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Câmara Municipal da Serra

ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

HISTÓRIA DA CÂMARA MUNICIPAL

A Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra é elevada à freguesia por Carta Régia de 24 de maio de 1752 e somente instalada em 1769, depois de
construída a igreja nova, matriz que tinha por lial a ermida de São José.

A então freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Serra foi elevada à categoria de Vila, em 1822. O município da Serra foi criado em 1833, com território
desmembrado do município de Vitória, através da resolução do conselho do Governo de 02 de abril de 1833, instalado em 19 de agosto daquele ano e a
primeira sessão da Câmara se deu a 20 de agosto de 1833.

O atual distrito do município da Serra, Nova Almeida, era sede do município de mesmo nome, que foi emancipado em 11 de janeiro de 1759 (Livro Tombo
de Nova Almeida), por Dom José, Rei de Portugal, com o nome de Nova Almeida, em homenagem a cidade de Almeida em Portugal.

A Câmara de Vereadores era composta pelos seguintes membros: Manoel Ramos, Estanislao Pereira e Antônio Dias Corrêa. Por volta de 1760 a Câmara de
Vereadores de Nova Almeida construiu uma ponte de madeira sobre o canal da passagem, ligando o continente à Ilha de Vitória.

Em 28 de julho de 1772, a Câmara de Nova Almeida era composta por: Gregório da Silva, Leonardo da Silva e Estanislao Dias.

Em 1812, quando o bispo D. José Caetano da Silva Coutinho visitou Nova Almeida, a Câmara de Vereadores era composta só de índios.

Em 1819, em outra viagem do bispo D. José Caetano, este observa: "- Nota Bene: esta vila já não é de índios puros, como em 1812, por que dois juízes e
alguns vereadores são portugueses".

Outra observação feita pelo bispo D. José Caetano foi que em sua visita à freguesia da Serra, em 1812, constatou: " ...Boas águas e bons ares fazem o país
saudável, e promete grandes aumentos quando os colonos se puderem estender mais para o interior, o que até agora não têm feito com medo do bugre,
ou tapuio, como chamam a todas as raças de gentio do mato, que aqui tem chegado a aparecer e a matar gente bem perto da igreja: e o vigário me disse
que há poucos meses enterrara a ossada de um escravo que eles tinham comido" .

Quase um ano e meio após a independência do Brasil, que havia sido declarada em 07 de setembro de 1822, foi quando houve as primeiras eleições de
vereadores às Câmaras Municipais da Província do Espírito Santo, em 01 de fevereiro de 1824, neste ano, ainda, não houve eleições na Serra, pois, o
município não havia sido emancipado.

O município da Serra foi criado, através da resolução do Conselho de Governo, de 02 de abril de 1833, e instalado em 19 de agosto daquele ano, quando
era presidente da província do Espírito Santo, o Sr. Manoel José Pires da Silva Pontes. A sua instalação só foi possível, após a cessão de um espaço da casa
do vereador eleito, José Simoens da Silva, pois não havia naquela ocasião um prédio para instalar o município, assim, aquele vereador permitiu usar sua
residência como Paço Municipal (Casa do Governo Municipal).

A Câmara era formada pelos vereadores:

Luiz da Rosa Loureiro - Presidente

Manoel da Rocha Pimentel

José Simoens da Silva

Manoel Fernandes de Miranda

Luiz Vicente Loureiro

Fabiano Gonçalves Fraga

Padre Joaquim de Santa Magdalena Duarte

A Câmara de Vereadores tinha naquela ocasião funções executivas e os vereadores formavam um conselho de administração. O presidente da Câmara era
o presidente do Governo Municipal. As leis aplicadas eram emanadas da Assembleia Legislativa Provincial, que tinha entre seus membros deputados que
acumulavam as funções de vereadores. Não havia incompatibilidade.

Até a criação da Assembleia Provincial as leis eram editadas em Portugal. Em 01 de fevereiro de 1835 foi instalada a Assembleia Legislativa Provincial sob a
presidência do Padre João Clímaco da Alvarenga Rangel, nascido em São José do Queimado, ele foi o advogado dos negros que buscavam a liberdade no
movimento denominado ''Insurreição do Queimado", ocorrido na vila de Queimado, hoje distrito do município da Serra. Além dele, participou da instalação
do legislativo estadual outro serrano, o Padre João Luiz da Fraga Loureiro, ocasião em que ele era também, vereador da Serra.

Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, houve a nomeação do primeiro presidente do Estado do Espírito Santo, Afonso Cláudio de
Freitas Rosa, neto materno do primeiro presidente da Câmara de Vereadores da Serra, Luiz da Roza Loureiro. Diante da nova situação Afonso Cláudio
intervém nos municípios. Na Serra nomeia uma Intendência para administrá-la, composta de três membros: Manoel Pereira Madruga, Manoel Rodrigues
Fernandes de Miranda e Luiz Barboza Leão, este último como presidente, equivalente ao cargo atual (2004) de prefeito. Luiz Barboza Leão era sogro de
José Cláudio de Freitas Júnior, irmão de Afonso Cláudio, e ainda, bisavô da ex -deputada estadual do Espírito Santo Judith Leão Castello Ribeiro e trisavô da
cantora Nara Leão e do pesquisador João Luiz Castello Lopes Ribeiro. Luiz Barbosa Leão, era sogro da prima do ex-deputado estadual Benigno Soares Leite
Vidigal, bisavô do atual ex-prefeito da Serra Antônio Sérgio Alves Vidigal.

Após a intervenção promovida pela proclamação da república, foi empossada nova Câmara de Vereadores, em 18 de dezembro de 1892, e eleito seu
presidente Luiz Barboza Leão que permaneceu no cargo até 1900, nesse período acumulou as funções de vereador com as de deputado estadual nas
legislaturas de 1895 a 1897 e 1898 a 1900.                                                                                                                      
Residência do 1º Presidente da Câmara, Luiz Barbosa Leão, após a Proclamação da República.
A casa foi demolida em 1986, e em seu lugar foi construída a primeira sede do Legislativo Serrano.
 

É importante observar que no Brasil Império, só podiam ser eleitores aqueles que tivessem uma renda anual de R$ 100$000 (cem mil réis). As mulheres e
escravos não votavam. A mulher só veio a obter cidadania - votar e ser votada - após a "Revolução Constitucionalista de São Paulo ", em 1932. Na primeira
eleição, em 1934 lá estava a mulher serrana como pioneira - Judith Leão Castello, casou-se em 1938, com Talma Rodrigues Ribeiro (prefeito da Serra
1945/1946), passando a assinar Judith Leão Castello Ribeiro, eleita a primeira mulher deputado estadual do Espírito Santo, na "Assembleia Constituinte" de
1946.

Em 25.03.1914 houve a primeira eleição para prefeito da Serra, ocasião em que foi eleito o Sr. Cícero Calmon de Aguiar, e empossado em 23.05.1914, a
partir daí a Câmara deixou de exercer funções executivas e passou a exercer funções scalizadoras, determinantes das diretrizes do governo municipal e
legislativas. Nesta nova fase teve como seu presidente o neto materno de Luiz Barboza Leão, Monsenhor Luiz Cláudio de Freitas Rosa, este foi Deputado
Federal na Constituinte de 1946.

Os municípios só passaram a ter autonomia total legislativa, e serem considerados como entes federativos, com a promulgação da Constituição Federal,
em 05 de outubro de 1988, que deu atribuição para que eles passassem a elaborar suas Leis Orgânicas e as promulgassem através da Câmara de
Vereadores. Antes era atribuição da Assembleia Legislativa Estadual.

A Constituição Federal, em 1988, passou a considerar, pela primeira vez, o município como um ente federativo, conforme o art. 18:

- "A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
todos autônomos, nos termos desta Constituição".

O art. 29 dá atribuição à Câmara de Vereadores do Município para promulgar sua Lei Orgânica:

- "O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros
da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os
seguintes preceitos: ...".

Em 1930, houve eleições para eleger o presidente da república, naquela ocasião era presidente Washington Luiz, que lançou como seu candidato Julio
Prestes. A disputa foi acirrada com Getúlio Vargas, este perdeu a eleição, e inconformado, alegou fraude no processo eleitoral, o que justi cou sua
participação como líder da Revolução de 30, movimento que depôs o presidente Washington Luiz. Assumiu o poder Getúlio Vargas, impedindo a posse de
Júlio Prestes. A Revolução também depôs o governador do Estado do Espírito Santo, aliado da campanha Julio Prestes, Dr. Aristeu Borges de Aguiar, lho de
família serrana. Seu pai era Augusto Manoel de Aguiar e sua mãe Luíza da Silva Borges ( lha de João da Costa Silva Borges e Anna Pereira da Silva Borges).
Aristeu era tio do ex-ministro da justiça Eurico de Aguiar Salles e do ex-senador Jéferson de Aguiar. Em 19 de outubro de 1930, assumiu uma Junta
Governativa, composta por João Manuel de Carvalho, Afonso Corrêa Lírio e Capitão João Punaro Bley.

A seguir, em 15 de novembro de 1930, Bley foi nomeado e tomou posse em 22 de novembro de 1930 como interventor estadual. Permaneceu no cargo até
16.10.1942, transferindo para Dr. Celso Calmon Nogueira da Gama, que a seguir transferiu a interventoria para o Dr. Jones dos Santos Neves, em
21.01.1943.

Naturalmente, que a Revolução re etiu na política do município da Serra. O prefeito da Serra foi deposto e a Câmara de Vereadores foi fechada. Foi
nomeada uma Junta Governativa, que tomou posse em 23.10.1930, composta pelos seguintes membros:

José Corrêa Pimentel;

João Vieira Xavier;

Olavo Ferreira Castello (tomou posse em 24.10.1930).

No mês de janeiro de 1936, houve eleições municipais, ano em que foi eleito prefeito do município o Sr. Presciliano Biluia de Araújo - do Partido
Constructor Serrano. O mandato foi interrompido em 10.09.1937 pelo Golpe de 1937. A democracia só foi restabelecida em 1946, quando foram
convocadas novas eleições. Os deputados e senadores eleitos receberam o mandato com poder para elaborar uma nova Constituição.

Os Presidentes da Câmara da Serra, na legislatura eleita em 1936 foram Belmiro Geraldo Castello (06.02.1936 a 21.06.1937 - Partido Cons tructor Serrano)
e Antenor Sarmento Miranda (21.06.1937 a 10.09.1937 - Partido Constructor Serrano).

Em 1947, com a redemocratização do país foram convocadas eleições municipais, ano em que foi eleito prefeito do município Rômulo Leão Castello (PSD).
Os novos vereadores elegeram seu presidente Luiz Corrêa Amado (PSD - 27.12.1947 a 10.03.1948).
Naquela legislatura foram presidentes, além de Luiz Amado, The Otônio da Costa Pereira (10.03.1948 a 10.01.1950 - PSD) e Arnaldo Ferreira Castello
(10.01.1950 a 01.02.1951 - PSD).

A Câmara Municipal da Serra passou por muitas di culdades em toda sua existência. Quando foi instalada em 19 de agosto de 1833, iniciava ali, os
problemas para possuir um prédio próprio.

O município para ser instalado, teve que o cidadão José Simoens da Silva, componente do primeiro quadro de vereadores ceder uma casa de sua
propriedade para funcionar como Paço Municipal. Como persistia a ausência de prédio público para abrigar as instalações da Câmara, esta passou a
funcionar na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Serra, a Igreja controlava a Administração Municipal, as eleições, os registros civis e de
imóveis etc. Todavia, houve uma epidemia de varíola na vila, e os mortos eram sepultados no interior da igreja, fato que, além da preocupação com a
população afetada, também, os afetava pessoalmente, segundo eles, nas suas saúdes, pois, temiam contrair a doença nas reuniões do conselho no recinto
da igreja.

Deixando a igreja, a Câmara passou a alugar casas onde pudesse se reunir. Em 01.02.1860 na visita de D.PEDRO lI, este observou:

"A casa da Câmara térrea é muito pequena. O vereador que serve de presidente tem 1 voto; porque todos os outros se escusaram, e, contudo, quem lhe
passou o papel do discurso, que felizmente só entregou, foi o vereador Pimentel o mais votado com 40 e tantos votos; a chave da vila estava ainda sobre
uma salva dentro d'um armário d'onde a tiraram para m'a oferecerem. A Câmara reunia-se antes no Consistório da Matriz onde também se tem reunido o
júri que já uma vez não teve lugar por falta de casa.

Começou-se, por subscrição, uma casa de sobrado para casa da Câmara, júri, etc. e cadeia; mas está parada, tendo-se gasto 2 contos, orçada em 10 que
decerto não chegam; pois as obras custam muito caro aqui”.

O primeiro prédio próprio da Câmara demorou muitos anos para ser inaugurado, a obra chegou a car paralisada por mais de doze anos, como veri cado
em ofício da Câmara, arquivado no livro 365, do Fundo da Governadoria, Série Acyolli, datado de 1875, Arquivo Público Estadual do Espírito Santo. No ano
de 1890 não havia sido concluído, localizado no Largo do Barão do Amazonas, hoje praça João Miguel - extensão da rua Major Pissarra. Sua construção
durou aproximadamente 40 anos.

No dia 26 de dezembro de 1975, a Câmara passou suas instalações para um novo prédio, o segundo prédio próprio em 142 anos de sua existência. Situado
na rua Getúlio Vargas nº 65, centro, Serra - Sede, onde funcionava até a instalação do seu prédio de nitivo. É importante observar que o censo do IBGE de
1970 encontrou na Serra uma população de 17.286 habitantes e, hoje, em 2004 a população do município é de aproximadamente 350.000 pessoas.

Câmara Municipal da Serra


2ª Sede própria Localizada na Av. Getúlio Vargas
no Centro do município.
 

Devido à precariedade das suas instalações, e diante da importância do município e do seu grande crescimento econômico e demográ co, os atuais
vereadores entenderam que era necessário construir um palácio municipal condizente com a realidade local, onde outrora havia a residência de Luiz
Barboza Leão, primeiro presidente da Câmara da Serra na fase republicana.

Destarte, entrega o novo palácio do legislativo serrano com instalações modernas, e maior espaço para melhor comodidade dos cidadãos, lembrando das
di culdades ocorridas para a instalação do município, numa casa cedida em comodato por um vereador de então.

O Ex-Presidente da Câmara, Miguel João Fraga Gonçalves, e todos os componentes da legislatura 2000/2004 criaram um novo momento na história do
município, ao entregar o novo prédio do Legislativo Serrano Palácio Judith Leão Castello Ribeiro, o terceiro prédio próprio, em quase 171 anos de sua
existência, no dia 23/04/2004.
Câmara Municipal da Serra
Sede atual.

Câmara Municipal da Serra


Sede atual após reforma.

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