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I) APRESENTAÇÃO Marcos Tanaka Riyis
I) APRESENTAÇÃO
Marcos Tanaka Riyis

Escrito em 01/2002, revisado em 01/2004

Ilustrações

Capa & Logo: Leonel Domingos Vitória do Lula - Bernardo Vieira (pg 02) Fórum Social Mundial - Neriga (pg 05) DEVOs - Eduardo Ronin (pg 07) Ondas de Saques - Fábio McBaltz (pg 09) Cynermanos - Manoel MAgalhães (pg 12) Kyoto Radical - Alexandre Bar (pg 14 & 15) MST - Ramos (pg 16) Novos Cangaceiros - Newton Nitro (pg 18) Guerrilheiros - HMinus (pg 19) Favelas em SP - Marco Morte (Pg 21 & 22) Grupo de Rap - Erichan (pg 24) Arte na Rua - HMinus (pg 25)

Editoração

Adriana Almeida ( REDE RPG )

Muitos cenários de RPG foram criados e lançados no mercado em todos esses anos (desde 1979, com Dungeons and Dragons nos EUA, ou 1993, com GURPS no Brasil), falando sobre mundos fantásticos, viagens espaço-temporais, vampiros, seres mitológicos e fantásticos, mas nenhum falando sobre a realidade. Principalmente da realidade da maioria dos brasileiros (ou, por que não dizer, da maioria dos habitantes do planeta Terra): fome, injustiça social, degradação do Meio Ambiente, saúde, educação e lazer para quem pode pagar, habitações sub-humanas, crime, tráfico, violência.

Na década de 90, a Akritó editora, com os autores Flavio de Andrade e Carlos Klimick, tentaram aproximar o RPG das questões sociais, com o livro Era do Caos. Mas, mesmo esse cenário tem em sua base elementos que o tornam mais “jogo” e menos “manifesto”, como os suplementos Lendas, Caídos e Noturnos, tornando Era do Caos vários degraus acima dos outros nesse aspecto, mas ainda insuficiente.

No presente cenário – que não está atrelado a nenhum sistema em particular, ficando a cargo do mestre escolher o que mais lhe agrada – o jogador é, antes de tudo, um sobrevivente, como a maioria dos jovens habitantes das periferias das grandes cidades

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II) Cenário

ou dos moradores dos assentamentos agrícolas. Só que, de modo diferente da maioria desses jovens, esses personagens estão lutando por um mundo melhor para todos, geralmente buscando a solução coletiva, ao invés da solução individual. Hacker, ambientalista, dançarino de rua, rapper, sem-terra, estudante, membro de uma ONG, são alguns arquétipos de personagens que podem ser usados aqui.

Se você faz compras na Daslu, usa bolsa da Louis Vuitton, acha que o Mac Donald’s faz a melhor comida do mundo, que aquele moleque do semáforo só pode ser um trombadinha, acredita na Rede Globo e sua leitura se resume a “Caras” e “Contigo”, pare agora de ler, pois você não vai gostar desse cenário. Agora, se a luta por um mundo melhor faz parte de suas aspirações, se você se sente incomodado com a injustiça social e com o modelo econômico excludente, se você acha importante participar da sua escola, comunidade ou país, se você se interessa por política, se você concorda com os princípios do Fórum Social Mundial, seja bem vindo. Esse jogo foi feito para você.

A vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2002 devolveu a esperança à imensa massa mais politizada que o elegeu. Porém, a pressão dos “investidores” estrangeiros e dos banqueiros e empresários nacionais, aliada à pressão do governo americano e do FMI para a adesão do Brasil à ALCA, fizeram o Presidente eleito perder força, principalmente no Congresso Nacional, onde nunca

obteve a maioria. Essas derrotas e pressões fizeram

a esperança inicial se transformar em desilusão, e a

desilusão em protestos, que obrigaram Lula a deixar

o poder. Isso tornou a situação política e econômica

semelhante à da Argentina em 2002. A ampla coalizão de “salvação nacional” reconduziu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com seu prestígio internacional e seu charme intelectual, à Presidência, para o alívio dos credores internos e externos, que, a partir daquele momento, tiveram a certeza de que os compromissos seriam cumpridos, e as dívidas, pagas. Após uma breve melhora graças à “ajuda” do FMI e do capital de investidores externos, o Brasil voltou a ter péssimos indicadores sociais, devido, principalmente, à extrema dependência do capital

o Brasil voltou a ter péssimos indicadores sociais, devido, principalmente, à extrema dependência do capital

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externo e aos escorchantes juros das dívidas externa

e interna (a famigerda relação dívida/PIB).

Novas revoltas e novos protestos foram sufocados pela ação rápida e eficiente – diferente dos protestos na gestão de Lula, que foram estimulados pelos poderosos – da polícia, do exército e, principalmente, da imprensa “oficial” do país. Em 2005, a paz parecia reinar no Brasil, mas, sob a aparência externa de tranqüilidade, havia um barril de pólvora prestes a explodir.

E essas pequenas explosões começaram a ocorrer com saques, protestos e passeatas cada vez mais violentas, bem como ações mais efetivas de grupos contrários à globalização excludente e favoráveis às teses dos Fóruns Sociais Mundiais. Movimentos da periferia das grandes cidades, como grupos de Rap, de pagode, ONGs que atuam nessas áreas, ligadas ou não às igrejas, movimentos de

minorias como negros, mulheres, e homossexuais, grupos organizados de sem-teto, grupos ligados à arte, como teatro, música e grafities, se aliaram a ONGs ligadas à preservação do Meio Ambiente (Greenpeace, entre elas), a movimentos de atuação rural, como o MST, CONTAG, associações indianistas

e outras, a entidades historicamente organizadas e

ligadas à causas populares, como partidos políticos “de esquerda” (PCO, PSTU, PC do B e alas do PT), sindicatos, associações de bairro e entidades estudantis e a grupos internacionais (como a ATTAC, que luta pela taxação da circulação de capitais, por uma globalização mais justa), num grande grupo que se denominou SS – Sociedade Social.

Os SS se comprometeram a se auxiliar

mutuamente e realizar alguns atos juntos, a despeito de divergências que havia entre os grupos. A Greve Geral e a Passeata dos 200 mil, em maio de 2006 são alguns exemplos do que a união poderia fazer. Até a imensa legião de alienados que cresceu muito

a partir da década de 90 passou a prestar mais

atenção no que poderia conseguir, se tomasse parte na luta. Obviamente, os poderosos, vendo que a “viola estava ficando em cacos”, também passaram a tomar algumas medidas em conjunto, criando a facção nacional do grupo americano “Davos’s Men”. Essa

união dos poderosos passou a se chamar DEVO – Davos’s Economic Vigilant Organization, criada sob o pretexto de se protegerem da violência urbana e rural, praticada por “criminosos, bandoleiros e marginais” no campo e na cidade.

De um lado, peso pesado. Enfrentando e sendo desafiado. Use bem o jab, veja bem. Soco, soco, vamos ver quem é quem”

Pavilhão Nove

Os ricos do Brasil (a elite urbana e rural, intelectual e financeira), aqueles que costumavam blindar seus carros, tirar férias em Miami, comprar carros importados, ler a Veja, Valor Econômico e Exame, assistir toda manhã e toda noite o Jornal da Globo, vestir ternos Armani e vestidos comprados nas melhores boutiques do Barra Shopping ou do Shopping Morumbi, matricular seus filhos nos Dantes, Bandeirantes e Cervantes da vida, recheá-los de Big Macs e mochilas Kipling, e ganhar a maior parte do seu dinheiro na especulação financeira, se uniram para fazer frente aos movimentos sociais, que passaram a atuar de forma mais organizada a partir de 2008.

Essa elite organizada foi denominada (inicialmente por Clovis Rossi, colunista da Folha de São Paulo) de Homens de Davos (depois, como vimos, essa elite passou a se intitular DEVO). O nome Davos vem da cidade suíça que foi organizadora, por muito tempo, do Fórum Econômico Mundial, o qual reunia os principais detentores do capital internacional.

Do outro lado da guerra no nosso outrora pacífico país, está o povo, a grande massa de miseráveis e despossuídos que aumentou muito a partir da Grande Crise de 2007, e que, embora divididos em várias facções (a esquerda só se une na cadeia), conseguem, aos poucos, algumas vitórias pontuais. No povo, há diversos tipos de grupos organizados (ou nem tanto). Desde quadrilhas de bandidos comuns, usando a causa do povo para cometer crimes, até grandes grupos formados nos antigos e-groups do Yahoo, passando por grupos de teatro, associações de bairro, ONGs em geral (os sindicatos perderam muita força e foram praticamente extintos em 2006).

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As entidades mais sérias e com um preparo teórico e político mais desenvolvido fizeram diversos pactos de não-agressão, o que facilitou a ação de alguns grupos, que se uniram sob o nome de SS – Sociedade Social.

Os SS, ou sociais têm esse nome devido ao fato de todo ano serem realizados, inicialmente na cidade de Porto Alegre, depois se tornaram itinerantes, os Fóruns Sociais Mundiais. Os FSMs foram criados para serem os “Anti-Davos”, ou seja, para serem a alternativa à globalização excludente, e para propor um “outro mundo possível”, que, infelizmente, não se concretizou. Eles têm poucos recursos materiais e tecnológicos, mas contam com um número muito maior de integrantes (potencialmente, 80% da população mundial e 90% da população brasileira poderia fazer parte dos SS), muita vontade e a criatividade típica de quem sofreu muito e precisa “se virar” para sobreviver.

Do lado da DEVO, as armas são mais poderosas, eficazes e duradouras, além de sutis, pois eles detêm o capital, os meios de produção, os meios de comunicação, o governo, o poder, ou seja,

basicamente, tudo. Mas, mesmo tendo tudo, os DEVOs têm problemas a enfrentar, tais como manter

a “Ignara Plebe” sob controle, explorar os recursos

naturais sem esgotá-los, manter o lucro acima de tudo, “mudar para não mudar”, e principalmente, preocupações graves com a segurança, já que, com

o aumento brutal da miséria (e dos miseráveis),

aumentou junto o número de criminosos em potencial.

Logo, os detentores do poder (político e econômico) se viram na necessidade de aderirem ao grupo que, dizem, é quem realmente comanda as ações no Brasil

e no mundo. O contra-ataque dos DEVOs foi rápido e

eficiente. Com alterações nas leis trabalhistas (diminuir os custos e gerar empregos, foi o motivo alegado), eles minaram o poder e a influência dos sindicatos (é claro que as “denúncias” de corrupção amplamente divulgadas pela Rede Globo e cia ajudaram muito a diminuir a credibilidade dos sindicalistas). Junto com isso, as promessas de desenvolvimento tecnológico e preços menores diminuíram os argumentos das entidades de defesa do meio ambiente e das entidades ligadas ao MST, que eram contrárias a utilização de produtos geneticamente modificados. Os argumentos dos

entidades ligadas ao MST, que eram contrárias a utilização de produtos geneticamente modificados. Os argumentos dos

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grupos contrários às privatizações das empresas de água, energia e Universidades, por sua vez, foram simples e solenemente ignorados. Os saques e a violência urbana foram os pretextos necessários para a repressão fortíssima aos grupos organizados nas periferias, acusados de “apologia ao crime e à

violência” e os contrários à globalização parasitária e

às ALCAS da vida foram taxados de “contrários ao

progresso, atrasados, corporativistas” e coisas do gênero.

Junto das atitudes políticas, os DEVOs tomaram várias medidas de propaganda, via meios de comunicação, para minar as forças dos SS. Noticiários tendenciosos, programação insípida e recheada de mensagens liminares e subliminares disfarçada de entretenimento, foram táticas bastante usadas, e com sucesso. O sucesso fabricado de grupos musicais (especialmente rap, hip-hop e samba, os preferidos da juventude das periferias urbanas), de orientação diametralmente oposta à dos grupos originais, politizados e engajados, fez com que a “moçada” abandonasse a luta para idolatrar os novos grupos, denominados “Juventude Limpa”, seduzidos pelo dinheiro e sucesso fácil da TV.

Não é difícil perceber quem está levando vantagem nessa guerra, porém, ações isoladas têm tido sucesso

na luta e muito mais está por vir.

Nesse jogo, você é um membro dos SS, lutando da melhor maneira possível para mudar esse estado de coisas que se apresenta. Além disso, você está tentando, mal e porcamente, sobreviver, pois, os DEVOs não gostam de “ativistas espertinhos” nem de “garotos intrometidos”.

E aí, vai encarar?

III) Histórico

O Pensamento Único neo-liberal, proposto pelo

famigerado Consenso de Washington no final do século passado trouxe, com a globalização da economia e todo o seu desenvolvimento tecnológico e crescimento

econômico (dos países ricos, é claro), uma série de problemas, notados principalmente na periferia do globo, nos países pobres, países do antigo Leste Europeu ou ainda nos chamados “países em desenvolvimento”, ou “emergentes”.

Esses países seguiram à risca o chamado receituário liberal do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional), causando, ou melhor, acendendo o estopim para o caos que agora estamos vivendo. Extrema dependência do capital especulativo externo, câmbio e bolsas navegando ao sabor das ondas indiossicráticas do “mercado” – espécie de entidade sobrenatural e virtual que determina os rumos das nações – falência dos serviços públicos básicos, degradação ambiental, falência dos recursos naturais como água e energia, privatizações indiscriminadas e maciças, desaparecimento de pequenas e médias empresas, fim da rede de proteção social formada basicamente pelas Previdências Sociais, desemprego, concentração de renda, sucateamento das Universidades e Parques Industriais nacionais, mediocrização (ao sabor do mercado) das produções artísticas e culturais, favelização nas grandes cidades, aumento exponencial da criminalidade, queda na qualidade dos alimentos, invasão dos trangênicos, escolas públicas em situação risível e de calamidade pública, contrastando com as particulares que usam dos mais modernos conceitos e tecnologias para ensinar os filhos da elite, mesmo caso da saúde, um contraste gritante entre o caos total da saúde e saneamento básico público e os mais avançados equipamentos e procedimentos a disposição de quem pode pagar por eles.

Veja um exemplo simplificado do que ocorreu com muita freqüência em várias empresas, a partir da metade da década de 90 :

A empresa Grafimax, de cópias, impressões

e gráfica em geral tinha, em 1995, 80 funcionários

registrados, mais alguns terceirizados, aproveitando

o boom aparente do início do Plano Real. Com a

chegada da crise do câmbio, no início de 1999, ocorreram algumas demissões, devido a alguns cortes

decorrentes do encolhimento da economia, mais a terceirização de alguns setores, deixando apenas 27 assalariados na Grafimax. O gerente de produção

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Jaime, no final daquele ano, foi incumbido de dar início

à modernização da empresa, para adaptá-la aos

“novos tempos”, extremamente competitivos, onde

a ordem era modernizar para competir e crescer.

Modernizar, naquele tempo, significava aumentar a

tecnologia, reduzir custos, otimizar os ganhos e destruir a concorrência. Em agosto de 2000, Jaime

recomendou o investimento de 2 milhões de reais na compra de equipamentos novos para a gráfica, que substituíram 50 empregados, quase 2/3 dos que

eu avisei esses

caras que eles precisavam se reciclar, que os novos tempos são assim. Veja você, a concorrência nesse nosso ramo é acirradíssima, e se nós não nos modernizássemos, seríamos engolidos por ela. Os custos dos trabalhadores são muito elevados, portanto, tivemos que eliminá-los. Os custos.”. Esses 50 desempregados se juntaram a mais 19% da população que, naquela época estava na mesma situação. Como demoravam, em média, 25 semanas para conseguirem um novo emprego, esses desempregados faziam como as empresas: cortavam os custos, deixando de consumir. Ao deixarem de consumir, obrigavam as empresas a competirem mais umas com as outras pelos consumidores que sobravam. E, como foi visto no exemplo acima, o aumento da concorrência causava uma redução dos custos das empresas, que demitiam mais funcionários, caindo num círculo vicioso interminável e perverso.

trabalhavam lá. Palavras de Jaime : “

não interessa à elite tradicional, pois tamanho desconforto poderia estimular as massas a promover

uma guerra, ou revolução, o que não seria adequado para elas. Temos notícias que altos funcionários do BID, do Banco Mundial e do FMI são agentes graduados do que se convencionou chamar “Os homens de Davos”, em alusão ao Fórum Econômico Mundial, que ocorria anualmente na pequena cidade suíça de Davos e ditava os rumos da economia mundial. No Brasil, sabemos que, na burocracia do governo e do Banco Central, bem como no Ministério da Economia, a facção nacional dos “Homens de Davos” (que pouco depois mudou seu nome para DEVO

– Davos’s Economic Vigilant Organization), pessoas

que realmente detêm o poder econômico no país, tem muita influência, bem como, obviamente, nos meios de comunicação. São os altos executivos de empresas nacionais e multinacionais, principalmente das empresas privatizadas na última década do século

XX, além de proprietários de terra, e alguns autônomos

e profissionais liberais, que agem sob a batuta do

grupo “Davos’s Man”, com sede em Nova Iorque. Qual seria o interesse deles? Poder? Concentração de renda? Povo sob controle? Quem sabe? Se eu soubesse, provavelmente não estaria vivo para escrever essas linhas

Vou descrever, abaixo, alguns fatos históricos dos últimos anos e sua relação com o grupo DEVO e

Essa situação causava outras, como, a falência e concordata de várias empresas, ou fusões, ou ainda, simplesmente “fagocitoses”, com os grandes conglomerados engolindo os pequenos, gerando, obviamente, mais desemprego e, com isso, a deterioração das condições de moradias. Por exemplo, de 1991 a 2001, o número de favelas no Brasil aumentou de 3200 para 4000. A região metropolitana de São Paulo contribuía com 2000 favelas. Esses números estão 100% maiores nesses nossos dias de 2019.

Dentro desse cenário Caótico, podemos perguntar a quem interessa esse panorama do mundo. Certamente

dias de 2019. Dentro desse cenário Caótico, podemos perguntar a quem interessa esse panorama do mundo.

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com a atual situação no Brasil e, principalmente, na cidade de São Paulo.

- Privatização das Teles – Motivados pelo

desejo dos grandes grupos empresariais de controlar as transmissões de dados e as telecomunicações via satélite e fibra ótica, o Governo Federal vendeu, em 1998, para diversos grupos estrangeiros, as empresas

de telefonia fixa e celular. O argumento era que, com

a concorrência e com o investimento em tecnologia

estrangeiro, os serviços ficariam melhores e mais

baratos. Não foi o que ocorreu. Em 2004, microfusões

e compras de ações de uma empresa pela outra, no

exterior e no Brasil, praticamente concentrou o poder

das comunicações nas mãos na multinacional Microfónica, um braço empresarial da Davos’s Man.

Esse fato fez com que praticamente toda comunicação,

e mais do que isso, toda transmissão de dados via

telefone fixo ou celular pudesse ser monitorada pelos donos das empresas (leia-se a Davos’s Man Internacional). Com isso, segredos contábeis, empresariais, políticos e pessoais, deixaram de ser segredos. São Paulo, mais precisamente a região da Avenida Paulista e o polígono formado pela Marginal Pinheiros, Avenida Berrini e Água Espraiada, que concentra os grandes escritórios, ou pertence aos DEVOs, ou está com seus dados à disposição deles. É nessa região que os maiores investimentos da cidade são feitos, deixando ao léu os habitantes da periferia, onde se localiza 80-90% da população,com pouquíssimo ou nenhum investimento em saúde, educação, lazer, cultura, saneamento básico, transportes, etc. Obviamente, a Microfónica não se interessou muito em instalar redes de telefones públicos, ou antenas de celulares em regiões pobres, pois o lucro dela vinha das regiões ricas. Mais uma vez, a periferia foi esquecida, mas o desenvolvimento tecnológico do setor continua acelerado, aumentando as possibilidades de quem pode pagar (e, obviamente, diminuindo sua privacidade. O Grande Irmão toma conta de você).

- As Grades dos Condomínios - Em 2005

foram criadas as cancelas e os pedágios na entrada da região dos grandes escritórios, para coibir atos de protestos ou de terrorismo, bem como impedir a

população pobre de ter acesso a essa área. Um ano antes, o Congresso Nacional sancionou uma lei que facultou os Condomínios registrados na ABRAÇO (Associação Brasileira de Condomínios de Luxo para Cidadãos de Bem), ter sua própria segurança, com poderes legais de prisão, porte de armas, câmaras filmadoras, e todo aparato de identificação. Na prática, essa lei privatizou a segurança e o Poder Judiciário nesses nichos, tornando-os terra sem lei, ou melhor, terra que segue e faz as próprias leis. Os condomínios já existentes antes da promulgação dessa lei se adaptaram muito bem a ela, como foi o caso da Granja Viana, na região de Cotia, que mantém presos em seu interior 10 pessoas que tentaram cometer furtos ou assaltos dentro da área do condomínio, e que foram condenados a 20 anos de reclusão, numa sindicância interna. Grupos de defesa dos direitos humanos e ONGs protestaram em frente ao condomínio, mas foram dispersados a golpes de cassetetes, tonfas e armas modernas de choque elétrico usadas pela POMICO, a polícia militar do condomínio. Tentativas de resgate também foram rechaçadas por tiros de metralhadoras, fuzis e até granadas. Já os condomínios construídos depois de 2004, como o Global Building, erguido na esquina da Berrini com a Água Espraiada, onde a Favela que lá havia pegou fogo (acidentalmente, segundo laudo do Corpo de Bombeiros e do CONTRU), podem dar a idéia dessa “Arquitetura do Caos”, cheia de aparatos bélicos. Como dizia um antigo grupo de rock chamado O Rappa, “As grades do condomínio são pra trazer proteção, mas também trazem a dúvida se não é você que está nessa prisão”.

- A Crise da Água – No ano de 2006, a cidade de São Paulo enfrentou uma seca fortíssima, o que acarretou numa tremenda escassez de água, causando vários protestos e quebra-quebras pela cidade toda, inclusive com a total depredação sede da Watertech, empresa que comprou a SABESP quando foi privatizada. As autoridades, então, resolveram agir duro com os loteamentos clandestinos nas áreas de mananciais localizadas nas imediações da empresa Billings, na Serra de Mairiporã, e em outras áreas igualmente importantes, pois a Watertech já estava captando água da região de Piracicaba e Sorocaba, distantes 100 Km da capital. Essa ação causou o

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despejo de 50 mil famílias (200-250 mil pessoas) dos locais afetados, aumentado o déficit habitacional, mas diminuindo o déficit de água e, consequentemente, da Watertech. Obviamente, os protestos foram, novamente massacrados. Essa ação policial teve o surpreendente apoio de algumas organizações de defesa do meio ambiente, que atuaram na linha de frente dos combates com as famílias despejadas. Foi triste ver irmão contra irmão.

A Kyoto Radical, então, resolveu tomar para si essa

luta e explodiu sistemas inteiros de irrigação

aspergida, que são os responsáveis por 60-70% do consumo de água doce do mundo. Só foram poupados

os agricultores que usavam o sistema de gotejamento.

Será que ainda podemos chamar a Terra de Planeta Água?

Na Conferência Rio +10, onde se discutiram os rumos do planeta na questão do Meio Ambiente, os estudiosos fizeram previsões para o mundo em 2030, supondo quatro modelos diferentes que poderiam ser adotados pelos governantes a partir daquele momento. Em dois deles (Enfoque no Social e Enfoque no Desenvolvimento Sustentável), previa-se uma escassez de água potável para 30% da população, no máximo, além de melhoras nos indicadores sociais como fome, pessoas abaixo da linha da pobreza, mortalidade infantil, analfabetismo, e outros. Em outros dois modelos (Enfoque no Mercado, como era até então, e Enfoque na Segurança, que foi o adotado na maior parte do planeta), tensões sociais se agravariam, os indicadores sociais piorariam e, mais grave ainda, o Meio Ambiente seria degradado numa velocidade maior e, em 2030, 60% da população sofreria de escassez grave de água potável.

- A Onda de Saques – Em 2007, uma onda de saques sem precedentes baixou sobre a cidade de São Paulo. Não faltaram motivos para isso acontecer:

altíssima taxa de desemprego, preço alto dos

alimentos, falta de uma política social, aumento da violência policial, concentração do poder de venda nas grandes redes, que discriminam o consumidor de baixo ou nenhum poder aquisitivo, e principalmente,

a organização de alguns setores dos excluídos da

periferia, principalmente nas áreas do Capão Redondo, Itaim Paulista, Itapevi e Jaçanã. No início, somente

foram saqueados hipermercados das grandes redes estrangeiras como Carrefour, Extra (comprado por uma rede americana em 2004), Super Sé (comprado pela Mitsubishi do Japão em 2005), e outras. Batalhas memoráveis entre os saqueadores, armados de paus, pedras e coquetéis molotov e os seguranças, armados com fuzis e metralhadoras, mas em menor número e surpreendidos pela ação dos grupos

Pois as previsões falharam, e para pior, infelizmente. Em 2015 já havia os 60% da população sem água potável suficiente. As guerras por nascentes, aqüíferos e lençóis freáticos se tornaram corriqueiras e a defesa dessas áreas é, hoje em dia, ponto de honra para as organizações SS.

A Eco-cô lutou para aprovar a cobrança pelo uso de água subterrânea, mas os DEVOs ligado ao “agribusiness” conseguiram impedir isso, alegando “perda de renda para o país”.

mas os DEVOs ligado ao “agribusiness” conseguiram impedir isso, alegando “perda de renda para o país”.

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guerrilheiros (ou terroristas, dependendo da versão). Essas ações duraram mais ou menos duas semanas, quando o Governo decretou Estado de Sítio, e pôs em vigor a Lei Marcial na cidade de São Paulo, com toque de recolher e suspensão dos direitos individuais dos cidadãos. Mais uma vez, a rede oficial de propaganda do governo (e dos DEVOs, é claro), formada por comentaristas de rádio e TV, por jornais e por revistas semanais entrou em ação, fazendo com que grande parte da população (principalmente a quase extinta classe média), inclusive uma parte dos miseráveis não pertencentes aos grupos organizados, ficasse contra os saqueadores. Com isso, e com as prisões (e, dizem, algumas execuções), o ânimo dos manifestantes arrefeceu, e os saques terminaram em seguida, bem como foi desmantelado o chamado MCT (Movimento Comida Para Todos).

- A Privatização da USP – Após muita pressão do FMI e dos DEVOs, aprovou-se, no início de 2005, a cobrança de mensalidades nas Universidades públicas, com o argumento que apenas ricos estavam estudando nelas e eles deveriam contribuir financiando a Universidade, como acontecia nos EUA. A partir daí, os cursos ficaram mais voltados para o mercado, pois as antigas Universidades públicas tinham, agora, que competir com as particulares pelos “clientes”, que eram os alunos, e para isso, era preciso que oferecessem cursos que agradassem o “Mercado”. Isso fez com que pesquisas básicas deixassem de ser feitas, principalmente em áreas pouco economicamente viáveis, como as Ciências Humanas, por exemplo, além das bolsas de estudo para pesquisa terem sofrido um corte profundo. Isso causou uma queda no desenvolvimento tecnológico nacional, tornando o país mais dependente da tecnologia estrangeira. Essa situação tende a se agravar com o tempo. Em 2006, iniciou-se o processo de privatização das Universidades Federais e, em 2007 a USP foi arrematada no famoso Leilão de Maio, também chamado de Leilão da Vergonha, pela MIT-Microsoft, empresa ligada à Microsoft, que administra desde 2004 o famoso Massachussets Institute of Technology. Protestos, greves de fome, suicídios e auto-imolações não sensibilizaram o governo, que conseguiu na venda um ágio de 320%, e pagou 40%

dos juros anuais da dívida com o Sistema Financeiro Internacional (leia-se DEVOs).

- A Guerra das Cadeias – Muitos anos de manipulação dos chamados “formadores de opinião” pelos DEVOS através da imprensa foi deixando as cadeias brasileiras fora dos planos (e conseqüentemente, da influência) desse grupo. Isso possibilitou a transformação das cadeias em terra de ninguém, seguindo as suas próprias leis e regras, com grupos internos que lutavam pelo controle das prisões. Em 2001, após a grande rebelião de fevereiro, a sociedade começou a tomar ciência do problema, mas já era tarde, pois os presos já estavam muito organizados e unidos em grupos, que foram se fundindo ao redor do chamado PCC (Primeiro Comando da Capital), no grupo CRALHO (Comando Revolucionário com Atitude, Liberdade, Humanismo e Orgulho), que, involuntariamente, se tornou o mais forte foco de revolta anti-DEVOs. Obviamente, não conseguiram muitos apoios para a sua causa, devido às ações violentas que empreenderam e ao fato que seus membros são, antes de mais nada, criminosos comuns condenados. Porém, sua força dentro das prisões ainda é enorme (e com o crescimento das prisões, sua influência cresce proporcionalmente), bem como dentro do submundo. Por exemplo, muitos traficantes de drogas – novas ou antigas – de armas, de órgãos, de bio-implantes, de células-tronco, de informações, de balas de goma, de animais silvestres, obedecem aos cabeças do CRALHO, que sempre mudam, para despistar inimigos ou por motivos mais prosaicos, como a morte. O massacre de 2005, que dizimou metade dos membros no estado de São Paulo não abalou as estruturas da organização “rei morto, rei posto” diziam os novos chefes do CRALHO.

- A crise energética – A crise da energia elétrica teve o pavio aceso em 2001 e explodiu de vez em 2004, com um racionamento brutal devido a dois fatores principais: falta de água (já discutida), aliada à falta de investimentos no setor. Esse racionamento pode ser considerado a principal causa da grande recessão que se seguiu no país nos anos seguintes. Todo o cenário pode ser resumido ao analisarmos o

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que aconteceu na Vila Gomes, pequeno bairro do Butantã. A padaria Rainha da Vila Gomes teve sua conta de luz aumentada de R$1000,00 para R$3000,00 mensais ao ter de pagar a famosa “sobretaxa”. Isso fez com que os donos aumentassem o preço do pãozinho e diminuíssem a produção, o que acarretou em demissões. Essas demissões aumentaram o contingente de desempregados no bairro, que, por não ter dinheiro, comprava menos pãozinho, que tinha subido de preço. Com as vendas em queda livre, a padaria faliu no final de 2002, elevando ainda mais o número de pessoas desempregadas no bairro, que passaram a comprar menos jornal, menos frutas na quitanda, menos pastel, menos tudo, diminuindo as vendas nesses estabelecimentos, que tiveram de demitir mais, e daí por diante, numa espiral crescente de miséria e desilusão.

Além da crise propriamente dita e da recessão decorrente dela, alguns desastres ambientais tiveram relação com a falta de energia elétrica. Por exemplo, a geração de eletricidade através de usinas Termelétricas e geradores a diesel e/ou gasolina e a substituição de aquecedores elétricos pelos “a gás”, aumentou em 250% a emissão de gases estufa no território brasileiro. Pilhas aos montes jogadas no lixo comum contaminaram boa parte do solo da cidade de São Paulo (a previsão é que, até 2030, 30% do solo paulistano esteja contaminado com metais pesados, vindos, inclusive, de resíduos de pilhas comuns). Lâmpadas de mercúrio e vapor de sódio também contaminaram gravemente o solo da cidade, num grave problema ambiental aparentemente insolúvel a curto prazo.

IV) Organizações

Aqui estão descritas algumas organizações e grupos que atuam, cada um à sua maneira, para deter os DEVOs e tornar possível um Mundo Melhor.

Eco-cô – Organização radical que luta pela preservação total do meio ambiente. Suas ações são

realizadas em pequenos grupos e têm o objetivo de causar o maior prejuízo material possível àqueles que não respeitam o meio ambiente, com o mínimo de perda de vida.

A Eco-cô começou com um grupo de estudantes de Engenharia Floresta da ESALQ-USP em Piracicaba, que ocupou um posto de gasolina local acusado de derramar óleo e gasolina no solo, contaminando o mesmo. Essa ocupação pacífica foi dispersada pelos seguranças do posto, a golpes de tonfas e cassetetes e sob a mira de revólveres. Na noite seguinte, o posto explodiu, destruindo ele todo e ferindo dois sentinelas armados que esperavam uma nova ocupação.

A partir daí, a Eco-cô começou a agir na região de Piracicaba e ganhou adeptos em todo o estado. Pequenas ações de sabotagem em frigoríficos clandestinos, destruição de plantações com agrotóxicos, sabotagens em obras e fábricas ambientalmente incorretas e até ações contra o trânsito, para diminuir a emissão de poluentes tornaram a organização famosa em todo o território nacional. A liderança do grupo, então, foi dada a Francisco Mendes Silva. Pequenos outros grupos passaram a agir da mesma forma, inspirados nos estatutos da Eco-cô, e essas ações passaram a ser coordenadas e melhor organizadas a partir de 2009, quando atentados destruíram várias propriedades de madeireiros e garimpeiros da Amazônia e mataram 25 pessoas quase simultaneamente em toda região Norte.

Dez anos depois, a Eco-cô é um dos grupos SS mais fortes atuando no Brasil, com uma imensa rede de informantes, espiões, estudiosos e agentes espalhadas por todo o país. Eles usam muito e com muita competência os recursos tecnológicos disponíveis como gps, celulares, rádio, global star e, principalmente, a INTERNET. Quer fazer parte desse grupo?

Cybermanos – Um programa de combate à exclusão digital criada na gestão Marta (2000-2004) deu início a uma revolução tecnológica em alguns

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bairros da periferia de São Paulo. Familiarizados com o computador, com acesso, com habilidade, com

bairros da periferia de São Paulo. Familiarizados com o computador, com acesso, com habilidade, com muita vontade de fazer as coisas e, principalmente, com uma orientação altamente gabaritada do ex- monitor do projeto e ex-Analista de Softwere da Flextronics Renato Dayspring, os cybermanos criam muita confusão para os DEVOs. “Ices”, senhas, códigos e proteções não são páreos para esse grupo de garotos dedicados a agir no maior símbolo da globalização: a rede mundial de computadores. Com o lema “Informação livre, chega de desigualdade” os cybermanos conseguem sabotar vários sistemas das corporações, propagar informação e contra-informação para todos os grupos SS, criar sites, blogs e chats seguros, longe dos “carnivores” criados pela Microsoft-CIA, enfim, com pouco equipamento e muito talento, conseguem causar sérios danos aos DEVOs brasileiros e até estrangeiros, agindo em cooperação com os cyberboys americanos e os cyberchicos argentinos, mexicanos e venezuelanos.

Dentre as ações mais recentes dos jovens liderados por Dayspring estão a transferência de dinheiro de várias contas e de várias instituições financeiras para entidades assistenciais e filantrópicas, além de conseguirem, via pirataria de dados, fundos para diversas organizações SS. As bíblias desse grupo são Neuromancer e Ídoru de William Gibson, Piratas de Dados de Bruce Sterling, e os filmes Matrix, Vanilla Sky e Hackers e, principalmente, os jogos GURPS Cyberpunk, Shadowrun e Cyberpunk 2020. Informação é controle. Quer guardar um segredo? Conte aos cybermanos. Sabe manejar o Linux-2010? Já criou um editor de texto vocal? Manja de RV? Então pode ser chamado para atuar nos cybermanos. Mas não os procure. Dayspring vai falar com você. Quem sabe você não é O Escolhido? MCT ou Movimento Comida Para Todos – Surgido após a crise de 2005, esse movimento foi praticamente extinto após a repressão à famosa onda de saques de 2007. Porém, muitos membros

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escaparam das prisões e das execuções que se seguiram à repressão, principalmente seus dois ideólogos principais, Dadinho e Dominó. Tentando rearticular o movimento, D&D, como gostam de ser chamados, estão com um pequeno e novo grupo, inexperiente, mas voluntarioso, recrutado nas favelas e no Movimento Sem-Teto, ainda desconhecidos dos DEVOs. Dizem que D&D estão com caras e documentos novos (graças a implantes de silicone e melanina enxertadas em células-tronco) e ninguém os reconhece. A meta desse grupo é a chamada “fome zero” através do programa de Renda Mínima, idealizado por Eduardo Suplicy no início do século, mas que, infelizmente, não vingou. Baseia-se na distribuição melhor da renda para que nenhuma pessoa morra de fome em um país tão produtivo como o nosso. José Graziano, ministro do governo Lula em 2003, tentou um plano semelhante que não foi para frente por “divergências internas” plantadas por espiões de DEVOs. Essa Utopia está longe de se realizar, por isso, pequenos saques são realizados, acompanhados de uma distribuição periódica de gêneros alimentícios em locais variáveis.

O MCT tem algumas diferenças com o pessoal

ambientalista, pois D&D acham que é primordial a alta produtividade no campo, mesmo que isso signifique alguns problemas ambientais. O Eco-cô não concorda, pois acha que é possível produzir sem agredir o Meio Ambiente. As multinacionais como a Monsanto e a Bio-Microsoft incentivam essa briga, inclusive cooperando com D&D.

E você, tem fome de que?

Ambientalistas Independentes – Na região da Grande São Paulo atuam vários grupos ambientalistas não-filiados ao maior grupo nacional, o Eco-cô. Ações menores, mais locais e mais eficientes são a tônica dessas organizações. São, basicamente, os seguintes grupos:

Horto Florestal e proximidades: O líder indígena Mamboá lidera um grupo radical nessa região, com ações que visam boicotar aqueles “visitantes de fim-de-semana”, que só poluem o local. Mamboá e seu grupo também costumam reagir com

mão de ferro a qualquer tentativa de construções e estabelecimentos na área do Horto. Felizmente para eles os DEVOs não encontraram nenhuma “utilidade econômica” para essa imensa área verde, o que deixa o indígena mais ou menos livre para agir por ali.

Mairiporã e Serra da Cantareira: Mokolé, irmão de Mamboá, faz o mesmo trabalho nessa região, que é bem maior e repleta de manaciais. Talvez por isso ou talvez devido ao interesse dos DEVOs na geração de água e na construção civil, Mokolé tem tido vários revezes, inclusive com seus co-irmãos da sociedade amigos do bairro da Cantareira, que moravam em condições sub-humanas. Esses moradores travaram conflitos violentíssimos (inclusive com algumas mortes) com o grupo de Mokolé. Obviamente, os moradores foram incitados pelos DEVOs, que tinham interesse em manter o local como estava, e alegaram que Mokolé estava querendo “expulsar os pobres de suas casas para dar de morar aos animais”.

Cinturão Verde da Grande Penha: O professor Marcola, a estudante Iara Luciana e o ator Ricardo são os três chefes da Organização que atua nessa vasta região natural. Os principais alvos das ações do Triunvirato são os agricultores da região que abusam dos agrotóxicos e de defensivos agrícolas poluidores. Além desses produtos, os transgênicos do conglomerado americano Biogenic, que comprou boa parte das terras e da produção local em 2008. Ironicamente, os maiores apoiadores do triunvirato são agricultores também, mas que, diferentemente dos outros, praticam agricultura orgânica e/ou agricultura familiar. Normalmente, são os descendentes de japoneses que dão todo apoio logístico e financeiro ao Triunvirato.

Parque do Carmo/Estrada do Pêssego: Nessa região da Grande Penha, a pouca parte natural que resta é defendida com unhas, dentes e bombas pelo grupo “Chave do Sapo”, do Veterinário Paulinho Lelé. Lelé tem esse apelido por dois motivos: não conseguir engatar uma conversa por muito tempo e por suas ações solitárias, violentas e inesperadas, como o incêndio nas instalações da Microsoft Building, que queria construir um Shopping Center no centro do

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Parque do Carmo. O contra-ataque da MB foi veloz, com a promessa de distribuição de moradias populares na região, o que levou a facção do Movimento Sem Teto da grande Penha ficar contra os homens de Paulinho Lelé que, por sua falta de habilidade política, perdeu muito de sua influência na área. Quer fazer parte da Chave do Sapo? Tente conversar com Paulinho Lelé. Se conseguir, está dentro.

Associação de Grêmios Estudantis – No século XX, os estudantes estiveram sempre na linha de frente dos movimentos populares. Da luta contra o regime militar ao impeachment de Fernando Collor, a luta dos estudantes sempre foi por temas caros aos SS. A partir do final do século XX, a movimentação estudantil diminuiu muito, restringindo-se a algumas passeatas em favor de alguma greve de professores, ou contra a ALCA, ou ainda em tímidas passeatas contrárias à privatização da USP, até que a alienação da juventude chegou ao ponto de somente haver movimentos por coisas menos nobres como direito à meia-entrada em shows, estacionamento grátis em shoppings e lanches grátis no Mac Donalds. A briga dos DCEs das Universidades com a UNE e dos Grêmios com a UBES que acarretou no rompimento e conseqüente fim das grandes entidades ocorreu em 2008, e os DEVOs, claro, apoiaram os rebeldes e apoiaram também a UNE-UBES, pois a briga desacreditava os estudantes como um todo. Somente em 2011 um grupo mais esclarecido de estudantes conseguiu se reunir, inicialmente de maneira virtual, depois na prática, com o Grande Congresso dos Estudantes Secundaristas, em um sítio em Ibiúna-SP, reunindo 250 estudantes. Foi o estopim para um movimento pouco numeroso, mas muito bem organizado e coordenado, que consegue realizar muitas ações Anti-DEVOs. É, hoje, a organização mais “glamourosa” dentre as “Sociedade Social”, talvez pelo entusiasmo da juventude, que ainda vê esperança no país, apesar de tudo.

E a sua esperança, será a última a morrer?

Associação de Professores – Depois do fim dos sindicatos e do sucateamento do ensino público,

a APEOESP, maior entidade de professores durante o século XX, se extinguiu também. Nesse vácuo, os professores, sedentos de condições melhores de

trabalho, materiais e estruturais e de capacitação profissional decente, se reuniram em pequenos grupos regionais, para se reciclarem e, cooperativamente, tentar crescer profissionalmente, com trocas de experiências e o trabalho voluntário de alguns abnegados, que ainda não desistiram da luta, como muitos (80-90%) já faziam desde o tempo da APEOESP. Algumas empresas ligadas aos DEVOs, para melhorar

a imagem frente ao seu público, dão ajuda a algumas

associações de professores, obviamente para aquelas que “pegam leve” nas manifestações.

para aquelas que “pegam leve” nas manifestações. Kyoto Radical – Dissidência radical do Eco- cô

Kyoto Radical – Dissidência radical do Eco- cô descontente com os “acordos”, alianças e concessões que Francisco, líder dos Eco-cô vem fazendo para poder crescer e se manter na linha de

frente dos protestos ecológicos. Os líderes da KR não são conhecidos, e a identidade deles é preservada a sete chaves. Outro ponto importante de diferenciação entre eles e os Eco-cô é o contraste de enfoque. Enquanto os Eco-cô pretendem o desenvolvimento sustentável, proteção aos ecossistemas, empresas com ISO-14000, e ações do gênero, os KR reivindicam

o fim das emissões de gás carbônico via derivados

de petróleo, o fim da contaminação do solo, água e ar

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por produtos químicos e nucleares e a proibição total aos organismos geneticamente modificados. Atentados contra fábricas de automóveis, explosões de pedágios e de sedes das empresas controladoras das estradas privatizadas, ameaças de bombas em fábricas poluidoras (o famoso alarme falso em ARAMAR, onde se fabrica urânio enriquecido, foi obra dos Kyotos). Alguns de seus membros são radicais também na sua vida particular, se recusando terminantemente a andar em veículos movidos a combustíveis derivados de petróleo.

E o seu carro, está bem regulado? É movido a álcool? Cuidado, os KRs estão na sua cola. Literalmente.

a álcool? Cuidado, os KRs estão na sua cola. Literalmente. Entidades Filantrópicas – Atuando cada uma

Entidades Filantrópicas – Atuando cada uma com seu público e atingindo seus objetivos, mas sem uma coordenação central, várias entidades atuam ajudando, de alguma maneira, os excluídos espalhados pelo país inteiro. Essas entidades atendem desde crianças deficientes até idosos sem ninguém, passando por portadores de HIV, moradores de favela, doentes de câncer, mães solteiras, e toda a sorte de excluídos. Há vários exemplos em vários lugares, mas uma coisa une essas entidades: o trabalho voluntário de pessoas interessadas em diminuir a diferença entre

os ricos da DEVOs e a imensa massa de marginais e excluídos do processo de globalização. São muitas e muitas entidades, mas vamos mostrar alguns

exemplos:

ONG do Padre Inácio: atuando no bairro do Imirim, na Grande Santana, essa ONG atende crianças portadoras do HIV. O trabalho voluntário de muitos moradores do local (até de alguns membros da elite pró-DEVOs) e uma tática agressiva de arrecadação de recursos faz com que essa ONG tenha resultados muito expressivos no atendimento a esses excluídos duplamente: pobres e ainda portadores do HIV.

Pastoral do Menor: Ligada à Igreja Católica,

mais precisamente à ala outrora chamada de Teologia da Libertação, atende em todo o país a menores carentes e/ou em situação de abandono. O trabalho e

a prostituição infantil, as drogas e o assassinato de menores são preocupações dessa entidade, que não consegue atender a demanda. Seus membros, cristãos por excelência, não aprovam ações mais diretas contra os algozes dos menores, mas, por vezes, fazem vista grossa aos seus ex-membros que resolveram fundar um braço armado dessa ONG chamada Vingadores da Candelária. Esses Vingadores

agem de maneira violenta contra matadores e principalmente contra exploradores sexuais do Nordeste brasileiro. Seu líder atende pela alcunha de Pedro Bala, segundo dizem, sobrevivente do famoso

e trágico massacre da Candelária da década de 90.

“O abuso do trabalho infantil, a ignorância / Só fazem destruir a esperança / Deixa ele viver / é o que liga”

Negra Lee, RZO in Não é Sério – Charlie Brown Júnior

Organização Zilda Arns: Depois do assassinato trágico dessa emérita benfeitora, foi fundada essa ONG para proteger o povo de ações violentas dando

educação, saúde e lazer de qualidade para a população,

já que o Estado já abdicou de organizar essas coisas

que aumentam o “déficit público”. Como seu tamanho é muito grande, essa ONG tem um pouco de dificuldade de controlar todas as suas facções e de

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ter agilidade nos processos de arrecadação e distribuição de recursos financeiros. Essa ONG, por seu prestígio internacional, não sofre tentativas de

boicote ou campanha de difamação. Por outro lado, os DEVOs, de olho no prestígio que essa entidade tem, tentam controlá-la fornecendo os recursos financeiros

e fazendo acordos de não-agressão. Algumas facções

aceitam, pois dizem que, sem o dinheiro deles, não é possível fazer muita coisa. Outras facções, por sua vez, dizem que não devem se vender. “Prefiro morrer de pé a viver ajoelhado” é o lema deles.

1 da Sul – Essa organização teve início no Capão Redondo, periferia de São Paulo, no final da

década de 90, criada pelo escritor Ferréz. Ele criou o movimento pensando inicialmente em reunir os grupos do local para afastar os manos das drogas e do crime (e, conseqüentemente, da morte precoce e da miséria) mostrando novos caminhos (inclusive para identificar

o inimigo e lutar pela causa certa) para os habitantes do atual Grande Graja. Ferréz, a partir de 2001, se dedicou mais ao seu projeto Literatura Marginal, deixando o 1 da Sul para seus companheiros de luta, mas sem deixar de ser uma referência, moral e intelectual. Os manos do 1 da Sul praticam diversas ações contra os DEVOs. Arrastões, atentados, protestos são atos comuns para os membros dessa “comunidade”. Têm o apoio logístico de vários intelectuais amigos de Ferréz, que contribuem financeiramente e com ações educativas, de treinamento, de informação e, principalmente, de propaganda.

ações “cidadãs” pró-SS paralelas às lutas e ações efetivas Anti-DEVOs. Nem a contra-propaganda massiva por parte da grande imprensa nem a prisão de muitos de seus líderes (acusados, injustamente, de tráfico de drogas e terrorismo) arrefeceu os ânimos do maior grupo genuinamente popular urbano no país.

Todos os integrantes passam por cursos de formação política e treinamentos físicos e intelectuais.

A “Bíblia” do grupo é o famoso livro de Ferréz, Capão

Pecado. Outros livros muito discutidos e lidos pelos 1

da Sul são: Estação Carandiru, de Drauzio Varela, Os Manos da Quebrada, de XXY, revelação do projeto Literatura Marginal, e as biografias de Che Guevara e Malcom X. “União e Atitude” é o lema do grupo. “Cooperação entre os manos e porrada nos playboys”, dizem os membros mais radicais.

O 1 da Sul tem uma ligação muito forte com um grupo de hackers do Grande Graja denominado Matrix Warriors, que dão um excelente apoio.

MST (Movimento Sem Teto) – Co-irmãos do famoso grupo rural MST (Movimento Sem-Terra) do século XX e primeiros anos dos anos 2000, que foi dizimado por ocasião das guerras rurais de 2010,

inclusive com a ação decisiva do exército da Monsanto

e da Biocorp, que usaram até armamento químico.

Essas empresas começaram a atacar o MST financiando seus inimigos da UDR. Em 2008 começaram a tomar parte efetiva nos combates com um exército próprio de mercenários. Milhares de

As ações do 1 da Sul se restringiam à região do Grande Graja até 2009, quando, apoiados por grupos da Grande Penha, mais precisamente de Itaquera, realizaram invasões em todas as agências do Itaú, com destruição, inúmeros prejuízos materiais para o maior grupo empresarial brasileiro e distribuição de panfletos e divulgação do site do grupo, onde muitos textos revolucionários estiveram disponíveis para toda a comunidade. Desde então, o 1 da Sul mantém escolas e outras

textos revolucionários estiveram disponíveis para toda a comunidade. Desde então, o 1 da Sul mantém escolas

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mortos depois, o MST foi declarado extinto pelos líderes sobreviventes, e desde então não mais se ouviu falar deles. Dizem que estão preparando uma surpresa.

Mas seus irmãos urbanos não têm um inimigo tão poderoso quanto a Monsanto e a Biocorp. O MST tenta simplesmente agilizar o processo de distribuição de moradias de quinta categoria previstas no contrato de privatização da Secretaria da Habitação. Essas empresas, como a maioria das que arremataram antigas estatais, querem o lucro mais imediato, portanto, constroem apenas casas ou prédios que representem lucro, ou seja, somente os que podem ser “consumidos” pelas classes mais abastadas (leia- se DEVOs). Sendo assim, as classes desfavorecidas têm um déficit habitacional enorme (estima-se que, no Brasil, 80 milhões de pessoas vivam nessa condição), enquanto que os ricos têm excesso de oferta, inclusive com as mais modernas construções ambientalmente corretas a preços módicos. Os DEVOs continuam, mesmo depois do ocorrido em 2010, a comprimir a mola. Um dia ela se solta.

Enfim, o MST urbano luta, quase sempre, dentro da legalidade para apressar os processos já aprovados. Uma dissidência deles, chamada MST do B tenta ações mais estruturais e profundas, inclusive com atentados contra a Microsoft Building, que comprou a Secretaria Estadual da Habitação privatizada. Os membros do MST do B são procurados tanto pela polícia e pelos DEVOs quanto pelos “legalistas” do MST, que dizem que esses loucos “queimam o filme” do movimento.

Estamos do lado do bem. E você, de que lado está?”- Renato Russo in Duas Tribos, 1989

Projeto Cooperação – Idealizado na década de 90 pelo professor Fábio Brotto e por sua esposa, a psicóloga Gisele Sartori, o Projeto Cooperação propunha a mudança de ponto de vista na forma de ver o mundo. Ao invés da competição excludente, a cooperação. Ao invés de jogar contra, jogar com, ao invés de um mundo para os mais fortes, um mundo para todos. Muita gente, no início do século XXI tomou contato com essas idéias e começou a propagá-las.

Os DEVOs contra-atacaram de maneira inusitada:

encamparam as idéias e começaram a usar como treinamento de seus membros. Inicialmente usados nas empresas, depois em todos os membros, em forma de treinamento, os métodos de Jogos Cooperativos capacitaram a maioria dos membros dos DEVOs. Os argumentos do projeto cooperação em favor de um mundo melhor e mais justo foram apropriados pelos DEVOs.

Fábio Brotto não concorda com os métodos desses DEVOs que se apropriaram de seu projeto e luta por um mundo melhor, usando os conceitos originais do Projeto Cooperação.

Se o importante é competir, o fundamental é cooperar” – Fábio O. Brotto

Novos Cangaceiros – Na Grande Recessão de 2005, um grupo fora do eixo Penha-Lapa se tornou muito conhecido dos SS. O nome desse grupo é Novos Cangaceiros. Esse grupo coordenou os saques em todo o sertão nordestino, e distribuiu alimentos em várias comunidades carentes do sertão e do agreste, principalmente no estado de Pernambuco. Tratados e caçados como bandidos comuns, poucos sobreviveram à caça (literal) empreendida pelos coronéis em associação com os grandes grupos DEVOs que iniciavam suas ações naquela região (pesquisas biotecnológicas).

Em 2009, seus membros se tornaram tão poucos e praticamente desapareceram, mas a distribuição de arroz e feijão em Caicó-RN em novembro de 2009, acompanhados de panfletos – que poucos locais puderam ler, e quase ninguém conseguiu compreender, já que 75% da população local era analfabeta funcional – anunciando que os Novos Cangaceiros estavam vivos. Desde então, o grupo tornou-se uma lenda em todo o Nordeste. Seu suposto líder responde pela alcunha de “Antônio Conselheiro” e promete paz, prosperidade, água e comida para todo o nordeste e “morte aos sanguessugas do povo”. Setores mais intelectualizados dos SS estão radiantes com os atos de Conselheiro e seu grupo, pois acham que o movimento está renovando o modus operandi de todos os grupos SS e, com o movimento se iniciando

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no campo, a revolução se espalhará a partir do campesinato revoltado,conforme os antigos comunistas do século XX teorizavam.

Em termos de jogo, essas organizações mostradas aqui dão ao mestre material suficiente para várias campanhas e para inúmeras aventuras. Porém, o mestre pode – e deve - ficar a vontade para modificar ou criar novas organizações, mas, para manter a coerência com o cenário, o espírito dessas organizações deve ser mantido.

o espírito dessas organizações deve ser mantido. V) Mundo Ninguém é pretensioso o suficiente para achar

V) Mundo

Ninguém é pretensioso o suficiente para achar que o Brasil estava sofrendo sozinho os efeitos da globalização, do consenso de Washington e da sanha de lucros dos DEVOs. Enquanto a luta de organizações SS no Brasil está ocorrendo, no mundo a luta não é menos intensa, tampouco menos desigual.

Os donos do capital financeiro mundial estão em uma luta globalizada contra várias organizações Anti-DEVOs.

Greenpeace: A luta mais antiga e com maior possibilidade de sucesso para os SS é a luta em favor da proteção ao Meio Ambiente. Nesse quesito, o Greenpeace é a organização mais forte, e seus principais antagonistas são as empresas petrolíferas e madeireiras, como a Shell, a Esso, a Global Microsoft Oil, a Bush Oil, e outras. O Greenpeace tem sofrido seguidas derrotas nos tribunais, mas obtém vitórias pontuais em vários locais, principalmente na conscientização do público consumidor, que, mesmo sendo mais para Davos que para Porto Alegre, prefere produtos ambientalmente corretos e dão voz ao Greenpeace.

ONGs: Outra frente de batalha são as ONGs contra a fome, que atuam em vários locais co grande concentração de excluídos, como a África, Índia, Antigas Repúblicas Soviéticas e América Latina. Essas ONGs pressionam os governos e os DEVOs locais e internacionais para minimizarem esse problema. Onde eles conseguem visitar e agir, normalmente obtêm sucesso, mas, por falta de recursos materiais e humanos, não conseguem ir a todos os locais onde são requisitados. A solução que encontraram é fazer parcerias com SS locais. No Brasil, por exemplo, eles agem em cooperação com o MCT (Movimento Comida para Todos).

ATTAC: O Grupo ATTAC surgiu em meados dos anos 90 e propunham a criação da Taxa Tobin, que criaria um imposto sobre grandes movimentações financeiras. Essa taxa seria um mecanismo de distribuição de renda, pois tiraria dos ricos, que movimentam grandes fortunas de um país para outro, para dar aos pobres, por meio de políticas públicas compensatórias. Em 2005, esse grupo passou a sofre atentados e muitos de seus membros e ideólogos foram assassinados. Em 2007 mudaram de nome para Morlocks, e passaram a atuar clandestinamente.

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Novos Panteras: Esse grupo lidera as manifestações do movimento negro americano. Cansados da discriminação velada e do racismo explícito do grosso da sociedade americana, os Novos Panteras lideraram as batalhas sangrentas de Los Angeles e Nova Iorque, em 2004. Acusados de terroristas, seus líderes foram capturados, julgados e condenados à morte. Mas isso não diminuiu a discriminação, principal causa dos protestos, e outras ações têm sido feitas por todo território americano, coordenadas por novos líderes. O mais famoso deles tem o nome de Malcom Y, que se diz herdeiro do sonho de Malcom X.

agrotóxicos (obviamente vendidos pela mesma empresa). Paralelamente a isso, as quatro grandes produziam sempre as sementes com o chamado gene “terminator”, ou seja, as sementes só germinavam uma vez, obrigando os agricultores a sempre comprar novas sementes produzidas por elas. Por exemplo, o milho Microsoft. A semente normal germinaria, e o grão de milho nascido poderia ser plantado novamente, e novas plantas nasceriam a partir daí. Com o gene “terminator” presente, nascia um pé de milho a partir da primeira semente e desse pé de milho não era possível plantar mais milho.

Via Campesina: Inicialmente restrita à União Européia, a Via Campesina luta pelos direitos dos trabalhadores rurais no mundo todo, defendendo os pequenos produtores, a reforma agrária em escala mundial, a alta produtividade sem agressão ao meio ambiente e o fim das experiências e da utilização de organismos geneticamente modificados.

A Via Campesina, então, é uma entidade internacional que luta contra essa dominação do mercado de alimentos por quatro empresas. A entidade filiada à SS diz que “os alimentos são a essência da vida, e vida não é um mercado”. As quatro grandes, portanto, não querem que essas palavras da Via Campesina “contaminem” seus clientes e associados, por isso que não se ouve, na grande imprensa, uma palavra sobre esses assuntos “proibidos”.

Os pequenos agricultores sofreram muitos revezes no início do século XXI, por ocasião da entrada forte de grandes empresas na área de alimentos. Em 2002, 5% da produção agrícola mundial pertencia a duas empresas. Em 2010, essa porcentagem aumentou para 30%. A entrada de novas empresas, como a Microsoft Food e a Agro China Show, fez com que os grandes conglomerados detivessem 50% da produção mundial de alimentos em 2012. É desnecessário dizer que o objetivo desses conglomerados é o lucro e, portanto, produzem alimentos para quem pode pagar por eles, ou seja, menos de 20% da população mundial. Com a desculpa de aumentar a produtividade e a quantidade de alimentos produzida, as empresas conseguiram aprovar em todas as cortes mundiais o uso indiscriminado de produtos geneticamente modificados, geralmente combinados com determinados

Colômbia: Após a longa e sangrenta guerra civil do início do século, que terminou com a invasão da Colômbia pelos americanos em 2006 e consequente transformação dela no 51 o Estado americano, o povo colombiano se uniu aos que restaram das FARCs e iniciaram uma luta pela independência, inicialmente de maneira tímida, com várias organizações diferentes. Depois, sob uma mesma sigla, a Frente Organizada Revolucionária Coronel Olivares (FORCA), passou a obter maiores vitórias. Combatidos pelos americanos e por mercenários contratados

Coronel Olivares (FORCA), passou a obter maiores vitórias. Combatidos pelos americanos e por mercenários contratados

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por eles (os chamados PM – Paramilitares), alguns colombianos FORCADOS foram assassinados ou simplesmente desapareceram, mas, usando táticas de guerrilha muito antigas, principalmente na Amazônia colombiana, conseguem vitórias expressivas. Assim, a Colômbia é, hoje, um dos lugares mais difíceis de se sobreviver.

Oriente Médio: Com a deposição de Saddan Hussein e Muamar Kadaffi, o assassinato de Bin Laden e outros líderes fundamentalistas e o novo alinhamento do Irã e do Estado Palestino na primeira década do século XXI, os EUA conseguiram a hegemonia na Ásia Central. Isso acarretou em alguns eventos interessantes. Primeiro, as hostilidades diminuíram a quase zero, pelo menos as institucionais, pois os governantes eram aliados dos americanos, e com isso, houve pouquíssimos atentados terroristas, pois uma caçada sem precedentes matou centenas e prendeu milhares de supostos líderes fundamentalistas.

Em segundo plano, esse alinhamento com os americanos e conseqüente “tolerância” com os israelenses (que, desde 2004 têm um governo moderado, mas ainda assim pró-americano) têm sido um foco de problemas, pois grande parte da população não aceita isso facilmente, e mesmo com toda repressão, manifestações contrárias aos governos locais tem sido cada vez mais freqüentes. Fora o aspecto político-religioso, a miséria, a fome, as doenças e a crônica escassez de água tornam a região um foco permanente de revolta, mas ainda sem uma organização por trás dos movimentos.

Por fim, mas não menos importante, o domínio da Ásia Central – não por acaso a maior região produtora de petróleo do mundo – por parte dos DEVOs, via governo americano, fez com que fosse reduzido a quase zero o principal medo econômico desses poderosos: a falta de energia derivada do petróleo. Os preços internacionais do barril abaixaram assustadoramente e as indústrias petrolíferas e automobilísticas americanas prosperaram de forma extremamente veloz, e com elas, os políticos texanos, normalmente republicanos conservadores, o que garante a manutenção do círculo vicioso perverso (para

os países pobres, é claro). Com o aumento das emissões de carbono via derivados do petróleo, o Efeito Estufa foi crescendo, e o mundo tende a um colapso mais cedo do que se esperava.

União Européia: A extrema direita começou a aumentar seu poder político na Europa no fim do século XX, e em 2006, praticamente toda a Europa era governada por políticos desse espectro ideológico. Com a ascensão desses políticos ao poder, os imigrantes (legais ou não) sofreram perseguições extremamente cruéis. Argelinos na França, marroquinos na Espanha, brasileiros em Portugal, turcos na Alemanha, africanos e ex-habitantes de países do Leste Europeu (Hungria, Romênia, Bulgária, Ucrânia, e outros) em toda a Europa rica foram expulsos, ou presos, ou ainda sofreram uma segregação e um preconceito jamais vistos.

No berço da civilização ocidental e na reserva de liberdade e defesa dos direitos humanos mundial, os DEVOs impuseram suas idéias e concepções de “Mundo somente para os mais aptos”, o que fez os imigrantes e ex-imigrantes, agora párias e marginais se unirem e agirem em conjunto. Manifestações, saques, passeatas, agressões e brigas se tornaram comuns, até que a morte de uma francesa por um argelino imigrante em uma passeata na França fez os DEVOs endurecerem de vez. Agora, para um africano sobreviver na Europa, ele tem de se desdobrar ao máximo. Dizem que é melhor voltar para o país de origem, mas, para alguns, ficar onde estão é questão de honra. O você de que lado está?

VI) Cidade de São Paulo

Gostaria de descrever a maioria das cidades brasileiras e suas inserções no cenário. Porém, vou me ater a São Paulo, principalmente por ser a capital brasileira que mais conheço. Além disso, é a cidade mais populosa do país e a que concentra as maiores desigualdades, econômicas, sociais, culturais, etc. Nas próximas edições, outras cidades serão incluídas.

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Dividimos a cidade de São Paulo em cinco grandes regiões. São elas:

- Centro Revitalizado: abrange as antigas áreas

de Santa Cecília, Sé, República, Parque Dom Pedro,

Estação da Luz, e outras.

- ZN, ou Grande Santana: Possui concentrações

de condomínios de classe média alta, de segurança máxima, que não foram atingidos pelas revoltas de 2003, localizados principalmente na região do Jardim São Paulo, Jardim São Bento e Tremembé. Um grande contingente de miseráveis, excluídos e remediados reside (ou tenta, pelo menos) nos bairros mais afastados como Jaçanã, Tucuruvi, Imirim, Casa Verde. Há, também, uma imensa área verde protegida há tempos pela ONG Horto Vivo, que é o Horto Florestal. Fazem parte dessa região protegida os manaciais (invadidos na segunda metade da década de 90 por uma legião de sem-teto) localizados na Serra de Mairiporã.

- ZL, ou grande Penha: Como a Grande Santana, essa macro-região tem três regiões distintas : A parte rica, composta pelo Tatuapé, Moóca, Belém e Penha, a imensa área pobre, formada pelos antigos bairros de Itaquera, Guaianazes, Parque do Carmo, Guarulhos, Itaim Paulista, São Miguel, e outros, e a parte natural, no Parque do Carmo, Estrada do Pêssego, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Suzano, Guararema, ainda não tomada pela imensa massa de miseráveis e ainda não explorada pelas grandes construtoras (exceto alguns empreendimentos em Arujá e Santa Isabel)

- Zona Oeste, ou Lapa/Pinheiros: Há, aqui, 3 áreas bem delimitadas. Uma, chamada Jardins e Arredores, pega uma parte (a parte rica, é claro) da Ex-Zona Sul, agora chamada Grande Grajaú. É formada pelos antigos bairros Jardins, Vila Mariana, Brooklin, Lapa, Alto da Lapa e Alto de Pinheiros e pelo centro empresarial delimitado pelas avenidas Berrini e Água Espraiada. A segunda, muito pobre, formada por antigos bairros operários e estudantis, agora um

avenidas Berrini e Água Espraiada. A segunda, muito pobre, formada por antigos bairros operários e estudantis,

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conglomerado gigante de sub-moradias como

Jaguaré, Osasco, Carapicuíba, Itapevi, Cotia, Jandira, Largo da Batata, Rio Pequeno, Limão, Vila Prudente, e outros bairros menores. A partir de 1995, houve um aumento gradual e gigantesco do número de favelas

e cortiços, aqui e no Grande Graja. A 3 a área

corresponde às imensas áreas verdes dos arredores da Vioeste 1 (antiga Raposo Tavares), bem como o Parque Biotech (antigo Villa Lobos) e a Universidade MIT – São Paulo (antiga USP, comprada pelo instituto americano).

- Grande Grajaú, chamada pelos manos de Grande Graja, corresponde a toda zona sul (pobre) de São Paulo. Áreas verdes, como o extremo sul, foram preservadas, sob mão de ferro do grupo protetor Eco- Cô na City, uma ONG ecológica radical (formada basicamente, dizem, por biólogos, estudantes e professores e liderada peloCientista Social Francisco Silva Mendes). O resto é um imenso mar de gente vinda de toda parte do Brasil tentar melhor sorte no

maior pólo industrial do país. Desnecessário dizer que

o sonho se transformou em pesadelo, e as favelas parecem crescer como se tivessem vida.

e as favelas parecem crescer como se tivessem vida. Sub-Regiões e seus personagens : O centro

Sub-Regiões e seus personagens :

O centro revitalizado, com suas construções antigas

e imponentes causam uma impressão de total

urbanismo e ausência de vegetação. Porém, por ser também um local de efervescência cultural e política

e por ser historicamente o hábitat de pessoas ligadas

a ONGs, teatro e grupos de preservação ambiental, é um dos focos da resistência popular. Obviamente é também a moradia de uma legião de viciados, prostitutas e bandidos de diversos graus de

periculosidade, além de imigrantes ilegais e camelôs que trabalham naquela região, compondo um cenário caótico, que contrasta com a parte rica dessa parte da cidade, o bairro de Higienópolis, com seus prédios luxuosos e lugares da moda em volta da Universidade Mackenzie.

O músico Marco Aurélio, proveniente da região

de São José do Rio Preto, é uma espécie de líder informal dessa área, protegendo a parte natural do local, garantindo a ocupação racional da região e tentando organizar os grupos dispersos que atuam ali. Tem diversos aliados na luta contra a dominação dos DEVOs.

Zona Norte ou Grande Santana – A privatização do Horto Florestal foi impedida pela ação eficaz do “chefe” local, o descendente de índios Mamboá, através de várias ações legais de sua ONG Horto Vivo, e outras nem tanto. Grupos religiosos e ativistas políticos são fortes nessa área, principalmente na região Imirim-Casa Verde-Lauzane Paulista-Pirituba, chamada de Periferia Noroeste.

Vários grupos tentam, isoladamente, algumas ações anti-elite, com pouquíssimo sucesso. “Tentamos conquistar as coisas a longo prazo mas definitivamente, por isso, iniciamos de baixo” conta Padre Duarte, da Igreja do Imirim, que coordena o atendimento a vários menores carentes da região, com oferecimento de refeições, aulas de reforço escolar, artes, e oficinas profissionalizantes. O trabalho árduo e super comprometido de voluntários compensa a falta de preparo desses “profissionais” que atuam em vários estabelecimentos como esses que continuam a mendigar verbas e donativos da elite e das empresas, nacionais e transnacionais, preocupadas não com o bem estar da população em geral, mas sim, com a “imagem” delas.

A parte rica da Zona Norte é formada pelo

cinturão de condomínios no Jardim São Paulo, Jardim São Bento, Tremembé e Eixo Brás Leme. Poucos moradores se aventuram fora dessa parte, devido à onda de seqüestros e crimes que ocorrem dos lados de fora dos muros e das grades. Existem pessoas dos altos escalões empresariais e governamentais aos

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montes nesses condomínios, como todos devem saber. Porém, o que poucos sabem é que há agentes infiltrados nesses condomínios que passam informações aos “rebeldes” do lado de fora. A elite dominante diz aos quatro ventos que essas “informações” são usadas em assaltos e seqüestros, mas a “revolução” ainda está por explodir, e quando ela vier, será o caos.

A parte “natural” dessa região é formada, além do já citado Horto Florestal, pela floresta e imensa área de manaciais da Serra da Cantareira e de Mairiporã, onde Mokolé, irmão do índio Mamboá, tenta, após ter sido derrotado em várias ocasiões, preservar ao máximo essa área que já sofreu muitos ataques das forças inimigas. O trabalho de formiguinhas feito pelos aliados do referido revolucionário tem, a longo prazo, dado resultados maiores (graças, principalmente a – ironia suprema- globalização permitida pela Internet) que os confrontos iniciais de Mokolé e seus aliados contra os grileiros e grandes empreiteiras que agiam na região. Esses conseguiam manipular a população do local, dizendo : “O que é mais importante, a casa de vocês ou esses bichos?”. Felizmente, após alguns anos a mentalidade vai mudando aos poucos.

Zona Leste ou Grande Penha – Shoppings Centers, condomínios luxuosos, Universidades particulares, Centros comerciais, malha viária altamente desenvolvida. Esses são os pontos positivos da área rica da Grande Penha, que realmente é tradicional na cidade de São Paulo, principalmente entre os “novo-ricos”. Essa parte foi palco das batalhas futebolísticas de 2004, entre os membros da Gaviões da Fiel (incitados, dizem, por agitadores profissionais a mando dos dirigentes) e os corinthianos não- membros da organizada. Há também, vários condomínios de luxo em Arujá e Santa Isabel, com guardas armados, onde, dizem, moram os cérebros da elite, em contato com a natureza que eles insistem em destruir, ou, pelo menos, com o mais próximo de natureza que eles conseguiram construir.

Duas grandes regiões de predomínio de natureza existem na Grande Penha: O cinturão verde:

Mogi das Cruzes, Suzano, Salesópolis, Guararema, e

adjacências, onde o processo revolucionário é comandado pelo triunvirato formado pelo professor Marcola, pela estudante Iara Luciana e pelo ator Ricardo. E a área quase desmatada do Parque do Carmo, Estrada do Pêssego e proximidades, que é comandada pelo Veterinário Paulinho Lelé. Os avanços das construções legais ou ilegais vêm diminuindo a quantidade de área verde, e conseqüentemente, o poder e influência de Paulinho Lelé na região. A enorme massa de excluídos dessa região luta contra o Líder regional, dividindo as forças contrárias aos poderosos, que deixam o pau comer a vontade nessa área da Grande Penha.

Um dos maiores contingentes de pessoas abaixo da linha da pobreza do país mora na Grande Penha, portanto, é natural que os maiores problemas de violência estejam localizados aí. O poder público

praticamente abriu mão de antigos projetos iniciados na gestão Marta (2000-2004), e agora essa imensa legião vive dividida entre a marginalidade, as religiões carismáticas (católica e evangélica, com pouquíssima diferença atualmente) e poucos são esclarecidos o suficiente para lutar contra o sistema vigente. Diferentemente da Zona Sul, onde o Rap é a forma musical preferida, o que torna a massa mais politicamente engajada, na parte leste da cidade, as pessoas parecem preferir a alienação da tríade pagode-axé-breganejo, dificultando a ação dos que lutam por mudanças profundas. Mesmo assim, um grupo sediado em São Miguel Paulista, com ramificações por toda a Grande Penha, controla uma

emissora de

uma TV

comunitária(freqüentemente sabotadas não se sabe por quem), além de Centros Culturais e esportivos. Esse grupo tenta criar uma consciência crítica, auxiliados pela parcela de professores das escolas públicas que ainda não desistiu da luta. Um intercâmbio de informações e treinamento entre esse grupo e os grupos do Grande Graja, tem feito crescer o potencial de ação nessa área. Os limitados recursos materiais não impedem que um grupo chamado Matrix Warriors espalhem suas mensagens pela Internet. Músicas, mensagens normais e subliminares, chats, blogs, e invasões a e-groups, chats, sites e até desvios financeiros de pequenas quantias de sites pouco seguros fazem parte das “obras” desses terroristas

rádio

e

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virtuais, pequenos gênios a serviço de uma causa:

lutar por um mundo melhor para seus pares. Infelizmente a falta de experiência e orientação fazem com que eles consigam resultados limitados em ações esparsas, quando podiam conseguir muito mais. Mas poderiam também despertar a atenção dos Poderosos. Quem sabe isso não é uma tática?

Zona Sul ou Grande Graja – Esse é o lugar que abriga as maiores disparidades em todo o país. É o centro financeiro-empresarial do país, a sede do Governo do Estado de São Paulo, bem como a residência de grande parte da elite brasileira, por isso tomam tantos cuidados com a parte “deles” da Zona Sul. Milícias armadas patrulham as ruas sem descanso para que os donos da ZS possam viver em relativa paz. Esses “Capitães-do-Asfalto”, que são liderados por um ex-presidiário cooptado pelos poderosos que atende pelo pseudônimo de Coronel, protegem as residências, locais de trabalho, escolas, shoppings e seus respectivos entornos, criando uma espécie de principado, cercado de pobreza por todos os lados. É, inclusive, o caso de se perguntar quem está preso, os pobres ou os ricos?

Coronel comanda uma tropa com várias divisões, inclusive uma divisão de operações especiais chamada CIA – Comando de Inteligência Armada – com licença total para “ignorar alguns direitos constitucionais de suspeitos durante o exercício do dever”. Isso significa que as tropas podiam, basicamente, prender, espancar e matar quem quer que fosse. Inúmeros protestos, e o assassinato do principal líder desses protestos, Manoel Bento, professor de Ciências numa escola estadual do Capão Redondo, fez com que a gritaria fosse tão grande, até da grande imprensa marrom sedenta de sangue, que o Coronel teve de rever alguns de seus métodos. Do lado de fora desse oásis vivem, ou tentam viver, mais ou menos 6 milhões de miseráveis, cada vez mais pobres e sem esperança, que se agarram a tênues fios que os mantêm mentalmente sãos, ou quase.

- Rap: Muitos e muitos grupos de Rap vêem na música e em tudo o que a rodeia, uma maneira de tentar mudar o mundo. Com letras e gestos agressivos, os manos vivem a um passo da

em tudo o que a rodeia, uma maneira de tentar mudar o mundo. Com letras e

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criminalidade. Quase todos trocam sem pestanejar o sucesso musical pela proximidade da área deles e pela liberdade criativa e de atitude. DJ MVP, Mano Brother, Jack Fumaça e Babú são os expoentes do Rap paulistano. Não se sabe ao certo o motivo, mas todos eles escondem a verdadeira identidade.

- Religião: Um grande número de pessoas se

envolve com diversas religiões, mais notadamente as evangélicas, que mantêm essas pessoas longe das “coisas ruins”, sejam elas o crime ou a Luta. Ainda não está provado, mas parece que o poder dos DEVOs controla os bispos evangélicos do Grande Graja, bem como os padres da Renovação Carismática. Outros dizem que são revolucionários tentando conseguir o controle da massa. O fato é que, realmente, conseguem mobilizar um grande número de pessoas para a causa deles, seja ela qual for.

- Arte: Professores, padres, arte-educadores

e uma legião de voluntários proporcionam a um grande número de pessoas a possibilidade de se sentirem vivos através da expressão artística. Grafities, teatro, esculturas, instalações, dança, música, todas as formas de arte fazendo com que parte da população tome consciência do mundo e seja uma semente de transformação. A Dançarina Iara Jane é uma das

responsáveis por esse projeto, associada (?) com a

psicóloga Mariana. Elas ainda têm um longo caminho

a percorrer.

- Internet: Os cybermanos, grupo grande, mas sem uma estrutura de comando, hierarquia, sede ou algo parecido causa severos danos nas estruturas do poder, através de terminais públicos, máquinas

obsoletas, muita imaginação, audácia, criatividade e um bom conhecimento de Internet. Tudo começou com um projeto da Fundação Florestam Fernandes no final da década de 90, que possibilitou o acesso da população do Grande Graja ao computador e, conseqüentemente, à rede mundial. Aprendizes de hackers desenvolveram suas habilidades sozinhos e com uma pequena ajuda de professores voluntários que davam aulas em escolas e entidades da região. Renato Dayspring, ex-aluno da USP é o mais famoso

e – dizem – o mais talentoso deles. Provavelmente um perigo para o poder e os DEVOs.

VII) Considerações Finais

Estou consciente de que faltam várias coisas nesse cenário, que, certamente serão corrigidas nas versões posteriores. Como já disse anteriormente,

várias coisas nesse cenário, que, certamente serão corrigidas nas versões posteriores. Como já disse anteriormente,

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essa é uma obra que mistura elementos de ficção com realidade. Esses elementos reais são uma fonte inspiradora riquíssima para o mestre que deseja se aventurar por esse cenário. Somente por isso já valeu

a pena ter sido publicada, ou seja, se esse livro servir para alguém tomar contato com as obras de referência, ou se interessar um pouco mais sobre o assunto, meu trabalho não terá sido em vão.

Além da óbvia conotação política desse livro,

e suas mensagens igualmente óbvias, outro aspecto

a ser levado em conta quando se joga ou quando se lê

esse texto é a constatação de que a vitória só é possível quando existe cooperação e união, e que essa vitória pode ser alcançada sem que o outro seja derrotado. Na verdade, tentei escrever um manifesto pelo fim do espírito esportivo e pelo início do espírito cooperativo. Como disse, realmente, Fábio Brotto, em seu livro Jogos Cooperativos, se o importante é competir, o fundamental é cooperar.

Referências:

Revistas: a antiga Revista Bundas e Caros Amigos (essa é uma referência obrigatória)

Jornais: A Voz Operária, o Pasquim e as colunas de Clóvis Rossi e Jânio de Freitas na Folha de São Paulo

Teatro: Eles não Usam Black-Tie, O Berço do Herói, O Pagador de Promessas, A Invasão, O Auto da Compadecida, as obras de Bertold Brecht

Livros: Marighela, os Carbonários, FIM – Os Últimos Dias do Império, TAZ – Zona Autônoma Temporária, Xambioá, livros da Fundação Perseu Abramo, Estação Carandiru, Pavilhão Nove, Capão Pecado, Manual Prático do Ódio, Abusado, CV-PCC, Jogos Cooperativos, 1984, A Revolução dos Bichos, livros de Aloysio Biondi.

Filmes: Lamarca - o Capitão da Guerrilha, Missing - o desaparecido, Luar sob Parador, Bye Bye Brasil, o Quarto Poder, o Encouraçado Potemkin, Michael Collins, Cidade de Deus, Uma Onda No Rádio, Pixote-A Lei do Mais Fraco, Carandiru.

Músicas: os 3 primeiros discos da Plebe Rude, Lobão (principalmente a música Panamericana), Legião Urbana (3 primeiros discos), Garotos Podres, 365, Detrito Federal, Racionais MC’s, algumas do Charlie Brown Jr (Não é Sério, Por exemplo), O Rappa, Pavilhão Nove, Brasil (Cazuza), Cavalheiros e Veraneio Vascaína (Capital Inicial), Polícia, Estado Violência e Massacre (Titãs), algumas do Camisa de Vênus, algumas do RPM (Alvorada Voraz, Revoluções por Minuto), Paralamas do Sucesso (Teerã, Selvagem, A Novidade,

de Vênus, algumas do RPM (Alvorada Voraz, Revoluções por Minuto), Paralamas do Sucesso (Teerã, Selvagem, A