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FUNDAMENTOS DA POLÍTICA SOCIAL

O conceito de política advém da Grécia Clássica, e se refere aos procedimentos da pólis, as ant
igas cidades gregas. As pólis possuíam formas específicas de organização das relações sociais
, que serviram de base para os atuais modelos de sociedades democráticas atuais.
O termo política, no entanto, com o decorrer da História ganhou outros sentidos. Para Maquiave
l, por exemplo, política se referia à arte de conquistar e manter o poder, concepção utilizada pel
os reis, durante o período absolutista, para afirmar seu domínio frente às pessoas.
Mais tarde, a palavra política passou a designar orientação e atitudes de um governo ou institui
ção frente a um determinado assunto. Neste sentido, falamos das políticas públicas de saúde, q
ue se referem ao conjunto de parâmetros e ações construídas pelo poder público, voltada à pro
moção da saúde da população. Ouvimos também sobre as atuais políticas educacionais, que pr
ecisam ser efetivadas para a formação de uma nova geração crianças capazes de transformar
suas realidades. Lembramos a política café-com-leite, referente à alternância de poder entre mi
neiros e paulistas durante a República Velha.
Política ainda pode ser entendida como um domínio de estudos das Ciências Humanas. A Políti
ca estuda, por exemplo, os jogos de poder subjacentes às formações econômicas e sociais, as
articulações para a formação e manutenção de interesses de grupos específicos, entre outros.
Em um sentido usual, o termo política se relaciona às ações entre pessoas e grupos em direção
a um acordo, um consenso ou uma mudança. Quando se aponta que o psicólogo faz política, c
oloca-se que o profissional atua na realização das orientações estabelecidas por um corpo colet
ivo, ou que o psicólogo propõe diálogos e encontros para a construção do acordo e da transfor
mação.
A psicologia brasileira, desde a década de 80, tem ampliado suas formas de atuação, inserind
o-se em questões que envolvem grupos, comunidades e políticas.
Dentro deste panorama, quando pensamos em políticas públicas, referimo-nos às ações do E
stado que objetivam as necessidades e interesses dos diversos setores da sociedade civil. Fala
mos de orientações voltadas para os cidadãos em geral, e não apenas, a grupos específicos de
pessoas e instituições.
Começaremos com a apresentação dos fundamentos das políticas públicas, dentro de uma per
spectiva histórica
Quando pensamos em políticas públicas, referimo-nos às ações do Estado que objetivam as ne
cessidades e interesses dos diversos setores da sociedade civil.
Na sociedade brasileira, o termo política está vinculado a representações negativas, como corr
upção, interesses próprios, ineficiência, entre outros. Muitas vezes, quando ouvimos a palavra p
olítica, somos remetidos justamente ao contrário daquilo que o termo designa, ou seja, ações v
oltadas para a organização da coletividade.
Reflita se, nos últimos anos, há uma mudança na percepção da política por parte dos brasileiros
. Pesquise nos jornais e na mídia, em geral, se estão ocorrendo mudanças na forma do cidadão
lidar com a política.
Pense no dia-a-dia de seu trabalho, ou da faculdade. Com certeza, você mantém relações com
pessoas que possuem interesses, às vezes semelhantes, outras vezes, divergentes. No entanto

trazendo outros olhares sobre o papel do Estado e suas relações com a população. discorre acerca dos direitos naturais dos homens como o direito à vida. Há um gradativo aumento do comércio impulsionado p elas Cruzadas. a burguesia buscava sua ascensão social e o pode r absoluto nas mãos de um monarca contrapunha-se aos seus interesses. o homem possui um des ejo insaciável. contrapondo-se ao poderio da nobreza. decorrentes do fortalecimento do comércio e da exp ansão da população. os altos impostos sobre as mercadorias e os abus os cometidos na manutenção do poder gradativamente criaram enorme insatisfação na crescen te classe burguesa. Sobre a relação entre Estado e sociedade. que gradativamente reivindicará um a posição na sociedade.2 O Iluminismo e o poder coletivo A centralização do poder nas mãos dos reis. na obra O Leviatã. abrindo espaço para o su rgimento um novo modelo de sociedade. Um novo tempo se abre: o Renascimento.. Caberia ao Estado o papel de conter os home ns e seus desejos para que fosse possível a vida social. o homem possui um desejo insaciável. surg em os teóricos do Iluminismo. Para Maquiavel. o homem em situação de liberdade promove a guerra e a destruição. todo esse jogo de desejos e anseios precisa ser dialogado em favor da empresa. Desde o Renascimento. como imprescindível na proteção dos hom ens e na manutenção da vida social. A Lei Divina perde força e o pensamento racional passa a organizar as relações s ociais e a sustentar o poder nas mãos dos reis. No século XVII. havendo a necessidade de freá-lo. 1. John Locke (1632-1704). da classe. como a obra O Príncipe.1 Decadência da sociedade feudal e absolutismo A partir do século XIII. inicia-se um período caracterizado pelo poder centra lizado nas mãos dos reis. 1. Reflita se você tem atuado politicamente dentro destes contextos. da coletividade. Tais formulações constituem reação ao mode lo absolutista de governo. Para o filósofo. cab endo ao Estado o papel fundamental de controlá-lo. Cidades começam a despontar no cenário europeu.[1] Thomas Hobbes (1588-1679) traz concepção semelhante ao trazer o “homem como lobo do ho mem”. Uma nova classe surge. o sistema feudal começa a entrar em declínio. em suas reflexões. à liberdade e à propriedade. havendo a necessidade de um poder fo rte centralizador para freá-lo. o que favorece o uso de moedas em detrimento ao sistema de trocas de mercadorias. O renascentista Nicolau Maquiavel (1469-1527) descreveu essas for mas de relação. Esta configuração será propícia para o estabelecimento de novas ideias. fortalecidos pelos impostos decorrentes da expa nsão comercial. e elaborou obras que traziam recomendações para os monarcas sobre a conqu ista e manutenção do poder. a burguesia. resgatadas do pensam ento clássico. [2] Para Maquiavel. Surge excedente de produção nos feudos . para que haja a possibilidade da vida coleti va. estimulando a circulação de produtos. que atuava sem limites na realização de suas vontades. ou seja. Concebe um Estado Absoluto. O filósofo tra .

trazendo a concepção do bom selvagem. . para a preservação do bem-estar e da segurança.[3] [4] Já Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).[5] Locke concebe a importância de que o poder político represente os interesses do corpo coletivo . cujas ideias serviram d e inspiração e fundamento para a Revolução Francesa. neste sentido. A Revolução Francesa trouxe a reivindicação da sociedade francesa contra os abusos do Rei. vários conflitos eclodiram decorrentes da tensão e ntre a alta burguesia. Desloca o poder centralizado nas mãos de um gov ernante para as dos cidadãos e alimenta o princípio da igualdade entre os homens como condiç ão para a manutenção das sociedades. p ossui o papel tanto na elaboração do contrato e suas leis. o pensamento de Rousseau traz consigo importantes elementos para o sur gimento da democracia moderna. o mercado naturalmente regula as relações sociais para uma sit uação equilibrada e organizada. garantindo a harmoni a entre os setores da sociedade. como na obediência àquilo que fora e stabelecido. visto como protetor dos mais ricos e a importância da soberania do povo e da vontade geral. De qualquer forma. O homem teria sido corrompido na passagem do estado de natureza para a sociedade civil. com a inauguração da propriedade. após a deposição do Antigo Regime. influente pensador iluminista. quando não r espondem às demandas da população. Inserido na vida coletiva. Concebe a importância de que o poder político represente os interesses do co rpo coletivo e de que os cidadãos tem o direito de se revoltar contra os governos. torna-se necessário o estabelecimento do contrato social. Rousseau considera que o homem em estado de natureza não se volta para a destruição do ou tro. Para Smith. considerado o pai do liber alismo econômico. Os interesses da alta burguesia predominaram. artesãos e sem-terra. quando propõe que os homens se juntam para evitar a guerra de to dos contra todos. demonstrando como o Estado tem re presentado os projetos das classes dominantes. Rousseau considera que o homem em estado de natureza não se volta para a destruição do ou tro. ao reforçar a importância da participação popular na construç ão de parâmetros que regem a vida coletiva. No pensamento de Rousseau surge também crítica ao Estado. O povo. que reivindicava seus privilégios. trazendo a concepção do bom selvagem. e os pequenos proprietários. Porém. estabelecendo compromisso s entre os cidadãos. traz contribuições importantes para a m udança do papel do Estado frente à população. Os mecanismos de oferta e procura estabeleceriam valores ad equados para os produtos e evitariam a exploração e abusos comerciais.3 Mercado e Liberalismo Outro pensador marcante do iluminismo foi Adam Smith (1723-1790). 1.z a importância dos grupos.

A falta de regulação no universo do trabalho.Em seu pensamento. As tensas configurações políticas desembocavam na I Guerra Mundial. assim como na degradação da qualidade do ar e da água. reorganizando as rela ções de poder em âmbito mundial. A miséria. A Revolução Industrial acarretou na proliferação de doenças. entre out ros. Adam Smith propõe que seja responsável pela defe sa contra inimigos externos e pela promoção de melhorias para população através de obras pú blicas. pode gerar abusos por parte dos donos do capital. estourava a Crise da Bolsa de Valores americana. O liberalismo de Adam Smith teve enorme influência no período da Revolução Industrial. O Estado passaria a desempenhar um novo papel. diante do crescimento do desemprego e miséria. da importânci a da coletividade e cooperação. Traz questionamentos fundamentais para a economia. gerava práticas de exploração dos trabalhadore s. o mundo se preparava outra vez para uma cr ise de enormes proporções. Alfred Marshall (1842-1924). torna-se importante para que não ocorram estas distorções. do papel do Estado em reduzi-la através de intervenções na eco nomia. Neste sentido. ressalta a importância de um Estado que não interfira nos mecanismos re guladores do próprio mercado e não controle a vida das pessoas. reflexo do pensamento reformista anglicano. marcadas pelo princípio do livre-mercado. Marshall colabora para uma mudança da própria função da Economia como ciência. ao contrário do que supunham os liberais. assim como da importância do fortalecimento de sindicatos. através dos sindicatos e políticas trabalhistas. e quan to ao papel do Estado. A ausência do Estado na regulação das relações econômicas. a exploração da mão-de-obra e o desemprego demonstravam as limitações do liberalismo. Uma década depois. Era contra os impostos exigid os pelos colonizadores frente às suas colônias e ao protecionismo comercial que favoreceria al guns produtores em detrimento de outros. assim como o esforço através do tr abalho. que retira da dimensão do pecado o acúm ulo de renda e enriquecimento pessoal. questiona os ensinamentos da economia clássica. por sua vez. Não se tratava mais apenas de lucros e circulação de mercadorias. competitividade e individualismo. mas sim. [7] . decorrente da superprodução e excesso de investimento dos Estados Unidos para suprir o mer cado europeu do pós-guerra.4 O Estado de Bem-Estar Social Com o crescimento descontrolado das indústrias e grupos comerciais surgiram grandes mono pólios que. destruíam a livre-concorrência. a proteção do trabalhador. acarretando na n ecessidade de profundas transformações do papel do Estado na condução do país. O individualismo é também valorizado. 1. há uma forte crítica ao poder centralizado dos reis e um discurso favoráve l à classe burguesa. garantindo a harmonia entre os setores da sociedade. muitas vezes. O economis ta discorre acerca da pobreza. Por outro lado. trazendo preocupações com o bem-estar da população. como a febre tifoide e problemas respiratórias. Quanto ao papel do Estado na vida social. No entanto. condições marcantes d as cidades do século XX. durant e o século XIX. Em 1929. a entrada no novo século evidenciou seus limites.[6] Os mecanismos de oferta e procura estabeleceriam valores adequados para os produtos e evita riam a exploração e abusos comerciais. Dentro deste contexto. condições de vida. enquanto instituição voltada a responder demandas sociais. a Segunda Guerra Mundial.

através da diminuição da participação do Estado na economia. Os investimentos e concessões de crédit os aos sistemas de saúde.[11] No decorrer da década. a partida década de 70 . foi Keynes (1883-1946). promovendo o sur gimento de críticas e oposição ao modelo de governo. embora influente em termos mundiais. Setores mais conservadores ganhavam terreno e exigiam a di minuição da carga tributária. que o neoliberalismo. uma circulação mais livre dos produtos e fortes direitos à propriedade. atrelada ao desemprego crescente advindo do uso da tecnologia nos meios de produção geravam maiores problemas sociais. e ao mesmo tempo. foram os dois governantes que impuseram mudanças profundas para regular as contas públicas. a custas da redução da indústria nacional. afundando ainda mais em dívidas. não consistiu na única forma de governança. desemprego. Na década de 80. complet amente devastadas com a destruição de cidades e economias. O Estado-Mínimo começava a ser colocado em prática. Países nórdicos construíram um modelo considerado meio-termo entre o Estad o de Bem-Estar Social e o neoliberal. o Estado de sempenha um papel fundamental para intervir nos ciclos de crise econômica. créditos a baixo custo e garantias. por sua vez. Com a crise do petróleo. trazendo impactos para a economia mundial. o governo deveria sustentar patamares de produção . Margaret Tatcher. Através de investi mentos. suas ideias inspiraram governo s após a II Guerra Mundial. No entanto. O Estado de Bem-Estar Social promoveu profundas alterações na melhoria da qualidade de vid a da população dos países onde se adotara o modelo. assim como dificuldades próprias à manutenção do Estado de Bem-Estar S ocial acarretaram em seu enfraquecimento. inaugurando o período neoliberal. p orém. aumento das importaçõ es foram alcançadas. primeira-ministra da Inglaterra. um das economias mais fortes do mundo desenvolve . fim do protecionismo econômico. altos impostos. O endividamento dos governos e a insatisfação do empresariado diante dos impostos excessivo s aumentavam a tensão política. abrindo porta para o Neoliberalismo. aume nto da pobreza. controle da inflação e privatizações. assim como a importância do fortalecimento de sindicatos. presidente dos E stados Unidos. assim como Ronald Reagan. a estabilidade econômica. no entanto. Escolarização. a proibição do trabalho infantil. o Estado de Bem-estar Social mostrava suas dificuldades. o direito de formação de associações de trabalhadores. Dentre as mudanças ocorridas. o papel do Estado em reduzi-la através de intervenç ões na economia. em 1933. a ab ertura de frente de trabalho para promover melhorias públicas e o maior controle dos bancos. rompimento poder de sindicatos e desmonte dos direitos sociais. não ma is conseguiam suprir as necessidades da população. controle da inflação. A Alemanha. outras mudanças no cenário político econômico mundial. saúde. Cabe notar. a situação se acirrou. aumento da competitividade. Os governos. Para o economista. o presidente Roosevelt instaura. evitando a recessão. discípulo de Marshall.[8] Importante salientar que nos Estados Unidos. além de menor intervenção do Estado na economia. A r edução da oferta do petróleo. [9 ] Marshall reflete a produção da pobreza.[10] Na década de 70. destacam-se: o estabelecimento de salário-mínimo para jornada de 40 hor as. Uma série de medidas foi tomada como cortes nos gas tos públicos. marcado pelo acesso gratuito aos direitos básicos como s aúde e educação. a fim de reestabelecer as condições de vida da população. educação e previdência geravam um alto custo aos cofres públicos. uma s érie de medidas intervencionistas na economia e sociedade americana. acesso a trabalho e outros direitos foram promovidos com incentivos públicos.Outro teórico fundamental do modelo de Estado de Bem-Estar Social. Suas ideias contrapunham-se às proposições do mercado livre e colocav am o Estado à frente na promoção de uma economia que gerasse empregos e crescimento par a o país. os princípios do liberalismo retomam força. Crítico da autorregulação do capitalismo. o New Deal.

. [12] As políticas neoliberais buscam o corte nos gastos públicos e fim do protecionismo econômico . Em 2008. gerando implicações em esferas diversas. a competitividade. a degradaç ão do meio-ambiente. contrariando as politicas neoliberais. O consumismo das sociedades contemporâneas. fragilizam o poder de sindicatos e tendem a desmontar os direitos sociais.ram. um sistema de ampla seguridade social. entre outros. por sua vez. a brasileira. são alguns efeitos percebidos em nosso cotidiano. o mundo passa novamente por outra grande recessão. gerando consequên cias para o mercado internacional. Desemprego e pobreza. As politicas neoliberais são marcadas pela diminuição da presença do Estado na economia. ações de governos que reflitam as políticas neoliberais. o modelo neoliberal tem perdurado até os dias atuais. com forte participação do Estado na economia. O governo americano concede ajuda bilionário para o sistem a financeiro. Por outro lado. inclusive. Procure nos noticiários. p odendo ser expressa ainda pela austeridade fiscal e pelo corte dos programas sociais. em um ambiente claramente capitalista e competitivo. velhos fantasmas da humanidade tem assolado economias por todas as partes. De forma geral. o individualismo.

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