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Filtros são dispositivos seletivos em freqüência usados para limitar


o espectro de um sinal a um determinado intervalo de freqüências. A resposta em
freqüência de um filtro é caracterizada por uma faixa de passagem e uma faixa se
rejeição, havendo normalmente uma região de transição entre elas.
As freqüências dentro da faixa de passagem são transmitidas com
baixa atenuação e distorção reduzida, enquanto que as freqüências
compreendidas na faixa de rejeição sofrem atenuação elevada. Os filtros podem
ser dos tipos: passa-baixa, passa-alta, passa-faixa e rejeita-faixa.

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O ruído é um sinal indesejável, presente nos sistemas de comunicação.
A presença de ruído sobreposto a um sinal tende a dificultar a identificação deste
último. Em transmissão digital, o ruído diminui a habilidade de um receptor em
identificar corretamente os símbolos recebidos, limitando a taxa de transmissão do
sistema. Os ruídos são provenientes de uma ampla variedade de fontes, tanto naturais
como artificiais. Entre os ruídos artificiais incluem-se os ruídos de ignição, transientes
de chaveamento e outras irradiações eletromagnéticas. Entre os ruídos naturais
encontram-se os ruídos provenientes da atmosfera, do sol e de outras fontes galácticas.
Bons projetos de engenharia de comunicações podem minimizar os
efeitos de uma grande parte dos ruídos através de blindagem, filtragem, escolha da
modulação, e seleção de um local adequado para a instalação do receptor (quando
possível). Estações de radioastronomia, por exemplo, são instaladas em locais
desertos, longe das fontes de ruídos artificiais. Entretanto, existe um ruído natural,
conhecido como ruído térmico ou ruído Johnson, que não pode ser, de todo,
eliminado. O ruído térmico é causado pela movimentação aleatória dos elétrons em
todos os componentes elétricos que dissipam calor, como fios, resistores, transistores,
etc. Os mesmos elétrons que são responsáveis pela condução elétrica são também
responsáveis pelo ruído térmico.

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Nos circuitos elétricos, o ruído térmico é causado pela movimentação
aleatória de elétrons. A característica primária do ruído térmico é que, na maioria dos
sistemas de comunicações, a sua densidade espectral de potência é constante para
todas as freqüências de interesse. Experimentos mostram que uma fonte de ruído
térmico produz uma mesma quantidade de potência de ruído por unidade de largura de
faixa, para todas as freqüências até 1012 Hz, aproximadamente. Portanto, um modelo
simples para o ruído térmico consiste em se admitir que a densidade espectral de
potência, Gn(f), é constante para qualquer freqüência, sendo seu valor dado por
No
Gn ( f ) 
2
onde o fator de ½ indica que Gn(f) é uma densidade espectral de potência bilateral, isto
é, abrangendo tanto as freqüências positivas quanto as negativas do espectro. Quando
o ruído tem uma densidade espectral de potência uniforme, este é chamado de ruído
branco, numa alusão à luz branca que contém iguais quantidades de todas as
freqüências dentro do espectro visível da radiação eletromagnética.
A função de autocorrelação do ruído branco pode ser obtida tomando-se
a transformada inversa de Fourier da densidade espectral de potência de ruído,
conforme indicado a seguir:

N0
R n (  )   1G n ( f )  (  )
2

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Assim, a função autocorrelação do ruído branco é uma função
impulso (delta de Dirac), ponderada pelo fator N0/2 e ocorrendo em  = 0,
conforme mostrado. Note que Rn() é zero para   0; isto é quaisquer duas
amostras distintas de ruído branco são descorrelacionadas, não importando o
intervalo de tempo em que foram tomadas.
A potência média total do ruído branco Pn é infinita porque sua
largura de faixa é infinita, isto é,

N0
Pn  

2
df  

O ruído branco é uma abstração. Nenhum processo de ruído pode ser


verdadeiramente branco; entretanto, o ruído encontrado em muitos sistemas reais
pode ser considerado aproximadamente branco. Tal ruído pode ser observado
depois de passar através de um sistema real com largura de faixa finita. Assim, se
a largura de faixa do ruído for muito maior do que a largura de faixa do sistema, o
ruído pode ser considerado como tendo largura de faixa infinita.
A função autocorrelação do ruído branco, mostra que o ruído é totalmente
descorrelacionado de sua versão deslocada no tempo, para qualquer valor de  
0. Além disso, o fato de quaisquer duas amostras do ruído branco também
estarem totalmente descorrelacionadas, implica no fato de que os símbolos
transmitidos através de um canal com ruído gaussiano branco aditivo (AWGN)
são afetados independentemente. Tais canais são chamados de canais discretos
sem memória. O termo “aditivo” significa que o ruído é simplesmente superposto
ou somado ao sinal.

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O ruído térmico está presente em todos os sistemas de comunicações.
Na maioria dos sistemas, tem as características de ser aditivo, branco e gaussiano com
média nula, além de ser completamente caracterizado pela sua variância. Por este
motivo, o ruído AWGN é o modelo mais utilizado em detecção de sinais e projeto de
receptores ótimos.

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O modelo físico para o ruído térmico ou ruído Johnson consiste de um
gerador que apresenta em seus terminais uma tensão de ruído em série com uma
resistência de gerador, Rg, conforme mostrado no slide acima.
A potência de ruído térmico, que é acoplada do gerador de ruído para
uma carga, RL, pode ser determinada a partir da tensão de ruído Vn’ sobre a carga. Essa
potência será máxima quando o sistema estiver casado, o que significa que
R g  RL
e conseqüentemente a máxima potência de ruído acoplado do gerador de ruído para
uma carga será
N  kTB

Note que para sistemas casados, a potência de ruído disponível a partir


de uma fonte de ruído térmico é independente das resistências do gerador e da carga, e
somente depende da temperatura ambiente da fonte de ruído e da largura de faixa
ocupada, conforme mostrado. Além disso, conclui-se que o valor máximo da
densidade espectral de potência de ruído unilateral na carga, N0, é dado por

N
N0   kT Watts/ Hertz
B

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Figura de ruído, F, é a razão entre a relação sina-ruído de entrada de um
circuito, SNRi, e a relação sinal-ruído na sua saída, SNRo. Ou seja,
SNR i S N
F  i. o
SNR o Ni S o
Para as relações sinal-ruído tomadas em dB, a figura de ruído em dB torna-se

F( dB )  SNR i ( dB )  SNR o ( dB )
Nota-se que a figura de ruído expressa o grau de degradação da SNR causada pelo
circuito.

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Figura de ruído, F, é a razão entre a relação sina-ruído de entrada de um
circuito, SNRi, e a relação sinal-ruído na sua saída, SNRo. Ou seja,
SNR i S N
F  i. o
SNR o Ni S o
Para as relações sinal-ruído tomadas em dB, a figura de ruído em dB torna-se

F( dB )  SNR i ( dB )  SNR o ( dB )
Nota-se que a figura de ruído expressa o grau de degradação da SNR causada pelo
circuito.

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Suponha que as figuras (a) e (b), no slide acima, apresentem,
respectivamente os espectros do sinal na entrada e na saída de um amplificador de RF.
Sem perda de generalidade, uma verificação não muito rigorosa mostra que o nível do
sinal na entrada é de -12 dBm, e está 36 dB acima dos picos espectrais de ruído,
enquanto o nível do sinal de saída é de 1 dBm e está 26 dB acima dos picos espectrais
de ruído. Logo, pode-se estimar o ganho de potência do amplificador em dB,
calculando-se:
G  S o  S i  1  (  12 )  13 dB
A figura de ruído pode ser estimada conforme mostrado a seguir

F( dB )  SNR i ( dB )  SNR o ( dB )  36  26  10 dB

Os resultados mostram que o amplificador, apesar de aumentar a


potência do sinal em 13 dB (isto é, por um fator de 101,3  20 vezes), degrada a SNR
em 10 dB (10 vezes), devido ao ruído gerado internamente pelo amplificador, que é
adicionado ao ruído de entrada amplificado.

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Sob o ponto de vista do ruído, o amplificador realizável do exemplo
anterior poderia ser representado de acordo com a figura do slide acima. O gerador de
ruído conectado à entrada do amplificador, de ganho G, representa a potência de ruído
externa que é acoplada ao amplificador. A potência de ruído gerada pelo amplificador
é representada pela variável Na. Assim, a potência de ruído total na saída do
amplificador é expressa por

N o  GN i  N a

Logo, a partir da definição de figura de ruído tem-se

SNR i S i / Ni
F 
SNR o ( GS i ) /( GN i  N a )
GN i  N a

GN i
Resultando, finalmente, que

Na
F  1
GN i

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Considere uma rede com perdas conectada a um gerador de ruído
térmico e a uma carga, conforme mostrado no slide acima.
As linhas de transmissão, como cabos coaxiais e guias de onda, são
exemplos de redes passivas que apresentam uma certa atenuação. Se uma rede
apresenta uma perda , então a potência do sinal de entrada, Si, pode ser relacionada
com a potência de saída, So, na forma
S i  L.S o
Sob o ponto de vista de geração de ruído térmico, a entrada e a saída da rede podem
ser representadas pelos circuitos equivalentes, logo as potências de ruído na entrada e
na saída da rede podem ser determinadas, respectivamente, por

4R gR i
Ni  .kTB
(R g  R i ) 2
4R oR L
No  .kTB
(R o  R L ) 2
Logo, a figura de ruído da rede pode ser determinada, substituindo-se Ni e No na
definição de figura de ruído, ou seja,

S i N o L.S o N o
F   
Ni S o S o Ni
Resultando que, no caso geral de uma rede descasada com perdas, a figura de ruído
pode ser calculada por

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R o .R L (R g  R i )2
F L 
(R o  R L )2 R g .R i

Caso a rede esteja casada, tanto na entrada quanto na saída, tem-se


que Rg = Ri e RL = Ro. Como conseqüência, se a entrada e a saía da rede estão
submetidas à mesma temperatura ambiente, então as potências de ruído térmico
presentes na entrada e na saída da rede terão o mesmo valor, isto é,
Ni  No  kTB
Portanto, a figura de ruído de uma rede casada com perdas, simplifica-se em

FL

Esse resultado mostra que a figura de ruído de redes passivas casadas é igual à
sua própria perda ou atenuação.

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Outra forma de caracterizar o ruído em dispositivos elétricos e
eletrônicos é através da temperatura efetiva de ruído. Essa caracterização pode ser
feita a partir da seguinte equação

Te  ( F  1)T0

A equação acima mostra que um amplificador pode ser modelado


como se o mesmo tivesse uma fonte de ruído adicional, operando a uma temperatura
efetiva, Te. A partir dessa constatação, pode-se escrever que a potência total de ruído
na saída do dispositivo, em função de T0 e Te, é dada por

N 0  G.Ni  N a

logo se considerarmos o amplificador como sendo ideal, tem-se

N a  G.N ai
então,

N 0  G.Ni  N a
N 0  G(Ni  N ai )
N 0  G(kT0B  kTeB )
N 0  Gk ( T0  Te )B

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Considere os amplificadores ligados em cascata apresentados no slide.
Sabe-se que as figuras de ruído dos amplificadores 1, 2 e 3, isoladamente, podem ser
escritas, respectivamente, como
N a1 Na 2 Na 3
F1  1  F2  1  F3  1 
Ni Ni Ni
onde Na1, Na2, Na3 são as potências aplicadas à entrada de cada amplificador
(considerando os amplificadores como ideais), equivalentes ao ruído gerado
internamente por cada um.
A potência de sinal de saída pode ser calculada por

S 0  G1G 2 G 3 S i

A potência de ruído presente na saída do sistema pode ser escrita como


N 0  (N 2  N a 3 )G 3
 (N1  Na 2 )G 2 G 3  Na 3 G 3
 (Ni  N a1 )G1G 2 G 3  N a 2 G 2 G 3  N a 3 G 3
Logo, a figura de ruído total do sistema pode ser calculada por meio do seguinte
desenvolvimento:
S i N0
Fc  
Ni S 0
F2  1 F3  1
Fc  F1  
G1 G1G 2

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Uma vez que a figura de ruído e a temperatura efetiva de ruído
caracterizam o ruído em dispositivos, em engenharia empregam-se essas grandezas de
acordo com a sua utilidade para cada caso. Para aplicações terrestres, a figura de ruído
é quase universalmente usada. O conceito de degradação da relação sinal-ruído para
uma temperatura de fonte de ruído igual a 290K faz sentido, porque temperaturas de
fontes de ruído para sistemas terrestres estão próximas de 290K. Valores típicos de
figuras de ruído para sistemas terrestres encontram-se entre 1 dB e 10 dB.
Para sistemas espaciais, a temperatura efetiva de ruído é a figura de
mérito mais comum. A faixa de valores para sistemas comerciais estende-se,
tipicamente, de 20K a 150K, resultando em uma resolução adequada para comparação
de desempenho entre sistemas. A desvantagem de se usar a figura de ruído em
sistemas espaciais é que os valores obtidos são muito próximos da unidade (entre 0,5
dB a 1,5 dB), o que dificulta a comparação. Além disso, uma temperatura de
referência igual a 290K não é apropriada para sistemas espaciais, pois, uma vez que
uma antena comporta-se como uma lente, a contribuição de ruído captado pela antena
depende da região do espaço para onde a antena está apontada. Nesses casos, um
conceito útil é o de temperatura efetiva do sistema, definida como

Onde TA é a temperatura da antena e TC é a temperatura de ruído composta do receptor.

TS  TA  TC

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Já que a temperatura efetiva do sistema é uma nova temperatura composta, pode-se
questionar a razão de se efetuar a soma direta entre TA e TC, sem a respectiva redução
em TC pelo fator de ganho, conforme sugere a equação da temperatura equivalente de
ruído para quadripolos em cascata. O motivo é que admite-se que a antena não tem
elementos dissipativos. Ao contrário de um amplificador ou atenuador, a antena
promove um ganho de processamento, apenas transferindo o sinal e o ruído captados
pela mesma para a entrada do receptor.

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