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ELETROPNEUMÁTICA

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Juliano Matias

Phoenix Contact

Na área de Automação Industrial, um dos segmentos mais utilizados até hoje é sem dúvida o da Pneumática, pois esta possui características de velocidade e força para a realização de tarefas utili- zando o ar comprimido como fonte de energia. Mas, como se diz que força não é nada sem controle, abordaremos neste artigo conceitos de elaboração de circuitos eletropneumáticos para controle de elementos pneumáticos como pistões, válvulas e motores, com o uso de elementos de comutações elétricas. Boa leitura!

COMPONENTES MAIS USADOS EM UMA AUTOMAÇÃO ELETROPNEUMÁTICA

Botoeiras

Esses elementos são destina- dos a comutação de sinais elétri- cos, isto é, permitem ou não a pas- sagem de uma corrente elétrica, fazendo com isso a energização ou desener-gização de pontos de um circuito (figura 1). Os tipos mais comuns são:

Push-Button – este permanece acionado quando pressionado e aber- to quando liberado. Botão de Retenção – ao pressioná-lo, ele é acionado, porém

de Retenção – ao pressioná-lo, ele é acionado, porém Figura 1 - Botão industrial desmontado. 44

Figura 1 - Botão industrial desmontado.

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só será liberado quando for novamen- te pressionado. Botão tipo Cogumelo – ao pressioná-lo, ele é travado permane- cendo acionado até quando o des- travarmos girando o botão no sen- tido horário. Este tipo de botão é comum nas chamadas chaves de emergência. Nesse ponto, vale a pena abordar- mos os conceitos NA (normalmente aberto) e NF (normalmente fechado).

Em um circuito elétrico um con- tato NA é um contato que permite a passagem de corrente elétrica quan- do o botão é acionado. Um contato NF é o contrário, isto é, quando o botão não está acionado ele já está permitindo a passagem da corrente elétrica e, ao acioná-lo, a passagem de corrente é interrompida (figura 2). Muito cuidado, pois esses conceitos valem somente para circuitos elétri- cos, para circuitos pneumáticos eles

circuitos elétri- cos, para circuitos pneumáticos eles Figura 2 - Dois circuitos comutadores: um NA e

Figura 2 - Dois circuitos comutadores: um NA e um NF.

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Figura 3- Temos um comparativo entre circuitos elétricos e pneumáticos NA e NF. Figura 4

Figura 3- Temos um comparativo entre circuitos elétricos e pneumáticos NA e NF.

entre circuitos elétricos e pneumáticos NA e NF. Figura 4 - Exemplos de chave fim-de-curso (a

Figura 4 - Exemplos de chave fim-de-curso (a e b) e chave do tipo rolete da empresa Metaltex (c).

são invertidos, uma válvula NA em pneumática permite a passagem de ar com a válvula não acionada, en- quanto uma válvula NF só permite a passagem de ar com ela acionada, como podemos ver na figura 3.

Detectores de limite mecânico

Por meio destes dispositivos é possível a detecção de posições in- termediárias e finais das hastes dos cilindros pneumáticos ou dos elemen- tos mecânicos que estes acionam. Roletes – são dispositivos que possuem a finalidade de permitir a passagem de corrente, sendo que

sua comutação se dá em qualquer sentido. Mostramos alguns exemplos na figura 4. Gatilhos – são similares aos roletes, porém, seu acionamento ocorre em apenas um sentido de mo- vimento, e sua comutação é um pul- so rápido.

Detectores sem contato mecânico

Funcionam como detectores de limite mecânico, tendo como princi- pais características o não contato físico com a máquina e a alta veloci- dade de comutação.

físico com a máquina e a alta veloci- dade de comutação. Figura 5 - Diagrama em

Figura 5 - Diagrama em blocos de um sensor indutivo.

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Sensores indutivos – Este tipo de detector é muito interessante, pois permite que seja instalado onde as chaves fim-de-curso muitas vezes são inviáveis de colocar em uma má- quina. Também é muito utilizado onde há necessidade de um alto número de chaveamentos. Os sensores indutivos são cons- tituídos por um circuito oscilador, um circuito de disparo e um circuito am- plificador, conforme podemos ver na figura 5. O circuito oscilador gera (através de uma bobina) um campo magnéti- co que sobressai em forma de um círculo na face do sensor quando al- gum objeto metálico se aproxima da face do sensor, são geradas corren- tes parasitas no objeto metálico con- sumindo energia do oscilador e, em virtude disso, a tensão no oscilador cai. O circuito de disparo detecta essa queda na tensão e assume como cir- cuito ativo, mas esse sinal não gera energia suficiente para acionar algu- ma carga elétrica, por isso se faz necessário um circuito amplificador para compatibilizar com a carga que será controlada. Temos alguns exemplos de sensores indutivos nas figuras 6 e 7.

alguns exemplos de sensores indutivos nas figuras 6 e 7. Figura 6 - Sensor Indutivo da

Figura 6 - Sensor Indutivo da empresa FESTO.

figuras 6 e 7. Figura 6 - Sensor Indutivo da empresa FESTO. Figura 7 - Vários

Figura 7 - Vários tipos de sensores indutivos.

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ELETROPNEUMÁTICA Figura 8 - Reed-Switch. Figura 9 - Válvula com acionamento através de solenóides (a). Diferenciação

Figura 8 - Reed-Switch.

ELETROPNEUMÁTICA Figura 8 - Reed-Switch. Figura 9 - Válvula com acionamento através de solenóides (a). Diferenciação

Figura 9 - Válvula com acionamento através de solenóides (a). Diferenciação da bobina e do conector do solenóide (b). Conectores para válvulas da empresa Phoenix Contact (c).

Contato Reed – Esses elemen- tos são muito vantajosos em uma aplicação onde se requer um alto nú- mero de ciclos de acionamento ou quando não há espaço para a mon- tagem de chaves fim-de-curso ou sensores convencionais. Seu funcio- namento baseia-se em um elemento muito conhecido na área de eletrôni- ca, que é o reed-switch. Ele é consti- tuído por dois contatos elétricos den- tro de uma ampola de vidro com gás inerte, e esses contatos se fecham mediante a presença de um campo magnético (figura 8). Os reed-switches são colocados no corpo de um cilindro pneumático, e o êmbolo do cilindro possui um anel pneumático que, ao passar pelo reed- switch, força-o a fechar os seus con- tatos provocando então a passagem da corrente elétrica por eles.

Bobina tipo solenóide

Nada mais é do que um condutor enrolado em forma helicoidal. Quan-

do uma corrente elétrica passa por esse condutor forma-se um campo magnético no interior do solenóide,

com isso criam-se forças dentro do solenóide que servem para a movi- mentação de cargas ferrosas, dando origem a aplicações eletromecânicas (relés, solenóides, Os elementos mais utilizados em aplicações eletropneumática são as válvulas solenóides (figura 9), as quais transformam sinais elétricos em sinais pneumáticos. A parte elé- trica dessa válvula é constituída por um cabeçote no qual se encontra uma bobina com um núcleo metálico móvel. Ao receber o sinal elétrico, a bobina produz um campo magnético que movimenta o núcleo, este movi- mento provoca o acionamento elétri- co da válvula pneumática. Existem várias versões de válvulas, cada qual para determinada aplicação. Nas válvulas de acionamento di- reto a força necessária para a movi- mentação do carretel tinha que ser realizada pela própria bobina da vál- vula, isto é, quanto maior fosse a válvula maior tinha que ser a bobina para acioná-la e, conseqüentemen- te, maior o consumo de energia. Para evitar esse problema criou-se o co- mando servopiloto. Este acionamento tem a função de acionar pneumaticamente a vál- vula principal, é como se fosse uma pequena válvula acionando uma vál-

é como se fosse uma pequena válvula acionando uma vál- Figura 10- Válvula solenóide de 3/2

Figura 10- Válvula solenóide de 3/2 vias com acionamento por servopiloto.

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Figura 11 - Lógica "E". Tabela verdade (a), símbolo eletrônico de uma Lógica "E" de

Figura 11 - Lógica "E". Tabela verdade (a), símbolo eletrônico de uma Lógica "E" de 4 entradas (b), circuito pneumático equivalente (c) e circuito elétrico equivalente (d).

equivalente (c) e circuito elétrico equivalente (d). Figura 12 - Lógica "OU". Tabela verdade (a),

Figura 12 - Lógica "OU". Tabela verdade (a), símbolo eletrônico de uma Lógica "OU" de 4 entradas (b), circuito pneumático equivalente (c) e circuito elétrico equivalente (d).

vula maior, com isso quem aciona a válvula principal é o ar que provém da válvula piloto (figura 10). Existem outros equipamentos básicos para utilização em eletropneumática, tais como relés auxiliares, relés temporizadores, en- tre alguns, porém sendo eles de co- nhecimento geral na área de

eletroeletrônica não abordaremos os seus conceitos neste artigo.

COMANDOS PNEUMÁTICOS E ELETROPNEUMÁTICOS

Existem várias formas e caminhos para se projetar um circuito eletro- pneumático. Sendo circuitos lógicos e

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binários, podemos adotar o mesmo conceito da eletrônica digital. Para isso, na lógica existem dois estados possíveis:

- 0: quando não há sinal;

- 1: quando há sinal.

Podemos fazer qualquer lógica combinacional utilizando apenas três funções lógicas básicas:

- “E”;

- “OU”;

- “NÃO”

Função “E”

Essa função se caracteriza por apresentar o nível lógico 1 na sua saída somente quando todas as suas entradas apresentarem nível lógico 1, como podemos ver pela sua tabe- la verdade da figura 11-a. Simbologia (figura 11-b). Circuito Pneumático Equivalente (figura 11-c). Circuito Elétrico Equivalente (figu- ra 11-d).

Função “OU”

Essa função se caracteriza por apresentar o nível lógico 1 na sua saída quando alguma das suas en- tradas apresentar nível lógico 1, como podemos ver na sua tabela verdade da figura 12-a. Simbologia (figura 12-b). Circuito Pneumático Equivalente (figura 12-c). Circuito Elétrico Equivalente (figu- ra 12-d).

Função “NÃO”

Função também conhecida como inversora, isto é, o sinal de saída é o sinal de entrada invertido, como po- demos ver na sua tabela verdade da figura 13-a. Simbologia (figura 13-b). Circuito Pneumático Equivalente (figura 13-c) Circuito Elétrico Equivalente (figu- ra 13-d). Bem, como dissemos anterior- mente, podemos fazer qualquer cir-

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ELETROPNEUMÁTICA Figura 13 - Lógica "NÃO". Tabela verdade (a), símbolo eletrônico (b), circuito pneumático

Figura 13 - Lógica "NÃO". Tabela verdade (a), símbolo eletrônico (b), circuito pneumático equivalente (c) e circuito elétrico equivalente (d).

cuito que envolva uma lógica combinacional com as lógicas “E”, “OU” e “NÃO”, tomemos o exemplo:

S= ((E1 AND E2) OU NOT(E3)) AND E4 Essa equação também é conhe- cida no seguinte formato:

=

+

equação também é conhe- cida no seguinte formato: = + Temos nas figuras 14 e 15

Temos nas figuras 14 e 15 a re- presentação do circuito em blocos ló- gicos e em representação elétrica.

EXEMPLOS DE CIRCUITOS ELETROPNEUMÁTICOS

EXEMPLO 1: Acionamento de um cilindro de simples ação.

Acionado o botão b 1 , energiza- se s1 que pilota a válvula, fazen- do com que o pistão avance, per- manecendo assim até que o bo- tão b 1 seja desconectado. Desenergizando s 1 , a válvula vol- ta à posição inicial e o cilindro recua (figura 16).

EXEMPLO 2: Acionamento de um cilindro de dupla ação.

Acionando-se o botão b 1 , energiza-se s 1 que pilota a válvu- la fazendo com que o pistão avance, permanecendo assim mesmo que o botão b 1 não esteja mais sendo acionado (pois o re- torno da válvula não é a mola). Ao acionar o botão b 2 a válvula

não é a mola). Ao acionar o botão b 2 a válvula Figura 16 - Exemplo

Figura 16 - Exemplo 1 - acionamento de um cilindro de simples ação com retorno por mola.

Figura 14 - Lógica combinacional do circuito.

por mola. Figura 14 - Lógica combinacional do circuito. Figura 15 - Diagrama de contatos elétricos.

Figura 15 - Diagrama de contatos elétricos.

do circuito. Figura 15 - Diagrama de contatos elétricos. Figura 17- Exemplo 2 - acionamento de

Figura 17- Exemplo 2 - acionamento de um cilindro com uma válvula de 2 posições eletro- pilotadas.

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Figura 18 - Exemplo 3 - dosador. retorna, fazendo com isso que o pistão recue

Figura 18 - Exemplo 3 - dosador.

retorna, fazendo com isso que o pistão recue (figura 17).

EXEMPLO 3: Dosagem de Elementos.

Esse último exemplo visa a real compreensão

e execução do que seria

uma máquina utilizando circuitos eletropneumá- ticos, na prática.

Aqui temos um proces- so por batelada, este é um dosador de algum elemen- to cujo volume de material

a ser dosado é a diferença

entre as hastes dos cilin-

a ser dosado é a diferença entre as hastes dos cilin- Figura 19 - Exemplo 3

Figura 19 - Exemplo 3 - circuito eletropneumático do dosador.

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dros A e B, vezes o diâmetro da tubulação, como podemos ver na figura 18. O processo ocorre da seguinte forma:

quando o operador pressiona o botão de start o cilindro B avança no sentido b, fe- chando com isso a tubulação; ao chegar na chave fim-de-curso b 1 , esta aciona a

válvula solenóide s 3 fazendo com que o cilindro A recue enchendo a tubulação de material; quando o ci- lindro A achar o fim-de-curso b 3 , o circuito aciona a válvula solenóide de retorno do mesmo cilindro (s 4 ) fazen- do com que ele recue imediatamente dando tempo somente de encher a tu-

bulação de material. O cilindro A avan- çado aciona o fim-de-curso b 2 , fazendo com que o cilindro B recue liberando o material e finalizando o processo (figura 19).

Empresas que serviram de Referências Bibliográficas para a elaboração deste artigo:

FESTO

www.festo.com.br

PARKER AUTOMATION www.parker.com\automation

PHOENIX CONTACT www.phoenixcontact.com

METALTEX

www.metaltex.com.br

CONCLUSÃO

Vimos neste artigo a facilidade de implementação de um circuito eletropneumático. É claro que demos exemplos de circuitos bem simples, mas eles são a base de qualquer circuito onde emprega- mos lógica binária de controle.

Na área de Automação Industrial temos ainda vários circuitos onde utilizamos CLPs (Controladores Lógicos Programáveis) para implementar uma lógica de controle, entretanto, os conceitos são os mesmos que nós vimos até aqui, a diferença consiste em transcrever o circuito elétrico para alguma

Esses temas serão

linguagem padrão de CLP como o Ladder, Lista de Instruções, entre outras abordados em outras edições da Mecatrônica Atual.

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