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A alegria de ser vicentino

A alegria de ser vicentino

A ALEGRIA DE SER VICENTINO

Para falar do tema A ALEGRIA DE SER VICENTINO é necessário entender primeiro o que faz alguém ser um vicentino. Bom, vamos conversar. Primeiro precisamos saber o que é ser Cristão, pois isto faz parte inerente do caminho para ser um vicentino.

Como São Vicente encarou essa questão de fundo? O que era ser Cristão para São Vicente? Na sua vida dois textos bíblicos iluminaram, profundamente, essa problemática. O primeiro foi o de São Lucas 4, 14-21 que narra assim: “Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda redondeza. Ele ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam. Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaias. Abrindo o livro, Jesus,

encontrou a passagem onde estava escrito: ‘O Espírito

do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar o ano da graça do

Senhor(

...

).

Hoje se cumpriu essa passagem da

Escritura que vocês acabam de ouvir.”

Ora, para São Vicente estava claro que ser Cristão era seguir os passos de Jesus, o Cristo. E como segui-lo? Eis aí o projeto de vida de Jesus. Ser Cristão é anunciar a boa nova a todas as pessoas, e preferencialmente aos pobres. Ser Cristão é libertar os oprimidos de todo tipo de amarra que os impedem de ser gente e ter dignidade. Ser Cristão é curar as feridas, levar as pessoas a descobrirem sua dignidade de filho de Deus. Ser Cristão é dar vista aos que estão cegos pelo egoísmo, pela maldade, pelo desamor e pelo materialismo; coisas que os privam de enxergar a beleza do outro e do Reino.

Por entender o Cristão como o continuador de Cristo, proclamará São Vicente, que a missão do Vicentino é seguir e imitar Jesus Cristo Evangelizador dos Pobres.

Essa é a base de toda espiritualidade vicentina. “Nesta

vocação vivemos de modo mui conforme a Nosso Senhor Jesus Cristo que, quando veio a este mundo, escolheu como principal tarefa a de assistir e cuidar dos pobres. MISIT ME EVANGELIZARE

PAUPERIBUS. E se perguntam a Nosso Senhor: ‘O que veio fazer na terra?’ – ‘Assistir os pobres’ – ‘Algo mais?’ – ‘Assistir os pobres’.” (XI, 33s)

Estava muito clamo para São Vicente, a partir do texto de Lucas, que a grande missão que Deus lhe confiara era sublime, pois os vicentinos seriam na terra os continuadores da obra de Jesus. Por isso afirma: “( ) ... evangelizar os pobres é um ofício tão alto que é, por

excelência, o ofício do Filho de Deus! E nós nos dedicamos a isso como instrumentos pelos quais o

Filho de Deus segue fazendo do céu o que fez na terra”

(XI, 387) Pois, “Não são os pobres os membros aflitos

de Nosso Senhor? (

...

)

E se os sacerdotes (ou

vicentinos: sacerdotes, irmãs, irmãos e leigos) os

abandonam, quem quereis que os assistam? (

...

) Fazer

isto é evangelizar por palavras e por obras, é o mais perfeito” (XI, 393). E São Vicente resume: Portanto, a nossa vocação é a continuação daquela de Jesus Cristo”

(XI, 387).

O outro texto que norteou toda a vida de São Vicente

foi a passagem de Mateus (Mt 25, 31-46), que relata o juízo final, onde o Senhor separará as ovelhas dos cabritos, o os colocará um à esquerda e outro à direita respectivamente. Assim, o texto apresenta-nos duas realidades: a dos cabritos e a das ovelhas. Quem são os cabritos? São aqueles que escutando o grito dos pobres fecham os ouvidos; que vendo suas dores desviam o rosto. Por isso são malditos! Serão lançados no fogo eterno, onde o calor nunca diminui e o fogo nunca se apaga. Por quê? Porque quando deixaram de fazer o bem aos pequenos, aos pobres, aos idosos, aos doentes, as crianças abandonadas, aos jovens desesperados, etc; foi a Jesus Cristo que não o fizeram. Para São Vicente

o critério para seguir Jesus é este: “Devemos gemer por

causa da carga dos pobres e sofrer com os que sofrem,

senão não somos discípulos de Jesus Cristo” (XI, 573)

Quem são as ovelhas? São aqueles que escutando o apelo dos pobres não cerraram os ouvidos, mas os acolheram em suas necessidades; que vendo os famintos, os nus, os doentes, as crianças, os idosos alquebrados, os jovens sedentos de amor e compreensão, os assistiram. Estes receberão o título de benditos! Para estes, as portas do céu se abrirão e os anjos do Senhor os conduzirão para dentro com cânticos de alegria dizendo: Venham benditos de meu Pai, tomem posse, como herança, do Reino dos céus preparado para vós. Porque eu estava presente naquelas pessoas que vocês não desprezaram; e todas as vezes que vocês as assistiam era a mim que serviam. Para São Vicente quando vamos a um pobre vamos ao próprio Jesus. E quando servimos um pobre servimos ao próprio Cristo. Daí dizia São Vicente: “Quando vamos ver os pobres, temos de entrar em seus

sentimentos para sofrer com eles.” (XI, 233) Sofrer

com eles significava, para Vicente, entrar em plena

comunhão com o Cristo servo sofredor. Com razão dizia São Vicente: “Se vais à missa e no meio do caminho vires um pobre doente precisando de tua ajuda, vais acolhe-o e assiste-o, e terás rezado a melhor

missa de tua vida. Pois estás deixando Deus por Deus.”

(SV às FC) Para São Vicente “(

)

não devemos perder

... um único momento de fazer o que podemos” (XI, 268).

Deus não pede nada muito além das nossas forças. Ele

quer que nos indignemos diante da realidade desumana vivida pelos pobres. Quer que a insensibilidade não endureça nosso coração. Pois afirma, o próprio, São Vicente: “A insensibilidade faz também que não nos impressionem as misérias corporais e espirituais do próximo; não se tem caridade, não se tem zelo, não sentem as ofensas contra Deus. Não sejamos desses missionários sem zelo: quando lhes mandam às

missões, vão (

...

);

mas, como o fazem? Onde está seu

zelo? Seu zelo está apagado pela insensibilidade” (XI,

601).

Deus pede que tenhamos um autêntico zelo pela missão a nós confiada, quer que sejamos apaixonado pela

evangelização dos pobres e a promoção da vida. “O

zelo é a quinta máxima, que consiste em um puro desejo de fazer-se agradável a Deus e útil ao próximo. Zelo de estender o Reino de Deus, zelo de procurar a salvação do próximo (e zelo de cuidar das coisas de Deus antes que das nossas). Há no mundo algo mais perfeito? Se o amor de Deus é fogo, o zelo é a chama; se o amor é o sol, o zelo é seu raio. O zelo é o que mais puro há no amor de Deus" (XI, 590)

Deus pede também que tenhamos um amor profundo

capaz de quebrar todas as barreiras que impedem de ver o Cristo na face do irmão. Para São Vicente, “Amar alguém, propriamente falando, é querer seu bem.” E

dizia mais: “Não há ninguém mais obrigado a isso do

que nós, e nenhuma comunidade deve se dedicar mais ao exercício de uma caridade cordial. E por quê? Porque Deus suscitou esta Companhia, como a todas as demais, por seu amor e beneplácito.

Por fim, Deus pede que não deixemos passar nenhuma

oportunidade de servi-lo. E São Vicente tinha isso bem

claro; “Que credes que Deus pede de nós? (

...

) Deus

pede nossa boa vontade, uma boa e verdadeira disposição para abraçar todas as ocasiões de servir-lhe” (XI, 281)

Para São Vicente, Deus nos deu uma Grande missão e nisso consiste a alegria de ser vicentinos. Nossa alegria é: Evangelizar os pobres. E São Vicente se expressa assim: “Ó que felicidade, meus irmão! Maior prazer ninguém jamais terá! Pois nem mesmo o Santo Padre

pode ter a paz e o prazer que Deus nos dá aqui neste

lugar” (IX, 464).

Podemos, assim, concluir dizendo que a alegria do vicentino é evangelizar os pobres, pois fomos

chamados a essa missão. “Fomos chamados a isso” (XI, 386) “Sim, Nosso Senhor pede de nós que

evangelizemos os pobres: é o que Ele fez e quer

continuar fazendo através de nós. (

)

O Pai Eterno nos

... destina à mesma atividade que destinou seu Filho, que veio evangelizar os pobres, e que indicou isto como

sinal de que era Filho de Deus e que havia vindo o

Messias que o povo esperava” (XI, 386)

Portanto, os pobres são a nossa herança: “não há na

Igreja de Deus uma companhia que tenha como

herança própria

os pobres

e

que

se entregue por

completo aos pobres (

).“Eu

não posso durar muito

tempo. (

)

Não

importa!

Nossa

vocação

é:

EVANGELIZARE PAUPERIBUS.” (XI, 395).

Pe. Fântico Nonato Silva Borges, CM

Fonte: Blog do Pe. Fantico

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