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O Brasil é o país do imponderável.

Tudo pode acontecer e de tudo tem


acontecido. E com isso, tanto as previsões mais pessimistas como as mais
otimistas tem fundamentos e, mais do que isso, tem grande probabilidade de se
tornarem realidade.
Mas de fato, apesar de toda a mixórdia que atinge os três poderes, a economia
vem sim retomando os trilhos do crescimento. Os números de inflação e
crescimento continuam surpreendendo positivamente e as projeções indicam
que teremos um longo período (como nunca tivemos) com inflação controlada
e taxas de juros baixas.
Mas como é que estamos conseguindo sair da maior recessão da história se
estamos cada vez mais afundando numa crise institucional sem precedentes?
Cada vez mais, podemos distinguir três grandes players: a desordem
político/institucional, a condução da economia interna e a economia externa.
A agenda política gira cada vez mais em torno dela própria. O presidente
articulando para salvar a própria pele, os congressistas trabalhando para manter
poderes, barganhar verbas e, não raro, lutando para não serem presos. Temos
ainda uma briga de egos no Judiciário e um embate notório com os outros
poderes. Ou seja, fica cada vez mais claro o distanciamento de Brasília da
realidade do resto do país. E no centro do problema temos a crise fiscal, que
depende do congresso para ser combatida.
Em relação à condução da economia interna, os méritos são da equipe
econômica que vem trabalhando de forma exemplar. Além de ter controlado a
inflação e abrir caminho para baixar juros, tem conseguido conquistar a
confiança do mercado, seja pela austeridade apresentada, a comunicação clara,
objetiva e transparente, seja também por ter conseguido defender pontos
importantes da política econômica junto ao congresso.
Também não se pode negar que o governo, apesar de ainda não ter
conseguido passar a reforma da previdência, conseguiu vitórias importantes no
congresso, como o teto dos gastos, a reforma trabalhista, a TLP e, porque não
dizer, conseguiu segurar o ímpeto por um déficit maior nas contas públicas.
Mas tivemos um empurrãozinho lá de fora, mais ou menos como foi na década
passada. Ou seja, o Brasil deu sorte de novo. O cenário externo tem sido muito
positivo, a economia mundial vem crescendo sem inflação, de modo que não há
pressão por aumentar taxas de juros. E esse cenário favorece as economias
emergentes como o Brasil.
E o comportamento do mercado no mês de setembro foi um grande resumo do
que pode acontecer de acordo com o cenário, ou seja, mostrou exatamente o
potencial que temos e os riscos a que estamos expostos. Após a “auto delação”
de Joesley Batista o mercado se animou, pois em tese o governo ganha força
política e com isso a agenda de reformas fica mais possível. Tivemos ainda uma
surpresa muito positiva em relação as projeções do PIB e também com a ata da
reunião do Copom divulgada pelo Banco Central. Resultado disso: a bolsa subiu,
juros e câmbio caíram.
E aí, no fim do mês tivemos o acirramento dos ânimos entre EUA e Coréia do
Norte e, a possibilidade de uma guerra fez com que os mercados tomassem
posições mais defensivas. O fluxo para emergentes foi comprometido e,
resultado: a bolsa caiu e o dólar subiu por aqui.
Ou seja, temos sim uma enorme e grande oportunidade para viver mais um
ciclo de crescimento e pujança, mas percorrendo um caminho “a brasileira”. Não
podemos esquecer da capacidade dos nossos políticos de fazer besteira e,
principalmente, do risco em relação aos possíveis solavancos na economia
mundial. No Brasil é sempre no modo “com emoção”.
Alexandre Amorim, CGA, CFP®

Corrupção e crise econômica

Não basta ser


economista, juntar
números e conhecer
uma porção de
fórmulas para discutir o
futuro da economia
brasileira. É preciso
saber da Operação Lava
Jato, acompanhar o
processo de
impeachment e levar
em conta a enorme
incerteza política para
avaliar, sempre com
muita prudência, os
desdobramentos e a
possível superação da
crise econômica.
Nenhuma entidade
multilateral ousa
especular sobre o
futuro dos negócios no
Brasil sem mencionar
esses fatores. A
expressão Lava Jato
aparece no recém-
divulgado relatório do
Banco Mundial sobre
perspectivas da
economia global.
Economistas do Fundo
Monetário
Internacional (FMI)
incluíram em seu
vocabulário, há alguns
anos, a expressão
contabilidade criativa,
pouco antes de
passarem a usar mais
abertamente as
palavras investigação,
escândalo e corrupção.
Que a recessão
brasileira continuará
neste ano e
provavelmente no
próximo é um
consenso. Mas qualquer
previsão de maior
alcance depende de um
jogo de poder ainda
muito incerto, e
também isso é um
consenso.
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O Estado de S. Paulo
09 Junho 2016 | 03h00

O Banco Mundial passou de 3,9% para 4% a contração econômica prevista para


o Brasil em 2016. O crescimento de 1,3% estimado em janeiro para 2017 foi
substituído por uma retração de 0,2%. Pelas novas contas, a produção só voltará
a aumentar em 2018, com um modesto avanço de 0,8, bem menos de metade
da expansão média de 2,1% projetada para a América Latina e o Caribe.
O cenário de contas públicas desarrumadas, baixo investimento e inflação
elevada é o mesmo apresentado na maior parte das análises de instituições
oficiais e privadas.

A lista de recomendações seria previsível, se incluísse apenas providências


econômicas. Mas o cenário é mais complicado. As incertezas sobre a Operação
Lava Jato e sobre o processo de impeachment são mencionadas no documento
Perspectivas Econômicas Globais quando se trata de explicar a baixa confiança
dos investidores. Quatro páginas adiante o assunto é retomado: “Se as
incertezas políticas persistirem, a implementação das iniciativas fiscais
pertinentes poderão ser atrasadas e isso afetará o investimento”.

Há um forte contraste, no relatório, entre o cenário argentino e o brasileiro. A


contração de 0,5% estimada para a Argentina em 2016 é atribuída a ajustes
macroeconômicos em curso e a reformas iniciadas pelo governo do presidente
Macri. Entre os exemplos são citados o corte de subsídios ao consumo de
eletricidade, o fim dos controles cambiais e o acerto com os credores externos.

Segundo os autores do relatório, pode-se prever maior confiança dos


investidores, maior ingresso de capitais e um retorno ao crescimento já no
próximo ano, com avanço de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Se o cenário
se confirmar, Brasil e Venezuela se manterão como patinhos feios da América
Latina, ao lado de um Equador prejudicado pela baixa dos preços do petróleo e
pela valorização do dólar, sua moeda oficial.

No começo de junho a OCDE publicou sua revisão das projeções para a


economia global. O novo relatório, assim como o do Banco Mundial, mostraria
um quadro menos animador que o de janeiro, com recuperação lenta na
Europa, ainda firme nos Estados Unidos e com menor dinamismo nos
emergentes. Os economistas da OCDE, como haviam feito em abril os do FMI,
cobraram mais estímulos fiscais dos governos do mundo rico, apontando o
esgotamento dos incentivos monetários.

No caso do Brasil, a recessão estimada para este ano passou de 4% para 4,3%.
O crescimento nulo calculado para 2017 converteu-se numa contração de 1,7%.
No topo das explicações apareceram “a elevada incerteza política e as
revelações sobre corrupção” como fatores de redução da confiança de
investidores e consumidores. Dificilmente haverá consenso para reformas até
novas eleições, diria alguns dias depois o economista Jens Arnold, um dos
diretores da OCDE.
Desmentir essa avaliação é o maior desafio para o presidente em exercício
Michel Temer. O tapa na mesa, em seu primeiro grande pronunciamento, foi
uma promessa de firmeza. Falta confirmar essa promessa.

Brasil não sairá da crise em 2017, diz


economista da FGV
A previsão é que em 2016 haverá contração de 3,4% e que o próximo ano começará com queda
de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB).

Por: Folhapress em 06/11/16 às 13h54, atualizado em 06/11/16 às 13h57

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previsão é que em 2016 haverá contração de 3,4% e que o próximo ano começará com queda de
0,5% no Produto Interno Bruto (PIB)Foto: Arte FolhaPE

As expectativas de recuperação da economia brasileira têm melhorado, mas ainda não será em
2017 que o país vai sair da crise. A previsão é que em 2016 haverá contração de 3,4% e que o
próximo ano começará com queda de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram
apresentados pela economista Sílvia Matos no seminário Perspectivas 2017: Economia e Política
em Momento de Mudança, promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio
Vargas (FGV/Ibre). As informações são da Agência Brasil.

Sílvia Matos é coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre, estudo mensal que contempla
estatísticas, projeções e análises dos aspectos mais relevantes da economia brasileira. "Acho
difícil imaginar uma saída tão rápida dessa recessão. Uma recessão longa, profunda, similar à dos
anos 80 e, sem dúvida, baixo crescimento neste ano", disse.

A economista disse que o movimento de "desinflação", tem ocorrido em ritmo lento e, por isso,
o Banco Central, está sendo mais cauteloso, para não errar na calibragem da economia. "Nesse
momento de transição econômica a gente não sabe quanto de desinflação virá, então o Banco
Central está sendo extremamente cauteloso e, provavelmente, não terá a queda na taxa de juros
esperada pelo mercado, logo, a economia não vai poder se recuperar com a mesma velocidade",
disse.

Sílvia Matos disse que o "calcanhar de Aquiles" da economia brasileira é a política fiscal e que a
trajetória da dívida bruta é insustentável. Ela diz que existe uma agenda de reformas para
retomada dos investimentos e estabilidade das regras. Além disso, é importante sinalizar para
investidores estrangeiros que um novo governo que vai assumir em 2019 vai manter o modelo
econômico.

"Há sempre um risco das reformas e, por isso, é importante a gente passar isso. Mudanças
constitucionais que são difíceis de ser aprovadas para depois ser difícil também de reverter.
Previdência é uma batalha dificílima, mas se o governo conseguir pode até gerar um cenário mais
favorável do que o que a gente está avaliando", diz.

Para a economia acelerar mais rapidamente precisaria ter um crescimento mais robusto do setor
de serviços e não apenas da atividade industrial, mas o momento atual é de redução de despesas
do governo e ainda de consumo das famílias. "Como a gente não tem nada de fora puxando a
indústria e o setor externo não vai contribuir para este supercrescimento, o que poderia vir seria
da demanda interna, mas para a demanda interna vir com uma aceleração muito forte, precisa
ter capacidade de aceleração que viria pelo canal do crédito, que parece ainda estar entupido",
disse após o seminário.

Para 2018, a previsão ainda é de um PIB baixo, em torno de 2%, mas os índices de desemprego
podem ser melhores. "A ideia é que a taxa de desemprego no segundo semestre de 2017 pode
começar a mostrar algum recuo não é nada brilhante, mas é um sinal favorável e poderia
continuar em 2018 esse processo. Mas a gente vai conviver com taxas de desemprego ainda
elevadas, porque antes de contratar, tem espaço para aumento de horas trabalhadas", disse.

A economista destacou que mesmo com as dificuldades provocadas na economia pelos reflexos
da Operação Lava Jato, não existe opção para o país além de fazer as reformas. "Quando a
situação econômica melhora de alguma forma o político é bem avaliado. Está dando os
incentivos corretos. Vamos tentar arrumar essa economia, porque com a crise ninguém ganha,
todos perdemos. É essa visão um pouco mais otimista. Não quer dizer que vamos resolver todos
os problemas em 2017. O cenário de curto prazo reflete esses problemas tão grandes da nossa
economia."