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Desafios e esperanças para a família a partir da Amoris Lætitia

Conrado José Moreira Macedo


e
Maria Suzana F. A. Macedo
Petrópolis, RJ

Ele, Engenheiro Civil. Exerce a função de Ministro Extraordinário da


Sagrada Comunhão (MESC) na paróquia da Catedral de Petrópolis.
Participou do Encontro de Casais com Cristo (ECC), Movimento de
Cursilho (MCC), Conselho Pastoral Paroquial (CPP), Conselho
Pastoral Administrativo (CPA) e coordenou a Pastoral Familiar.

Ela, Mestre e doutoranda em Ciência da Religião (UFJF), graduada


em Teologia (ITF). Também exerce a função de MESC na Catedral.
Participou, juntamente com o Conrado do ECC, CPP, CPA e
coordenação da Pastoral Familiar.

Há muito que se dá certo destaque aos desafios que a família enfrenta na


contemporaneidade. Fala-se da mídia que se “infiltra” em nossas casas, principalmente
através da televisão (note-se o Big Brother Brasil, novelas, etc.) e da internet (com seu
mundo vastíssimo), para deformar os valores. Valores estes que, a muito custo, lutamos
por manter e passar para nossos filhos e netos. Há, contudo, desafios que brotam do
interior mesmo da família. Diante, pois, das inquietações pelas quais passa a família,
encontramos na Exortação Amoris Lætitia1 uma luz que pode guiar o caminho para se
manter saudável e fecunda a vida familiar, e mesmo para se retomar o caminho se acaso
nos desviamos um pouco.
Neste artigo, buscamos destacar alguns aspectos dentre a extensa temática que a
Exortação apresenta, possibilitando uma visão panorâmica do documento,
principalmente para aqueles que não puderam dedicar-se à sua leitura. Procuramos,
também, ilustrar as palavras do Papa Francisco com um opúsculo muito singelo, mas
profundo, escrito pelo Pe. Zezinho, scj. Palavras que ouvíamos em nossa juventude, e
que nos ajudaram no alicerce da família que constituímos.

Palavras-chave: Família. Matrimônio. Espiritualidade. Desafios. Esperanças.

1. Os Desafios

Alguns desafios enfrentados pela família vêm do seio dela própria, enquanto
outros são externos a ela. A Exortação aponta, dentre muitos, o individualismo
exagerado que transforma as pessoas em “ilhas” dentro da comunidade familiar. A vida
hodierna, cujo ritmo acelerado implica em estresse, além do fator cultural, como a
configuração “social e laboral”, que “colocam em risco a possibilidade de opções
permanentes” (n.33). Uma dessas opções, acreditamos que seja o compromisso com a
outra pessoa, pelo resto de suas vidas.

1
Escrita pelo Papa Francisco em 2016, após o Sínodo sobre a família, em Roma.
Podemos, ainda, observar que pais e mães trabalham em demasia para o sustento
de suas famílias e, ao chegar em casa, sentem-se cansados e sem a disposição necessária
para conversar e educar os filhos. Em muitas famílias, não existe mais o hábito de
sentarem-se à mesa juntos para uma refeição. A falta de comunicação pode fazer com
que os filhos sintam-se solitários e busquem preencher este vazio nas ofertas que se lhes
apresentam fora do lar (n.50, 51). Podemos elencar principalmente as drogas, os jogos,
que podem levar à agressividade social e ao afastamento da família.
Também o narcisismo é outro desafio. Ele torna a pessoa egoísta, incapaz de
abrir-se ao outro. Ele causa certa “autonomia”, assinala o Papa, que rejeita “o ideal de
envelhecer juntos cuidando-se e apoiando-se” (n.39).
As crises conjugais quando se apresentam e não são enfrentadas com coragem e
paciência, colocam em risco a família, levando a fracassos. Estes, por sua vez, “dão
origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos casamentos, criando
situações familiares complexas e problemáticas para a opção cristã” (n.41). Uma parte
dos filhos, principalmente os jovens, passa a se desinteressar do casamento como
sacramento, diante da desestruturação familiar que enfrentam. Neste sentido, a
Exortação afirma:

Precisamos encontrar as palavras, as motivações e os testemunhos que


nos ajudem a tocar o íntimo dos jovens, onde são mais capazes de
generosidade, de compromisso, de amor e até mesmo de heroísmo,
para convidá-los a aceitar, com entusiasmo e coragem, o desafio do
matrimônio (n.40).

As condições socioeconômicas desfavoráveis trazem, também, uma série de


consequências negativas para as famílias: o desemprego, a falta de habitação adequada e
digna, dificuldades educacionais, dificuldades em acessar serviços de saúde, o cansaço
ao se pensar em acolher uma vida nova quando a presença de idosos é sentida como um
peso e, ainda, a exclusão social (n.43. 44). No entanto, pensamos que a falta de dinheiro
não mata o amor, como muitos afirmam, mas pode, por vezes, ofuscá-lo.
Muitas famílias sentem-se abandonadas pelas instituições, alerta a Exortação
(n.43). Isto pode ser motivado pelo enfraquecimento da fé e afastamento da prática
religiosa, levando ao distanciamento da comunidade eclesial e à solidão.
Outro fator a ser destacado e que impacta o centro da vida familiar é a
“mentalidade antinatalista”. Ou seja, uma espécie de programa de controle da taxa de
natalidade que, muitas vezes, é promovida, afirma o documento, pelas políticas de saúde
reprodutiva a nível mundial, bem como pela sociedade consumista que apela para um
estilo de vida mais livre e voltado para os gastos exclusivamente para atender aos
desejos e anseios da própria pessoa.
A Exortação, contudo, não descarta a decisão de limitar a quantidade de filhos,
por motivos “suficientemente” sérios, respeitando a reta consciência dos esposos. E é
por respeito à “dignidade da consciência” que a Igreja condena o que chama de “forças
coercitivas do Estado” que impõem a contracepção, a esterilização e até mesmo o
aborto, para limitar o número de filhos (n.42).
Papa Francisco recorda, ainda, a situação da mulher que sofre violência “verbal,
física e sexual” dentro da própria família. Isto constitui não um sinal de força masculina,
“mas uma covarde degradação”. Exorta a que se supere as formas de discriminação e
que se desenvolva um “estilo de reciprocidade” entre os cônjuges (n.54).
Como se percebe, são muitos os aspectos que desafiam a vida conjugal e
familiar, mas, temos que ter em mente, como aponta a Exortação, que muitas famílias,
dentro de sua labuta cotidiana, buscam viver a sua vocação e caminham sem se deixar
abater pelas angústias que surgem nas estradas da vida. Não existe família perfeita, mas
família que busca semear a Palavra de Deus e testemunhar os valores humanos no dia a
dia, nas coisas mais simples.

2. Um Modelo

As famílias cristãs têm como modelo a Sagrada Família de Nazaré – Jesus,


Maria e José. Deus se fez homem, no seio de uma família, nascido do ventre de uma
mulher, que com toda a liberdade e fé disse SIM à proposta do amor divino; José, por
amor e pela fé, também aceitou o chamado de Deus e deu nome ao Menino e cuidou
d’Ele e de Maria. Esta família viveu uma “aliança de amor e fidelidade” ao projeto de
Deus e aos membros da própria família. Isto a tornou capaz de enfrentar as dificuldades
cotidianas (n.66) e, ao lermos os Evangelhos notaremos que não foram poucas as
tribulações.
Papa Francisco nos convida a entrar neste mistério da Família de Nazaré que,
tendo a sua centralidade em Jesus Cristo, ensina o verdadeiro amor feito de doação e
está enraizado no Deus que se faz presente, constituindo-se em igreja doméstica. Esta
igreja doméstica é cada família aonde o próprio Cristo “vem ao encontro dos cônjuges
cristãos pelo sacramento do matrimônio” (GS 48).
Ele relembra os diversos momentos em que Jesus esteve presente no seio de
algumas famílias (Bodas de Caná; em casa de Pedro; com Lázaro e suas irmãs...), no
encontro com pais que choravam por seus filhos (Jairo, chefe da sinagoga; a viúva de
Naim). Jesus também mostrou o rosto misericordioso do Pai ao indicar novo caminho
de vida para a mulher adúltera e a samaritana.
Papa Francisco remete ao concílio Vaticano II2, que em sua Constituição
pastoral Gaudium et Spes, nos números 47-52, trata da dignidade do matrimônio e da
família. Esta Constituição afirma ser dever de todos a promoção do matrimônio e da
família, aí incluídos o poder civil, os sacerdotes, os especialistas nas várias ciências e os
próprios fiéis, que, fazendo uso da reta consciência e da sabedoria podem promover,
pelo próprio exemplo, os valores da família (GS 52).
As nossas famílias, aponta pe. Zezinho, não precisam, “necessariamente ser o
carbono da família de Nazaré”. Basta que sejam “uma boa imitação que isto já é o
suficiente para que muita coisa comece a mudar ao seu redor” (1983, p. 29). Porque
criados à imagem e semelhança de Deus, o casal pode testemunhar o “mistério de amor
que o Senhor revelou ao mundo por sua morte e ressurreição” (GS 52).
Papa Francisco, na Amoris Lætitia, assinala que “a família humana [...] é
restituída a ‘imagem e semelhança’ da Santíssima Trindade (cf. Gn 1,26)”, pois, o
matrimônio e a família, recebem de Cristo, através da Igreja, a graça do Espírito Santo,
a fim de testemunhar a Boa Nova do amor de Deus (n.71). Alerta, ainda, que o
matrimônio é vocação e, como tal, o casal que deseja assumir este sacramento e formar
uma família deve passar por um processo de “discernimento vocacional” (n. 72).

2
Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965) foi convocado pelo Papa São João XXIII, em 1959. João
XXIII presidiu a Primeira Sessão do Concílio e morreu seis meses após o encerramento desta Primeira
Sessão, na tarde do dia 3 de Junho de 1963. O Papa que o sucedeu, Paulo VI, deu prosseguimento ao
Concílio e ao desejo de uma Igreja atenta aos sinais dos tempos.
3. As Esperanças

A família é a força do passado e a energia do futuro revestidas da


fraqueza do cotidiano. (Pe. Zezinho, 1983, p. 15)

Mesmo com todos os desafios e interferências que a família precisa superar, o


amor não desiste e insiste em procurar fazer o bem. Não podemos esquecer que a graça
do sacramento é um dos alicerces que fortalece a aliança entre os esposos e destes com
Deus. Papa Francisco retoma uma de suas Catequeses (02/04/2014) e afirma: “em
virtude do sacramento, os esposos são investidos em uma autêntica missão, para que
possam tornar visível, a partir das realidades simples e ordinárias, o amor com que
Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela” (n.121).
O documento aponta o “hino à caridade”, escrito pelo apóstolo Paulo (1Cor 13),
como um dos norteadores do amor cotidiano, onde nas pequenas coisas podemos fazer a
diferença. Cita, primeiramente, a paciência contra a impaciência. Esta é fruto da
exigência de relações “idílicas”, ou seja, a idealização de relações romantizadas, sem
problemas e perfeitas. Pode ser fruto, também, do egocentrismo que exige o
cumprimento das próprias vontades. Isto pode tornar a convivência difícil, uma vez que
não se reconhece no outro, a sua diferença e a sua igual dignidade na vida familiar. É a
paciência que possibilita este reconhecimento, uma vez que ela nos ajuda a perceber os
nossos limites e os dos outros. A paciência conduz à compaixão que, de acordo com
Papa Francisco, leva a aceitar o outro “mesmo quando age de modo diferente” do que
“eu” desejaria (n. 92).
Intimamente ligada à paciência é a palavra “benfazeja”, que não significa uma
postura passiva, mas “uma reação dinâmica e criativa”. É por isso uma atitude de
serviço. O amor entendido como “fazer o bem”, na gratuidade da doação (n. 94). Sobre
a inveja, a Exortação afirma que ela nos faz olhar somente para nós mesmos. Por este
motivo, o hino diz que o amor não é invejoso, caso contrário não seria amor. (n. 95).
O amor não é arrogante e nem orgulhoso, ou seja, só podemos “compreender,
desculpar ou servir os outros de coração” se nos curarmos do orgulho e cultivarmos a
humildade. Papa Francisco é firme ao notar que a lógica do poder, do domínio, da
superioridade de uns sobre os outros não pode reinar na vida familiar, pois isto acaba
com o amor (n. 98).
Continuando, o documento assinala a “amabilidade” que significa usar de
cortesia como “um estilo irrenunciável do amor”. Esta amabilidade permite que as
pessoas digam “palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem, consolam,
estimulam” (n.99-100). O desprendimento é outra atitude fundamental para a harmonia
familiar, uma vez que nos permite olhar e cuidar do outro e não apenas daquilo que
seria do nosso interesse particular.
O perdão, o suportar, a confiança, a espera e a alegria estão intimamente
imbricados. Na família em que se pede e se dá o perdão cresce o amor, cuja força
possibilita suportar, no sentido de superar as dificuldades que se apresentarem. A
confiança que esta superação promove se torna em alegria, na partilha, na espera
(esperança) de que o amadurecimento e as mudanças desejáveis para o bem de todos os
membros da família são possíveis. Tudo isto permite crescer na vida conjugal e familiar,
pela graça do sacramento, onde a expressão do amor se realiza em atos concretos. Estas
atitudes basilares promovem a liberdade, permitindo “espaços de autonomia, abertura ao
mundo e novas experiências” fora do grupo familiar para que a família “não se
transforme em uma endogamia sem horizontes” (n.101-120).3
A liberdade que “projeta a vida” e, ao mesmo tempo faz com que a pessoa saia
de si e vá ao encontro do outro em generosa gratuidade é um fator que pode possibilitar
um olhar de compreensão das diferenças entre os membros da família. Isto se faz sem
que se incline para um relativismo onde tudo é permitido. Lembremos as palavras do
apóstolo Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém” (1Cor 6,12). Deve-se
discernir aquilo que pode favorecer ou prejudicar o crescimento da própria pessoa e, por
conseguinte, daqueles que estão ao seu redor.
Papa Francisco nos apresenta o matrimônio como um caminho dinâmico de
crescimento e realização. Assinala ainda que a ênfase “quase exclusiva” na procriação
como finalidade do matrimônio e uma “excessiva idealização” do mesmo pode ter
contribuído para diminuir a atração por esse sacramento de amor, aberto à graça (n.35-
36).

4. A Pastoral

O documento assinala “novos caminhos pastorais” a fim de que as próprias


comunidades possam elaborar “propostas mais práticas e eficazes” dentro da doutrina
da Igreja, mas também levando em conta as realidades locais.
Esta tarefa é dirigida, especialmente à pastoral familiar. Papa Francisco alerta
que não adianta “uma genérica preocupação pela família” dentro dos “grandes projetos
pastorais”. É preciso um esforço de evangelização e catequese direcionado para o
núcleo mesmo da família, que a encaminhe a tornar-se, também, sujeito da
evangelização (n. 200). Desta maneira, à pastoral familiar cabe a tarefa de propor
valores que correspondam à necessidade das famílias e, se preciso, denunciando “os
condicionamentos culturais, políticos e econômicos” que geram pobreza, exclusão e
violência (n.201).
Amoris Lætitia insiste, ainda, na formação de agentes da pastoral familiar, bem
como dos sacerdotes e seminaristas, pois, a realidade atual com os desafios que ela
impõe às famílias, exige um empenho e uma preparação maior de toda a comunidade
eclesial para uma evangelização profícua. O acompanhamento das famílias deve dar-se
antes mesmo do matrimônio, já com os noivos.
No encontro de preparação (Encontro de Noivos) para celebrar o sacramento
deve ser oferecida uma formação adequada, priorizando os conteúdos que “os ajudem a
comprometer-se em um percurso da vida toda” fornecendo-lhes elementos básicos para
que recebam o sacramento do matrimônio “com as melhores disposições e iniciar com
uma certa solidez a vida familiar” (n.202-207).
A Exortação afirma que o matrimônio não é algo acabado, mas, os protagonistas,
que são os esposos, são “senhores” da própria história e devem levar adiante o projeto
de vida que escolheram por amor e com liberdade. Papa Francisco assinala que “O olhar
volta-se para o futuro, que é preciso construir dia a dia com a graça de Deus e, por isso
mesmo, não se pretende do cônjuge que seja perfeito. É preciso pôr de lado as ilusões e
aceitá-lo como é: inacabado, chamado a crescer, em caminho” (n.218).
A pastoral familiar deve ajudar as famílias a despertarem para a leitura da
palavra de Deus. Esta “é não só uma boa-nova para a vida privada das pessoas, mas

3
Endogamia é o casamento entre pessoas do mesmo grupo familiar, social, étnico ou religioso.
também um critério de juízo e uma luz para o discernimento dos vários desafios que têm
de enfrentar os cônjuges e as famílias” (n. 227). Esta espiritualidade possibilita o
crescimento na fé e nos permite perceber que Deus habita no meio da nossa família. Em
cada membro da comunidade familiar Deus derrama graças e dons e esta família, com
suas alegrias e dificuldades é “espaço teologal, onde se pode experimentar a presença
mística do Senhor ressuscitado” (n.317).
Papa Francisco afirma que as famílias “não são um problema, são sobretudo uma
oportunidade”. Busquemos, pois, valorizar e cuidar para que cada família, “célula vital
da sociedade” (Papa João Paulo II, Familiaris Consortio, n. 42, 1981), seja sinal de
comunidade amorosa e da gratuidade de Deus.
Em uma análise da Exortação, o padre jesuíta Michael J. Rogers assinala:

Amoris Lætitia é um documento obscuro, e como não poderia ser? Ele


fala sobre algumas das experiências mais maravilhosas e confusas da
vida humana, lugares onde as coisas nem sempre são imediatamente
aparentes, e onde a maioria de nós é forçada a apenas dar o nosso
melhor, na esperança de que é [seja] o suficiente (2017).

É realmente neste sentido que Papa Francisco finaliza a Exortação Apostólica:


convocando a cada um de nós a não perdermos a esperança por causa das nossas
limitações e a não renunciarmos à procura da “plenitude de amor e comunhão que nos
foi prometida” (n. 325) no Reino definitivo, mas que se constrói passo a passo, em
família, nas coisas mais simples do cotidiano aqui nesta terra.

5. Concluindo

Na Exortação Apostólica, Papa Francisco nos convida a uma leitura atenta e sem
pressa (n.10) dos diversos temas abordados. Este é também o nosso convite a todos para
uma reflexão mais aprofundada da Exortação Apostólica Amoris Lætitia, a fim de que
nossa atuação pastoral seja iluminada por aqueles que se debruçaram sobre a temática
da família e tudo aquilo que a envolve, e assim, poderemos dar testemunho mais
adequado do pensamento da Igreja sobre o matrimônio e a vida familiar.
Amoris Lætitia afirma que, uma autocrítica é necessária, no sentido de
reconhecer que, muitas vezes, a maneira de apresentar o matrimônio estava longe da
concretude da vida das pessoas. Este alerta é necessário para que uma aplicação pastoral
se torne mais eficiente e deixe espaço à consciência dos fiéis (n.37). Este respeito à
consciência individual não significa que a Igreja tenha mudado o seu ensinamento sobre
o sacramento do matrimônio, mas, considera com maior atenção a realidade de cada
família.
Pequenas atitudes cotidianas são altamente salutares para a vida familiar. Todos
somos capazes de valorizar as pequenas coisas do dia a dia e, desta maneira valorizar
cada um ao nosso redor. “Amar é difícil. Não se ama porque é fácil, ama-se porque é
preciso”,4 porque se quer realizar, como ensinava Jesus, o projeto do Reino. Este se
inicia pela família, igreja doméstica, que deve estar comprometida com a transformação
e amadurecimento dos seus membros e, por conseguinte, da sociedade em que vivemos.

4
Escutamos esta frase no rádio no momento em que redigíamos nosso artigo. Consideramos oportuno
acrescentá-la.
Referências Bibliográficas

PAPA FRANCISCO. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Lætitia. São Paulo:


Loyola, 2016.
PE. ZEZINHO. A família em 1 minuto. São Paulo: Paulinas, 1983.
ROGERS, Michael J. ‘Amoris’ um documento obscuro sobre experiências maravilhosas
e confusas. Traduzido por Isaque Gomes Correa para o site http://www.ihu.unisinos.br.
Original inglês “Amoris’ murky document on wonderful and messy experiences.
Disponível em https://cruxnow.com.