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HISTÓRIA DO DIREITO I

Prof. Eduardo Tomasevicius Filho


25/02/2016
Aula 2

LEGISLADORES DO PASSADO

História do Direito e antiguidade (Grécia, Roma e mais umas


coisinhas)
Professor escolheu uns migos do passado e vamos conversar sobre
eles.
Para entender sobre o que eles legislaram, temos que entender um
pouco de contexto.

1. COMO AS CIDADES SE ORGANIZAVAM?

 Sociedades mais simples;


 Teocráticas #deusémas
 Um líder político (rei, faraó, imperador) ─ mas não tinha muita
“política” propriamente dita, já que não havia debate;
 Sociedade composta entre: povo, os puxas-sacos do líder e os
militares;
 Fundamento da legitimidade do líder = sobrenatural / deuses. Líder é o
escolhido pelos deuses / ou / o líder recebia as ordens dos deuses, o
que seria aplicado;
 Principal atividade: agricultura. Vida em ambiente inóspito (deserto /
dependência das cheias dos rios). Não dava pra brincar com comida;
se a colheita não desse certo, dava merda pra todo mundo;

2. CÓDIGO DE HAMURABI

o Séc. XVIII a.C.


o Fisicamente: monolito de 2 metros de altura. Lá em cima, um desenho
de um “deus” entregando o código para o homem;
o Código: pretende trazer um ‘equilíbrio’ para a vida do povo;
o Ladrão: morre!
o Destaques:
 1º – Se alguém acusa um outro, lhe imputa um sortilégio, mas não
pode dar a prova disso, aquele que acusou, deverá ser morto.
 109º – Se na casa de uma taberneira se reúnem conjurados e esses
conjurados não são detidos e levados à Corte, a taberneira deverá ser
morta.
 110º – Se uma irmã de Deus, que não habita com as crianças (mulher
consagrada que não se pode casar) abre uma taberna ou entra em uma
taberna para beber, esta mulher deverá ser queimada.
 129º – Se a esposa de alguém é encontrada em contato sexual com um
outro, se deverá amarrá-los e lança-los nágua, salvo se o marido
perdoar à sua mulher e o rei a seu escravo.
 196º – Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o
olho.
 229º – Se um arquiteto constrói para alguém e não o faz solidamente e
a casa que ele construiu cai e fere de morte o proprietário, esse
arquiteto deverá ser morto.
 230º – Se fere de morte o filho do proprietário, deverá ser morto o
filho do arquiteto.

 “Vamos acelerar! Já sei que está chato!…”

Chicouto faz um comentário sobre Hamurabi


Professor chora: “pela primeira vez, em 20 anos, um aluno fez um
pergunta sobre Código de Hamurabi! Nunca me esquecerei de ti, ó
Francisco”
 Talião -> retaliação. Aproximar pena do crime cometido;

o Qual a ideia desse trem: a proporcionalidade! É um princípio de


justiça (mesmo sendo algo cruel, a ideia é ser uma compensação)

 “É pergunta de prova! Já dei a pergunta e já dei a resposta”

 Código: é uma lei ordinária, mas tem uma organização complexa,


grande;
 Código -> Codex -> Tábua! Por isso “código” de Hamurabi, porque
era uma tábua/pedra

Tomasevícius fala da experiência/trauma da cartolina, “o que é


história do direito” e “o que você espera” #morte #flor #chicouto
#pedra #tiro #porrada #bomba #nota10 #jupiterweb

3. GRÉCIA

o Heródoto, o cara que recolheu a história ─ histórias orais das guerras e


afins. Além disso, a biografia também era algo valorizado;

 Biógrafos: Plutarco, livro Vidas

 Licurgo, legislador de Esparta. Ninguém sabe direito se o homem


viveu ou não e nem quando. Plutarco escreveu sobre a vida do cara. A
legislação de Licurgo é feita com base na cultura minóica/cretense.
Licurgo queria fazer da cultura espartana algo sólido, sem luxo, bem
sóbria. Os artesãos fariam somente coisas úteis e os banquetes do rico
não mais existiriam. Licurgo não deixou nada escrito. Para ele,
importante não é as leis estarem positivadas e escritas, mas sim,
que as leis estivessem gravadas dentro das pessoas, por meio da
educação. Ele também achava que as crianças não eram
propriedade dos pais, mas sim propriedade do Estado (ideia de
educação espartana)

 EX: nova lei do Meio Ambiente, que prevê questões voltada para
educação

 Dracon, o atheniense. Plutarco disse que sua legislação era muito


rígida. A sanção para todas era apenas uma: a pena de morte. Como
no Cód. de Hamurabi. A lógica de Dracon era punir com a morte
infrações mais leves e infrações mais pesadas com algo pior que a
morte ─ mas como não tinha nada pior, ficou isso mesmo. Dêmades,
político ateniense, comentou: “esse código não foi escrito com tinta,
mas escrito com sangue” (lembrar das Ordenações Filipinas, livro V,
direito penal que era válido em Portugal e no Brasil. Tiradentes foi
condenado a morte com base em leis desse livro V);

 Sólon: sumiu com as penas cruéis de Dracon, manteve pena de morte


apenas no caso de homicídio. Sólon tentou implementar uma reforma
agrária, mas não rolou. Acabou com a escravidão por dívidas. Punia
quem aumentava o preço dos produtos durante os jogos olímpicos

4. ROMA

o Principal fonte: costumes;


o Tempos de patrícios e plebeus e tretas: criação da lei das XII tábuas.
Basicamente é o ius civile. Foram enviados emissários até a Grécia
para conhecer as leis de Sólon;

 Destaques: manumissão (vender o filho 3x); se alguém ferir a outro,


lei de talião, a não ser que tenha algum acordo; vinganças no caso de
matar pai/mãe; direito sacro, funerais pequenos e de boa, não enterrar
mortos dentro da cidade (meio lei espartana, nada de coisas de luxo);
 Semana que vem: processo

História do Direito I
Prof. Eduardo Tomasevicius Filho
Aula 3
03/03/2016

BUROCRAS

 Sobre seminários em sala: tem que procurar no moodle um arquivinho


com as questões orientativas relacionadas a leitura;
 Em sala, vamos nos reunir nos grupos que montamos e, em uns
30min, debater sobre a leitura. Depois, abre para plenária. Debate na
sala em uns 40min;
 Após o debate, monitores vão entregar questões/síntese. Respondeu,
entregou e partiu.

1. ROMA

o Romanos: tinham um grande apego pelos antepassados;


o Isso significa que eles acreditavam que a sociedade romana estava em
degenerescência. No passado, as coisas eram melhores. Os caras que
começaram Roma eram os moralmente corretos e o que eles deixaram
de legado era uma coisa boa;
o Devido ao respeito aos antepassados, você não podia questionar o que
vinha do passado;
o Cícero fala em algumas passagens que a sociedade romana é imoral
#mimimi
o É tipo papo de vó, “Ah, no meu tempo era tão bom…”
o Estrutura de poder se assentava em dois pontos: os Romanos davam
certa autonomia às cidades que conquistavam, as autoridades só se
preocupavam com a manutenção da lei e da ordem #lawandorder
o E o segundo ponto, o que importava na expansão do império é
a cobrança de tributos. Dai a César o que é de César, “até Jesus
pagou uns tributos para César”;
 Sobrevalorização da honra: havia uma teia de relações que ajudava
a estruturar politicamente esta sociedade a partir da realização de
favores ─ porque não fazer algo que lhe pediam era desonhoroso.
“Honra deu origem a palavra honorário ─ e o ius honorarium”;

 Participar da estrutura pública do poder também era algo que garantia


a honra;
 EXTRA Weber e os tipos de dominação. Dominação burocrática/legal
e seus requisitos: weber coloca a burocracia como um meio de
funcionamento do sistema que independe de um controle. A
burocracia funciona até quando o Estado está em ruínas. Dá
estabilidade ao Estado. O burocrata era um funcionário público,
alguém que ia trabalhar em pró da sociedade ─ e também deveria
trabalhar em exclusividade. Para isso, precisaria ganhar um salário ─
não dá para esperar qualidade achando que esse cargo é só honroso,
honorário, “pra ficar bem na fita ─ mas não vai escrever bem na fita
na prova porque senão eu vou riscar!”;
 EXTRA 2 Tem serviço público por honra hoje? SIM! Ser jurado no
tribunal do juri. “Se escolher que vai ser, tem que ficar lá,
incomunicável”. Você fica quantos dias forem necessários e não leva
nem um real ─ “mas ganha um certificado honorabilidade, serve até
de desempate em concurso público”. Outro serviço: mesário nas
eleições
 Quem são as autoridades? Os magistrados (magis: mais). Só que
tinham magistrados com um poder chamada Impérium e outros sine-
imperium. Estes eram funcionários de administração da cidade. Já os
caras com impérium era os que tinham o poder de mandar em nome
do povo romano.
 Um desses que tem impérium é o pretor. Sua atribuição: manter a lei
e a ordem. Administrar a justiça, mas ele não julgava, não era o
decisor do conflito. Quem decidia o conflito era o cidadão honrado e
escolhido para decidir, o iudex!
 EXTRA Como no tribunal do juri, quem decide é o juri, a decisão dele
é soberana.
 Se dizia que a justiça romana era uma justiça privada (Ordo
Iudiciorum Privatorum). Não 100% privada porque o pretor
participava na administração da justiça (lado dir. público), mas quem
julgava era o iudex;
2. “PROCESSO” ROMANO

 Ações da lei. Romanos não conheciam direito subjetivo, conheciam o


conceito de ação; –> meios de exercer ou satisfazer seu interesse que
estava prejudicado por um conflito

o Se desse alguma treta, eles iam ao pretor e o pretor dava ao cara o


direito de ação. Ação da lei porque a lei fonte era a lei das XII tábuas;
o As tretas dos romanos eram resolvidas por 5 ações
o 1. Sacramentum: ação geral. Tenho um problema?;
o 2. Iudices Postulacium: quando havia descumprimento de
uma stipulatio;

 3, Condictio: reaver o que você pagou e não recebeu;

 4. Manus Iniectio (in actio?): quando havia descumprimento de uma


ação, havia essa ação de “execução”, arraca os trem da pessoa;

 5. Pignoris Capio: cobrar dívida de um soldado ─ ou para cobrar


impostos

 “Estava um dia dando aula, vi uma tábua e tinha críticas a mim, meu
modo de ser e meu modo de dar aula. Eu não tenho que falar porque
não preciso me humilhar a todos, mas pegava pesado. O que me
chamou atenção é que eu estava em primeiro lugar no ranking de
críticas. Desde então, parei de ditar” #desabafo

o Roma foi crescendo e essas 5 ações não davam conta de resolver todos
os conflitos. Na Lei das XII Tábuas, teve um conflito relacionado com
madeira (tábua 6). Tinha treta, não conseguia resolver, deram uma
ignorada na Lei das XII Tábuas e criaram leis, a Lex Ebutia / Lex
Julia;
o Com essas leis, se deu liberdade pra que os pretores criassem mais
ações. Como fazia? Divulgava no edito qual era a ação. “Para esse
problema, a ação é essa…”;

 Processo formular/formulário. Não havia mais ações da lei, mas


sim, processos no formato de “fórmulas”, as formas que o pretor
publicava no edito;

 Mas quem ia julgar, era o iudex. Pretor fazia uma demonstratio, um


resumo do caso, bem didático e de boa para o sr. iudex, que não era
um cara da lei (intentio, perguntas feitas para o iudex ir se guiando no
caso). Eventualmente, se o pretor percebesse alguma mutreta, ele
podia colocar instruções preliminares (prescriptio) antes da
demonstratio. Por isto, por causa de todas as instruções que o pretor
dava para o iudex, é que esse processo chamava-se processo formular
(meio parecido com o tribunal do juri de hoje);
 “Aquilo que é bom a gente copia!”. Quando um pretor fazia um edito
bom e funcionante, o amiguinho copiava e ia passando de um pra
outro até que, no sec. II, Salvo Juliano, por ordem do imperador,
elaborou um digesto dos editos e transformou todos eles no edito
perpétuo, único que seria usado dali para frente;
 Em dado momento, Roma acabou com o esquema de justiça do pretor-
iudex. Em dado momento, o iudex se tornou um magistrado que faria
a cognitio, ia ouvir as partes e dar o julgamento ─ está no código
teodosiano (espécie de constituição do império, tem várias coisas
sobre a organização da administração pública);
 EXTRA E se o iudex errar? Recurso (supplicatio) da decisão do
iudex Cognitio extraordinaria que ia lá pro imperador e sua equipe

RESUMO

 Ordo Iudiciorum Privatorum é o direito dos caras. Fases:


 1. Ações da lei;
 2. Processo formular;
 3. Cognitio extraordinaria
História do Direito I
Prof. Eduardo Tomasevicius Filho
Monitores: Caio, Ivan e Raul
Aula 4
10/03/2016
INTRO

o Seminário: leitura obrigatória + Complementar;


o Questões orientativas: devem nos acompanhar durante a preparação /
leitura;
o Na sala de aula:
o 1. Grupo se reune e discute pontos principais (das questões)
o 2. Discussão plenária: todos vão debater com a condução dos
monitores;
o 3. Questão que deve ser respondida pelos grupos. Por escrito e
entregue na aula. A ideia é resumir o debate e trazer para a atualidade;

1. O QUE É JUSTIÇA

o Tem um monte de conceitos de justiça em Aristóteles. Nem sempre dá


pra racionalizar fácil ─ e nem há uma hierarquia entre os “tipos” de
justiça. A ideia é tentar descrever a realidade;
o Justiça é disposição de praticar atos justos ─ mas não necessariamente
fazer sempre ato justo. E não é só porque foi feito um injusto significa
que tal pessoa é injusta;
o Para Ari, justiça é prática. É ato de vontade. É virtude. “Idealizar a
justiça não me faz justo”;
o Contraposição Platão X Aristóteles. Qualquer sistema
filosófico/jurídico pode ser encaixado entre esses dois extremos;
o “A Escola de Athenas”, de Rafael. Platão: mundo das ideias;
Aristóteles: mundo concreto; (lá pra frente, São Tomás vai se colocar
entre essas duas figuras);
o Ligado a 3 principais conceitos: à igualdade, ao respeito à lei e à
proporcionalidade
o Justiça total: observâncias das leis
o Justiça particular: dar a cada um o que é seu (tanto por igual no que é
por igual quanto o proporcional na medida das diferenças)

2. JUSTIÇA GERAL X PARTICULAR


o Justiça geral/universal: agir de acordo com a lei (já que a lei envolve
todos os âmbitos de ação). Agir de acordo com a lei: ação com relação
aos outros.
o – Problemas: 1. Nem todos os aspectos morais cabem nas leis; 2. Nem
toda a lei é justa
o 1. Para Aristoteles, lei não serve só para evitar do conflitos. A
legislação também é responsável pela educação dos cidadãos. As leis
devem visar o bem da comunidade;
o 2. Há o justo por natureza, que independe da opinião humana (como a
do caso Antigona); e há o justo por leis (regulado por convenção
humana);
o – Agir de acordo com a lei // visar o bem comum
o Justiça estrita/particular: agir com honestidade, em compromisso
com a igualdade // ações dos indivíduos como pessoas particulares

3. JUSTIÇA DISTRIBUTIVA X JUSTIÇA ORDENADORA

o Justiça Distributiva: bens que podem ser distribuídos entre os


membros da polis e cuja constituição é tal que desses bens podemos
querer ter sempre mais que os outros;
o cada um recebe o que lhe é proporcional. Cada um deve receber de
maneira diferente naquilo em que são diferentes, mas de maneira
proporcional;
o é justo receber mais por um trabalho mais elaborado, que levou mais
tempo, do que por um trabalho mais simples
o Justiça Ordenadora/Corretiva: trabalha no âmbito das relações
contratuais entre os homens. Essas relações podem ser voluntárias ou
involuntárias (involuntárias se dividem em veladas e violentas)
o Ordenadora/comutativa: é a justiça do comércio. Um melão = 2
moedas. A = X. Guarda uma relação com a aritmética. Mesmo
produto tem o mesmo preço para todas as pessoas. “Tratar a todos
igualmente naquilo em que são iguais”

4. EQUIDADE

 Um tipo especial de justiça – senão, em alguns casos, até superior;


 Aquele que age com equidade, mesmo que tenha a lei ao seu favor, às
vezes pode se contentar com menos, perdoando de maneira
magnânima;
 A lei tem caráter sempre universal (geral e abstrata), ela não pode
prever certas especificidades do caso pratico. A equidade se coloca na
condição deconsiderar essas especificidades, fazer concessões para
decidir o conflito da melhor maneira possivel;
 “Justiça e misericórdia”, livro de alguém (perdi!)

ROMA
1. DIREITO ROMANO: INTRO

 PERGUNTA 1: teve o Direito romano codificado por Justiniano


aplicação no império romano?
 Não na parte ocidental do império (que estava caindo), todavia ele
teve aplicação no oriente.
 PERGUNTA 2: Como então ele chegou até nós?
 Graça aos glosadores na idade média, que ficavam estudando Direito
Romano nas universidades (essas nascidas no século XI).

2. Direito romano durante o domínio bárbaro

 Com a queda de Roma, a parte ocidental do império é dominada por


povos “bárbaros”, que estavam no equivalente ao período arcaico
romano.
 Logo nós tínhamos Direito romano aplicado aos romanos e aos
“bárbaros” era aplicado o Direito costumeiro. O Direito romano era
utilizado e misturado ao Direito dos povos germânicos. Tanto que
esses povos de origem germânica realizaram 6 compilações do Direito
romano, sendo que alguma delas continuou tendo aplicação até o
século XIV.
 Com o feudalismo tivemos a supressão e reclusão do Direito romano à
igreja. Aqui temos um Direito costumeiro.
 Com o fim da alta idade média, temos o ressurgimento das cidades e
do comércio, formando sociedades mercantis. Para resolver os
conflitos dessas sociedades temos o ressurgimento do uso do Direito
romano justinianeu.
 Esse Direito teve um alto desenvolvimento nas universidades
católicas, que tratavam esse Direito como um Direito universal, das
gentes.
 Por isso se diz: Direito romano germânico canônico.
 Como o Direito justinianeu chegou ao ocidente? Devido ao maior
contato com o ocidente (causado pelo crescimento do comércio e das
cruzadas) somado ao estudo do Direito romano em larga escala pelas
universidades.
3. Roma

 Dos antepassados
 Para os romanos um dos valores centrais é o apego aos antepassados.
Tanto que uma lei feita por um antepassado jamais era revogada (com
os problemas óbvios que isso gerava).
 Do Estado
 Roma se delimitava a duas coisas: a. Manutenção da lei e da ordem. b.
Cobrança de tributos. A espinha dorsal dessa comunidade acabava
sendo exército. Afinal, você precisava de força para conseguir impor
as duas coisas acima. Além disso, havia as autoridades locais que
eram responsáveis pelos jogos, religiões, etc.
 Observação: a economia romana era agrária e no limiar da
subsistência.

4. Relação com os gregos

 As influencias entre os povos se dá entre a educação, principalmente.


Os gregos foram essenciais na educação (lembrando da herança
filosófica grega) dos romanos. Além disso, os romanos copiavam os
gregos na língua, roupa, tentava-se casar as elites entre gregos e
romanos. Havia o culto ao imperador… Menos para os (hábeis
diplomatas) judeus.
 Relação com helenismo
 Da cultura helênica os romanos tiraram a argumentação e as
especulações filosóficas sobre a justiça e o bem viver

5. Ética

 As relações interpessoais eram pautadas na ética. Quando se pedia


algo a um romano ele se sentia obrigado a fazer.

6. Lei das doze tábuas

 Elas eram o Ius Civile, mas esse era insuficiente para todos os
problemas de Roma, logo se criou o Ius Honorarium. Todavia a lei das
doze tábuas nunca foi abolida (pelo respeito aos antepassados) 2. A lei
das doze tábuas está no final do caderno para os interessados.
Curiosidade: elas eram originalmente 10, mas viraram doze. Houve
uma adição de duas.

7. Direito processual romano


 O Direito romano foi construído ao longo dos séculos através de
práticas processuais. Sua formação não possuía a ideia de direito
subjetivo, já que eram povos não afeitos à abstração. Logo quando
alguém se sentia prejudicada ela entra com uma ação. Claro que vimos
que Direito subjetivo existia para os romanos; todavia a ideia de que
ação está vinculada ao direito objetivo em Roma devido a
interpretações pelo Savigny.
 Ressalta-se que hoje nos temos a separação do direito objetivo e
subjetivo, sendo que você pode entrar com ação sem ter Direito
algum.

8. Privatismo

 A justiça romana é em sua maioria privada (isso chega a nós pelas


institutas do Gaio). Essa fase privada se chama Ordo Iudiciarum
privatorum. Com o passar do tempo ela é substituída por uma justiça
pública.
 Como ela funcionava: as partes entram em conflito; buscam um
magistrado chamado pretor (que tinha vários poderes [inclusive
militares]) que organizava o caso, fazia um sorteio de jurados, jura
pela boa ordem, controla o tempo, sugeria uma solução; e passa para
um jurado selecionado em lista (Iudex) e esse dava a solução. Ora,
isso demonstra que a justiça privada não é absolutamente privada, já
que ela tem um pretor que encaminha ela para um cidadão. Se a pipa
fosse entre romano e estrangeiro o magistrado não era o pretor, mas
sim o peregrino.
 As actios do primeiro momento são:
 1. Sacramentum: são as actios para problemas gerais que, se pedidas
de má fé, poder-se-ia ser multado em uma quantia x.
 2. Iudices postulatio: era usada em situações de estipulatio.
 3. Condictio: era usada para a cobrança de dívidas.
 4. Manus inictium: usada para promover a execução.
 5. Pignores capio: para quem não pagou fisco, aluguel de animal, etc.

9. Era de ouro

 Já no segundo momento (segundo Gaio) tínhamos as fórmulas


(primeiro eram orais, depois ficavam marcadas em tábuas brancas),
que com as seguintes partes (dependendo do caso, claro):
 a) Demonstratio: o pretor ouvia as partes e fazia um relato dos fatos
juridicamente relevantes ao juiz.
 b) Intentio: aqui o pretor declarava o direito.
 c) Adjucatio: o pretor vê se pode entregar a coisa (transferência de
propriedade)
 d) Condenati: o pretor escrevia se o iudex poderia absolver ou
condenar o réu a prestação necessariamente pecuniária (sim, tinha de
ser pecuniária, mesmo que para entregar coisa específica). A. Havia,
entretanto, uma clausula específica nas fórmulas que permitia ao réu
entregar a coisa desejada pelo credor ao invés de pagar prestação
pecuniária (que poderia ter valor superior ao da coisa).
 As partes iam ao pretor, que ouvia as partes e escrevia tudo em uma
tábua e a entregava a estas. Elas vão ao Iudex e esse lê as tábuas e
toma uma decisão, como se fosse um manual de instruções (uma
fórmula – daí o termo formulário). Poderíamos ter prescriptio que
eram orientações prévias ao pretor em que havia mais de uma ação
que prescrevia.
 Se você tinha uma actio como se opor a uma pretensão infundada de
outrem?
 Para isso havia uma exceptio (não a contestação) que era uma actio
em sentido contrário para se opuser a ação. A mais famosa é a
exceptio doli e a exceptio metus.
 Isso deu origem aos vícios do negócio jurídico (dolo, coação, etc)
 Observação: o termo jurisdição vem do termo jurisdictio (dizer o
Direito) que significa que alguém é dotado da capacidade de dizer o
Direito.
 Aqui tivemos o momento de inovação, de equidade, de correção dos
abusos e das lacunas da lei; tudo isso feito pelos pretores através de
seus éditos. Estes se subdividiam em eternos (feito de ano em ano, no
inicio da magistratura) e repentinos (feitos quando surgisse alguma
pipa imprevisivel ao longo da magistratura). Depois Tivemos o edito
perpetum (com sentido de eterno) que era uma coletânea de editos.
Com ele o pretor ficou proibido de criar novos editos.

10. Público: Sistema do cognitio extraordinarium

 No Direito romano temos um processo de publicização. Isso é


exemplificado, por exemplo, com o paterfamilis; esse tinha poder de
vida ou morte sobre a família e resolvia os problemas em casa. Com o
passar dos anos a solução de conflitos passa a ser assumido pelo
Estado. O Direito romano se publiciza e acaba o pretor. O Iudex vira
um juiz estatal especialista em direito romano e fixo. A decisão desses
Iudex poderia ser recorrida ao imperador (cuja galera ao redor resolvia
os problemas). Com o passar do tempo às fontes do Direito vão se
restringindo até que a única fonte remanescente sejam as leis
imperiais. Logo as mudanças se riam resumíveis em:
 Direito Romano
 Ordem dos Juizos privados: primeira fase; ele não tinha um sistema de
Direitos, mas sim um sistema de ações. Os juizos eram privados pois
as ações eram privadas e coordenadas pelo pretor. Com o passar do
tempo a justiça se publiciza.
 Ações da lei: aqui é a primeira fase dessa etapa, na qual os pretores
decidiam quando ocorreriam ações.
 Processos formularios: o Pretor fazia um formulário e dizia: quem
tiver uma situação com tais características, tem ação.
 Cognição Extraordinaria: Segunda fase, as ações adquirem um carater
público.
 O imperador augusto selecionou cinco deles para dar caráter de lei
oficial as suas opiniões.

11. Nota rápida sobre a jurisprudência

 Os jurisprudentes eram “profundos” conhecedores do direito romano


aos quais a população buscava auxilio para responder aos seus
problemas/dúvidas jurídicos. Eles eram como os doutrinadores atuais
(escreviam até manuais).

12. Direito penal romano: Da família para o Estado

 Cuidado: os romanos não tinham a ideia de direito penal que temos


hoje: esse é de origem iluminista (Beccaria e Bentham).
 O Direito penal romano (incluindo cobrança de tributos) veio do
Direito de família e cabia ao Estado romano (esse poder foi sendo
tirado aos poucos do paterfamilis).
 Os delitos eram ações ameaçadoras a ordem pública romana. Logo era
importante ao Estado (não mais o paterfamilis) cuidar deles. Esse
Direito penal começa com a lex valeri. Ela organizou algumas
questões tirando da família e passando para o pretor.
 Exército
 O direito penal romano tinha algumas questões particulares em
relação ao exército:
 1. Exército indo: para manter a disciplina das guerras em campanha
não se admitia os furtos e estupros entre soldados. Se alguém fizesse
essas coisas tinha-se pena de morte.
 2. Quando exército ganhou um território: quando o Estado ganhava
um território esse se chamava província (vincia que é o equivalente a
vencer). Na província tínhamos o pretor e o governatum (quem
comanda a província, é o indivíduo que venceu a mesma). Este dava a
jurisdição organizando e administrando a justiça penal; eram juízes
agindo em nome de Roma.
 Nessas regiões não se aplicava o Ius civile, quem aplicava eram as
cortes, cuja execução era feita pelo magistrado romano. Este dava o
imperium (ordenando o suplício – execução da pena).

13. Delitos

 O principal era o perduellio (mal guerreiro): inimigo de Roma. O


representante de Roma era o imperador (maiestatis – imagens) e aqui
nasce o crime de lesa-majestade (lesa maiestatis).
 Nessa categoria foram sendo incorporadas outras condutas criminosas:
 a) Heresia.
 b) Homicidio
 c) Falsificação
 d) Delitos sexuais.
 e) Compulsão: exigir vantagem sendo funcionário público.
 f) Etc.
 Como toda guerra feita pelos romanos era justa, perduellio era inimigo
da pátria. Para isso a pessoa: poderia ser desertora, ter relações sexuais
com inimigo, fomentar desnecessariamente uma guerra contra Roma,
dar aos edifícios públicos o próprio nome, recursar-se ao serviço
militar, atrasar-se para o senso, insubordinação, má gestão da coisa
pública, recusar entrega do mandato no fim do ano. A pena aqui era de
morte. Como matavam: cortavam a cabeça ou tinha o suplício. Elas
eram a crucificação, jogar ao fogo, matar com a espada, colocar no
saco e jogar na agua, fazer um espetáculo.
 Outros crimes:
 Heresia (não prestar culto aos deuses romanos, depois ficou como não
prestar culto a Jesus);
 peculato e compulsão (crimes contra a administração pública –
quando funcionários públicos realizavam extorsões ou eram
corrompidos) para estes havia até uma actio pública para recuperar o
dinheiro público

História do Direito I
Prof. Eduardo Tomasevicius Filho
25/04/2016
Aula 6
DIREITO DA IDADE MÉDIA
1. INTRO

 Sistema romano-germânico-canônico: o sistema que a gente aprende,


o trem que influenciou o nosso direito;
 Na prática: romano tem bastante influência; germânico não tanto (e
professor diz que nem vai falar muito desse; CANONICO: o direito
da igreja católica;

2. DIREITO CANÔNICO

 Canônico -> CAnon -> Kanoon -> REGRA


 Regra -> decisão dos concílios;
 Mas porque estudar o direito de uma religião no curso de história do
direito? Porque marromenos ⅓ do nosso direito vem do direito
canônico. Temos ideia desse direito ser de uma religião, mas, ao longo
dos séculos, teve mesma importância que teve o direito romano

3. COMO TUDO COMEÇOU?

 Há um tempo atrás, na ilha do sol…


 Judeus X Jesus, Jesus estava tentando contra o imperador? Imperador
devia ser adorado como um deus. Mas aí surge essa religião, com esse
deus abstrato ─ um culto esquisito se comparado com os cultos mais
comuns da época;
 O cristianismo, que era uma religião estranha, virou a religião oficial
#tcharans!
 Na carta de Paulo a Timóteo, ele descreve a estrutura da igreja e a
divisão hieráquica da bagaça. Umas das instâncias superiores era o
Bispo, o cara que iria resolver os conflitos;
 (Mas também havia recomendações de conciliação. Vamos resolver as
coisas por aqui, não precisa levar o conflito a Cesar não);
 Quando o cristianismo vira religião oficial no século 4°, com império
romano já em decadência, aos poucos, reconhece-se a jurisdição
do BISPO

4. QUAL A VANTAGEM DE IR SE CONSULTAR COM O


BISPO

 Temor referencial. O cara é referência na religião;


 Audientia episcopalis. Para fugir da corrupção das instituições
ordinárias, você recorria ao bispo como uma alternativa de solução de
conlfito;

5. BISPO: SOU DA PAZ

 Durante a alta idade média, foi se desenvolvendo uma TEOLOGIA


JUDICIÁRIA;
 Perdeu-se a confiança nas instituições do Estado. Essa teologia
judiciária, com base na religião, incentivou a resolução de conflitos na
PAZ, soluções negociadas dos conflitos, RECONCILIAÇÕES;
 Havia dois meios para que houvesse a transmissão da teologia
judiciária:
 a. a própria MISSA: bispo já vai transmitindo a mensagem que ele
quer;
 b. na SOLUÇÃO DE CONFLITOS mediada pelo bispo;
 E porque, durante alta idade média, bispos eram importantes nessa
função?
 a. a consulta com o bispo era GRATUITA (na justiça comum, você
tinha que pagar). O pagamento era feito através de ofertas levadas na
missa (comida, serviços, etc);
 b. bispo tinha seu prórpio NOTÁRIO, o cara que tomava as notas do
“processo”;
 c.

6. QUEM PODIA IR TROCAR IDEIA COM OS BISPOS?]

 Qualquer pessoa;
 Até os REIS;
 Bispos eram caras ricos. Vinham de famílias com grana. E eles
também resolviam conflitos de quem tinha grana. No fim das contas, a
galera estava toda em família. Bispo era mediados de uma turma com
quem ele tinha livre acesso, tudo brother, tudo conhecido;
 Bispos eram estudados, tinham preparo para resolver esses conflitos

7. IDADE MÉDIA, VIDA E DIREITOS

 Vida na Idade Média era muito pautada pela religião: hora de comer,
hora de trabalhar, tudo era regido pelos sinos da igreja local;
 A religião cristã, por sua vez, estava permeada de regrinhas: tem que
amar o próximo, tem que dar a césar o que é de césar, etc.;
 A própria religião cristã também fundava uma ideia de tempo muito
específica: o velho testamento como o começo, o novo testamento
como o agora e o futuro;
 A produção dos bispos também era organizada em CONCÍLIOS, para
organizar as dúvidas que ficavam. O que significa “ide e pregai o
evangelho”?, onde Maria está, ela foi pro céu? #codigodavinci
#naomexecommaria;
 IUS ANTIQUUM: essas decisões dos concílios, os próprios
evangelhos, tudo isso era fonte de um DIREITO ANTIGO da alta
idade média;

8. BAIXA IDADE MÉDIA ─ PÓS ANO 1000

 Igreja se torna uma instituição muito forte;


 Tinha um poder religioso consolidado ─ PODER ESPIRITUAL ─ e
PODER TEMPORAL;
 Claro que precisava de uma organização mais sofisticada. O que
fazer? Passar a limpo as decisões dos concílios, dos cânones, e formar
um “corpo do direito”. Começa-se a fazer uma consolidação das
normas canônicas. Uma harmonização dos Canones;
 CONCORDIA DISCODANTIUM CANONUM Pegaram os
canones e o viam quais era discordantes e escolhiam qual deles valia.
Esse material é conhecido como DECRETO DE
GRACIANO #cainaprova;
 A partir do DECRETO DE GRACIANO, já podemos considerar a
existência de um direito canônico;
 Graciano foi o cara incumbido pela igreja para saber quais era os
canones que valiam;
 Ele resumiu esse material em 3 livros. O conteúdo ainda é bastante
religioso;
 Em 1234, DECRETAIS DE GREGÓRIO IX Aí sim, aparece um
direito canônico com conteúdo e organização mais jurídicos que
religioso. São 5 livros que tratam de um monte de coisa, de
casamentos a organização de igreja e crimes; a ordem dos temas e
livros é a mesma ordem das ordenações filipinas #muitainfluencia
#maravilhoso
 Professor começou a ler. Aula desandou. Posso postar um gif feliz?

#comomesintoagora #acaba

 LIVRO VI (1298). Escrito por Bonifácio VIII. Era um resumão dos 5


livros das Decretais de Gregório IX;
 EXTRAVAGANTES Outros livros que foram sendo publicados
 CORPUS IURIS CANONICI #CAIMUITONAPROVA Compilado
de todos os trens dessa época. Foi o que inspirou o nome do Corpus
Iuris Civilis (do Direito Romano! Esse nome só apareceu no séc. 16);
 É um corpo de direito que organiza o Estado Papal – e,
consequentemente, todo o direito canônico em toda a Europa. A
vocação do direito canônico é universal. Deveria servir para toda a
parte do mundo (no caso, para o mundo europeu);
 IUS NOVISSIMUM Aparece com documentos produzidos no
concílio de Trento + Códigos de Direito Canônico
 No século XX, aparecem os Códigos de Direito Canônico. O primeiro
é de 1913. O atual é de 1983. Foi o Papa J. Paulo II que promulgou;

9. DIREITO CANÔNICO HOJE

 Tribunais Eclesiásticos. Existem até hoje. Servem para julgar litigios


relacionados a religião e afins (por exemplo, casamento feito na igreja
católica. Separei, posso casar de novo?)
 Boa-fé subjetiva é fundamental nesse sistema. Se Deus viu sua boa
vontade no seu coração, vai dar certo

10. EM RESUMO

 Escrito em boa parte da idade média;


 Pretensão universal;
 Não excluia o direito temporal;

11. CONTRIBUIÇÕES DO DIREITO CANÔNICO

 Matéria processual;
 Libelos por escrito;
 Acabar com provas irracionais (ordálias e juízos de deus);
 Incentivo à conciliação;
 Justiça gratuita. Advogado dativo e “Defensoria pública”;
 Doutrina social da Igreja (1891). Uma reação ao socialismo. Papa
Leão XIII começou a denunciar as péssimas condições de trabalho dos
operários (para também abafar os operários mais animados com
tentativas de revolução). Essa doutrina e a Encíclica Rerum
Novarum (de 1891) influenciou demais a formação do Direito do
Trabalho (do começo do século XX)
12. INTRODUÇÃO PARA O SEMINÁRIO

 Direito romano: o que estudamos no ano passado era o Direito de


Justiniano;
 Esse material se perdeu na Europa. Começou a não ser usado,
germânicos usavam seu próprio direito, manuscritos iam sendo
mexidos, etc.;
 Na virada da Alta para a Baixa Idade Média, há um renascimento.
Começam a estudar esses textos antigos. Com o desenvolvimento do
comércio, cruzadas e afins, pessoas vão para as cidades. Era
necessário um direito mais sofisticado;
 O direito canônico já existia lá. Mas não era interessante o rei
“dividir” seu poder com o direito da igreja ─ e o poder da Igreja;
 Cidades litorâneas da Itálias começaram a encontrar cópias do Digesto
(Corpus Iuris Civile). Essa gente, estudando essa material, fez nascer a
UNIVERSIDADE. A primeira a aparecer foi a Universidade de
Bolonha. Ao encontrar o Digesto, os primeiros pesquisadores
estudavam esse material a partir daquilo que eles já sabiam do básico
da escola, naquela época, o trivium, conhecimentos básicos de
gramática e lógica. Grupo de GLOSADORES saia lendo o digesto e
fazendo anotações e comentários sobre o que liam. Isso ao lado ou
entre as linhas do Digesto


 Depois das glosas (que eram anotaçõeszinhas), surgiam os
COMENTADORES, caras que faziam verdadeiros tratados sobre os
textos. O principal deles é o BARTOLO DE SAXOFERRATO (sec.
14) #cainaprova;
 Anos depois, em Portugal, Marques de Pombal baixou a LEI DA
BOA RAZÃO: proibiu o uso dos textos de Bartolo na prática forense
─ porque o cara era quem ditava tudo, as pessoas nem iam consultar o
texto de verdade, só o Bartolo;
 No sec. 16, estudos de Direito Romano eram baseados em Bartolo.
Era o métodos MOS GALLICUS, estudiosos comparavam versões,
anotações, glosas, autores antigos, etc. Nesse período também é
quando o direito romano vai perdendo importância, enquanto surgem
os direitos nacionais nos outros países;

História do Direito I
Prof. Eduardo Tomasevicius Filho
05/05/2015
Aula 7
CODIFICAÇÃO
0. REMEMBER

 Ressurgimento do direito romano na baixa idade média;


 Direito canônico, ordens mendicantes, escolástica (evolução
dialética), São Tomas de Aquino e aquelas chaturas de lei eterna…
 Hoje: codificação

1. CODIFICAÇÃO #WAT?

 Séculos XVII e XVIII: uma redução cada vez maior do poder


teleológico;
 Poder da igreja e dos senhores feudais, do fim da idade média, estava
em decadência. É preciso um novo suporte teórico para conformar a
sociedade e o direito;
 Iluminismo aparece. Homem é foda, é o centro da bagaça;
 Com o iluminismo, surge o jusracionalismo;

2. JUSRACIONALISMO

 Escola do pensamento jurídico;


 Tentou explicar a conformação do Estado (principalmente das leis) a
partir do próprio homem. Como fez isso? Principalmente a partir do
direito natural (lembrar do ST de Aquino);
 Direito Natural ganha um novo aspecto #importante #cainaprova
 O Direito Natural que ressurge com o jusracionalismo deslocou sua
essência. O direito natural não é mais dado pela natureza, mas sim,
pelo homem;
 Homem passa a ser capaz o formato da sociedade, a configuração do
Estado, tudo isso a partir do próprio homem. Essa é a nova roupagem
do direito natural trazida pelo jusracionalismo;
 Jusracionalismo, no conceito de enciclopédias, razão e tudo mais, traz
todas essas ideias para o direito;
 O direito tenta trazer uma precisão, prever condutas, sistematização do
direito. Através da razão seria possível ao homem abarcar todos os
tipos de condutas;
 WOLFF: formação de matemático e físico, é um dos caras autores do
direito dessa época;

3. TRÊS FASES DO PENSAMENTO DOS


JUSRACIONALISTAS
3.1 FASE 1: HUGO GRÓCIO;

 Considerado por muitos como o pai do Direito Internacional;


 HISTORINHA Em 1603, o navio português Santa Catarina foi
capturado em alto mar por um capitão holandês. Portugueses e
espanhóis ficaram putos. “Como assim, ô pá!? Que palhaçada é
essa?”. Cia das índias orientais contratou Grócio para escrever um
excerto, Mare Liberum, no qual a liberdade dos mares é algo essencial
para a comunicação dos povos. Todos poderiam usar o mar do jeito
que quisesse;
 Como justifica isso? Direito natural (que provem do homem, do que é
essencialmente humano) fala da sociabilidade como algo
que universaliza o homem;
 Universalidade é algo que serve para todos os homens, não importa
onde. Isso concede essa possibilidade para todos os explorar os mares;
 Grócio ainda não tira a teologia da jogada. Ainda não estão excluídos
a formação divina do homem e o tomismo. Ainda assim, caminha para
o uso da razão da justificação do direito natural;

3.2 FASE 2: PUFENDORF, LEIBNIZ (E THOMASIUS);

 HISTORINHA Pufendorf também do século XVII, nascido na


Alemanha. Teve educação religiosa, luterana. Desenvolveu as ideias
de Grócio, publicou algumas coisas relevantes na época e ajudou na
ideia de desenvolver o pensamento cientificista/racionalista no direito.
Também é considerado um dos pais do direito natural moderno.
Pufendorf viveu a guerra dos 30 anos. Queria encontrar uma origem
para o Estado. Hobbes explicou pela teoria contratualista. Pufendorf
falava de um dever de cultivar e preservar a sociabilidade
 HISTORINHA 2 Leibniz conseguiu sintetizar esse novo direito
natural em 3 princípios: 1. Não lesar ninguém; 2. Viver corretamente;
3.Reparar o que foi lesado. Tem tudo a ver com a sociabilidade;
 Na visão desses dois caras, o Estado também tinha essa função de
cultivar a sociabilidade;
 Fase 2 é marcada pela incorporação com elementos de outras
ciências (matemática, lógica);
 HISTORINHA 3 Thomasius defendia liberdade religiosa. Havia de se
lutar contra dogmatismos, conceitos que queriam se fundar no direito
natural

3.3 FASE 3: WOLFF

 Consolidação do jusracionalismo. É o que permite a codificação


(enfim!);
 Final do século XVIII;
 Projetos de codificação vão aparecendo
 Francês 1804
 Prussiano 1794
 Austríaco 1812
 Possibilidade de ordenar as regras, dar um caráter de sistematização;
 Compilação: tinha só “o direito como ele é”, uma reunião;
 A codificação é uma sistematização. Divide o direito em temas;
 Wolff: foi mais incisivo;

4. ISSO TUDO PRA QUÊ?

 Enciclopédico: sistematiza o conhecimento / e o direito;


 Possível prever as condutas do homem;
 Juiz só encaixa o ato na norma (subsunção). Juiz é mera “boca da lei”

História do Direito I
Prof. Eduardo Tomasevicius Filho
Aula 8
12/06/2016
SEMINÁRIO 3: CODIFICAÇÃO
Algumas anotações
QUESTAO 1

 Menos igreja, mais razão;


 Univesal: sai de deus, da natureza, do divino. A universalização tenta
se mostrar no homem, na razão e na sociabilização (procurar o que
une os homens);
 Jusracionalismo: homem como medida pura, como razão;
 Homem, dotado de razão, pode prever as condutas, sistematizar o
direito;
 Essa mudança de pensamento foi importante para nascer o
jusracionalismo;

QUESTÃO 2. JUSRACIONALISMO E DIREITOS DA SUA


ÉPOCA

 GRÓCIO E DIREITO INTERNACIONAL Ele via a


internacionalidade através da sociabilidade. O Mare Liberum era uma
ideia de que “o mar é para todos”;
 CONSTITUCIONALISMOS Separação de poderes e limitação dos
poderes. O constitucionalismo clássico tem esses principais objetivos.
O homem racional sabe que não pode haver uma tirania (se os poderes
não fossem delimitados);
 O pensamento racional conseguiu fazer o direito ser acessível;

QUESTÃO 4

 Código Francês de 1804: ideia era ser um código para o povo,


acessível ao homem médio. É bem dividido, esquematizado. Em
contrapartida, o código germânico era muito avançado, tecnicamente
complexo, feito por juizes e para os juizes;
 Compilações antigas: era um amontoadão de ideias;
 Codificação era sistematizada;

QUESTÃO 5

 Código Napolônico. Segundo BOBBIO, antes da revolução, França


era uma zona jurídica. Com a revolução iluminista e as ideias de
igualdade perante as leis incentiva a codificação;
 Napoleão, em 1799, destaca 4 advogados, de diferentes regiões da
França. Eles arrasam. Politicamente também foi sucesso. Esses
juristas tiraram questões controvérsias, muito de “direito natural”, do
Código e garantiram liberdade (racional) ao juiz, para que ele decida
as questões controvérsias que ainda não estavam fechadas;
 Juiz era a boca da lei? Ideia era que sim. Depois de codificado e
pronto o Código, a pretensão era que este abordasse todo o tipo de
conduta. Para o juiz, sobrava só a subsunção, a aplicação da lei direito
e reto. Claro que, na prática, não foi bem assim;
 Napoleão era um gênio político. Sabia que o Código, do jeito que
estava feito, faria o poder cair exatamente nas mãos dele

História do Direito I
Prof. Eduardo Tomasevicius Filho
Aula 9
19/05/2016
“DIREITO INTERNACIONAL”, CODIFICAÇÃO
0. ULTIMA AULA

 Teve introdução ao seminário;


 Hoje: sec. 15 a 18, coisas importantes para o direito moderno;

1. DO FEUDALISMO AO PODER CENTRALIZADO

 Na Baixa Idade Média: fortalecimento de um poder central.


Monarquias se consolidando (no feudalismo, o poder era
descentralizado);
 No Ensino Médio, o feudalismo que aprendemos era essencialmente o
feudalismo francês. Em outros lugares, até houve regimes parecidos,
mas não necessariamente dá para dizer que houve feudalismo
(EXEMPLO Portugal e Espanha, em que o poder central se fortaleceu
de maneira mais veloz);
 O senhor (sênior) era o cara que protegeria as pessoas. Essas, por sua
vez, cediam suas terras em troca dessa proteção. Elas estavam
fixas/presas;
 O primeiro senhor feudal era o rei. Ele buscava apoio dos
condes/barões para se proteger e se fortalecer contra os outros reinos;
 Uma das formas de fortalecer o seu poder era por meio do direito;
 Hoje, o Estado/Poder Central está por toda a parte. Na Universidade
Pública, nos policiais… Tudo passa pelo Estado;
 Na Idade Média, esse poder do direito era exercido através
dos juízes enviados pelo rei. O juiz, que estava próximo da população,
era formado nas Universidades (Bolonha, Coimbra, Salamanca, etc.).
Esse juiz era formado no direito canônico. Direito canônico bem
estabelecido, pois a Igreja era uma instituição bem consolidade;
 Esses juizes também podiam estudar o antigo direito romano. Os
juizes, a medida que iam tomando decisões, iam “romanizando” as
decisões e formando o direito da região;
 Próximo seminário: common law. Perspectiva história e perspectiva
contemporânea. Ideia dos precedentes. Do ponto de vista formal,
estrutura do common law é muito parecida com o direito romano
clássico. A operação dos reis de enviar seus juizes e “romanizar” o
direito local, de certa maneira, formou o common law.

2. EXPANSÃO EUROPEIA

 Novos territórios. América, África, Ásia, expansão;


 Europeus chegaram à América. Uns vinham a mando do rei. Outros
vinham com a missão religiosa;
 Joint Venture: aventura conjunta. Reis se juntavam com templários,
com gentes, com aventureiros para tentar a sorte na América, para
colonizar e ocupar o território;
 Anos depois, reforma protestante e contrarreforma. A disputa por
novos fiéis acabou incentivando a vinda de missionários, jesuítas,
beneditinos e afins para colonizar;
 Motivações eram as mais diversas possíveis;

3. AMÉRICA HISPÂNICA

 Europeus chegaram aqui. O primeiro foi o Colombo, caiu lá na


República Dominicna;
 Só em 1512 (1502?), a partir do Panamá, espanhóis começaram a
explorar a região;
 Indígenas suscitavam dúvidas: 1. essa é gente ser humano?; 2. se são
seres humanos, são fiéis ou infiéis? vão pro céu ou inferno?; 3.
quão organizadoseles são?
 No Brasil, os índios eram de boa, tribos menores. Mas povos da Am.
Central, por exemplo, já tinham uma série de institutos avançados.
Tinham estrada, cobrança de tributo, pirâmide (“Eram até bem
parecidos com a forma de organização do mundo romano”);

4. PENSAMENTOS QUE COMEÇARAM A DESENVOLVER O


DIREITO INTERNACIONAL
 FRANCISCO DE VITÓRIA Tratado “Os Índios e o Direito de
Guerra”. Religioso, humanista e espanhol. Estava na Universidad de
Salamanca. Discutia estas questões: 1. Índios eram humanos? Sim. 2.
Índios podiam ocupar o território? Sim. 3. Europeu podia andar na
América? Sim. 4. Europeu poderia ser impedido de andar na América?
Não, não poderia. 5. E se eles não deixarem, posso tretar? Posso! É
a guerra justa; Isso justificaria a escravidão indígena;
 BARTOLOMÉ DE LAS CASAS Vivia nos Chiapas, sul do México,
perto da Guatemala. Denunciou os horrores que Cortéz fez contra os
Astecas na região da Cidade do México. Bartolome, bispo, quando
voltou para a Europa, denunciou os horrores feitos pelos espanhóis;
pilhagem e barbárie contra os indígenas. Salamanca discutia se
deveria ser respeitada a “dignidade da pessoa humana” nesse caso;
 No caso dos Maias, professor diz que eles tretaram com os Europeus,
chutaram a bunda de todos eles, chamaram os Beneditinos e se
converteram #hummm…
 Incas: chutaram a bunda dos Europeus. Pizarro conquistou o poder por
oportunismo. Escravizou os incas e levou a prata de Potosi.
 Qual a treta? Pizarro era um aventureiro, não estava diretamente
ligado ao rei da Espanha. Rei, ligeiro, intensificou o envio de
“administradores” estatais. Espanha tinha um direito próprio, o direito
indiano. Era uma organização própria, hispâno-americana;
 Espanha também incentivava a vinda dos beneditinos. Mudança
religiosa estabelecia o controle;
 Tomasevicius diz: “Tenho dois textos”. 1. “Breve Nota Sobre as
Cartas de José de Anchieta” ─ Anchieta escrevia para Ignácio de
Loyola, lá na Europa. Falava para não fazer valer as Ordenações e o
Concílio de Trento. As leis portuguesas puniam a bigamia com pena
de morte ─ mas os índios tinham mais de um parceiro de
boas; 2. “Guamán Poma de Ayala” ─ descreve os Incas e história da
América Hispânica. Biblioteca Ayacuco;
 Sec. XVI: Portugal e Espanha perderam o domínio. Quem bombava
era Inglaterra e Holanda;

5. CASO HOLANDÊS

 Holanda é uma referência de Direito Internacional até hoje (só pensar


em Haia);
 Holanda: domínio das navegações. Colonizou região da Indonésia e
África do Sul;
 Como justificar essas andanças pelo mundo?
 HUGO GRÓCIUS “Direito da Guerra e da Paz”. Todo baseado no
Direito Romano. Discute fundamento da ocupação (por que posso ter
alguma coisa?), acesso a territórios, conceito de guerra e guerra
justa ─ não na perspectiva indígena (provocar para escravizar), mas
também perspectiva europeia.
 GRÓCIUS foi referência no d. internacional até o século XX;
 Durante muito tempo, direito internacional era o direito da guerra e
da navegação;
 EXTRA D. INT. muda de cara no século XX: Comércio e Meio
Ambiente;
 “Mare Liberum”. Também do Grócio. Liberdade de navegação dos
mares;

6. ABSOLUTISMO

 HOBBES E LOCKE Reis se fortaleceram horrores;


 EXTRA Hobbes era um cara muito romanista. O Leviathan tem muito
a cara e a estrutura do Digesto, diz Tomasevicius
 MAGNA CARTA (1215) Limitou o poder real;
 REVOLUÇÃO GLORIOSA (1689);
 Rei limitado na Inglaterra. Como substituir esse big poder? Como
garantir contrato social?
 Liberdade, igualdade, segurança e propriedade. A filosofia
contratualista estabeleceu esses 4 valores ─ o que foi fundamental, no
futuro, para delinear o Constitucionalismo (a criação do Estado
Político);
 Declarações de direitos para limitar o poder do Rei;

7. FRANÇA

 Sec. XVIII. Absolutismo muito forte. Rei muito forte. Igreja também
bombava;
 Decreto aboliu o feudalismo da França: 4/8/1789;
 1789 Declaração dos direitos do homem e do cidadão: sair das mãos
do rei. Liberdade de ir e vir: porque antes você estava preso ao feudo.
Liberdade de propriedade: porque agora a minha terra é minha
mesmo, não é do senhor feudal;
 O “terceiro estado” francês era muito grande, muito variável.
Burgueses, agricultores, trabalhadores, todos envolvidos e
interessados nessa liberdade;
8. EXTRA. CF BRA 1824

 “Vamos criar uma sociedade política!” Sociedade como associação.


Quem pode se associar? Brasileiros, portugueses que estavam aqui,
indígenas, africanos;
 Como ratificar essa Constituição? As pessoas tinham que ir lá assinar,
na Câmara Municipal, a adesão à sociedade política brasileira (isso até
antes de D. Pedro ir lá e mandar na merda toda);

9. CODIFICAÇÃO

 As Ordenações Filipinas, de Portugal, já podem ser consideradas um


Código. Há uma organização sistemática;
 Outros compilados anteriores também podem, teoricamente, serem
considerados um Código;
 Mas é no Iluminismo que faz aparecer a preponderância da
matemática, de outras ciências, da razão, da crença no progresso.
Eles acreditavam que o mundo caminhava a um tempo melhor. Havia
uma repulsa a tudo o que vinha da Idade Média;
 Mas no Código Civil Francês, por exemplo, o que era muito forte era
a reorganização da sociedade em termos muito liberais ─ e
principalmente com relação a igualdade. Se todos são iguais, todos
podem ser proprietários. Propriedade e contrato são valores
importantes. “Afirmar a propriedade era uma reação ao absolutismo”;
 “Propriedade não era visto como um meio de exploração do ser
humano, ao contrário, era um meio de libertação do ser humano”;
 CRÍTICA No século XIX é que vamos ver que a propriedade é uma
forma de escravização do ser humano. “Quem tem manda e quem não
tem, obedece”. PROUDHON e MARX;
 Feudalismo: o Rei era, em última análise, o dono de tudo. No começo
do séc. XIX, afirmar a propriedade é afirmar a libertação do ser
humano;
 Codificação é uma estrutura muito drástica

10. NACIONALISMOS

 No século XIX, bombando;


 Na França, não foi forte: porque todo o passado era absolutista, e
queriam apagar isso. Nacionalismo só pega na França mais para
frente. EX Victor Hugo e o Corcunda de Notre Dame;
 Em outros lugares, tinha mais força. Alemanha: tradição,
nacionalismo, dificuldade de se elaborar um código. Código usado
para fazer a unificação política. Na Itália também;