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I ENCONTRO DE EXTENSÃO DA UFERSA

A IMPORTÂNCIA DA CONVIVÊNCIA FAMILIAR NA EXECUÇÃO DA


MEDIDA DE INTERNAÇÃO E A REALIDADE DOS ADOLESCENTES
DO CEDUC – MOSSORÓ NA VISÃO DO GRUPO DE
EXTENSIONISTAS DO “DH NA PRÁTICA”

Bruno Willis Bezerra Rocha1


Kennia Átara Bezerra de Sousa2
Vitória Kelly Castro dos Santos3
Ramon Rebouças Nolasco de Oliveira4
1. INTRODUÇAO

O presente trabalho pretende analisar, de forma sumária, a importância do


acompanhamento da família no período de internação de adolescentes que cumprem medidas
privativas de liberdade no Centro Educacional de Mossoró (CEDUC), bem como, as
perspectivas dos adolescentes e os principais impasses que impedem a execução dessa garantia
fundamental prevista na lei. A construção teórica partirá de pesquisa bibliográfica e
documental, sobre convivência familiar e medidas socioeducativas, abordando o aspecto
normativo a partir da Doutrina de Proteção Integral, presente no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA – Lei n. 8.069/90). Além disso, também haverá a exploração de relatórios
elaborados pelos extensionistas do Projeto de Extensão “Direitos Humanos na Prática”,
vinculado à Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA, sobre visitas e conversas
realizadas com alguns adolescentes que cumpriram medidas de internação no CEDUC –
Mossoró, no período de 2016 a 2017.
Com isso, buscar-se-á discorrer e explanar algumas considerações, a partir da análise de
relatórios, que contém informações sobre a realidade em que vivem os adolescentes que

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Graduando em Direito pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Extensionista do Projeto de Extensão
Direitos Humanos na Prática. E-mail: brunowbr.97@gmail.com
2
Graduando em Direito pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Extensionista do Projeto de Extensão
Direitos Humanos na Prática E-mail: kenniaatara@hotmail.com
3
Graduando em Direito pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Extensionista do Projeto de Extensão
Direitos Humanos na Prática E-mail: vitoriavitoria2014@outlook.com
4
Doutorando em Direito pela UnB. Mestre em Ciências Sociais e Humanas pela UERN. Professor Assistente no
Curso de Graduação em Direito da UFERSA. E-mail: ramon.reboucas@ufersa.edu.br
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cumprem medidas de internação no CEDUC, no que tange ao convívio familiar, suas


perspectivas, bem como a importância da participação da família como um fator, social e
psicológico, determinante para a execução da medida e a reinserção do adolescente no meio
social.

2. METODOLOGIA

O método utilizado para a presente pesquisa foi principalmente o documental, partindo


da análise de fontes primárias, que geralmente estão sendo estudados pela primeira vez, como
os relatórios produzidos pelos extensionistas do Projeto de Extensão “Direitos Humanos na
Prática”, baseando-se, também, por artigos e documentos legais. E também fonte bibliográfica
para o desenvolvimento da pesquisa. (BASTOS, 2009). Este trabalho classifica-se como
qualitativo, sem limitar-se a dados numéricos, e sua abordagem é empírica, pois utiliza-se da
observação a partir da vivência na extensão universitária. (FANTINATO, 2015).

3. RESULTADOS

Referente ao aspecto da relação familiar no acompanhamento do adolescente em medida


privativa de liberdade, faz-se necessária uma análise do funcionamento das visitas previstas em
disposição legal, e como se procede à sua aplicação. A partir disso, refletir sobre a importância
e o impacto positivo no processo da socioeducação.
No que diz respeito à disposição prevista no art. 121 do ECA, Volpi (2002), trata a
internação como a mais grave e complexa das medidas socioeducativas. Por ser privativa de
liberdade, deverá ser aplicada somente em casos excepcionais, quando não houver outra medida
que possa ser aplicada.
Além de alguns princípios gerais que o SINASE impõe para melhorar a aplicação da
medida socioeducativa de internação (art. 35 da Lei 12.594/12), o Estatuto também assegura
direitos aos adolescentes privados de liberdade (art. 124 da Lei 8.069/90), dentre os quais é
importante destacar os direitos a: “permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais
próxima ao domicílio de seus pais ou responsável” (VI); “receber visitas, ao menos,
semanalmente” (VII); e “corresponder-se com seus familiares e amigos” (VIII). Esses direitos
são de extrema importância para haver uma maior participação da família no período de
cumprimento da medida restritiva de liberdade, pois buscam manter os vínculos familiares. A
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procura pela garantia destes evita a desintegração da convivência familiar, colaborando para
que possa haver um resultado positivo no processo pedagógico
Sendo assim, o direito à convivência familiar, como um direito fundamental, é garantido
durante o período de internação, haja vista que, “a família é um lócus de potencialidades, espaço
de construção de afetos, solidariedade, interdependência e reciprocidade” (ARAÚJO, 2013,
p.5). Nesse sentido, a participação da família será de grande relevância para que possa haver
uma melhor reestruturação psicológica do adolescente, principalmente na questão emocional,
garantindo, na maioria das vezes, um melhor comportamento dentro da unidade, projetando
uma perspectiva de futuro melhor no processo de reinserção social, além de reforçar os laços
familiares do adolescente para que haja uma solidez maior nesta relação.
A partir da participação do Projeto de Extensão “Direitos Humanos na Prática”, na
realização de visitas aos adolescentes que cumpriram ou ainda cumprem medida socioeducativa
de internação no CEDUC de Mossoró, pôde ser feita uma filtragem dos relatórios desenvolvidos
por extensionistas que participaram dessas visitas. Assim, foi possível obter uma base de como
é a realidade da relação desses adolescentes com os seus familiares.
Tendo os relatórios como referência, foi possível notar que, a grande maioria demonstra
ter bastante afeto e valorização pela família, reconhecendo que é muito importante ter uma boa
relação com a mesma antes, durante e depois do cumprimento da medida. Para eles, as visitas
que recebem de seus parentes são fundamentais para um melhor comportamento deles dentro
da unidade, o que é um fator essencial para progressão da medida.
Grande parte dos adolescentes do CEDUC - Mossoró têm a participação da família
durante o processo. É imprescindível que essa participação não se limite apenas ao
comparecimento na unidade, mas sim a uma atuação efetiva e constante durante esse período.
Contudo, certa parcela sente a ausência de sua família durante o período de internação, seja pela
dificuldade financeira, distância, falta de transporte ou mesmo por conta de uma relação
conturbada e distante. Além disso, alguns adolescentes afirmam que não recebem visitas com
tanta frequência por questões de trabalho e saúde de seus familiares, ou até mesmo por
considerarem o procedimento de revista como uma humilhação para os seus parentes.
Dos 28 adolescentes acompanhados pelo “Direitos Humanos na Prática”, de 2016 a
agosto de 2017, apenas 8 residem em Mossoró. Sendo assim, os adolescentes de Mossoró
recebem visitas semanalmente, e os que são de outras cidades, recebem visitas quinzenalmente,
desde que estejam vindo de Natal ou se desloquem até as margens da rodovia BR-304 para
pegar o ônibus fornecido pela FUNDAC. Caso nenhuma dessas possibilidades sejam viáveis, a
família terá que custear o transporte que os deslocarão até Mossoró. Sobre o direito de realizar
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ligações (VIII, art. 124 da Lei 8.069/90), os adolescentes alegam que o tempo de duração é
muito curto.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, é notório observar que ainda há muitas lacunas a serem supridas sobre a
convivência familiar na internação para que haja um efetivo progresso no que concerne ao apoio
dos entes familiares aos adolescentes. O principal impasse certamente é superar o desafio que
a transferência dos adolescentes para locais longínquos causa para a efetivação do direito à
convivência familiar no período de cumprimento da medida socioeducativa de internação.
O projeto de extensão Direito Humanos na Prática, através da assistência prestada aos
adolescentes, possibilitou identificar que ainda há falhas durante esse processo, permitindo
estudar e dialogar sobre como essa influência pode gerar impactos significativos no processo
de evolução sociopedagógico.

5. PALAVRAS-CHAVE: Convivência familiar. Medida socioeducativa de internação.


CEDUC de Mossoró/RN.

6. REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Keillha Israely Fernandes de. FAMÍLIA E MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS:


a importância do acompanhamento familiar. Disponível em:
<http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2013/JornadaEixo2013/anais-eixo9-
poderviolenciaepoliticaspublicas/familiaemedidassocioeducativasaimportanciadoacompanha
mentofamiliar.pdf>. Acesso em: 29 set. 2017

BASTOS, Rogério Lustosa et al. Ciências humanas e complexidades: projetos, métodos e


técnicas de pesquisa. 2. ed. Rio de Janeiro: E-papers Servições Editoriais, 2009.
FANTINATO, Marcelo (Comp.). Métodos de Pesquisa. 2015. Disponível em:
<http://each.uspnet.usp.br/sarajane/wp-content/uploads/2015/09/Métodos-de-Pesquisa.pdf>.
Acesso em: 22 abr. 2017

FANTINATO, Marcelo (Comp.). Métodos de Pesquisa. 2015. Disponível em:


<http://each.uspnet.usp.br/sarajane/wp-content/uploads/2015/09/Métodos-de-Pesquisa.pdf>.
Acesso em: 22 abr. 2017

VOLPI, Mário. O adolescente e o ato infracional, 2002. In: MULLER, C. M. ; GOBBO, E. .


A Garantia do Direito à Convivência Familiar do Adolescente Privado de Liberdade no
CASEP de São José do Cedro - SC. Revista Brasileira Adolescência e Conflitualidade , v. 14,
p. 24, 2016.