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Impressores, Livreiros, Livros e Conceitos: circuito de circulação de ideias – Brasil, Portugal e França, ao longo do oitocentos

Tania Bessone Professora Associada de História UERJ/CNPq/Faperj

Lucia Maria Bastos Pereira das Neves Professora Titular de História Moderna UERJ/CNPq/Faperj

A discussão, que hoje trazemos aqui, é fruto de uma série de pesquisas realizadas em conjunto, por mim e pela professora Lúcia Bastos, desde 1995. Nosso foco de interesse são os estudos da História do Livro, da Imprensa e dos Conceitos, articulados em torno do longo século XIX. Nesse caso, os conceitos de livro e de imprensa revestem-se de um sentido amplo: não são apenas relatos de um tempo, que apresentam visões distintas de um mesmo fato, mas sim agentes que intervêm nos processos que construíram o Brasil como História. Livros, livreiros, impressores, leitores podem se constituir em caminhos diversificados da pesquisa histórica para uma abordagem das práticas culturais e políticas de uma dada sociedade em uma determinada conjuntura histórica. Ademais, a história do livro pode equivaler também à investigação do sentido das mensagens transmitidas pela palavra escrita, pois o livro transforma-se em um meio privilegiado “de diálogo com o passado, de criação e de inovação”. i Sob esse aspecto, o livro não deve ser visto apenas como memória de um tempo, que narra as diferentes percepções de um mesmo fato, ou como simples ingrediente do acontecimento, no dizer de Robert Darnton ii , mas agente que se faz presente nos episódios. Logo, ao analisar-se o circuito da impressão até o produto final – o livro, em suas linguagens e seus conceitos – e até a recepção que despertou, verifica-se que este foi um dos principais instrumentos da criação de novas culturas políticas. Portanto, o livro e o impresso apresentam também sua historicidade. Poderosos elementos de continuidade, os livros também podem ser importantes vetores de rupturas na tradição. Tal tendência evidencia-se, em especial, ao longo do século XIX, quando o livro – investido de múltiplas missões: de educar, de formar, de

criar tanto um espírito de universalidade quanto de edificar as nações particulares – foi mais do que portador desses projetos, passando a assumi-los integralmente. iii No Brasil, o oitocentos constituiu-se no período em que o discurso escrito anunciou a conquista de sua autonomia, numa sociedade ainda profundamente dominada pela oralidade, com o vislumbre do nascimento de uma opinião pública, no sentido moderno do termo iv , mostrando-se os anos entre 1820 e 1870 decisivos para a passagem do antigo a um novo regime político e cultural. Desse modo, pode-se afirmar que o Brasil abandonava, também, o que Chartier denominou de “antigo regime tipográfico” v , embora a história da cultura impressa, na visão do mesmo autor vi , continuasse a se situar na tensão entre duas formas principais de circulação da escrita: a coletânea dos textos constituídos em “livro” e a sua divulgação sob forma de lugares comuns, passagens ou trechos selecionados. Se o livro não fez a Revolução na França, no dizer de Barbier vii , somente ele, de certo modo, por meio de uma relação dialética, a tornou possível. Afinal, não se pode acreditar no poder totalmente aculturante do livro, como já bem afirmou Chartier. No Brasil, verifica-se, também, que o impresso apresentou uma relação íntima com a conjuntura política do país, como ocorreu no momento da Independência ou da crise do primeiro Reinado, quando, ao fazer circular livros, periódicos, panfletos e folhetos escritos, as tipografias – locais também de discussão – tiveram um papel decisivo na produção e difusão da cultura política do período, embora sempre estabelecendo uma pluralidade de sentidos e contribuindo para que a política ultrapassasse o tradicional espaço institucional do poder e se tornasse realmente pública. Dessa forma, sob o prisma combinado da história política e da história cultural, busca-se a análise do papel assumido pelo livro e pelo impresso na transmissão da cultura, na formação da opinião pública e das culturas políticas, no processo da construção do conceito moderno de homens de letras e, posteriormente, de intelectuais, tendo como pressuposto que a palavra escrita foi objeto privilegiado da luta política-ideológica que caracterizou o século XIX e que o Brasil não ignorou. Luta que se instituiu desde o momento de definição do Império até a construção da nova nação, esgarçada entre o país real de escravos e miseráveis e o país oficial da elite dos bacharéis e dos grandes proprietários de terra; entre a multidão dos analfabetos rudes e uma diminuta camada letrada e civilizada.

Uma revisão da historiografia

Nos últimos anos, diversos trabalhos, no Brasil, como os de Maria Beatriz Nizza da Silva, L. Hallewell, Luiz Villata, Márcia Abreu, Nelson Schapochnik, Aníbal Bragança, Eliana Dutra, Jorge de Souza Araújo, Leila Algranti e Lilia M. Schwarcz, Tania de Lucca e das duas pesquisadoras envolvidas nesse trabalho inserem-se dentro da temática da história do livro e do impresso. No entanto, ainda são escassos os estudos sobre o papel do livro e do impresso na linha que se consolidou com H.-J. Martin, F. Furet, D. Roche, R. Darnton, R. Chartier, F. Barbier, Jean-Yves Mollier, Diana Cooper- Richet e E. Eisenstein, entre alguns mais destacados. Nesse caso, a palavra impressa torna-se não somente a fonte para um estudo, mas objeto da própria análise. Palavra e poder aparecem então interligados, pois, para se apossar do segundo, é necessário tomar a primeira e difundi-la, através de jornais, panfletos, livros, estampas, almanaques, partituras de músicas – qualquer coisa que se mostre capaz de levar à maioria dos habitantes de uma sociedade informações novas, multiplicadas pelo impresso, ainda que difundidas pela oralidade. Afinal, como salientou Chartier (2008), para tratar dessas questões, há também necessidade de enxergar além da escrita, pois são diversas as variações dos mesmos textos: entre edições e exemplares, entre línguas e gêneros, entre fala e transcrição. Embora a historiografia brasileira já tenha abordado a história do livro por meio de algumas facetas, ainda não há um trabalho global em que o livro se apresente como um instrumento da cultura e do poder. Afinal, se, no mundo ocidental, o livro configurou-se como um objeto triunfante ao longo do século XIX (Barbier, 2008, 431), enquanto portador de saberes e guia para novas práticas viii , qual o significado e o alcance da sua presença bastante tímida no Brasil desse período? O trabalho de Hallewell, texto de fundamental importância para o esboço de uma história do livro, voltou-se mais para uma história das casas editoras comerciais no Brasil, retratando, com precisão e abundância de dados estatísticos, as obras e os autores publicados por estas editoras, oficiais ou particulares. Apesar de procurar conhecer o Brasil por sua produção cultural, em específico, a produção livreira, esse trabalho identifica-se mais com um relato minucioso do desenvolvimento da indústria editorial brasileira. Outra obra ligada à temática em questão é a de Wilson Martins – A Palavra escrita. História do livro, da imprensa e da biblioteca. Seu olhar, no entanto, dirige-se para a história do livro e de suas técnicas, não só no âmbito da sociedade brasileira, mas num contexto do mundo ocidental, numa abordagem da biblioteconomia. Há a preocupação de acompanhar a trajetória da palavra escrita desde os seus primórdios até

os dias atuais, destacando-se temas como as bibliotecas antigas e modernas, os manuscritos medievais, a evolução das técnicas de impressão, os direitos autorais, passando desde os pictogramas até o livro contemporâneo. Ainda poder-se-ia citar o trabalho de Rubens Borba de Moraes – O Bibliófilo aprendiz. Como o próprio autor afirma, trata-se de um guia sobre bibliofilia, de um colecionador amante dos livros, que muito aprendeu com eles. Em alguns capítulos, contudo, oferece informações preciosas sobre a produção de livros do início do oitocentos. Mencione-se também seu trabalho pioneiro – Livros e bibliotecas no Brasil colonial, um ensaio cujo enfoque procura esclarecer o papel do livro na história cultural do Brasil colônia, defendendo, há quase trinta anos atrás, a inclusão do livro no território do historiador, como preconizava Febvre.

Numa abordagem mais direcionada para a história da leitura, na visão da historiografia francesa, situam-se dois trabalhos, organizados por Márcia Abreu e Nelson Schapochnik, que reúnem textos de pesquisadores nacionais e estrangeiros (com a participação de R. Chartier, J. Hebrard e João Luís Lisboa, entre outros), originários de diversas áreas do saber, mas que pretendem analisar as relações estabelecidas entre os homens por meio da leitura e dos livros, ao longo do tempo. Seus temas esmiúçam histórias da leitura, das bibliotecas e das práticas de leitura no Brasil colonial e dos séculos XIX e XX, do comércio livreiro, das estratégias editoriais e dos instrumentos da censura. Os trabalhos de Maria Beatriz Nizza da Silva, Luiz Villata, Leila Algranti e Jorge de Souza Araújo, ainda que nesse viés de abordagem, direcionam-se para o período do Brasil Colonial. Ressaltem-se os recentes livros de Maria Beatriz N. da Silva (2007-2008-2009) voltados para os estudos dos primeiros periódicos publicados no Brasil – a Gazeta do Rio de Janeiro, a Idade d’Ouro do Brazil e o Semanário Cívico. No ano de 2006, uma nova obra apontou nessa mesma direção: a coletânea organizada por Eliana Dutra e J.-Y. Mollier – resultado de um colóquio internacional – cujo objetivo era “refletir sobre o papel dos impressos na construção da vida política em geral e das comunidades políticas em particular” (2006, 9), ao longo dos séculos XVIII a XX, na Europa e nas Américas. Destaco ainda, outra coletânea, por Lúcia Bastos, publicada em 2009 (Livros e Impressos em circulação: retratos do setecentos e oitocentos, Rio de Janeiro, Faperj/ EdUERJ), que contou com a participação de autores nacionais (Maria Beatriz Nizza da Silva, Luiz Carlos Villalta, Marcello Basile, Marco Morel, Tania Bessone, entre outros) e internacionais (Roger Chartier, Neil Safier e José Augusto dos Santos Alves), que procura analisar o papel dos impressos nas práticas

culturais, especialmente nas de leitura, e nas práticas políticas, não só no Brasil como também em Portugal e na França. Como marco importante nesta produção, merecem ainda citação as diversas comunicações apresentadas no I e II Seminário Brasileiro sobre o Livro e a História Editorial, ocorrido em novembro de 2004 e em maio de 2009, respectivamente, no Rio de Janeiro, que reuniu não só historiadores como pesquisadores de diversas áreas, tanto brasileiros, quanto estrangeiros. Esses trabalhos, que cruzam linhas diversas e metodologias distintas, estão disponíveis em http://www.Livroe historiaeditorial.pro.br/. Outros autores brasileiros, como N. Schapochnik, Aníbal Bragança, Tânia Bessone, Tania de Lucca, Eliana Dutra, entre vários, têm estudos que focalizam a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Recentemente o livro organizado por Aníbal Bragança e Márcia Abreu (Org.). Impresso no Brasil: dois séculos de livros brasileiros (2010), consolidou os textos de numerosos estudiosos do tema, recebendo um prêmio Jabuti em 2011. Outra obra recente e que reflete o amadurecimento de estudos sobre os livros e impressos no Brasil é de autoria de Marisa Midori Daecto – O Império dos Livros. Instituições e práticas de leitura na São Paulo Oitocentista (2011), prêmio Sérgio Buarque de Holanda da Biblioteca Nacional, com uma belíssima e ilustrada edição. Nesse rápido passeio sobre a história do impresso fica claro um novo caminho, original e inédito, que estude e repense o livro e o impresso no Rio de Janeiro do oitocentos como instrumentos das práticas da política e da cultura. Acrescido à proposta de configurar o saber enquanto um mito valioso e de prestígio para seus autores e intermediários culturais (Chartier & Martin, 1990a, 777). Esse é o foco principal deste trabalho, à medida que discute o assunto de um ângulo original e inédito. Inicialmente, em função da documentação que se privilegiou, concedendo maior importância ao conteúdo dos livros e impressos e não apenas a um mero inventário destes publicados ao longo do século XIX; em seguida, observando a trajetória dos principais autores e livreiros-editores, considerados como “transmissores culturais ativos”, na expressão de Diana Cooper-Richet ix , não numa simples perspectiva biográfica, mas através de duas dimensões: a história de suas vidas e a obra que eles realizaram, traduzida por seu papel e atuação na vida cultural, política e editorial do período; em terceiro, analisando os impressos estrangeiros que apontam para os distintos intercâmbios culturais ocorridos, desde o início do século, entre as duas partes do Atlântico.

Portanto, sob esse prisma, a análise resulta em outra vertente, já anunciada por autores franceses, anglo-saxões e, mais recentemente, ibéricos (cf. bibliografia ao final do texto), para o estudo das práticas políticas e culturais, ao transformar o livro no instrumento primordial de análise, inserido no ritmo diverso das conjunturas históricas e compreendido a partir das múltiplas funções que desempenhou ao longo dos tempos. Dessa maneira, destaca-se seu papel na transmissão da cultura, do saber e das idéias e também os espaços de consagração que seus autores encontraram.

Impressos e práticas políticas e culturais

Para desenvolver tal trabalho, focalizamos o escrever e os seus escritores, identificando os principais autores do período a fim de se traçar uma trajetória de sua vida profissional, examinando ainda como eles constituíram redes de sociabilidades. Nesse caso, torna-se fundamental considerar suas relações com livreiros e/ou editores uma vez que as duas funções ainda se amalgamavam no mercado editorial brasileiro (Bragança, 2002). A discussão dos autores com os editores a fim de negociar seus trabalhos pode revelar como aqueles ainda viviam pouco de sua pena, recorrendo, principalmente, às gratificações de um mecenato político ou aos salários das funções públicas (Chartier & Martin, 1990a, 774). Paulatinamente, entretanto, da influência dos editores e livreiros, os escritores passaram a ser “os guardiães nacionais pagos pela pátria” (Curto, 2007, 21), preocupando-se também com o gosto de um público que se alargava e exigia uma maior diversidade de estilos. Desse modo, começaram a defender sua liberdade crítica, criando espaços próprios (Chartier & Martin, 1990a, 500-1) para atingirem um lugar de destaque na boa sociedade (Rezende, 1944 e Mattos, 1987), do Rio de Janeiro do oitocentos e alcançarem o fortalecimento de sua reputação intelectual. Por conseguinte, através desse cruzamento entre autores, livreiros e editores, de um lado; e, escritores e público, de outro, verifica-se que a expressão homens de letras foi esboçando um sentido moderno, ou seja, naquele de uma profissão. Afinal, esses indivíduos, regra geral, ainda não se constituíam, propriamente, enquanto intelectuais, pelo menos, até os anos setenta do século XIX. Somente a partir do final da década de 1850, quando, então, se expandia o número de periódicos e de livros vendidos e se ampliavam as camadas médias, na Corte e em diversas capitais provinciais, viriam a surgir no Brasil, embora de maneira tímida, os intelectuais, que, ao estabelecerem uma distinção em relação às elites políticas e livrarem-se da proteção que lhes asseguravam os hábitos religiosos, adquiriam um lugar próprio, a partir

do qual, como ideólogos, poderiam começar a pensar “o social em termos laicizados”, para usar o raciocínio de F. Furet & J. Ozouf (1977). Não obstante, permaneciam cativos da nação sem alma – dividida entre o país ideal, em que se moviam, e o país real, povoado de uma multidão de analfabetos, constituída em grande parte por escravos e incapaz de ler sequer uma linha do que escreviam. Cabe, portanto, destacar ainda como se construiu o próprio conceito de autor/autoria, sobretudo a partir da primeira metade do século XIX, verificando-se que tais termos revestiram-se de conotações particulares e diversas, distinguindo-se de uma simples idéia, transcendendo de seu contexto originário e projetando-se no tempo sob a forma de um conceito (Koselleck, 2006, 97-118). A indefinição sobre o próprio sentido da palavra pode ser identificada recorrendo-se aos dicionários, como por exemplo, ao Dicionário da Língua Portuguesa de Antonio de Moraes Silva. Em suas primeiras edições, encontram-se exemplos diversos para o uso da palavra autor; no entanto, não há uma referência explícita para aquele que fosse responsável por uma obra artística ou literária. Tal perspectiva pode também ser comprovada através da análise dos primeiros anúncios de livros em jornais uma vez que estes se limitavam a referir o título da obra e o local onde ela era vendida, ocorrendo a omissão do nome do autor, considerado como secundário. Somente no período do romantismo, que este se encarregou de generalizar a autoria enquanto presença do autor em sua própria obra. x Começava-se a espressar a ideia de que era preciso identificar o autor de uma obra, tornando-se mais acentuada a reivindicação que ele fazia sobre a mesma. xi Surgia desse modo uma relação paradoxal – essa representação romântica da atividade literária e a pretensa profissionalização que podia proporcionar uma remuneração, fazendo com que a escrita converter-se em fonte de renda. xii Ainda na perspectiva da linguagem da época, a análise do conceito de tradutor/ tradução também foi uma referência importante. De um lado, torna-se necessário trabalhar com a perspectiva de que a tradução era uma cópia realizada em uma língua de discurso já pronunciado em outra; portanto, devia ser feita através de uma fidelidade ao texto. De outro, com a visão de que a tradução podia ser elaborada através da “liberdade de vestir de outras galas o retrato”, que se copiava. Nesse último caso, transladado o pensamento do autor, nada impedia que fossem inseridas outras expressões e combinações diversas, ainda que, algumas vezes, o tradutor alterasse o escrito, “adiantando-se ao original”. xiii Aspecto fundamental para se analisar a difusão da literatura francesa e portuguesa veiculada no Rio de Janeiro, tanto em uma versão original, por meio da publicação na língua, na qual o texto foi escrito, quanto por meio de traduções.

Privilegia-se, numa perspectiva em que o livro e o impresso se inserem no tecido cultural e político de uma realidade social, o estudo da circulação das ideias transmitidas pelos impressos e o contexto da recepção em que elas vinham se integrar, destacando a análise de alguns conceitos que moldaram a linguagem política dos liberalismos do século XIX. Assim, temas como nação, Brasil, revolução, independência, cidadania, nação, entre outros, merecem um tratamento diferenciado, por meio da utilização de instrumentos da história dos conceitos, alargando, em alguns casos, o corte temporal de sua análise – anos entre 1770 e 1870 – considerados aqui como tempo sela, no dizer de Koselleck, para se dar conta das alterações ocorridas no seu uso e significados. Assim, se Antônio de Moraes Silva, na segunda edição de seu Dicionário, mantinha para a palavra revolução sentidos que demonstravam muitos usos antigos, como revolução astronômica, revolução dos valores morais, revolução nas ciências naturais, sendo bastante superficial quanto ao emprego relacionado à política xiv , os escritos constitucionais, que circularam nos dois lados do Atlântico a partir de 1821, colocaram, sem dúvida, o conceito moderno de revolução no vocabulário político luso-brasileiro. Ainda que de utilização mais restrita, o termo não deixou de ser empregado para definir

o movimento político que sacudiu o mundo ibérico entre 1820 e 1821. Na opinião do

Revérbero Constitucional Fluminense, a “Revolução de Portugal, se é que assim se deva chamar a luta da justiça contra o despotismo” (nº 11, 22 janeiro 1822), tinha viabilizado

o estabelecimento do sistema representativo. Convém lembrar, por conseguinte, que foi

através dessas linguagens que esses homens letrados e seus contemporâneos tentaram não só interiorizar, mas também expressar as diversas identidades políticas, culturais e sociais presentes naquela conjuntura histórica. Cabe também ressaltar, nesse texto, os elos e trocas entre Brasil, França e Portugal na produção do saber, por meio não só do comércio dos livros mas também pela difusão da literatura estrangeira no Brasil – no caso a literatura francesa e a portuguesa, uma vez que esta última, após o Primeiro Reinado, deixava de ser considerada como uma literatura nacional. Os livros e os periódicos, bastante numerosos em relação à produção de impressos brasileiros, devem ser considerados como parte do patrimônio cultural da nação, como afirma Diana Cooper-Richet (2004 e 2006, 413-414), uma vez que essas publicações fornecem exemplos dos diversos intercâmbios culturais ocorridos ao longo da primeira metade do século XIX, entre o Brasil e os países do outro lado do Atlântico. Além disso, revelam a existência de “transmissores culturais ativos”, tais como livreiros-editores, homens de letras, tradutores, indivíduos expatriados, que contribuíram para a circulação de

idéias. É notável o número de periódicos franceses publicados no Rio de Janeiro nos anos 20 e 30 do século XIX, além dos inúmeros livreiros-editores portugueses e franceses, que dominavam este comércio na primeira metade do oitocentos.

A América Portuguesa, o Império do Brasil e o lugar dos impressos

Ao contrário da antiga visão da historiografia, apoiada em relatos de época, em

particular de viajantes, a América portuguesa não desconhecia o comércio de livros, como atestam os numerosos requerimentos de livreiros portugueses, enviados à Real Mesa Censória e/ou ao Desembargo do Paço, solicitando licença para despachar volumes destinados a várias localidades brasileiras (Villalta, 2006, 111-134 e Neves,

1993, 61-63). Sem dúvida, a introdução da tipografia foi tardia, ocorrendo por decreto régio, em 13 de maio de 1808, quando da vinda da Família Real portuguesa, mas dava vida a um novo momento histórico e cultural no país. Aliás, esse atraso contrastava-se com a difusão da tipografia na América hispânica desde o século XVI, com exceção de Santiago, no Chile, que somente a conheceu em 1812 (Subercaseaux, 2000, 17).

A Impressão Régia apresentava como finalidade principal e prioritária a

divulgação das medidas do governo instalado no Rio de Janeiro, como atos legislativos e papéis diplomáticos originários de toda e qualquer repartição do serviço real, e, somente havendo disponibilidade, quaisquer outras obras. Abriu-se, paulatinamente, para uma produção mais ampla, incrementando o comércio de livros da Corte com as demais províncias brasileiras. Se, até 1820, publicaram-se mais de 560 títulos, nos anos de 1821 e 1822, no bojo do movimento constitucionalista, da divulgação das idéias liberais e dos primórdios da liberdade de imprensa, saíram de seus prelos mais outros 500 títulos (Neves, 2003, 93). Acrescente-se ainda que, em 1811, foi inaugurada uma tipografia em Salvador – a de Silva Serva – e, em 1822, surgiram as primeiras tipografias privadas no Rio de Janeiro, além daquelas nas províncias de Pernambuco, Pará e Maranhão. Verifica-se, assim, que o impresso apresentou uma relação íntima com a conjuntura política do país, transformando-se em poderosa arma de combate político, principalmente, por meio de uma literatura de circunstância (jornais, panfletos e folhetos). Constituíram-se, portanto, não só em novos espaços de sociabilidades, mas contribuíram para que a política entrasse na via moderna. Foi naquele contexto, inaugurado no Rio de Janeiro pela Corte de Portugal, em que despontava a criação de uma sociedade culta e ilustrada, que surgiram os primeiros

jornais da América portuguesa, cabendo a primazia – apesar da publicação, em Londres, do Correio Braziliense de Hipólito José da Costa, em junho de 1808 – à Gazeta do Rio de Janeiro, cujo primeiro número foi publicado em setembro do mesmo ano. A Gazeta pertencia “por privilégio aos oficiais da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra”, não sendo, contudo, uma folha oficial, conforme estava estampado em seu primeiro número (setembro de 1808). Dava notícias dos acontecimentos na Europa, transcrevia os atos do governo e trazia anúncios, inclusive de livros, mantendo-se até dezembro de 1822, quando passou a denominar-se Diário do Governo (cf. Silva, 2007, 7-23). Ao longo do oitocentos, a grande maioria dos jornais, dedicava-se fundamentalmente a discutir as questões políticas do momento. O jornalismo era ainda um meio de sobrevivência para os autores. Desse modo, outros tipos foram criados, apresentando um cunho literário – a exemplo das Variedades ou Ensaios de Literatura da Bahia, em 1812 e O Patriota, publicado no Rio de Janeiro, no ano seguinte – ou constituindo-se como pretensamente informativos – como o Diário do Rio de Janeiro (1821) e o Jornal de Annuncios (1821). Alguns buscavam transmitir sua preocupação com os progressos da ciência, como os Annaes Fluminenses de Sciencias Artes e Littertura (1822), patrocinado pela Sociedade Filotécnica e redigido por José Vitorino dos Santos e Souza – lente da Academia Militar, oficial de engenheiros e tradutor de diversas obras de matemática – cujo objetivo era ser útil aos espíritos, publicando tudo “quanto interessa à prosperidade nacional” e não apenas para divertir o público xv . Ou o Jornal Scientifico, Economico e Literario (1826), redigido por “dois amadores das Ciências e das Artes”, sendo um deles o próprio José Vitorino dos Santos e Souza, que proclamavam a importância dos jornais literários e científicos como “focos luminosos, emitindo fulgurantes raios, que propagarão sua luz pela vasta superfície do Globo Terrestre” xvi . Em sua introdução, demonstravam a atualidade em relação às tradições da ciência européia, apontando o papel dos jornais científicos enquanto transmissores do conhecimento e como meios de se ultrapassar as crenças não racionais. Era nessa perspectiva que seu projeto estava inserido:

Entre os oportunos meios de se promover o melhoramento dos conhecimentos humanos, é sem dúvida um dos mais fáceis e vantajosos, o de se pôr em sucessivo uso o giro dos escritos periódicos: e, com efeito, há sido pela luminosa adoção de um tal uso, e giro de Jornais literários (sempre extensamente profícuos, quando escudados pela bem entendida liberdade da

imprensa, maravilhoso veículo de propagação de conhecimentos úteis, que tem merecido a zelosa garantia dos Governos mais bem constituídos), que nos dois últimos passados séculos, à custa das fadigas de sábios e intrépidos Regeneradores da antiga desprezada, abatida e mesmo agrilhoada Filosofia e, através de milhares de obstáculos terríveis, opostos por bárbara Superstição, e por desmesurado Fanatismo, se difundiram, com emissão maravilhosa, as Luzes cientificas, sobre as nações civilizadas. xvii Em uma linha mais científica, surgiu em 1827, O Propagador das Sciencias medicas ou Annaes de Medicina, Cirurgia e Pharmacia, considerado o primeiro jornal de medicina do país, editado pelo médico francês emigrado Joseph-François Xavier Sigaud. O jornal teve curta duração e, segundo a opinião de especialistas em história das ciências, seu término deveu-se a uma disputa entre Sigaud e José Maria Bomtempo, médico e político importante do Rio de Janeiro daquele período. De certa forma, a instabilidade e a curta duração desses periódicos mantinham uma ligação com algumas questões políticas, além, é claro, do pequeno número de leitores existente na Corte e nas demais províncias do Império do Brasil (cf. Freitas, 2006, 60-66 e Ferreira, 2004, 93-95).

A estabilidade adquirida pelo Segundo Reinado viabilizou também outros tipos de periódicos, levando a um relativo declínio dos jornais políticos, especialmente após a regência. Proliferaram as revistas literárias, ainda de cunho científico e histórico, principalmente, na Corte, como O Beija-flor: annaes brasileiros de sciencia, política e literatura (1830), A Minerva Brasiliense (1843-1845) e a Guanabara (1849-1852), além de Nitheroy, Revista Brasiliense considerada pela literatura como o marco inicial do Romantismo – que veio à luz em Paris, sendo dirigida por Domingos José Gonçalves de Magalhães. Tais periódicos, apesar de sua importância no meio cultural, continuaram a ter curta duração, como a maioria dos jornais brasileiros científicos e desse gênero mais literário. O Beija-Flor, em seu quarto número, trazia uma interessante e sugestiva informação sobre a imprensa no Brasil. Afirmava que em 1827 registravam-se apenas 12 ou 13 periódicos e, naquele momento, conforme “conta retirada da Aurora [Fluminense]”, totalizavam 54 para todo o Império; destes, 16 pertenciam à Corte, sendo que em 1827, apenas havia 8. Desse modo, “se os progressos da Imprensa fossem os degraus certos de um termômetro para o adiantamento da civilização, podíamos nos felicitar do nosso avançamento, pois que de quatro anos para cá o número das publicações periódicas tem quadruplicado no Brasil” (nº 4, 1830). De qualquer forma,

tais periódicos, por meio de suas ponderações e de suas críticas, possibilitavam um meio de situar a obra e seu autor na sociedade literária de seu tempo. Ainda digno de menção são os jornais estrangeiros publicados no Rio de Janeiro que buscavam esse tom de cunho literário e científico, além de fornecer a seus leitores uma informação sobre a atualidade política. Embora muitos tivessem vida efêmera, procuravam desenvolver o espírito público e a educação. Vários títulos podem ser citados, entre outros: L’Indépendant (1827); L’Echo de l’Amérique du Sud (jun. 1827- mar.1828); Revue Bresilienne ou Recueil de morceaux originaux sur les affaires intérieures de l’Empire, La Politique et sur La statistique locale (1830), que conheceu apenas um número em que havia notícias sobre vários países e reflexões políticas acerca do Brasil: reflexões sobre a sessão do Senado e sobre a revolução francesa de julho de 1830; Le Messager (1830-1834), publicado duas vezes por semana e que continha várias resenhas sobre livros nacionais e estrangeiros; L’Echo Français (mar.1838- 1839); Le nouveliste (nov. 1847-fev. 1848) e Le Courrier du Brésil (1854-1862). Esse último foi o principal instrumento de manifestação de franceses – exilados políticos da revolução de 1848 – presentes no Rio de Janeiro. Também Portugal, fazia-se presente na imprensa periódica não só dominando muitas vezes os jornais nacionais, mas também publicando alguns voltados essencialmente para os seus patrícios que aqui residiam, como o Paquete de Portugal, jornal noticioso e analytico, que narrava os acontecimentos recentes sobre a situação de Portugal nos anos 30, ou seja, a disputa pela coroa entre os partidários de D. Pedro e D. Miguel. Cumpre ainda ressaltar que outro jornal que circulou pelo Rio de Janeiro foi o jornal publicado em Lisboa, O Chronista, semanário de política, literatura, sciencias e artes (1827), considerado obra pioneira no gênero em Portugal, redigido em sua essência por Almeida Garrett, no qual havia muitos comentários de obras estampadas não só em Portugal, mas também em outros países, inclusive no Brasil. Ainda que não constituindo a essência da temática desse trabaçho, deve-se ressaltar, contudo, que a imprensa inglesa que veio à luz no Rio de Janeiro voltava-se, muito mais, para aspectos mercantis, demonstrando a importância da comunidade de comerciantes britânicos na Corte, como os jornais The Rio Herald (1828) e The Rio Mercantil Journal (1847-1856). O primeiro encontrava-se, segundo o historiador Nelson Schapochnik (s/d), na instituição chamada Rio de Janeiro British Subscription Library, fundada em 1826 e que deveria possuir periódicos ingleses e obras populares para a leitura daqueles que quisessem se associar.

Se, nesse processo, o periodismo político emprestou aos acontecimentos uma dimensão pública e criou uma arena própria para os conflitos de valores, interesses e idéias, traduzindo a diversificação e a complexificação por que passara a sociedade, em termos culturais, serviu também de veículo para parte importante da produção intelectual do país, tolhida pela fragilidade do mercado editorial. Assim, de um lado, os jornais tornaram-se um dos principais meios de divulgação e venda de livros e folhetos nessa época, através de seus anúncios; de outro, constituíam-se em espaços de consagração ou de crítica, através das resenhas publicadas, sobretudo nos periódicos literários. Afinal, o acesso de um autor à notoriedade só podia acontecer pela publicação e publicização de suas obras (Bied, in Chartier & Martin, 1990a, 774-775). Por conseguinte, de um lado, à medida que se ampliava o público leitor, os anúncios dos periódicos ultrapassavam seu caráter meramente noticioso, começando a oferecer explicações e opiniões ligeiras acerca das obras que saiam à luz a fim de cativar potenciais leitores. A “publicidade” desses anúncios, ao promover os textos impressos em direção a um mercado pode ser um indicativo para auferir o conjunto de obras em circulação. Recorrendo-se à Gazeta do Rio de Janeiro como exemplo, verifica- se que esses anúncios tinham lugar na última página do jornal, em sua maioria, dando informações sobre as obras que se encontravam à venda nas principais livrarias e em outras lojas que se dedicavam, com frequência, também a outros ramos de negócios. À medida que se avança no século XIX, acompanhando outros periódicos, como o Jornal de Annuncios (1821) e/ou o Diário do Rio de Janeiro (1821-1859 e 1860-1878), a disposição dos anúncios altera-se, ora localizando-se no início do jornal, ora situando- se, também, no final da página, mas ocupando um lugar de destaque. Os anúncios, portanto, começavam a conquistar um espaço na relação quotidiana das pessoas, nos negócios e nas leituras. De outro, a intensificação de ideias veiculadas pelos impressos possibilitou que viessem à luz as primeiras observações a respeito dos livros que circulavam entre as elites ilustradas. Esses tímidos comentários não deixavam de representar uma primeira reação dos leitores aos trabalhos publicados. Em alguns casos, provocavam respostas, abrindo a possibilidade de debates entre os homens de letras. Afinal, ainda que os periodistas devessem ser imparciais “nos seus juízos e sentenças”, em muitas ocasiões, segundo o Jornal de Coimbra, eles tinham necessidade

de combater opiniões e de desaprovar passagens de algum escrito; e, por maior que seja a moderação e prudência com que esta tarefa se preenche, os A.A. [autores] desgostam-se, irritam-se e, muitas vezes, nas suas réplicas, rompem em impropérios e insultos, nascendo daí discussões desagradáveis e sem vantagem para a ciência (nº 13, janeiro de 1813).

De qualquer maneira, considerava-se naquela época que os periódicos literários, por meio de seus comentários e polêmicas, eram fundamentais para a promoção das ciências, para o desafio da curiosidade dos homens por muitos assuntos e para o estímulo dos talentos. Verifica-se, portanto, que, no Rio de Janeiro, ao longo do oitocentos, à medida que se impulsionaram as atividades culturais e comerciais, multiplicaram-se paralelamente as modalidades dos impressos. Jornais e livros passaram a ser consumidos de forma mais intensa, ainda que restritos à boa sociedade, pois a maior parcela da população permanecia distante da cultura letrada e só era atingida indiretamente, por meio das leituras em voz alta nos espaços comuns. Para além dos jornais, que descreviam as novidades políticas, literárias, científicas, preocupando-se com um público mais amplo, deve-se ainda levar em consideração os inúmeros livros publicados pelas diversas tipografias que se instalaram na Corte do Rio de Janeiro, nesses anos do século XIX. Frente à impossibilidade de se dar conta do número total das obras publicadas, optou-se pelo exame de alguns catálogos dos livreiros mais importantes daquele período e pela análise, sobretudo, das obras inseridas nas rubricas de História, Ciências e de Belas Letras. Era o universo dos catálogos que fornecia livros a um público mais aprimorado, apresentando as inúmeras listagens de suas obras em stock, escritas não só em português, como também em outras línguas, como pode ser comprovado através da análise dos catálogos de Paul Martin, Pierre C. Dalbin, impresso em 1820, ou de Jean-Baptiste Bompard, considerado por Hallewell, como o principal livreiro da Corte, entre 1824 e 1827 (1985, 48). No caso de Dalbin, por exemplo, a relação comportava cerca de 170 livros escritos em francês, espanhol, alemão, latim e grego, e incluía obras de religião, gramática, ciências, literatura, biografias e história. No último, encontram-se mais de 4000 obras, escritas em línguas diversas, voltadas, sobretudo, para o estudo das ciências, visando aos leitores que cursavam a Real Academia Militar ou a Escola de Cirurgia, no Rio de Janeiro. Ainda pode ser mencionado o catálogo de Pierre Plancher, publicado em 1827, no jornal

L’Indépendant. A análise desses catálogos reflete as mudanças que ocorreram no gênero das obras publicadas, demonstrando uma tensão entre a tradição e a novidade. Se, durante muito tempo, as obras religiosas, incluindo os livros de teologia, predominaram na lista de vendagem dos livreiros (fossem publicadas no Brasil ou trazidas de Portugal), continuando a ser o “clássico” para a maioria das pessoas da sociedade, ao longo da primeira metade do oitocentos, foram paulatinamente surgindo outros gêneros ligados às novidades científicas e às belas letras. Outra novidade relacionava-se à venda de dicionários – publicados em Portugal ou em língua estrangeira – tanto de cunho enciclopédico quanto aqueles sobre a língua portuguesa. Paralelamente, houve ainda o aumento da publicação de inúmeras obras de belas letras, especialmente, na linha das novelas, contos e romances, embora estes não fossem uma novidade para os habitantes da América portuguesa. Foi, no entanto, com a criação da Impressão Régia, que a circulação dessa literatura de ficção se ampliou (Neves & Villalta, 2008, 9-12). Nesse pequeno e rápido inventário dos distintos domínios da produção do livro, devem-se ainda mencionar os livros jurídicos, as coleções de leis e, por fim, os livros de História. Em meados do oitocentos, concomitante à afirmação do movimento romântico na literatura (c. 1836-1860), ao aparecimento da História Geral de Francisco Adolfo de Varhagen (1854-1857) e à consolidação do Colégio Pedro II (1837) e do IHGB (1838), surgiram algumas obras de caráter histórico, cujo propósito consistia em não só ressuscitar, com fidelidade, o passado do Brasil, mas também em contribuir para a formação da mocidade brasileira, através da inculcação daqueles valores julgados adequados ao futuro. Através da leitura minuciosa destas obras, pode-se verificar a utilização que seus autores fizeram de alguns conceitos-chave elementos fundamentais para a construção da Nação, além de identificar quais eram os indivíduos que, segundo elas, mereciam, ou não, pertencer ao panteão de heróis do mundo luso-brasileiro. Assim, José da Silva Lisboa, em sua História dos Principais Sucessos do Império do Brasil (1826) fazia de D. Pedro, o “Herói do Brasil”, a quem se devia a elevação de seu principado, depois Reino ao predicamento de Império. (v. 1, p. 2). Em 1861, Joaquim Manoel de Macedo, em suas Lições de História do Brasil para uso dos alunos do Imperial Colégio de Pedro II, seguindo a tradição da época, em especial do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que acreditava que os fatos recentes não constituíam tema para a História, levava seu livro até ao evento que transforma em mito fundador do Brasil – a Independência. Nascia, assim, essa entidade mitológica, o Brasil, composto

pelas raças do índio, do negro e do branco, espoliado de suas riquezas pela metrópole. Nesse sentido, o trabalho de Macedo apresentava um objetivo claro: criar uma Nação como uma memória coletiva e idealizada de acontecimentos e personagens excepcionais. Desse modo, por tais narrativas, pode-se caracterizar aquilo que Lucien Febvre (1968, 307-325) definiu como outillage mental de uma época, sob a forma das linguagens políticas, ou dos recursos retóricos, a que esses autores recorriam, a fim de lidar com o fundo comum da bagagem cultural lusa da qual necessariamente partiam. Sem dúvida, o mundo dos livros e dos impressos começava a revelar sua importância junto ao público, funcionando também como ponto de conversas para uma elite intelectual em construção, à medida que se ampliava o mercado editorial e o próprio público leitor. Muitas vezes, essas conversas e debates eram travados em tipografias e livrarias, que passavam a constituir espaços privilegiados na embrionária esfera pública literária (Habermas, 1997, 25-37). Cabe destacar, no entanto, que tais progressos processaram-se muito lentamente. A primeira metade do oitocentos continuava a apresentar, como uma das características de sua vida cultural e política, uma dependência dos homens de letras ao programa da Coroa. Não se produziu, assim, acontecimento algum suficiente para abalar as estruturas profundas dessa sociedade, que pudesse estabelecer uma função diversa para aqueles letrados “num mar de analfabetos” (Carvalho, 1997, 55). Continuaram atrelados ao poder, confundindo-se, inúmeras vezes, com ele. Naquela conjuntura, como já se afirmou viver da pena, ou seja, da venda de seus bens simbólicos (Bourdieu, 1974, 99-110), era um desafio, sendo necessária a procura de benesses e patrocínios do soberano, o que pode ser demonstrado pela perpetuação da prática das dedicatórias ao rei ou a algum político de importância, ainda no período em tela (Chartier, 2000, 182-199.). Essa era uma forma de garantir a inclusão desses letrados numa sociedade de Corte. Tal dependência decorria da ausência de um campo intelectual autônomo, no sentido de P. Bourdieu (1974, 183-202), que se forjara na Europa desde a Ilustração. De início, a Coroa portuguesa e, depois, o Estado Imperial brasileiro assumiram a função de mercado para os bens simbólicos que surgiam, também, como instâncias de consagração para eles. Situação que colocava os membros das elites intelectuais à mercê dos conflitos e lutas que se travavam no interior da própria elite política, nem sempre igualmente ilustrada e, assim, pouca propensa, em alguns momentos, à tolerância em termos intelectuais. *

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As colocações acima permitem, à guisa de conclusão, ressaltar alguns aspectos das práticas políticas e culturais do período analisado. Em primeiro lugar, embora não se disponha de dados concretos, parece evidente a existência de um público consumidor bem superior ao que reconhece a historiografia tradicional. Principalmente, se for levada em consideração não só a existência de livrarias especializadas como também a concorrência dos negócios, o volume de anúncios desses livreiros e os catálogos apresentados. Sem dúvida, era um público formado por uma elite educada, com certeza, sob as Luzes portuguesas, que crescera bastante com a transferência da Corte para a América, mas cuja autonomia intelectual mostra-se bem mais difícil de avaliar. De qualquer forma, fica evidente o papel de negociantes dos livreiros e sua importância nessa atividade, inclusive, por sua associação a outros ramos afins do comércio de livros – loja de papel, de estampas, processo de impressão de livros e tipografias. Em segundo, esses livreiros e impressores contribuíram para a circulação de idéias entre o Brasil e os países do outro lado do Atlântico, indicando a existência dos diversos intercâmbios culturais, ocorridos naquele momento do início do oitocentos. Aqueles homens que “tratavam em livros”, como Bourgeois, Paulo Martin, Saturnino da Veiga, Silva Porto, Bompard e/ou Pierre Plancher, tinham em seus estoques livros especializados para atender a uma clientela “cultivada” da cidade. Em terceiro, pode-se também ressaltar que as livrarias e tipografias, a partir dos anos 20 do oitocentos, com o advento do movimento constitucionalista e da liberdade de imprensa, passaram a ter uma outra atividade – tornaram-se espaços públicos possibilitando que a política ultrapassasse o tradicional espaço institucional do poder – a Corte – e se tornasse realmente pública. Portanto, o livro e o impresso transformaram-se em instrumentos tanto da difusão do saber, quanto da formação de novas sociabilidades. Por fim, pode-se ainda destacar que livreiros, impressores e textos, no período em tela, contribuíram para a formação de novas linguagens políticas, apresentando uma relação íntima com a conjuntura política do país. Os folhetos, panfletos e jornais divulgados e vendidos por esses livreiros a partir de 1821 possibilitaram o conhecimento de conceitos novos, permitindo a formação da opinião pública, que os debates acerca desses impressos propiciaram. Aplainaram, assim, o caminho para o advento dos liberalismos no Brasil. As idéias transformavam-se em mercadoria e se constituíam em ideologia. xviii

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os de jurisprudencia commercial, economia politica, e brazão, estes seguidos da noticia historica abreviada das familias portuguezas a que pertencem: 4.° os nomes de todas as plantas indigenas de Portugal indicando-se o uso d’ellas em

medicina, artes, commercio, etc.: 5.° as etymologias das palavras para mais exacta

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xi CANDIDO, Antônio. Noções de análise histórico-literária. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 80.

xii Para uma discussão sobre o conceito de autor, ver CHARTIER, Roger. “Figuras do Autor”. In: A

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xiii Discurso sobre a Tradução. O Patriota. Jornal Literário, Político, Mercantil. Subscrição n º1, 3, março de 1813, p. 69-78. Citações à p. 76.

xiv Antonio de Morais Silva. Diccionario da Lingua Portuguesa. Lisboa: Tip. Lacerdina, 1813. v. 2, p.

629.

, xvi Jornal Scientifico, Economico e Literario. Rio de Janeiro, Discurso preliminar, 1826, p. iii.

xvii Ibidem. p. IV.

xv Annaes Fluminenses

Rio de Janeiro, 1822, p.19.

xviii Para o conceito de ideologia, ver FURET, F. & OZOUF, J

Trois siècles de métissage culturel.

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