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Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 52 Capítulo I Novo!Novo! Princípios básicos de transformadores de potência Por

Capítulo I

Apoio Manutenção de transformadores 52 Capítulo I Novo!Novo! Princípios básicos de transformadores de potência Por
Novo!Novo!
Novo!Novo!

Princípios básicos de transformadores de potência

Por Marcelo Paulino*

Em 1885, George Westinghouse Jr. compra os direitos da patente de Goulard-Gibbs para construir transformadores de corrente alternada

com a pressão imposta pelas necessidades técnicas e comerciais, como as condições de um mercado de energia livre ou pelos esforços em

e encarrega William Stanley dessa tarefa. Stanley

manter o fornecimento de energia com qualidade

desenvolveu o primeiro modelo comercial do que, naquele momento, nomeou-se de transformador. O transformador possibilitava a elevação das tensões diminuindo as perdas na transmissão de energia elétrica, permitida pelo uso da corrente alternada, ao contrário da corrente contínua de Edison. O transformador é um equipamento elétrico, sem partes necessariamente em movimento, que transfere energia elétrica de um ou mais circuitos (primário) para outro ou outros circuitos (secundário, terciário), alterando os

todos os seus clientes, aumentam as abordagens de uma manutenção baseada nas condições do equipamento. As equipes envolvidas com comissiona- mento e manutenção têm sofrido crescente pressão para reduzir custos, mesmo sendo forçadas a manter antigas instalações em operação por tanto tempo quanto possível. Os equipamentos elétricos instalados em subestações podem ser solicitados a operar sob diversas condições adversas, tais como: altas temperaturas, chuvas, poluição, sobrecarga

a

valores de tensões e correntes em um circuito

e,

dessa forma, mesmo tendo uma operação

de corrente alternada, ou modificar os valores

e

manutenção de qualidade, não se pode

de impedância do circuito elétrico, sem alterar a frequência do sistema. A necessidade da utilização de baixos níveis de tensão no consumidor e a necessidade de transmitir

descartar a possibilidade de ocorrerem falhas que deixem indisponíveis as funções de transmissão e distribuição de energia elétrica aos quais pertencem.

energia elétrica com tensões elevadas tornam muito importante o papel desempenhado pelo

Entretanto, a checagem regular das condições de operação desses equipamentos torna-se

transformador de potência.

cada vez mais importante. Torna-se imperativa

Os transformadores representam o ativo mais

a

busca de procedimentos e de ferramentas que

caro da cadeia que conecta a geração até os pontos de utilização de energia elétrica. Atualmente,

possibilitem a obtenção de dados das instalações de forma rápida e precisa. Portanto, para

Apoio

Apoio subsidiar os artigos futuros sobre aspectos e procedimentos de manutenção, o presente texto apresenta os

subsidiar os artigos futuros sobre aspectos e procedimentos de manutenção, o presente texto apresenta os princípios básicos de funcionamento de transformadores de potência.

Princípio de funcionamento do transformador monofásico

O transformador é um aparelho estático, sem partes em movimento, que se destina a transferir energia elétrica de um circuito para outro, ambos de corrente alternada (CA), sem mudança no valor da frequência. O lado que recebe a potência a ser transferida é chamado de circuito primário e o lado do transformador que entrega potência é chamado de circuito secundário. A transferência é realizada por indução eletromagnética.

Fluxo Magnético - ∅ Tensão Tensão Alternada Alternada de Entrada de Saída U1 U 2
Fluxo Magnético - ∅
Tensão
Tensão
Alternada
Alternada
de Entrada
de Saída
U1
U 2
Secundário
Primário

Figura 1 – Estabelecimento do fluxo entre duas bobinas.

Figura 1 – Estabelecimento do fluxo entre duas bobinas. 53 Simplificando-se a lei de Lenz-Faraday, tem-se

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Simplificando-se a lei de Lenz-Faraday, tem-se que, sempre que houver movimento relativo entre um campo magnético e um condutor, será induzida uma tensão (f.e.m. - força eletromotriz) em seus terminais. Pode-se ainda afirmar que ocorrerá a indução de corrente quando uma espira condutora é colocada (imóvel) em uma região onde existe um campo magnético variável ou quando um circuito é posto em movimento dentro de um campo magnético constante. A Figura 1 mostra a representação do estabelecimento do fluxo magnético pela bobina primária devido à aplicação da tensão U 1 . Aplicando-se a tensão U 1 , no primário do transformador, circulará uma pequena corrente denominada “corrente em vazio”, representada neste texto por I 0 . Se a tensão aplicada é variável no tempo, a corrente I 0 também o é. De acordo com a lei de Ampère, tem-se:

0 também o é. De acordo com a lei de Ampère, tem-se: Em que: • H

Em que:

• H é a intensidade do campo;

• l é o comprimento do circuito magnético;

• N 1 I 0 é a força magnetomotriz.

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Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 54 Figura 2 – Aplicação de tensão no primário do transformador e
Apoio Manutenção de transformadores 54 Figura 2 – Aplicação de tensão no primário do transformador e

Figura 2 – Aplicação de tensão no primário do transformador e estabelecimento da corrente em vazio.

A expressão (1) pode ser rescrita como:

corrente em vazio. A expressão (1) pode ser rescrita como: Em que: • é a relutância

Em que:

• é a relutância do núcleo;

é o fluxo magnético.

Re

φ

Dessa forma, verifica-se que a força magnetomotriz impulsiona o fluxo magnético pelo núcleo, sendo limitado pela relutância. Naturalmente, se a corrente é variável no tempo, o fluxo magnético também é. Por outro lado, sabe-se pela lei de Faraday que “sempre que houver movimento relativo entre o fluxo magnético e um circuito por ele cortado serão induzidas tensões neste circuito”.

O transformador em operação Considerando a Figura 3:

O transformador em operação Considerando a Figura 3: Figura 3 – Representação do transformador operando em

Figura 3 – Representação do transformador operando em vazio.

Com o transformador operando em vazio, ou sem carga, a corrente I 0 magnetiza o transformador e induz as tensões E 1 e E 2 . Fechando-se a chave S do circuito secundário do transformador, haverá circulação da corrente I 2 em seu enrolamento, cujo valor depende exclusivamente da carga Z C . Como visto, de acordo

exclusivamente da carga Z C . Como visto, de acordo com a lei de Ampère, I

com a lei de Ampère, I 2 criará o fluxo de reação φ 2 e de dispersão φ disp2 , sendo que o primeiro tende a anular φ m . Para que o transformador continue magnetizado, haverá uma compensação de fluxo no primário, ou seja: para manter a magnetização, o transformador exigirá da rede uma corrente suplementar a I 0 , de modo a compensar φ 2 ; esta corrente receberá a denominação de I2’, a qual cria o fluxo φ 1 . Assim, a corrente primária I 1 é:

Em que:

φ 1 . Assim, a corrente primária I 1 é: Em que: Da expressão (4) é

Da expressão (4) é possível concluir que, em qualquer condição de operação do transformador, sempre existirá a corrente I 0 e que somente ela é responsável pela indução de E 1 e E 2 , em outras palavras, E 1 e E 2 independem do regime de carga.

Relação de transformação de um transformador monofásico

A relação de transformação das tensões de um transformador monofásico é definida de duas formas:

Relação de transformação teórica ou relação de espiras A relação de número de espiras, definida por K N , é dada pela relação das quedas de tensão internas nas bobinas do transformador. Assim, tem-se:

internas nas bobinas do transformador. Assim, tem-se: Para o transformador operando em vazio, tem-se que: Devido

Para o transformador operando em vazio, tem-se que:

tem-se: Para o transformador operando em vazio, tem-se que: Devido a este fato, a queda de

Devido a este fato, a queda de tensão primária é mínima; assim:

 
 
 
 

Além disto, nesta condição:

 
 
 

Assim

  Além disto, nesta condição:   Assim
  Além disto, nesta condição:   Assim

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Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 56 A expressão (9) é importante, pois E 1 e E 2
Apoio Manutenção de transformadores 56 A expressão (9) é importante, pois E 1 e E 2

A expressão (9) é importante, pois E 1 e E 2 são acessíveis

a uma medição. Assim, utilizando-se um voltímetro no primário, obtêm-se U 1 e, no secundário, estando o

transformador em vazio, U 2 ; desta forma, acha-se a relação

do número de espiras com pequeno erro.

térmico, ocorre a orientação dos domínios magnéticos permitindo a redução das perdas e da corrente de magnetização e possibilitando alcançar altas densidades de fluxo. A estrutura formada pelas chapas é sustentada por traves metálicas solidamente amarradas por faixas de fibra de vidro impregnadas com resina.

Relação de transformação real

Ao aplicar uma carga Z C ao secundário, a corrente I 2

circula pelo secundário e I 1 assume valores superiores

a I 0 assim, haverá queda de tensão no primário e no secundário e, portanto:

queda de tensão no primário e no secundário e, portanto: Nestas condições, define-se a relação de
queda de tensão no primário e no secundário e, portanto: Nestas condições, define-se a relação de

Nestas condições, define-se a relação de transformação real ou a relação entre as tensões primárias e secundárias quando do transformador em carga, ou seja:

e secundárias quando do transformador em carga, ou seja: Figura 4 – Representação de um transformador
e secundárias quando do transformador em carga, ou seja: Figura 4 – Representação de um transformador

Figura 4 – Representação de um transformador trifásico.

Um sistema trifásico simétrico e equilibrado possui três correntes com mesmo módulo, porém, defasadas de 120º

elétricos uma das outras. Pela lei de Ampère, elas originam fluxos nos núcleos monofásicos, também defasados de 120º. Analogamente às correntes trifásicas, quando os

fluxos juntarem-se em um ponto, sua soma será nula, o que ocorre no local de união dos três núcleos. A solução que se adota, em que ocorre no local de união dos três núcleos. A solução que se adota, em termos práticos, é bastante simples, ou seja: retira-se um dos núcleos, inserindo entre as colunas (ou pernas) laterais, outra com as mesmas dimensões.

O circuito magnético das três fases, neste caso, resulta

desequilibrado. A relutância da coluna central é menor que as outras, originando uma pequena diferença nas correntes

de magnetização de cada fase. Existem diversos tipos de

núcleo, entretanto o mostrado na Figura 5 é o mais comum devido à sua facilidade construtiva e de transporte. Este tipo de núcleo, em relação a três monofásicos,

apresenta como vantagem o fato de que quaisquer

Eventualmente, se a queda de tensão secundária for pequena (o que acontece para transformadores bem projetados) pode-se supor que:

para transformadores bem projetados) pode-se supor que: Observe-se que: • se K > 1, o transformador

Observe-se que:

• se K > 1, o transformador é abaixador; e,

• se K < 1, o transformador é elevador.

Princípio de funcionamento do transformador trifásico

A transformação trifásica pode ser realizada com

um único transformador destinado a este fim ou por um banco de transformadores monofásicos. No caso de um transformador único, o custo inicial é inferior ao uso de bancos, pois existirá apenas uma unidade. Entretanto, exige outro transformador de mesma potência como reserva. A Figura 4 mostra a representação de um transformador trifásico com as bobinas de cada fase dispostas em uma única perna do núcleo magnético. Além de promover a sustentação mecânica para as bobinas, o núcleo cria o caminho para a condução do fluxo magnético.

Núcleo

O núcleo do transformador é construído com uso

de chapas de aço-silício, laminadas e cobertas por uma

película isolante. Com laminação a frio e tratamento

por uma película isolante. Com laminação a frio e tratamento Figura 5 – Núcleo de um

Figura 5 – Núcleo de um transformador trifásico real.

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Apoio desequilíbrios magnéticos causados pelas diferentes condições elétricas das três fases, tendem desaparecer

desequilíbrios magnéticos causados pelas diferentes condições elétricas das três fases, tendem desaparecer graças à interconexão magnética existente entre elas; assim, a fluxo de cada perna distribui-se obrigatoriamente pelas outras duas. Além disso, existe a economia de material em relação ao uso de três transformadores monofásicos, e consequente diminuição das perdas em vazio. Como desvantagem, tem-se que as unidades reservas são mais caras, pois deverão ter a potência total do transformador a ser substituído; o monofásico de reserva, por outro lado, pode ter apenas um terço da potência do conjunto.

lado, pode ter apenas um terço da potência do conjunto. Figura 6 – Disposição dos enrolamentos

Figura 6 – Disposição dos enrolamentos montados no núcleo do transformador.

dos enrolamentos montados no núcleo do transformador. 57 Enrolamentos Responsável pela condução da corrente de

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Enrolamentos Responsável pela condução da corrente de carga, os condutores são enrolados em forma de bobinas cilíndricas e dispostas axialmente nas pernas do núcleo. A Figura 6 mostra a disposição dos enrolamentos com ordem crescente de tensão, ou seja, a bobina de tensão inferior é colocada próxima ao núcleo e assim por diante. Os enrolamentos de um transformador trifásico podem ser conectados em estrela (Y), delta (Δ) ou zig- zag, conforme mostra a Figura 7. As ligações delta e estrela são as mais comuns. A ligação zig-zag é tipicamente uma conexão

mais comuns. A ligação zig-zag é tipicamente uma conexão Figura 7 – Conexões possíveis dos enrolamentos

Figura 7 – Conexões possíveis dos enrolamentos de um transformador trifásico: (a) estrela, (b) delta, (c) zig-za

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Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 58 secundária. A sua característica principal é sempre afetar igual e

secundária. A sua característica principal é sempre afetar igual e simultaneamente duas fases primárias, pois os seus enrolamentos são montados em pernas distintas seguindo uma ordem de permutação circular. Naturalmente, este fato a torna mais adequada para ser utilizada em presença de cargas desequilibradas. Adotando-se o padrão de designar as ligações primárias por meio de letras maiúsculas e secundárias por letras minúsculas, tem-se na Tabela 1 as conexões dos enrolamentos. O princípio de funcionamento é basicamente o mesmo do monofásico, tanto em vazio como em carga.

Tabela 1 – Conexões dos enrolamenTos Primário D D D Y Y Y Secundário d
Tabela 1 – Conexões dos enrolamenTos
Primário
D
D
D
Y
Y
Y
Secundário
d
y
z
d
y
z

Relação de transformação de transformadores trifásicos Como se sabe, a relação de transformação real é definida como a relação entre as tensões primárias (U 1 ) e as secundárias (U 2 ), ou seja:

primárias (U 1 ) e as secundárias (U 2 ), ou seja: No transformador trifásico a

No transformador trifásico a relação de transformação tem a mesma definição, sendo as tensões entre fases; porém, devido à conexão dos enrolamentos (E 1 e E 2 são tensões induzidas entre os terminais dos enrolamentos), ela não será, em todos os casos, igual à relação de espiras. A Figura 8 mostra duas conexões de transformadores trifásicos.

8 mostra duas conexões de transformadores trifásicos. Figura 8 – Conexões de transformador trifásico. Sendo

Figura 8 – Conexões de transformador trifásico.

Sendo assim, as relações de transformação K e K N para cada caso seriam:

Na Figura 8a:

Sendo (13) e estando o transformador em vazio, tem-se:

8a: Sendo (13) e estando o transformador em vazio, tem-se: Então: Na Figura 8b: Entretanto, como

Então:

Na Figura 8b:

o transformador em vazio, tem-se: Então: Na Figura 8b: Entretanto, como os enrolamentos podem estar conectados

Entretanto, como os enrolamentos podem estar conectados de diversas maneiras, nota-se que para cada modo de ligação haverá uma diferença entre a relação de transformação e a relação do número de espiras. A Tabela 2 mostra os valores de K em função de K N para cada ligação:

Tabela 2 – Valores de K em função de Kn para as diVersas ligações Ligação
Tabela 2 – Valores de K em função de Kn para as diVersas ligações
Ligação
DD
DY
Dz
YY
YD
Yz
K

Corrente em vazio Nos transformadores trifásicos, com a montagem de núcleo mostrada, as correntes de magnetização devem ser iguais entre si, nas fases laterais, e ligeiramente superiores na fase da perna central. Isto se deve ao fato de que as relutâncias das pernas correspondentes as laterais são maiores. Dessa forma, adota-se um valor médio para a corrente em vazio, ou seja:

adota-se um valor médio para a corrente em vazio, ou seja: Circuito equivalente e parâmetros do
adota-se um valor médio para a corrente em vazio, ou seja: Circuito equivalente e parâmetros do

Circuito equivalente e parâmetros do transformador De uma forma geral, os sistemas de potência são representados por apenas uma fase e um neutro, considerando as restantes como simétricas, evidentemente, consegue-se isto com a ligação Y. No caso dos parâmetros percentuais, tal fato é irrelevante, pois independem das conexões dos enrolamentos, enquanto nos magnetizantes, ocorre exatamente o contrário. Assim no caso do primário em ligação delta, utiliza-se transformá-la na estrela equivalente. Desta forma, o transformador trifásico será representado

Apoio

Apoio pelos parâmetros de uma fase, supondo as conexões primárias em estrela e carga trifásica simétrica

pelos parâmetros de uma fase, supondo as conexões primárias em estrela e carga trifásica simétrica e equilibrada.

Tipos de transformadores de potência

São classificados como transformadores de potência em dois grupos:

• Transformadores de potência ou de força, os quais são utilizados, normalmente, em subestações abaixadoras e elevadoras de tensão, empregados para gerar, transmitir ou distribuir energia elétrica. Podem ser considerados como transformadores de força aqueles com potência nominal superior a 500 KVA, operando com tensão de até 765 KV; • Transformadores de distribuição, cuja função é de abaixar a tensão para a distribuição a centros de consumo e clientes finais das empresas de distribuição. São normalmente instalados em postes, plataformas ou câmeras subterrâneas. Possuem potência típicas de 30 kVA a 300 kVA. Em alta tensão apresenta de 15 kV ou 24,2 KV, e em baixa tensão de 380 V a 127 V.

de 15 kV ou 24,2 KV, e em baixa tensão de 380 V a 127 V.

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de 15 kV ou 24,2 KV, e em baixa tensão de 380 V a 127 V.

Figura 9 – Transformadores de distribuição (monofásico e trifásico, respectivamente).

distribuição (monofásico e trifásico, respectivamente). Figura 10 – (a) Transformador subterrâneo utilizado em

Figura 10 – (a) Transformador subterrâneo utilizado em câmaras abaixo do nível do solo. (b) Transformador enclausurado em que o óleo do transformador não tem contato com o exterior.

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Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 60 Figura 11 – (a) Transformador autoprotegido incorpora componentes para
Apoio Manutenção de transformadores 60 Figura 11 – (a) Transformador autoprotegido incorpora componentes para

Figura 11 – (a) Transformador autoprotegido incorpora componentes para proteção do sistema de distribuição contra sobrecargas e curto circuitos na rede. (b) Transformador de pedestal (pad-mounted), que, além dos componentes de proteções contra sobrecargas, curtos- circuitos e falhas internas, possui características particulares de operação, manutenção e segurança.

A função do isolante em transformadores é garantir o isolamento elétrico entre as partes energizadas e permitir a refrigeração interna. Transformadores utilizam óleo mineral derivado de petróleo, óleos sintéticos como óleos de silicones e ascaréis, óleos isolantes de origem vegetal, isoladamente a base de compostos resinosos a seco ou isolado a gás SF6 (hexafluoreto de enxofre). A partir da definição do isolante, um transformador pode ser classificado como:

• Transformador em líquido isolante, cujas partes ativas são imersas em óleo isolante mineral, vegetal ou sintético; ou • Transformador a seco, geralmente isolados com resinas.

• Transformador a seco, geralmente isolados com resinas. Figura 12 – (a) Transformador de força a

Figura 12 – (a) Transformador de força a óleo. (b) Transformador a seco.

Critérios de classificação Vários autores e trabalhos técnicos têm classificado os transformadores de acordo com sua função no sistema, com os enrolamentos, com o material do núcleo, com a quantidade de fases, dentre outros elementos. A seguir são apresentados alguns desses critérios:

A seguir são apresentados alguns desses critérios: Finalidade • De corrente • De potencial • De

Finalidade

• De corrente

• De potencial

• De distribuição

• De potência

Função no sistema

• Elevador

• Abaixador

• De interligação

Sobre os enrolamentos

• Dois ou mais enrolamentos

• Autotransformador

Material do núcleo

• Ferromagnético

• Núcleo a ar

Quantidade de fases

• Monofásico

• Polifásico

Normas técnicas

As

principais

normas

da

ABNT

sobre

transformadores de potência são as seguintes:

• ABNT NBR 5356-1 – Transformadores de potência

– Parte 1: Generalidades;

• ABNT NBR 5356-2 – Transformadores de potência

– Parte 2: Aquecimento;

• ABNT NBR 5356-3 – Transformadores de potência

– Parte 3: Níveis de isolamento, ensaios dielétricos e espaçamentos externos em ar;

• ABNT NBR 5356-4 – Transformadores de potência –

Parte 4: Guia para ensaio de impulso atmosférico e de manobra para transformadores e reatores;

• ABNT NBR 5356-5 – Transformadores de potência –

Parte 5: Capacidade de resistir a curto circuitos;

• ABNT NBR 5416 – Aplicação de cargas em

Transformadores de potência – Procedimento; • ABNT NBR 5440 – Transformadores para redes aéreas de distribuição – Requisitos;

• ABNT NBR 5458 – Transformadores de potência – Terminologia; • ABNT NBR 7036 – Recebimento, instalação e

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Apoio 61 Tabela 3 - Tipos de Transformadores em relação ao Tipo de subesTação TiPo de
Apoio 61 Tabela 3 - Tipos de Transformadores em relação ao Tipo de subesTação TiPo de

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Tabela 3 - Tipos de Transformadores em relação ao Tipo de subesTação TiPo de SubeSTação
Tabela 3 - Tipos de Transformadores em relação ao Tipo de subesTação
TiPo de SubeSTação
Para uSo inTerior
Para uSo exTerior
Força
diSTribuição
SubTerrâneo
SubmerSíveL
PedeSTaL
AbrigADA em AlvenAriA
X
X
AbrigADA em cAbine metálicA
X
X
SubterrâneA eStAnque
X
SubterrâneA não eStAnque
X
Ao tempo no nível Do Solo
X
X
X
Ao tempo AcimA Do nível Do Solo
X
X
X

manutenção de transformadores de potência para distribuição, imersos em líquidos isolantes;

• ABNT NBR 7037 – Recebimento, instalação e

manutenção de transformadores de potência em óleo isolante mineral;

• ABNT NBR 8926 – Guia de aplicação de relés para proteção de transformadores – Procedimento;

• ABNT NBR 9368 – Transformadores de potência de

tensões máximas até 145 kV – Características elétricas e mecânicas;

• ABNT NBR 9369 – Transformadores subterrâneos –

Características elétricas e mecânicas – Padronização;

• ABNT NBR 10022 – Transformadores de potência

com tensão máxima igual ou superior a 72,5 kV – Características específicas – Padronização;

• ABNT NBR 10295 – Transformadores de potência

secos – Especificação;

• ABNT NBR 12454 – Transformadores de potência

de tensões máximas até 36,2 kV e potência de 225 kVA até 3750 kVA – Padronização;

• ABNT NBR 15349 – Óleo mineral isolante –

Determinação de 2-furfural e seus derivados;

• ABNT NBR 15422 – Óleo vegetal isolante para equipamentos elétricos.

Tipos de transformadores em relação aos tipos de subestações

Conforme a seção 9 da ABNT NBR 14039 (subestações), os transformadores podem ser instalados em subestações abrigadas (em alvenaria ou cabinas metálicas), subterrâneas (em câmaras estanques ou não à penetração de água) e ao tempo (no nível do solo ou acima dele). Neste sentido são definidos na ABNT NBR 5458 os seguintes tipos de transformadores:

• Transformador para interior: aquele projetado para ser abrigado permanentemente das intempéries;

• Transformador para exterior: aquele projetado para suportar exposição permanente às intempéries; • Transformador submersível: aquele capaz de funcionar normalmente mesmo quando imerso em água, em condições especificadas;

• Transformador subterrâneo: aquele construído para

ser instalado em câmara, abaixo do nível do solo; A Tabela 3 indica os tipos de transformadores que podem ser utilizados em função dos tipos de subestações definidos na ABNT NBR 10439.

Referências

ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO M. E. C. Manutenção de

transformadores de potência. Curso de Especialização em Manutenção de Sistemas Elétricos – UNIFEI, 2012.

MILASCH, M. Manutenção de transformadores em

líquido isolante. São Paulo: Edgard Blucher, 1984.

OLIVEIRA, J. C.; ABREU. J. P. G.; COGO, J. R.

Transformadores: teoria e ensaios. São Paulo: Edgard Blucher, 1984 GUIA O SETOR ELÉTRICO DE NORMAS BRASILEIRAS. São Paulo, Atitude Editorial, 2011.

*Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em Manutenção de Sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |mecpaulino@yahoo.com.br.

Continua na próxima edição Confira todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e comentários podem ser encaminhados para o e-mail redacao@atitudeeditorial.com.br

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Manutenção de transformadores

46

Apoio Manutenção de transformadores 46 Capítulo II Considerações sobre manutenção Aspectos relacionados à

Capítulo II

Apoio Manutenção de transformadores 46 Capítulo II Considerações sobre manutenção Aspectos relacionados à

Considerações sobre manutenção Aspectos relacionados à manutenção de equipamentos e de instalações

Por Marcelo Paulino*

No estabelecimento de um sistema de

manutenção para um determinado processo produtivo ou um equipamento individual, devem-se estabelecer métodos buscando

o desenvolvimento e a melhoria dos meios

de execução das atividades realizadas pelo

equipamento ou processo. Este texto discute modelos de planejamento de um sistema integrado de manutenção, apresentando as atividades desenvolvidas pelas equipes de manutenção e o conceito de manutenção. Deve-se estabelecer uma ideia clara e uniforme dos conceitos e dos princípios em que se baseiam as atividades de manutenção

e buscar novas tecnologias, equipamentos e

ferramentas que facilitem essa atividade. Dessa forma, o conceito de manutenção também tem se aperfeiçoado, no passado era definida como o reestabelecimento das condições originais dos equipamentos/sistemas, hoje se define como a garantia da disponibilidade da função dos equipamentos/sistemas com disponibilidade e confiabilidade, segurança

e preservação do meio ambiente, sempre ao menor custo possível.

Conceito de manutenção

AABNT NBR 5462/94 define a manutenção como “a combinação de ações técnicas

e administrativas, incluindo supervisão,

destinadas a manter ou recolocar um item em

um estado no qual possa desempenhar uma

função requerida”. Nestes termos, “manter”

significa “fazer tudo o que for preciso para assegurar que um equipamento continue a desempenhar as funções para as quais foi projetado, num nível de desempenho exigido”. Assim, tem-se que a manutenção pode ser encarada como um conjunto

de atividades onde se devem estabelecer

todas as ações necessárias para manter um item em funcionamento, ou restabelecer seu funcionamento, segundo a finalidade para qual ele se destina, em condições

satisfatórias. Este conjunto de atividades se caracteriza pela formação de um quadro de mão de obra qualificada e da implementação de um sistema, o qual integre todas as áreas da empresa, em prol do aumento

da produtividade e diminuindo os custos

Apoio

Apoio de produção. Tecnicamente, tem-se a utilização de sistemas e equipamentos que facilitem a detecção de

de produção. Tecnicamente, tem-se a utilização de

sistemas e equipamentos que facilitem a detecção de problemas. Portanto, uma definição mais atual poderia ser: um conjunto de ações de gestão, técnicas e econômicas, aplicadas ao bem, com o objetivo de mantê-lo, aumentando seu ciclo de vida. Uma comparação entre

o conceito de manutenção convencional e o conceito

aplicado hoje é descrito por Kardec e Lafraia (2002), em que “até pouco tempo, o conceito predominante era de que a missão da manutenção era de restabelecer as condições originais dos equipamentos/sistemas. Hoje,

a missão da manutenção é garantir a disponibilidade da função dos equipamentos e instalações de modo

a atender a um processo de produção ou de serviço,

com confiabilidade, segurança, preservação do meio ambiente e custo”.

A importância da manutenção

Na indústria, o capital empregado em máquinas e equipamentos é elevado e, portanto, é interessante que essas máquinas e equipamentos ofereçam uma

que essas máquinas e equipamentos ofereçam uma 47 produção satisfatória, tanto em termos de eficiência

47

produção satisfatória, tanto em termos de eficiência quanto em termos de tempo em que estes estarão aptos a operar. A Associação Brasileira de Manutenção (Abraman) destaca em pesquisa o crescimento, nos últimos anos, da utilização de métodos de engenharia de manutenção, como a Manutenção Centrada em Confiabilidade (MCC) e seis sigmas. A engenharia da manutenção é considerada um tipo de manutenção, pois é a adoção de técnicas e ferramentas de gestão que são aplicados no dia a dia da função. Uma gestão estratégica da manutenção avança do nível mais baixo de planejamento, ou seja, manutenção corretiva não planejada, para o nível mais alto, a engenharia de manutenção. A mesma pesquisa aponta que a relação entre o custo da manutenção pelo faturamento bruto da empresa fica em torno de 4% na série histórica de 1999 a 2011. Observa-se tendência de queda na proporção custo total da manutenção/faturamento bruto. Essa é uma tendência nas empresas brasileiras, à medida que se emprega tipos de manutenção mais eficazes, embora o alto custo inicial, a médio e longo prazo, reduz-se

Apoio

Manutenção de transformadores

48

Apoio Manutenção de transformadores 48 o comprometimento do faturamento bruto. Entretanto, torna-se evidente a

o comprometimento do faturamento bruto. Entretanto,

torna-se evidente a importância da manutenção no orçamento empresarial. Uma boa manutenção reduz perdas de produção porque visa assegurar a continuidade da produção, sem paradas, atrasos, perdas e assim entregar o produto em tempo hábil. Em resumo, a manutenção é de grande importância, porque:

• aumenta a confiabilidade, pois a boa manutenção resulta em menos paradas de máquinas;

• melhora a qualidade, já que máquinas e equipamentos

mal ajustados têm mais probabilidade de causar erros ou baixo desempenho e podem causar problemas de qualidade;

• diminui os custos, devido ao fato de que, quando

bem cuidados, os equipamentos funcionam com maior eficiência;

• aumenta a vida útil, mesmo com cuidados simples,

como limpeza e lubrificação, garantem a durabilidade da máquina, reduzindo os pequenos problemas que podem causar desgaste ou deterioração;

• melhora a segurança, pois máquinas e equipamentos

bem mantidos têm menos chance de se comportar de forma não previsível ou não padronizada, evitando, assim, possíveis riscos ao operário.

As atividades de manutenção

A divisão clássica das atividades de manutenção

é aquela em que se tem a corretiva, a preventiva, a

preditiva e a sistemática. Diversos autores têm oferecido classificações como:

• Manutenção corretiva

• Manutenção preventiva

• Manutenção preditiva

• Manutenção Produtiva Total (TPM)

A manutenção corretiva é a forma mais primária

de manutenção é a realizada após a ocorrência de um defeito qualquer, o qual, em geral, torna indisponível o equipamento. Naturalmente, isto implica desligamentos fora de previsão, em momentos pouco adequados, levando, por vezes, a prejuízos consideráveis. A manutenção preventiva é o conjunto de atividades desenvolvidas visando à solução para ocorrência de

desenvolvidas visando à solução para ocorrência de condições insatisfatórias, ou, se ocorrerem, evitar que

condições insatisfatórias, ou, se ocorrerem, evitar que se tomem cumulativas. Resultam em reduzir a necessidade

de se adotarem ações corretivas.

A manutenção sistemática é aquela que se caracteriza pela substituição de componentes dos equipamentos ou de todo ele. Entretanto, com o desenvolvimento da Manutenção Produtiva Total (TPM) inicia-se o planejamento de um sistema de manutenção integrado com todo o processo produtivo, onde a manutenção não

mais figura como uma atividade secundária, e sim como um sistema onde ocorra uma melhoria na aplicação dos diversos métodos de manutenção, buscando aperfeiçoar

os fatores técnicos e econômicos da produção. Na realidade, a nomenclatura não é o mais importante, embora gere confusões, mas, sim, o conceito. Isso permite a escolha do tipo mais conveniente para um determinado equipamento, instalação ou sistema. Uma classificação proposta bastante adequada e difundida em relação aos tipos de manutenção é:

• Manutenção corretiva não planejada

• Manutenção corretiva planejada

• Manutenção preventiva

• Manutenção preditiva

• Manutenção detectiva

• Engenharia de manutenção

Manutenção corretiva

A manutenção corretiva é a forma mais primária de

manutenção. Na realidade, é a reparação de instalações

e equipamentos, geralmente de emergência, sendo,

normalmente, realizada após a ocorrência de um problema

qualquer, o qual os torna indisponíveis. De acordo com a ABNT NBR 5462/94, ela é “a manutenção efetuada após a ocorrência de uma pane, destinada a colocar um item em condições de executar uma função requerida”. De qualquer forma, o objetivo é a atuação para correção da falha ou do desempenho menor que o esperado. Portanto, podemos então definir como manutenção corretiva não planejada a correção da falha de maneira aleatória, ou seja, é a correção da falha ou defeito após a ocorrência do fato. Esse tipo de manutenção implica em altos custos, pois causa perdas

de produção; a extensão dos danos aos equipamentos

é maior. Naturalmente, isto implica desligamentos fora de previsão, em momentos pouco adequados, uma

Apoio

Manutenção de transformadores

50

Apoio Manutenção de transformadores 50 extensão maior dos danos aos equipamentos e levando, por vezes, a

extensão maior dos danos aos equipamentos e levando, por vezes, a prejuízos consideráveis.

A evolução desse processo é a manutenção corretiva

planejada. Consiste na atividade de manutenção em função de um acompanhamento preditivo, detectivo, ou até pela decisão gerencial de se operar até a falha. Consequentemente, esse tipo de manutenção é

planejado e, deste modo, acarreta menor custo, mais segurança e maior rapidez na atuação.

A organização, planejamento e controle são fatores

que proporcionam a confiabilidade no investimento de manutenção, ou seja, são pontos vitais para a sobrevivência da manutenção e seus resultados.

Manutenção preventiva

A manutenção preventiva é todo serviço de manutenção realizado em máquinas que não estejam em falha, estando com isso em condições operacionais ou em estado de defeito. Ainda define-se como a manutenção efetuada em intervalos predeterminados ou de acordo com critérios prescritos, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação de um funcionamento de um equipamento. A ABNT NBR 5462/94, por sua vez, define como a manutenção efetuada em intervalos pré-determinados, ou de acordo com critérios prescritos, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um item. Um plano de manutenção preventiva é um conjunto de ações executadas em intervalos fixos ou segundo critérios preestabelecidos. Tem como meta principal a redução ou eliminação de falhas ou defeitos nos equipamentos ou sistemas, além de evitar que se tornem cumulativas, resultando em redução da necessidade de se adotarem ações corretivas, com finalidade de evitar quebras e paradas desnecessárias no processo, tornando-o mais confiável e capaz, com maior produtividade e qualidade. Fundamentalmente, a manutenção preventiva deve agir com antecedência para acabar ou diminuir as causas potenciais de falhas nos equipamentos. Para tal, deve conter um conjunto de medições tecnicamente adequadas, as quais devem ser selecionadas entre uma grande variedade de alternativas; além disto, é necessário que se associe confiabilidade e custo com um programa de atividades compatíveis.

e custo com um programa de atividades compatíveis. Naturalmente, as medidas preventivas são endereçadas para

Naturalmente, as medidas preventivas são endereçadas para as causas mais comuns de faltas dos equipamentos de certa instalação. Nasce então a necessidade das equipes de manutenção estar dotadas de sistemas de teste capazes de simular as causas mais comuns de faltas e propiciar uma pesquisa sólida de defeitos, no menor tempo possível. Quando a manutenção preventiva baseia-se em intervalos de tempo, é conhecida como Manutenção Baseada no Tempo (Time Based Maintenance – TBM). Atente-se para o fato de que definir os intervalos entre intervenções em cada equipamento é um dos aspectos mais problemáticos para uma boa preventiva. Como há dúvida sobre os tempos mais adequados, há a tendência de se agir com conservadorismo e, assim, tais intervalos, normalmente, são menores que o necessário, implicando em paradas e troca de peças desnecessárias. A seguir é transcrito o resultado de pesquisa realizada pelo Cigré Brasil com a colaboração de 12 empresas de transmissão, geração e distribuição entre os meses de agosto e setembro de 2012, sobre práticas de manutenção baseada no tempo. Os resultados das práticas de manutenção realizadas nestas empresas validaram o apresentado na pesquisa realizada pelo Cigré internacional. Dos resultados apresentados nesta pesquisa pode-se destacar que as práticas de manutenção variam significativamente entre os usuários do transformador. Os fatores possíveis que podem influenciar nas práticas de manutenção são:

• Características e especificações do transformador; • A qualidade dos componentes instalados no transformador;

• A função exigida do transformador (carga, operação do CDC);

• O ambiente em que o transformador está instalado

(temperatura, umidade);

• O índice histórico de falhas do transformador e tipos

de falha; • O nível de redundância do transformador e as consequências de sua indisponibilidade; • A modalidade de falha e os seus efeitos na segurança da subestação; • A cultura e o foco de companhia baseados na manutenção;

Apoio

Apoio • A disponibilidade e os custos de trabalho; • O grau de implementação de tecnologias

• A disponibilidade e os custos de trabalho; • O grau de implementação de tecnologias modernas; •A presença de um programa de otimização da manutenção. A Tabela 1 resume as práticas de manutenção típicas que foram relatadas na pesquisa. Caberá a cada usuário determinar que nível de manutenção seja apropriado dependendo da situação. Pode-se igualmente notar que o nível de manutenção pode ser diferente para cada

que o nível de manutenção pode ser diferente para cada 51 ação realizada no mesmo grupo

51

ação realizada no mesmo grupo de transformadores, dependendo de cada situação particular. A designação do intervalo de manutenção como leve, regular e intensivo refere-se à intensidade da realização das atividades de manutenção posto que muitos fatores influenciam na política de manutenção. Portanto, a Tabela 2 descreve os três diferente níveis.

Tabela 1 – Pesquisa do Cigré inTernaCional: resulTados enTre manuTenções adoTadas (Cigré brasil, gT a2.05,
Tabela 1 – Pesquisa do Cigré inTernaCional: resulTados enTre manuTenções adoTadas (Cigré brasil, gT a2.05, 2013)
Intervalo de manutenção
regular
leve
IntensIvo
ação
ComentárIo
6
meses
1
mês
1
ano
Inspeção visual
Em operação
1 ano
3
meses
1
semana
Inspeção visual detalhada
Em operação
2
anos
1
ano
3
meses
Análise dos gases dissolvidos
A periodicidade pode variar com a instalação de sistema de monitoramento
6 anos
2
anos
1
ano
Teste físico-químico do óleo
Condicional
Condicional
Qualquer intervalo
Limpeza do sistema de resfriamento
O desligamento do equipamento poderá ser necessário
12 anos ou condicional
6 – 8 anos
1 – 2 anos
Verificação de acessórios
Com desligamento do equipamento
Condicional
Condicional
Qualquer intervalo
Ensaios elétricos básicos
Com desligamento do equipamento
Condicional
6
– 8 anos
2 – 4 anos
Ensaios de isolamento (Fator de potência)
Com desligamento do equipamento
12 anos
6
– 8 anos
4
anos
Inspeção interna do CDC
Considerar recomendações do fabricante, número de operações e
tecnologia empregada

Apoio

Manutenção de transformadores

52

Apoio Manutenção de transformadores 52 T abela 2 – i nTervalos de manuTenções versus CaraCTerísTiCas (Cigré

Tabela 2 – inTervalos de manuTenções versus CaraCTerísTiCas

(Cigré brasil, gT a2.05, 2013) Intervalos de CaraCterístICas manutenção Leve • Transformadores equipados com
(Cigré brasil, gT a2.05, 2013)
Intervalos
de
CaraCterístICas
manutenção
Leve
• Transformadores equipados com componentes que são conhecidos
por serem muito confiáveis;
• Baixa carga e baixo número de operações de comutadores de tap;
• O transformador não opera em um ambiente agressivo;
• Tecnologias avançadas do transformador exigem menos manutenção;
• Baixas consequências em caso de falha;
Intensivo
• Componentes que são conhecidos por exigirem atenção frequente;
• Carga elevada, número elevado de operações do comutador sob
carga;
• Transformador que operam em ambiente agressivo;
• Graves consequências em caso de falha inesperada;
Regular
• Qualquer situação que esteja entre os níveis anteriores.

Manutenção preditiva

A manutenção preditiva é composta pelas tarefas de manutenção preventiva que visam acompanhar a máquina ou as peças, por monitoramento, por medições ou por controle estatístico e tentar predizer a proximidade da ocorrência da falha. A ABNT NBR 5462/94, por sua vez, define como “aquela que permite garantir uma qualidade de serviço desejada, com base na aplicação sistemática de técnicas de análise, utilizando-se de meios de supervisão centralizados ou de amostragem para reduzir a um mínimo as manutenções corretivas e preventivas”. A manutenção preditiva é o conceito moderno de manutenção, na qual emprega-se um conjunto de atividades de acompanhamento de determinados elementos, das variáveis ou parâmetros que indicam o desempenho dos equipamentos, de modo sistemático, visando definir a necessidade ou não de intervenção. Este tipo de manutenção baseia-se na possibilidade de predição da ocorrência de uma falha ou defeito, por meio de vários métodos que envolvem desde equipamentos modernos de medição e análise até a pura observação do comportamento do equipamento. A manutenção preditiva visa substituir, se possível, a manutenção preventiva, assim como, reduzir ao máximo as intervenções corretivas. No entanto, se os seus resultados indicarem a necessidade, ocorrerá a Manutenção Baseada na Condição (Condition Based Maintenance – CBM). Algumas empresas adotam uma classificação em que a preventiva engloba a Manutenção Baseada no Tempo

em que a preventiva engloba a Manutenção Baseada no Tempo e a Manutenção Baseada na Condição.

e a Manutenção Baseada na Condição. Isso significa, na realidade, que a manutenção preditiva pode ser encarada como uma subárea da manutenção preventiva. No entanto, apresenta algumas características específicas:

• Não é necessário que haja o desligamento do equipamento para a sua aplicação;

• Não há o dano do equipamento, como no caso da corretiva;

• Não se baseia em informações sobre a durabilidade de certo componente.

A manutenção preditiva permite maior tempo de

operação dos equipamentos e o planejamento das intervenções de manutenção com base em dados e não em suposições, promovendo o mínimo de paradas. Entretanto, esse processo necessita de acompanhamentos, monitoramentos e inspeções periódicas, por meio de instrumentação específica, além de procedimentos adequados para obtenção de dados. Outro ponto é a necessidade de profissionais especializados para execução das atividades. Esse cenário causa aumento significativo de custos.

Manutenção detectiva

A manutenção detectiva efetua um processo de

monitoramento dos dados do sistema por meio de informações dos sistemas de medida, proteção e comando, buscando detectar falhas, defeitos ocultos ou não perceptíveis para o pessoal de operação e manutenção. À medida que ocorre o aumento da utilização de dispositivos

eletrônicos inteligentes nos sistemas de proteção, controle

e automação nas instalações, maior será a capacidade

de atuação da manutenção detectiva para garantir a confiabilidade e a manutenção da instalação. Uma grande vantagem da manutenção detectiva é a verificação do sistema sem parada de operação, possibilitando uma correção da não conformidade encontrada com o sistema em operação. Sua desvantagem consiste na necessidade do uso de modernos sistemas de controle e automação e a excelência dos profissionais com treinamento e com habilitação para execução do trabalho. Esse tipo de manutenção é novo e, por isso mesmo, muito pouco mencionado no Brasil.

Engenharia de manutenção

Conforme já descrito anteriormente, a Engenharia de

Apoio

Manutenção de transformadores

54

Apoio Manutenção de transformadores 54 Manutenção é definida como o conjunto de atividades que permite o

Manutenção é definida como o conjunto de atividades que permite o aumento de confiabilidade e garantia de disponibilidade. Basicamente é adotar procedimentos para diminuir as atividades corretivas, eliminando problemas crônicos, melhorando os padrões e processos, além de desenvolver a “manutenibilidade”, ou seja,

dotar a instalação de características como facilidade, precisão, segurança e economia na execução de ações

de manutenção.

A engenharia de manutenção procura obter soluções

definitivas para eliminar ou diminuir o máximo possível

a ocorrência de defeitos ou falhas no sistema ou

equipamento. Dado um evento, estudam-se as possíveis causas e realizam-se ações que resultem em uma modificação do componente e eliminação do mesmo. A engenharia de manutenção utiliza os dados obtidos nas demais atividades de manutenção para implementação das melhorias.

Outras atividades relacionadas ao sistema de manutenção

Outras atividades que se relacionam com o conceito

de manutenção, porém não estão inclusas nas definições clássicas, são o comissionamento, a inspeção e a recepção de equipamentos.

a inspeção e a recepção de equipamentos. Os motivos são variados, ou seja, os testes permitem:

Os motivos são variados, ou seja, os testes permitem:

•Verificar se o equipamento não foi danificado no transporte;

• Verificar se o equipamento, quando armazenado à

espera de montagem, não sofreu qualquer avaria (corrosão, umidade, danos, etc.); • Verificar aspectos corretos de montagem e alguns testes do fabricante.

que comissionamento são:

Tem-se

ainda

os

objetivos

principais

do

• Fazer verificações e executar os ensaios que demonstrem

estar sendo ligados ao sistema, para operação comercial, equipamentos e instalações em condições de manter

o nível de confiabilidade, continuidade e segurança

exigidos de acordo com o projeto e funcionamento dentro das especificações e garantias contratuais; • Levantar características, aferir e ajustar todos os

componentes dos diversos circuitos de controle, proteção, medição, supervisão, etc.;

• Registrar valores iniciais dos parâmetros determinantes de cada equipamento, indispensáveis ao estabelecimento

de um sistema confiável de manutenção e controle;

• Verificar a fidelidade dos desenhos finais e fornecer

A

recepção é o conjunto de atividades desenvolvidas

subsídios para elaboração dos desenhos “como construído”

• Garantir a segurança do pessoal e dos equipamentos;

para a colocação de uma instalação ou equipamento em operação. Tais atividades caracterizam-se pelo

(As built);

acompanhamento e execução dos serviços e encargos

• Estabelecer os limites operativos confiáveis para os

referentes às diversas fases por que passa uma instalação,

diversos equipamentos;

desde a fase de planejamento até a fase de entrada em

Completar o treinamento específico da equipe técnica

operação comercial.

responsável pela operação e manutenção da instalação;

O comissionamento é uma etapa das atividades de

Garantir a segurança da energização inicial;

recepção, que consiste em fazer verificações e executar

Assegurar o fornecimento das peças reservas, acessórios

ensaios que demonstrem estarem todos os equipamentos e

e

ferramentas especiais previstas em contrato;

instalações de acordo com o projeto e funcionamento dentro

• Orientar os órgãos das áreas financeiras quanto aos itens

das garantias contratuais e especificações, antes da entrada em operação comercial. Por outro lado, observe-se que, normalmente, os equipamentos comprados são ensaiados na fábrica e, dependendo do seu grau de importância e custo, é necessário que o comprador verifique se o fabricante atende

as normas e dispositivos contratuais. Assim é necessário

inspecionar a execução de tais atividades. Nesse sentido, é possível levantar a questão sobre o fato de que se o equipamento já foi ensaiado na fábrica, por que testá-los antes da entrada em operação?

a serem capitalizados/patrimoniados;

• Transferir para os órgãos responsáveis a responsabilidade pela guarda, operação e manutenção da instalação.

Ciclo de operação e manutenção de transformadores

Caso seja detectada alguma não conformidade no transformador, técnicas adequadas são utilizadas para determinar sua extensão ou gravidade. Os resultados serão utilizados para subsidiar a decisão de intervenção,

Apoio

Apoio 55 Figura 1 – Ciclo de operação e de manutenção do equipamento, desde o seu
Apoio 55 Figura 1 – Ciclo de operação e de manutenção do equipamento, desde o seu

55

Apoio 55 Figura 1 – Ciclo de operação e de manutenção do equipamento, desde o seu

Figura 1 – Ciclo de operação e de manutenção do equipamento, desde o seu comissionamento até o fim de sua vida útil (Cigré Brasil, GT A2.05, 2013).

manutenção corretiva ou retorno à operação. A Figura 1 mostra um fluxograma com o ciclo de operação e manutenção de transformadores.

Referências

• PAULINO M. E. C. Considerações sobre modelos de sistema

integrado de manutenção e testes automatizados de proteção Elétrica. Congresso Brasileiro de Manutenção – ABRAMAN, 2005.

• ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO M. E. C. Manutenção de

transformadores de potência. Curso de Especialização em Manutenção de Sistemas Elétricos – UNIFEI, 2012.

• FERREIRA, A. B. H. Novo Aurélio – O Dicionário da Língua

Portuguesa – Século XXI. São Paulo: Ed. Nova Fronteira, 2001.

• ABNT NBR 5462. Confiabilidade – terminologia. Associação

Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), 1994. •KARDEC,Alan;LAFRAIA,João.Gestãoestratégicaeconfiabilidade. Rio de Janeiro: Qualitymark, ABRAMAN. 80 f., 2002. • ABRAMAN, Associação Brasileira de Manutenção. A situação da manutenção no Brasil – documento nacional 2011, 26º Congresso

Brasileiro de Manutenção, Curitiba, 2011.

• NEPOMUCENO, L. X. Técnicas de manutenção preditiva. São Paulo: Edgard Bluche,

v. 1, 501 f., 1989.

• GT A2.05. Guia de manutenção para transformadores de potência. CIGRE Brasil – Grupo de Trabalho A2.05, 2013. • WG A2.34. Guide for transformer maintenance. CIGRE Internacional, Working Group A2.34, 2011. • BATITUCCI, M. D. Comissionamento a primeira atividade de manutenção. Manutenção,

n. 28, jan./fev. 91, p. 31-38.

*Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco | mecpaulino@yahoo.com.br.

Continua na próxima edição Confira todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e comentários podem ser encaminhados para o e-mail redacao@atitudeeditorial.com.br

Apoio

Manutenção de transformadores

54

Apoio Manutenção de transformadores 54 Capítulo III Anormalidades em transformadores de potência Por Marcelo Paulino*

Capítulo III

Apoio Manutenção de transformadores 54 Capítulo III Anormalidades em transformadores de potência Por Marcelo Paulino*

Anormalidades em transformadores de potência

Por Marcelo Paulino*

As principais avarias em transformadores dizem respeito a deficiências dos enrolamentos sejam por má compactação das bobinas, por assimetrias existentes entre primário e secundário ou deformação das bobinas causada

por curto-circuito. São significativas também as solicitações térmicas e dielétricas, provocando

a alteração das características elétricas e físico- químicas dos seus materiais isolantes. Isto implica “envelhecimento” de parte ou de toda

a isolação. Os estágios avançados do processo produzem sedimentos oriundos da oxidação, que, em última análise, podem comprometer a operação do transformador.

A ocorrência de falhas no funcionamento de

um transformador não pode ser eliminada, mas sim reduzida a um número e a uma intensidade

que não causem danos ao sistema elétrico, por meio de equipamentos e métodos utilizados para seu controle.

O bom funcionamento de um transformador

depende de uma série de fatores, os quais podem ser resumidos na maneira pela qual é feita a sua manutenção e proteção, assim como também na qualidade dos seus

componentes. Vale ressaltar que as instalações e os transformadores em operação têm envelhecido de uma forma geral, tornando-os suscetíveis a falhas. A seguir são apresentados alguns dados.

a falhas. A seguir são apresentados alguns dados. Figura 1 – Transformadores de 110/220 KV na

Figura 1 – Transformadores de 110/220 KV na Alemanha.

dados. Figura 1 – Transformadores de 110/220 KV na Alemanha. Figura 2 – Faixa etária de

Figura 2 – Faixa etária de transformadores no Brasil.

Apoio

Apoio Estatística de ocorrência Para a definição da estratégia de manutenção a ser adotada é adequada

Estatística de ocorrência

Para a definição da estratégia de manutenção a ser adotada é adequada a obtenção de informações referentes ao estado dos equipamentos da instalação, separados em classificações que permita a análise dos defeitos e respectivas ocorrências. A seguir serão apresentados diversos estudos que mostram, além dos tipos de falhas, a classificação de ocorrências.Tais estudos são aqui apresentados apenas como exemplos do estabelecimento do processo de definição das anormalidades em transformadores. Informações adicionais devem ser buscadas na referência bibliográfica. Os trabalhos de diagnóstico foram desenvolvidos a partir da coleta e da análise de dados acerca dos registros operacionais dos equipamentos, condições circunstanciais das ocorrências, análises de materiais em laboratórios especializados e inspeções realizadas em campo e em fábrica durante o processo de desmontagem de cada um deles. Os resultados aqui obtidos visam contribuir com o aprimoramento de técnicas para diagnóstico e caracterização de falhas de equipamentos, classificando a suscetibilidade de transformadores de diferentes tipos de aplicação e suas falhas.

de diferentes tipos de aplicação e suas falhas. 55 Estatística de defeito – Estudo de caso

55

Estatística de defeito – Estudo de caso 1

Neste trabalho são relacionados e descritos os principais modos de falha normalmente verificados em transformadores, associados ao levantamento estatístico que compõe um banco de dados elaborado a partir de perícias realizadas entre os anos de 2000 e 2008 para companhias seguradoras. É apresentada (por BECHARA) e desenvolvida uma análise de falhas verificadas em cerca de uma centena de transformadores com diferentes tipos de aplicação, classes de tensão e níveis de potência. O objetivo do estudo é contribuir com um melhor entendimento de causas de falhas e os tipos de transformadores mais suscetíveis a cada uma delas. Um extrato desse trabalho é agora apresentado. Os transformadores inspecionados são utilizados por concessionárias de energia elétrica do sistema elétrico brasileiro, tendo sido fabricados por empresas nacionais e estrangeiras. A Tabela 1 mostra o conjunto de equipamentos analisados. Os critérios de arranjo dos dados da Tabela 1 teve por base a análise dos dados de manutenção e resultado de ensaios conforme o roteiro de investigação de cada caso. A Tabela 2 classifica os principais tipos de falhas nos transformadores.

Apoio

Manutenção de transformadores

56

Apoio Manutenção de transformadores 56 Tabela 1 – ConjunTo de Transformadores de poTênCia analisados Tipo Potência
Apoio Manutenção de transformadores 56 Tabela 1 – ConjunTo de Transformadores de poTênCia analisados Tipo Potência
Tabela 1 – ConjunTo de Transformadores de poTênCia analisados Tipo Potência (MVA) Número de unidades
Tabela 1 – ConjunTo de Transformadores de poTênCia analisados
Tipo
Potência (MVA)
Número de unidades
Elevador
Classe de tensão (kV)
69, 138, 230, 345, 440, 550
Até 418,5
23
Transmissão
230, 345, 440, 550, 765
Até 550
22
Subtransmissão
69, 88, 138
Até 60
47
ToTAl
92

Tabela 2 – levanTamenTo esTaTísTiCo de falhas em Transformadores de poTênCia

FAlhA  Defeito de Curto Envelhe- Componentes Sobretensões transitórias Manutenção Enxofre Defeito Não
FAlhA 
Defeito de
Curto
Envelhe-
Componentes
Sobretensões transitórias
Manutenção
Enxofre
Defeito
Não
Tipos 
fabricação
circuito
cimento
Comutador
Buchas
Manobra
Descarga
inexistente
corrosivo
após reparo
apurado
externo
VFT
Atmosférica
inadequada
Elevadores
2
0
4
0
4
6
1
0
2
1
2
Transmissão
4
6
0
3
4
0
0
0
0
2
3
Subtransmissão
1
16
7
8
1
4
1
3
0
2
4
ToTAl
7
22
11
11
9
10
2
3
2
5
9

Com o objetivo de obter parâmetros de referência de falhas para os transformadores analisados, a Figura 3 mostra os modos de falha mais significativos pela quantidade para cada tipo de transformador. Vale ressaltar que do conjunto de dados em estudo, 50% dos transformadores pertencem ao sistema de substransmissão. Portanto, a incidência das falhas nesse sistema terá um peso maior na análise de todo o conjunto, como a percentagem de curtos-circuitos externos, conforme mostrado na Figura 4.

curtos-circuitos externos, conforme mostrado na Figura 4. Figura 3 – Tipos e quantidade de falhas identificadas

Figura 3 – Tipos e quantidade de falhas identificadas nos transformadores.

e quantidade de falhas identificadas nos transformadores. Figura 4 – Porcentagem de falhas em transformadores. A

Figura 4 – Porcentagem de falhas em transformadores.

A análise do item mais suscetível a falhas é mostrada na Figura 5. Nela pode-se notar que as bobinas são a maior fonte de problemas no transformador, com 70% das ocorrências, seguida de comutadores (16,3%) e buchas (10,9%).

seguida de comutadores (16,3%) e buchas (10,9%). Figura 5 – Componente afetado pelas falhas em

Figura 5 – Componente afetado pelas falhas em transformadores.

Estatística de defeito – Estudo de caso 2

O trabalho desenvolvido por Souza teve o objetivo de estudar as falhas e os defeitos ocorridos em

transformadores de potência de 34,5 kV, 69 kV, 138 kV

e 230 kV do sistema elétrico da Companhia Energética

de Goiás (Celg), referente ao período de 28 anos (1979

a 2007). O desenvolvimento da pesquisa baseou-se na

identificação das partes dos transformadores que foram analisadas e divididas em blocos, na caracterização e na análise dos pontos de falhas e de defeitos detectados nestes equipamentos relativos às interrupções. A seguir são apresentados alguns resultados obtidos. Souza apresenta neste estudo o registro de 549 interrupções de serviço, no período de dezembro de 1979 a maio de 2007, ocorridas em 255 transformadores e autotransformadores (trifásicos ou bancos trifásicos),

Apoio

Manutenção de transformadores

58

Apoio Manutenção de transformadores 58 Tabela 3 – QuanTidade de eQuipamenTos por faixa TrifásiCa nominal e
Apoio Manutenção de transformadores 58 Tabela 3 – QuanTidade de eQuipamenTos por faixa TrifásiCa nominal e
Tabela 3 – QuanTidade de eQuipamenTos por faixa TrifásiCa nominal e por Tensão nominal Tensão
Tabela 3 – QuanTidade de eQuipamenTos por faixa TrifásiCa nominal e por Tensão nominal
Tensão nominal
Número total de equipamentos
Potência trifásica
(trifásicos ou bancos)
MENor
MAior
34,5 kV
106
0,15
12
69 kV
79
1
20
138
kV
53
7
62,5
230
kV
17
36
150
Total
255

ou seja, muitos dos equipamentos sofreram mais de uma ocorrência.

A seguir são analisados os dados de interrupções de

serviço, não considerando o sistema de proteção, no período de 09/12/1979 a 25/05/2007, ou seja, proteções não inerentes ao equipamento (relé de distância, relé de religamento em circuito de CA, relé de frequência, relé de sobretensão, relé de sobrecorrente) e proteções inerentes dos equipamentos (relé de temperatura do óleo,

relé de pressão, relé Bucchholz/gás, relé diferencial, relé de bloqueio, válvula de alívio, nível de óleo, termômetro do óleo e termômetro do enrolamento). A Figura 6 mostra o número absoluto de transformadores e autotransformadores por ano e por classe de tensão, pertencentes às classes de tensão de 34,5 kV, 69 kV, 138 kV e 230 kV, na qual se observa que houve um crescimento do número de equipamentos no decorrer dos anos.

A Figura 7 apresenta o percentual de interrupções

em transformadores e autotransformadores versus componentes. A figura evidencia que os componentes mais atingidos foram os enrolamentos (34%), as buchas (14%) e os comutadores (20%), sendo 10% para o OLTC

(comutadores com carga) e 10% para comutadores sem tensão. Assim, as interrupções associadas a estes três componentes representam, juntas, 68% do total, e o item componente não identificado (11%) refere-se àqueles equipamentos dos quais não se obtiveram registros confiáveis e/ou exatos das ocorrências.

registros confiáveis e/ou exatos das ocorrências. Figura 7 – Interrupções em transformadores e

Figura 7 – Interrupções em transformadores e autotransformadores versus componentes.

em transformadores e autotransformadores versus componentes. Figura 6 – Número de transformadores e

Figura 6 – Número de transformadores e autotransformadores por ano e por classe de tensão.

59

Estatística de defeito – Estudo de caso 3

A título de ilustração, a Figura 8 apresenta um levantamento estatístico, realizado por um grande usuário, da incidência de problemas nas diversas partes do transformador.

de problemas nas diversas partes do transformador. Figura 8 – Incidência de problemas em transformadores (em

Figura 8 – Incidência de problemas em transformadores (em %).

Análise de anormalidades

Analisa-se, a seguir, algumas das anormalidades de ocorrência mais comuns, seus efeitos e suas causas básicas. Via de regra, as seguintes condições são responsáveis pelos problemas a seguir:

• Sobretemperatura: sobretemperaturas podem ser causadas por sobrecorrentes, sobretensões, resfriamento insuficiente, nível reduzido do óleo, depósito de sedimentos no transformador, temperatura ambiente elevada, ou curto-circuito entre enrolamentos. Em transformadores a seco, esta condição pode ser devido a dutos de ventilação entupidos. • Falha em contatos internos: o transformador possui diversas conexões internas interligadas por elementos fixos, como conectores e parafusos, além de dispositivos móveis. A falha nesses componentes resulta na deficiência do contato e aumento da densidade de corrente nas partes condutoras, com consequente sobreaquecimento. Causados por montagem incorreta, baixa qualidade dos materiais ou solicitações mecânicas devido a eventos de alta corrente no transformador, essa ocorrência tende a evoluir de um defeito para uma falha. • Falha de isolamento: este defeito se constitui em uma falha do isolamento dos enrolamentos do transformador; pode envolver faltas fase-terra, fase-fase, trifásicas com ou sem contato para a

Apoio

Manutenção de transformadores

60

Apoio Manutenção de transformadores 60 terra ou curto-circuito entre espiras. A causa destas falhas de isolamento

terra ou curto-circuito entre espiras. A causa destas falhas de isolamento podem ser curtos-circuitos, descargas atmosféricas, condições de sobrecarga ou sobrecorrentes, óleo isolante contendo umidade ou contaminantes.

• Tensão secundária incorreta: esta condição pode

ser oriunda de relação de transformação imprópria, tensão primária anormal e/ou curto-circuito entre espiras no transformador.

Descargas internas: descargas internas podem vir a

ser

causadas por baixo nível de óleo que resultem na

exposição de partes energizadas, perda de conexões,

pequenas falhas no dielétrico. Usualmente, descargas internas acabam por se tornar audíveis e causam radiointerferência.

• Falhas do núcleo: esta condição pode ser devido a

problemas com parafusos de fixação, abraçadeiras e outros.

• Alta corrente de excitação: usualmente, altas

correntes de excitação são devido a núcleo “curto- circuitado” ou junções do núcleo abertas.

• Falha da bucha: as falhas de buchas podem ser

causadas por descargas devido à acumulação de

contaminantes sólidos e a descargas atmosféricas

A ocorrência em buchas costuma causar sérios

prejuízos com explosões e incêndios, resultando na contaminação dos enrolamentos e danos generalizados em todo transformador. No caso de explosões, pedaços de porcelana podem ser lançados com risco de acidentes pessoais e danos dos equipamentos

adjacentes. Essa ocorrência está diretamente associada à perda das propriedades dielétricas do isolamento da bucha, com envelhecimento ou contaminação do isolamento óleo e papel (buchas OIP) ou do isolamento óleo e resina (RIP), além de degradação

do corpo de porcelana com trincas e rachaduras.

• Baixa rigidez dielétrica: esta condição pode ser

causada por condensação e penetração de umidade, devido à ventilação imprópria em transformadores

a seco, nas serpentinas de resfriamento, nos

resfriados a água, ou diafragmas de alívio de pressão danificados ou, ainda, fugas ao redor dos acessórios

do transformador nos demais tipos.

• Descoloração do óleo isolante: a descoloração do óleo isolante deve-se, principalmente, à sua carbonização devido a chaveamentos nos

à sua carbonização devido a chaveamentos nos comutadores sob carga (LTC – Load Tap Changers), falha

comutadores sob carga (LTC – Load Tap Changers), falha do núcleo ou contaminação.

• Perda de óleo isolante: a perda de óleo isolante

em um transformador pode ocorrer pelos parafusos de junções, gaxetas, soldas, dispositivos de alivio de sobrepressão e outros. As principais causas são:

montagem inadequada de partes mecânicas, filtros impróprios, junções inadequadas, acabamento de superfícies incompatíveis com o grau necessário,

pressão inadequada nas gaxetas, defeitos no material utilizado e falta de rigidez das partes mecânicas.

• Problemas com equipamentos de manobra: muitos

transformadores são equipados com LTCs (Load Taps Changers) e outros dispositivos de manobra. Tais transformadores podem apresentar problemas extras associados a estes dispositivos como, por exemplo, os oriundos do excessivo desgaste dos contatos fixos e móveis, sobrepercurso do mecanismo de mudança de taps, condensação de umidade no óleo destes mecanismos entre outros. O desgaste excessivo dos contatos pode ser atribuído à perda de pressão das molas (molas fracas) ou a um tempo de espera insuficiente durante o percurso. Problemas devido ao sobrepercurso do mecanismo de mudança de taps são, usualmente, devido a ajustes incorretos dos controladores de contatos. A condensação de umidade e carbonização deve-se a operação excessiva ou ausência de filtragem. Outros problemas, como queima de fusíveis ou parada do sistema motor, são devidos a curtos-circuitos nos circuitos de controle, travamento de origem mecânica, ou condições de subtensão no circuito de controle.

Em função do exposto verifica-se que uma série de itens e procedimentos deve ser observada ao longo do histórico de operação de um transformador sob pena de comprometer seu funcionamento correto. Deste modo, as rotinas de inspeção objetivando a manutenção preventiva aplicáveis devem possuir um forte vínculo com os problemas de pequena monta e defeitos que eventualmente ocorram ao longo da vida útil do equipamento.

referências

• ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO M. E. C. Manutenção

61

de Transformadores de Potência. Curso de Especialização em

Manutenção de Sistemas Elétricos – UNIFEI, 2012.

• WECK, K. H. Instandhaltung

von Mittelspannungsnetzen,

Haefely Symposium, Stuttgart

2000.

• SALUM, B. P. Reparar ou

Adquirir um Transformador Novo, CIGRE A2 – WORKSPOT, Belém,

2008.

• BECHARA, R. Análise de Falhas

em Transformadores de Potência. Dissertação de Mestrado, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.

• SOUZA, D. C. P. Falhas

e Defeitos Ocorridos em Transformadores de Potência

do Sistema Elétrico da Celg, nos Últimos 28 Anos: Um Estudo de Caso. Dissertação de Mestrado, Escola de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Federal de Goiás/UFG, Goiânia,

2008.

S.

• SANTOS,

Transformadores de Potência – Inspeção e Manutenção, Companhia Siderúrgica Nacional, CSN, Volta Redonda, RJ.

F.

G.

P.

* Marcelo eduardo de carvalho

Paulino é engenheiro eletricista

e especialista em manutenção de

sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |mecpaulino@ yahoo.com.br.

Apoio

Manutenção de transformadores

58

Apoio Manutenção de transformadores 58 Capítulo IV Ensaio de resistência ôhmica de enrolamentos e avaliação do

Capítulo IV

Apoio Manutenção de transformadores 58 Capítulo IV Ensaio de resistência ôhmica de enrolamentos e avaliação do

Ensaio de resistência ôhmica de enrolamentos e avaliação do comutador sob carga

Tipos de falhas e defeitos em transformadores de potência

Por Marcelo Paulino*

Este capítulo apresenta os procedimentos de teste de resistência ôhmica e avaliação do OLTC (comutador sob carga) realizados com instrumentos convencionais e os procedimentos de teste utilizando o sistema de teste CPC100. Mostra o método da queda de tensão e o procedimento de teste avaliando o desempenho da comutação do OLTC.

Resistência ôhmica dos enrolamentos

Os procedimentos para a determinação de resistências ôhmicas estão entre os mais usuais. Consistem geralmente na determinação da resistência elétrica utilizando corrente contínua a uma determinada temperatura. O testador deverá avaliar o valor da resistência a ser medida para determinar qual método e/ou equipamentos serão utilizados. O princípio utilizado por esses métodos consiste na medição da tensão entre os terminais do objeto sob teste e ao mesmo tempo a medida da corrente que passa pelo objeto. Efetua-se

assim o cálculo da resistência ôhmica por meio da lei de Ohm. Após a realização dos testes, além da correção da medida realizada para a temperatura de referência, o testador deve comparar os valores obtidos no teste com o histórico do objeto sob teste e os resultados de testes anteriores ou mesmos

dados de fábrica. Essa comparação irá balizar

a análise final do teste. Apresentaremos o método da queda de tensão, consagrado pelo uso e sugerido por diversas normas

internacionais. Entretanto, outros métodos poderão ser utilizados, dependendo dos equipamentos de medida disponíveis para

o testador, como método da ponte (Kelvin e Wheatstone) ou uso de equipamentos que promovem a automatização do processo de medida.

Método da queda de tensão

O método da queda de tensão, também

método do voltímetro e

da

chamado

de

amperímetro,

consiste

na

medida

Apoio

Apoio resistência R percorrida pela corrente I e da tensão sobre a resistência sob ensaio V.

resistência R percorrida pela corrente I e da tensão sobre a resistência sob ensaio V. Respectivamente, a corrente I e a tensão V são medidas com um amperímetro e um voltímetro.

Esquemas de montagem

Existem duas conexões a serem usadas por este método, mostradas nas Figuras 1 e 2:

Sendo Ra a resistência interna do amperímetro e Rv a

e 2: Sendo Ra a resistência interna do amperímetro e Rv a 59 resistência do voltímetro,

59

resistência do voltímetro, temos as seguintes aplicações:

• A montagem à montante, Figura 1, deve ser usada para medir resistências R>>Ra; • A montagem à jusante, Figura 2, deve ser usada para medir resistências R<<Rv.

Procedimento de teste

Depois de realizada a conexão de teste, o testador deve seguir o seguinte procedimento:

Figura 1 – Esquema de ligação no método da queda de tensão – montagem à
Figura 1 – Esquema de ligação no método da queda de tensão – montagem à

Figura 1 – Esquema de ligação no método da queda de tensão – montagem à montante.

Figura 2 – Esquema de ligação no método da queda de tensão – montagem à jusante.

Apoio

Manutenção de transformadores

60

Apoio Manutenção de transformadores 60 a) Com a fonte de corrente contínua, o testador aplica uma

a) Com a fonte de corrente contínua, o testador aplica

uma tensão correspondente a uma corrente medida pelo amperímetro menor que 15% do valor nominal do objeto

sob teste, isto é, a corrente que circula pela resistência a ser medida não deve ser superior a 15% de seu valor

nominal;

b)

O tempo de aplicação da corrente de teste não deve

ultrapassar 1 minuto;

c) As indicações dos instrumentos devem estar

estabilizadas para a realização das leituras desses

instrumentos;

d) As leituras dos valores medidos pelo voltímetro e pelo

amperímetro devem ser realizadas simultaneamente;

e) Utilizando a lei de Ohm, o testador deve calcular a

resistência. Para a Figura 1 temos:

deve calcular a resistência. Para a Figura 1 temos: Em que: (1) E – resultado obtido

Em que:

(1)

E – resultado obtido com o voltímetro [V]

I – resultado obtido com o amperímetro [A] Rv – Resistência interna do voltímetro [Ω]

f) Utilizando-se a resistência variável, o testador deve

efetuar de três a cinco leituras com valores de corrente diferentes. Deve-se então obter a média aritmética e desprezar os valores com diferenças maiores que 1% do valor médio;

g) Dependo dos componentes conectados durante

o teste (fonte de corrente contínua, enrolamento sob teste), o acionamento da fonte de alimentação do

circuito pode causar sobretensões importantes, podendo danificar os equipamentos de medida. Recomenda-se

a desconexão do voltímetro antes do acionamento da

fonte e a realização de um curto-circuito nos terminais do amperímetro.

Correção de temperatura

A resistência elétrica dos enrolamentos varia com a

temperatura. Para que se tenha uma base comparativa, a

resistência elétrica dos enrolamentos devem ser referidas

a uma mesma temperatura. Isto pode ser executado pela expressão (106), ou seja:

Isto pode ser executado pela expressão (106), ou seja: (2) Em que: • R θ r

(2)

Isto pode ser executado pela expressão (106), ou seja: (2) Em que: • R θ r

Em que:

• Rθr – resistência elétrica na temperatura de referência;

• Rθe – resistência elétrica na temperatura do ensaio;

θr – temperatura de referência;

θe – temperatura dos enrolamentos nas condições do

ensaio. Se o enrolamento for de alumínio, utilizar 225 ao invés de 234,5 na expressão (2).

Critérios de avaliação

As resistências obtidas devem ser comparadas com

resultados anteriores ou com dados do fabricante, tendo-se

o cuidado de utilizar as correções de temperatura a uma

mesma base. Para transformadores, a temperatura de referência é normalmente 75 °C, para máquinas girantes (motores e geradores), a temperatura de referência é normalmente 40 °C. Em caso de discordâncias maiores que 5%, devem ser pesquisadas a existência de anormalidades tais como:

espiras em curto, número incorreto de espiras, dimensões incorretas do condutor e outros. Neste sentido, é importante que haja o histórico das medidas efetuadas. Por outro lado, a principal causa de diferenças de medida de resistência ôhmica é o mau contato nos terminais, principalmente naqueles mal prensados. Observa-se que, muitas vezes, a resistência de contato pode apresentar valores significativos se comparada com

a dos enrolamentos, principalmente do lado de baixa

tensão. Pelo exposto, é importante que haja o histórico das medidas efetuadas. O autor recomenda os seguintes valores para avaliação de resistência ôhmica de enrolamentos, para medidas na mesma base de temperatura, mostrados na Tabela 1.

Avaliação do comutador sob carga

As resistências do enrolamento são testadas no campo para se detectar perda de conexões, condutores

Tabela 1 – avaliação de resisTência ôhmica de enrolamenTo Diferença entre valor do ensaio e
Tabela 1 – avaliação de resisTência ôhmica de enrolamenTo
Diferença entre
valor do ensaio e
valor de referência
ΔR < 3%
Avaliação
Resultado aprovado
3% < ΔR < 5%
Ensaio deve ser repetido e resultado investigado
ΔR > 5%
Indicação de defeito ou falha

Apoio

Manutenção de transformadores

62

Apoio Manutenção de transformadores 62 abertos e alta resistência de contato no comutador. Muitos transformadores são

abertos e alta resistência de contato no comutador. Muitos transformadores são equipados com LTCs (Load Taps Changers) e outros dispositivos de manobra. Tais transformadores podem apresentar problemas extras associados a estes dispositivos como os oriundos do excessivo desgaste dos contatos fixos e móveis, sobrepercurso do mecanismo de mudança de taps, condensação de umidade no óleo destes mecanismos, entre outros. O desgaste excessivo dos contatos pode ser atribuído à perda de pressão das molas (molas fracas) ou a um tempo de espera insuficiente durante o percurso. Problemas devido ao sobrepercurso do mecanismo de mudança de taps são, usualmente, devido a ajustes incorretos dos controladores de contatos. A condensação de umidade e carbonização deve-se a operação excessiva ou ausência de filtragem. Outros problemas, como queima de fusíveis ou paradas do sistema motor, são devidos a curtos-circuitos nos circuitos de controle, travamento de origem mecânica, ou condições de subtensão no circuito de controle. Este artigo mostra procedimentos para identificação de problemas em transformadores de potência utilizando medidas de resistência ôhmica e adicionalmente apresenta a medição da resistência dinâmica. Essa resistência dinâmica possibilita uma análise do transitório na operação da chave de comutação.

Testes do comutador sob carga (OLTC)

Para uma melhor compreensão das medidas de resistência, é necessário entender o método de operação da mudança de tap. Na maioria dos casos, a mudança de tap consiste de duas unidades, conforme mostrada na Figura 3.

consiste de duas unidades, conforme mostrada na Figura 3. Figura 3 – Representação de um OLTC.

Figura 3 – Representação de um OLTC.

na Figura 3. Figura 3 – Representação de um OLTC. A primeira unidade é o seletor

A primeira unidade é o seletor de tape que está localizado dentro do tanque do transformador e muda para o próximo tape (maior ou menor) sem condução de corrente. A segunda unidade é a chave de comutação, que muda sem nenhuma interrupção de um tape para o próximo enquanto conduz corrente de carga. As resistências de comutação R limitam

a corrente de curto-circuito entre taps que poderiam, por

outro lado, vir a ser muito alta devido à livre interrupção na mudança dos contatos. O processo de mudança entre dois

tapes leva aproximadamente de 40 ms a 80 ms. A conexão de teste é realizada na configuração a quatro fios, pois as resistências do enrolamento são muito pequenas. Uma fonte de corrente constante é usada para alimentar o enrolamento com corrente contínua. Uma tensão relativamente alta sem carga possibilita uma saturação rápida do núcleo e um valor final é alcançado apenas com variações menores. Consequentemente, na maioria das vezes, o tempo de carregamento por tap é claramente menor que 30 segundos. Um grande número de medições pode ser executado eficientemente em pouco tempo. Até agora, somente

a característica estática das resistências de contato são levadas em consideração no teste de manutenção. Com a medida da resistência dinâmica, o procedimento dinâmico de mudança da chave de comutação pode ser analisado.

Ensaios realizados com equipamento microprocessado

O CPC100 é usado para medir a resistência individual dos tapes de um comutador de transformador de potência

e também checa a comutação da comutador sob carga

(OLTC) sem interrupções. De uma fonte CC de corrente constante, o CPC100 injeta uma corrente no transformador de potência. Esta corrente é medida por um amperímetro também CC. Com esse valor de corrente e a tensão medida por um voltímetro 10VDC, a resistência do enrolamento é calculada. No momento em que o tape é comutado, a entrada medida de corrente detecta o transitório da comutação, ou seja, um evento de curta duração registrando os dados da

seja, um evento de curta duração registrando os dados da Figura 4 – Oscilografia da forma

Figura 4 – Oscilografia da forma de onda da corrente que flui pela comutação.

63

forma de onda da corrente que flui pela comutação. Esta transição na comutação dos tapes é mostrada na Figura 4. As características de um comutador trabalhando apropriadamente diferem de um equipamento com mau funcionamento, isto é, uma interrupção durante

a comutação é indicada pela variação dos valores de

ripple e do slope (inclinação) da forma de onda da corrente da comutação. A Figura 5 mostra uma corrente de comutação oscilografada indicando o ripple e o slope, cujos valores são indicados na tabela de resultados do

CPC100.

valores são indicados na tabela de resultados do CPC100. Figura 5 - Ripple e slope na

Figura 5 - Ripple e slope na forma de onda da corrente de mutação.

Para a medição da resistência dinâmica, a corrente de teste deve ser a mais baixa possível. Caso contrário, pequenas interrupções ou oscilações nos contatos da chave de comutação não são detectadas. Neste caso, o arco

voltaico introduzido tem o efeito de reduzir a abertura dos contatos internamente. Comparações com dados anteriores, os quais foram coletados quando o equipamento estava em condição (boa) conhecida, permitem uma análise eficiente. Um detector mede o pico do ripple e a inclinação (slope) da corrente medida, visto que estes critérios são importantes para uma comutação correta (sem bouncing ou outras pequenas interrupções).

Se o processo de comutação é interrompido, mesmo

por um curto período de tempo, o ripple (=Imax – Imin) e

a inclinação da variação da corrente (di/dt) aumentam. O

valor para todos os tapes e particularmente os valores das três fases é comparado. Desvios importantes em relação ao valor médio indicam comutação com falha.

Procedimentos de teste

As conexões são realizadas utilizando-se o equipamento

CPC100 da Omicron montam um circuito de medida a

quatro fios, mostrado na Figura 6.

O procedimento de teste automático devolve para o

Manutenção de transformadores

64

I Test: 5.000A T Meas.: 14.0° C T ref.: 20.0° C Results: Times R meas.
I Test: 5.000A
T Meas.: 14.0° C
T ref.:
20.0° C
Results:
Times
R meas.
Dev.
R ref.
Ripple
Slope
IDC
VDC
42.000
s
649.7mΩ
-0.17%
664.9mΩ
90.45%
-8.024mΑ/s
4.9203Α
3.1965V
29.000 s
633.4mΩ
0.10%
648.3mΩ
1.01%
-173.3mΑ/s
4.9215Α
3.1175V
31.000
s
622.6mΩ
-0.01%
637.2mΩ
0.92%
-170.5mΑ/s
4.9215Α
3.0641V
31.000
s
613.2mΩ
-0.03%
627.6mΩ
0.92%
-151.6mΑ/s
4.9215Α
3.0177V
28.000
s
614.6mΩ
-0.07%
629.0mΩ
0.86%
-143.5mΑ/s
4.9203Α
3.0238V
33.000
s
610.9mΩ
0.04%
625.2mΩ
0.87%
-129.5mΑ/s
4.9191Α
3.0049V
36.000
s
607.0mΩ
-0.01%
621.2mΩ
0.88%
-123.2mΑ/s
4.9179Α
2.9849V
33.000
s
597.6mΩ
0.01%
611.7mΩ
0.80%
-113.1mΑ/s
4.9179Α
2.9391V
47.000
s
594.0mΩ
0.14%
607.9mΩ
0.81%
-106.1mΑ/s
4.9179Α
2.9210V
32.000
s
537.0mΩ
-0.05%
549.7mΩ
0.74%
-92.74mΑ/s
4.9227Α
2.6436V
34.000
s
569.3mΩ
-0.03%
582.6mΩ
0.86%
-111.7mΑ/s
4.9191Α
2.8002V
34.000
s
560.7mΩ
0.06%
573.9mΩ
0.82%
-84.09mΑ/s
4.9179Α
2.7573V
34.000
s
568.8mΩ
-0.02%
582.2mΩ
0.80%
-85.78mΑ/s
4.9155Α
2.7962V
35.000
s
568.9mΩ
-0.03%
582.3mΩ
0.76%
-82.80mΑ/s
4.9143Α
2.7958V
42.000
s
555.9mΩ
0.08%
568.9mΩ
0.73%
-81.17mΑ/s
4.9143Α
2.7317V
51.000
s
557.4mΩ
0.28%
570.6mΩ
0.76%
-68.81mΑ/s
4.9143Α
2.7394V
46.000
s
554.2mΩ
0.10%
567.3mΩ
0.75%
-79.97mΑ/s
4.9131Α
2.7230V
51.000
s
548.9mΩ
0.05%
561.8mΩ
0.74%
-70.01mΑ/s
4.9131Α
2.6969V
40.000
s
526.6mΩ
-0.03%
538.9mΩ
0.78%
-70.50mΑ/s
4.9143Α
2.5877V
Apoio

Figura 7 – Relatório.

testador os resultados de resistência estática e dinâmica. A Figura 7 mostra um exemplo de relatório exportado para MS Word com a tabela de dados. Da tabela de resultados podem ser feitos gráficos comparando a resistência ôhmica na subida e na descida dos tapes. A Figura 8 mostra um exemplo dessa avaliação em

tapes. A Figura 8 mostra um exemplo dessa avaliação em Figura 6 – Conexões para teste

Figura 6 – Conexões para teste de OLTC de transformadores de potência. Medida da resistência de enrolamento e resistência dinâmica da comutação.

de enrolamento e resistência dinâmica da comutação. Figura 8 – Transformador de 220/110kV, fabricado em 1961.

Figura 8 – Transformador de 220/110kV, fabricado em 1961.

um teste realizado em um transformador de 220/110 kV, fabricado em 1961. O procedimento de teste automático devolve para o testador os resultados de resistência estática e dinâmica. A Figura 7 mostra um exemplo de relatório exportado para MS Word com a tabela de dados.

* Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |mecpaulino@yahoo.com.br.

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Apoio

Manutenção de transformadores

68

Apoio Manutenção de transformadores 68 Capítulo V Polaridade e relação em transformadores de potência Por Marcelo

Capítulo V

Apoio Manutenção de transformadores 68 Capítulo V Polaridade e relação em transformadores de potência Por Marcelo

Polaridade e relação em transformadores de potência

Por Marcelo Paulino*

O objetivo deste capítulo é apresentar os conceitos de polaridade e defasamento angular de transformadores e as metodologias para a medição da relação de transformação de transformadores trifásicos (considerando-se todas as conexões padronizadas), a partir do conhecimento prévio de seu defasamento angular.

Introdução

O conceito sobre polaridade de transformadores deveserestabelecidocomobaseparaoentendimento do funcionamento do transformador, pois, com a instalação de dois ou mais transformadores em paralelo, as conexões dos secundários formarão uma malha. Se todos possuírem a mesma polaridade, as forças eletromotrizes anulam-se, ou seja, a tensão resultante será zero. Quando a soma das forças eletromotrizes resultarem em um valor diferente de zero, surgirá uma corrente de circulação com valores elevados, pois é limitada apenas pelas impedâncias secundárias. Assim, tem-se que umas das principais condições para estabelecer o paralelismo de transformadores é a de possuírem a mesma polaridade. Nos circuitos de medição e proteção são utilizados transformadores de corrente (TC) e transformadores de potencial (TP). A inversão da polaridade nesses circuitos ocasionará a inversão

da corrente de circulação no secundário, promovendo uma atuação indevida da proteção ou leitura enganosa, principalmente em circuitos de medição de energia. No caso de transformadores trifásicos, apenas o conceito de polaridade é insuficiente para apresentar uma relação definida entre as tensões induzidas nos enrolamentos primário e secundário. Isso se deve aos diversos tipos de conexões dos enrolamentos (delta, estrela ou ziguezague), como será abordado neste texto. Nestes casos, utiliza-se a diferença de fases (defasamento) ou deslocamento angular entre as tensões dos terminais de tensão inferior e tensão superior. No caso da verificação da relação do número de espiras dos enrolamentos do transformador, o mantenedor disporá de um recurso valioso para se verificar a existência de espiras em curto- circuito, de falhas em comutadores de derivação em carga e ligações erradas de derivações. Para determinar a correta relação do transformador, podem ser utilizados diversos métodos para execução do teste de relação de espiras ou relação de tensões, sendo que o método do transformador de referência de relação variável, conhecido como TTR, é o mais comum.

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Polaridade de um transformador

A polaridade de um transformador é a marcação existente

nos terminais dos enrolamentos dos transformadores, indicando o sentido da circulação de corrente em um determinado instante em consequência do sentido do fluxo produzido. Em outras palavras, a polaridade é uma referência determinada pelo projetista, fabricante ou usuário para determinar a marcação da polaridade dos terminais dos enrolamentos e a condição dos enrolamentos conforme sua disposição, isto é, a relação entre os sentidos momentâneos das forças eletromotrizes nos enrolamentos primário e secundário. Portanto, a polaridade depende de como são enroladas as espiras que formam os enrolamentos primário e secundário. O

sentido da queda de tensão (força eletromotriz) será determinado pelo sentido do enrolamento e pela marcação realizada.

A Figura 1 mostra duas situações distintas para as tensões

induzidas em um transformador monofásico. Na primeira figura, as tensões induzidas U 1 e U 2 dirigem-se para os bornes adjacentes H 1 e X 1 . Na outra figura, a marcação é feita de maneira contrária, sendo as tensões induzidas dirigidas para os

bornes invertidos. Nota-se também que, na Figura 1a, as tensões possuem mesmo sentido (estão em fase) ou “mesma polaridade instantânea”. Na outra, elas estão em oposição (defasadas de 180 o ) ou com polaridades opostas.

(defasadas de 180 o ) ou com polaridades opostas. Figura 1 – Sentidos instantâneos nos terminais
(defasadas de 180 o ) ou com polaridades opostas. Figura 1 – Sentidos instantâneos nos terminais

Figura 1 – Sentidos instantâneos nos terminais do enrolamento de um transformador monofásico.

Apoio

Manutenção de transformadores

70

Apoio Manutenção de transformadores 70 Pelo exposto, a polaridade refere-se ao sentido relativo entre as tensões

Pelo exposto, a polaridade refere-se ao sentido relativo entre as tensões induzidas nos enrolamentos secundários e primários, ou

à maneira como seus terminais são marcados. Quando ambos os

enrolamentos possuem a mesma polaridade, o transformador é de polaridade subtrativa e, em caso contrário, polaridade aditiva.

Métodos de ensaios para determinação de polaridade

De acordo com a ABNT NBR 5380, os métodos de ensaio

usados para a determinação da polaridade de transformadores monofásicos são:

• Método do golpe indutivo com corrente contínua;

• Método da corrente alternada;

• Método do transformador padrão;

• Método do transformador de referência variável.

A disponibilidade de um instrumento de teste moderno que possibilite a medida do defasamento angular entre as tensões primárias e secundárias já possibilita a determinação da polaridade do transformador testado. Descreveremos o método do golpe indutivo devido à sua maior aplicabilidade. O esquema de ligações para o método é indicado na Figura 2.

de ligações para o método é indicado na Figura 2. Figura 2 – Determinação da polaridade

Figura 2 – Determinação da polaridade pelo método do golpe indutivo.

Observe que os terminais de tensão superior são ligados

a uma fonte de corrente contínua. Instala-se um voltímetro de

corrente contínua entre esses terminais, de modo a se obter uma deflexão positiva ao se ligar a fonte CC, ou seja, a polaridade positiva do voltímetro ligado no positivo da fonte e esses em H 1 . Em seguida, insere-se o positivo do voltímetro em X 1 e o negativo em X 2 . A chave é fechada, observando-se o sentido de deflexão do voltímetro. Quando as duas deflexões são em sentidos opostos, a polaridade é aditiva. Quando no mesmo sentido, é subtrativa. Tais conclusões baseiam-se na lei de Lenz.

O mesmo procedimento é aplicado a transformadores

trifásicos, observando-se os terminais de conexão da fonte nos enrolamentos de AT e analisando-se os resultados observadas

enrolamentos de AT e analisando-se os resultados observadas nas buchas de BT. Relação de transformação A

nas buchas de BT.

Relação de transformação

A medida da relação de transformação de um transformador

é padronizada como ensaio de rotina e como teste básico em programas de manutenção preventiva em transformadores reparados ou submetidos a reformas ou, ainda, no

comissionamento das unidades. Os métodos mais frequentemente empregados para a sua obtenção são:

• Método do voltímetro – medida da relação de tensões entre os enrolamentos de AT e BT, obedecendo-se o fechamento do transformador;

• Método do TTR – medida da relação de espiras por meio de um equipamento construído especificamente para este fim.

Qualquer método utilizado deve oferecer valores

suficientemente precisos para que seja válido. Para avaliar um transformador, os resultados do teste, independentemente do método aplicado ou dos instrumentos de medição utilizados, devem possibilitar medidas com variação máxima admissível é

±

0,5%, em todos os tapes de comutação.

O

erro percentual é calculado em função da relação medida

e

da relação nominal do transformador, sendo:

e da relação nominal do transformador, sendo: Em que: • E% é o erro percentual; •

Em que:

• E% é o erro percentual;

• R med é a relação medida, ou seja, o resultado do teste;

• R nom é a relação teórica ou relação nominal do transformador.

Relação de transformação (tensões) e relação de espiras Conforme já descrito em capítulos anteriores, a relação do número de espiras (K N ) e a de transformação ou de tensões (K) nos transformadores monofásicos são iguais numericamente, em termos práticos. Entretanto, nos transformadores trifásicos podem diferir conforme as conexões dos enrolamentos envolvidas, ou seja, como mostrado na Tabela 1. Assim, qualquer medição da relação do número de espiras para se obter a de transformação nos transformadores trifásicos deve considerar tais valores.

Determinação da relação de transformação

O ensaio de relação de tensões realiza-se aplicando a um dos

Apoio

Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 72 Tabela 1 – Valores de K em função de K n
Apoio Manutenção de transformadores 72 Tabela 1 – Valores de K em função de K n
Tabela 1 – Valores de K em função de K n para as diVersas conexões
Tabela 1 – Valores de K em função de K n para as diVersas conexões
Ligação
Dd
Dy
Dz
Yy
Yd
Yz
K N
2
2
K =
K
K
K
3
K N
N
N
N
K N
3
3
3

enrolamentos uma tensão igual ou menor que a sua tensão nominal, bem como a frequência igual ou maior que a nominal.

Paratransformadorestrifásicos,apresentandofasesindependentes

e com terminais acessíveis, opera-se indiferentemente, usando-se

corrente monofásica ou trifásica. No caso da utilização de um teste com correntes monofásicas, o fechamento do transformador deve ser observado para realização das conexões de teste, conforme já exposto. Os métodos usados para o ensaio de relação de tensões são:

• Método do voltímetro;

• Método do transformador padrão;

• Método do resistor potenciométrico;

• Método do transformador de referência de relação variável.

A ABNT NBR 5356 estabelece que este ensaio deve ser

realizado em todas as derivações, o que se constitui uma boa

prática, principalmente na recepção do transformador. Observa-se que as tensões deverão ser sempre dadas para o transformador em vazio.

A citada norma admite uma tolerância igual ao menor valor

entre 10% da tensão de curto-circuito ou

± 0,5% do valor da tensão nominal dos diversos enrolamentos, se

aplicada tensão nominal no primário.

A seguir são apresentados os métodos do voltímetro e do

transformador de referência de relação variável, por serem os mais utilizados.

Método do voltímetro

O princípio deste método é alimentar o transformador com

certa tensão e medi-la juntamente com a induzida no secundário.

A leitura deve ser feita de forma simultânea com dois voltímetros.

Se necessário devem-se utilizar transformadores de potencial. No caso do uso de instrumentação manual, sem automatismos, recomenda-se que se faça um grupo de leituras, permutando-se os instrumentos visando compensar seus eventuais erros. A média das relações obtidas desta forma é considerada como a do transformador.

Observe que, em geral, por facilidade e segurança, a alimentação

do transformador é feita pelo lado de AT com níveis reduzidos de tensão em relação nominal do tap considerado.

Tal prática, entretanto, resulta em dois problemas fundamentais,

a saber:

• A fonte, em grande parte dos casos, apresenta tensões desequilibradas, mascarando os resultados das medições; • Se aplicados, por exemplo, três níveis distintos de tensões, mesmo balanceadas, podem resultar em três valores diferentes de relação de transformação.

Em ambas as situações, os erros e as incertezas descaracterizam os objetivos de se medir a relação de transformação. Atualmente, equipamentos de teste microprocessados têm oferecido soluções adequadas para o teste de relação de transformação, com tensões estabilizadas e medidas precisas. Entretanto, cabe ao mantenedor e responsável pelo teste a avaliação de tal instrumentação, antes da realização dos ensaios. A Figura 3 mostra uma aplicação com um equipamento microprocessado multifuncional (CPC100 Omicron), realizando um ensaio de relação de transformação utilizando uma fonte de tensão alternada e um voltímetro. Adicionalmente, a corrente de excitação é medida em amplitude. Também é obtida a diferença de fase entre as tensões primária e secundária.

TTR A siglaTTR (iniciais deTransformerTurn Ratio) tornou-se sinônimo de equipamentos para medição da relação de transformação. Em sua concepção original, incorpora um transformador monofásico padrão com número de espiras variáveis, que é posto em paralelo com o que se quer medir. Na atualidade, esse modelo tradicional

o que se quer medir. Na atualidade, esse modelo tradicional Figura 3 – Medida da relação

Figura 3 – Medida da relação de tensões com CPC100 Omicron.

73

73 Figura 4 – TTR, (a) analógico monofásico (MEGGER), (b) trifásico digital (RAYTECH). é chamado de

Figura 4 – TTR, (a) analógico monofásico (MEGGER), (b) trifásico digital (RAYTECH).

é chamado de TTR “monofásico”, pois existem os “trifásicos” e os

eletrônicos. No TTR monofásico, quando a relação de seu transformador monofásico com número de espiras variáveis se iguala à do que se quer medir, não há diferença de potencial em seus secundários, nem corrente de circulação. Assim, o valor correto pode ser verificado em um indicador (microamperímetro) nulo. A conexão do equipamento às buchas do transformador a ser testado é executada por meio de quatro conectores, sendo dois conectores, normalmente do tipo “sargento” para serem ligados aos enrolamentos de baixa tensão e dois conectores do tipo “jacaré”

para serem ligados aos enrolamentos de alta tensão. As polaridades destas bobinas possuem grande importância, pois, se estiverem invertidas, o TTR não fornecerá leitura. Apesar de a finalidade básica do TTR ser a de fornecer a relação do número de espiras (K N ) com precisão, pode ser empregado para

a obtenção da relação de tensões dos transformadores trifásicos.

Nesse caso, como nem sempre K e K N são iguais, é necessário que

se aplique os fatores da Tabela 1.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO, M. E. C. Manutenção de transformadores de potência. Curso de Especialização em Manutenção de Sistemas Elétricos – Unifei, 2012.

* Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |mecpaulino@yahoo.com.br.

Apoio

Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 56 Capítulo VI Avaliação do isolamento em transformadores de potência Por

Capítulo VI

Apoio Manutenção de transformadores 56 Capítulo VI Avaliação do isolamento em transformadores de potência Por

Avaliação do isolamento em transformadores de potência

Por Marcelo Paulino*

Qualquer máquina ou equipamento elétrico deverá suportar campos elétricos, onde determinada parte de sua estrutura deverá ter uma resistividade muito alta, assegurando uma oposição à passagem de corrente elétrica de condução. O elemento que promove tal condição é chamado de dielétrico, sendo chamado de isolante o material que o constitui. A finalidade do dielétrico na indústria elétrica é realizar o isolamento entre os elementos condutores do equipamento elétrico, além de modificar o valor do campo elétrico existente em determinado local. Portanto, os sistemas de isolamento constituem um dos principais componentes de um equipamento elétrico. Na sua composição são utilizados diferentes tipos de materiais isolantes que são submetidos a diversos tipos de solicitações dielétricas e térmicas ao longo de sua vida útil. Tais solicitações podem resultar em falhas dos componentes deste isolamento, resultando em desligamentos e prejuízos. Pode-se afirmar que a vida útil de um equipamento elétrico qualquer é considerada como a do próprio sistema de isolamento. A falha da isolação implica na falha do equipamento. Conforme descrito no Capítulo 1, um sistema de isolamento de equipamentos, como utilizado principalmente em transformadores, tanto de potência e transformadores de instrumentos, é

composto principalmente de papel-óleo. Portanto, este trabalho abordará preferencialmente as características deste tipo de isolamento. Este artigo descreverá as principais características de um sistema de isolamento, suas propriedades básicas e os tipos de testes e ensaios comumente executados. Os testes apontados serão apresentados e discutidos nos próximos capítulos.

Características dos sistemas de isolamento

Classificação dos materiais dielétricos A classificação dos materiais dielétricos pode ser apresentada como:

a) Gases (ar, anidrido carbônico, hidrogênio, gases

raros, hexafluoreto de enxofre SF6);

b) Líquidos (óleos minerais, óleos sintéticos, óleos

vegetais);

c) Sólidos (resinas, PVC, polietileno PE, papel Kraft,

porcelana, vidro);

d) Vácuo;

e) Compostos ou Híbridos (sistemas papel-óleo, PE-óleo). Propriedades dos dielétricos As principais propriedades dos meios dielétricos são apresentadas a seguir:

Apoio

Apoio Permissividade ou constante dielétrica Dado um campo elétrico aplicado nas extremidades de um material

Permissividade ou constante dielétrica Dado um campo elétrico aplicado nas extremidades de um material dielétrico, a permissividade elétrica é determinada pela capacidade deste material polarizar-se, cancelando parcialmente o campo elétrico dentro do material. A permissividade ou constante dielétrica (ε) também pode ser

descrita como a facilidade que o material dielétrico permite o estabelecimento de linhas de campo em seu interior.

A permissividade ou constante dielétrica para o vácuo (ε0)

é dada por:

ou constante dielétrica para o vácuo ( ε 0) é dada por: Assim, para um outro

Assim, para um outro meio qualquer, pode-se definir a permissividade relativa (εr) por meio de:

definir a permissividade relativa ( ε r) por meio de: A capacitância de um capacitor de

A capacitância de um capacitor de área A e distância

entre placas d para um dielétrico qualquer, é dada por:

entre placas d para um dielétrico qualquer, é dada por: 57 Assim podemos designar, em função
entre placas d para um dielétrico qualquer, é dada por: 57 Assim podemos designar, em função

57

Assim podemos designar, em função da capacitância, a permissividade relativa de um material, definida pela razão mostrada a seguir, em que C é a capacitância entre duas placas paralelas separadas pelo material isolante e C0 é a capacitância das mesmas placas paralelas separadas por vácuo, desprezando-se o efeito de borda.

separadas por vácuo, desprezando-se o efeito de borda. Normalmente, ε r não é um parâmetro fixo,

Normalmente, εr não é um parâmetro fixo, mas depende da temperatura, da frequência, bem como da estrutura molecular do material.

Polarização A maior parte dos elétrons nos materiais isolantes não está livre para se movimentar. Quando um campo elétrico é aplicado, as forças eletrostáticas resultantes criam um nível de polarização, direcionando as cargas e formando dipolos. Os tipos de polarização são descritos a seguir. O primeiro tipo de polarização é caracterizado por polarizações eletrônica e iônica que ocorrem praticamente instantaneamente sob a ação de um campo elétrico e sem

Apoio

Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 58 dissipação de energia. Caracteriza-se por um deslocamento elástico de íons

dissipação de energia. Caracteriza-se por um deslocamento elástico de íons ou elétrons ligados ao núcleo de um átomo. A polarização dipolar difere da eletrônica e da iônica com relação ao movimento térmico das partículas. As moléculas dipolares, que se encontram em movimento térmico desorganizado inicialmente, orientam-se parcialmente pela ação do campo, causando o efeito da polarização. A polarização estrutural aparece apenas em corpos amorfos e em sólidos cristalinos polares (por exemplo, vidro), onde um corpo amorfo é parcialmente constituído de partículas de íons. Ela se estabelece pela orientação de estruturas complexas de material, devido à ação de um campo externo, causando um deslocamento de íons e dipolos.

Corrente de fuga Nos isolantes sólidos, mesmo caracterizados por uma resistividade muito grande, possuem elétrons livres devido, entre outras causas, a impurezas e forças internas no material, proporcionando uma pequena corrente que atravessa o isolante. Entretanto, pela acumulação de poeira e umidade na superfície do material ou na fronteira entre dois materiais diferentes, forma-se um novo caminho para a passagem da corrente elétrica, chamada corrente superficial. Esses dois eventos caracterizam o aparecimento da corrente de fuga no isolamento. Esse efeito pode ser representado, em termos de circuito elétrico, por um resistor em paralelo com um capacitor, como mostra a Figura 1. A quantificação da dificuldade de circulação da corrente de fuga pelo dielétrico é chamada de resistência de isolamento.

pelo dielétrico é chamada de resistência de isolamento. Figura 1 – Representação esquemática do dielétrico –

Figura 1 – Representação esquemática do dielétrico – corrente de fuga.

esquemática do dielétrico – corrente de fuga. Rigidez dielétrica A rigidez dielétrica é o máximo

Rigidez dielétrica A rigidez dielétrica é o máximo valor de campo elétrico que pode ser aplicado a um material dielétrico sem que este perca suas propriedades isolantes. De outra forma, pode-se afirmar que após um valor de tensão, designada por tensão de ruptura, o material isolante passa a conduzir corrente. Assim, define-se rigidez dielétrica como a capacidade de resistir à tensão sem que haja a citada descarga, conforme a distância entre os dois pontos de aplicação. Este valor é dado em V/m.

os dois pontos de aplicação. Este valor é dado em V/m. A rigidez dielétrica dos isolantes

A rigidez dielétrica dos isolantes não é constante para cada material, pois depende fundamentalmente da espessura do isolante, da pureza do material, do tempo e método de aplicação da tensão, da frequência da tensão aplicada e do tipo de solicitação ao qual o sistema dielétrico é submetido, da temperatura, da umidade, entre outros fatores ambientais.

da temperatura, da umidade, entre outros fatores ambientais. Figura 2 – Cuba de medidor de rigidez

Figura 2 – Cuba de medidor de rigidez dielétrica com eletrodos VDE.

Descargas parciais Uma Descarga Parcial (DP) é caracterizada como uma descarga elétrica de pequena intensidade que ocorre em uma região de imperfeição de um meio dielétrico sujeita a um campo elétrico, onde o caminho formado pela descarga não une as duas extremidades dessa região de forma completa. A ocorrência de descarga parcial depende

Apoio

Apoio da intensidade do campo aplicado nas extremidades desse espaço, além do tipo de tensão de

da intensidade do campo aplicado nas extremidades desse espaço, além do tipo de tensão de teste aplicada (tensão alternada, tensão contínua, sinal transitório ou impulso). A norma IEC 60270 faz referência à medida de descargas parciais em sistemas e equipamentos elétricos com tensões alternadas de até 400 Hz. Nesses equipamentos tem-se a ocorrência de avalanches de elétrons nos espaços vazios. Assim, descargas em dielétricos podem ocorrer somente em espaços gasosos ou fissuras nos materiais sólidos ou bolhas no dielétrico líquido. Portanto, descargas parciais são iniciadas geralmente se a intensidade do campo elétrico dentro do espaço vazio exceder a intensidade do campo do gás contido nesse espaço. As descargas parciais podem ser classificadas de acordo com a natureza da sua origem. Podem ser:

• Descargas internas, que ocorrem nos espaços, geralmente vazios preenchidos com gás, presentes nos materiais sólidos e líquidos usados em sistemas de isolamento. • Descargas superficiais, que ocorrem em gases ou líquidos na superfície de um material dielétrico,

ou líquidos na superfície de um material dielétrico, 59 normalmente partindo do eletrodo para a superfície.

59

normalmente partindo do eletrodo para a superfície. • Descargas parciais no ar ambiente geralmente são classificadas como descargas externas e frequentemente chamadas de descargas corona. No início do processo de indução da tensão, brilho e correntes de descargas podem aparecer. Elas ocorrem em gases a partir de pontas agudas em eletrodos metálicos em partes com pequenos raios de curvatura.

Resistências de isolamento Uma vez que o campo elétrico estabelecido não ultrapasse o valor da tensão de ruptura, o dielétrico impede a passagem da corrente elétrica. Este evento é dependente da natureza e características do dielétrico e de suas condições físicas. Por não se tratar de um dielétrico perfeito, se aplicada uma tensão no isolante, ele será atravessado por uma corrente. O quociente entre a tensão U e a corrente I é chamada resistência de isolamento. Esta resistência não é constante, ou seja, os isolantes geralmente não obedecem à lei de Ohm.

Apoio

Manutenção de transformadores

60

Apoio Manutenção de transformadores 60 Figura 3 – Exemplo de medida de resistência de isolamento -
Apoio Manutenção de transformadores 60 Figura 3 – Exemplo de medida de resistência de isolamento -
Apoio Manutenção de transformadores 60 Figura 3 – Exemplo de medida de resistência de isolamento -

Figura 3 – Exemplo de medida de resistência de isolamento - esquema de conexão.

Perdas no sistema de isolamento

Nos dielétricos sujeitos a uma tensão contínua verifica-se uma perda por efeito Joule tal como nos condutores. A corrente de perdas, se bem que muito limitada, dá lugar a um certo aquecimento. Estas perdas não têm importância, a não ser quando dão lugar a um aquecimento, permitindo, por consequência, maior corrente e maiores perdas. Nos dielétricos sujeitos a uma tensão alternada há, da mesma forma, a perda por efeito Joule, mas surge um outro fenômeno que origina perdas e que tem o nome de histerese dielétrica. A energia perdida é também transformada em calor. O nome deste fenômeno é dado pela analogia existente com a histerese magnética. A explicação física das perdas por histerese dielétrica é dada por consideração da falta de homogeneidade do dielétrico. A avaliação é realizada pela medida da capacitância, do Fator de Dissipação (tgδ) ou Fator de Potência (cosφ) obtidos com ponte Schering e ponte Doble.

(cos φ ) obtidos com ponte Schering e ponte Doble. Figura 4 – Esquema de conexão

Figura 4 – Esquema de conexão para medidas Capacitância, do Fator de Dissipação (tgδ).

Ensaios e avaliação do isolamento

A avaliação do sistema de isolamento pode ser realizada

com ensaios elétricos básicos ou avançados, considerando o

grau de complexidade da análise a ser realizada. Os ensaios têm por finalidade garantir as condições das características funcionais do isolamento dos transformadores de tal forma que possam entrar em operação segura todo o equipamento.

A escolha do teste a ser realizado depende de vários

fatores como o local de realização, testes de aceitação em fábrica ou em campo, o tempo disponível para teste, importância do equipamento, condições operativas, dentre outros. As características elétricas de um dielétrico podem ser comprovadas em termos práticos por meio de testes ou ensaios não destrutivos com aplicação de tensão contínua ou alternada. Dos testes e ensaios elétricos não destrutivos, temos:

• Resistência de isolamento com corrente contínua,

também chamado de teste de absorção de corrente pelo dielétrico, com aplicação de corrente contínua, obtidos, normalmente com o medidor de alta resistência, expresso em MΩ. O ensaio consiste em submeter o isolamento a uma tensão contínua, normalmente entre 500 V e 10.000 V, provocando circulação de uma pequena corrente elétrica, na ordem de microampères. Esta

corrente depende da tensão aplicada, da capacitância do isolamento, da resistência total, das perdas superficiais, da umidade e da temperatura do material. Conforme já descrito, podemos afirmar que, para uma mesma tensão, quanto maior a corrente, menor a resistência.

• Manutenção em fluídos dielétricos, realizada pelo

teste de rigidez dielétrica, com aplicação de corrente

Apoio

Apoio alternada expresso em termos de tensão disruptiva e a análise cromatográfica dos gases dissolvidos nos

alternada expresso em termos de tensão disruptiva e a análise cromatográfica dos gases dissolvidos nos óleos isolantes (cromatografia), que permite detectar eventuais faltas ou defeitos associados aos dielétricos, inclusive antes de um eventual dano do equipamento.

• Teste de perdas dielétricas expresso por meio dos

valores de capacitância, do Fator de Dissipação (tgδ)

ou Fator de Potência (cosφ) obtidos com ponte Schering

e ponte Doble, respectivamente, com aplicação de

corrente alternada. A avaliação do isolamento é realizada pela análise dos componentes capacitiva e resistiva que flui pelo dielétrico. • Análise de descargas parciais realizada com instrumentos convencionais analógicos, dependentes do

conhecimento do testador, ou modernos sistemas digitais

de medida de descargas parciais que torna possível e mais

eficaz a discriminação entre os eventos, sejam descargas

parciais ou ruídos. Capacita também o sistema de teste para identificação dos tipos de falhas e sua localização. • Avaliação da umidade no isolamento papel-óleo por meio

da espectroscopia do dielétrico no domínio do tempo e no

domínio da frequência. Realizada pela medida da umidade

e degradação do isolamento papel-óleo, identificando

e degradação do isolamento papel-óleo, identificando 61 a resposta do meio dielétrico mediante a aplicação dos

61

a resposta do meio dielétrico mediante a aplicação dos testes de corrente de polarização e despolarização e espectroscopia no domínio da frequência.

Os próximos capítulos abordarão cada um dos testes descritos.

Referências

• ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO, M. E. C. Manutenção de

transformadores de potência, Curso de Especialização em Manutenção de Sistemas Elétricos – UNIFEI, 2012.

• MILASCH, M. Manutenção de transformadores em líquido

isolante. São Paulo: Ed. EDGARD BLUCHER, 1984.

• GT A2.05. Guia de manutenção para transformadores de

potência. CIGRE Brasil – Grupo de Trabalho A2.05, 2013.

* Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |mecpaulino@yahoo.com.br.

Continua na próxima edição Confira todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e comentários podem ser encaminhados para o e-mail redacao@atitudeeditorial.com.br

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Manutenção de transformadores

56

Apoio Manutenção de transformadores 56 Capítulo VII Ensaios de resistência de isolamento e de rigidez dielétrica

Capítulo VII

Apoio Manutenção de transformadores 56 Capítulo VII Ensaios de resistência de isolamento e de rigidez dielétrica

Ensaios de resistência de isolamento e de rigidez dielétrica

Por Marcelo Paulino*

A avaliação do sistema isolante consiste em

uma das principais ferramentas para determinar a condição operacional dos equipamentos elétricos. Assim, este texto analisa os aspectos conceituais referentes à medida da resistência do isolamento, os procedimentos para executá-la e avaliar os resultados obtidos. Em relação às propriedades elétricas de um fluido refrigerante e isolante, o texto abordará o ensaio de rigidez dielétrica do óleo do transformador.

Ensaio de resistência de isolamento

A resistência de isolamento é a medida da

dificuldade oferecida à passagem de corrente pelos materiais isolantes. Seus valores se alteram com a umidade e com a sujeira – alterações da capacitância do isolamento, da resistência total, das perdas superficiais e da temperatura do material – constituindo-se em uma boa indicação da deterioração dos equipamentos elétricos provocada por estas causas. O ensaio consiste em aplicar no isolamento uma tensão em corrente contínua, com valores entre 500 V e 10.000 V. Isso provocará a circulação de um fluxo pequeno de corrente. Deve-se observar, entretanto, que as várias normas sobre este assunto estabelecem que este ensaio não se constitui em critério para aprovação ou rejeição do equipamento. Pelas suas

características, constata-se que é bastante útil para a verificação de curtos-circuitos francos, ficando a identificação dos defeitos menos pronunciados a cargo dos ensaios com tensão alternada, de tensão aplicada e tensão induzida. Para a medição da resistência de isolamento utiliza-se um instrumento denominado megôhmetro ou, popularmente, megger (o que, na realidade, é a marca de um fabricante). Os megôhmetros atuais são analógicos ou digitais (motorizados ou eletrônicos), mas, também, podem ser manuais (ou seja, com um "cambito" ou "manivela").

também, podem ser manuais (ou seja, com um "cambito" ou "manivela"). Figura 1 – Megôhmetro digital.

Figura 1 – Megôhmetro digital.

Apoio

Apoio Figura 2 – Megôhmetro manual. A resistência resultante medida neste ensaio é a soma da
Apoio Figura 2 – Megôhmetro manual. A resistência resultante medida neste ensaio é a soma da

Figura 2 – Megôhmetro manual.

A resistência resultante medida neste ensaio é a soma da resistência interna do condutor (valor pequeno) mais a resistência de isolação, que é dividida em três componentes (subcorrentes) independentes:

a) Corrente de deslocamento ou corrente de carga capacitiva (IC);

b) Corrente de absorção (IA); e

c) Corrente de dispersão ou corrente de fuga por meio do dielétrico (IL).

dispersão ou corrente de fuga por meio do dielétrico (IL). 57 A corrente de deslocamento ou

57

A corrente de deslocamento ou de carga capacitiva (IC) é

aquela que surge no instante inicial da energização e possui a mesma função que uma corrente de carga de um capacitor devido ao efeito capacitivo existente entre condutores ou entre condutor

e a terra. Dependendo do tipo e da forma do material isolante. Note-se que ela assume o valor máximo quando da energização

e decresce rapidamente a um valor desprezível depois que a isolação foi carregada eletricamente por completo.

A corrente de absorção (IA) é aquela responsável pela

polarização dos dipolos elétricos que constituem a massa do dielétrico. Em equipamentos de baixa capacitância, a corrente é alta pelos primeiros segundos e decresce vagarosamente a quase zero. Ao ensaiar equipamentos de alta capacitância ou isolação com teor de umidade elevado e contaminada, não haverá decréscimo na corrente de absorção por um longo período. Um exemplo prático desse fenômeno é o ressurgimento de tensão nos terminais de um capacitor quando se retira o curto empregado para

descarregá-lo. Em função deste aspecto, é necessário observar que ela também assume o seu valor máximo próximo à energização

e decresce a valor desprezível em um intervalo variável entre dez minutos e várias horas.

Apoio

Manutenção de transformadores

58

Apoio Manutenção de transformadores 58 A corrente de dispersão ou de fuga (IL), por meio do

A corrente de dispersão ou de fuga (IL), por meio do dielétrico,

flui pela superfície e pelo interior da massa do dielétrico, entre condutores ou de um condutor para a terra e é de caráter irreversível. Constitui-se no componente mais importante na

medição do ensaio de isolamento em corrente contínua quando se deseja avaliar o estado em que se encontra o isolamento. Tal corrente não varia com o tempo de aplicação de tensão e, nestas condições, se houver alguma elevação de seu nível é indicativo que o isolamento pode vir a falhar. A Figura 3 mostra a corrente total com seus três componentes definidas anteriormente.

Resistência de Corrente Total Isolação (I A +I C +I L ) (em Megohms) Corrente
Resistência de
Corrente Total
Isolação
(I
A +I C +I L )
(em Megohms)
Corrente
(em μΑ)
0
Tempo

(em segundos)

Figura 3 – Componentes de corrente no ensaio de resistência do isolamento DC (CIGRE Brasil, GT A2.05, 2013).

Procedimentos de teste

A seguir são descritos procedimentos como exemplos para

realização do teste de resistência de isolamento. Entretanto, tais procedimentos devem ser adequados aos instrumentos de teste utilizados, obedecendo suas características de uso e aos equipamentos a serem testados. Assim, para o ensaio de resistência de isolamento:

• Deverão ser obedecidos todos os procedimentos relativos às recomendações de segurança, segundo as especificações da instalação ou da empresa.

• Desenergizar o transformador;

• Desconectar os cabos externos. Os ensaios de resistência

de isolamento devem ser executados com todos os cabos do transformador desconectados das buchas, inclusive o cabo da bucha de neutro;

• Caso não seja possível a desconexão dos cabos, deve-se proceder a anotação detalhada do esquema de teste com respectiva descrição; • Curto-circuitar os terminais das buchas de um mesmo

enrolamento para obter uma melhor distribuição do potencial;

• O tanque do transformador deve ser aterrado;

• Inspecionar e limpar as buchas com pano seco ou embebido

• Inspecionar e limpar as buchas com pano seco ou embebido em álcool e anotar qualquer

em álcool e anotar qualquer irregularidade constatada;

• Cuidar para que os cabos do megôhmetro não toquem

em outras partes do equipamento, ou se toquem, para evitar alteração na medida da resistência do isolamento;

• Ajustar o megôhmetro segundo especificações do equipamento utilizado;

• Deve-se nivelar o megôhmetro, nos casos de medidores com indicador de ponteiros;

• Nos megôhmetros manuais é necessário manter invariável a

rotação do cambito na especificada pelo fabricante, para que a tensão aplicada seja constante;

• Deve-se sempre observar cuidadosamente o ponteiro do

megôhmetro quando em operação. Se ele apresenta oscilação

excessiva é provável que haja mau contato, fugas intermitentes pela superfície do cabo de ligação ou influência de circuitos energizados nas proximidades;

• Antes de começar a medição, aciona-se o megôhmetro,

sem executar qualquer contato entre os terminais e ajustar o

ponteiro no “infinito”, girando o botão de ajuste para tal fim;

• Deve ser obtida a temperatura dos enrolamentos;

• Selecionar a tensão para teste de acordo com o equipamento a ser testado, segundo proposto na Tabela 1.

Tabela 1 – Tensões de TesTe conforme a Tensão nominal do equipamenTo Tensão do equipamento
Tabela 1 – Tensões de TesTe conforme a Tensão nominal
do equipamenTo
Tensão do equipamento (V)
Tensão de teste (V)
< 1.000
500
1.000
a 2.500
500 a 1.000
2.501
a 5.000
1.000
a 2.500
5.001 a 12.000
2.500
a 5.000
> 12.000
10.000

• De forma que as leituras não sofram influências de

resistências em paralelo com a que se está avaliando, deve-se utilizar do cabo "GUARDA". Assim, os terminais do megôhmetro deve ser aplicado como mostrado na Tabela 2 (exemplo utilizando transformador de dois enrolamentos). A Figura 4 mostra um esquema de conexão para medida de resistência entre os enrolamentos de alta e baixa tensão.

Tabela 2 – conexões para TesTe em Transformador de dois enrolamenTos Circuitos conectados aos terminais
Tabela 2 – conexões para TesTe em Transformador
de dois enrolamenTos
Circuitos conectados aos terminais
Resistência entre
Line
Guard
Earth
AT – BT
AT
Carcaça
BT
AT – CARCAÇA
AT
BT
Carcaça
BT – CARCAÇA
BT
AT
Carcaça

Apoio

Manutenção de transformadores

60

Apoio Manutenção de transformadores 60 • O resultado das medidas deve ser corrigido para a temperatura

• O resultado das medidas deve ser corrigido para a temperatura de referência.

deve ser corrigido para a temperatura de referência. Figura 4 – Conexões para medida de AT-BT

Figura 4 – Conexões para medida de AT-BT em transformadores de dois enrolamentos.

Critérios de avaliação

A avaliação é realizada pela comparação dos valores de resistência de isolamento obtidos ao longo do ensaio, sendo realizadas medidas em intervalos de 30 segundos a 1 minuto, com duração total de geralmente dez minutos. Além da interpretação da curva mostrada na Figura 5, a condição do Índice de Polarização e Índice de Absorção apontarão o estado do isolamento. Assim, na curva da Figura 5, um crescimento

contínuo na resistência indica boa isolação, em contrapartida, uma curva uniforme ou decrescente indica isolação degradada.

A Tabela 3 mostra a orientação para o diagnóstico com os índices.

Considerações sobre resistência de isolamento

Os resultados obtidos no ensaio de resistência de isolamento não podem ser considerados um critério exato de avaliação das condições do isolamento do transformador e de sua capacidade operativa. Entretanto, os valores medidos podem ser usados como uma orientação sobre o seu estado, baseando-se na avaliação do histórico do equipamento.

boa isolação resisTência (em megohms) isolação quebrada 0 Tempo 10 minuTos
boa
isolação
resisTência
(em megohms)
isolação
quebrada
0 Tempo
10 minuTos

(em minuTos)

Figura 5 – Comportamento típico de ensaio de Resistência do Isolamento (CIGRE Brasil, GT A2.05, 2013).

Resistência do Isolamento (CIGRE Brasil, GT A2.05, 2013). Tabela 3 – Tabela orienTaTiva para o diagnósTico
Tabela 3 – Tabela orienTaTiva para o diagnósTico com os índices ip e ia Condições
Tabela 3 – Tabela orienTaTiva para o diagnósTico
com os índices ip e ia
Condições de
Índice de absorção
Índice de absorção
isolamento
(R 1min /R 30s )
(R 10min /R 1min )
Pobre
< 1,0
< 1,0
Duvidoso
1,0 a 1,4
1,0 a 2,0
Aceitável
1,4 a 1,6
2,0 a 4,0
Bom
> 1,6
> 4,0

Basicamente, a degradação do isolamento pode ser avaliada por meio de testes ao longo do tempo com o ensaio de resistência de isolamento em CC, e também determinada a condição do isolamento como um teste “passa ou não passa”. Neste caso, a existência de uma falha grave no isolamento, como um curto- circuito franco, é evidenciada. Caso contrário, a avaliação deve ser realizada pelo ensaio de perdas em corrente alternada, ensaios de tensão aplicada e tensão induzida.

Ensaio de rigidez dielétrica

A rigidez dielétrica é o máximo valor de campo elétrico que

pode ser aplicado a um material dielétrico sem que este perca suas propriedades isolantes. De outra forma, pode-se afirmar que após um valor de tensão, designada por tensão de ruptura, o material isolante passa a conduzir corrente. Assim, define-se rigidez dielétrica como a capacidade de resistir à tensão sem que haja a citada descarga, conforme a distância entre os dois pontos de aplicação. Este valor é dado em V/m.

os dois pontos de aplicação. Este valor é dado em V/m. A rigidez dielétrica dos isolantes

A rigidez dielétrica dos isolantes não é constante para cada material, pois depende fundamentalmente da espessura do isolante, da pureza do material, do tempo e do método

de aplicação da tensão, da frequência da tensão aplicada e do tipo de solicitação ao qual o sistema dielétrico é submetido, da temperatura, da umidade, dentre outros fatores ambientais.

O óleo apresenta alta rigidez dielétrica se possuir baixo teor de

agua e baixo teor de partículas contaminantes. Água e partículas sólidas em níveis elevados tendem a migrar para regiões de tensão elétrica elevada e reduzir dramaticamente a rigidez dielétrica. Portanto, a rigidez dielétrica indica a presença de contaminantes. Um baixo valor da rigidez dielétrica pode indicar que uma ou ambas estão presentes. Entretanto, uma alta rigidez dielétrica não indica necessariamente a ausência de todos os contaminantes. Como o teste é realizado obtendo-se o valor de tensão na qual ocorre uma ruptura do fluido entre dois eletrodos posicionados no interior de uma cuba de material isolante

Apoio

Apoio em condições preestabelecidas, o resultado dependerá das condições em que o teste foi realizado. Os

em condições preestabelecidas, o resultado dependerá das

condições em que o teste foi realizado.

Os procedimentos mais utilizados no Brasil incluem o uso

de eletrodos e respectivos espaçamentos em milímetros de

formatos ASTM (ou ANSI ou ABNT) e VDE. A Figura 6 mostra a

cuba de medidor de rigidez dielétrica com eletrodos VDE.

Independentemente do tipo de teste a ser executado,

é importante que a cuba e os eletrodos estejam bem limpos

e secos antes do enchimento do óleo. A Tabela 4 mostra os

valores recomendados para transformadores segundo a ABNT

NBR IEC 60156.

para transformadores segundo a ABNT NBR IEC 60156. Figura 6 – Cuba de medidor de rigidez

Figura 6 – Cuba de medidor de rigidez dielétrica com eletrodos VDE.

Cuba de medidor de rigidez dielétrica com eletrodos VDE. 61 T abela 4 – v alores

61

Tabela 4 – valores recomendado para Transformadores

(méTodo abnT nbr iec 60156 - cigre brasil, gT a2.05, 2013) Tensão Valores limites ≤
(méTodo abnT nbr iec 60156 - cigre brasil, gT a2.05, 2013)
Tensão
Valores limites
≤ 72,5 kV
≥ 40 kV
> 72,45 / ≤ 242 kV
≥ 50 kV
> 242 kV
≥ 60 kV

Referências

• ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO M. E. C. Manutenção de

transformadores de potência. Curso de Especialização em

Manutenção de Sistemas Elétricos – UNIFEI, 2012.

• MILASCH, M. Manutenção de transformadores em líquido

isolante. São Paulo: Edgard Blucher, 1984.

• GT A2.05. Guia de manutenção para transformadores de

potência. CIGRE Brasil – Grupo de Trabalho A2.05, 2013.

* Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |mecpaulino@yahoo.com.br.

Continua na próxima edição Confira todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e comentários podem ser encaminhados para o e-mail redacao@atitudeeditorial.com.br

Apoio

Manutenção de transformadores

52

Apoio Manutenção de transformadores 52 Capítulo VIII Avaliação do isolamento em transformadores de potência Ensaio

Capítulo VIII

Apoio Manutenção de transformadores 52 Capítulo VIII Avaliação do isolamento em transformadores de potência Ensaio

Avaliação do isolamento em transformadores de potência

Ensaio de perdas dielétricas e capacitância

Por Marcelo Paulino*

A avaliação de equipamentos de subestação tem evoluído com a utilização de procedimentos e sistemas de teste dotados de técnicas e ferramentas que promovem uma avaliação eficaz e rápida desses equipamentos. Essa avaliação deve ser aprimorada, de forma a garantir o funcionamento contínuo das instalações responsáveis pelo suprimento de energia elétrica. Como os equipamentos elétricos instalados em subestações podem ser solicitados a operar sob diversas condições adversas, tais como: altas temperaturas, chuvas, poluição, sobrecarga e, dessa forma, mesmo tendo uma operação e manutenção de qualidade, não se pode descartar a possibilidade de ocorrerem falhas que deixem indisponíveis as funções de transmissão e distribuição de energia elétrica aos quais pertencem. Assim, as atividades de comissionamento e manutenção periódica para verificação regular das condições de operação desses equipamentos tornam-se cada vez mais importante. E torna-se imperativo a busca por

procedimentos e ferramentas que possibilitem a obtenção de dados das instalações de forma rápida e precisa. Este trabalho mostra técnicas de avaliação e testes de transformadores utilizando varredura de frequências. Por meio da observação do fenômeno do efeito pelicular e do fenômeno da polarização do meio dielétrico, o trabalho avalia a condição do isolamento de transformadores de potência e buchas de alta tensão.

Medida de capacitância, fator de potência e fator de dissipação com variação de frequência

Medida da Capacitância (C) e Fator de Dissipação (FD) estão estabelecidos como importantes métodos de diagnóstico de isolamento, publicado primeiro por Schering em 1919 e utilizado para esse propósito em 1924. Em um diagrama simplificado do isolamento, Cp representa a capacitância e Rp, às perdas.

Apoio

Apoio Figura 1 – Diagrama simplificado do isolamento. O fator dissipação é definido como: (1) Na
Apoio Figura 1 – Diagrama simplificado do isolamento. O fator dissipação é definido como: (1) Na

Figura 1 – Diagrama simplificado do isolamento.

O fator dissipação é definido como:

(1)

(1)

Na Figura 2, C1 e R1 conectados em série representam as perdas do objeto em teste, e C2 representa perdas livres do capacitor de referência.

e C2 representa perdas livres do capacitor de referência. Figura 2 – Representação de uma Ponte

Figura 2 – Representação de uma Ponte Shering.

Figura 2 – Representação de uma Ponte Shering. 53 Relações entre o fator de potência e

53

Relações entre o fator de potência e o fator de dissipação

A relação entre fator de potência (FP), definido como o cosseno do ângulo entre a corrente total e a tensão aplicada (cos ϕ), e o fator de dissipação (FD), definido como a tangente do ângulo entre a corrente total e a corrente capacitiva (tan δ). Matematicamente, a correlação entre os dois pode ser escrita como:

 
 

(2)

 
 

(3)

Novas aplicações de avaliação do isolamento com variação de frequência

Até os dias de hoje, o fator de dissipação ou o fator de potência só foram medidos na frequência da linha. Com a fonte de potência do equipamento utilizado neste trabalho é possível agora fazer essas medições de isolamento em uma larga faixa de frequência.

Apoio

Manutenção de transformadores

54

Apoio Manutenção de transformadores 54 Além da possibilidade de aplicar uma larga faixa de frequência, as

Além da possibilidade de aplicar uma larga faixa de frequência, as medições podem ser feitas em frequências diferentes da frequência da linha e seus harmônicos. Com este princípio, as medições podem ser realizadas também na presença de alta interferência eletromagnética em subestações de alta tensão. A faixa de frequência utilizada varia de 15 Hz a 400 Hz. Os testes podem ser realizados sem problemas, pois, nesta faixa de frequências, as capacitâncias e as indutâncias do sistema

elétrico testado são praticamente constantes. Para avaliarmos

o isolamento, devemos considerar que o dielétrico perde sua capacidade de isolar devido a:

• Movimento de íons e elétrons (corrente de fuga);

• Perdas por causa do efeito da polarização.

Procedimentos gerais

Em linhas gerais, seguem alguns procedimentos para a realização das medidas de capacitância e fator de potência para transformadores de dois enrolamentos. A Figura 3 mostra a representação esquemática do isolamento para transformadores de dois enrolamentos.

do isolamento para transformadores de dois enrolamentos. Figura 3 – Representação esquemática do isolamento para

Figura 3 – Representação esquemática do isolamento para transformadores de dois enrolamentos.

Em que:

• Cab representa o isolamento entre os enrolamentos de Alta Tensão (AT) e os enrolamentos de Baixa Tensão (BT);

• Ca representa o isolamento entre os enrolamentos de Alta

Tensão (AT) e a carcaça;

• Cb representa o isolamento entre os enrolamentos de Baixa Tensão (BT) e a carcaça.

Assim:

• O transformador deve estar desenergizado e completamente isolado do sistema de potência;

• O aterramento adequado do tanque do transformador deve

ser checado;

• Os terminais das buchas de alta tensão devem ser isolados

Os terminais das buchas de alta tensão devem ser isolados da conexão das linhas; • Todos

da conexão das linhas;

• Todos os terminais das buchas de um determinado grupo,

como os terminais A, B, C (e Neutro) do enrolamento de Alta Tensão; A, B, C (e Neutro) do enrolamento de baixa tensão

e A, B, C (e Neutro) do enrolamento terciário devem ser conectados;

• Os terminais do neutro de todos os enrolamentos conectados em estrela com ponto aterrado devem ser desconectados do terra (tanque);

ponto aterrado devem ser desconectados do terra (tanque); Figura 4 – Transformador preparado para teste. •

Figura 4 – Transformador preparado para teste.

• Se o transformador tiver um comutador de taps, então ele

deve ser posto na posição de neutro (0 ou no meio dos taps);

• Conectar os terminais de aterramento do equipamento de

teste no aterramento do transformador (subestação);

• Conectar a saída de alta tensão do equipamento de teste

(fonte) no enrolamento de alta tensão do transformador (de acordo com as instruções de conexão). Deve-se evitar que partes desparafusadas ou soltas do cabo de teste de alta tensão toquem qualquer parte como buchas e o tanque do

transformador. Isto pode causar abertura de arcos (flashovers); • Conecte o cabo de medida (vermelho) no enrolamento de baixa tensão, e o cabo Guarda (azul) carcaça do transformador (de acordo com as instruções de conexão do equipamento de teste utilizado). Neste caso é realizada a medida:

UST-A: medida de AT para BT, guardando carcaça (Cab).

• Alguns equipamentos de teste possuem a facilidade de

trocarem a função dos cabos, ou seja, o cabo vermelho pode ser um cabo de medida ou Guarda, dependendo da escolha do testador. O mesmo ocorre para o cabo Azul. Assim, com a mesma conexão é realizada a medida:

GST-A: medida de AT para carcaça, guardando BT (Ca).

• Para realizar o teste de BT para carcaça, conecte o cabo de medida (vermelho) no enrolamento de alta tensão, e o cabo de saída de alta tensão do equipamento de teste (fonte) no

Apoio

Manutenção de transformadores

56

Apoio Manutenção de transformadores 56 enrolamento de baixa tensão. O cabo Guard (azul) continua na carcaça

enrolamento de baixa tensão. O cabo Guard (azul) continua na carcaça do transformador. É realizada a medida:

GST-A: medida de BT para carcaça, guardando AT (Cb).

♦ GST-A: medida de BT para carcaça, guardando AT (Cb). Figura 5 – Esquema de conexão

Figura 5 – Esquema de conexão para medidas AT-BT e AT-carcaça.

5 – Esquema de conexão para medidas AT-BT e AT-carcaça. Figura 6 – Esquema de conexão

Figura 6 – Esquema de conexão para medidas BT-carcaça.

• “Curte-circuite” todos os TCs de bucha, se houver;

• Não faça nenhum teste com alta tensão em transformadores sob vácuo;

• A tensão de teste pode ser alterada respeitando-se a tensão do enrolamento sob teste;

• Todos os testes devem ser feitos com a temperatura do

óleo próxima a 20 °C. Correções de temperatura podem ser calculadas usando as curvas de correção, mas elas dependem

em grande parte do material isolante, do conteúdo de água e de vários outros parâmetros;

• É importante obedecer às determinações registradas nos manuais dos equipamentos de testes.

Avaliação do ensaio de fator de potência

Para os testes realizados apenas na frequência da linha (60 Hz), o range dos valores de fator de potência para novos e antigos transformadores são publicados pelas normas e por outras literaturas. Pela IEEE Std. 62-1995, são determinados os seguintes valores:

IEEE Std. 62-1995, são determinados os seguintes valores: Tabela 1 – Condições do isolamenTo pela ieee
Tabela 1 – Condições do isolamenTo pela ieee sTd. 62-1995 Condições do isolamento Transformador Bom
Tabela 1 – Condições do isolamenTo pela ieee sTd. 62-1995
Condições do isolamento
Transformador
Bom
Aceitável
Deve ser investigado
Novo
DF < 0.5%
- -
Antigo sob serviço
DF < 0.5%
0.5% < DF < 1%
DF > 1%
Todos os valores medidos a 20 °C

Neste caso é importante que o testador use o histórico do equipamento para realizar uma análise adequada. Com o desenvolvimento de novas técnicas e novos equipamentos de teste, a avaliação do isolamento pode ser feita com a variação de frequência da tensão de teste. Assim capacita o testador a realizar testes sem problemas de interferência eletromagnética e com maior capacidade de avaliação. Com a variação de frequência, o resultado mostra uma tendência que pode ser usada para avaliação, pois à medida que elevamos a frequência, as perdas aumentam, ou seja, os valores de FP ou FD tendem a aumentar. As Figuras 7 e 8 mostram o comportamento do FP com variação de frequência para um transformador novo de 69 kV.

de frequência para um transformador novo de 69 kV. Figura 7 – Transformador novo de 69

Figura 7 – Transformador novo de 69 kV.

novo de 69 kV. Figura 7 – Transformador novo de 69 kV. Figura 8 – Fator

Figura 8 – Fator de potência para transformador novo de 69 kV.

A seguir temos um exemplo de resultado onde é realizada a comparação das medidas de fator de potência entre as buchas das três fases de um banco de reatores ASEA/BROWN BOVERI, tipo RM46, 2002, com potência: 40,33 MVAr, tensão HV: 500 kV, corrente HV: 127 A. A Figura 9 mostra um dos reatores e a Figura 10 mostra os valores de FP para as três fases do banco.

Apoio

Apoio Figura 9 – Reator ASEA/BROWN BOVERI, tipo RM46 (154 kV-20 kV). Figura 10 – Medidas
Apoio Figura 9 – Reator ASEA/BROWN BOVERI, tipo RM46 (154 kV-20 kV). Figura 10 – Medidas

Figura 9 – Reator ASEA/BROWN BOVERI, tipo RM46 (154 kV-20 kV).

9 – Reator ASEA/BROWN BOVERI, tipo RM46 (154 kV-20 kV). Figura 10 – Medidas de fator

Figura 10 – Medidas de fator de potência nas fases A, B e V.

10 – Medidas de fator de potência nas fases A, B e V. 57 Nota-se que

57

Nota-se que o fator de potência tende a aumentar com o aumento da frequência, comprovando o descrito anteriormente. Entretanto, registraram-se picos negativos e positivos exatamente sobre a frequência de 60 Hz. Isso ocorreu devido à forte interferência eletromagnética na medida, pois os reatores avaliados estão instalados ao lado do bay de 500 kV energizado. Vale ressaltar que, se as medidas fossem feitas apenas com 60 Hz, os resultados anotados certamente estariam errados, pois não levariam em consideração as condições reais do isolamento sob teste.

Diagnóstico de umidade no isolamento

Para a avaliação do conteúdo de umidade no isolamento líquido e sólido, o emprego do método Karl Fischer, além de amplamente utilizado, serve como dado de referência para outros métodos, tais como os métodos de resposta dielétrica. Entretanto, este método sempre é afetado por diversas influências, como o ingresso de umidade do ambiente durante a coleta, transporte e preparação da amostra. Isso compromete os resultados e dificulta a comparação com valores referenciais.

Apoio

Manutenção de transformadores

58

Apoio Manutenção de transformadores 58 Buscando uma solução para determinação da umidade, métodos de diagnóstico

Buscando uma solução para determinação da umidade, métodos de diagnóstico de dielétricos foram desenvolvidos para

deduzir a umidade no papel e realiza a análise das características

do isolante. Os trabalhos da Força Tarefa D1.01.09 do Cigré

mostram a validade desses métodos. Estes trazem a promessa de dar maior precisão ao diagnóstico e determinação da

umidade no isolamento. Métodos de diagnósticos do dielétrico deduzem o teor de umidade no isolamento sólido empregando

os mecanismos de estabelecimento de correntes polarização e

despolarização, bem como fator de dissipação com variação de frequência. A seguir é descrito o método que combina medidas

no domínio do tempo e medidas no domínio da frequência. Isso

possibilita diagnósticos seguros até mesmo para isolamentos muito antigos.

Medidas das propriedades dielétricas

Sobre as propriedades do dielétrico, o isolamento de um transformador é composto de espaçamentos preenchidos com óleo isolante. Sendo aplicada tensão de teste no enrolamento

de alta tensão, a corrente flui na isolação principal e é medida

no instrumento de teste. Essa corrente é medida na ordem de

[nA] e [pA]. As propriedades medidas são a condutividade da

celulose e do óleo, além do efeito de polarização interfacial.

A polarização interfacial ocorre se dois materiais com

diferente condutividade e permissividade (óleo e papel) estão dentro de um dielétrico. Assim, os íons em óleo viajam para

o elétrodo oposto e forma uma nuvem de carga que pode

ser medida externamente como um efeito de polarização. A

polarização e a condutividade são afetadas pela geometria do isolamento e sua composição. A medida do isolamento de um transformador consiste na medida da superposição de vários efeitos, tais como as propriedades do papel sozinho e do óleo

isolante, mostradas na Figura 11.

papel sozinho e do óleo isolante, mostradas na Figura 11. Figura 11 – Fator de dissipação

Figura 11 – Fator de dissipação do papel e do óleo e a sobreposição dos efeitos na reposta global (óleo + papel).

dos efeitos na reposta global (óleo + papel). A análise das propriedades dielétricas é dada com

A análise das propriedades dielétricas é dada com a

combinação da polarização interfacial no isolamento óleo

e papel no transformador de potência, combinando suas

características. A resposta dielétrica de isolamento pode ser

registrada no domínio do tempo ou no domínio frequência. Uma vez no domínio do tempo tem-se o registro da medida de carga e descarga das correntes pelo isolamento. Este procedimento é conhecido como Corrente de Polarização

e Despolarização (Polarization and Depolarization Currents

– PDC). As medidas no domínio da frequência são obtidas

pelas medições de tangente delta, com uma faixa de frequência maior, especialmente em baixas frequências. Este procedimento é chamado de Espectroscopia no Domínio

da Frequência (Frequency Domain Spectroscopy – FDS).

A combinação dessas duas técnicas reduz drasticamente a

duração do teste comparado com as técnicas existentes.

Análise das medidas no isolamento e determinação da umidade

A umidade influencia fortemente grandezas como correntes de polarização e despolarização, capacitância e fator de dissipação. O fator de dissipação com variação de frequência mostra uma forma de curva típica em formato de “S”. Com o aumento do teor de umidade, da temperatura ou com o envelhecimento, a curva aumenta para frequências mais elevadas.

a curva aumenta para frequências mais elevadas. Figura 12 – Interpretação para os dados de domínio

Figura 12 – Interpretação para os dados de domínio da frequência com a discriminação entre as influências de vários fenômenos físicos.

A seguir estão os resultados do teste em transformador WEG 230-69-13,8 KV, fabricado em 1981 e reformado em 2010. A Tabela 2 mostra os resultados na frequência de 60 Hz extraídos do teste de PDC+FDS mostrado na Figura 13. A Figura 14 mostra a unidade testada.

Apoio

Apoio Tabela 2 – ResulTado de TesTe em TRansfoRmadoR de 230 KV (60 Hz) Teste realizado
Tabela 2 – ResulTado de TesTe em TRansfoRmadoR de 230 KV (60 Hz) Teste realizado
Tabela 2 – ResulTado de TesTe em TRansfoRmadoR de 230 KV (60 Hz)
Teste realizado
Fator de dissipação
Capacitância
Umidade
AT – BT (CHL)
0,210%
2,4681 nF
1,2%
BT– massa (CLT)
0,226%
4,6884 nF
1,3%
2,4681 nF 1,2% BT– massa (CLT) 0,226% 4,6884 nF 1,3% Figura 13 – Resultados do teste

Figura 13 – Resultados do teste em transformador 230-69-13.8 KV sob teste.

Referências

• ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO M. E. C. Manutenção de transformadores de potência. Curso de Especialização em Manutenção de Sistemas Elétricos – Unifei, 2012. • MILASCH, M. Manutenção de transformadores em líquido isolante. São Paulo: Edgard Blucher, 1984.

em líquido isolante. São Paulo: Edgard Blucher, 1984. 59 Figura 14 – Transformador 230-69-13.8 KV sob

59

em líquido isolante. São Paulo: Edgard Blucher, 1984. 59 Figura 14 – Transformador 230-69-13.8 KV sob

Figura 14 – Transformador 230-69-13.8 KV sob teste.

• GT A2.05 – Guia de manutenção para transformadores de potência. Cigre Brasil – Grupo de Trabalho A2.05, 2013.

* Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |mecpaulino@yahoo.com.br.

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Manutenção de transformadores

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Apoio Manutenção de transformadores 48 Capítulo IX Análise de resposta em frequência Diagnóstico de transformadores

Capítulo IX

Apoio Manutenção de transformadores 48 Capítulo IX Análise de resposta em frequência Diagnóstico de transformadores

Análise de resposta em frequência

Diagnóstico de transformadores de potência utilizando análise de resposta em frequência e impedância terminal

Por Marcelo Paulino*

Este texto descreve os conceitos e princípios da aplicação da análise de resposta em frequência e impedância terminal. Mostra a diferença entre as duas definições (função de transferência e impedância terminal). Comumente esses dois elementos são confundidos e tratados erroneamente como sendo um único elemento. O trabalho também descreve os princípios de avaliação e os algoritmos utilizados como ferramenta que fornece uma referência numérica e ajuda a equipe de teste na tomada de decisão, eliminando erros na análise do resultado. Assim aumenta-se consideravelmente a confiabilidade do ensaio.

Introdução

Da eletrônica temos a designação de análise da resposta em frequência como o estudo da relação entre dois sinais alternados com a variação da frequência. Sua representação é realizada em notação polar, definindo as funções amplitude e fase da resposta em frequência, evidenciando a relação existente entre as amplitudes e a diferença entre as fases dos sinais de entrada e saída no objeto em teste. As representações gráficas das funções amplitude e fase da resposta em frequência, em escala logarítmica, representam as assinaturas do

objeto em teste diante da variação de frequência. A indústria elétrica usa essa técnica para avaliar transformadores de potência, por meio da função de transferência, ou seja, da relação das tensões de entrada e saída do objeto em teste e por sua impedância terminal. Análise de resposta em frequência, geralmente conhecida dentro da indústria como FRA, é uma técnica de teste de diagnóstico poderosa. Consiste em medir a função de transferência, também conhecida como resposta em frequência, e a impedância dos enrolamentos.

Essas medidas podem ser usadas como um método de diagnóstico para a detecção de defeitos elétricos

e mecânicos do transformador em cima de uma

larga escala de frequências. Para tal é realizada

a comparação entre a função de transferência

obtida com assinaturas de referência. Diferenças podem indicar dano ao transformador que pode ser investigado usando outras técnicas ou um exame interno. Os transformadores são equipamentos essenciais em sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica. Na ocorrência de uma falta no sistema, descarga atmosférica ou uma falta dentro do transformador, podem ser geradas altas correntes circulantes nas bobinas e/ou uma alta tensão

Apoio

Apoio sobre estas. Consequentemente ocasionam danos estruturais, deformações nas bobinas e/ou de isolação do

sobre estas. Consequentemente ocasionam danos estruturais, deformações nas bobinas e/ou de isolação do equipamento, fechando-se curto-circuito entre espiras, entre bobinas ou destas para a carcaça (ponto de terra). Danos de transporte também podem ocorrer se os procedimentos forem inadequados, podendo conduzir ao movimento do enrolamento e núcleo. O circuito equivalente de um transformador é complexo e composto de resistências, indutâncias e capacitâncias provenientes dos enrolamentos, assim como capacitâncias parasitas entre espiras, entre bobinas

e destas para o tanque. Este circuito possui características únicas

de resposta em frequência para cada transformador, funcionando como uma impressão digital. Qualquer tipo de dano na sua estrutura interna, tanto na parte ativa (enrolamentos e núcleo) como na parte passiva (estrutura, suportes, tanque etc.), afeta diretamente os parâmetros deste circuito equivalente, o que altera sensivelmente a resposta em frequência deste circuito, que comparado à sua resposta original pode claramente evidenciar

a falha. Um problema da análise de resposta em frequência é a

falta de procedimento padronizado internacional para que seja

feita a comparação das análises dos resultados. Assim, o problema a ser resolvido é a interpretação das

Assim, o problema a ser resolvido é a interpretação das 49 diferenças entre duas assinaturas do

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diferenças entre duas assinaturas do FRA. Uma mudança na função de transferência pode ser interpretada como uma deformação no enrolamento com relativa facilidade. Entretanto, é complicado estimar o correspondente grau de deformação do enrolamento e identificar qual a extensão da variação das medidas do FRA é aceitável para operação do transformador sem falhas.

Definições

Análise de resposta de frequência (Frequency Response Analysis – FRA) Análise de resposta de frequência, comumente chamada de FRA, é uma técnica de diagnóstico utilizada para detectar alterações nas características da estrutura de transformadores de potência, principalmente deformações nas bobinas. Essas modificações podem ser resultados de diversos tipos de problemas elétricos ou mecânicos (danos durante o transporte, a perda de fixação de partes internas, esforços mecânicos