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i UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA USO DE

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA

USO DE BIOFERTILIZANTES COMO INDICADOR DE TOLERÂNCIA À SALINIDADE PELO TOMATEIRO-CEREJA

REINALDO FERREIRA MEDEIROS

AREIA - PB

FEVEREIRO - 2011

ii

REINALDO FERREIRA MEDEIROS

USO DE BIOFERTILIZANTES COMO INDICADOR DE TOLERÂNCIA À SALINIDADE PELO TOMATEIRO-CEREJA

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-

Graduação em Agronomia da Universidade

Federal da Paraíba, como parte dos requisitos

para a obtenção do título de ―Mestre em

Agronomia‖. Área de Concentração: Solos e

Nutrição de Plantas.

Orientador: Prof. Dr. Lourival Ferreira Cavalcante

Areia - PB

Fevereiro 2011

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REINALDO FERREIRA MEDEIROS

USO DE BIOFERTILIZANTES COMO INDICADOR DE TOLERÂNCIA À SALINIDADE PELO TOMATEIRO-CEREJA

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-

Graduação em Agronomia da Universidade

Federal da Paraíba, como parte dos requisitos

para a obtenção do título de Mestre em

Agronomia‖. Área de Concentração: Solos e

Nutrição de Plantas.

COMISSÃO EXAMINADORA

Prof. Dr. Lourival Ferreira Cavalcante CCA/UFPB Orientador

Prof. Dr. Miguel Ferreira Neto - UFERSA Examinador Externo

Profª Drª. Riselane de Lucena A. Bruno CCA/UFPB Examinadora Interna

Areia PB Fevereiro - 2010

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DEDICO

Ao meu falecido pai Agnaldo G. Medeiros e à minha mãe Maria N. F. Medeiros, por terem sido os primeiros a acreditarem no meu futuro.

À minha noiva Socorro Vieira, pela imensa dedicação e apoio a meus estudos e por ser um alicerce para minhas conquistas, das quais, grande parte devo a ela.

Ao meu irmão Agnaldo F. Medeiros que participou e me ajudou a superar as mais difíceis situações em que eu vivi.

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AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me concedido a sabedoria e a força para conquistar mais essa etapa.

Ao professor Dr. Lourival Ferreira Cavalcante pela orientação e por toda a ajuda.

À professora Dra. Riselane de Lucena Alcântara Bruno, por sua amizade e apoio

durante todo o curso.

Ao programa Reuni, pelo essencial apoio financeiro.

Ao INCTSal, Instituto Brasileiro de Salinidade, pelo auxilio nas despesas de análises dos substratos das águas e dos biofertilizantes.

Aos meus amigos Rummenigge de Macêdo Rodrigues e Francisco de Oliveira

Mesquita. Sem eles não seria possível desenvolver este trabalho.

Ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia - PPGA pela oportunidade de ingressar

no mestrado.

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SUMÁRIO

LISTA DE TABELAS

vi

LISTA DE FIGURAS

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RESUMO

ix

ABSTRACT

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1. INTRODUÇÃO

1

2. REVISÃO DE LITERATURA

3

2.1. Tomate-cereja considerações gerais

3

2.2. Uso de água salina na agricultura

4

2.3. Água salina no solo

6

2.4. Água salina nas plantas

8

2.5. Classificação da água de irrigação

9

2.6. Uso de biofertilizantes na agricultura

13

2.7. O biofertilizante e Salinidade do Solo

16

3. MATERIAL E MÉTODOS

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3.1. Localização, Clima e Solo

17

3.2. Delineamento Experimental

18

v

3.4. Semeadura e Condução do Experimento

20

3.5. Variáveis Estudadas

21

3.6. Avaliação Estatística

21

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

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5. CONCLUSÕES

37

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

38

7. ANEXOS

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1

Classificação da água de acordo com CE e RAS

10

Classificação da água de irrigação proposta por Richard

Tabela 2

 

(1954) de acordo com a CE e com a RAS

11

Classificação da água de irrigação proposta por Ayers e

Tabela 3

 

Westcot (1999)

12

Composição em macro e micronutrientes na matéria seca de

Tabela 4

 

biofertilizante bovino puro utilizado por diferentes autores

14

Caracterização física e química do solo quanto à fertilidade e

Tabela 5

 

salinidade na camada de 0-20 cm

18

Caracterização de água de irrigação, do biofertilizante comum

Tabela 6

 

e enriquecido com leite, melaço e gesso agrícola

19

Classificação da água de irrigação quanto ao risco de

Tabela 7

 

salinidade

20

Resumo dos quadrados médios e níveis de significâncias

Tabela 8

referentes às análises de variância e de regressão da CEes,

IVE, AP, DC, NF, AF, CR, DR, AR, MSPA e MSR

52

Resumo dos quadrados médios e níveis de significâncias

Tabela 9

 

referentes às análises de variância e de regressão da PPA e PR

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vii

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Figura 7

Figura 8

Figura 9

Figura 10

Figura 11

Figura 12

Figura 13

Figura 14

Figura 15

Figura 16

LISTA DE FIGURAS

Movimento dos sais solúveis nas camadas do solo

7

Valores médios de temperatura e umidade local

17

Condutividade elétrica do extrato de saturação do solo

22

Índice de velocidade de emergência (IVE)

24

Altura das plantas

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Diâmetro do caule

26

Número de folhas

20

Área foliar

28

Comprimento das raízes

29

Diâmetro da raiz principal

30

Área das raízes

31

Massa seca da parte aérea

32

Massa seca das raízes

33

Proteína total da parte aérea

33

Proteína total das raízes

35

Plantas de tomate-cereja (Licopersicon pimpinellifolium L.) conduzido em ambiente telado do Departamento de Solos e Engenharia Rural do CCA/UFPB

54

viii

Plantas tomate-cereja (Licopersicon pimpinellifolium L.) em solo sem biofertilizantes e irrigadas com águas salinas

Plantas tomate-cereja (Licopersicon pimpinellifolium L.) em solo com biofertilizante enriquecido com leite, melaço e gesso agrícola e irrigadas com águas salinas

Figura 19 Comparação das plantas tomate-cereja (Licopersicon pimpinellifolium L.) tratadas com biofertilizante comum e biofertilizante enriquecido

Figura 17

Figura 18

54

55

55

ix

MEDEIROS, R. F. Uso de biofertilizantes como indicador de tolerância à salinidade pelo tomateiro-cereja. Areia, PB, 2011. 67 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia). Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal da Paraíba, Areia, PB.

RESUMO

Resumo: A salinidade é considerada um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas, bem como, à produtividade agrícola, com impactos diretos na produção e no depauperamento físico do solo. Uma alternativa utilizada para atenuar os efeitos deletérios da salinidade da água de irrigação às plantas pode ser o uso de biofertilizante bovino aplicado ao solo na forma líquida. Nesse sentido, o experimento foi desenvolvido, entre outubro/2009 a fevereiro/ 2010, em ambiente telado em Areia, PB, para avaliar a influência da salinidade da água no crescimento do tomateiro-cereja em solo não salino, sem e com dois tipos de biofertilizante bovino. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial 5 x 3, com seis repetições, referente aos valores de condutividade elétrica da água de irrigação: 0,5; 1,0; 2,0; 3,0 e 4,0 dS m -1 , em solo sem biofertilizante, com biofertilizante comum e enriquecido com leite, melaço e gesso agrícola. Os biofertilizantes depois de diluídos em água não salina (0,5 dS m -1 ) na razão de 1:1 foram aplicados uma única vez, dois dias antes da semeadura, ao nível de 10% do volume do substrato. Os biofertilizantes proporcionaram maior crescimento das plantas em relação ao solo sem os respectivos insumos, independentemente do nível de salinidade das águas. A salinidade provocou aumento nos teores de proteína total da parte aérea das plantas que receberam o biofertilizante enriquecido. A adição do biofertilizante comum e enriquecido elevou o caráter salino do solo, com superioridade nos tratamentos com apenas águas salinas, mas sem diferença significativa entre ambos os insumos orgânicos.

Palavras-chave: Licopersicon pimpinellifolium, insumo orgânico, salinidade da água

x

MEDEIROS, R. F. Use of bio-fertilizers as an indicator of salinity tolerance by cherry tomato. Areia - PB, 2011. 67 f. Dissertation (Master´s degree in Agronomy) CCA - UFPB, Areia - PB.

ABSTRACT

Salinity is considered one of the main limiting factors to the growth, plants development and to the agricultural productivity, with direct impact in the productivity and in the soil physical deterioration. An alternative which has been used to mitigate the deleterious effects of the irrigation water salinity to plants may be the use of bovine biofertilizer which has been applied to the soil in the liquid form. This way, the experiment was carried out between October 2009 to February 2010, in a greenhouse environment, in Areia city - Pb, to evaluate the influence of the water salinity in the cherry tomato growth in non-saline soil, without and with two types of bovine biofertilizer. The experimental design was completely randomized in factorial scheme 5 x 3, with six repetitions, referring to the values of electric conductivity of the irrigation water: 0,5; 1,0; 2,0; 3,0 and 4,0 dS m -1 , in soil without biofertilizer, with ordinary biofertilizer and enriched with milk, molasses and agricultural gypsum. The biofertlizers after diluted in non-saline water (0,5 dS m -1 ) in proportion 1:1 have been applied only once, two days before sowing, in the level of 10% of the substrate volume. The biofertilizers have provided higher growth of the plants regarding the soil without the respective inputs, regardless the water salinity level. The salinity has caused an increase in the total protein level of the air part of the plants which have received the enriched biofertilizer. The adding of the enriched and ordinary biofertilizer has increased the soil saline features, with superiority in treatments only with saline water, but without significant difference between both organic inputs.

Key words: Licopersicon pimpinellifolium, organic input, water salinity

1

1.

INTRODUÇÃO

O tomate-cereja (Licopersicon pimpinellifolium é considerado por diversos autores como o ancestral mais próximo dos tradicionalmente cultivados (RODRIGUES et al., 2008). Esse tipo de tomate é bastante consumido por apresentar diversas propriedades fitoquímicas, sendo a atividade antioxidante uma das mais destacadas, além disso, possui elevada concentração de nutrientes e de sólidos solúveis SS (GUILHERME et al., 2008). No Brasil, o tomate do grupo cereja possui grande aceitação no mercado para utilização como adorno e aperitivo na culinária. Além dos expressivos valores de mercado, tem interessado mais aos agricultores os quais difundiram muito seu cultivo em ambiente protegido principalmente nas regiões Sul e Sudeste (CARVALHO e TESSARIOLI NETO, 2005; MENDONÇA et al., 2008), por apresentarem condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da cultura. Ao considerar que as plantas do gênero Lycopersicum esculentum conforme Ayers e Westcot (1999) são moderadamente sensíveis à salinidade, o cultivo do tomateiro cereja pode ser comprometido em áreas onde os processos edafoclimáticos contribuem para o incremento de sais nos solos acima dos níveis toleráveis pelas plantas moderadamente sensíveis. O excesso de sais nos solos ou a irrigação com águas que inibam o crescimento das plantas podem limitar a produção de tomate cereja em muitas localidades do Nordeste brasileiro. Nesse sentido, Yurtseven et al. (2005) alertam para a dificuldade de cultivar ou aumentar a produtividade do tomateiro sob tais condições e sugerem que uma das formas de reduzir os efeitos negativos da salinidade às plantas é através da lixiviação dos sais solúveis da zona radicular. Atualmente, há uma grande preocupação mundial com a degradação dos solos quanto à salinidade como resultado do excesso de sais resultantes da irrigação (SILVA et al., 2005; HOLANDA et al., 2010). Em decorrência disso, o uso de águas salinas sob cultivo convencional eleva o teor de sais solúveis que podem tornar, ao longo do tempo, solos não salinos em salinos, salino-sódicos e sódicos. Nestas condições, há o depauperamento físico do solo provocado pela dispersão das argilas com perdas do espaço poroso para circulação de ar, água e nutrientes; há também o aumento da resistência do solo à penetração das raízes, limitação da infiltração que se refletem na inibição do crescimento e perdas do rendimento das culturas (LEITE et al., 2007).

2

Os biofertilizantes têm sido utilizados em maior frequência como fitoprotetor no controle de pragas e doenças (GONÇALVES et al., 2004). Apesar desses insumos conforme Wu et al. (2005) e Rodolfo Júnior et al. (2008) não substituírem os fertilizantes convencionais, quando aplicados diretamente no solo, promovem a melhoria física em temos de aeração, infiltração de água e condutividade hidráulica no perfil (KUPPER et al., 2006; SHETEAWI e TAWFIK, 2007; MELLEK et al., 2010). Diante do exposto e da crescente população mundial, o que expressa exigência crescente de alimentos, há necessidade de adoção de tecnologias que possam reduzir os efeitos depressivos da salinidade do solo e da água às plantas. Nesse contexto, substâncias orgânicas como esterco de bovino e biofertilizante bovino na forma de fermentados microbianos (SOUSA et al., 2008; CAVALCANTE et al., 2010) têm sido utilizadas como atenuadores dos efeitos negativos da salinidade da água no crescimento de plantas como moringa (Moringa oleifera), milho e feijão (Zea mays, Phaseolus vulgaris) maracujazeiro amarelo (Passiflora edulis), mamoneira (Ricinus comunis) e goiabeira Paluma (Psidium guiava). Ao admitir a importância do gênero Licopersicon pimpinellifolium, a pouca frequência de informações científicas sobre o uso de águas salinas na agricultura sem elevados riscos ao solo e às plantas, trabalhos científicos nessa área devem ser estimulados. Diante do exposto, o objetivo do trabalho foi avaliar o uso de biofertilizantes como indicador de tolerância à salinidade pelo tomateiro cereja.

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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. Tomate-cereja considerações gerais

O tomateiro (Solanum lycopersicon) foi inicialmente domesticado na Europa, mas tem seu centro de origem na região dos Andes, onde, ainda hoje são encontradas numerosas espécies em sua forma primitiva, inclusive de tomate-cereja (Licopersicon pimpinellifolium), considerado por diversos autores como o ancestral mais próximo dos genótipos tradicionalmente plantados atualmente (RODRIGUES et al., 2008).

As plantas do tomateiro (inclui as plantas do grupo cereja) pertencem à família solanácea, são cosmopolitas e anuais, de porte ereto, com ramos herbáceos subescandescentes e muito ramificadas. As folhas são pinatissectas, pecioladas, comportam número impar de folíolos e possuem forma variada, com flores amarelas dispostas em cachos e possui sementes pilosas pequenas, envoltas por mucilagem quando presas nas paredes dos lóculos do fruto (FILGUEIRA, 2008). Os frutos do tomate-cereja são do tipo bagas carnosos e suculentos com coloração vermelha intensa e peso médio em torno de 25 g. Quanto a sua classificação,

o tomate cereja é considerado um grupo isolado quando considerado o formato do fruto,

pois, não se enquadra nas normas de classificação apenas pelas classes de tamanho, como o tomate convencional (FERNANDES, et al., 2007). Neste, por avaliar o tamanho ou calibre do fruto como parâmetro de classificação, tem seu tipo definido de acordo com o diâmetro longitudinal e transversal. Por ser uma cultura cosmopolita, o tomate é uma das hortaliças mais produzidas

e consumidas no mundo. No Brasil é considerada a segunda hortaliça de importância

econômica. Sua produção encontra-se em crescimento expressivo destacando-se híbridos de tomateiro dos grupos caqui e mini tomates, como o tipo cereja, que se destaca principalmente pelo sabor adocicado e tamanho reduzido do fruto com massa média variando entre 15 a 25 g (FILGUEIRA, 2008). Esse tipo, possui grande aceitação no mercado para utilização como adorno e aperitivo na culinária, além dos valores atrativos de mercado, tem interessado mais aos agricultores os quais difundiram muito seu cultivo em ambiente protegido principalmente na região Sudeste (GUSMÃO et al,

2006).

4

A técnica de cultivo em ambiente protegido propicia ao tomateiro um incremento na produção, podendo ser de 4 a 15 vezes superiores àquelas obtidas em campo (CARVALHO e TESSARIOLI NETO, 2005). Além disso, vários autores afirmam que sua produção tem sido realizada com boa lucratividade em ambiente protegido quando realizado o cultivo num sistema de rotação com outras culturas. Esse tipo de tomate é bastante consumido por apresentar diversas propriedades fitoquímicas, sendo a atividade antioxidante uma das mais destacadas (MAHAJAN e SINGH, 2006), além disso, é concentrado em nutrientes e possui grande quantidade de sólidos solúveis (SS). Raffo et al., (2002) constataram elevados teores de substancias antioxidantes, em especial o licopeno, no tomate cereja em comparação com outros genótipos. Devido o cultivo exigir elevado nível tecnológico e intensa utilização de mão de obra, o uso de produtos alternativos, como os biofertilizantes, também vem sendo utilizados com maior intensidade no Brasil, no qual, os principais pólos produtores são os Estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais, (GUSMÃO, et al., 2006). Quanto à salinidade, particularmente, o tomateiro-cereja é moderadamente sensível aos efeitos dos sais com águas de CE acima de 2,55 d S m -1 (AYERS e WESTCOT, 1999). Dessa forma, a cultura não é capaz de realizar o ajuste osmótico e pode sofrer com o decréscimo de turgor, caracterizando estresse hídrico por osmose. Esse comportamento ocorre de forma diferente nas plantas tolerantes que absorvem os sais e os acumulam no tecido foliar, especificamente nas glândulas de sal (TAIZ e ZEIGER, 2006), como forma de estabelecer um equilíbrio osmótico com o baixo potencial da água no solo (OLIVEIRA, et al., 2007). De acordo com Parra et al. (2007) em geral, os tipos de plantas mais produtivas sob cultivo convencional são também as mais afetadas com o aumento do nível de salinidade do solo ou da água.

2.2. Uso de água salina na agricultura

A salinidade é considerada um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e à produtividade agrícola, sobretudo nas áreas irrigadas localizadas em zonas áridas e semiáridas (MELO et al., 2008). Trata-se de um estresse ambiental severo, que limita radicalmente as funções metabólicas dos vegetais, a exemplo da seca

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fisiológica, sintomas de toxidez, redução da capacidade produtiva e outros distúrbios graves (AHMAD e JABEEN, 2005). É difícil afirmar com exatidão a real área afetada pela salinização no mundo atualmente, pois, são controvérsias as informações a respeito. De acordo com FAO (2007), mais de 900 milhões de hectares em todo o mundo, aprox. 20% do total das terras agrícolas, estão afetados por sais, o que representa mais de 6% da área terrestre do mundo (ZHANG et al., 2010). No Brasil as áreas salinas concentram-se na sua maior parte na região Nordeste, principalmente nos perímetros irrigados, nos quais juntos, somam mais de 57% da área total da região semiárida (HOLANDA et al., 2007). Nessas regiões, em que normalmente as águas das chuvas são mal distribuídas, e onde frequentemente a taxa evaporativa supera a precipitação pluviométrica, a prática da irrigação torna-se uma necessidade cada vez mais exigida. Porém, Lacerda et al. (2009) descrevem que o grande problema com a água utilizada nesses locais, é o perigo de salinização em função do transporte dos sais a partir de fontes salinas associado ao manejo inadequado da irrigação e à deficiência de drenagem. Não obstante, todas as águas de irrigação contêm naturalmente sais dissolvidos, os quais são representados principalmente pelas espécies de catiôns: Na + , Ca +2 , Mg +2 e K + e aniôns: Cl - , SO 4 -2 , HCO 3 - , CO 3 -2 , BO 3 -3 e NO -3 (FERERES e SORIANO, 2007; GHEYI, et al., 2010). Estudos têm comprovado, em especial para o semiárido nordestino, que as águas normalmente utilizadas na irrigação se apresentam, em sua grande maioria, com concentrações salinas potencialmente capazes de acelerar os problemas relacionados à salinidade e à sodicidade dos solos, assim, reduzindo sobremaneira a produção agrícola nas áreas irrigadas (OLIVEIRA, et al., 2007). Segundo Leite (2005) nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, mais de 25% das terras irrigadas apresentaram declínio de rendimento promovido pela salinidade, dos quais, maior parte oriunda da água de irrigação. Para avaliar qualidade físico-química das águas utilizadas no Perímetro Irrigado de Cachoeira II, Pernambuco, Fernandes et al. (2009), concluíram que há predominância de águas cloretadas sódicas, independentemente do nível de salinidade, dos locais e das fontes de origem. As águas utilizadas para irrigação apresentaram risco crescente de salinização e sodificação por conterem elevados níveis de Na + e Cl - . Lopes et al. (2008) observaram o impacto da irrigação sobre os solos de perímetros irrigados

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na Bacia do Acaraú, estado do Ceará, e concluíram que houve incremento dos valores de CEes da área irrigada na ordem de 250% em relação à mata nativa.

2.3. Água salina no solo

As principais formas de salinização dos solos que ocorrem naturalmente são a água das chuvas que contém pequenas quantidades de sais, mas que ao longo do tempo, se depositam no perfil do solo; o intemperismo dos minerais primários das rochas, através de processos de hidrólise, hidratação, oxidação e carbonatação, bem como, a ascensão capilar de água salina do lençol subterrâneo para a superfície do solo; invasão da água salgada que deposita seus sais em terrenos atingidos, onde, normalmente ocorre em regiões costeiras e acumulação de sais provenientes de áreas circunvizinhas, por escoamento superficial e drenagem lateral (RENGASAMY, 2006; GHEYI, et al., 2010). O emprego de água de irrigação de má qualidade, também é um importante fator responsável por inserir sais no solo. O uso desse mecanismo, associado a um manejo inapropriado das áreas agrícolas, exerce fortemente ação deletéria na estrutura física do solo pela ação de alguns íons específicos presentes na solução do solo (RICHARDS, 1954). Nessas condições, maior será o grau de depauperamento de determinado solo quanto menos arenoso for, embora exista uma série de fatores envolvidos que influenciam diretamente nesse processo, no entanto, de acordo com Thompson e Walworth (2006), o risco de formar solos salinos é sempre menor nos de textura mais leve, isso ocorre porque os solos arenosos têm naturalmente uma rede de poros com maior diâmetro que permitem uma drenagem mais eficiente. Os perigos de sodificação das terrras irrigadas são, em geral, mais agressivos que os de salinidade, pois, essa maior agressividade resulta na perda dos atributos fisicos do solo (LEITE et al., 2010), isto é, quando há ocorrência do Na + trocável em excesso no complexo sortivo, há a indução da dispersão das argilas formando uma camada de impedimento e dificultando os processos naturais, como circulação do ar e da solução do solo, com reflexos negativos na absorção dos nutrientes pelas raízes (LEITE et al., 2005; ALMEIDA NETO, et al.; 2009). Outros sais solúveis de cálcio, magnésio, potássio, ferro, boro, sulfato, carbonato e bicarbonato também ocorrem e exercem complicações específicas, mas entre os diversos tipos de sais presentes na solução, o NaCl é quantitativamente o mais

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expressivo em muitos solos salinos (RENGASAMY, 2006). Conforme esquematizado na Figura 1 se percebe como se dá o movimento desses elementos através das camadas no perfil do solo e na zona radicular das plantas. Esse movimento transitório varia de acordo com a profundidade do solo.

transitório varia de acordo com a profundidade do solo. Figura 1 : Movimento dos sais solúveis

Figura 1: Movimento dos sais solúveis nas camadas do solo. Rengasamy (2006)

Ao considerar que a região do Nordeste brasileiro possui, em virtude de suas condições agroclimáticas, exceto pluviosidade, potencial para fruticultura irrigada, e que existe uma crescente demanda por alimentos em função do aumento populacional e das alterações climáticas que afetam os sistemas agroecológicos, isso, tem estimulado os cultivos agrícolas e exigido consequentemente cada vez mais o uso de água na agricultura. Entretanto, neste caso, se insere a possibilidade de salinização dos solos com a irrigação. Daí então é coerente incrementar estudos nessas áreas com a finalidade de prevenção, uma vez que segundo CAVALCANTE (2000), recuperar solos afetados por sais constitui uma prática que apesar de tecnicamente viável, em geral, é cronologicamente lenta e economicamente dispendiosa.

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2.4. Água salina nas plantas

Nas plantas, a água com teores elevados de sais podem exercer efeitos indesejáveis tanto durante a fase de germinação como nas fases de pós-germinação. Quando presentes na solução do solo em quantidades desproporcionais inibem o crescimento vegetativo em função da redução do potencial osmótico ou por efeitos tóxicos dos íons de sódio e cloreto (SOLTANI et al.; 2006). Como consequência, há uma redução na capacidade da planta em absorver água e nutrientes, e isso leva a um crescimento mais lento (MUNNS et al.; 2006). Além disso, os efeitos depressivos são permanentes durante todo o ciclo vegetativo da cultura (CAVALCANTE et al.; 2005), embora, a situação seja reversível quando ocorrer posteriormente a lixiviação dos sais (QU et al., 2008). Durante a fase de germinação, os efeitos da exposição prolongada das sementes

à salinidade, são um dos principais fatores que comprometem os processos fisiológicos,

em que, nos referidos ambientes, a resposta das sementes durante a germinação depende dos níveis de salinidade (ESPINAR et al., 2005), ou seja, tanto menor é a resposta quanto maior for o nível salino do substrato. Mesmo plantas halófitas, que particularmente são organismos adaptados às condições salinas, demonstram em seu estádio de germinação e de plântula, certa sensibilidade aos sais (DEBEZ et al., 2004). Resultados indicaram, conforme os autores supracitados, que o tempo de germinação de Cakile marítima, planta halófita, foi aumentado de 2 dias em água pura para 2,7 e 2,9 dias em solução com 50 e 100 mM de NaCl, respectivamente. Segundo Munns et. al. (2006), as reações negativas das plantas ocorrem devido à entrada dos íons deletérios no fluido durante o fluxo de transpiração, e assim, acabará por lesionar células pelo acúmulo desses elementos no interior do protoplasma. Como resposta, há a manifestação dos mais diversos tipos de distúrbios, entre eles, a ação

antagônica do sódio a outros cátions, no qual, desloca da membrana celular o cálcio e o potássio, elementos importantes para manter a integridade da membrana e a seletividade durante a troca iônica (OTTOW et al., 2005); o fechamento dos estômatos, que restringe

a assimilação de CO 2 , água e nutrientes via adubação foliar e a senescência dos tecidos das folhas adultas que também reduz a produção de fotoassimilados (LACERDA et al., 2003; CAMPOS e CAVALCANTE, 2009).

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Isso ocorre porque ao atingir os sítios celulares, os sais passam a inibir eventos bioquímicos importantes como a fotofosforilação, a cadeia respiratória, a assimilação de nitrogênio e o metabolismo das proteínas, assim como, afetam a maioria das enzimas envolvidas nesses processos (MUNNS, 2002; TAIZ e ZEIGER, 2006). Contudo, Macêdo, et al. (2005) destacam que a resposta das culturas às condições de salinidade não está relacionadas tão somente ao fator salinidade, mas há também, a expressão de

vários genes, e cada espécie apresenta um grau de tolerância ao sal que depende da concentração e da natureza dos sais dissolvidos, de fatores climáticos, absorção de água

e situação nutricional das plantas. De modo geral, a redução na produtividade das culturas em regiões afetadas pela salinidade pode ser diretamente relacionada aos efeitos salinos e aos problemas de toxidez de alguns íons específicos como o, cloro, o sódio e o boro (MANTOVANI et al., 2006). Além disso, mesmo quando há baixos teores desses íons, porém, quando aliado a níveis excessivos de salinidade no solo seguido de altas temperaturas, também se tornam agentes depreciativos (AYERS e WESTCOT, 1999). Nessas situações desfavoráveis, segundo Cavalcante et al. (2002) na maioria dos casos, não há espaço com condições químicas, físicas e biológicas suficiente para o desenvolvimento do sistema radicular.

2.5. Classificação da água de irrigação

Para a agricultura, a água utilizada apresenta alguns padrões de qualidade que a dispõe em classes distintas. A Universidade da Califórnia (University of Califórnia Committee Consultants UCCC), Estados Unidos, em trabalho coordenado por Richards (1954) propôs o método de classificação qualitativa, estabelecido em função da condutividade elétrica (CE) e da relação de adsorção de sódio (RAS), e baseado em

restrições que podem comprometer a boa condução de uma cultura (MANTOVANI et al., 2006). As águas de irrigação são assim, divididas em quatro classes, em que as C e

S representam a salinidade e sodicidade nessa ordem, e os números de 1 a 4 o grau de salinidade e sodicidade respectivamente conforme indicam as Tabelas 1 e 2.

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Tabela 1. Classificação da água de acordo com CE e RAS

Perigo de salinização

Descrição

C 1 - água com salinidade baixa

Pode ser usada para irrigação da maioria das culturas e na maioria dos solos, com pouca probabilidade de ocasionar salinidade.

C 2 - água com salinidade média

Pode ser usada sempre que houver um grau moderado de lixiviação. Plantas com moderada tolerância aos sais podem ser cultivadas, na maioria dos casos, sem práticas especiais de controle da salinidade.

C 3 - água com salinidade alta

Não pode ser usada em solos com deficiência de drenagem. Mesmo nos solos com drenagem adequada, pode-se necessitar de práticas especiais para o controle da salinidade. Pode ser usada somente para irrigação de plantas com boa tolerância aos sais.

C 4 - água com salinidade muito alta

Não é apropriada para irrigação sob condições normais, porém, pode ser usada ocasionalmente em circunstancias muito especiais. Os solos devem ser permeáveis e a drenagem adequada.

Perigo de sodificação

S1 - água com baixa concentração de sódio

Pode ser usada para irrigação, em quase todos os solos, com pequena possibilidade de alcançar níveis perigosos de sódio trocável.

S2 - água com concentração média de sódio

Só pode ser usada em solos de textura grossa ou em solos orgânicos com boa permeabilidade. Ela apresenta um perigo de sodificação considerável, em solos de textura fina, com alta capacidade de troca catiônica, especialmente sob baixa condição de lixiviação, a menos que haja gesso no solo.

S3 - água com alta concentração de sódio

Pode produzir níveis maléficos de sódio trocável, na maioria dos solos, e requer práticas especiais de manejo do solo, boa drenagem, alta lixiviação e adição de matéria orgânica. Pode requerer o uso de corretivos químicos para substituir o sódio trocável.

S4 - água com concentração de sódio muito alta

É geralmente imprópria para irrigação, exceto quando sua salinidade for baixa ou, em alguns casos, média.

Fonte: Adaptado de Irrigação: Princípios e Métodos (MANTOVANI et al., 2006; GHEYI et al., 2010).

11

Tabela 2. Classificação da água de irrigação proposta por Richard (1954) de acordo com a CE e com a RAS

Classe

Perigo de Salinização (dS m -1 )

Tipo

Perigo de Sodificação (mmolc L -1 )

Tipo

C 1 S C 1 S C 1 S C 1 S

1

Até 8 8 16

 

S

1

2

S

2

3

0,10 0,25

C 1

16

23

S

3

4

> 23

S

4

C

2

S

1

Até 6

 

S

1

C

2

S

2

6

13

S

2

C

2

S

3

0,25 0,75

C 2

13

19

 

S

3

C

2

S

4

> 19

S

4

C

3 S

1

Até 4

 

S

1

C

3 S

2

4

9

S

2

C

3 S

3

0,75 2,25

C 3

9

- 14

S

3

C

3 S

4

> 14

 

S

4

C

4

S

1

Até 4

 

S

1

C

4

S

2

4

7

S

2

C

4

S

3

> 2,25

C 4

7

12

S

3

C

4

S

4

> 12

 

S

4

Fonte: Irrigação: Princípios e Métodos (Mantovani et al., 2006).

Também Ayers e Westcot (1999) propuseram um modelo de classificação da

água de irrigação baseado nos parâmetros salinidade, infiltração, toxicidade e fatores

diversos como o excesso de nitrogênio, bicarbonato, magnésio e pH anormal

(BERNARDO et al., 2006). A tabela 3 mostra alguns componentes da salinidade que

provocam toxidez às plantas.

12

Tabela 3. Classificação da água de irrigação proposta por Ayers e Westcot (1999)

VARIÁVEL

GRAU DE RESTRIÇÃO AO USO

 

Nenhuma

Moderada

Severa

Salinidade

CEa (dS m -1 ) Cs (mg L -1 ) Infiltração da água no solo RAS (mmolc L -1 )

< 0,7

0,7 a 3,0 450 a 2000

> 3

< 450

> 2000

-----------------------CEa (dS m -1 )------------------------

0

a 3

> 0,7

0,7 a 0,2

< 0,2

3

a 6

> 1,2

1,2 a 0,3

< 0,3

6

a 12

> 1,9

1,9 a 0,5

< 0,5

12

a 20

> 2,9

2,9 a 1,3

< 1,3

20

a 40

> 5,0

0,7 a 2,9

< 2,9

Toxidez específica

Sódio

-----------------------mmolc L -1 ---------------------------------

a) Irrigação por superfície

< 3

3 9

> 9

b) Irrigação por aspersão

< 3

> 3

Cloreto

a) Irrigação por superfície

< 4

4 10

b) Irrigação por aspersão

< 3

> 3

Bicarbonato

<1,5

1,5 8,5

> 8,5

-------------------------mg L -1 ----------------------------------

Boro

< 0,7

0,7 0,3

> 3

Nitrogênio (NO 3 - - N)

< 0,5

5 30

> 30

pH

Faixa normal: 6,5 8,4

Fonte: Ayers e Westcot (1999). CEa condutividade Elétrica da água; Cs Concentração de sais dissolvidos; RAS Relação de Adsorção de Sódio.

Existe também, além dos modelos para classificação da água, o uso de

indicadores de qualidade. Trata-se de uma medida bastante recomendada para

determinar as propriedades da água a ser utilizada na irrigação, pois, permite

acompanhar e monitorar seus parâmetros físicos, químicos e biológicos ao longo do

tempo (LUMB et al., 2006), sendo necessário estabelecer um sistema de monitoramento

e a utilização de métodos que produzem informações objetivas e interpretáveis. Um dos

métodos usados na formulação de índices de qualidade de água baseia-se na técnica

multivariada da análise fatorial, porém, o índice estabelecido em determinado local não

deve ser utilizado para acompanhamento em outras áreas, uma vez que, cada corpo

d’água possui suas características qualitativas próprias (TOLEDO e NICOLELLA,

2002).

13

Meireles et al. (2010) utilizando a análise da componente principal do fator multivariada na avaliação da qualidade da água para estabelecer um índice de qualidade (IQA) da bacia do Acaraú CE, no qual refletisse os riscos de salinidade e sodicidade no solo, bem como, a toxicidade por íons específicos às plantas, concluíram a partir do IQA que as águas utilizadas para irrigação são potencialmente propensas a causar problemas de sodicidade e toxicidade ao longo do tempo.

2.6. Uso de biofertilizantes na agricultura

Os conceitos atuais de agricultura sustentável, no qual, a preservação ambiental torna-se uma das prioridades mundiais, tem obrigado a busca por novas tecnologias para produção de alimentos de forma limpa e sem agredir o meio ambiente. Os insumos naturais, como os biofertilizantes, surgem como uma alternativa para uso agrícola e preenchem as exigências na esfera ambiental. Por isso, tem sido muito requerido por agricultores que normalmente o utilizam em sistemas de cultivo orgânico, pois além de ser um fornecedor de nutrientes em termos qualitativos, melhora as propriedades físico- químicas do solo, e atua no controle fitossanitário (WU et al., 2005; GONÇALVES et al., 2004). As descrições a respeito dos biofertilizantes são muito generalizadas, seu exato significado ainda não está bem definido. Muitos autores utilizam de diferentes idéias para expressarem o sentido dos biofertilizantes, como Araújo (2007) que o define como sendo compostos biologicamente ativos, produzidos em biodigestores por meio de compostagem aeróbica e anaeróbica da matéria orgânica. Para Chen (2006), biofertilizante é uma substância que contém micro-organismos vivos capazes de ajudar efetivamente na expansão do sistema radicular e germinação de sementes. Já Bucher e Reis (2008), biofertilizante é o produto que contém princípios ativos, isentos de substancias tóxicas, por sua vez capaz de atuar direta ou indiretamente sobre toda ou parte das plantas cultivadas elevando sua produtividade. Em termos gerais, biofertilizantes são substancias de alto valor nutritivo para as plantas, em que, ao serem aplicados nas culturas atuam como fonte suplementar de nutrientes. Sua ação pode também contribuir para o aumento da resistência natural das plantas às pragas e patógenos, devido à ação direta de substâncias tóxicas presente nas caudas (DELEITO et al., 2005), bem como, na melhoria das condições físicas, químicas

14

e microbiológica dos solos. Das fontes de matéria orgânica utilizada na confecção de

biofertilizantes, o esterco bovino ou de curral, é considerado um dos produtos com

maior potencialidade para produção (ARAUJO, 2007).

Os teores de nutrientes essenciais e de sódio em biofertilizantes bovino estão

contidos na Tabela 4, onde, conforme Pereira Júnior et al. (2010) a composição dos

biofertilizantes, principalmente em micronutrientes é bastante heterogênea, basta

considerar as condições de fabricação do produto, como a variação da biomassa

utilizada, alimentação dos animais, período de fermentação.

Tabela 4. Composição em macro e micronutrientes e de sódio na matéria seca em

biofertilizante bovino comum apresentado por diferentes autores

Autores

Componentes

Araújo

Silveira

Sousa et al.

CAMPOS et al.

(2007)

(2007)

(2008)

(2008)

Macronutrientes

---------------------------------------g kg -1 ------------------------------------------

N

0,76

0,74

0,98

1,02

P

0,05

0,23

0,43

0,41

K

2,7

0,01

0,49

0,70

Ca

0,21

0,18

0,31

0,39

Mg

0,13

0,21

0,73

0,69

S

0,08

0,44

1,29

1,53

Micronutrientes

---------------------------------------mg kg -1 ---------------------------------------

B

7,18

6,0

3,0

4,0

Cu

4,4

4,0

3,0

6,0

Fe

44,0

39,0

65,0

77,0

Mn

14,9

58,0

51,0

10,0

Zn

6,0

6,0

4,0

16,0

Na*

758,8

368,0

339,0

811,0

pH

7,30

6,40

6,80

6,70

CE (dSm -1 )

2,8

2,67

2,10

2,10

Fonte: Pereira Júnior et al. (2010). *Elemento não essencial às plantas;

Em contrapartida aos biofertilizantes, o uso de fertilizantes apesar de

ocasionar um substancial incremento de produtividade das culturas, seu uso

indiscriminado tem provocado elevada poluição ambiental, favorecido principalmente

durante a revolução verde nas décadas de 60 e 70 (BUCHER e REIS, 2008). Martin

Neto et al. (2007) citam que os fertilizantes nitrogenados são elementos causadores de

danos em potencial ao meio ambiente por provocarem eutrofização das águas, citam

15

ainda, os cinco grupos de degradação reconhecidos pela FAO: erosão pela água; erosão pelo vento; degradação química, física, biológica e salinização. No caso dos solos prejudicados pelos efeitos da salinização, estes, se apresentam com teores de sais solúveis em quantidade tal que reduzem ou interferem no desenvolvimento vegetativo e na produção das culturas consequentemente. Cavalcante et al. (2002) relatam que toda e qualquer planta sensível aos efeitos salinos apresenta perda potencial do seu rendimento quando a concentração de sais do substrato indicar condutividade elétrica superior a 1,3 dS m -1 . Além disso, em áreas irrigadas onde os efeitos da temperatura são favoráveis à salinização, há com maior frequência ocorrências na queda de produtividade das culturas (MANTOVANI et al., 2006), devido à permanência dos sais no solo após a evaporação da água ocasionando danos às plantas (AYERS e WESTCOT, 1999). Em geral, no semiárido do nordeste brasileiro, os solos apresentam-se com maior tendência para salinização provocada pela água de irrigação ou precipitação pluviométrica, já que a região possui altos valores de temperatura em virtude da radiação solar excessiva aliado a uma distribuição irregular das chuvas ao longo do ano (SILVA et al., 2011). Segundo estimativas, aproximadamente 57% das áreas irrigadas dos projetos públicos no semiárido nordestino apresentam problemas de salinização (HOLANDA et al., 2007) dos quais algumas dessas áreas já não produzem mais (CODEVASF, 2009). Dessa forma, a utilização de biofertilizantes na forma líquida, surge como uma alternativa para atenuar os efeitos prejudiciais da salinidade no solo. Como já descrito, são compostos potencialmente reguladores das propriedades do solo, uma vez que agem como fonte de energia para microbiota, melhora a estrutura, o arejamento, a umidade e aumenta a CTC do solo, além disso, são promotores de substâncias hormonais que estimulam o crescimento do sistema radicular (MALAVOLTA et al., 2002) e liberam substâncias húmicas que facilitam a absorção de nutrientes pelas plantas, além de estimular a proliferação e inserir micro-organismos fixadores no solo (MAHMOUD e MOHAMED, 2008). Embora a literatura especializada no assunto ainda seja escassa no Brasil, alguns trabalhos têm comprovado a redução dos efeitos depressivos da salinidade com o uso de biofertilizantes. Araújo et al. (2007) afirmam que o biofertilizante bovino, pode ser utilizado como alternativa para fertilização não-convencional na cultura do pimentão,

16

no qual atendeu a todas as exigências nutricionais da planta quando inclusive aplicado via foliar. Assim, é fato, portanto, que a adoção de biofertilizantes eleva os rendimentos das culturas, melhora as propriedades físico-químicas dos solos e pode controlar as pragas e doenças das plantas. Sendo então uma forma acessível para uso agrícola e de baixo ou nenhum impacto ambiental.

2.7. O biofertilizante e a Salinidade do Solo

Os biofertilizantes bovinos por serem uma fonte de compostos bioativos com bactérias, leveduras, algas e fungos, exercem ação positiva na nutrição, fitossanidade das plantas, estimulam a liberação de substâncias húmicas no solo e exercem ação positiva na redução dos efeitos da salinidade às plantas (MAHMOUD e MOHAMED, 2008). Substâncias húmicas conforme Baalousha et al. (2006) são associações de compostos macromoleculares, unidas por forças de interação fraca e que apesar da importância fundamental, sua conformação, agregação, tamanho e peso molecular, bem como, seus processos, nos quais são essenciais para compreender as reações físico- químicas no ambiente, ainda não são totalmente conhecidos. É provável que as substancias húmicas possam induzir a uma melhor regulação no ajustamento osmótico através da acumulação de solutos orgânicos nas células das plantas como os carboidratos solúveis, sacarose, aminoácidos livres, proteínas solúveis, além de outras substâncias vitais (MAHMOUD e MOHAMED, 2008). No solo, esse composto, também chamado de coloide, possui elevada superfície específica que confere alta reatividade física e química e faz com que a fração orgânica do solo, ainda que em baixos conteúdos, seja responsável por uma elevada porcentagem da CTC (DUENHAS, 2004). Além disso, exercem inúmeros efeitos nas funções das plantas e que alguns destes resultam, direta ou indiretamente, em uma regulação da absorção de íons (NARDI et al., 2002). Nesse sentido, resultados de Greenway e Munns (1980) e Baalousha et al. (2006) revelam que o acúmulo de solutos orgânicos mantém o potencial osmótico no tecido celular menor que o da solução externa. Nessa condição, conforme os autores, as plantas paulatinamente absorvem água e nutrientes em meios adversamente salinos.

17

3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Localização, Clima e Solo

O experimento foi realizado no período de outubro de 2009 a fevereiro de

2010, em abrigo telado do Departamento de Solos e Engenharia Rural da Universidade

Federal da Paraíba, na cidade de Areia, PB, com latitude 6 o 58’ S, longitude 35 o 41’ W e

altitude de 575 m (Figura 1). O clima local segundo a classificação de Köppen é do tipo

As’ (quente e úmido), com estação chuvosa no período de março a julho e precipitação

pluviométrica média anual de 1.200 mm. A temperatura média do ar é em torno de 23

o C, com valor mais alto no mês de fevereiro (25,7 o C) e mais baixo no mês de julho

(21,6 o C).

No período de realização do experimento, a temperatura mais elevada no interior

da casa de vegetação foi registrada no mês de janeiro, com valor médio em torno de

35,5 °C, e umidade relativa do ar máxima registrada no mesmo mês equivalente a 56%

(Figura 2).

60 50 40 temperatura (°C) 30 umidade (%) 20 10 0 out nov dez jan
60
50
40
temperatura (°C)
30
umidade (%)
20
10
0
out
nov
dez
jan
fev

Figura 2. Valores médios de temperatura e umidade relativa do ar local durante o período de realização do experimento.

Utilizou-se substrato originado de um Neossolo Regolitico não salino de textura

arenosa, não salino (SANTOS et al., 2006), que possui os atributos físicos e químicos

quanto à fertilidade e salinidade, obtido conforme as metodologias sugeridas por

18

Tabela 5. Caracterização física e química do solo quanto à fertilidade e salinidade na camada de 0-20 cm

Atributos

Atributos da

 

Atributos da

físicos

Valor

fertilidade

Valor

salinidade

Valor

Ds (g cm -3 ) Dp (g cm -3 ) Pt (m 3 m -3 ) Areia (g kg -1 ) Silte (g kg -1 ) Argila (g kg -1 ) Ada (g kg -1 ) GF (%) ID (%) U cc (g kg -1 ) U pmp (g kg -1 ) Ad (g kg -1 )

1,54

pH em água (1: 2,5) MO (g Kg -1 ) P (mg dm -3 )

6,59

CEes ( dS m -1 ) pH Ca 2+ (mmol c L -1 ) Mg 2+ (mmol c L -1 ) Na + (mmol c L -1 ) K + (mmol c L -1 ) Cl - (mmol c L -1 ) CO 3 2- (mmol c L -1 ) HCO 3 - (mmol c L -1 ) SO 4 2- (mmol c L -1 ) RAS (mmol L -1 ) 1/2 PST (%)

0,79

2,66

11,31

6,71

0,42

25,41

1,92

858

K + (mg dm -3 ) Ca +2 (cmol c dm -3 ) Mg +2 (cmol c dm -3 ) Na + ( cmol c dm -3 )

115

1,21

59

1,82

3,46

83

0,49

1,08

13

0,21

5,17

84,34

H + + Al +3 (cmol c

dm -3 )

1,16

-

15,66

Al +3 (cmol c dm -3 )

0,00

1,51

10,84

SB (cmol c dm -3 ) CTC (cmol c dm -3 ) V (%)

2,81

0,98

4,54

3,97

2,75

5,30

70,78

5,28

Ds = Densidade do solo; Dp = Densidade de partícula; Pt = Porosidade total; Ada = Argila dispersa em

= respectivamente umidade do solo às

tensões de 0,01 e -1,5 Mpa; Ad = Águas disponível; MO = Matéria orgânica; SB = Soma de bases (Na + + K + + Ca 2+ + Mg 2+ ); CTC = Capacidade de troca catiônica = SB + (H + + Al 3+ ); V = Valor de saturação por bases (100 x SB/CTC); CEes = Condutividade elétrica do extrato de saturação; RAS = Relação de adsorção de sódio = Na + x [(Ca 2+ + Mg 2+ )/2] -1/2 ; PST = Percentagem de sódio trocável (100 x Na + / CTC)

água; GF= Grau de floculação; ID= Índice de dispersão; U cc e U

pmp

3.2.

Delineamento Experimental

Os tratamentos foram arranjados em delineamento inteiramente casualizado,

com seis repetições, usando o esquema fatorial 5 x 3, referente aos valores de salinidade

da água de irrigação: 0,5; 1,0; 2,0; 3,0 e 4,0 dS m -1 , no solo sem biofertilizante e com

dois tipos de biofertilizantes: enriquecido, no qual foram adicionados no momento do

seu preparo, gesso agrícola, leite e melaço e biofertilizante comum, este, caracteriza-se

por não haver compostos adicionais. Cada tipo de biofertilizante foi diluído em água na

razão de 1:1, aplicados uma única vez, dois dias antes da semeadura, em volume

correspondente a 10% do volume do substrato. Cada unidade experimental constou de

3,5 L do solo, utilizado como substrato sem adição de fertilizantes químicos e sem

calagem, acondicionados em bolsas de polietileno preto, com drenos feitos

longitudinalmente e na base inferior.

19

3.2. Preparo das águas salinas e dos biofertilizantes

O nível de condutividade elétrica de cada tipo de água foi obtido através da

diluição de uma água de barragem fortemente salina (CE 14,6 dS m -1 ) em água não

salina de condutividade elétrica 0,5 dS m -1 , ajustando a condutividade elétrica

desejada.

O

biofertilizante bovino comum foi obtido pela fermentação anaeróbica de uma

mistura de partes iguais de água não salina e não clorada (CEa = 0,5 dS m -1 ) com

esterco fresco de vacas em lactação (100 L água + 100 L de esterco fresco), durante 30

dias (SANTOS, 1992). O biofertilizante enriquecido quimicamente foi preparado com

as mesmas quantidades de água e esterco fresco do biofertilizante comum acrescido de

4 L de melaço, 8 L de leite bovino e 4 kg de gesso agrícola, fornecidos semanalmente

nos valores de 1:2:1. Para a manutenção de cada sistema hermeticamente fechado, foi

conectado uma extremidades de uma mangueira de 4 mm de diâmetro na base superior

do biodigestor e a outra imersa em um recipiente com água. O gesso continha 68% de

solubilidade em água, 21% de umidade, 26% de CaO e 14 a 17% de S (LEITE et al.,

2010); 100% de suas partículas passaram em peneiras com 2 mm, 70% em peneiras com

diâmetro de 0,84 mm e 50% em peneira com diâmetro de 0,30 mm.

A composição química das águas para irrigação e dos biofertilizantes na forma

líquida (Tabela 6) foi obtida pelas metodologias sugeridas por Richards (1954). E a

classificação de cada nível da água quanto ao risco de salinização do solo, foi

estabelecido de acordo com os critérios adotados por Richards (2954) e Ayers e Westcot

(1999) (Tabela 7).

Tabela 6. Caracterização de água de irrigação, do biofertilizante comum e enriquecido com leite, melaço e gesso agrícola

Biofertilizante

Componentes

Água

 

Comum

Enriquecido

CE (dS m -1 ) RAS (mmol L -1 ) 1/2

0,50

3,41

6,16

2,65

1,53

2,19

Ca +2 (mmol c

L -1

)

1,23

10,29

22,62

Mg +2 (mmol c L -1 ) Na +2 (mmol c L -1 ) K + (mmol c L -1 )

0,75

7,53

10,55

2,64

4,56

8,95

0,13

11,59

20,98

Cl - (mmol c

L

-1 )

3,84

24,08

32,88

HCO - 3 (mmol c L -1 ) CO -2 3 (mmol c L -1 ) SO -2 4 (mmol c L -1 )

0,32

5,08

9,19

0,00

0,00

0,00

0,82

4,97

18,48

Classificação

C 1 S 1

C 4 S 1

C 4 S 1

CE = condutividade elétrica; RAS = Relação de adsorção de sódio = Na + x [(Ca +2 + Mg +2 )/2)] -1/2

20

Tabela

7.

Classificação

de

(RICHARDS, 1954; AYERS e WESTCOT, 1999).

da

água

irrigação

quanto

ao

risco

de

salinidade

Richards (1954)

Ayers e Westcot (1999)

CEai (dS m -1 )

------------------------------------

--------------------------------

Classe de

Risco de

Problema de

 

salinidade

salinidade

salinidade

0,5

C2

Baixo

Nenhum

1,0

C2

Médio

Moderado

2,0

C3

Alto

Moderado

3,0

C4

Muito Alto

Moderado

4,0

C4

Muito Alto

Severo

3.3. Semeadura e Condução do Experimento

Em cada unidade experimental foram semeadas 10 sementes de tomate-cereja

(L. pimpinellifolium) com viabilidade de 91%. Aos 15 dias após a emergência, foi

realizado o desbaste das plântulas mantendo-se a mais vigorosa e a irrigação com cada

tipo de água feita diariamente em volume estabelecido conforme a necessidade hídrica

da cultura.

Após a semeadura foi feito o monitoramento para registro da primeira contagem

das plântulas emersas e realizadas contagens diárias até o final da emergência para

avaliação do índice de velocidade de emergência das plantas (IVE) pela expressão de

Nakagawa (1994) em que o

plantas (IVE) pela expressão de Nakagawa (1994) em que o , onde: E1 = número de

, onde:

E1 = número de plântulas emersas na primeira contagem;

E2 = número de plântulas emersas na segunda contagem;

Em = número de plântulas emersas na última contagem;

N1 = número de dias da semeadura a primeira contagem;

N2 = número de dias da semeadura a segunda contagem; e

Nn = número de dias da semeadura à última contagem.

3.4. Variáveis Estudadas

No final do experimento, aos 95 dias após a emergência (DAE), foram avaliadas

as seguintes variáveis: índice de velocidade de emergência; crescimento em altura da

parte aérea e comprimento de raiz, medidos com régua milimetrada; área foliar e

21

radicular por meio de fotografia digital utilizando o programa computacional Sigma Scan Pro v. 5.0, número de folhas, biomassa seca de raiz (MSR) e da parte aérea (MSPA), após seca em estufa com ventilação forçada a 65 °C por 72 horas, foi medido a massa com balança digital de precisão; diâmetro do caule e da raiz principal utilizando um paquímetro digital. Amostras de solo foram coletadas na profundidade de 0 a 20 cm para avaliação da condutividade elétrica do extrato de saturação (CEes) e pH. A determinação da proteína total foi feita pelo produto do valor de nitrogênio obtido pelo método de Kjeldahl total (NKT) pelo fator de conversão 6,25. O termo do nitrogênio de Kjeldahl total refere-se à combinação da amônia e do nitrogênio orgânico da massa seca (COTTA et al., 2007). Nesse procedimento, amostras da massa seca foram digeridas e analisadas para amônia-nitrogênio. Para o cálculo do teor protéico, assume-se que aproximadamente 16% da proteína total correspondem ao nitrogênio:

16 g N---------------------100 g Proteína 1 g N ----------------------X g X = 6,25

3.5. Avaliação Estatística

Os resultados foram submetidos à análise de variância pelo teste F, as médias dos biofertilizantes pelo Tukey (0,05) e os níveis de salinidade da água pela análise Regressão Polinomial. Para o processamento dos dados foi utilizado o software SAEG.

22

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O aumento na concentração salina das águas elevou a salinidade do solo

independentemente da adição ou não dos biofertilizantes, mas com superioridade nos

tratamentos com o biofertilizante comum e enriquecido (Figura 3). Exceto no solo com

biofertilizante enriquecido, irrigado com águas de salinidade 0,5; 1,0 e 4,0 dS m -1 . A

ordem dos valores de condutividade elétrica do extrato de saturação foi: solo com

biofertilizante comum > solo com biofertilizante enriquecido > solo sem nenhum tipo

de insumo orgânico.

7 (—)ŷ = 1,77+ 0,03x + 0,25x 2 ** 6 R² = 0,96 5 (
7
(—)ŷ = 1,77+ 0,03x + 0,25x 2 **
6
R² = 0,96
5
(
)ŷ = - 0,17 + 1,86x - 0,13x 2 **
4
R² = 0,98
3
2
1
(--- )ŷ = 0,3 + 1,04x + 0,02x 2 **
R² = 0,99
0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
CEes (dS m -1 )

CEa (dS m -1 )

Figura 3. Condutividade elétrica do extrato de saturação do solo no final do experimento, em função da salinidade da água de irrigação, nos tratamentos

) e com

sem biofertilizante (---), com biofertilizante comum ( biofertilizante enriquecido ()

Nos tratamentos sem biofertilizante, a irrigação com águas de composição salina

de 0,5 a 4,0 dS m -1 elevou o caráter salino do solo que era de 0,79 dS m -1 , antes da

aplicação dos tratamentos (Tabela 5), para até 4,84 dS m -1 no final do experimento.

Esses resultados são aquém dos maiores valores obtidos no solo com biofertilizante

comum (5,19 dS m -1 ) e com o enriquecido (5,89 dS m -1 ). A superioridade constatada é

resposta da supremacia da condutividade elétrica do biofertilizante enriquecido (6,16 dS

m -1 ) e do biofertilizante comum (3,41 dS m -1 ), em relação aos 0,5 dS m -1 da água , como

indicado na Tabela 6. Comparativamente com a condutividade elétrica da água de

irrigação, os valores dos respectivos insumos correspondem a uma água de restrição

23

severa quanto ao risco de salinização do solo, isto é, com condutividade elétrica > 3 dS m -1 (AYERS e WESTCOT, 1999; TESSEROLI NETO, 2006).

A adição do gesso agrícola que é fonte de cálcio e sulfato, componentes dos

cátions e ânions estudados na salinidade da água de irrigação e do solo (HOLANDA et

al., 2010), juntamente com o leite e o melaço, elevou o caráter salino do biofertilizante enriquecido, mais do que com o biofertilizante bovino comum. Entretanto, a superioridade da salinidade do solo tratado como o biofertilizante enriquecido, não resultou em maior salinização do solo, quando comparado ao comum, exceto para irrigação com a água de maior salinidade (4 dS m -1 ).

O aumento da salinidade do solo, em função do teor salino das águas, pode ser

atribuído também à elevada temperatura do ar no local de execução do experimento que foi desenvolvido no período de alta demanda evaporativa, atingindo temperatura média, próximo de 31 °C no mês mais quente. A elevada temperatura promove evaporação e transpiração das plantas, resultando em maior acúmulo de sais no solo (CAVALCANTE e LIMA, 2006). Nessas condições, a cultura pode ter os processos fisiológicos comprometidos, refletindo em perdas de emergência e redução no crescimento das plantas (YURTSEVEN et al., 2005). Basta considerar que a tolerância das plantas à salinidade,

é avaliada pelos resultados da interação do contato raízes com o meio salino (MAAS e HOFFMANN, 1977), e que Segundo Ayers e Westcot (1999) o tomateiro-cereja é

moderadamente sensível aos efeitos dos sais quando irrigado com águas que ofereçam restrição moderada (CEa entre 0,7 e 3,0 d S m -1 ) ou severa (CEa > 3,0 dS m -1 ). Para Moterle et al. (2006) o estresse salino do solo compromete principalmente a germinação, porque reduz o potencial osmótico diminuindo a água disponível do solo às plantas.

A interação salinidade x biofertilizantes exerceu efeitos positivos na velocidade

de emergência (IVE) das plântulas. Pelos resultados, o aumento da salinidade das águas inibiu a emergência das plântulas, mas em menor proporção nos tratamentos com biofertilizante enriquecido. Ao comparar os resultados entre si, a ordem decrescente dos valores de plântulas normais emersas foi: solo com biofertilizante enriquecido > solo

sem biofertilizante > solo com biofertilizante comum, independentemente do nível salino das águas (Figura 4). Tendência semelhante foi registrada também por Sousa et al. (2008) que a adição do biofertilizante comum no solo sob irrigação com águas de salinidade

24

crescente, proporcionou acúmulo de sais no solo. Nunes et al. (2009), mostraram que

crescente aumento nos níveis salinos da água de irrigação em solo com biofertilizante

comum, resultou em diminuição no índice de velocidade de emergência em plântulas de

noni (Morinda citrifolia).

(—)ŷ= 26,01- 7,26x + 0,60x 2 ** 20,0 R² = 0,96 16,0 (---)ŷ= 22,70 -
(—)ŷ= 26,01- 7,26x + 0,60x 2 **
20,0
R² = 0,96
16,0
(---)ŷ= 22,70 - 7,75x + 0,70x 2 **
R² = 0,96
12,0
(
)ŷ = 10,98 - 3,37x + 0,28x 2 **
R² = 0,99
8,0
4,0
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
IVE

CEa (dS m -1 )

Figura 4. Índice de velocidade de emergência (IVE) nos tratamentos irrigados com águas salinas em solo sem biofertilizante (---), com biofertilizante comum

) e com biofertilizante enriquecido (), durante sete dias após a semeadura

(

A altura das plantas (Figura 5) foi inibida com o aumento dos níveis de

salinidade das águas de irrigação. Por outro lado, nos tratamentos com biofertilizante

enriquecido os dados superam aos do solo sem e com biofertilizante comum em todos

os níveis salinos das águas. Comparativamente, a 4,0 dS m- 1 , os valores foram: 7,27 cm

nas plantas dos tratamentos sem nenhum tipo de insumo orgânico, 35,96 cm para as

plantas com biofertilizante comum e 46,94 cm com o enriquecido, o que corresponde a

um ganho em altura da ordem de 395 e 545%, em relação aos tratamentos sem os

respectivos insumos.

As superioridades podem ser resultados da ação positiva dos biofertilizantes que

estimulam a liberação de substâncias húmicas em solos não salinos (CAVALCANTE et

al., 2007) e a proliferação de microorganismos no solo, aumentando o grau de

disponibilidade de nutrientes às plantas (RAJENDRAN e DEVARAJ, 2004).

25

Altura de plantas (cm)

50

40

30

20

10

0

R² = 0,99 ( ) ŷ = 50,34 - 12,03x + R² = 0,80 R²

R² = 0,99

(

)ŷ = 50,34 - 12,03x +

R² = 0,80

R² = 0,95

R² = 0,99 ( ) ŷ = 50,34 - 12,03x + R² = 0,80 R² =
R² = 0,99 ( ) ŷ = 50,34 - 12,03x + R² = 0,80 R² =

()ŷ = 42,66 + 2,20x - 0,28x 2 **

2,1519x 2 **

(---)ŷ = 20,50 - 7,90x + 1,12x 2 **

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

CEa (dS m -1 )

Figura 5. Altura das plantas de tomate cereja nos tratamentos irrigados com águas

) e

salinas em solo sem biofertilizante (---), com biofertilizante comum ( com biofertilizante enriquecido (), aos 95 DAE

Com base na Figura 6 o diâmetro do caule foi influenciado significativamente

pela interação salinidade da água x biofertilizante, expressando superioridade as plantas

dos solos que receberam biofertilizante enriquecido. Verifica-se que a ordem dos

valores, independentemente da condutividade elétrica das águas de irrigação, foi:

plantas dos tratamentos com biofertilizante enriquecido > com Biofertilizante comum >

sem biofertilizante. Pela inferioridade do diâmetro caulinar das plantas no solo sem

nenhum insumo orgânico, se constata ação positiva dos biofertilizantes, com

supremacia do enriquecido com gesso agrícola, leite e melaço, em mitigar os efeitos

deletérios da salinidade das águas ao crescimento do tomateiro-cereja.

O biofertilizante enriquecido estimulou o aumento do diâmetro das plantas até

6,86 mm na salinidade máxima estimada da água de 2,7 dS m -1 . Esse valor não difere

significativamente do valor médio de 5,84 mm nas plantas do solo tratado com

biofertilizante comum, mas difere estatisticamente do valor mínimo de 3,01 mm das

plantas irrigadas com água de 2,5 dS m -1 no solo sem nenhum dos insumos.

Percentualmente o biofertilizante enriquecido superou em 17,5 e 128% o crescimento

do diâmetro caulinar das plantas comparado ao biofertilizante comum e no solo sem

nenhum tipo de insumo orgânico.

26

(—)ŷ = 5,86 + 0,74x - 0,14x 2** 8 R 2 = 0,97 6 (
(—)ŷ = 5,86 + 0,74x - 0,14x 2**
8
R 2 = 0,97
6
(
)ŷ Média = 5,84
4
2
(--- )ŷ = 5,88- 2,30x + 0,46x 2**
R 2 = 0,97
0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
Diâmetro do caule (mm)

CEa (dS m -1 )

Figura 6. Diâmetro do caule de tomate cereja nos tratamentos irrigados com águas

) e

salinas, em solo sem biofertilizante (---), com bovino comum ( biofertilizante enriquecido (), aos 95 DAE

O comportamento dos dados está coerente com Cavalcante et al. (2010) ao

constatarem que o biofertilizante comum promoveu maior crescimento de mudas de

goiabeira (Psidium guajava) sob irrigação com águas salinas. Está em acordo também

com Collard et al. (2001) e Costa et al. (2005) que obtiveram respectivamente, um

incremento de 18 e 15% no diâmetro do caule em mudas de maracujazeiro em solo não

salino com biofertilizante e irrigado com água sem restrições aos sais, em relação às

plantas que não receberam o insumo.

O aumento dos níveis salinos das águas prejudicou a emissão de folhas pelas

plantas em todos os tratamentos analisados (Figura 7), o que mostra o efeito depreciador

dos sais nesta variável. Contudo, essas complicações foram atenuadas quando tratados

com biofertilizantes bovinos, onde, aumentaram em duas vezes em relação ao

tratamento sem biofertilizante no maior nível de salinidade (4,0 dS m -1 ). Nesse mesmo

nível, o insumo enriquecido superou em 13,27% o comum no número de folhas.

Leithya et al. (2009) também registraram número elevado de folhas em

Pelargonium graveolens, mas, decrescente com a aumento da salinidade mesmo na

presença de biofertilizante. De fato, as folhas são órgãos sensíveis, reduzem em

tamanho e número na presença de elevadas concentrações de sais (RENGASAMY,

2006). Mahmoud e Mohamed (2008) mencionam que os sais provocam a redução ou

inibição na taxa de divisão e expansão celular, bem como o encarquilhamento

ocasionando à morte das folhas.

27

Número de folhas

16

12

8

4

0

() ŷ = 15,55 - 2,47x + 0,35x 2 **

R 2 = 0,76 ( ) ŷ = 11,09 + 1,82x-0,52x 2 **
R 2 = 0,76
(
) ŷ = 11,09 + 1,82x-0,52x 2 **

R 2 = 0,73

R 2 = 0,76 ( ) ŷ = 11,09 + 1,82x-0,52x 2 ** R 2 =
R 2 = 0,76 ( ) ŷ = 11,09 + 1,82x-0,52x 2 ** R 2 =
R 2 = 0,76 ( ) ŷ = 11,09 + 1,82x-0,52x 2 ** R 2 =
R 2 = 0,76 ( ) ŷ = 11,09 + 1,82x-0,52x 2 ** R 2 =

(---) ŷ = 7,36 - 1,70x + 0,27x 2 **

R 2 = 0,89

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

CE (dS m -1 )

Figura 7. Número de folhas de tomate cereja irrigado com águas salinas, em solo sem

) e biofertilizante

biofertilizante (---), com biofertilizante comum ( enriquecido (), aos 95 DAE

Os níveis salinos não exerceram efeitos significativos sobre a área foliar das

plantas de tomateiro (Figura 8), apesar de terem inibido a emissão das folhas como

mostrado na Figura 7, na qual, comportamento semelhante a este foi registrado também

por Cavalcante et al. (2001) ao estudarem os efeitos do aumento da salinidade de

diferentes fontes salinas durante a formação de mudas de pinheira (Annona squamosa).

Ainda com relação à Figura 8, mostram-se os efeitos isolados dos biofertilizantes nos

quais são representados pelos valores médios para ausência e presença do insumo

comum e enriquecido: 81,96; 495,27 e 509,58 cm 2 respectivamente. As medias dos

tratamentos que receberam os biofertilizantes não diferiram entre si pelo teste Tukey

(5%), porém, apresentam superioridades ao tratamento testemunha (solo sem

biofertilizantes) de até 521% de diferença.

28

Área foliar (cm 2 )

600

450

300

150

0

495,27a

509,58a

81,96b
81,96b
81,96b
81,96b

81,96b

81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b
81,96b

SB

BC

BE

Biofertilizantes

Figura 8.

Área foliar de tomate cereja nos tratamentos irrigados com águas salinas, em solo sem biofertilizante (SB), com biofertilizante bovino comum (BC) e enriquecido (BE) aos 95 DAE

Os resultados do comprimento radicular (Figura 9), não se ajustaram a nenhum

modelo de regressão, mas constatam-se maiores medias nas plantas dos solos com

biofertilizantes em relação ao tratamento sem nenhum tipo de insumo, com: 34,9; 55,9 e

62,4 cm, respectivamente no solo sem, com biofertilizante comum. Ao relacionar os

dados, se constata superioridade de 60,2% do biofertilizante comum e 78,9% do

biofertilizante enriquecido sobre as plantas do solo sem nenhum tipo de insumo

orgânico.

O estímulo à produção de biomassa pode ser devido à melhoria física e química

promovida pelas substâncias húmicas liberadas pelos biofertilizantes no substrato

resultando em maior ajustamento osmótico (LIANG et al., 2005). Tal fato possibilita em

maior capacidade de exploração da zona radicular através das raízes. Isso é evidenciado

pelos crescentes valores de comprimento radicular com o aumento da idade das plantas.

Comparativamente, os valores de comprimento de raiz obtidos superam os 11,26 cm

apresentados por Amaral et al. (2006) referentes ao comprimento máximo de mudas de

tomateiro sob irrigação com água de boa qualidade.

29

Comprimento da raiz (cm)

75

60

45

30

15

0

62,38 a 55,90 a 34,92 b SB BC BE
62,38 a
55,90 a
34,92 b
SB
BC
BE

Biofertilizantes

Figura 9. Comprimento das raízes de tomate cereja nos tratamentos irrigados com águas salinas, em solo sem biofertilizante (SB), com bovino comum (BC) e biofertilizante enriquecido (BE) aos 95 DAE

O diâmetro da raiz, apresentado na Figura 10, foi beneficiado pelos

biofertilizantes comum e enriquecido, cujos valores máximos estimados obtidos foram

de 6,74 e 6,72 mm nos níveis de salinidade da água de 1,6 e 1,9 dS m -1 ,

respectivamente. No nível mais baixo de salinidade da água (0,5 dS m -1 ) os

biofertilizantes comum e enriquecido incrementaram o diâmetro da raiz em 72 e 74%

respectivamente, em relação ao tratamento controle. Enquanto que no maior nível salino

(4,0 dS m -1 ) essa diferença foi reduzida para 42,5% no solo com biofertilizante comum

e 47% com o biofertilizante enriquecido. Morales et al. (2001) relatam que nem todas as

partes da planta são igualmente afetadas pela salinidade, bem como, a adaptação ao

estresse salino varia entre espécies e em um mesmo genótipo pode variar entre estádios

fenológicos.

30

Diâmetro da raiz (mm)

8

6

4

2

0

(—)ŷ = 6,40 + 0,43x - 0,13x 2**

R 2 = 0,81 ( )ŷ = 5,66 + 1,09x - 0,28x 2**
R 2 = 0,81
(
)ŷ = 5,66 + 1,09x - 0,28x 2**

R 2 = 0,84

- 0,13x 2 * * R 2 = 0,81 ( )ŷ = 5,66 + 1,09x -
- 0,13x 2 * * R 2 = 0,81 ( )ŷ = 5,66 + 1,09x -

(--- )ŷ = 1,50 + 0,42x**

R 2 = 0,77

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

CEa (dS m -1 )

Figura 10. Diâmetro da raiz principal de tomate cereja nos tratamentos irrigados com

) e

águas salinas, em solo sem biofertilizante (---), com bovino comum (

biofertilizante enriquecido () aos 95 DAE

Quanto à área de raiz (Figura 11), os dados se ajustaram ao modelo quadrático

de regressão polinomial para biofertilizante enriquecido e linear decrescente para o

insumo comum e nas plantas do tratamento controle. O primeiro proporcionou aumento

de 71,8% no maior nível salino em relação ao segundo e até 1213,8% quando

comparado ao tratamento sem nenhum insumo.

Pelos resultados se observa que os biofertilizantes, em especial o enriquecido,

promoveu melhorias na área foliar e radicular das plantas mesmo sob concentrações

salinas nos tratamentos irrigados com águas de até 4,0 dS m -1 . Isto pode ser devido à

melhor utilização dos nutrientes no solo através da inoculação de microrganismos

eficientes pelos biofertilizantes que facilitam a absorção de N e P (TABRIZI et al.

(2008). De fato, eles promovem a absorção mais facilmente dos nutrientes pelas plantas

em comparação com as substâncias que o originaram (SANTOS, 2008). Além disso, em

particular, são mais efetivos em aumentar o crescimento das raízes de forma mais

aparente do que em outras partes das plantas (NARDI et al., 2002). Da mesma forma,

Campos e Cavalcante (2009) também verificaram influência positiva do biofertilizante

ao reduzir o efeito depreciador da salinidade da água sobre a cultura do pimentão

(Capsicum annuum L.).

31

400 (—) ŷ = 159,50 + 62,67x - 6,75x 2 ** R 2 = 0,84
400
(—) ŷ = 159,50 + 62,67x - 6,75x 2 **
R 2 = 0,84
300
200
(
) ŷ = 276,78 - 25,22x**
R 2 = 0,79
(---) ŷ = 66,80 - 12,59x + 0,41x 2 **
100
R 2 = 0,89
0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
Área de raiz (cm 2 )

CEa (dS m -1 )

Figura 11. Área de raízes de tomate cereja irrigado com águas salinas, em solo sem

) e biofertilizante

biofertilizante (---), com biofertilizante comum ( enriquecido (), aos 95 DAE

Na produção de matéria seca da parte aérea das plantas foi constatada

superioridade dos biofertilizantes com o aumento do teor salino das águas de irrigação,

em relação ao solo sem nenhum tipo de biofertilizante (Figura 12). Essa superioridade,

comparada ao solo sem biofertilizante, pode ter sido resultado da melhoria física,

química e biológica do solo, proporcionada pelos biofertilizantes, resultando em maior

volume e distribuição das raízes (SHETEAWI e TAWFIK, 2007). Nesse sentido,

Vessey (2003) relata que os biofertilizantes podem promover a proliferação de

microorganismos capazes de exercer efeitos benéficos sobre o crescimento das plantas.

Resultados semelhantes foram obtidos Cavalcante et al. (2009), ao constatarem efeitos

positivos da aplicação de biofertilizante sobre a fitomassa seca da parte aérea de

maracujazeiro-amarelo em solo salino.

32

6,0 ( )ŷ = 3,14 + 1,95x - 0,32x 2 ** R² = 0,95 4,5
6,0
(
)ŷ = 3,14 + 1,95x - 0,32x 2 **
R² = 0,95
4,5
3,0
(─)ŷ = 4,80 - 2,03x + 0,46x 2 **
R² = 0,97
1,5
(---)ŷ = 0,75 - 0,42x + 0,08x 2 **
R² = 0,91
0,0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
4
MSPA (g)

CEa (dS m -1 )

Figura 12. Massa seca da parte aérea de tomate cereja irrigado com águas salinas, em

) e

solo sem biofertilizante (---), com biofertilizante comum ( biofertilizante enriquecido () aos 95 DAE

Pelos resultados da Figura 13, os níveis salinos não exerceram efeitos

significativos sobre a massa seca das raízes tratadas com biofertilizante enriquecido,

ajustando-se ao valor médio de 1,18 g. Por outro lado, foi afetada pelo aumento da

salinidade das águas em solo com biofertilizante comum, apresentando na maior

salinidade 0,7 g. O menor valor obtido foi no solo sem biofertilizante, 0,07 g nas plantas

irrigadas com águas de maior teor salino. Em comparação com o biofertilizante comum,

o insumo enriquecido, apresenta no maior nível de salinidade, uma superioridade de

0,50 g e quando comparado ao tratamento sem nenhum tipo de insumo no mesmo nível

salino, a superioridade é de 1,11 g.

Comportamento semelhante também foi apresentado por Rebequi et al. (2009)

ao avaliarem a produção de mudas de limão cravo em substrato com biofertilizante

bovino irrigado com águas salinas. Os respectivos autores verificaram que a massa seca

das raízes foi comprometida em função da salinidade das águas de irrigação, mas

sempre em menor intensidade nos tratamentos com biofertilizante bovino.

33

1,8 (―) ŷ Média = 1,18 (– · – )ŷ = 1,33 - 0,20x +
1,8
(―) ŷ Média = 1,18
(– · – )ŷ = 1,33 - 0,20x + 0,01x 2 **
1,5
R² = 0,80
1,2
0,9
(---)ŷ =
0,27 - 0,13x + 0,02x 2 **
0,6
R² = 0,98
0,3
0,0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
4
MSR (g)

CEa (dS m -1 )

Figura 13. Massa seca des raízes de tomate cereja irrigado com águas salinas, em solo

) e biofertilizante

sem biofertilizante (---), com biofertilizante comum ( enriquecido (), aos 95 DAE

O acúmulo de proteína total na matéria seca foi inibido com o aumento da

salinidade das águas nas plantas desenvolvidas no solo sem biofertilizante, não variou

nas plantas do solo com biofertilizante comum e aumentou nas plantas dos tratamentos

com insumo enriquecido (Figura 14).

180 (—)ŷ = 23,64 + 34,84x** R² = 0,97 150 ( )ŷ = 39,15 NS
180
(—)ŷ = 23,64 + 34,84x**
R² = 0,97
150
(
)ŷ = 39,15 NS
120
(---)ŷ = 12,08 - 2,23x**
90
R² = 0,67
60
30
0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
4
PPA (mg/g)

CEa (dS m -1 )

Figura 14. Teores de proteína total na matéria seca da parte aérea de tomate cereja irrigado com águas salinas, no solo sem biofertilizante (---), com

34

Pelos resultados, a elevação da salinidade da água de irrigação no solo sem nenhum dos insumos inibiu a produção de proteína total das plantas, ao nível de 2,23 mg g -1 para cada incremento unitário da condutividade elétrica da água de irrigação, com redução de 12,08 para 3,16 mg g -1 . Esse declínio expressa o caráter sensível da cultura ao estresse salino, com reflexos negativos nos processos fisiológicos e bioquímicos das plantas sensíveis e moderadamente sensíveis aos sais (AYERS e WESTCOT, 1999). Nas condições de estresse salino a grande maioria das plantas cultivadas não produzem adequadamente as substâncias vitais em níveis suficientes ao seu crescimento e desenvolvimento (TAIZ e ZEIGER, 2006). Quanto ao biofertilizante comum, apesar dos resultados não se adequarem a nenhum modelo matemático, o que evidencia elevada dispersão dos dados com o aumento da salinidade das águas, registra-se superioridade em relação às plantas do solo sem o respectivo insumo, com valor médio de 39,15 mg g -1 de proteína total. Mesmo sem significância, entre os níveis de salinidade das águas, esse resultado é marcadamente superior ao valor máximo de 12,08 mg g -1 de proteína total nas plantas do solo sem biofertilizante, sob irrigação com água não salina. A superioridade do biofertilizante comum, em relação às plantas do solo sem o insumo, pode ser devida aos insumos orgânicos estimularem a produção de fotoassimilados que contribuem para diminuir o potencial osmótico nos tecidos celulares e elevar o ajustamento osmótico das plantas (LACERDA et al., 2003; LIANG et al., 2005; MAHMOUD e MOHAMED, 2008). Dentre os tratamentos os mais eficientes referem-se ao solo com biofertilizante enriquecido. Ao contrário das plantas dos tratamentos sem nenhum insumo orgânico consta aumentos lineares dos teores de proteína total ao nível de 34,84 mg g -1 por incremento unitário da salinidade das águas. O comportamento das plantas tratadas com biofertilizante enriquecido pode ser função da maior concentração de enxofre disponível no solo, considerando que neste tratamento, existe um teor mais elevado do nutriente em comparação aos demais tratamentos, fato que ocorreu no momento da solubilização do gesso agrícola (CaSO 4 ·2H 2 O) durante a fermentação do biofertilizante. A adição do insumo deve ter liberado enxofre que faz parte da estrutura e composição de alguns aminoácidos como a cisteina e metionina que, por sua vez, são elementos precursores das proteinas (LEHNINGER, et al., 2005). Lacerda et al. (2003) afirmam que outro fator envolvido no aumento do teor de proteína total é o crescente acúmulo de solutos orgânicos na parte aérea das plantas,

35

com o aumento dos níveis de salinidade. Para os autores, as plantas utilizam esses

solutos estrategicamente como forma de realizar o ajustamento osmótico das células.

Resultados semelhantes foram observados também por Oliveira et al. (2006), ao

avaliarem o teor de solutos orgânicos em sorgo forrageiro sob estresse salino em que, o

aumento da condutividade elétrica do solo, de 2,4 para 16 dS m -1 , resultou no

incremento de aproximadamente sete vezes o teor de proteínas solúveis no tecido foliar

das plantas.

Conforme indicado na Figura 15, os níveis salinos das águas não diferiram

significativamente entre si nos tratamentos que receberam biofertilizante enriquecido,

neste caso, os dados são representados pelo valor médio de 130,55 mg g -1 . Nos demais

tratamentos, a salinidade inibiu o acúmulo de proteínas nas raízes, mas com menor

intensidade nas plantas dos tratamentos com biofertilizante comum em relação ao solo

sem nenhum tipo de insumo. Observa-se, também, que tanto na parte aérea quanto nas

raízes, os valores máximos de proteínas ocorrem sempre nas plantas dos tratamento com

biofertilizante enriquecido.

As plantas dos tratamentos com os biofertilizantes enriquecido e comum,

irrigados com águas de maior nível salino, produziram respectivamente 2475 e 1370%

mais proteínas nas raízes do que aquelas que não receberam nenhum tipo de insumo.

200 160 ( )ŷ = 130,55 NS 120 80 ( )Ŷ = 136,45 - 15,48x*
200
160
(
)ŷ = 130,55 NS
120
80
(
)Ŷ = 136,45 - 15,48x* *
R² = 0,80
(---)ŷ = 36,23 - 7,79x* *
40
R² = 0,92
0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
4
PR (mg/g)

CEa (dS m -1 )

Figura 15. Teores de proteína total na matéria seca de raízes de tomate cereja irrigado com águas salinas, em solo sem biofertilizante (---), com biofertilizante

comum (

) e biofertilizante enriquecido () aos 95 DAE

36

Ao comparar os resultados da Figura 15 com os da Figura 14, e da Figura 13 com a Figura 12, constata-se redução mais drástica da massa seca e dos teores de proteína nas raízes em relação à parte aérea. Essa situação reporta conforme Maas e Hoffmann, (1977) e Munns et al. (2006) que o ajustamento osmótico das plantas em ambientes salinos, começa pelo contato das raízes com a solução do solo. De fato, Morais et al. (2007) explicam que, em parte, ocorrem aumentos na exportação de carboidratos e de proteínas da parte aérea (sítio de produção) até as raízes, permitindo que o crescimento radicular seja privilegiado em função das condições restritivas de cultivo.

O maior acúmulo de proteínas na matéria seca da parte aérea, comparadas às raízes, está em acordo com Piza et al. (2003). Esses autores constataram que a irrigação do abacaxizeiro durante os primeiros 60 dias após o transplantio, com águas salinas com concentrações em NaCl de até 1,15 g L -1 , resultou em menores teores de proteínas nas raízes das plantas em relação à parte aérea.

37

CONCLUSÕES

1. A interação águas salinas x biofertilizantes, elevou mais a salinidade do solo do que as águas isoladamente.

2. No final do experimento a condutividade elétrica do extrato de saturação solo obedeceu a ordem: solo com biofertilizante comum > solo com biofertilizante enriquecido > solo sem nenhum tipo de insumo.

3. Os biofertilizantes proporcionaram maior velocidade de emergência e maior crescimento nas plantas em relação aos tratamentos sem os respectivos insumos.

4. O aumento da salinidade da água comprometeu o crescimento e a produção de proteínas pelas plantas, mas em menor proporção nos tratamentos com biofertilizante enriquecido e comum.

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51

ANEXOS

52

Tabela 8 anexo. Resumo dos quadrados médios e níveis de significâncias referentes às análises de variância e de regressão da condutividade elétrica do extrato de saturação (CEes), índice de velocidade de emergência (IVE), altura de plantas (AP), diâmetro do caule (DC), número de folhas (NF), área foliar (AF), comprimento de raiz (CR), diâmetro de raiz (DR), área de raiz (AR), massa seca da parte área (MSPA) e massa seca de raiz (MSR) de tomate-cereja aos 95 DAE

Quadrados Médios

Fontes de Variação

 

GL

CEes

IVE

AP

DC

NF

AF

CR

DR

AR

MSPA

MSR

Salinidade da água (A)

4

41,46 **

414,72 **

123,56 **

0,89 ns

2,86 ns

6085,4 ns

406,73 ns

2,25 ns

1697,31 ns

1,16 ns

0,47

**

Biofertilizante (B)

2

4,04 ns

356,81 **

10312,11 **

57,40 **

616,23 **

1767,72 **

6178,70 **

187,23 **

47135,32 **

187,48 **

9,50 **

A x B

8

2,19 ns

27,46 **

83,34 **

2,39 *

10,88 **

3387,18

ns

186,06 ns

0,90 ns

3898,35 ns

3,13 *

0,27 *

Erro

75

0,37

7,23

24,10

0,94

2,46

28874,93

191,98

0,94

4844,50

1,32

0,13

Total

89

CV (%)

20,43

36,82

15,43

17,91

14,74

46,91

27,13

18,48

39,38

38,49

47,63

Não significativo; (*) e (**) respectivamente significativos em função do teste de Tukey aos níveis de 5 e 1% de probabilidade pelo teste F; GL = Grau de liberdade; CV = Coeficiente de variação

teste de Tukey aos níveis de 5 e 1% de probabilidade pelo teste F; GL =

53

Tabela 9 anexo. Resumo das análises de variância pelo quadrado médio referente à proteína da parte aérea (PPA) e de raiz (PR) de tomate-cereja, aos 95 DAE

Quadrados Médios

Fontes de Variação

 

GL

PPA

PR

Salinidade da água (A)

4

11,22 **