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Segunda a concepção evangélica, baseada na doutrina judaica, existe um intervalo entre juízo particular e

universal intermediado por um período de sono da alma. De encontro com esta concepção estão as cenas
propostas em Lucas 16,22-14 propõe uma imagem muita dinâmica dos mortos. Tanto do rico, quanto de
Lazaro. Uma pessoa em estado de sono da alma não poderia sofrer, clamar, dialogar como foi proposto no
Evangelho. Romanos, 8 “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição?
A fome? A nudez? O perigo? A espada? Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os
anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades,nem as alturas, nem os abismos,
nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus”. Primeira ponto a ser ressaltado, a morte
não nos retira do corpo de Cristo, a única finalidade de ter uma vida de fé é que o batismo nos assegura
perpetuamente que estaremos unidos a Cristo e por Ele nos foi dado gozar a salvação “Credes em Deus,
credes também em mim, na casa de meu Pai há muitas moradas” Jesus não disse em nenhum momento que
os mortos dormiriam enquanto ele prepara esta morada, pelo contrário. Com isto não se nega o dia final em
que Cristo será tudo em todos, haverá a glorificação dos santos e condenação dos pecadores no juízo
universal, mas por hora isto não tira a existência do céu e da possibilidade da salvação. Confirmando isto
cito o livro do Apocalipse que fala em várias passagens das atividades daqueles que já morreram diante do
trono de Deus, por exemplo no capítulo 6 do Apocalipse se diz: “Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do
altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram
depositários.E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro,
ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?” Perceba que João tem a
visão dos Santos em oração, rezando nos céu, e aqui não havia ocorrido ainda a ressurreição, ainda está na
abertura dos selos e na tribulação. Mas mesmo assim os Santos clamam a Deus, é o retrato dos mortos
rezando. Além disso, no próprio seguimento do texto, capítulo 7, se diz: “Então um dos Anciãos falou
comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm?Respondi-
lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as
suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e
noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono os abrigará em sua tenda. Já não terão fome, nem
sede, nem o sol ou calor”. Aqui nesta passagem permanece o ensinamento de que os mortos justos prestam
culto a Deus nos céus. Os mortos prestam culto a Deus, os mortos rezam, intercedem, pois nada nos separará
do amor de Cristo, nem mesmo a morte. Esta foi a visão de São João. Na ressurreição, evidentemente, que se
dará no ultimo dia, haverá a ressurreição destas almas que adentraram em corpo e alma nos céus, agora não
mais com um corpo perecível, mas com um corpo glorioso a semelhança do corpo Cristo ressurreto. Em
resumo: Cristo é o único mediador, mas dizer que Ele é o único no sentido de sozinho, cria um problema
para todos aqueles que rezam ou oram para alguém, mesmo estando vivos, porque isto só nos é possível
como membros deste Corpo de Cristo e, partindo deste princípio, mesmo a morte, cujo aguilhão foi
derrotado, não pode nos expurgar deste corpo, logo, participantes deste corpo continuamos realizando, em
Cristo cabeça, esta mediação a Deus, de modo que podemos rezar, clamar a Deus e interceder mesmo após a
partida deste mundo se gozamos da graça e amizade com Deus.