do esgotamento do item.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 49 5.: Kívia Gomes .4: Para um item com demanda média de 200 unidades por mês e desvio padrão de 15 unidades. maiores deverão ser os estoques de segurança do sistema. Qual seria o estoque de segurança? UnilesteMG Profª. dado que é apenas durante este período que os estoques podem acabar e causar problemas ao fluxo produtivo. se pretende dar um nível de serviço de 85%.6 Estoques de Segurança São projetados para absorver as variações na demanda durante o tempo de ressuprimento ou variações no próprio tempo de ressuprimento. Conforme o nível de serviço desejado para o item.  Quanto maiores forem essas variações. é função de quantas faltas admite-se durante o período de planejamento como suportável para deste item. A determinação do risco que se deseja correr ou do nível de serviço do item. tem-se um número de desvios padrões a considerar: Exemplo 5. 2) Os custos de manutenção dos estoques de segurança – custo de falta  na prática é difícil de ser determinado  decisões gerenciais sejam tomadas em cima de um determinado “risco”.

fazem com a eficiência do sistema produtivo dependa fundamentalmente de um processo dinâmico de sequenciamento e emissão do programa de produção.1: Hierarquia das funções da programação da produção.1 Introdução Escolhida uma sistemática de administração dos estoques.: Kívia Gomes . de forma direta ou indireta. alterações nas especificações dos itens ou deficiências na qualidade e nos ritmos de trabalho. instabilidades de curto prazo. dentro da dinâmica empresarial.2 Sequenciamento nos Processos Contínuos UnilesteMG Profª. Figura 6. Porém. 6. o sequenciamento e a emissão de um programa de produção deveriam ser uma tarefa simples para o PCP. fabricação e montagem dos itens para atender ao PMP. Muitas destas instabilidades estão relacionadas às características do próprio sistema produtivo com o qual se está trabalhando. as necessidades de compras. Fonte: Tubino. adiantamentos ou acréscimos em pedidos dos clientes. A princípio. como cancelamentos.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 50 CAPÍTULO 6 – SEQUENCIAMENTO E EMISSÃO DE ORDENS 6. 2000. serão geradas.

Os problemas de programação resumem-se à definição da velocidade que será dada ao sistema produtivo para atender determinada demanda estabelecida no PMP. conhecido como “balanceamento” de linha.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 51 Os processos contínuos de produção são empregados para produtos que não podem ser identificados individualmente. onde os produtos e processos produtivos são totalmente dependentes.  na manutenção das instalações produtivas. normalmente um por instalação.3 Sequenciamento nos Processos Repetitivos em Massa Os processos repetitivos em massa são empregados na produção em grande escala de produtos altamente padronizados. O trabalho da programação da produção nos processos repetitivos em massa consiste em buscar um ritmo equilibrado entre os vários postos de trabalho. a preocupação maior no atendimento de uma programação da produção concentra-se:  no fluxo de chegada de matérias-primas e. principalmente nas linhas de montagem. UnilesteMG Profª. Como os processos contínuos se propõem à produção de poucos itens.  O balanceamento da linha busca definir conjuntos de atividades que serão executados por homens e máquinas de forma a garantir um tempo de processamento aproximadamente igual (tempo de ciclo) entre os postos de trabalho. Exemplo: processos produtivos de automóveis. Em processos contínuos. expressa em termos de “tempo de ciclo” de trabalho.: Kívia Gomes . de forma a atender economicamente uma taxa de demanda. com alta uniformidade na produção e demanda. 6. porém identificáveis individualmente. eletrodomésticos. etc. não existem problemas de sequenciamento quanto à ordem de execução das atividades.

1) a escolha da ordem a ser processada dentre uma lista de ordens (decisão 1):  estabelecimento de prioridades entre os diversos lotes de fabricação concorrentes por um mesmo grupo de recursos.  Consiste em listar as ordens programadas no eixo vertical e o tempo no eixo horizontal. O gráfico de Gantt é um instrumento para a visualização de um programa de produção. 2) a escolha do recurso a ser usado dentre uma lista de recursos disponíveis (decisão 2):  na prática.2: Decisões no sequenciamento de processos repetitivos em lotes. conforme Figura 6. no sentido de atender a determinados objetivos. seja nos tempos de processamento ou de setup. fica restrita à situações onde existem variações significativas no desempenho dos equipamentos.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 52 6. onde cada lote segue uma série de operações que necessita ser programada à medida que as operações anteriores sejam concluídas. 2000. A questão do sequenciamento em processos repetitivos em lotes pode ser analisada sob dois aspectos.2: Figura 6. UnilesteMG Profª.: Kívia Gomes . auxiliando na análise de diferentes alternativas de sequenciamento deste programa. Fonte: Tubino.4 Sequenciamento nos Processos Repetitivos em Lote Os processos repetitivos em lotes caracterizam-se pela produção de um volume médio de itens padronizados em lotes.

2000. UnilesteMG Profª. Fonte: Tubino.  Geralmente. Porém. As regras de sequenciamento podem ser classificadas segundo várias óticas:  Regras estáticas e dinâmicas. a eficiência de um sequenciamento é medida em termos de três fatores: o lead time médio. qual dos lotes esperando na fila de um grupo de recursos terá prioridade de processamento. bem como. regras com índices ponderados e regras heurísticas sofisticadas.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 53 Figura 6. nada substitui um bom PMP e a utilização equilibrada dos recursos produtivos. a partir de informações sobre os lotes e/ou sobre o estado do sistema produtivo.: Kívia Gomes .2. que podem ser estabelecidos tendo por base as informações dos produtos finais ou dos lotes individualmente. 6. combinação de regras de prioridades simples. Não existem regras de sequenciamento que sejam eficientes em todas as situações.  Regras locais versus regras globais.  Soluções otimizadas empregam a Pesquisa Operacional. qual recurso deste grupo será carregado com esta ordem. o atraso médio e o estoque em processo médio.4. conforme visto na Figura 6. as informações mais importantes estão relacionadas com o tempo de processamento (lead time) e com a data de entrega.  Regras de prioridades simples.1 Regras de Sequenciamento As regras de sequenciamento são heurísticas usadas para selecionar. Geralmente.3: Gráfico de Gantt para os pedidos.

usinadas na máquina B. 2000. as datas de entrega (em número de horas a partir da programação) e as prioridades atribuídas a cada ordem são apresentados na Tabela 6. em seguida. Exemplo 6. MDE e IPI). MTP. Elabore a sequência das ordens de acordo com as regras de sequenciamento (PEPS.1: Cinco ordens de fabricação precisam ser estampadas na máquina A e. UnilesteMG Profª. admite-se que as ordens deram entrada em carteira no sentido da OF1 para a OF5. 2000.: Para aplicação da regra PEPS.2 Fonte: Tubino.2: Dados do exemplo 6.1: Regras de Sequenciamento Fonte: Tubino. Tabela 6. OBS. Os tempos de processamento (incluindo os setups).: Kívia Gomes .2.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 54 Tabela 6.

montagem e compras. homens.  Regra 1: A taxa de utilização de um recurso não gargalo não é determinada por sua capacidade de produção. caso contrário. consiste na emissão e liberação das ordens de fabricação.  Interatividade: devem facilitar a comunicação entre os agentes do processo produtivo.  Regra 2: Utilização e ativação de um recurso não são sinônimos. conforme Figuras abaixo.  Regra 10: A soma dos ótimos locais não é igual ao ótimo global. 6.  Regra 8: A capacidade do sistema e a programação das ordens devem ser consideradas simultaneamente. espaço.  Regra 3: Uma hora perdida num recurso gargalo é uma hora perdida em todo o sistema produtivo.4.) que limita o fluxo de itens no sistema. 6.  Gerar prioridades palpáveis: as regras aplicadas devem gerar prioridades de fácil interpretação. mas sim por alguma outra restrição do sistema. demanda.  Regra 6: Os lotes de processamento e de transferência não necessitam ser iguais.: Kívia Gomes . que permitirão aos diversos setores UnilesteMG Profª.5 Emissão e Liberação das Ordens A última atividade do PCP antes do início da produção. o usuário não verá sentido em aplicá-la.2 Teoria das Restrições Têm por base o princípio de “gargalo”.  Regra 9: Balanceie o fluxo e não a capacidade. Gargalo é um ponto do sistema produtivo (máquina. Pode-se identificar quatro tipos básicos de relacionamento entre recursos gargalos e não gargalos. e não sequencialmente. etc.  Regra 7: Os gargalos governam tanto o fluxo como os estoques do sistema.  Regra 4: Uma hora ganha num recurso não gargalo não representa nada. a avaliação de desempenho de utilização dos recursos produtivos.  Regra 5: Os lotes de processamento devem ser variáveis e não fixos.  Facilitar o processo de avaliação: as regras de sequenciamento devem promover.  Transparência: a lógica por trás das regras deve estar clara.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 55 Algumas características importantes em relação às regras empregadas para a definição do sequenciamento de um programa de produção:  Simplicidade: as regras devem ser simples e rápidas de entender e aplicar. propriamente dita. transporte. simultaneamente à programação.

máquinas e materiais. As ordens de fabricação e montagem. UnilesteMG Profª. antes de liberadas. por falta de recursos. Uma vez formalizada a documentação e encaminhada aos seus executores. fazendo com que seja difícil e antieconômico mudanças nesta programação.  Emitidas e liberadas as ordens. peças componentes e ferramentas é função que cabe ao PCP realizar.: Kívia Gomes . o sistema produtivo passará a etapa de execução do programa. e o PCP iniciará suas atividades de acompanhamento e controle da produção. antes de formalizar uma programação da produção. verifique se todos os recursos necessários para o atendimento destas ordens estejam disponíveis.  A verificação da disponibilidade de matérias-primas. antes da liberação das ordens de fabricação e montagem. montagem ou compras possam executar suas atividades.  É conveniente que o PCP. Até serem emitidas e liberadas.  A verificação destes itens é feita com auxílio dos registros de controle de estoques e ferramentas. estar ordens entram na esfera operacional do processo produtivo. necessitam serem verificadas quanto a disponibilidade de recursos humanos quanto a disponibilidade de recursos humanos.  A administração e verificação da disponibilidade de recursos humanos e máquinas fica a cargo dos encarregados dos setores.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 56 operacionais da empresa executarem suas atividades de forma coordenada.  Ações são tomadas e recursos alocados para a sua efetivação. As ordens de compra são encaminhadas para o Departamento de Compras.  Uma ordem de fabricação. evitando que ordens sejam emitidas e. no sentido de atender determinado PMP projetado para o período em questão. montagem ou compras deve conter as informações necessárias para que os setores responsáveis pela fabricação. não sejam atendidas. as ordens são apenas planos que se pretendem cumprir.

1 Introdução Figura 7. identificando os desvios. Fonte: Tubino.: Kívia Gomes . sua magnitude e fornecendo subsídios para que os responsáveis pelas ações corretivas possam agir.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 57 CAPÍTULO 7 – ACOMPANHAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO 7. O objetivo do acompanhamento e controle da produção é fornecer uma ligação entre o planejamento e a execução das atividades operacionais.1: Visão geral do PCP. 2000. UnilesteMG Profª.

com reflexo por toda a empresa. pois caso contrário. Atribuição de responsabilidade pelo cumprimento do programa de produção e pelo seu acompanhamento: UnilesteMG Profª.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 58 A questão da velocidade com que se deve obter o feedback das informações está associada ao tipo de processo produtivo. Um programa de produção deve ser realístico.: Kívia Gomes . os programas de produção ficarão desacreditados e o acompanhamento e controle da produção terá como função ficar “apagando incêndios”. pois sempre vale a pena exercer esforços para fazer validar os programas preestabelecidos. o que é desestimulante e improdutivo. sendo empregados como último recurso pelo PCP. Os replanejamentos devem ser evitados. Uma questão importante quanto a validade do programa de produção diz respeito à exatidão e a amplitude dos dados empregados para compor os planos produtivos. as ordens emitidas devem ter grandes possibilidades de serem executadas.  Mudanças nos planos implicam em alterações em todo o fluxo produtivo.

Engenharia.  Identificação dos desvios.  Fornecimento de informações produtivas aos demais setores da empresa (Finanças. 7.  Busca de ações corretivas. meio ambiente). conhecidos como os “6M” (matérias-primas. métodos. Fonte: Tubino. etc.  Emissão de novas diretrizes com base nas ações corretivas. no sentido de gerar uma saída ou um efeito (produto). Marketing.3 Controle sob a Ótica do TQC O TQC (Controle da Qualidade Total) define um processo como a reunião de seis fatores ou causas.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 59 7. máquinas.: Kívia Gomes . medida. Figura 7.  Comparação entre o programado e o executado. mão de obra.2: Diagrama de Ishikawa. 2000.2 Funções do Acompanhamento e Controle da Produção O programa de produção emitido é acompanhado e controlado pelo PCP através das seguintes funções:  Coleta e registro de dados sobre o estágio das atividades programadas.).  Preparação de relatórios de análise de desempenho do sistema produtivo. Recursos Humanos. UnilesteMG Profª.

um item de controle fora do padrão. por exemplo.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 60 O desempenho de um processo pode ser avaliado através de seus “itens de controle”. etc. O PCP deve manter itens de controle relacionados ao desempenho do processo produtivo quanto à qualidade. como. UnilesteMG Profª. Estas causas devem ser atacadas e bloqueadas para evitar que problemas futuros desta natureza tornem a ocorrer. o atendimento do prazo de entrega. que são também índices numéricos estabelecidos sobre as causas que influem em determinado item de controle. dentro da sua atribuição funcional.  o custo de depreciação dos equipamentos. tem-se os índices de verificação sobre:  o custo da mão de obra. A proposta do TQC é de que cada pessoa na empresa. Pode-se dizer que um problema ocorre em um processo quando um índice de controle deste processo está fora do padrão esperado. para suas causas. entrega e serviços do programa de produção emitido. custo.  o custo de materiais. entrega e serviços) analisadas em cima do efeito do processo ou produto.: Kívia Gomes . Sempre que ocorrer um problema. este poderá ser identificado e solucionado através dos seus itens de verificação sobre o processo. empregue o ciclo PDCA para gerenciar suas funções.  Exemplo: o lead time de um lote. ou seja. qualidade. isolando assim suas causas fundamentais. atraso no prazo de entrega de um lote.4 O Ciclo PDCA para Controle de Processos O ciclo PDCA para controle de processos é o método de gerenciamento da qualidade proposto pelo TQC. garantindo o atendimento dos padrões. como. seu custo produtivo. ou seja. Olhando para dentro do processo. pode-se relacionar os itens de controle com os chamados “itens de verificação” das causas. etc. por exemplo.  Exemplo: para o índice de controle do custo produtivo de um lote. os quais podem ser definidos como índices numéricos relacionados com as quatro dimensões da qualidade (custo.  o custo de programação da produção. 7. prazo de entrega da matéria-prima ou tempo de setup da máquina.

Cada vez que um problema é identificado e solucionado.  Executa-se a ação segundo a nova diretriz e verifica-se se foi efetiva no atendimento da meta. entrega e serviços do programa de produção em andamento. o sistema produtivo passa para um patamar superior de qualidade. o PCP incorpora a função de verificar como está o desempenho ou a qualidade do atendimento do programa de produção projetado para o período. 7. Figura 7. na etapa inicial do ciclo planeja-se uma meta a ser alcançada e um plano de ação para se atingir esta meta.  Em caso afirmativo. Os itens de controle ou as medidas de desempenho devem estar relacionados com o custo. No acompanhamento e controle da produção.  Os problemas são vistos como oportunidades para melhorar o processo. Fonte: Tubino. como co-responsável pela eficiência no atendimento do programa de produção. sendo este então o “processo” a ser acompanhado e avaliado.  Em caso de não-atendimento da meta.3: Ciclo PDCA do TQC. volta-se à etapa inicial e planeja-se novo método. devem estar relacionados com as quatro dimensões que a qualidade assume sobre o efeito deste processo.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 61 O PCP. O ciclo PDCA pode também ser usado para induzir melhoramentos. padroniza-se esta nova sistemática de ação.  Neste caso. qualidade. ou seja. UnilesteMG Profª. melhorar as diretrizes de controle. deve atuar e apoiar os participantes da cadeia produtiva no gerenciamento do ciclo PDCA.5 Medidas de Desempenho do Processo O desempenho de um processo deve ser avaliado através de seus itens de controle que. por sua vez. 2000.: Kívia Gomes .

2000. Why. When. principalmente quanto ao desempenho do programa de produção. Algumas considerações importantes quanto à definição de medidas de desempenho devem ser colocadas. Who. UnilesteMG Profª. Where. entre elas pode-se citar:  Dados visuais e físicos são mais fáceis de interpretar do que dados financeiros.1: Itens de Controle Fonte: Tubino. dados exatos podem demorar muito para serem obtidos enquanto ações corretivas podem ser tomadas com informações aproximadas. conhecidas com os “5W1H” (What. indicadores sobre famílias de produtos ao invés de itens isolados.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 62 Uma forma de organizar seus itens de controle sobre o programa de produção consiste em elaborar uma tabela de verificação a partir de seis questões a serem respondidas. Tabela 7. como por exemplo.: Kívia Gomes . propostas pelo TQC. ou seja.  Medidas de desempenho agregadas são mais fáceis de se obter e usar do que dados individualizados. How).  É mais importante obter valores oportunos do que exatos.

1 Introdução Figura 8.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 63 CAPÍTULO 8 – SISTEMA KANBAN 8.1: Empurrar e puxar a produção. Fonte: Tubino.: Kívia Gomes . UnilesteMG Profª. 2000.

2000. ao implantar seu sistema Kanban.2 Tipos de Cartões Kanban O sistema Kanban funciona baseado no uso de sinalizações para ativar a produção e movimentação dos itens pela fábrica.  Estas sinalizações são convencionalmente feitas com base nos cartões Kanban e nos painéis Porta-Kanbans. é empregado para autorizar a fabricação ou montagem de determinado lote de itens.2.  Cada empresa. Fonte: Tubino.1 Cartão Kanban de Produção Também chamado de Kanban de processo. confecciona seus próprios cartões de acordo com suas necessidades de informações. UnilesteMG Profª.: Kívia Gomes .Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 64 Figura 8.2: Visão geral das atividades do PCP com o sistema Kanban.  Os cartões Kanban convencionais são confeccionados de material durável para suportar o manuseio decorrente do giro constante entre os estoques do cliente e do fornecedor do item. tendo sua área de atuação restrita ao centro de trabalho que executa a atividade produtiva nos itens. 8. 8.

8.4: Cartão Kanban de Requisição. Figura 8.: Kívia Gomes . Fonte: Tubino.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 65 Figura 8. 2000. UnilesteMG Profª. retirada ou movimentação.2.3: Cartão Kanban de Produção. funciona como uma requisição de materiais.3 Cartão Kanban de Fornecedor Executa as funções de uma ordem de compra convencional. ou simplesmente cartão Kanban de requisição. autorizando o fluxo de itens entre o centro de trabalho produtor e o centro consumidor de itens. desde que o mesmo tenha consumido o lote de itens correspondente ao cartão. Fonte: Tubino. 8. ou seja. especificado no cartão. diretamente a seu usuário interno.2 Cartão Kanban de Requisição Interna Também chamado de cartão Kanban de transporte. autoriza o fornecedor externo da empresa a fazer uma entrega de um lote de itens. 2000.2.

4 Painel Porta-Kanban O sistema Kanban tradicional emprega painéis ou quadros de sinalização.5: Cartão Kanban de Fornecedor. 8.  Regra 5: O sistema Kanban deve adaptar-se a pequenas flutuações na demanda. Fonte: Tubino. 2000. chamados de painéis Porta-Kanban. 8. junto aos pontos de armazenagem espalhados pela produção. 2000.6: Painel Porta-Kanban. com a finalidade de sinalizar o fluxo de movimentação e consumo dos itens com base na fixação dos cartões Kanban nestes quadros. Fonte: Tubino. UnilesteMG Profª. Figura 8.  Regra 3: Produtos com defeito não devem ser liberados para os clientes.2.: Kívia Gomes .Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 66 Figura 8.  Regra 4: O número de Kanbans no sistema deve ser minimizado.3 Funcionamento do Sistema Kanban  Regra 1: O processo subsequente (cliente) deve retirar no processo precedente (fornecedor) os itens de sua necessidade apenas nas quantidades e no tempo necessário.  Regra 2: O processo precedente (fornecedor) deve produzir seus itens apenas nas quantidades requisitadas pelo processo subsequente (cliente).

3.3.: Kívia Gomes .1 Sistema Kanban com Dois Cartões 8.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 67 8.2 Sistema Kanban com Um Cartão UnilesteMG Profª.

Estabelecido para cada item o tamanho do lote por contenedor.3. normalmente define-se o tamanho do lote em função de dois fatores: 1) o número de setup que dispõe a fazer por dia:  quanto maior for o tempo de setup.: Kívia Gomes . definindo o nível total de estoques do item no sistema. da segurança projetada. apesar de a busca pelo lote unitário ser contínua.3. pode-se projetar o número total de lotes no sistema. Na prática. bem como. 2) o número total de contenedores e cartões por item. A determinação do número de cartões Kanban é função do tempo gasto para a produção e movimentação dos lotes no sistema produtivo. maior o tamanho do lote para diluir seus custos e menor sua frequência de produção diária. UnilesteMG Profª.3 Sistema Kanban com Fornecedores 8.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 68 8. 2) o tamanho do contenedor onde serão colocados os itens:  Deve-se procurar reduzir os tipos de contenedores.4 Cálculo do Número de Cartões Kanban A determinação do número de cartões Kanban para os itens que circularão entre os supermercados distribuídos pelo sistema produtivo pode ser encarada sob dois aspectos: 1) o tamanho do lote do item para cada contendor e cartão.

quando da confecção dos cartões Kanban. reduz a necessidade de equipamentos de movimentação e acusa imediatamente problemas de qualidade nos itens.  estabilidade no PMP.  índices de qualidade altos.  lotes pequenos.  O sistema Kanban permite o acompanhamento e controle visual e automático do programa de produção.5.  Por ser operacionalizado pelos próprios operários.  A emissão das ordens pelo PCP se dá em um único momento. garantindo uma produção puxada em um ambiente JIT.  equipamentos em perfeito estado de conservação.  Dispensa a necessidade de inventários periódicos nos estoques.5 Funções Executadas pelo Sistema Kanban O sistema Kanban é um sistema de controle do fluxo de informações e produção de processos repetitivos em lotes.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 69 8. de forma simples e direta:  As funções de administração dos estoques estão contidas dentro do próprio sistema de funcionamento do Kanban. executa as atividades de programação.  Implementa efetivamente os conceitos de organização. acompanhamento e controle da produção.  Permite a identificação imediata de problemas que inibam o incremento da produtividade. fornece informações precisas e simples aos operadores para execução de suas atividades.  O sequenciamento do programa de produção segue as regras de prioridades estabelecidas nos painéis porta-Kanban. quais sejam:  estabilidade de projeto de produtos. viáveis com a implantação do setup rápido. O sistema Kanban atua dentro do PCP no nível operacional de curto prazo.  Estimula o emprego do conceito de operador polivalente.1 Pré-Requisitos para o Funcionamento do Sistema Kanban São as próprias ferramentas que compõem a filosofia JIT/TQC e que determinam quão eficiente o sistema produtivo é. 8.3.: Kívia Gomes .  A liberação das ordens dos postos de trabalho se dá a nível de chão de fábrica.  operários treinados e motivados com os objetivos do melhoramento contínuo.  Por meio dos cartões Sistema Kanban.3. facilitando o cumprimento dos padrões de trabalho.  Facilita os trabalhos dos grupos de melhorias na identificação e eliminação de problemas. UnilesteMG Profª.  fluxos produtivos bem definidos.  Ao estimular o uso de pequenos lotes. simplicidade. sem interferência do pessoal do PCP. padronização e limpeza nos estoques do sistema produtivo. o sistema Kanban estimula a iniciativa e o sentido de propriedade nos mesmos. pela redução planejada do número de cartões Kanban em circulação no sistema. ou seja.

UnilesteMG Profª.Notas de Aula de Planejamento e Controle da Produção I 70 REFEÊNCIAS BIBLOGRÁFICAS TUBINO. Manual de Planejamento e Controle da Produção. São Paulo: Atlas. 2. 190 p. 220 p. São Paulo: Atlas. Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática. Dalvio Ferrari. 2007. TUBINO. ed.: Kívia Gomes . Dalvio Ferrari. 2000.