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História Moderna

Fichamento Unidades 1 a 6

Profa. Elza Silva Cardoso Soffiatti

Aluno: Fábio D. Christovam


RA: 8010990
História Moderna

Atividade de Portfólio
Após a leitura dos textos sugeridos, faça um fichamento das Unidades 1 a 6 do Caderno de
Referência de Conteúdo de TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano,
2013. Para saber como o fichamento deve ser feito, acesso o site que se encontra disponível em:
<http://www.iuperj.br/index.php/pesquisa/tecnicas-de-estudo/fichamento>. Acesso em: 18 jul. 2016 e siga
o Modelo de Fichamento de resumo ou Conteúdo.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 1 - A Aurora Da 01
Modernidade: Crise Do Feudalismo
E O Surgimento Do Capitalismo
Debate historiográfico sobre a transição do feudalismo para o capitalismo (p. 38 a 45)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Maurice Dobb, historiador e economista inglês, de linha marxista, tem uma tese sobre
a transformação do modo de produção feudal (do qual tem a característica de ser uma relação
de luta de classes, neste caso de senhor e servo) para o modo de produção capitalista. Dobb
defende que o fator de colapso do sistema feudal foi a ineficiência da produção para suprir as
necessidades da nobreza ( que tinha relação com o comércio para manter sua necessidade de
produtos que este oferecia ), que exercia uma pressão social forte, a exploração exercida pela
nobreza, que demandava em seu modo de vida privilégios, em cima dos servos, gerando
fugas, revoltas que juntas com outros fatores (entre eles o comércio, mais as crises do século
14, com a queda demográfica gerada pela guerra e a peste) levam ao colapso do sistema,
obrigando a nobreza a ter novos modos de tratar a questão, arrendando terras, por exemplo.
Para Dobb, as lutas de classe fazem erodir o sistema feudal, não a partir da nobreza,
nem pelo incremento mercantil (ainda que não negue que este tenha influência no processo
não é determinante), mas por um novo padrão de comportamento das classes subalternas
pressionadas pela servidão.

Paul Sweezy, historiador e economista americano, contesta a tese de Dobb,


recuperando questões da tese de Pirenne, onde este afirmava que a derrocada do sistema
feudal se deu principalmente pelo incremento do comércio.
Sweezy, defende que o surgimento do capitalismo foi a expansão comercial (comércio
de longa distância) que surge entre os séculos 11 a 14. Este comércio é um sistema externo a
estrutura do feudalismo que é uma estrutura inerte por si só e incapaz de criar uma

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contradição que erodisse o sistema. A expansão do comércio, impulsiona a produção para


troca, onde no sistema feudal, se dá como típico a produção para uso.
Para Sweezy, o feudalismo é definido pela servidão, que é a relação de produção
predominante, e onde esta se organiza em torno da propriedade do senhor feudal.
O comércio foi a força que gera um sistema de produção de troca, possibilitando o
surgimento de manufaturas e cidades, provocando a fuga em massa da população, que
coexiste (em contradição) com o sistema natural de troca do sistema feudal, típico para uso,
onde esses dois sistemas começam a se influenciar. Já nos séculos 15 e 16, diferente de
Dobb, Sweezy afirma que já não existe mais feudalismo na Europa, mas sim um sistema de
produção pré-capitalista.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 1 - A Aurora Da 02
Modernidade: Crise Do Feudalismo
E O Surgimento Do Capitalismo
Desenvolvimento Econômico Do Feudalismo E Surgimento
Do Pré Capitalismo (p. 46 a 53)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Perry Anderson, historiador inglês, coloca que o modo de produção feudal surge na
Europa Ocidental entre os séc 9 e 10 com características complexas atinge seu auge nos
séculos 12 e 13 (muito desenvolvidos em relação aos séc 5 a 9), nesses tópicos mais
importantes:
1. A terra é do senhor feudal, é chamada de domínio ou senhorio, é propriedade do
senhor feudal, não do camponês, o espaço geográfico é um elemento central no modo
de produção feudal, é o meio de produção (diferente da manufatura e da indústria) da
qual o camponês tira seu sustento e da confecção de insumos que necessita,
assumindo assim uma relação social específica entre o camponês e o espaço em que
produz, porém o próprio camponês não é dono desta terra, caracterizando ainda uma
baixa produtividade e de consumo para uso.
2. O trabalho, nem os frutos do trabalho eram considerados bens, como na economia
capitalista, já que a produção tem como destino o uso ( e não o lucro ). A economia
do sistema feudal é a exploração da terra. O grande conflito social entre as classes
sociais do período feudal está estabelecido pelo uso da terra, sendo esta o único meio

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de riqueza.
3. Sociedade estamental, onde a propriedade da terra é de uma classe privada, a da
nobreza, dos senhores feudais, que se apropriavam através de coação, do excedente
de produção dos camponeses que era exercida tanto nas terras do senhor feudal,
quanto nas terras arrendadas.
4. Apesar de haver uma hierarquia entre os senhores feudais e suas relações de
vassalagem, que os ligava por obrigações recíprocas, até um rei, mas o poder é
fragmentado entre os senhores feudais. É no mundo romano que está a origem dessas
relações políticas com o surgimento de instituições: clientela, patrocínio,
recomendação, imunidades.
5. O poder era diluído entre os senhores feudais, que tinham certa autonomia política,
relações econômicas e poderio militar, daí a descentralização do poder do rei.
6. Eram obrigações servis do servo para seu senhor, segundo Hilário Franco Junior
(1986):
1. Corveia: alternando 3 dias de trabalho por semana nas terras do senhor feudal.
2. Redevances: retribuições pagas em espécie ou moeda para diversos fins.
3. Dízimo ou tostão de Pedro, cobrado pela Igreja.
7. Síntese dos Períodos:
1. Séc. 5 a 9: comunidades isoladas e meios precários de produção.
2. Séc 9 a 10: estabelecimento do modo de produção feudal, início das cruzadas.
3. Sec 12 a 13: auge do modo de produção feudal, crescimento das relações
comerciais sob dinamizado pelo movimento das cruzadas tornando possível o
comércio de longa distância, criando novas rotas comerciais fluviais e marítimas,
surgem agências de comércio, surgimento das feiras, cidades mercantis, dos
burgos que eram cidades fortificadas, expressão de um acordo entre os senhores
feudais e a burguesia para proteção do mercado regional, adquirindo direitos
mediante a pagamento, surgimento das guildas para mutua assistência entre
profissionais artesãos aumento sensível da produção agrícola com novos métodos
e consequente aumento demográfico no final do séc. 13 sinais de início de
esgotamento.
8. Hilton (1977) demonstra que não é a Revolução Comercial na Idade Média que
derroca o sistema feudal porque o surgimento das cidades comerciais foi fruto de um

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História Moderna

aumento das rendas derivadas do crescimento da produção agrícola, e a produção


urbana não era tão significativa, era muito parecida com a produção do campo.
9. Séc 14: crise. Fome, Peste e Guerra.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 1 - A Aurora Da 03
Modernidade: Crise Do Feudalismo
E O Surgimento Do Capitalismo
Crise Do Século 14: Guerra, Fome E Peste (p. 54 a 57)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
A “configuração dos 4 Cavaleiros do Apocalipse” no séc 14:
1. A Fome:
1. Decadência agrícola, a Grande Fome de 1315 a 1317 (3 anos de péssimas colheitas).
1. O aumento da população urbana, superou o limite da produção agrícola.
2. A produção agrícola entra em declínio, dadas as condições tecnológicas da época,
esgotamento do solo.
3. Não há mais áreas disponíveis para expansão da agricultura.
4. Todos esses fatores levam a Grande Fome.
2. A Peste
1. Desnutrição e más condições de higiene levam á:
2. A Peste Negra de 1347 a 1350, dizima 1/3 da população europeia.
3. A Guerra
1. Dos Cem Anos entre ingleses e franceses de 1337 a 1453) relacionado a problemas de
suserania e vassalagem entre nobres ingleses e franceses.
2. Revoltas populares que são consequência da pressão exercida pelos senhores feudais
dadas as condições da época: a fome, seguida da peste leva a um sensível diminuição
demográfica. Menos trabalhadores, menor produção. Dado a novos padrões de
consumo gerados pelo Renascimento Comercial, a nobreza pressiona a classe servil
para manter seus modo de vida e financiar os conflitos militares em que se envolviam.
Os servos reagem com fugas, sabotagens, agravando mais a situação.
4. “A Morte”...
1. Este tópico fazendo referência ao período final (além das consequências da Peste e da
Guerra), do sistema de produção feudal fazendo referência ao imaginário cristão dos 4

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cavaleiros do apocalipse. Aqui está configurado todos os elementos para a derrocada do


sistema feudal.

Título Geral Título Específico No da Ficha


Unidade 1 - A Aurora Da
História Moderna I 04
Modernidade: Crise Do Feudalismo
E O Surgimento Do Capitalismo
Inícios Da Era De Transição: Começo Do Capitalismo (p. 58 a 60)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Após a crise do séc 14, a economia e a demografia crescem novamente até meados do
séc. 15, quando se dá uma nova crise: a crise do crescimento, segundo alguns historiadores.
A crise do crescimento, segundo Wallerstein (1990):
1. Choque (social, de interesses, econômicos) entre a produção feudal do campo e a da
cidade, capitalista.
2. Produção agrícola ainda com padrões arcaicos que ainda imperavam.
3. A produção das manufaturas da cidade necessitava da ampliação do mercado
consumidor, que não era possível dado a situação estamental do modo de produção
feudal. Os camponeses viviam em estado de miséria e eram explorados pelos
senhores feudais.
4. O comércio de longa distância acabava tendo um grande número de intermediários o
que aumentava muito o valor final da mercadoria.
5. A escassez de moeda na Europa, devido ao comércio com o Oriente.
Esses fatores levam ao surgimento da “economia-mundo-capitalista”, segundo
Wallerstein (1990), pois força os comerciantes a uma nova expansão, fora do continente
europeu, ou seja através das Navegações, procurando rotas alternativas, criando novas
relações de trabalho, agora não mais servil.
No séc 16 surgirá o Capitalismo comercial.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 2 - Renascimento Cultural: 05
O Despertar Do
Humanismo
O Contexto Histórico Do Advento Do Renascimento (p. 68 a 72)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.

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A Europa volta a comercializar com o Oriente a partir do séc 11, especialmente 13 e


14. Esta retomada do comércio por um lado fortalece essas cidades na península norte da
Italia, que conseguem se manter independentes, como Cidades Estado Autônomas, que vão
se tornar o berço do renascimento devido a força de seu comércio, mais ativo foco comercial
no Mediterrâneo entre os séc 13 a 15.
A burguesia, que tem suas bases na sociedade feudal, nasce do surgimento do
desenvolvimento comercial e agora, buscava reconhecimento e prestígio social,
aproximando-se do estilo de vida da nobreza. Para se aliar a aristocracia moldaram uma
imagem social na qual eram personagens centrais, o mecenato. Assim, financiaram os
intelectuais do renascimento, financiaram obras artísticas para demonstrar o poder das
cidades.
A nobreza perde poder para a burguesia. A rica economia da cidade não explorada
pelos senhores feudais. O mecenato, com suas obras de arte, com as criações do
renascimento nas mais diversas áreas cria uma legitimação dessa cultura burguesa. Formam
uma ditadura republicana na dentro dessas comunidades urbanas.
Ao mesmo tempo essas alianças vão demandar e dar forma a um novo tipo de Estado,
com um governante.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 2 - Renascimento Cultural: 06
O Despertar Do
Humanismo
Humanismo E Renascimento Científico: Rompimento Com A Igreja Católica? (p. 73 a 78)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
No séc. 12 surge o humanismo defendendo reformas no campo do saber, desejando
revitalizar os estudos e incluir novas formações como: poesia, filosofia, matemática e
retórica. Até então a educação superior existia para: Teologia, Medicina e Direito.
O Humanismo, antropocentrista, típico da transição do final do período feudal para a
modernidade, considerava a cultura clássica anterior ao período cristão como superior e
nasce de um novo sistema de valores que desejava reinterpretar o cristianismo sob outro
olhar, uma outra forma de atingir a Verdade, já ná fase final da Escolástica do séc 13, e vai
representar um rompimento com esta escola de pensamento que preocupava-se mais com o
mundo espiritual, transcendente, pregando a submissão do homem a Deus, à Igreja e a

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História Moderna

nobreza. A Igreja não via o humanismo com bons olhos. No séc 14 Coluccio Salutati,
cristão, defendia a separação entre a ciência e a religião.
A burguesia se interessava por esse renascimento científico, uma avidez por
conhecimento, poder e lucro, pois o humanismo tinha uma visão mais pragmática do homem
e sua relação com a natureza, apoiado na crença nesta capacidade humana (e divina) de
transformar a natureza e com isso, de alguma forma, criar, produzir de acordo com sua
vontade e sobretudo, novamente citando: obter lucro.

Correntes do Humanismo e o Renascimento Científico


1. Academia de Florença, fundada por Lourenço de Medici, desenvolve a linha de
pensamento do platonismo.
2. Escola de Pádua, local subordinado a Veneza, sem muita influência da Igreja, rival
dos florentinos, desenvolve o pensamento aristotélico, permitiu o desenvolvimento de
assuntos, com atitude científica, com o objetivo de resolver problemas e que não
estavam ligados as questões teológicas. Para citar grandes nomes e avanços na
astronomia podemos citar: Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Versálio na anatomia
moderna, Harvey na circulação sanguínea, Leonardo Da Vinci na hidráulica e
hidrostática, Brunelleschi na arquitetura e construção, entre outros.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 2 - Renascimento Cultural: 07
O Despertar Do
Humanismo
Renascimento Artístico: Nova Concepção Nas Artes Plásticas
E Na Literatura (p. 79 a 92)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
O Renascimento é um movimento que vai além da Ciência e engloba também as Artes,
a Literatura. Antes do Renascimento as Artes definiam-se pela concepção dos estilos de arte
com um papel pedagógico de ensinar a salvação em uma sociedade de iletrados. Dividia-se
nos estilos:
• Românica
• Gótica
• Bizantina

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Cópia da Tabela Resumida que sintetiza a diferença entre os estilos medievais retirada
da Apostila: Renascimento Artístico: Nova Concepção Nas Artes Plásticas E Na Literatura
nas páginas 80 e 81.
Quadro 1i Comparação entre os estilos românico e gótico.
Características Românico Gótico
Época Séculos 11-12; até o 13 na Meados do século 12 a
Itália e Espanha fins do século 15
Local Sul europeu; abundância Norte europeu; rocha
de pedra; forte calcária; pouca luz, mas
luminosidade natural muita madeira para fundir
vitrais
Planta Cruciforme Cruciforme, com
valorização do transepto,
quase sempre também
com três naves
Fachada Horizontalidade; Verticalidade; leveza;
compacticidade; “fortaleza “relicário”
de Deus”
Estrutura Abóboda de berço; Abóboda ogival;
grossos pilares; paredes arcobotante; contraforte
largas externo
Decoração interna Elementos arquitetônicos Vitrais
(colunas, arcos, nervuras
etc.) e pintura mural
Escultura Integrada na arquitetura; Arte autônoma; certo
figuras estilizadas humanismo
Pintura Bidimensional, hierática, Até o século 13 presa ao
geométrica, ritmada românico, depois, início
do naturalismo na Itália
(Giotto)
Fundamentação Feudoclericalismo Desenvolvimento de
sociológica segmentos urbanos
Fundamentação filosófica Neoplatonismo Aristotelismo escolástico
agostiniano
Fundamentação religiosa Simbolismo Naturalismo
Fonte: Franco Junior (2001, p. 188).
A arte bizantina expressava a autoridade absoluta do imperador (representante de
Deus) e foi de grande importância no renascimento. Tinha como convenções por exemplo

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representar as figuras sempre de frente. Personagens sagrados e oficiais compartilhavam


mesmas características sugerindo assim que ambos fossem sagradas. Sevcenko (1994)
escreve que “mais do que normas, esses requisitos da imagem eram dogmas religiosos;
rompê-los era sacrilégio, acarretando a destruição da obra e a punição do artista”.
A inovação trazida pelos artistas do Renascimento exigia uma formação de domínio de
tons e luzes, cores, jogos de sombra, além de anatomia, psicologia, foi por esse motivo tão
importante:
1. Giotto (1266-1337): pioneiro no estilo de pintura chamado perspectiva.
2. Filippo Brunelleschi (1375-1444): usa a perspectiva na arquitetura, perspectiva exata,
ou matemática.
3. Leon Battista Alberti, escreve em 1443 o Tratado da Pintura. Propõe a perspectiva
plana e de elevação para compor os passos de se realizar uma obra arquitetônica.
4. Leonardo da Vinci: utiliza em suas obras os efeitos de ponto de fuga e olhar fixo.
5. Michelangelo Buonarroti (1475-1564): cai em decadência e fica isolado por não
aceitar as condições de produção dos patrocinadores.
6. Dante Alighieri (1265-1321): A Divina Comédia, apresenta características modernas
na Literatura, mas tem estilo medieval.
7. Francesco Petrarca (1304-1374), O Cancioneiro. Uma obra que reflete o amor para
sua amada Laura, explorando seus sentimentos.
8. Giovanni Boccaccio (1313-1375): Decameron. A astúcia e a gloria do ato carnal
representam mais do que a moral e a ética, expondo uma visão mundana da vida.
Aqui o salto para a modernidade contrasta com a religiosidade casta da literatura
medieval.
A arte, patrocinada pela Burguesia, estava ligada a ela. Aumentava o prestígio do
artista, mas exigia dele uma produção.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 2 - Renascimento Cultural: 08
O Despertar Do
Humanismo
Renascimento Na Península Itálica (p. 93 a 111)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Trecento – século 14

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História Moderna

Período transição, já manifesta elementos modernos decisivos no renascimento


artístico e literário. Florença é o grande centro patrocinador, onde novas formas de
manifestações das artes e valores humanistas começam a surgir. Entre os nomes em
destaque deste período:
1. Cimabue (1240-1302)
2. Duccio di Vuoninsegna (1255-1318)
3. Giotto (1266-1337)
Em 1378 ocorre uma revolta popular. O investimento em cultura e artes entra em crise.
Em Siena nomes como artistas que aperfeiçoaram a técnica de pintura das paisagens:
1. Simoni Martini (1283-1344)
2. Os irmãos Pietro e Ambrolio Lorenzetti (1280-1348)
3. Tadeo Gaddi (1300-1366)
4. Bernardo Daddi (1330-1410)
5. Spinello Aretino (1330?-1410)

Quatrocento – século 15
Neste período o Renascimento atinge seu auge tanto cultural quanto comercial o que
permitia grandes investimentos na produção cultural. Florença sob o comando dos Medicis
que governam a cidade de 1434 a 1492, reassume a liderança do desenvolvimento cutural na
Itália. Lourenço de Medici, um dos maiores colecionadores de arte de seu tempo, funda a
Academia de Florença.
Tiveram destaques neste período:
1. A cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, projeto de Brunelleschi.
2. Esculturas de Donatello
3. Pinturas de Masaccio (1401-1428)
De influência naturalista, ambos os autores acima, expressaram a escultura e pintura o
mais próximo do real. Os autores a seguir usaram perspectiva e o naturalismo para
expressarem suas obras:
1. Piero della Francesca (1416-1492)
2. Paollo Uccello (1396-1475)
3. Luca Signorelli e Andrea Nantegna
Neste mesmo período, Fra Angélico (1384-1455), revive o gótico, aproximando-se da

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História Moderna

arte de Giotto.
Neste período foram criados quadros de madeira e depois telas, facilitando o transporte
e seu comércio. Também a tinta à óleo foi criada neste período. A arte como mercadoria
vendável, era de interesse da burguesia.

Cinquecento – século 16
O Renascimento atinge seu auge com artistas como Leonardo da Vinci e Michelangelo,
cujas obras passaram a ser a base de identificação do estilo renascentista, ofuscando de seus
predecessores e sua influência ditaria os caminhos da arte no ocidente até o início do século
XX. O comércio não é tão prospero quanto do período anterior. A descoberta da América
desloca as atenções comerciais para Espanha e Portugal. Além disso a invasão da Itália por
Carlos V da Alemanha e Carlos VIII, da França interrompem o processo de criação.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 2 - Renascimento Cultural: 09
O Despertar Do
Humanismo
Renascimento No Restante Da Europa (p. 112 a 117)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
O movimento do Renascimento fora da Itália, deve um desenvolvimento diferenciado
devido as particularidades culturais e de desenvolvimento da burguesia de cada região. Os
Estados Nacionais se beneficiaram pela difusão das línguas nacionais, no processo da
construção da centralização política neste período.

Flandres
Erasmo de Roterdã (1467-1536), no campo da literatura, com a obra O elogio da
Loucura, obra fundadora do humanismo cristão. Alguns historiadores o consideram um
precursor do movimento protestantista do séc 16.

França
O Renascimento na França foi patrocinado principalmente pelos monarcas Luís XI
(1461-1483) e Francisco I (1515-1547), mas foi mais restrito em Paris. Margarida de
Navarra, irmã de Francisco I, funda o Colégio de França, onde lança bases para os estudos

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humanistas.

Inglaterra
Destacam-se Thoma Morus que escreveu Utopia (1516), e Francis Bacon, escreveu
Nova Atlântida (1614), obras importantes para o pensamento humanista, que imaginavam
uma sociedade ideal, de relações fraternais onde homens e mulheres vivem e trabalham
felizes tendo fartura e paz. Isso seria possível quando os homens permitissem que a razão os
governasse, expressando naturalmente a perfeição e o bem.
A partir da ascensão dos Tudor (1485), assinalando a formação do Estado Inglês, o
Renascimento teve início na Inglaterra com influência do calvinismo. As artes plásticas não
tiveram um desenvolvimento digno de nota. A literatura, o teatro com William Shakespeare,
um dos pais da dramaturgia moderna.

Alemanha
O Renascimento foi tardio, mas a burguesia ansiava por mecanismos de distinção,
portanto foi intenso. Albrecht Dürer, pintor, utilizando do gótico e da luminosidade
flamenga, traz uma contribuição pessoal de desenvolver traços psicológicos ao retrato.

Espanha
O contexto espanhol do Renascimento é peculiar. A sociedade é guerreira, católica e
aristocrática. Não há um desenvolvimento expressivo da burguesia. A contrarreforma e a
perseguição religiosa não deixaram as ideias do Renascimento florescerem entre os séc. 15 e
16. Além disso era forte a influência da arte muçulmana.
Miguel de Cervantes foi a expressão do humanismo na literatura, e Inácio de Loyola,
fundador da Cia. De Jesus.

Portugal
O Renascimento em Portugal, pegou os bons ventos da expansão maritma e teve
Francisco de Sá Costa (1495-1558), dramaturgo e escritor como seu expoente mais forte.
Suas idéias vão influenciar Luís Vaz de Camões (1524-1580) na poesia e no teatro Gil
Vicente (1470-1536).

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História Moderna

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História Moderna I Unidade 2 - Renascimento Cultural: 10
O Despertar Do
Humanismo
O Legado Do Renascimento (p. 118 a 121)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Os renascentistas desprezavam valores medievais como o pensamento teocêntrico, o
misticismo, o antinaturalismo entre outros. Sua herança mais marcante para a humanidade
foi seu racionalismo, que está relacionado com a ascensão da burguesia. Uma nova forma de
conhecimento, com o objetivo de dominar a natureza, expandir mercados e acumular lucro.
Nessa nova maneira de pensar o mundo, legado da Renascença, deve ser explicado através
ciência ou seja pela razão e investigação.
A razão necessita perceber as diferenças, individualizar coisas e seres, dessa mesma
necessidade nasce o individualismo. Essa capacidade de decompor em partes, permitiu uma
análise mais profunda dos fenômenos naturais, o Naturalismo.
O homem ainda é o centro da obra divina na terra. O Antropocentrismo expõe o centro
das atenções humanas e suas necessidades sociais, políticas, religiosas e individuais.
A razão e o estudo da natureza levam ao questionamento da questão heliocêntrica.
É importante perceber que o Renascimento não ocorre em toda Europa ao mesmo
tempo, mas em locais separados, em grandes centros urbanos e em épocas e características
peculiares de cada lugar, representando a capacidade cultural e criativa do espírito humano, e
mostrando também uma relação profunda com os modos de produção e reprodução material
da vida.

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História Moderna I Unidade 3 - A Centralização Do 11
Poder: O Surgimento Dos
Estados Nacionais
O Processo De Formação Dos Estados Nacionais Na Europa
Ocidental (p. 130 a 133)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Depois do séc. 10 a força política da Igreja e do Sacro Império Romano Germânico,
impediam a consolidação do poder monarquico local. O rei tinha um papel secundário, como
um senhor feudal de maior hierarquia. As populações camponesas eram subordinadas aos
senhores feudais. A luta entre o Império e a Igreja acabou desgastando os dois lados

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permitindo que os poderes locais, senhorios, comunas e monarquias tivessem ascensão.


Quando o feudalismo entra em crise, enfraquece os senhores feudais. Essa crise chega
no seu ápice no séc. 14 onde a fome, a peste e a guerra, devastaram o continente europeu
diminuindo drasticamente a demografia, e com isso a produção. Os senhores feudais
aumentam a pressão nos servos, que se revoltam em massa.
Nesse processo o rei é uma figura central que articula de um lado os interesses da
nobreza contra as massas rebeladas, de outro o da burguesia, que é favorecido através de
empréstimos, hipotecas, arrendamentos, concessões de monopólio e proteção contra as leis
da Igreja que condenava a usura e a facilitação da exportação, pois a centralização do poder
garantia a proteção do mercado (protecionismo), um mercado consumidor (ampliado através
das colônias em alguns casos) e poder militar para enfrentar a concorrência de outros
mercados externos.
Nobreza e burguesia tinha interesse na centralização monárquica, como restauradora da
ordem na Europa. Luis XI, na França; Henrique VII, na Inglaterra; e Fernado de Aragão e
Isabel de Castela, na Espanha foram alguns desses restauradores da ordem no continente
europeu.
Essa centralização de poder foi fundamental para saída da crise do Sistema Feudal pois
com o dinheiro da burguesia podia contratar exércitos mercenários, assim ampliar sua
capacidade de cobrar impostos, abrindo mão do treinamento militar para os camponeses,
algo considerado perigoso, devido aos episódios de sublevações anteriores da massa
camponesa, restaurar a ordem dentro de seus territórios, possibilitando a expansão do
território real através da anexação e extinção progressiva dos territórios dos nobres,
reorganizando a administração, a coleta de impostos e a justiça.
A centralização do poder deu origem aos Estados Nacionais e as monarquias absolutas,
através da reorganização dos interesses políticos da nobreza e da burguesia, das diferentes
classes que lutavam entre si.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 3 - A Centralização Do 12
Poder: O Surgimento Dos
Estados Nacionais
A Formação Do Estado Moderno: Alguns Casos Específicos (p. 133 a 146)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.

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História Moderna

Portugal
A Reconquista da península ibérica foi decisivo para a centralização da monarquia
portuguesa e acontece entre os séculos 12 a 15. A primeira dinastia de reis portugueses
inicia-se com Afonso Henriques e segue por seus sucessores que procuraram equacionar a
relação de forças entre a Igreja, nobreza e a ascendente burguesia. Com Afonso III, foi
conquistado o reino de Algarve e consolidado a formação do território Português.
Em 1383 a 1385 ocorreu a Revolução de Avis, considerada por alguns historiadores
como uma revolução burguesa, segundo Fausto (2001) porém resulta no fortalecimento do
poder monárquico, no qual o rei D. João, mestre de Avis, com ajuda da burguesia e da massa
camponesa, derrota a nobreza aliada a Castela na batalha de Aljubarrota (1835).
É importante o papel de Portugal na recuperação econômica da Europa do séc. 15 pelo
início das Navegações.

Espanha
No início do séc 9, na região de Compostela, foi encontrado os restos mortais do
apóstolo Tiago, morto em Jerusalém e transladado para esta região, segundo a interpretação
cristã da época. Compostela, já era uma região que atraia peregrinações, por ser no “oeste”,
e onde havia cemitérios romanos e suevos. Com a descoberta, passa a se chamar Santiago de
Compostela e passa a receber milhares de peregrinos e com isso um impulso econômico,
com o aquecimento do comércio e de serviços aos peregrinos. Junto com os peregrinos e o
aquecimento comercial, a força militar também aumenta. Este é o cenário para uma guerra
santa de reconquista do território ibérico, que irá durar 4 séculos que começa a pender para o
lado dos cristãos, formando além do reino português os reinos de Leão, Castela, Aragão
Navarra, Barcelona e Catalunha.
Com o casamento de Isabel, rainha de Castela com o príncipe de Aragão, Fernando em
1469 ocorre a formação da Espanha. Em 1492 ocorre a tomada de Granada, último reduto
mouro. Em 1515 a anexação de Navarra. A Espanha a partir do séc 16. se torna o principal
reduto da recuperação da crise final do feudalismo.

Os primeiros estados centralizados, são Portugal e Espanha, com condições tanto


política e materiais, devido a ascensão da burguesia de começar a Expansão Marítima e a
recuperação comercial no continente.

16 - 43
História Moderna

França e Inglaterra
A centralização monárquica da França e da Inglaterra ocorreram de uma maneira
diferente, com grande influência da Guerra de Cem Anos, que tem todas as características
dos conflitos da época feudal, e que acontece entre os anos de 1337 a 1453.
Inglaterra e França começaram a disputa pela região de Flandres, maior produtora de lã
da Europa, com manufaturas bem desenvolvidas e comprava lã dos senhores feudais
ingleses.
Os motivos da Guerra dos Cem Anos
1. A monarquia francesa tenta invadir Flandres o que significaria a interrupção do
comércio de lã entre a Inglaterra e Flandres.
2. A disputa entre os reis, onde os reis ingleses tinham territórios na França, sendo
vassalos dos reis franceses. E estes por último, temendo vassalos (os reis ingleses)
muito poderosos em seu território.
3. A sucessão causada pela morte de Carlos V, rei francês em 1328, sem deixar
herdeiros terminando a dinastia dos capetos. Havia duas linhas sucessórias, ambos
parentes de Felipe II, o belo:
1. Eduardo III, rei da Inglaterra.
2. Filipe de Valois, senhor feudal francês, apoiado pela nobreza francesa.
Em 1337, Felipe de Valois, assume o trono francês como Felipe IV e confisca as terras
de Eduardo III, argumentando quebra de contrato feudo-vassálico. Assim, Eduardo III
declara guerra a França.
Para Arrighi (1996), a Guerra dos Cem Anos é consequência de disputas comerciais
entre grupos capitalistas da época. O sinal de decadência do modelo medieval era a crise de
hegemonia do capital das cidades italianas e a Guerra dos Cem Anos ao longo dos séc. 14 e
15 é o surgimento de uma nova hegemonia capitalista conhecida como ciclo sistêmico de
acumulação holandês, deslocando o eixo político-econômico do Mediterrâneo para mais ao
norte do continente europeu.

Formação da França
No séc. 10, a Dinastia Capetíngia, com Hugo Capeto, chega ao poder e começa a
anexar os territórios dos senhores feudais que foram subordinados ao rei, e nos séculos

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História Moderna

seguintes até o 13, o estado francês será estruturado por essa dinastia:
1. Felipe Augusto (1180-1223): organiza o sistema tributário, conquista Champange e
Toulouse, o exército renova os compromissos da nobreza com o rei.
2. Luis IX (1226-1270): crescimento da burguesia, grande líder religioso, lidera e morre
em um cruzada. Enfraquecimento da nobreza. Criação de moeda única para todo
território francês.
3. Felipe IV, o belo (1285-1314): expulsão dos comerciantes estrangeiros pelo rei.
Conflito com o papa Bonifácio VIII por cobrança de impostos as propriedades da
Igreja, interfere na sucessão papal apoiando a Clemente V, onde a Igreja deixa Roma
e vai para Avignon, sob supervisão da monarquia francesa.

Formação da Inglaterra
Em 1066, Guilherme, o Conquistador torna-se rei da Inglaterra e exerce um poder
centralizador subordinando os nobres a si. Durante o reinado de Ricardo Coração de Leão,
que manteve-se distante de seu reino partindo para a Terceira Cruzada e João Sem Terra,
irmão de Ricardo, que sofre derrotas de Felipe Augusto da França e para o Papa Inocêncio
III, sendo que essas derrotas levaram a um enfraquecimento de seu poder e
consequentemente ao fortalecimento da nobreza, que o obriga a assinar a Magna Carta, que
foi um mecanismo de defesa da nobreza contra a monarquia, e em 1215, do qual o rei
reconhecida que sem a autorização do Grande Conselho formado por clérigos e nobres mais
importantes, não estaria autorizado a aumentar os impostos.
Uma nova revolta da nobreza entre os anos de 1216 e 1272, no reinado de Henrique
III, possibilitou a formação da Assembleia, que seria o prenúncio do Parlamento, com
representantes do clero, da nobreza e dos burgos.
No reinado de Eduardo III, entre 1327 e 1377 o Parlamento será instalado sendo divido
nas câmaras dos Lordes e a dos Comuns.

Assim, contraditoriamente, antes da Guerra dos Cem Anos, a monarquia francesa


começa a se fortalecer, e a monarquia inglesa se enfraquece. No séc. 15 o poder da
monarquia francesa é consolidado com a vitória na Guerra dos Cem Anos, e a derrota inglesa
provoca uma guerra civil apoiada por facções rivais da nobreza, a Guerra das Duas Rosas
(1455-1485), entre as famílias Lancaster e York, que vai dizimar a nobreza abrindo espaço

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História Moderna

para a ascensão da dinastia Tudor, absolutista, que começa com Henrique Tudor, casado com
Elisabeth de York e apoiado pela burguesia.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 3 - A Centralização Do 13
Poder: O Surgimento Dos
Estados Nacionais
O Estado Absolutista: Características (p. 146 a 151)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
O processo de formação dos Estados Modernos apresenta três momentos definidos
segundo Arruda (1996):
1. Feudal, onde o rei se esforça para se sobressair entre seus vassalos, legitimando seu
poder.
2. Moderno entre os séc. 15 e 16: na qual há a burocratização do poder real e formação
dos exércitos.
3. Consolidação do poder absolutista entre os séc. 16 e 18, onde a burocratização atinge
a forma do Estado Moderno.
Surge assim no séc. 16 o Estado Absolutista, no ocidente, nas monarquias da Espanha,
França e Inglaterra, rompendo com a estrutura de poder cristalizada do modelo feudal e seus
sistemas de propriedade e vassalagem, como um Estado centralizado, burocratizado, com
exércitos regulares, um sistema tributário, mercado nacional e um sistema jurídico de leis.
Esse processo foi construído por um pensamento político-ideológico que justificava o
poder real, legitimando-o como natural. O rei, convertido em justiceiro supremo, encarnando
um ideal nacional, passa de fato a possuir os requisitos para sua soberania.
Nos séc. 16 e 17, alguns pensadores justificaram essa condição “natural” e necessária
do rei, e alguns deles foram:
1. Nicolau Maquiavel (1469-1527): escreve “O Príncipe”, um manual de política
destinado a ensinar um governante a manter o poder e ampliá-lo, mesmo indo contra
a moral cristã da época.
2. Jacques Bossuet (1627-1704): escreveu “A Política”, formula a teoria do absolutismo
por direito divino, sendo o rei um representante de Deus na terra e seus atos poderiam
ser julgados apenas por Ele, afirmando que o trono, não é o de um homem, mas é o
trono de Deus. O rei, representava o desejo divino.

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História Moderna

Século 16: apogeu do absolutismo espanhol


No séc. 16, a dinastia Habsburgo conseguiu dominar um império tão vasto, nunca visto
antes com a combinação de dois fatores, comando a geopolítica mundial:
1. Foi a família que mais se beneficiou de Pactos da política dinástica de casamentos,
onde o parentesco rendeu territórios e influência.
2. A conquista do Novo Mundo, suprindo-a com metais preciosos (tão escassos na
Europa), possibilitando mais recursos e tesouros.
Carlos V, imperador do Sacro Império Romano Germânico em 1519 tinha como seus
domínios: Espanha, Paises Baixos, sul da Alemanha e Austria, Boêmia, Hungria, Franchê-
Comtê, Milão, possessões espanholas no Mediterrâneo (Nápoles, Sicília, Sardenha e
Baleares).
Segundo Arrighi (1996), todo este poderio militar e material apoiava Gênova. O
primeiro ciclo sistêmico de acumulação (genovês) foi formado por um fornecimento de
proteção e busca de poder (o espanhol) e por um componente capitalista (o genovês), que se
especializa no comércio e em lucro, onde essas relações se completavam uma a outra.
Felipe II, sucessor de Carlos V, com os metais preciosos da América, promove
operações militares no Egeu, no Canal da Mancha, em Túnis, Antuérpia, incorpora o trono
português, e boa parte do norte da Itália. Em seu reinado começa o declínio do Império
Espanhol.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 3 - A Centralização Do 14
Poder: O Surgimento Dos
Estados Nacionais
O Debate Historiográfico Em Torno Do Estado Absolutista (p. 151 a 155)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Entre as décadas de 50 a 70, renasceu entre os marxistas o debate sobre o Estado
Absolutista. Para Marx e Engels, o equilíbrio de forças entre a burguesia e a nobreza,
permitiu uma certa autonomia do Estado Absolutista. Para os autores atuais o debate se
dividiu assim:
1. Perry Anderson: os Estados modernos são mecanismos de domínio da nobreza,
dentro do quadro de crise político social e econômico que esta classe sofria sobre as

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História Moderna

massas. O Estado Absolutista deriva de uma dupla determinação:


1. a ameaça de sublevação camponesa, constitutiva do Estado Absolutista;
2. a pressão do capital mercantil moldando a nova aristocracia;
2. Nicos Poulantzas tem uma outra visão. Para ele, o Estado Absolutista é um Estado de
transição com características capitalistas que embora tenha estas características ainda
não as consolidou; tem condições de interferir na ordem social e trata-se de um
Estado Burguês.
3. Roland Mousnier, em uma versão não marxista e alternativa, retoma a questão
antecedente de Marx e Engels e afirma que o Estado, dentro do contexto da crise do
Feudalismo e do surgimento do Capitalismo se equilibra entre a burguesia ascendente
e a nobreza decadente. Assim o rei precisava dos burgueses para as finanças, corpo
de funcionários burocráticos, e contra o poder dos senhores feudais; por outro lado os
burgueses foram enriquecidos pelo apoio real pelos monopólios, concessões,
hipotecas, arrendamentos e empréstimo e proteção contra as leis da da usura,
entraves comerciais à exportação.
1. A nobreza, só considera a profissão das armas, o luxo como obrigação, aventuras
em terras distantes que muitas vezes os arruinam, negligenciando seus direitos
feudais e suas terras, e poderia viver da renda de suas terras, com renda em
gêneros e serviços. O nobre precisa ser pródigo, para se distinguir do burguês.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 4 - Expansão Marítima 15
Europeia: A Espada, A Cruz
E O Ouro
Razões Da Expansão Marítimo Comercial Europeia Dos Séculos
15 E 16 (p. 163 a 171)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Durante o séc. 11 há a expansão mercantil na Europa e com isso, as corporações de
ofício, o desenvolvimento de feiras, o artesanato, a comercialização de produtos do oriente,
ou produtos agrícolas. Com isso, há uma expansão monetária, criação de rotas comerciais,
ligas de cidades comerciais como a Liga Hanseática, que era uma poderosa aliança mercantil
entre as cidades de Bruges, Hamburgo, Bremen, e Lübeck, localizadas no norte da Europa.
Entre os séc. 13 a 17, a Liga Hanseática, com objetivo de monopólio comercial, estabeleceu

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História Moderna

um intenso contato comercial na França, Bélgica, Dinamarca, Inglaterra e Alemanha.


Com a “crise do séc. 14” houve uma diminuição demográfica e econômica, Durante a
Guerra dos Cem Anos, uma expressiva parte da população dessas áreas morreu, muitas
cidades e burgos foram destruídos, depois com a Peste em 1347, o problema se agravou,
dizimando um terço da população, desorganizando das rotas comerciais pela fuga das
pessoas nestes locais atingidos pela peste.
A lenta recuperação se deu no séc. 15. Porém, a escassez da moeda, de mercados (que
forma dizimados, ou desorganizados pela peste e guerra), altos preços das especiarias,
tiveram como consequência a busca de novas alternativas para a economia do continente,
que via um novo tipo de organização, onde a atividade mercantil como fator central para
reorganização social e política do continente, acumulação de capital e lucro. Para isso era
preciso expandir territorialmente e dominar novas regiões do planeta.

Há motivos religiosos na Expansão Marítima, que além de dominar outro território,


havia a função de expandir o cristianismo com o espírito de uma Cruzada e a conversão das
populações vencidas. Duas bulas papais confirmavam essa intenção: Sane Charissimus, de
1418 e Rex Regum, de 1436, concedendo um caráter de cruzada aos empreendimentos
portugueses.

O desconhecido, mexia muito com a imaginação do povo português da época, como a


Ilha de São Brandão, o “paraíso terrestre”, ou o Reino de Prestes João na Etiópia, e era
comum que os navegadores ao retornar de suas viagens fizessem narrativas extraordinárias
narrando histórias com monstros. Mesmo Cristóvão Colombo, afirmou ter visto três sereias
que pularam para fora do mar.

Mas, de todas os motivos para se iniciar as grandes navegações, o mais importante de


todos é o econômico. O Estado incentivava as navegações por empresas ultramarinas e por
mercadores ávidos por lucros. Havia a necessidade de novos mercados, a partir do séc. 14.
Aponta-se pela necessidade principalmente de novas áreas para o interesse
expansionista:
1. Produtoras de metais preciosos para cunhagem de moeda e utilizado em
transações comerciais, estando em falta na Europa do séc 15, prejudicando o

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História Moderna

desenvolvimento comercial, era escoado para o oriente pela compra de


especiarias.
2. Produção de trigo.
3. O interesse em especiarias, produtos inexistentes na Europa, como a pimenta, a
cânfora, o gengibre, cravo, canela, açafrão, noz-moscada, cominho, aloés,
sândalo e ervas aromáticas, utilizados para fins farmacêuticos e culinários e de
preservação dos alimentos, vinham do oriente e tinham inúmeros
intermediários faziam o preço do produto subir.
4. Em 1453, a queda de Constantinopla fecha a última rota comercial para o
Oriente.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 4 - Expansão Marítima 16
Europeia: A Espada, A Cruz
E O Ouro
Viagens Marítimas: Desafios Em Alto Mar (p. 171 a 173)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
O significado da palavra mar em latim, irlandês, francês, alemão, russo, polonês e
inglês é “morrer”. É um lugar de medo, os naufrágios eram comuns. Mar das trevas, “mar
tenebroso” era como se chamava o Atlântico, que até o séc. 15 era mal mapeado pela
cartografia da época. Além disso, os muçulmanos (e os vikings desde o séc. 8), teriam
invadido a península ibérica por meio do mar, a Peste chegou por meio do mar, naufrágios
eram obras de monstros marinhos e cair em abismos no final do mundo (“a Terra era plana
nessa época!”), e perigos reais como a imperícia de pilotos, tempestades, incêndios, fome,
doenças e a morte. Essa era a visão do mar no imaginário europeu, no final da Idade Média.
A vida a bordo era difícil. Biscoitos, que emboloravam e ficavam com vermes,
camundongos viravam comida, pesca eram parte da refeição. A água, armazenada de
maneira precária, possibilitava infecções e diarreias. Os mortos eram lançados ao mar.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 4 - Expansão Marítima 17
Europeia: A Espada, A Cruz
E O Ouro
Inovações Técnicas (p. 173 a 176)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.

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História Moderna

As inovações técnicas foram fundamentais para o sucesso das Navegações Marítimas.


A cartografia, apesar de não muito precisa, era assunto de Estado e defesa nacional. Com os
instrumentos de navegação, foi possível a confecção de cartas náuticas mais precisas.
1. A invenção das caravelas, pelos portugueses, mas fáceis e ágeis de navegar, usando
melhor os ventos pela utilização da vela triangular (latina) e era possível navegar
contra o vento.
2. A bússola, que servia de orientação de direção (rumo) para o navegante.
3. Pelo quadrante, media-se a altura dos astros, para ajudar a definir sua localização no
mar.
4. Balestilha, para medir, sem a interferência do balanço do barco pelo mar, a latitude a
que um navio se encontrava.
5. Astrolábio, descobria-se a distância percorrida, ao observar os astros no horizonte.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 4 - Expansão Marítima 18
Europeia: A Espada, A Cruz
E O Ouro
Pioneirismo Português (p. 176 a 179)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Portugal foi pioneiro na Expansão Marítima, que ocorre no séc. 15, e alguns fatores
são relevantes para isso:
1. A Revolução de Avis (1835) que permite uma aliança entre a monarquia, fortalecida,
e a burguesia que estava interessada em expandir o comércio (a nobreza enfraquecida
por ter se aliado a Espanha).
2. As conquistas portuguesas:
1. No norte da África, Ceuta (1415) no atual Marrocos, produz trigo e centro
comercial e entreposto de escravos, pimenta e ouro. Os árabes que controlavam
Ceuta, a isolam, levando os portugueses a procurarem novas rotas, dando início
ao “périplo africano” - o contorno do continente com dois propósitos:
1. Atacar os muçulmanos que controlavam o Marrocos, e atingir Jerusalém ou o
Reino de Prestes João.
2. Explorar ouro, marfim e escravos ao longo da costa africana, e encontrar um
caminho para as Índias.

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História Moderna

2. Madeira, Porto Santo, Açores (1420), houve dispustas com Castela e Leão, que
colonizaram as ilhas Canárias.
3. Em 1434, Gil Eanes ultrapassa o cabo Borjador.
4. Na consta africana Serra Leoa (1450)
5. Arzila (1471)
6. Em 1474, o projeto de se chegar às Índias.
7. Em 1479, o Tratado de Alcáçovas, Portugal reconhece a soberania da Espanha
nas ilhas Canárias e a Espanha reconhece a soberania portuguesa nas demais ilhas
dos Atlântico sul, pelo princípio juridico do “mare nostrum” reconhecia o
monopólio de Portugal e Espanha sobre as terras descobertas nos mares excluindo
as demais nações cristãs, e que mais tarde é reforçado pelo Tratado de Tordesilhas
em 1494.
8. Em 1482, Diogo Cão descobre o Zaire.
9. Em 1488, Bartolomeu Dias dobra o cabo das Tormentas, entrando no Oceano
Índico, depois rebatizado de Cabo da Boa Esperança, por D. Manuel, rei de
Portugal.
10. Em 1498, Vasco da Gama, chega em Calicute, nas Índias, que mudaria o centro
do eixo comercial no continente europeu para Portugal. O carregamento que
Vasco da Gama trouxe das Índias teve um lucro de 60 vezes o custo da viagem.
11. Em 1500, Pedro Álvares Cabral, com a missão de estabelecer relações
diplomáticas e econômicas nas Índias, tem instruções para sair da rota, para
incorporar as “tão faladas terras do oeste”, sai com uma frota de 13 navios.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 4 - Expansão Marítima 19
Europeia: A Espada, A Cruz
E O Ouro
Expansão Espanhola (p. 179 a 184)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
No fim das Guerras da Reconquista, em 1492 os espanhóis, conseguiram a
centralização monárquica e a união política para começarem o processo de expansão
marítima e decidiu financiar o projeto de Cristóvão Colombo, que a Terra fosse redonda e
navegando para o poente se chegaria ao Oriente.

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História Moderna

A Espanha “descobre” a América. Nos séc. 16 e 17 com a exploração de prata e ouro,


ampliando a reserva de metais e possibilitando numerário para o comércio e acumulação de
capitais, do território de suas colônias, torna-se um grande império. É um fator importante
para a superação da crise do continente europeu dos séc. 14 e 15.
Porém, quase nada dos metais, ficava na Espanha, onde os espanhóis consumiam
demais, portanto ia para a França, para pagar bens e serviços produzindo um défict na
balança comercial espanhola.
A grande procura por produtos fez a inflação subir, e foi responsável por uma grave
crise econômica na Espanha.
As “descobertas” espanholas:
1. Em 1500, Vicente Pinzón chega ao Rio Amazonas.
2. Em 1513, Vasco Nunes Balboa, alcança o oceano Pacífico.
3. Em 1519, Fernão de Magalhães iniciou a primeira viagem de circum-navegação.
Morreu em 1521 nas Filipinas. O trajeto foi completado em 1522 por Sebastião del
Cano.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 4 - Expansão Marítima 20
Europeia: A Espada, A Cruz
E O Ouro
Divergências Entre As Coroas Europeias (p. 184 A 188)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Portugal e Espanha
As coroas de Espanha e Portugal, com a descoberta da América, passaram a disputar
espaços territoriais e marítimos. As tensões aumentaram e para evitar um conflito armado
entre os dois países o papa Alexandre VI interveio.
Em 1493, o papa editou a bula Inter Coetera divindo o mundo em uma linha imaginária
a oeste 100 léguas de Açores e Cabo verde entre as nações de Portugal e Espanha. Após
tensas discussões por parte de Portugal e ameaça de guerra por parte de D. João II, no dia 7
de junho de 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas, ou a Capitulação da Partição do Mar
Oceano, ampliando a linha demarcatória para 370 léguas a oeste de Cabo Verde.
O conflito, resolvido por via diplomática, foi inovador na época e por não ter a
interferência do papa, o acordo é considerado como ato inaugural da diplomacia moderna.

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História Moderna

Assim, Portugal garantiu o controle das águas do Atlântico Sul, rota para as Índias como
também todo litoral onde seria “descoberto” o Brasil.

França, Inglaterra e Holanda despertaram o interesse por essas “terras descobertas”.


Francisco I, da França, contesta o Tratado de Tordesilhas e reivindica a participação nesse
processo de expansão marítima.
Em 1497, o veneziano Giovanni Cabotto (John Cabot) a serviço da Inglaterra,
percorreu o litoral do Canadá. Os ingleses empregavam corsários e atacavam embarcações
espanholas com ouro e prata, e dedicavam-se ao contrabando com os colonos espanhóis.
Alguns ganharam fama como Francis Drake, John Hawkins, etc.
Em 1527, o florentino Giovanni da Verrazano, a serviço da França explorou a costa
leste do que viria a ser os Estados Unidos.
Os holandeses ocuparam as Antilhas, a Guiana e invadiram a Bahia e Pernambuco.
No Caribe e no Golfo do México, o embate foi ainda mais duro. Cada país conseguiu
dominar pelo menos uma ilha nesse arquipélago.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 5 - Quebra Da Unidade 21
Religiosa: Reforma
Protestante
Advento Da Reforma: Crise Final Da Era Medieval (p. 196 a 201)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Dentro da passagem do feudalismo para o capitalismo, está a questão da Reforma
Protestante no séc. 16 teve suas razões materiais e espirituais:
1. A ascensão da burguesia que tinha interesse em se desvincular de uma religião que
colocava o lucro como pecado. Na realidade social da Idade Média a Igreja
condenava qualquer atividade mercantil, inclusive a cobrança de juros e operações
financeiras em geral e impedia qualquer avanço de acumulação de capital.
2. A exploração do campesinato. Por outro lado, a crise do feudalismo e suas grandes
tensões sociais também tinham sua parcela de fatos para colaborar. Se os senhores
eram católicos, os camponeses oprimidos também tinham mais um motivo para se
rebelar, transformando a luta religiosa em uma luta de classes e durante a Reforma
Protestante várias revoltas que lutavam por uma reforma social e religiosa

27 - 43
História Moderna

explodiram pela Europa.


3. No processo de fortalecimento do Estado centralizados na mão de um rei, na
formação das monarquias nacionais, também se pretendia desvincular do poder
universal da Igreja, além de dar ao Estado a oportunidade de confiscar-lhe seus bens,
como aconteceu na Inglaterra.
4. Havia também, um descompasso entre as necessidades espirituais da época e a
organização da Igreja Católica. Com a invenção da imprensa, e a publicação de
edições da Bíblia, amplia-se a consciência religiosa dos fiéis, mais crítica e as
exigências ao clero.
Erasmo de Roterdã, humanista, autor de uma nova edição dos Evangelhos condenava
o clero, sua imoralidade, ignorância e o ritual, pregava uma religião mais simples
baseada na leitura da dos Evangelhos.
Os papas agiam como reis e eram sustentados pelos fiéis. E sua eleição era um jogo
político entre famílias poderosas da Itália, ocasionando conflitos políticos na região e
em toda Europa. A prática de venda de indulgências, onde os padres eram
intermediários entre a salvação dos fiéis e Deus. Uma profunda crise religiosa foi
gerado por esses abusos e extravagâncias da Igreja dentro de uma conjuntura de
profundas crises sociais e transformações econômicas.

Por esses motivos o movimento reformista não foi mais um movimento de contestação
do abuso dos clérigos, que acabou sendo extinto como heresia, o incorporado pela igreja
como aconteceu a inúmeros movimentos durante a Idade Média.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 5 - Quebra Da Unidade 22
Religiosa: Reforma
Protestante
Debate Historiográfico Da Reforma Protestante (p. 201 a 203)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.

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História Moderna

Dentro do debate historiográfico, o marxismo dá ênfase nos aspectos de cunho


materialista e econômicos para explicar a Reforma Protestante.
1. Jean Delumeau, “Nascimento e Afirmação da Reforma” (1973), o Capitalismo dá
origem à Reforma, citando Engels e pontuando que no séc. 16, as guerras religiosas
acontecem por interesses materiais muito concretos, e que são na verdade lutas de
classes que apesar de terem certas características religiosas, a situação, as
necessidades e reivindicações apesar de travestidos pela questão religiosa em nada
explica pelas condições da vida material na época.
Os historiadores protestantes procuram dar uma explicação moral para a Reforma e
que ela se originou com base nos abusos cometidos pela Igreja, dando ênfase na abordagem
religiosa.
2. Lucien Lebvre (1878-1956), historiador francês e um dos fundadores da Escola de
Annales, estudou a doutrina e a mentalidade das pessoas da época no qual o fator
religioso é significativo mas não único.
3. Delumeau (1973, p. 197) analisando as diversas explicações para a reforma faz uma
crítica em que o materialismo histórico não dá a devida importância à mentalidade
dos homens no séc. 16 e cita que a principal causa era que em uma época na qual há a
emergência do individualismo, os fiéis ansiavam por uma teologia mais sólida em
contraste com um clero pouco instruído que não lhes respondiam sua demanda.
Assim, os fatores religiosos são determinantes sendo que a crise era religiosa e estava
no cerne desta questão.
4. Erich Fromm (1983, p. 71) em seu livro “O medo à liberdade” dá uma nova
perspectiva sob a ótica da psicanálise refletindo sob a conexão das doutrinas
luteranas e a situação psicológica de todas as pessoas com exceção da nobreza, no
final da Idade Média, com a ordem social desmoronando, novas forças econômicas, a
segurança diluindo, a cooperação sendo substituída pela competição e a pressão de
uma exploração crescente pelas classes inferiores.

Atualmente, na historiografia, concorda-se que não se pode buscar as causas em um


motivo único mas compreender as diversas questões que emergiram e possibilitaram a
Reforma.

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História Moderna

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 5 - Quebra Da Unidade 23
Religiosa: Reforma
Protestante
Martinho Lutero E As 95 Teses: Início Da Reforma (p. 203 a 208)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
As críticas de Lutero feitas à Igreja foram de fundamental importância para a Reforma
Protestante e que vão culminar na cisão cristã.
Martinho Lutero nasce em Eisleben, condado de Mansfeld que fazia parte do Sacro
Império Romano Germano em 10 de novembro de 1483. Torna-se monge agostiniano em
1505. Supõe-se que por desconsolo da época, busca o isolamento em um mosteiro. Em
1508 torna-se professor de teologia em Wittemberg.
Em 1511-1512, encontra a fórmula da salvação lendo a Epístola aos Romanos e a
solução para suas inquietações: “O justo viverá pela fé”. “O homem será justificado pela fé,
independente das obras”. Essa foi sua “descoberta”. Para Lutero, a tradição religiosa
supervaloriza as obras, e havia um contraste entre o que a Bíblia ensinava, sendo ela a única
fonte para se conhecer a Verdade, e o que a Igreja pregava, para obtenção do estado de graça.
1. A Doutrina da Infalibilidade Única da Bíblia, única fonte legítima para se conhecer a
Palavra de Deus e tem prevalência sobre as tradições da Igreja, segundo Lutero.
2. A Doutrina da justificação pela fé, pedra angular da fé luterana, segundo o qual não é
necessária a realização das obras para se alcançar a graça divina, mas sim ter fé.
No Casteno de Wartburgo, na Saxônia, Lutero começou a traduzir a Bíblia do Latim
para o seu idioma e como resultado foi a criação da língua alemã moderna e a popularização
da Bíblia.
Ao afirmar, que a fé é o único caminho para a graça, e a Bíblia a única depositária da
palavra de Deus, Lutero abre caminho para uma outra doutrina:
3. A Doutrina do Sacerdócio Universal, que não fazia sentido a divisão da sociedade
entre sacerdotes e leigos e admite que todos os fiéis constituem um real sacerdócio
indo além e admitindo que qualquer fiel poderia interpretar os textos e ser um
sacerdote de si próprio estabelecendo contato direto com Deus.

A crítica de Lutero era principalmente de caráter doutrinal, quanto a questão da


“adulteração da palavra de Deus” cometida pela Igreja. Também, como muito de seus

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História Moderna

contemporâneos criticava os abusos cometidos pelo clero, o problema das indulgências que
além de reprovar as práticas, questionava os efeitos religiosos.
O papa Nicolau V, para construir a basílica de São Pedro, resolveu organizar uma
venda de indulgências. Lutero, indignado, fixou suas ideias, colocadas em 95 teses que
discordavam em vários pontos das práticas católicas, na porta da Igreja de Wittenberg em 31
de outubro de 1517. Na época, era comum que quando se queria debater sobre algo, fixar
suas ideias na porta das Igrejas. Essas teses se tornaram uma ameaça à autoridade de Roma.
Nicolau V, exige a retratação de Lutero, que nega, afirmando que o cristão, tinha o
direito de interpretar a Bíblia pelo Espírito concedido por Deus e além disso, rejeitou a
infalibilidade do papa em assuntos religiosos e dos concílios ecumênicos. Em 1521 é
excomungado e considerado herege.
Carlos V, imperador do Sacro Império Romano Germano (962-1806, território atual da
Alemanha) pelo édito de Worms, baniu-o de seu império e queima seus escritos, além de
tentar fazer os príncipes e as cidades luteranas a voltar ao Catolicismo. Eles protestam
contra essa tentativa de Carlos V e passam a ser chamados de “protestantes”.
Lutero recebe refúgio em pequenos Estados que tentavam se libertar de Carlos V, que
tinha como ambição transformar o império em uma monarquia absoluta. Suas ideias de que
o príncipe deveria exercer o poder civil absoluto e governar por direito divino, além de
passar a ter autoridade religiosa, agregar os bens eclesiásticos aumentando suas fortunas, são
bem recebida em muitos territórios alemães.
O príncipe Felipe da Saxônia, aplica as reformas protestantes permitindo o casamento
de pastores, proibição da veneração de santos, simplificando o culto, conserva o Batismo e a
Eucaristia e substitui o latim pelo alemão, a confissão não é obrigatória.
Essa mensagem Luterana se espalha rapidamente atraindo adeptos de todos os grupos
sociais.
Lutero não pretendia se separar da Igreja, apenas renová-la. O Luteranismo reforça o
absolutismo e consolida o poder dos príncipes sobre a Igreja e provoca a impulsão do
Capitalismo, deixando os comerciantes livres pela sua consciência a consultar o Evangelho,
e aos poucos a usura e o lucro deixam de ser pecados.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 5 - Quebra Da Unidade 24
Religiosa: Reforma

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História Moderna

Protestante
João Calvino e a Predestinação Da Salvação (p. 208 a 215)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Calvino (1509-1564), teólogo cristão, foi um símbolo da Reforma e teve um papel
decisivo na sua expansão pela Europa. Possivelmente, segundo Elton (1982) converteu-se
por volta de 1530, quando tomou contato com o humanismo na Academia de Budé, que viria
a se tornar posteriormente o Collège de France.
Calvino, atinge a convicção da onipresença divina e que era um escolhido por Deus
para expor a verdade. Em 1533, Nicolau Cop, reitor da universidade, faz um sermão a partir
da doutrina de Lutero e entra em uma série de dificuldades. Calvino o apoia, tomando
partido da Reforma.
Francisco I, rei da França, queria casar seu filho Henrique com a sobrinha do papa
Clemente V, Catarina de Médicis e retira a proteção aos humanistas e reformadores. Escapa
da perseguição e viaja sob nome falso pelo interior da França, até a Basileia onde conhece
um grupo de homens com ideias semelhantes.
Em 1536, publica sua obra máxima que o converte em um chefe da religião reformista
“A instituição da Religião Cristã”.
A ênfase de seu pensamento:
1. Onipotência e onipresença divina;
2. Deus criou o mundo para que homem, sua criatura tivesse conhecimento dele.
3. A salvação e a vida eterna é algo secundário.
4. Centrando sua visão teológica em Deus e não no humano.
5. A fé, justifica o homem e as obras de nada adiantavam.
6. A fé é uma dádiva de Deus, por sua misericórdia, para que o homem chegasse
até Ele.
7. Aquele que chegasse até ele pela fé, é um predestinado.
Segundo Elton (1982, p. 173)ii sintetizando:
“Deus criou todas as coisas em perfeito conhecimento da queda, da
encarnação, da salvação de alguns e da danação de outros. Desde antes do começo
do tempo, Deus predestinara alguns homens para a salvação (eleição) e outros para
a danação (reprovação); o meio por Ele escolhido para a execução do decreto foi a
fé em Jesus Cristo, que, pela Sua Graça, concedeu aos eleitos e recusou aos
réprobos. Essa dupla predestinação é característica da essência do calvinismo,
embora Calvino não a tenha acentuado tanto como os seus seguidores o fariam”.

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História Moderna

Porém, Calvino não respondia sobre uma série de questões que surgem a partir da tese
de dupla predestinação:
1. Deus, deseja a queda e o pecado?
2. Pecando, o homem é vítima de sua natureza ou é escolha de Deus?
3. O homem tem livre arbítrio na escolha entre o bem e o mal?
4. Se essa escolha pudesse ser feita, haveria alguma relevância para sua salvação, já que
está predestinado.
Calvino atribuía essas questões aos mistérios de Deus e não as respondia, pois nenhum
homem conseguiria compreender. O homem nascia no pecado e poderia se tornar agradável
a Deus, mas isso não tem relevância no decreto Dele à sua predestinação. Só Deus sabia
quem eram os predestinados e seus destinos, e estes não poderiam perder sua graça. Os
eleitos, não eram santos na terra e a convicção de sua eleição pela fé não era prova de estava
predestinado a salvação. Mas como todos não sabiam, deviam viver nesta esperança da
salvação.
Segundo Elton (1982, p. 176), a visão de mundo de Calvino era estreita, e seu Deus era
um deus imbuído de terror. Há uma preparação para a disciplina e o esforço da luta contra o
pecado. Em essência o Calvinismo era uma fé severa e bem equipada para a guerra.

Foi convidado para morar em Genebra na Suiça onde funda uma nova corrente
protestante, e baseado em seus princípios conseguiu impor em 1541 normas rígidas de
conduta para a sociedade regulando a vida social e política das pessoas, as chamadas
“Ordenações Eclesiásticas”, que normatizavam o vestuário, o comparecimento à Igreja, os
costumes sexuais, e até aos negócios comerciais.
Obteve apoio da burguesia que se veria livre da Igreja Católica e a condenação por
acumulação de lucro e juros, começando a acumular mais capital. Principalmente após a
morte de Calvino, o calvinismo se torna a religião da burguesia, estabelecendo parâmetros
para o homem reconhecer os sinais divinos da predestinação. O sucesso é uma predestinação
que ocorre em decorrência do trabalho que é uma vocação divina. Portanto, para os
calvinistas, um sinal da graça da salvação era o enriquecimento pelo trabalho que não só
aceitava o juros e o lucro como os transforma em um sinal da escolha predestinada de Deus.

Segundo Marx Weber, a ética protestante calvinista libera os seguidores para investir

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História Moderna

em atividades lucrativa como bancos, industria têxtil, comércio e portanto está intimamente
ligada ao desenvolvimento do Capitalismo nos séc 16 e 17 pela aceitação do lucro,
condenados pela Igreja Católica, e noção de progresso, sucesso individual, forma as bases
para o fortalecimento da economia capitalista.
Um outro elemento central no pensamento calvinista era a extrema valorização do
trabalho que era vista como forma de salvação e pelo trabalho se glorificava a Deus. Uma
vez que a moral calvinista proibida dançar, festejar, jogar, o luxo, e libertinagem, a vida dos
calvinistas giravam em torno do trabalho de forma disciplinada, evitando desperdiçar um
minuto sequer, pois isso seria uma desonra a Deus.
A riqueza adquirida pelo trabalho e acumulada não deveria ser gasta em coisas
supérfluas, mas reinvestida na criação de novas formas de trabalho, em outras palavras o
capital acumulado deve ser reaplicado em uma nova forma de capital produtivo.

Diferente do Calvinismo, o Catolicismo medieval via o trabalho como algo ligado ao


pecado original, como castigo. Não via como uma forma de conduzir o indivíduo a salvação.

O Calvinismo se espalha pela Holanda, Escócia e Inglaterra, dando origem a duas


correntes. A dos mais moderados, presbiterianos, e a mais radicais, puritanos. Genebra
torna-se o centro do Calvinismo e a versão proposta por Calvino atrai os burgueses, que
junto com o Luteranismo passa a ameaçar a Igreja Católica Romana. Em 1570, 40% da
Europa já havia se convertido ao protestantismo.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 5 - Quebra Da Unidade 25
Religiosa: Reforma
Protestante
Henrique VIII: Afirmação Do Estado Sobre A Igreja (p. 215 a 217)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
A Reforma na Inglaterra foi imposta por Henrique VIII (1491-1547), culminou no
rompimento com a Igreja Católica em 1537 e o surgimento da Igreja Anglicana.
A questão começou quando Henrique, apaixona-se por Ana Bolena e pede a anulação
do seu casamento com Catarina de Aragão para o papa, que nega este pedido. Henrique então
pede para que seu casamento seja invalidado por um Tribunal Eclesiástico Inglês e casa-se

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História Moderna

com Ana Bolena.


Em 1533, publica o Ato de Supremacia, tornando-se chefe supremo da Igreja
Anglicana e executando todos que não aceitaram este Ato. Um dos grandes humanistas,
Thormas Morus, autor de Utopia, foi um deles.
Thomas Cromwell, vigário, organizou a Igreja Anglicana, mantendo considerável parte
da hierarquia e ritos romanos, com objetivo e para de assegurar o apoio do clero e dos fiéis
ao rei.

No reinado de Elizabeth I, de 1558 a 1603, o anglicanismo se consolidou,


incorporando elementos do protestantismo, como aceitar somente os sacramentos do batismo
e eucaristia, e a predestinação. Porém manteve a hierarquia eclesiástica da Igreja Católica.

A Reforma Protestante, provocou várias mudanças em vários segmentos do mundo


europeu. Contribuiu para o fortalecimento e formação dos estados modernos propondo o
rompimento com a Igreja Católica, ao mesmo tempo que serviu como uma alavanca para o
desenvolvimento do Capitalismo.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 5 - Quebra Da Unidade 26
Religiosa: Reforma
Protestante
Reforma Protestante E Reforma Social: Conflitos E Resistências (p. 217 a 221)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
As guerras por motivações religiosas durante o séc. 16 traziam a tona a divergência
entre as classes sociais, provocando perseguições políticas e movimentos migratórios,
motivados pela expansão territorial e comercial dos Estados Modernos, que tinham relação
direta no conflito, contra ou ao lado da Igreja Católica.
Na “noite de São Bartolomeu”, em 1572, houve um massacre de milhares de
protestantes, aproveitando a tensão do casamento entre religiões, de sua filha Maria de Valois
com o protestante Henrique de Navarra, Catarina de Médicis, ordenou que os huguenotes
(calvinistas) fossem assassinados. Henrique de Navarra se tornará Henrique IV, e se
converterá ao Catolicismo.
Várias revoltas camponesas foram causadas pelo Protestantismo, contra a condição

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História Moderna

social de vida dos camponeses, saques a castelos opondo-se ao pensamento moderado de


Calvino, Lutero e Zwínglio.

Os Anabistas
Nas lutas camponesas que aconteceram na Alemanha, um dos movimentos importantes
foi o Anabatismo. Lutero se posicionou contrario ao movimento.
Thomas Müntzer (1489-1525), téologo alemão, um dos líderes anabistas e uma figura
importante na época da Reforma Protestante, defendia a separação da Igreja e Estado, e
ainda sem a subordinação da Igreja ao Estado.
Pregava contra a exploração social dos ricos, e lutava por uma igualdade social,
buscando a cristianização do mundo, mas fazia isso através da violência.
Em 1525, Müntzer e Heinrich Pfeiffer, lideraram uma grande revolta na Alemanhã, se
estendendo do Tirol até Alsácia, juntando forças camponesas, mineiros, homens
empobrecidos, os proletários das cidades. Centenas de camponeses foram mortos. Müntzer é
preso e decapitado no mesmo ano.

Segundo o historiador britânico Colin McEvedy (1990, p. 40) as grandes potências da


época, França e Espanha, tinham uma Igreja Católica nacional politicamente forte e
contribuíam com uma grande parte para o tesouro secular, o que significava que podiam
fazer o Vaticano a fazer concessões, diferente de Estados nacionais mais fracos, portanto
nada tinham a ganhar adotando a Reforma Protestante.
Em fins do séc. 16, começou a contrarreforma da Igreja Católica. Conflitos ainda
levariam a milhões de mortes no séc. 17.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 6 - Reação Da Santa Sé: 27
Reforma Católica
E Santa Inquisição
Reforma Católica (p. 231 a 235)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
Apesar de um primeiro êxito do Protestantismo, com uma nova mensagem de
esperança, em algumas partes, o Catolicismo, com seus costumes e hábitos de 1500 anos,

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História Moderna

conseguiu fazer frente ao avanço reformista.


O papado se fortalece com a diminuição da violência exercendo um controle ainda
maior nos territórios que manteve, pois com a divisão do cristianismo o papa recebe novos
poderes para combater o Protestantismo.
Os católicos como João Cochlaeus (1479-1522), humanista, lança uma obra discutindo
o caráter moral de Lutero. Isso o prejudicou até mesmo entre seus adeptos.
As críticas de ambos os lados sobre a moral alheia tanto de protestantes e católicos foi
perdendo força com o tempo. Vozes reformistas ecoavam desde a era medieval e os ataques
ao clero e a degradação espiritual já atingiam a Igreja a muito tempo.
O papa Leão X convocou o Concílio de Latrão entre 1512 e 1517, e produziu algumas
propostas de reforma, porém além de sensatas não conseguiam sensibilizar a alta cúpula da
Igreja. Isso só mudou com o avanço do Protestantismo em vários países, como a Alemanha,
Escócia, Inglaterra, Holanda. A criação de novas vertentes do cristianismo, como o
calvinismo e o anglicanismo também ajudou neste processo e a Igreja Católica precisou
tomar medidas para impedir esse avanço e se viu forçada a realizar mudanças.
A posição dos católicos se tornou mais ativa e mais intolerante. Os abusos do papado
deveriam ser remediados, uma prática espiritual austera e pura deveria ser estabelecida e o
caráter mundano da Igreja extirpado.
No séc. 16 aconteceram algumas mudanças:
1. Em 1516, fundou-se o Oratório do Amor Divino em Roma, para prática de obras de
caridade e oração.
2. Santa Tereza de Ávila (1515-1582), reforma a ordem das Carmelitas e escreve “O
Castelo Interior”, um profundo tratado de oração em 1577.
3. Santo Inácio de Loyola (1491-1556) fundador da Companhia de Jesus, publica em
1526 um livrinho Exercícios Espirituais, manual de meditação e estudo detalhado.
O Catolicismo é salvo pela prática da “oração”, movimento espiritual que se propagou
entre leigos e em alguns atinge o misticismo, faz recuar o Protestantismo, porém contribuiu
com o aumento da repressão na Espanha e Itália.
Para alguns historiadores a Reforma Católica e Contrarreforma não tem o mesmo
significado que segundo Mullet (1985, p. 13-14):
1. Contrarreforma é o contra ataque ao avanço do Protestantismo.
2. Reforma Católica é uma profunda restauração do Catolicismo no séc. 16.

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História Moderna

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 6 - Reação Da Santa Sé: 28
Reforma Católica
E Santa Inquisição
Contrarreforma E O Concílio De Trento (p. 235 a 243)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
O Concílio de Trento (1545-1563), convocado pelo papa João III, para discutir
assuntos doutrinais, dogmáticos, morais e disciplinares, está diretamente relacionado com a
questão da Igreja tentar resolver seus problemas internos para conter o avanço do
Protestantismo.
O objetivo era:
1. Moralizar o Clero;
2. Fortalecer a hierarquia eclesiástica;
3. Esclarecer os fiéis sobre as questões luteranas.

Carlos V, imperador do Sacro Império Romano Germano, ficou contrariado. Esperava


que antes das questões doutrinais e dogmáticas que somente agravariam a divisão das
religiões, reformas internas fossem realizadas pela Igreja com o objetivo de acabar com o
cisma entre Católicos e Protestantes. Porém, acabou reforçando o caráter combativo da
Igreja em relação às críticas dos Protestantes.
A preocupação de Carlos V em restabelecer a união Catolicismo e Protestantismo,
passava pela união política do Sacro Império Romano Germano da independência dos
príncipes que comandava de se libertarem de sua autoridade.

No Concílio de Trento define a partir de uma visão conservadora os dogmas da Igreja


criticados pelos protestantes:
1. O valor das obras para a salvação;
2. Os sete sacramentos;
3. A infalibilidade do papa;
4. O celibato clerical.
A partir de então, qualquer cristão que não aceitasse esses dogmas seria excomungado.
Todas as proposições enviadas pelos Protestantes apresentadas no Concílio foram
combatidas por Roma.

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História Moderna

Algumas controvérsias do Concílio:


1. Os católicos defendiam:
1. Transubstanciação: o pão se transforma na carne de Cristo, e o vinho em seu
sangue.
2. A fé é o começo da salvação do homem, porém é preciso as obras (prestar culto a
Deus, guardar o domingo, não matar, não roubar, não cometer adultério, ajudar o
próximo, rezar pelos mortos e venerar os santos) para que sua salvação se efetue.
3. Por meio do livre arbítrio a pessoa poderia aceitar ou não a graça divina, agindo
de maneira boa ou má.
4. Consideravam que Cristo estabeleceu os sete sacramentos: batismo, eucaristia,
crisma, penitencia, matrimônio, ordem e extrema unção.
5. Somente os padres poderiam explicar a Bíblia. Os fiéis poderiam le-las em
versões autorizadas e comentadas pela Igreja.
6. Quanto às indulgências que foram o estopim da cisão entre protestantes e
católicos, a Igreja reafirmou sua importância, mas com cautela e moderação em
sua aplicação e que se colocasse um fim nos abusos cometidos até então.
2. O que os protestantes defendiam:
1. Consubstanciação: Cristo se fazia presente no vinho e no pão sem modificá-los.
2. Basta a fé para que o homem seja salvo. Para os luteranos as “obras”
significavam a “compra” da graça.
3. Predestinação.
4. Consideravam dois sacramentos, o batismo e a eucaristia.
5. Qualquer pessoa poderia ler e explicar a Bíblia.
6. Negavam qualquer valor às indulgências.

Medidas disciplinares tomadas pelo Concílio:


1. O celibato clerical foi mantido.
2. Os bispos foram obrigados a residir em determinados lugares.
3. Proibido a ordenação de padres antes de 25 anos de idade.
4. Os padres instruíam os fiéis sobre as decisões do Concílio.

O papa ainda pediu aos príncipes que as ordenações do Concílio tivessem o caráter de

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História Moderna

leis do Estado. Itália, Polônia, Portugal e Santo Império Germânico aceitaram sem reservas
este pedido. Espanha acolheu, mas não aceito decretos sobre à disciplina. Países Baixos
aceitaram com modificações na disciplina.
Na França, as ordens do concílio nunca foram ratificadas. Os movimentos protestantes
eram fortes.

Título Geral Título Específico No da Ficha


História Moderna I Unidade 6 - Reação Da Santa Sé: 29
Reforma Católica
E Santa Inquisição
Companhia De Jesus, Inquisição E O Index (p. 243a 250)
TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.
A Companhia de Jesus
Em 1534 a Companhia de Jesus foi criada pelo espanhol Inácio de Loyola e obteve
reconhecimento do papa tornando-se uma das principais armas da Igreja na Contrarreforma,
com organização e disciplina rígida nos moldes militares, passaram a ser conhecidos como
“soldados de Cristo”.
Tiveram êxito em combater os Protestantes na Europa principalmente da Baviera,
Trèves, Mogúncia, Augsburgo, Colônia, Paderborn, Munster, Hildesheim, Austria e Polônia,
extirpando-os dessas regiões.
Dedicaram-se intensamente a educação e a catequese através dos Colégios que atraiam
milhares de alunos (principalmente os mais ricos), promovendo os dogmas católicos e se
combatia a disseminação do protestantismo.
Ampliaram o número de fiéis, catequizando em outros continentes como e América e a
Asia.

Os jesuítas chegaram no Brasil em 1549, liderados pelo padre Manoel da Nóbrega.


Sua missão era a evangelização dos índios, conduzindo-os aos costumes e língua lusitanos e
facilitando a colonização dos portugueses na conquista das novas terras. Para o sucesso do
plano era preciso que eles soubessem a ler e escrever, por isso os jesuítas levantaram escolas
próximas as aldeias. Utilizavam-se de orfãos e moços trazidos de lisboa para que se
misturassem e aprendessem a língua dos nativos e auxiliassem na catequese das crianças
nativas. Eram chamados de “meninos-lingua”.

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História Moderna

Além disso durante todo período colonial a educação das crianças da colônia,
principalmente dos senhores de engenho, estavam a cargo desta ordem.

O Santo Ofício
Com a Reforma Protestante, o Tribunal do Santo Ofício criado na Idade Média para
combater manifestações contra a Igreja.
Em 21 de julho de 1542, o arcebispo de Nápoles Gian Pietro Carafa, ferraz opositor da
doutrina luterana, assegurou a promulgação da bula “Licet ab initio” pelo então papa Paulo
III, que reformava a Inquisição na Itália.
Carafa, se tornaria Paulo IV (1555-1559), tornou-se inquisidor-mor na Itália, seguindo
os modelos da Inquisição francesa e espanhola para a erradicação da doutrina luterana A
inquisição nos sécs. 16, 17 e 18 atingiu seu apogeu de crueldade.
Qualquer dúvida sobre a perfeição do papa e da Igreja também era motivo para ser
apreciado a Inquisição. Podia-se ser delatado, ou mesmo um rumor levá-lo à Inquisição.
Giordano Bruno e Galileu Galilei estiveram entre eles. Galileu Galilei, negando sua própria
teoria escapou da morte. Espiões ajudavam a “encontrar” os acusados. Eram chamados de
“familiares”.
O avanço da Inquisição na Itália teve como consequências a estagnação das ideias
humanistas. Seus pensadores que se amedrontavam a quem quer que fosse ousar pensar
sobre a natureza das coisas e se exilaram ou se conformaram com a ideia que lhes era
imposta.
A censura foi implantada. A publicação de livros podia ser perigosa e muitos
governantes apoiaram essa decisão. A imprensa era controlada pela Inquisição que
percebiam na imprensa uma arma para a manutenção da ordem e da autoridade estabelecida.
Professores das universidades também defendiam a Igreja, retardando a divulgação das
descobertas como a tese heliocêntrica de Nicolau Copérnico e comprovada por Galilei.
Muitos livros foram queimados. Em 1543, Carafa publicou uma lista dos livros que não
concordava e em 1559 foi publicado o Index Librorum Prohibitorum, uma lista de livros que
deveriam ser retirados de circulação e queimados.
O Index, também contevem em suas páginas obras de pensadores como Maquiavel,
Locke, Hobbes, Descartes, Hume, Kant, Voltaire, Alexandre Dumas, Daniel Defoe, Victor
Hugo, Émile Zola, Balzac e Flaubert ao longo de sua história.

41 - 43
História Moderna

Em 1478, a Inquisição foi implantada na Espanha. Em Portugal começou em 1536, e


em ambos os países serviu mais para questões políticas, e os motivos da implantação é que
nesses dois reinos haviam três grandes religiões: judeus, cristãos e muçulmanos. Ambos os
tribunais tinham um acordo, e quando se encontrava um herege, todos os seus bens eram
divididos meio a meio entre Igreja e Estado.

Em 1942, após o término das Guerras da Reconquista e com a centralização do poder


na Espanha, determinou a existência de somente uma religião, ocasionando uma emigração
dos judeus. A Inquisição espanhola tinha como objetivo identificar nas famílias de cristãos
novos, ou seja nos judeus que se converteram para o cristianismo, aqueles que eram em que
a conversão não era sincera e eram heréticos realizando os rituais judaicos.

Em Portugal, o motivo da Inquisição era a alegação de que os judeus que ali viviam
não eram verdadeiros cristãos e a função do tribunal era vigiar e punir as dúvidas ou
contestações à Igreja. Em Portugal ocorreu uma retração do desenvolvimento comercial, já
que muitos judeus que ali viviam foram obrigados a abandonar o território levando consigo
suas fortunas e aplicá-las sobretudo no norte da Europa.
Também houve um fechamento ao saber externo e o conhecimento também foi
prejudicado que teve influências no Brasil, como a proibição de imprensa, universidades e
limitação de livros.

Bibliografia do Fichamento:

TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013.

Notas Finais:

42 - 43
i TORELLI, L. S.; PEREIRA, R. O. História Moderna I. Batatais: Claretiano, 2013. Esta tabela foi copiada por
sua utilidade e importância no estudo comparativo entre os estilos, tornando irrelevante e sem sentido um texto
explicativo.
ii Citação fundamental para entender a predestinação de Calvino.