Você está na página 1de 4

DECISÃO

Viação Piracicabana Ltda, Auto Viação Marechal Ltda, Urbi Mobilidade Urbana e Viação Pioneira Ltda ajuizaram dissídio coletivo de greve em face do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte de Passageiros Urbanos, Interestaduais, Especiais, Escolares, Turismo e de Transporte de Cargas do Distrito Federal - SITTRATER/DF, pretendendo a concessão de liminar inaudita altera pars para que o suscitado se abstenha de promover o movimento paredista no próximo dia 28/4/2017 ou, ao menos, "que o Sindicato Suscitado cumpra, durante a paralisação, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, trafegando com, no mínimo 90% (noventa por cento) da frota das empresas Suscitantes nos horários de 'picos' e com 60% (sessenta por cento) nos horários 'entre-picos'", bem como que o sindicato suscitado "se abstenha de obstruir as garagens e impedir, por qualquer meio, a circulação de veículos, além de ser obrigado a envidar esforços visando o fiel cumprimento da LIMINAR deferida, e, por fim, obrigando-se a coibir atitudes isoladas de membros da categoria em episódios de vandalismo e depredação sob pena de responsabilidade pessoal de seus dirigentes".

Pois bem.

Os autos vieram-me conclusos em face do disposto no art. 32, VIII, do Regimento Interno deste egrégio Regional.

Inicialmente, esclareço que a apreciação do pedido de declaração de abusividade da greve ultrapassa os limites da competência atribuída à Presidência deste egrégio Regional.

Numa análise preliminar, poder-se-ia dizer que o direito de greve previsto no art. 9º, § 1º, da Constituição Federal deve ser sopesado com as peculiaridades do sistema

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: PEDRO LUÍS VICENTIN FOLTRAN

http://pje.trt10.jus.br/segundograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?nd=17042716594676400000002107706

Número do documento: 17042716594676400000002107706

Num. 4d0e566 - Pág. 1

rodoviário e da sua condição de serviço essencial para o atendimento da população, na forma ditada pela Lei n.º 7.783/1989, exigindo-se que se imprima o equilíbrio entre o direito constitucional à greve com a prestação de serviços essenciais de forma segura, sem qualquer ameaça a outros direitos garantidos pela lei e com definição de parâmetros que, ao mesmo tempo, permitam aos trabalhadores o livre exercício do direito de greve, mas com a atenuação dos transtornos que tal movimento gera à comunidade.

Entretanto, como ressaltado pelos próprios suscitantes, a greve geral programada para o dia 28/4/2017 é peculiar. Isto porque não se trata aqui de movimento paredista buscando majoração salarial, manutenção ou ampliação de direitos previstos em norma coletiva, ou alteração de condições de trabalho, com foco exclusivo em uma determinada categoria profissional.

Diante do cenário histórico atual, em que profundas alterações na legislação trabalhista e previdenciária, capazes de afetar drasticamente as relações de emprego em curso e vindouras, estão sendo propostas pelos Poderes Executivo e Legislativo, os sindicatos, as federações, as confederações e as centrais sindicais, estão conclamando todos os trabalhadores, celetistas, estatutários e de carreira de Estado, a expressar sua discordância com boa parte das alterações sugeridas por meio de uma paralisação geral. Tal convocação é legítima, faz parte da realidade de um Estado Democrático de Direito.

O que não me parece razoável, diante desse cenário, é impedir que determinada parcela de trabalhadores não possa aderir ao movimento, mesmo porque está limitado a apenas um dia em que, inclusive, se anuncia o fechamento do comércio e das demais atividades no âmbito do Distrito Federal.

Saliento que o próprio Tribunal Regional do Trabalho, prevendo a intensidade do movimento, acabou por suspender suas atividades no dia 28 de abril, pautado na dificuldade que ocorrerá na mobilidade dos seus servidores e na preservação da integridade física de cada um, bem como do seu patrimônio.

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: PEDRO LUÍS VICENTIN FOLTRAN

http://pje.trt10.jus.br/segundograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?nd=17042716594676400000002107706

Número do documento: 17042716594676400000002107706

Num. 4d0e566 - Pág. 2

Pelo exposto, INDEFIRO a liminar requerida.

Esclareço que não há dúvida de que o direito de livre manifestação deve ser exercido com a observância aos limites legais, como por exemplo, o respeito ao patrimônio público e privado. Assim, eventuais ilícitos praticados por empregados ou empregadores no curso do movimento paredista serão apurados por meio dos remédios processuais próprios.

Tal se aplica, inclusive, quanto aos eventuais desdobramentos do movimento, quer no que se refere ao corte do ponto, desconto salarial ou mesmo reposição do dia não trabalhado.

Para audiência de conciliação, fica designado o dia 3/5/2017, às 16h30, na sala de sessões do Tribunal Pleno, no edifício sede deste egrégio Regional, oportunidade em que o suscitado deverá, querendo, apresentar defesa.

Intimem-se as partes, COM URGÊNCIA E POR MANDADO, encaminhando-se ao suscitado a chave para visualização do processo no sistema PJe-JT, a fim de que tome ciência da petição inicial e documentos que a acompanham.

Dê-se ciência ao Ministério Público do Trabalho.

PEDRO LUÍS VICENTIN FOLTRAN

ffp

Desembargador Presidente

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: PEDRO LUÍS VICENTIN FOLTRAN

http://pje.trt10.jus.br/segundograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?nd=17042716594676400000002107706

Número do documento: 17042716594676400000002107706

Num. 4d0e566 - Pág. 3

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: PEDRO LUÍS VICENTIN FOLTRAN

http://pje.trt10.jus.br/segundograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?nd=17042716594676400000002107706

Número do documento: 17042716594676400000002107706

Num. 4d0e566 - Pág. 4