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PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA S EÇÃO J UDICIÁRIA DO C EARÁ – 3

PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO CEARÁ – 3 A VARA FEDERAL

Sentença n°

/2015

____________

PROCESSO: 0802078-48.2013.4.05.8100

AUTOR: TÉRCIO MARTINS DE OLIVEIRA

REQUERIDO: UNIÃO (FAZENDA NACIONAL)

1 – RELATÓRIO

Trata-se

de

ação

ordinária,

com

pedido

de

antecipação de tutela,

proposta por TÉRCIO MARTINS DE

OLIVEIRA contra a UNIÃO/FAZENDA NACIONAL, através da qual

o autor questiona a pena de perdimento imposta à mercadoria

por ele importada, defendendo a sua nulidade com a

consequente liberação das mercadorias mediante o

pagamento dos impostos devidos. Alega que promoveu a

importação de peças de aeronave ("um Kit de Peças de

Aeronave, completamente desmontadas, contando com 01

motor, 1 kit de hélices, 1 kit de par de asas para montagem, 1

kit de empenagem para montagem, 1 kit de fuselagem para

montagem, 1 kit de peças para montagem de proteção anti-

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fogo, kit para acabamento para montagem"), mas a Receita

Federal reteve as referidas mercadorias sob alegação de que o

autor teria praticado falsidade material ou ideológico ao omitir

que se tratava, em verdade, da importação de uma aeronave

completa e não de peças da aeronave. Em virtude disso, foi

decretada a pena de perdimento, ora questionada na presente

ação.

A União/Fazenda Nacional, apesar de citada,

apresentou contestação.

não

Houve audiência de instrução, em que foi ouvido o

fiscal que lavrou o auto de infração, o autor e testemunhas.

As partes apresentaram memoriais.

Após, vieram-me os autos conclusos.

Era

o

que

de

Passo a decidir.

mais importante

havia para

relatar.

2 – FUNDAMENTO

O cerne da controvérsia gira em torno da existência

ou não de fraude no processo de importação das mercadorias

descritas na inicial. Pela leitura do auto de infração, observa-se

que, na ótica da Receita Federal, teria havido fraude, pois o

autor, no intuito de ludibriar a fiscalização, informou que

estaria importando peças de aeronave quando, na verdade, se

tratava de uma aeronave completa. Segundo o auto de

infração, ao proceder assim, o autor estaria tentando

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internacionalizar a aeronave completa, ainda que desmontada,

por um preço muito inferior ao praticado no mercado, o que

caracterizaria a fraude. Em reforço, a Receita Federal observou

que a empresa importadora FAST INVESTMENTS CO, localizada

no estado da Flórida, EUA, seria de propriedade de TÉRCIO

MARTINS DE OLIVEIRA. Para a Receita, o fato de o exportador e

o importador se confundirem na mesma pessoa tem efeitos

diretos na confiabilidade dos preços praticados, dada a

possibilidade de haver ajuste de preços.

A Receita Federal também realizou pesquisas na

internet para concluir que o valor de uma aeronave do mesmo

modelo aqui discutido (RV9-A) seria muito superior do que o

informado pelo autor na fatura comercial apresentada no

processo de importação, o que justificaria a aplicação da pena

de perdimento em razão da apresentação de fatura comercial

ideologicamente falsa.

O autor,

por

sua vez,

reconhece que importou as

seguintes

mercadorias:

um

Kit

de

Peças

de Aeronave,

completamente desmontadas, contando com 01 motor, 1 kit

de hélices, 1 kit de par de asas para montagem, 1 kit de

empenagem para montagem, 1 kit de fuselagem para

montagem, 1 kit de peças para montagem de proteção anti-

fogo, kit para acabamento para montagem, tal como descrito

nas declarações de importação e BL's anexadas ao processo

de importação.

Segundo o autor, as referidas peças não podem ser

caracterizadas como uma aeronave completa, pois, além de

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estarem desmontadas, não incluem alguns componentes

essenciais capazes de formar uma aeronave completa, a

saber: a) Montagem; b) Painel de Navegação; c) Instrumentos

de voo; d) Equipamentos de segurança de voo; e) Iluminação

obrigatória; f) Equipamentos de comunicação obrigatórios

(rádio e transponder); g) Acabamento interno (poltronas e

estofamentos internos); e) Pintura.

Na ótica do autor, a Receita Federal teria cometido

um grave equívoco ao caracterizar as peças importadas pelo

autor como uma aeronave completa (e, consequentemente,

usar como referência para o valor da importação o valor de

uma aeronave completa), pois não levou em conta a ausência

de diversas partes imprescindíveis à montagem de um avião,

bem como as horas de mão de obra necessárias para a

montagem. Assim, a diferença de preço entre uma aeronave

completa (aproximadamente U$ 68.000,00 a U$ 91.090,00) e

as peças importadas pelo autor (U$ 52.100,00) seria

justificada caso seja levado em conta o custo da mão de obra

(aproximadamente 2.000 horas) e a compra dos equipamentos

faltantes.

Em linhas gerais, o quadro fático necessário à solução

do caso é acima descrito. Resta saber se a razão está com a

Receita Federal (ao alegar que se trata da importação de uma

aeronave completa em valor inferior ao praticado no mercado)

ou com o autor (ao alegar que se trata de peças de aeronave

em valores compatíveis com os praticados no mercado).

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Após ouvir o fiscal que lavrou o auto de infração e as

testemunhas indicadas pelo autor, bem como analisar os

documentos juntados à inicial e realizar algumas pesquisas na

internet, convenci-me de que, de fato, a razão está com o

autor.

Eis as mercadorias tal como descritas na invoice:

JUSTIÇA FEDERAL – 3ª VARA/CE - 0802078-48.2013.4.05.8100 5 Após ouvir o fiscal que lavrou o auto

São os equipamentos acima descritos que foram, de

fato, importados pelo autor. Os preços indicados são os que

foram declarados no processo de importação. Nota-se

claramente que referidas peças são de um mesmo modelo de

aeronave (RV9-A) e compõem um kit de montagem

"homebuilt", vale dizer, o próprio adquirente, com um pouco

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de conhecimento especializado, pode construir na própria

casa.

A Receita Federal, para chegar à conclusão de que

houve fraude, adotou dois parâmetros. Em primeiro lugar,

comparou o preço das peças indicadas pelo autor, globalmente

consideradas, com o valor de uma aeronave completa, o que,

obviamente, resultou em um grande diferença, já que o preço

de uma aeronave RV9-A nova e completa pode ultrapassar os

cem mil dólares.

Já antevendo a alegação de que o valor da aeronave

completa incluiria o custo da mão de obra, a Receita Federal,

em um segundo momento, realizou uma pesquisa do preço do

kit no site do fabricante, chegando ao seguinte quadro:

JUSTIÇA FEDERAL – 3ª VARA/CE - 0802078-48.2013.4.05.8100 6 de conhecimento especializado, pode construir na própria casa.

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Diante das informações supra, a Receita conclui que o

valor indicado pelo autor na declaração de importação teria

sido subestimado, já que o valor do kit mais barato seria de U$

67.945 enquanto que o valor informado pelo autor foi de U$

52.100,00.

O grande erro cometido pela Receita Federal foi não

ter checado se as mercadorias importadas comporiam o kit

completo do modelo RV9-A. Veja-se que, em nenhum

momento, a Receita Federal demonstrou que os itens

importados compõem um kit completo para a montagem da

aeronave. Sequer houve o cuidado de saber se os itens

declarados são exatamente os mesmos que estão descritos no

site. Um análise mais cuidadosa levaria à conclusão de que há

mais itens no kit completo (tal como descrito no site do

fabricante) do que na importação realizada (tal como descrito

na invoice). Confrontando os itens descritos a partir da

informação adotada pela Receita Federal e os indicados na

invoice, percebe-se com facilidade que o kit importado pelo

autor contém menos peças do que o kit necessário à

montagem completa da aeronave. E mais: confrontando os

preços de cada peça individualmente, nota-se claramente que

os valores declarados pelo autor são compatíveis com os

preços praticados pelo fabricante, apesar de pequenas

variações. As pequenas diferenças, ora para mais, ora para

menos, certamente não justificam a conclusão de que houve

fraude e tentativa dolosa de ludibriar o fisco, sobretudo se for

levada em conta a variação de preços decorrentes da

volatidade do mercado, bem como eventuais vantagens que

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poderiam ser obtidas a partir de uma negociação direta entre

o vendedor e o comprador.

Vale analisar mais detidamente os preços declarados

pelo autor e aqueles previstos no site.

O item mais caro é o "MOTOR PARA AVIÃO, MODELO

XI0-320-D1A,160HP...".

Foi declarado pelo autor pelo valor de

U$ 23.000,00. No site do fabricante, o preço varia entre U$

26.100,00 e U$ 29.480,00.

Por

sua

vez,

a

hélice (propeller - marca Hartzell)

custa, no site do fabricante, algo em torno de U$ 7.095,00 a

U$ 11.730,00 e foi declarado pelo autor no montante de U$

4.300,00.

O Firewall (proteção anti-fogo) tem um custo de U$

3.400,00 a U$ 4.800,00 no site do fabricante e, na invoice,

consta o valor de U$ 4.700,00.

Finalmente,

o

kit

de

montagem foi

declarado

pelo

autor no valor de U$ 20.100,00 ao passo que, no site do

fabricante, está cotado por U$ 22.960,00 (satandard kit) e por

U$ 34.180,00 (quickbuild kit).

As peças indicadas no site do fabricante que não

estão descritas na invoice são as seguintes: a) analog flight

instruments (U$ 700,00 a U$ 1.000,00); b) VRF cross country

instruments (U$ 1.000,00); (c) Nav and landing lights/strobes

(U$ 890,00); d) Basic avionics (U$ 1.000,00 a U$ 2.600,00); e)

Basic eletrical system (U$ 400,00 a U$ 1.000,00); f)

cushions/harnesses (U$ 900,00); g) tool kit/power tools (U$

2.000,00).

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Tomando-se como parâmetro o valor mais baixo

indicado pelo fabricante, observa-se que as peças importadas

pelo autor custariam, no site, U$ 59.555,00. Este é o preço

unitário padrão, sem levar em conta eventuais descontos

obtidos a partir de uma venda presencial direta.

Embora referido valor seja superior ao indicado pelo

autor na sua declaração de importação (U$ 52.100,00), está

longe de caracterizar o subfaturamento apontado pela Receita

Federal (de 30% a 75%). Esse equívoco decorre do fato de a

Receita Federal não ter levado em conta as peças constantes

no kit e não incluídas na importação. Tais peças, adotando a

estimativa do menor preço, custariam U$ 6.890,00 no site do

fabricante. Como tais peças não estão descritas na declaração

de importação, esse custo deveria ter sido reduzido do valor

adotado como parâmetro para aferir a idoneidade do preço

declarado pelo importador.

Desse modo, observa-se que há sim uma diferença

entre o valor ofertado no site do fabricante e o valor declarado

pelo importador, mas não tão grande aquela apontada pela

Receita Federal. A rigor, a diferença seria de U$ 7.455,00, o

que representa aproximadamente 12,5% do valor global da

importação.

Essa diferença de U$ 7.455,00 entre o valor declarado

pelo importador e o menor valor de compra através do site do

fabricante, na minha ótica, não é suficiente para caracterizar a

fraude ou claro intuito de subfaturar a mercadoria para

diminuir a base de cálculo do tributo. Diante da variação de

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preço típica de um mercado permeado por incerteza

ocasionada por uma crise econômica, é bastante plausível que

o autor tenha comprado as peças pelos preços que declarou, já

que as peças foram adquiridas em data anterior à da

realização da pesquisa de preços. Veja-se, por exemplo, que,

na data atual, já houve um aumento de preço em comparação

com aqueles adotados pela Receita Federal para caracterizar a

fraude. Confira-se o espelho do site do fabricante com preços

atuais:

JUSTIÇA FEDERAL – 3ª VARA/CE - 0802078-48.2013.4.05.8100 10 preço típica de um mercado permeado por incerteza

Afora a variação de preços, é plausível a versão do

autor de que teria comprado as peças com desconto, em uma

feira aeronáutica. Embora o autor não tenha apresentado a

documentação que comprove essa alegação, o valor não é tão

discrepante daqueles que se costumam praticar no mercado.

Além disso, caso tivesse o intuito de fraudar o fisco,

certamente o autor teria reduzido ainda mais os valores da

declaração da importação. Afinal, o benefício fiscal obtido com

uma eventual redução do valor da mercadoria em U$ 7.455,00

seria muito pequeno, comparado com o risco de perder a

mercadoria, ser tributado/multado e ainda responder a um

processo penal.

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Para reforçar esse raciocínio, há um outro dado

relevante. A falsidade imputada a autor foi ter declarado a

importação de peças de aeronave em valor abaixo do de

mercado, quando, em verdade, deveria ter declarado que a

mercadoria era uma aeronave completa. Conforme visto, as

peças importadas pelo autor são partes de um kit de

montagem da aeronave RV9-A, faltando algumas peças para

que o kit seja completo. Assim, em rigor, o autor não falseou a

verdade quando informou para a Receita Federal que estava

importando peças de uma aeronave. Por outro lado, o que

ocorreria se o autor tivesse declarado que estava importando

uma aeronave completa? Nesse caso, a alíquota seria

diferenciada (a menor!) e a tributação seria reduzida. Nessa

hipótese sim, o autor estaria falseando a verdade para reduzir

a tributação. Assim, curiosamente, o autor, ao declarar que

estaria importando peças de aeronave, acabou sendo

tributado em uma alíquota maior do que aquela que incidiria

caso a declaração de importação tivesse sido de uma

aeronave completa. Difícil crer que alguém falsificaria as

informações de uma compra para aumentar o percentual da

alíquota.

É certo que a falsidade apontada pela Receita

Federal diz mais respeito ao valor declarado do que ao produto

declarado.

A

classificação

da

mercadoria

como

peça

de

aeronave e não como aeronave completa, segundo a Receita

Federal, teria como objetivo dificultar a análise do preço real

da mercadoria. Porém, conforme visto, a diferença de preço

entre o que foi declarado

e

o

que

se pratica

no

site

do

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fabricante é tão pequena que se torna implausível essa versão

sustentada pela Receita Federal. Não há como acreditar que

alguém deixaria de tentar aproveitar os benefícios fiscais

decorrentes da importação de uma aeronave completa para

economizar menos de mil dólares, sobretudo sabendo que

pode ser facilmente descoberto por meio de uma simples

pesquisa na internet. Diante disso, a versão mais plausível é a

de que o autor, de fato, comprou as peças pelo preço que

declarou, já que a variação, em relação ao preço padrão

estabelecido pelo fabricante, chega a ser irrisória.

Sendo assim, há de ser reconhecida a nulidade da

pena de perdimento aplicada, diante da falta de prova de que

houve falsificação de informações no processo de importação,

devendo as mercadorias serem desembaraçadas mediante o

pagamento dos tributos devidos, ressalvando-se a

possibilidade de a Receita Federal proceder a análise do

processo de importação na forma legal.

3 – DISPOSITIVO

Ante o exposto, JULGO PROCEDENTES OS PEDIDOS a

fim de declarar a nulidade da pena de perdimento aplicada em

relação às mercadorias aqui descritas, bem como para

determinar a imediata liberação das mercadorias descritas na

declaração de importação, mediante o pagamento dos tributos

devidos.

Com relação ao pedido de afastamento da Tarifa/Taxa

de Armazenagem, formulado nos memoriais pelo autor,

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INDEFIRO, vez que não foi objeto do pedido inicial. Caso o

autor entenda como indevida a sua incidência, poderá

ingressar com ação própria para questioná-la.

Diante da ausência de prejuízo, fica prejudicado

o

agravo retido interposto contra a decisão que indeferiu a

realização de perícia.

A

União/Fazenda

 

Nacional

ressarcirá

as

custas

adiantadas pelo

autor

e

arcará

com

honorários

de

sucumbência, que arbitro em 15% sobre o valor atribuído à

causa.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Fortaleza, 14 de janeiro de 2015.

GEORGE MARMELSTEIN LIMA

Juiz Federal da 3ª Vara Federal/CE

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