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TECNOLOGIAS ARTÍSTICAS I

I CICLO LICENCIATURA DE CIÊNCIAS DA ARTE E DO PATRIMÓNIO REFORMA DE BOLONHA 1º ano – 1º semestre

PROGRAMA

REFORMA DE BOLONHA 1º ano – 1º semestre PROGRAMA HUGO FERRÃO PROFESSOR ASSOCIADO ANA SOUSA PROFESSORA

HUGO FERRÃO

PROFESSOR ASSOCIADO

ANA SOUSA

PROFESSORA CONVIDADA

Universidade de Lisboa

Faculdade de Belas-Artes

2013-2014

TECNOLOGIAS ARTÍSTICAS I

Reforma de Bolonha

I Ciclo – Licenciatura de Ciências da Arte e do Património 1º ano – 1º semestre

DEFINIÇÃO e OBJECTIVOS

A disciplina de TECNOLOGIAS ARTÍSTICAS I da LICENCIATURA DE CIÊNCIAS DA

ARTE E DO PATRIMÓNIO da FACULDADE DE BELAS-ARTES da UNIVERSIDADE de

LISBOA, traduz na sua programação as dimensões artística, humanista e científica que caracterizam de forma geral a licenciatura e inscreve-se no processo científico e pedagógico de formação, iniciado com o PROCESSO DE BOLONHA, cuja duração é de três anos.

No I CICLO da LICENCIATURA DE CIÊNCIAS DA ARTE E DO PATRIMÓNIO, são

concretizadas propostas programáticas, cujos objectivos gerais visam a realização de experiências nas diferentes disciplinas como na Química e Física dos Materiais, nas Práticas Laboratoriais de Diagnóstico e Teoria do Restauro, na Arqueologia e Património, na Museologia e Museografia, nas Tecnologia Artísticas, contribuindo para formar profissionais polivalentes em domínios que podem ir desde as Ciências, Teorias e Crítica da Arte, da História da Arte, da Conservação e Restauro, à Museologia e Museografia.

A disciplina de TECNOLOGIAS ARTÍSTICAS I está intimamente articulada com a

disciplina de TECNOLOGIAS ARTÍSTICAS II, (1º ano 2º semestre) fazendo parte do elenco de cadeiras específicas que consolidam e aprofundam o espírito de pesquisa, bem como a individualização dos percursos através de projectos que questionam as diversas problemáticas das Ciências da Arte e do Património.

As tecnologias artísticas são o suporte da praxis artística que sempre procurou cruzar linguagens específicas dos diferentes campos do conhecimento e do saber fazer. Essa ideia de interdisciplinariedade e transdisciplinariedade, acentuada no nosso presente numa quase total miscigenação, remete constantemente a actividade artística para uma visão recolectora supradisciplinar, (Lévi-Strauss) onde a problematização das realidades formais e tecnológicas fundem linguagens gerando novos modos de formar, outros contextos artísticos.

Aparentemente parece que o universo do bricoleur não se compatibiliza com o do «engenheiro», pois o bricoleur «nomadiza» os conteúdos através da recolecção, sem a necessidade determinante de definir recursos e estratégias para alcançar um produto-objecto estável e multiplicável. A não repetição de um número preciso de operações encadeadas, e previstas para concretizar um objecto que será investido de uma simbologia industrial está fora da esfera das intenções do bricoleur.

O pensamento plástico inerente à praxis artística pode ser entendido como dimensão

criativa (espaço criativo) implicando a realização de investigações através das quais se equacionam outras problemáticas de expressão plástica em estreita cumplicidade tecnológica, abrindo permanentemente os próprios conceitos formulados sobre si (pensamento) intensificando o espírito crítico, valorizando a individualização do discurso, aceitando outros pontos de vista, outras concepções matéricas da forma plástica. O pensamento plástico sempre procurou cruzar linguagens específicas dos diferentes campos do conhecimento e do saber fazer. Essa ideia de interdisciplinariedade e transdisciplinariedade, remete constantemente a actividade artística para uma visão recolectora supradisciplinar, onde a problematização das imagens, suas realidades formais ou funções sociais, fundem linguagens gerando novos modos de formar, outros novos contextos artísticos.

A conceptualidade que preside à actividade artística define hipóteses que implicam

determinadas escolhas estéticas, técnicas-instrumentais, e tecnológicas. Os pressupostos teóricos e metodológicos são de enorme flexibilidade, tornam-se flutuantes, articulando-se

dinamicamente com outros conhecimentos, outros modos de fazer em constante redefinição dos conteúdos expressivos da proposição plástica, de um modo lato da obra de arte.

O nascimento das obras de arte dá-se a partir e através da actividade do operador-artista;

segundo esta perspectiva será por intermédio da obra-proposição que se revela, revelando o

artista. A existência do artista é indissociável da materialidade coisificante da obra.

Na materialidade do corpo da obra intuímos a descoberta de novos recursos intelectuais, instrumentais e tecnológicos que podem ou não contribuir para a alteração do quadro conceptual instituído. É essa materialidade enquanto coisa, feita de cores, tintas, escorrências, velaturas ou pastas densas, que permite às Artes transmutar-se em médium que optimiza o processo criativo, que revela o pensamento plástico.

A atitude artística, fundamentalmente a partir do Renascimento, caracteriza-se por um

estado latente de questionamento, formulado e articulado através de metodologias inovadoras que fixam o seu universo imagético.

O programa da disciplina Tecnologias Artísticas I tem como grande objectivo estimular e apoiar a identificação das principais tecnologias relacionadas com a especificidade das linguagens da Tapeçaria, da Gravura, da Cerâmica, do Mosaico, do Vitral, da Fotografia, e da Pintura, bem como realizar experiências que aproximem o aluno da imagética dessa linguagem plástica específica.

SÍNTESE DOS CONTEÚDOS

1. Linguagem e Forma das Tecnologias Artísticas;

2. Expressão e Comunicação através das Tecnologias Artísticas.

3. Dimensão Técnica e Tecnológica da “Práxis” Artística;

4. Artesão versus Artista;

5. Artefacto versus Obra de Arte;

6. Tecnologia versus Tecnologia Artística;

7. Tecnologias Artísticas: ontem e hoje. Património e Arte Contemporânea.

HORÁRIO e LOCAL

Segundas e Sextas-feiras das 17.00 às 20.00 horas. Sala 3.31 e outras, consoante a tecnologia (consultar calendário).

   

Datas

Docente(s)

Sala

Apresentação

16

de Setembro

   

Introdução

20

de Setembro

Prof.ª Convidada Ana Sousa

3.31

Mosaico e Vitral

23, 27 e 30 de Set. e 4 de Out.

Prof. Assistente Fernando Quintas

1.13

Fotografia

11, 18 e 25 de Out.

Prof. Convidado Daniel Pinheiro

1.25

Cerâmica

14, 21 e 28 de Out. e 4 de Nov.

Prof. Assistente Pedro Fortuna

3.55

Gravura

8,

11, 15, 18 de Nov.

Prof. Auxiliar José Quaresma

3.72

Pintura

22, 25 e 29 de Nov. e 2 de Dez.

Prof. Auxiliar Ilídio Salteiro

3.27

Tapeçaria

6,

9, 13 e 16 Dez.

Prof.ª Convidada Ana Sousa

3.31

Orientação

20

de Dezembro

Prof.ª Convidada Ana Sousa

3.31

Avaliação

A

definir em Janeiro.

Prof. Associado Hugo Ferrão Prof.ª Convidada Ana Sousa

A definir.

INTRODUÇÃO

A dimensão salvadora da arte – do inefável ao inexprimível.

Tecnikon é o termo que os gregos encontraram para circunscrever a esfera da palavra técnica, que no imaginário grego designa algo que pertence à techné, e segundo Martin Heidegger, este termo tem a mesma significação que epistemè, que significa compreender uma coisa. Technè refere-se ao conhecer-se em qualquer coisa, mas no facto de produzir qualquer coisa. Ainda evocando Heidegger este diz-nos que: “(…) technè não é um conceito do fazer, mas um conceito do saber. Technè e também técnica querem dizer que qualquer coisa está posta no manifesto, acessível e disponível, e é dada enquanto presente à sua posição”

As técnicas são modos teórico-práticos de operar do fazer materialidade ou imaterialidade, elaborando enunciados, encadeamentos de procedimentos com o propósito de coisificar um objectivo-resultado, em função do projecto. Modos de fazer reprodutíveis, experiência que se pode repetir e cujos resultados são os mesmos. A técnica implica determinar uma sequência de actos faseados que permitam estabilizar a objectivação do resultado, significando que sempre que se aplicar esse conjunto de procedimentos temos determinado resultado. O património técnico é transmissível se o esquecimento não interferir no recorte dos procedimentos em unidades, na sua ordenação e simbolização. (Adriano Duarte Rodrigues).

O logos da técnica forma uma competência específica, transforma-se numa tecnologia. A interdependência dos projectos de realização técnica estão alicerçados na “cientificação” do conhecimento que tem vindo a construir dispositivos tecnológicos tão sofisticados que escapam à compreensão dos próprios criadores atingindo um estádio de naturalização. A experiência do mundo da arte está, cada vez mais, “contaminada” por mutações técnicas e tecnológicas operadas a uma velocidade que compactou o tempo histórico no presente, interferindo na materialização da visibilidade da obra de arte.

O artista não se diz na verbalização justificativa das suas obras, ele rasga a ditadura das

palavras, que tudo nomeia, para se reconhecer no ver-vendo através do fazer coisificante. Ao falar de obras de arte, o artista refere-se a “viagens por dentro”, compara pinturas com pinturas, desenhos com desenhos, as figuras que desenhou com traços de raiva, as transparências das velaturas, as “conversas silenciosas” na presença da pintura que o fascina pela descoberta de si. O pintor pensa e pensa-se pelas e nas pinturas, expressa-se pelo pensamento plástico, o seu “dizer” é coisificado pela cor, traços, texturas, manchas aguadas, escorrências, sulcos, fixando na tela, na folha de papel mundos indizíveis.

Cada obra de arte contém em si a complexidade tecnológica que encarna sistemicamente

um tempo histórico gerado na tensão entre autor e a obra produzida. Na visibilidade das

representações intuímos sistemas abertos complexos, realizações que obrigam o observador a

um tempo dilatado de contemplação, pleno de significações. A legibilidade da visibilidade dessas

representações passa por metodologias que segmentam, analisam, desmontam

laboratorialmente, através da qual podemos descer às múltiplas e labirínticas interpretações

iconológicas, às manifestações efémeras, acidentais quase que instantâneas e ter maior

consciência dessa palavra de chegada que se chama complexidade.

METODOLOGIA

Cada núcleo tecnológico [GRAVURA, CERÂMICA, MOSAICO, VITRAL, FOTOGRAFIA,

PINTURA e TAPEÇARIA] será estruturado em quatro sessões, da seguinte maneira:

1ª sessão (teórica): Enquadramento histórico, importância e léxico da tecnologia.

2ª sessão (teórico-prática): Técnicas, instrumentos, materiais e processos: definição e

experimentação.

3ª e 4ª sessão (teórico-prática): Apresentação de um objecto artístico e desmontagem

tecnológica do mesmo. Discussão teórica e prática experimental em torno das questões

tecnológicas suscitadas.

Elaboração de fichas, com campos pré-definidos, nas quais os alunos farão um conjunto

de apontamentos detalhados sobre cada núcleo tecnológico. Estas fichas servirão de base à

construção de um dossier da disciplina, que integrará também trabalhos realizados pelos alunos,

e será objecto de avaliação final.

BIBLIOGRAFIA

BRUN, Jean – A mão e o espírito, Edições 70, Col. Bibliot. de Filosofia Contemporânea, n.º

14, Lisboa, 1991.

BRUN, Jean - Le rêve et la machine: Technique et Existence. Paris: La Table Ronde, 1992.

371 p. ISBN: 2-7103-0531-3.

CROW, T - Modern Art in the Common Culture - Yale, 1996 FERRÃO, Hugo (2005). Hipertexto, Axis Mundi das Manifestações Tecno-Artísticas, in

Arte Teoria, n.º 6. Consultado em [Janeiro, 2011] em: http://areas.fba.ul.pt/imagomundi/

docs/arteteoria_n6_hipertexto.pdf

HEIDEGGER, Martin - Língua de Tradição e Língua Técnica, Veja, Col. Passagens, nº 20, Lisboa, 1995 - A Origem da Obra de Arte, Edições 70, Col. Biblit. de Filosofia Contemporânea, nº 12, Lisboa, 1992

ITTEN, Johannes - Art de la Couleur, Approche Subjective et Description Objective de

L'Art, Paris,Dessain et Tolra, 1977. LÉVY, Pierre (2000). Cibercultura. Lisboa: Instituto Piaget, Colecção Epistemologia e Sociedade, n.º 138. LÉVY, Pierre (1997). Ideografia Dinâmica, Para uma Imaginação Artificial. Lisboa: Instituto Piaget, Colecção Epistemologia e Sociedade, n.º 63. LÉVY, Pierre (1994). As Tecnologias da Inteligência, O Futuro do Pensamento na Era Informática. Lisboa: Instituto Piaget, Colecção Epistemologia e Sociedade, n.º 23.

MAYER, Ralph - Manual do Artista de Técnicas e Materiais, 2ª Ed., São Paulo, Martins

Fontes, 2002. MAYER, RALPH – Materiales y Técnicas del Arte, S.A. y Hermann Blume Ediciones, Madrid, 1993. ROCHA DE SOUSA (coordenador) - Didáctica da Educação Visual, Lisboa, 1ª Ed., Universidade Aberta, Col., Textos de Base, n.º 83, 1995 RICHTER, Gerhard – The Daily Practice of Painting, Thames & Hudson, London, 2002 SICARD, Monique - La Fabrique du Regard, 1º Ed., Paris, Editions Odile Jacob, Col., Le Champ Médiologique, 1998.

PÁGINA WEB (SITE)

http://sites.google.com/a/campus.ul.pt/tecnologias-artisticas

AVALIAÇÃO

Entende-se por avaliação a apreciação do trabalho de resposta do aluno ao programa e aos seus eventuais desenvolvimentos complementares ou alternativos. As avaliações podem ser contínua, periódica e final. A Avaliação Contínua efectua-se ao longo do semestre. A Avaliação Periódica funciona como balanço qualitativo do aproveitamento do aluno. E, por último, a Avaliação Final conclui o processo sendo atribuída uma classificação quantitativa. Para serem admitidos à Avaliação Final, os alunos terão de comparecer às aulas, sendo registado em ficha individual o seu aproveitamento qualitativo, e consideradas as informações contínuas, resultantes da relação didáctico-pedagógica estabelecida entre professor-aluno.

O acesso à Avaliação Final só é possível quando se verifica o completo cumprimento das avaliações e são atingidos os objectivos programáticos propostos. Na Avaliação Final está presente um Júri expressamente designado para o efeito que apreciará globalmente o trabalho desenvolvido durante o semestre lectivo, considerando as informações recolhidas no conjunto das avaliações realizadas e atribuirá uma classificação final quantitativa.

ELEMENTOS DE AVALIAÇÃO

1. Dossier (diário/portfolio/pesquisa);

2. Ensaio (apresentação escrita e oral).

1. DOSSIER

Estrutura: subdividido nos diversos módulos/tecnologias. Processo de construção: a partir das sessões (assistidas e participadas), complementadas com alguma pesquisa adicional, dentro dos conteúdos abordados em cada tecnologia artística. Apresentação: escrita e visual, documentada com imagens e trabalhos realizados durante as 2ª e 3ª sessões de cada núcleo tecnológico. Critérios de avaliação: é valorizada a compreensão face à simples recolha de dados/informação; a capacidade de estabelecer a relação teoria-prática e vice-versa; e a capacidade de apropriação da tecnologia à praxis artística.

2. ENSAIO

Objecto: Obra de um artista português da última metade do século XX/início do século XXI (escolha de um dos dez artistas propostos pelos docentes das várias tecnologias). Processo: desmontagem da(s) tecnologia(s) apropriada(s) pelo artista na realização da obra. Compreensão do processo pelo qual a obra foi realizada, dando ênfase a todos os aspectos tecnológicos: técnicas, ferramentas, matérias e materiais empregues. Quer no trabalho teórico, quer na apresentação oral, introdução de imagens que representem as várias fases de materialização das obras. Apresentação escrita: suporte papel e digital, com dimensão entre 10 e 15 páginas. Apresentação oral: suporte powerpoint ou prezzi, com duração até 15 minutos. Critérios de avaliação: É valorizada a compreensão das potencialidades artísticas das tecnologias (tradicionais e novas); as competências analítica, crítica, criativa e comunicativa.

Nota: Devem ser entregues duas cópias (em suporte digital) do ensaio (documento word) e da sua apresentação oral (documento powerpoint) no acto de avaliação final.

CALENDÁRIO DAS AVALIAÇÕES

Avaliação periódica: em data a definir pelos docentes, quando se justifique. Avaliação final: entre 6 e 31 de Janeiro de 2014 (a definir).

Lisboa, 16 de Setembro de 2013

Prof. Associado Pintor Hugo Ferrão (Regente)

Prof.ª Convidada Ana Sousa