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"Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da

Região do Pantanal"
UNIDERP

HIDRÁULICA

Marcelo Domingos Chamma Lopes

Campo Grande - MS
2005
2

1a PARTE – GERAL E HIDROSTÁTICA


1. GENERALIDADES
1.1. INTRODUÇÃO
Tabela 1. Alguns eventos históricos que marcaram a evolução da hidráulica.

EVENTO AUTOR ANO PAÍS


Esgotos - 3750 a.C Babilônia
Primeiro sistema público de - 691 a.C. Assíria
abastecimento de água
Parafuso de Arquimedes Arquimedes 250 a.C. Grécia
Bomba de pistão Ctesibius-Hero 200-120 a.C. Grécia
Aquedutos romanos - 150 a.C. Roma
Termas romanas - 20 a.C. Roma
Uso do vapor de água David Ramsey 1630-1698 Inglaterra
Thomas Savery
Barômetro Evangelista Torricelli 1643 Itália
Compressor de ar Otto von Guerriche 1654 Alemanha
Tubos de ferro fundido Johan Jordan 1664 França
Bomba centrífuga 1680
Máquina a vapor Denis Papim 1690 França
Bacia sanitária Joseph Bramah 1775 Inglaterra
Prensa hidráulica S. Stevin 1600 Holanda
Joseph Bramah 1796 Inglaterra
Turbina hidráulica Benoit Fourneyron 1827 França
Emprego da hélice John Ericson 1836 Suécia
Tubos de concreto armado J. Monier 1867 França
Hidrelétrica - 1882 EUA
Primeira Hidrelétrica no Brasil - 1889 Juiz de Fora – MG
Submarino J.P. Holland 1898 EUA
Tubos fibrocimento A. Mazza 1923 Itália
Propulsão a jato Frank Whittle 1937 Inglaterra

1.2. SISTEMAS DE UNIDADES


Os sistemas de unidades mais utilizados na Hidráulica são: Sistema Internacional
(SI), Sistema Técnico (ST) e o CGS. Para análise dimensional nesses sistemas de unidades,
adota-se a seguinte notação para as grandezas fundamentais:
 Massa = M
 Comprimento =L
 Tempo = T
3

Tabela 2. Dimensão e unidades para algumas grandezas.

DIMENSÃO SISTEMA DE UNIDADE


GRANDEZA
SI ST CGS
-1 2
Massa M kg kgf.m .s = UTM g
Comprimento L m m cm
Tempo T s s s
Velocidade L.T-1 m.s-1 m.s-1 cm.s-1
Aceleração L.T-2 m.s-2 m.s-2 cm.s-2
Força M.L.T-2 kg.m.s-2 = N kgf g.cm.s-2 = dyn
Trabalho/Energia M.L2.T-2 N.m = J kgf.m = kgm dyn.cm = erg
Pressão M.L-1.T-2 N.m-2 = Pa kgf.m -2
dyn.cm-2 = bária
Potência M.L2.T-3 J.s-1 = W kgf.m.s-1 erg.s-1

1.3. ANÁLISE DIMENSIONAL E CONVERSÃO DE UNIDADES


Em muitas ocasiões, é necessário saber a equivalência das grandezas nos diversos
sistemas de unidades. Assim, querendo-se saber a equivalência entre bária e Pascal, por
exemplo, faz-se o seguinte:
bária CGS g cm 1 s 2 1 1 1 1
  3 . .  3 .  2 .  , ou seja, 1 Pa = 10 bárias
Pa MKS 10 g 10 2 cm  1
s 2
10 10 1 10

Tabela 3. Conversões de unidades.

Comprimento Superfície Volume


1 pol = 2,54 cm = 0,0254 m 1 pol2 = 6,452 cm2 1 pol3 = 16,39 cm3
1 pé (12 pol) = 30,48 cm 1 pé2 = 929,03 cm2 1 pé3 = 1728 pol3
1 jarda (3 pés) = 91,44 cm 1 jarda2 = 8361,27 cm2 1 pé3 = 28,316 litros (L)
1 braça = 2,20 m 1 milha2 = 259 ha 1 jarda3 = 0,7645 m3
1 milha = 1609,35 m 1 acre = 4047 m2 1 U.S. galão = 231 pol3
1 milha marítima = 1852 m 1 alqueire = 24200 m2 = 2,42 ha 1 U.S. galão = 3,7854 L
1 légua (3000 braças) = 6,6 km 1 alqueire mineiro = 4,84 ha 1 galão imperial = 4,546 L
1 km = 0,6214 milhas 1 légua2 = 4356 ha 1 acre-pé = 1233,53 m3
Vazão Peso 1 acre-pol = 102,793 m3
1 gpm (galões/min) = 0,063 L/s 1 lb = 453,592 g* 1 barril de óleo = 42 U.S.galões
1 gpm = 0,00223 pés3/s 1 lb = 16 onças 1 barril de óleo = 158,98 L
1 MGD = 106 galões/dia 1 grão = 64,8 mg* Peso/Volume
1 MGD = 694,44 gpm = 43,85 L/s 1 t métrica = 1000 kg* 1 lb/pé3 = 16,0192 kg*/m3
1 pé3/s = 28,32 L/s = 448,5 gpm 1 t longa (long ton) = 1,016047 t 1 grão/galão = 17,1 mg*/L
1 pé3/s = 0,6458 MGD 1 t curta (short ton) = 0,907185 t 1 lb/galão = 119,84 g*/L
Energia Pressão 1 ppm = 1 g*/m3 ou 1 mg*/L
1 caloria (cal) = 4,1868 Joules (J) 1 atm (física) = 1,033 kg*/cm2 Potência
1 kcal = 3,95 BTU 1 atm = 101325 Pa 1 cv = 735 W = 0,735 Kw
1 BTU = 1060,4 J 1 atm = 14,69 lb/pol2 (PSI) 1 HP = 746 W = 0,746 kW
1 kWh = 859,49 kcal 1 lb/pol2 = 7030,7 Pa 1 kW = 1,36 cv
1 HP hora = 2529 BTU 1 lb/pé2 = 48,8241 Pa 1 kW = 1,34 HP
1 HP hora = 0,746 Kwh 1 bar = 106 bárias = 100 kPa 1 kW = 738 pés.lb/s
1 cv hora = 0,735 Kwh 1 bar = 14,51 PSI 1 HP = 550 pés.lb/s
* quilograma-força; grama-força; miligrama-força.
4

2. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS FLUIDOS

2.1. MASSA ESPECÍFICA, PESO ESPECÍFICO E DENSIDADE


massa
Massa específica “” (rô):   ......................................................................... (1)
volume
Sistemas de unidades: SI: kg/m3; ST: kgf.s2/m3 (incomum); CGS: g/cm3

peso
Peso específico “” (gama):   ................................................................................. (2)
volume
Sistemas de unidades: SI: N/m3; ST: kgf/m3; CGS: dyn/cm3

Tabela 4. Variação de  da água com a temperatura (g = 9,80 m/s2).

Temperatura  (N/m3)  (kgf/m3) Temperatura  (N/m3)  (kgf/m3)


(C) (C)
0 9798,87 999,87 40 9723,95 992,24
2 9799,71 999,97 50 9682,4 988
4 9800,00 1000,00 60 9633,4 983
5 9799,90 999,99 70 9584,4 978
10 9797,35 999,73 80 9525,6 972
20 9792,45 999,23 90 9457,0 965
30 9757,57 995,67 100 9388,4 958
OBS: Em termos práticos, adota-se o valor de  = 9800 N/m3 (1000 kgf/m3).

 líquido  líquido
Densidade “” (delta):   ou   ................................................ (3)
 água a 4 graus C  água a 4 graus C

2.2. COMPRESSIBILIDADE / ELASTICIDADE


É a propriedade que os fluidos possuem, em maior ou menor grau, de variarem seu
volume (dV) quando se varia a pressão externa sobre eles.
p
p + dp dV   .V.dp .......................................................................... (4)
V
sendo:  – coeficiente de compressibilidade cúbica;
V - dV V – volume inicial;
dp – diferencial de pressão.
OBS: o sinal negativo significa redução de volume.

O inverso do coeficiente de compressibilidade cúbica “” é o coeficiente de


elasticidade volumétrica “” (epsilo), ou seja:
1
 ................................................................. (5)

5

Sistema de unidades  
2
CGS cm /dyn dyn/cm2
SI m2/N N/m2
ST m2/kgf kgf/m2

Tabela 5. Variação de  e  da água com a temperatura.

Temperatura (C)  (m2/N)  (N/m2)


0 5,1277 x 10-10 1,9502 x 109
10 4,9295 x 10-10 2,0286 x 109
20 4,7461 x 10-10 2,1070 x 109
30 4,6594 x 10-10 2,1462 x 109

2.3. VISCOSIDADE E ATRITO EXTERNO


v dv
 F  .A. ......................................... (6)
dz
dz  v + dv
Coeficiente de viscosidade dinâmica “” (mi) é um coeficiente característico do
fluido em determinada temperatura e pressão.

Coeficiente de viscosidade cinemática “” (ni):   ........................................................ (7)

Sistema de unidades  
2 2
CGS dyn.s/cm (poise - P) cm /s (stoke - St)
SI Pa.s (pouseuille – Pl) m2/s
ST kgf.s/m2 m2/s

Tabela 6. Variação de  e  da água com a temperatura.

Temperatura (C)  (Pa.s)  (m2/s)


0 1,7934 x 10-3 1,792 x 10-6
2 1,6758 x 10-3 1,673 x 10-6
4 1,5680 x 10-3 1,567 x 10-6
10 1,3034 x 10-3 1,308 x 10-6
15 1,1466 x 10-3 1,146 x 10-6
20 1,0094 x 10-3 1,007 x 10-6
30 0,8036 x 10-3 0,804 x 10-6
40 0,6566 x 10-3 0,657 x 10-6
50 0,5488 x 10-3 0,556 x 10-6
60 0,4704 x 10-3 0,478 x 10-6
70 0,4116 x 10-3 0,416 x 10-6
80 0,3528 x 10-3 0,367 x 10-6
90 0,3136 x 10-3 0,328 x 10-6
100 0,2842 x 10-3 0,296 x 10-6
6

2.4. VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DE ONDAS ELÁSTICAS


Celeridade (c): c  .................................................................................................. (8)

sendo:  – coeficiente de elasticidade volumétrica;


 – massa específica do líquido.
Sistemas de unidades: CGS: cm/s; SI: m/s; ST: m/s

2.5. TENSÃO SUPERFICIAL E CAPILARIDADE


Tabela 7. Variação de  (coeficiente de tensão superficial da água) com a temperatura.

Temperatura  (N/m) Temperatura  (N/m)


(C) (C)
0 7,56 x 10-2 50 6,76 x 10-2
4 7,51 x 10-2 60 6,62 x 10-2
10 7,42 x 10-2 70 6,45 x 10-2
20 7,28 x 10-2 80 6,25 x 10-2
30 7,11 x 10-2 90 6,07 x 10-2
40 6,96 x 10-2 100 5,89 x 10-2


Figura 1. Ângulo de contato na depressão capilar com o mercúrio e na ascensão capilar com a
água.
O valor da altura (h) que um líquido, com tensão superficial () e peso específico (),
sobe ou desce em um capilar de raio (r), formando um ângulo de contato ():
2.. cos 
h ........................................................... (9)
.r
7

2.6. PRESSÃO DE VAPOR


Tabela 8. Variação da pressão de vapor da água com a temperatura.
Temperatura pv (Pa) Temperatura pv (Pa)
(C) (C)
- 10 284 55 15700
-5 421 60 19874
0 608 65 24961
4 813 70 31115
5 872 75 38504
10 1225 80 47314
15 1705 85 57761
20 2332 90 70060
25 3156 95 84476
30 4204 100 101293
35 5606 105 120736
40 7350 110 143168
45 9545 115 169148
50 12299 120 198646

Tabela 9. Variação da pressão atmosférica com a altitude.


Altitude (m) patm (Pa) Altitude (m) patm (Pa)
0 101293 1800 81046
300 98000 2100 78400
600 94472 2400 75950
900 91140 2700 73500
1200 87808 3000 70952
1500 84476 - -

Tabela 10. Ponto de ebulição da água com a altitude.

Altitude (m) 0 500 800 1000 1500 2000 3000 4000


(São Paulo) (La Paz)
Temp. (C) 100 98 97 96 95 93 91 89

2.7. SOLUBILIDADE DOS GASES NO LÍQUIDO


Tabela 12. Solubilidade à base de volume (m3/m3 ou L/L) dos gases na água pura na pressão
de 1 atm (nível do mar).
Gás 0 C 20 C
Ar 0,03 -
Gás carbônico 1,87 0,92
Cloro 5,00 -
Hidrogênio 0,023 0,020
Monóxido de Carbono 0,04 -
Oxigênio 0,053 0,033
Nitrogênio 0,026 0,017
8

3. HIDROSTÁTICA

3.1. PRESSÃO E EMPUXO EM SUPERFÍCIE HORIZONTAL


Por pressão (p) se define o elemento de força (dF) que atua normalmente sobre um
elemento de área (dA), ou seja:
dF
p ..............................................................(10)
dA
Considerando-se toda a área, o efeito da pressão produzirá uma força resultante que se
chama empuxo (E), obtido pela integral:
E   p.dA ...........................................................(11)
A

Se a pressão for a mesma em toda a área, situação que ocorre quando superfícies
horizontais são imersas nos líquidos, então o empuxo é dado por:
E  p.A ..............................................................(12)
Para qualquer líquido (i) e para qualquer altitude da superfície terrestre, é válida a
equação:
 Hg .h Hg   água .h água   i .h i  p atm (local ) ....................................(13)

Portanto, se a pressão no interior de uma massa líquida for medida com referência ao
vácuo, se tem, então, a pressão absoluta (pabs); se medida com referência à pressão
atmosférica local, se tem, então, a pressão relativa (p). Portanto, a relação entre tais tipos de
medições é dada por:
p  p abs  p atm .........................................................(14)

3.2. LEI DE PASCAL, LEI DE STEVIN


Lei de Pascal: “Em qualquer ponto no interior de um líquido em repouso, a pressão é
a mesma em todas as direções”.

Lei de Stevin: “A diferença de pressão entre dois pontos no interior de um líquido é


igual à diferença de profundidade vezes o peso específico do líquido”.
Conforme o esquema, tem-se que:
1
p 2  p1  .h ...........................................................(15)
h
 2
9

F1 F A
Prensa hidráulica:  2  F2  F1 . 1 .....................................................................(16)
A1 A 2 A2

(a) (b) (c)

Figura 3. Pincípio da prensa hidráulica (a); prensa hidráulica elétrica para 30 t (b); e prensa
hidráulica para 500 t (c).

3.3. MEDIDORES DE PRESSÃO


Diversos são os artifícios utilizados para medir pressão, desde os mais sofisticados
como os transdutores eletrônicos de pressão até o mais simples como o piezômetro, que
apesar da simplicidade permite medi-la com precisão.

Figura 4. Piezômetro. Figura 5. Tubo em “U” com líquido manométrico.

Figura 6. Manômetro diferencial. Figura 7. Manômetro de Bourdon.


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3.4. EMPUXO EM SUPERFÍCIES INCLINADAS E CENTRO DE


PRESSÃO

3.4.1. Grandeza e direção do empuxo


Módulo do empuxo:
Portanto: E  .sen.y CG .A .......................................................(17)

Se = 90  E = . hCG . A


OBS: A direção do empuxo é sempre perpendicular à área que atua.

3.4.2. Centro de pressão (CP)


 I0 – momento de inércia relativo ao eixo que passa pelo centro de gravidade, cujas
equações para as principais figuras se encontram na Tabela 12.

I 0  A.y CG
2 I0
Finalmente: y CP   y CP   y CG ................................................(18)
A.y CG A.y CG

Tabela 12. Momentos de inércia (I0), áreas (A) e centros de gravidade (CG) das principais
figuras regulares.

Figura I0 A CG
11

2a PARTE - HIDRODINÂMICA
1. CLASSIFICAÇÃO E REGIMES DE ESCOAMENTO
DOS FLUIDOS
REGIMES DE ESCOAMENTO
Osborne Reynolds (1883):
v.D
NR  (para tubulações de seções circulares) ..............................(19)

4.v.R h
NR  (para tubulações de seções não circulares) ........................(20)

sendo: v – velocidade de escoamento (m/s);
D – diâmetro do conduto (m);
 – viscosidade cinemática (m2/s);
área molhada
Rh – raio hidráulico, obtido pela relação: .
perímetro molhado
A classificação dos regimes de escoamento em função do NR é a seguinte:

Número de Reynolds Regime


Menor que 2000 Laminar
Entre 2000 e 4000 Instável ou Crítico
Maior que 4000 Turbulento

2. EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE
Considerando-se o princípio da conservação da massa no fluxo de um conduto, tem-
se:

A – área da seção;
A2 v – velocidade média na seção;
(v2) m – massa de fluido escoado por unidade de
tempo;
 – massa específica do fluido escoado.
A1 (v1)

Quantidade de fluido escoado na seção 1: m1 = 1.A1.v1


Quantidade de fluido escoado na seção 2: m2 = 2.A2.v2
Admitindo-se o líquido incompressível (1 = 2) e o escoamento permanente (vazão
constante), então a massa do fluido escoado também é constante, ou seja, m1 = m2. Com isso,
se tem a Equação da Continuidade:
Q1  Q2  A1.v1  A 2 .v 2  Qn  A n .v n  constante  Q  A.v .....................................(21)
sendo Q definido como vazão, ou seja, volume escoado por unidade de tempo (m3/s no SI).
12

3. TEOREMA DE BERNOULLI
Teorema de Bernoulli (Daniel Bernoulli, 1700-1782) é: “Em uma linha de fluxo, a
soma das cargas cinética, piezométrica e de posição se mantém constante”.

v12 p1 v 22 p 2 v 2n p n
  z1    z2    z n  constante ......................(25)
2.g  2.g  2.g 

EXTENSÃO DO TEOREMA DE BERNOULLI À PRÁTICA


A expressão de Bernoulli é teórica, pois, na prática, ocorre uma certa “perda de carga
(hf)” devido ao atrito interno (forças viscosas de resistência) e ao atrito externo (paredes dos
tubos):
v12 p1 v 22 p 2
  z1    z 2  hf 1, 2 ........................................(26)
2.g  2.g 

4. ESCOAMENTO EM ORIFÍCIOS E BOCAIS


Quanto à natureza das paredes os orifícios são considerados:
a) De parede delgada: quando e (espessura) < 1,5.d;
b) De parede espessa: quando e > 1,5.d. A veia líquida “cola-se” na parede do orifício.

Figura 10. Classificação dos orifícios quanto à natureza das paredes e bocal.

Como pode ser visto na Figura 10, após os orifícios vem os bocais. E, finalmente, após
os bocais, vêm os tubos que podem ser classificados da seguinte maneira:
Se: 3.d < e < 100.d  tubos muito curtos;
100.d < e < 1000.d  tubos curtos;
e > 1000.d  tubos longos.

Tabela 13. Efeito (%) da relação (L/d) na conversão de carga piezométrica (H = 30 m) em


carga cinética, perda de carga na entrada e perda de carga na tubulação (D = 0,30
m).
Relação L/d
5 50 100 1000 10000
Carga cinética 62% 41% 29% 5% 0,5%
Perda na entrada 32% 20% 15% 2% 0,3%
Perda na tubulação 6% 39% 56% 93% 99,3%
13

VAZÃO DOS PEQUENOS ORIFÍCIOS E BOCAIS (d < 1/3 da profundidade):


Q  Cd .So . 2.g.h .......................................................(31)
Tabela 14. Coeficiente de contração (Cc), coeficiente de velocidade (Cv) e coeficiente de

descarga (Cd) médio de bocais e orifícios para escoamento de água.

VAZÃO DOS ORIFÍCIOS DE GRANDES DIMENSÕES (d < 1/3 da profundidade):

nível constante

2  h 23 2  h 13 2 
Q  .C d .A. 2.g .  ..............(32)
3  h h 
 2 1 
14

5. ESCOAMENTO EM CONDUTOS FORÇADOS

5.1. TIPOS E CARACTERÍSTICAS DOS TUBOS


Existem diversos tipos de tubos, porém os mais empregados são os de ferro fundido,
aço galvanizado, plástico, alumínio, fibrocimento, cobre, concreto simples e concreto armado.
Segue-se as principais características destes tubos.

FERRO FUNDIDO DÚCTIL


As principais características são: alta resistência à pressão (variável com a classe de
pressão, indo, porém, até cerca de 4 MPa entre os comerciais); boa resistência à choques;
grande durabilidade; baixa elasticidade; custo de aquisição elevado; baixa resistência química
(oxidação) quando não revestido, embora o mais comum é obtê-los com revestimento interno
de argamassa aplicada por centrifugação e externo de zinco com pintura betuminosa preta.

AÇO GALVANIZADO/ZINCADO
As principais características são: boa resistência à pressão; boa resistência à choques;
boa resistência à oxidação se o processo de galvanização for adequado e se no escoamento
não for com materiais abrasivos em suspensão; baixa elasticidade; custo de aquisição médio.

PVC – Policloreto de Vinila


As principais características dos tubos de PVC são: baixa resistência à pressão (0,392
até 1,225 MPa); baixa resistência à choques; grande durabilidade (40 anos) se não forem
expostos ao sol; grande resistência química; grande elasticidade; baixa rugosidade das
paredes; custo de aquisição médio (semelhante ao do aço galvanizado), porém, o custo com
base anual é muito baixo se for considerado sua durabilidade.

PRFV
São tubos produzidos com resinas Poliester ou Epoxi reforçados com fibra de vidro
(PRFV – Plástico Reforçado com Fibra de Vidro). As principais características são: boa
resistência à pressão (até 2,0 MPa); baixa rugosidade (dependendo da fabricação); boa
resistência térmica (temperatura até 100 C); boa resistência mecânica; leveza (densidade do
PRFV = 1,8); grande resistência química; grande durabilidade.

ALUMÍNIO
Os tubos de alumínio são utilizados quase que exclusivamente nas linhas laterais de
sistemas semifixos de irrigação por aspersão, devido a sua grande leveza e grande resistência
à corrosão, porém, possuem baixa resistência à pressão, baixa resistência à choques e custo de
aquisição elevado. Normalmente são comercializados em diâmetros que vão de 50 a 200 mm
com comprimento de 6 m cada tubo.

CONCRETO ARMADO
São tubos utilizados principalmente em bueiros, galerias de águas pluviais, esgotos
sanitários e menos freqüentemente em linhas adutoras. Possuem média resistência à pressão e
grande resistência química. Os diâmetros mais comuns vão de 300 a 1500 mm.
15

FIBROCIMENTO
São utilizados em redes coletoras de esgoto, redes de distribuição e, menos
freqüentemente, em linhas adutoras. Possuem grande resistência química e sua resistência à
pressão depende da classe de pressão de fabricação, que resiste de cerca de 0,5 a 1,5 MPa. Os
diâmetros comerciais mais freqüentes vão de 50 a 500 mm.

Além destes materiais, existem outros como o cobre e latão que são de uso muito
comum em instalações prediais de água quente; chumbo, que atualmente está em desuso; aço
inoxidável, que é utilizado para líquidos muito agressivos; e as manilhas cerâmicas que são
bastante utilizadas em instalações de esgotos de edificações rurais.

5.2. PERDA DE CARGA: NATUREZA E CLASSIFICAÇÃO

Plano de carga total


v2 Linha de carga
2.g hidráulica hf1,2

p1 v2
 Linha piezométrica 2.g
1
p2
2

z1 Tubulação de
diâmetro constante z2
Plano de referência

Figura 16. Representação esquemática das linhas de cargas e perda de carga num escoamento
permanente uniforme.
Perda ao longo da tubulação ocasionada pelo movimento da água nos tubos que compõem a
tubulação. Admite-se que essa perda seja uniforme em qualquer trecho de uma tubulação
de dimensões constantes, independentemente da posição da mesma. Por isso, também
podem ser denominadas de perdas contínuas;
Perdas em peças especiais ou localizadas que são as perdas provocadas pelos acessórios e
demais singularidades da tubulação. Essas perdas somente assumem valores consideráveis
quando a tubulação for muito curta e/ou existirem muitas peças na tubulação. Nas
tubulações longas com número reduzido de acessórios, o seu valor é desprezível.
16

5.3. PERDA DE CARGA AO LONGO DA TUBULAÇÃO:


FÓRMULAS PARA SEU CÁLCULO
FÓRMULA UNIVERSAL (DARCY-WEISBACH)

L v2
hf  f . . ..........................................................(34)
D 2.g
sendo f denominado fator de atrito (adimensional). Esse fator (f) depende do número de
Reynolds (NR) e da rugosidade relativa (Rr), ou seja:
e
Rr  ...............................................................(35)
D
sendo: e – rugosidade absoluta (m) da parede interna da tubulação (Tabela 15).
Cálculo do fator de atrito (f) – Swamee (1993): permite o cálculo tanto para o
escoamento laminar como para o escoamento turbulento (liso, de transição e rugoso):
0 ,125
   e 6 16 
5,74   2500   
8
 64 
f     9,5.ln       ......................(36)
 NR    3,7.D NR   NR   
0,9

Por sua vez, também é possível a obtenção do fator “f” através do diagrama de Moody,
que pode ser visto na Figura 17.
Os valores da velocidade, vazão e diâmetro devem ser fornecidos no Sistema
Internacional, ou seja, m/s, m3/s e m, respectivamente.
Nas soluções dos problemas práticos de escoamento utilizando a fórmula Universal, se
distinguem, basicamente, três tipos de problemas:
1o Tipo: São dadas a vazão (Q), o diâmetro da tubulação (D), a rugosidade absoluta (e) das
paredes internas da tubulação (que varia com tipo de material da tubulação) e a
viscosidade cinemática () do líquido escoado (que varia com a sua temperatura). A
incógnita para ser calculada é a perda de carga unitária (J = hf/L) ou a perda de carga
(hf), se for dado o comprimento (L) da tubulação.
2o Tipo: São dados o diâmetro da tubulação (D), a rugosidade absoluta (e) das paredes
internas da tubulação (que varia com tipo de material da tubulação), a viscosidade
cinemática () do líquido escoado (que varia com a sua temperatura) e a perda de
carga unitária (J = hf/L). A incógnita para ser calculada é a vazão (Q) e/ou velocidade
de escoamento (v).
3o Tipo: São dadas a vazão (Q), a rugosidade absoluta (e) das paredes internas da tubulação
(que varia com tipo de material da tubulação), a viscosidade cinemática () do
líquido escoado (que varia com a sua temperatura) e a perda de carga unitária (J). A
incógnita para ser calculada é o diâmetro da tubulação (D).
Quando se utiliza calculadora programável ou computador a resolução dos três tipos
de problemas é bastante facilitado, inserindo-se a equação:
17

0,125
 6 16 
  e 5,74..D.    2500..D.   
8
g. .D .hf  16..D. 
2 5 0,9
    9,5.ln      
4.Q0,9   4.Q   
....(37)
8.Q 2 .L   Q    3,7.D
 

Tabela 15. Rugosidade absoluta da parede interna dos tubos.

Rugosidade absoluta
Material – Especificação
(x 10-3 m)
galvanizado 0,1 a 0,2
rebitado 1,0 a 3,0
Aço revestido 0,1
soldado novo 0,1
soldado moderadamente oxidado 0,4
fundido sem revestimento 0,2 a 0,5
fundido com revestimento de cimento centrifugado 0,1
Ferro fundido com revestimento de asfalto 0,1 a 0,2
fundido levemente oxidado 0,3
fundido oxidado 1,0 a 1,5
acabamento liso 0,3
Concreto acabamento médio 0,8
acabamento rugoso 1,5 a 2,0
Plástico (PVC e polietileno) 0,01
Fibrocimento 0,1
Cobre, latão e chumbo 0,02
Cerâmicos 1,5
18

Figura 17. Diagrama de Moody.


Quando não se dispõe de calculadora programável ou computador, a resolução é feita
com o auxílio do diagrama de Moody, conforme os três tipos de problemas apresentados:
1o Tipo: Utiliza-se a Equação da Continuidade (Eq.21) para calcular a velocidade de
escoamento, que, por sua vez, permite o cálculo do número de Reynolds (Eq.19), da
rugosidade relativa (Eq.35) e, conseqüentemente, a obtenção do fator de atrito no
diagrama de Moody (Fig.17).
2o Tipo: Calcula-se a rugosidade relativa (Eq.35) e coloca-se a velocidade de escoamento em
função do fator de atrito (Eq.34), denominando-a Eq.(a); e em função do número de
Reynolds (Eq.19), denominando-a Eq.(b). Igualando-se (a) e (b) obtém-se um
número “x” (sempre positivo) que representa o produto do número de Reynolds
(indeterminado) com o fator de atrito (indeterminado). Em seguida, e por tentativas,
atribui-se um valor para o fator de atrito que com a rugosidade relativa calculada
obtém-se, através do diagrama de Moody (Fig.17), um valor para o número de
Reynolds. Quando o valor do produto do número de Reynolds, encontrado no
diagrama, com o fator de atrito atribuído for igual ao do número “x”, então o valor
do fator de atrito encontrado estará correto. Portanto, neste caso o problema somente
é resolvido por tentativas (normalmente convergentes) para a obtenção do fator de
atrito.
3o Tipo: Na Equação da Continuidade (Eq.21) coloca-se a velocidade de escoamento em
função do diâmetro (indeterminado), denominando-a Eq.(a). Substitui-se a Eq.(a) na
equação de perda de carga (Eq.34), obtém-se a Eq.(b), na qual o diâmetro fica em
função do fator de atrito (indeterminado). Também se substitui a Eq.(a) na equação
do número de Reynolds (Eq.19), ficando este em função do diâmetro, cuja equação
19

denomina-se Eq.(c). Lembrando também que a rugosidade relativa (Eq.35) está em


função do diâmetro. Em seguida, e por tentativas, atribui-se um valor para o fator de
atrito que, substituído na Eq.(b), permite calcular o diâmetro, que por sua vez
permite calcular o número de Reynolds na Eq.(c) e a rugosidade relativa (Eq.35).
Com o número de Reynolds e a rugosidade relativa encontra-se um valor do fator de
atrito no diagrama de Moody (Fig.17), que será o valor verdadeiro se coincidir com
o atribuído. Caso contrário atribui-se outro fator de atrito e repete-se a tentativa até
encontrá-lo. Quando isso ocorrer, então o diâmetro também o foi pela Eq.(b).

FÓRMULA DE HAZEN-WILLIAMS - 1903

v  0,355.C.D 0,63 .J 0,54


Q  0,2788.C.D 2,63 .J 0,54
Q 0,38
D  1,625.
C 0,38 .J 0, 205
v1,852
J  6,81.
C1,852 .D1,167
Q1,852
J  10,65. ....................................................(38)
C1,852 .D 4,87
sendo: C – coeficiente relacionado à rugosidade interna do material da tubulação,
adimensional (Tabela 16);
J – perda de carga unitária ocorrida na tubulação (m/m).
Os valores da velocidade, vazão e diâmetro devem ser fornecidos no Sistema
Internacional, ou seja, m/s, m3/s e m, respectivamente.

Tabela 16. Valores do coeficiente “C” de Hazen-Williams.

Material – Especificação C
novos  10anos  20anos
corrugado (chapa ondulada) 60 - -
galvanizado 125 100 -
Aço rebitado 110 90 80
revestido 130 110 90
soldado 125 - -
fundido 125 110 95
Ferro fundido revestido com cimento centrifugado 130 120 105
fundido revestido com epóxi 140 130 120
acabamento liso 130 - -
Concreto acabamento normal 120 - -
acabamento rugoso 100 - -
Plástico (PVC e polietileno) 150 135 130
Alumínio 135 - -
Vidro 150 - -
Fibrocimento 130 - -
Cobre, latão e chumbo 140 135 130
Manilhas cerâmicas 110 - -
20

FÓRMULA DE FLAMANT – 1892:


b.Q1,75
J  6,107. .....................................................(40)
D 4,76
sendo: b – coeficiente de Flamant, adimensional (Tabela 17).
Os valores da vazão e do diâmetro devem ser fornecidos no Sistema Internacional, ou
3
seja, m /s e m, respectivamente.

Tabela 17. Valores do coeficiente “b” de Flamant.

MATERIAL b
Ferro fundido ou aço – novo 0,000185
Ferro fundido ou aço – usado 0,000230
Concreto 0,000185
PVC 0,000135
Chumbo 0,000140

5.4. PERDA DE CARGA EM TUBULAÇÕES COM MÚLTIPLAS


SAÍDAS EQÜIDISTANTES
Christiansen (1942) estudou a redução de perda de carga em tubulações com múltiplas
saídas eqüidistantes, chegando a um fator “F” para cálculo da perda de carga em tubulação de
múltiplas saídas equidistantes, definido por:

hf com múltiplas saídas (hf ms ) 1 1 m 1


F    .....................(41)
hf com única saída (hf) m  1 2.N 6.N 2
sendo: N – número de saídas;
m – expoente da velocidade na equação considerada para cálculo de hf.
O fator F também pode ser obtido na Tabela 18.
21

Tabela 18. Valores do fator de Christiansen (F) para cálculo da perda de carga em tubulação
de múltiplas saídas eqüidistantes nas fórmulas Universal, Hazen-Williams e
Flamant.
Número Fator “F” de Christiansen Número Fator “F” de Christiansen
de Universa
Hazen-
Flamant de Universal
Hazen-
Flamant
Saídas Williams Saídas Williams
l
1 1,000 1,000 1,000 16 0,365 0,381 0,395
2 0,625 0,639 0,650 17 0,363 0,380 0,394
3 0,518 0,535 0,546 18 0,361 0,379 0,392
4 0,469 0,486 0,498 19 0,360 0,377 0,390
5 0,440 0,457 0,469 20 0,359 0,376 0,389
6 0,421 0,435 0,451 22 0,357 0,374 0,387
7 0,408 0,425 0,438 24 0,355 0,372 0,385
8 0,398 0,415 0,428 26 0,353 0,370 0,383
9 0,391 0,409 0,421 28 0,351 0,369 0,382
10 0,385 0,402 0,415 30 0,350 0,368 0,380
11 0,380 0,397 0,410 35 0,347 0,365 0,378
12 0,376 0,394 0,406 40 0,345 0,364 0,376
13 0,373 0,391 0,403 50 0,343 0,361 0,374
14 0,370 0,387 0,400 100 0,338 0,356 0,369
15 0,367 0,384 0,398 + de 100 0,333 0,351 0,365
Caso a distância entre o início da linha da tubulação de múltiplas saídas eqüidistantes
o primeiro emissor seja inferior ao espaçamento entre os demais emissores, o fator de
Christiansen deve ser ajustado (Fa) pela equação de SCALOPPI (1985):
N.F  x  1
Fa  ...................................................(42)
N  x -1
sendo: x – razão entre a distância da primeira derivação ao início da tubulação e o
espaçamento regular entre derivações (0  x  1).

5.5. PERDA DE CARGA EM PEÇAS ESPECIAIS


(LOCALIZADAS)
MÉTODO DA EQUAÇÃO GERAL
De um modo geral, todas as perdas provocadas pelas peças especiais podem ser
calculadas pela equação geral:
v2
hf  K. ............................................................(42)
2.g
sendo: K – coeficiente adimensional obtido experimentalmente para cada peça e situação.
22

Tabela 19. Valores indicativos dos coeficientes K para diversos acessórios.

Acessório K Acessório K
Ampliação gradual 0,30* Medidor Venturi 2,50**
Redução gradual 0,15* Tê, passagem direta 0,90
Bocais 2,75 Tê, saída lateral 2,00
Comporta aberta 1,00 Válvula de gaveta aberta 0,15
Cotovelo de 90 raio curto 0,90 Válvula de ângulo aberta 5,00
Cotovelo de 90 raio longo 0,60 Válvula de globo aberta 10,00
Cotovelo de 45 0,40 Válvula de borboleta aberta 0,30
Curva 90 0,40 Válvula de pé com crivo 10,00
Curva de 45 0,20 Válvula de retenção 3,00
Curva de 22,5 0,10 Válvula de bóia 6,00
Curva de retorno,  = 180 2,20 Saída de tubulação 1,00
* Com base na velocidade maior (seção menor);
** Com base na velocidade da tubulação.

Tabela 20. Valores do coeficiente K para alguns níveis de fechamento do registro de gaveta.

a/D 0 1/4 3/8 ½ 5/8 3/4 7/8


K 0,15 0,26 0,81 2,06 5,52 17,00 97,80

Figura 21. Tipos de entrada na tubulação: (a) reentrante ou de Borda, K=1,00; (b) normal,
K=0,50; (c) forma de sino, K=0,05; (d) concordância com uma redução, K=0,10.

MÉTODO DOS COMPRIMENTOS EQUIVALENTES


A existência de peças na tubulação pode ser interpretada como um aumento de seu
com-primento correspondente à perda de carga provocada por estas peças, ou seja:
Lv  L  Le ...........................................................(43)
sendo: Lv – comprimento virtual da tubulação (m);
L – comprimento da tubulação referente aos tubos (m);
Le – comprimento de tubulação que produz perda de carga equivalente a da peça (m),
que pode ser obtido na Tabela 21.
23

Tabela 21. Comprimento equivalente (Le) em relação ao número de diâmetros da tubulação


para peças metálicas, aço galvanizado e ferro fundido.

5.6. EFEITO DO ENVELHECIMENTO DOS TUBOS NA PERDA


DE CARGA
Tabela 22. Capacidade de vazão da tubulação de ferro e aço (sem revestimento permanente
interno) de diversos diâmetros nominais em função do tempo de uso (% em
relação à tubulação nova = 100%).

Idade 100 mm 150 mm 250 mm 400 mm 500 mm 750 mm


novos 100 100 100 100 100 100
10 anos 81 83 85 86 86 87
20 anos 68 72 74 75 76 77
30 anos 58 62 65 67 68 69
40 anos 50 55 58 61 62 63
50 anos 43 49 54 56 57 59
24

6. TUBULAÇÕES COMPOSTAS EQUIVALENTES


Um conduto é equivalente a outro ou a outros quando transporta a mesma quantidade
de fluido sob mesma perda de carga total. Podem ser simples, em série ou em paralelo.

6.1. TUBULAÇÕES EQUIVALENTES SIMPLES

h
D2;L2
D1;L1

Figura 24. Tubulações equivalentes simples.

5
f D 
Fórmula Universal: L 2  L1 . 1 . 2  ......................................................(44)
f 2  D1 
1,852 4 ,87
C  D 
Fórmula de Hazen-Williams: L 2  L1 . 2  . 2  .....................................................(45)
 C1   D1 

6.2. TUBULAÇÕES EQUIVALENTES EM SÉRIE

D1; L1; hf1


D2; L2; hf2

D; L; hf

Figura 25. Tubulações equivalentes em série.


f .L f1 .L1 f 2 .L 2 f .L
Fórmula Universal: 5
 5
 5
 ....  n 5n ...........................................(46)
D D1 D2 Dn
Fórmula de Hazen-Williams:
L L L L
1,852 4 ,87
 1,852 1 4,87  1,852 2 4,87  ....  1,852 n 4,87 ...................(47)
C .D C1 .D1 C 2 .D 2 C n .D n
25

6.3. TUBULAÇÕES EQUIVALENTES EM PARALELO

h
D2; L2; Q2
D1; L1; Q1
D; L; Q

Figura 26. Tubulações equivalentes em paralelo.

Fórmula Universal:
2, 5 2,5 2, 5
D 2,5 D D D
0,5 0,5
 0,5 1 0,5  0,5 2 0,5  ....  0,5 n 0,5 .............................(48)
f .L f1 .L1 f 2 .L 2 f n .L n
Fórmula de Hazen-Williams:
2, 63 2, 63 2, 63
C.D 2,63 C1 .D1 C 2 .D 2 C n .D n
   ....  ..............................(49)
L0,54 L1
0, 54
L2
0,54
Ln
0, 54

7. SISTEMAS RAMIFICADOS
Um sistema hidráulico é dito ramificado quando em uma ou mais seções de um
conduto ocorre variação da vazão por derivação de água. A derivação pode ser para um

M
nível 1
O1
R1
A h
O2
N
L1, D1 nível 2
O3
R2
O4 B

O L2, D2
QO
reservatório ou para consumo direto em uma rede de distribuição.
Figura 27. Esquema de um sistema hidráulico ramificado.
Este problema tem aplicação em sistemas de distribuição de água, que pela própria
natureza se caracteriza por uma razoável flutuação da demanda ao longo do dia. Durante a
noite, quando o consumo cai, o reservatório R2 armazena água para ser usada durante o dia
como reforço no abastecimento nas horas de maior consumo.
26

8. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS LINHAS DE CARGAS


HIDRÁULICAS E POSIÇÕES DAS TUBULAÇÕES
A Linha de Carga Dinâmica (LCD) referente a uma tubulação é o lugar geométrico
dos pontos representativos das cargas de velocidade, pressão e posição. A Linha
Piezométrica Dinâmica (LPD) corresponde às alturas que o líquido subiria em piezômetros
instalados na tubulação, ou seja, é a linha das pressões. As duas linhas estão separadas do
valor correspondente ao termo v2/2g, isto é, carga cinética ou carga de velocidade. Se o
diâmetro da tubulação for constante, a velocidade do líquido será constante e as duas linhas
permanecerão a uma distância constante.

nível 1

LCD

nível 2
LPD

Figura 28. Linhas de cargas hidráulicas entre dois reservatórios.

O nível 1 corresponde à carga hidráulica total disponível no primeiro reservatório (em


relação ao plano de referência adotado) e o nível 2 à carga hidráulica total no segundo
reservatório. Na saída de R1 há uma perda de carga referente à entrada do fluido na tubulação
(0,5 v2/2g). Na entrada de R2 há uma segunda perda localizada (1,0 v2/2g). Entre esses dois
pontos existe a perda de carga ao longo da tubulação, representada pela inclinação das linhas.
Nos casos mais freqüentes, a velocidade da água na tubulação está abaixo de 3,0 m/s,
ou seja, carga cinética (v2/2g) abaixo de 0,46 m, o que, geralmente, permite desprezar a
diferença existente entre as duas linhas (LCD e LPD) em relação ao sistema. Com isso, no
estudo da posição relativa da tubulação admite-se a coincidência entre ambas.

POSIÇÕES DAS TUBULAÇÕES


No caso geral de escoamento de líquido em tubulações, podem ser consideradas quatro
referenciais de carga (Figura 29): a Linha de Carga Absoluta Estática (LCAE), que
corresponde à soma da carga de posição com a carga de pressão absoluta (p/ + patm/) quando
não há escoamento; a Linha de Carga Efetiva Estática (LCEE), que é paralela e distante de
patm/ da primeira; a Linha de Carga Absoluta Dinâmica (LCAD); que corresponde,
aproximadamente, à soma da carga de posição com a carga de pressão absoluta, quando
ocorre escoamento; e a Linha de Carga Efetiva Dinâmica (LCED), que é também paralela e
distante de patm/ da Linha de Carga Absoluta Dinâmica (LCAD), bem como é admitido
27

coincidente com a Linha Piezométrica Dinâmica (LPD) pela razão exposta no parágrafo
anterior.
Com isso, são verificadas quatro posições relativas das tubulações, correspondentes às
LCAE
D
Figuras 29, 30, 31 e 32.
C patm/
B LCEE
nível 1
R1 A
patm/ LCAD

LCED
nível 2
P
R2
Ventosa
Registro de gaveta Tubulação
para drenagem

Figura 29. 1a Posição: Tubulação assentada abaixo da linha de carga efetiva dinâmica em
toda a sua extensão.

Essa é a posição adequada (Figura 29) para os projetos e considerada a condição


normal, na qual em todas as seções da tubulação a pressão é positiva, uma vez que a mesma
se encontra sempre abaixo da Linha de Carga Efetiva Dinâmica (LCED) ou da Linha
Piezométrica Dinâmica (LPD). A velocidade de escoamento e a vazão serão condizentes com
as calculadas pelas fórmulas apresentadas para dimensionamento, sendo a perda de carga
correspondente à diferença de nível das superfícies livres dos dois reservatórios.
Para um ponto qualquer P, são definidas:
- PA – carga efetiva dinâmica ou carga de pressão efetiva dinâmica;
- PB – carga efetiva estática ou carga de pressão hidrostática;
- PC – carga absoluta dinâmica ou carga de pressão absoluta dinâmica;
- PD – carga absoluta estática ou carga de pressão absoluta estática.
Nas saídas dos reservatórios e nos pontos mais baixos devem ser instalados registros
para limpeza periódica da tubulação e também para possibilitar o seu esvaziamento quando
necessário. Nos pontos mais elevados devem ser instaladas ventosas, que são dispositivos de
funcionamento automático para a expulsão e admissão de ar nas tubulações sob pressão. A
ventosa simples permite a expulsão do ar acumulado no ponto alto da tubulação (devido à
redução da pressão nesse ponto), que reduz a vazão de projeto pela obstrução parcial causada.
A ventosa dupla permite, também, a rápida admissão do ar em condições de subpressão
(rompimento de um tubo no ponto mais baixo da tubulação, por exemplo), evitando o colapso
da tubulação.
Quando a velocidade de escoamento assumir um valor maior que a velocidade crítica,
o ar acumulado na tubulação pode ser carregado pelo fluxo dispensando o uso da ventosa. A
velocidade crítica vc de carregamento, em m/s, é calculada pela equação:
v c  1,36. g.D. sen  ....................................................(51)
sendo:  – ângulo de inclinação do trecho descendente.
A especificação da classe dos tubos, ou seja, capacidade de resistência à pressão
interna, deve ser feita com base nas pressões hidrostáticas PB, que são maiores que as
28

dinâmicas PA, e/ou nos efeitos originados do fenômeno do golpe de aríete, que será abordado
no Capítulo 9.

LCAE
patm/
C LCEE
nível 1
T B
R1 M P LCAD h
L N
A
LCED
O
nível 2
V
S R2

Figura 30. 2a Posição: A tubulação passa acima da linha de carga efetiva dinâmica, porém
abaixo da linha de carga absoluta dinâmica.

Nessa posição (Figura 30), um trecho da tubulação (MN) passa acima da LCED,
porém abaixo da LCAD e da LCEE. Sempre que a tubulação cortar a LCED as condições de
funcionamento não serão satisfatórias. Em qualquer ponto P situado nesse segmento a carga
de pressão absoluta, medida por PB, é inferior à atmosférica local (patm/) em uma quantidade
medida por PA. Devido a essa depressão, o ar dissolvido no líquido se desprende e acumula
em P, bem como há uma tendência de entrada de ar externo pelas juntas, tornando o
escoamento irregular. Nessa situação, a colocação de uma ventosa de duplo efeito em P
causaria mais problema, pois entraria ar por ela. Somente a extração contínua do ar por
aspiração é que tornaria o escoamento normal para uma vazão de projeto Q.
Caso a entrada de ar seja tal que a pressão em P se iguale à atmosférica local, a linha
de carga efetiva dinâmica no segmento LP deixará de ser TA e passará a ser TP. Além de P, a
água não encherá por completo a seção da tubulação até o ponto O, sendo o escoamento como
em conduto livre, assunto que será abordado no Capítulo 11. Após o ponto O, a seção
novamente estará cheia e a pressão será novamente positiva, sendo OV paralelo a TP, porque
para o valor da vazão no segmento LP a linha de carga efetiva dinâmica, interrompida no
trecho PO, readquire sua declividade.
Quando a linha de carga efetiva dinâmica em LP deixa de ser TA e passa a ser TP,
devido à entrada de ar, a vazão fornecida ao reservatório R2 será menor do que a de projeto Q,
uma vez que TP passa acima de TA (menor variação topográfica). Com isso, o segmento PO
fica mal aproveitado economicamente, pois do ponto P para frente há uma boa
disponibilidade de carga topográfica, dada por h – PC, e como a vazão é menor o segmento
PS se torna ocioso, com o escoamento ocupando somente parte da seção da tubulação, ficando
a parte restante ocupada por vapor que se desprende do líquido. Dessa forma, o escoamento
não terá caráter regular, e sim pulsante.
Para garantir a vazão de projeto Q sem contornar o trecho MPN, a solução é dividir a
tubulação em dois segmentos de diâmetros diferentes, instalando-se em P um pequeno
reservatório aberto denominado caixa de passagem. Calcula-se, então, o diâmetro D1 do
trecho LP sob carga PC e o diâmetro D2 < D1 do trecho PS sob carga restante h – PC. A caixa
de passagem deve ser provida de válvula automática controladora de vazão em sua entrada
para compatibilizar a vazão nos dois trechos, pois uma redução da demanda no reservatório
R2 implicaria num transbordamento desta.
29

LCAE
patm/
C LCEE
nível 1
T
P
R1 L M Y
X B
A LCAD h
N
LCED
V
O nível 2
S R2

Figura 31. 3a Posição: A tubulação passa acima da linha de carga absoluta dinâmica, porém
abaixo da linha de carga efetiva estática.

Nessa posição (Figura 31), as condições de escoamento são ainda piores que a anterior
(Figura 30), pois no trecho XY a pressão absoluta na tubulação assume, teoricamente, o valor
zero, sendo impossível a obtenção da vazão de projeto Q sob perda de carga h. Todavia,
ocorre escoamento, sendo que a linha de carga efetiva dinâmica torna-se TP, no trecho LP, e
OV, no trecho OS, sendo TP e OV paralelos. No trecho PO o escoamento é como em conduto
livre, só adquirindo pressão no ponto O. Para se ter a vazão de projeto Q a solução é
semelhante ao caso anterior, ou seja, instalação de uma caixa de passagem no ponto alto e
cálculo dos diâmetros D1 e D2 dos trechos LP e PS.
LCAE
P patm/
M N LCEE
nível 1
T
R1
LCAD h
L
LCED
nível 2
V
S R2

Figura 32. 4a Posição: A tubulação corta as linhas de cargas efetivas, mas fica abaixo das
linhas de cargas absolutas.

Nessa posição (Figura 32), a tubulação passa acima da LCED e da LCEE, porém
abaixo da LCAD. Naturalmente, a água vai somente até o ponto M, mas com o escorvamento
do trecho MN, ou seja, retirada do ar por um dispositivo mecânico (uso de uma bomba, por
exemplo), a tubulação funcionará como um sifão. As condições são piores que no segundo
caso (Figura 30), pois toda vez que entrar ar nesse trecho o escoamento cessa, sendo
necessário, novamente, seu escorvamento para retomar o fluxo.
Caso a tubulação passasse acima da LCAD e/ou do LCAE o escoamento por
gravidade seria impossível, havendo necessidade de recalque no trecho LP.
30

9. GOLPE DE ARÍETE
Golpe de aríete é o fenômeno resultante da brusca variação de velocidade de
escoamento nos condutos forçados, produzindo ondas de sobrepressão alternadas às de
subpressão (ou vice versa). Ocorre sempre que se fecha rapidamente um registro ou quando
há interrupção no fornecimento de energia num sistema de bombeamento.

9.1. MECANISMO DO FENÔMENO


Considerando-se que a tubulação esquematizada na Figura 33 esteja conduzindo um
líquido dotado de certa velocidade, sendo o mesmo dividido em várias lâminas, tem-se que:

Figura 33. Representação esquemática do mecanismo do golpe de aríete.

9.2. ASPECTOS TEÓRICOS


Fase ou período da tubulação (T):
2.L
T ..............................................................(51)
C
sendo: L – distância da causa pertubadora ao ponto de reflexão, normalmente correspondente
ao comprimento da tubulação;
C – celeridade ou velocidade de propagação da onda de sobrepressão, que é uma onda
elástica ou mecânica (m/s).
Celeridade (c) – fórmula de Allievi (quando o fluido escoado for água):
9900
C ......................................................(52)
D
48,3  k.
ep

sendo: ep – espessura da parede da tubulação (m);


31

k – coeficiente adimensional que considera o módulo de elasticidade “” do material


do tubo. Para os materiais mais comuns das tubulações os valores de k são: Aço –
0,5; Ferro Fundido – 1,0; Concreto – 5,0; Fibrocimento – 4,4; Plásticos – 18,0.
Quando um conduto é constituído de trechos de diâmetros diferentes, considera-se o
diâmetro equivalente no cálculo da celeridade. Já quando as celeridades são diferentes em
cada trecho devido aos diferentes materiais dos tubos, a celeridade equivalente da tubulação é
calculada por:
L L1 L 2 L 3 L
    ...  n (tubulações em série) ............................(54)
C C1 C 2 C 3 Cn
O tempo de fechamento (t) da válvula ou registro é uma importante variável no cálculo
da sobrepressão (ou depressão) máxima provocada pelo golpe. Se o fechamento for muito
rápido, a válvula ficará completamente fechada antes da atuação da onda de depressão (ou
sobrepressão) e seu valor será maior. Diante disto, a manobra de fechamento pode ser
classificada como rápida se t < T, e lenta se t > T.
Se a manobra for rápida, o valor da carga de sobrepressão máxima (hs) poderá ser
calculado pela equação:
C.v
ha  ..............................................................(55)
g
Se a manobra for lenta, o valor da carga de sobrepressão máxima (hs) poderá ser
calculado pela equação de Michaud:
C.v T
ha  . ...........................................................(56)
g t

9.3. MEDIDAS PARA ALIVIAR O GOLPE


Com o objetivo de limitar o golpe nas instalações de recalque, podem ser tomadas as
seguintes medidas de proteção:
a) Não permitir velocidades de escoamento elevadas;
b) Utilização de tubos que resistem à sobrepressão máxima prevista;
c) Instalar válvulas de retenção de boa qualidade (instalar duas ou mais válvulas espaçadas
adequadamente para secionar o golpe);
d) Utilização de válvulas de alívio;
e) Utilização de câmaras de ar comprimido;
f) Construção de chaminés de equilíbrio ou tubos piezométricos que possam absorver os
golpes, permitindo a oscilação da água;
g) Utilização de volantes (acoplados entre a bomba e o motor) para aumentar o momento de
inércia das partes rotativas das máquinas, prolongando o tempo gasto na sua parada.
32

9.4. CARNEIRO HIDRÁULICO


É um equipamento que permite utilizar uma queda d’água para elevar parte da vazão
captada a uma cota mais elevada, aproveitando somente a energia do golpe de aríete.
No carneiro há um grande desperdício de água, sendo, portanto, indicado para
abastecimento domiciliar ou de instalações zootécnicas em zonas rurais, onde a água é
reaproveitada ou é abundante.

Tubulação de suprimento - TS

E Tubulação de recalque - TR

Figura 36. Representação de um sistema de bombeamento por carneiro hidráulico.

A vazão de recalque (q) pode ser obtida pela equação:


h
q .Q. ............................................................(57)
H
sendo: h – altura de suprimento;
Q – vazão de suprimento;
H – altura de recalque;
 – rendimento.
O rendimento depende da qualidade de fabricação, do curso e peso da haste da
válvula de drenagem e da relação h/H. O mais usual é seguir os limites sugeridos pelos
fabricantes. Ex.: Carneiro Marumby:

h/H ½ 1/3 1/4 1/5 1/6 1/7 1/8


 80 75 70 65 60 55 50
Também se pode estimar o valor do rendimento pela equação de Eytelwein:

H
  1,12  0,22. .....................................................(58)
h
Como o escoamento não é permanente, na seleção das tubulações de suprimento (TS)
e recalque (TR), o mais prático é seguir a recomendação do fabricante. As Tabelas 24 e 25
apresentam informações gerais sobre carneiro hidráulicos de dois fabricantes. A Tabela 26
apresenta estimativas de consumo de água no meio rural para auxílio na seleção do carneiro.
33

Tabela 24. Informações gerais sobre o carneiro hidráulico da marca Marumby.

Número Q – vazão de Diâmetro de Diâmetro de Peso do Relação mínima


do suprimento suprimento recalque Aparelho h/H que o
Aparelho (L/min) (pol) (pol) (kg) carneiro opera
3
2 7 a 11 ¾ /8 12 1/30
3 7 a 15 1 ½ 19 1/30
4 15 a 26 1¼ ½ 24 1/30
5 22 a 45 2 ¾ 31 1/30
6 70 a 120 3 1¼ 65 1/30
Tabela 25. Informações gerais sobre o carneiro hidráulico da marca Jordão.

Número Q – vazão de Diâmetro de Diâmetro de Peso do Relação mínima


do suprimento suprimento recalque Aparelho h/H que o
Aparelho (L/min) (pol) (pol) (kg) carneiro opera
0 1 a 11 ¾ ½ - 1/30
00 3 a 18 1 ½ - 1/30
000 7 a 45 1½ 1 - 1/30
1 3 a 18 1 ½ - 1/40
2 7 a 45 1½ 1 - 1/40
3 20 a 90 2 1¼ - 1/40
4 40 a 200 3 2 - 1/40
5 80 a 360 4 2 - 1/40
6 200 a 825 6 3 - 1/40
OBS: Caso a vazão necessária seja superior à obtida com o maior aparelho, utilizar 2 ou mais aparelhos
associados em paralelo.

Tabela 26. Estimativas de consumo de água em algumas atividades da zona rural.

Especific Homem Aves Caprinos Suínos Suín. + higiene Bovino Eqüinos Hortas e
ação (1 un.) (10 un.) (1 un.) (1 un.) (1 un.) s (1 un.) Jardins
(1 un.) (m2)
Consumo 100 a 200 2 a 3 4a5 5a8 12 a 15 30 a 35 35 a 50 3a6
(L/dia)
34

10. BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO


Sistema de bombeamento: conjunto de tubulações, acessórios, bombas e motores
necessários para transportar certa vazão de água ou qualquer outro líquido de um local para o
outro, sendo normalmente o primeiro com nível inferior ao último.
Bombas hidráulicas são as máquinas que transformam energia mecânica em
hidráulica.

10.1. CLASSIFICAÇÃO DAS BOMBAS HIDRÁULICAS


São tantos os tipos de bombas existentes que se torna difícil ter uma classificação geral
suficientemente abrangente. Porém, de acordo com o modo de transferência de energia da
bomba hidráulica para o fluido, pode-se classificá-las em: dinâmicas, volumétricas e
especiais.
As bombas dinâmicas ou de fluxo são caracterizadas por transferir quantidade de
movimento para o líquido através da aceleração provocada por um elemento rotativo dotado
de pás denominado rotor.

Figura 37. Exemplo de bomba dinâmica.


As bombas volumétricas comunicam um aumento de pressão ao fluido, o que provoca
o seu escoamento. O volume de fluido bombeado em cada ciclo do órgão propulsor é fixo. O
aumento da pressão pode ser comunicado ao fluido através de elementos com movimento
alternativo ou rotativo.
(a) (b) Q

movimento
oscilatório
diafragma

Figura 38. Bombas volumétricas alternativas: (a) de pistão; (b) de diafragma.

(a) (b) (c)


35

Figura 39. Bombas volumétricas rotativas: (a) de engrenagens; (b) de palhetas; (c) de
parafusos.

As bombas especiais são aquelas que não se enquadram nos outros dois casos que são
os mais freqüentes. Um bom exemplo de bomba especial é o carneiro hidráulico, já discutido
anteriormente.

10.2. COMPONENTES DE UMA BOMBA DINÂMICA OU DE


FLUXO
Rotor: é o componente móvel responsável pela transmissão da energia mecânica, trazida pelo
eixo a partir de uma fonte externa, em energia hidráulica comunicada ao fluido. Sua forma
depende da aplicação da bomba e do líquido a ser bombeado, contudo, pode ser classificado,
em síntese, nos seguintes tipos (Figura 41):

Figura 41. Tipos de rotores das bombas dinâmicas: (a) fechado; (b) semi-aberto; (c) aberto.

Difusor: que corresponde a uma parte da carcaça da bomba, é o componente que tem a
finalidade de abrigar o rotor e direcionar o escoamento para a saída da bomba ou para outro
rotor. Têm-se, então, os seguintes
(a) tipos de difusores
(b) (Figura 42): (c)

Figura 42. Tipos de difusores das bombas dinâmicas: (a) voluta simples; (b) dupla voluta; (c)
palhetas diretrizes.

Eixo: tem a função de transmitir a potência do motor ao rotor da bomba e, também, de


suportar o peso do rotor e das cargas radiais e axiais ocorridas no mesmo.
chaveta para o gaxetas eixo (b)
(a) acoplamento
rolamento rotor

rolamento porca
interior da do
caixa de óleo chaveta rotor

Figura 43. Eixo de uma bomba dinâmica indicando as posições de inserção dos demais
componentes (a) e eixo de uma bomba dinâmica bipartida mostrando o rotor (b).
36

Sistema de vedação: impede o vazamento do líquido na região em que o eixo penetra na


carcaça da bomba, função atribuída às gaxetas ou ao selo mecânico. Nas bombas centrífugas
também se tem a vedação entre a carcaça e o rotor (anéis de desgaste).

(a) carcaça
(b)
carcaça mola
anel de desgaste
prisioneiro/porca

gaxeta eixo

aperta gaxeta

interior
da bomba exterior da bomba

Figura 44. Sistema de vedação de uma bomba dinâmica: (a) gaxetas; (b) selo mecânico.

Mancais de rolamentos: tem a função de sustentar o sistema rotativo (eixo, rotor e


acessórios), permitindo a rotação livre de vibrações e com o mais alto rendimento possível.

mancal

Figura 45. Mancais de rolamentos de uma bomba dinâmica.

Carcaça da bomba: é a parte estacionária que envolve o rotor (voluta); sustenta o sistema
rotativo (via mancais de rolamentos); possui aberturas para receber a tubulação de sucção e a
tubulação de recalque; e possui pés para fixação, juntamente com o motor, à estrutura de vigas
de ferro que forma a base do conjunto.

(a) (b)

carcaça

crivo da
sucção

Figura 46. Carcaça de uma bomba dinâmica (a) horizontal e (b) vertical (poço profundo).
37

10.3. ACOPLAMENTO DA BOMBA DINÂMICA AO MOTOR E


ASSENTAMENTO DO CONJUNTO NA FUNDAÇÃO
Os acoplamentos podem ser rígidos ou flexíveis. Os acoplamentos que não permitem
deslocamento relativo axial ou radial entre os eixos são chamados de rígidos e são usados
principalmente em bombas verticais. Um acoplamento flexível (Figura 47), por outro lado, é
um dispositivo que liga os dois eixos, tolerando pequenos deslocamentos angulares, paralelos,
ou uma combinação dos dois na transmissão de torque.

luva de acoplamento

base do conjunto

Figura 47. Luva de acoplamento tipo elástica e base do conjunto motor-bomba.


O conjunto motor-bomba deve ser assentado sobre uma fundação estruturalmente bem
dimensionada, sendo preferencialmente de concreto ou alvenaria e isenta de vibrações. As
dimensões do bloco de fundação devem exceder de 5 a 10 cm na largura e comprimento a
base do conjunto

10.4. CLASSIFICAÇÃO DAS BOMBAS DINÂMICAS


A principal classificação das bombas dinâmicas leva em consideração a trajetória
desenvolvida pelo fluido no rotor, podendo ser:
a) Radiais ou centrífugas: o fluido penetra axialmente no rotor, porém sua trajetória é
bruscamente desviada para a direção radial (Figura 48a). São bombas destinadas a vencer
grandes cargas com vazões relativamente baixas. O acréscimo de pressão é causado,
principalmente, pela ação da força centrífuga;
b) Diagonais ou de fluxo misto: o fluido penetra axialmente e sai em uma direção diagonal,
média entre axial e radial. São indicadas para cargas médias, e o acréscimo de pressão é
devido, em parte, à força centrífuga e, em parte, à ação de sucção das pás (Figura 48b);
c) Axiais: o fluido penetra axialmente no rotor e sai em movimento helicoidal em direção
praticamente axial (Figura 48c). São bombas de melhor aplicação nos casos de grandes
vazões e pequenas cargas.
(a) (b) (c)

Figura 48. Tipo de trajetória do fluido nas bombas dinâmicas: (a) radial ou centrífuga; (b)
diagonal ou mista; (c) axial.
38

10.5. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DE UMA BOMBA


RADIAL E DE UMA BOMBA AXIAL
Conforme o esquema da Figura 49, numa bomba radial a ação da força centrífuga faz
com que as partículas do líquido sejam empurradas para a zona periférica do recipiente e,
consequentemente, para a tubulação ligada ao reservatório superior (visto que o recipiente é
fechado). Se a força centrífuga for suficiente, o líquido chegará ao reservatório superior. Por
sua vez, no centro do recipiente, ocorre uma pressão inferior à atmosférica local (depressão)
que permite a aspiração do líquido pela tubulação ligada ao reservatório inferior. Se a pressão
no centro chegar a um valor muito próximo a zero (vácuo), não ocorrerá a aspiração do
líquido, não sendo possível, portanto, o bombeamento.

tubulação
de sucção
reservatório
superior

tubulação
de recalque
reservatório
inferior
recipiente
cilíndrico

motor

Figura 49. Princípio de funcionamento de uma bomba radial ou centrífuga.


O princípio de funcionamento de uma bomba axial não é baseado na força centrífuga
desenvolvida pela rotação do rotor, mas sim pela força de sustentação provocada pelo
escoamento do fluido em torno de suas pás, ou seja, devido ao perfil aerodinâmico das
mesmas. Ao girar no interior da carcaça, as pás (de perfis aerodinâmicos) sofrem um
movimento relativo de translação em relação ao fluido, criando uma força de sustentação
(depressão abaixo das pás e sobrepressão acima) que produz a aceleração do fluido no sentido
do recalque da bomba, conforme a Figura 50.

Figura 50. Princípio de funcionamento de uma bomba axial.


Numa bomba diagonal ou de fluxo misto o funcionamento é devido, em parte, à ação
da força centrífuga e, em parte, à ação da força de sustentação provocada pelo escoamento do
fluido em torno das pás.
39

10.6. ALTURA GEOMÉTRICA DE INSTALAÇÃO DE UMA


BOMBA, CAVITAÇÃO, ROTAÇÃO ESPECÍFICA E NPSH
DISPONÍVEL E EXIGIDO
Em um sistema de recalque pode-se instalar uma bomba de duas formas distintas
quanto à cota de seu eixo em relação à cota da água no reservatório de captação, ou seja: i)
bomba afogada, quando a cota do eixo da bomba está abaixo da cota do nível da água no
reservatório; ii) bomba não afogada, quando a cota do eixo da bomba está acima da cota do
nível da água no reservatório (Figura 51).

hf = hfs + hfr

casa de bombas
H hgr
H – altura manométrica total

hgs – altura geométrica de sucção


(2)
hfs – perda de carga na sucção
hgs
(1) motor elétrico hgr – altura geométrica de recalque
bomba hidráulica hfr – perda de carga no recalque
válvula de pé com crivos

Figura 51. Terminologia de um sistema de bombeamento com bomba não afogada.

Altura geométrica de sucção máxima (hgs(max)):


p atm  p vapor v2
2
hg s (max)   hf s   hf b .....................................(59)
 2.g

Trabalhando-se algebricamente a Eq.(59), de forma a colocar no primeiro membro


apenas as grandezas que dependem das condições locais da instalação e no segundo membro
as grandezas que dependem das condições particulares da entrada da bomba, tem-se as
expressões do NPSH disponível na instalação e do NPSH exigido pela bomba:
p atm  p vapor v2
2
 hg s  hf s =  hf b ..........................................(61)
 2.g

NPSH disponível NPSH exigido


Em uma instalação elevatória não haverá cavitação na bomba se:
NPSH disponível  NPSH exigido ........................................(62)
40

Figura 52. Efeito da cavitação sobre o rotor de uma bomba.

Rotação específica: corresponde à rotação do rotor de uma bomba de uma série homóloga de
bombas geometricamente semelhantes, que proporciona a vazão de 1 m3/s a uma altura
manométrica de 1 m:
n.Q 0,5
Ns  3,65. .......................................................(60)
H 0,75
sendo: Ns – rotação específica (rpm) da bomba;
n – rotação (rpm) da bomba;
Q – vazão da bomba (m3/s) na rotação n;
H – altura manométrica da bomba (m) na rotação n.

10.7. SELEÇÃO DE UMA BOMBA HIDRÁULICA


Em suma, a seleção primária de uma bomba para uma instalação de bombeamento
depende do conhecimento de duas grandezas, ou seja, a vazão (Q) a ser bombeada e a altura
manométrica (H) da instalação.
Os resultados dos ensaios de uma bomba com o rotor operando em uma velocidade
constante, costumam ser representados em um diagrama denominado curva característica
que relaciona a altura manométrica (H), o rendimento mecânico (b), a potência absorvida no
eixo (Pb) e o NPSHexigido em função da vazão (Q), conforme pode ser visto na Figura 55.
Conhecidos os valores da vazão e da altura manométrica de um sistema de
bombeamento, para selecionar a bomba mais conveniente se deve consultar os denominados
gráficos de seleção (Figura 54) de um ou mais fabricantes. Um gráfico de seleção consiste da
representação cartesiana de H x Q, dentro do qual está delineado o campo específico de
aplicação de cada bomba de uma série ou linha de produção do fabricante (bombas do mesmo
tipo construtivo, porém de tamanhos diferentes). É importante observar que o gráfico de
seleção é sempre traçado para uma determinada rotação do rotor (normalmente 3500 e 1750
rpm, que correspondem às rotações – considerando o efeito do escorregamento – dos motores
elétricos de indução de 2 e 4 pólos, respectivamente, na freqüência de 60 Hz, que é a padrão
no Brasil).
Em função do exposto, é possível encontrar dentro da linha de produção de um mesmo
fabricante, mais de um tipo de bomba capaz de atender as condições de vazão e altura
manométrica exigidas. A escolha definitiva dependerá, também, dos seguintes aspectos:
41

 estudo econômico que compare o custo de compra do conjunto motor e bomba e o


seu respectivo custo operacional (quanto maior rendimento menor será o consumo de
energia);
 adequação entre os materiais empregados na construção da bomba e a natureza do
fluido por ela recalcado;
 adequação entre o tamanho (e até mesmo o peso) da bomba e o espaço disponível da
instalação;
 adequação da bomba à altura geométrica de sucção (NPSHdisponível  NPSHexigido).
Figura 54.Gráfico de seleção de bombas da marca IMBIL, série INI, nas rotações 1750 e 3500 rpm.
1750 rpm 3500 rpm

125-400 1750 rpm 80-200 3500 rpm

Figura 55. Curva característica da bomba IMBIL, série INI, modelos 125-400 e 80-200 nas
rotações 1750 e 3500 rpm, respectivamente.
42

10.8. POTÊNCIA NO SISTEMA, SELEÇÃO DO MOTOR E


DEMAIS COMPONTENTES
Ph

Pm’ = Pb

Pt’
Figura 57. Fracionamento da potência no sistema de bombeamento com motor elétrico.

 Ph – potência hidráulica (útil), ou seja, a que realmente é transmitida ao líquido, obtida por:

Q(m 3 /s) . H (m) .  (kgf/m 3 ) Q(m 3 /s) . H(m) .  (N/m 3 )


Ph (cv)  ou Ph (kW)  ............(63)
75 1000

 Pb – potência absorvida no eixo da bomba, ou seja, é a potência hidráulica acrescida das


perdas mecânicas da bomba, sendo seu valor fornecido na curva característica, podendo
ser calculada, também, por:
P
Pb  h ..............................................................(64)
b
 Pm’ – potência desenvolvida no eixo do motor cujo valor é igual à Pb. Porém, na prática,
recomenda-se que o motor opere com certa reserva de potência devido à possível
variação do ponto de trabalho do sistema (H x Q), que resulta, também, na variação de
Pb. Sendo assim, a potência recomendada (Pm”) para o motor é obtida pela equação:
Ph
Pm"  f rp . ...........................................................(65)
b
sendo: frp – fator de reserva de potência, cujos valores são discriminados na tabela a seguir:

Potência da bomba (Pb) Reserva de Potência


(%)
frp
cv kW
até 2  1,5 20 1,20
2 a 20 1,5 a 15 15 1,15
acima de 20 acima de 15 10 1,10

A potência do motor comercial (Pm) deve ser igual ou imediatamente superior à Pm’.

 Pt’ – potência fornecida pelo transformador elétrico:


Ph
Pt '  ......................................................(66)
b .me . cos 
sendo: me – rendimento do motor elétrico (decimal), obtido em tabela do fabricante;
cos  – fator de deslocamento do sistema elétrico (decimal) – tabela do fabricante.
43

A potência do transformador elétrico comercial (Pt) deve ser igual ou imediatamente


superior à Pt’.
A reserva de potência do motor elétrico não deve ser superior a 40%, pois, caso
contrário, aumentam-se as perdas reativas e mecânicas em relação à potência dissipada,
diminuindo seu fator de deslocamento (cos ) e rendimento (me). 
Mesmo dimensionado adequadamente, o motor elétrico apresenta um fator de
deslocamento inferior a 0,92, que é o mínimo exigido pelas concessionárias de energia
elétrica para isenção da cobrança de um ajuste sobre o faturamento do consumo de energia
elétrica e demanda de potência da instalação. O valor da potência reativa do banco de
capacitores para corrigir a defasagem entre corrente e tensão é obtido pela seguinte equação:
Q(m 3 / s) . H(m) .  ( N / m 3 )
Pr  tg arc cos   tg arc cos 0,92. .................(67)
1000. b
sendo: Pr – potência reativa do banco de capacitores (kVAr) para corrigir a defasagem entre
corrente e tensão;
arc cos – arco (rad) cujo coseno vale , ou seja, arco correspondente à defasagem
entre corrente e tensão no circuito elétrico indutivo do sistema sem o
banco de capacitores. O valor do cos  é obtido na curva característica do
motor ou, mais freqüentemente, nos dados da plaqueta do motor;
arc cos 0,92 – arco cujo coseno vale 0,92, ou seja, arco correspondente à defasagem
entre corrente e tensão no circuito elétrico indutivo do sistema com o
banco de capacitores, cujo valor é 0,40271584 radianos;
Com o valor obtido na Eq.(67), seleciona-se, com base nos catálogos dos fabricantes,
quantas unidades ou módulos de capacitores serão necessários para constituir o banco.
O banco de capacitores é constituído de unidades ou módulos de capacitores (Figura
60a) em caixa metálica (Figura 60b). Comercialmente, os bancos de capacitores são
produzidos para correção de potência reativa de 10 a 75 kVAr.

(a) (b)

(c)

Figura 60. Módulos e unidades capacitivas (a), banco de capacitores em caixa metálica (b) e
bancos de capacitores em um grande sistema de bombeamento.

Os motores elétricos mais utilizados para acionamento das bombas hidráulicas são os
de indução do tipo gaiola de esquilo, produzidos com 2, 4, 6 e 8 pólos (respectivamente 3600,
1800, 1200 e 900 rpm a 60 Hz – sem considerar o escorregamento), monofásicos ou trifásicos
nas linhas Standard e Alto Rendimento, cujas potências dos modelos comerciais são:
44

 Monofásicos (2 e 4 pólos – tensões 220/440 volts): 0,25 - 0,33 - 0,50 - 0,75 - 1,00 -
1,50 - 2,00 e 3,00 cv;
 Trifásicos (2, 4, 6 e 8 pólos – tensões 220/380, 380/660 e 440 volts): 0,16 - 0,25 -
0,33 - 0,50 - 0,75 - 1,00 - 1,50 - 2,00 - 3,00 - 4,00 - 5,00 - 6,00 - 7,50 -
10,0 - 12,5 - 15,0 - 20,0 - 25,0 - 30,0 - 40,0 - 50,0 - 60,0 - 75,0 - 100 -
125 - 150 - 175 - 200 - 250 - 300 - 350 - 400 - 450 e 500 cv.
Para instalações de grande demanda de potência são utilizados outras linhas e tipos de
motores que possuem melhor rendimento e operam freqüentemente em tensões maiores.
As chaves de partida dos motores elétricos de indução são recomendadas conforme a
potência do motor, números de manobras por hora, tempo de aceleração do motor (até atingir
a velocidade de rotação nominal) e tensão, tendo, basicamente, três tipos: i) partida direta; ii)
estrêla-triângulo e iii) compensadora (possui autotransformador – Figura 59).

Figura 59. Chave de partida do tipo compensadora.


Normalmente os transformadores elétricos comerciais são produzidos nas potências de
30 - 45 - 75 - 112,5 - 150 - 225 - 300 e 500 kVA, nas classes de tensão de 15 kV e 24,2 kV,
que correspondem às faixas de tensão no enrolamento primário de 12600 a 13800 V e de
20900 a 23100 V, respectivamente. As tensões no secundário também variam de 127 a 440 V.

Figura 61. Transformadores elétricos trifásicos.


45

10.9. RELAÇÃO ENTRE ROTAÇÃO, ALTURA MANOMÉTRICA


E POTÊNCIA
A variação da rotação (rpm) do rotor de uma bomba hidráulica muda sua vazão (Q),
altura manométrica (H) e potência absorvida pela bomba (Pb), conforme as relações:
2 3
Q1 rpm 1 H1  rpm1  Pb1  rpm1 
     ..............................(67)
Q 2 rpm 2 H 2  rpm 2  Pb 2  rpm 2 

Tais relações somente são válidas para os pontos em que a bomba opera com o mesmo
rendimento. Assim, aplicando-se essas relações pode-se traçar a curva característica da bomba
em outras rotações, ampliando-se o campo de aplicação da mesma.
A variação do diâmetro () do rotor de uma bomba hidráulica, dentro de certos
limites, apresenta a mesma influência que a variação da rotação sobre a vazão (Q), altura
manométrica (H) e potência absorvida pela bomba (Pb), ou seja:
2 3
Q1  1 H1  1  Pb1   1 
     ...................................(68)
Q2  2 H 2   2  Pb 2   2 

10.10. ASSOCIAÇÃO DE BOMBAS EM SÉRIE E PARALELO


A associação de bombas em série ou em paralelo é indicada, principalmente, quando
não existe no mercado um modelo que atenda satisfatoriamente as exigências de vazão e/ou
altura manométrica, ou quando a demanda destas forem variáveis no tempo.
Na associação em paralelo, cada bomba recalca a mesma parte da vazão total do
sistema, mas a altura manométrica do sistema é a mesma de cada uma das bombas. Na
associação em série, a entrada da bomba posterior é conectada à saída da anterior, de modo
que a mesma vazão passa através de cada bomba, mas a altura de elevação de cada uma é
somada para produzir a altura manométrica do sistema.
Figura 62. Curvas características de duas bombas iguais associadas em série e em paralelo.

H
2 bombas
em série
Tubulação S

Tubulação P
1 bomba

2 bombas
em paralelo

Q
46

11. OTIMIZAÇÃO DE SISTEMAS DE BOMBEAMENTO


Os custos de um sistema de bombeamento são influenciados por muitos parâmetros,
dentre os quais, o diâmetro da adutora, a vazão requerida, o comprimento da tubulação, o
desnível topográfico, a pressão no final da adutora, o transporte dos equipamentos, a mão-de-
obra para sua instalação, manutenção e operação, os custos energéticos e outros mais. Para o
motor à eletricidade, é importante considerar a modalidade de tarifação da energia elétrica que
será aplicada ao consumidor, bem como os custos com a linha de alta tensão, se o ramal
elétrico da concessionária estiver distante da estação de bombeamento.

11.1. DIÂMETRO ECONÔMICO


A seleção do diâmetro de uma linha de recalque deve ser feita mediante considerações
econômicas em que se procura o custo anual total (CAT) mínimo, em termos de valor
presente, levando em conta o custo anual fixo, relacionado ao investimento inicial, e o custo
anual variável, decorrente do bombeamento e manutenção, principalmente.
Existem várias fórmulas que permitem o cálculo do diâmetro econômico para um
sistema elevatório. Entre elas a de Bresse, que data do século passado, aplicável a instalações
de funcionamento contínuo:
D  K. Q ............................................................(69)
em que: D – diâmetro da tubulação (m);
K – coeficiente da fórmula de Bresse que, de um modo geral, varia de 0,7 a 1,4;
Q – vazão da tubulação (m3/s).
Quando o funcionamento da instalação de recalque não é contínuo, o diâmetro
econômico pode ser calculado pela equação recomendada pela NBR-5626 da Associação
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (1982):
D  1,3.4 X. Q .........................................................(71)
sendo: X - número de horas de trabalho diário dividido por 24.

11.2. AVALIAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS DE


BOMBEAMENTO: CUSTO FIXO ANUAL
O custo fixo anual resulta, principalmente, da soma da depreciação dos componentes
do sistema e da remuneração de capital investido, calculadas com base anual durante a
longevidade dos componentes do sistema.
A depreciação corresponde ao custo necessário para substituir os bens de capital
quando tornados inúteis pelo desgaste físico ou quando perdem o valor com o decorrer dos
anos devido às inovações técnicas. Uma das maneiras de quantificá-lo, Coelho (1979),
estabelece um fundo de amortização imaginário calculado por:

AMA 
Vi  Vf .r
....................................................(72)
1  r PA  1
sendo: AMA – amortização anual, ou seja, valor que deve ser depositado em cada ano no
fundo para igualar a depreciação do bem de capital ($);
47

Vi – valor inicial do bem de capital ou investimento inicial ($);


Vf – valor final do bem de capital ou valor de resgate no final do período de
amortização ($);
r - taxa anual de juros;
PA - período de amortização (depreciação) do capital, em anos.
A remuneração ou juros sobre o capital investido significa que o empresário
renunciou à remuneração que poderia ter obtido pela aplicação de seus capitais em outras
alternativas. Essa renúncia representa, para o empresário, o custo a ser considerado.
Utilizando-se técnica semelhante, ou seja, aplicação anual de parcelas num fundo, ao término
do período de amortização se obtém também o montante referente à remuneração do capital
investido:
Vi.(1  r ) PA  Vi
REA  .................................................(73)
 PA n
 (1  r )   1
 n 1 
sendo: REA – remuneração anual do capital, ou seja, valor que deve ser depositado no início
de cada ano no fundo para igualar a remuneração do bem de capital ($);
n – expoente polinomial.
Portanto, o custo fixo anual (CFA) corresponde à soma da depreciação (ou
amortização) anual e da remuneração anual do capital.

11.3. AVALIAÇÃO ECONÔMICA DE SISTEMAS DE


BOMBEAMENTO: CUSTO VARIÁVEL ANUAL
Os custos variáveis correspondem, principalmente, aos dispêndios com a energia do
bombeamento; com os reparos e manutenção dos equipamentos e infra-estrutura utilizados na
operação do sistema; com a mão-de-obra; e com a água.
Os reparos e manutenção correspondem ao custo anual necessário para manter o bem
de capital em condições de uso. A um maior custo de conservação corresponde, geralmente,
uma menor depreciação. As manutenções, reparos ou conservações ordinárias representam
despesas do exercício, podendo ser maior ou menor conforme a intensidade de uso do bem de
capital, correspondendo, portanto, a um custo anual variável.
Na prática, segundo o Programa Nacional de Irrigação - PRONI (Brasil, 1987),
costuma-se calcular os custos da manutenção a partir de valores médios anuais expressos em
percentuais sobre o valor de compra do equipamento. A Tabela 28 mostra uma faixa de
variação que deve ser aplicada sobre o valor da compra, para a estimativa de manutenção e
reparos. É importante notar que a tabela foi elaborada para um período de operação anual de
2000 horas.
Portanto, com base na Tabela 28, o custo anual de manutenção e reparos (MRA) pode
ser estimado por:
I
MRA   Vi i .fmr i .....................................................(76)
i 1

sendo: fmri – fração do valor inicial do i-ésimo componente gasto anualmente com sua
manutenção e reparos (Tabela 28).
48

Tabela 28. Vida útil e taxas de manutenção de componentes de sistemas de irrigação.

Vida útil Manutenção anual


Componentes
(anos) (% do novo)
Aspersores fixos 7 – 10 5,0 - 8,0
Aspersores móveis 10 – 15 5,0 - 8,0
Bomba centrífuga 16 – 25 3,0 - 5,0
Bomba eixo vertical 16 – 20 4,0 - 6,0
Canais permanentes 15 – 25 1,0 - 2,0
Estação de bombeamento (estrutura) 20 – 40 0,5 - 1,5
Estruturas de concreto 15 – 25 0,5 - 1,0
Motor diesel 10 – 20 5,0 - 8,0
Motor elétrico 20 – 25 1,5 - 2,5
Poços profundos 20 – 30 0,5 - 1,5
Reservatórios — 1,0 - 2,0
Sistematização de terras — 1,5 - 2,5
Tanque de fertilizantes 5 – 10 0,5 - 1,0
Tubo de aço (enterrado) 15 – 25 0,25 - 0, 50
Tubo de aço (superfície) 10 – 12 1,5 - 2,5
Tubo de aço galvanizado (superfície) 10 – 20 1,0 - 2,0
Tubo de alumínio sob pressão 10 – 20 1,5 - 2,5
Tubo de cimento amianto (enterrado) 15 – 40 0,25 - 0, 75
Tubo de concreto 15 – 25 —
Tubo de madeira (enterrado) 10 – 20 0,75 - 1,25
Tubo de polietileno (gotejamento) 8 – 10 1,5 - 2,5
Tubo de PVC (enterrado) 15 – 40 0,25 - 0,75

O dispêndio anual com a mão-de-obra corresponde aos salários e encargos sociais de


todas as pessoas envolvidas na operação do sistema de irrigação, inclusive fiscais e
supervisores, caso existam.
O dispêndio com a água, que até o presente momento não teve importância,
provavelmente passará a ser mais um item dos custos variáveis. Com a “Lei das Águas” (n.
9.433/97), que de início declara que a água é um bem de domínio público e um recurso
natural limitado e dotado de valor econômico, se regulamentou os dispositivos constitucionais
específicos, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos e criando o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos para disciplinar a utilização dos recursos
hídricos. Na mais recente etapa de consolidação do Sistema de Gerenciamento dos Recursos
Hídricos criou-se, com a lei n. 9.948/2000, a Agência Nacional de Águas (ANA), que vai
cuidar de toda a administração da outorga de direitos e da cobrança pelo uso da água no País,
todavia, serão os comitês das bacias hidrográficas que decidirão sobre o valor, como e quando
cobrar e sobre a aplicação dos recursos que devem retornar para a própria bacia.
49

11.4. FONTES ENERGÉTICAS PARA OS SISTEMAS DE


BOMBEAMENTO
Diversas são as fontes de energia para acionamento de sistemas de bombeamento,
dentre as quais as da eletricidade de origem hidráulica, eólica e solar; as dos combustíveis
fósseis e as dos combustíveis renováveis. A Tabela 29 mostra características energéticas de
combustíveis líquidos e gasosos utilizados com os respectivos rendimentos dos motores.

Tabela 29. Características energéticas dos principais combustíveis líquidos e gasosos


utilizados em unidades de bombeamento e rendimento dos respectivos motores.

Combustível Poder calorífico Massa específica Rendimento


(PC) (c) motor (mc)
Diesel 41,66 ± 0,63 MJ/kg 850 – 880 kg/m3 0,30
Gasolina 42,91 ± 0,63 MJ/kg 840 – 860 kg/m3 0,27
Álcool hidratado 95% 25,31 MJ/kg 810 kg/m3 0,34
Metano 49,89 MJ/kg 0,72 kg/m3 0,20
Butano 45,84 MJ/kg 2,70 kg/m3 0,20
Propano 46,03 MJ/kg 2,02 kg/m3 0,20
Gás natural seco 35,89 – 47,84 MJ/kg ~ 0,7 kg/m3 0,20
Gás natural úmido 29,10 – 56,52 MJ/kg 0,7 – 1,0 kg/m3 0,20
Biogás (65 – 67% metano) 29,27 – 37,26 MJ/kg ~ 0,7 kg/m3 0,20

11.5. CUSTO ANUAL DE BOMBEAMENTO PARA MOTORES À


COMBUSTÃO
O custo de bombeamento (CB) de um de um sistema elevatório de água com bomba(s)
hidráulica(s) acionada(s) por motor(es) à combustão pode ser calculado pela seguinte
equação:
0,0036.Q.H..C uc . t Q.H..CU.C uc. t
CB  ou CB  .........................(77)
b .mc .PC. c 735.b
sendo: Q – vazão do sistema elevatório (m3/s);
H – altura manométrica do sistema elevatório (m);
– peso específico da água (N/m3);
b– rendimento da bomba hidráulica;
mc– rendimento médio do motor à combustão (Tabela 29);
c – massa específica do combustível (kg/m3);
PC – poder calorífico do combustível (MJ/kg);
Cuc – custo unitário do combustível ($/m3);
CU – consumo unitário do motor à combustão (m3/cv.h) – dados técnicos do motor;
t – tempo de funcionamento do sistema elevatório (h).
Sendo assim, o custo anual de bombeamento (CAB) do sistema é calculado por:
N
CAB   CB n ........................................................(78)
n 1
50

sendo: CBn – custo de bombeamento do n-ésimo período de operação do sistema no ano, que
pode ter variado, em relação aos outros períodos, a vazão, a altura manométrica,
o rendimento da bomba e o tempo de funcionamento.

11.6. CUSTO ANUAL DE BOMBEAMENTO PARA MOTORES À


ELETRICIDADE
O custo anual de bombeamento (CAB) de um sistema elevatório de água com
bomba(s) hidráulica(s) acionada(s) por motor(es) à eletricidade, no Brasil, é obtido pela
equação adaptada do Comitê de Distribuição de Energia Elétrica - CODI (1988):
CAB  FAD  FAC  AJA ...............................................(79)
sendo: FAD – faturamento anual da demanda1 ($);
FAC – faturamento anual do consumo de energia elétrica ($);
AJA – ajuste anual referente ao fator de deslocamento do sistema elétrico($), cos ,
também denominado, erroneamente, de fator de potência.

MODALIDADES DE APLICAÇÃO DAS TARIFAS DE ENERGIA ELÉTRICA


Até 1981 a energia elétrica no Brasil era tarifada por um único sistema, denominado
convencional, que não tinha diferenciação de preços durante as horas do dia e períodos do
ano.
Diante da necessidade de estimular o deslocamento de parte da carga para os horários
que o sistema elétrico estiver menos carregado, e para os períodos do ano de maior
disponibilidade hídrica, foram criadas as tarifas horo-sazonais (verde e azul), que são tarifas
de energia elétrica com custos diferenciados de acordo com sua utilização durante as horas do
dia e durante os períodos do ano. Esta diferenciação visa otimizar o sistema elétrico nacional
e permite ao consumidor reduzir suas despesas com energia elétrica desde que consiga
programar o seu uso, ou seja, evitando-se o horário de ponta, cuja tarifa é significativamente
maior, e/ou deslocando-se o consumo para o período úmido, cuja tarifa é menor. O horário
de ponta corresponde a três horas consecutivas (definidas pela concessionária) entre as 17 e
22 h de segunda a sexta-feira, enquanto o horário fora de ponta são as horas
complementares às de ponta, acrescidas à totalidade das horas dos sábados e domingos. O
período seco é composto de sete meses consecutivos de maio a novembro, enquanto o
período úmido é composto de cinco meses consecutivos de dezembro a abril.
As tarifas horo-sazonais são aplicadas aos consumidores atendidos em tensão de
fornecimento igual ou superior a 2,3 kV (Grupo A) ou ligados em baixa tensão em sistema de
distribuição subterrâneo, mas considerados, para faturamento, como de alta tensão.
Para os consumidores do Subgrupo A4, no qual se incluem os rurais, também são
concedidos descontos especiais para os irrigantes que solicitarem tal benefício, conforme a
Portaria no 105 de 3 de abril de 1992 do DNAEE. Porém, tais descontos incidem somente
sobre o consumo de energia elétrica entre as 23 e 5 h, sendo necessária exclusividade para
irrigação, ou seja, a rede elétrica para o sistema de irrigação deve ser independente das demais
da propriedade, além do que os equipamentos de medição e controle da energia fornecida
ficam a cargo do consumidor. Os descontos variam conforme a região do país, sendo igual a
90% para o Nordeste e regiões geoeconômicas denominadas Vale do Jequitinhonha e

1
Demanda – é a potência média medida por aparelho integrador durante qualquer intervalo de 15 (quinze)
minutos.
51

Polígono da Seca, no Estado de Minas Gerais; 80% para o Norte e Centro-Oeste e demais
regiões de Minas Gerais; e 70% para as demais regiões do país.
As fórmulas apresentadas a seguir para cálculo do custo anual de bombeamento são
aplicadas aos consumidores do Grupo A classificados como sasonais ou rurais.

TARIFA CONVENCIONAL
É aplicada às unidades consumidoras do Grupo A, atendidas em tensão inferior a 69
kV e com demanda menor do que 500 kW. A estrutura tarifária é a seguinte:
Demanda (kW): um preço único;
Consumo (kWh): um preço único.
Faturamento anual da demanda (FAD):
 12 
FAD    DM m .TDc   0,10.d.DM máx .TDc .................................(80)
 m1 
sendo: d – número de meses completos por ano que o sistema elevatório fica desligado e, com
isso, ocorre faturamento de demanda correspondente a 10% da maior demanda
medida nos últimos 11 meses, ou seja, a DMmáx (OBS: 0  d  11);
DMm – demanda de potência elétrica medida no m-ésimo mês (kW);
TDc – tarifa de demanda convencional ($/kW).

Faturamento anual do consumo:


a) sem o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
12
FAC   CM m .TCc ....................................................(82)
m 1

sendo: TCc – tarifa de consumo convencional ($/kWh);


CMm – consumo de energia elétrica medida no m-ésimo mês do ano (kWh)..
b) com o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
12
FAC   TCc.CMhe m .(1 - fdtc)  CMhc m  ..................................(84)
m 1

sendo: fdtc – fração de desconto sobre a tarifa de consumo (0,70, 0,80 ou 0,90, conforme a
região do país);
CMhem – consumo de energia elétrica medida no horário especial para irrigantes (23
as 5h) do m-ésimo mês (kWh);
CMhcm – consumo de energia elétrica medida no horário complementar ao especial
para irrigantes do m-ésimo mês (kWh).

Ajuste anual do fator de deslocamento do sistema elétrico:


a) sem o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
12
 0,92 
AJA   DM m .TDc  CM m .TCc .  1 ................................(87)
m 1  cos  
sendo: cos  – fator de deslocamento do sistema elétrico ( cos  do motor elétrico).
A Eq.(87) é aplicada somente quando cos   0,92.
52

b) com o benefício da Portaria 105 do DNAEE:


12
 0,92 
AJA   DM m .TDc  CMhc m  CMhe m .(1 - fdtc) .TCc.  1 .............(88)
m 1  cos  
A Eq.(88) é aplicada somente quando cos   0,92.

TARIFA VERDE
É aplicada sempre em caráter opcional às unidades consumidoras do Grupo A
atendidas em tensão inferior a 69 kV e com demanda de potência igual ou superior a 50 kW.
A estrutura tarifária é a seguinte:
Demanda (kW): – um preço único;
Consumo (kWh): – um preço para o horário de ponta em período úmido;
– um preço para o horário fora de ponta em período úmido;
– um preço para o horário de ponta em período seco;
– um preço para o horário fora de ponta em período seco.
Faturamento anual da demanda:
 12 
FAD   DM m .TDv  (DM m  DC).TUv   0,10.d.DM máx .TDv ................(89)
m1 
sendo: DMm e d já definidos na Eq.(80);
DC – demanda contratada com a concessionária de energia elétrica (kW);
TDv – tarifa de demanda verde ($/kW);
TUv – tarifa de ultrapassagem de demanda verde ($/kW), que somente é aplicada se:
(i) a demanda medida for superior a 10% da demanda contratada, quando a
demanda contratada for superior a 100kW, (ii) a demanda medida for superior a
20% da demanda contratada, quando a demanda contratada for de 50 kW a 100
kW. Portanto, o termo (DMm – DC).TUv da Eq.(89) não é aplicado se isso não
ocorrer.
Faturamento anual do consumo:
a) sem o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
5 7
FAC   CMp mu .TCvup  CMfp mu .TCvufp 
mu1
 CMp
ms1
ms .TCvsp  CMfp ms .TCvsfp ..........(90)

sendo: CMpmu – consumo medido (kWh) no horário de ponta (17 as 21h ou definido pela
concessionária) do mu-ésimo mês do período úmido;
CMufp – consumo medido (kWh) no horário fora de ponta (horas complementares à
de ponta) do mu-ésimo mês do período úmido;
CMp –consumo medido (kWh) no horário de ponta do ms-ésimo mês do período seco;
CMsfp – consumo medido (kWh) no horário fora de ponta do ms-ésimo mês do
período seco;
TCvup – tarifa de consumo verde no período úmido, no horário de ponta ($/kWh);
TCvufp – tarifa de consumo verde no período úmido, no horário fora de ponta
($/kWh);
TCvsp – tarifa de consumo verde no período seco no horário de ponta ($/kWh);
TCvsfp – tarifa de consumo verde no período seco no horário fora de ponta ($/kWh).
53

b) com o benefício da Portaria 105 do DNAEE:


5
FAC   CMp mu .TCvup  CMfpc mu  CMhe mu .(1  fdtc ).TCvufp 
mu1
7
...........(95)
 CMp ms .TCvsp  CMfpc ms  CMhe ms .(1  fdtc ).TCvsfp
ms1

sendo: CMhemu – consumo medido (kWh) no horário especial para irrigantes do mu-ésimo
mês do período úmido;
CMfpcmu – consumo medido (kWh) no horário fora de ponta complementar ao horário
especial para irrigantes do mu-ésimo mês do período úmido;
CMhems – consumo medido (kWh) no horário especial para irrigantes do ms-ésimo
mês do período seco;
CMfpcms – consumo medido (kWh) no horário fora de ponta complementar ao horário
especial para irrigantes do ms-ésimo mês do período seco;

Ajuste anual do fator de deslocamento do sistema elétrico:


a) sem o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
 12 
 DM m .TDv  (DM m  DC ).TUv  
m 1 
 5   0,92 
AJA    CMp mu .TCvup  CMfp mu .TCvufp  .  1 ................... (100)
mu1   cos  
 7 
  CMp ms .TCvsp  CMfp ms .TCvsfp 
ms1 
A Eq.(100) é aplicada somente quando cos   0,92, valendo também a restrição da
aplicação da tarifa de ultrapassagem de demanda verde da Eq.(89).
b) com o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
 12 
 DM m .TDv  (DM m  DC).TUv  
m 1 
 5   0,92 
AJA    CMp mu .TCvup  CMfpc mu  CMhe mu .(1  fdtc ).TCvufp  .  1 .... (101)
mu1   cos  
 7 
  CMp ms .TCvsp  CMfpc ms  CMhe ms .(1  fdtc ).TCvsfp 
ms1 
A Eq.(101) é aplicada somente quando cos   0,92, valendo também a restrição da
aplicação da tarifa de ultrapassagem de demanda verde da Eq.(89).

TARIFA AZUL
É aplicada compulsoriamente às unidades consumidoras do Grupo A atendidas em: i)
tensão igual ou superior a 69 kV; ii) tensão inferior a 69 kV, com demanda de potência igual
ou superior a 500 kW, desde que não façam opção pela tarifa verde. Também é aplicada em
caráter opcional às unidades consumidoras do Grupo A atendidas em tensão inferior a 69 kV
com demanda de potência entre 50 kW e 500 kW. A estrutura tarifária é a seguinte:

Demanda (kW): – um preço para o horário de ponta;


54

– um preço para o horário fora de ponta;


Consumo (kWh): – um preço para o horário de ponta em período úmido;
– um preço para o horário fora de ponta em período úmido;
– um preço para o horário de ponta em período seco;
– um preço para o horário fora de ponta em período seco.
Faturamento anual da demanda:
 5 
FAD    DMp mu .TDap  (DMp mu  DCup ).TUap   0,10.dup .DMp máx .TDap 
 mu1 
 5

  DMfp mu .TDafp  (DMfp mu  DCufp ).TUafp   0,10.dufp .DMfp máx .TDafp 
mu1 
. (102)
 7 
  DMp ms .TDap  (DMp ms  DCsp ).TUap   0,10.dsp.DMp máx .TDap 
ms1 
 7

  DMfp ms .TDafp  (DMfp ms  DCsfp ).TUafp   0,10.dsfp .DMfp máx .TDafp
ms1 
sendo: DMpmu - demanda de potência medida no horário de ponta do mu-ésimo mês do
período úmido do ano (kW);
DMfpmu - demanda de potência medida no horário fora de ponta do mu-ésimo mês do
período úmido do ano (kW);
DMpms - demanda de potência medida no horário de ponta do mu-ésimo mês do
período seco do ano (kW);
DMfpms - demanda de potência medida no horário fora de ponta do mu-ésimo mês do
período seco do ano (kW);
DCup - demanda contratada no período úmido, no horário de ponta (kW);
DCufp - demanda contratada no período úmido, no horário fora de ponta (kW), que
não poderá ser inferior a DCup;
DCsp - demanda contratada no período seco, no horário de ponta (kW), que não
poderá ser superior a DCup;
DCsfp - demanda contratada no período seco, no horário fora de ponta (kW), que não
poderá ser inferior a DCsp, e também não poderá ser superior a DCufp;
TDap - tarifa de demanda azul no horário de ponta ($/kW);
TDafp - tarifa de demanda azul no horário fora de ponta ($/kW);
TUap - tarifa de ultrapassagem de demanda azul no horário de ponta ($/kW);
TUafp - tarifa de ultrapassagem de demanda azul no horário fora de ponta ($/kW);
dup - número de meses completos que o sistema elevatório fica desligado no período
úmido do ano no horário de ponta e, com isso, ocorre faturamento de demanda
correspondente a 10% da maior demanda medida nos últimos 11 meses neste
segmento (horário de ponta), ou seja DMpmáx (OBS: 0  dup  5);
dufp - número de meses completos que o sistema elevatório fica desligado no período
úmido do ano no horário fora de ponta e, com isso, ocorre faturamento de
demanda correspondente a 10% da maior demanda medida nos últimos 11
meses neste segmento (horário fora de ponta), ou seja DMfpmáx (OBS: 0  dufp
 5);
dsp - número de meses completos que o sistema elevatório fica desligado no período
seco do ano no horário de ponta e, com isso, ocorre faturamento de demanda
correspondente a 10% da maior demanda medida nos últimos 11 meses neste
segmento (horário ponta), ou seja DMpmáx (OBS: 0  dsp  7);
55

dsfp - número de meses completos que o sistema elevatório fica desligado no período
seco do ano no horário fora de ponta e, com isso, ocorre faturamento de
demanda correspondente a 10% da maior demanda medida nos últimos 11
meses neste segmento (horário fora de ponta), ou seja DMfpmáx (OBS: 0  dsfp
 7);
A tarifa de ultrapassagem de demanda azul tanto no horário de ponta quanto no
horário fora de ponta será aplicada somente se: i) a demanda medida em um ou ambos os
casos for superior a 10% da demanda contratada para o segmento fora de ponta, quando a
demanda contratada no respectivo segmento for superior a 100kW; ii) a demanda medida em
um ou ambos os casos for superior a 20% da demanda contratada para o segmento fora de
ponta, quando a demanda contratada no respectivo segmento for de 50 kW a 100 kW.
Portanto, na Eq.(102) os termos (DMpmu – DCup).TUap, (DMfpmu – DCufp).TUafp, (DMpms
– DCsp).TUap e (DMfpms – DCsfp).TUafp não são aplicados se isso não ocorrer.
Como procedimento geral, é recomendada a contratação de demanda somente no(s)
segmento(s) horo-sazonal(is) que o sistema tenha sido projetado para operar, embora esta
contratação deva satisfazer as restrições já descritas que: DCup < DCufp > DCsfp > DCsp.
Caso o mesmo venha a ser operado em segmento horo-sazonal não contratado, mesmo que
esporadicamente, o faturamento da demanda será calculado pela ultrapassagem de demanda,
que apresenta tarifa muito superior (cerca do triplo).
Faturamento anual do consumo:
a) sem o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
5 7
FAC   CMp
mu1
mu .TCaup  CMfp mu .TCaufp   CMp
ms1
ms .TCasp  CMfp ms .TCasfp ......... (107)

sendo: TCaup - tarifa de consumo azul no período úmido, no horário de ponta ($/kWh);
TCaufp - tarifa de consumo azul no período úmido, no horário fora de ponta ($/kWh);
TCasp - tarifa de consumo azul no período seco, no horário de ponta ($/kWh);
TCasfp - tarifa de consumo azul no período seco, no horário fora de ponta ($/kWh).
b) com o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
5
FAC   CMp mu .TCaup  CMfpc mu  CMhe mu .(1  fdtc ).TCaufp 
mu1
7
......... (108)
 CMp ms .TCasp  CMfpc ms  CMhe ms .(1  fdtc ).TCasfp
ms1

Ajuste anual do fator de deslocamento do sistema elétrico:


a) sem o benefício da Portaria 105 do DNAEE:
 
FAD  0,10.dup.TDap  dufp .TDafp  dsp.TDap  dsfp .TDafp   
 
 5   0,92 
AJA    CMp mu .TCaup  CMfp mu .TCaufp  .  1 ..... (109)
 mu1   cos  
 7 
  CMp ms .TCasp  CMfp ms .TCasfp 
 ms1 
A Eq.(109) é aplicada somente quando cos   0,92, valendo também a restrição de
aplicação da tarifa de ultrapassagem de demanda azul da Eq.(102).
56

b) com o benefício da Portaria 105 do DNAEE:

 
FAD  0,10.dup.TDap  dufp .TDafp  dsp.TDap  dsfp .TDafp  
 
 5   0,92 
AJA    CMp mu .TCaup  CMfpc mu  CMhe mu .(1  fdtc ).TCaufp  .  1 .... (110)
mu1   cos  
 7 
  CMp ms .TCasp  CMfpc ms  CMhe ms .(1  fdtc ).TCasfp 
ms1 
A Eq.(110) é aplicada somente quando cos   0,92, valendo também a restrição de
aplicação da tarifa de ultrapassagem de demanda azul da Eq.(102).
57

12. CONDUTOS LIVRES


O escoamento feito em um conduto livre ou canal é caracterizado pela atuação da
pressão atmosférica em pelo menos um ponto de cada seção de escoamento, podendo ser a
seção aberta ou fechada.
Os canais podem ser classificados em naturais, tais como córregos, rios e estuários, e
artificiais, de seção aberta ou fechada, tais como canais de irrigação, de navegação,
aquedutos, galerias e outros mais. Podem ser, também, prismáticos se possuírem
longitudinalmente seção reta e declividade de fundo constantes; caso contrário, são ditos não
prismáticos.

12.1. FORMA DOS CANAIS


Os canais de pequenas vazões geralmente apresentam seção de forma circular. Os
grandes aquedutos a forma de ferradura é a mais utilizada. Os canais escavados em terra são,
geralmente, feitos na forma trapezoidal, sendo que a inclinação dos taludes depende das
condições de estabilidade do solo. Os canais construídos em rocha devem, sempre que
possível, apresentar a forma retangular, com a largura igual a duas vezes a altura da água no
canal. Finalmente, as calhas de madeira ou aço possuem, em geral, forma semicircular ou
retangular.

12.2. VELOCIDADE NOS CANAIS


A velocidade não é a mesma em toda a seção do canal, pois a resistência oferecida
pelas paredes reduz a velocidade. Na superfície livre a resistência oferecida pela atmosfera e
pelos ventos também influencia a velocidade. A máxima velocidade é encontrada na vertical
central em um ponto pouco abaixo da superfície livre. Nos canais prismáticos, a distribuição
de velocidade segue uma lei aproximadamente parabólica, conforme a Figura 67.

isotáquica

Figura 67. Distribuição da velocidade em um canal trapezoidal prismático.

Para evitar erosão das superfícies do canal, a velocidade média máxima de


escoamento e a inclinação dos taludes devem ser limitadas. Tais limitações consideram o
tipo de material de que as mesmas são feitas, sendo recomendados os seguintes intervalos
para a velocidade média máxima, em m/s (Fonte: Curso de Canais, EEUFMG, Dep.
Engenharia Hidráulica, Edições Engenharia 58/72):
- Areia muito fina ..................................................................... 0,23 a 0,30;
- Areia solta média ................................................................... 0,30 a 0,46;
- Areia grossa............................................................................ 0,46 a 0,61;
- Terreno arenoso comum......................................................... 0,61 a 0,76;
- Terreno silte-argiloso ............................................................. 0,76 a 0,84;
- Terreno de aluvião ................................................................. 0,84 a 0,91;
58

- Terreno argiloso compacto..................................................... 0,91 a 1,14;


- Terreno argiloso duro ............................................................. 1,14 a 1,22;
- Solo cascalhado ...................................................................... 1,22 a 1,52;
- Cascalho grosso, pedregulho, piçarra .................................... 1,52 a 1,83;
- Rochas sedimentares moles, xistos ........................................ 1,83 a 2,44;
- Alvenaria ................................................................................ 2,44 a 3,05;
- Rochas compactas .................................................................. 3,05 a 4,00;
- Concreto ................................................................................. 4,00 a 6,00.
Quanto à inclinação dos taludes são recomendados os seguintes valores em função da
natureza das paredes (relação entre horizontal e vertical – Fonte: Azevedo Netto et.al, 1998):
- Canais de terra em geral, sem revestimento ........................... 2,5 a 5,0;
- Canais em saibro, terra porosa ............................................... 2,0;
- Cascalho roliço ....................................................................... 1,75;
- Terra compacta sem revestimento.......................................... 1,5;
- Terra muito compacta, paredes rochosas .............................. 1,25;
- Rochas estratificadas, alvenaria de pedra bruta ..................... 0,5;
- Rochas compactas, alvenaria acabada, concreto .................... 0,0.
A velocidade média mínima deve também ser limitada para não ocorrer deposição de
materiais sólidos em suspensão, quando houver. Recomendam-se os seguintes valores (em
m/s):
- Águas com suspensões finas (limo) .............................................. 0,30;
- Águas com areias finas ................................................................. 0,45;
- Águas de esgoto ............................................................................ 0,60;
- Águas pluviais ............................................................................... 0,75.

12.3. TIPOS DE ESCOAMENTO NOS CANAIS


Do mesmo modo que nos condutos forçados, o escoamento ou movimento de um
líquido no canal pode ser permanente, se a velocidade local for constante no tempo (em
módulo e direção) em um ponto qualquer da seção transversal ao fluxo; e não permanente ou
variado quando isso não ocorrer (ex.: uma onda de cheia).
O escoamento variado, por sua vez, é subdividido em gradualmente variado e
bruscamente variado, embora a distinção entre ambos não seja tão precisa. No primeiro caso
se tem, por exemplo, o remanso, que corresponde a uma elevação da água no canal devido a
algum obstáculo (como uma barragem) situado abaixo de onde se percebe o seu efeito. No
segundo caso se tem, por exemplo, o ressalto hidráulico, que corresponde a uma elevação
brusca da superfície livre, produzida quando uma corrente de alta velocidade encontra uma de
baixa velocidade. A Figura 68 mostra os tipos de escoamentos discorridos.

12.4. CARGA ESPECÍFICA


Um canal longo, de forma geométrica única, com certa rugosidade homogênea e com
uma pequena declividade, com certa velocidade e profundidade. Com essa velocidade, ficam
balanceadas a força que move o líquido e a resistência oferecida pela viscosidade do líquido e
o atrito externo decorrente da rugosidade das paredes.
Nesse caso a linha d'água será paralela ao fundo do canal (Figura 69), sendo a carga
hidráulica (H) na seção obtida por:
59

v2
H  z  h  . ..................................................... (111)
2.g
O coeficiente  considera a variação de velocidade existente na seção, sendo seu valor
compreendido entre 1,0 e 1,1. (na prática adota-se o valor unitário).
Tomando-se o fundo do canal como referência e  = 1, a carga na seção recebe o
nome de carga específica, sendo obtida por:
v2
He  h  ......................................................... (112)
2.g
Figura 69. Carga hidráulica total e específica em um canal com escoamento uniforme.

12.5. VARIAÇÃO DA CARGA ESPECÍFICA


Para uma vazão constante em um canal, pode-se traçar uma curva da variação da carga
específica em função da profundidade h.
Na tabela da Figura 70 tem-se, como exemplo, os valores de h, v, v2/2g e He de um
canal de seção retangular com 3 m de largura, conduzindo 4,5 m 3/s de água, cuja
representação gráfica dá origem a uma curva típica. Verifica-se que o valor mínimo da carga
específica (He) ocorre no ponto C da curva, cuja altura d’água no canal ou profundidade (0,60
m) denomina-se profundidade crítica. Isso significa que para um valor mínimo da carga
específica a vazão máxima em uma seção é alcançada quando a velocidade da água se iguala
à velocidade crítica. Profundidades superiores ou inferiores a essa provocam a elevação do
valor de He. Conforme o gráfico verifica-se, também, que ao se afastar do ponto C no sentido
direito, eleva-se a profundidade da água no canal (h) e reduz-se a carga cinética (v2/2g),
resultando num escoamento em regime tranqüilo ou fluvial. Por sua vez, afastando-se do
ponto C no sentido esquerdo, reduz-se a profundidade e eleva-se a carga cinética, resultando
num escoamento em regime supercrítico ou torrencial.
60

2,00

1,80 Torrencial Regime Fluvial


1,60
Carga específica He (m)

1,40

1,20
C
1,00
v2/2g
0,80

0,60
h
0,40

0,20

0,00
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80
Profundidade h (m)

h v v2/2g He
(m) (m/s) (m) (m)
0,30 5,00 1,27 1,57
0,40 3,75 0,71 1,11
0,50 3,00 0,46 0,96
0,60 2,50 0,32 0,92
0,80 1,87 0,18 0,98
1,00 1,50 0,11 1,11
1,20 1,25 0,08 1,28
1,40 1,07 0,06 1,46
1,60 0,94 0,04 1,64
1,80 0,83 0,03 1,83

Figura 70. Curva típica de He em função de h.

O escoamento no canal pode ser classificado em fluvial ou torrencial, conforme o


resultado do número de Froude (NF), que é um adimensional que relaciona a força inercial e
a força gravitacional, cuja apresentação no caso de canais é:
v
NF  ......................................................... (113)
g.h h

em que: hh – altura hidráulica ou altura média, que corresponde à relação: a área molhada 
largura da seção na superfície livre. No caso de um canal retangular,
corresponde à própria altura da água no canal.
Portanto, o escoamento será: fluvial se NF < 1; torrencial se NF >1; e crítico se NF =
1.

12.6. EQUAÇÕES DE RESISTÊNCIA PARA OS CANAIS


61

As equações de resistência utilizadas na prática para canais são válidas somente para o
movimento uniforme, ou seja, o nível da água (h) no canal é constante e paralelo ao fundo.
Nessas condições, a força aceleradora provocada pela componente tangencial do peso do
líquido iguala-se às forças retardadoras, opostas ao escoamento, provocadas pelo atrito interno
(viscosidade) e externo (rugosidade das paredes do canal).
Em 1775, Antoine de Chézy (1718-1798), engenheiro e matemático francês propôs a
seguinte equação, para calcular a velocidade de escoamento (m/s) no canal:
v  C. R h .I ......................................................... (114)
sendo: C – coeficiente de resistência ou de rugosidade de Chézy, dependente do número de
Reynolds e da rugosidade relativa da parede;
Rh – raio hidráulico, que é a relação entre a área molhada (A), ou seja, a área da
seção reta do escoamento, normal à direção do fluxo, e o perímetro molhado
(Pm), que corresponde ao comprimento da parte da fronteira sólida da seção do
canal em contato com o líquido (a superfície livre não faz parte do perímetro
molhado);
I – declividade longitudinal do canal, que na prática, é relativamente pequena ( <<
5), permitindo que se considere sen  tan  I (inclinação).
Diferentes fórmulas de origem empírica são propostas para o cálculo do coeficiente de
Chézy, associando-o ao raio hidráulico da seção. Uma relação simples foi proposta, em 1889,
por Robert Manning (1816-1897), engenheiro normando, através da análise de resultados
experimentais obtidos por ele e outros pesquisadores em canais de pequenas até grandes
dimensões, com resultados coerentes entre o projeto e a obra construída. A relação empírica é:
R 1h/ 6
C ......(a)
n
Substituindo (a) na Eq.(114) tem-se:
1 2 / 3 1/ 2
v .R h .I ....................................................... (115)
n
A Eq.(115) é denominada fórmula de Manning, atualmente a mais utilizada, que é
válida para escoamento uniforme turbulento rugoso (NR > 105), que é o mais comum nos
canais com escoamento uniforme (fluvial ou torrencial). Nestas condições, o coeficiente de
Manning permanece constante para uma determinada rugosidade. Os valores do coeficiente
de Manning podem ser vistos na Tabela 33, para canais artificiais, e Tabela 34, para canais
naturais. Tais valores são apenas indicativos, devendo o projetista ficar atento às
particularidades de cada situação, que pode resultar em sensíveis alterações no coeficiente.
62

Tabela 33. Valores do coeficiente “n” da fórmula de Manning para canais artificiais.
Condição
Natureza das paredes
Boa Má
Alvenaria de pedra aparelhada 0,013 0,017
Alvenaria de pedra argamassada 0,017 0,030
Alvenaria de tijolos com argamassa de cimento 0,012 0,017
Argamassa de cimento 0,011 0,015
Argamassa de cimento alisado 0,010 0,013
Barro vitrificado (manilhas) 0,011 0,017
Calhas de madeira aplainada 0,010 0,014
Calhas de madeira não aplainada 0,011 0,015
Calhas metálicas corrugadas 0,023 0,030
Calhas metálicas lisas semicirculares 0,011 0,015
Concreto 0,012 0,018
Fundo de terra e taludes empedrados 0,028 0,035
Fundo pedregoso e com vegetação nos taludes 0,025 0,040
Revestimento de concreto bruto 0,017 0,018
Revestimento de concreto liso 0,011 0,013
Rocha irregular ou paredes de pedras irregulares ou mal-arrumadas 0,035 -
Rocha lisa e uniforme 0,025 0,035
Terra, curvilíneo e lamoso 0,023 0,030
Terra, dragado 0,025 0,033
Terra, retilíneo e uniforme 0,017 0,025
Tubo de bronze ou de vidro 0,009 0,013
Tubo de concreto 0,012 0,016
Tubo de ferro fundido sem revestimento 0,012 0,015
Tubo de ferro galvanizado 0,013 0,017

Tabela 34. Valores do coeficiente “n” da fórmula de Manning para canais naturais (arroios e
rios).
Condição
Natureza das paredes
Boa Má
1. Limpos, retilíneos e uniformes, leito cheio, sem desvio 0,025 0,033
2. Idem a 1, porém com pedras e vegetação 0,030 0,040
3. Limpo, tortuoso, com empoçamentos e bancos de areia 0,033 0,045
4. Idem a 3, porém com declive e seções irregulares 0,040 0,055
5. Idem a 3, porém com algumas pedras e vegetação 0,035 0,050
6. Margens espraiadas e muita vegetação 0,075 0,150

12.7. SEÇÕES DE MÁXIMA EFICIÊNCIA


Observando a fórmula de Manning (Eq.115), verifica-se que, para declividade de fundo
e rugosidade fixadas, a vazão será máxima quando o raio hidráulico adquirir o máximo valor
possível, o que ocorre quando o perímetro molhado for o mínimo compatível com a área.
63

12.7.1. Canal trapezoidal de máxima eficiência


Para se obter a máxima eficiência em um canal trapezoidal é necessário primeiro
conhecer os elementos geométricos do mesmo (Figura 72).

a

h

t

Figura 72. Elementos geométricos de um canal trapezoidal.

Conforme a Figura 72, os elementos geométricos do canal podem assim ser definidos:
t – comprimento do talude; b – comprimento da base do canal; a – avanço lateral do canal; h –
altura da água no canal;  - ângulo de inclinação do talude; cotg  – inclinação do talude.
Com isso, podem ser estabelecidas as seguintes relações:
Pm (perímetro molhado) = 2.t + b .......(a)
t = a 2  h 2 ............(b)
a = h . cotg  ...........(c)
 2.a  b   b 
A=  .h .......(d)
 2
Substituindo (c) em (d) e desenvolvendo, tem-se: A  h 2 .cotg b.h ......(e)
Substituindo (c) em (b), tem-se: t  h. (cot g ) 2  1 .......(f)
Substituindo (f) em (a), tem-se: Pm  2.h. (cot g) 2  1  b .......(g)
A
Isolando a variável b da equação (e), tem-se: b   h.cotg  .......(h)
h
A
Substituindo (h) em (g), tem-se: Pm  2.h. (cot g) 2  1   cot g .......(i)
h
Como já fora mencionado, para uma área A constante e inclinação dos taludes cotg 
constante o canal terá máxima eficiência quando o perímetro molhado for mínimo, ou seja:
dPm A
 2. (cot g) 2  1  2  cot g  0
dh h
Com isso, a área de máxima eficiência é:

A  h 2 .(2. (cot g) 2  1  cot g) ....................................... (116)

12.7.2. Canal retangular de máxima eficiência


O retângulo é um caso particular do trapézio quando o ângulo do talude for 90, isto é
cotg 90 = 0. Substituindo esta condição na Eq.(116), tem-se: A = 2.h2. Sabendo-se que a área
do retângulo é: A = b.h, então o canal retangular terá máxima eficiência quando: b  2.h , ou
seja, quando a altura da água no canal for metade de sua largura.
64

12.7.3. Canal circular de máxima eficiência


Em alguns tipos de problemas em que as tubulações trabalham parcialmente cheias à
medida que a lâmina líquida aumenta, há um aumento gradual da área molhada e do perímetro
molhado. Entretanto, a partir de certa altura, devido à conformação geométrica da cobertura,
um pequeno acréscimo na altura d'água provoca aumento proporcionalmente maior no
perímetro molhado do que na área molhada.
Para a vazão, o ponto de máximo é diferente do ponto de máximo da velocidade, pois
a vazão depende conjuntamente do raio hidráulico e da área molhada, e como a área é sempre
crescente, o máximo da vazão ocorre para uma altura de água maior.

h/D

D
h

Pm/Pmp A/Ap Q/Qp Rh/Rhp v/vp

Figura 73. Elementos hidráulicos da seção circular.

Matematicamente, esta diferença entre os pontos de máximos pode ser constatada a


partir do emprego da fórmula de Manning e das relações geométricas a seguir:
h
  2.arc cos(1 - 2. ) ( em radianos) ............................ .....(117)
D
.D
Pm  .........(a)
2
D 2 .(  sen )
A .........(b)
8
 sen  
D.1  
  
Rh  .........(c)
4
Substituindo-se (c) na Eq.(115), tem-se:
2/3
1  sen  
v .D 2 / 3 1   .I1 / 2 ( em radianos)..... ..................... ...(118)
2,52.n   
Multiplicando-se (b) e a Eq.(118) tem-se:

Q
1
.D 8 / 3 .
  sen  5/3
.I1 / 2 ( em radianos) ......................... (119)
20,2.n 2 / 3
65

Para “n”, “D” e “I” constantes, a vazão e a velocidade só dependem do ângulo  e,


portanto, de h. Derivando-se as Equações (118) e (119) em relação a  e igualando a zero,
chega-se, respectivamente, a:
v = vmáx quando  = 4,485496 radianos ou 257°, que corresponde a h = 0,81.D.
Q = Qmáx quando  = 5,375614 radianos ou 308°, que corresponde a h = 0,95.D.
Isto mostra que os máximos ocorrem em alturas diferentes e que a vazão máxima no
conduto livre circular não ocorre quando a seção é plena. Para propósitos práticos, esta
particularidade não é explorada porque a altura da lâmina na seção de máxima vazão é tão
próxima do diâmetro que, se houver qualquer instabilidade no escoamento, o conduto passa a
operar à seção plena como conduto forçado. Nos projetos usuais, o limite da lâmina líquida é
fixado em h = 0,75.D.
66

13. HIDROMETRIA
Hidrometria refere-se a qualquer medição relativa à água, porém o termo é mais
utilizado para a medição de vazão. A vazão pode ser medida diretamente ou indiretamente por
diversas maneiras, cujas descrições são apresentadas a seguir.

13.1. MÉTODO DIRETO


Consiste na coleta do líquido em recipiente de volume conhecido, medindo-se
simultaneamente o tempo para seu enchimento. A precisão será tanto maior quanto maior for
tempo de determinação, podendo-se até mesmo nos casos de baixíssimos volumes coletados,
efetuar a pesagem do líquido.

13.2. HIDRÔMETROS
São aparelhos destinados à medição da quantidade de líquido escoado num período
relativamente grande, sendo dois os tipos principais: hidrômetro de velocidade (tipo
turbina) e o hidrômetro de volume.

13.3. MÉTODOS QUE USAM A RELAÇÃO VELOCIDADE-ÁREA


São métodos que estimam a velocidade média em uma ou mais seções de um curso de
água ou de uma tubulação, calculando-se, em seguida, a vazão através da Equação 21 (Q =
v.A). Basicamente, se tem o método dos flutuadores, molinetes e do tubo de Pitot.

13.3.1. Flutuadores
São objetos flutuantes (garrafas parcialmente cheias, lâmpadas, bastões e outros mais)
que estando parcialmente imersos na massa líquida adquirem a velocidade da mesma. Devido
a muitas causas de erros, tais como ondas, ventos e irregularidades no leito do curso de água,
tal método apresenta pouca precisão, sendo recomendado apenas para levantamentos
expeditos ou na falta de outros recursos.

13.3.2. Molinetes
São aparelhos constituídos de conchas, hélices ou palhetas giratórias que,
impulsionadas pelo líquido, dão o número de rotações proporcional à velocidade da corrente
líquida (rios, canais e tubulações).

13.3.3. Tubo de Pitot


Consiste, basicamente, de um tubo de inox que fica inserido na tubulação tendo
orifícios posicionados paralelamente às linhas de fluxo para medir somente a carga
piezométrica, e um outro orifício na extremidade posicionado contra as linhas de fluxo para
medir a carga piezométrica e cinética. Sua vantagem em relação a outros elementos
deprimogêneos é a baixa perda de carga que ocorre com sua inserção na tubulação, e sua
desvantagem é a baixa pressão diferencial (carga cinética) gerada, fato que pode ser difícil
para detecção dos manômetros, sendo, por isso, mais recomendados nos casos de correntes de
grande velocidade.
67

13.4. MÉTODOS DIFERENCIAIS


São métodos que se baseiam na medição da diferença de pressão que existe entre a
seção plena de escoamento da tubulação e uma seção estreitada. Basicamente, o estreitamento
é provocado por diafragmas e venturímetros, denominados aparelhos deprimogêneos.
O diafragma consiste num orifício concêntrico feito em chapa metálica (bronze, aço
inoxidável ou monel) inserido entre flanges da tubulação. O diâmetro do orifício deve ser de
30 a 80% do diâmetro da tubulação, pois valores abaixo de 30% provocam perda de carga
excessiva e valores superiores a 80% não permitem boa precisão.
O venturímetro é um aparelho formado de 3 partes principais, ou seja, uma
convergente, uma intermediária, que constitui o estrangulamento, e uma divergente ou
difusor. O diâmetro da parte intermediária deve corresponder entre 25 e 75% do diâmetro da
tubulação. O comprimento de um venturímetro varia de 4 a 12 vezes o diâmetro da tubulação.
O venturímetro tem a vantagem de provocar uma menor perda de carga que o diafragma.
A vazão neste método é obtida por:
 2.g.h
Q  C d . .D 2 .
 
4
.............................................. (122)
4 D 1
d
sendo Cd aproximadamente 0,61 para o diafragma e 0,98 para o venturímetro.

13.5. MEDIDORES DE REGIME CRÍTICO


São aparelhos que provocam um estrangulamento no fluxo de um conduto livre,
transformando o regime fluvial em crítico. A medição da altura do líquido em local específico
do aparelho, associada às características construtivas do mesmo, permite obter o valor da
vazão do canal. Existem diversos medidores deste tipo, porém os mais conhecidos são os do
tipo Parshall e WSC.

W
ponto de
medição
(h)

rampa ascendente

rampa descendente
(estrangulamento)

seção em nível

Figura 79. Medidor Parshall (detalhes construtivos).


Azevedo Neto, com base nos próprios dados de Parshall, relacionou a largura
da seção estrangulada (W, em metros) e altura altura da água no local de medição (h, em
68

metros), obtendo a seguinte fórmula aproximada para calcular a vazão (m3/s) nesse tipo de
medidor:
Q  2,2.W.h 2 / 3 ....................................................... (124)
O medidor WSC foi desenvolvido no Washington State College, sendo semelhante ao
medidor Parshall, porém, suas seções não possuem rampas. São mais utilizadas para medição
de vazão de sulcos de irrigação, embora possam, também, ser utilizadas em canais.

ponto de
medição –
régua (h)

Figura 80. Medidor WSC (detalhes construtivos).

A vazão (L/s) do medidor é obtida pela seguinte equação:


Q  0,0055.h 2,54 ...................................................... (125)
sendo: h – altura (cm) da água na régua aderida à parede (Figura 80).

13.6. VERTEDORES
Os vertedores podem ser interpretados como grandes orifícios sem borda superior. O
termo também é aplicado aos obstáculos à passagem da corrente e aos extravasores das
represas. São utilizados largamente em hidrometria, tanto em laboratórios como em condições
naturais, como medição da vazão de pequenos cursos de água. Podem ser feitos de chapas
metálicas, madeira, alvenaria, concreto e outros materiais. A terminologia para o caso de um
vertedor retangular com contração lateral é mostrada na Figura 81. A carga do vertedor hv é a
altura atingida pela água acima da soleira. Devido ao rebaixamento da veia no vertedor (carga
cinética), a carga h deve ser medida à montante a uma distância igual ou superior a 5h.

(a) régua (b) régua


L veia
soleira
faces
h hv

p
p’

5h
B

Figura 81. Terminologia para um vertedor retangular com contração lateral (a) e perfil da
veia ou lâmina vertente (b).
69

Os vertedores podem ser classificados sob diversos aspectos:


i) Quanto à forma: retangular, triangular, trapezoidal, circular, ....;
ii) Quanto à altura relativa da soleira: - completos ou livres: quando p > p’;
- incompletos ou afogados: quando p < p’;
iii) Quanto à espessura da parede: - delgada ou chanfrada;
- espessa (e > 2/3 h);
iv) Quanto à largura relativa: - sem contração lateral: quando L = B;
- com contração lateral: quando L < B;

13.6.1. Vertedor retangular de parede delgada sem e com


contração lateral
O vertedor retangular de parede delgada sem contração lateral foi o vertedor mais
estudado no tempo. Pode ser utilizado para medidas de vazão com boa precisão, sendo
também denominado de descarregador Basin (Henri-Emile Bazin, engenheiro francês, 1829-
1917).
A equação de vazão do vertedor retangular de parede delgada sem contração lateral
(Figura 82) é deduzida da equação de vazão dos orifícios de grandes dimensões, com L e h em
metros e g em m/s2, então Q, em m3/s, é:
2
Q  . 2.g .C d .L.h 3 / 2 .................................................. (126)
3
Na situação mais comum, o coeficiente de descarga Cd da Eq.(126) vale 0,623.

Figura 82. Vertedor retangular sem contração lateral.

No caso do vertedor possuir uma ou duas contrações laterais (Figura 81a), deve-se
considerar na Eq.(126) uma correção, conforme se segue:

Q  . 2.g .C d .L  0,1.h .h 3 / 2 (para uma contração) ......................... (127)


2
3

Q  . 2.g .C d .L  0,2.h .h 3 / 2 (para duas contrações) ........................ (128)


2
3
As equações 126, 127 e 128 não consideram a velocidade de aproximação da água no
vertedor. Com isso, para que os resultados obtidos se aproximem dos valores reais, é
necessário que p e L sejam maior ou igual a 2h.
70

13.6.2. Vertedor triangular de parede delgada


O vertedor triangular de parede delgada é particularmente recomendado para medição
de vazão abaixo de 30 L/s, com cargas entre 0,06 e 0,50 m. É um vertedor tão preciso quanto
os retangulares na faixa de 30 a 300 L/s. Na prática, somente são utilizados os de forma
isósceles, sendo mais comuns os de ângulo de abertura  = 90.

dA

Figura 83. Vertedor triangular.


Como o vertedor triangular mais usado na prática é o que possui  = 90, e
considerando-se um coeficiente de descarga Cd = 0,593, a vazão é obtida por:
Q  1,4.h 5 / 2 (fórmula de Thomson) ...................................... (130)
sendo válida para: 0,05 < h < 0,38 m; p > 3h; B > 6h; com h em metros.

13.6.3. Vertedor trapezoidal de parede delgada


O vertedor trapezoidal não possui aplicação tão ampla quanto o retangular e o
triangular. Destaque é dado somente ao denominado de Cipoletti, cuja forma de um trapézio
isósceles apresenta um valor de inclinação das faces que compensa a diminuição de vazão
causada pelas contrações laterais que um vertedor retangular de mesma soleira possuiria. Para
tanto, a inclinação das faces deve seguir a proporção de 1 (horizontal): 4 (vertical), conforme
a Figura 84.

A vazão para o vertedor trapezoidal de Cipoletti, considerando um coeficiente de


descarga Cd = 0,63, é obtido pela equação:
Q  1,861.L.h 3 / 2 ...................................................... (131)
sendo válida para: 0,08 < h < 0,60 m; a > 2h; L > 3h; com L e h em metros.

Figura 84. Vertedor trapezoidal de Cipoletti.


71

13.6.4. Vertedor circular de parede delgada


O vertedor de seção circular é raramente utilizado, porém oferece a vantagem de ser
facilmente executado e não requer o nivelamento da soleira. A vazão (em m 3/s), conforme a
Figura 85, para uma altura h e diâmetro D (ambos em metros), é obtida pela equação:
Q  1,518.D 0,693 .h 1,807 .................................................. (132)

D
h

Figura 85. Vertedor circular.

13.6.5. Vertedor de soleira espessa horizontal


Um vertedor é considerado de parede espessa quando ocorre o paralelismo dos filetes
da veia aderente, após uma depressão da mesma próxima ao bordo de montante, conforme a
Figura 86. A vazão é obtida pela equação:
Q  1,704.C d .L.h 3 / 2 ................................................... (133)
O coeficiente de descarga da Eq.133 é função das relações h/P, h/e, da rugosidade da
crista e da forma da aresta do bordo de ataque (ângulo vivo ou arredondada). Com isso, o
valor do Cd varia consideravelmente.

h hv

Figura 86. Vertedor de soleira espessa horizontal.

13.7. ROTÂMETRO
É um aparelho constituído por um tubo cônico transparente posicionado verticalmente
com a seção maior voltada para cima. Dentro do tubo existe um “flutuador” calibrado com a
escala de vazão impressa nele que se desloca com o fluxo, estabilizando-se a uma certa altura
cuja seção de passagem seja suficiente para a vazão em questão. Neste ponto é feita a leitura
da vazão na escala do tubo.
72

13.8. MEDIDORES ELETROMAGNÉTICOS


São medidores que se baseiam no princípio que um condutor elétrico ao deslocar-se
através de um campo eletromagnético induz em si uma força eletromotriz proporcional a sua
velocidade. No caso, o condutor é a própria água e o campo eletromagnético é formado por
espiras em volta do tubo. A força eletromotriz é medida por meio de eletrodos que mantêm
contato com o líquido. A corrente gerada é muito pequena, uma vez que a água não é um bom
condutor de eletricidade, e está sujeita a “ruídos” (interferências) que devem ser filtrados para,
em seguida, ser feita a amplificação dos sinais. É necessário, também, que o material
envoltório seja bem isolado.
Os medidores eletromagnéticos têm um custo relativamente alto, porém tem a
vantagem de não causar perdas de carga, sendo produzidos para tubulações de diversos
diâmetros (50 a 900 mm).

13.9. MEDIDORES ULTRASÔNICOS


São os medidores de vazão mais modernos, que podem ser utilizados tanto em
tubulações (10 a 1200 mm de diâmetro ou mais) como em canais prismáticos. A medição
baseia-se no princípio que o tempo de trânsito de um sinal acústico num percurso conhecido é
alterado pela velocidade do fluido presente. Um sinal acústico de alta freqüência (ultrasom)
enviado no sentido contrário ao fluxo possui menor velocidade que um sinal enviado no
sentido do fluxo. Medindo-se com precisão os tempos de trânsito dos sinais enviados em
ambas as direções ao longo de um percurso diagonal, bem como o ângulo de propagação do
sinal, a velocidade axial (do fluido) pode ser calculada.

As principais vantagens deste tipo de medidor são:


- Alta precisão que pode ser alcançada independente de perfil de velocidade, taxa de
fluxo e temperatura líquida;
- Capacidade de medir vazão em ambos sentidos (bidirecional);
- Não provoca perda de carga, pois seus componentes são ajustados externamente;
- Versatilidade, pois, sendo portátil, com um só aparelho pode-se efetuar medições
em várias tubulações e em diversos pontos de uma rede com derivações;
- Não necessidade, em geral, de se fazer calibração no campo.
Por sua vez, as desvantagens são:
- Custo inicial relativamente alto;
- Deve ser programado para cada material da tubulação, diâmetro e densidade da
parede do tubo;
- A entrada de gases e/ou sedimentos suspensos afetam a recepção do sinal acústico
(ondas ultrasônicas);
- Necessidade de técnico especializado para efetuar reparos.
73

13.10. MÉTODO DAS COORDENADAS


Este método, bastante simples, é utilizado para medir vazão em tubos sob descarga
livre.

D y

Figura 91. Método das coordenadas.


Conforme a Figura 91, no intervalo de tempo t um elemento de volume da veia
líquida, ao sair da tubulação, percorreu uma distância x na direção horizontal e uma distância
y na vertical. A equação de descarga é obtida por:
.D 2 g
Q .x. ..................................................... (140)
4 2.y
Na Eq.(125) a vazão Q será em m3/s se a aceleração da gravidade g for em m/s2 e se o
diâmetro D da saída da tubulação e as distâncias x e y forem em metros.
O tubo de descarga pode estar na posição horizontal (Figura 91) ou inclinado, sendo
que neste caso, a medida de x deve ser tomada na direção do prolongamento da geratriz
superior do tubo e y na vertical.

13.11. MÉTODO QUÍMICO, COLORIMÉTRICO E RADIOATIVO


Estes métodos são menos utilizados e para ser aplicado de modo satisfatório, o
escoamento deve ser turbulento para garantir uma adequada mistura da solução injetada na
corrente líquida a ser medida.
O método químico consiste em se injetar na corrente, uma solução concentrada de sal
conhecida C1, com uma vazão constante q. Essa solução dilui-se na corrente que também
possui uma concentração inicial C0, alterando-a para uma concentração final C2.
Determinando-se a concentração final C2 obtém-se a vazão procurada. Portanto, a vazão é
obtida pela equação:
q.C1  C 2 
Q ...................................................... (141)
C 2  C0
O método colorimétrico é semelhante ao químico, porém difere no fato que ao invés
de utilizar uma solução salina, utiliza-se um corante, sendo a avaliação da concentração feita
por espectrofotometria. Já no método radioativo ao invés de utilizar corante ou solução
salina, utiliza-se isótopos radioativos (traçadores), sendo que este método bastante útil,
também, para estudar o movimento da água no solo.

FIM
74

Esta apostila foi confeccionada pelo Professor Doutor João Luis Zocoler, para ministrar
aulas na Universidade Estadual Paulista “Júlio De Mesquita Filho” Faculdade De Engenharia
De Ilha Solteira Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos Área de
Hidráulica e Irrigação.