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Apresentação

Estamos cercados de informações de como devemos nos alimentar

e de como devemos alimentar nossos filhos: “isso pode, isso não pode,

isso faz mal, meu filho come desde sempre e nunca teve problema”. São muitas as informações e nem sempre sabemos se são confiáveis. Acreditamos que como mãe ou pai, você não tenha tanto tempo disponível para buscar essas informações, você precisa dar banho, co-

locar para dormir, levar à escola, ao futebol, ainda tem os serviços da

casa, o trabalho, a fila do banco

sobra tempo para pesquisar se esse ou aquele alimento é bom ou não para a saúde do seu filho. Pensando na sua vida atarefada e principalmente na saúde dos pequenos, resolvemos juntar nesse e-book algumas informações bá-

sicas e muitíssimo importantes que vão te ajudar nesse processo. Para

a elaboração desse material, contamos com a ajuda de profissionais de

saúde e estudantes de nutrição. Além da Nutrição em si, abordaremos assuntos que fazem parte desse universo novo que é cuidar de uma criança como os primeiros cuidados com o recém-nascido, com os primeiros dentinhos, depressão pós parto, alimentação para crianças especiais, entre outros. Montamos esse material de linguagem fácil e tentaremos explicar da forma mais simples como algumas escolhas certas podem evitar vários problemas de saúde futuramente. Esperamos que você goste do conteúdo e que de alguma forma consigamos ajudar você e sua família a terem uma vida mais saudável. – Nathieli Lima e Lucas Guimarães.

São tantas coisas que às vezes não

Tìtulo:

Nutrição: da Gestação à Infância

Coordenadores:

Nathieli Lima Lucas Guimarães

Projeto Gráfico, Capa e Diagramação:

Matheus Matos

Designer Gráfico:

Matheus Matos mathr.matos@gmail.com

Revisão:

Samara Fernandes fernandes.samara.unb@gmail.com

ISBN:

978-85-913928-5-8

Editora:

Editora JRG editorajrg.com

Sumário

Sobre os Autores

08

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

14

Nutrientes essenciais para uma gestação saudável

28

Exercício Físico na Gestação: futura mamãe em forma e saudável

34

Gestação de Gemelares

40

Depressão Pós-Parto

45

Primeiros Cuidados ao Berço

50

Os Primeiros 1000 dias

78

Cuidados com a mama e amamentação

91

Importância do aleitamento materno exclusivo

101

Cuidados com os primeiros dentinhos

111

Alimentação em cada fase

120

Alergias e Intolerâncias Alimentares

127

Alimentação para Crianças Especiais

132

Cuidados com a Alimentação da Criança em Tratamento Quimioterápico

143

Receitinhas

156

Sobre os Autores

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Costa Guimarães Nutricionista pela UNIFOR - MG Mestre em Ciências dos Alimentos pela UFLA Pós-graduando em Fitoterapia - AVM Professor da Universidade Paulista - UNIP Campus Brasília Professor da Faculdade Sena Aires Nutricionista ambulatorial na Clínica Simetria - Brasília DF

Deyvid Henrique Costa Medeiros Graduando em Nutrição – cursando o 5° semestre – Universidade Paulista UNIP - DF

Nutrientes essenciais para uma gestação saudável

Mateus Câmara Dias Graduando em Nutrição – cursando o 6° semestre – Universidade Paulista – UNIP

Exercício Físico na Gestação: futura mamãe em forma e saudável

Prof. Dr. Alexandre Gonçalves Fisiologista do Exercício Graduado em Educação Física pela UFU Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília - UnB Pós doutorando em Ciências da Saúde pela UFU

Gestação de Gemelares

Lydiane Guimarães Silva Nutricionista – CRN/1-11328

Depressão Pós-Parto

Adrielly Demschinski Psicóloga pela Faculdades Iesgo – CRP-09/010887

Primeiros Cuidados ao Berço

Paula Frassineti Guimarães de Sá Bacharel em Química pela Universidade de Brasília - UnB Bacharel em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade de Brasília - UnB PhD em Química/Bioquímica pela University of Rhode Island / USA Consultora Técnica e Sócia da Elion Consultoria e Assessoria em Pesquisa Clínica e Desenvolvimento Humano Professora dos cursos de Farmácia, Odontologia, Biomedicina e Enfermagem da UNIP Recentemente aceita com aluna de post-Doc no Departamento de Pós-Gradua- ção da UnB, sob a orientação do prof. Dr. Pedro Sadi Monteiro Mãe de 4 filhos

Os Primeiros 1000 dias

Dra. Ana Marily Soriano Ricardo Gomes - CRM- 13276/DF Graduada na Universidade Federal de Alagoas Residência Médica em Neonatologia no HMIB Responsável Técnica da Clinep Coordenadora médica da Neonatologia da Maternidade Brasília Médica da Secretaria de Saúde do DF

Cuidados com a mama e amamentação

Kelvin de Oliveira Araújo Graduando em Nutrição cursando o 8º semestre - Uniplan

Importância do aleitamento materno exclusivo

Nathieli de Lima Vieira Graduanda em Nutrição cursando o 7º semestre – UNIP - DF

Fórmulas Infantis

Fernanda Ribas Travassos Nutricionista Pelo UniCeub - CRN/1 - 8461 Pós-graduada em nutrição pediátrica, escolar e na adolescência.

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira Miranda Cirurgiã-Dentista – CRO 10.026 Especialista em Ortodontia - Hodos Uningá Brasília - DF

Alimentação em cada fase

Nathieli de Lima Vieira Graduanda em Nutrição cursando 7º semestre – UNIP- DF

Alergias e Intolerâncias Alimentares

Mateus Câmara Dias Graduando em Nutrição – cursando 6° semestre – UNIP DF

Alimentação para Crianças Especiais

Daniel Rodrigues de Almeida Rocha Graduando em Nutrição – cursando o 8º semestre -UNIP DF

Cuidados com a Alimentação da Criança em Tratamento Quimioterápico

Jassanara Taveira Dias Nutricionista CRN/1 - 9805 Especialista em Nutrição Clínica e Terapia Nutricional pelo Ganep Especialista em Nutrição Esportiva Funcional pela VP Especialista em Nutrição Clínica pelo Programa de Residência da SES DF

Receitinhas

Ana Barbosa de Albuquerque Ribeiro. Chefe de cozinha com especialização em administração em cozinha pela Escola Superior de Turismo de Baleares Palma de Mallorca Espanha Estudante de nutrição oitavo semestre UNIP noturno

Como amenizar os sintomas indese- jáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães e Deyvid Costa

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

O bom estado nutricional se obtém através da busca de um es-

tilo de vida saudável, proporcionando saúde, reduzindo a possibili-

dade de ocorrer defeitos do crescimento fetal, reduzindo os riscos no parto e desenvolvimento de doenças crônicas no pós-parto.

O principal fator para uma gestação considerada saudável no

contexto nutricional, é o ganho de peso adequado gerado pelo con-

sumo de uma variedade de alimentos saudáveis, que devem ser consumidos baseados na necessidade de cada gestante, de acordo com as orientações dietéticas.

A utilização de suplementos vitamínicos e minerais deve ser

orientada por um nutricionista, verificando cada caso de acordo com a necessidade individual, priorizando também a utilização

e manuseio seguro dos alimentos.Durante a gravidez, uma boa

nutrição materna é fator essencial para que tanto a mãe quanto o

bebê mantenham o peso adequado. O aumento do peso materno durante a gestação pode influenciar o peso do bebê ao nascer. A criança que nasce com baixo peso, tem tendência a desenvolver obesidade e síndrome metabólica na fase adulta.¹

É muito comum a queixa de sintomas indesejados por mulhe- res no período gestacional. A náusea no primeiro trimestre ocorre pela mudança do ritmo gástrico de onda lenta. As náuseas lenta

e moderada aumentam no jejum, dessa forma, a utilização de re-

feições com predominância de proteínas reduz a náusea e o ritmo gástrico, sendo mais eficaz que a utilização de carboidratos e re- feições gordas e não-calóricas.¹

A pirose (azia) é uma das reclamações mais comuns durante as

últimas semanas da gestação. Esse sintoma é causado pelo refluxo

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

do conteúdo gástrico na porção inferior do esôfago, estimulado de- vido à pressão do útero sobre o estômago, provocando desconforto, azia e mal- estar à mulher.² O tratamento utilizado para amenizar esse sintoma é aumentar o fracionamento das refeições e diminuir as quantidades de alimentos de cada refeição, caso haja necessi- dade, tratamento à base de antiácidos (com indicação médica), evitar alimentos como café, chá preto, doces, alimentos gorduro- sos, álcool, fumo, alimentos picantes que trazem irritabilidade à mucosa gástrica e deitar apenas depois do período de duas horas após a refeição.³ Outro desconforto comum entre as gestantes é o ptialismo (hipersalivação), se trata de um fenômeno precoce na gestação, verificado nos primeiros meses. O aparecimento dos sintomas ocorre entre duas a três semanas com ausência da menstruação, podendo durar até o período do parto e/ou pós-parto. A saliva é produzida em quantidade anormal. A sua causa ainda é incerta, provavelmente, as alterações hormonais desempenham um papel importante. A azia e náusea podem fazer com que as glândulas salivares produzam mais saliva para o revestimento e proteção do esôfago, para que não ocorra irritação da boca e da garganta em decorrência dos vômitos. Deve ser orientado à gestante que este é um sintoma normal no início da gestação, sendo assim, ela deve realizar a deglutição da saliva e tomar líquidos para evitar uma desidratação pela produção excessiva, principalmente em tempos quentes.³ A constipação é um fator fisiológico devido à decorrência do relaxamento da musculatura lisa, diminuindo a contração mus-

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

cular através da ação da progesterona, podendo agravar à medida que a gestação evolui. Durante o período gestacional ocorre uma maior absorção de água pelo intestino grosso, além de aumentar

a lentidão da passagem do bolo fecal favorecendo a constipação.²

A utilização de alimentos ricos em fibras auxilia na motivação in- testinal, favorecendo com que o bolo fecal percorra normalmente no intestino grosso. O ideal é fazer um fracionamento das refeições para melhor absorção de nutrientes.³ O ganho de peso ideal durante a gestação tem sido motivo de debate há décadas, isso ocorre devido ao fato de que a gestação

é um período no qual os cuidados são direcionados, ao mesmo

tempo, à mãe e ao feto. 5 Diversos estudos foram realizados tendo como objetivo reduzir

o ganho de peso excessivo, principalmente nas mulheres com obe-

sidade pré-gestacional, ainda não foram capazes de definir limites seguros de velocidade de ganho de peso durante a gravidez, bem como na perda de peso após o parto. As recomendações nutricionais na obesidade gestacional tam- bém são controversas em relação aos estudos já realizados. De acordo com a American Dietetic Association, recomenda-se uma ingestão calórica extra de 340 kcal no 2º trimestre e de 452 kcal no 3º trimestre, seguindo o guia alimentar americano, a fim de evitar

dietas desbalanceadas e perda de peso.1 Em uma revisão de diversos estudos que tratam do assunto, concluiu-se que as recomendações alimentares, para mulheres com sobrepeso e obesidade gestacional, deve considerar uma ingestão calórica mínima diária de 1.500 kcal. Um adicional de 100 kcal/dia é geralmente suficiente, podendo

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

este aumentar para 200 kcal/dia ao final da gestação, sendo re- comendado a restrição de carboidratos simples (açúcares, doces,

farinhas brancas, etc.) e mantendo o consumo de frutas, verduras e carboidratos integrais, realizando as três refeições principais no dia (café da manhã, almoço e jantar), além de um ou dois lanches entre as refeições principais. A fonte de proteína pode vir da carne (preferencialmente carnes magras) e dos laticínios. O consumo de manteigas e óleos vegetais deve ser restrito e é recomendada a suplementação vitamínica, principalmente de ácido fólico. 6

O sobrepeso e a obesidade são agravos crescentes na população

mundial, tendo como consequência, o desenvolvimento de diversas

patologias. No Brasil, a elevação da prevalência de sobrepeso e obesi- dade já é observada desde meados da década de 70. 9, 7 Nas mulheres com 20 anos ou mais a prevalência de obesidade é maior do que nos homens e mais frequente naquelas com baixa ren- da. 9 Em um estudo realizado com mulheres não-obesas nos Estados Unidos, verificou-se que aquelas que tiveram ou planejavam ter filhos eram de 3 a 4 vezes mais propensas a tornarem-se obesas em 5 cinco anos, do que as que não tiveram ou não planejavam ter filhos. 7

A obesidade materna está associada a diversos desfechos ne-

gativos na gestação, dentre eles a pré-eclâmpsia, hipertensão na gestação, diabetes gestacional, a indução do parto, cesarianas, nati- morto, morte perinatal, macrossomia, pré-termo, anomalias congê- nitas, risco de obesidade da criança e desenvolvimento de diabetes tipo 2. 10, 11, 12 Assim como as gestantes que iniciam a gravidez obesas, aquelas com sobrepeso têm risco aumentado para complicações na gestação. 13 Mesmo as que iniciam a gestação eutróficas, quan-

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

do ganham peso além do recomendado, podem apresentar riscos semelhantes aos observados nas obesas e nas com sobrepeso. 14, 15 Durante a gestação as necessidades nutricionais mater- nas aumentam, para suprir a demanda da mãe e do feto, e o ganho de peso gestacional é resultado de complexas e im- portantes alterações fisiológicas, como o aumento do volu- me sanguíneo, de células vermelhas, rendimento cardíaco, água corporal, taxa de filtração glomerular e diminuição da motilidade gastrointestinal. 16, 17 Com o objetivo de adaptar-se às modificações fisiológicas da gestação, principalmente as que geram uma modificação no peso, o organismo materno distribui o peso adquirido em diferentes re- giões do corpo, conforme descrito na Gravura 1.

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

o peso adequado na gestação Lucas Guimarães, Deyvid Costa Gravura 1 – fonte: Google, com adaptações.

Gravura 1 – fonte: Google, com adaptações.

Apesar de ser cientificamente comprovado o aumento das ne- cessidades maternas durante a gestação, de forma alguma deve ser adotado na alimentação o dito popular de “comer por dois”, visto que essa conduta pode aumentar significativamente o peso, tra- zendo agravos tanto para a saúde materna quanto fetal. É evidente que haverá um aumento no consumo alimentar durante o período gestacional e consequentemente um aumento no consumo total de quilocalorias diárias, porém se faz necessário um acompanha- mento nutricional eficaz no pré-natal para adequação do adicional de quilocalorias a serem consumidas durante esse período, visto que esse adicional durante a gestação, não ultrapassa 500 kcal. Baseado nisso, a FAO/WHO recomenda que as gestantes eutrófi- cas tenham um acréscimo no consumo energético de 360 kcal/dia

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

no segundo trimestre e de 475 kcal/dia no terceiro trimestre. Nas gestantes desnutridas deve haver um acréscimo energético desde o primeiro trimestre de 360 kcal/dia. 18 O ganho de peso adequado de acordo com a recomendação do IOM (2009) representado na Figura 1, é associado com o bom estado de saúde da mãe e do bebê durante a gestação e após o parto. 19

mãe e do bebê durante a gestação e após o parto. 1 9 Figura 2 -

Figura 2 - Recomendação de ganho ponderal segundo as faixas de IMC no início da gestação (20,21,22)

Com o objetivo de orientar as gestantes para o consumo de ali- mentos saudáveis, bem como manterem o ganho de peso adequa- do, o Ministério da Saúde, publicou, em 2011, os dez passos para alimentação saudável na gestação:

1. Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia, evitando ficar mais de três horas sem comer. Entre as refeições, beba água, pelo menos 2 litros. 2. Inclua diariamente nas refeições alimentos do grupo de ce-

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Lucas Guimarães, Deyvid Costa

reais (arroz, milho, pães e alimentos feitos com farinha de trigo

e milho), tubérculos, como as batatas, e raízes, como a mandioca

– também conhecida como macaxeira, aipim. Dê preferência aos

alimentos na sua forma mais natural, pois são boas fontes de fi-

bras, vitaminas e minerais.

3. Procure consumir diariamente pelo menos três porções de le-

gumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches. Não se esqueça do feijão com

arroz. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de pro- teínas e excelente para a saúde.

5. Consuma diariamente leite e derivados e carnes, aves, peixes ou

ovos. Retire a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação, tornando esses alimentos mais saudáveis.

6. Diminua o consumo de gorduras. Fique atenta aos rótulos dos

alimentos e prefira aqueles livres de gorduras trans.

7. Evite refrigerantes e sucos industrializados, biscoitos rechea-

dos e outras guloseimas no seu dia-a-dia. 8. Diminua a quantidade de sal na comida. Evite consumir ali- mentos industrializados com muito sal (sódio) como hambúrguer, charque, salsicha, linguiça, presunto, salgadinhos, conservas de vegetais, sopas prontas, molhos e temperos prontos. 9. Evite o fumo e o consumo de álcool, pois prejudicam a

sua saúde, o crescimento do feto e aumentam o risco de nascimento prematuro. 10. Pratique, seguindo orientação de um profissional de saúde, al- guma atividade física. A alimentação saudável, a atividade física

e a prática corporal regular são aliadas fundamentais no controle

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

do peso, redução do risco de doenças e melhoria da qualidade de vida. Torne o seu dia-a-dia mais ativo sempre com a orientação do profissional da saúde.

A gordura saturada é encontrada predominantemente nos

produtos de origem animal (manteiga, banha, toucinho e carnes e seus derivados, leite e laticínios integrais), embora alguns óleos vegetais sejam ricos nesse tipo de gordura (óleo de côco). 23 Porém, as principais fontes de ácidos graxos trans são encontrados em alimentos industrializados como: gorduras vegetais hidrogenadas, margarinas sólidas ou cremosas, cremes vegetais, biscoitos e bola- chas, sorvetes cremosos, pães, batatas fritas comerciais preparadas em fast food, pastéis, bolos, tortas, massas, dentre outros que con- tenham gordura vegetal hidrogenada entre seus ingredientes. 25,26,27

O açúcar deve ser consumido com muita moderação, devido

às evidências da associação entre açúcares, cárie dentária e obe- sidade. A Organização Mundial da Saúde recomenda que o con- sumo de açúcares na dieta não exceda os 10% do valor energético total. 28 Aumente o consumo de frutas, verduras e legumes, pois são alimentos pobres em gorduras e açúcares, porém, ricos em densi- dade energética, além de terem alta concentração de água e fibras dietéticas, contribuindo para aumentar a saciedade e reduzir a ingestão de alimentos. 29

O consumo de fibras é de extrema importância na gestação e

no pós-parto, pois ajuda no controle do peso, diminui o risco de diabetes e doenças coronarianas, reduz a constipação, o risco de pré-eclâmpsia e promove uma alimentação rica em nutrientes e

com baixa densidade energética. 30, 24

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

• Referências

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

1. J Am Diet Assoc. Nutrition and Lifestyle for a Healthy Pregnan-

cy Outcome, 2008.

2. Rezende, C. L. Qualidade de vida das gestantes de alto ris-

co em centro de atendimento à mulher do município de dourados, 2012.

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melhor cuidar no pré-natal, 2012.

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partamento de Atenção Básica. Obesidade / Ministério da Saúde,

Como amenizar os sintomas indesejáveis e manter o peso adequado na gestação

Lucas Guimarães, Deyvid Costa

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Nutrientes esseciais para manutenção da saúde mãe e filho

Mateus Câmara

Nutrientes essenciais para manutenção da saúde mãe e filho

Mateus Câmara

O estado nutricional da mãe reflete na saúde do seu filho, isso é visto em mães que procuram um nutricionista para ade- quar sua alimentação antes da gravidez. A procura de uma ali- mentação saudável orientada é capaz de reduzir significati- vamente a chance da mãe desenvolver doenças hipertensivas, diabetes gestacional e obesidade, ao passo que, para o bebê, re- duz o risco de doenças crônicas não transmissíveis como dia- betes, hipertensão, dislipidemia no decorrer de sua vida. Nes- te capítulo serão abordados todos os nutrientes essenciais para uma gestação saudável. A cultura popular de acreditar que na gestação “come-se por 2“ dizendo que a gestante necessita de uma grande quantidade em calorias ainda é muito comum, porém não é verdade. O aumento calórico de uma gestante para uma não-gestante é da ordem de 100kcal a 180kcal, ou seja, não é um aumento muito grande se comparado ao indivíduo normal, porém o que realmente muda são as quantidades de alguns nutrientes específicos usados para o desenvolvimento adequado do bebê. É preciso sempre atentar-se para a qualidade do alimento em valor nutritivo e não em valor calórico, pois raramente alimentos saudáveis ou naturais terão uma alta quantidade de calorias. Além disso, os alimentos indus- trializados possuem uma quantidade mínima de nutrientes em comparação ao valor calórico. As proteínas são de fundamental importância na gestação, pois são elas que vão manter a estrutura muscular da gestante bem como construir as estruturas proteicas do bebê. A baixa ingestão de proteína pode levar a síndrome hipertensiva conhecida como

Nutrientes essenciais para manutenção da saúde mãe e filho

Mateus Câmara

pré-eclâmpsia. Exemplos de fontes destes alimentos são os peixes como sardinha, tilápia, atum, que além de serem ricos em proteí- nas, têm uma boa absorção. Nestes é possível encontrar um nu- triente chamado ácido docosaexaenoico (DHA), que exerce função

de desenvolver o cérebro e a parte cognitiva do bebê, outras ótimas fontes são o ovo de galinha, o frango e a carne vermelha magra. Muitas gestantes fazem o uso de dietas restritivas para per- da de peso durante a gestação, isso é muito perigoso, visto que

o principal nutriente restringido nesse tipo de dieta é o carboi-

drato, a restrição deste pode levar a prematuridade, tal qual re-

duzir a ingestão de nutrientes que encontramos nos alimentos que possuem carboidratos, a gestante deve se atentar ao tipo

de carboidrato ingerido, reduzir a ingestão de doces, açúcares

e de alimentos processados que contém pouca quantidade de

alimento, porém alta quantidade de carboidrato. Os melhores carboidratos para serem ingeridos são os tubércu- los, como a batata doce, a mandioca, o inhame, o cará e o arroz inte- gral, pois eles possuem uma maior quantidade de fibras reduzindo assim a velocidade em que o açúcar chega ao sangue. Não podemos deixar de lado as frutas como a maçã, pêra, laranja, pois além de ri- cas em vitaminas e minerais, possuem fibras que ajudam na regula- ção do intestino e auxiliam na nutrição das bactérias benéficas que

vivem no intestino. As gorduras não podem ser restringidas, pois nelas além de encontrarmos vitaminas especificas, também ajudam na absorção das mesmas. As gorduras são fontes de ácidos graxos ômega 3, 6 e 9, sendo o ácido graxo ômega 3, encontrado nos peixes e óleos, essencial no desenvolvimento cerebral do bebê.

Nutrientes essenciais para manutenção da saúde mãe e filho

Mateus Câmara

Em relação a vitaminas nós temos duas classes: as lipossolú- veis que são as vitaminas A, D, E, K e as vitaminas hidrossolú- veis que são do complexo B e a vitamina C. Todas essas têm fun- ções distintas, porém primordiais no desenvolvimento do feto, bem como da manutenção do estado nutricional da mãe. As vi- taminas lipossolúveis são melhores absorvidas quando ingeridas juntamente com uma fonte de gordura, como os óleos, e é possí- vel encontrar estes nutrientes nas hortaliças verdes escuras, de cor laranja e vermelha, que possuem vitamina A, vitamina E e é encontrada nos azeites e em castanhas. Já as vitaminas hidrossolúveis são facilmente encontradas em frutas como laranja, maçã, melancia, tomate, pêra e também em diversas hortaliças como rúcula, espinafre, brócolis e couve flor, por exemplo. Gestantes devem dar uma atenção maior para algu- mas vitaminas, como a vitamina A e a vitamina B9 ou ácido fólico, pois estas agem na formação dos órgãos do bebê, a vitamina A atua na formação do sistema imunológico do bebê, já a vitamina B9 atua na formação do sistema nervoso, durante a gestação a sua necessidade aumenta, a deficiência pode causar má formação do sistema nervoso, bem como anemia. As fontes proteicas são também ricas em um mineral chama- do ferro, este tem papel fundamental na prevenção de anemias e como consequência previne o baixo peso de recém-nascidos, mas não para por aí, o ferro desempenha função de desenvolver a ca- pacidade cognitiva do bebê, desenvolvimento físico e cerebral, tor- nando-se um nutriente de extrema atenção a todas as gestantes. Para prevenir a anemia por falta de ferro, denominada anemia fer-

Nutrientes essenciais para manutenção da saúde mãe e filho

Mateus Câmara

ropriva, a gestante deve alimentar-se de quantidades adequadas de proteínas principalmente de origem animal, como a carne vermelha, juntamente com uma boa ingestão de alimentos ricos em vitamina C, os alimentos cítricos são ricos neste nutriente, a vitamina C atua melhorando a absorção do ferro. O assunto sobre nutrição na gestação não se esgota apenas nes- te capítulo, uma gestação saudável, tanto para o bebê, como para a gestante, deve ser acompanhada por um nutricionista, para ade- quar as quantidades nutricionais em relação a sua característica, determinando suas quantidades nutricionais, com isso trazendo apenas benefícios para sua saúde principalmente após o parto, fa- cilitando o reestabelecimento da sua forma física após a gravidez, visto que alimentação saudável e qualidade de vida andam juntas, por isso devem ser continuadas pelo resto da vida.

• Referências

1. BÁRBARA C.A, SARAIVA, et al. Iron deficiency and anemia are associated with low retional levels in children aged 1 to 5 years. Jornal de pedriatria. v.90 p.593, 2014. 2. ERIN E QUANN, Victor L Fulgoni and Nancy Auestad. Consu- ming the daily recommended amounts of dairy products would reduce the prevalence of inadequate micronutriente intake in the United States: diet modelling study based on NHANES 2007-2010. Journal clinical nutrition v.29 p.32-41, 2016. 3. SILVA, Luciane Valente, et al. Micronutrientes na gesta- ção e lactação. Revista brasileira de saúde materno infantil.

Nutrientes essenciais para manutenção da saúde mãe e filho

Mateus Câmara

v.7, p.237-244, 2007. 4. SIMPSON, JL et al. Micronutrients and women of reproductive potential: required dietary intake and aconsequences of dietary dificiency or excess. Part I – folate, vitamin b12, vitaminb6. v.21, n.12, p.1323-1343, 2010. 5. TRUMBO, Paula, et al. Dietary reference intakes for energy, car- bohydrate, fiber, fat, fatty acids, cholesterol, protein and amino acids. Journ of the american dietetic association. v.102, n.11, 2002.

Exercício físico na gestação: futura mamãe em forma e saudável

Alexandre Gonçalves

Exercício físico na gestação: futura mamãe em forma e saudável

• Orientações Iniciais

Alexandre Gonçalves

Segundo posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, exercícios físicos para gestantes são reco- mendados, desde que haja completa ausência de anormalidade, de acordo com avaliação médica especializada. Devido às dificuldades de realização de pesquisas científicas com mulheres grávidas (por razões éticas), preconiza-se que a fu- tura mãe deva realizar atividades leves a moderadas, em que o batimento cardíaco não ultrapasse o limite de 120 batimentos por minuto (bpm) para mãe sedentária ou até 140 bpm para a mãe que se encontrava com prática regular de atividade física antes da gravidez. Esta intensidade garante um melhor aporte de oxigena- ção ao feto, uma vez que se tem aumento do fluxo sanguíneo para todo o corpo sem que haja diminuição de fluxo na região uterina. Exercícios que ultrapassem essas recomendações podem ocasionar menor fluxo de sangue no útero, e consequentemente, sofrimento fetal e riscos à gestação. Outro fator que poderá levar o feto ao sofrimento é a elevação excessiva da temperatura corporal da gestante. Assim, recomenda- -se que a prática de exercícios físicos seja realizada em ambiente bastante arejado, que se mantenha hidratada e evite os horários de pico de calor ao longo do dia. Assim, tomados os devidos cuidados, a adoção da prática regular de exercícios físicos no período pré-natal poderá auxiliar na preven- ção de algumas doenças como hipertensão arterial sistêmica (HAS), obesidade materna, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, dentre outras.

Exercício físico na gestação: futura mamãe em forma e saudável

• Que exercícios praticar?

Alexandre Gonçalves

Exercícios aeróbios de intensidades moderadas são os mais in- dicados. Entre eles destacamos: caminhada, natação e hidroginás-

tica. Contudo, exercícios de força para tonificação da musculatura também podem ser incrementados ao programa da grávida, desde que tomados os devidos cuidados quanto à postura a ser adotada e a intensidade das cargas, que devem ser ajustadas à condição individual de cada mulher. Também são sugeridos exercícios de alongamentos para aliviar

as tensões sobre a coluna vertebral, provocadas pelo crescimento da

barriga e pela mudança do centro de gravidade do corpo da gestante.

Além disso, estes exercícios têm a função de preparar a musculatura específica para o parto, de preferência, natural. Atualmente, outras modalidades de exercícios também podem ser consideradas pela gestante, como yoga e pilates.

O importante na prática de exercício físico é a regularidade.

Assim, a gestante deve procurar uma modalidade que lhe pro-

porcione mais prazer e dessa forma terá maior aderência ao programa de exercício.

• O bom senso deve predominar

Apesar de exercícios para gestantes saudáveis serem recomen-

dados e muito benéficos, alguns alertas são importantes. Primeiro

de tudo é fundamental que os exercícios sejam acompanhados por

um Profissional de Educação Física devidamente habilitado. Este

Exercício físico na gestação: futura mamãe em forma e saudável

Alexandre Gonçalves

profissional irá elaborar um programa de exercícios mais coerente com as características individuais, tanto físicas quanto clínicas, da gestante, fazendo com que a futura mamãe tenha toda a segurança necessária ao se exercitar. Deve-se destacar, que entre outras coisas, a importância do cuidado com a escolha do tipo de exercício, volume (quantidade) e intensidade (esforço que a gestante irá ter que realizar), pois, a grá- vida desenvolve maior instabilidade articular devido ao aumento da expressão do hormônio relaxina, o qual age sobre os ligamentos, deixando-os mais frouxos, tornando a mulher mais susceptível a lesões articulares. Assim, um programa de exercício físico bem orientado por um profissional de educação física especializado irá proporcionar, com certeza, à futura mamãe, uma gestação mais tranquila e com maior qualidade para ela e o filho. Portanto, para elaboração de programas de exercícios físicos durante a gestação, vale a velha máxima: “bom senso não faz mal a ninguém”. Ressaltamos isto porque o período da gravidez não é momento de iniciar treinamento físico vigoroso. Neste momento da vida da mulher, os exercícios físicos deverão ter como objetivo proporcionar um melhor bem-estar para a mãe e seu futuro bebê.

• Recomendações gerais para realização de um programa de exercícios para gestantes

Aqui fazemos um resumo das principais recomendações a fu- tura mamãe realizar seu programa de exercício com segurança:

Exercício físico na gestação: futura mamãe em forma e saudável

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Obter liberação médica antes de iniciar os exercícios;

Procurar um profissional de educação física especializado para elaborar e acompanhar o programa de exercícios;

O programa de exercícios deverá considerar a individualidade da gestante;

O programa de exercícios deverá ter componentes aeróbio, de tonifi- cação, flexibilidade leve, pré-natais específicos e de respiração;

A intensidade deve ser prescrita individualmente, considerando o histórico prévio da grávida quanto a prática de exercícios;

Evitar aumentos excessivos da temperatura corporal;

Cuidados com a postura. Deve-se evitar a posição de decúbito dorsal, principalmente no último trimestre de gestação;

Manter a hidratação antes, durante e após a sessão de exercícios;

Evitar exercícios se estiver manifestando sinais de cansaço;

Diante de qualquer anormalidade, interrompa o programa de exercícios e procure seu médico imediatamente.

• Referências

1. CHAVES, Neto H. Sá RAM. Obstetrícia Básica. 2 ed. São Paulo:

Atheneu, 2007. 2. CORREA, HPC. Dias AC, Fasolo E, Albergaria MB, Dantas EHM.

Análise do comportamento da coluna lombar no ciclo grávido puer- peral. Fitness & Performance Journal 2003; 2(2): 83-89.

3. MONTENEGRO, CAB, Rezende Filho J. Obstetrícia Fundamen-

tal. 11 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. NEVES, C. Medina JL, Delgado JL. Alterações endócrina e imuno

Exercício físico na gestação: futura mamãe em forma e saudável

Alexandre Gonçalves

modulações na gravidez. Arq Med 2007; 21(5/6):175-82. 4. VELLOSO, EPP., Reis ZSN, Pereira MLK, Pereira AK. Resposta ma- terno fetal resultante da prática de exercício físico durante a gravi- dez: uma revisão sistemática. Rev Med Minas Gerais 2015; 25(1): 93-99. 5. WOLFE LA, Weissgerber TL. Clinical physiology of exercise in preg- nancy: a literature review. J Obstet Gynaecol Can. 2003; 25(6):473-83. 6. ZAVORSKY, GS. Longo LD. Exercise guidelines in pregnancy:

new perspectives. Sports Med. 2011; 41(5):345-60.

Gestação gemelar/ Prenhez múltipla

Lydiane Guimarães

Gestação gemelar/ Prenhez múltipla

Lydiane Guimarães

A presença simultânea de dois ou mais conceptos constitui a ges- tação múltipla, classificada em dupla ou gemelar, tripla, quadrupla e assim sucessivamente. Existe uma maior incidência de gestações gemelares ao redor do mundo devido ao uso de medicamentos indu- tores de ovulação, também decorrente das técnicas de reprodução assistida e pela idade avançada materna.

A gestação múltipla pode ser univitelina, monozigótica, re-

sultado da fertilização de um único óvulo dividindo-se o zigoto

antes ou depois da implantação no útero. Nesse caso os gêmeos tem o mesmo genótipo, ou seja, o sexo é obrigatoriamente o

mesmo, o grupo sanguíneo, as características físicas e as tendên- cias patológicas também. Na gestação monozigótica, segundo as evidências, dobra sua incidência com a utilização de indutores da ovulação, e são mais raras. Gestações dizigóticas ou bivitelinos são resultantes da fe- cundação de dois óvulos e a placentação é necessariamente dicoriônica (duas placentas), os gêmeos podem ser ou não do mesmo sexo, e não apresentam semelhança genética. A inci- dência dos bivitelinos varia com a etnia, sendo maior entre os nigerianos, menor entre os asiáticos e é mais comum entre as mulheres mais velhas de 35 – 40 anos.

O primeiro sinal para o início de uma suspeita de gestação

gemelar é o tamanho uterino aumentado para idade gestacio- nal. O exame de ultrassom pode confirmar, sendo feito entre 6 e 9 semanas onde já é possível a discreta distinção de um ou mais sacos gestacionais, podendo ser também confirmada com ausculta dos batimentos cardíacos.

Gestação gemelar/ Prenhez múltipla

Lydiane Guimarães

Durante a gestação a mulher está em atividade metabóli- ca alta, portanto, uma alimentação equilibrada vai garantir o aporte nutricional adequado para um bom desenvolvimento do bebê, assegurando também as reservas necessárias para o momento do parto e do pós-parto, além da lactação. É importante destacar que em uma gestação múltipla as ne- cessidades são maiores. O volume sanguíneo materno aumenta cerca de 50% a 60% contra 40% a 50% nas gestações únicas, o que resulta na diminuição dos níveis de hemoglobina, glicose, albumina, proteínas e algumas vitaminas. Com essa demanda aumentada e por alguns outros fatores

existem complicações mais frequências em gestações gemelares, como a prematuridade, que é o nascimento antes da 37ª semana,

a

anemia materna proveniente de uma maior demanda de ferro

e

ácido fólico, por isso a necessidade de suplementação e acom-

panhamento periódico principalmente no início da gestação. Outras complicações são êmese e hiperêmese gravídica, esses enjoos e episódios de vômito são mais comuns até a 20ª semana de gestação, quadros constipação intensa, CIR – Cres- cimento intrauterino restrito, dispneia (falta de ar), edema (in- chaço), polidramnia (aumento do líquido amniótico) algumas estratégias nutricionais podem trazer alívio ou prevenir alguma

dessas complicações.

Gestação gemelar/ Prenhez múltipla

Lydiane Guimarães

Gestação gemelar/ Prenhez múltipla Lydiane Guimarães 43 Nutrição da gestação à infância

Gestação gemelar/ Prenhez múltipla

Lydiane Guimarães

Nas gestações gemelares as demandas energéticas são maiores, principalmente a partir da 20ª semana, por isso existe a indicação

de aumentar em 150kcal em cima do cálculo da necessidade de uma gestação única. Entretanto, é de extrema importância ressaltar que

o profissional nutricionista precisa avaliar a gestante para analisar

a conduta individualmente, o ganho de peso deve ser acompanha- do, assim como a qualidade dos alimentos consumidos, pois ficar muito abaixo ou acima do peso indicado pode trazer sérios riscos

a saúde da mãe e da criança.

Referências

1. KRAUSE, M. MAHAN, LK. Alimentos, nutrição e dietoterapia.

São Paulo: Ed. Rosca, 13ª ed, 2013. 2. MONTENEGRO, C.A.B., FILHO, J.R. Obstetrícia Fundamental. Rio de Janeiro, 11ª ed. Guanabara Koogan 2008.

3. NEME, B. Obstetrícia Básica. São Paulo: Ed. Sarvier, 3ª ed. 2005.

4. OMS. Diretriz: Suplementação diária de ferro e ácido fólico em

gestantes. Genebra: Organização Mundial da Saúde; 2013.

5. VITOLO, M.R. Nutrição da gestação ao envelhecimento. Rio de

Janeiro: Ed. Rubio. 2ª ed. 2014.

Depressão pós-parto

Adrielly Demschinski

Depressão pós-parto

Adrielly Demschinski

Depressão pós-parto Adrielly Demschinski Fonte: http://alomae.prefeitura.sp.gov.br/o-que-e-depressao-pos-parto/ • O

Fonte: http://alomae.prefeitura.sp.gov.br/o-que-e-depressao-pos-parto/

• O que é Depressão Pós-Parto?

Muitas vezes a mulher acontece de ter, mas não é identificado ou visto como um problema que precisa de um cuidado especial. A depressão pós-parto (DPP) atinge cerca de 15% das mulheres após terem dado à luz. Durante os primeiros dias após o parto e de ama- mentação é o período onde surgem os sintomas.

Trata-se de um distúrbio de humor que pode ser moderado ou severo. Muito semelhante à situação de depressão. Após o parto, a realidade de agora ser mãe e responsável por uma crian- ça, passa a preocupar a mulher de modo exagerado ou fazer com que esta tenha compulsão por determinadas coisas. Sentimento de tristeza, de desamparo, de angústia, de insatisfação, chorar com frequência, desinteresse sexual, alterações alimentares e no sono são alguns sintomas. Pode acontecer também de ter

Depressão pós-parto

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desejos ruins sobre a criança, pensamentos agressivos, mesmo amando seu filho, sente desejo de beliscá-lo, abandoná-lo ou deixa-lo cair. Tudo isso também gera na mãe uma grande tris- teza, insatisfação, irritabilidade e fragilidade emocional, pois há o sentimento de culpa por ter desejos ruins sobre seu filho. Não há uma causa fixa a respeito do que causa a DPP, são vários fatores envolvidos, entre eles mudança física vinda da gravidez e do parto, fatores emocionais, estilo de vida, falta de apoio familiar, abandono, histórico de depressão. Os profissionais especialistas que podem diagnosticar uma depressão pós-parto são: Psicólogo. Psiquiatra, Endocrinologista e Ginecologista e Obstetra.

Psiquiatra, Endocrinologista e Ginecologista e Obstetra. Fonte:

Fonte: https://temosquefalarsobreisso.wordpress.com/2015/10/20/sinto-que-meu-filho-me-rejeita/

• Consequências futuras na criança

Há um grande número de pesquisas que mostram o quanto a depressão pós-parto está ligada aos problemas cognitivos e socioe- mocionais em crianças. De acordo com a duração da DPP, a afetivi-

Depressão pós-parto

Adrielly Demschinski

dade e cuidados à criança são afetados, gerando assim um prejuízo no desenvolvimento cognitivo e social nos primeiros anos da criança.

Pesquisas apontam uma grande associação entre a depres- são pós-parto e problemas futuros de desenvolvimento, trans- tornos de conduta, comprometimento da saúde física, inse- gurança e também episódios depressivos. Há também efeitos sobre a criança em seu desenvolvimento cognitivo, problemas com a linguagem e atenção.

• Cuidados e tratamentos

Segundo Schmidt (2005), o reconhecimento do estado de- pressivo é o primeiro passo para uma intervenção. Assim que a mãe assume sua situação e admite que precisa de auxí- lio, o trabalho feito pelo profissional torna-se bem mais fácil. Quando mais cedo for identificado, menos o relacionamento mãe-bebê é prejudicado.

Normalmente os antidepressivos são os mais utilizados no tratamento a depressão pós-parto. Para que seja evitada uma recaída ou retorno dos sintomas, o médico pode passar o remé- dio por até um ano. Nos casos em que as crises se prolongam, o tratamento pode levar anos. Com um acompanhamento psicológico vinculado ao trata- mento medicamentoso, é possível recuperar-se da depressão pós-parto em pouco tempo e tendo um resultado positivo.

Depressão pós-parto

• Referências

Adrielly Demschinski

1. ALMEIDA, Natália Maria de Castro, & Arrais, Alessandra da Ro-

cha. (2016). O Pré-Natal Psicológico como Programa de Prevenção

à Depressão Pós-Parto. Psicologia: Ciência e Profissão, 36(4), 847 863. https://dx.doi.org/10.1590/1982-3703001382014

2. CARLESSO, Janaína Pereira Pretto, Souza, Ana Paula Ramos de,

& Moraes, Anaelena Bragança de. (2014). Análise da relação entre

depressão materna e indicadores clínicos de risco para o desen- volvimento infantil. Revista CEFAC, 16(2), 500-510. https://dx.doi.

org/10.1590/1982-0216201418812

3. BROCCHI, Beatriz Servilha, Bussab, Vera Silvia Raad, & David,

Vinícius. (2015). Depressão pós-parto e habilidades pragmáticas:

comparação entre gêneros de uma população brasileira de baixa renda. Audiology - Communication Research, 20(3), 262-268. ht-

tps://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-ACR-2015-1538

4. MORAIS, Maria de Lima Salum e, Fonseca, Luiz Augusto Mar-

condes, David, Vinicius Frayze, Viegas, Lia Matos, & Otta, Emma. (2015). Fatores psicossociais e sociodemográficos associados à de- pressão pós-parto: Um estudo em hospitais público e privado da cidade de São Paulo, Brasil. Estudos de Psicologia (Natal), 20(1), 40-49. https://dx.doi.org/10.5935/1678-4669.20150006

5. SCHMIDT, Eluisa Bordin; PICCOLOTO, Neri Maurício e MULLER,

Marisa Campio. Depressão pós-parto: fatores de risco e repercus- sões no desenvolvimento infantil. PsicoUSF [online]. 2005, vol.10, n.1, pp. 61-68. ISSN 1413-8271.

Os Primeiros Cuidados ao Berço

Paula Frassineti

Os Primeiros Cuidados ao Berço

Paula Frassineti

“Amar é um cuidar que se ganha em se perder.” Luís de Camões

O cuidado dispensado a crianças no primeiro ano de vida é fun- damental para o desenvolvimento do pequeno organismo que, após um curto período de adaptação às condições de vida extrauterina, precisa desenvolver capacidades fundamentais para a sua sobre- vivência e desenvolvimento nas etapas subsequentes. Ao mesmo tempo, é nesse período que se estabelecem vínculos afetivos e o fortalecimento de laços que se perpetuarão e refletirão no desen- volvimento emocional e cognitivo ao longo de toda a vida. De forma impressionante, no primeiro ano de vida, o bebê tem, normalmente, o seu peso triplicado e a sua estatura duplicada. É o que denominamos crescimento somático. Contudo, cada tecido e cada órgão tem velocidades distintas de crescimento e maturação. Sendo assim, observamos nos bebês o crescimento neural, reproduti- vo e linfoide. Harmoniosamente os quatro processos de crescimento se desenvolvem na medida exata e de forma coordenada, tornando o indivíduo apto para as respostas fisiológicas, que irão auxiliá- -lo na sua sobrevivência. Essas somente se aprimorarão nas fases subsequentes do desenvolvimento. Dessa forma, ao final de um ano, os bebês são capazes de segu- rar objetos, reconhecer pessoas, mastigarem alimentos, balbuciar frases, sentarem sem a ajuda de terceiros e se deslocarem dentro do ambiente em que se encontram, quer seja engatinhando, quer seja se segurando em diferentes objetos presentes no ambiente. A figura 1 apresenta, de forma resumida, as expectativas de desen-

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volvimento físico estabelecidos para os primeiros 12 meses de vida.

físico estabelecidos para os primeiros 12 meses de vida. Figura 1: Representação das etapas de desenvolvimento

Figura 1: Representação das etapas de desenvolvimento observadas nos primeiros. (Adaptado de http://www.momjunction.com/articles/simple-tips-to-nurture-faster-ba- by-boy- growth_0082300/#gref)

A manutenção da saúde de bebês é o reflexo do estabelecimento de uma rotina de cuidados adequados e da provisão de um ambien- te propício ao desenvolvimento das aptidões estabelecidas para a idade. Ela é uma tarefa que exige de pais e cuidadores uma atenção diferenciada e o conhecimento de algumas estratégias básicas que au- xiliam em rotinas de cuidado. Sendo assim, o presente capítulo foi or- ganizado considerando, de forma resumida, os principais cuidados a serem dispensados aos bebês nas diferentes etapas do desenvolvimento observadas no primeiro ano de vida. Antes do nascimento, a vida do feto depende exclusivamen- te do organismo da mãe. Contudo, logo nas primeiras horas após o

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nascimento, o organismo do recém-nascido (RN) adapta as suas respostas fisiológicas para que seja garantida a sua viabilidade sem o auxílio da placenta. As adaptações imediatas dessa fase são as respiratórias (distribuição de oxigênio para todas as células), cir- culatória (distribuição do sangue para todos os tecidos) e térmica (controle da temperatura corporal). Cabe ressaltar que, para a grande parte dos RN, esse processo de transição ocorre sem maiores intercorrências e antes de 24 horas eles são conduzidos aos quartos ou enfermarias de suas mães, as quais tam- bém estão vivenciando um processo de adaptação imposto pela nova condição da maternidade. Dentro do ambiente hospitalar, a segurança de se estar próxima a uma equipe multiprofissional que a assiste nas necessidades iniciais, favorecem a autoconfiança. Para tal, é fundamen- tal que a mãe se sinta confortável de conversar com os profissionais de saúde que ali se encontram (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas) e que esses sejam capazes de tranquilizá-la e auxiliá-la nesse período de transição para que, após a alta, ela possa prover ao RN os cuidados adequados.

• O primeiro desafio: o estabelecimento da amamentação

É consenso que o aleitamento materno (AM) consiste no modo mais natural e seguro de alimentação para crianças de até dois anos. Dada a sua importância, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e órgãos de proteção à criança declararam que o AM é um com- portamento básico para a sobrevivência infantil. Preconiza-se,

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portanto, que o leite materno deve ser ofertado ao bebê de ma- neira exclusiva até o sexto mês de vida, perdurando até os dois anos de idade ou mais. Dadas as peculiaridades do leite humano, visto tratar-se de um alimento vivo que apresenta uma composição química peculiar. A combinação de proteínas, lipídeos, carboidratos, minerais, vitami- nas, enzimas e células vivas faz com que o leite materno apresente diversos benefícios nutricionais, imunológicos, econômicos, psico- lógicos e emocionais reconhecidos e inquestionáveis. Após o nascimento do bebê, a composição e a quantidade de leite variam de acordo com as necessidades do RN. O colostro é a primeira “forma de apresentação” do leite materno. Ele é um li- quido amarelado e espesso produzido e secretado no período pós- -parto. Apesar de ter um aspecto diferente do leite denominado de “maduro”, o colostro é reconhecidamente importante para a boa adaptação fisiológica do RN à vida extrauterina. Sendo assim, é importante que tão logo for possível, ele seja ofertado ao bebê. Cabe ressaltar que o ato de sugar, um dos reflexos primitivos observa- dos no RN. Sendo assim, será instintivo que ao lhe ser ofertada a mama, ele a sugará. A experiência da primeira amamentação causa um certo des- conforto para a maioria das mulheres, principalmente no início da mamada. Estudos revelam que alguns fatores contribuem para tal. O mal posicionamento do bebê ou a pega incorreta são apontados como as principais causas de mamilos machucados e muito dolorosos, os quais contribuem para a desistência da amamentação. Importante considerar que nesse processo temos dois aprendi-

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zes que precisam se adaptar à nova realidade: mãe e bebê. Sendo assim, paciência, tranquilidade e persistência são fundamentais. Após o estabelecimento das rotinas da mamada, tudo transcorrerá normalmente. Cabe lembrar que a opção pelo AM é sempre uma decisão da mãe, sendo esta fortemente influenciada por padrões culturais e sociais. Contudo, segundo a UNICEF, o período pós -parto pode ser definitivo para contribuir ou não para o estabelecimento do AM. A Figura 2 apresenta, de forma resumida, algumas dicas para o posicionamento adequado do bebê e a pega correta, considerados essenciais para o estabelecimento do AM.

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Os Primeiros Cuidados ao Berço Paula Frassineti Figura 2: Dicas para o posicionamento adequado e a

Figura 2: Dicas para o posicionamento adequado e a pega correta para o estabelecimento do AME (fonte: http://guiamamae.com/checklist-da-amamentacao/)

• Amamentação: será que tenho leite suficiente?

Ao longo dos meses, é muito comum as mães de primeira via- gem se queixarem de que estão produzindo pouco leite ou que o leite “fraco”. Muitas vezes, tal percepção é fruto da insegurança

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materna quanto a sua capacidade de nutrir plenamente seu bebê. Contudo, é importante lembrar que a maioria das mulheres tem condições biológicas para produzir leite suficiente para atender à demanda de seus filhos.

O grande problema é que essa insegurança, com frequência, é reforçada por pessoas próximas. Com isso o choro do bebê e as mamadas frequentes (que fazem parte do comportamento nor- mal em bebês pequenos) são interpretadas como sinais de fome. Na amamentação, o volume de leite produzido é variável de acordo com a quantidade que a criança mama e da frequên- cia com que mama. Quanto maior o volume de leite e quanto maior a frequência das mamadas, maior será a produção de leite. Normalmente, toda mãe tem a capacidade de produção de leite maior que o que o seu bebê necessita. Para se ter uma ideia, estudos indicam que mães que mantém a amamentação exclusiva conseguem manter uma produção média de cerca de 800mL por dia no 6º mês. Sendo assim, durante as consultas de acompanhamento e crescimento e desenvolvimento (CD) o pediatra ou a enfermei- ra responsável farão a avaliação do ganho de peso da criança e poderão auxiliar na manutenção de uma amamentação eficaz. Se for o caso, suplementos poderão ser prescritos.

• Cuidados Essenciais com o Coto Umbilical

O coto umbilical nada mais é do que a parte do cordão umbili- cal que permanece presa ao corpo do RN por um período médio de

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sete dias. Os cuidados com o coto umbilical são cercados de mitos

e crenças que contribuem ainda mais para a insegurança de mães,

principalmente as de primeira viagem. Algumas práticas, tais como

a de enfaixar o coto, colocar moeda, utilizar preparados caseiros

(folhas de arruda, de fumo, banha de galinha) não são recomenda- das, sendo nocivas para o bebê.

Vale lembrar que o coto umbilical é uma porta de entrada para diversas infeções. Dentre elas, o tétano neonatal é uma de maior preocupação. Pela gravidade da doença, além da limpeza correta do coto umbilical, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação antitetânica a todas as mulheres em idade fértil, grávidas ou não, com idades entre 10 e 49 anos. Deve-se aqui considerar que a OMS, baseada em estudos diversos, sugere que o melhor cuidado com o coto umbilical é mantê-lo limpo e seco, não havendo necessidade de uso de an- tissépticos ou ligaduras (“dry cord care” – cuidado seco). Con- tudo, havendo qualquer tipo de sujidade é recomendável a sua limpeza com água potável. Em locais onde há precariedade de condições sanitárias adequadas, sugere-se a limpeza com água fervida e uso de antissépticos tópicos. Os mais comuns são o álcool 70% e a solução de clorexidina 4%. Ambos com excelente eficácia e tolerância, sendo o primeiro mais acessível. Abaixo, os procedimentos recomendados para a limpeza do coto umbilical:

Lavar bem as mãos com água e sabão antes de cuidar do coto umbilical, para evitar que os micróbios presentes nas mãos en- trem no coto umbilical e causem doenças ao bebê;

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Suspender com uma das mãos o coto umbilical e com a ou- tra mão passar um pano lavado e passado a ferro, gazes, al- godão ou cotonete molhado em álcool a 70% em toda a base do coto umbilical; Utilizar outro pano lavado e passado a ferro, algodão ou cotone- te quando estes estiverem sujos, sempre que necessário; Lavar também o coto umbilical com álcool a 70 % (encontrado nos Postos de Saúde ou farmácias);

A limpeza do coto deve ser diária, podendo ser realizada várias vezes. Recomenda-se que esta seja feita após o banho e a troca de fraldas, até que a ferida umbilical esteja completamente cicatrizada. Lembrando que não se deve usar gazes e nem tampouco faixas para cobrir o coto umbilical. A fralda deve ser sempre colocada abaixo do dele, para que ele fique sempre seco. Caso se observe qualquer alteração (vermelhidão, umidade em volta do coto umbilical, secreção e mal cheiro) deve-se procu- rar um serviço de saúde, o mais rápido possível, para que seja dado o tratamento adequado. O mito gerado pelo cuidado com o coto umbilical faz com que, em algumas regiões do nosso país, o primeiro banho do RN seja adiado para após a queda do coto. Contudo, não há nenhuma evidência que tal atitude previne a infecção do coto umbilical ou reduzam o tempo de sua cicatrização. Importante considerar que após a queda do coto, pode ser que a região do umbigo permaneça inchada e continue a vazar um líquido. Essa é uma condição denominada de granuloma umbilical e desaparece rapidamente com o tratamento adequa-

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do. Sendo assim, é muito importante que ela seja informada ao profissional de saúde na primeira consulta do bebê, a qual ocorre normalmente no décimo dia de vida. Também pode surgir uma saliência logo abaixo do umbigo conhecida como hérnia umbilical. Geralmente, trata-se de uma condição que não causa maiores problemas e costuma desapa- recer até o quinto ano de vida.

• Os cuidados na hora do banho

Considerando que a manutenção da temperatura corporal do RN é fundamental para a sua adaptação à vida extrauterina, o primeiro banho é dado no hospital somente após a estabilização dos sinais vitais do bebê. Isso ocorre, normalmente, nas primeiras quatro horas de vida. Sendo assim, recomenda-se que o primeiro banho ocorra não antes das 6 primeiras horas de vida.

O banho por imersão é o preferível, visto que provoca menos perda de calor. Deve-se utilizar somente água fervida ou soro fisiológico, numa temperatura de 37ºC. O banho deve ter uma duração máxima de 5 minutos, pois, no início, é considerado um estressor para muitos bebês. Sendo assim, é normal que alguns bebês chorem bastante nos primeiros banhos e isso costuma a aumentar o medo de algumas mães de estarem machucando- -os ou maltratando-os. Sendo assim, vale novamente lembrar que se trata de um aprendizado mútuo, que exige paciência, persistência e tranquilidade. Para o RN a termo (aquele que nasce no tempo previsto),

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são recomendados banhos diários ou em dias alternados. É importante lembrar que neste período, os bebês não são ex- postos à sujidade, visto que praticamente a mãe ou cuidador permanecem mais em contato direto com ele. Bebês prematu- ros devem ser banhados com água potável ou fervida, ou soro fisiológico, de 4/ 4 dias. Algumas recomendações importantes para o sucesso do banho:

1. Local adequado: escolher um ambiente deve ser fechado, com

uma temperatura agradável e sem correntes de ar;

2. Material necessário: algodão, sabonete neutro, fralda de pano,

toalha macia, cotonete, álcool 70%, óleo mineral, banheira com água morna. Deve-se checar a temperatura da água, antes de se

despir o bebê. O uso de baldes de imersão é uma prática que vem sendo adotada. Cabe à mãe a decisão em relação ao uso da ba- nheira ou do balde;

3. Passo a passo (banho com banheira):

I. Despir o bebê, mantendo-o de fralda e enrolado em uma toalha. II. Acomodá-lo em um dos antebraços, cuja mão deve apoiar

a cabeça e proteger os ouvidos. III. Lavar o rosto do bebê somente com água. IV. Utilizar um chumaço de algodão embebido com sabone- te neutro para lavar o couro cabeludo e os cabelos. Enxaguar jogando a água para trás. V. Levar o bebê ao trocador e secar o rosto e os cabelos. Com

o auxílio de um cotonete, secar a borda das orelhas e do nariz. VI. Retirar a fralda. Se a região da fralda estiver suja, limpar

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com algodão embebido em óleo mineral antes de colocá-lo na água.

VII. Colocar o bebê imerso na água, colocando a palma da

mão não dominante na cabeça e no tronco do RN. Molhar o corpo do bebê do pescoço para baixo, aproveitando para lavar bem e cuidadosamente a região do cordão umbilical. VIII. Virar o bebê e lavar as costas e as partes íntimas. IX. Retirar o bebê da água e enrolá-lo em uma toalha macia. X. Secar cuidadosamente o bebê e fazer a limpeza e secagem do coto umbilical (conforme descrito anteriormente) XI. Colocar a fralda e colocar primeiramente a roupa que cobrirá o tronco.

XII. Finalizar a colocação da roupa e cobrir o bebê com um

cueiro ou manta, conforme indicado na Figura 3.

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Os Primeiros Cuidados ao Berço Paula Frassineti Figura 3: Técnica sugerida para a dobradura de mantinhas/cueiros.

Figura 3: Técnica sugerida para a dobradura de mantinhas/cueiros. (Fonte: http://www.minhasdikas.com/2011/04/saquinho-de-dormir-para-bebe.html)

Idealmente, recomenda-se que o banho seja dado ao fim da tarde, pelo seu efeito relaxante. Na tabela apresentada na pági- na seguinte, são descritos alguns banhos utilizados em algumas situações especiais.

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Os Primeiros Cuidados ao Berço Paula Frassineti 64 Nutrição da gestação à infância

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• Trocas de Fraldas e Cuidados com a pele

A pele, considerada o maior órgão do corpo humano, tem diver- sas funções que vão além da proteção. Dessa forma, a manutenção da sua integridade é essencial em todas as fases da vida. Após o nascimento, diversos mecanismos contribuem para a maturação da função de barreira atribuída à pele, a qual é fundamental para a adaptação do bebê à vida extrauterina.

Assim, quanto menos interferentes forem utilizados no processo, mais rápido ele ocorrerá. Deve-se também consi- derar que muitos dos produtos disponibilizados no mercado de cosméticos não foram desenvolvidos para esta faixa etá- ria. Essa é a razão pela qual o seu uso deve ser mínimo nos primeiros meses de vida. É recomendado que a troca de fraldas seja realizada antes das mamadas ou quando houver presença de fezes, cujos pro- dutos agridem e lesionam a pele do bebê. A limpeza do local deve ser feita somente com água morna, previamente fervida. O surgimento de dermatite das fraldas, vulga assadura, é ex- tremamente influenciado pela umidade da pele. Sendo assim, a região das fraldas deve ser seca por completo antes de se colocar a fralda limpa. Vale ressaltar que a umidade torna a pele não somente susceptível a lesões, mas contribui para a sua coloni- zação por microorganismos diversos. A fragilidade cutânea do RN restringe a utilização de de- terminados produtos de higiene, principalmente no primeiro mês de vida. Sendo assim, recomenda-se a utilização de fraldas

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superabsorventes, as quais devem ser selecionadas de acordo com o poder aquisitivo dos pais e a adaptação do RN às mesmas. A utilização de emolientes, principalmente os formulados à base de óxido de zinco ou de petrolato, auxiliam na proteção cutânea e auxiliam na prevenção das assaduras. Os primeiros são bastante populares, pois além de efetivos, são de baixo custo. A presença de descamação e placas avermelhadas podem ser indicativas de uma infecção fúngica. Caso ocorra, é necessá- rio que o RN seja avaliado por um médico para que se tenha o diagnóstico e o tratamento adequados.

• Cuidados com o ambiente: ruídos, luminosidade e visitas

O ambiente de referência do RN após o nascimento é, sem dú- vida, o seu berço. É comum que as mães queiram decorá-lo com bichinhos, almofadas e outros objetos. Contudo, é preciso lembrar que ele passou os últimos 9 meses dentro do útero materno, o qual era um ambiente calmo, silencioso, escuro e com uma temperatura bastante confortável. Sendo assim, sugere-se que nas primeiras 8 semanas a sua adaptação a um mundo cheio de ruídos, claridade e informações visuais desconhecidas seja feita de forma gradual. Abaixo, algumas dicas para auxiliar nesse período de adaptação:

I) Evite colocar bichinhos de pelúcia dentro do berço do bebê ou outros objetos que possam causar alergias ou provo- car acidentes desnecessários. Haverá o momento certo em que ele vai se interessar mais por brinquedos e você pode- rá explorá-los, inclusive, para incentivar o desenvolvimento

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motor e cognitivo do seu bebê; II) Os lençóis e roupas devem ser lavadas com sabão neutro e, preferencialmente, secadas ao sol. Utilize uma bacia ou um balde para lavar separadamente as roupas do RN;

III) Evite pintar a parede do quarto com cores fortes, utilizando tons mais claros. IV) Dê preferência às roupas de algodão, de cor clara ou tons pastel. Os tecidos sintéticos e coloridos, os quais são popularmente comercializados pelo seu baixo valor, apresentam um maior po- tencial alergênico.

O quarto do bebê deve ser mantido limpo e arejado, recebendo,

preferencialmente a luminosidade da manhã. Posicione o berço,

de forma tal, que o bebê consiga visualizar a janela. Observar as cores naturais e os efeitos da claridade no quarto pode se tornar uma atividade curiosa para o pequeno ser que se encontra num momento único de descoberta. Lembre-se que além de um ambiente com luminosidade ade- quada, é muito importante que se mantenha um ambiente calmo e limpo. Ruídos são sons que incomodam bastante o RN. Estudos demonstram que estes provocam diversas alterações comportamen- tais nas crianças que se evidenciam na vida adulta.

A limpeza do quarto, o que inclui berço e outras superfícies,

dever ser diária e pode ser realizada com uma solução de vinagre e água (1 xícara de vinagre em 3,5 L de água). Outras dicas para o uso do vinagre como solução de limpeza são encontradas em diversos sites, como os descritos abaixo:

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http://pt.wikihow.com/Usar-Vinagre-Para-Limpeza-Dom%-

C3%A9stica;

https://blogdamamaesustentavel.wordpress.com/2014/03/05/

vinagre-para-o-chao/

http://www.saltoaltoemamadeiras.com.br/lavando-a-roupinha-

-do-bebe-e-o-vinagre-como-solucao/

• Visitas ao bebê

As visitas nas primeiras semanas ocorrem com maior frequên- cia, cabendo aos pais, educadamente informar aos parentes e ami- gos que nem sempre o bebê estará “disponível”. Sugere -se manter nas proximidades do berço um frasco com álcool gel, devendo ser solicitado aos visitantes que desejem segurar o bebê que o utilizem ou lavem as mãos. Deixe por perto um cueiro ou uma fralda de pano a ser utilizado para colocar sobre a roupa do visitante. Pessoas resfriadas, gripadas, tossindo ou com qualquer doença infectocontagiosa não devem se aproximar do bebê. Muitas ve- zes, a mãe não se sente confortável em solicitar que o visitante se aproxime do RN. Contudo, tal atitude é fundamental para que se evitem doenças para as quais o organismo do bebê ainda não se encontra preparado para resistir/combater. Lembre-se de que fir- meza e educação quando demonstradas são atitudes que evitam constrangimentos desnecessários.

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• Uso de chupetas

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O uso de chupetas é uma prática que, apesar de cultural, vem sendo desaconselhada por diversos motivos. Abaixo, foram destaca- dos alguns. Novamente, cabe aos pais a decisão final quanto à sua utilização. Dados apontam que o desmame precoce tem maior pro- babilidade de ocorrência em crianças que usam chupetas. Contudo, os mecanismos dessa associação permanecem sob investigação. Um dos aspectos investigados refere-se à frequência da amamentação. Estudos indicam que crianças que usam chupetas são amamenta- das com menos frequência e isso contribui para uma redução na produção de leite. Outro aspecto a ser considerado refere-se à ocorrência de outras condições indesejadas. Candidíase oral (“sapinho”), otite (“infecção de ouvido”) e alterações no palato (“céu da boca”) são observadas mais frequentemente em crianças que usam chupetas.

• Posicionamento do bebê no berço

Nas primeiras semanas de vida, o RN costuma dormir de 18-21h, sendo estas horas igualmente intervaladas nos espaços do dia e da noite. Normalmente, os estados de vigília são raros e ocorrem antes das mamadas. Segundo a Pastoral da Crian- ça, nem todos os pais colocam os bebês para dormir na posi- ção recomendada, apesar de existirem evidências que cuida- dos adequados durante o sono reduzem em 70% os riscos de morte súbita de crianças.

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Atualmente, é consensual entre diversos profissionais (Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Enfermeiras Pediá- tricas, Sociedade Americana de Pediatria) que os bebês devem ser colocados no berço em decúbito dorsal (“de barriguinha para cima”), visto que a associação entre a síndrome da morte súbita do lactente ocorre mais frequentemente em bebês que dormem de bruços. Contudo, apesar de tal situação, as mães ainda são orientadas na alta hospitalar a colocarem os bebês lateralizados nos berços, com medo de que que os bebês se sufoquem, em caso de regurgi- tamento, se forem colocados em decúbito dorsal.

• Transporte Seguro

Toda criança deve ser conduzida em cadeirinha apropriada para o seu tamanho e peso desde o momento que sai do hospital. A cadeirinha deve ser acoplada ao banco traseiro, com o encosto voltado para o banco do passageiro, para que ela permaneça no raio de visão do motorista (Figura4). Sob nenhuma hipótese, o bebê dever ser retirado da cadeirinha, enquanto o veículo se encontra em mo- vimento. Se necessário, pare o veículo em um local seguro e atenda à demanda do bebê, confortando-o. Contudo, ele deve ser recolocado na cadeirinha tão logo se per- ceba que se encontra bem. Muitos pais ainda resistem ao uso das cadeirinhas, mesmo estas sendo obrigatórias no Brasil. Mais uma vez é preciso considerar que o seu uso é embasado por diversos estudos e essa deve ser uma prática absorvida por todos, visto que dados demonstram a sua efetividade. É preciso também considerar

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a questão relacionada à higienização da cadeirinha. Sugere -se a limpeza semanal com álcool 70% ou uma solução preparada com 1L de água e uma colher de sopa de água sanitária (hipoclorito de sódio), a qual deve ser aplicada e deixar que seque naturalmente.

a qual deve ser aplicada e deixar que seque naturalmente. Figura 4: Correto posicionamento da cadeirinha

Figura 4: Correto posicionamento da cadeirinha utilizada no transporte de RN. Fonte: http://pediatrics.aappublications.org/content/123/5/1424

• Vacinação

Permitir que o seu filho receba as vacinas previstas no calen- dário vacinal estabelecido em nosso país representa uma das mais genuínas expressões de cuidado para com ele. Vale lembrar que todas as vacinas elencadas no calendário atual foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde, seguindo os pressupostos de segurança da OMS e contaram com a participação das sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm) e de Pediatria (SBP) na sua elaboração.

São poucas as vacinas conferem proteção vitalícia somente

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com uma dose. Boa parte delas necessitam de doses de reforço adicionais para que se garanta a imunidade e proteção desejada.

Esta é a razão pela qual, é possível identificar algumas vacinas, como a tríplice bacteriana (DPT), que o esquema de reforço é mantido inclusive na vida adulta, a cada 10 anos.

O calendário atual de vacinação encontra-se ao final

deste capítulo. Todo bebê, logo após o nascimento (nas 24h), recebe a pri-

meira dose da vacina contra Hepatite B. Esta é uma vacina que confere imunidade somente se administrada em três doses, as quais são previstas para o nascimento, após 1 mês e aos seis meses de vida. Após o recebimento de todas as doses o bebê terá proteção vitalícia contra a doença.

As reações mais comuns a essa vacina são a febre, a dor e a

vermelhidão no local da vacina. Isto significa que a vacina está conseguindo estimular a produção de anticorpos no organismo. Geralmente, essas reações não fazem mal e são transitórias, apesar de incômodas. Caso necessário, converse com o pediatra sobre a necessidade de utilizar um analgésico ou um antitér- mico, se a febre ultrapassar 38ºC. Contudo, normalmente, não há necessidade. Reações mais intensas devem ser comunicadas imediatamente a um profissional de saúde.

Uma outra vacina que causa bastante angústia nas mães é a BCG. Esta é uma vacina de dose única, a qual confere proteção vitalícia contra a forma mais grave de tuberculose. A sua ad- ministração é feita no bracinho direito e deve ser realizada no posto de saúde na primeira semana de vida (4- 10 dias). No local

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da BCG vai aparecer uma bolha de pus, a qual evolui para uma vermelhidão e a formação de uma crosta. Por último, aparece no local o que é denominado de cicatriz vacinal. Se uma criança aos 6 meses não apresentar a cicatriz, ela deverá ser revacinada. Outra vacina que causa dúvidas nas mães é a que protege

a criança de gastroenterites graves provocadas pelo Rotavírus.

É importante lembrar que, por ser uma vacina administrada pela via oral, a criança tende a cuspir ou regurgitar após a dose.

Contudo, estudos mostram que não há necessidade de repetir

a dose. Vale lembrar que que a amamentação não interfere na absorção da vacina. Estudos também indicam que não há au-

mento de reações adversas/efeitos colaterais quando a vacina

é administrada com as demais. No que se refere aos efeitos indesejados, algumas vacinas

são mais “reatogênicas” do que outras. É preciso uma atenção mais cuidadosa para algumas reações, pois é bem provável que

a ocorrência delas indique a necessidade de uma avaliação/

intervenção profissional. Abaixo são destacadas algumas delas:

Gritos ou choro persistente, inconsolável, por 3 horas ou mais nas primeiras 48 horas após a vacinação;

Reações de convulsão (com ou sem febre), ocorrendo até o tercei- ro dia após a vacina;

Colapso ou estado semelhante a choque nas primeiras 48 horas; Atualmente, o Ministério da Saúde tem disponível um aplicativo denominado Vacinação em Dia capaz de gerenciar todas as ca- dernetas de vacinação cadastradas pelo usuário, o qual permite o acompanhamento das datas de todas as vacinações planejadas.

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Esse aplicativo também contém informações completas sobre to- das as vacinas disponibilizadas pelo SUS e uma função na qual o usuário recebe lembretes sobre as campanhas sazonais de vaci- nação promovidas pelo Ministério da Saúde. Uma das vantagens do aplicativo é a possibilidade de poder enviar para o e-mail do usuário todos os calendários de vacinação cadastrados no apli- cativo, o que permite a impressão dos mesmos. Para mais infor- mações basta acessar seguinte endereço eletrônico: http://www.

aplicativos.gov.br/aplicativos/vacinacao-em-dia-1.

aplicativos.gov.br/aplicativos/vacinacao-em-dia-1. Fonte:

Fonte: https://encryptedtbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTxhBydGcFo2wakE_QTe-

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• Considerações Finais

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O primeiro ano de vida é uma experiência única e fantástica tanto para você quanto para o bebê. Os cuidados ora apresentados são pequenos atalhos que facilitam a caminhada que se iniciou desde o momento em que as energias do universo propiciaram o encontro de ambos.

Você vai perceber que ao longo do tempo, o seu amor vai nutrir a confiança, a qual vai permitir que as transições viven- ciadas por ambos ocorram de forma suave e tranquila. Utilize a sua intuição e se disponibilize a aprender com esse novo ser que escolheu você para ajudá-lo nessa etapa. Como mãe de quatro pessoas incríveis e enfermeira, eu ga- ranto que com cada um dos meus filhos eu vivenciei um apren- dizado diferente, mesmo depois tomando consciência de erros cometidos em algumas das etapas. Contudo, mesmo assim, foi sempre possível encontrar alternativas para melhorar as nos- sas experiências de aprendizado contínuo por meio do diálogo com amigas, grupos de mães e profissionais de saúde. Você vai perceber que mesmo com tantas informações disponibilizadas pela internet, é muito importante que você escolha e confie nos profissionais de saúde que os acompanharão vocês nesse maravilhoso processo de adaptação.

O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o cor- riqueiro da vida. ” Cora Coralina

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• Referências

Paula Frassineti

1. http://www.momjunction.com/articles/simple-tips-to-nurture-faster- -baby-boy-growth_0082300/#gref- acesso em 20 de novembro de 2016.

2. http://www.dailymontessori.com/montessori-age-0-6-months/

acesso em 30 de novembro de 2016.

3. LEVY, L.; BÉRTOLO, H. Manual de Aleitamento Materno. Lis-

boa: UNICEF, 2012 (disponível em https://www.unicef.pt/docs/

manual_aleitamento_2012.pdf).

4. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Como ajudar as mães a ama-

mentar. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.

5. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infan- til: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Mi- nistério da Saúde, 2009 (Cadernos de Atenção Básica, n. 23).

6. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Progra-

máticas e Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia

para os profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Es- tratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. http://guiamamae.com/checklist-da-amamentacao/

7. LUÍS, S.; COSTA, G.A & CASTELEIRO, C. Boas Práticas nos Cui-

dados ao Coto Umbilical: Um Estudo de Revisão. Millenium, 47

(jun/dez). Pp. 33 46, 2014.

8. LINHARES, E.F A saúde do coto umbilical.- 3ª.ed.- Jequié: UESB, 2011.

http://www.minhasdikas.com/2011/04/saquinho-de-dorir-para-

-bebe.html - acesso em 20 de novembro de 2016. 9. FERNANDES, Juliana Dumet; MACHADO, Maria Cecília Ri-

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vitti; OLIVEIRA, Zilda Najjar Prado de. Quadro clínico e trata- mento da dermatite da área das fraldas: parte II. An. Bras. Der- matol., Rio de Janeiro, v. 84, n. 1, p. 47-54, Feb.2009. Available from<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi =S0365-05962009000100007&lng=en&nrm=iso>. access on 20 Nov. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962009000100007 10. LUCAS NASCIMENTO, M.A. (2009) O que os olhos não veem desaparece!!!!!!!! Rev. Soc. Bras. Enferm. Ped. v.9, n.2, p.97-9 11. MARILYN J. BULL, WILLIAM A. ENGLE (2009) Safe Trans- portation of Preterm and Low Birth Weight Infants at Hospital Discharge, Pediatrics, 123 (5) 1424-1429; May 2009 DOI: 10.1542/ peds.2009-0559 (disponível em http://pediatrics.aappublications. org/content/123/5/1424, Acesso em 30 de novembro de 2016)

Os primeiros 1000 Dias

Dra. Lily

Os Primeiros 1000 Dias

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Não vai haver uma fase mais importante do que essa na vida do seu filho. É no comecinho da vida que se pode influenciar o que será do resto dela. É nesse período que cada célula do corpo está sendo formada e programada.

Pesquisas recentes mostram que o período da gravidez (270 dias) e os primeiros dois anos (730 dias) de vida de uma crian- ça são fundamentais para determinar a saúde física e mental para a vida toda. São os anos fundamentais para a prevenção de problemas de saúde, para o desenvolvimento dos sistemas nervoso e imunológico e até para garantir que ele tenha uma boa alimentação quando se tornar adulto.

• Descubra por que esse tempo é tão importante e quais cuidados você precisa ter

Em 2008, a revista The Lancet1, uma das mais antigas e conheci- das revistas médicas do mundo, publicou uma série de estudos sobre desnutrição materna e infantil que identificou a necessidade de se focar no período que vai desde a concepção até o fim do segundo ano de vida da criança, criando o conceito dos primeiros mil dias, no qual a boa nutrição e o crescimento saudável teriam benefícios que se prolongariam por toda a vida. Desde esta publicação, o con- ceito dos primeiros mil dias tem sido amplamente utilizado.

Cinco anos depois (2013) a revista The Lancet lançou uma nova série com o intuito de reavaliar a situação da desnutri- ção materna e infantil e examinar os problemas crescentes de sobrepeso e obesidade nas mulheres e crianças e suas conse-

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quências.2 Além disso, essa nova série apresenta um novo qua- dro conceitual que mostra os meios para se alcançar um ótimo crescimento e desenvolvimento fetal e infantil.3 Graças a estas publicações que estudaram a relação entre a qualidade de vida do bebê, desde a concepção, e uma vida adulta saudável, sabe-se, por exemplo, que aquilo que a mulher come durante os nove meses ajuda a determinar o paladar e o olfato do bebê – ele sente o sabor pelo líquido amniótico –, e que filhos de mães que tiveram diabetes gestacional também têm mais chances de desenvolver a doença, por exemplo. Que o baixo peso ao nascer (menos de 2,5 kg) deixa a criança mais vul- nerável a desenvolver algumas doenças crônicas na fase adul- ta, como hipertensão arterial e diabetes (porque o organismo dela entende que deve armazenar mais energia em forma de gordura do que uma criança que nasceu com o peso normal). Os estudos também sugerem que a genética não é soberana na determinação do potencial de crescimento e desenvolvimento do indivíduo: cerca de 20% dos nossos genes são influenciados por fatores hereditários, enquanto a maior parte deles, até 80%, é influenciada por fatores ambientais como: medicamentos, es- tresse, infecções, exercícios e a nutrição. Ou seja, a criança tem um potencial genético, mas isso é mediado pelo ambiente. Os pais têm papel decisivo nesta etapa do desenvolvimento. 4,5,6,7,8

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Você já imaginou que suas primeiras decisões têm a possibilidade de influenciar a saúde, as atividades físicas e as habilidades de aprendizado do seu filho?

Uma alimentação adequada durante a gestação, associada ao aleitamento materno, à correta introdução da alimentação com- plementar e à manutenção de bons hábitos alimentares, é requisito básico para o crescimento e desenvolvimento infantil. Os pesquisadores e cientistas estão cada vez mais seguros de que uma boa nutrição e o cuidado com a saúde nos primeiros 1000 dias têm um papel protetor, que ajuda a garantir um futuro no qual as habilidades cognitivas, motoras e sociais estimularão a saúde e o potencial máximo do adulto. Os primeiros dois anos são os mais significativos para o desenvolvimento do cérebro. O bebê nasce com o cérebro desenvolvido na área sensorial (olfato, tato e audição), mas nesse período passa pelas maiores modificações cognitivas, adquire as habilidades motoras mais amplas (como o andar) e mais finas (como conseguir pegar pequenos objetos). 9,10,11,12 Esse período é considerado um intervalo de ouro, que pode mudar radicalmente o destino da criança, não apenas em termos biológicos (crescimento e desenvolvimento), mas também em ques- tões intelectuais e sociais. 12 Em princípio, a possibilidade de fazer uma criança que nasce com boa saúde crescer desse modo e assim permanecer por déca- das exige a adoção de medidas aparentemente simples: oferecer proteção e aconchego ao bebê e alimentá-lo adequadamente. A ali- mentação apropriada inclui uma dieta equilibrada da mãe na gra-

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videz, o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida e, a partir daí, a amamentação acompanhada de água, sucos, chás, papinhas e alimentos sólidos ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).12 No intuito de priorizar as intervenções que teriam maior potencial de salvar vidas, alguns autores e organizações sugerem seis intervenções nutricionais13: suplementações de ferro e ácido fólico na gravidez; aleitamento materno; alimentação complemen- tar; suplementação de vitamina A para crianças; uso de zinco em episódios diarreicos; e garantia de água, saneamento e de práticas de higiene adequadas para as famílias.

• Gestação

Entre os determinantes mais importantes da nutrição infantil destaca-se a nutrição materna, tendo em vista que muitas crianças nascem desnutridas porque suas mães são desnutridas, 14 o que mostra a importância da nutrição de mulheres em idade fértil. Na gestação, quando uma mãe escolhe se alimentar de uma forma saudável, já está fazendo uma programação genética para

a saúde do seu filho na vida adulta. As necessidades de ferro durante a gravidez estão aumentadas

devido à expansão da massa de eritrócitos para se ajustar ao cresci- mento fetal e placentário e à perda de sangue que ocorre no parto. A deficiência de ferro diminui a síntese materna de hemoglobina e

o transporte de oxigênio e contribui para desfechos desfavoráveis, 14 como nascimento prematuro e baixo peso ao nascer. No entan-

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to, dificilmente consegue-se atingir uma ingestão adequada desse mineral apenas com a dieta, é necessária sua suplementação. 15

O folato tem um papel importante na síntese de DNA e, desse

modo, sua necessidade durante a gravidez encontra-se aumen- tada devido à expansão de volume sanguíneo e ao crescimento do tecido materno, assim como para garantir o crescimento e de- senvolvimento adequados do feto. A deficiência de folato durante a gravidez, especialmente em torno da época da concepção, está fortemente correlacionada com o aumento do risco de defeitos do tubo neural, como a espinha bífida, a segunda causa mais comum de anemia no período gestacional. 16 Estudo recente mostrou que a suplementação de ácido fólico reduziu significativamente as taxas de pré-eclâmpsia materna e de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional. 17 Pesquisas sugerem que a suplementação de ferro e ácido fólico durante a gravidez reduz as chances de morte no parto e também contribui para o desenvolvimento intelectual das crianças. 18 Um estudo fei- to na Coreia do Sul mostrou que a suplementação de ácido fólico reduziu significativamente as taxas de pré-eclâmpsia materna e de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional. 17

• 0 a 6 meses

O leite materno é considerado o alimento ideal para a nutrição

infantil, pois contém todos os nutrientes essenciais para o cres- cimento e desenvolvimento da criança. O colostro destaca-se por

conter substâncias que fornecem proteção contra infecções e doen-

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ças imunomediadas e estimulam também a maturação do sistema imunológico da mucosa intestinal do lactente. 18 Há evidência de que quanto maior o atraso no início do aleita- mento materno, maiores as chances de morte de recém-nascidos

no período neonatal causada por infecções. 19 Por outro lado, o alei- tamento materno na primeira hora de vida demonstrou redução na taxa de mortalidade neonatal em 22%. 20 Durante esse período sensível, o efeito protetor do aleitamento materno fornecido no colostro pode estar relacionado a vários mecanismos, que incluem

a colonização intestinal por bactérias específicas encontradas no

leite materno e a capacidade de o leite materno produzir fatores imunológicos bioativos adequados para o recém-nascido. 21 O alei- tamento materno exclusivo é recomendado até os seis meses de vida da criança e sua continuação até os dois anos, ao completar

os mil dias. 22 São muitos os benefícios relacionados ao aleitamento materno, como redução na morbimortalidade por diarreias e in- fecções respiratórias, diminuição do risco de obesidade na infância

e de hipertensão, diabetes e hipercolesterolemia na vida adulta. 22 Experimentos com roedores indicam que a substituição do leite materno por outros alimentos – outros tipos de leite, in- clusive – nessa fase do desenvolvimento altera o paladar e ins- tala no organismo um desequilíbrio hormonal que pode durar

a vida toda e favorecer o ganho de peso. Já a nutrição correta

reduz o risco de desenvolver na idade adulta obesidade e doen- ças cardiovasculares, atestam estudos populacionais conduzi- dos em cinco países em desenvolvimento (Brasil, África do Sul, Guatemala, Filipinas e Índia). Ainda segundo esses trabalhos, o

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aleitamento exclusivo favorece o desempenho intelectual. 23

• 6 a 24 meses

A alimentação complementar refere-se à introdução de novos

alimentos na dieta da criança. Deve ter início a partir dos seis meses

em concomitância com o aleitamento materno, o qual deve con- tinuar até os dois anos. Deve fornecer quantidades suficientes de

água, energia, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, com varie- dade de todos os grupos de alimentos, os quais devem ser correta- mente higienizados e seguros à criança. O aleitamento materno não deve ser reduzido com a introdução da alimentação complementar. Os alimentos devem ser oferecidos com uma colher ou xícara, evi- tar a mamadeira por ser uma fonte de contaminação e influenciar negativamente o aleitamento. 22

A vitamina A deve ser suplementada em crianças de seis a 59

meses, devido a sua deficiência afetar, em nível mundial, apro- ximadamente 190 milhões de crianças em idade pré-escolar, a maioria localizada nas regiões da África e Sudoeste da Ásia. 24 A falta de água potável e saneamento adequado em muitas partes do mundo contribui para que a diarreia continue como princi- pal causa de morte entre lactentes e crianças em países de bai- xa e média renda. A suplementação com zinco mostrou-se capaz de reduzir a duração e gravidade dos episódios de diarreia, assim como a probabilidade de infecções subsequentes. Os benefícios em crianças com diarreia devem-se ao fato de esse mineral parti- cipar da síntese proteica, do crescimento e diferenciação celular,

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da função imunitária e do transporte intestinal de água e eletró- litos.25 Lavar as mãos com sabão é uma das mais efetivas e ba- ratas ações para prevenir diarreia e pneumonia, 26 doenças ainda responsáveis por elevada mortalidade no mundo. Os benefícios da alimentação adequada no início da vida não são apenas físicos. Em outro estudo, publicado em fevereiro no Journal of Nutrition, Victora e colaboradores analisaram o desem- penho escolar de 7.945 crianças da Índia, da Guatemala, das Filipi- nas, do Brasil e da África do Sul. As que apresentaram crescimen- to saudável na gestação, indicador de dieta materna adequada, e nasceram com peso superior ao da média tiveram mais chance de sucesso. Cada 500 gramas a mais de peso ao nascer representaram 2,5 meses a mais de escolaridade na vida adulta e risco 8% menor de repetir uma série. Mesmo as crianças que no parto tinham menos de 2,5 quilos, peso inferior ao desejável, conseguiram bom desen- volvimento intelectual quando, com dieta adequada, alcançaram o ritmo normal de crescimento e recuperaram o peso ideal para a idade até o segundo ano de vida. Nesse período, elas ganharam em média 9 quilos, e cada 700 gramas que cresceram além da média significaram cinco meses a mais de escolaridade. 27 Quanto mais estímulos a criança tiver, maior será o número de ligações entre os neurônios, aumentando a capacidade de apren- dizado e levando o cérebro a fazer novas conexões. Mais estímulo, porém, não significa alfabetizar seu filho aos 4 anos, por exemplo. O caminho está na simplicidade. Brincar de tinta, jogar bola e aju- dá-lo a dar os primeiros passos são maneiras de fazer com que isso aconteça. Por isso não causa espanto o resultado de uma pesquisa

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recente feita pela Universidade Federal de Pelotas (RS), com 3.855 crianças, aos 2 e aos 4 anos, que mostrou que as que têm contato com livros, visitam outras pessoas ou brincam em parques ou pra- ças nos primeiros 720 dias de vida apresentam melhores resultados em testes específicos de memória, inteligência e cognição. 28

específicos de memória, inteligência e cognição. 2 8 Intervenções nutricionais, segundo estágios do ciclo de

Intervenções nutricionais, segundo estágios do ciclo de vida, nos 1000 Dias (modificada de Save the children).14

• Referências

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Cuidados com as mamas e amamentação

Kelvin Araújo

Cuidados com as mamas e amamentação

• Benefícios da Amamentação

Kelvin Araújo

A gestação é certamente uma das fases que mais agregam ex- periências a vida de uma mulher. Neste período o corpo feminino passa por diversas mudanças físicas e psicológicas, onde através de orientações de profissionais capacitados e sua própria intuição, se adapta a essas diferentes mudanças. Sendo este um momento muito especial, a gestante merece atenção, tranquilidade e acompa- nhamento especializado, tanto na preparação para o parto, quanto nos cuidados relacionados ao aleitamento materno. O leite ma- terno contém células que atuam no sistema imunológico do bebê além de conter quantidades suficientes de macro nutrientes para os primeiros meses de vida. É de conhecimento geral os inúmeros benefícios agrega- dos ao aleitamento materno, desde os direcionados ao bebê ou mãe. Inúmeros estudos por todo o mundo tendem a evi- denciar tal fato, e em uma revisão pública, em 2016, na revista The Lancet verificou que em 113 estudos já publicados em dife- rentes períodos, países e classificações de renda, que o maior o período de amamentação está associado a uma redução de 26% na chance de desenvolver excesso de peso ou obesidade (VICTORA et. al., 2016). Amamentar transmite amor e carinho, fortalece os laços entre a mãe e o bebê, além de diminuir as chances de a mãe ter câncer de mama e de ovário. Porém, algumas complicações podem aparecer dificultando assim a amamentação. Nesse capítulo, apresento as dificuldades mais comuns encontradas nesse processo. É impor-

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tante conhecê-las antes para que caso passe por isso, você não se desespere e saiba como agir em cada caso. Primeiramente, vamos entender a anatomia:

GUYTON em 2008 define as diversas partes da glândula ma- mária da seguinte forma:

•Lóbulos e os alvéolos: Cada mama contém centenas de lóbulos

e cada lóbulo é dividido em pequenos sacos, os chamados de alvéo-

los, onde estes são revestidos por células glandulares que formam

o epitélio secretor. É esse epitélio que secreta o leite. •Ducto galactóforo: O ducto que sai dos lóbulos e se junta a ou- tros, para originar ductos mais robustos, cerca de quinze grandes ductos galactóforos se abrem na superfície do mamilo. •Seios galactóforos (ampolas): são dilatações circulares dos duc- tos galactóforos existentes antes de seu término no mamilo. As mamas são órgãos glandulares, susceptíveis a estímulos, es- pecialmente no mamilo e na aréola. De acordo com BARACHO em 2007, o tecido glandular é constituído por um conjunto de ductos ramificados que drenam grupos de alvéolos, que formam a unidade básica do sistema secretor. As mamas são ligeiramente assimétricas e possuem textura ma- cia. O formato e o tamanho estão relacionados com a quantidade de tecido adiposo do indivíduo na parte do tórax, podem ser hemisfé- ricas, cônicas ou cilíndricas. (CARVALHO; TAMEZ, 2005). Certo. Agora que entendemos como são as mamas e temos uma noção de como elas trabalham, vamos falar das complicações que podem acontecer. Uma das formas de favorecimento ao aleitamento materno, é

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estimular desde os primeiros momentos após o nascimento. Sabe- -se a amamentação na primeira hora de vida é indicada desde que ambos, bebê e mãe, estejam em pelas condições. Não é aconselhado

a separação do bebe após o parto, pois é um fator que possivelmente

dificultará a amamentação na primeira hora de vida, o que eleva as chances de desmame precoce, principalmente quando se é ad- ministrado formulas lácteas, pois os recém-nascidos apresentam padrões de transição comportamental entre os primeiros 30 e 60 minutos após o nascimento, conhecido como período inicial de transição neonatal ou período de reatividade (TALLES et. al., 2015).

• Desmame precoce e não amamentação

O Ministério da Saúde expõe alguns fatores que podem levar ao desmame precoce. Leite empedrado ou peito ingurgitado, acontece habitualmen-

te na maioria das mulheres entre o terceiro ao quinto dia após o parto, onde as mamas ingurgitadas são dolorosas, avermelhadas

e em algumas situações a mulher pode ter febre. A melhor manei-

ra de prevenir é amamentando o mais breve possível logo após o parto. Assim, além do esvaziamento da mama, o bebê já começa a aprender a sugar, logo o uso de bombas elétrica ou manual não é indicado. Antes da próxima mamada, deve-se massagear a mama

a fim de tornar a área da pega mais amolecida e mais fácil para o

bebê. Pode-se também fazer uso de compressas quentes ou frias, mas essas devem ser bem orientadas por um profissional de saúde, pois

há um procedimento para cada caso.

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Fissuras ou rachaduras ocorrem quando a pele não está em condições de receber todas as mudanças ocasionadas com a vinda do bebê, o posicionamento ou a pega durante o ato da amamenta- ção geralmente estão incorretos (BRASIL, 2006). A dica aqui é que nas últimas semanas gestacionais a mãe tome sol nas áreas dos mamilos a fim de fortalecer a pele. E sempre que estiverem muito cheios, a mãe deve fazer a ordenha antes da criança mamar para facilitar a pega.

• Mastite

A Mastite é um processo inflamatório que pode ocorrer na mama durante o período de amamentação, decorrente de fissuras ocasionadas no próprio tecido da mama ou internas nos ductos de transporte do leite. Estas fissuras são a porta de entrada para as bactérias agentes causadores da infecção, a Escherichia coli e Streptococcus (não-hemolítico). Qualquer fator que favoreça a estagnação do leite materno pre- dispõe ao aparecimento de mastite, incluindo mamadas com horá- rios regulares, redução no número de mamadas, uso de chupetas ou mamadeiras, não esvaziamento completo das mamas, freio de língua curto, criança com sucção falha, produção excessiva de lei- te, separação entre mãe e bebê e desmame vigoroso (OMS, 2000). Recomenda-se que se apenas uma mama estiver com mastite, o bebê deve mamar primeiramente no lado não afetado. Quando as duas mamas estiverem comprometidas, o leite deve ser retirado com auxílio de bombas ou manualmente para que a produção do

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leite não diminua. Uso de massagens na mama podem contribuir na diminuição da a sensibilidade. Hipogalactia é a produção insuficiente de leite que pode ser causada por falhas nas técnicas de amamentação ou estresse ma- terno. Deve-se analisar se o bebê está sugando corretamente, por tempo suficiente (verificar se ele adormece logo que começa a ma- mar, se for o caso, mãe deve acariciar e conversar com ele para que se mantenha acordado e mame mais), o estímulo deve ser cons- tante: quanto mais o bebê mama, mais leite a mamãe vai produzir. A mãe deve tomar muita ÁGUA – sim, água e não outros líquidos.

• Ordenha Manual

Muitas mães, ao iniciar o seu retorno ao trabalho ou a suas atividades comuns antes do parto, tendem a sentir dificuldades para amamentar, seja pela falta de tempo ou por estar longe do bebê. Desta forma a ordenha do leite materno tende a ser a melhor opção, pois assim é possível continuar o aleitamento materno e continuar a proporcionar ao bebê todas as vantagens que ele o traz (BRASIL, 2010). Durante a fase de amamentação, algumas ações podem trazer mais conforto para a lactante. Ordenha, estocagem, massagens e sentir-se confortável são algumas opções para facili- tar esta fase da vida. O processo de ordenha é muito importante em situações onde o bebê não consegue mamar, para manter ou aumentar a produção de leite quando o bebe não está sugando, além de poder encami- nhar para bancos de leite. A ordenha manual, além de não promo-

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ver custos, é menos traumática e dolorosa, possui menor risco de contaminação, pode ser realizada sempre que necessário, além de ser rápida e eficaz quando já se tem experiência. O primeiro passo para realização da ordenha manual é estimu- lar o leite a fluir, estar confortável e pensar sobre o bebê, aquecer as mamas, massagear as costas e mamas. Em seguida deve-se posi- cionar os dedos no limite da aréola da mama, a fim de pressionar os ductos com o polegar e indicador, e com os outros dedos apoiar o restante da mama. Comprimir levemente a mama na direção do tórax e finalizar o processo de extração, com a saída do leite materno pelo mamilo. Pode-se então revezar entre uma mama e outra, e ao final da ordenha, aplicar as últimas gotas retiradas na região mamilo-areolar (BRASIL, 2010).

• Armazenamento

Realizar a ordenha e armazenar o leite materno é uma das saí- das para mães que trabalham fora e não podem amamentar em algum período do dia. Para armazenamento seguro do leite materno algumas regras devem ser seguidas, onde o frasco deve ser de vidro incolor com tampa plástica de rosca, deve ser higienizado e quando estiver seco, manter o frasco bem fechado. Antes de iniciar a ordenha, deve-se cobrir os cabelos, região do nariz e boca, lavar bem as mãos e mama. Ambientes confortáveis, e limpos são ideais para manter a integridade biológica do leite materno, evitando assim locais como banheiros ou que tenham a presença de animais domésticos.

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Ao iniciar o processo de ordenha, os primeiros jatos ou gotas devem ser desprezados, contatos com a mão da mãe não devem

acontecer, o leite deve ser despejado diretamente no frasco. Após

a coleta não esquecer de realizar a higienização da bomba caso te-

nha sido utilizada. Identificar o frasco com nome e data da coleta

é de extrema importância. O tempo de armazenamento em geladeira deve ser de até 12 horas e em freezer ou congelador até 15 dias após a coleta. É im- portante coletar em cada vidro apenas o volume aproximado para cada refeição. O descongelamento do leite materno pode ser realizado lentamente em refrigerador e utilizado em até 12 horas após o descon- gelamento, outra maneira é utilizar o banho-maria agitando levemente para misturar todos os componentes, e quando realizar algum destes processos deve-se descartar o leite não consumido (OMS, 2009). Estimular o bebê a mamar, seja com o cheiro e gosto do leite, é uma ótima opção para esvaziar mama e facilitar a pega. O apren- dizado da ordenha deve ser iniciado no pré-natal e retomado no puerpério (primeiros dias pós-parto).

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<http://www.redeblh.fiocruz.br/media/modulo3_ihac_alta.pdf>.

Acesso em 28/11/2016

Importância do aleitamento materno exclusivo

Nathieli Lima

Importância do aleitamento materno exclusivo

Nathieli Lima

Esse capítulo trata de um fator muito importante para o cresci- mento de desenvolvimento das crianças nos primeiros meses de vida:

a amamentação. De forma mais específica, ele vai mostrar a impor-

tância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida. Quando se fala em aleitamento materno exclusivo, é exata- mente isso: EXCLUSIVO – o bebê irá se alimentar somente do leite materno. Sem necessidade de água, chás ou sucos até mesmo nos dias quentes. Aleitamento materno exclusivo e em livre demanda

– sempre que o bebê quiser. Esta é a forma mais eficiente de se conseguir um bom desenvol- vimento fisiológico, imunológico, psicológico e emocional de uma criança no seu primeiro ano de vida. Isso porque além de ser um alimento completo com todos os nutrientes e anticorpos que o bebê precisa, ele também proporciona o contato direto entre mãe e filho. Assim que nascem, os bebês não têm a visão totalmente de- senvolvida e a capacidade focal não passa de 30 centímetros. Exa- tamente a distância até os olhos da mãe no momento da ama- mentação. Isso não é lindo? Durante a amamentação o bebê pode ver com clareza o rosto da mãe e suas expressões faciais. A amamentação estabelece uma ligação mais íntima entre a mãe e o bebê, satisfazendo de modo mais amplo as necessida- des emocionais de ambos, oferecendo ao bebê uma maior ga- rantia do equilíbrio interno. Esse momento confere segurança emocional aos dois. “O leite da mãe não flui como um líquido excretado. É uma res- posta a um estímulo, e o estímulo é o ver, o sentir o cheiro de seu bebê e o som de seu choro que indica a necessidade. É tudo uma

Importância do aleitamento materno exclusivo

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mesma coisa, o cuidado que a mãe tem com seu bebê e a alimen- tação periódica se desenvolve como se fossem um meio de comu- nicação entre os dois – uma canção sem palavras” (apud Klaus e Kennell, 2000, p.97). Além de oferecer proteção imunológica, maior desenvolvimen- to mental e maior equilíbrio emocional, o aleitamento proporciona o desenvolvimento correto dos ossos e músculos faciais devido ao esforço feito pelo bebê no momento da amamentação. Amamentar não é fácil. Nem para a mãe, nem para o bebê. A mãe sente-se pres- sionada para conseguir fazer tudo certo, tenta se adaptar à nova rotina, ainda está acima do peso, tem medo de que não consiga cuidar direito do filho. O bebê está em um ambiente totalmente novo e agora ele precisa fazer coisas que antes era automático como respirar e comer. Uma criança que é amamentada no peito, aprende a respirar apenas pelo nariz, evitando assim problemas como inflamações de garganta, pneumonias e outras doenças. Além disso, vários estudos apontam que o aleitamento materno tem um efeito protetor contra a obesidade infantil. A amamentação é um momento lindo, mas é cercado de cren- ças e palpites. Quem nunca ouviu dizer que o leite de fulana é fra- co e que o bebê não está crescendo por isso. Aí fazem fórmulas e mingaus, chás e tudo mais que possa “acabar com a fome daquele coitado”. O que não sabem é que o trato gastrointestinal e os rins da criança ainda não estão totalmente preparados para processar outros alimentos além do leite materno. O organismo ainda não é capaz de metabolizar outras substâncias e, como o tubo digestivo tem uma alta permeabilidade, causa uma hipersensibilidade que

Importância do aleitamento materno exclusivo

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pode trazer como consequência as temidas alergias e intolerâncias alimentares. Não existe leite fraco. O leite materno está sempre a mudar e adapta-se às necessidades de um bebê em crescimento. O seu conteúdo altera-se durante o dia e ao longo dos meses. E não importa a fase, ele vai ser sempre perfeito para o seu bebê. Algumas mulheres acham que não estão produzindo leite su- ficiente e introduzem logo algum outro tipo de leite (seja de vaca, de cabra, em pó, etc.) por medo que seu bebê fique com fome. Isso faz com que o bebê fique saciado e não tente mais pegar o peito. Quanto antes você oferecer a mamadeira, mais ele vai resistir a mamar no peito, pois com a mamadeira é muito mais fácil. O ideal é que assim que o bebê completar os 6 meses de vida, você já ofereça outros líquidos em copinhos próprios para a adaptação, assim não precisará usar mamadeira. Isso vai ajudar o seu filho a desenvolver melhor a coordenação motora. Não há nenhuma vantagem em iniciar precocemente a alimen- tação complementar (com outros alimentos) antes do período indi- cado (6 meses de vida). Pelo contrário, a absorção de alguns nutrien- tes do leite materno fica prejudicada. Por outro lado, a introdução tardia de novos alimentos também não é ideal. A criança precisa desenvolver habilidades e conhecer a textura dos alimentos para se adaptar às refeições da família. Existem ainda alguns alimentos que não devem ser ofertados de maneira alguma às crianças abaixo de 2 anos de idade. Alimentos industrializados contém corantes, aromatizantes, conservantes que não são apropriados para quem ainda está se desenvolvendo. Essas substâncias são reconhecidas como invasores e o sistema imunoló-

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gico reage para proteger o organismo. Se a criança consome apenas o leite materno, as chances de desenvolver alergias e intolerâncias alimentares são mínimas (mas ainda há possibilidade).

• Referências

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Política de Saúde. Or- ganização Pan Americana da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos / Secretaria de Políticas de Saúde, Organiza- ção Pan Americana da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2002. 2. VITOLO, M. R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. São Paulo: Rubio, 2008.

Fórmulas infantis

Fernanda Ribas

Fórmulas infantis

Fernanda Ribas

A alimentação das crianças sempre foi uma preocupação para

o desenvolvimento destas e está relacionada com características

individuais e culturais, com o objetivo principal de fornecer a quan- tidade necessária e adequada de nutrientes.

O leite materno contém todos os macronutrientes e mi-

cronutrientes para o desenvolvimento da criança, com carac- terísticas individuais, por isso, cada criança recebe o adequa- do para o desenvolvimento dela, seja em gorduras, açúcares,

proteínas e vitaminas. 1, 3

A Organização Mundial da Saúde (OMS), preconiza que o alei-

tamento materno exclusivo seja até os seis primeiros meses de vida, e de forma complementar até os dois anos de vida. O leite materno, além do vínculo mãe e bebê, possui características únicas para o desenvolvimento da criança, uma delas é o colostro, o qual é considerado a primeira vacina da criança, por possuir anticorpos específicos. O leite materno também possui fatores de proteção con- tra patologias, tais como: alergias, pneumonias, meningites, otites entre outras, além de ser completo e adequado em nutrientes. 2, 3 Entretanto, ocorrem alguns fatores onde o aleitamento ma- terno não pode ser ofertado e dessa maneira, a fórmula infantil deve ser utilizada. Culturalmente no passado utilizávamos o leite de vaca, porém com base cientifica, podemos compreender que o

leite de vaca não é inadequado para esta situação, e com isso foram criadas as fórmulas infantis. 1, 2, 3

As fórmulas infantis possuem a característica de substituição

ao leite materno quando a criança não puder se alimentar do mes-

mo. Os nutrientes e a adequação em sua composição nas fórmulas

Fórmulas infantis

Fernanda Ribas

infantis devem seguir as recomendações do Codex Alimentarius, criado pelas Nações Unidas, em que o desenvolvimento se deu atra-

vés de análises cientificas dos alimentos. As fórmulas infantis pos- suem diversas características, tais como: fórmula para prematuros, sem lactose, de soja, hidrolisadas (podendo ser parcialmente ou por completo), antirregurgitação, partida e segmento. 4 A fórmula para prematuros geralmente não é vendida em comércio (farmácias, mercados ou distribuidoras). Por serem as crianças associadas ao risco de vida, essas fórmulas são vendidas

a ambientes hospitalares, cujo o conceito é recuperar a saúde deste

recém-nascido prematuro. 4 As fórmulas de partida e segmento são para crianças de zero a seis meses de vida e de seis a doze meses de vida, respectivamente. Essas fórmulas são para crianças saudáveis, sem doenças ou aler- gias associadas. 2, 3, 4 As fórmulas sem lactose e de soja, são para crianças cujo pos- suem alguma alteração na absorção de proteínas animais. 2, 4 Fórmulas antirregurgitação são para que crianças com refluxo

(de leve a intenso), sua característica é de gerar um gel após ser con- sumida. Dessa maneira, a fórmula antes de ser consumida, contém

a mesma característica das outras, como um leite. Após entrar em

contato com a acidez do estomago a mesma forma um “gel” que reduz o refluxo. Se qualquer fórmula possuir uma característica espessa ou grossa antes de ser consumida (como uma consistência de purê), está inadequada ao consumo. 1, 3 Fórmulas hidrolisadas (parcialmente ou por completo), são para crianças que possuem alguma doença ou alergia associada à sua saúde,

Fórmulas infantis

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dessa maneira os nutrientes estão mais fáceis de serem absorvidos. 1, 2 Abaixo estão tabelas conforme os segmentos de fórmulas infan- tis até os dois anos de idade. As tabelas foram descritas da seguin- te forma: na primeira linha como estão classificados, na segunda linha o nome do produto no mercado (por ordem alfabética) e na terceira linha o laboratório que fabrica as fórmulas. Vale ressaltar que para as fórmulas serem administradas deve-se ter prescrição de um nutricionista. 2, 3

serem administradas deve-se ter prescrição de um nutricionista. 2 , 3 109 Nutrição da gestação à
serem administradas deve-se ter prescrição de um nutricionista. 2 , 3 109 Nutrição da gestação à
serem administradas deve-se ter prescrição de um nutricionista. 2 , 3 109 Nutrição da gestação à
serem administradas deve-se ter prescrição de um nutricionista. 2 , 3 109 Nutrição da gestação à

Fórmulas infantis

Fernanda Ribas

Fórmulas infantis Fernanda Ribas • Referências 1. FEFERBAUM, Rubens; SILVA, Ana Paula da; MARCO, Denise. Nu-
Fórmulas infantis Fernanda Ribas • Referências 1. FEFERBAUM, Rubens; SILVA, Ana Paula da; MARCO, Denise. Nu-
Fórmulas infantis Fernanda Ribas • Referências 1. FEFERBAUM, Rubens; SILVA, Ana Paula da; MARCO, Denise. Nu-

• Referências

1. FEFERBAUM, Rubens; SILVA, Ana Paula da; MARCO, Denise. Nu- trição enteral em pediatria. São Caetano do Sul: Yendis, 2012.

2. PALMA, Domingos; OLIVEIRA, Fernanda Luisa Ceragioli; ES-

CRAVIDAO, Maria Arlete Meil Schimith. Guia de nutrição clínica

na infância e na adolescência. São Paulo: Manole, 2012.

3. WEFFORT, Virgínia Resende Silva; LAMOUNIER, Joel Alves.

Nutrição em pediatria: da neonatologia à adolescência. São Pau-

lo: Manole, 2010.

4. BRASIL, ANVISA. Perguntas e respostas dobre fórmulas in-

fantis. Brasília, 2014. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.

br/documents/33916/2810640/Formulas+infantis/b6174467-e-

510-4098-9d9a-becd70216afa>

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

• Qual a época certa para o nascimento dos primeiros dentinhos?

O período de formação dos primeiros dentinhos é um processo que se inicia ainda na fase intrauterina e se com- pleta com a total erupção (nascimento) dos dentes na boca. Para o bebê, essa é uma fase de inquietação e de novas sensa- ções, momento em que é imprescindível que os pais fiquem calmos e tomem as medidas necessárias para minimizar o desconforto das crianças. Em geral, o aparecimento dos dentes se inicia com os incisivos (dentes da frente) quando os bebês têm, em média, 6 meses de vida e se encerra aos 3 anos com o nascimento dos molares (dentes mais robustos da parte de trás), quando já estão presentes na boca os 20 dentes decíduos (de leite), como ilustrado abaixo.

os 20 dentes decíduos (de leite), como ilustrado abaixo. Essas idades são estimativas de quando normalmente

Essas idades são estimativas de quando normalmente os dentes nascem, podendo esse tempo variar para mais ou menos meses. É muito comum bebês já terem dentinhos aos 3 meses ou que somente apresentem algum sinal de nascimento após de 1 ano de idade, o que

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

é considerável normal e individual de cada ser. Porém, há bebês que já apresentam dentes ao nascimento (den- tes natais), ou às vezes, esses aparecem 30 dias após o nascimento (dentes neonatais). Nesses casos, em que os dentes surgem muito precocemente ou mesmo quando aparecem muito tempo depois do estimado, os pais devem procurar um profissional, preferen- cialmente um Odontopediatra. 7 Em situações normais, a primeira consulta ao Odontopediatra deve ser realizada durante o primeiro ano de vida, preferencial- mente por volta dos 6 meses. A frequência das visitas ao dentista dependerá do risco que o paciente apresentar para desenvolver al- guma doença, o que será determinado pelo profissional. No entanto, dos 12 aos 36 meses, o ideal é que haja consultas trimestrais para o acompanhamento do desenvolvimento da primeira dentição. 1

• Sinais associados ao nascimento dos dentes de leite:

O nascimento dos dentes é um processo natural ao desenvol- vimento humano, mas alguns distúrbios podem aparecer nesse período. Geralmente ocorre alteração no humor e o bebê pode ficar mais agitado e choroso como consequência do incômodo gerado pela coceira e rompimento da gengiva. Os sinais mais comuns ou fatores que podem surgir concomitantemente ao nascimento dos dentes são:

Inflamação gengival: acontecem devido à movimentação dentá- ria deixando inchaço na região; Irritação e choro: decorrente da coceira gerada pela pressão do dente contra a gengiva; 3

Cuidados com os primeiros dentinhos

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Sono comprometido; 4

Perda de apetite; 4

Ligeiro aumento da temperatura corporal4: temperatura baixa, não caracterizada como febre, é comum no período de 4 a 19 dias antes e depois do dia da erupção do dente. 11

Salivação excessiva: ocorre por causa da maturação das glândulas salivares que acontece no mesmo período do nascimento dos den- tes. Essa maturação aumenta a viscosidade da saliva e acaba por di- ficultar a sua deglutição, fazendo com que o bebê comece a babar. 9

Alterações intestinais: podem estar associadas ao fato de crianças

levaram dedos e objetos à boca devido ao desconforto gengival, e não têm causa direta com o processo de nascimento; 5

É importante que os pais saibam que os sinais e sintomas asso-

ciados à erupção de dentes decíduos não são graves, alguns bebês

sequer apresentam sinais. Esses sintomas são temporários e de- saparecem em algumas semanas, assim que os dentes irrompem na cavidade bucal.

A presença de febre, vômito ou diarreia não estão associadas à

erupção de dentes, podem ser sintomas de alguma doença. A associa- ção da manifestação desses sintomas com o nascimento dos dentes pode contribuir para o adiamento da tomada de decisão clínica em casos de doenças de maior gravidade, como gastroenterites, infecções urinárias ou otites, ou pode estimular o uso excessivo de medicamen- tos mascarando assim uma sintomatologia que pode ser importante para um diagnóstico preciso. 4

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

• Como aliviar os sintomas do bebê?

Existem algumas medidas que podem ser usadas pelos pais para diminuir o desconforto dos seus bebês.

Mordedor gelado: como a gengiva está irritada, o frio é bastante tranquilizador. Colocar o mordedor na geladeira e dar ao bebê pode ajudar a aliviar os sintomas.

Picolé de leite materno (tetolé): congelar o leite em forminhas de picolé pode ser uma ótima alternativa.

Fralda de pano molhada com água gelada: caso o bebê não aceite mordedores, cubinhos ou picolés.

Dedeira: usada pelos pais para massagear a gengiva e diminuir a coceira. Importante: a dedeira não serve para a higienização dos dentes, não substitui a escova. Pomadas anestésicas tópicas: estão disponíveis nas farmácias. Quando estas são utilizadas, os pais são aconselhados a aplicá-las de maneira correta e por isso devem ser orientados pelo profissional. 11

Analgésicos sistêmicos: No caso de irritabilidade persistente que comprometa o sono e a alimentação, os analgésicos sistêmicos, podem ser fornecidos com critério. Os pais devem saber que isso consiste em uma medida temporária e sempre com a indicação do odontopediatra. 11

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

• Como e quando começar a escovar os dentinhos?

A prática de bons hábitos de higiene dentária deve começar antes de nascer o primeiro dentinho. Após o bebê se alimentar, ou, no mínimo, à noite, depois da última amamentação, a língua, a parte interna da boca e a gengiva precisam ser higienizadas. Os pais devem molhar a ponta da fralda ou de uma gaze em água filtrada ou fervida e começar a limpeza oral, esfregando-se todas as superfícies da boca de tal forma que se removam os detritos alimentares. Tal ato deve se tornar um hábito diário, assim o bebê irá se acostumar. 6 Com o nascimento dos dentes de leite a higiene do bebê deve ser feita com o uso de uma escova dental convencional com cabeça pequena e cerdas bem macias que permitam alcançar facilmente todas as partes da boca. 5 Crianças de todas idades podem usar creme dental com flúor, mas em pequenas quantidades que sejam seguras quanto ao risco de desenvolver fluorose e o benefício anticárie seja mantido. A frequência de escovação deve ser limitada a duas vezes ao dia e os pais devem ensinar a criança a não engolir a espuma do creme dental. 2 Até os 4 anos de idade a quantidade de creme dental deve ser a equivalente a um grão de arroz cru e, nas crianças mais jovens, que possuem apenas 4 a 8 dentes irrompidos (cerca de 12 meses de idade) essa quantidade ainda pode ser reduzida pela metade. 10

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

Cuidados com os primeiros dentinhos Mayza Teixeira Quantidade equivalente a um grão de arroz cru.8 Os

Quantidade equivalente a um grão de arroz cru.8

Os dentes de leite são temporários, por volta dos 6 anos eles co- meçam a ser substituídos pelos dentes permanentes, mas precisam ser bem higienizados pois exercem papel importante nessa fase de desenvolvimento. Fazem a trituração e mastigação dos alimentos, auxiliam na fala, preservam o espaço para os próximos dentes e ajudam no crescimento equilibrado dos ossos e músculos da face. Bebês e crianças, principalmente durante o primeiro ano de vida, podem ter um tipo de cárie que evolui muito depressa e pode atingir vários dentes de uma só vez, destruindo-os rapidamente, a chamada cárie de mamadeira. A causa mais comum desse proble- ma é a amamentação frequente durante a noite associada à falta de limpeza dos dentes após essa mamada. Muitas mães deixam as crianças dormirem enquanto estão mamando, esse hábito deve ser evitado a fim de que escovem os dentes antes de adormecerem. Cuidar bem dos dentinhos do bebê é essencial, pois a cárie pode ata- cá-los tão logo comecem a nascer, fazendo-se necessária a higiene após a mamada noturna. 2 Caso a criança faça uso de chupetas ou bicos, assim que os primeiros dentes surgirem, substitua-os pelos mordedores. O seu uso em excesso pode deixar os dentes “tortos” e prejudicar a

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

mastigação, a deglutição (ato de engolir), a fala, a respiração e o crescimento da face. 2

• Referências

1. Associação Brasileira de Odontopediatria. Manual de Referên-

cias para Procedimentos Clínicos em Odontopediatra. 2009 www. abodontopediatria.org.br

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Mantenha seu sorriso: fazendo a higie-

ne bucal corretamente. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. (Cartilha).

3. De Rezende CFM, Kuhn E. Percepção das Mães e Pediatras de

Ponta Grossa/PR em Relação às Alterações Ocorridas em Bebés Durante a Erupção da Dentição Decídua. Pesqui Bras Odontope- diatria Clin Integr. 2010;10(2):163-167. 4. Ferreira FV, Machado MVS, Ardenghi TM, Praetzel JR. Mani- festações sistémicas e/ou locais associadas à erupção dos dentes decíduos: Estudo retrospectivo. Pesqui Bras Odontopediatria Clin Integr. v. 9, n. 2, p. 235-239, 2009.

5. Figueiredo, M. C; Faustino-Silva, D. D. Efetividade de dedeira de gaze

comparada à escova dental convencional no controle do biofilme den- tários em bebês. Can Scientiae Saúde. v. 7, n. 3, p. 357-366, 2008.

6. Massao JM. Filosofia da clínica de bebês da Unigranrio-RJ. Rev

Bras Odontol. v. 53, p. 6-13, 1998.

7. Moss SJ. Crescendo sem cárie. São Paulo: Quintessence; 1996.

8. Oliveira, B. H. de; Santos, A. P. P. dos; Nadanovsky, P. Uso de den-

tifrícios fluoretados por pré-escolares: o que os pediatras preci- sam saber? Residência Pediátrica. v. 2, n. 2, p. 12-19, 2012.

Cuidados com os primeiros dentinhos

Mayza Teixeira

9. Paula F De, Silva B. Erupção dental: sintomatologia e tratamen- to. Pediatr (São Paulo). 2008. 10. Tenuta LM, Chedid SJ, Cury JA. Uso de Fluoretos em Odontope- diatria - Mitos e Evidências. In: Maia LC, Primo LG, editors. Odon- tologia Integrada na Infância. São Paulo: Santos, 2012:153-77. 11. Wong, D. L. Whaley & Wong Enfermagem Pediátrica- Ele- mentos essenciais à intervenção efetiva. 5.ed. Rio de Janeiro:

Guanabara Koogan, 1999.

Alimentação em cada fase

Nathieli Lima

Alimentação em cada fase

Nathieli Lima

Grande parte dos problemas relacionados à obesidade e à ou- tras patologias associadas, como diabetes tipo II, hipertensão, doenças cardiovasculares e hipercolesterolemia (colesterol alto), encontra-se na formação dos hábitos alimentares. As crianças são completamente dependentes dos pais e responsáveis para se ali- mentar, e cabe a vocês formarem bons hábitos.

• Até aqui tudo certo. Mas e na prática? O que fazer para estimular os tais hábitos alimentares saudáveis?

Introdução Alimentar

Deve-se primeiramente fazer a adequada introdução de novos alimentos no primeiro ano de vida. O ser humano tem uma prefe- rência inata por sabores doces. Desde o período pré-natal somos estimulados pelas substâncias químicas presentes no líquido am- niótico, o que nos deixa propensos a gostar de sabores adocicados, mesmo se forem de alimentos desconhecidos. Então, quando forem introduzir outros alimentos depois do período de aleitamento ma- terno exclusivo, sugiro que as primeiras papinhas sejam feitas de preparações com legumes e não frutas, para que o bebê não tenha preferência por alimentos doces no começo dessa transição. Os legumes devem ser devidamente higienizados, cozi- dos inteiros e se possível com as cascas para depois serem cor- tados ou amassados, pois assim perderão menos nutrientes durante o preparo. Se o seu bebê não consumiu nenhum ou- tro alimento além do leite materno, ele não conhece ou- tros sabores, sendo assim, não há necessidade de colocar sal

Alimentação em cada fase

Nathieli Lima

ou açúcar nas preparações, pois ele não vai sentir falta. Tente adiar ao máximo o contato do seu filho com essas substâncias. Uma hora ele vai ingerir alimentos com muito sal ou doces, mas quanto mais tarde melhor. O seu filho raramente vai gostar de um determinado vegetal na primeira vez que você oferecer. Talvez não aceite na segunda vez, nem na terceira, nem na quarta. É normal. Da próxima vez ofereça de outra forma. Por exemplo, se você fez uma papinha com batata,

cenoura e abóbora e ele não gostou, tente fazer com apenas um desses vegetais e observe se ele aceita dessa forma. Acrescente caldi- nho de feijão, algumas ervas e temperos suaves. É preciso oferecer

o mesmo alimento de formas variadas pelo menos de 12 a 15 vezes

até que a criança aceite. Não desista! Lembre-se que ele depende de você para se alimentar e o seu exemplo é fundamental para que seja despertado o interesse de experimentar novos alimentos.

• Fase pré-escolar e escolar (de 2 a 10 anos)

A partir dos 2 anos de idade, a criança começa a mostrar as suas preferências, fazendo escolhas nem sempre benéficas. Tendem a comer apenas o que gostam e são resistentes ao experimentar no- vos alimentos. Por isso é necessário que os pais ensinem aos filhos

o que e quanto devem comer, estabelecendo uma rotina alimentar,

estando presentes durante as principais refeições e se alimentando de forma adequada para que os filhos vejam e queiram seguir esse exemplo. A oferta de alimentos tem que ser feita de forma firme, mas

não dura, para que comer não se torne uma experiência desagradável.

Alimentação em cada fase

Nathieli Lima

Nessa idade a criança brinca muito e acaba se esquecendo das suas necessidades. Ela raramente vai te pedir água, ou mesmo para

ir ao banheiro. Mais uma vez volto a falar da rotina alimentar.

Você tem que ficar atento e sempre ofertar água e as refeições nas

horas certas e nunca deixar a criança substituir refeições por ma- madeira, pois a saciedade causada pelo leite (ou outro conteúdo da mamadeira) impede a vontade de conhecer outros alimentos. Manter horários certos para que a criança faça as refeições

é fundamental para que ela se alimente bem. Se vocês têm o costume de almoçar ao meio dia, a refeição anterior a esse pe- ríodo tem que acontecer no máximo até às 10:00 da manhã,

e com alimentos leves para que a criança não fique saciada até a hora do almoço.

O ideal é que aproximadamente 30 minutos depois que a crian-

ça acorde, ela tome o café da manhã, que duas ou três horas depois faça um pequeno lanche e depois almoce. À tarde é recomendado que ela faça mais dois lanches e depois jante. Claro que esses ho- rários vão depender de cada criança, pois algumas acordam cedo, outras tarde. Aqui vale o seu bom senso.

• E o que ofertar nessas refeições?

O cardápio deve ser variado, como alimentos de todos os gru-

pos, como diferentes texturas, sabores e formas. Grupo 1: cereais (aveia, arroz, milho), massas, pães, raízes

e tubérculos. São fontes de energia e devem ser consumidos

seis vezes ao dia.

Alimentação em cada fase

Nathieli Lima

Ex: Café da manhã: 1 fatia de pão Lanche da manhã: 1 fatia pequena de bolo Almoço: arroz Lanche 1: torrada Lanche 2: vitamina com aveia Jantar: macarrão (o cardápio está montado apenas com os alimentos do grupo 1 para demonstrar como devem ficar divididos durante o dia, mas

precisa conter alimentos de todos os grupos) Grupo 2: legumes e verduras. São fontes de vitaminas, minerais

e fibras e devem ser consumidos três vezes ao dia. Ex: saladas, cremes, purês, refogados. Grupo 3: frutas. Também são fontes de vitaminas, minerais e fibras e devem ser consumidos três vezes ao dia. Ex: batidas com leite, em cubinhos, em sucos. Grupo 4: leite, iogurte e queijos. São fontes de proteínas de alto valor biológico e ricos em cálcio, que atuam na construção dos músculos e ossos. Devem ser consumidas três porções ao dia. Ex: vitaminas, mingau, sanduíche de queijo. Grupo 5: feijão, lentilha, ervilha, grão de bico e soja. São fonte de proteína e ferro e devem ser consumidas pelo menos uma vez ao dia. Lembrando que sempre que oferecer um alimento desse grupo,

é interessante ofertar também uma fonte de vitamina C (laranja,

limão, acerola, goiaba) para que o ferro contido neles seja melhor

absorvido pelo organismo. Grupo 6: carnes e ovos. São proteínas de alto valor biológico, ferro e vitamina B 12 . Consumir três porções ao dia.

Alimentação em cada fase

Nathieli Lima

Grupo 7: doces e gorduras. Devem ser consumidos modera- damente, e não devem servir como recompensa ou punição por alguma coisa. Não devem ficar expostos, nem ao alcance para que a criança mesma se sirva. “Não é maldade não deixar que o filho coma batata frita e tome refrigerante. Maldade é deixa-lo fazer isso todos os dias” . – Gabriela Kapim, Nutricionista Infantil. Agora que sabemos como montar cada refeição ao longo do dia, vem uma parte muito importante e que pode ser difícil: introduzir novos alimentos nas refeições do seu filho. A forma mais eficaz de se fazer isso, é possibilitando que as crianças conheçam e tenham contato com os alimentos. Você pode levá-lo até a uma horta para que ele mesmo os colha, ou ainda pode levá-lo às compras. Faça-o sentir o cheiro, a textura, observar as cores. Não torça o nariz para nenhum alimento para que o seu filho não faça o mesmo. Leve seu filho para a cozinha e peça ajuda na hora do preparo. Coisas simples, como lavar as folhas para a sala- da, colocar a mesa antes das refeições. Invente formas diferentes de preparar os alimentos, faça lanches divertidos. Essas pequenas atitudes aumentarão o interesse da criança pelo alimento e farão com que pelo menos queiram experimentar.

Alimentação em cada fase

• Referências

Nathieli Lima

1. GALISA, M.S., ESPERANÇA, L.M.B.; SÁ, N.G. Nutrição conceitos e aplicações. São Paulo: M. Books, 2008. 2. VITOLO, M. R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. São Paulo: Rubio, 2008. 3. RAMOS M, Stein LM. Desenvolvimento do comportamento ali- mentar infantil. J Pediatr (Rio J). 2000;76 (Suppl 3):228-37.

Alergias e intolerâncias alimentares

Mateus Câmara

Alergias e intolerâncias alimentares

Mateus Câmara

Primeiramente é necessário definir alguns conceitos, como a diferença entre alergia alimentar e intolerância alimentar. Quando

a pessoa possui uma intolerância alimentar, geralmente pode ser

tratada apenas restringindo aquele alimento que causa o sintoma,

a intolerância não está relacionada a processos imunológicos. En-

tretanto, alergia alimentar está relacionada a processo alergênico,

dependendo do grau pode ser fatal, exigindo necessariamente a restrição total do alimento que cause a reação. Dificilmente uma intolerância alimentar será fatal ou causará grandes reações ad- versas, em comparação à alergia. Uma organização de alimentação e agricultura estabeleceu que

o amendoim, soja, peixe, mariscos, leite, ovos, nozes, castanhas e

trigo são os alimentos alergênicos mais comuns no mundo todo, comumente chamado de “grupo dos oito”. Isso não quer dizer que a ingestão destes alimentos para quem não possui alergia vão desencadear algum sintoma. É comum ver pessoas que não possuem doença celíaca (alergia ao glúten), para- rem de fazer a ingestão de alimentos fontes de glúten por questão de “modismos”, se a pessoa não possui nem alergia, nem intole- rância a algum tipo de alimento, o mesmo não causará efeitos adversos. Entretanto, para crianças recém-nascidas que começa- ram a introdução alimentar, é indicado ficar atento ao oferecer

um desses alimentos descritos anteriormente, pois podem causar algum sintoma característico. Mas como saber qual alimento está causando tais sintomas? Simples, quando for introduzir alimentos novos, e ou alimentos que podem causar alguma reação alérgica ou até mesmo alguma

Alergias e intolerâncias alimentares

Mateus Câmara

intolerância, ofertar o alimento separadamente e prestar atenção se a criança apresentar alguns sintomas clássicos como, diarreia, náusea, vômitos ou cólica abdominal. Quando for dar um alimento que a criança nunca comeu, não dar em grandes quantidades e de preferência isoladamente ou junto a algum alimento que você já tenha ofertado anteriormente. Muita gente não repara, é necessário atentar-se aos aditivos químicos que possuem nos alimentos industrializados, o ideal será sempre você preparar a alimentação do seu filho com alimentos naturais, visto que alguns aditivos colocados para dar sabor ou para dar cor e, até mesmo para manter a validade mais prolon- gada, podem causar reações parecidas com a das intolerâncias e alergias, e claro, preparar a papinha do seu filho com alimentos naturais, que necessitem ser preparados, acaba sendo muito mais nutritivo e saboroso além de você saber com precisão quais são as preferências do seu filho. De maneira geral, é preciso prestar atenção em alguns sin- tomas, para ficar mais fácil o diagnóstico precoce de uma aler- gia alimentar. O corpo, após uma reação alérgica a algum ali- mento, exibe alguns sinais, no caso da pele são vermelhidão, coceira, bolhas vermelhas, porém não são apenas na pele, pode ser encontrado sinais respiratórios, como asma, dificuldade em respirar, rinite. Já a intolerância a lactose é a mais comum encontrada em be- bês. A lactose é o açúcar do leite, indivíduos que possuem intole- rância a lactose, não possuem uma enzima encontrada no intes- tino chamada lactase. Esta enzima tem a capacidade de quebrar

Alergias e intolerâncias alimentares

Mateus Câmara

a lactose fazendo com que ela seja absorvida. Porém em pessoas

que não possuem esta enzima, não conseguem quebrar a lactose, fazendo com que esse açúcar do leite fique fermentando no intes- tino da pessoa, formando assim gases e como defesa o corpo tenta

jogar líquidos para o intestino tentar digerir este açúcar, este é um dos motivos dessa intolerância causar a diarreia líquida. Um dos sintomas mais comuns na intolerância a lactose são, distensão ab- dominal por causa da grande quantidade de gases, diarreia líquida

e dor abdominal. Hoje no mercado podemos encontrar fórmulas

infantis sem lactose, leite sem lactose e iogurtes, porém lembre-se,

ao ver zero lactose não significa que é zero açúcar, o que a indús- tria faz é colocar a enzima lactase dentro do produto deixando a lactose já quebrada pronto para ser absorvida. Ao falar de alergia, a mais comum de todas que é a ao glúten ou doença celíaca. O glúten é uma proteína encontrada nos cereais como, trigo, centeio, cevada, triticale e em grãos semelhantes. Os sintomas mais comuns dessa alergia são diarreia, distensão abdo- minal, perda de peso, anemia, fraqueza, déficit no crescimento, mas qual o motivo de tantos sintomas, bom um dos sinais mais comuns são alterações do intestino inteiro, diminuindo assim a absorção dos outros nutrientes, como proteínas vitaminas e minerais, ou seja, quando a criança é alérgica ao glúten, seu intestino é poten- cialmente agredido diminuindo a capacidade de absorção destes nutrientes descritos anteriormente. Além de ocorrer a diarreia, que é um sinal de má absorção. Por isso que a retirada completa do glúten nesses casos se faz necessário, sempre se atentar a rotula- gem dos alimentos, ver se possuem glúten ou não, principalmente

Alergias e intolerâncias alimentares

Mateus Câmara

a aveia, existem aveias que possuem glúten, então é preciso, nes- se caso, sempre olhar o rotulo com muita atenção. Fora isso, se a criança ficar longe de alimentos que possuem glúten, ela poderá crescer normalmente, brincar, estudar ter uma vida normal. Por fim, o ideal será sempre procurar um médico caso a crian- ça tenha uma reação alérgica a algum alimento, fazendo os testes adequados para você ter certeza do que está causando os sintomas, após diagnosticado uma intolerância ou uma alergia alimentar é indicado, procurar um nutricionista para pode adequar a dieta do seu filho, e não faltar nenhum nutriente para o crescimento e desenvolvimento dele.

• Referências

1. PATOLE, SANJAY. Strategies for prevention of feed intolerance in preterm neonates: A systematic review. The jornal of Maternal- -Fetal and Neonatal Medicine. v.18, n.1, p. 67-76. 2005.

2. LUCCHINI, RENATO, et al. Feeding intolerance in preterm in-

fants. How to understand the warning signs. The jornal of Mater- nal-Fetal and Neonatal Medicine. v.24, n.1, p.72-74. 2011.

3. FANARO, SILVIA. Strategies to improve feeding tolerance in

preterm infants. The Journal of Maternal-Fetal and Neonatal Me-

dicina. v.25, n.4, p.54-56. 2012.

Alimentação para crianças especiais

Daniel Rodrigues

Alimentação para crianças especiais

Daniel Rodrigues

O alimento é essencial para ser humano, não só como fonte de

energia para funcionamento dos órgãos, mas também como uma

fonte de conforto pessoal e social. Uma alimentação saudável é essencial para equilíbrio do corpo, pois é fonte de vitaminas e mi- nerais. (MONTEIRO, 1995) Crianças especiais assim como qual quer pessoa necessita de uma alimentação saudável e equilibrada para terem menos risco de desenvolver doenças, mais no caso de crian- ças especiais a alimentação devia possuir um maior cuidado por estarem mais suscetíveis para desenvolver doenças. (VANZ, 2008). Algumas delas tem dificuldade ou não possuem uma forma clara de se comunicar com pais e responsáveis por não falarem, escutarem ou possuir algum atraso mental com que faz com que a criança não se comunique, até mesmo o próprio fato de serem crianças e não terem muita maturidade. Tudo isso faz com que a alimentação e o habito alimentar se torne responsabilidade dos pais e responsáveis. (FISBERG, 2000)

A criança tende como natural a copiar a alimentação das pes-

soas mais próximas dela, a imitar o que os pais consumem, tendo em vista tal situação, os pais e responsáveis tendem a dar bons exemplos, comer frutas e verduras diariamente para que a crian- ça veja e se adapte, facilitando, assim, o consumo das mesmas e, consequentemente, facilitando a construção de bons hábitos ali- mentares. (FISBERG, 2000; BATISTA, 2006) Pesquisas cientificas nos mostram que pais de crianças espe- ciais oferecem alimentos não saudáveis para crianças como conso- lo pelos seus problemas, por comodidade e por falta de renda e/ou conhecimento. (GIARETTA; GHIORZI, 2009). Isso acaba transfor-

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mando e modificando o hábito alimentar da criança, fazendo com que esta não queira mais se alimentar de frutas, verduras, alimen- tos mais saudáveis. Estudos nos mostram que algumas crianças com Síndrome do Espectro do Autismo, hiperatividade, Síndrome de Down, possuem pré-disposição para alguns alimentos, de acordo não só com a doença mais pelo convívio, pela interação social em que esse alimento foi ofertado. (SALLIS; GLANZ, 2006) Por exemplo, se os pais ou responsáveis de uma criança os le- vam para uma festa de um coleguinha, aonde a criança vê um ambiente feliz, as pessoas se divertindo, brincadeiras e desenhos, oferecem a ele comidas típicas de festa como bolo, refrigerante, salgadinhos fritos, balas e doces, alimentos com grande quantidade de açúcar e gordura, qual quer pessoa sentira prazer, felicidade, não só pelo alimento, que se torna reconfortante para criança, mas o espaço potencializa esse efeito, isso faz com que a criança veja e associe aquele alimento a um bem estar, o próprio corpo consegue fazer esse alimento ser prazeroso para alguns liberando hormônios do prazer em condições normais, mais sua condição de criança especial associado à uma alimentação habitual em casa com alimentos não saudáveis, muda e transforma gradualmente seu hábito alimentar. O exemplo ilustra uma forma de mudança e construção de hábito de uma criança, mas não é padronizada para todos, pois dependem de vários fatores, a grande questão é o que responsável e os pais são os principais agentes nesta construção. (WUO, 2006) Dentro da formação de hábitos alimentares saudáveis, a busca por profissionais como nutricionista pode desempenhar uma gran-

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de ajuda para responsáveis e pais. O nutricionista é um profissional especializado em alimentação saudável, dará dicas e formas de você adicionar um alimento saudável na vida da sua criança, tra- zendo mais saúde e prevenindo doenças. Nutricionistas possuem ferramentas de avaliação do estado nutricional, (especializadas para esta população), avaliação do padrão alimentar, técnicas e dietas que iram diagnosticar e ensinar a introdução de alimentos essenciais na alimentação do seu filho e família. (ALLEN, 2004) A necessidade de uma equipe multidisciplinar, com médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, etc., também é de gran- de ajuda, pois assim como mencionado anteriormente, o ato de comer influencia em diversas áreas no ser humano, fazendo assim um acompanhamento geral. A ajuda da equipe provavelmente pro- porcionará melhores resultados, potencializando a prevenção de doenças. (CARDOSO, 2014) Dentro da categoria de crianças especiais existe uma doença que vem surgindo com maior incidência, o Transtorno do Espec- tro do Autismo, mais conhecida popularmente como autismo. O autismo é uma doença de diversos fatores de origem. (KLIN, 2006). Com isso podemos ver crianças autistas com sintomas e modos di- ferentes, cada um com sua especificidade de ser. (DOURADO, 2012). Mais autores publicaram três características clássicas de autistas. Que são: Dificuldade de interação social, interesse restrito a deter- minada forma de agir, movimentos repetitivos e resistência a mu- danças. (BAIRD, et al, 2003). Hoje em dia o autismo não possui uma cura, mas sendo diagnosticada e tratada com antecedência, pode se evitar um agravo das complicações que ela gera na criança. Den-

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tre essas complicações a diminuição do sistema imune, processos inflamatórios, carência nutricional, irritabilidade e agressividade.

O tratamento proposto varia de acordo com a conduta adotada

pelo profissional que o acompanha e a necessidade de cada criança.

Mais estudos nos mostram que alimentos industrializados ricos em adoçantes, corantes, ingredientes artificiais, açúcares, proteínas alergênicas e aditivos podem piorar o estado de saúde da criança. (MARCELINO, 2010; LE, 2010). Tais alimentos devem ser evitados não só para autistas mais para crianças especiais em geral. Devem sempre preferir alimentos naturais e evitar leite de vaca e glúten por possuírem proteínas alergênicas e suplementar pro-bióticos. (MILLWARD, 2008). Essas mudanças de habito alimentar podem melhorar a função cerebral, a memória, o aprendizado, a atenção, o humor, o crescimento e o sono, protegendo assim de neurotoxinas, melhora do sistema imune e a função gastrointestinal. (HOLLON, 2015)

A restrição de proteínas alergênicas contidas no leite de vaca e

derivados, junto com o glúten pode ser uma conduta a ser utilizada, mas que tem que ser avaliada por um nutricionista. Em conjunto com essas práticas há quem defenda, perante estudos científicos, a suplementação de vitaminas do complexo B, principalmente B9, B12, para a diminuição do estresse oxidativo, vitamina C e o mi- neral selênio como poderoso antioxidante. (JAMES, et al., 2009;

HAKOOZ, HAMDAN, 2007; CHEN, 2006; RODRIGUES, 2010). Assim como já mencionado, essas vitaminas e minerais devem ser suplementados perante uma avaliação de um profissional que acompanhe o paciente. Seguindo a linha da alimentação saudável será possível atender às necessidades da criança. Crianças espe-

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ciais possuem uma maior disposição para ter algumas doenças, e a alimentação é fundamental para melhorar e prevenir as mesmas. Atualmente, um dos grandes problemas de saúde pública mundial é o aparecimento das doenças crônicas não transmissíveis, que en- globam diversas doenças como obesidade, diabetes, hipertensão ar- terial, dislipidemia entre outras. As pesquisas mostram que muitas dessas doenças tem surgido na população pelo modo de vida e há- bitos, como uma das principais causas do surgimento das mesmas. (MONTEIRO, 1995; CARDOSO, 2014) Com surgimento da tecnologia, as pessoas mudaram seu com- portamento, alterando assim seu ritmo de trabalho e alimentação, consumindo maiores quantidades de alimentos industrializados e praticando menos atividade física, possuindo menos tempo para alimentação em família. Essas mudanças de comportamento so- cial e alimentar são um dos fatores para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis. Estudos científicos na área de alimentação para pessoas es- peciais mostram que muitos possuem deficiência em nutrientes essenciais para bom funcionamento do corpo, como fibras, vitami- nas e minerais. Nutrientes esses como: vitaminas do complexo B, vitamina D, cálcio, ferro e zinco, são comuns em exames de sangue (bioquímico) deficiência. (MARCOS; VANZ, 2008) Esses nutrientes podem ser medidos no organismo pelo con- sumo mostrado em estudos que se baseiam em recordatórios ali- mentares, uma ferramenta dos profissionais e cientistas utilizam para saber a quantidade e a frequência de consumo de alimentos no dia a dia da criança. Mas também através de exames de sangue.

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A deficiência então pode estar relacionada tanto pelo baixo consumo de alimentos ricos nestes nutrientes, como pode estar relacionado ao erro no metabolismo ocasionado pela doença que a criança possui. (VANZ, 2008) E quando falamos em baixo consumo de alimentos ricos nestes nutrientes precisamos sempre lembrar da importância da alimen- tação adequada, pois muitas crianças especiais, possuem resistên- cias ou dificuldade ao comer determinado alimento por causa da cor, temperatura, consistência, habito de não estar familiarizado com o alimento, dificuldades motoras ou hipotonia muscular, en- tre outros. Os responsáveis deixam de dar o alimento por causa da não aceitação da criança, por ser mais cômodo, pela falta de tempo de ficar na mesa, para dar o alimento a criança ou pela condição financeira e cultural em que aquela família vive. Atre- lado à uma deficiência de uma alimentação saudável, possuindo um habito de consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura e pobre em nutrientes aumentam as chances do desenvolvimento de doenças. (BELINCHON, 2001) Baseado na prevenção de doenças crônicas não transmis- síveis, o Ministério da Saúde elaborou um guia para população brasileira para alimentação saudável e nele explicita claramen- te a importância da alimentação na prevenção de doenças. O material ressalta a importância de uma alimentação a base de alimentos naturais, como frutas e verduras e evitando alimen- tos industrializados, por serem ricos em sódio (sal), gorduras e conservantes. (BRASIL, 2014). O guia de alimentação saudável para população brasileira é um bom material de fácil acesso,

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para reeducação alimentar, da criança e família. (BRASIL, 2014). Os responsáveis e pais por uma criança, sendo ela especial ou não, possui diversos obstáculos e dificuldades, mas é preciso lem- brar que este ser é seu dependente e que com sua ajuda, para en- sinar, educar e dar uma boa alimentação, podendo, dessa forma, mudar e ensinar. Com educação sobre uma boa alimentação, os pais poderão proporcionar a mudança de vida, mesmo que apre- sentando as dificuldades diversas que cada família tem, é a melhor forma de demonstração de carinho e preocupação, que você possa ter. A construção social saudável entorno de qual quer criança torna-se um fator determinante no aparecimento de complicações seja de qual quer origem que ela possa ter. (INCAO, 1992)

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Cuidados com a Ali- mentação da Crian- ça em Tratamento Quimioterápico

Jassanara Taveira

Cuidados com a Alimentação da Criança em Tratamento Quimioterápico

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O câncer pode ser definido como uma doença multicausal crônica, caracterizada pelo crescimento descontrolado e dissemi- nação de células anormais, as quais se reproduzem até formar uma massa de tecido conhecida como tumor. Conforme dados do

Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que, no ano de 2016 e 2017, são esperados 600 mil novos casos de neoplasias no Brasil, exceto tumores de pele não-melanoma. De modo que, espera – se que ocorram aproximadamente 12.600 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos. O câncer infanto-juvenil (crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos) é um conjunto de doen- ças que apresenta características próprias, principalmente com relação à histopatologia e ao comportamento clínico. É conside- rada uma doença rara, correspondendo entre 1% e 3% de todos os tumores malignos na maioria das populações.

A alimentação nesses pacientes é influenciada tanto por fato-

res psicológicos e emocionais quanto por fatores relacionados ao tratamento e à doença. Nos casos de desnutrição, modificações no apetite e na ingestão alimentar são fatores muito presentes. Esse consumo desordenado pode resultar em diversas complicações metabólicas e outras manifestações graves, que podem aumentar tanto a morbidade e a mortalidade dos pacientes quanto resultar numa piora da resposta ao tratamento.

A intervenção e o acompanhamento nutricional têm como

objetivo promover o crescimento e o desenvolvimento normal da criança, melhorar a resposta imunológica, aumentar a to- lerância do paciente ao tratamento e melhorar a sua qualidade

de vida. A intervenção nutricional é importante em qualquer

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etapa do tratamento, porém é mais eficaz quando iniciada pre- cocemente. A alimentação saudável é de suma importância na resposta ao tratamento oncológico, visto que, quando o pacien- te se alimenta corretamente irá se sentir melhor e mais for- te, além de manter ou recuperar o peso, tolerar melhor os tra- tamentos e os efeitos colaterais, diminuir o risco de infecção

e melhorar a cicatrização. Alguns quimioterápicos utilizados levam à anorexia (falta de apetite) causando alterações no paladar, provocando também o apa- recimento de aftas, inflamação de mucosas (em boca, bochechas,

lábios, gengivas, estômago, esôfago) interferindo na ingestão alimen- tar, devido ao desconforto e dor severa. Provocam ainda, frequentes episódios de náuseas, vômitos e alterações gastrointestinais como diarreia e constipação (intestino preso). Quanto maior a dosagem do quimioterápico utilizado, maior serão os efeitos colaterais. É comum que em algum momento do tratamento oncológi- co, haja redução da ingestão alimentar e recusa de determinados alimentos. Diante disso, é importante lembrar que mesmo com todos esses sintomas, deve-se insistir na alimentação por via oral

e procurar um profissional capacitado que possa auxiliar durante esse processo de luta contra a doença.

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• Orientações Nutricionaais para Pacientes Pedriátricos com Sinais e Sintomas ausados pela Terapia Antineoplásica

Anorexia (falta de apetite)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da inapetência; Modificar a con- sistência da dieta conforme a aceitação da criança; Aumentar o fracionamento da dieta e reduzir o volume por refeição, oferecendo de 6 a 8 refeições ao dia; Aumentar a densidade calórica das re- feições e, quando necessário, utilizar complementos nutricionais hipercalóricos ou hiperproteicos (conforme orientação nutricio- nal); Aumentar a variedade de legumes e carnes nas preparações; Melhorar a apresentação dos pratos; Utilizar temperos naturais nas preparações; Oferecer os alimentos preferidos do paciente; Pro- porcionar ambientes agradáveis para as refeições /Evitar cobrança excessiva de ingestão alimentar.

Disgeusia (alteração/perda do paladar) e Disosmia (alte- ração do olfato)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da disgeusia e da disosmia; Esti- mular a ingestão de alimentos mais prazerosos para aqueles em que a disgeusia está aumentada; Aumentar o fracionamento da dieta e reduzir o volume por refeição, oferecendo de 6 a 8 refeições

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ao dia; Modificar a consistência dos alimentos conforme aceitação, liquidificando-os quando necessário; Quando necessário, utilizar complementos nutricionais com flavorizantes e aromas (conforme orientação nutricional); Preparar pratos visualmente agradáveis e coloridos; Lembrar do sabor dos alimentos antes de ingeri-los; Dar preferência a alimentos com sabores mais fortes; Dar preferência aos alimentos em temperaturas extremas para estimular outros sentidos; Utilizar ervas aromáticas e condimentos nas preparações.

Náuseas e Vômitos

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar das náuseas e dos vômitos; Ofe- recer uma segunda vez a refeição, aproximadamente 20 minutos após a primeira oferta; Aumentar o fracionamento da dieta e redu- zir o volume por refeição, oferecendo de 6 a 8 refeições ao dia; Dar preferência a alimentos mais secos; Dar preferência a alimentos de consistência branda (cozidos, mais macios, porém inteiros ou picados); Preparar pratos visualmente agradáveis e coloridos; Evi- tar jejuns prolongados; Mastigar ou chupar gelo 40 minutos antes das refeições; Evitar preparações que contenham frituras e alimen- tos gordurosos; Evitar preparações com temperaturas extremas, mas dar preferência aos alimentos gelados; Evitar preparações e alimentos muito doces; Evitar beber líquidos durante as refeições, ingerindo-os em pequenas quantidades nos intervalos; Manter a cabeceira elevada (45°) durante e após as refeições (caso a criança esteja acamada ou deite após a refeição); Realizar as refeições em

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locais arejados, evitando locais fechados onde possa se propagar

o cheiro da refeição; Deixar o paciente longe da cozinha durante o

preparo das refeições; Evitar o consumo de alimentos muito con- dimentados, gordurosos e doces; Ingerir alimentos cítricos (ex.:

suco e picolé de limão ou maracujá).

Xerostomia (boca seca)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da xerostomia; Estimular a inges- tão de alimentos mais prazerosos; Adequar os alimentos conforme aceitação, ajustando a consistência; Quando necessário, utilizar complementos nutricionais industrializados com flavorizantes cítricos (conforme orientação nutricional); Dar preferência a ali- mentos umedecidos; Preparar pratos visualmente agradáveis e coloridos; Utilizar gotas de limão nas saladas e bebidas; Ingerir líquidos junto com as refeições para facilitar a mastigação e a de- glutição; Adicionar caldos e molhos às preparações; Usar ervas aromáticas como tempero nas preparações, evitando sal e condi- mentos em excesso; Mastigar e chupar gelo feito de água, água de coco e suco de fruta adoçado; Utilizar goma de mascar ou balas sem açúcar com sabor cítrico para aumentar a produção de saliva

e sentir mais sede.

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Mucosite (inflamação de mucosas) e úlceras orais (feridas na região da boca)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar de mucosite e úlceras orais; Mo- dificar a consistência da dieta de acordo com o grau de mucosite; Evitar consumir alimentos secos, duros ou picantes; Consumir ali- mentos em temperatura ambiente, fria ou gelada; Reduzir a quan- tidade de sal utilizada nas preparações; Consumir alimentos mais macios e pastosos; Consumir alimentos com mais caldo; Evitar vege- tais frescos crus; Evitar líquidos e temperos muito fortes ou picantes.

Disfagia (Dificuldade de engolir)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da disfagia; Procurar ajuda de um Fonoaudiólogo, logo que os primeiros sintomas começarem a aparecer; Modificar a consistência da dieta conforme aceitação, de acordo com as orientações do fonoaudiólogo e a capacidade do paciente; Em caso de disfagia a líquidos, semilíquidos e pastosos, utilizar espessantes; Em caso de disfagia a alimentos sólidos, inge- rir pequenos volumes de líquidos junto às refeições para facilitar a mastigação e a deglutição; Evitar ingerir alimentos secos; Dar preferência a alimentos umedecidos; Preparar pratos visualmen- te agradáveis e coloridos; Consumir/Ofertar preparações de fácil mastigação/deglutição, conforme tolerância; Mastigar bastante antes de deglutir, nos casos de disfagia para alimentos sólidos.

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Odinofagia (Dor ao engolir)

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Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da odinofagia; Modificar a consis- tência da dieta de acordo com a aceitação do paciente (intensidade da dor); Aumentar o fracionamento da dieta e reduzir o volume por refeição, oferecendo de 6 a 8 refeições ao dia; Quando neces- sário, utilizar complementos nutricionais com flavorizantes não cítricos (conforme prescrição nutricional); Evitar alimentos secos

e duros; Consumir alimentos em temperatura ambiente fria ou ge-

lada; Diminuir a quantidade de sal utilizado nas preparações; Dar preferência a alimentos na consistência pastosa (carnes macias, bem cozidas, picadas, desfiadas ou moídas) ou liquidificados; Ofer- tar papas de frutas e sucos não ácidos; Mastigar bem os alimentos,

evitando a aerofagia (deglutição excessiva de ar, decorrente da in- gestão apressada de alimentos ou devida a certos estados ansiosos,

e cujo sintoma principal é a eructação – arrotos); Evitar consumir condimentos ácidos que possam irritar a mucosa.

Esofagite (Inflamação do esôfago)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da esofagite; Modificar a consis- tência da dieta de acordo com a aceitação do paciente (intensidade da dor); Aumentar o fracionamento da dieta e reduzir o volume por refeição, oferecendo de 6 a 8 refeições ao dia; Quando necessário, utilizar complementos nutricionais com flavorizantes não cítricos

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(conforme orientação nutricional); Evitar consumir alimentos se- cos e duros; Consumir alimentos em temperatura ambiente; Pre- parar/ofertar uma dieta hipolipídica (com pouca quantidade de gorduras) e pobre em fibras insolúveis; Diminuir a quantidade de sal utilizada nas preparações; Dar preferência a alimentos na con- sistência pastosa (carnes macias, bem cozidas, picadas, desfiadas ou moídas) ou liquidificados; Ofertar papas de frutas e sucos não ácidos; Mastigar bem os alimentos evitando a aerofagia; Manter cabeceira elevada (45°) durante e após as refeições (caso a criança esteja acamada ou deite após a refeição); Evitar a ingestão de café, refrigerantes ou qualquer bebida gaseificada; Evitar utilizar con- dimentos ácidos que possam irritar a mucosa.

Saciedade precoce

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da saciedade precoce; Modificar a consistência da dieta, se necessário, dando preferência a alimentos abrandados (cozidos e mais macios); Aumentar o fracionamento da dieta e reduzir o volume por refeição, oferecendo de 6 a 8 refeições ao dia; Aumentar a densidade calórica das refeições (conforme orientação nutricional); Dar preferência à ingestão de legumes cozi- dos e frutas sem casca e bagaço; Priorizar sucos mistos de legumes com frutas, ao invés de ingerir separadamente na forma in natu- ra; Dar preferência à ingestão de grãos em geral liquidificados ou somente o caldo da sua preparação; Não ingerir líquidos durante as refeições; Utilizar ervas aromáticas e condimentos nas prepara-

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ções; Utilizar carnes magras, cozidas, picadas, desfiadas ou moídas; Evitar alimentos e preparações hiperlipídicas (ricas em gorduras); Manter cabeceira elevada (45°) durante e após as refeições (caso a criança esteja acamada ou deite após a refeição); Evitar a ingestão de café, refrigerantes ou qualquer bebida gaseificada.

Trismo (Constrição mandibular devido à contratura invo- luntária dos músculos mastigatórios)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar do trismo; Adequar a consistência dos alimentos de acordo com a aceitação do paciente; Utilizar artifí- cios para facilitar a ingestão (canudos, seringas, colheres, squeezes).

Enterite (inflamação na mucosa do intestino)

Estar ciente da importância e necessidade da alimentação no processo de recuperação, apesar da enterite; Aumentar o fracio- namento da dieta e reduzir o volume por refeição, oferecendo de 6 a 8 refeições ao dia; Quando necessário, utilizar complemen- tos nutricionais com fórmula pobre em resíduo, isenta de glú- ten, lactose e sacarose (conforme prescrição nutricional); Ofertar dieta pobre em resíduos, glúten e sacarose; Ofertar dieta isen- ta de lactose e cafeína; Ofertar dieta pobre em fibras insolúveis e adequada em fibras solúveis.

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Diarreia