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A velocidade do declínio da fecundidade nos diferentes países do mundo

José Eustáquio Diniz Alves


Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População,
Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE;
Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

A transição demográfica (queda das taxas de mortalidade e natalidade) é um fenômeno único


na história e acontece de forma sincrônica ao desenvolvimento econômico. O avanço da
urbanização, da educação e o aumento do padrão de vida reduzem, primeiro, as taxas de
mortalidade e, um tempo depois, as taxas de natalidade.

Existe um consenso, uma vontade geral e um esforço conjunto da população mundial em reduzir
as taxa de mortalidade. O mesmo não acontece em relação às taxas de fecundidade. Durante
milênios a sociedade se organizou para que o número de nascimentos superasse o número de
óbitos. A sociedade criou, explicita ou implicitamente, “escoras culturais pronatalistas” para
garantir o crescimento vegetativo da população.

Desta forma, a transição da fecundidade é um dos fenômenos de comportamento de massa


mais fundamentais da história humana. Por isso, é especialmente surpreendente o quão
rapidamente essa transição ocorreu, especialmente ficando em nível abaixo do nível de
reposição.

O gráfico acima mostra a velocidade do declínio das taxas de fecundidade, partindo de mais de
seis filhos por mulher para menos de 3 filhos. Nota-se que os países que iniciaram a transição
precocemente, também foram aqueles que demoraram mais tempo para reduzir pela metade
as taxas de fecundidade. O Reino Unido iniciou a queda em 1815 e chegou abaixo de 3 filhos por
mulher em 1910. Gastou 95 anos. A Polônia iniciou a transição da fecundidade em 1870 e
reduziu pela metade em 1960. Gastou 90 anos. Os Estados Unidos (USA) fizeram a transição em
82 anos, de 1844 a 1926. A Grécia fez a transição em 70 anos, de 1850 a 1920.

Já os países de transição mais recente (após 1960) foram mais rápidos no processo. A Malásia
promoveu a queda de mais de 6 filhos para menos de 3 filhos por mulher em 37 anos, de 1962
a 1999. O Brasil fez a transição em 26 anos (de 1963 a 1989). A China fez em apenas 11 anos, de
1967 a 1978, antes, portanto, da implantação da draconiana política de filho único (que
começou em 1979). Mas o país que fez a transição da fecundidade mais rápida do mundo foi o
Irã que, entre 1986 a 1996, gastou apenas 10 anos para reduzir de mais de seis filhos por mulher
para menos de 3 filhos.

No mundo, a taxa de fecundidade total (TFT) estava em torno de 5 filhos por mulher entre 1950
e 1965 e caiu para 2,5 filhos por mulher no quinquênio 2010-15. Houve uma diminuição de 2,5
filhos na TFT em meio século. Porém, o ritmo da transição global da fecundidade se reduziu a
partir do quinquênio 2010-15. A resistência à continuidade da transição da fecundidade ainda é
suficientemente grande para inviabilizar uma taxa abaixo do nível de reposição, o que seria
necessário para garantir o decrescimento demográfico de longo prazo.

Referência:
Our World in Data https://ourworldindata.org/fertility-rate

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