Você está na página 1de 3

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Liberdade de expressão significa ser livre para falar livremente sem


censura. Nos Estados Unidos, a liberdade de expressão é um direito de todo
cidadão, garantido pela constituição. Basicamente pode-se falar o que quiser,
sem estar contrariando a lei, mesmo coisas que ofendem as minorias e
expressam preconceitos.

A lei que garante a liberdade de expressão não é absoluta. Crimes, por


exemplo, motivados por preconceitos de raça, religião, preferência sexual, são
punidos com muito mais severidade. Instituições privadas, como universidades
e empresas, têm suas próprias leis de conduta. Nas instuições do governo,
entretando, a lei de liberdade de expressão deve ser respeitada. Entretanto, isso
não quer dizer que você pode sair por aí, desrespeitando os outros, e tudo fica
por isso mesmo.

Michael Richards é um ator comediante que fez parte do seriado Seinfeld,


um dos seriados mais populares dos Estados Unidos. Richards fazia o papel de
Kramer, um dos quatro personagens principais da série.

Em novembro de 2006, ele estava em uma cidade da Califórnia fazendo


um show de comédia, quando se desentendeu com um grupo na platéia. De
microfone na mão, ele perdeu o controle e usou palavrões, de caráter racista,
por mais de dois minutes.

Entre os palavrões, ele proferiu o termo depreciativo nigger, que é um


termo extremamente ofensivo para se referir ao negros. Todo o episódio foi
gravado por um telefone celular. No outro dia, estava na internet.
Richards não foi preso, mas sua carreira, que já não andava lá essas
coisas, acabou. Ele foi a vários programas de TV, pediu desculpas, mas não
adiantou. Embora não tenha sido preso, já que não infringiu a lei, sua atitude
racista fez com que ele pagasse muito caro: perdeu contratos de trabalho e foi
criticado pela mídia. Enterrou de fez sua carreira.

Em muitos outros países, expressões de ódio que refletem preconceitos


são considerados crimes. Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, por exemplo,
têm leis contra esse tipo de expressão. Em Israel e na França, é proibido vender
artigos nazistas, como suásticas e bandeiras. No Canadá, Alemanha e França, é
crime dizer que o Holocausto nunca existiu.

Nos Estados Unidos, a coisa é diferente. A liberdade de expressão


garante que o cidadão expresse suas crenças e opiniões. Um bom exemplo é a
organização chamada Ku Klux Klan, que prega a supremacia branca, o racismo
e o anti-semitismo, entre outras coisas, e está em plena atividade por aqui,
embora em número pequeno.

Há, porém, alguns estudiosos da lei que acham que os Estados Unidos
deveriam reavaliar sua posição com relação a expressões de ódio de caráter
racista. Discursos que estimulem o terrorismo ou que convidam à violência
deveriam ser punidos, de acordo com certos especialista.

Ao que parece, a liberdade de expressão continuará a ser uma


característica da sociedade americana. Essa idéia está enraizada numa visão
individualista do mundo e no medo de que o governo possa começar a ditar o
que o cidadão pode ou não falar.

Há mais de duzentos anos, a liberdade de expressão faz parte da


constituição americana. Não parece fácil mudar um conceito que os americanos
apóiam e consideram importante. É uma marca americana que distingue os
Estados Unidos dos outros países ocidentais.

Denise Maria Osborne é mestranda em Lingüística Aplicada no Teachers


College Columbia University (Nova York) e professora de português como
língua estrangeira. dmdcame@yahoo.com

Artigo originalmente publicado pelo Jornal Clarim (Minas Gerais, Brasil):

Osborne, D. (2008, November 28). Liberdade de expressão. Clarim, Ano 13, n.


646, p. A2.