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LÍNGUA

AULÃO PORTUGUESA
DE CINEMA
REGINA | RICARDO

UFSC
TEXTO 1
Não sei porque o medo, pensou (...). Se ao menos o medo me fizesse recuar, pelo contrário, avanço mais
e mais na mesma proporção desse medo. É como se o medo fosse uma coragem ao contrário. Medo,
coragem, medo, coragemedo, coragemedo de dor e pânico. A festa está se dando. Balas enfeitam o
coração da noite. Não gosto de filmes da tevê. Morre e mata de mentira. Aqui, não. Às vezes a morte é
leve como a poeira. E a vida se confunde com um pó branco qualquer. Às vezes é uma fumaça adocicada
enchendo o pulmão da gente. Um tapa, dois tapas, três tiros...

TEXTO 2
O que mais gosto na televisão é de novela. Acho a maior bobeira futebol, política, carnaval e show.
Bobagem também reportagem, campanha contra a fome, contra o verde, contra a vida, contra-contra.
Contra ou a favor? Sei lá, confundi tudo. Acho que é contra mesmo. Contra e não. Con-tra-não. Ando
sentindo dores nas pernas. Também! “Lata d'água na cabeça, lá vai Maria". Sobe o morro, desce o morro
e se cansa dessa dança. Filhos? Não sou boba, só dois. Cuspi fora uns quatro ou cinco. Provoquei.

LÍNGUA PORTUGUESA
REGINA | RICARDO
1. Com base na leitura e interpretação dos textos 1 e 2, de acordo com a variedade padrão escrita da
língua portuguesa e com os componentes constitutivos dos textos, é correto afirmar que:
01. o Texto 1 pertence ao romance contemporâneo Quarenta Dias, de Maria Valéria Rezende,
vencedor do Prêmio Jabuti, enquanto que o texto 2 pertence à antologia também contemporânea
Olhos d’água, de Conceição Evaristo, especificamente ao conto A gente combinamos de não morrer e
carrega consigo, dentre as tantas características da obra, a presença de verossimilhança.
02. uma versão que provocaria alterações morfológicas, mas preservaria a função sintática do
vocábulo grifado na oração “Acho a maior bobeira futebol, política, carnaval e show” seria “Acho
muito bobos futebol, política, carnaval e show”.
04. o Texto 1 porta consigo referência ao uso de drogas, enquanto que o 2 traz um trecho que se
refere a aborto, dois temas polêmicos da atualidade.
08. a respeito dos verbos presentes no período “Morre e mata de mentira”, pode-se afirmar que
foram empregados de forma vaga para denotar fatos encerrados que ocorreram com frequência.

LÍNGUA PORTUGUESA
REGINA | RICARDO
16. a obra de onde se retirou o Texto 1 traz retrato da violência, enquanto que o Texto 2 fala de
alienação e fuga da realidade.
32. versões interrogativas que tornariam adequado à norma culta o trecho “Não sei porque o medo”
poderiam ser construídas como “O medo, por quê?” e “Do medo qual o por quê?”.
64. o Texto 1 alterna foco narrativo entre 3ª. e 1ª. pessoas, enquanto que o 2 mantém
intertextualidade ou diálogo, faz intertexto com uma música antiga de Candeias Júnior.

GABARITO: 86

LÍNGUA PORTUGUESA
REGINA | RICARDO
Lata d’água Sonhando
Com a vida do asfalto
Lata d'água na cabeça Que acaba
Lá vai Maria Onde o morro principia.
Lá vai Maria
Sobe o morro e não se cansa Lata d'água na cabeça
Pela mão leva a criança Lá vai Maria
Lá vai Maria Lá vai Maria
(2x) Sobe o morro e não se cansa
Pela mão leva a criança
Maria Lá vai Maria
Lava roupa lá no alto (2x)
Lutando
Pelo pão de cada dia

LÍNGUA PORTUGUESA
REGINA | RICARDO
OBRIGADO!
Redação

Aulão Crônica
de Cinema
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira

UFSC
Crônica
UFSC 2015 / 3
Considere os excertos abaixo, reflita sobre os
significados do envelhecimento na contemporaneidade e
redija uma crônica sobre esse tema.
UFSC 2016 / 3
Considere os textos abaixo e redija uma crônica que
tematize um aspecto das relações de solidariedade
na sociedade contemporânea.
UFSC 2017 / 2
Considere os textos abaixo para escrever uma crônica que
tematize a amizade em uma sociedade consumista e
imediatista.
Crônica
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira
UFSC 2018 / 2

Considere os textos abaixo para escrever uma crônica que tematize . . .

Crônica
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira
ENEM 2013 / Questão 129 - O poema de
Oswald de Andrade remonta à ideia de que a
brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto
à questão da identidade nacional, as anotações
em torno dos versos constituem
A - direcionamentos possíveis para uma leitura crítica
de dados histórico-culturais.
B - forma clássica da construção poética brasileira.
C - rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol.
D - intervenções de um leitor estrangeiro no exercício
de leitura poética
E - lembretes de palavras tipicamente brasileiras
substitutivas das originais.

Resolução - As anotações junto aos versos ao longo do poema possibilitam direcionamentos possíveis
para uma leitura crítica de dados histórico-culturais por parte dos leitores, como a que explica que Brasil é o
país do futebol, ou que Cette não é um número, mas sim um time. Além disso, o todo do poema explicita a
https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13487
supremacia do futebol como marca de brasilidade.

Crônica
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira
Futebol Retratos do Brasil
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
In Poesia errante http://tablet.home.faap.br/imag/galeria_museu/2014/Retratos-da-Brasilidade/Thomaz-Farkas.jpg

http://historico.blogdacompanhia.com.br/2014/06/futebol-por-carlos-drummond-de-andrade/

Crônica
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira
Brasis: “tudo acaba em” . . . Pizza . . . Carnaval . . . Música . . . Futebol . . . !

3.ª participação da cantora Shakira em finais de Copa do Mundo


Crônica
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira
Uma questão de brasilidade (Marco Antonio Martire) - 20/08/2014

Foi no ônibus. O passageiro dava uma ideia no trocador.


– Mas se não fosse aquela pancada no Neymar a história seria outra.
– A Copa já foi, agora quero saber de eleição.
– Mas como foi forte a pancada, quebrou a coluna!
– Quero saber desses políticos cadê as escolas, eu quero escola pra as nossas crianças,
criança precisa de escola boa, entendeu? Ensino de qualidade, pra poder fazer uma
faculdade.
– O Neymar já tá jogando… não é que sarou rápido?
– Sarou porque tem condição de hospital bom, tem doutor letrado todo dia à disposição,
doutor que frequentou escola de verdade, foi pra faculdade, você sabe quanto tempo
demora pra formar um médico? No mínimo, seis anos, sabe o que é estudar a mesma
coisa seis anos? Seis anos na sala de aula, estudando o corpo da gente, copiando toda a
matéria, revisando, fazendo prova, passando em prova! Não é moleza não. [...]
https://rubem.wordpress.com/2014/08/20/uma-questao-de-brasilidade-marco-antonio-martire/

Crônica
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira
Uma questão de brasilidade (Marco Antonio Martire)
Retratos do Brasil [...]
20/08/2014

– Sei…
– A vida do povo é só sobreviver, não sobra tempo pra mais
nada, pra lutar por um país melhor, só dá tempo à noite de
despencar na cama e dormir, sumir deste mundo e sonhar.
– Sabe o que eu sonho? Sonho com o Brasil campeão do mundo
outra vez. Quando ganhou a última, eu tava desempregado, nem
deu pra comemorar. Queria que o Brasil fosse campeão, aí seria
que nem carnaval, só voltaria pra casa três dias depois. Se não
tivessem quebrado o Neymar, teria sido este ano, mas
machucaram o garoto.
– Carnaval e futebol, é disso que o povo gosta.
– Gosto mesmo, gosto pra cacete de futebol e carnaval.
– Eu gosto é do Brasil. O Brasil podia ser um país diferente,
muito melhor de se viver.
http://tablet.home.faap.br/imag/galeria_museu/2014/Retratos-da-Brasilidade/Castalia-_Futebol.jpg
– Eu também gosto do Brasil. Puxa a cordinha aí, parceiro, vou
descer no próximo ponto.
https://rubem.wordpress.com/2014/08/20/uma-questao-de-brasilidade-marco-antonio-martire/

Crônica
Prof. Everaldo Radlinski e Prof.ª Tharen Teixeira
Obrigado!